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Como Fazer e Apresentar Trabalhos Científicos em Eventos Academicos

Antonio Carlos Xavier
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EDITORA RESPEL LTD A.
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Antonio Carlos Xavier
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em euentaô acadêmicaa
Antonio Carlos Xavier
Recife-2012
RESPEL
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EDrTORARÉSPELLTDA.
Copyright © A ntonio C arlos Xavier, 2010. R eservados to dos os direitos
desta edição. R epro d u ção pro ib id a, m esm o p arcialm ente, sem autorização
expressa do autor.
Capa, Projeto Gráfico e D iagram ação
K arla Vidal e A ugusto N o ro n h a '—■(Pipa C om unicação - w w w .p ip aco m u n icacao .n et)
Ilustrações
K arla Vidal
(Pipa C om unicação - w w w .p ip aco m u n icacao .n et)
R evisão
Autor, Elisandra Pereira e Sueli Trevisan
Im pressão e acabam en to
E ditora R êspel
Praça da R epública, n° 06 - Sala 41 - 4 o andar
C e n tro - Catanduva - SP
w w w . re sp e le d ito ra . c o m .b r
D ados internacion ais de catalogação n a publicação
Xavier, Antonio Carlos
Como fazer e apresentar trabalhos científicos em eventos acadêmicos:
[ciências humanas e sociais aplicadas: artigo, resumo, resenha, monografia, tese,
dissertação, tcc, projeto, slide] / Antonio Carlos Xavier; ilustrações, Karla Vidal. - Recife:
Editora Rêspel, 2010.
177 p .: il.
Inclui bibliografia.
1. Metodologia. 2. Pesquisa. 3. Redação acadêmica . I. Título.
001.8
CDU (2.ed.)
UFPE
001.42
CDD (22.ed.)
CAC2010-35
»
Dedico este livro:
A Deus,
Aos meus pais,
A minha esposa,
Aos meusjilhos,
Aos meus alunos e orientandos.
dp>ceóentaçãa
U m a das m aiores preocupações de todo estudante que
ingressa em um curso universitário é aprender a “falar” a língua
da academia. A universidade é um a instituição com quase dois
mil anos de existência e por isso te,«! costum es, tradições, rituais,
m odos de funcionam ento historicam ente construídos que lhe
conferem o prestígio de ser considerado o tem plo sagrado do
saber humano. O conhecimento produzido nas universidades é
registrado e transm itido por m eio de um a linguagem que busca
preservar a exatidão m áxim a dos fenôm enos naturais e humanos
estudados que são arm azenados em suas bibliotecas.
A cred ib ilid ad e da C iên cia, m o d o de ex p licação dos
acontecim entos humanos e dos fatos naturais, depende muito
da clareza e objetividade da linguagem utilizada para revelar à
sociedade os resultados de suas pesquisas. Esse saber, concentrado
nos relatórios de pesquisa, resumos, resenhas, artigos, monografias,
dissertações e teses, é codificado, catalogado e sistem atizado em
form a de texto im presso ou digital. Por isso, há um a grande
preocupação com a normatização desses dados, pois eles precisam
traduzir a verdade das descobertas, já que elas podem influenciar
na vida e no com portam ento de toda um a sociedade.
A padron ização da escrita e publicação dos trabalhos
científicos tem com o objetivo unificar os form atos de apresentação
visual dos documentos acadêmicos de m odo que sejam rapidamente
identificados com o discursos produzidos p o r pesquisadores,,
participantes de um a comunidade específica que com partilham
um modus operandi de realizar sua atividade profissional. Livros
e periódicos científicos em geral publicados de acordo com um
m esm o m odelo de organização facilitam a consulta, a avaliação e a
ratificação ou retificação do conhecimento ali divulgado. Q uanto
mais clareza na exposição da pesquisa, acredita-se, haverá m enos
divergências interpretativas entre os cientistas. A transparência
na veiculação de inform ação científica gera mais segurança e
confiabilidade ao discurso da C iência e,. consequentem ente,
viabiliza o acesso e o usufruto dos benefícios de seus avanços e
invenções tecnológicas.
Há muitas exigências técnicas, atenção a detalhes e cuidados
com a sobriedade verbal.Tudo isso dificulta um pouco a aquisição
da linguagem da ciência. Ela tem porm enores que só o exercício
frequente da produção de te xto s científicos p od erá garantir
ao estudante universitário um, bom dom ínio desta linguagem.
Em bora não existam receitas m ágicas que consigam transform ar
o estu d an te no u su ário p e rfe ito da lin gu agem acad êm ica
em pouco tem po, a leitura atenta e a observação rigorosa às
norm as estabelecidas pela A BN T vão ajudá-lo a incorporar mais
rapidam ente o “jeito” de se portar linguisticamente ao escrever
textos com reflexões e resultados de pesquisa para leitores de
instituições científicas.
Este livro está dividido em duas partes. A prim eira trata
das questões m etodológicas em si e dos traços que caracterizam
os gêneros textuais acadêm icos com enfoque especial para as
práticas de pesquisa e reflexões intelectuais realizadas nas áreas
de ciências humanas e sociais aplicadas. Já a segunda parte da obra
aborda form as de tornar mais interessantes as exposições orais
dos trabalhos científicos em eventos prom ovidos anualmente por
associações e sociedades científicas nacionais e internacionais.
Sabemos que na academia existem ótim os teóricos, mas tam bém
há péssim os expositores das próprias ideias. O bjetivam os nesta
segunda parte apontar caminhos que ajudem os pesquisadores
a apresentar com mais clareza e eficiência suas ideias, muitas
delas até brilhantes, m as que são com preendidas por falhas de
elaboração do m aterial com unicado ao público.
Enfim, este livro pretende, ,além de com entar as regras
da ABNT, m ostrar exem plos de com o aplicá-las na escrita de
textos acadêm icos em seus diversos gêneros, desvendando seus
segredos aos estudantes que precisam produzi-los no ambiente
universitário. Para isso, utilizam os um a linguagem sim ples e
recheam os o texto de ilustrações e exercícios que vão facilitar
a internalização necessária das norm as de form atação, perm itir
a elaboração eficiente de tais gêneros de texto e transform ar as
apresentações orais em eventos acadêmicos muito mais agradáveis
e atraentes.
Convidam os você, caro leitor, a em barcar conosco nesta
aventura de aprender as técnicas de produção de textos científicos
e os m odos de apropriação das tecnologias que podem tornar a
linguagem acadêmica mais inteligível.
Suntmia
P arte I
A Produção de trabalhos científicos
13
1
17
2
3
4
Senso com um “ x ” conhecim ento científico
Senso comum
18
Atitude científica
21
Conhecimentofilosófico
25
Conhecimento religioso
27
Conhecimento artístico
28
Conhecimento técnico
29
Ciência, seus m étodos e classificações
35
0 que é um método de pesquisa?
36
Classijicação das ciências
41
Pesquisa pura
44
Etapas de elab oração de um p ro jeto
de p esquisa
53
Escolha do tema
54
Elaboração do projeto
59
Redação do texto
60
G êneros textu ais acadêm icos
Projeto de pesquisa
65
65
5
Resumo
88
Resenha
96
Artigo científico
104
Monografia, Dissertação e Tese
118
M odos de fazer citação e referência
Tipos ejõrmas de citar
131
131
P arte II
A presentação de trabalhos científicos
1
A presentação de trabalh os em eventos
acadêm icos
139
143
Modalidades de apresentação de trabalhos
2
científicos
144
Tipos de comunicação oral
144
Conjerência
145
Palestra
146
Mesa-redonda
147
Painel de debates
148
Sessão de comunicação individual
149
Pôster
150
Tecnologias p ara a apresen tação de
trabalhos científicos
155
Tecnologias de comunicação
156
Voz — tecnologia sonora de comunicação
156
Microjone — tecnologia para a comunicação a distância
161
Gestos —tecnologia visual de comunicação
163
Roupas —tecnologia visual de comunicação
164
Exposição da palestra em slides
165
Referências
173
Senso comum “x” conhecimento científico
Capãu£& 1
Senso comum “x ” conhecimento científico
T oda pesquisa visa satisfazer à curiosidade humana, à sede
de conhecer as coisas do m undo e tudo que nele há. A pesquisa
nasce do d esejo de nos con h ecérm os a nós m esm o s, n osso
corpo, nossa m ente, nossos com portam entos, nosso passado,
nosso presente e até pela vontade de saber com o será nosso
futuro. Em outras palavras, nós vivem os buscando respostas às
nossas dúvidas e anseios fundam entais. D esde quando tom am os
consciência de nossa existência, especulam os soluções para tais
questões, farejam os indícios e pistas que apontem na direção de
respostas convincentes para os nossos dilem as.
A Pesquisa sem pre fez parte do cotidiano hum ano. M as, a
busca por respostas de m odo criterioso, sistem ático e racional
(não em ocional, nem m ístico) apenas foi iniciada a partir do
florescim ento da C iência, ou, m ais precisam en te, depois da
criação do m étodo científico.
Antes do nascim ento da Ciência, a m itologia, as religiões
e o senso com um apresentaram suas teorias explicativas para
responder às principais questões humanas. Porém , a Ciência só
surgiu na Idade M oderna, no início do século XVI.
A palavra C iência nos rem ete à outra palavra do m esm o
dom ínio sem ântico: co n h ecim en to . Entretanto, o que de
17
Coma fwze% c aptesentax Vta&a£fiai> científica* em evento* acadêmico-a
fato é conhecim ento? G rosso m od o, podem os dizer que ele
representa a apreensão de um saber intelectual ou a aquisição
de um a inform ação sobre um fato ou ato realizado pelos seres
vivos ou pelas forças da natureza.
Há vários tipos de conhecim ento, m as dois deles se opõem
diretam en te. T rata-se do con h ecim en to p o p u lar, tam bém
chamado de Senso Comum e o Conhecimento Científico. Para que
a Ciência se estabelecesse no universo tom ado p or crenças,
superstições e opiniões im pressionistas, ela teve que se erguer
sobre as “fragilidades” do cham ado Senso C om um . Por isso,
parece-nos oportun o discutirm os aqui, ainda que de form a
rápida, a diferença entre am bas.
Senso comum
Em tese, os elem entos que fundam entam a construção
de conceitos e definições coletivam ente com partilhadas pelos
não estudiosos da natureza e do com portam ento humano são
as características elencadas a seguir. Elas revelam a precipitação
humana quanto ao desejo de obter explicações simples e fáceis
acerca de fenômenos à prim eira vista incompreensíveis. Listam os
Antonio Carlos Xavier
aqui apenas os quatro traços mais evidentes que revelam o m odo
apressado para responder aos nossos questionam entos diante de
fatos que nos deixam surpresos, e, por vezes, tem erosos. As
características gerais do senso com um são, portanto:
•
Subjetividade
O su je ito que vê ou se in fo rm a so b re d eterm in ad o s
acontecim entos se baseia em suas próprias im pressões e escala
de valores para definir e lidar com tais fatos vistos p or ele m esm o
ou que lhe foram dados a saber. Assim, um a m esm a árvore será
percebida e definida de diferentes m odos e conform e o interesse,
sentimento e visão de mundo do indivíduo que a percebe. Se ele for
um artista, perceberá a árvore com o um objeto a ser reproduzido
por um a escultura, pintura, poesia, m úsica etc.. Caso seja um
m arceneiro, vê-la-á com o m atéria-prim a para seu trabalho. Já se
for um ecologista, ela será um elem ento de veneração, e assim
por diante. Enfim, diferentes sujeitos concebem a árvore de acordo
com as “lentes” recebidas por cada um deles.
•
Relativismo
Sabendo que a avaliação de um determ inado fato depende
da subjetividade, ou seja, dos efeitos produzidos nos sentidos
do sujeito-avaliador (doce, am argo, grande, pequeno, quente,
frio, p ró xim o , distante, triste, alegre e tc .), com o dissem os
anteriorm ente, o conhecim ento será relativo, variável de um
sujeito para outro. Em outras palavras, será relativo ao sabor do
gosto e do hum or de cada indivíduo.
Como. fa/zcn. e aptzôw tw i tm âaiA o* científico* em evento* acadêm ico*
•
Generalidade
É tendência humana estabelecer relações diretas de causa
e efeito para os fatos ao seu redor. Essa super simplificação de
respostas para quase tudo que acontece à sua vista se baseia na
repetição da experiência vivida pelo sujeito. As vezes, passou por
um a dada situação apenas um a vez, mas a im agem que sé formou
em sua m em ória sobre aquele fato ou objeto será a prim eira
concepção a ser ativada. Isso lhe dá um a sensação de dèjavú, ou
seja, ele pensa já ter visto aquela cena antes e por isso conheceria
seu final. Seguindo esse raciocínio, o sujeito que sente uma dor
na barriga poderá atribuí-la à ingestão de um alimento estragado,
por exem plo, porque a causa da dor anterior na barriga teria sido
infecção alimentar. O u seja, ele se guia pelo princípio indiciai
“onde há fumaça, há fogo” .
•
Preconceitos
São noções prévias, conceitos im aturos e opiniões formadas
sem qualquer prova ou evidência concreta. A força do hábito gera
uma forma de pensamento fixo sobre um fato. A tendência humana
é ser levado pelas aparências. Em geral, ele espera ser convencido
por argumentos lógicos e experim entais. Se você estivesse numa
rua deserta e pouco iluminada e avistasse dois homens caminhando
em sua direção, vindo um da sua esquerda e outro da sua direita
este mal vestido, com roupas rasgadas e pés descalços, e aquel
bem vestido e lim po, de qual dos homens você teria medo? Do c1
direita ou da esquerda? N a resposta sincera da maioria das pessoa
Antonio Carlos Xavier
o tem or recairia no homem da direita, com má aparência, pois
veladamente muitos creem que pobre é sinônimo de ladrão. Nem
todo pobre ou todo rico é ladrão. N este caso, é mais conveniente
não se lem brar do provérbio popular: “as aparências enganam” .
Em contrapartida às características do senso com um , a
atitude científica, assim intitulada pelos p róprios adeptos da
C iência, é constituída p o r um conjunto de traços que aqui
resum irem os só os cinco principais, em bora haja um a dezena
citados por filósofos e historiadores da Ciência. A palavra atitude
denota ação de um indivíduo. Ela significa agência, ou seja, aquele
que se pretende cientista tem que se dispor a cumprir as exigências
do trabalho científico sob pena de não ser identificado com o tal
pela comunidade científica.
Atitude científica
•
D iferentem ente do senso com um , a atitude científica pode
ser caracterizada pelos seguintes aspectos:
Cama fwzm e ap iaen lw i tHaêaíík10 científica* em eventos acadêm icas
•
Objetividade
O pesquisador deve escolher com o objeto de investigação
coisas e fen ôm en os do u n iverso factual, m aterial, físico e
perceptível p or m eio dos sentidos. Para isso, deve valer-se de
instrum entos e aparelhos que m eçam e atestem resu ltados.
Precisa verificar a adequação das ideias e hipóteses -ao objeto
*
observado, pois ele busca encontrar o m esm o funcionam ento
do fenôm eno estudado em qualquer parte do universo.
•
Racionalidade
É a u tilização de racio cín ios ló g ico s, no p ro ce sso de
investigação, p or m eio de p rocedim en tos m etód icos e bem
planejados; o pesquisador parte de inferências dedutivas para
chegar ao funcionam ento de sistem as organizados do fenôm eno
em estudo. Vale-se de quadros de referência para se afastar
das im pressões sensoriais prem aturas que podem enganá-lo,
prejudicando as conclusões;
•
Quantitativo
Ferram en tas, aparelhos e equipam en tos são essenciais
para garantir a m edição p recisa, a quantificação indubitável
dos dados para posterior com paração e análise. O s resultados
num éricos obtidos são entabulados e apresentados em quadros
com valores estatísticos. Supõe-se que, dessa form a, facilita-se
a m aterialização do raciocínio abstrato aum entando a chance de
convencim ento do público, pois o resultado estará dem onstrado
Antonio Carlos Xavier
e sua veracidade “com provada” . Esta característica reverbera a
m áxim a ocidental, segundo a qual, “os n úm eros falam p or si” .
•
Regularidade
T o d as as p esq u isas que se ju lg am im p o rtan tes têm a
am bição de encontrar leis gerais para explicar o funcionam ento
dos fenôm enos naturais e com portam entais do hom em . Por
exem plo: A Lei da G ravidade é aplicável a qualquer m atéria
presente na superfície terrestre, cujo peso seja m en or que o
do cen tro da T erra. T od a língua o bed ece a dois princípios
in escap áveis que são: a variação e a m u d an ça. T o d as elas
variam e m udam ao longo do tem po. O pesquisador sai em
busca da frequência, da repetição da ocorrência do fenôm eno
investigado. A ssim , ele pode m ostrar a validade de um a lei geral
e argum entar que extraordinário é um caso particular do que é
ordinário, com um , norm al.
•
Teórico
R e fe re -se ao qu e não é d o u tr in á rio , n ão d efin itiv o
nem ab so lu to . N o g era l, in titu lar um a exp licação so b re o
funcionamento de um dado fenômeno natural ou com portam ento
humano em sociedade significa que há um a alternativa plausível e
verossím il que perm ite a com preensão do fato ou ato observado
com o objeto da pesquisa. A palavra teoria tam bém tem a ver
com a adm issão de que um a determ inada conclusão poderá
ser revista, corrigida e alterada, caso haja evidências de sua
in com pletude. T oda teoria utiliza com o um dos procedim entos
Cama fwzex e apxeôentwc Otaâaiâoô científicaia em evento* acadêmicos
principais a.'análise. Ao d ecom po r o fenôm eno observado em
várias partes, é possível entender m elhor suas características
e funcionam ento. O u tro p ro cedim en to im portan tíssim o na
construção de teorias é a síntese, que consiste na recom posição
p osterior do m esm o fenôm eno para explicitar seu m odo de
funcionam ento.
Além do Senso C om um e da C iência, há outros tipos
de con h ecim en tos que au xiliam o h om em a c o m p reen d er
o u n iv erso e a se c o m p re e n d e r en q u an to se r b io ló g ic o ,
filosófico, espiritual, técnico e artístico. N a prática, tod os nós
carregam os conosco porções de cada um a dessas faculdades que
são adquiridas consciente ou inconscientem ente em contato
que m antem os com diversas in stituições sociais. D e acordo
com nossa necessidade, afinidade e in teresse, direcionam os a
atenção para um ou mais desses tipos de conhecim entos. N o
caso das instituições universitárias, há um a supervalorização
do conh ecim ento científico. A ntes de con h ecê-lo m elh or,
vejam os alguns traços destes tipos de conhecim entos citados
que acom panham a trajetória humana desde seu surgim ento.
Entre os diversos tipos de conhecim entos produ zidos,
replicados e preservados pela raça hum ana há m uito tem po,
poderíam os dizer que os conhecim entos filosófico, religioso,
artístico e técnico seriam os mais com uns a nossa vida cotidiana.
C om o cada um deles se m anifesta e qual sua função social são
questões cujas respostas verem os a seguir.
Antonio Carlos Xavier
Conhecimento Filosófico
É um conhecim ento que questiona "as coisas essenciais e
profundas da vida, tais com o: Q uem sou eu? Q uem é você (o
outro)? D e onde viem os? Para aonde irem os? Por que estam os
n a m undo? O que é a verdade, o bom e o belo? Para responder
a tais questões, o filósofo usa a razão, a lógica e as observações
sensoriais para chegar a certas conclusões. O m étodo aplicado
Coma fcvzex e apteôentwc Viaâaífio* científica* em evento* acadêm ica*
p e la F ilo so fia é ap en as a c o e rê n c ia ló g ic a sem q u a lq u e r
experiência com instrum entos e aparelhos de m edição para
validar um determ inado conhecim ento.
Na base da form ação de todo conhecimento filosófico estão
dois sistem as centrais, que foram e são pontos de partida para
este tipo de pensar desde a antiguidade clássica até hoje. São eles:
o Idealism o, criado por Platão (4 2 7 -3 4 7 ), e o M aterialism o
defendido por A ristóteles (3 8 4 -322). D e um lado, os problem as
da aparência e da subjetividade preocupavam Platão; de outro,
Aristóteles ocupava-se da realidade em pírica.
P o ste rio r m e n te , o Id e a lism o Su b jetiv o fico u m ais
conhecido entre os cientistas p or Racionalism o, elaborado pelo
filósofo francês René D escartes (1 5 9 6 -1 6S0 ). D e acordo com
este sistem a de pensam ento, o conhecim ento brota de dentro da
m ente humana para o m undo exterior. As outras correntes de
pensam ento em geral defendem a necessidade do experim ento
e dos dados concretos para se chegar a conclusões confiáveis tal
com o A ristóteles com o seu M aterialism o o fez.
D erivam das ideias ajristotélicas várias outras correntes
filosóficas com o o Empirismo e o Positivismo. O prim eiro tipo
de m aterialismo aristotélico se opõe diretamente ao Racionalism o.
D efenderam com m aestria a corren te em pírica os filósofos
ingleses Thom as Hobbes (1588-1679), John Lock (1632-1704) e
David H um e (1711 -1776). O Positivismo com Auguste C om te
(1798-1857) tam bém foi bastante im portante, e, para alguns
pesquisadores, hoje ainda o é. Tam bém deriva do concepção do
m aterialism o aristotélico o M aterialism o D ialético postulado
por Karl M arx (1 8 1 8 -1 8 8 3 ), Friedrich Engels (1 8 2 0 -1 8 9 5 ).
Mais contem poraneam ente foi desenvolvido o Existencialismo,
Antonio Carlos Xavier
prim eiro com K ierkegaard (1 8 1 3 -1 8 5 5 ) e H eidegger (18891976), e posteriorm ente com Jean Paul Sartre (190 5 -1 9 8 0 ).
Em síntese, o conhecim ento filosófico é o ponto de partida
para toda a investigação científica, além de servir m uito bem para
analisar as ações, avanços, recuos e desafios da Ciência por m eio
do seu criterioso m étodo com que aborda o fazer científico.
Conhecimento Religioso
T o d a religião bu sca satisfazer a n ecessidade m ística e
transcendental imanente aos sereá humanos. Atribuir a origem do
universo e a responsabilidade de acontecim entos sobrenaturais
a um a divindade onipotente são atitudes com uns a todos os
povos e raças da T erra. Em geral, os ingredientes da religião
se repetem . H á sem pre um profeta hum ano, um livro sagrado
e um grupo de fiéis consagrados à causa religiosa. Esses devem
acreditar dogm aticam ente, isto é, sem questionam entos, nas
prom essas de vida nuTn paraíso após a m orte e obedecer em vida
aos m andam entos contidos no livro sagrado. T od o e qualquer
evento ocorrido ou que vir a o co rrer estaria sob a supervisão
e controle do divino. Ele respon deria a todas as indagações
essenciais do hom em cujas respostas já foram previstas e estão
escritas no livro sagrado, os únicos e verdadeiros Anais que
guardam os m istérios do universòT'
A religião parte do princípio de que suas verdades são
inquestionáveis p orque foram reveladas p o r um a divindade
poderosa e infalível. Para aderir a esse tipo de conhecim ento,
basta ao indivíduo ter fé, porque não há evidências em píricas da
existência de tal divindade a quem o religioso devota sua vida.
