universidade do vale do itajaí

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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE ODONTOLOGIA
ELIZA EUGÊNIA DAVI
JACQUELINE DELLATORRE
LEVANTAMENTO DA FREQUÊNCIA DAS LESÕES CANCERIZÁVEIS
DO SERVIÇO DE DIAGNÓSTICO HISTOPATOLÓGICO DE LESÕES
BUCAIS DA UNIVALI.
Itajaí (SC), 2011
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ELIZA EUGÊNIA DAVI
JACQUELINE DELLATORRE
LEVANTAMENTO DA FREQUÊNCIA DAS LESÕES CANCERIZÁVEIS
DO SERVIÇO DE DIAGNÓSTICO HISTOPATOLÓGICO DE LESÕES
BUCAIS DA UNIVALI.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como requisito parcial para
obtenção do título de cirurgião-dentista
do
Curso
de
Odontologia
da
Universidade do Vale do Itajaí.
Orientadoras:
Profª. Christine Kalvelage Philippi
Profa. Elisabete Rabaldo Bottan
Itajaí (SC), 2011
2
ELIZA EUGÊNIA DAVI
JACQUELINE DELLATORRE
LEVANTAMENTO DA FREQUÊNCIA DAS LESÕES CANCERIZÁVEIS
DO SERVIÇO DE DIAGNÓSTICO HISTOPATOLÓGICO DE LESÕES
BUCAIS DA UNIVALI.
O presente Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para
obtenção do título de cirurgião-dentista do Curso de Odontologia da Universidade do
Vale do Itajaí, aos vinte e dois dias do mês de setembro do ano de dois mil e onze, é
considerado aprovado.
1. Prof. MSc Elisabete Rabaldo Bottan (Presidente)
Curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI)
2. Profª. Dr. Mário Uriarte Neto
Curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI)
3. Prof. MSc Carolina Amália Barcellos Silva
Curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI)
3
AGRADECIMENTOS
A professora Bete e a nossa orientadora Christine, por aceitarem participar do
trabalho, pelo auxílio, dedicação e confiança, as quais contribuíram muito para que o
trabalho fosse realizado. Obrigada por acreditarem em nosso potencial!
A professora e orientadora Christine Kalvelage Philippi, por ter aceitado nosso
convite, pela confiança depositada em nós e pelos conhecimentos transmitidos
durante toda nossa formação acadêmica.
Agradecemos, em especial, a professora Elisabete Rabaldo Bottan, que nos
co-orientou com toda sua competência e sabedoria. Agradecemos pelos
conhecimentos transmitidos, pela atenção e dedicação que foram imprescindíveis
para que este trabalho se concretizasse e que nossas expectativas fossem
superadas.
Eliza e Jacqueline
4
AGRADECIMENTOS PESSOAIS
A Deus, pela vida, por iluminar meu caminho e me dar forças para seguir
sempre em frente.
Aos meus pais, Ledi e Mauro, base de tudo para mim, me apoiando nos
momentos difíceis, com força, confiança, sabedoria e amor, ensinando-me a persistir
nos meus objetivos e ajudando a alcançá-los. Obrigada por acreditarem e torcerem
sempre por mim!
Ao Jonathas, por sempre estar ao meu lado, pelo carinho, amor,
companheirismo e paciência. Obrigada por tudo!
A minha querida parceira, dupla e amiga, Jacqueline, obrigada por estar
presente em importantes momentos da minha graduação. Agradeço pelo convívio,
amizade, compreensão e estudos. Você contribuiu muito para o sucesso deste
trabalho!
Eliza Eugênia Davi
A Deus, por estar presente em todos os momentos de minha vida, iluminando
meu caminho. Agradeço por tantas oportunidades recebidas, e por ter energia e
coragem para não deixá-las escaparem.
Aos meus pais, Olávia e Ricardo, que são minha fortaleza, importantes pilares
de sustentação, que me proporcionaram tudo o que tenho e sou, me encorajaram e
acreditaram em mim. Obrigado por todo amor, dedicação e educação prestados a
mim.
Ao meu irmão Gerson, por me apoiar e incentivar a perseguir meus sonhos,
fossem quais fossem os obstáculos.
A
minha
dupla
e amiga,
Eliza,
pela
sua
cumplicidade,
paciência,
companheirismo, responsabilidade e dedicação ao longo de nossa jornada.
Obrigada por ter se disposto a realizar esta pesquisa junto comigo.
Por fim, quero agradecer ao meu namorado, Carlos, por toda a alegria que
trouxe para a minha vida, que me inspira a continuar a buscar minha realização
pessoal e profissional e a sonhar sempre.
Jacqueline Dellatorre
5
LEVANTAMENTO DA FREQUÊNCIA DAS LESÕES CANCERIZÁVEIS DO
SERVIÇO DE DIAGNÓSTICO HISTOPATOLÓGICO DE LESÕES BUCAIS DA
UNIVALI.
Acadêmicas: Eliza Eugênia DAVI; Jacqueline DELLATORRE
Orientadoras: Prof. Christine Kalvelage PHILIPPI; Profª Elisabete Rabaldo BOTTAN
Data da defesa: setembro 2011
Resumo:
O objetivo da pesquisa foi determinar a frequência das lesões cancerizáveis e a
concordância entre o diagnóstico clínico e o histopatológico. A pesquisa é descritiva,
transversal, com coleta de dados secundários. Os laudos histopatológicos emitidos pelo
Serviço de Diagnóstico Histopatológico de Lesões Bucais da Univali, relativos ao período de
agosto de 2002 a agosto de 2010 foram analisados. Das 617 fichas cadastradas no Serviço,
foram identificados 29 com diagnóstico histopatológico de lesões cancerizáveis, ou seja,
4,7% do total de prontuários. Desses 45% correspondiam a displasia epitelial leve, 34% a
displasia epitelial moderada, 17% a displasia epitelial severa e 4% a queilite actínica. O
gênero feminino, a raça branca e a faixa etária entre 40 e 59 anos foram os achados mais
prevalentes. Dentre os sítios anatômicos, a língua (31%), o rebordo alveolar (28%) e o lábio
(24%) foram às áreas mais afeadas. Em relação aos fatores de risco presentes, 54% dos
sujeitos eram tabagistas, 4% faziam consumo de álcool e tabaco e 42% afirmaram não ter
tais hábitos. A concordância entre o diagnóstico clínico e o histopatológico foi de 57%.
Considerando-se que as lesões cancerizáveis são alterações teciduais que podem assumir
malignidade e que podem permanecer estáveis por um considerável período de tempo, é
importante que os Cirurgiões Dentistas estejam atentos aos dados epidemiológicos próprios
de cada realidade regional.
Palavras chaves: Leucoplasia Bucal; Patologia Bucal; Diagnóstico Bucal.
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FREQUENCY SURVEY OF PRECANCEROUS LESIONS SURVEY AT THE
SERVICE
OF HISTOPATHOLOGIC DIAGNOSES OF ORAL LESIONS AT
UNIVALI
Eliza Eugênia Davi e Jacqueline Dellatorre
Adviser: Prof. Christine Kalvelage Philippi
Defense date: September 2011
The aim of the research was to determine the frequency of precancerous injuries and the
agreement between the clinical and histopathology diagnosis. This is a descriptive,
transversal study, based upon secondary data. The histopathologic findings emitted by the
Histopathologic Diagnosis of Oral Lesions Service at UNIVALI, from August 2002 to August
2010, had been analyzed. From a total of 617 patient reports registered at the Service, 29
(4,7%) were identified with histopathologic diagnoses of potentially malignant oral lesions. Of
wich, 45% were light epithelial dysplasia, 34% moderated epithelial dysplasia, 17% severe
epithelial dysplasia and 4% actinic cheilits. The feminine gender, white race and age
between 40 and 59 years old were the most prevalent findings. Regarding to the anatomic
region affected, the tongue (31%), alveolar border (28%) and the lower lip l (24%) where the
most affected areas. According to the risk factors, tabagism appeared in 54% of the cases,
tabagism associated with alcoholism was present in 4% of the cases and 42% do not have
any harmful habit. The agreement between histopathologic diagnosis and clinical diagnosis
was 57%. Considering that precancerous lesions are alterations in the tissue that can be
come malignant and that can also remain stable for a considerable time, is important that the
dentist be attentive for the epidemiological information of each regional reality.
Keywords: Oral Leukoplakia; Oral Pathology; Oral Diagnosis.
7
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO………………………………………………………………..........
2 REVISÃO DE LITERATURA...........................................................................
3 MATERIAIS E MÉTODOS..............................................................................
4 RESULTADOS ...............................................................................................
5 DISCUSSÃO ..................................................................................................
6 CONCLUSÃO ................................................................................................
08
10
30
31
35
39
8
1 INTRODUÇÃO
O câncer de boca representa um problema de saúde pública no Brasil e já
ocupa o 7° lugar dentre todos os cânceres diagnosticados. Segundo dados do
Instituto Nacional de Câncer (INCA), as estimativas são um tanto pessimistas, pois
apontam que, em 2010, foram diagnosticados 14.120 novos casos de câncer bucal.
(BRASIL, 2010). O carcinoma espinocelular representa 95% de todas as neoplasias
malignas que acometem a cavidade bucal (VISIOLI, 2007). Apenas 15% deles são
diagnosticados em estágios iniciais da lesão e, aproximadamente, 50% dos
pacientes já chegam ao centro de atendimento com metástases. (MARTINS;
GIOVANI; VILLABA, 2008).
Apesar dos avanços científicos e tecnológicos que têm proporcionado aos
profissionais da área da saúde um maior conhecimento sobre a gênese do câncer
de boca, aproximadamente 60% dos pacientes que desenvolvem tumores na boca
morrem em consequência da doença, o que a torna uma doença mais letal que o
câncer uterino. As neoplasias localizadas na região de cabeça e pescoço são as que
determinam maior carga de sofrimento adicional, pois estes tumores são
considerados doença devastadora, tanto para o paciente, quanto para seus
familiares e sociedade. O câncer de boca, geralmente, em decorrência do
tratamento pode acarretar desfigurações em áreas da face, gerando disfunções
permanentes em atividades essenciais para a sobrevivência, tais como comer, beber
e conviver socialmente. (VIDAL et al., 2009; FALCÃO et al., 2010; PARIZI et al.,
2011).
