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CapA-tulo 11 - Manejo de solo e m cultivo de citrus - 11-08

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XI - MANEJO
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
1
XI - MANEJO DO SOLO EM CULTIVO DE
CITROS
AUTOR: verificar
nomes e notas com
cuidado.
Deixar apenas a
função principal de
cada autor.
José Eduardo Corá1/, Dirceu Mattos Júnior2/, Rodrigo Marcelli Boaretto2/, Fernando
Alves de Azevedo2/, Fernando Cesar Bachiega Zambrosi3/, José Antônio Quaggio3/ &
Priscila Roberta Volante4/
1/
Engenheiro-Agrônomo, Professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Jaboticabal. Via de
acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n, CEP 14884-900, Jaboticabal, SP. E-mail: [email protected]
2/
Engenheiro-Agrônomo, Pesquisador Científico do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, Instituto
Agronômico (IAC), Rod. Anhanguera, km 158, CEP 13490-000, Cordeirópolis, SP.
E-mail: [email protected], [email protected], [email protected]
3/
Engenheiro-Agrônomo, Pesquisador Científico do Centro de Solos e Recursos Ambientais, Instituto
Agronômico (IAC), Avenida Barão de Itapura, 1.481, CEP 13020-902, Campinas, SP. E-mail: [email protected]
sp.gov.br, [email protected]
4/
Engenheira-Agrônoma, Doutoranda em Pós-Graduação em Agronomia (Produção Vegetal) da Universidade
Estadual Paulista (Unesp), Campus Jaboticabal, Via de Acesso Prof.Paulo Donato Castellane s/n,
CEP 14884-900, Jaboticabal, SP. E-mail: [email protected]
Conteúdo
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................
1
REGIÕES DE OCORRÊNCIA DA CITRICULTURA (HISTÓRICO)........................................................................
2
CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS E MORFOLÓGICAS DO CITROS E EXIGÊNCIAS
EDAFOCLIMÁTICAS .................................................................................................................................................
3
PRINCIPAIS CLASSES DE SOLOS EM REGIÕES COM CITRICULTURA (LIMITAÇÕES E
QUALIDADES RELACIONADAS ÀS EXIGÊNCIAS DO CITROS)....................................................................
4
MANEJO DO SOLO NA IMPLANTAÇÃO DO POMAR .........................................................................................
9
MANEJO DO SOLO NO POMAR IMPLANTADO....................................................................................................
15
Atributos químicos ..................................................................................................................................................
15
Atributos físicos (manejo das entrelinhas) ...........................................................................................................
16
LITERATURA CITADA .................................................................................................................................................
20
INTRODUÇÃO
O manejo do solo é definido como a combinação das operações de cultivo, práticas
culturais, fertilização, correção da acidez do solo e outros tratamentos aplicados ao solo
que visam maximizar a produção de plantas (Curi et al., 1993). Portanto, é de caráter
SBCS, Viçosa, 2015. Manejo do Solo, xxxp. (eds.
xxxxxx).DO
MANEJO
SOLO
2
JOSÉ EDUARDO CORÁ
ET AL.
complexo, tanto em decorrência da quantidade de operações e interações entre elas como
das interações com cada tipo de solo.
O solo, corpo tridimensional na paisagem, é resultado da ação combinada dos fatores
de formação, como material de origem, relevo, organismos (fauna e flora) e clima, num
espaço de tempo (Jenny, 1941) e de processos pedogenéticos de formação (adição, perda,
transformação e translocação), que, especificamente, são os processos denominados
de latolização, argiluviação, podzolização, gleização e outros. Portanto, o conjunto de
atributos (químicos, físicos, biológicos, morfológicos e mineralógicos) de determinado solo
depende da interação entre os fatores e os processos de formação como: composição da
rocha de origem, o que interfere a taxa de alteração pelo intemperismo; das condições
climáticas; da vegetação existente; e da sua posição na paisagem. Dessa maneira, o produtosolo difere do material do qual foi derivado em muitas propriedades e características, cujo
conhecimento permite prever seu padrão de comportamento, ou seja, suas limitações e
qualidades para determinado uso (= aptidão). A aptidão define a capacidade de suporte
do solo para discriminado uso (atividade), sendo a base para estabelecer o plano de manejo
adequado e racional para a atividade agrícola. O plano de manejo com base na capacidade
de suporte auxilia na prevenção da degradação do solo e na manutenção da estabilidade
da produtividade da atividade (culturas).
Também fica clara a necessidade de se conhecerem as características da atividade
agrícola para determinar as limitações e qualidades do solo. Quando essa não é compatível
com a aptidão e capacidade de suporte do solo (uso e, ou, manejo do solo), pode se tornar
inviável tanto de forma econômica quanto ambiental, diminuindo a capacidade produtiva
do solo ao longo do tempo. Portanto, é necessário conhecer as limitações e qualidades
do solo para sua adequada utilização para que, então, essa atividade seja econômica e
ambientalmente sustentável.
Os citros possuem grande capacidade de adaptação em relação aos diferentes tipos de
solos. Esse fato, entretanto, não permite afirmar que a planta apresente todo o seu potencial
produtivo em todos os tipos de solos. Portanto, é necessário conhecer as exigências edáficas
das plantas de citros, que é uma combinação de variedades copa e porta-enxerto, para
definir as limitações e qualidades de determinado solo à citricultura.
Assim, este capítulo teve como objetivo apresentar as principais classes de solos para
a citricultura, assim como o manejo do solo considerado adequado desde a implantação à
condução do pomar adulto, com base em resultados de pesquisa e experiências práticas.
Contudo, não se tem a pretensão de esgotar o assunto, pois se entende que esse manejo deve
ser dinâmico, adaptando-se às novas tecnologias e aos avanços alcançados na melhoria
genética das espécies comercialmente cultivadas.
REGIÕES DE OCORRÊNCIA DA CITRICULTURA
(HISTÓRICO)
Os citros compreendem um grande grupo de plantas dos gêneros Citrus, Fortunella
e Poncirus e híbridos da família Rutaceae, que são representados por laranjas, tangerinas,
limões, limas (ácidas e doces), pomelos, cidras e toranjas. São originários principalmente
das regiões subtropicais e tropicais da China, Japão e do sudeste da Ásia, incluindo áreas do
MANEJO
DO
SOLO
XI - MANEJO
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
3
leste da Índia, Bangladesh, como também Filipinas, Indonésia, Austrália e África (Donadio
et al., 2005). No Brasil, os citros foram introduzidos pelos portugueses, no começo do
século XVI (Donadio et al., 2005).
A citricultura é uma das principais atividades agrícolas de importância econômica
e social para o Brasil. Destaca-se pela produção de laranjas-doces, tangerinas e limas
ácidas, que contribuem com o maior volume do total brasileiro de frutas. Em número, isso
representa 48 % dos 43,6 milhões de toneladas obtidos em 2012. Banana, abacaxi, melancia,
mamão, uva e maçã, juntas, somaram, em 2012, 39 % (Anuário Brasileiro da Fruticultura,
2013).
As laranjas são os principais frutos cítricos cultivados no mundo. O Brasil detém 34 %
do total mundial de 51,8 milhões t (USDA, 2014), em cerca de 720 mil ha, com grande
concentração no Estado de São Paulo, cuja produção foi cerca de 11,9 milhões de t, em 2014
(IEA, 2015).
O Estado de São Paulo responde por aproximadamente 65 % da produção de limas
ácidas e limões e por 23 % das tangerinas no país. Seguem em importância na produção
brasileira de citros os Estados da Bahia, de Sergipe, de Minas Gerais, do Paraná e do Rio
Grande do Sul. Em São Paulo, cerca de 80 % da produção de laranja destina-se à indústria
e exportação do suco. Quanto à comercialização da laranja in natura, o volume para os
mercados internos e de exportação é menor, contudo, vem crescendo proporcionalmente
ao incremento da renda dos brasileiros à sua exigência para melhoria da qualidade dos
frutos.
Na Bahia, a produção de laranja concentra-se nas regiões do Litoral Norte (Rio Real),
Agreste de Alagoinhas (Itapicuru) e Recôncavo Sul (Cruz das Almas). Em Sergipe, os cinco
municípios maiores produtores estaduais são Itabaininha, Cristinápolis, Salgado, Lagarto
e Boquim. Os solos cultivados com citros nos Estados da Bahia e de Sergipe apresentam,
como característica diferencial, horizontes subsuperficiais adensados, denominados
horizontes coesos, que se constituem na principal limitação agrícola para os citros e,
portanto, exigindo manejo com algumas especificidades. Por esse fato, tais solos serão
tratados separadamente em outro capítulo deste livro. (AUTOR VERIFICAR)
Em Minas Gerais, as regiões produtoras são o Triângulo Mineiro, sul e norte do
Estado (Souza e Lobato, 2001). A citricultura no Triângulo Mineiro é um prolongamento da
citricultura do norte de São Paulo, sendo a safra direcionada para as indústrias de suco de
São Paulo (Boteon e Neves, 2005). Já o norte de Minas dedica-se à produção de Tahiti; e o
sul, à produção de tangerina ponçã, segundo Souza e Lobato (2001). No Estado do Paraná, a
produção é voltada à exportação de suco, como no Estado de São Paulo, e está concentrada
no noroeste do Estado, na região de Paranavai (Boteon e Neves, 2005). A participação do
Rio Grande do Sul na produção brasileira é principalmente voltada para tangerinas (13 %).
CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS E MORFOLÓGICAS
DO CITROS E EXIGÊNCIAS EDAFOCLIMÁTICAS
Os citros apresentam bom desenvolvimento em regiões onde as temperaturas
do ar variam de 22 °C a 33 °C. Entretanto, perdas de produção podem ocorrer quando
MANEJO
DO
SOLO
4
JOSÉ EDUARDO CORÁ
ET AL.
as temperaturas ficam acima de 35 °C e abaixo de 13 °C, em razão da diminuição da
fotossíntese e dos prejuízos no florescimento e na fixação de frutos jovens (Syvertsen e
Lloyd, 1996; Medina et al., 2005). O período entre o florescimento e a maturação dos frutos
pode variar de nove a 16 meses, dependendo da espécie ou variedade, da combinação
copa/porta-enxerto e das condições edafoclimáticas (Pio et al., 2005). É esse intervalo que
define as variedades tidas como precoces (Hamlin e Westin), meia-estação (Pera) e tardias
(Valência, Natal e Folha Murcha).
O sistema radicular dos citros é constituído de raiz primária ou pivotante, a partir da qual
se desenvolvem as raízes secundárias, que, por sua vez, originam as terciárias, quaternárias
e assim por diante (Queiroz-Voltan e Blumer, 2005). As raízes mais velhas, geralmente de
crescimento secundário, têm função de fixação e armazenamento, enquanto as mais jovens,
que se encontram em processo de crescimento primário e localizadas perto do ápice da raiz,
têm função na absorção de água e nutrientes (Queiroz-Voltan e Blumer, 2005).
Por serem perenifólios e reterem os frutos por vários meses, os citros exigem elevados
níveis de umidade no solo ao longo do ano, exceto no período de indução floral. Todas
essas características fisiológicas e morfológicas dos citros devem ser levadas em conta na
definição das limitações e qualidades do solo para a cultura, ou seja, sua aptidão e manejo
adequado do solo para citricultura.
Dessa maneira, os solos mais recomendados para citricultura, com menos limitações e
mais qualidades, ou seja, maior aptidão, são aqueles com suficiente profundidade efetiva,
que não apresentam impedimento físico ou químico nos primeiros 150 cm de profundidade
e que possuem capacidade de armazenar quantidade suficiente de àgua disponível para
as plantas.
O solo deve ser visto como ambiente do sistema radicular, onde a disponibilidade
de nutrientes e água é governada pelo conjunto dos atributos fisicos, quimicos e
biológicos. A disponibilidade de nutrientes e água determina a extensão e distribuição
do sistema radicular, que, por sua vez, resulta no crescimento da parte aérea da planta e,
consequentemente, na produtividade da cultura. A produtividade é ainda influenciada
por fatores diretos e indiretos como potencial genético da planta, controle fitossanitário
(pragas e doenças), plantas infestantes e clima, além das interações entre esses.
Assim, o manejo adequado do solo pode ser interpretado como a adaptação da
planta às condições do ambiente, ou seja, a relação solo-planta. Os citros evidenciam
boa adaptabilidade e mantêm níveis elevados de produtividade em condições edáficas
distintas (Corá et al., 2005).
PRINCIPAIS CLASSES DE SOLOS EM REGIÕES COM
CITRICULTURA (LIMITAÇÕES E QUALIDADES
RELACIONADAS ÀS EXIGÊNCIAS DO CITROS)
Nas principais áreas produtoras de citros no Brasil, aproximadamente de 720 mil
ha, as classes de solos de maior ocorrência são os Latossolos e Argissolos, seguidos pelas
dos Neossolos Quartzarênicos e, em menor proporção, pelas dos Neossolos Flúvicos,
Cambissolos, Gleissolos, Espodossolos e Plintossolos.
MANEJO
DO
SOLO
XI - MANEJO
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
5
Nas áreas onde se concentram 65 % da citricultra brasileira (Estado de São Paulo,
Triângulo Mineiro e norte do Paraná), destacam-se os Latossolos Vermelhos e VermelhosAmarelos, com aproximadamente 40 %; Argissolos Vermelhos-Amarelos, com 47 %,
Gleissolos, com 5 %; Cambissolos, com 4 %; e Neossolos Quartzarênicos e Neossolos
Flúvicos, com 2 %.
Para o manejo adequado do solo, no caso específico da citricultura, podem ser
considerados como indicadores de limitações e qualidades (aptidão) os atributos físicos do
solo como textura, estrutura, densidade, porosidade total, volume de macro e microporos,
retenção e amazenagem de água e profundidade efetiva do solo; os atributos químicos
como capacidade de troca de cátions (CTC), toxicidade de alumínio (Al), deficiência de
cálcio (Ca) e magnésio (Mg), saturação por bases (V), teores de fósforo (P), potássio (K) e
matéria orgânica (MO); e atributos morfológicos como relevo e posição de ocorrência na
paisagem.
A classe dos Latossolos (Figura 1) apresenta como principais indicadores de qualidade
para a citricultura o relevo geralmente plano ou suave ondulado, favorecendo menor
susceptibilidade à erosão; e adequada profundidade efetiva; friabilidade e porosidade
adequadas, o que permite o crescimento radicular e a infiltração de água e circulação do ar,
favorecendo a respiração e absorção de íons pelas raízes.
Como principais limitações, os Latossolos evidenciam baixos teores de P; baixa
CTC; baixa capacidade de armazenamento de água disponível para as plantas, quando a
textura é mais arenosa; caráter distrófico (baixos teores de Ca, Mg e K) e, ou, caráter álico
(saturação por Al maior que 50 %); baixos teores de micronutrientes, naqueles de textura
mais arenosa; e susceptibilidade à compactação, quando mais argilosos (Quadros 1 e 2).
Figura 1. Perfil de Latossolo Vermelho-Amarelo localizado no município de Palestina, SP.
Foto: J.E. Corá.
MANEJO
DO
SOLO
JOSÉ EDUARDO CORÁ
6
ET AL.
Quadro 1. Atributos químicos de Latossolo Vermelho-Amarelo, município de Palestina, SP
Horiz.
Prof.
pH
MO
P
-3
K
-3
Ca
Mg
H+AL
SB
CTC
-3
--------------------cmolc dm -----------------
V
cm
CaCl2
g dm
mg dm
%
Ap
0-20
4,2
11
5
0,29
2,3
1,0
1,6
3,59
5,19
69
AB
20-35
4,2
10
2
0,28
0,8
0,9
1,8
1,98
3,78
52
BA
35-55
4,2
8
2
0,24
0,8
0,8
1,8
1,84
3,64
51
Bw1
55-97
4,2
7
1
0,15
0,8
0,7
1,8
1,65
3,45
48
Bw2
97-150
4,3
6
1
0,13
0,7
0,7
1,5
1,53
3,03
50
Diagramador:
colocar em
negrito
MO= Matéria Orgânica; SB = Soma de bases; e CTC = capacidade de troca catiônica.
Quadro 2. Atributos físicos de Latossolo Vermelho-Amarelo, município de Palestina, SP
Horiz.
Ap
AB
BA
Bw1
Bw2
Prof.
cm
0-20
20-35
35-55
55-97
97-150
Areia
Silte
Argila
VTP
-1 -
Macro
3
-----------g kg -------750
50
200
740
50
210
666
64
270
690
40
270
691
39
270
-3
Micro
--------------m m ------------0,48
0,19
0,29
0,35
0,11
0,24
0,40
0,17
0,24
0,39
0,13
0,26
0,41
0,15
0,26
Ds
kg dm-3
1,22
1,34
1,26
1,11
1,11
VTP = Volume total de poros; Macro = macroporos (> 0,05 mm); Micro = microporos (< 0,05 mm); e Ds = Densidade do solo.