27
Cama fa z e * e ap iesen tai VuxíuMas científicas em eventos acadêm icas
Esse tipo de conhecimento tam bém é denom inado de M ítico (da
M itologia) ou T eológico p or delegar a lógica de funcionam ento
do mundo às m ãos de um ser divino.
O Olimpo era o lugar sagrado onde habitavam e de onde
governavam os deuses da m itologia grega (Zeus, Afrodite, Apoio
e tc .). O paraíso é para as religiões com o Judaísm o, Cristianismo,
Islamismo e Budism o o destino dos fiéis após a m orte. T adas elas
são teologias que produzem conhecimentos e explicações sobre
*
as causas dos fenôm enos naturais e do com portam ento humano
com o efeito da vontade de D eus. A existência das catástrofes
naturais e da m aldade presen te no seio das sociedades seria
consequência direta do afastamento do hom em de D eus, por isso
ele precisa se “re-ligar” , reconciliar-se com Ele im ediatam ente.
Há teorias religiosas as m ais diversas para elucidar os
inúmeros fenômenos naturais. Mas a teoria criacionista, guardadas
as devidas peculiaridades de cada um a das religiões acima citadas,
é sem dúvida a teoria mais com partilhada pelo conhecimento
teológico. Em outras palavras, as principais religiões do planeta
defendem que D eus é a origem e a explicação para a existência
de todas as coisas. T al com o o con h ecim ento filosófico, o
conhecim ento relig io so não se harm oniza com o rig o r e a
precisão da Ciência, principalm ente por não apresentar provas
experimentais sobre a existência de D eus em torno do qual gira
todo o saber religioso.
Conhecimento Artístico
Tem com o ponto de partida a intuição do sujeito e sua
inclinação natural para realizar um a ação ou atividade cujo
Antonio Carlos Xavier
resultado é um a obra artesanal. Esse produto gera sensações
e sentimentos tanto no produtor quanto no “consum idor” . O
prim eiro o faz por um a necessidade de expressão, uma form a de
comunicação e interpretação da realidade que o cerca. O segundo,
reconhecendo a excelência da representação simbólica e estética,
deseja possuir o produto artístico pelo prazer que nele desperta. A
contemplação leva-o à aquisição. Ambos são movidos pela emoção.
A intenção do artista dá contornos visuais ou sonoros ao seu m odo
de tratar o tem a, é a maneira que tem de revelar suas im pressões
e visões de m undo. A identificação com tal visão de m undo, ainda
que inconsciente, impulsiona o contem plador à com pra, à posse
da obra de arte. Trata-se de um tipo de conhecimento subjetivo
e baseado na idealização e com preensão de ambos (produtor e
consum idor) do que seja a realidade pintada, cantada, dançada,
esculpida, poetizada, teatralizada e filmada.
Podem os dizer que este tipo de conhecim ento tam bém
não se aproxim a do conhecimento científico, já que a em oção
é o critério para transform ar algo em obra de arte. Por isso,
é fundamental saber identificar os diversos estilos artísticos e
correlacioná-los aos períodos históricos de seu surgim ento, haja
vista que toda linha de arte reflete o contexto de sua existência.
O efeito estético de fruição é com plem entado com a informação
de com o o artista traduziu com lucidez, precisão e sensibilidade
os acontecimentos do seu tem p o .
Conhecimento Técnico
T rata do saber-fazer com o auxílio de um a ferram enta de
apoio que perm itirá realizar um processo cujos lim ites do corpo
Cama fwzm c apveôentwi tná&aihas científicos em eventos acadêm icos
im pedem sua realização. A este instrum ento de apoio chamamos
‘tecn ologia’ . T odas as tecnologias são criações humanas cuja
função principal é am pliar form as de atuação do hom em no
m undo. Para utilizá-las, é necessário adquirir um conhecim ento
técnico, procedim entos de uso que exigem do sujeito aprendiz
observação atenta, intuição aguçada, cálculo m ental refinado e
m uita presença de espírito. Q uanto mais se harm onizam todos
esses elem entos, mais técnico e profissional revela-se o sujeito.
A prática constante leva à precisão da ação .
A ssim , um carp in teiro e x p e rie n te , com várias obras
extraídas de suas m ãos, dom ina a técnica da carpintaria com o
poucos, porque usa movimentos prim orosos com os instrumentos
tecnológicos da sua atividade. U m neurocirurgião precisa de uma
técnica acurada para, com o auxílio das tecnologias cirúrgicas,
proceder exitosam ente na m esa de operação de um hospital. De
que adiantaria ser um bom piloto de corrida sem um bom carro?
T od os os bons profissionais precisam tanto de técnica quanto de
tecnologia para agir com eficácia. Sem as ferram entas adequadas,
todas as estratégias e m ovim entos manuais delicados não podem
ser realizados. T anto os conhecim entos técn icos quanto os
instrum entos tecnológicos estão em evolução constante. Logo,
devem os profissionais acordar para o fato de que o saber tem
se tornado obsoleto em m uito pouco tem po.
Esses são, portanto, os conhecimentos mais recorrentes em
nossa sociedade, na verdade, não concorrem com o conhecimento
científico; diríam os que eles co-ocorrem , colaboram direta ou
indiretam ente para o aperfeiçoam ento da própria Ciência e da
vida humana com o um todo. C om o já disse o perspicaz sociólogo
português Boaventura de Souza Santos acerca desta fusão natural
Antonio Carlos Xavier
de saberes: “Todo conhecimento científico-natural é científico-social”
(1987, p .37). N o dia a dia, os conhecim entos se entrelaçam e
dialogam . N ão há fronteiras claram ente delim itadas entre eles.
Não sabem os ao certo quando acaba um e com eça o outro. O
que sabem os é que cada um deles tem sua im portância e com põe
o com plexo de saberes necessários a um a vida justa e saudável
sobre a Terra.
Vamos pensar u m pouco sobre o que foi estudado até aqui. As atividades
a se g u ir d ev em se r e fetu ad as p re fe re n c ia lm e n te em d u p la cujas
respostas devem ser apresentadas e discutidas com to d a a classe.
R esponda:
1. A p a r tir da indagação ab aix o , d esen v o lv a um p e q u e n o te x to
arg u m e n ta tiv o no qual você d efen d a seu p o n to de vista so b re a
questão:
A escola privilegia a aprendizagem do co n h ecim en to científico em
d e trim e n to dos dem ais tip o s de co n h e c im e n to . Você acha que
a socied ad e não precisa mais da sab ed oria p o p u lar e dos
d em ais c o n h e c im e n to s p a ra re so lv e r se u s p ro b le m a s
cotidianos?
2. Sintetize com suas palavras as características do Senso C om um .
3. Sobre as características da a titu d e científica, há algum a delas que
seja m ais difícil de en c o n tra r em um p ro je to de pesquisa na área de
ciências hum anas c sociais aplicadas? Justifique sua-resposta.
Ciência, seus métodos e classificações
Qivpüuto. 2
Ciência, seus métodos e classificações
A palavra ciência, em sentido amplo, significa ‘conhecimento’
ou qualquer tipo de ‘saber’ . Em sentido estrito, ciência quer dizer
conhecimento apreendido, registrado e dem onstrável a partir da
observação, verificação e experim entação de fenômenos naturais
ou fatos humanos do mundo real. Sendo assim, é preciso deixar
clara a distinção entre “Ciência” e “Conhecimento”, pois nem todo
conhecimento é científico, conforme vimos no capítulo anterior,
mas toda Ciência gera Conhecimento científico.
A Ciência M oderna tal com o a conhecemos hoje nasceu no
Século XVI. Seu objetivo era e é dominar a natureza, descobrir
suas verdades sistemáticas e as leis que a governam . Até então
a abordagem do conhecimento era mais contemplativa do que
propriamente experim ental. Desejava-se controlar a natureza e
para isso ela deveria ser conhecida em seus mínimos detalhes, com
a precisão de um relojoeiro, com o diziam os prim eiros cientistas
naturais.
Para conseguir o dom ínio das leis naturais, o cientista
necessita adotar um a série de procedim entos que devem ser
aplicados com m uito rigor na prática científica. Sendo assim ,
podem os sintetizar a Ciência M oderna na seguinte equação:
Cama fa z e * e ap iaen tw i VtaíaíAas científicas em eventas acadêm ieas
Precisão + Previsão + E xperim en tação —Ciência
Seguindo essa equação à risca, seria possível dar conta do
funcionamento do ‘m undo m áquina’ e controlar os m ecanism os
que regem os seres naturais, já que a Ciência M oderna afirmava
cum prir esse o bjetivo, p o is’só a ela caberia:
*
•
•
•
E studar a natureza;
A rrancar seus segred o s; e
R evelar suas verdades.
A C iên cia atrib u i-se a ex clu siv id ad e na p ro d u ção de
verdades sobre os fenôm enos m undanos. Só ela teria condições
e p istem o ló g ica s e m e to d o ló g ica s p ara d e sc o b rir e rev elar
v erd ad es, isto é, fatos u n iversais, p revisíveis e im parciais.
Em o u tras p alav ras, ap en as esse m o d o de co n h ecer seria
capaz de chegar a realidades repetíveis em qualquer parte do
universo com previsibilidade de ocorrên cia, p orq u e utilizam
r ig o r o s a m e n te m é to d o ^ o b je t iv o s , se m a in te r fe r ê n c ia
em ocional do sujeito pesquisador.
N o s séculos iniciais da C iência M odern a, os cientistas
segu iam se p a ra d a m e n te d o is m é to d o s d ife re n te s em sua
concepção: o dedutivo e o indutivo.
O que é um método de pesquisa?
M étodo é um a form a de ordenar e organizar etapas de
um a ação para atingir um objetivo específico. T oda ação humana
tem um m étodo, um m odo de fazer, ainda que inconsciente,
Antonio Carlos Xavier
inconsistente e pouco produtivo. Uns são m ais elaborados, mais
sofisticados, mais com plexos, outros, m enos. Uns são ensinados,
outros são aprendidos autonom am ente, inventados pelo sujeito.
O fato é que até para ler este livro, precisam os aplicar um m étodo
de abordagem de leitura. O m ais com um é seguir a ordem
dos capítulos, iniciando pelas prim eiras páginas até chegar às
últimas. O utra form a de ler este livro seria abordando capítulos
específicos que mais interessam ao leitor.
Em uma ação investigativa, elaborar um método e segui-lo
é fundam ental para obter sucesso na em preitada acadêm ica.
A adoção de um m étodo consciente represen ta a lucidez do
pesquisador em realizar m ovim entos estratégicos, organizados
e planejados com antecedência para executar um fazer com
produtividade e transparência m áxim as.
•
Método Dedutivo
O p e sq u isa d o r .inicia a p esq u isa gu ian d o -se p o r um a
hipótese ou teoria sobre o funcionamento e características de um
determinado fenômeno natural ou humano. Em seguida observa,
experimenta e testa sua hipótese no laboratório ou no campo
de observação. E sses procedim en tos confirm arão a hipótese
estabelecida antecipadamente pelo cientista ou a negarão ao final
da investigação.
•
-—. _
Método Indutivo
O pesquisad or inicia a p esq uisa sem levar em conta
qualquer hipótese ou teoria sobre o funcionamento e características
de um determ inado fenômeno natural ou humano. A observação,
doma fxvzex e apresen ta* btaÁalfw-ô científicaô em evento* acadêm icaa
o experim ento e o teste serão fundamentais para descobrir fatos
não antecipados sobre o fenôm eno investigado; só depois desses
procedim entos realizados, o pesquisador pode chegar a uma
conclusão.
A in dução é o processo mental em que o indivíduo parte
de dados particulares vistos com certa repetição. A constância das
repetições leva o pesquisador a inferir um a lei ou verdade geral.
Vamos a um exem plo sim ples. Se todos os cisnes vistos pelõ
pesquisador forem da cor branca, ele será induzido a pensar que
todos os cisnes existentes no m undo são desta cor. A conclusão
a que ele chegará a partir de sua experiência com a frequência de
cisnes brancos é que todo cisne existente no m undo é branco.
Já a d ed u ção é o processo mental inverso pelo qual o
indivíduo parte de um a hipótese, um a ideia antecipada sobre
um fato isolado para aplicá-la à totalidade dos fatos sim ilares
se repetidas as m esm as condições de ocorrência. Retom ando o
exem plo do cisne branco, basta o pesquisador ter visto apenas
uma única vez na vida um cisne desta cor para concluir que todos
os cisnes existentes no m undo têm a cor branca nos m esm os
contextos de ocorrência. A'tualmente, sabem os que há m étodos
de investigação usados na C iência que se inclinam ora mais
para indução, ora mais para a dedução. Definiremos a partir de
agora alguns dos diversos m étodos que direta ou indiretamente
conservam indução ou dedução.
•
Método da Observação
O pesquisador se vale dos cinco sentidos (visão, audição,
olfato, gustação e tato) para examinar o objeto investigado a fim
de conhecê-lo da forma mais com pleta possível. A observação
Antonio Carlos Xavier
poderá ser do tipo participan te, isto é, com a participação direta
do observador na coleta dos dados, ou do tipo observação não-
participan te, sem sua presença em qualquer etapa da captação
dos dados da pesquisa. Se a coleta dos dados for feita no local
de ocorrência do evento pesquisado, chama-se o b se rv ação em
cam po. Se o objeto de estudo, para ser exam inado, for levado a
outro local que não seja seu local original de ocorrência, com o
uma sala ou laboratório, ela será chamada de o b se rv a çã o em
la b o ra tó rio .
•
Método da Experimentação'
O pesquisador usa um conjunto de procedim entos para
realizar a pesquisa, ou seja, aplica substâncias externas ao objeto
pesquisado p ara avaliar sua “reação ” , seu com portam en to e
assim descrevê-lo detalhadam ente diante de diferentes variáveis
e situações adicionais. D essa form a, ele consegue testar sua
hipótese de trabalho, se tiver um a, e chegar a conclusões. N este
caso, a o b serv ação ocorre em ‘situação de laboratório’ , pois
nele é possível ao pesquisador efetuar duas ações:
• C ontrolar diferentes variáveis com o tem peratura,
pressão, velocidade, tem po, repetição de ocorrência
etc. em face ao objeto observado; *
• Interferir na relação causa e efeito, entre outras
reações que poderá ser realizada de acordo com a
necessidade do experim ento e segundo as intuições
do pesquisador.
Para ilu strar um p o u co m ais, v ejam os este ex em p lo .
Coma fa z e * e apwsentcuc frtaâaíâaô científica* em evento* acadêm ico*
N orm alm ente as hipóteses dedutivas são baseadas na relação dos
fatores anteriores já conhecidos e observados pelo pesquisador.
U m a pesquisa so bre, p or exem p lo , as causas da dificuldade
de com preensão de texto p or parte dos alunos brasileiros dos
níveis fundamental e médio pode ter com o hipótese de trabalho
a falta de investim ento em leitura de livros, jornais etc. Podese, então, supor que o aum ento por esses estudantes no tem po
de leitura de gên ero s textu ais diversos com a supervisão e
cobrança da escola sua capacidade de com preensão de textos será
ampliada. O pesquisador deverá criar estratégias m etodológicas
para desenvolver a pesquisa, intervindo diretam ente p or m eio
da observação p a rtic ip a n te em cam p o a fim de o bter a
com provação da sua hipótese.
Vale salientar que o laboratório do pesquisador de ciências
humanas e aplicadas é seu gabinete de trabalho, sua sala de
estudo e às vezes até m esm o a sala de aula. N ele com param -se
docum entos, checa-se a veracidade de inform ações, elaboram-se
tabelas para exposição de dados, constroem -se figuras, gráficos
e diagramas, faz-se quase de tudo que é feito em laboratórios
tradicionais de ciência natural. A diferença de equipam entos
presentes nos laboratórios de ciências humanas e nos de ciências
naturais não torna um a das ciências m elhor ou mais precisa do
que outra em seus resultados. H oje o com putador é a tecnologiaâncora im prescindível a todos os laboratórios científicos.
Antonio Carlos Xavier
Classificação d as Ciências
$
Í 4 § 1?
.
A classificação das ciências'tam bém ocorre em razão do
m étodo adotado para a realização da pesquisa. Há algumas Ciências
cuja coleta de dados e os dem ais procedim entos m etodológicos
exigem necessariam ente a observação não-participante, m as com
as variáveis controladas em laboratório. V ejam os com o elas têm
sido classificadas ao longo da história pelos diversos historiadores
da ciência e pelos próprios pesquisadores.
• C iên cias L ó g ico -m atem áticas: A ritm ética,
Álgebra, G eom etria, Trigonom etria, Lógica etc.;
• C iências N aturais: Física, Q uím ica, Biologia,
Geologia, Astronom ia, Paleontologia etc.;
• C iên c ias H u m an as e S o c ia is: L in gu ística,
A n tro p o lo g ia , S o c io lo g ia , H istó ria , P sic o lo g ia ,
Política, Econom ia, Arqueologia e tc .;
• C iê n c ia s A p lic a d a s: E n g en h aria, D ire ito ,
Medicina, Arquitetura, Informática etc.
A pesar desta divisão, as ciências se interpenetram e se
interseccionam inevitavelm ente. C om o expressar os resultados
41
Coma fazex. e ap>ie*entwt Vta&alfio* científico* em evento* acadêm ico*
de pesquisa senão por m eio da linguagem que por sua vez é o
objeto de investigação da Linguística? Isto nos leva a assum ir
que a tentativa de im por fronteiras entre as ciências é um a tarefa
inútil, além do que esse tangenciam ento torna o fenôm eno da
interdisciplinaridade do conhecim ento um fato, um a verdade
inquestionável que deveria ser objetivo dos diferentes dom ínios
de saberes. A m aior beneficiária desta interdisciplinaridade será
*
m esm o a hum anidade, pois o hom em é um todo; sua divisão é
um a form a de facilitar o estudo da sua com plexidade.
N o te m o s q u e c ad a c iê n c ia se su b d iv id e em ra m o s
específicos em razão de novas delim itações do objeto e tam bém
pela introdução de novas m etodologias de coleta de dados em
face aos avanços técnico-instrum entais.
V ejam os, por exem plo, as várias subdivisões da Linguística,
C iên cia da L in gu agem . E ste cam po do sab er, atu alm en te,
apresen ta várias subáreas, tais com o: E stu dos Fon ológicos,
Lexicológicos, M orfológicos, Sintáticos, Semânticos, Pragmáticos,
Sociolinguísticos, N eurolinguísticos, Psicolinguísticos, Análises
do D iscurso, do T ex to , da C onversação, Linguística Aplicada
entre outros focos de interesse. Entretanto, até o século X IX ,
a linguagem era estudada apenas pela perspectiva histórica. O s
estudos com parativistas investigavam as relações de parentesco
entre as línguas para descobrir qual teria sido a língua-mãe. Com
a descoberta do Sânscrito em 1786, Sir. W illian Jon es lançou a
hipótese de que as línguas grega, latina e sânscrita teriam um a
m esm a origem , em razão das semelhanças encontradas entre
elas ao com pará-las.
Essa descoberta diminuiu bastante o interesse, entre os
estudiosos da linguagem , pela busca da proto-língua. Abriu-
Antonio Carlos Xavier
se assim espaço para a proposta de Saussure quanto ao estudo
científico da língua. Estavam colocadas as condições ideais para
um a m udança “paradigm ática” nos estudos da linguagem do
ponto de vista teórico e m etod ológico. Inclusive com o advento
do gravador fonográfico os pesquisadores das línguas puderam
estudar tam bém a fala e não apenas a escrita encontrada nos
docum entos e livros.
O objeto central de investigação da Linguística e de todas as
suas subáreas é sem dúvida a língua. O que m uda são os olhares
sobre sua form a e função, tais com o suas realizações sonoras,
m orfológicas, seu m odo de organização nos enunciados, suas
m odalidades oral ou escrita, sua estruturação cognitiva, seus
vínculos sociais, históricos, culturais, bem com o a abordagem
m etodológica escolhida para investigar o fenôm eno da linguagem
verbal dentro ou fora de um contexto real de uso.
Por essa razão, precisam os saber que, para cada pesquisa
sobre a língua, haverá um “recorte” de um a parte dela que será
examinada com detalhe maior ou m enor conforme os objetivos do
pesquisador. D e acordo com esses objetivos, ele deverá escolher
qual a m elhor maneira para coletar e analisar a parte da língua
que receberá sua atenção investigativa.
Além da classificação da ciência e suas subdivisões internas,
haveria diferentes tipos e formas de realizar uma pesquisa científica?
Certamente que sim. Sabemos que a pesquisa científica significa
investigação com m étodo, aplicação de regras e rigor sistêm ico
sobre um dado fenômeno a fim de descobrir novos conhecimentos
e perceber novas relações entre o fato estudado e outros afins. Por
essa razão, há diferentes formas de efetuar uma pesquisa, assim
com o há diferentes modos de fazer pesquisa científica.
Conto fwzex e apicaentcvi tna&aífio* científico* em evento* acadêm ico*
A prim eira grande subdivisão refere-se à abrangência e à
aplicabilidade dos resultados de um a pesquisa. Logo, pode-se
em preender um a pesquisa em um dos dois blocos a se g u ir.,
Pesquisa Pura
Dedica-se a observàr fenôm enos abstratos sem determ inar
aplicações antecipadas, utilizando cálculos e equações matemáticas
para fazer d ed u çõ es, inferências e prev isõ es. Por exem plo:
calcular os m ovim entos de rotação e translação da Terra, m edir a
velocidade do deslocamento dos planetas na órbita celeste, prever
quando haverá o próxim o eclipse total da lua, inventar frases para
analisar suas possíveis estruturas sintáticas profundas etc.
Esses conhecimentos científicos são produzidos com base em
fórmulas matemáticas e raciocínios lógicos e muitos pesquisadores
não fazem quaisquer testes com objetos concretos. N este tipo de
pesquisa, não há uma clara ideia de com o ela será aplicada e quais os
benefícios diretos receberão os seres humanos com as descobertas
e criações derivadas dela.
•
Pesquisa Aplicada
Constata-se um problem a e busca-se a solução imediata. Por
exem plo, o problem a é com bater o vírus de um a nova gripe. O s
cientistas, então, buscam descobrir um a vacina que evite contrair
a doença. R ealiza-se a pesquisa sabendo an tecipadam ente o
resultado esperado. O s benefícios sociais são diretos e imediatos.
C om o controlar o aum ento da inflação seria o problem a a ser
resolvido por um a outra pesquisa, por exem plo. O s cientistas
sociais aplicados procurarão descobrir estratégias econômicas que
evitem o aumento desenfreado do dragão financeiro.
44
Antonio Carlos Xavier
O utro exem plo seria pesquisar mecanism os didáticos para
ajudar os alunos que têm dificuldade de ler e escrever textos na
escola, exem plo já citado antes. Diz-se, portanto, que uma pesquisa
aplicada é aquela que faz um a investigação com um a intervenção
direta da ciência para solucionar um problem a já detectado.