Portanto, o diagnóstico precoce do câncer resultaria em importante economia
nos tratamentos oncológicos no Brasil, sendo que, os recursos destinados ao
tratamento de câncer poderiam ser revertidos para outras áreas da saúde. No
tocante ao diagnóstico precoce, é fundamental se destacar que algumas lesões
podem anteceder o câncer bucal e, por estarem associadas com alta incidência de
carcinomas espinocelulares, elas são reconhecidas como lesões cancerizáveis ou
precursoras de câncer. Dentre essas lesões que acometem a cavidade bucal,
destacam-se a leucoplasia, a eritroplasia e a queilite actínica, que podem
apresentar, microscopicamente, diferentes graus de displasia epitelial. (GABRIEL,
9
2006).
Por esta razão, este trabalho está focado na frequência das lesões
potencialmente malignas, pois acreditamos que a melhor forma de reverter o cenário
do câncer bucal no Brasil é através do diagnóstico precoce, ou seja, conhecendo as
etiologias e as características clínicas dessas lesões, o que torna de suma
importância o exame clínico para a identificação de lesões cancerizáveis.
O diagnóstico precoce não deveria apresentar grandes dificuldades, uma vez
que os grupos de maior risco são bem conhecidos e a região bucal é de fácil acesso
ao exame clínico, dispensando qualquer tipo de equipamento especial. Assim, o
cirurgião-dentista deve estar consciente quanto à importância da realização de uma
adequada anamnese e de um cuidadoso exame clínico, para a detecção precoce de
lesões
cancerizáveis
e
encaminhamento
para
um
centro
de
tratamento
especializado. (FREITAS et al. 2003; CIMARDI; FERNANDES, 2009)
Este trabalho analisou a frequência de lesões cancerizáveis diagnosticadas
pelo Serviço de Diagnóstico Histopatológico de Lesões Bucais da UNIVALI
(SDHLB/UNIVALI), no período de 2002 a 2010, bem como a concordância entre
diagnóstico clínico e histopatológico.
10
2 REVISÃO DE LITERATURA
Rosolen et al. (1998) selecionaram casos com diagnóstico clínico de
leucoplasia, a partir das fichas de biópsia registradas no arquivo do Laboratório de
Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, entre janeiro de 1985 e dezembro de 1995. Como resultados foram
obtidos 17 casos, cujo diagnóstico histopatológico estava distribuído da seguinte
maneira: 47,06% como hiperceratose, 29,41% displasia epitelial e 23,53%
hiperparaceratose. Do total dos casos, 76,47% não tiveram o seu diagnóstico
microscópico modificado, ao longo da observação dos cortes histológicos semiseriados, e 23,53% tiveram seu diagnóstico microscópico alterado durante a
observação dos cortes. Com base nos resultados, os autores concluíram que existe
um percentual de casos em que foi observada variação no padrão microscópico em
uma mesma leucoplasia, portanto esta deve ser avaliada, em diferentes planos de
corte, toda peça biopsiada com diagnóstico semi-seriado ou pela inclusão da peça
em diferentes planos de corte.
Rodrigues et al. (2000) estudaram a relação entre o aspecto clínico e as
características histológicas das leucoplasias bucais, através de 28 casos
selecionados no Ambulatório do Serviço de Cabeça e Pescoço do Hospital Napoleão
Laureano em João Pessoa, Paraíba. Clinicamente as lesões foram divididas em
homogêneas e não homogêneas. Histologicamente as lesões foram classificadas
em seis grupos: hiperceratose com ausência de displasia epitelial; displasia epitelial
leve; displasia epitelial moderada; displasia epitelial severa; carcinoma in situ e
carcinoma invasivo. A classificação dos graus de displasia foi baseada nos
parâmetros histológicos: estratificação epitelial irregular, hiperplasia da camada
basal, figuras mitóticas, perda da polaridade das células basais, aumento da razão
núcleo-citoplasama, polimorfismo nuclear, hipercromatismo nuclear, aumento do
tamanho dos nucléolos, ceratinização de células isoladas ou em grupos na camada
celular espinhosa e redução da aderência celular. Os casos de displasia podem ser
caracterizados
como:
displasia
leve,
quando
duas
características
citadas
anteriormente estão presentes; displasia moderada, quando duas a quatro
características citadas estão presentes e displasia severa, quando cinco ou mais das
11
características citadas estão presentes. Os resultados clínicos mostraram maior
ocorrência de leucoplasias homogêneas (78,6%) do que não homogêneas (21,4%).
Os resultados histopatológicos demonstraram que 32,2% dos casos apresentaram
hiperceratose com ausência de displasia epitelial, 53,5% evidenciaram algum grau
de displasia epitelial (39,3% leve e 7,1% tanto para a moderada como para a severa)
O restante, ou seja, 14,3% foram diagnosticados como carcinoma invasivo, não
sendo evidenciado nenhum caso de carcinoma in situ. Correlacionando o aspecto
clínico destas lesões e seu grau de diferenciação celular, dos 22 casos de lesões do
tipo homogêneo, 9 apresentaram hiperceratose com ausência de displasia epitelial,
11 displasia epitelial leve e 2 displasia moderada. Dos 6 casos de leucoplasia não
homogênea, 2 revelaram displasia epitelial severa e 4 carcinoma invasivo. Com os
resultados da pesquisa, os autores concluíram que existe uma relação entre o
aspecto clínico e as alterações histopatológicas das leucoplasias bucais, pois as
leucoplasias homogêneas tiveram alterações celulares discretas, enquanto as não
homogêneas foram fundamentalmente de grau severo ou propriamente maligno.
Esses resultados sugerem maior cuidado no diagnóstico e controle das leucoplasias
face à possibilidade de transformação maligna.
Na revisão de literatura de Tavares (2000), foi enfatizada a importância da
identificação de alterações das mucosas que, ocasionalmente podem preceder o
câncer bucal. Essas alterações podem ser uma condição cancerizável em que a
lesão não se transforma diretamente em câncer, mas propicia seu desenvolvimento.
Há, também, as lesões cancerizáveis que podem transformar-se em câncer, cuja
definição pela Organização Mundial de Saúde é de um tecido morfologicamente
alterado no qual é mais provável a ocorrência de câncer do que no tecido local
normal. O autor citou ainda, que a identificação das lesões cancerizáveis é fácil,
porém não se pode definir o risco de transformação maligna. Foi relatado um estudo
com 45 pacientes portadores de lesões bucais potencialmente malignas que
mostrou uma discrepância de 24,4% entre o diagnóstico clínico e o histopatológico.
A lesão potencialmente maligna mais comum foi a leucoplasia, sendo que nas
leucoplasias foram encontrados 17,6% de casos de displasia. Os métodos usados
para o diagnóstico precoce incluem campanhas populacionais e programas
permanentes de esclarecimento à população. Os critérios atuais consistem em
identificar clinicamente as lesões, realizar biópsia e definir o grau de displasia.
12
Bratic, Vuckovic e Mirkovic (2004) descreveram a correlação entre os
achados clínicos e histopatológicos nos diagnósticos de lesões potencialmente
malignas. O estudo compreendeu 51 pacientes (31 mulheres e 20 homens), com
idade entre 42 a 76 anos, do Departamento de Medicina Oral e Periodontia da
Clínica de Estomatologia em Novi Sad, entre janeiro de 2002 e dezembro de 2003.
As lesões diagnosticadas clinicamente foram leucoplasia homogênea, leucoplasia
não homogênea, eritroplasia, líquen plano e queilite actínica, que foram
determinadas como lesões potencialmente malignas. Quanto ao diagnóstico
histopatológico, as lesões foram diagnosticadas como queratose benigna, displasia
epitelial, líquen plano, e queilite actínica. No presente estudo, a lesão pré-maligna
mais comum clinicamente foi leucoplasia (58,9%), sendo a gengiva o sítio mais
acometido, seguido pela mucosa jugal e lábio; 92,3% dessas lesões foram
confirmadas pelo laudo histopatológico. O diagnóstico histopatológico mostrou que
três casos diagnosticados clinicamente como leucoplasia, eram de Líquen plano. E,
cinco casos diagnosticados clinicamente como líquen plano erosivo, o diagnóstico
histopatológico não revelou um processo inflamatório crônico específico. A
conclusão do estudo foi de que a discrepância entre o diagnóstico clínico e o
histopatológico foi de 17,6%; as lesões clinicamente diagnosticadas como líquen
plano erosivo contribuíam para o aumento desta taxa, porém os autores ressaltam
que em mais 90% das leucoplasias, o diagnóstico clínico foi confirmado pelo
diagnóstico histopatológico.
Díaz, Fregio e Ramos (2004) realizaram um estudo sobre os principais fatores
de risco associados com o surgimento de lesões orais malignas e pré-malignas, com
o objetivo de direcionar o trabalho preventivo e estudar a população. Foram
selecionados 400 pacientes maiores de 15 anos, no período de outubro de 2002 a
março de 2003 da Policlínica Flores Betancourt, de Artemisa. Dos 400 pacientes, 19
apresentaram lesões malignas e pré-malignas na cavidade oral, com a confirmação
histopatológica do diagnóstico. Em 67,5% dos pacientes foi encontrado algum tipo
de fator de risco associado com o surgimento dessas lesões. O sexo masculino foi o
mais acometido e o uso de prótese mal adaptada e o hábito de fumar foram os
fatores de risco mais frequentes. A leucoplasia foi a mais encontrada com 36,7% e
as localizações mais frequentes foram mucosa bucal e lábio inferior.