Os Argissolos (Figura 2) apresentam como característica diferencial o incremento do
teor de argila do horizonte B para baixo no perfil (gradiente textural) (Quadro 3). A textura
pode variar de arenosa a argilosa no horizonte superficial (horizonte A) e de média a muito
argilosa no horizonte Bt, sempre havendo aumento dos teores de argila do horizonte A
para o horizonte B. Os Argissolos apresentam-se com profundidade variável, de forte a
imperfeitamente drenados, de forte a moderadamente ácidos e com saturação por bases
alta ou baixa (Santos et al., 2013).
A classe dos Argissolos apresenta como um dos mais importantes indicadores de
qualidade o caráter eutrófico no horizonte Bt. Quando eutróficos (Quadro 4), os Argissolos
apresentam grande suprimento de bases em profundidade, o que permite o crescimento do
sistema radicular, possibilitando maior aproveitamento de água disponível no horizonte
Bt, aspecto que favorece a cultura dos citros.
As principais limitações ficam por conta da presença de argila de atividade baixa; baixa
CTC; baixos teores de P; baixos valores de V; reduzida capacidade de armazenamento de
água disponível para as plantas, principalmente quando o horizonte A é arenoso e espesso;
elevado gradiente textural de alguns Argissolos; e a posição na paisagem em relevos
ondulados e fortemente ondulados, favorecendo o processo erosivo. Quando apresentam
elevado gradiente textural, é observada acentuada redução do volume de poros de maior
diâmetro (macroporosidade) no horizonte subsuperficial (horizonte Bt) do solo, que
são responsáveis pelo movimento da água e do ar no solo. Como consequências, têm-se
menor infiltração e redistribuição da água, o que aumenta a susceptibilidade do solo à
erosão e diminui a aeração (trocas gasosas), o que influencia o sistema radicular da planta,
diminuindo o crescimento e absorção de água e nutrientes. É comum, em prolongados
MANEJO
DO
SOLO
Diagramador:
colocar em
negrito
XI - MANEJO
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
7
períodos de chuvas, se observar amarelecimento no pomar sob Argissolos com gradiente
textural elevado, causado por deficiência momentânea de nitrogênio.
Figura 2. Perfil de Argissolo Vermelho-Amarelo localizado no município de Matão, SP.
Foto: J.E. Corá
Quadro 3. Atributos físicos de Argissolo Vermelho-Amarelo, município de Matão, SP
Horiz.
Prof.
cm
Ap
AB
Bt1
Bt2
0-30
30-50
50-70
70-120+
Areia
Silte
Argila
--------------g kg-1 --------------800
757
730
724
55
80
47
46
VTP
Macro
Micro
------------- m3 m-3 ------------
145
163
223
230
0,38
0,35
0,39
0,41
0,10
0,10
0,13
0,15
0,28
0,25
0,26
0,26
Ds
kg dm-3
1,22
1,34
1,11
1,11
Diagramador:
colocar em
negrito
VTP = Volume total de poros; Macro = macroporos (> 0,05 mm); Micro = microporos (< 0,05 mm); e Ds = Densidade do solo.
Quadro 4. Atributos químicos de Argissolo Vermelho-Amarelo, município de Matão, SP
Horiz.
Ap
AB
Bt1
Bt2
Prof.
cm
0-30
30-50
50-70
70-120+
pH
CaCl2
4,9
5,0
4,4
4,2
MO
g dm-3
9
7
6
5
P
mg dm-3
53
1
1
1
K
Ca Mg H+AL
SB
CTC
--------------------cmolc dm-3----------------0,18 3,4 1,7
1,6
5,28
6,89
0,15 1,1 2,0
2,0
4,05
6,05
0,07 1,3 2,2
2,2
4,17
6,37
0,08 1,2 2,2
2,2
3,38
5,58
V
%
77
67
65
61
MO= Matéria Orgânica; SB = Soma de bases; e CTC = capacidade de troca catiônica.
Os Neossolos são solos que apresentam insuficiência de manifestação dos atributos
diagnósticos que caracterizam os diversos processos de formação. Apresentam exígua
MANEJO
DO
SOLO
Diagramador:
colocar em
negrito
8
JOSÉ EDUARDO CORÁ
ET AL.
diferenciação de horizontes, com individualização de horizonte A seguido do horizonte
C ou R. Os Neossolos Quartzarênicos (Figura 3) evidenciam textura areia ou areia franca
nos horizontes até a profundidade de 150 cm da superfície do solo ou até o contato lítico
(Quadro 5); são essencialmente quartzosos, tendo nas frações areia grossa e areia fina
95 % ou mais de quartzo (Santos et al., 2013). Esse conjunto de atributos imprime aos
Neossolos Quartzarênicos limitações como reduzido teor de argila e matéria orgânica, com
consequente baixa CTC, baixa saturação por bases e deficiência de macro e micronutrientes
(Quadro 6); baixa capacidade de armazenamento e disponibilidade de água para as plantas
(Quadro 5); e drenagem excessiva e alta taxa de percolação de água, o que aumenta a taxa de
lixiviação de nutrientes. Como indicadores de qualidade, apresentam relevo plano e suave
ondulado, o que facilita a mecanização e o controle da erosão; e ausência de impedimento
físico em profundidade, o que favorece a penetração do sistema radicular.
Os Neossolos Flúvicos são solos derivados de sedimentos aluviais com horizonte A
assente sobre horizonte C constituído de camadas estratificadas sem relação pedogenética
entre si; podem apresentar caráter salino, sódico, carbonático, psamítico, eutrófico e
distrófico (Santos et al., 2013). Como são solos bastante heterogêneos quanto aos atributos
físicos e químicos, o manejo fica dificultado. Localizados em áreas de deposição aluviais
(várzea), correm riscos de inundação. Como indicadores de qualidade evidenciam a posição
de ocorrência na paisagem (áreas de várzea), o que facilita o acesso à água para irrigação,
e o relevo plano, favorecendo a mecanização e o controle da erosão. Assim, Neossolos
Flúvicos podem ser considerados de relativa potencialidade agrícola.
Figura 3. Perfil de Neossolo Quartzarênico típico localizado no município de São Carlos, SP.
Foto: J. E. Corá.
MANEJO
DO
SOLO
XI - MANEJO
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
9
Quadro 5. Atributos físicos de Neossolo Quartzarênico típico, município de São Carlos, SP
Horiz.
Ap
C1
C2
C3
Prof.
cm
0-10
10-50
50-90
90-130
Areia
Silte
Argila
---------------g kg-1------------864
16
120
865
15
120
853
17
130
850
15
135
VTP
Macro Micro
--------------m3 m-3----------0,37
0,22
0,15
0,34
0,19
0,15
0,37
0,23
0,14
0,35
0,22
0,13
Ds
kg dm-3
1,47
1,48
1,47
1,48
Diagramador:
colocar em
negrito
VTP = Volume total de poros; Macro = macroporos (> 0,05 mm); Micro = microporos (< 0,05 mm); e Ds = Densidade do solo.
Quadro 6. Atributos químicos de Neossolo Quartzarênico típico, município de São Carlos, SP.
Horiz.
Prof.
pH
MO
P
-3
K
-3
Ca
Mg
H+AL
SB
CTC
-3
-------------------cmolc dm ---------------
V
cm
CaCl2
g dm
mg dm
Ap
0-10
4,4
9
32
0,2,1
1,0
0,5
3,0
1,71
4,72
36
%
C1
10-50
4,6
9
2
0,1,5
1,1
0,4
1,7
1,64
3,34
49
C2
50-90
4,2
8
1
0,1,3
0,3
0,2
2,3
0,63
2,93
21
C3
90-130
4,2
6
1
0,1,1
0,3
0,2
2,2
0,61
2,81
22
MO= Matéria Orgânica; SB = Soma de bases; e T = Capacidade de troca de cátions.
Diagramador: CTC
Os Cambissolos (Figura 4) compreendem solos constituídos por material mineral com
horizonte B incipiente (Santos et al., 2013). Em decorrência da heterogeneidade do material
de origem, do relevo e das condições climáticas, o conjuto de atributos físicos e químicos
(Quadros 7 e 8) desses solos varia muito de um local para outro. Podem-se encontrar solos
fortemente até imperfeitamente drenados, de rasos a profundos e de alta a baixa saturação
por bases. São solos com grande potencial de produção quando apresentam profundidade
efetiva mediana, caráter eutrófico e ausência de restrição prejudicial de drenagem e caráter
alumínico.
A principal limitação dessa classe de solos é a pequena profundidade efetiva, que
limita o crescimento do sistema radicular. A limitação aumenta em regiões que ocorrem
prolongados períodos de estiagem, em razão do pequeno volume de solo explorado pelas
raízes, sendo pequeno o volume de água disponível em subsuperfície, expondo as plantas
ao estresse hídrico regularmente e por longos períodos. A ocorrência na meia-encosta e
encosta inferior da paisagem favorece a erosão.