Dentro desses dois grupos, há pesquisas com características
específicas, tais com o:
•
Pesquisa Teórica
E aquela que se dedica ao estudo, análise e comparação entre
teorias dentro de uma ciência ou subárea dela. Na Linguística, como
vimos antes, há várias subáreas, dentro destas há várias teorias. Por
exem plo, um a pesquisa m eram ente teórica neste cam po do saber
seria com parar, no interior da Sociolinguística, suas duas grandes
teorias: a Interacionista e a Variacionista, apontando seus pontos
de convergência e de divergência.
•
Pesquisa Metodológica
É aquela que se preocupa em estudar os m odos de fazer
ciên cia, no p assad o ou no p re se n te , p ara c o m p re e n d e r e
interpretar a eficácia e vantagens de um m odo de investigar em
relação ao de outro. Pesquisar com p se estuda a m odalidade oral
da língua hoje, se os dados são coletados em situações reais de uso
por falantes realizando suas atividades cotidianas espontaneamente
(na rua, escritório, con su ltório, sala de aula e tc .), ou se os
dados são coletados em situações forjadas de uso da língua oral
(program as de T V , peça de teatro, novelas) é o que faz uma
pesquisa m etodológica.
45
Cama fwz&i c cLp*e*entwt Viaâaífio* científica* em evento* acadêm ico*
•
Pesquisa Empírico-Descritiva
E aquela que intenciona observar o fenôm eno, descrevêlo, registrar suas características, m ensurá-lo, classificá-lo, sem
que haja qualquer interferência do pesquisador neste processo.
São exem plos de pesquisa em pírico-descritiva: enquetes de
opinião, as de levantam ento socioeconônico (Senso do IBG E),
as m ercadológicas encom endadas p or agências de publicidade,
as psicossociais para verificar m udanças no com portam en to
dos indivíduos. A grande m aioria delas é feita p or institutos de
pesquisa especializados.
•
Pesquisa Explicativa
E aquela que busca detalhar os registros realizados por
m eio de análise m eticulosa, divisão do objeto investigado em
diversas partes, interpretação fina das possíveis m otivações e suas
consequências, procurando relacionar os fatores determ inantes
para tais. Seu ob jetivo con siste em ap rofu n d ar a realidade
observada para com preender seus porm en ores, estando, por
isso, mais sujeita a erros e desvios interpretativos do pesquisador.
Há fenôm enos para os quais não existem explicações. M uitos
cientistas insistem em forçar os dados a dizerem o que lhes
n
f
'
•
~
interessam , o que lhes convem . E preciso estar atento para não
cair nesta armadilha.
•
Pesquisa Experimental
É aquela em que o pesquisador controla e m anipula todas
Antonio Carlos Xavier
as variáveis sobre o fenôm eno em observação com a finalidade
de interpretar as reações e m odificações que podem ocorrer
no o b jeto p esq u isad o . N este caso, o in vestigad or in terfere
diretam ente no fato ou no com portam ento do sujeito. Em geral,
usa-se outro fato ou sujeito com o grupo de controle que não
sofre a intervenção direta do pesquisador. C om isso m antém -se
um fato ou sujeito intacto para ser com parado com o fato ou
sujeito que receber as intervenções do pesquisador.
•
Pesquisa-AÇÃO
t
É aquela em que o pesquisador faz intervenções diretas
na realidade social que se apresenta com algum problem a. Ele
interage de form a intensa com os sujeitos pesquisados e com
a realidade que o cerca. Além de constatar o problem a e suas
causas, ele procu ra agir para solucioná-los de m odo prático e
conscientizar os sujeitos envolvidos sobre a m elhor form a de
evitar a ocorrência de tais problem as.
U m bom exem plo para este tipo de pesquisa é o seguinte:
um p ro fe sso r detecta um a dificuldade de aprendizagem em
seus alunos. Passa, então, a observá-los até descobrir as causas.
Em seguida, elabora e testa ele m esm o atividades pedagógicas
que possam resolver a dificuldade dos aprendizes. Verificada
a eficiência das atividades propostas,, o professor com partilha
com seus colegas p or m eio de um relato oral de experiência, da
escrita de artigo científico ou até através de um a dissertação de
m estrado e ou tese de doutorado. N este tipo de investigação,
o cientista pesquisa enquanto age, propõe m udanças que são
aplicadas por ele m esm o.
47
Coma fa z e * e ap m i etitcuuVtaÂaífw* cientifica* em evento* acadêm ico*
•
■K
Pesquisa Bibliográfica
E aquela form a de investigação cuja resposta é buscada
em inform ações contidas em m aterial gráfico, sonoro ou digital
estocadas em bibliotecas reais ou virtuais. O pesquisador faz um
levantamento de trabalhos já realizados sobre um determ inado
tem a e cataloga-os a fim de rever, reanalisar, reinterpretár e criticar
procedim entos técnicos e pontos de vista teóricos considerados
pelo autor da pesquisa já “envelhecidos” ou ineficientes.
Antonio Carlos Xavier
É h o ra de pen sar u m p o u co sob re o que foi estudado n este capítulo.
As atividades a seguir d ev em ser efetuadas p re fe re n cia lm en te em
dupla cujas respostas devem ser apresentadas e discutidas com toda
a classe.
Responda:
1. Q u e é e o q u e faz a Ciência?
r
2. Q u al a im p o rtâ n c ia d o m é to d o cien tífico p ara u m a pesq u isa
acadêm ica?
3. Q ual a diferen ça e n tre dedução e indução? C ite dois exem plos,
sendo u m de u m a pesquisa que u tilizou um m é to d o indutivo e o u tro
que u tilizo u o m é to d o d edutivo.
4. R elacione os d iferen tes m éto d o s às d iferentes ciências.
5. C o m en te a equação: Precisão + Previsão + E xperim entação =
C iência. D e a co rd o com ela, co m o você classifica seu cam po de
estu d o e sua pesquisa, caso você já esteja d esenvolvendo ou p re te n d a
d esenvolver uma?
6. A pesquisa que você pensa em fazer ou já está fazendo po d e ser
classificada co m o pesquisa p u ra ou aplicada? P o r quê? A p resente trê s
características da sua pesquisa que justifiquem sua classificação com o
, p u ra ou aplicada.
Capítula
Etapas de um projeto de pesquisa
dcvpítuía 3
Etapas de um projeto de pesquisa
Q uais seriam , então, os passos para você com eçar a fazer
uma pesquisa? Q uais as etapas para se elaborar um projeto?
Essas são questões bem com uns aos estudantes universitários de
graduação e pós-graduação cujo desafio a enfrentar é em preender
uma investigação científica mais cedo ou mais tarde. Elaborar um
projeto de pesquisa não é um bicho tão feio quanto se pinta.
Pesquisar pressupõe organizar sistem aticam ente ações e
procedim entos para obter um conhecim ento determ inado. Por
sua vez, toda organização exige um planejam ento e este deve
ser pensado p or etapas. Em geral, um projeto de pesquisa segue
três etapas: escolha do tema, elaboração do projeto e a redação do
texto. D epois de pronto, o p rojeto pode ser subm etido a alguma
seleção por instituição pública ou privada a fim de viabilizar a
em preitada investigativa com financiamento e apoio técnico para
sua im plem entação.
-—. .
V ejam os cada um a das partes da elaboração de um p rojeto
por vez para entenderm os com o m ontar um a pesquisa dentro
das exigências da Ciência.
Come. faze*. e apie^entaí buxíaífuu científico* em eventos académicaô
Escolha do Tema
Essa talvez seja a etapa m ais difícil de to d as, p orque
serão necessárias m uita sensibilidade científica e um a aguçada
p erspicácia do p esq u isad o r para eleg er um tem a diante de
tantos que precisam ser pesquisados. D en tro de cada tem a,
o pesquisador deve visualizar um problem a que m ereça uma
investigação. Caberá a ele decidir qual dos diversos problem as
dentro de um m esm o tem a receberá sua atenção.
Suponham os que a área de pesquisa seja educação, o t e m a
seja dificuldades de aprendizagem, cujo p r o b l e m a mais gritante
seja a limitação dos alunos do ensino fundamental e médio em leitura
e compreensão de texto.
O bservando os resu ltad os apresen tados p elos sistem as
de avaliação do M inistério da Educação nos últim os anos1, o
pesquisador p erceb erá que um a das dificuldades dos alunos
destes níveis de escolaridade é a baixa capacidade de compreensão
de texto.
1 Sobre os sistemas oficiais de avaliação do Ministério da Educação brasileiro consultar o site:
www.mec.gov.br.
Antonio Carlos Xavier
T anto o tem a ( dificuldades de aprendizagem), com o o
p r o b le m a (limitação na leitura e compreensão de texto) são
relevantes e m erecem um a investigação im ediata.
Não basta encontrar ou descobrir um tem a relevante, é
preciso identificar um problem a dentro dele, para realizar uma
pesquisa de cunho científico. As vezes, o pesquisador iniciante
gosta de um determinado tema, mas não sabe exatamente enxergar
dentro dele um problem a. Enquanto não for identificado um
problem a a ser estudado dentro do tem a, não há m otivo para
efetuar uma investigação científica.
Veja, por exem plo, o que faz um investigador da Polícia.
Em geral, seu tem a é a ocorrência de um crim e, digamos, a m orte
de alguém. Para o policial, que deve ser um pesquisador nato, o
problem a será descobrir se a m orte foi natural ou provocada; se
provocada, quem a cometeu; se foi suicídio ouhomicídio. Sendo um
homicídio, quais os implicados? Q uem são os prováveis suspeitos?
Quais as razões para o assassinato? O nde aconteceu? Com o estava
a cena do crime? Em que circunstâncias o crime ocorreu? A que
horas? Tudo isso deve ser levantado pelo investigador antes e
durante a investigação.
Para o policial o tem a de sua investigação será sempre uma
transgressão à lei. Seu problem a será esclarecer as circunstâncias e
apontar os’ suspeitos de tê-la com etido. Para isso, fará o exam e do
lugar, do tem po e de outras circunstâncias em que o fato ocorreu a
fim de encontrar pistas e indícios deixados pelo criminoso na cena
do crime, coletando-os e relacionando-os a quem o crime esteja
de alguma form a vinculado. Cabe a outros profissionais do sistema
judiciário instaurar inquérito, protocolar denúncia-crime, solicitar
a punição, julgar o acusado e executar a pena ou inocentar o réu.
Cama fazex e aptesentwc txuâaífioi científicaa em eaentoô acadêm icas
O p esq uisad or acadêm ico deve-se d eter aos tem as de
sua área de atuação. Claro que poderá sem pre pedir ajuda a
pesquisadores de outras áreas, pois os tem as estão naturalm ente
inter-relacionados. Q uanto mais interdisciplinaridade, melhor.
Se o pesquisador é da área de educação, por exem plo, ele
deverá procurar problem as a pesquisar dentro desta área, mas não
deve se limitar a esta área quando iniciar sua pesquisa. Deve buscar
informações tam bém em outras próxim as. Por exem plo, sendo o
pesquisador um professor de língua materna ou estrangeira, deverá
voltar seu olhar para eventuais problem as com a aprendizagem
desta. D eve tam bém buscar subsídios de saberes já descobertos e
publicados em áreas com o psicologia (da aprendizagem), didática,
prática de ensino, sociologia, história etc.
O material a ser coletado dependerá do tem a, do problem a
e do tipo de pesquisa escolhidos pelo pesquisador. Em geral,
quando um p ro blem a surge dentro de um tem a e desperta
o d esejo no pesq u isad o r de in vestigá-lo, caberá a este, em
prim eiro lugar, fazer um a varredura bibliográfica sobre livros,
revistas especializadas, jornais, sites da Internet para ler tudo ou
quase tudo que já foi publicado sobre aquele tem a e problem a.
Em segundo lugar, conhecendo o que já foi dito sobre o tem a
e problem a, o pesquisador terá condições de saber se estará
em preendendo um a pesquisa pioneira, inédita sobre aquele tem a
e problem a ou, se pelo m enos, o enfoque, a perspectiva, o lugar,
os sujeitos, o contexto são diferentes e, por isso, m ereceria uma
nova pesquisa. Só depois de ponderar a necessidade de realizar a
investigação sobre o tem a e problem a já investigado ou se souber
que nada ainda foi exam inado sobre a questão, o pesquisador
poderá coletar seu material no cam po, lugar em que o fenômeno
Antonio Carlos Xavier
a ser examinado de fato ocorre, ou em banco de dados arquivados
analógica, eletrônica ou digitalm ente.
O que um pesquisador não pode fazer é “procurar chifre em
cabeça de cavalo” , isto é, enxergar problem a onde ele não existe
ou já se tenham descoberto soluções razoáveis e satisfatórias para
ele. O utra coisa que o pesquisador não deve fazer é procurar
descobrir “qual a cor branca do cavalo de N apoleão Bonaparte” ,
ou seja, não deve investigar um problem a cuja solução esteja
bem abaixo do seu nariz e só ele não consegue vê-la. N este caso,
subm eter o tem a e o problem a à avaliação de pesquisadores
experientes da área é um a atitude dê humildade recom endável
que evitará vexam e e perda de tem po ao pesquisador iniciante
ou ingênuo.
Por isso, a escolha do tem a e principalmente a identificação
de um real problem a de pesquisa m erecem a m áxim a atenção
e critério do pesquisador a fim de que todo o investim ento de
tem po, recursos financeiros e emocionais possam valer realmente
a pena e justifiquem a realização de um a pesquisa científica.
Adem ais, um pesquisador não deveria se ocupar de tem a
já tratado por outro pesquisador para não “chover no m olhado” .
Há pesquisadores que pensam ter descoberto a pólvora quando
escolhem investigar um problem a sem antes ter verificado se
já foi pesquisado por outros. O olhar de outros pesquisadores
poderá indicar a necessidade de correção em procedim entos
m etodológicos e evitar equívocos conceituais não percebidos
pelo pesquisador tão envolvido até m esm ó em ocionalm ente com
a produção do seu projeto.
A m esm a atitude de humildade vale para a escrita de textos. E
sem pre bom ouvir com receptividade as críticas verdadeiramente
57
Coma fwz&t c apieôentwi O taâaíâo* científica* em evento* acadêmica*
construtivas que naturalm ente vêm do professor ou colega que
se m ostre realm ente interessado em ajudar.
N o que toca ao p rojeto de pesquisa, antes de escolher o
tem a e o problem a para nossa investigação, deveríam os adotar
cinco atitudes im portantes, que nos pouparão constrangim entos
futuros. São elas:
• Avaliar a relevância humana, social e científica da
pesquisa;
• Verificar se o tem a e o problem a já foram examinados
antes, por quem , com o, onde e quando;
• Saber o enfoque que dará ao problem a, caso o
tem a e o problem a já tenham sido pesquisados por
outros, m as com outro foco, em outro país e há
m uito tem po;
• Identificar a viabilidade ética, técnica e financeira
da pesquisa sobre o tem a e problem a escolhidos;
• G ostar do tem a e em polgar-se pela descoberta da
“solução” para o problem a de pesquisa identificado.
C om o podem os perceber, o policial investiga problem as
im p o rtan tes que ele não p ro cu ra , enquanto o p esq u isad o r
acadêm ico p ro cu ra p o r p ro b lem as relev an tes a in vestigar.
Am bos cum prem sua função social a sua m aneira. A civilização
contem porânea precisa de am bos.
Antonio Carlos Xavier
Elaboração do Projeto
Fazer bem qualquer coisa,na vida nos dá trabalho, ou seja,
exige nosso labor, grande esforço pessoal e m uito suor do nosso
rosto. Q uando falam os de projeto, então, toda concentração
mental e física é pouca. Projetar quer dizer program ar com detalhe
a realização de um desejo ou de um sonho. Assim, a elaboração de
um projeto de pesquisa acadêmico exigirá muita determ inação,
imaginação e disciplina a fim de program ar cada etapa e segui-la
com atenção, m as tam bém com flexibilidade.
O projeto é o guia, é o m apa do pesquisador durante seu
percurso de navegação investigativa. Entretanto, ele não poderá
se prender rigorosam ente às etapas previstas no projeto de m odo
a não m exer ou m udar o planejado, se necessário for, quando da
sua execução.
O fato é que nenhuma investigação deveria acontecer sem o
suporte de um projeto de pesquisa que lhe dê sustentação, que lhe
seja o roteiro. Por isso, solicitar a avaliação de outros pesquisadores
da área sobre a validade e pertinência dos procedim entos teóricometodológicos propostos na pesquisa é de fundamental importância
para o sucesso da ação investigadora.
Cama fazen. c ap>tasentwL tíoãaífios científicas cm mentos acadêm icas
Redação do texto
fm i
Esta é a última e decisiva parte da elaboração de um projeto
de pesquisa acadêm ico. A apresentação do texto do p rojeto
deverá seguir rigorosam ente a seguinte ordem :
•
Capa: título, subtítulo, área e subárea da pesquisa,
nom e do pesquisador, nom e do possível orientador,
local, m ês e ano;
•
P ágin a 1: Introdução com problem atização do
tem a, justificativa e hipótese;
•
P ágin a 2: O bjetivos: geral e específico;
•
P ágin as 3 e 4: Fundam entação teórica e relato
de outras pesquisas sobre o tem a;
•
P ágin a 5: M etodologia;
•
P ágin a 6: C ronogram a de trabalho;
•
P ágin a 7: Referências
Antonio Carlos Xavier
Ensinar a ler e compreender
texto: desafios da escola do
Século XXI
Área: Linguística Aplicada
Subárea: Língua Portuguesa
Autor: José de Lima Xavier
Orientador: Roberto Correa
1
Introdução
Contextualização do
tema;
Problematização do tema;
Justificativas;
Hipótese.
Recife, março de 2010
Objetivos da pesquisa
Objetivo geral;
Objetivos específicos.
Fundamentação teórica
Resenhas curtas de
teorias sobre o tema.
Metodologia
Relato de outras pesquisas
sobre o tema
Como serão coletados os
•dados?
Coma- fcvz&i e aptesentcn btaBalAas científicas cm eventas acadêm iáió
%
%
Cronograma de trabalho
Atividades
Mês
1
Mês
2
Pesquisa
bibliográfica
X
X
Coleta de
dados
X
Referências
Mês
4
Livros;
Revistas científicas;
Dicionários;
Sites
•* “■
Análise dos
dados
X
Redação
X
Revisão e
defesa
Mês
3
X
*
X
É h o ra de p en sar u m p o u co sobre o que foi estudado n este capítulo.
As atividades a seguir devem ser efetuadas p refe ren cia lm e n te em
dupla cujas respostas devem ser apresentadas e discutidas com toda
a classe.
R esponda:
1. O que deve m otivar um pesquisador a em p ree n d er um a investigação
científica?
2. C o m e n te trê s das cinco a titu d e s im p o rta n te s n o p ro ce sso de
elaboração de um p ro je to de pesquisa.
3. E x p liq u e as div ersas p a rte s em q u e se div id e u m p ro je to de
pesquisa.
»n *fí II fff H Jffi
Gêneros textuais acadêmicos
Capãufo4
Gêneros textuais acadêmicos
Há vários gêneros textuais que podem ser classificados com o
acadêmicos por estarem inseridos na universidade ou laboratórios
de pesquisa, tais com o: Projeto de Pesquisa, Resumo, Resenha, Artigo
Cientifico, Monografia, Dissertação e Tese.
N este capítu lo , vam os estu dar com o alguns d eles são
constituídos e caracterizados linguisticamente. Vam os conhecer
sua estrutura textual e sua form a de organização interna para
aprender a produzi-los adequada e eficientemente. Com eçarem os
pelo gênero textual Projeto de Pesquisa.
G ênero acadêm ico:
Projeto de pesquisa
T rata-se de um d o cu m en to ..escrito que deve conter as
diretrizes gerais e as ideias principais de um estudo científico que
se deseja realizar. Ele é o ponto de partida para a execução da
investigação acadêm ica em níveis de graduação e pós-graduação,
mas tam bém pode ser produzido no ensino fundamental e m édio
com m enor rigor. Além de funcionar com o um -script para o
estudioso, o p ro jeto é um a peça fundam ental para solicitar
Cama fa z e * e ap%e*enta% Vtaâaífw* científica* em evento* acadêm ica*
financiamento aos órgãos de fom ento e materializar efetivamente
a intenção de investigação.
C om o vim os no capítulo anterior, são itens obrigatórios
no projeto de pesquisa:
a) D ados de identificação:
• Título
• Subtítulo;
• Area da pesquisa;
• Subárea da pesquisa;
• N om e do pesquisador;
• N om e do possível orientador j
• Local, m ês e ano;
b) fu stific ativ a
Exposição dos m otivos que levam à realização da pesquisa,
explicitando a limitação espacial e tem poral do problem a, bem
com o a descrição da situação a ser pesquisada.
A justificativa responde à pergunta: POR QUE realizar a
pesquisa?
N esta parte do projeto, o pesquisador deve apresentar as
razões sociais, econôm icas, políticas, históricas, educacionais
entre outras que o motivaram a fazê-lo. Duas coisas precisam ficar
claras na justificativa, pois responderão às seguintes indagações:
1. Qual a importância não acadêmica da investigação?
2. 0 que o cidadão comum e a sociedade em geral
ganharão com sua execução?
Antonio Carlos Xavier
Tom em os com o exem plo o tem a (dificuldade de aprendizagem)
e o problem a (limitação em leitura e compreensão de texto) relacionado
às com petências básicas de todo cidadão contem porâneo. Para
justificar um a pesquisa com esse tem a, o pesquisador deverá
lem brar que, em bora haja pesquisas que tenham tratado desta
tem ática e p roblem a, ainda não foi encontrada um a solução
prática e definitiva para ele. Ao realizar um a pesquisa sobre
essa questão, o proponente deve m encionar que dificuldades
de c o m p re e n sã o p ro v o c a m p ro b le m a s de o rd e m so cial e
eco n ô m ica para os in d iv íd u o s. C om p ou ca cap acid ad e de
d iscern im en to e in terp reta çã o de in fo rm açõ e s, as p esso as
poderão ser facilm ente enganadas por outras mais “espertas” e
terão um a baixa produtividade em suas atividades profissionais.
Consequentem ente, perderão com isso tanto o indivíduo limitado
cognitivãmente quanto a sociedade na qual ele se insere.
A justificativa do pesquisador buscará m ostrar a necessidade
urgente de aumentar as possibilidades de aprendizagem dos alunos
p or m eio da ampliação da sua capacidade de ler, com preender
e interpretar coerentem ente os diversos texto s verbais e nãoverbais que circulam nos espaços sociais. P or con seguin te,
m elhores leitores poderão acelerar os processos de produção de
bens m ateriais e sim bólicos e gerar um volum e m aior de ações
mais civilizadas e racionais na sociedade em geral.
N ão im porta a área a que ele esteja vinculado; todo projeto
de pesquisa deve convencer seus leitores e principalm ente seus
financiadores da im portância m aterial de sua realização. Ainda
que Se trate de um projeto de pesquisa pura, é preciso construir
um quadro, na justificativa, que perm ita a visualização do seu
valor social e de seu papel na m elhoria da vida humana.
