A RELIGIÃO ISLÂMICA - ISLÃO - mvasconcelos

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A RELIGIÃO ISLÂMICA
Origem
O islamismo foi fundado no ano de 622, na região da Arábia, atual Arábia Saudita. Seu fundador, o profeta
Maomé, reuniu a base da fé islâmica num conjunto de versos conhecido como Corão - segundo ele, as
escrituras foram reveladas a ele por Deus por intermédio do Anjo Gabriel.
Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, o cristianismo e do judaísmo, as raízes de
Maomé estão ligadas ao profeta e patriarca Abraão. Maomé seria seu descendente. Abraão construiu a
Caaba, em Meca, principal local sagrado do islamismo. Para os muçulmanos, o islamismo é a restauração
da fé de Abraão.
Ainda no início da formação do Corão, Maomé e um ainda pequeno grupo de seguidores foram
perseguidos por grupos rivais e deixaram a cidade de Meca rumo a Medina. A migração, conhecida como
Hégira, dá início ao calendário muçulmano. Em Medina, a palavra de Deus revelada a Maomé conquistou
adeptos em ritmo acelerado.
O profeta retornou a Meca anos depois, perdoou os inimigos e iniciou a consolidação da religião islâmica.
Quando ele morreu, aos 63 anos, a maior parte da Arábia já era muçulmana. Um século depois, o
islamismo era praticado da Espanha até a China. Na virada do segundo milênio, a religião tornou-se a
mais praticada do mundo, com 1,3 bilhão de adeptos.
Profeta Maomé
Maomé nasceu em Meca, no ano de 570. Órfão de pai e mãe, foi criado pelo tio, membro da tribo dos
coraixitas. De acordo com historiadores, tornou-se conhecido pela sabedoria e compreensão, tanto que
servia de mediador em disputas tribais. Adepto da meditação, ele realizava um retiro quando afirmou ter
recebido a primeira revelação de Deus através do anjo Gabriel. Na época, ele tinha 40 anos. As revelações
prosseguiram pelos 23 anos restantes da vida do profeta.
Contrário à guerra entre tribos na Arábia, Maomé foi alvo de terroristas e escapou de várias tentativas de
assassinato. Enquanto conquistava fiéis, empregava as escrituras na tentativa de pacificar sua terra tarefa que cumpriu antes de morrer, aos 63 anos, depois de retornar a Meca. Para os muçulmanos, Maomé
é uma figura digna de extrema admiração e respeito, mas não é o alvo de sua adoração. Ele foi o último
dos profetas a trazer a mensagem divina, mas só Deus é adorado.
Conversão
Não é preciso ter nascido muçulmano ou ser casado com um praticante da religião. Também não é
necessário estudar ou se preparar especialmente para a conversão. Uma pessoa se torna muçulmana
quando proferir, em árabe e diante de uma testemunha, que "não há divindade além de Deus, e
Mohammad é o Mensageiro de Deus". O processo de conversão extremamente simples é apontado como
um dos motivos para a rápida expansão do islamismo pelo mundo. A jornada para a prática completa da
fé, contudo, é muito mais complexa. Nessa tarefa, outros muçulmanos devem ajudar no ensinamento.
Crenças
A base da fé islâmica é o cumprimento dos desejos de Deus, que é único e incomparável. A própria palavra
Islã quer dizer "rendição", ou "submissão". Assim, o seguidor da religião islâmica deve obedecer às
escrituras, orar e glorificar apenas seu Deus e ser fiel à mensagem que Maomé trouxe.
Os muçulmanos enxergam nas escrituras divulgadas por Maomé a continuação de uma grande linhagem
de profecias, trazidas por figuras que fazem parte dos livros sagrados dos judeus e cristãos - como Adão,
Noé, Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Os cristãos e judeus, aliás, são chamados no Corão Povos das
Escrituras, com garantia de respeito e tolerância.