Cruz et al. (2005) realizaram um levantamento das lesões orais biopsiadas no
Hospital Universitário - Unidade Presidente Dutra, da Universidade Federal do
13
Maranhão, no período de 1992 a 2002. Foram analisadas 295 fichas clínicas com
seus
respectivos
laudos
de
diagnóstico
histopatológico.
Os
resultados
demonstraram um predomínio das lesões proliferativas não neoplásicas, com
sessenta casos; a hiperplasia fibrosa inflamatória representou a entidade mais
comum, sendo a gengiva a região anatômica mais acometida pelas lesões, o sexo
feminino o mais envolvido e na primeira década de vida ocorreu um maior
percentual de casos. Dentre as fichas analisadas, 30 (10%) correspondiam à biópsia
do grupo classificado como grupo de lesões cancerizáveis e malignas.
Abreu et al. (2006) realizaram um estudo do carcinoma espinocelular do lábio,
com o objetivo de verificar o relacionamento da presença de queilite actínica crônica
com o prognóstico dessa neoplasia. O estudo retrospectivo, com corte transversal,
de casos de carcinoma espinocelular do lábio, foi realizado junto aos arquivos do
Departamento de Patologia da Universidade Federal de São Paulo, no período
compreendido entre 1993 e 2000. Os dados referentes ao sexo, idade, cor da pele
dos pacientes e a localização da lesão foram obtidos dos laudos originais dos
exames histopatológicos de cada lesão. Foram encontrados 86 casos de carcinomas
espinocelular do lábio no período determinado. Desses foram selecionados 31 casos
de
cujos
prontuários
puderam
ser
obtidas
informações
exigidas,
e
que
apresentavam, na lâmina do tumor, tecido adjacente livre de comprometimento
neoplásico. Desses 31 pacientes encontrou-se 7 mulheres e 24 de homens. Quanto
à cor da pele eram 26 brancos, 4 pardos e 1 preto. Para mulheres, a faixa etária
predominante foi de 40 a 82 anos e, para os homens, de 25 a 82 anos. Em relação à
localização das lesões, 28 eram no lábio inferior, 2 no lábio superior e para 1 não se
obteve a informação. Em 22 registros (71%) houve o relato de exposição ao sol.
Foram detectados 6 casos de recidiva e 8 de metástase. Na análise histopatológica
do epitélio adjacente ao tumor, a queilite actínica no vermelhão do lábio foi a mais
freqüente, com 19 casos (61,3%), dos quais, apenas 2 não apresentavam elastose
solar. Elastose solar isolada foi observada em 4 casos (12,9%). Em 8 casos (25,8%),
o epitélio adjacente não apresenta queilite actínica nem elastose solar.
Bravo et al. (2006) estudaram a prevalência da leucoplasia bucal em
pacientes
com
HIV/SIDA
que
participaram
do
Centro
de
Enfermidades
Infectocontagiosas Dra. Elsa La Corte, da Faculdade de Odontologia da
Universidade Central da Venezuela, de janeiro de 2001 até junho de 2002, e
estabeleceram a associação com o consumo de tabaco, contagem de células CD4+
14
e carga viral.
Foram avaliados 75 pacientes, maiores que 16 anos, através de
pesquisa da história clínica e um minucioso exame clínico bucal. Com relação aos
resultados, 29% apresentaram Leucoplasia Bucal. A análise histopatológica
demonstrou que 40,9% apresentaram displasia epitelial, sendo a displasia epitelial
leve a mais frequente. Sobre a relação entre leucoplasia bucal e terapia
antirretroviral, 59% dos pacientes com leucoplasia bucal estavam medicados com
biterapia ou terapia antirretroviral de alta efetividade. A prevalência de leucoplasia
bucal observada em pacientes HIV/SIDA com hábito de tabagismo foi de 36,36%,
dos quais 4 apresentaram hábito de tabagismo acentuado. Com relação à carga viral
e a condição imunológica, o estudo mostrou que 54,54% dos sujeitos com HIV/SIDA
e leucoplasia bucal, apresentaram valores de carga viral alto, em comparação com
27,27% que apresentaram valores de carga viral indetectável. A conclusão do
estudo indicou que foi observada uma estreita relação entre o consumo de tabaco,
carga viral e terapia antirretroviral.
Oliveira, Ribeiro-Silva e Zucoloto (2006) analisaram 340 casos de carcinoma
epidermóide oral diagnosticados por biópsia entre 1982 e 2002 no Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Quanto ao gênero, 287
(84,4%) eram homens e 53 (15,6%) eram mulheres. A faixa etária de maior
prevalência foi a de 51 a 60 anos, totalizando 108 pacientes (31,8%). Os sítios
anatômicos mais afetados foram língua (27,9%), assoalho (27,1%) e lábio inferior
(17,9%). Com relação aos fatores de risco, 18,5% relataram ser tabagistas, 1,5%
afirmaram se etilistas e 68,5% afirmaram serem tabagistas e etilistas, apenas 4,7%
negaram o uso dessas substâncias, enquanto 6,8% dos prontuários não continham
essas informações.
Embora a maioria dos pacientes tenha procurado cuidados
médicos em até seis meses, o tempo médio de diagnóstico foi de 13 meses. Esta
pesquisa fornece bases científicas para orientar campanhas de prevenção
educativas para o diagnóstico precoce e tratamento do câncer bucal, que quase
sempre começa num local de fácil visualização e inspeção para o próprio paciente.
Antunes, Toporcov e Wunsch-Filho (2007) avaliaram os resultados da
campanha de prevenção e diagnóstico precoce do câncer bucal, realizado no
contexto da campanha de vacinação contra gripe em idosos no Estado de São
Paulo, entre os anos de 2001 e 2004. Em 2004, foram realizados 238.087 exames
bucais em pessoas de 60 anos ou mais, residentes em 490 cidades de São Paulo.
Do total de examinados, 8,5% foram encaminhados para elucidação diagnóstica e
15
0,9% foram considerados portadores de lesões em tecidos moles da boca com
suspeitas de malignidade; 45,8% destas pessoas tiveram seu problema resolvido no
nível básico de atenção à saúde, seja por meio de biópsia, tratamento cirúrgico ou
medicamentoso, conduta expectante, remoção de fatores traumáticos ou outras
intervenções. Dentre os indivíduos encaminhados para elucidação diagnóstica,
14,7% foram acolhidos pelos serviços de referência e, supostamente, tiveram
encaminhamento adequado, enquanto 26 pessoas tiveram diagnóstico confirmado
de câncer bucal, correspondendo a 0,5% dos encaminhados para elucidação
diagnóstica. Estima-se que a mortalidade por câncer bucal possa ser reduzida pelo
esforço em identificar lesões precoces em segmentos de população com risco mais
elevado e efetivo tratamento dessas lesões malignas. Entretanto, os dados
analisados no trabalho indicaram insuficiente resolutividade do rastreamento de
câncer bucal associado à campanha de vacinação. Contudo, este tipo de campanha
tem um forte apelo entre os profissionais de saúde e os gestores dos programas de
saúde bucal, pois o exame visual da boca apresenta facilidades naturais para a
abordagem clínica do cirurgião-dentista e não induz desconforto para o examinado.
Segundo Araújo et al. (2007), a queilite actínica é uma lesão passível de
alteração maligna, que se apresenta como uma lesão difusa do vermelhão do lábio
inferior, resultante da exposição crônica e excessiva à radiação solar de forma
prolongada e frequente, exibindo alterações histomorfológicas indicativas de desvios
de diferenciação normal. Foram estudados 13 casos de queilite actínica, com
diferentes graus de displasias, diagnosticadas em diferentes laboratórios de
anatomia patológica da cidade de Salvador. Inicialmente, os casos foram
selecionados, e coletados os dados clínicos como: idade, sexo, cor e diagnóstico
clínico. Esses casos foram reavaliados e submetidos a exame histopatológico,
através da microscopia de luz. No estudo, observou-se uma maior frequência da
queilite actínica no sexo masculino, especialmente, em pacientes leucodermas. A
faixa etária predominantemente foi a partir da quinta década de vida, com uma
média de 52 anos. Em 6 foi encontrada atipia discreta, em 4 moderada e em 3
intensa.
Góes et al. (2007) publicaram um caso clínico de paciente do gênero feminino,
61 anos, melanoderma que compareceu ao Serviço de Estomatologia da Faculdade
de Odontologia da Universidade Federal da Bahia (FOUFBA), com a queixa principal
de ferida na boca, mais precisamente na região retrocomissural. Relatou ser
16
fumante há mais de 40 anos e que fazia ingestão regular de bebida alcoólica
destilada. As suspeitas clínicas foram de infecção fúngica profunda, carcinoma
espinocelular e candidíase leucoplásica. Foi realizada a biópsia incisional e o
resultado histopatológico revelou a presença de um processo inflamatório subagudo
e a pesquisa para fungos mostrou-se negativa. Após seis meses, a paciente
retornou para reavaliação, a lesão apresentava-se com uma placa branca nãoraspável, sem ulceração, sendo a suspeita de candidíase leucoplásica. Decorridos
três anos de controle, a lesão permanecia inalterada. O resultado anatomo
patológico foi compatível com hiperceratose e o diagnóstico final, portanto, foi de
leucoplasia. Para os autores, a leucoplasia tem seu diagnóstico firmado após a
exclusão de outras lesões.
Inicialmente houve a suspeita de carcinoma
espinocelular, devido aos hábitos da paciente e pela lesão apresentar história de 7
meses sem cicatrização. Houve também, a suspeita de infecção fúngica, devido à
aparência clínica granulomatosa inicial da lesão. A hipótese de candidíase
leucoplásica ocorreu, pois é reconhecido que a infecção pela cândida pode estar
associada a lesões brancas. Os autores finalizaram afirmando que é imprescindível
que os pacientes sejam instruídos a remover os possíveis fatores de risco e que os
mesmos sejam acompanhados após a remissão da lesão.