<S>7
Coma fa z e * e apveôentwi ViaâaCâo* científica* em evento* acadêm ico*
c) Objetivo
T odo projeto científico pretende conhecer um fenômeno,
fato ou com portam ento, procura propor uma solução criativa e
preferencialmente inovadora para um problem a insurgente. Por
isso, o proponente do projeto tem que explicitar qual é o objetivo
geral da pesquisa, além d e detalhar quais são os objetivos específicos a
serem alcançados ao final da jornada investigativa.
A ssim , no objetivo, o p esquisador tentará resp on d er à
pergunta: PARA QUE realizar a pesquisa?
D evem ficar evidenciadas nesta parte respostas às questões:
•
Quais os ganhos reais que a área de estudo vai obter
com a realização de tal pesquisa?
•
Quais as contribuições conceituais deixadas por
ela ao final de sua execução?
•
Q uais serão os avanços teórico-m etodológicos
visualizados pelo pesquisador com sua investigação
científica?
t
L istar os o b je tiv o s e sp e c ífic o s em form a de item
devidamente enumerados facilita para o pesquisador harmonizar
com as teorias que darão sustentação às análises dos dados. Isso
também perm ite que o leitor/financiador avalie com mais certeza
a relevância dos objetivos específicos em relação ao objetivo geral
e, principalm ente, sua pertinência em relação ao problem a a
ser solucionado pela investigação. N o limite, o objetivo de uma
investigação será sem pre resolver o problem a que a motivou. Se
não solucionar o problem a, a pesquisa não foi totalm ente bem
sucedida.
Antonio Carlos Xavier
d) Questão de Pesquisa
O problema motivador citado acima é chamado tecnicamente
de Questão de Pesquisa. Ela é o foco de tod a a investigação e
perm eia im plicitam ente todas as fases de execução da pesquisa.
Funciona co m o o m aio r d esafio do p e sq u isa d o r, que não
descansará enquanto não achar um a resposta coerente, sim ples
e convincente para ela.
Utilizando o m esm o exem plo de tem ática e problem ática
já citado, podem os dizer que a questão de pesquisa poderia estar
assim elaborada:
Como solucionar ou diminuir as limitações em leitura e
compreensão textual dos alunos?
O utra form ulação para esta Q uestão de Pesquisa poderia
ser a seguinte:
Que atividades e exercícios poderão ser propostos para ajudar
os alunos a compreenderem melhor os textos que leem?
Certam ente a formulação da segunda questão de pesquisa
intenciona atingir os m esm o s p ro p ó sito s da p rim eira, m as
apresenta-se mais detalhada. Ambas identificam um problem a
(.limitação em leitura e compreensão de texto) e se referem indiretamente
ao como ele poderia ser solucionado. N a própria formulação da
segunda, encontra-se um a proposta de solução embutida, o que
não acontece com a prim eira questão form ulada. A segunda
pressupõe que há atividades pedagógicas (exercícios) que podem
ajudar, em alguma medida, os alunos a m elhorar sua capacidade
Coma fwzex c ap%e*entwt txaâalfw * científicas em evento* acadêm ico*
de com preensão de textos. Já a prim eira questão, pressupõe a
diminuição dessa limitação, admitindo as poucas chances de se
encontrar uma solução definitiva para o problem a.
N ote que a prim eira form ulação da questão de pesquisa
pressupõe a existência do problem a, m as não tem ideia de com o
resolvê-lo. L ogo, o pesquisador não tem qualquer hipótese de
resposta à questão. Durante o desenvolvim ento da investigação,
ele poderá ter insights, isto é, boas suposições de resposta. Nem
toda pesquisa precisa apresentar um a hipótese, m as será m uito
bom que a tenha.
U m a hipótese de trabalho depende de vários fatores. Um
deles, com o vim os, é com o a questão de pesquisa é form ulada.
Isso é o que acontece com a form ulação da segunda questão. Ela
sugestiona que devem ser propostas atividades pedagógicas, ainda
não especificadas. Elas poderão ser especificadas na hipótese de
trabalho, um a parte im portante do p rojeto que com entarem os
a seguir no item e .
A lertam os para o fato de que Questão de Pesquisa deve
sem pre estar explícita no#p ro jeto , ainda que diluída no texto da
introdução do trabalho. U m a vez identificada, ela ajuda o leito r/
avaliador a entender qual a m otivação urgente que valha a pena
realizar o projeto de pesquisa. Ela tam bém recebe os seguintes
nom es: P roblem a d e p esq u isa, P ergu n ta de p e sq u isa e
P roblem atização (d o tem a).
Se o pesquisador optar por trabalhar com a segunda questão
de pesquisa form ulada no exem plo anterior, o objetivo geral
pode ganhar a seguinte elaboração, considerando o tem a em
tela:
7©
Antonio Carlos Xavier
O b je t iv o G e r a l :
Verificar em que aspectos do processo de compreensão textual
os alunos têm apresentado mais dificuldades e propor
atividades pedagógicas que os ajudem a superá-las.
e) H ipótese
Trata-se da proposta de solução para a questão de pesquisa.
Por ser um a pequena afirm ação (hipo + tese), ela deve ter o
form ato de suposição, um a resposta não definitiva, já que só
depois da execução do projeto é qvie o pesquisador poderá afirmar
com certeza que sua h ipótese foi com provada. O contrário
tam bém poderá acontecer, ou seja, sua hipótese poderá não se
com provar e ele deverá ter honestidade científica suficiente para
assum ir o equívoco da sua hipótese. Esse é um risco que correm
todas as pesquisas e seus respectivos proponentes.
Lem brem o-nos de que, no objetivo geral, o pesquisador
ressalta por que ele quer pesquisar o tem a “X ” que tem um problema
“Y” a ser resolvido. N a hipótese, ele imagina um a solução viável
para tal problem a. Então, a form ulação da hipótese deve sem pre
estar no cam po das possibilidades e não no das certezas. Vejamos
um exem plo de form ulação de hipótese a seguir:
A capacidade de compreensão textual dos alunos pode
ser ampliada se as atividades pedagógicas propostas em
sala de aula pelo professor explorarem o enriquecimento
do vocabulário, por meio da leitura de textos diversos, a
produção de paráfrase oral e escrita de textos lidos e ouvidos,
bem como enfatizar os processos de inferência e retomadas
de termos semanticamente correlatos no texto.
71
Cama fxuztM e aptescM ai ttaê a íã as cientificas em euetitas acadêm icas
Posta dessa forma, pesquisador, leitor e avaliador do projeto
terão clareza quanto ao que será feito e aonde poderá o projeto
chegar se cum pridas suas etapas obrigatórias. A hipótese funciona
com o um a espécie de antecipação de resultados ou resultados
esperados, um com ponente im portante em p rojetos de pesquisa
que pleiteiam financiamento à porta de algum órgão público de
fom ento ou de um a em presa privada patrocinadora.
J ) Fundam entação Teórica
Refere-se às teorias relacionadas ao assunto da pesquisa. São
propostas de explicação de determ inados fenôm enos defendidas
p or quem já realizou um a pesquisa sobre tem a afim que poderão
ajudar na abordagem e com preensão do problem a e auxiliar na
busca de um a solução.
O pesquisador, ao tratar da limitação em leitura e compreensão
de textos dos alunos (problem a de pesquisa), poderá utilizar as
teorias já publicadas no “m ercado acadêm ico” sobre o tem a. As
teorias norm alm ente se consagram quando funcionam com o
m odelo de explicação e com preensão para certos fenôm enos
humanos ou naturais.
Para o tem a acim a, o pesquisador deve conhecer bem
as diversas teorias já propostas para elucidar o processam ento
da leitura, que vai da decodificação das letras à produção de
inferências, passando pela inevitável relação entre palavras e
assuntos inter-relacionados. Q uem faz pesquisa acadêm ica se
informa bastante sobre as propostas teóricas da área que escolheu
pesquisar. Ele tem que conhecer os resultados a que chegaram
outras investigações sim ilares que se valeram de experim entos
científicos e fizeram análises ponderadas próprias.
7^
Antonio Carlos Xavier
Para elaborar a Fundamentação Teórica, o pesquisador deve:
•
L is ta r u m le v a n ta m e n to b ib lio g r á fic o em
bibliotecas especializadas reais e virtuais;
•
C onsultar livros, artigos científicos, pesquisas
con cluíd as, m on ografias, d issertaçõ es e teses
fin alizad as e b an c o s de d ad o s de ó rg ã o s de
fom ento2;
•
N av egar in ten sam en te em w eb sites e vídeos
d ispon íveis na In tern et p o stad o s p o r au tores
dedicados ao assunto;
•
»
Procurar a orientação de um pesquisador mais
experiente;
•
Elaborar resenhas com sínteses com entadas das
teorias sobre o tem a mais conhecidas e respeitadas
pela com unidade acadêm ica;
Seguir esses passçs evitará que nós percam os horas preciosas
pensando sobre qual seria a m elhor teoria para auxiliar as análises
dos nossos dados. N ó s pesquisadores devem os decidir sobre
que teoria(s) p reten dem os usar na pesquisa antes m esm o de
começarmos a coletar o corpus. Ler as resenhas das teorias contidas
em artigos científicos, m onografias, dissertações, teses vai nos dar
uma ideia do que é e com o devem os fazer a fundamentação teórica
do nosso trabalho.
2- A
Capes disponibiliza um serviço de divulgação de dissertações e teses já defendidas e
aprovadas, além de obrigar os Programas de Pós-Graduação no Brasil a deixar acessíveis em seu
site todos os trabalhos produzidos pelos alunos que estudaram no Programa .
Cama fazm e apteaentwc Otaâaíhos científicas em eventos acadêm icas
g ) Metodologia
Refere-se a um conjunto de procedim entos m etodológicos
que revelam com o, quando e com quem a pesquisa será feita,
qual o universo da am ostra a ser pesquisado, ou seja, quantos e
quais os objetos e /o u sujeitos-informantes serão investigados. Ela
deve detalhar os instrum entos e equipamentos tecnológicos que
serão aplicados para realizar os testes e coletar os dados. Nesta
parte do projeto, o pesquisador tem que prever quanto tem po,
definir o espaço físico no qual a coleta dos dados será feita, bem
com o enumerar a quantidade de fenôm enos ou sujeitos que serão
observados cientificamente.
Para isso, ele deve levar em conta as variáveis fixas e
circunstanciais que atuam no lugar onde será coletado o material
ou os fatos que afetam os su jeitos in vestigados. Em outras
palavras, todo projeto tem que antecipar a am ostragem de dados
que dimensiona com o suficiente para receber a análise, ainda que
seja necessário coletá-los novam ente.
Denominamos corpus tudo que for tom ado pelo pesquisador
com o objeto a ser analisado tenha ele m aterialidade ou não. Isto
é, os dados podem ter m aterialidade concreta com tam anho,
d im e n são , e sp e ssu ra , p e so , v o lu m e , fo rm a , c o r, ch e iro ,
tangibilidade tal com o um a planta, um olho, um vírus, um
átom o e t c .. D ados tam bém podem ser ações abstratas tais com o
com portam entos humanos em gestos e discursos orais ou escritos
que evidentem ente precisarão ser registrados de algum a form a,
seja em desenhos, fotografias, vídeos, descrições escrita. Em uma
palavra, corpus ou dados são inform ações sobre o universo de amostra
que estará sob o olhar clínico e criterioso do pesquisador.
Antonio Carlos Xavier
g. 1) Existem dois tipos de universo de amostra em pesquisa
científica:
•
A m o stra A m p la - com posta pela totalidade dos
dados coletados; e
•
A m o stra R e s t r it a - constituída p or parte dos
dados escolhidos pelo pesq uisad or para receb er
sua atenção total.
V ejam os alguns exem plos do que norm alm ente é coletado
para a análise, conform e a área de conhecim ento da pesquisa.
•
Em ciências naturais, os exem plos mais com uns de
objetos observados são: átom os, m atéria, corpos
celestes, minerais, vegetais, animais, água, calor,
terra, ar, teorem as, axiom as, fórm ulas diversas,
equações lógicas etc.
•
Em ciências aplicadas são: leis, p ro gram as de
c o m p u ta d o r, p re ç o s (v a lo re s) de p ro d u to s,
relatórios financeiros etc.
•
Em ciências humanas são: liv ro s, d ocu m en tos
escritos, fotográficos, depoim entos orais, ações
e discursos registrados em vídeo, áudio etc.
g. 2) Instrumentos de coleta de dados
A escolha do que se vai coletar dentre os vários objetos ou
sujeitos possíveis precisa ser com binada com os instrum entos
para co letá-lo s. P reten d er estu d ar o d iscurso de m em b ro s
de um a banca no m om en to da deliberação sobre o trabalho
75
Coma fazex e apveõerilwc Vtafiaífioò científico* em eventoiô acadêmico*
científico apresentado p ode ser inviabilizado pela falta de acesso
de equipam entos de áudio e vídeo no am biente para captar as
falas ali efetuadas, que serão os dados a ser analisados. Em 'outras
palavras, toda pesquisa precisa de dados para analisar e eles só são
coletados com instrum entos adequados para isso. Em ciências
humanas, há vários equipam entos que têm sido tradicionalmente
utilizados para realizar a coleta do corpus. O s mais com uns são:
g. 2.1) Questionários com perguntas previamente formuladas
pelo pesquisador ou elaboradas na ocasião, ao sabor da entrevista D eve-se, neste caso, estar atento para não perder o foco e tornar
o questionário perdu lário. Eles possibilitam a am pliação do
conhecimento geral e específico sobre.o sujeito e também poderão
explicar suas características em face ao contexto que o envolve.
Lem brem os que as questões da entrevista não podem intimidar
psicologicamente o informante. As perguntas devem perm itir um
relato espontâneo que deixe pistas para o pesquisador trabalhar
sobre elas posteriorm ente. Assim , um questionário pode ser:
•
Estruturado, ou, seja, elabora-se um a lista com
q u estõ es cujas resp o stas p revistas pod em ser
fechadas (sim , não, e alternativas a assinalar) ou
abertas;
•
Semi-Estruturado, isto é, e lab o ram -se apenas
algu m as q u e stõ e s m ais am p las e o u tra s são
construídas ocasionalm ente de acordo com as
resp ostas do entrevistado. A m bos os tipos de
questionários devem ter obviam ente com o base
o eixo tem ático da pesquisa;
76
Antonio Carlos Xavier
g. 2.2) Protocolos verbais — São registros escritos ou gravados
em áudio e vídeo das falas, e dos com entários do informante,
enquanto realiza a ação solicitada pelo pesquisador. Tam bém
são registrados os m ovim entos corporais e atitudes para explicar
determ inados acontecim entos no ambiente de coleta de dados;
g. 2.3) Anotações de campo —São registros escritos da situação
geral (tam an h o, c o m p rim e n to , altu ra, larg u ra, esp e ssu ra ,
volume, tem peratura, pressão, lugar, tem po, m odo, entre outros
descritores do fenôm eno em foco) em que a coleta do material
se dará;
f.
g. 2.4) Testes - geralmente são aplicados para verificar reações
físicas instintivas e naturais do objeto ou averiguar as atitudes
com portam entais do sujeito reveladas por seus gestos e discursos
falados ou escritos em diferentes situações vivenciadas por ele.
O s testes tam bém servem para perm itir ao pesquisador conhecer
o que acontece com o objeto ou sujeito quando subm etido a
uma determ inada condição física, social, política, econôm ica,
psicológica.
g. 2. 5) Experimentação em equipamentos de simulação em ambiente
virtual — Sabemos hoje que, com a evolução tecnológica, muitos
experim entos podem ser feitos subm etendo os inform antes a
situações simuladas em máquinas que replicam realidades.
Um a boa vantagem desse tipo de experim ento é a ausência
de risco físico para o informante, já que tildo é virtual, com a
possibilidade de recriação de m om entos históricos irreprodutíveis
no mundo real, bem com o a oportunidáde de inventar situações
fisicamente improváveis para certos acontecim entos. Efeitos de
com putação gráfica podem sim ular m aquetes dinâmicas para
reproduzir as fases atribuídas aos elementos químicos supostamente
envolvidos na origem do universo, de acordo com a Teoria do Big
77
Como fa z e i e apiesentw i biafialfios científico3 em eventos acadêmicod
Bang. O s ambientes virtuais são os “lugares” mais adequados para
se proceder a coleta de dados para pesquisas específicas com o, por
exem plo, as sobre o funcionamento cerebral humano em situações
de dor, perigo, prazer etc. N estes ambientes, o sujeito é levado
a apenas pensar em agir de determ inada form a, a imaginar certas
ações, mas não têm que concretizá-las realm ente em razão da
natureza virtual do espaço de teste.
A perform ance de um piloto de corrida de autom óvel
pode muito bem ser avaliada em jogos eletrônicos nos quais um
acidente por imperícia não o machucará nem haverá qualquer
dano material no carro. Muitas em presas têm utilizado ambientes
virtuais para selecionar candidatos às suas vagas. Colocam -nos em
situações hipotéticas de gestão técnica e de relacionamento pessoal
para, dessa forma, saber com o eles lidam com elas. O erro não
provoca qualquer prejuízo à em presa, pois estão fazendo apenas
um a simulação.
U m professor, por exem plo, que anuncia à classe que vai
colecionar os textos escritos por seus alunos para tom á-los com o
corpus de uma pesquisa poderá tirar a espontaneidade dos escritos
deles. De outra sorte, um observador que usa o próprio filho com o
sujeito observado de sua investigação pode levar ao descrédito as
conclusões a que chegar em razão do alto grau de envolvimento
afetivo entre observador e observado. Este é o chamado paradoxo
do observador, m uito com um em pesquisas de natureza sociológica,
antropológica e linguística.
U m estudioso da relação linguagem e sociedade, o inglês
W illian Labov (1975), chamou a atenção para esse fato quando
p recisou coletar dados para suas p esquisas sociolinguísticas.
Ele adm itiu o p arad o x o , m as argu m en to u não haver outra
78
Antonio Carlos Xavier
alternativa para o recolhim ento dos dados. As prim eiras pesquisas
antropológicas contavam com o auxílio de um m em bro natural
da comunidade investigada para registrar em diários ou gravar
em áudio tudo que acontecesse ao seu redor. D e posse desses
registros, os antropólogos, em seus gabinetes, analisavam aqueles
dados e elaboravam suas teorias a respeito dos costum es, tradições
e hábitos culturais das comunidades em observação.
Posteriorm ente, percebeu-se que haveria mais veracidade
nas teorias elaboradas sobre a cultura de um a determ inada
sociedade se o próprio antropólogo vivesse e fosse aceito com o
um m em bro dela. N este caso, o “paradoxo do observador” seria
atenuado, em bora ainda houvesse receio p or parte de algum
m em bro em ser totalm ente espontâneo diante de um sujeito
inserido e “naturalizado” naquela sociedade.
Enfim, o pesquisador deve esforça-se para compatibilizar
o universo da am ostra do que busca pesquisar com a escolha dos
instrum entos para coleta deste universo. Sendo assim, não será
compatível a coleta de dados sobre as virtudes e defeitos de um
professor quando ele m esm o aplicar o questionário aos seus alunos
identificados. Quanto m aior o distanciamento do o b jeto/sujeito
observado pelo observador na coleta dos dados, mais credibilidade
terão as análises e os resultados de sua pesquisa.
E im portante que seja coletada sem pre um a quantidade
m aio r de d ad os p ara c o m p o r seu u n iv erso am p lo do que
realm ente precisará para a análise. É m elhor sobrar do que faltar
corpus para pesquisar. Essa é um a fase da pesquisa que tom a
mais tem po do que o esperado e, p or isso m esm o, exige m uita
paciência, perseverança e um grande esforço do pesquisador para
registrar com cuidado os dados que com porão a amostra ampla.
Come. fa z e * e apieaen ta* btafktífioô científicas em evento* acadêmico*
g. 3) Seleção é a escolha do corpus que será tratado como amostra
restrita.
O pesquisador deve conhecer exaustivamente a amostra ampla
dos dados que coletou, m as não precisará analisar a amostra ampla
inteiramente. O s critérios de escolha do que com porá a amostra
restrita da análise deverá ser a capacidade de representar a totalidade
do fenômeno em observação, bem com o a clareza na informação
das características que m arcam o o b je to /su je ito pesquisado.
Em outras palavras, os dados escolhidos para a análise com o
amostra restrita têm que ser abrangentes e condensar informações
relevantes que permitam ao pesquisador com preender, descrever,
interpretar e apontar um a resposta para o problem a da pesquisa
por ele efetuada.
D ep o is d esta c u id ad o sa se le ç ã o , deve o p e sq u isa d o r
proceder uma c a te g o riz a ç ã o dos dados e separar dos demais os
que forem considerados m uito significativos para m erecer fazer
parte da análise. N este m om ento, o pesquisador retom ará seus
objetivos gerais e específicos e procurará harmonizar os dados
I
da amostra restrita já separados com a teoria que fundamenta a
pesquisa. Para isso, a construção de tabelas, quadros e imagens
em geral são formas que sistematizam bem os dados e podem
elucidar bastante o que o corpus estaria “falando” a respeito do
fenômeno observado. Esses recursos visuais devem ser incluídos
no texto do relatório final da pesquisa seja em um artigo científico,
monografia, dissertação ou tese, pois seu efeito ilustrativo confere
materialidade e sistematização ao corpus, gerando credibilidade ao
trabalho científico.
Antonio Carlos Xavier
O s dados cole tad o s e tab ulad os d em on stram o baixo
desempenho dos alunos em Língua Portuguesa no Brasil divulgados
pelo M EC, em 2009, relativos à aplicação dos testes do Saeb em
2005. Essa tabela nos serve de exem plo para m ostrar com o as
informações ficam bem sistematizadas e facilitam a com preensão
do leitor em relação à exposição de resultados que se deseja
fazer:
G rá fico 1 - M édias de P ro ficiê n cia em Lín g u a Po rtu g u e sa - B ra s il
1 9 9 5 -2 0 0 5 f
1995
1997
—O—4a E.F.
1999
—
2001
8aE. F.
2003
2005
—A—3a E.M.
Obs.:
• As médias dos anos de 1995, 2003 e 2005 foram estimadas incluindo o estrato de escolas públicas federais.
• Em todos os anos, a zona rural foi avaliada e incluída para a estimativa das médias apenas na 4a série.
• Para a composição do estrato rural não foi incluída a Região Norte em 1997 e em 1999 e 2001, apenas
participaram os estados da Região Nordeste, Minas Gerais e o Mato Grosso.
Figura 1 —Gráfico retirado do site do governo federal acesso em
0 4 /0 3 /2 0 1 0 : em h ttp ://provabrasil2009.inep.gov.br/
As inform ações sobre o corpus apresentadas visualmente
funcionam tam b ém com o estratég ias de argu m en tação do
pesquisador no m om ento em que ele precisa se fazer entender de
forma clara e interpretar convincentemente os dados. A clareza na
interpretação dos dados pela tabulação poderá conduzir o leitor
a concluir a favor da hipótese de trabalho da pesquisa. Quando
Como. fa/iex e ap%e&entwL txa&alfio* científico* em eventoô acadêmico*
provada e aceita pela com unidade científica, um a hipótese deixa
de ser apenas um a suposição e passa a ser um a tese com todos os
privilégios de que gozam postulados teóricos prestigiados.
g. 4) Variáveis —E também neste momento de coleta do material
a Jazer parte da amostra ampla que devem ser explicitadas as
variáveis.