O seguidor do islamismo tem como algumas de suas obrigações "promover o bem e reprimir o mal", evitar
a usúria e o jogo e não consumir o álcool e a carne de porco. Um dos principais desafios do muçulmano é
obter êxito na jihad - que, ao contrário do que muitos acreditam no Ocidente, não significa exatamente
"guerra santa", mas sim o esforço e a luta do muçulmano para agir corretamente e cumprir o caminho
indicado por Deus.
Os muçulmanos acreditam no dia do juízo final e na vida após a morte, quando o praticante da religião
recebe sua recompensa ou sua punição pelo que fez na Terra. Acreditam também na unidade da "nação"
do Islã - uma crença simbolizada pela gigantesca peregrinação anual a Meca, que reune muçulmanos do
mundo todo, lado a lado.
Cinco pilares
Os cinco pilares do islamismo formam a estrutura de vida do seguidor da religião. São eles:
• Pronunciar a declaração de fé intitulada "chahada": "Não há outra divindade além de Deus e Mohammad
é seu Mensageiro".
• Realizar as cinco orações obrigatórias durante cada dia, no ritual chamado "salat". As orações servem
como uma ligação direta entre o muçulmano e Deus. Como não há autoridades hierárquicas, como padres
ou pastores, um membro da comunidade com grande conhecimento do Corão dirige as orações. Os versos
são recitados em árabe, e as súplicas pessoas são feitas no idioma de escolha do muçulmano. As orações
são feitas no amanhecer, ao meio-dia, no meio da tarde, no cair da noite e à noite. Não é obrigatório orar
na mesquita - o ritual pode ser cumprido em qualquer lugar.
• Fazer o que puder para ajudar quem precisa, no chamado "zakat". A caridade é uma obrigação do
muçulmano, mas deve ser voluntária e, de preferência, em segredo. O muçulmano deve doar uma parte
de sua riqueza anualmente, uma forma de mostrar que a prosperidade não é da pessoa - a riqueza é
originária de Deus e retorna para Deus.
• Jejuar durante o mês sagrado do Ramadã, todos os anos. Nesse período, todos os muçulmanos devem
permanecer em jejum do amanhecer ao anoitecer, abstendo-se também de bebida e sexo. As exceções
são os doentes, idosos, mulheres grávidas ou pessoas com algum tipo de incapacidade física - eles podem
fazer o jejum em outra época do ano ou alimentar uma pessoa necessitada para cada dia que o jejum foi
quebrado. O muçulmano que cumpre o jejum se purifica ao vivenciar a experiência de quem passa fome.
No fim do Ramadã, o muçulmano celebra o Eid-al-Fith, uma das duas principais festas do calendário
islâmico.
• Realizar a peregrinação a Meca, o "haj". Todos os muçulmanos com saúde e condição financeira
favorável deve realizar a peregrinação pelo menos uma vez na vida. Todos os anos, cerca de 2 milhões
de pessoas de todas as partes do mundo se reúnem em Meca, sempre com vestimentas simples - para
eliminar as diferenças de classe e cultura. No fim da peregrinação, há o festival de Eid-Al-Adha, com
orações e troca de presentes - a segunda festa mais importante.
O Corão
O livro sagrado dos muçulmanos reúne todas as revelações de Deus feitas ao profeta Maomé através do
anjo Gabriel. No Corão estão instruções para a crença e a conduta do seguidor da religião - não fala
apenas de fé, mas também de aspectos sociais e políticos. Dividido em 114 "suratas" (capítuolos), com
vários versículos cada (o número varia de 3 a 286 versículos), o Corão foi escrito em árabe formal e, com
o tempo, tornou-se de difícil entendimento.