Os Gleissolos (Figura 5 e Quadros 9 e 10) são solos formados em materiais estratificados
ou não. Comumente, ocorrem nas proximidades dos cursos d’água, em materiais colúvioaluvionais sujeitos a condições de hidromorfia, em áreas de relevo plano de terraços
fluviais, lacustres e marinhos, assim como em materiais residuais em áreas abaciadas e
depressões. São permanente ou periodicamente saturados por água, podendo a água se
elevar por ascenção capilar até atingir a superficie do solo. São solos mal ou muito mal
drenados em condições naturais (Santos et al., 2013).
MANEJO
DO
SOLO
Diagramador:
colocar em
negrito
JOSÉ EDUARDO CORÁ
10
ET AL.
Figura 4. Perfil de Cambissolo Háplico Eutrófico, município de Palestina, SP.
Foto: J. E. Corá.
Quadro 7. Atributos químicos de Cambissolo Háplico Eutrófico, município de Palestina, SP
Horiz.
Prof.
pH
MO
P
-3
K
-3
Ca
Mg H+AL
SB
CTC
V
------------------------cmolc dm ---------------
%
-3
cm
CaCl2
g dm
mg dm
Ap
0-15
5,4
23
60
0,23
3,4
1,7
1,8
5,33
7,13
75
Bi
15-50
5,5
14
4
0,31
3,8
1,4
1,5
5,51
7,01
79
Cr
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Diagramador:
colocar em
negrito
MO= Matéria Orgânica; SB = Soma de bases; e CTC = Capacidade de troca de cátions.
Diagramador:
colocar em
negrito
Quadro 8. Atributos físicos de Cambissolo Háplico Eutrófico, município de Palestina, SP.
Horiz.
Prof.
cm
Areia
Silte
Agila
VTP
---------------g kg-1---------------
Ap
0-15
720
120
160
Bi
15-50
660
150
190
Cr
-
-
-
-
Macro
Micro
--------------m3 m-3-----------
-
Ds
kg dm-3
0,36
0,20
0,16
1,45
0,32
0,18
0,14
1,47
-
-
-
-
VTP = Volume total de poros; Macro = macroporos (> 0,05 mm); Micro = microporos (< 0,05 mm); e Ds = Densidade do solo.
Como principais limitações ao uso e manejo, os Gleissolos apresentam elevado nível
do lençol freático, baixa drenagem, alto risco de inundação, baixa aeração e deficiência
de oxigênio para as plantas. Como indicadores de qualidade, evidenciam altos teores de
matéria orgânica na camada superficial, o que proporciona maior capacidade de troca
de cátions; baixa suscetibilidade ao processo erosivo, relevos planos ou suavemente
ondulados, o que favorece a mecanização e o controle da erosão. Quando drenados,
apresentam adequada armazenagem de água.
MANEJO
DO
SOLO
Diagramador:
colocar em
negrito
XI - MANEJO
SOLO
DO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
11
Figura 5. Perfil de Gleissolo Háplico, município de Caracaraí, RR.
Foto: J. E. Corá.
Autor: MO?
Quadro 9. Atributos químicos de Gleissolo Háplico, município de Caracaraí, RR
Horiz.
A1
A2
A3
CAg
Cg1
Cg2
Prof.
pH
CO
P
-1
cm
H2O
g kg
0-15
15-37
37-60
60-87
87-120
120-178
4,3
4,2
4,5
4,8
4,8
4,9
12,8
7,1
4,3
2,0
1,2
1,2
K
-3
Al+3
H+
SB
CTC
V
-------------------cmolc dm ---------------4,4
0,4
1,0
0,47 5.87
2,9
0,2
0,7
0,23 3,83
2,4
0,1
0,6
0,12 3,12
1,5
0,1
0,6
0,11 2,21
1,2
0,1
0,5
0,11 1,81
1,0
0,1
0,5
0,11 1,61
%
-3
mg dm
2
1
1
<1
<1
<1
Ca + Mg
0,07
0,03
0,02
0,01
0,01
0,01
8
6
4
5
6
7
Diagramador:
colocar em
negrito
MO= Matéria Orgânica; SB = Soma de bases; e CTC = Capacidade de troca de cátions. Adaptado de Vale Junior, et al., 2015, Guia
de campo da XI Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos, Roraima, 2015.
Quadro 10. Atributos físicos de Gleissolo Háplico, município de Caracaraí, RR
Horiz.
Prof.
cm
A1
A2
A3
CAg
Cg1
Cg2
0-15
15-35
35-60
60-87
87-120
120-178
Areia
Silte
Argila
VTP
-1 -
3
-------------g kg -------------802
830
820
772
744
711
97
49
39
67
75
67
Macro
Micro
-3
---------------m m ------------
101
121
141
161
181
222
0,55
0,49
nd
nd
0,38
nd
nd
nd
nd
nd
nd
nd
nd
nd
nd
nd
nd
nd
Ds
kg dm-3
1,08
1,32
nd
nd
1,63
nd
VTP = Volume total de poros; Macro = macroporos (> 0,05 mm); Micro = microporos (< 0,05 mm); Ds = Densidade do solo; e nd
= não determinado. Adaptado de Vale Junior et al. (2015) Guia de campo da XI Reunião Brasileira de Classificação e Correlação
de Solos, Roraima, 2015.
MANEJO
DO
SOLO
Diagramador:
colocar em
negrito
12
JOSÉ EDUARDO CORÁ
ET AL.
Apresentadas as características das classes de solos que ocorrem nas principais
regiões citrícolas do país, constata-se que não existe uma determinada classe que apresente
somente limitações ou somente qualidades. Desse modo, as classes de solos compreendem
tanto aspectos positivos como negativos para a citricultura, o que dificulta a definição de
manejo único e adequado para as diferentes classes de solos.
O manejo adequado para cada classe de solo deve ser com base no conhecimento do
comportamento daquela classe em relação à planta e ao ambiente. Isso só é possível com o
conhecimento do conjunto de atributos do solo com elevada influência na produtividade
da cultura, o que é conseguido com um detalhado levantamento do solo nas áreas
destinadas à implantação da cultura. Adequar cada uso ao ambiente que lhe é mais
próprio é a melhor prática de manejo e conservação do solo e da água. Nesse contexto, os
estudos pedológicos são de extrema utilidade. Apesar da disponibilidade de ferramentas
como geoprocessamento, os trabalhos de campo continuam sendo insubstituíveis nos
levantamentos de solos e nas atividades afins.
MANEJO DO SOLO NA IMPLANTAÇÃO DO POMAR
A implantação do pomar de citros requer adequado planejamento para melhor
eficiência de produção e retorno de investimento. As informações mais pertinentes a essa
questão foram reunidas por De Negri et al. (2005), os quais abordaram desde a escolha da
área até o plantio da muda no campo. Outras publicações têm tratado mais especificamente
do manejo dos atributos químicos do solo na citricultura (Quaggio et al., 2010; Mattos Jr.
et al., 2012).
Questões referentes a preparo do solo, operações de subsolagem, gradagem e aração,
direcionamento e locação das linhas de plantio e conservação do solo têm avançado pelo
mérito técnico nos novos plantios da citricultura moderna, buscando o preparo mínimo da
área, apenas nas linhas de plantio. Mais recentemente, a pesquisa tem investido esforços
no estudo do manejo de culturas intercalares e, ou, da vegetação nativa com relação às
alterações dos atributos químicos, físicos e biológicos do solo, associadas à produção
dos pomares. Nesse contexto, as informações, a seguir, abordam os principais pontos
requeridos para implantar pomares de citros:
A) Escolha da área – o plantio dos citros deve ser planejado com base na avaliação da
capacidade de uso do solo, visando manutenção da sustentabilidade da produtividade, o
que é possível com o conhecimento do conjuto de atributos do solo com elevada influência
na produtividade da cultura, como: físicos (textura, estrutura, densidade, porosidade,
resistência do solo à penetração, retenção de água e profundidade efetiva do solo),
químicos (CTC, toxicidade de Al, teores de nutrientes, V e MO) e morfológicos (relevo e
posição de ocorrência na paisagem), além das características do clima, como temperatura,
umidade relativa do ar, regime hídrico e distribuição de chuvas. Essas informações são
conseguidas com um detalhado levantamento do solo e do local das áreas destinadas à
implantação da cultura. Como se trata de uma cultura perene, equívocos cometidos na
implantação do pomar de citros permanecerão ao longo de sua vida útil e refletirão no
seu desempenho. Portanto, é recomendada a eliminação de impedimentos físicos, como
camadas compactadas subsuperficiais (pé-de-grade ou pé-de-arado), e químicos (teores
MANEJO
DO
SOLO
XI - MANEJO
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
13
elevados de Al e/ou baixos de Ca) antes da implantação do pomar. Em áreas com limitações
em atributos químicos e físicos, cultivo de grãos em um ou dois ciclos agrícolas deve ser
considerado como estratégia viável antes da implantação do pomar, visando diminuir
limitações químicas e físicas do solo ao longo do tempo, o que favorecerá o estabelecimento
e a precocidade de produção dos citros.