Dizendo de um a outra maneira, será necessário apresentar
os fatores intrínsecos ou circunstanciais aos dados que devem
se r lev ad o s em con ta p elo p e sq u isa d o r d u ran te a c o le ta.
Variáveis são condições que incidem sobre o objeto, fenômeno,
com portam ento linguístico ou atitudinal dos indivíduos que estão
sendo investigados. São exem plos de variáveis:
g. 4.1) Sexo —O gênero masculino, feminino ou homossexual
do sujeito-in form an te p od e in terferir nas características da
amostra;
g. 4.2) Idade —Trata-se de um fator im portante que poderá
explicar determ inados com portam entos, hábitos, ideologias e
outros valores adotados consciente ou inconscientem ente em
razão das vivências do sujeito ao longo do tem po;
g. 4.3) Nível de escolaridade — Pode revelar o volum e de
informação recebido pelo sujeito a fim de esclarecer os m otivos
que o levam a fazer, dizer ou atuar de um a form a ou de outra
quando se encontra sob certas circunstâncias;
g. 4 .4 ) Classe social — O p o d er aqu isitivo, o potencial
financeiro pode revelar atitudes e com portam entos do informante,
em bora esse não seja um fator determ inante para explicar ações
e decisões efetuadas por ele. O cruzam ento desta com outras
Antonio Carlos Xavier
variáveis ajudará o pesquisador a entender certos m istérios que
aparecem nos dados coletados quando subm etidos á análise;
g. 4.5) Origem geográfica — As raízes culturais adquiridas
na com unidade em que o sujeito nasceu, m orou ou ainda vive
interferem no seu m odo de ser, pensar e reagir diante de certos
fatos. Seus sonhos, crenças e valores são quase sem pre herdados
pelo espelham ento observado na família e dem ais m em bros da
com unidade com os quais convive e na qual está inserido.
Há outras variáveis tais com o religião, ideologia, Jiliação
partidária, atividade profissional etc. do informante que tam bém são
im portantes no côm puto geral da coleta de dados. Esses fatores
podem m udar ao longo do tem po, por isso são consideradas
variáveis flexíveis, em bora não devam ser desprezados quando
incidirem no universo da am ostra.
C ertam ente o pesquisador deve levar em conta todas essas
variáveis no m om ento de elaboração do projeto de pesquisa e
observá-las principalm ente tanto quando da coleta da amostra
ampla, bem com o no m om ento da seleção da amostra restrita para
a análise mais detalhada.
h) Cronogram a de trabalh o
N e sta etap a, o p e sq u isa d o r d ev e o rgan izar o tem p o
para execução de cada um a das partes do projeto. Trata-se de
um a previsão que provavelm ente será m odificada durante o
andam ento da investigação. N orm alm ente há procedim entos na
coleta do corpus e na redação do relatório que nunca obedecem
ao p ro gram ado . O cronogram a deve conter um a estim ativa
da quantidade de m eses reservados à realização de cada um a das
etapas do projeto.
Come fa z e * e apresen ta* VtaâaíAe* científico* em evento* acadêmico*
É m uito im portante m anter o equilíbrio tem poral entre
as diversas etap as, p ois há m o m en to s da p esq u isa que são
intrinsecamente mais com plexos do que outros. A escrita do texto
final, por exem plo, ,é um a das mais dificultosas de todo o processo
de investigação. Na maioria das vezes, ela é mais demorada, porque
exige um m isto de bagagem cultural, experiência na produção
de texto e paciência, pois é com um a palavra teim ar em não
com parecer à m ente de quem está escrevendo.
Muitos se enganam quando dizem que a parte mais fácil do
fazer científico é a escrita do texto, e confiados nisso, reservam
pouco tem po para esta fase. Convém nos lem brarm os de que só
depois de várias versões e reescritas é que o texto do projeto de
monografia, T C C , dissertação ou tese ganha condições de ser
apreciado pela banca ou órgão de fom en to.
M esm o considerado pronto pelo pesquisador, um outro
observador com experiência acadêmica adquirida ao longo do
tem po ou até m esm o um amigo poderá de fora ver equívocos
que geralmente não são vistos pelo proponente do projeto em
razão do seu alto envplvimento técnico e afetivo. U m a leitura
externa minuciosa pode sugerir m odificações de ordem formal e
principalmente de conteúdo para o aperfeiçoamento do projeto.
É preciso estar sem pre aberto tanto a sugestões quanto a críticas
realmente construtivas. N a vida acadêmica, além de inteligência,
a humildade tam bém é fundamental, em bora m uitos acadêmicos
ignorem essa prem issa. Sem humildade, jam ais haveria avanços
na Ciência.
As vezes essas “sugestões” implicam mudanças substanciais
na estrutura da pesquisa, mas é preciso vê-las com o oportunidades
para correções e não com o perfeccionism o ou preciosism o por
Antonio Carlos Xavier
parte de quem as apresentou. Para absorvê-las, o pesquisador terá
que revisar suas anotações, reler ou ler novos livros para atender às
novas orientações que só visam à melhoria do projeto. Sem dúvida,
para a maioria das pessoas, a escrita é m esm o a etapa mais difícil
de todo o projeto. Ficará mais com plexa ainda, se o pesquisador
não escreve com frequência, nem lê habitualmente.
V ejam os a seguir um exem plo de cronograma de trabalho
para perceberm os com o ele é im portante na visualização total do
em preendim ento investigativo a realizar:
02
Ações /P erío d o (m eses)
01
S u b m is s ã o do P r o je to d e
p e s q u is a a o o r ie n t a d o r
X
E s c r it a d a F u n d a m e n t a ç ã o
T eórica
X
X
C o le ta d e d a d o s
X
X
03
A n á lis e e d is c u s s ã o d o s d a d o s
E s c r it a d a M o n o g ra fia
X
X
04
05
X
X
X
X
06
X
E sse c ro n o g ra m a se r e fe r e ao te m p o n o rm a lm e n te
program ad o à execução e apresen tação de um Trabalho de
Conclusão de Curso (T C C ) ou de monografia de graduação e
especialização. N estes casos, são seis meseS ou um sem estre letivo
que tem em m édia quatro m eses de duração para a execução do
projeto previamente construído e aprovado pelo orientador.
Para o curso de m estrado, o tem po total é de 24 m eses que
abarcam desde o cum prim ento dos créditos até a defesa pública
Coma fw ze* c apwôentcuc ViaÂaíhas científicas em euentas acadêm icas
da dissertação. Para o doutorado, o prazo total é de 48 m eses a
partir do ingresso do doutorando no program a de pós-graduação
até a defesa final da tese. Há no regulam ento de cada program a de
pós-graduação strito sejisu possibilidades de prorrogação mínimas
desses prazos. N ão é bom contar com prorrogações, pois m uitos
program as preferem não conceder extensão de prazo para não
prejudicar seu conceito no processo de avaliação trienal feita pelos
consultores da CAPES.
i) Referências
São to d o s os livros, artigos cien tíficos, en ciclopédias,
dicionários, sites da Internet, jorn ais de notícias, periódicos
especializados im pressos ou digitais que foram efetivam ente
consultados e citados no projeto e no trabalho científico. A regra
de ouro sobre com o fazer referências é “ se citar, referencie,
se referenciar, cite.”
Estas são, pois, as partes imprescindíveis a todo projeto
de pesquisa acadêmico (dados de identificação, resum o, tem a,
p ro b lem a de p esq u isa, ju stific a tiv a , o b jetiv o s, h ip ó tese de
trabalho, fundamentação teórica, m etodologia e referências). São
elas que caracterizam esse gênero textual com o pertencente ao
domínio acadêmico, por isso são obrigatórias em toda intenção
de investigação com esta natureza.
E sem pre bom lem brar que a linguagem exigida pela
academia para projeto de pesquisa é a norm a padrão da Língua
Portuguesa. D evem os buscar a sobriedade na escrita deste texto,
esforçando-nos para serm os objetivos, enxutos, e ponderarm os a
utilização de adjetivos e advérbios modais que venham a antecipar
resultados ou que revelem m uito entusiasmo pelo tema.
Antonio Carlos Xavier
Sugerim os que o rascunho da redação do relatório final
da pesquisa seja iniciado tão logo o projeto seja aprovado. Há
fases previstas no projeto que podem ser antecipadas com o, por
exem plo, a escrita das resenhas que farão parte da Fundamentação
T eórica do trabalho não depende da coleta dos dados. T oda
a anotação sobre o em preendim en to acadêm ico em curso é
im portante e precisa ser feita de m odo claro para ser aproveitada
com o texto definitivo no relatório final a ser defendido diante de
especialistas da área.
I
P ar
É hora de pensar um pouco sobre o que foi estudado nesta parte do
livro. As atividades a seguir devem ser efetuadas preferencialmente
em dupla cujas respostas devem ser apresentadas e discutidas com
toda a classe.
R esponda:
1. Qual a principal diferença entre tema e problema?
2. O que distingue a justificativa do objetivo em um projeto de
pesquisa acadêmico?
3. Procure um Projeto de P esq u isa -disponível na Internet ou em
bibliotecas universitárias. Em seguida:
a) Verifique se todas as partes que compõem um projeto de
pesquisa estão presentes;
b) Analise se elas estão bem definidas e articuladas;
c) Escreva um parecer com 10 a 15 linhas avaliando a viabilidade
técnica, ética e científica do projeto escolhido.
87
Como fxvzex e apvesentwi VtaâaCfías científicas em eventos acadêm icas
G ênero acadêm ico:
Resumo
Resum ir é um a estratégia de atalho mental utilizada por
todo ser humano. A lei do m enor esforço nos leva naturalmente
à simplificação, redução e concisão em quase tudo que dizemos ou
escrevem os na vida. N ão há tem po a perder, por isso precisam os
ser diretos, concisos, condensados. Essas são as características
que devem estar presentes no resumo de todos os trabalhos
científicos. N ele, o autor precisa dizer m uito em poucas palavras
e ao m esm o tem po atiçar a curiosidade e o interesse do leitor para
ler o trabalho com pleto.
N a vida acadêmica, estam os o tem po todo tentando extrair
a essência de um a aula, de um texto , de um livro. N a academ ia,
o resumo é um gênero textual cujo p ropósito com unicativo
é sintetizar as principais ideias expostas pelo autor, p or isso
é o b rig ató rio em Trabalho de C onclusão de C urso (T C C ),
M onografia de especialização, A rtigo científico, D issertação de
m estrado e T ese de doutorado.
Resumo é um texto-derivado, só existe em íunção de um
texto-Jonte, que tem com o finalidade fazer um a exposição seletiva
e sintética da proposta central contida em um texto-Jonte.
Em termos gerais, todo resumo, para fins acadêmicos, deve:
Apresentar o conteúdo do texto deforma breve e clara sem
suprimir:
• O bjetivos do trabalho;
• M etodologia utilizada;
Antonio Carlos Xavier
• T eorias que fundam entaram as análises e
• Resultados alcançados pela pesquisa;
• Dados quantitativos e /o u qualitativos do texto-Jonte-,
Podem os, assim , dizer que o resu m o é um gênero textual
que deve fornecer um a visão geral do que trata o texto-fonte. Por
isso, ele é bastante adequado para noticiar o cerne dos trabalhos
literários e científicos, a espinha dorsal dos manuais didáticos e o
foco central dos relatórios de atividades profissionais executadas
no m undo corporativo ou intelectual'.
Provavelmente há m uitos estudantes universitários e alguns
até m esm o na pós-graduação que já fizeram a seguinte pergunta:
Comofaço um resumo? Antes de iniciar a síntese do texto-Jonte, o
resum idor deve buscar, na leitura, respostas a quatro questões
básicas relativas ao texto-Jonte:
1. A que gênero pertence?
2. Q uem é o autor?
3. Em que veículo foi publicado?
4. Q ue ano foi publicada sua prim eira edição?
Sabendo o gênero do texto -Jonte, fica mais fácil entender
o propósito com unicativo do autor ao escrevê-lo, já que todo
gên ero te x tu al é escolh id o tam bém com base na intenção
com unicativa de qu em o p ro d u z. C o n h ecer um p o u co da
bibliografia do autor tam bém ajuda a encaixar o resu m o na
perspectiva do tem a e do estilo de escrita já revelados em outras
publicações do autor, cujo texto será resum ido.
Como fcvz&i e ap*e*entw t Vta&alfio* científico* em evento* acadêm ico*
O veículo influencia o form ato do texto e seus leitores
pretendidos. D ependendo do suporte, o texto ganha outros
co n to rn o s, d im en sões e novas se m io ses. P or e x e m p lo , se
publicado na Internet, o texto passa a ser um potencial hipertexto,
o que significa poder m esclar sem ioses diversas, além da verbal,
com o imagens dinâmicas (ícones animados e vídeos) e acoplar
sons. D e outro lado, se o texto-alvo, o resumo, for escrito para ser
publicado no suporte digital, ele tam bém ganha possibilidade de
condensação de inform ações específicas pela condição técnica
de inserção de links sobre palavras. O s links, p o r sua vez,
encam inham o leitor para outro h ip ertexto , sugerindo-lhe,
então, um detalhamento da inform ação. N a Internet, construído
hipertextualmente, o resum o assume a dupla função de encapsular
inform ações do texto-alvo e estendê-las.
E im portante nos inform arm os sobre o ano da prim eira
edição da obra a ser resum ida para não atribuirm os ao seu autor
afirmações já revistas e corrigidas p or ele m esm o em edições
p o ste rio re s da m esm a o bra. N e ste caso , os d esatu alizad os
serem os nós e não o autor da obra resum ida.
D epois de respondidas as essas indagações iniciais, deve o
resum idor abordar a obra p or sua quarta capa, ou seja, as costas
do liv ro . Lá seu autor ou editor escreveu um texto curto com a
proposta central da obra e indicações das áreas às quais o livro
diretam ente interessaria a priori. Em seguida, deve o resum idor
verificar o sum ário, já que nele está a sugestão da sequência de
leitura sugerida pelo autor que o fez progredir naquela o rd em .
Só depois disso o produ tor do resum o poderá atacar o texto-Jonte
com “unhas e dentes” .
90
Antonio Carlos Xavier
C om isso querem os salientar que toda obra a ser resum ida
precisa ser lida atentam ente pelo m enos duas vezes.
N a Prim eira L eitu ra, o resum idor deve:
a) F a z e r u m e s b o ç o d o texto-Jonte, b u sc a n d o
m apear o plano geral da obra e a estrutura do seu
desenvolvim ento ;
b) Procurar respostas às perguntas:
•
De que trata o texto?
•
0 que o autor pretendeu Ja z e r no texto: dejender,
demonstrar, provar?
As respostas a essas questões vão dar ao resum idor acesso
ao cerne do texto . C om preenden do a essência da obra, ele
poderá comunicá-la ao leitor do seu resum o com mais convicção.
Por isso, nunca devem os iniciar a escrita de um resumo cuja
essência ainda não foi com preendida. N ão podem os recontar
um a história ou ex p o r um a ideia que ainda não a entendem os
com pletam en te.
Já na Segun da Leitura, o produtor do resum o tem que:
a) Verificar os argum entos principais, as explicações e
os exem plos usados que dão sustentação ao propósito
com unicativo do autor;
b) Identificar o estilo de escrita do autor de m aneira
que resu m id o r con siga red izer, com as próprias
'palavras e dentro do seu próprio estilo, os conteúdos
im portantes da obra.
Coma fwz&i e apteseniw i ttxdiciíJwi científica} em eventos acculêmicaõ
N a construção de resum o, normalmente o resum idor utiliza
inconscientem ente algum as estratégias cognitivas, conform e
m ostraram os resultados de pesquisas feitas p or estudiosos do
tem a. Segundo esses estudos, são duas as estratégias m entais
mais em pregadas no processo de sum arização:
1. Seleção das_inform ações im portan tes do conteúdo
lido —nele o resum idor identifica e escolhe os dados considerados
*
relevantes e elimina os ‘irrelevantes’ por m eio de duas outras
operações mentais que se concretizam no resum o:
a)
Cópia — que co n siste no ap ro v e itam e n to de
inform ações prim árias do texto-fonte;
b ) Apagamento — q u e su p rim e as in fo r m a ç õ e s
secundárias da obra;
2. C onstrução —substituição de um a sequência de frases
por outra por meio de paráfrases e reelaborações de enunciados.
As paráfrases ocorrem quando o resum idor utiliza duas outras
operações tais com o:
a) Generalização — su b stitu iç ã o de in fo rm a ç õ e s
particulares e detalhadas por inform ações de ordem
geral;
a) Acréscimo —reelaboração e adição de informações
por associação de significados;
C om o dissem os antes, estudos científicos dem onstraram
que a maioria dos que fazem resum o segue intuitivamente essas
estratégias cognitivas. U m a vez conhecendo-as e utilizando-as
Antonio Carlos Xavier
con scien tem ente, será possível p rodu zir sum arizações m ais
adequadas e eficientes.
Para exem plificar com o e quais as estratégias cognitivas
podem ser utilizadas para a produção de resum o, leiam os o textofonte inicialm ente e o texto-alvo posteriorm ente.
■
Leitura: uma coemmciação
Nos últimos anos, sob a influência da Cicncia da linguagem, a
leitura passou a ser vista como uma prática social, uma atividade de
linguagem, em cujo processo se encontram presentes tanto os aspectos
relacionados à capacidade simbólica humana quanto à interação.
Nesta perspectiva, o ato de ler é concebido como um processo
interacional entre autor e leitor, mediado pelo texto, envolvendo
conhecimentos (de língua, de mundo) por parte do leitor, para
que haja compreensão (KLEIMAN, 1989). Ou seja, a leitura não
é um processo mecânico-e o leitor não c um elemento passivo. No
processo de leitura, o leitor realiza um trabalho ativo de construção do
significado. Ler, portanto, não é apenas extrair informações, é, antes
de tudo, compreender e negociar sentidos. Embora o texto tenha sua
existência anterior à leitura, o sentido só é construído durante o ato de
ler em coconstrução com o autor a partir dos elementos linguísticos
disponíveis na superfície textual.
Este trabalho de coconstrução do sentido torna-se possível
porque o texto não é algo fechado em si mesmo. Como bem coloca
Eco (1986, p. 42) “não há nada mais aberto que um texto fechado”.
O texto não diz tudo de forma objetiva, antes, ele é marcado pela
incompletude, por espaços em brancos a serem preenchidos pelo leitor
e por isso “todo texto quer que alguém o ajude a funcionar” (ECO,
Como. faxex. e apteséntwc Viaãalfuu científico-s em evento> acadêm icos
1986, p. 37). O texto só se completa como ato de leitura quando
é atualizado, ou seja, quando é operado não só linguisticarrjente,
mas também tematicamente por um leitor. Ao ler, os diversos
conhecimentos do leitor interagem com os inscritos no texto, cuja
sincronia entre estes dois produzem um sentido possível e não
paradoxal. Ao fazer isío; o leitor se remete a outras leituras já feitas
em outros textos. Neste processo, ele recria o lido e desvenda o
que se oculta no texto (BRANDÃO & MICHELETT1, 1997). Os
sentidos de um texto, portanto, não são dados a priori. A atribuição
da significação baseia-se na colaboração mútua, na interação autortexto-leitor. (MARCUSCH1, 1988.)
De acordo com o semioticista italiano Umberto Eco, tal
interação está presente desde a construção do texto pelo autor, pois
“gerar um texto significa executar uma estratégia de que fazem parte as
previsões do movimento de outros” (1886, p. 39). Neste movimento
de produção do texto, o autor não apenas pressupõe a competência
do leitor, mas também a institui. Está posto, nesta perspectiva, um
movimento dialético na leitura, pelo qual o leitor “conforma” o texto
e o texto “forma” o leitor. Isto ocorre na medida em que o autor
utiliza-se de estratégias textuais através das quais “orienta” a leitura
do texto, tendo em mente um determinado “leitor-modelo”. E ao
mesmo tempo, o leitor, através de um trabalho ativo, utiliza-se de
seus conhecimentos, sejam de mundo sejam linguísticos para imprimir
sua marca pessoal ao interpretar o texto.
No entanto, segundo Maingueneau (1996), alguns limites
são colocados e o leitor encontra-se inserido em dois movimentos:
expansão e filtragem. Por possuir lacunas, o texto permite a expansão
de diversos sentidos, mas ao mesmo tempo o leitor filtra e seleciona
a interpretação pertinente.
Antonio Carlos Xavier
Nesta concepção, a leitura é um processo de coenunciação e
por isso contrapõe-se a uma concepção de leitura enquanto uma mera
decifração de um código. Entender a leitura como coenunciação é
concebê-la como “o diálogo que o autor trava com o leitor virtual,
cujos movimentos ele antecipa no processo de geração do texto e
também como atividade de atribuição de sentido ao texto promovido
pelo leitor no ato da leitura”, de acordo com Brandão e Micheletti
(1997, p . 21).
Conceber a leitura enquanto prática enunciativa, marcada pela
interação autor-texto-leitor, implica negar a existência de apenas uma
estratégia de acesso ao material escrito. Os indivíduos utilizam formas
diversas de leituras de acordo com os seus objetivos, conforme seu
grau de letramento, e também a partir das práticas discursivas a que
ele tem acesso.
Carm i F erraz, texto inédito.
R e su m o : A leitura é um processo de interação entre
autor e leitor via texto, que envolve conhecimentos (de
mundo, de língua) do leitor para compreendê-lo. Ler é
negociar sentidos. E por isso que Eco diz que“todo texto
quer que alguém o ajude ajuncionar”. A atribuição da
significação baseia-se na parceria autor-texto-leitor.
Este expande e filtra informações para instaurar o
diálogo com o autor. Logo, a leitura, na perspectiva
enunciativa, exige mais do que decodijicação de
símbolos, demanda colaboração do leitor a partir das
pistas deixadas nele.
Cama fwzm e apxe.sentxvctwahatfiat cientificai em metiUo acadêmica->
As estratégias cognitivas citadas foram utilizadas na elaboração
deste resum o de form a sistem ática. O u seja, não precisam os
localizar cada um a daquelas estratégias na sumarização anterior
para verificarmos sua presença eficaz. Basta lerm os o texto-fonte e
com pararm os com o texto-alvo, para perceberm os que há seleção de
informações por m eio de_operações de cópias e apagamentos, bem
como constatamos ampliações de conteúdo realizadas pelo resumidor
ao recorrer a paráfrases, generalizações e acréscimos de informações.
E bom lem brarm os que no resum o devem os evitar adjetivos
e advérbios para não ocuparem espaço d esnecessariam ente.