O complemento para sua leitura é a Sunna, coletânea de registros de discursos do profeta Maomé,
geralmente em linguagem mais clara e fluente. Cada uma dessas mensagens tiradas dos discursos é
conhecida como "hadith". Como os relatos foram de pessoas diferentes, há muitas divergências entre os
registros de ensinamentos do profeta: cada um contava a mensagem da forma que o interessava. Além
de contradições, as "hadith" provocaram também uma expansão dos conceitos do Islã, ao incorporar
tradições e doutrinas sobre sociedade e justiça - aspecto importante na formação da cultura islâmica em
geral, que não ficou restrita à religião.
Sharia
É a lei religiosa do islamismo. Como o muçulmano não vê distinção entre o aspecto religioso e o resto da
sua conduta pessoal, a lei islâmica não trata só de rituais e crenças, mas de todos os aspectos da vida
cotidiana. Apesar de ter passado por um detalhado processo de formatação, a lei islâmica ainda é aplicada
de formas variadas ao redor do mundo - os países adotam a sharia têm interpretações mais ou menos
rigorosas dela.
Na Arábia Saudita, por exemplo, vigora uma das mais conservadoras versões da lei islâmica. O
Afeganistão da época da milícia Talibã teve a mais dura e radical aplicação da sharia nos tempos modernos
- proibia música e outras expressões culturais e esportivas, restringia gravemente todos os direitos das
mulheres e ordenava punições bárbaras. A sharia, porém, é adotada formalmente numa minoria de países
com grandes populações islâmicas.
Mesquitas
As construções reservadas para as orações dos muçulmanos são chamadas mesquitas, ou "masjids". Os
prédios, contudo, não precisam ser especialmente construídos com esse fim - qualquer local onde a
comunidade muçulmana se reúne para orar é uma mesquita.
Há dezenas de milhares de mesquitas no mundo, e elas vão desde as construções mais esplendorosas,
com arquitetura riquíssima, às mais modestas, adaptadas dentro de outras estruturas.
A mesquita de Caaba, em Meca, é uma das mais famosas, pois é o centro da peregrinação do "haj". A
mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, também é um local muito visitado pelos muçulmanos de todo o mundo
- ela abrigaria a pedra de onde Maomé "ascendeu ao céu".
Festas e datas
As duas principais festividades do islamismo são o Eid-Al-Adha, que coincide com a peregrinação anual a
Meca, e o Eid-al-Fith, quando se quebra o jejum do mês do Ramadã. O mês sagrado, aliás, é o principal
período do calendário islâmico.
Os muçulmanos xiitas também comemoram o Eid-al-Ghadir - aniversário da declaração de Maomé
indicando Ali como seu sucessor. Outras festas islâmicas são o aniversário de Maomé (Al-Mawlid AlNabawwi) e o aniversário de sua jornada a Jerusalém (Al-Isra Wa-l-Miraj).
Grupos
Os muçulmanos estão divididos entre sunitas, o grupo majoritário, e xiitas, a minoria dentro da religião. Os
sunitas formam o tronco principal da religião, ligado à interpretação mais aceita da história islâmica, e
reúnem cerca de 90% dos muçulmanos no mundo. A diferença em relação ao Islã xiita é a aceitação à
seqüência de califas da história islâmica. Sem características comuns entre si, os muçulmanos sunitas
incluem praticantes da religião em todas as partes do mundo e de todas as tendências, dos mais
conservadores até os moderados e seculares.
Os xiitas, que reúnem cerca de 10% dos muçulmanos, surgiram como movimento político de apoio a Ali e
acabaram formando uma ramificação da religião islâmica. A dissidência surgiu quando os xiitas se uniram
para apoiar Ali, primo de Maomé, como o herdeiro legítimo do poder no Islã após a morte do profeta, com
base na suposta declaração de que ele era seu sucessor ideal.
A evolução para uma fórmula religiosa diferente teria começado com o martírio de Husain, o filho mais
novo de ali, no ano de 680, em Karbala (no atual Iraque). Os clérigos xiitas são os mulás e mujtahids, mas
o clero não tem uma hierarquia formal. Os xiitas foram os responsáveis pela revolução islâmica do Irã, em
1979, e têm graves divergências com setores do islamismo sunita.