B) Planejamento de talhões – a declividade e conformação do terreno, o tipo de solo,
o tamanho da propriedade e as exigências técnicas para operações mecanizadas devem
ser levados em conta para definir o desenho e tamanho dos talhões. Os talhões podem
representar áreas pequenas até de 5 ha, ou áreas maiores com cerca de 20 ha. Assim,
podem ser quadrados ou retangulares, em áreas com relevo plano e suave ondulado
(declividade <10 %), ou irregulares, em áreas com declividade variável e mais sujeitas à
erosão. Aspectos como estradas, divisas e uso de irrigação também interferem e devem ser
levados em consideração por ocasião da definição da forma e do tamanho dos talhões. Com
a necessidade do plantio de pomares mais adensados e que facilitem o manejo regional
para o controle do huanglongbing (HLB) (Belasque Jr. et al., 2010), verifica-se a tendência de
plantio de pomares divididos em talhões com linhas de plantio retas, passando sobre as
possíveis curvas de nível, estabelecidas inicialmente no terreno, o que diminui o número
de ruas “mortas” e facilita a aplicação de inseticidas em bordas, com ganhos no rendimento
operacional. Isso é possível em terrenos com declividade até de 10 %, sem prejuízos para a
conservação do solo. A manutenção de cobertura vegetal do solo, por exemplo, com capim
braquiária até o preparo de faixas de plantio, contribui para diminuir o escoamento da
água das chuvas e da erosão do solo, durante o período de implantação do pomar (Auler
et al., 2008). Somando-se a isso, em áreas planas ou ligeiramente inclinadas, preconiza-se
direcionar as linhas de plantio no sentido leste-oeste, o que proporciona melhor insolação
e evita que apenas um lado da planta receba o sol da tarde, principalmente em locais
mais quentes, o que pode prejudicar o florescimento e pegamento de frutos jovens. Além
disso, em regiões mais frias e sujeitas ao ataque da podridão floral, provocada pelo fungo
Colletrotricum acutatum, também é conveniente o alinhamento do plantio no sentido lesteoeste, o que permite que os dois lados das plantas sequem mais rapidamente pela manhã,
após orvalho ou chuva, o que é fundamental no controle dessa doença.
C) Sistematização e preparo do terreno – essa fase deve ser planejada com base
na necessidade da construção de terraços, do plantio em nível, do desenho de estradas
e carreadores, da construção de canais de drenagem e da implantação de sistemas de
irrigação. A redução da movimentação do solo é fundamental no que se refere ao manejo
e à conservação desse por proporcionar benefícios como manutenção ou melhoria da
estrutura do solo; menor possibilidade de compactação do solo; menor perda de solo
e água por erosão; maior disponibilidade de água para as plantas; e redução de custos
de produção. No entanto, é importante ressaltar que camadas de solo compactadas em
subsuperfície são frequentemente encontradas em áreas de culturas perenes e semiperenes
(Mazza et al., 1994; Tersi e Rosa, 1995). Nesse caso, o preparo do solo para implantar o
pomar deve ser precedido de avaliação dessas condições; posteriormente, empregam-se
práticas que visem eliminar qualquer camada de impedimento físico para o crescimento
das raízes das plantas.
O desafio de um adequado manejo do solo para citricultura moderna é grande, pois
a fertilidade natural dos solos tropicais, comuns na citricultura brasileira, é baixa. Nesse
cenário, agregam-se áreas de reforma de pomares ou implantação de novo pomar em áreas
utilizadas anteriormente com outras culturas, que, muitas vezes, foram submetidas ao uso
MANEJO
DO
SOLO
14
JOSÉ EDUARDO CORÁ
ET AL.
e manejo inadequados, culminando em processos de acidificação e perda de nutrientes e
matéria orgânica. A fase de implantação dos pomares é o momento propício para eliminar
ou equalizar as limitações apresentadas pelo solo para a cultura. Entretanto, muitas vezes,
isso é negligenciado ou não é alcançado em razão das falhas no manejo do solo e da
cultura, o que se torna de difícil solução e de alto custo após a implantar o pomar. Dentre
as atividades, geralmente negligenciadas ou não alcançadas na implantação do pomar,
destacam-se: profundidade de preparo insuficiente para eliminar camadas compactadas
no solo; incorporação rasa de calcário; ausência de aplicação de fertilizante fosfatado no
sulco de plantio; ausência de descompactação do sulco de plantio; e posicionamento muito
profundo da muda no sulco (Tersi, 2001; De Negri et al., 2005).
A acidez do solo é um dos principais fatores da baixa produtividade das culturas, o
que está associada à toxicidade por Al e, particularmente, à deficiência de Ca. As respostas
à calagem indicam que os citros são plantas sensíveis à acidez elevada do solo (Anderson,
1971; Quaggio et al., 1992a; Auler et al., 2011). Os incrementos de produtividade com
a aplicação de calcário devem-se, em parte, à demanda elevada dos citros por Ca e Mg
(Quaggio et al., 1992b; Mattos Jr et al., 2003), pois absorvem mais Ca do que N, o que
acontece com poucas espécies de plantas. Além disso, os citros apresentam alta demanda
por Mg (Quaggio et al., 1992b).
Assim, em solos com limitação química natural, como excesso de Al (saturação por Al
na CTC do solo m >40 %) e, ou, deficiência em Ca (V < 25 %), o preparo deve ocorrer com
a maior antecedência possível ao plantio das mudas para permitir a adequada reação do
calcário no solo. Deve-se dar preferência por calcário com maiores teores de Mg, que deverá
ser aplicado em área total, visando elevar o valor de V na camada arável (0 a 0,20 m de
profundidade) para 70 % (Quaggio et al., 1992a) e os tores de Mg no solo em 0,9 cmolc dm-3
(Quaggio et al., 1992b). Esse valor de V no solo corresponde a pH 5,5, determinado em
solução de CaCl2 0,01 mol L-1 (Raij et al., 2001). Recomenda-se pré-incorporação do calcário
ao solo em área total, utilizando-se grade de discos com pelo menos 30 pol. de diâmetro.
Em seguida, é recomendada a incorporação profunda do calcário usando-se grade pesada,
arado de discos ou arado de aivecas. Também, é desejável aplicar calcário no sulco de
plantio, com profundidade de 0,25 a 0,30 m, na dose de 0,5 kg por metro, misturando
posteriormente o insumo ao solo com subsolador de três hastes. Além da calagem,
recomenda-se aplicar gesso agrícola em solos cuja saturação por Al for maior que 40 %
ou o teor de Ca for menor que 0,5 cmolc dm-3, na camada de 0,20 a 0,40 m. A quantidade
a ser utilizada é calculada com base no teor de argila do solo, utilizando-se a seguinte
fórmula: Dose de gesso (DG) (t ha-1) = 0,006 x argila (g kg-1) (Sousa e Lobato, 2004). Dessa
forma, a acidez da camada arável será corrigida rapidamente, enquanto o sulfato e o cálcio,
constituintes do gesso agrícola, movimentam-se para camadas inferiores do perfil do solo,
o que reduz a saturação por Al tóxico em subsuperfície. Com isso, ocorre melhoria no
ambiente do solo em profundidade para o crescimento do sistema radicular, tendo como
consequência maior eficiência na absorção de água e nutrientes pelos citros.
Após a calagem e gessagem, recomenda-se deixar a vegetação espontânea voltar a
cobrir o solo. Caso não houver banco natural de sementes na área aconselha-se a semeadura
de gramíneas do gênero Brachiaria. Essa prática de manejo, associada ao preparo do solo
somente nas faixas de plantio, permite que a área esteja pronta para o plantio, inclusive
durante o período das chuvas. Assim, recomendam-se:
MANEJO
DO
SOLO
XI - MANEJO
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
15
A marcação das linhas de plantio. Em seguida, a promoção da dessecação do mato
com herbicida não seletivo numa faixa de 2,4 m de largura ao longo das linhas de plantio.
Com o mato seco, a abertura dos sulcos de plantio com profundidade de 0,30-0,40 m.
A incorporação do calcário no sulco dever ser feita com auxílio de um subsolador
com três hastes. Quando esse implemento é equipado com reservatório de fertilizantes,
recomenda-se aplicação de P em profundidade na mesma operação, conhecida como
tríplice operação (Figura 6). A quantidade de P recomendada é de 120-160 kg ha-1 de P2O5,
independentemente do teor de P no solo. Deve-se dar preferência por fontes de P solúveis
em água como superfosfato simples e, se possível, contendo 0,5 % de zinco.