Marin et al. (2007) realizaram um estudo retrospectivo das lesões bucais para
analisar o nível de concordância entre os diferentes diagnósticos clínico, cirúrgico e
histopatológico, diagnosticados no Laboratório de Patologia Bucal da Faculdade de
Odontologia da Universidade de Pernambuco no período de 1991 a 1998. Foram
analisadas 54 lesões, desse total das espécies analisadas, 78% exibiram
diagnóstico presuntivo, 49% cirúrgico e 81% histopatológico, sendo que 81%
obtiveram laudos histopatológicos conclusivos. Este fato, provavelmente se deve à
impossibilidade do patologista de identificar a lesão, o que é diretamente
influenciado pelo fornecimento preciso de informações sobre o paciente, o material
inadequado, método e tempo de retirada da lesão, fixador empregado e diagnóstico
clínico e cirúrgico. A omissão de tais informações pode gerar dúvidas quanto à
qualidade do material removido, ocasionando problemas para a elaboração do laudo
histopatológico. Em 52% dos diagnósticos, houve concordância entre o diagnóstico
clínico (presuntivo e cirúrgico) e o histopatológico; estes percentuais sugerem um
melhor preparo técnico-científico profissional e um adequado preenchimento das
fichas de requisição de biópsia. Em mais da metade dos diagnósticos, observa-se
17
concordância, sendo esse aspecto importante para o estabelecimento de uma
conduta terapêutica adequada para o paciente. O cirurgião-dentista deve estar apto
a realizar a indicação adequada da biópsia, tratar o espécime de forma séria e criteriosa, independentemente do tipo de material a ser removido ou suspeita
clínico/cirúrgica. Portanto, se faz fundamental o fornecimento de informações sobre
o paciente, a lesão e sua manipulação, contribuindo assim para subsidiar o
diagnóstico final, corroborando para a prática clínica, na qual a qualidade e eficácia
terapêutica são dependentes de um diagnóstico e condutas adequadas.
Segundo Martins et al. (2007), queilite actínica é uma lesão potencialmente
maligna, que ocorre no lábio inferior em razão da exposição solar prolongada. Afeta
principalmente homens de pele clara, entre 40 e 80 anos de idade. O principal fator
etiológico da queilite actínica é a exposição crônica dos lábios à radiação ultravioleta
do sol, o álcool e o fumo, que podem elevar a probabilidade de malignização.
Clinicamente, a queilite actínica apresenta-se nas formas aguda e crônica. A forma
aguda acomete indivíduos mais jovens, caracteriza-se pelo surgimento de edema e
vermelhidão e pode evoluir para vesículas e bolhas que, posteriormente, formam
crostas. A forma crônica atinge indivíduos acima da quarta década de vida,
apresenta-se como uma elevação do lábio inferior até a comissura, por alterações
na cor e perda da elasticidade. As principais características histopatológicas são
hiperqueratose, acantose, atrofia e graus variados de atipia, infiltrado inflamatório e
elastose. As condutas terapêuticas para a queilite actínica visam impedir que haja
transformação maligna. Em alguns casos, principalmente naqueles em que o quadro
histológico não demonstra atipia epitelial, pode ser optado pelo tratamento
conservador, ou seja, utilizando chapéus e filtro solar labial. Quando for evidenciada
atipia epitelial, a remoção total da lesão faz-se necessária e, para removê-la, podese recorrer à crioterapia, à cirurgia com bisturi a frio, a eletrocauterização e à
laserterapia.
Pela revisão de literatura de Silva et al. (2007), a leucoplasia é a lesão
cancerizável mais frequente na cavidade bucal e é definida pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), como uma mancha ou placa branca, não removível à
raspagem e que não pode ser classificada clinicamente ou patologicamente como
outra patologia. As leucoplasias orais são mais comuns no gênero masculino, os
sítios mais acometidos são a mucosa jugal e as comissuras labiais e sua etiologia é
desconhecida, porém está associada a agentes etiológicos como o tabaco, álcool,
18
radiação solar, diabetes e infecções da cavidade oral ou até mesmo idiopática. As
leucoplasias clinicamente foram divididas em dois tipos: homogênea como sendo a
lesão predominantemente branca, de superfície plana, fina, que pode exibir fendas
superficiais com aspecto liso, enrugado ou corrugado e textura consistente. Já as
leucoplasias não homogêneas representam uma lesão predominantemente branca
ou branco-avermelhada, que pode ter superfície irregular, nodular ou exofítica.
Podem ser observados diferentes aspectos histopatológicos na leucoplasia, como
hiperceratose, diferentes graus de displasias epiteliais bem como infiltrados
inflamatórios crônicos no tecido conjuntivo subjacente. A displasia epitelial é dividida
em 3 categorias: leve, moderada e severa; a displasia epitelial severa já é
considerada carcinoma in situ. O diagnóstico diferencial da leucoplasia é feito com
candidíase pseudomembranosa, hiperceratose focal, líquen plano, mordiscações,
trauma crônico, nevo branco esponjoso, carcinoma espinocelular entre outras
lesões. Por fim, os autores comentam que pela leucoplasia ser assintomática, um
exame clínico criterioso realizado pelo cirurgião-dentista é de extrema importância
na sua detecção, sendo necessário fazer um diagnóstico por exclusão de outras
lesões brancas.
De acordo com Fernandes, Brandão e Lima (2008), os indivíduos usuários de
drogas apresentam alta prevalência de lesões cancerizáveis bucais quando
comparados com a população geral. Esse trabalho investigou a prevalência das
lesões cancerizáveis bucais, em um grupo de indivíduos alcoólatras. Foram
analisados 277 indivíduos do sexo masculino (idade média de 38,4 anos) internados
no Instituto Paranaense de Pesquisa e Tratamento do Alcoolismo (IPTA) na cidade
de Campo Largo (PR). Em 65 (23,4%) foram encontradas lesões, ou alterações, na
mucosa bucal diretamente relacionadas ao uso do álcool. No entanto, considerando
somente as lesões cancerizáveis, foram observados casos de queilite actínica
(1,8%), leucoplasia bucal (1,08%), eritroplasia (0,72%) e líquen plano (0,36%).
Kijner e Scarsanella (2008) identificaram as lesões bucais que acometeram
pacientes da Clínica de Estomatologia da Faculdade de Odontologia ULBRA/Torres,
no segundo semestre de 2003. Os dados foram obtidos através das fichas de exame
clínico dos pacientes. A população do estudo constou de 51 pacientes, sendo 38
mulheres e 13 homens. A candidíase foi a lesão bucal mais freqüente, com 56,9%,
sendo 60,5% de pacientes do sexo feminino e 46,2% do sexo masculino, 91,7% dos
pacientes na faixa etária de 51 a 60 anos. Um percentual de 15,7% apresentou
19
somente hiperplasia inflamatória traumática, sem predileção quanto ao gênero e,
com relação à faixa etária, a prevalência foi a de 51 a 60 anos. A queilite actínica
acometeu um total de 13,7%, havendo uma predileção pelo gênero masculino e a
faixa etária de maior prevalência foi 31 a 40 anos.
O trabalho de Lins et al. (2008) correlacionou os índices de acertos entre as
hipóteses clínicas e o diagnóstico histopatológico de lesões encaminhadas para o
exame histopatológico do Laboratório de Patologia Oral da Universidade Federal de
Pernambuco. A amostra foi composta de 1165 casos de lesões encaminhados por
cirurgiões-dentistas, no período de setembro de 1991 e outubro de 2007 para a
realização do exame histopatológico. Os dados de 1029 fichas clínicas foram
analisados e organizados de acordo com o diagnóstico definitivo e separados em 13
grupos. O grupo das neoplasias malignas foi o grupo que teve o maior número de
acertos nas hipóteses diagnósticas correspondendo a 79,3%. No grupo das lesões
cancerizáveis, houve um percentual de 62,9% de acertos. O grupo das lesões
fibrósseas apresentou o maior número de discordâncias. Os autores afirmaram que
os
laudos
histopatológicos
analisados
tiveram
seus
diagnósticos
clínicos
compatíveis com o histopatológico na maioria dos casos observados. O maior
número de acertos no grupo das neoplasias malignas deve-se ao característico
aspecto clínico do carcinoma epidermóide, o que justifica a facilidade do diagnóstico
de tais lesões, no entanto, quase sempre identificadas em estágios clínicos
avançados. Por outro lado, nota-se que no grupo das lesões fibrósseas, o
diagnóstico clínico deve ser complementado com exame radiográfico, necessitando,
assim, de maior detalhamento para alcançar o resultado definitivo.
No entender de Martins, Giovani e Villalba (2008), algumas lesões podem
anteceder o câncer bucal e desta forma são denominadas como lesões précancerizáveis ou pré-malignas, apesar de nem todas progredirem para câncer e
também, nem todo câncer de boca originar-se destas lesões. O trabalho procurou
demonstrar a representatividade destas lesões cancerizáveis como evidência clínica
do processo de carcinogênese e direcionar o reconhecimento dos cirurgiõesdentistas e profissionais da saúde para o diagnóstico e tratamento, contribuindo para
a prevenção, cura e qualidade da sobrevida dos pacientes com risco de câncer. Em
relação às lesões cancerizáveis destacam-se a leucoplasia e a eritroplasia, além da
queilite actínica e líquen plano.