Podem os usá-los apenas em situações cujo sentido pretendido
pelo autor fique obscuro ou ambíguo sem eles. Em contrapartida,
devem os preferir substantivos, verbos nominais (ser, estar) que
servem para descrever, definir e conceituar elem entos. Tam bém
devem os procurar inserir verbos de ação no presente (envolve,
quer, ajude, realiza, baseia-se, exige, damanda etc.) que im prim em
convicção e atualidade ao fato resum ido.
A norma padrão da Língua Portuguesa é o nível de linguagem
esperado na produção de um resum o de obra acadêmica. Portanto,
a formalidade no trato da língua e a sobriedade na formulação
sintático-semântica precisam ser garantidas por m eio de um estilo
de escrita direto, enxuto e elegante.
♦
G ênero acadêm ico:
Resenha crítica
É um gênero textual que circula tanto nos centros acadêmicos
quanto nas seções de cultura de jornais e revistas em suporte
im presso e digital. Seu propósito comunicativo é avaliar vícios
Antonio Carlos Xavier
e virtudes de um a obra artística ou científica. Ela realiza análises
sobre a forma e o conteúdo das sete artes universais compostas pela
literatura, música, dança, escultura, pintura, teatro e cinema.
A apresentação pública em auditórios, teatros, palcos, salas
de concerto ou galerias de um a dessas artes gera a necessidade
de produção de uma resenha crítica. Geralm ente ela é escrita por
um especialista na arte em foco e tem com o um de seus objetivos
divulgar o lançam ento e instruir o público em geral sobre a
qualidade da recém-lançada criação artística ou científica.
Logo, podem os concluir que toda resenha pressupõe análise.
Mas, o que é analisar?
Essa pergunta é muito importante, pois no campo acadêmico
análise é um a das principais atividades realizadas por especialistas e
pesquisadores. Analisar é ler, observar, examinar cuidadosamente
um objeto ou sujeito, ação ou acontecim ento, dividi-lo em partes
para entender seu funcionamento separadamente.
N o caso de análise de obras escritas para produção de
resenhas, deve o produtor da crítica ler o texto até compreendêlo com pletam ente, a fim de adquirir um a visão do seu conjunto.
Em seguida, ele precisa destacar os elem entos mais im portantes
da obra e relacioná-la a outros textos e autores que trataram do
m esm o tem a da obra em análise.
Podem os dizer, então, que, antes de iniciar a escrita da
resenha, o resenhista deveria basicamente:
•
D om inar o tem a central em torn o do qual gira a
obra resenhada;
•
D eter inform ações sobre o autor, suas outras
obras e seu estilo de escrita;
Cama fa z e * e ap%eôenta£ Viaôatfias científicas em eventos acadêm icas
•
A presentar e discutir um a questão ou aspecto
p o lê m ic o trazid o p ela o b ra que ju stifiq u e a
resenha critica e a recom endação de leitura ou •
não do livro.
Em geral, um a resenha segue o m odelo tradicional de um
texto argum entativo. Há som ente duas teses a serem defendidas
pelo resenhista, que são: recom endar o livro ou reprová-lo.
A rgum entos em defesa dos posicionam entos contra ou a favor
da obra devem ser apresentados para justificar a assunção de
um a dessas posições.
A estru tu ra a ser im p lem en tad a na resenh a seguirá a
linearidade do raciocínio hum ano, ou seja, deverá apresentar
im plícita ou explicitam ente as três partes características de um
texto argum entativo. A resenha precisa progredir lentam ente a
fim de perm itir que seu leitor acompanhe a discussão e identifique
o objetivo do autor e a intenção do resenhista da obra.
N a In tro d u ção de um a resenha, devem constar:
•
O s dados sobre o autor e a obra;
•
O tem a e o problem a central discutido pelo autor;
•
A posição do autor sobre este problem a.
N o D esen volvim ento de um a resenha crítica, devem
aparecer:
•
As ideias centrais do autor da obra;
•
O s argum entos e ideias secundárias apresentadas.
N a C on clusão de um a resenha, são im prescindíveis:
Antonio Carlos Xavier
•
A avaliação das ideias do autor frente a outros
texto s sobre o tem a;
•
Apreciação da qualidade do texto , sua coerência,
validade, origin alidade, profun didade etc. de
m odo que fique claro para o leitor da resenha se
vale ou não a pena dar atenção à obra avaliada.
Salientamos que em resenhas sobre trabalhos científicos, ou
seja, aquelas que abordam resultados de pesquisa e expõem -se
teorias, o resenhista deve utilizar o nível form al de linguagem .
Seus com entários devem ser elaborados com frases na ordem
direta dos term os (sujeito + verbo + com plem entos), afirmações
objetivas e predom ínio de expressões denotativas. Já em resenhas
críticas sobre obras de arte em geral, a linguagem p ode ser
mais coloquial, com uso de expressões conotativas e advérbios
intensificadores. Em am bos os tipos de resenha, as regras da
norm a padrão da Língua Portuguesa devem ser obedecidas.
N ão é fácil resenhar, principalm ente textos teóricos, cujos
autores realizam m alabarism os intelectuais às vezes inacessíveis
aos principiantes no m undo universitário. Só a prática constante
aprim ora a qualidade do resenhista que se dedicar a esta arte.
D edicado ou não, é fato que todo universitário de graduação e
pós tem que produzir resenhas. Ela faz parte da Fundamentação
Teórica dos projetos de pesquisa e artigos científicos, bem com o
das m onografias, dissertações e teses.
O s m eios de comunicação em geral exploram bastante esse
gênero textual exatam ente para dar a conhecer os novos livros
e apresentações do show business com ou sem o aval de um
resenhista especializado na área. Q uem frequentem ente escreve
Como fa z e * c ap*te*entcvt txaâdCfio* cientifico* em evento* acadêm ico*
resenhas deste tipo são os jornalistas de livro que atuam no caderno
de entretenimento ou no suplem ento cultural do jornal.
Agora observe com atenção a resenha abaixo retirada de uma
revista semanal de grande circulação no Brasil que m antém uma
seção pela qual usa resenhas para com entar lançamentos de livros
pelo m ercado editorial brasileiro. Este é um espaço bem cobiçado
por editoras e autores, que m esm o recebendo duras críticas do
resenhista, valorizam a velha m áxim a segundo a qual: “falem mal,
mas falem de m im ” . Em outras palavras, o que im porta é estar
na mídia.
A americana Francine Prose mostra os
truques e as sutilezas que os bons escritores
usam para causar prazer nos leitores
Se você gosta de livros, certam en te já viveu aquele
m om ento em que um a página de Flaubert ou D ostoievski
provoca um arrepio de prazer —ou talvez aquele arrebatamento
que os grandes poem as causavam à escritora americana Emily
Dickinson: “Sinto fisicamente como se o topo da minha cabeça
tivesse sido arrancado” . Talvez você nem sempre consiga explicar
por que determinado autor, obra ou trecho provoca tamanha
com oção. Em um livro rep leto de entusiasm o, a escritora
am ericana Francine Prose dedicou-se a dissecar alguns dos
mecanismos empregados pelos escritores para arrancar o topo de
sua caixa craniana. Para Ler Como um Escritor (tradução de Maria
Antonio Carlos Xavier
Luiza X . de A. Borges; Jorge Zahar; 320 páginas; 4 4 ,9 0 reais)
dirige-se ao escritor iniciante que deseja aprender os truques
dos m estres. Mas também é um livro revelador para o leitor
comum.
Francine já deu aulas de redação criativa cm universidades
americanas, e seu livro reflete essa experiência. Ela conta como
foi apresentar A Marquesa d ’O. —novela do alemão Hcinrich von
Klcist que traz, entre outros temas escandalosos, uma insinuação
de incesto entre pai e filha — para uma turm a de jovens do
Utah, muitos deles m órm ons de v,otos. Mas Francine também
se m ostra cética em relação às regras que se tornaram comuns
nas oficinas literárias. Ela sugere até que as obras inovadoras de
Franz Kafka ou Samuel Beckett não seriam aceitas em classes de
redação criativa (se elas existissem quando aquelas obras vieram
à luz). Para Ler Como um Escritor é saudavelmente desprovido de
dogm as. Há infinitas maneiras de com por um diálogo ou de
caracterizar um personagem —e, portanto, é inútil baixar regras.
N o fim do livro, a autora sugere uma lista de “livros para ler
imediatamente” —obras m odelares da técnica literária (a edição
brasileira é com plem entada por uma lista de autores nacionais,
selecionada pelo poeta ítalo M oriconi).
A autora ensina pelo exem p lo. Apresenta trechos de
clássicos como Anton Tchekov ou de escritores contemporâneos
como' Philip Roth e disseca os recursos que fazem a superioridade
d esses te x to s. Francine tem sensibilidade para desencavar
detalhes que o leitor às vezes deixa passar, como a descrição
de uma gravura no quarto do protagonista de A Metamorfose,
,d e Kafka — um a minúcia realista que torna mais plausível a
transformação do personagem em inseto. O caso de Jane Austen,
no quadro da página ao lado, é igualmente expressivo: um trecho
Coma fa z e * e apteseniwt. twabaSJhas cientificai em eventos acadêm icas
cheio de dissimulações que tornam mais ferino o retrato de um
sovina. Para Ler Como um Escritor pertence à tradição de Aspectos
do Rom ance, do inglês E.M . Forster, e ABC da Literatura, do
americano Ezra Pound —obras em que os autores expõem seus
m odelos criativos. Francine, porém , é mais informal. Cultiva
um certo tom de conversa íntima —como quem busca seduzir
leitores de uma época que esqueceu o fascínio dos bons livros.
Jerônimo Teixeira —Secção: Livros: Revista Veja
(0 2 /0 4 /2 0 0 8 )
N ote que esta resenha faz uso de todas as características
estruturais apontadas acima. Há inform ações sobre a autora,
Francine Prose. Logo no prim eiro parágrafo do texto, o resenhista
aponta qual seria o tópico central da obra: discutir a questão
sobre com o os bons escritores provocam prazer nos leitores.
Essa resenha particularm ente não contraria qualquer ideia da
autora da obra.
N o texto, há muitos elogios velados e explícitos contidos em
expressões com o, por exem plo: “um livro cheio de entusiasmo”, “livro
revelador”, “saudavelmente desprovido de dogmas”, “ensina pelo exemplo”,
“sensibilidade para desencavar detalhes”. Tam bém são encontrados
nesta resenha problem atizações não sobre a obra com o um todo,
m as em tom o de tópicos que geram debates. Isso acontece quando
m enciona as expressões: “comoção”, “truque”, “redação criativa”,
indicação de “livros para ler imediatamente”, entre outros.
O resenhista discute se a tal “comoção” na leitura dependeria
só da qualidade do texto ou se seria um efeito da colaboração do
Antonio Carlos Xavier
leitor. Aponta a baixa qualidade da m aioria dos livros que dão
atalhos de com o se tornar um autor de sucesso; questiona ainda
a existência da bendita “redação criativa”, pois afirma que não se
sabe ainda exatam ente o que seria criatividade na escrita de um
texto. Segundo ele, há pessoas que defendem que a criatividade
dependeria do gênero textual. Por fim, o resenhista adverte que
a construção de um a lista com os m elhores livros já escritos até
o presente m om ento, ou seja, a construção de “cânone literário”
também tem sido fonte de muita arenga entre críticos de literatura
e intelectuais em geral.
(
N e s ta r e se n h a , p o d e m o s d e te c ta r ain d a a p o s iç ã o
(fav o ráv el) do resen h ista p o r m eio das e x p re ssõ e s citadas
acim a, m as principalm ente pela elaboração do título ( 0 Kama ­
sutra do texto). Aqui há um a clara referência in tertextual ao
livro m undialm ente conhecido com o “0 manual do sexo” . Este
livro ensina ao leitor com o extrair o m áxim o de prazer do ato
de copular. A com paração insinua que o livro resenhado faz o
m esm o, ou seja, ensina a autores iniciantes a gerar prazer no
leitor. N ele podem ser encontradas dicas de com o provocar e
sentir prazer com a produção e a leitura de narrativas, conclui
o jornalista de liv ro s3.
C ertam en te, o objetivo do resenhista do texto-fonte foi
d esp ertar a curiosidade e convencer seu leitor a adquirir a
obra. N o caso da resenha de teorias e trabalhos científicos,
3- Você percebeu que, na prática, os quatro parágrafos após a resenha usada como exemplo
funcionaram como resenha da resenha. Neles comentamos o modo de elaboração da resenha
feita pelo jornalista de livros. Veja como a resenha está muito mais próxima de cada um de
nós do que imaginamos. 0 comentário sobre nosso chefe, nosso empregado ou colega que
fazemos todo dia não deixa de ser uma resenha, já que sempre há uma afirmação seguida de
um comentário.
Cama fa z e * c apteôentwi Vtaõaifia* científica* em eaenta* acadêm ica*
a intenção do pesquisador que faz resenhas é levar o leitor a
perceber a pertinência ou a inconsistência das concepções e ideias
desenvolvidas p or tais propostas teóricas analisadas. A resenha
acadêm ica deve, p ortan to, ajudar o leitor a com preen d er o
caminho que será trilhado no processo de análise dos dados em
função dos objetivos apresentados na pesquisa científica.
N ão se tra ta de um g ê n e ro te x tu a l fá cil, m as to d o
pesquisador precisa dom inar o gênero resenha crítica, pois não
há pesquisa sem Fundam entação T eórica, nem Fundam entação
T eórica sem resenhas.
=
G ênero acadêm ico:
Artigo científico
E ste é um dos g ê n e ro s te x tu a is m ais u tilizad o s p ela
com unidade acadêmica para revelar novas descobertas científicas
e inovações tecnológicas produzidas nos laboratórios de pesquisa
e universidades. Ele é o mais legítim o dos docum entos para
anunciar resultados de estudos concluídos e a principal arena
para contestações a teorias e conclusões de pesquisa propostas
em outros trabalhos.
O s p e rió d ic o s e sp e c ia liz a d o s, n o rm a lm en te re v ista s
editadas em versão im pressa ou digital por entidades científicas,
são o locus por excelência para a veiculação de um artigo científico.
Só depois de publicado em um a revista ou jornal científico de
renom e acadêm ico é que um artigo sobre um a nova teoria ganha
credibilidade dos pares e respeito da sociedade em geral.
Entretanto, para ser selecionado, o artigo precisa obter
p arec er favo ráv el dos m e m b ro s do conselh o ed ito rial que
Antonio Carlos Xavier
com põem a revista. Pareceristas são os encarregados de julgar
o m érito do trabalho, analisando a qualidade form al do texto e
a relevância da contribuição da tese apresentada para o avanço
da área.
T o d o periódico adverte que os trabalhos subm etidos à
apreciação devem estar escritos em conform idade com suas
norm as internas de publicação e com as exigências da A B N T
para trabalhos acadêm icos.
C om o todo gênero textual, o artigo científico tem form as,
fu n ções e carac terístic a s que garan tem sua ex istê n cia e o
distinguem dos dem ais gêneros que circulam na academ ia. Ele
possui um a estrutura fixa de organização que mantém um a ordem
das partes fundamentais e perm item identificá-lo com o gênero
textual acadêm ico. V ejam os algum as dessas características:
Quanto à E stru tu ra Form al
T odo artigo científico deve obedecer a um a organização
fixa das partes que o constituem . A ordem obrigatória de seus
elem entos foi assim estabelecida:
1. T ítulo;
2. A utor(es);
3. Epígrafe (O pcional);
4. R esum o e Abstract;
5. Palavras-chave;
6. C onteúdo (introdução, desenvolvim ento e
conclusão);
7. Referências.
aos
Cama fxvzex, e apresen ta* txaâaCííos científicos em eventos acadêm icas
*
Título do trabalho
Precisa traduzir a essência da pesquisa. Para isso, ele deve
antecipar resu ltad o s e ex p licitar o objetivo da investigação
realizada. O título bem elaborado pode atrair o interesse do
leitor; já um título mal feito pode repelir seu possível leitor,
p or isso sua grande im portância no artigo científico. O ideal é
que o título tenha entre três e sete palavras, pois assim fica mais
fácil m em orizá-lo para utilizá-lo com o referência em trabalhos
acadêm icos futuros.
*
Autor(es)
O (s) nom e(s) d o(s) autor(es) do. artigo deve(m ) aparecer
logo após o título juntam ente com as inform ações sobre titulação
e instituição a que p erten ce(m ). Q uando o artigo é enviado
digitalm ente para a apreciação de p areceristas, o ed ito r do
periódico se encarrega de ocultar a autoria e a instituição para
garantir o anonimato. Dessa forma, busca-se evitar que o nome do
autor do artigo subm etido à apreciação do parecerista influencie
na avaliação do m érito 4 ° trabalho. G eralm ente um m esm o
artigo é avaliado por dois pareceristas que não são inform ados
sobre a autoria do texto nem tam pouco o autor sabe quais foram
seus pareceristas. Esse sistem a é chamado de “duplo cego” . Ele
garante ao autor m ais igualdade de condições no julgam ento do
trabalho e resguarda a im agem dos pareceristas.
*
EP W af e
T rata-se da in serção de um a citação acom panhada da
indicação da autoria e deve estar relacionada à tem ática do
trabalho que tem a intenção de identificar o autor da epígrafe
Antonio Carlos Xavier
com o autor do artigo e em prestar a autoridade intelectual
daquele ao texto deste. A epígrafe não é obrigatória, m as, bem
escolhida, pode funcionar com o um a hom enagem e agregar ao
artigo erudição e respeito.
•
Resumo
U m a boa síntese do que trata o artigo deve configurar
logo abaixo da identificação da autoria do texto. Em geral são
exigidos um resum o (R esum o) em português e outro em inglês
(Abstract). Além dessas duas línguas, há periódicos que o exigem
em língua francesa (R ésum é) e / o u língua espanhola (R esum o).
Lem brem os que o resum o deve conter a essência do trabalho
de m odo a atrair a atenção do leitor para conferir os detalhes da
pesquisa e optar pela leitura com pleta do artigo. Por isso, no
resum o devem ficar evidentes: objetivo, m étodo, discussão dos
resultados e conclusão.
•
Palavras-Chave*
São as palavras prin cip ais de um trabalh o cien tífico .
N orm alm en te são, no m ínim o, três, e seis, no m áxim o, as
palavras ou expressões que com põem essa parte do artigo. Elas
precisam revelar os tem as centrais abordados pelo trabalho,
porque serão indexadas a bancos de dados de bibliotecas e sites
de busca da web.
•
Introdução
N e la o a u to r a p re se n ta u m a v isão g e ra l do te m a e
contextualiza o leitor sobre o problema de pesquisa, justificando
assim a im portância histórica, social, política e /o u económ ica da
a©7
Como fwz&t e apveôentdk VíaâaíAo* científica* em evento* acadêm ico*
investigação. H ipótese e objetivos a que a pesquisa visou atingir
tam bém devem ser colocados nesta parte inicial do trabalho. Sua
função é esclarecer ao leitor o conteúdo tratado no artigo'.
•
Desenvolvimento
Parte principal do te x to que deve conter inform ações
detalhadas sobre o método e material utilizados na execução da
pesquisa, ou seja, quais foram os instrum entos e as form as de
coleta do corpus. N ele deve ser exposta a quantidade de o b je to s/
su je ito s, p reviam en te selecion ad o s para serem exam in ados
pelo pesquisador. D eve conter inform ação de quando (tem po,
p erío d o ) a coleta de dados aco n teceu , onde (lu gar, espaço
físico ou virtual) foi recolhida a am ostra am pla e por que foram
escolhidos tais o b jeto s/su jeito s e não outros para constituírem
a amostra restrita realm ente analisada;
F azem p a rte d o d e se n v o lv im e n to as r e se n h a s e a
d iscu ssão d o s d ad os. C om o vim os, resen h as são discussões
e críticas sobre as teorias que dão apoio às análises dos dados.
Este é o lugar reservado para os com entários sobre a aplicação
satisfatória ou ineficiente de um m odelo teórico-explicativo sobre
um dado fenôm eno focalizado na investigação. Tudo que foi dito
sobre a resenha enquanto gênero acadêm ico anteriorm ente se
aplica aqui tam bém .
Q uanto à d iscu ssão d o s resu ltad o s, constitui-se com o
a parte dem onstrativa do trabalho científico, pois nela devem
constar as descrições do corpus em palavras e por figuras, gráficos,
tabelas, quadros resumitivos e num éricos. Devem conter também
as explicações do com portam ento dos dados à luz das teorias de
apoio e as inferências extraídas das observações realizadas.
Antonio Carlos Xavier
•
Conclusão
E ste é o lu g ar m ais a d e q u a d o p ara os c o m e n tá rio s
interpretativos do pesquisador a partir dos resultados obtidos
na análise e apresentados na investigação. Ele confronta estes
resultados com os objetivos da pesquisa previamente estabelecidos
e conclui se conseguiu alcançá-los. Nestas considerações finais, ele
deve indicar as com plem entações a serem feitas à pesquisa, caso
ela possa continuar posteriorm en te e apontar as contribuições
práticas e teóricas da investigação realizada.
•
Referências
São ap on tad o s aqui to d o s os au to res com os quais o
p esq u isad o r dialogo u duran te a con stru ção do trabalh o. E
im prescindível inseri-los no artigo, pois nada se constroi do
nada. T od os os hum anos são, de algum a form a, tributários uns
dos outros.
•
Apêndices, Anexos, índices e Glossários
São dados com plem en tares da pesquisa que devem ser
in serid o s, se n e c e ssá rio s, d ep o is das R eferên cias p ara ser
co n su ltad o s caso su rjam dúvidas no avaliador do trabalh o
científico ao longo da leitura.
Quanto à s funções sociais
A e sc rita e a p u b lic a ç ã o de um artig o c u m p re m os
seguintes papeis na sociedade em geral, e em especial, na esfera
acadêm ica:
Cama fa z e * e apresen ta* friaâaíííe* científica* em evento* acadêm ico*
•
Divulgação
O artigo inform a aos acadêm icos e à sociedade com o um
todo os avanços científicos e as inovações tecnológicas geradas
pelos estudiosos. Ele m ostra as ações realizadas nos laboratórios
das instituições de pesquisa, revelando as descobertas alcançadas
até o m om ento pela Ciência. Q uando ocorre a publicação de
algum resultado considerado revolucionário, a mídia se encarrega
de fazer rep ercu tir a novidade e de am pliar o im pacto que
ela poderá provocar na vida do cidadão. É dessa form a que a
sociedade conhece o que os cientistas estão fazendo e busca se
beneficiar das vantagens oferecidas pela Ciência.
•
Prestação de contas à sociedade
Ao m esm o tem po em que inform a à sociedade sobre as
novidades do m undo científico, o artigo serve para dar “feedback”,
apresentar satisfação dos produtos e p rocessos realizados dentro
dos ambientes acadêm icos. N o caso de pesquisas financiadas com
verbas públicas, a prestação de contas se torna um a dever legal,
além de m oral para com o contribuinte.