Figura 6. Incorporação de calcário e gesso no sulco de plantio simultaneamente à aplicação de adubo
fosfatado em profundidade, no sistema de preparo em faixas na instalação do pomar. Detalhes
do equipamento de operação tríplice (a e b), operação em campo (c e d) e crescimento de raízes
ao longo da linha de incorporação do adubo fosfatado em profundidade (e).
Fotos: J.A. Quaggio.
A estratégia de incorporação do P no sulco de plantio surgiu em decorrência de frequente
constatação de sintomas de deficiência do nutriente em pomares jovens. Isso se deve ao
fato que plantas jovens apresentam taxa de crescimento e demanda por P mais elevadas do
que plantas adultas e, ao mesmo tempo, possuem sistema radicular menos desenvolvido
MANEJO
DO
SOLO
16
JOSÉ EDUARDO CORÁ
ET AL.
(Quaggio et al., 2005). As plantas deficientes em P evidenciam folhas maduras com tamanho
aumentado, de cor bronzeada, sem brilho, coriáceas, que caem, prematuramente, quando a
carência de P é severa. Por essa razão, os ramos tornam-se desfolhados da base para o ápice
(Figura 7), em decorrência da redistribuição do nutriente das folhas mais velhas para as mais
novas, flores e frutos (Mattos Jr et al., 2005; Zambrosi et al., 2012a).
O benefício da aplicação do P no sulco de plantio para a formação de pomares mais
vigorosos foi comprovado pelo fato de o crescimento inicial das laranjeiras ser favorecido
pela melhor distribuição do fertilizante fosfatado em profundidade no solo, comparado à
aplicação concentrada na camada superficial (Quadro 11; Zambrosi et al., 2013). A interação
do P com a matriz do solo e a ocorrência de P em formas orgânicas, além da baixa taxa de
difusão desse elemento na solução do solo, fazem com que a disponibilidade na rizosfera
seja limitada, restringindo a absorção pelas raízes e o seu crescimento (Vance et al., 2003;
Zambrosi et al., 2008). Esse fato se torna mais relevante considerando que adubações
subsequentes são realizadas na superfície do solo, cuja umidade é baixa durante períodos
de veranico, reduzindo ainda mais a disponibilidade de P para as plantas.
Destaca-se que a baixa disponibilidade de P compromete o crescimento absoluto das
raízes (Quadro 11). Portanto, pomares jovens, cujas plantas apresentam maior crescimento
do sistema radicular em decorrência do adequado fornecimento de P no plantio, se
apresentam mais vigorosos, como resultado da maior capacidade de absorção de água e
nutrientes pelas plantas.
Figura 7. Sintomas da deficiência de P em citros: folhas velhas bronzeadas (a), queda em razão da
deficiência severa (b) e pecíolos retidos após queda de folhas (c).
Fotos: D. Mattos Jr.
MANEJO
DO
SOLO
XI - MANEJO
Diagramador:
colocar em
negrito
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
17
Quadro 11. Massa seca (MS) de folhas, parte aérea e raiz de árvores jovens de citros em razão de
doses e formas de aplicação de fósforo no solo
Tratamentos com P
MS-folhas
MS-parte aérea
MS-raiz
-1
-------------------------- g planta -----------------------P0/P0
73,0
P1/P0
79,4
165,3
104,0
178,8 Diagramador: 118,7
P0.5/P0.5
88,1
188,7
P2/P0
92,1
192,2
125,7
P1/P1
98,0
211,4
126,5
excluir
121,7
Contrastes ortogonais
P0/P0 vs P1/P0 + P0,5/P0,5
*
*
*
P0/P0 vs P2/P0 + P1/P1
*
*
*
P1/P0 + P0,5/P0.5 vs P2/P0 + P1/P1
*
*
ns
P1/P0 + P2/P0 vs P0,5/P0,5 + P1/P1
*
*
ns
O primeiro e segundo ‘P’ indicam a camada de 0-0,30 e 0,31-0,60 m, respectivamente. P0/P0 = sem aplicação de P no solo. P1/P0 =
8 g de P por planta concentrado na primeira camada. P0,5/P0,5 = 8 g de P por planta divido em duas camadas. P2/P0 = 16 g de P por
planta concentrado na primeira camada. P1/P1 = 16 g de P por planta divido em duas camadas. Comparação dos tratamentos por
meio de contrastes ortogonais. * p < 0,1 e ns = não significativo (p>0,1). Adaptado de Zambrosi et al. (2013).
A resposta dos citros à adubação fosfatada depende da combinação copa/porta-enxerto
(Figura 8), o que está associado às diferenças na absorção de P por cada porta-enxerto. Por
exemplo, árvores jovens de laranja Pera sobre limão Cravo apresentam maior crescimento
do sistema radicular do que aquelas sobre tangerina Cleópatra (Figuras 9a). Além disso,
árvores sobre limão Cravo evidenciam maior eficiência na absorção de P (EAP) (Figura 9b),
promovendo maior crescimento radicular, atendendo à demanda por crescimento e produção
de frutos. Desse modo, variações na capacidade de absorção de P por diferentes porta-enxertos
justificam recomendação diferenciada de adubação fosfatada na formação do pomar entre
árvores sobre tangerina Cleópatra ou limão Cravo, considerando a essa tangerina como mais
exigente no suprimento de P (Quaggio et al., 2005; Zambrosi et al., 2012a,b, 2013).
A diversificação do uso de porta-enxertos tem sido uma busca frequente na citricultura,
em razão principalmente da susceptibilidade de algumas variedades a doenças como a
tristeza dos citros (CTV), a gomose de Phtophthora, o declínio dos citros e a morte súbita dos
citros (MSC) (Pompeu Jr, 2005). Outras questões, relacionadas às características regionais,
como temperatura e défice hídrico, têm definido a opção do uso de porta-enxertos mais
tolerantes à seca ou mais responsivos à irrigação.
Em regiões mais quentes e com maior défice hídrico tem sido mais usado o Limão
Cravo, com risco de reduzir a vida útil do pomar com a MSC, em razão da susceptibilidade
desse porta-enxerto à doença. Nessas condições, é recomendável o uso da tangerina Sunki,
que, se bem plantada, com correção da acidez do solo e adequados níveis de P, especialmente
em profundidade, apresenta tolerância à seca próxima à do Limão Cravo e não é susceptível
à MSC. Em pomares irrigados ou localizados em regiões com temperaturas mais amenas e
menor défice hídrico, podem ser utilizados porta-enxertos como a tangerina Cleópatra, o
citrumelo-swingle e a tangerina Sunki, que se adaptam nessas condições.
MANEJO
DO
SOLO
18
JOSÉ EDUARDO CORÁ
ET AL.
Figura 8. Produção relativa de laranjeiras sobre diferentes porta-enxertos em resposta à adubação
com fósforo. Dados referem-se à média de doses em dois locais e às quantidades totais aplicadas
até o quinto ano, após plantio no campo.
Diagramador:
Fonte: Adaptado de Mattos Jr. et al. (2006).
excluir -1
Figura 9. Eficiência de absorção de P (EAP) e crescimento do sistema radicular de plantas jovens de
laranjeira Pera sobre dois porta-enxertos. As letras indicam diferença significativa pelo teste F
(Prob. < 0,05).
Fonte: Adaptado de Zambrosi et al. (2013).
Os citros adaptam-se bem a solos mais arenosos na superfície, com bom arejamento
para as radicelas e gradiente textural entre os horizontes A e B; portanto, com maior
capacidade de retenção de água em profundidade. Entretanto, não toleram solos com
drenagem insuficiente, mesmo que temporária (Corá et al., 2005). Portanto, além da
susceptibilidade a doenças e questões relacionadas ao ambiente como temperatura e
défice hídrico, a definição do porta-enxerto deve passar, obrigatoriamente, pelo estudo das
limitações e qualidades do ambiente para cada porta-enxerto, baseando-se no conjunto de
atributos do solo, como mencionado.
MANEJO
DO
SOLO
XI - MANEJO
DO
SOLO
EM
CULTIVO
DE
CITROS
19
A textura, retenção de água e drenagem são considerados os atributos do solo de
maior importância e que não devem ser negligenciados, portanto, na definição de portaenxerto. De maneira geral, nas partes mais altas da paisagem, onde o relevo é mais plano,
geralmente ocorrem solos com maior produndidade efetiva e bem drenados e, dependendo
da textura, com menor retenção de água. Nessas condições, deve-se dar preferência para
porta-enxertos mais tolerantes ao estresse hídrico, em combinação com copas precoces,
onde os frutos já terão sido colhidos antes do período de seca. Em áreas cujos solos
apresentam boa drenagem e gradiente textural entre os horizontes, o que ocorre, em geral,
na meia-encosta da topossequência, recomenda-se porta-enxerto de citrumelo Swingle,
com copas de variedades precoces e tardias, e tangerinas Sunki, para a variedade Pera.