20
Martinez-Sahuquillo Marquez (2008) estudaram a implicação da leucoplasia
oral como lesão pré-cancerosa. A porcentagem de malignização da leucoplasia
oscila entre 1 e 18%. As leucoplasias não homogêneas se subdividem em
eritroleucoplasia que é uma lesão branca com zonas avermelhadas, leucoplasia
nodular caracterizada por uma lesão branca com nódulos ligeiramente elevados,
arredondados, esbranquiçados ou avermelhados, e a leucoplasia não homogênea
exofítica que se apresenta como uma lesão branca com projeções irregulares
filiformes. Há um risco de 4 a 7 vezes maior de transformação maligna das
leucoplasias não homogêneas em comparação com as homogêneas. As alterações
histopatológicas das leucoplasias podem variar desde hiperceratose até diversos
graus de displasia epitelial. As leucoplasias sem displasia correspondem entre 80 e
90%
de
todas
as
leucoplasias,
apresentando-se
histologicamente
como
hiperceratose, na sua maioria. Nas leucoplasias sem displasia, o infiltrado de células
inflamatórias do córion é escasso ou está ausente. As leucoplasias com displasia
são menos frequentes representando de 10 a 20% do total das leucoplasias. Nessas
lesões, observa-se presença de infiltrado de células inflamatórias no córion e
também paraqueratose. Num acompanhamento de 8 anos em lesões orais com
displasia, 20% destas evoluíram para um carcinoma e 20% tiveram aumento na
severidade da displasia. Um estudo similar, num período de acompanhamento de 10
anos, a malignização ocorreu em menos de 10% das lesões orais displásicas, assim
mesmo, 30% pioraram e 13% regrediram. O diagnóstico provisório da leucoplasia é
baseado nos aspectos clínicos; para o diagnóstico definitivo deve haver a remoção
dos fatores etiológicos e perante lesões persistentes, o exame histopatológico. O
diagnóstico diferencial deve ser realizado principalmente com o carcinoma de
células escamosas, lesões brancas da mucosa oral que não se desprendem à
raspagem, considerando ainda: leucoedema, leucoplasia pilosa, líquen plano, lesão
liquenoíde, lúpus eritematoso e o nevo branco esponjoso. O primeiro passo no
tratamento da leucoplasia é a remoção dos possíveis fatores causais. Em
leucoplasias únicas e pequenas o tratamento dá-se através da biópsia excisional e
controles periódicos semestrais. Nas lesões maiores, a atitude terapêutica depende
de fatores como, o aspecto clínico, a localização da lesão e fundamentalmente pela
histologia da lesão. No entanto, em lesões grandes sem displasia, onde a cirurgia é
complicada, muitos clínicos indicam a remoção dos fatores etiológicos e o controle
21
do paciente a cada 6 meses. Por outro lado, alguns clínicos preferem eliminar a
lesão diretamente.
Moret, Rivera e González (2008a) estudaram a relação clínico-patológica
entre a eritroplasia bucal e a displasia epitelial. Os dados do estudo se obtiveram de
casos que foram diagnosticados no Laboratório de Histopatologia Bucal Dr. Pedro
Tinoco, na Faculdade de Odontologia da Universidade Central da Venezuela. Foi
realizado um estudo de caráter retrospectivo, com base nos diagnósticos. O método
de coleta de dados foi a observação, tendo sido obtidos dados sobre a aparência
clínica, localização anatômica, idade, sexo, tabagismo, pois são as variáveis mais
comuns fornecidas pelo médico e cirurgião-dentista. Com base nos resultados
obtidos os autores concluíram que o aspecto clínico mais frequente da eritroplasia
bucal é similar àquele da displasia epitelial leve ou moderada. Não apresenta
predileção por idade e o sexo feminino foi o de maior predileção. A localização
anatômica mais afetada foi o palato duro. A eritroplasia da mucosa bucal esta mais
relacionada com o diagnóstico histopatológico de displasia epitelial moderada e em
100% dos casos está relacionada com hábitos de tabaco.
Moret, Rivera e González (2008b) analisaram 11.250 prontuários do
Laboratório Central de Histopatologia Oral Dr. Pedro Tinoco, da Faculdade de
Odontologia da Universidade Central da Venezuela, no período de outubro de 1968
a dezembro de 1998. Foram selecionados 180 casos cujos dados clínicos foram
correlacionados com o diagnóstico histopatológico de leucoplasia com algum grau
de displasia epitelial, e em seguida, foi comparada essa relação com variáveis como:
sexo, idade, localização da lesão e raça. O tipo de displasia mais encontrada foi a
displasia epitelial leve, correspondendo a 52,8%, seguida da displasia epitelial
moderada e severa. A localização anatômica mais frequente foi a mucosa do
rebordo alveolar com 24,1%. A idade de maior prevalência foi do grupo de 50-59
anos (30,2%) e o sexo feminino obteve o maior número de casos (56,4%). Com
relação à raça, os leucodermas foram os mais afetados (53,8%) e 43% dos
pacientes relataram fazer uso de tabaco. Com base nos resultados obtidos, os
autores concluíram que a presença da leucoplasia bucal com diagnóstico
histopatológico
de
displasia
transformação maligna.
epitelial
implica
numa
maior
capacidade
de
Demonstrada a importância do diagnóstico e de vários
graus de displasia epitelial para o tratamento e o prognóstico de uma lesão
22
leucoplásica, é fundamental desenvolver medidas que permitam unificar critérios de
diagnóstico da displasia epitelial e da mucosa bucal.
Barnes et al. (2009) afirmaram que as modificações para a displasia se devem
a modificações genéticas que ocorrem no epitélio, porém não é provável que as
mutações envolvidas sejam aquelas associadas com o desenvolvimento do tumor.
Tradicionalmente, a displasia mais severa está associada com maior probabilidade
de progresso para tumor maligno. Isso indicaria que, quanto maior o acúmulo de
mutações nos tecidos, maior a chance de que mutações críticas para a malignidade
estejam presentes. A malignidade, também, pode surgir em epitélio não displásico,
presumivelmente, porque essas mutações críticas podem estar presentes na
ausência de mutações que causam displasia.
Cimardi e Fernandes (2009) elaboraram um questionário para avaliar a prática
e a atitude clínica perante o câncer de boca entre os cirurgiões-dentistas do estado
de Santa Catarina. Foram enviados 1600 questionários, via correio convencional,
com um retorno de 19,7% (n = 315); e dos cinco mil e-mails enviados, obtiveram
retorno de setenta, correspondendo a 1,4%. Em relação à realização de exame para
identificação de câncer bucal, 72,73% dos entrevistados responderam que o
realizam. Esse fato revela uma grande discordância, uma vez que nos hospitais de
referência para tratamento do câncer bucal o fluxo de pacientes em estádio inicial
não é confirmado. Quarenta e sete vírgula cinco por cento (47,5%) relataram nunca
ter realizado um diagnóstico de câncer de boca. O encaminhamento para os Centros
de Especialidades Odontológicas (CEOs) foi citado por somente 11,7%, mesmo com
a política do governo federal para encaminhamento dos pacientes com lesões
suspeitas a esses centros. Os dados do trabalho evidenciam uma ambiguidade, uma
vez que, embora os profissionais relatem a realização de exames de identificação do
câncer de boca, não há um fluxo de pacientes com estadiamento inicial da
enfermidade nos centros de tratamento avançado. Os autores concluíram que, em
Santa Catarina, se faz necessária a divulgação dos serviços de diagnóstico de
câncer bucal e que o cirurgião-dentista se responsabilize pelo diagnóstico desta
enfermidade.
Henrique et al. (2009) determinaram a prevalência das alterações da mucosa
bucal em brasileiros adultos residentes na cidade de Uberaba, Minas Gerais, Brasil.
Foi utilizada uma amostra randomizada em relação à idade, sexo e etnia. Foi
utilizado um total de 1006 indivíduos acima de vinte anos de idade, sendo 358
23
homens e 648 mulheres. Dos indivíduos examinados, 54,4% apresentaram alguma
alteração da mucosa bucal, desses 35,2% com alterações dentro do padrão de
normalidade e 32,2% com lesões de mucosa bucal, sendo que, 12,6% dos
indivíduos apresentaram as duas condições. Foram realizadas 31 biópsias e o
material obtido foi encaminhado para o exame anátomo-patológico. O resultado do
exame mostrou 26 confirmações do diagnóstico clínico e cinco biópsias não
confirmaram o diagnóstico clínico. A gengivite foi a lesão mais comum (6,6%).
Outras lesões também encontradas foram: candidíase (4,5%), fibroma (3,2%),
hiperplasia fibrosa inflamatória (3,1%), queilite actínica (2,4%), úlcera traumática
(1,7%), mucocele (1,2%), leucoplasia bucal (1,2%) e afta menor (1,2%). Dentre as
alterações dentro do padrão de normalidade a alteração mais comum foi varize
sublingual (9,9%), seguida por grânulos de Fordyce (6,6%), língua fissurada (3,2%),
leucoedema (3,1%), língua geográfica (2,7%), torús mandibular (2,1%), linha alba
(2,1%), língua pilosa (1,4%) e torús palatino (1,0%). Os autores concluíram que as
alterações de mucosa bucal de maior frequência são basicamente as mesmas
encontradas nos diversos estudos. A maioria das lesões estava relacionada a
fatores microbianos e ao traumatismo mecânico, sendo observada uma forte
associação entre problemas dento-gengivais e o surgimento das lesões, enquanto
os fatores sistêmicos pouco influenciaram na prevalência das lesões encontradas.
Hosni et al. (2009) analisaram retrospectivamente as características clínicopatológicas de 13 casos de eritroplasias e leucoeritroplasias orais de pacientes
atendidos em um serviço especializado em Estomatologia e Diagnóstico
Histopatológico de Doenças Bucais. Foram revisados 17.831 prontuários de
pacientes com lesões estomatológicas, biopsiados no período de 1978 a 2006, dos
quais, apenas, 13 casos apresentaram requisitos para serem incluídos no estudo.
Destes, 2 casos correspondiam a eritroplasias homogêneas e 11 casos a
leucoeritroplasias. As lesões exibiram predileção por indivíduos do sexo masculino
na proporção de 3.3: 1. A idade dos pacientes acometidos variou de 33 a 71 anos,
com média de 57 anos. Quanto à localização, 77% (10 casos) das lesões referidas
envolveram o palato mole e destas 70% (7 casos) estendiam-se também ao palato
duro. Sintomatologia dolorosa foi relatada em 61,5% dos pacientes. Em relação aos
fatores de risco, 69,2% dos pacientes eram fumantes e todos demais tinham
histórico de tabagismo. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas foi relatado por
46% dos pacientes. Em 61,5% dos casos analisados houve suspeita de infecção por
24
cândida sobreposta às lesões. Quanto ao diagnóstico histopatológico, nos onze
casos de leucoeritroplasias observou-se displasia epitelial em 27% (3 casos),
carcinoma in situ em 18% (2 casos) e carcinoma invasivo em 55% (6 casos). Nos
dois casos de eritroplasia homogênea o diagnóstico foi de displasia epitelial. Esta
pesquisa salienta que, apesar da baixa prevalência, as eritroplasias homogêneas e
as leucoeritroplasias exibem alterações epiteliais que vão desde displasia epitelial a
carcinoma invasivo, o que justifica sua inclusão entre as lesões bucais com maior
potencial de malignização.