A DEMOGRAFIA DA FÉ
Islamismo em ascensão
Durante séculos, o catolicismo desfrutou o privilégio de ser a religião com o maior número de fiéis. Já não
é assim. Em março de 2008, monsenhor Vittorio Formenti trabalhava na edição do relatório anual de
estatísticas do Vaticano e revelou ao L'Osservatore Romano, órgão oficial da Igreja, que há 1,3 bilhão de
muçulmanos no mundo e apenas 1,1 bilhão de católicos. Em termos porcentuais, eles representam 19,6%
da população mundial, enquanto os católicos são 17,4%.
A vantagem islâmica no jogo demográfico é, por enquanto, parcial, pois se forem somados os fiéis de
todas as denominações cristãs o total ultrapassa 2 bilhões de pessoas. O próprio Islã não é um bloco
monolítico. Cada uma de suas várias vertentes - xiita, sunita, alauíta etc. - é, isoladamente, menor que o
catolicismo. O futuro, de todo modo, favorece os seguidores de Maomé. No ritmo atual de expansão do
islamismo, em menos de vinte anos os muçulmanos serão 30% da humanidade. O número de católicos
então representará 16,7% da população mundial e os cristãos serão 25%.
Alguns fatos ajudam a entender essa expansão. A primeira é a diferença nas taxas de fertilidade entre os
adeptos das duas religiões. O número de filhos por mulher cai nos países de maioria católica há mais de
uma década. São sociedades modernas, em que as mulheres dão prioridade à profissão e o custo da
educação dos filhos ajuda na decisão de optar por uma família menor. Na Itália e na Espanha, tradicionais
bastiões do catolicismo, os índices de fertilidade estão entre os mais baixos do mundo. Na Europa, a taxa
média é de 1,37 filho por mulher, bem abaixo dos 2,1 necessários para manter o tamanho da população.
Na maior parte do mundo islâmico, o índice se mantém bem acima da média de reposição populacional.
Dos dez países com as maiores taxas de fertilidade, seis são de maioria muçulmana. No Afeganistão, que
lidera o ranking, a média é sete filhos por mulher.
A Igreja Católica sofre uma sangria de fiéis - eles debandam para as seitas pentecostais, sobretudo na
América Latina -, fenômeno que não existe nas fileiras do Islã. A contrapartida ocorre na África, onde o
número de católicos triplicou nos últimos 26 anos. Até 2050, o planeta ganhará mais 2,7 bilhões de
habitantes. Desse total, 40% virão da África Subsaariana, a África Negra. Outros 30% virão de países
majoritariamente muçulmanos. Apenas 1% virá das nações ocidentais ricas, onde o cristianismo está mais
consolidado.
OS PAÍSES COM MAIORIA ISLÂMICA
Oriente Médio
Arábia Saudita
95% de muçulmanos sunitas, 5% de muçulmanos xiitas
Berço do Islã, abriga as cidades sagradas de Meca e Medina e adota uma interpretação conservadora da
lei islâmica. País natal de Osama bin Laden e de quinze dos 19 seqüestradores dos aviões de 11 de
setembro de 2001. Em função de sua boa relação com os EUA, a família real sofre a oposição de vários
grupos radicais, incluindo a rede Al Qaeda. Sabe-se, porém, que muitas figuras importantes ajudam a
financiar os terroristas muçulmanos.
Irã
89% de muçulmanos xiitas, 10% de muçulmanos sunitas
O país se tornou uma República Islâmica depois da revolução de 1979. Desde então, os aiatolás são a
autoridade política máxima, cujo poder se sobrepõe ao do presidente e do parlamento, eleitos em votação
popular. Desde o fim da década de 90, o Irã vive uma luta entre os clérigos conservadores e os reformistas,
que defendem a flexibilização do regime islâmico.