A variedade Pera é considerada de meia-estação e incompatível com porta-enxerto de
citrumelo Swingle; portanto, sendo necessário utilizar-se de interenxerto.
Nas partes mais baixas do relevo, onde podem ocorrer solos com drenagem imperfeita,
deve-se evitar porta-enxerto de tangerina Sunki, considerado sensível à condição de
drenagem insuficiente. Nessa condição, o porta-enxerto mais recomendado é o citrumelo
Swingle, que possui maior tolerância aos períodos curtos de encharcamento.
MANEJO DO SOLO NO POMAR IMPLANTADO
Atributos químicos
O manejo da adubação dos pomares, principalmente por causa do uso continuado de
fertilizantes nitrogenados amoniacais, se apresenta como causa principal da acidificação
do solo. A acidificação promove perdas de Ca e Mg para camadas mais profundas do perfil
do solo, diminuindo os teores desses elementos nas suas camadas superficiais (Cantarella
et al., 2003), onde se concentra maior volume de raízes das plantas. Esse processo pode
ser mais intenso na região do bulbo úmido no solo, em pomares fertirrigados, dadas as
características termodinâmicas na solução do solo e pela maior absorção de N-amoniacal
comparado ao N-nítrico pelas plantas (Quaggio et al., 2007, 2014).
Um dos aspectos mais importantes a ser considerado no manejo da acidez do solo
para os citros se refere ao efeito residual da calagem e à resposta à produção (Anderson,
1971; Quaggio et al., 1992a), embora essa variação seja em razão do poder-tampão do solo
e da intensificação do manejo. Com o objetivo de evitar a aplicação de doses inadequadas
de calcário, a avaliação da acidez do solo deve ser feita com base nos resultados da análise
química em amostras de terra coletadas na faixa onde são realizadas as adubações.
Em pomares já implantados, a aplicação do calcário em faixas, com distribuição de
70 % da dose recomendada sob a projeção da copa das plantas, é opção eficiente para
corrigir a área mais acidificada do pomar, em decorrência das adubações nitrogenadas.
Entretanto, em pomares fertirrigados, recomenda-se aplicação de 100 % da dose sob a
projeção da copa, por causa de o efeito de acidificação do solo ser maior nessa região. De
maneira geral, a época mais adequada para se realizar calagem em solos sob citricultura
é entre os meses de março e abril, precedendo a efetivação das aplicações de fertilizantes.
O manejo da adubação dos citros deve ser estabelecido para as fases de: plantio –
discutido anteriormente; formação – árvores jovens com menos de quatro anos de idade;
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e pomar em produção – árvores adultas. Nesse último caso, há distinção das doses de
fertilizantes recomendadas para os grupos de variedades de laranjas, lima ácida, limões,
tangerinas e tangor. Ainda, para pomares de laranjas em produção, as recomendações de
adubação devem levar em consideração a qualidade desejada para a fruta e o seu destino,
se para indústria ou mercado in natura. As definições de doses, modos e épocas de aplicação
e fontes dos fertilizantes são abordadas em detalhes por Quaggio et al. (2010).
Atributos físicos (manejo das entrelinhas)
O manejo físico do solo e as práticas culturais realizadas nos pomares de citros são
de fundamental importância para o desenvolvimento da cultura, pois, no caso específico
dessa cultura, a maior parte das radicelas se concentra próximo à superfície (Carvalho et
al., 2005).
O manejo da entrelinha dos pomares de citros, visando à eliminação da vegetação
espontânea, era realizado, preferencialmente, com uso de grade e arado até a década
de 1990. Na linha, eram realizadas capinas manuais. No entanto, esse manejo ainda
continua sendo muito utilizado por pequenos e médios citricultores (Figura 10). Sabe-se
que práticas para o controle da vegetação espontânea que se baseiam no revolvimento
do solo não trazem benefício para a cultura, pois, além de desestruturar o solo, cortam as
radicelas das plantas, o que dificulta a absorção de água e nutrientes e facilita a entrada de
patógenos que vivem no solo, como nematóides, podendo promover diminuição do nível
de colonização micorrízica no solo (Carvalho et al., 1995). A desestruturação do solo pelo
revolvimento intensifica o processo de compactação e erosão e proporciona exposição do
solo a altas temperaturas, aumentando a perda de água por evaporação e acelerando o
processo de degradação da matéria orgânica nele (Cintra et al., 1983), contribuindo para a
baixa produtividade e redução da longevidade dos pomares. Tais práticas são associadas
ao tráfego intenso de máquinas utilizadas em adubações, manejo fitossanitário, controle de
plantas daninhas e colheita dos frutos, que podem intensificar o processo de degradação do
solo. As plantas cítricas não promovem satisfatória cobertura do solo, tornando necessária
a adoção de técnicas de cultivo que auxiliem na proteção do solo, a fim de minimizar ou
evitar sua degradação pela erosão.
Com o objetivo de evitar tais problemas e visando conduzir a citricultura brasileira
para um sistema de produção agrícola moderno e sustentável, recomenda-se o controle
da vegetação espontânea nas linhas de plantio, utilizando-se herbicidas e manutenção da
vegetação nativa ou introduzida nas entrelinhas, sendo o controle realizado com roçadeiras
do tipo convencional ou ecológica. A roçadeira tipo ecológica ceifa a massa vegetal da
entrelinha, com a vantagem de projetá-la na linha de plantio da cultura (Figura 11). Essa
prática é, relativamente, recente na citricultura, mas com resultados promissores. O controle
da vegetação espontânea na linha de plantio dos citros é realizado, principalmente, com
o uso de herbicidas não seletivos sistêmicos, sendo o mais comum o glifosato, sem efeito
residual no solo (Rodrigues e Almeida, 2005).
Contudo, o frequente uso de determinado herbicida, ou de diferentes herbicidas com
mesmo mecanismo de ação, favorece a seleção de espécies de plantas daninhas resistentes
aos respectivos produtos (Christoffoleti et al., 1994). Ao contrário, a manutenção da
cobertura vegetal do solo na linha de plantio da cultura, quando adequadamente efetivada,
contribui para o controle efetivo da vegetação espontânea (IAPAR, 1985; Carvalho et al.,
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2002; Hirata et al., 2009). A adoção do manejo da entrelinha dos citros com cobertura
do solo na projeção da copa das árvores tem demonstrado, ainda, redução significativa
de ocorrência da doença mancha-preta dos citros, por dificultar a propagação do fungo
(Guignardia citricarpa), aumentando a produtividade do pomar (Azevedo et al., 2012).
Figura 10. Manejo do mato na entrelinha do citros por meio de gradagem. Taquaritinga, SP,
outubro/2015.
Fotos: P.R. Volante.
Figura 11. Manejo do mato na entrelinha do citros utilizando-se roçadeira lateral tipo ecológica
(direita). Detalhe evidenciando palhada depositada na linha de plantio. Mogi Mirim, SP.
Fotos: F. A. Azevedo.
O manejo das entrelinhas com cobertura vegetal proporciona melhora dos atributos
físicos e químicos do solo porque tanto a cobertura vegetal viva como a biomassa
residual reduzem o impacto das gotas de chuva, evitando o entupimento dos poros do
solo (selamento superficial). Isso disponibliza aumento na aeração do solo, infiltração de
água e capacidade de armazenagem de água pelo solo. O material vegetal depositado
na superfície do solo proporciona efeito dissipador (efeito colchão ou esponja) de forças
externas (peso de máquinas e equipamentos), que podem causar a compactação dele, dado
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o aumento da superfície de contato com o solo, dissipando as forças em área superficial
maior, diminuindo o efeito da sua compactação no local.
A cobertura vegetal proporciona, ainda, conservação da umidade do solo, por
diminuir a amplitude térmica e evaporação da água na superficie desse, assim como o
aumento no teor de matéria orgânica do solo (Cintra et al., 1983; Fidalski et al., 2007; Auler
et al., 2008). Todos esses aspectos promovem melhoria da estrutura do solo e favorecem
o desenvolvimento de macro e microorganismos benéficos, que atuam na ciclagem de
nutrientes.