De acordo com Neville et al. (2009a), a queilite actínica é uma alteração prémaligna comum do vermelhão do lábio inferior que resulta de uma exposição
progressiva excessiva ao espectro ultravioleta da luz solar. Trata-se de um problema
concentrado predominantemente em pessoas de pele clara com tendência a
apresentar queimaduras solar com facilidade. Ela raramente ocorre em pessoas com
idades abaixo dos 45 anos. Tem forte predileção pelo gênero masculino. As
alterações clínicas mais precoces incluem a atrofia da borda do vermelhão do lábio
inferior, caracterizada por uma superfície lisa e áreas de manchas pálidas. Suas
características histopatológicas são caracterizadas por um epitélio escamoso
estratificado atrófico, frequentemente demonstrando uma marcante produção de
ceratina. Graus variados de displasia epitelial podem ser encontrados. Um infiltrado
de células inflamatórias crônicas leve comumente está presente em uma disposição
subjacente ao epitélio displásico. O tecido subjacente invariavelmente mostra um
feixe de alteração basofílica amorfa e acelular conhecida como elastose solar
(actínica), que é uma alteração das fibras colágenas e elásticas induzidas pela luz
ultravioleta. Com relação ao tratamento e prognóstico da lesão, várias das
alterações associadas à queilite actínica podem ser irreversíveis, porém os
pacientes devem ser encorajados a utilizar bálsamos para lábios como bloqueadores
solares para prevenir maiores danos. As áreas de endurecimento, especialmente
ulceração ou leucoplasia, devem ser submetidas à biópsia para excluir a
possibilidade de carcinoma. Um carcinoma de células escamosas, geralmente bem
diferenciado, desenvolve-se ao longo do tempo, em 6% a 10% dos casos relatados
pelos centros médicos. Tal transformação maligna raramente ocorre antes dos 60
anos de idade, e este carcinoma tipicamente aumenta de tamanho lentamente e
metastatiza somente em um estágio tardio.
25
Para Neville et al. (2009b), o diagnóstico de leucoplasia depende da exclusão
de outras entidades que surgem como placas orais brancas. Na maioria das lesões
brancas, a coloração clínica resulta de um espessamento da camada superficial de
ceratina, que dá a impressão de ser branca, quando úmida, ou de uma camada
espinhosa espessada, o que mascara a vascularização normal (vermelhidão) do
tecido conjuntivo subjacente. Embora a leucoplasia seja considerada uma lesão prémaligna, o uso do termo clínico de forma alguma sugere que características
histopatológicas de displasia epitelial estejam presentes em todas as lesões. O
epitélio displásico ou o carcinoma francamente invasivo são, de fato, encontrados
em apenas 5% a 25% dos espécimes de biópsia de leucoplasia. A leucoplasia é a
lesão oral pré-cancerosa mais comum, representando 85% de tais lesões. A
prevalência mundial da leucoplasia tem sido estimada entre 1,5% e 4,3%. A sua
causa permanece desconhecida, embora existam várias hipóteses de fatores
desencadeadores, tais como: tabaco, álcool, sanguinária (cremes dentais ou
colutórios
contendo
extrato
de
erva
sanguinária),
radiação
ultravioleta
e
microrganismos. Geralmente, afeta pessoas com idade acima dos 40 anos. A
prevalência aumenta rapidamente com a idade, especialmente para os homens.
Aproximadamente 70% das leucoplasias orais são encontradas no vermelhão do
lábio, mucosa jugal e gengiva. Lesões na língua, vermelhão do lábio e assoalho,
contudo, contribuem com mais de 90% daquelas que exibem displasia ou
carcinoma. Lesões individuais podem ter uma aparência clínica variada que tenderá
a se alterar ao longo do tempo. Lesões iniciais e brandas surgem como placas
levemente elevadas cinzentas ou branco-acinzentadas, que podem parecer um tanto
translúcidas, fissuradas ou enrugadas, e que são tipicamente macias e planas.
Microscopicamente, a leucoplasia é caracterizada pela camada espessada de
ceratina do epitélio de superfície (hiperceratose), com ou sem espessamento da
camada espinhosa (acantose). A maioria das lesões leucoplásicas não demonstra
displasia na biópsia. A evidência de displasia epitelial é encontrada somente em 5%
a 25% dos casos se todos os sítios orais forem considerados. Quando presentes,
essas alterações displásicas iniciam-se nas porções basal e parabasal do epitélio.
Quanto mais displásico o epitélio se torna, mais as alterações epiteliais atípicas se
estendem para envolver a espessura total do epitélio. As alterações histopatológicas
das células epiteliais displásicas são similares às observadas no carcinoma de
células escamosas e podem incluir: células e núcleos aumentados, nucléolos
26
grandes
e
proeminentes,
relação
núcleo-citoplasma
aumentada,
núcleos
hipercromáticos, células e núcleos pleomórficos, disceratose, atividade mitótica
aumentada e figuras de mitose anormais. A displasia epitelial leve refere-se a
alterações limitadas principalmente às camadas basal e parabasal. A displasia
epitelial moderada denota envolvimento da camada basal à porção média da
camada espinhosa. A displasia epitelial severa demonstra alterações desde a
camada basal até um nível acima da porção média do epitélio. Quando toda a
espessura do epitélio está envolvida, tem-se o carcinoma in situ, que é definido
como células epiteliais displásicas que se entendem da camada basal à superfície
da mucosa. O primeiro passo no tratamento da leucoplasia é chegar a um
diagnóstico histopatológico definitivo. As leucoplasias que estejam exibindo displasia
epitelial moderada ou um quadro mais grave justificam a sua destruição ou remoção
completa, se isso for possível. A conduta diante das leucoplasias exibindo alterações
menos graves é guiada pelo tamanho da lesão e pela resposta a medidas mais
conservadoras, tais como o fim do hábito de fumar. Um acompanhamento de longa
duração após a remoção é extremamente importante, uma vez que as recidivas são
freqüentes e também porque outras leucoplasias podem se desenvolver. As
leucoplasias que não exibem displasias frequentemente não são excisadas, porém
uma avaliação clínica a cada 6 meses é recomendada devido à possibilidade de
progressão em direção à displasia epitelial. Outras biópsias são recomendadas caso
o hábito de fumar continue ou se as alterações clínicas aumentarem de gravidade.
O trabalho de Prado e Passarelli (2009) evidenciou que, em muitos casos, o
cirurgião-dentista é o primeiro profissional a suspeitar e diagnosticar o câncer de
boca; no entanto poucos dentistas atuam na prevenção. Nos casos de câncer bucal
em estágio inicial, o paciente não refere quase nenhum tipo de dor, evoluindo em
79% dos casos, dificultando um diagnóstico precoce. Os cirurgiões-dentistas, por
terem contato com o paciente, pelo menos, duas vezes ao ano, têm como papel
fundamental prevenir e diagnosticar. Os registros indicam que 69% dos casos são
diagnosticados em fase inicial por dentistas, em sua rotina de trabalho. A prevenção
do câncer bucal deve ser no sentido de orientar quanto: à cessação do ato de fumar;
ao consumo moderado de bebidas alcoólicas; à alimentação saudável; à higiene
bucal satisfatória; aos cuidados quando da exposição solar; à eliminação de fatores
irritantes na mucosa bucal. O paciente deve ser incentivado a fazer o auto exame da
boca, regularmente. As lesões pré-câncer são lesões que, aliadas a fatores de risco,
27
aumentam a probabilidade de malignização, evoluindo para carcinoma in situ ou
espinocelular e outros tipos de tumores malignos. Uma das limitações para o
diagnóstico preventivo é a pouca incidência de dentistas que usam como exame
complementar a biópsia. Quanto ao potencial de malignização a lesão que mais tem
potencial de malignização é a eritroplasia, muitas vezes já carcinoma in situ,
ocorrendo geralmente em palato mole e duro, não desaparecendo a compressão,
podendo estar associada às lesões brancas. A conclusão do trabalho foi de que o
cirurgião-dentista deve estar apto a prevenir e diagnosticar o câncer bucal no
consultório odontológico, tendo em vista qualquer alteração da mucosa bucal que
fuja do padrão de normalidade. Quando observado pelo paciente, o primeiro
profissional indicado para o diagnóstico deverá ser o cirurgião-dentista.
Silveira et al. (2009) analisaram lesões orais com potencial de malignização,
no Serviço de Anatomia Patológica do Departamento de Odontologia da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no período de janeiro de
1970 a janeiro de 2007. Verificaram, também, a relação do diagnóstico clínico com
as alterações morfológicas das referidas lesões. De um total de 7.725 casos
analisados, 205 (2,6%) tinham diagnóstico clínico de lesões com potencial de
malignização. Dessas, a lesão mais prevalente foi a leucoplasia, com 70,7% (145
casos), eritroplasia com 9,8% (20 casos) e eritroleucoplasia com 3,4% (7 casos). Na
maioria dos casos de eritroplasias e eritroleucoplasias, os diagnósticos clínicos
foram incompatíveis com o morfológico, enquanto nas leucoplasias e queilites
actínicas o diagnóstico compatível prevaleceu. Em relação à potencialidade de
malignização das referidas lesões, a eritroplasia apresentou taxa de transformação
maligna de 20%, enquanto na leucoplasia essa taxa foi de apenas 2,1%. A queilite
actínica e a eritroleucoplasia apresentaram taxa de malignização de 12,1% e 14,28,
respectivamente. Os autores ressaltaram que as referidas lesões merecem atenção
especial por parte do clínico, especialmente as eritroplasias, que apresentaram
elevado percentual de malignização e o maior índice de equívocos no diagnóstico
clínico.