Iraque
60% de muçulmanos xiitas, 32% de muçulmanos sunitas
No regime de Saddam Hussein (um sunita), o estado era secular, e manifestações religiosas eram
proibidas dentro da estrutura do governo. Com a queda do ditador, a maioria xiita pretende ter um papel
mais influente no comando do país. A guerra teve um efeito contrário ao esperado pelos EUA: o fanatismo
religioso e o terrorismo ligado à religião estão mais fortes que na época de Saddam.
Egito
94% de muçulmanos sunitas
O governo e o sistema judicial são seculares, mas as leis familiares são baseadas na religião e a atuação
de grupos radicais ainda é grande. O Egito é o local de origem da primeira facção radical do Islã, a
Irmandade Muçulmana, e deu origem também ao grupo Jihad Islâmica. Depois da execução do presidente
Anuar Sadat pelos radicais, em 1981, o governo prendeu e matou milhares de pessoas na repressão ao
extremismo religioso.
Territórios palestinos
90% de muçulmanos
A sociedade e a política palestinas têm fortes tradições seculares. A revolta contra Israel, no entanto, deu
força a grupos religiosos radicais (Hamas, Jihad Islâmica, Brigadas de Mártires de Al Aqsa) e a influência
do islamismo na política tornou-se dominante.
Líbano
41% de muçulmanos xiitas e 27% de muçulmanos sunitas
Com uma formação de governo que reflete a distribuição religiosa da população (primeiro-ministro é
sempre sunita e o presidente do parlamento, xiita), é a terra do grupo radical Hezbolá. Para os EUA, o
Hezbolá é uma organização terrorista; para o Líbano, um movimento legítimo de resistência contra os
israelenses e uma organização política legalizada.
Jordânia
92% de muçulmanos sunitas
A família real está no poder desde a independência, em 1946 - e sua aceitação se baseia no fato de que
os príncipes seriam descendentes diretos do profeta Maomé. A sociedade é conservadora e a
interpretação do Islã é rigorosa - costumes de séculos atrás são mantidos graças à religião.
Outros países de maioria muçulmana: Iêmen, Omã, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait,
Síria
Ásia
Indonésia
88% de muçulmanos
Apesar de abrigar a maior população muçulmana do planeta, o país tem uma constituição secular. Há
dezenas de facções radicais que defendem a adoção da lei islâmica e a formação de um estado com
governo religioso, mas os muçulmanos moderados são contra. É a terra do Jemaah Islamiah, grupo ligado
à Al Qaeda culpado pelo atentado que matou 200 pessoas em Bali, em 2002.
Afeganistão
84% de muçulmanos sunitas, 15% de muçulmanos xiitas
País onde surgiu a mais radical forma de interpretação do islamismo, através da milícia Talibã, que governo
o país do fim da década de 90 até depois do 11 de setembro de 2001. Serviu de campo de treinamento
para terroristas islâmicos do mundo todo, até que a ação militar americana atacou essas instalações e
colocou no poder um líder muçulmano moderado.
Paquistão
77% de muçulmanos sunitas, 20% de muçulmanos xiitas
Formado como um estado muçulmano resultante da partilha do subcontinente indiano, em 1947, trava
uma tensa disputa com a vizinha Índia pela posse da Caxemira. Os extremistas islâmicos atacam os
soldados indianos, que controlam o território, por julgar que a área é dos muçulmanos. Além disso o país
sofre com conflitos entre sunitas e xiitas e entre muçulmanos radicais e cristãos.
Malásia
53% de muçulmanos
O governo diz ser tolerante com todas as religiões, mas o islamismo é a fé oficial do país. Não-muçulmanos
dizem ser vítimas de discriminação das autoridades. Os radicais muçulmanos dizem que não é o bastante:
querem oficializar a adoção da lei islâmica tradicional em toda a Malásia.