Estudos evidenciaram que a produtividade e qualidade de frutos de citros não foram
interferidas quando braquiária brizanta, feijão-de-porco, labe-labe (Dolichus lablab L.), feijãoguandu-anão (Ragozo et al., 2006), Brachiaria humidicola, Paspalum notatum (grama batatais),
Arachis pintoi (amendoim forrageiro), Callopogonium mucunoides (calopogônio) (Auler et al.,
2008), Brachiaria decumbens, capim-pé-de-galinha (Chloris distichophylla), guandu (Cajanus
cajan) e milheto (Pennisetum americanum) (Bordin et al., 2008) foram utilizados como
plantas de cobertura nas entrelinhas de citros. Crotalaria juncea, calopogônio, mucuna-anã
(Stizolobium deeringianum) (Francese, 1994), Brachiaria ruziziensis e amendoim forrageirro
(Volante, 2010) não influenciaram o crescimento das plantas de citros no período de
formação do pomar (até quatro anos), quando utilizados como plantas de cobertura do
solo nas entrelinhas da cultura.
Contudo, plantas de cobertura nas entrelinhas dos citros podem provocar
competição por água e nutrientes, reduzindo a produtividade dos citros. Perin et al.
(2002), ao avaliarem amendoim forrageiro, cudzu tropical (Pueraria phaseoloides) e siratro
(Macroptilium atropurpureum), como plantas de cobertura nas entrelinhas dos citros,
observaram que o amendoim forrageiro proporcionou efeito negativo nos citros em
decorrência da competição por água, quando comparado ao solo sem cobertura, por causa
da maior capacidade de distribuição das suas raízes no perfil do solo. Fidalski et al. (2006)
verificaram que a manutenção de amendoim forrageirro nas entrelinhas do pomar de
laranja Pera promoveu competição pela água do solo com as laranjeiras. Já o cultivo das
entrelinhas com grama batatais proporcionou relações hídricas e metabólicas positivas
com as laranjeiras. Entretanto, a produção de frutos das laranjeiras, cujas entrelinhas eram
cultivadas com gramínea ou leguminosa, não foi comprometida em relação à testemunha
com baixa cobertura vegetal.
A introdução de adubos verdes anuais na entrelinha da cultura pode ser alternativa
para o manejo da entrelinha dos citros, principalmente em razão da adição de nitrogênio no
sistema por meio do processo de fixação biológica. Contudo, a prática tem o inconveniente
da dependência de ressemeaduras, onerando os custos da atividade com aquisição de
sementes e operações mecanizadas para semeadura.
Como opções de espécies de coberturas perenes, destacam-se as gramíneas como a
Brachiaria ruziziensis, que apresenta menor competição com citros, quando comparada às
outras espécies de braquiárias como a B. decumbens. Nos períodos de seca, a B. ruziziensis
seca, deixando de concorrer por água e nutrientes com as plantas de citros, enquanto que
a B. decumbens apresenta maior persistência (Sanches, 1998).
Trabalho coordenado pelo Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto
Agronômico (IAC), no município de Mogi Mirim, SP, em pomar de lima ácida Tahiti,
desde a implantação em 2010, utilizando braquiárias (B. decumbens e B. ruziziensis) nas
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entrelinhas e diferentes roçadeiras (convencional e ecológica) tem demonstrado adequado
controle da população de plantas infestantes, na linha de cultivo dos citros, quando se
maneja a vegetação intercalar com roçadeira lateral tipo ecológica (Figura 12). A opção
pelas braquiárias no mencionado estudo se deu pelo fato da sua usual utilização como
prática conservacionista, seja em semeadura em áreas que ainda não estão estabelecidas,
seja por meio da sua manutenção e controle em áreas onde estão estabelecidas (Souza Filho
et al., 2005).
No mencionado estudo, Molinari (2012) observou menor perda de água do solo,
quando o manejo das plantas da entrelinha do pomar foi realizado com roçadeira tipo
ecológica, e o solo na linha de plantio foi mantido coberto por biomassa residual resultante
da deposição da palhada das braquiárias. Esse efeito foi associado à maior infiltração
de água na camanda de 0 a 0,20 m do solo (Soares et al., 2002). Segundo esses autores,
menor disponibilidade de água no solo foi observada nas áreas com controle de plantas
infestantes com herbicida. Avaliações também demonstraram maior resistência do solo
à penetração na linha de plantio no tratamento com roçadeira convencional (Figura 13).
Menores valores para o uso de roçadeira ecológica foram observados na entrelinha da
cultura, em detrimento ao efeito que essa roçadeira proporciona na entrelinha, retirando a
massa vegetal da entrelinha e projetando-a para linha. No caso da roçadeira convencional,
a massa roçada é mantida na entrelinha.
Figura 12. Densidade de plantas daninhas na linha de citros em pomar de lima ácida Tahiti manejado
com roçadeiras convencional e ecológica desde 2010 (Mogi Mirim, SP, 2012-2013). *Tukey (5 %).
A massa vegetal deixada na superfície do solo como cobertura, além de proteger o
solo, como mencionado anteriormente, possibilita o aporte de nutrientes ao solo, pois com
a decomposição da biomassa residual ocorre a mineralização dos nutrientes e consequente
liberação para o solo.
O manejo da entrelinha dos pomares, aproveitando-se a vegetação espontânea e, ou,
introduzida em benefício da cultura, em que grande número de citricultores tem optado,
evidencia-se interessante. Aliado a isso, o correto manejo da fertilidade do solo vem sendo
fator condicionante para obter maior produtividade dos pomares de citros. Com isso, a
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combinação de diferentes métodos de manejo da vegetação na entrelinha dos pomares é
recomendada, como a combinação de roçadeiras laterais e herbicida.
Figura 13. Resistência do solo à penetração na linha e entrelinha de pomar de lima ácida ‘Tahiti’
manejado com roçadeiras convencional e ecológica (Mogi Mirim, SP, 2013).
A redução da movimentação do solo é fundamental no manejo e na conservação do
solo, por proporcionar benefícios como manutenção ou melhoria da estrutura do solo;
menor possibilidade de compactação do solo; menores perdas de solo e água por erosão;
maior disponibilidade de água para as plantas; e redução de custos de produção. Portanto,
a redução da movimentação do solo contribui significativamente para manutenção da sua
capacidade produtiva ao longo do tempo.
A manutenção da cobertura vegetal na superficie do solo é uma prática que proporciona
efeito efetivo no controle da erosão do solo, além de proporcionar vários outros benefícios
como: reduz efeitos negativos causados pelas chuvas e enxurradas ao reduzir o impacto
das gotas de chuva na superfície do solo, que provoca o rompimento e a pulverização
dos agregados. Partículas do solo desagregadas ficam suspensas na água e são facilmente
arrastadas pela enxurrada, com consequente assoreamento de rios e lagos. Essas partículas
preenchem os poros do solo (selamento superficial), reduzindo drasticamente a taxa de
infiltração da água no solo, com consequente aumento do escoamento superficial da água,
intensificando a formação de enxurradas e o processo erosivo; atua como impedimento ao
fluxo de água da enxurrada, reduzindo sua velocidade e, assim, seu efeito desagregador e
de transporte de solo; proporciona incorporação de matéria orgânica ao solo, promovendo
melhoria de seus atributos físicos (estrutura, porosidade, aeração, infiltração e retenção
de água), favorecendo o crescimento do sistema radicular dos citros e das plantas de
cobertura do solo. As raízes das plantas de cobertura, após decomposição, deixam canais,
denominados bioporos, que promovem aumento na taxa de infiltração e armazenagem da
água no solo. Maior disponibilidade de água promove aumento na eficiência de absorção
de nutrientes pela planta. A matéria orgânica tem grande importância no comportamento
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mecânico do solo, principalmente quando ele é submetido à carga externa. O acúmulo
de matéria orgânica pode reduzir a densidade máxima do solo e aumentar a umidade
crítica para que ocorra compactação, reduzindo o impacto negativo dela (Braida et al.,
2006); promove aumento da biomassa microbiana do solo, estimulando a atividade
biológica desse; diminui a amplitude térmica do solo, favorecendo o crescimento do
sistema radicular das plantas e a atividade dos organismos presentes nele; atua na redução
das perdas de água do solo por evaporação, promovendo aumento da quantidade de
água disponível para as plantas; elimina ou reduz a incidência de plantas infestantes por
efeito supressor físico e, ou, químico, promovendo diminuição de custos com controle da
vegetação espontânea; proporciona ambiente favorável à criação/multiplicação de insetos
polinizadores e de agentes de controle biológico; aumenta teores de nutrientes no solo,
gerando diminuição dos custos com aquisição de fertilizantes; e aumenta a produção e
qualidade dos frutos dos citros.
Pelo exposto, constata-se que o manejo da linha e entrelinha do citros, por meio do
controle da cobertura vegetal, propicia efetiva conservação do solo, com efeitos positivos
no aumento da umidade do solo e da disponibilidade de água para as plantas, assim como
a melhoria nos atributos físicos do solo, com redução da compactação e do aumento da
capacidade produtiva do desse e, consequentemente, aumento da produtividade dos
citros.
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