De acordo com Lima et al. (2010), a queilite actínica, ou queilite solar, é uma
lesão cancerizável que ocorre no vermelhão do lábio, em decorrência de exposição
prolongada à luz ultravioleta. Ela é mais frequente em sujeitos de pele clara, em
homens e em trabalhadores que estão regularmente expostos ao sol, tais como
28
agricultores e pescadores. Na região sul do Brasil, pelo fato de a maioria da
população ter descendência européia e pelo clima, esta lesão representa importante
interesse clínico. Há dois tipos de queilite: aguda e crônica. O tipo agudo é mais
comum em indivíduos jovens e com exposição excessiva à luz ultravioleta. O tipo
crônico é uma alteração cumulativa e irreversível, que se caracteriza por ter bordo
atrófico, com áreas discrômicas, manchas brancas ou cinzentas. A lesão é,
geralmente, assintomática, mas pode, em alguns casos, ser acompanhada de uma
sensação ardente e dor. Os principais objetivos do tratamento da queilite crônica
são: impedir o desenvolvimento do carcinoma escamoso, melhorar o aspecto
estético e reduzir os desconfortos ocasionados pelas crostas e aspereza do lábio.
Oliveira et al. (2010) pesquisaram a prevalência de lesões cancerizáveis e a
correlação com os fatores de risco do câncer. Foram analisados os prontuários de
pacientes assistidos no Serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial Dr.
João de Andrade Garcez da Fundação Beneficência Hospital de Cirurgia, em
Aracaju-SE, referentes ao período de junho de 2006 a junho de 2007. As lesões
foram caracterizadas como cancerizáveis e cancerosas de acordo com o aspecto
clínico, e, quando a hipótese diagnosticada era confirmada também pelo anátomopatológico. A análise dos prontuários de cada paciente procurou correlacionar
quesitos sobre suas características individuais (gênero, idade, cor), sócioeconômicas,
história
médica
e
odontológica
e
fatores
de
risco
para
o
desenvolvimento das lesões (tabagismo, alcoolismo, estresse, exposição solar e
predisposição solar). Foram consideradas cancerizáveis a leucoplasia, a eritroplasia,
a queilite actínica, os traumatismos causados por prótese mal adaptada e o líquen
plano. Como cancerosas, os carcinomas, o melanoma, o osteossarcoma e o
adenocarcinoma, entre outras. De um total de 394 prontuários, o grupo etário mais
prevalente foi dos 21 aos 30 anos, resultando em 27,66%. Quanto ao gênero dos
indivíduos pesquisados, 197 eram homens e 197 eram mulheres. Com relação à
prevalência de lesões consideradas cancerizáveis, foram encontrados 7 registros de
casos de leucoplasia, 2 de líquen plano, 4 de queilite actínica e 2 de hiperplasia por
prótese mal adaptada. Na prevalência de lesões neoplásicas encontradas na
amostra de 394 pacientes, 9 tiveram o diagnóstico final de carcionoma espinocelular,
sendo 2 mulheres e 7 homens. Visando otimizar o prognóstico de pacientes
portadores de câncer bucal e daqueles que apresentam lesões ou situações
cancerizáveis, espera-se que, a cada dia haja uma evolução dos métodos de
29
prevenção, diagnóstico precoce e conscientização dos já afetados, diminuindo,
dessa forma, a quantidade de pacientes em estágio avançado da doença.
Tarragó et al. (2010) caracterizaram os pacientes encaminhados para o
Programa de Detecção de Câncer Bucal, na Clínica de Patologia Bucal da
Faculdade de Estomatologia em La Habana, no período de fevereiro de 1999 a julho
de 2006. Um total de 1008 pacientes foi estudado. Em relação aos gêneros ambos
representaram praticamente numero igual de pacientes. A faixa etária de 35 a 59
anos foi a mais afetada (48,1%) seguida do grupo de 60 anos ou mais (40,4%). A
maior concordância entre o diagnóstico clínico e o definitivo foi observada nas
neoplasias benignas (83,6%), seguida pelas leucoplasias (79,2%) e neoplasias
malignas (74%). O diagnostico definitivo de maior prevalência foi de outras lesões
(42,5%), seguido pela leucoplasia (33,7%) e neoplasias benignas (12,1%). As
neoplasias malignas representaram 1,9%. O habito de fumar estava presente em
95% das neoplasias malignas e em 85% das leucoplasias enquanto o consumo de
álcool estava presente em 45% das neoplasias malignas e em 12,3% das
leucoplasias. Os sítios anatômicos mais envolvidos foram mucosa jugal, gengiva e
palato. A presença de sintomas nos pacientes encaminhados foi de 24,1%, porém
no grupo dos pacientes diagnosticados com neoplasias malignas os sintomas foram
relatados por 65% desses pacientes.
Kniest et al. (2011) determinaram a frequência das lesões bucais mais
comuns e o perfil epidemiológico dos sujeitos assistidos no Centro de
Especialidades Odontológicas do município de Tubarão (SC) entre os anos 2003 e
2008. Foram analisados 140 pacientes na pesquisa. Com relação aos resultados, o
número total de lesões encontradas foi de 126, das quais se submeteram 54 à
biópsia para confirmação diagnóstica. Em relação ao gênero, 89 pertenciam ao sexo
feminino (63,6%) e 51 ao masculino (36,4%), isso mostra maior preocupação das
mulheres com a saúde bucal. A faixa etária de maior prevalência atendida no local
foi a dos indivíduos com idade igual ou superior a 41 anos (73,9%). Das lesões
cancerizáveis, a queilite actínica apareceu em 3 casos (2,4%), acompanhada da
leucoplasia com 2 casos (1,6%). Esses índices confirmam achados de outros
trabalhos, uma vez que em regiões onde a agricultura é prevalente, com exposição
solar acentuada na região facial, sobretudo em lábio inferior, a queilite actínica se
mostra bastante comum. O estudo constatou que 86,4% dos indivíduos atendidos
30
tinham lesão bucal no momento da consulta e as lesões benignas totalizaram quase
98% dos casos.
31
3 MATERIAIS E MÉTODOS
A presente pesquisa é do tipo descritiva transversal, mediante levantamento
de dados secundários, no Serviço de Diagnóstico Histopatológico de Lesões Bucais
da Universidade do Vale do Itajaí (SDHLB/UNIVALI).
O projeto de pesquisa foi, previamente, submetido e aprovado pela Comissão
de Ética em Pesquisa da UNIVALI, sob o número 254/10.
Primeiramente foi realizada uma coleta de dados junto aos laudos emitidos
pelo Serviço, no período de agosto de 2002 a agosto de 2010. A definição por este
período ocorreu em função de que o SDHLB iniciou suas atividades em 2002; e, a
partir do segundo semestre de 2010, houve a interrupção temporária do serviço.
Foram selecionados aqueles casos que tiveram como diagnóstico histopatológico as
seguintes lesões cancerizáveis: displasia epitelial e queilite actínica. A partir deste
levantamento, foi calculada a frequência relativa de casos de lesões cancerizáveis.
Para cada tipo de lesão cancerizável diagnosticada, foram coletadas informações
para se caracterizar os sujeitos e a lesão, a saber: raça, gênero, idade, hábitos
nocivos e região anatômica da lesão. Para cada um destes dados, foi calculada a
frequência relativa.
Na segunda etapa da investigação, foi efetuada a análise comparativa entre o
diagnóstico histopatológico e a hipótese de diagnóstico clínico mencionado na ficha
de biópsia, para se identificar o nível de concordância. Os resultados obtidos foram
organizados e tabulados, tendo sido, então, calculada a frequência relativa.
O relatório final da pesquisa será divulgado através de artigo científico e
exposição em congressos. Também, será produzido um resumo expandido para ser
enviado a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) da região de abrangência da
UNIVALI, destacando-se a importância do diagnóstico precoce e do suporte que o
SDHLB pode oferece aos cirurgiões-dentistas da região.
Uma cópia impressa e digitalizada do relatório final será remetida à Biblioteca
Setorial do Curso de Odontologia, através da coordenação do curso.
32
4 RESULTADOS
Junto aos registros do SDHLB/UNIVALI foram encontrados 617 prontuários,
relativos ao período de agosto de 2002 até agosto de 2010, dos quais 29 (4,7%)
apresentavam diagnóstico histopatológico de lesões cancerizáveis.
Os diagnósticos histopatológicos mais frequentes foram a displasia epitelial
leve e a displasia epitelial moderada. A frequência de todas as lesões cancerizáveis
diagnosticadas no período em análise pode ser observada no gráfico 1.
Gráfico 1: Distribuição da frequência relativa dos tipos de lesões cancerizáveis, segundo
diagnóstico histopatológico emitido pelo SDHLB/UNIVALI no período de agosto de 2002 a
agosto de 2010.
Com relação ao gênero dos sujeitos, cujos prontuários foram analisados,
identificou-se que 66% eram do sexo feminino e 34% do masculino. Quanto à raça,
100% eram leucodermas. Sobre os hábitos nocivos (tabagismo e alcoolismo), 54%
dos sujeitos eram tabagistas, 4% faziam consumo de álcool e tabaco e 42%
afirmaram não ter tais hábitos.
As idades dos sujeitos variaram de 25 a 83 anos, tendo havido uma
predominância das faixas etárias que correspondem a quarta e quinta décadas de
vida (Gráfico 2).
33
Gráfico 2: Distribuição da frequência relativa das classes que representam as faixas etárias
dos sujeitos acometidos pelas lesões cancerizáveis.
No gráfico 3, estão os sítios anatômicos mais acometidos pelas lesões
cancerizáveis.
Mucosa Jugal
17%
Lábio Inferior
24%
Mucosa do Rebordo Alveolar
28%
Lingua
31%
%
0
10
20
30
40
Gráfico 3: Distribuição da frequência relativa de cada sítio anatômico acometido pelas
lesões cancerizáveis, segundo diagnóstico histopatológico emitido pelo SDHLB/UNIVALI no
período de agosto de 2002 a agosto de 2010.