Outros países de maioria muçulmana: Brunei, Bangladesh
África
Nigéria
50% de muçulmanos
Tensões com os cristãos provocaram milhares de mortes no país. A adoção da lei islâmica em doze
estados do norte provocou um êxodo entre os seguidores do cristianismo. O governo tem dificuldade para
controlar os grupos radicais de ambos os lados.
Argélia
99% de muçulmanos
Em 1991, a vitória de um partido islâmico nas eleições gerais foi impedida por um golpe político. Desde
então, governo e exército combatem os extremistas muçulmanos numa disputa que já provocou dezenas
de milhares de mortes.
Sudão
70% de muçulmanos
Governado por um partido islâmico desde 1989, quando um golpe militar teve apoio dos extremistas, o
país foi devastado por uma guerra de duas décadas entre rebeldes muçulmanos do norte e cristãos do
sul. Osama bin Laden permaneceu no país por alguns anos antes de ir para o Afeganistão.
Somália
100% de muçulmanos
A religião da população é a mesma, mas conflitos entre tribos inimigas alimentaram uma guerra que se
arrasta desde os anos 90. Há grupos radicais em atividade no país - e um deles é ligado à Al Qaeda. A
maior empresa do país foi fechada pelos EUA por suas ligações com Osama bin Laden.
Outros países de maioria muçulmana: Senegal, Gâmbia, Guiné, Serra Leone, Costa do Marfim,
Mauritânia, Mali, Níger, Chade, Líbia, Tunísia, Eritréia, Djibouti, Ilhas Comoros
Europa
Turquia
99,8% de muçulmanos
Estado secular, a Turquia garante liberdade religiosa à população. Na prática, porém, os costumes e
crenças do islamismo têm grande influência sobre o comando do país. O partido que conquistou o poder
em 2002, por exemplo, tem raízes islâmicas, apesar de se descrever como "conservador".
Kosovo
92% de muçulmanos
Palco de uma violenta campanha de perseguição pelos sérvios, o território foi ocupado pela Otan e teve
seu controle assumido pela ONU em 1999. Isso não impediu a morte de 10.000 pessoas e a fuga de cerca
de 1,5 milhão para a Albânia ou para a região da fronteira.
Albânia
70% de muçulmanos
O governo comunista do país fechou todos os templos religiosos - incluindo igrejas e mesquitas - em 1967.
A prática religiosa só voltou a ser permitida em 1991.
Chechênia
maioria de muçulmanos
Desde o fim da União Soviética, a república russa vem sendo palco de violentos confrontos entre o governo
de Moscou e as forças separatistas formadas pelos radicais islâmicos. No período em que a Rússia retirou
suas forças do território, o islamismo tornou-se religião oficial.
Usbequistão
88% de muçulmanos
Estado secular, viu o islamismo ganhar força nos anos 90. Junto com esse crescimento, surgiram os
grupos radicais contrários ao governo. Depois de uma série de atentados, as forças do governo reprimiram
os radicais. Os grupos, porém, continuam em atividade.
Outros países de maioria muçulmana: Azerbaijão, Turcomenistão, Quirgistão, Tadjiquistão,
Cazaquistão
A PRESENÇA DO ISLAMISMO EM OUTROS PAÍSES
Estados Unidos
O palco do maior ato de terrorismo islâmico da História tem mais de 6 milhões de muçulmanos e em torno
de 2.000 mesquitas. Entre os seguidores da religião nos EUA, 77,6% são imigrantes, e 22,4%, americanos
natos. Apesar do 11 de setembro de 2001, o islamismo está crescendo: estima-se que, no ano de 2010, a
população muçulmana supere a judaica - apenas o cristianismo terá mais seguidores.
Índia
Cerca de 12% dos indianos são muçulmanos, formando uma população total de 120 milhões de pessoas.