•
Notoriedade
C ertos periódicos gozam de prestígio entre os acadêm icos
pela história de seriedade e tradição de honestidade científicas
pelos procedim entos adotados para a publicação de artigos. Por
isso, algum as revistas acadêm icas são bastante disputadas pelos
pesquisadores porque agregam valor intelectual a quem tem
seus artigos publicados nestes periódicos. Juntam ente com o
autor, ganham prestígio o grupo de pesquisa a que pertence e a
instituição a que ele se vincula.
li©
Antonio Carlos Xavier
Sabem os hoje que a publicação é o m aior capital intelectual
para o pesquisador e para sua instituição. O índice de indexação,
isto é, a quan tidade de referên cias diretas às obras de um
d eterm in ad o au to r evidên cia a relev ân cia e p ro d u tiv id ad e
científicas de am bos. Por isso , atualm en te, a publicação de
trabalhos tem sido m uito valorizada pelos órgãos de fom ento à
pesquisa e avaliação de desem penho acadêm ico.
Q u an to à s c a r a c te r ís tic a s c o n c eitu ais
t
Podem os identificar os seguintes com o traços conceituais
que devem predom inar na escrita de artigo científico:
•
Impessoalidade
N orm alm ente se recom enda que o pesquisador redija o
texto em terceira pessoa do singular (preten deu-se, bu scou -se,
conclui-se, verificou-se, constatou-se) ou até m esm o na primeira
pessoa do plural —n ós —(preten dem os, buscam os, concluím os,
v e rific a m o s, c o n sta ta m o s). H o je têm sido m u ito co m u m
grupos de pesquisadores trabalharem em projetos integrados e
publicarem juntos os resultados de suas investigações. Isto em
parte justifica o uso do pronom e de prim eira pessoa do plural
—n ó s — nos tex to s científicos.
Ambas as form as de tratam ento são usadas para sugerir ao
leitor a existência de um distanciam ento do pesquisador para
com o objeto pesquisado. O uso da prim eira pessoa do singular
— eu — deixaria o te x to m u ito centralizado nas con clusões
pessoais do pesquisador, que, p or m eio desse pronom e, poderia
transferir para o trabalho suas im pressões pessoais e não um a
aia
&umi fw ze* e ayizsentaK Viabaíhvô cientificai ein eventos acadêm icas
análise isenta e neutra dos dados. Aliás, m uitos acadêm icos que
realizam pesquisas em ciências humanas e aplicadas utilizam o
pronom e de prim eira pessoa do singular sem qualquer receio*.
A rgu m en tam que “em to d a p esq u isa cien tífica há sem p re
interesse pessoal em jo g o ” , logo não seria o em prego de um a
form a pronom inal que garantiria a neutralidade na análise e
conclusão da investigação.
E m bora saibam os que a neutralidade é um a ilusão em
qualquer esfera da atividade humana, incluindo a esfera acadêmica,
é preciso expressar textualm ente tal intenção. Q uanto m enos
personalizado for o artigo, mais sensação de credibilidade ele
passará ao leitor. Além disso, há m om entos na escrita do texto
acadêm ico que o em prego da prim eira pessoa do plural —n ós —
transform a o leitor num autor virtual das ações e descobertas ali
reveladas, o que é bom . N este caso, o uso da prim eira pessoa do
plural funciona com o um a estratégia argum entativa para atrair a
adesão às teses e argum entos defendidos pelo autor.
•
O bjetividade
,
Em conform idade com a característica anterior, aconselhase a to d o p e sq u isa d o r que se m p re expo n h a os re su lta d o s
da investigação de m od o d ireto, claro e sem dar m argem à
d upla in terp retação . T o d o bo m p erió d ico in form a quantas
páginas m ínim as e m áxim as ou quantas palavras m ínim as e
m áxim as devem com por o artigo para ser publicado. O artigo
cien tífico deve dizer de m o d o com p acto o que a pesq u isa
objetivou fazer, a que resultados a investigação chegou e quais
as im plicações positivas o estudo trou xe para a área e para a
sociedade. N ão convém , portanto, fazer m uito detalham ento do
3LIL2
Antonio Carlos Xavier
caminho percorrido durante a investigação, pois o excesso de
detalham ento em quaisquer partes do artigo pode gerar perda
de foco e dispersão no leitor. Ser relevante, ir direto ao ponto
é um a atitude que se espera de um articulista acadêm ico.
É possível conseguir certa objetividade no texto recorrendo
à ordenação direta dos term os na frase. Esse esforço de preservar
a objetividade na pesquisa se m o stra quando o p esq uisad or
seleciona cuidadosam ente as palavras e as organiza bem no
enunciado. Por isso, ele deve usar sem pre o posicionam ento
“lógico” dos elem entos que constituem a frase. Essa disposição
das palavras no texto foi denom inada “lógica” porque tem com o
princípio inform ar:
Quem fez o que, quan do, onde, com o e p o r quê?
O rdenada dessa m aneira, a chance de dúvidas é atenuada.
Por isso, recom endã-se ao p ro du to r de artigo científico que
prefira a ordem d ireta dos term os na frase, cuja outra maneira
de representá-la é a seguinte:
su jeito + verbo + com plem ento + advérbio
E x .l: Nós analisam os as dificuldades de compreensão
textual nos estudantes do ensino médio brasileiro.
N o exem plo 1, o sujeito (Nós) antecede o verbo (analisamos)
que pede um com plem ento para fazer sentido; neste caso, um
objeto d ireto , ou seja, sem a interm ediação de um a preposição.
Gama fa z e * e apiesentw t budkdâas cientificai em eveiites acadêm icas
O objeto direto (as dificuldades de compreensão textu al), em bora
seja com posto p or cinco palavras, seu núcleo é um substantivo
(dificuldades). As demais palavras que o acompanham são adjuntos
adnom inais (as, textual) e, com plem ento nom inal (com preensão).
N o final do enunciado, há palavras que acrescentam circunstância
(nos estudantes do ensino médio brasileiro) . Tais palavras com põem
o que gram aticalm ente denom inam os de adjunto adverbial.
A p e sa r d e u s a r m o s t e r m o s té c n ic o s da g r a m á tic a
norm ativa, não precisam os conhecer a nom enclatura gram atical
para organizarm os adequadam ente os elem entos que com põem
a frase a fim de conseguir os efeitos de objetividade e clareza
no texto. M uitos escritores fam osos já revelaram que usam a
escrita intuitivam ente, ou seja, não reconhecem ou identificam
os term os por seus nom es técnicos. N em p or isso deixam de
escrever bem e serem prem iados por literatas e pelo público
leitor ao adquirirem seus liv ro s.
Todavia, na escrita de artigos científicos, devem os ficar
atentos para evitar as inversões de term os no enunciado e as
orações intercaladas, aquelas que vêm entre vírgulas. Inversões
e intercalações de orações podem dificultar o processam en to da
inform ação na m ente do leitor.
Por ex em p lo , será desaconselhável ao au tor de artigo
científico elaborar o enunciado da seguinte form a:
Ex.2: Com o objetivo de propor atividades pedagógicas que
ajudem os alunos a lerem com mais p r o f ciência textos, será
f e ita esta pesquisa.
Autor de trabalho científico em geral deve evitar enunciados
na ordem inversa das palavras na frase, tal com o apareceu no
ILÍL4
Antonio Carlos Xavier
exem plo 2. Ele deve preferir sem pre a ordem direta, com o
m ostra o exem plo 3 a seguir, a fim de tornar as inform ações do
enunciado m ais transparentes e nítidas. Veja agora o enunciado
reelaborado na ordem “lógica” dos term os.
E x .3 : A pesquisa tem como objetivo propor atividades
pedagógicas que ajudem os alunos a lerem textos com mais
proficiência.
Outros elementos constitutivos do artigo cientijico
9.
•
Vocabulário Técnico
É im portante o pesquisador em pregar, no artigo científico,
a term inologia própria da área a que se vincula, tendo em vista
que escreve predom inantem ente para seus pares cientistas que
já dom inam a term inologia. D e acordo com o ponto de vista
teórico adotado, os term os precisam estar bem definidos no
texto para evitar confusões conceituais que possam pôr todo o
artigo a perder.
A convivência do pesq u isad o r com os pares levam -no
naturalm ente à aquisição do cham ado ja rg ã o profission al.
Entre outras funções, o jargão serve para:
• M anifestar o nível de conhecim ento dos conceitos
utilizados pelo pesquisador e do dom ínio científico
em que atua;
• Ratificar a identificação do pesquisador com os
dem ais m em bros da com unidade acadêm ica a qual
pertence ou quer se integrar; e
Mg
Como. fwLvi e opieaentoi piaÉalhas científicos em eventos acadêm icos
• Abreviar explicações sobre conceitos e procedimentos
longos, garantindo mais precisão ao significado de uma
determinada palavra empregada com muita frequência .
entre os profissionais da área.
O dom ínio do jargão profissional só virá com as leituras de
outros artigos científicos da área, com a convivência com os pares
e tam bém com a escrita constante de artigos sobre as tem áticas
que povoam o setor da ciência em que o pesquisador trabalha.
•
Recursos Ilustrativos
Com o avanço das tecnologias de informação e comunicação,
há hoje um a infinidade de recursos sem ióticos à disposição que
não podem ser ignorados, principalmente pelos profissionais que
trabalham com linguagem , educação e com unicação.
As tecn ologias facilitam a explicitação de inform ações
im portantes da pesquisa, além de poupar espaço e tem po de
leitura, já que um a im agem ou gráfico pode ser mais esclarecedor
do que um a página inteira de texto. U sar apenas palavras na
co m p o sição de um artigo* p o d e to rn á-lo p o u co atraen te e
cansativo. N ão se trata de enfeitar o texto , m as increm entálo com instrum entos que potencializem a clareza e elucidem
as inform ações. Por isso, todo pesquisador precisa conhecer
e utilizar o potencial com unicativo dos recursos tecnológicos
diversos disponíveis atualmente com o: figuras e ícones animados,
gráficos em três dim ensões, tabelas coloridas e interativas, vídeos
e até áudios.
Enfim , há m uita tecn ologia eletrôn ica e digital hoje à
espera da criatividade do p esq uisad or. C abe a ele aprender
116
Antonio Carlos Xavier
a m anuseá-la a fim de realizar suas investigações com m ais
eficiência e com unicar aos seus pares e à sociedade em geral
suas surpreendentes descobertas com a m áxim a explicitude e
objetividade para que todos possam se beneficiar dos avanços
da ciência.
•
Videoartigo
Trata-se de um a nova m odalidade de produção de pesquisa
e publicação de artigos científicos que foi lançada em dezem bro
de 2006 nos Estados U nidos. O Journal o j Visualized (JO V E ) foi
o prim eiro periódico am ericano a adotar, em âmbito mundial, a
técnica de publicar artigos com vídeos inseridos. Além do texto,
que segue a m esm a estrutura de um artigo científico tradicional,
há imagens gravadas dos experim entos realizados com o objeto de
pesquisa. Sua principal vantagem é ampliar a reprodutibilidade dos
experim entos, aumentando a credibilidade da coleta dos dados,
das análises e conclusões. Assistindo ao vídeo no artigo, fica mais
fácil para o leitor acom panhar as descrições e deduções derivadas
da observação do com portam ento do fenôm eno estudado.
A criação do videoartigo só foi possível graças à hipermídia,
que perm ite a convergência de mídias em um m esm o suporte de
inform ação. N este caso, têm lugar as linguagens verbal, visual e
sonora que se m esclam na tela do com putador online.
Por enquanto, a novidade tem sido mais utilizada pelos
pesquisadores da área de saúde. P orém , com o aum ento da
banda de transm issão de dados via Internet, a tendência é que os
editores de periódicos acadêm icos das dem ais áreas científicas
passem a adotar essa nova m odalidade de produção de pesquisa
e publicação de artigos científicos.
117
Como. fa z e * c apresentem txaâaífios científicos em eventos acadêm icos
■G êneros acadêm icos:
M onografia, D issertação e Tese
V am os tratá-los aqui em um m esm o blo co, porque são
gên ero s acadêm icos com m uitas sem elhan ças, em bora haja
algum as diferenças en treteles. As monografias, dissertações e teses
representam o produ to intelectual con creto que m aterializa
toda um a trajetória de pesquisa para a qual houve um grande
investim ento físico, m ental e financeiro do pesquisador.
A principal característica que a monografia, a dissertação e
a tese com partilham é a m on oau toria, ou seja, ser escrita por
um só autor. Todas devem ser trabalhos autorais, ainda que sob a
orientação de um pesquisador mais experiente, pois orientador não
é coautor. As sugestões e direcionam entos são parte do trabalho
dele, m as a decisão de adotá-los é do orientando, que assum e a
responsabilidade total sobre os rum os do seu trabalho.
T od os esses três gêneros acadêm icos devem respon der às
seguintes questões:
•
0 quefo i pesquisado?
•
Por quefo i pesquisado?
•
Para quefo i feita a investigação?
•
Comofo i realizada a pesquisa?
•
Quando ofo i?
•
Onde?
•
Com base em que teoria?
•
Que ganhos a pesquisa trouxe às sociedades científica e civil?
Antonio Carlos Xavier
A p resen tam os a segu ir um qu ad ro com as principais
características da m onografia, dissertação e tese. O objetivo é
fazê-lo visualizar os traços que distinguem esses três gêneros
acadêm icos m onoautorais:
Características
Monografia
Dissertação
Tese
Escolha do
tema e de sua
abordagem
Tema e
problema não
necessariamente
originais
O
Tema e
problema
originais pelo
menos quanto
à forma de
abordagem e à
conclusão
Tema, problema,
abordagem
e conclusão
necessariamente
originais
Nível de
abrangência e
profundidade do
tema
Média
Alta
Muito Alta
Quantidade
média de páginas
Entre 30 e 50
Entre 90 e 150
Entre 150 e 300
Forma de defesa
Pública opcional
, Pública
obrigatória
Pública
obrigatória
Coma fa z e * e apveAenta* t*aâaChoA científicaô em eventos acadêmico*
V ejam o s a g o ra os trê s g ê n e ro s te x tu a is a c a d ê m ic o s
separadamente, para com entarm os suas semelhanças e diferenças
práticas:
M onografia
C a r a c te r iz a - se p o r se r um tra b a lh o a c a d ê m ic o de
pequeno fôlego intelectual, pouca quantidade de páginas, sem
a necessidade de tratar um tem a e problem a inéditos, ou seja,
ainda não tratado p or outro pesquisador. Ela apresenta um nível
m édio de abrangência e profundidade na abordagem do tem a.
Por essas razões, fazer na m onografia um a discussão sobre
um tem a a partir de leituras bibliográficas sem análise de corpus
inédito é um p rocedim en to ainda aceito na produção deste
gênero acadêm ico. P orém , este m esm o procedim ento não é
aceito em dissertações e teses pela m aioria dos bons program as
brasileiros de pós-graduação stricto sensu.
A defesa pública da M onografia é um a atividade opcional.
Cada instituição acadêmica delibera em seu regim ento interno se
vai adotá-la ou não. É recom endável fazê-la para prestar contas
à com unidade acadêm ica e à sociedade em geral, funcionando
com o mais um instrum ento aferidor da com petência profissional
do candidato que sai com o título de especialista ou M BA. Além
disso, a defesa pública estim ula o candidato a dar mais atenção
à qualidade da form a e do c o n teú d o , um a vez que o u tro s
p esq u isad ores terão acesso àquele trabalh o, e não apenas o
orientador-parecerista.
O tem po entre o início e a conclusão de um a m onografia é
de no m áxim o até seis m eses. Por isso, dos três gêneros textuais
acadêm icos sim ilares, a m onografia é a m ais sim ples de todos,
Antonio Carlos Xavier
especialm ente no que diz respeito ao nível de abrangência e
profundidade do tem a. Isto justifica a m en or quantidade de
páginas esperadas: de 30 e 50 sem contabilizar as Referências,
A nexos e índices rem issivos. C ontudo, fazer um a m onografia
é im p o rtan te p o r se rv ir co m o in stru m en to de in iciação e
preparação do pesquisador para a vida acadêm ica.
D issertação
Caracteriza-se por ser um trabalho acadêmico de m édio
fôlego, cuja necessidade de abrangência e profundidade do tem a é
maior em relação à monografia, em bora sejam aceitas dissertações
produzidas a partir de tem as não originais. Contudo, a form a de
abordagem do tem a, os aspectos explorados pelo pesquisador e a
conclusão devem ser inovadores.
Para o cum prim ento dos créditos, conclusão e defesa da
dissertação, são concedidos ao jovem pesquisador apenas 24
m eses a contar do dia do seu ingresso oficial no program a de pósgraduação em que foi selecionado.
A defesa pública é obrigatória para avaliação de dissertações de
mestrado. A banca exam inadora, com posta por três pesquisadores
com o título de doutor, analisará e deliberará sobre a possibilidade
jde aprovação da dissertação.
Tese
Caracteriza-se por ser um trabalho científico de longo fôlego.
E considerado o mais im portante trabalho de um pesquisador
do' ponto de vista da sua titulação no universo acadêm ico. A
com plexidade desse gênero demanda:
121
Como fa z e *
•
c apresen ta* txaâaCãa*
científico* em evento* acadêmica*
Originalidade
As escolhas do tem a, do problem a, e, principalmente, da
hipótese que se pretende transformá-la em tese ao final da pesquisa
devem ser inéditas. Tam bém devem ser preferencialmente inéditas
a coleta e a abordagem dos dados durante a análise. A conclusão é
a principal contribuição da tese para a sociedade em geral e para a
área do conhecimento em que ela foi desenvolvida. Por isso, uma
tese precisa ser extraodinária, surpreendente e impactante.
•
Abrangência
O m odo de exploração dos aspectos do tem a e o esforço
para responder ao problem a de pesquisa precisam ser profundos.
A análise e a interpretação das variáveis que incidem sobre os dados
coletados de m esm o m odo têm que ser inovadoras, diferentes de
tudo que já foi feito e declarado até então.
•
Volume de texto
A quantidade de páginas acompanha a necessidade de maiores
detalhamentos na tese. Por isso, ela precisa ser bem m aior do que
o encontrado em um a dissertação, pois o pesquisador terá que
explicitar com mais detalhes os aspectos teórico-m etodológicos,
analíticos e conclusivos. Portanto, espera-se na elaboração escrita
de um a tese que haja um volum e de páginas suficiente para
contemplar satisfatoriamente todos esses aspectos envolvidos em
um a pesquisa deste porte.
Por se tratar de um trabalho mais elaborado, o tem po
concedido para realizá-lo, desde o in gresso do doutoran do
no program a de pós-graduação até a defesa final, é o dobro
do co n ced id o ao m e stra n d o . Em g eral são 48 m e se s que
Antonio Carlos Xavier
com preendem o cum prim ento das disciplinas (integralização
de créditos acadêm icos), qualificação4 do trabalho, conclusão e
defesa da tese.
Funções, características e estrutura fo rm a l da m onografia,
dissertação e Tese
Esses elem entos são praticam ente os m esm os que há no
artigo científico. O que difere é a organização das partes. Assim, o
pesquisador, que conclui sua investigação e vai fazer a organização
definitiva do trabalho, deve obecfecer à seguinte ordem :
a) Capa;
b) Lombada ;
c) Folha de rosto;
d) Folha de aprovação;
e) Dedicatória;
f) Agradecimentos;
g) Epígrafe;
h) Resumo seguido de palavras-chave;
i
Qualificação é um ritual acadêmico adotado pela maioria dos programas de pós-graduação
brasileiros no qual o candidato a mestre ou a doutor apresenta os resultados parciais de
suas análises. Esses resultados são avaliados por uma banca composta por pelo menos três
componentes, sendo um deles o orientador do trabalho. Ela visa supervisionar o andamento
da pesquisa, corrigir rotas equivocadas de análises e sugerir complementações teóricometodológicas antes que o trabalho seja avaliado na defesa final.
Cama fa/z&t e ap%escntwt Viaûxdfias científicos cm mentos acadêmicos
i) Resumo em língua estrangeira;
j) Lista de ilustrações;
k) Lista de tabelas;
m) Lista de abreviaturas, siglas;
n) Lista de símbolos;
o) Sumário;
p) Introdução: explanação do tema, problema, justificativas,
objetivos, hipótese e organização dos capítulos que
compõem o trabalho;
q) Capítulo 1: Constituição metodológica da pesquisa:
descrição dos sujeitos ou objetos analisados, contextualização
espacial e temporal da coleta, instrumentos empregados para
a captação de dados da amostra ampla, seleção da amostra
restrita;
r) Capítulo 2: Referencial teórico, que são as resenhas sobre
as teorias escolhidas para apoiar a análise;
s) Capítulo 3: Análise dos dados, organização das categorias
de análise com discussão à luz das teorias que podem
explicar o funcionamento do objeto estudado;
u) Conclusão;
v) Referências;
x) Glossários, apêndices, anexos, índices.
Antonio Carlos Xavier
Sobre a form atação detalhada de m onografia, dissertação
e tese, esses trabalhos devem ob ed ecer às N o rm as Brasileiras
Registradas (N B R ) fixadas pela Associação Brasileira de N orm as
T écnicas (A B N T ), ó rgão resp on sável pela norm alização de
trabalhos técnico-científicos no Brasil. V ejam os as principais
re g ras da A B N T p ara esse s g ê n e ro s e p ara a m aio ria dos
trabalhos científicos:
Papel: Tamanho A4 (2 1 ,0 c m x 29,7cm ). Só um lado
da folha deve ser im p resso , i^to é, seu anverso;
Fonte: N ão há referência explícita ao tipo de fonte,
m as costum a-se utilizar Times New Roman ou Arial
em tam anho 12 e nas citações longas, acim a de 3
(três) linhas, usa-se o tam anho 11 ou 10;
P agin ação : As folhas com eçam a ser contadas a
partir da folha de ro sto , m as a num eração só aparece
na Introdução. Recom enda-se que a num eração, em
algarism os arábicos, seja colocada no canto superior
direito da página, seguindo dessa form a até o fim do
caderno ou da brochura.
M argens: Deve-se usar 3 cm nas m argens esquerda
e superior e 2 cm nas m argens direita e inferior da
página.
125
Coma fa z e i e aptesentcvi VtaBaíAas cientifica} em eventes acadêm ica}
Espaços: Para o texto principal do trabalho, devese preferir o espaçam ento duplo ou o espaçam ento
1,5 entre as linhas. U sa-se o espaçam ento simples nas:
citações longas, notas, legendas das figuras e tabelas,
ficha catalográfica, d ed icató ria, agrad ecim en to s,
epígrafes. As referências devem ser em espaçam ento
duplo. O espaço entre os títulos das secções deve ser
de dois espaços duplos.
A linh am en tos: Títulos dos capítulos do trabalho
devem ser centralizados na página; títulos num erados
de se c ç ã o d ev em se r alin h ad o s à e sq u e rd a do
papel; sum ário deve ser alinhado à esquerda sem
reentrâncias; o início do parágrafo deve ser m arcado
com um toque na tabulação que chega a ocupar 1 cm.
C itações longas devem ser feitas a 4 cm da m argem
esquerda.
Cores: R ecom enda-se usar sem pre a cor preta para
a mancha total do texto , m as as dem ais cores podem
aparecer em gráficos, tabelas, fotos, m apas etc.