Com relação ao diagnóstico clínico, que foi emitido pelos cirurgiões-dentistas
que efetuaram o encaminhamento dos casos para biópsia junto ao SDHLB/UNIVALI,
34
no período de agosto de 2002 a agosto de 2010, verificou-se a leucoplasia foi a mais
freqüente, como pode ser observado no gráfico 4.
Gráfico 4: Distribuição da frequência relativa das classes que representam o diagnóstico
clínico dos 29 prontuários analisados.
Dos 29 prontuários analisados pelo SDHLB/UNIVALI, em 57% houve
concordância entre o diagnóstico clínico e o microscópico; já, em 43%, os
diagnósticos não foram concordantes.
Gráfico 5: Distribuição da frequência relativa das classes que representam a concordância
clínica e microscópica dos 29 prontuários analisados no SDHBL/UNIVALI.
35
5 DISCUSSÃO
Considerando-se os objetivos propostos, quando do planejamento da
pesquisa, optou-se por desenvolver a discussão dos resultados obtidos em dois
blocos. Assim, primeiro abordaremos os aspectos relacionados à frequência e
descrição dos casos de lesões cancerizáveis diagnosticados. Após, será discutido o
tópico
referente
à
concordância
entre
diagnóstico
clínico
e
diagnóstico
histopatológico dos casos analisados.
5.1 Frequência
Dos 617 diagnósticos emitidos pelo SDHLB/UNIVALI, durante o período de
agosto de 2002 a agosto de 2010, ou seja, num espaço de oito anos, 29 (4,7%)
apresentavam diagnóstico histopatológico de lesões cancerizáveis. A frequência de
casos detectados pelo SDHLB/UNIVALI é concordante com a literatura revisada,
que aponta uma prevalência entre 2 e 10%. (CRUZ et al., 2005; SILVEIRA et al.,
2009)
Com base nos prontuários com o laudo histopatológico, observou-se que a
alteração mais prevalente foi a displasia epitelial. Dentre os tipos de displasia, a leve
foi a mais frequente (45%), dado que está em consonância com os trabalhos de
Rodrigues et al., 2000; Inés et al., 2006; Moret, Rivera e González, 2008b. As
alterações displásicas iniciam-se nas porções basal e parabasal do epitélio. As
alterações histopatológicas das células epiteliais displásicas são similares às
observadas no carcinoma de células escamosas. A displasia epitelial leve refere-se
a alterações limitadas principalmente às camadas basal e parabasal. A displasia
epitelial moderada denota envolvimento da camada basal à porção média da
camada espinhosa. E, a severa demonstra alterações desde a camada basal até um
nível acima da porção média do epitélio. (NEVILLE, 2009b)
Com relação ao gênero da amostra analisada, observa-se que 66% eram do
sexo feminino, assim como citado por Moret, Rivera e González, (2008b). No
entanto, o fato de o sexo feminino ser o mais prevalente não concorda com a
maioria dos trabalhos revisados. Essa discrepância pode ser indicativo, talvez, da
36
maior procura por cuidados médicos e da maior utilização de serviços odontológicos
por parte de pacientes do gênero feminino ou, também, pelo fato de que,
atualmente, o uso abusivo de álcool e fumo entre as mulheres vem crescendo
acarretando uma maior exposição aos fatores carcinogênicos. Isto nos leva a pensar
que campanhas educativas devem ser empregadas no sentido de reduzir o consumo
de álcool e fumo entre as pessoas, pois lesões cancerizáveis apresentam uma forte
associação com o estilo de vida praticado pelas pessoas.
A maioria dos trabalhos encontrados na literatura relata que a quarta e quinta
década de vida na época do diagnóstico são as mais frequentes. (MORET, RIVERA
E GONZÁLEZ, 2008b; TARRAGÓ et al., 2010; ARAÚJO et al., 2007 e HOSNI et al.,
2009). Os resultados desta pesquisa mostram que as idades dos sujeitos variaram
de 25 a 83 anos, tendo havido uma predominância de 48% na faixa etária que
corresponde a quarta e quinta décadas de vida (de 40 a 59 anos). Segundo Neville
et al. (2009b), a prevalência das lesões cancerizáveis aumenta rapidamente com a
idade. Essa característica provavelmente está relacionada com o tempo de
exposição aos fatores de risco, além da suscetibilidade individual de cada ser
humano, aspecto importante na oncogênese.
Quanto à raça, a literatura (ABREU et al., 2006; ARAÚJO et al., 2007;
MORET, RIVERA E GONZÁLEZ, 2008b) aponta a leucoderma como a mais
acometida, pois as pessoas de pele clara são mais sensíveis à ação dos raios
solares. Esse estudo ratifica esta condição.
O presente estudo mostrou que 54% dos pacientes eram fumantes e 4%
faziam uso concomitante de bebidas alcoólicas e fumo. A causa da leucoplasia
permanece desconhecida, embora existam vários fatores desencadeadores tais
como: tabaco, álcool, sanguinária (pessoas que usam cremes dentais ou colutórios
contendo extratos de erva sanguinária), radiação ultravioleta, microrganismo.
(HOSNI et al., 2009; NEVILLE et al., 2009b; TARRAGÓ et al., 2010)
Quanto aos sítios anatômicos mais acometidos pelas lesões cancerizáveis,
houve predominância da língua, seguido pela mucosa do rebordo alveolar. Neville et
al. (2009b) destaca que aproximadamente 70% das leucoplasias orais são
encontradas no vermelhão do lábio, mucosa jugal e gengiva. Lesões na língua,
vermelhão do lábio e assoalho, contudo, contribuem com mais de 90% daquelas que
exibem displasia ou carcinoma. O estudo de Bratic, Vuckovic e Mirkovic (2004)
mostrou que a gengiva, a mucosa bucal e o vermelhão do lábio são os sítios mais
37
acometidos pelas lesões cancerizaveis. Moret, Rivera e González, 2008b também
observaram que a localização mais frequente das leucoplasias é a mucosa do
rebordo alveolar.
5.2 Concordância entre os diagnósticos
O diagnóstico clínico mais prevalente realizado pelos cirurgiões-dentistas que
encaminharam as peças para biópsia foi leucoplasia, com 40%, seguido de queilite
actínica com 13%. Estes achados são ratificados pela literatura que aponta a
leucoplasia como a lesão cancerizável mais prevalente. (BRATIC; VUCKOVIC;
MIRKOVIC, 2004; DÍAZ; FREGIO; RAMOS, 2004; SILVEIRA et al., 2009; OLIVEIRA,
2010)
O termo leucoplasia é utilizado apenas no sentido clínico para denominar uma
placa predominantemente branca da mucosa bucal, não removível à raspagem, cuja
superfície pode apresentar-se lisa, rugosa ou verrucosa. É a lesão cancerizável mais
frequente da cavidade bucal, desenvolvendo-se em qualquer região; no entanto, a
mucosa jugal, o lábio inferior e a língua têm sido as áreas mais afetadas.
(RODRIGUES et al., 2000)
Seu diagnóstico ocorre por exclusão de outras lesões, visto que esta não
apresenta características histopatológicas especificas (GÓES et al., 2007). A taxa de
transformação maligna de leucoplasia varia de 0% a 20%, sendo em média de 5%.
(SILVEIRA et al., 2009)
Dos 29 prontuários do SDHLB/UNIVALI, em 57% houve concordância clínica e
microscópica entre eles, já 43% não ocorreu concordância. Esses percentuais de
acertos concordam com a literatura levantada. Marin et al. (2007) encontraram uma
concordância entre o diagnóstico clínico e o histopatológico de 52%; Lins et al.
(2008) relataram 62,9% de acertos; Tarragó et al. (2010) reportaram um percentual
de concordância de 79,2%.
A não totalidade de acertos dos diagnósticos clínicos sugere a necessidade
de um melhor preparo técnico-científico do profissional para o exame bucal, assim
como, uma maior conscientização do adequado preenchimento das fichas de
requisição de biópsia, a fim de elucidar o trabalho dos patologistas.
38
A falta de conhecimento técnico científico do cirurgião-dentista com relação ao
diagnóstico clínico das lesões é preocupante, pois muitas vezes as hipóteses
levantadas não apresentam nenhum grau de semelhança que poderiam caracterizar
um diagnóstico diferencial. Porém, o mais grave é quando, nem o diagnóstico clínico
é realizado pelo profissional, havendo negligência em relação a pacientes com
lesões bucais. A realização inadequada do protocolo de atendimento, que inclui
anamnese e exame físico criterioso, ou a não realização de biópsia e
encaminhamento
para
diagnóstico
histopatológico,
também,
são
aspectos
preocupantes.
O cirurgião-dentista tem papel fundamental no consultório odontológico tanto
no diagnóstico como na prevenção das lesões bucais. É preciso preparar o
profissional não só para reconhecer o tumor maligno precocemente, e as lesões
cancerizáveis, mas também para ser um educador, orientando sobre fatores de risco
e fatores irritantes da mucosa bucal e incentivando as visitas regulares ao cirurgiãodentista, e ainda a prática do auto exame da boca que é uma estratégia importante
para obter-se o diagnóstico do câncer bucal em fase inicial.
39
6 CONCLUSÃO
Da análise dos resultados apresentados, conclui-se que, dentre os prontuários
diagnosticados histopatologicamente como lesões cancerizáveis no DHLB/UNIVALI,
a displasia epitelial leve e a displasia epitelial moderada, são as de maior frequência.
O gênero feminino e a raça leucoderma foram os mais afetados. A faixa etária
de maior ocorrência foi a quarta década de vida.
A língua, a mucosa do rebordo alveolar e o lábio foram os sítios anatômicos
mais atingidos, enquanto os pacientes fumantes foram os mais suscetíveis.
A concordância entre o diagnóstico clínico e o histopatológico foi de 57%.
40
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