A constituição do país garante a liberdade religiosa. Na prática, contudo, os muçulmanos da Índia são
alvos freqüentes de atos de violência - e as facções radicais revidam as agressões. Na última onda de
conflitos entre muçulmanos e os hindus radicais, cerca de 2.000 pessoas morreram.
China
O país mais populoso do mundo tem cerca de 20 milhões de muçulmanos, cerca de 1,5% da população.
A religião está no país desde o século VII. É oficialmente reconhecida e tolerada no país, que tem mais de
30.000 mesquitas, e os chineses muçulmanos estão concentrados no extremo oeste do país. Há facções
extremistas - uma delas listada como grupo terrorista pela ONU e pelos EUA.
Brasil
Um dos maiores países católicos do mundo tem uma comunidade islâmica relativamente grande - e seus
números vêm crescendo. Há quarenta anos a comunidade árabe brasileira tinha uma única mesquita.
Atualmente são mais de 50 templos, espalhados por todo o país e freqüentados por entre 1,5 e 2 milhões
de fiéis. Não há atuação de grupos extremistas armados no território brasileiro.
Os pobres de Alá
AP
A
PERGUNTA
Cabul, antes dos bombardeios: seria o Islã uma barreira intransponível para o
surgimento de uma sociedade rica, moderna e democrática?
A fotografia acima mostra uma cena da capital do Afeganistão, Cabul, antes do início da ofensiva militar
americana. É uma imagem edulcorada, quase alegórica, da falta de perspectiva da população afegã. A
pobreza, obviamente, não é uma exclusividade daquele país. E muito menos se trata de uma criação
muçulmana. Mas, neste hiato politicamente incorreto que o mundo vive, há uma pergunta que finalmente
pode ser feita: seria o Islã uma barreira intransponível para o surgimento de uma sociedade rica, moderna
e democrática? As estatísticas, se não respondem a tal questão, oferecem ao menos uma constatação:
não há nenhuma nação com maioria muçulmana que se situe entre as mais avançadas do mundo.
Ao contrário, a esmagadora maioria delas ocupa posições vexaminosas nas categorias que aferem o
desenvolvimento humano e os graus de instrução e de liberdade da população (veja quadro). Nem mesmo
os países do Golfo Pérsico, que embolsaram centenas de bilhões de dólares nos últimos 25 anos, por
meio da exportação de petróleo, conseguiram (ou souberam, ou quiseram) melhorar o estado geral das
coisas de maneira a incluir-se no clube dos desenvolvidos. Os petrodólares, na verdade, só serviram para
aumentar a concentração de renda e criar simulacros de modernidade em meio às areias escaldantes do
deserto. Para se ter uma idéia, a família real saudita detém 40% de toda a renda nacional.
Poder-se-ia culpar o catolicismo pelo atraso brasileiro, se o papa João Paulo II – ou Frei Betto, tanto faz –
legislasse sobre assuntos econômicos. Afinal de contas, padres de direita e de esquerda são, em linhas
gerais, contra o capitalismo e o anatematizam como se fosse o demo. Mas as batinas por aqui não têm
muita voz, graças a Deus. O Brasil, assim como tantos outros integrantes do Terceiro Mundo, ainda está
longe de ser um modelo de sociedade harmoniosa por motivos estritamente laicos, que vão da rapacidade
da classe política a uma crônica falta de bom senso. No que se refere às nações islâmicas, no entanto, a
religião espraia-se pelos campos econômico, social e moral de maneira sufocante. E não se está falando
apenas dos regimes teocráticos, como o do Irã e o do Afeganistão. Mesmo nos países com um governo
descolado formalmente da hierarquia religiosa, essa distância não é suficiente para neutralizar a crescente
ingerência de imãs, aiatolás e ulemás em assuntos que se encontram fora do âmbito teológico. A exceção
é a Turquia, que passou por um violento processo de ocidentalização forçada na década de 20.
