a luta contra o inimigo invisível

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SAÚDE
A LUTA CONTRA O INIMIGO INVISÍVEL
Das 630 mil pessoas que vivem com o vírus da Aids no Brasil atualmente,
255 mil ainda não sabem que são soropositivas porque nunca fizeram o teste.
Portadores do HIV podem viver muitos anos com o tratamento adequado
Por Elder Ferreira | Especial para o jornal Ação
“Sou ex-dependente químico e atualmente estou em
recuperação. Contraí o vírus da Aids ao utilizar uma seringa contaminada.” A história de Gerson James é o retrato de muitas pessoas que acabam contraindo HIV − sigla
em inglês da imunodeficiência humana − com a utilização de drogas injetáveis. Gerson foi usuário desde os 14
anos e hoje, com 42, está buscando uma nova história.
O ex-dependente químico trabalha na Associação de Apoio
Esperança e Vida, de Campinas (SP), que acolhe e cuida
de pessoas que vivem com HIV e dependentes de drogas
lícitas e ilícitas em situação de exclusão social.
Quando descobriu que era soropositivo, Gerson intensificou o uso de drogas, uma vez que pensou que ia morrer rápido. No entanto, um bom tratamento trouxe novas
esperanças e muitos anos com qualidade de vida. “Hoje
estou gozando de plena saúde física, mental, espiritual e
20 | Ação | Nov-Dez/2010
com muita paz. Antes não tinha perspectiva de vida e agora aproveito o máximo. Sou feliz e isso é o que mais me
importa”, relata.
Dados do Ministério da Saúde (MS) estimam que 630
mil brasileiros vivem com o vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Desse total, 200 mil estão em
tratamento antirretroviral e 255 mil cidadãos ainda não
sabem que possuem o vírus. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em seis anos, houve aumento de 75% no número de pessoas infectadas.
Desde 1988, a OMS instituiu o Dia Mundial de Combate
à Aids, celebrado no dia 1º de dezembro. A data é oportunidade para que a sociedade se mobilize na luta contra
a doença. O uso de camisinha, além de prevenir contra
muitas doenças sexuais, como a Aids e a sífilis, previne a
gravidez não planejada.
EXÉRCITO EM COMBATE
Nosso sistema imunológico pode ser comparado a um
exército, responsável por defender o organismo de doenças. Esse exército está em constantes batalhas e um de
seus principais inimigos é o vírus HIV, causador da Aids.
O vírus ataca o sistema imunológico, que, danificado, deixa
o organismo exposto a outras infecções e doenças oportunistas, como pneumonia, tuberculose, herpes e câncer.
A pessoa não morre de Aids, e sim em decorrência dessas doenças. Os soldados de apoio são os antirretrovirais.
“O medicamento não destrói o HIV, mas protege as células
e não deixa que ele se reproduza. Ele dificulta a multiplicação do HIV”, destaca o professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do polo de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e da Aids da UnB,
Mário Ângelo Silva.
TRATAMENTO
Desde 1988, a OMS instituiu o
Dia Mundial de Combate à Aids,
celebrado no dia 1º de dezembro.
A data é oportunidade para que a sociedade se mobilize na luta contra a
doença. O uso de camisinha, além
de prevenir contra muitas doenças
sexuais, como a Aids e a sífilis, previne a gravidez não planejada.
O tratamento com medicamentos antirretrovirais no
Brasil é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já
o acompanhamento médico
pode ser realizado nas redes
pública e privada. Embora
muitos recorram ao SUS, a
Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil
(Cassi) assegura, sem custos para os participantes, a
cobertura dos antirretrovirais, preconizados no programa
do Ministério da Saúde, buscando a garantia de acesso
aos medicamentos e a continuidade do plano terapêutico. Na Cassi, os participantes soropositivos são acompanhados pelas equipes da Estratégia Saúde da Família
(ESF) da CliniCASSI com abordagem multidisciplinar e
com foco na coordenação dos cuidados desses associados, que podem incluir a participação de especialistas da
rede credenciada.
“Saber do contágio pelo HIV precocemente aumenta
a expectativa de vida do soropositivo. Quem busca tratamento especializado no tempo certo e segue as recomendações do médico ganha qualidade de vida”, destaca o
diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do
Ministério da Saúde, Dirceu Greco.
Ele acrescenta que o teste antiaids
é voluntário, individual e sigiloso.
Os testes são feitos nos Centros
de Testagem e Aconselhamento
(CTA) ou nas diversas unidades das
redes públicas de saúde. Os endereços dos centros estão disponíveis
no site do Departamento de DST,
Aids e Hepatites Virais (www.aids.
gov.br). Também é possível saber onde fazer o teste pelo
Disque Saúde (0800 61 1997).
“Se o resultado for positivo, essa pessoa recebe o suporte psicológico e emocional necessário ao momento e é encaminhada ao Serviço de Atendimento Especializado (SAE)
mais próximo de sua residência para que se consulte com
um médico infectologista, que passará a fazer seu acompanhamento. De acordo com o resultado dos exames, o
infectologista pode recomendar a introdução do tratamento antirretroviral, bem como o tratamento mais adequado.
O paciente precisa fazer o monitoramento periódico. Os
antirretrovirais são distribuídos de forma universal por
meio do SUS para todos os pacientes que precisarem. Todas as fases, do teste aos medicamentos, são realizadas
sem ônus para a população”, destaca Greco.
Ação | Nov-Dez/2010 | 21
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