AFP
MIRAGEM
O hotel Burj Al Arab, nos Emirados Árabes: a
arquitetura pode ser arrojada, mas a paisagem
verdadeira é de atraso
O problema é exatamente esse: entre os muçulmanos, a religião não é parte, mas cada vez mais o todo.
Engana-se quem acha ser esse um pecado original. O totalitarismo islâmico – uma outra designação para
o fundamentalismo que hoje Osama bin Laden encarna de forma tão assustadora – é produto recente, tem
menos de meio século, como notou o jornalista Fareed Zakaria, da revista Newsweek. Ele foi adubado em
terreno secular e árabe. Nasceu no Egito, na década de 50, como resistência ao processo de
modernização que o então presidente Gamal Abdel Nasser procurou implementar a ferro e fogo. Nasser
causou a reação fundamentalista ao tentar, por meio de uma repressão feroz, divorciar completamente o
Estado da religião muçulmana. Falhou, como está claro, principalmente porque suas reformas nunca foram
além do aspecto cosmético. E, ao falhar, abriu caminho para que o fundamentalismo ganhasse corpo
dentro e fora das fronteiras egípcias.
No Ocidente, a reforma protestante do século XVI engendrou uma ética que, como demonstrou o sociólogo
alemão Max Weber, acabaria por libertar o espírito empreendedor das amarras católicas e impulsionar o
capitalismo. O fundamentalismo islâmico do século XX, e que adentra o XXI, é uma mentalidade que, do
ponto de vista econômico e social, se originou da oposição cega a avanços de qualquer tipo. Alimenta-se
da pobreza e, por isso mesmo, não pode ser apartado dela, sob pena de desaparecer como uma miragem.
Daí a razão de seu discurso ser irracional – está sempre atrelado a causas genéricas e vagas, como o
"pan-islamismo" e a "destruição do Grande Satã". Nunca se detém sobre as questões que realmente
interessam. Em seu grande momento, a revolução iraniana de 1979, o fundamentalismo encontrou sua
tradução mais fiel numa frase do aiatolá Khomeini: "A revolução refere-se ao Islã, e não ao preço dos
melões".
AP
É
SÓ
PARA
SAUDITA
VER
A Fundação Rei Faisal, em Riad: não existe nação
muçulmana entre as mais avançadas do mundo
O humorista Millôr Fernandes é autor de uma máxima preciosa: "Xadrez é um jogo chinês que aumenta a
capacidade de jogar xadrez". Parafraseando Millôr, o fundamentalismo é um jogo árabe que aumenta a
capacidade de ser fundamentalista. Ele não encerra projeto que vise, pelo menos em tese, ao
desenvolvimento de um povo. No máximo, oferece migalhas assistencialistas – um modo eficiente, aliás,
de arregimentar os jovens sem futuro que perambulam nas superpovoadas e caóticas metrópoles do
Oriente Médio. A um fundamentalista cabe tão-somente vagar no inferno, com a esperança de alcançar
um paraíso que não existe. Está respondida a pergunta do primeiro parágrafo.
Fontes: População: ONU (2001)/Índice de liberdade: Freedom House (2000-01)/Ranking de desenvolvimento humano: ONU (2000)/Liberdade
de imprensa: Freedom House (2001)/Acesso à internet: Freedom House (2001)/Porcentual da população analfabeta: ONU (2000)
...
Arquivo da conta:
mvasconcelos
Outros arquivos desta pasta:

 Por Que No Soy Musulman.PDF (1572 KB)
nove partes do desejo - o mundo secreto das mulheres islmicas - geraldine brooks.pdf
(1138 KB)
 CODIGO DE LA FAMILIA EM MARRUECOS.PDF (1663 KB)
 EL RESURGIR DE AL-ANDALUZ.DOC (356 KB)
 La Mujer En El Islam - Refutando Los Prejuicios Mas Comunes.PDF (539 KB)
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