D estaq u es em p artes d o te x to : Podem -se usar
n egrito , itálico ou sublinhado em palavras que se
queiram destacar. D eve-se ainda atentar para o fato
de procu rar sem pre usar o m esm o tipo de destaque
para palavras estran geiras inseridas no te x to em
português;
Antonio Carlos Xavier
O R itu al Acadêmico - Para a defesa pública de dissertação
e tese em geral há um protocolo que deve ser seguido. N ela estão
previstos os seguintes m om entos:
• I o. A bertura da sessão de defesa pelo presidente,
no caso, o orientador ou outro representante legal
do Program a de Pós-G raduação;
• 2o. Convocação dos m em bros titulares da banca por
titulação, nom e e instituição acadêm ica de origem ;
• 3o. E n trega da palavra ao candidato p ara que
este exponha pública e resum idam ente a pesquisa
realizada;
• 4 o. A rguição p o r cada m em bro da banca, com
garantia de resposta ao candidato por tem po igual
ao utilizado pelo m em bro arguidor. O tem po m édio
para a arguição gira em torn o de 20 a 30 m inutos;
• S°. Deliberação, em secreto, pela banca examinadora
que julga a pertinência, relevância e qualidade do
trabalho e em ite um parecer para sua aprovação ou
reprovação;
• 6o. A núncio p ú b lico da d e lib e ração da banca
exam inadora: aprovado ou reprovado;
• 7o. Entrega do certificado contendo a deliberação
da banca exam inadora;
• 8o. Encerram ento da sessão pelo presidente.
Por ser um a instituição milenar, a universidade construiu e
preserva suas tradições, sendo um a delas o ritual de defesa pública
de trabalhos acadêm icos, especialm ente dissertações e teses.
127
Modos de fazer citação e referência
t.
Capítula- 5
Modos de fazer citação e referência
“Se eu vi mais longe foi por estar de pé sobre om bros de
gigantes” . Esta frase é de Isaac N ew ton. Ele reconhece que não
há avanço científico sem as parcerias com outros pesquisadores.
Logo, é fundamental admitir textualm ente a presença de teóricos
colaboradores que, m esm o sem saber, ajudaram a interpretar os
dados e a escrever o artigo científico, m onografia, dissertação ou
tese. Essa lista de autores com os quais o pesquisador dialogou
fortalece o trabalho de m odo direto. Portanto, as inform ações
com pletas sobre as obras que serviram de apoio teórico à pesquisa
devem aparecer nesta p a rte .
Citação é a m enção que se faz a um a inform ação retirada de
um texto e incorporada ao trabalho científico. Ela representa o
diálogo entre as ideias de autores que reforçam um ponto de vista
ou são citadas para discordar do posicionam ento ali adotado.
Tipos efo rm a s de citar
C itação d ireta
O corre quando se transcrevem inteiram ente os conceitos
do au tor con su ltad o, reprodu zin do literalm en te as m esm as
palavras do texto citado. N este tipo de citação há necessidade da
Cama fxvz&t c apresen ta* txaõalfw s científicos em eventos acadêmicos
indicação do núm ero exato da página, além do ano de publicação
da obra. V ejam os o exem plo:
E x .l:
Lévy (1 9 9 6 , p .'34) afirma que:
Estamos hoje tão habituados com essa interface que nem
notamos mais que existe, mas no momento em que foi
inventada, possibilitou uma relação com o texto e com a
escrita totalmente diferente da que fora estabelecida com
o manuscrito.
C itação in d ireta
O corre quando se m enciona o conteúdo parafraseado de
um texto de um autor lido, m as não reproduzido literalm ente.
N este tipo de citação, a indicação exata da página é opcional,
m as deve-se obrigatoriam ente indicar o ano de publicação da
obra e o nom e do autor. V ejam os o exem plo:
Ex2:
Para Freud (1974), no inconsciente humano estão represados
os desejos mais selvagens, já que o preço da civilização é a
repressão das nossas vontades.
Ex3:
A tecnologização da sociedade é a tendência relacionada ao
controle da máquina sobre as diversas partes da vida humana,
afirma Fairclough (2001).
E curioso notarm os que na citação indireta o nom e do autor
citado pode figurar com pletam ente em caixa alta ou só com a
Antonio Carlos Xavier
prim eira letra maiúscula. Se aparecer dentro dos parênteses, o
nom e do autor tem que figurar em caixa alta.
C itação d e citação
Quando o pesquisador não tem acesso fácil ao texto original,
pode fazer a citação p or m eio de outro autor, utilizando para
isso a palavra latina a p u d , que significa citado por. N este caso,
deve-se colocar entre parêntese o nom e do autor originalm ente
citado, ano de publicação da obra, a palavra apud, o nom e do
autor que citou o original, ano de publicação da obra deste e
página em que a citação apareceu.
N o caso de citação de citação com tran scrição in d ire ta ,
faz-se da seguinte form a, veja o exem plo:
E x4:
A diferença entre propaganda política e comercial é que
a primeira se fundamenta em valores éticos e o segundo
explora os desejos humanos (CHARAUDEAU, 1996, apud
MONNERAT, 2003, p. 14)
M onnerat citou Charaudeau que foi citado no texto. Quem
de fato teve acesso ao texto original de Charaudeau foi Monnerat
e não quem está escrevendo o trabalho e fazendo a citação. Há
necessidade de em pregar caixa alta quando se tratar de citação
de citação com transcrição indireta, sendo que todos os citados
devem ficar entre parênteses com o no exem plo acima.
Em casos de citação d e citação com tra n sc riç ã o d ire ta
do texto , o nom e do autor original pode ser escrito fora dos
Coma faz& i e a p io en tw í VíaãaíAai científicas em eventoi acadêmicas
parênteses e em caixa baixa, m as o nom e do autor citante deve
ficar em caixa alta, se no interior dos parênteses. V ejam os o
exem plo seguinte:
Ex5:
Precisamos considerar a ideologia como um fenômeno
dependentè da Hnguágem, pois, como diz Eagleton (1997,
apud SANTOS, 2005, p. 32), “se a ideologia não pode sec
divorciada do signo, então o signo também não pode ser
isolado das formas concretas de intercâmbio social.”
C itação d e d o cu m en tos in stitu cion ais
Sendo um a instituição a responsável pela publicação citada,
o nom e desta deve figurar, inteiram ente, em caixa alta e dentro
dos parênteses, com o indica o exem plo 6.
Ex. 6:
Com o objetivo de oferecer uma ferramenta útil e atual,
o Ministério da Educação, por meio da sua Secretaria de
Educação à distância, criou o e-proinfo. Na verdade, o
e-proinfo é, nas paíavras do próprio órgão:
Um Ambiente Colaborativo de Aprendizagem que utiliza a
tecnologia Internet e permite a concepção, administração e
desenvolvimento de diversos tipos de ações, como cursos
a distância, complemento a cursos presenciais, projetos de
pesquisa, projetos colaborativos e diversas outras formas
de apoio a distância e ao processo ensino-aprendizagem.
(BRASIL, 2005, p. 10).
Antonio Carlos Xavier
C itação su b seq u en te d a m esm a o b ra
Para evitar a dupla citação de um a m esm a obra, usam -se as
expressões latinas: idem e /o u id. que significam “m esm o autor” ou
opus citatum, opus citato ou op.cit. para dizer “obra citada’ . U sa-se
ainda cj. para significar “confira, confronte” . T od os devem estar
entre parênteses.
N otas de ro d a p é
São inform ações adicionais que visam esclarecer detalhes
que não caberia fazê-lo no corpo do texto. Elas podem ser de
referências ou explicativas feitas pelo'autor, tradutor ou editor do
texto. O s processadores de texto já acrescentam automaticamente
as notas de rodapé com a num eração sequenciada, quando se
aciona um com ando em um a das ferram entas deste tipo de
program a.
T rad u ção n ossa
Em prega-se essa-expressão quando o autor do texto , ele
m esm o, for o tradutor do trecho citado em língua estrangeira.
D essa form a, ele assum e a responsabilidade total pela virtude
ou defeito da tradução.
R eferên cias
São as inform ações relativas a autores, títulos, edições,
locais, editoras, datas de publicação. Em geral, todo trabalho
científico m onográfico (m onografia, trabalho de conclusão de
curso (T C C ), dissertação e tese) deve seguir o m esm o m odelo
de referência.
Came, faze t e apnesentax btatalAo» científicas em evento* acadêm icas
As form as de fazer referência se m odificam de acordo
com o tipo e o suporte de publicação. V ejam os alguns m odos
de fazer referência conform e a superfície onde o trabalho foi
publicado:
•
Livros:
H A LL, Stuart. A id e n tid a d e c u ltu r a l n a p ós-m ód ern id ad e.
Tradução: Tom az Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro. 4. ed.
Rio de Janeiro: DP&A. 2000.
•
Monografias, Dissertações e Teses:
X A V IE R , A n ton io C a rlo s. O h ip e rte x to na so c ied ad e da
informação. A constituição de um m odo de enunciação digital.
2002. 220 p. Tese (D outorado em Linguística), Departam ento
de Linguística, Universidade Estadual de Campinas, Campinas,
2002 .
•
Dicionários:
H O LA N D A -FER REIRA , A. B de. Novo D icionário Aurélio.
2. Ed. rev. e acresc. de 1836 p. Rio de Janeiro: No.va Fronteira,
1986.
•
Enciclopédias:
K O O G A N , A. HOUAISS, A. (Ed.). Enciclopédia e dicionário
digital 2000. Direção Geralde André Koogan Greikm am . São
Paulo: Delta: Estadão, 2000. 5 C D -R O M . Produzida por Vedeolar
Multimídia.
Antonio Carlos Xavier
•
Sites da internet:
FERREIRA, E. Osm an Lins: das págin as d o livro à tela do
com pu tad or. Disponível em: h t t p :/ /w w w .erm elindaferreira.
c o m /o sm an / Acessado em: 1 0 /0 2 /2 0 0 9 .
SIMPÓSIO H IPERTEXTO E T EC N O LO G IA S NA E D U C A Ç Ã O ,
2, 2008, Recife. Anais eletrônicos. R ecife, 2008. D isponível em:
< h ttp : / / w w w .u fp e.br / nehte / sim posio2008 / anais / > . Acesso
em : 1 0 /0 2 /2 0 0 9 .
»
É hora de pensar um pouco sobre o que foi estudado neste capítulo.
As atividades a seguir devem ser efetuadas preferencialmente em
dupla, cujas respostas devem ser apresentadas e discutidas com toda
a classe.
R esponda:
1. Antes de iniciar a escrita da resenha, o que deve observar o
resenhista?
2. Qual seria a principal diferença entre o resumo e a resenha?
3. Q uais as d iferen ças entre artigo cien tífico e trabalho
monográfico?
4. O que há em comum entre a monografia, dissertação e tese?
5. Aponte duas diferenças principais entre dissertação e tese.
137
Apresentação de
trabalhos científicos
Apresentação de trabalhos em eventos acadêmicos
fazer e a p r e s e n t a r
trabalhos científicos cm
eventos acadêmicos
Com o
S torno Carlos X avier (U F[>E)
Capítulo-1
Apresentação de trabalhos em eventos acadêmicos
Finalizada a escrita do trabalho científico, seja ele um artigo
ou até m esm o um a tese, é necessário apresentá-lo em público.
O texto, construído no isolamento e solidão do autor, sai do seu
com putador e ganha as páginas impressas ou digitais dos periódicos
ou das encadernações em celulose sem exigir a presença física
do pesquisador diante de seus leitores. Isso só acontece quando
da apresentação pública em eventos específicos. Além do ritual
de defesa de dissertações e teses, os encontros científicos com o
congressos, simpósios, seminários, colóquios etc. são normalmente
os fóruns adequados para a exposição e discussão dos resultados
alcançados com as pesquisas.
E n tre ta n to , m u ito s a c a d ê m ic o s com e x p e riê n c ia de
participação em debates orais em sala de aula e condução de
sem inários tem áticos se veem apreensivos quando precisam
fazer um a apresentação oral em um determ inado evento. A
necessidade de fazer um a com unicação oral para um público
desconhecido costum a deixar tensos até m esm o profissionais.
Por se tratar de um a exposição pública em que a im agem do
expositor e a da instituição a qual pertence serão avaliadas, há
sem pre um grande receio de decepção. A avaliação do valor e
da qualidade do trabalho científico tam bém depende da form a
com o ele será apresentado.
Coma fa z e * e apieôrnCcvc Vtaêaífws científicas em eventos acadêm icas
O objetivo desta segunda parte do livro é trazer sugestões
para m elhorar as apresentações de trabalhos acadêm icos em
ev en tos cien tífico s. São técn icas de utilização de re cu rso s
tecnológicos que, se bem utilizados, podem facilitar a exposição
oral e aum entar a clareza e o interesse do público pelas ideias
apresentadas.
,
M odalidades de apresentação de trabalh os científicos
*
A co m u n icação oral é o ato de expo r em público ideias
e produtos. D ela derivam todas as m odalidades de apresentação
verbal de trabalhos científicos ou profissionais em geral. Em
outras palavras, todas as form as de apresentação de trabalho em
eventos institucionais são oralizações de um texto previam ente
escrito por um profissional com form ação acadêmica ou não para
ser apresentado a um público específico.
Tipos de comunicação oral
t
A tu alm e n te há d o is tip o s de c o m u n ic a ç ã o o ra l em
ap re se n ta ç õ e s in stitu c io n a is d en tro ou fo ra do am b ien te
acadêm ico: con ferên cia e palestra. Esta últim a se desdobra
em diferentes subtipos que conservam as m esm as características
e s tr u tu r a is , d ife re n c ia n d o -se ap en as q u an to ao n ível de
abordagem do tem a, tem po disponível para apresentá-lo e formas
de interação com o público. O quadro a seguir faz um a síntese
visual dessa proposta de classificação da com unicação oral.
Antonio Carlos Xavier
Tempo para
exposição
Nível de
abordagem
Nível de
interação
com
público
60 a 90
min
Alto
Médio
Mesa
Redonda
.30 min
Médio
Alto
Painel de
Debates
30 a 45
min
Alto
Baixo
Sessão de
Comunicação
Individual
15a 2°
min
Médio
Alto
60 a 120
min
Médio
Conferência
Comunicação
Oral
Palestra
Pôster
.............
•
Alto
:
Conferência
E um tip o d e c o m u n ic a ç ã o o ral p r o fe r id a p o r um
reconhecido especialista na tem ática do evento, convidado pelos
organizadores para tratar do tem a em pauta com profundidade.
Para isso, terá mais tem po para realizar sua exposição e poderá ao
final responder ou não às questões da audiência. U m a conferência
Coma fwzex c apresen ta* txaâaCAos científicos em eventos acadêmicos
terá em m édia 60 a 90 m inutos e deverá ser antecedida por um a
apresentação biográfica que inform ará ao público as credenciais
(títu los e obras publicadas) que ju stificam sua condição de
conferencista no even to.
U m a conferência pode ser com pletam ente lida ou apenas
falada. Se for lida, aconselha-se que haja bom senso e faça-se
u m a leitura dinam izada, in tercalando leitura do. te x to com
explicações e com entários para m anter o contato visual com os
ouvintes. Assim , evita-se a dispersão da plateia pela m onotonia
causada pela falta do face a face, que diminui a interatividade
entre os envolvidos na conferência. O ideal é que este tipo de
com unicação oral seja apoiado em recursos visuais para facilitar
a concentração dos ouvintes em relação à linha de raciocínio
desenvolvida pelo conferencista.
•
Palestra
É um tipo de comunicação oral proferida por um profissional
credenciado por seu reconhecido trabalho e publicações na área.
U m a p alestra p od e ser apresen tada em eventos científicos,
artísticos ou sociais e se caracteriza por sua linguagem coloquial
e abordagem relativamente profunda, um a vez que o público
Antonio Carlos Xavier
pode ser com posto por leigos ou por profissionais da área. Em
eventos científicos, o tem po para a realização de um a palestra
varia de 30 a 60 m inutos. Espera-se que a palestra seja de form a
mais conversacional possível para perm itir a interação da audiência
com perguntas e intervenções. Por essa razão, ler o texto durante
um a palestra não é a m elhor estratégia a ser adotada.
O palestrante deverá preparar um material sobre o conteúdo
de sua fala que pode ser tanto um a página com o esboço im presso
do assunto quanto pode apresentá-lo em um telão. O im portante
é o palestrante garantir o interesse da plateia por m eio de uma
♦
verbalização envolvente pelas ideias apresentadas.
•
Mesa-redonda
E um a form a de apresentação de trabalhos acadêmicos cujos
palestrantes tratam da m esm a tem ática, a partir de diferentes
pontos de vista. A proposta deste tipo de atividade é propiciar ao
público o acesso aos aspectos diversificados do tem a por m eio de
um debate “redondo” , rico e produtivo em torno de um assunto
im portante. O tem po para cada um dos debatedores varia de 30
a 40 minutos a depender da quantidade de palestrantes presentes
147
Coma fa z e * e apiesentw i btaluM as científicas em eventos acadêm icas
à m esa. O ideal é que a duração total prevista para atividade seja
de 2h, para que cada um dos palestrantes tenha pelo m enos 30
m inutos para fazer sua fala, restando tem po suficiente para a
participação do público.
Para que a mesa-redonda funcione bem , é necessário que um
dos palestrantes ou um dos organizadores do evento coordene a
atividade. Este m oderador indicará a ordem de apresentação, lerá
as credenciais de cada um dos palestrantes e lhes passará a palavra
ordenadamente. E importante lem brar que o debate não acontece
entre os participantes da m esa, mas entre eles e os ouvintes que
deverão lançar perguntas e observações dirigidas individualmente
a cada um dos palestrantes. N este tipo de atividade acadêmica, a
leitura longa de um texto não é recom endada. Deve o palestrante
preparar um material de apoio im presso ou digital que perm ita o
público acompanhar a exposição com atenção e interesse.
•
Painel de debates
É lima forma de apresentação de trabalhos acadêmicos cujos
palestrantes divulgam o resultado de suas pesquisas e debatem
entre si, cabendo ao público apenas a condição de expectadores
Antonio Carlos Xavier
do debate. Por isso, o painel deve ser com posto por profissionais
renomados no tem a, ter um coordenador para distribuir a palavra
e controlar o tem po de apresentação de cada um dos painelistas. O
tempo de fala individual para cada um dos três participantes varia
de 30 a 45 minutos. O tem po total desta atividade deve ser de 2h
e 30 minutos, pois será suficiente tanto para a apresentação de cada
um quanto para o debate objetivado pelo painel.
Da m esm a form a que acontece na m esa-redonda, deve o
palestrante preparar um material de apoio im presso ou digital que
perm ita aos ouvintes acompanharem a exposição com atenção e
interesse. Por isso, ele deve evitar'a leitura longa de um texto
para não perder o contato visual com a audiência nem com os
demais painelistas.
•
Sessão de comunicação individual
É um a form a de ap resen tação de trabalh o acadêm ico
em que o palestrante faz a exposição esperando debater com
os presen tes. Estes devem elaborar questionam entos e fazer
observações a partir do que foi apresentado. O s trabalhos não
precisam necessariam ente abordar a m esm a temática, mas têm
Como- (xvzen e ap%e*entwc V iaêalfio* científico* em evento* acadêm ico*
que pertencer a áreas de estudos e linhas de pesquisa afins. Só
assim a sessão poderá proporcionar uma troca de informação para
o enriquecimento intelectual de todos os participantes.
G eralm ente, neste tipo de atividade, há a indicação do
coordenador escolhido entre os próprios apresentadores da sessão
a quem caberá distribuir a palavra e controlar o tem po de cada
um dos palestrantes. Cabe a estes preparar um material de apoio
para a exposição do seu trabalho, principalmente considerando
o tem po curto para a exposição que varia de 15 e 20 minutos.
N este caso, a leitura não é a melhor estratégia para a apresentação,
sendo admitida apenas em caso de envio do trabalho escrito por
um autor que não possa com parecer à sessão de com unicação. O
tem po total desta atividade varia m uito, m as costuma-se reservar
2h de duração para um a sessão com até quatro com unicadores.
•
Pôster
É um tipo de apresentação em que o palestrante expõe
o resum o expandido e esquematizado de seu trabalho em um
suporte material a partir do qual o público visitante da sessão lê e
eventualmente pede esclarecimentos sobre determinados aspectos
15 ©
Antonio Carlos Xavier
da pesquisa. N ão há debate, apenas exposição dos resultados da
investigação realizada. A capacidade de síntese do apresentador e
os recursos visuais inseridos no pôster serão importantes para atrair
a atenção do visitante que estará em m eio a outros pôsteres na
sessão. O uso de fontes grandes, o jogo de cores vivas, a inserção
de imagens, gráficos, figuras, diagramas, fotos etc. são estratégias
que podem ser exploradas pelo palestrante proponente de uma
comunicação oral com o essa.
O tem po disponível para essas sessões é em m édia de lh
30 m inutos, durante o qual o palestrante aguardará a chegada
do público que flutuará sobre as diversas opções de pôsteres.
Norm alm ente os visitantes estão sem pre apressados e querem
obter um a visão geral dos trabalhos da sessão. Aquele que mais
se destacar receberá m ais atenção. Por isso, o texto oral do
palestrante deverá tam bém ser envolvente, inteligente e relevante
nas respostas às questões dos visitantes.
A m aioria dos acadêm icos conhece bem as m odalidades
de comunicação oral para a apresentação de trabalhos científicos
(conferência e palestra). Muitos já estão até familiarizados com
seus diversos tipos porque participam com frequência de eventos
institucionais, m as um a grande parte dos pesquisadores ainda
continua sem saber m ontar um a apresentação enxuta, atraente
e interativa. N ão conseguem organizar bem o material de apoio
de m odo a fazer sua perform ance didática, dinâmica e agradável
para a audiência. C om o falar com clareza e profundidade sem
parecer arrogante?
D e fato, há m uitos pesquisadores intuitivos, inteligentes
e criativos, capazes de descobrir coisas surpreendentes, mas
incapazes de transm itir claram ente suas ideias e descobertas.
Coma fxvzex c apresen ta* btaâaChos cientificai» em eventos acadêm icas
A lguns até escrevem bem , m as com unicam oralm en te m al
seus achados, p o rq u e não sabem u tilizar eficien tem en te os
recu rsos tecn ológicos de apoio às apresentações em eventos
acadêm icos.
V e ja m o s a g o ra c o m o u tiliz a r a lg u n s d o s r e c u r s o s
tecnológicos de que dispom os dentro de nós m esm os e outros
fora de nós, m as de fácil acesso e utilização. São dicas p ara que
haja o m elhor aproveitam ento possível do potencial expositivo
das ferram entas m ultim ídias mais com uns e m uito usadas para
conferências e palestras.
Capãuía
Tecnologias para a apresentação de trabalhos científicos
(íofiítulv 2
Tecnologias para a apresentação de trabalhos científicos
Para m elh o rar as n ossas ap resen taç õ es d os trabalh os
c ie n t íf ic o s em e v e n t o s a c a d ê m ic o s , é n e c e s s á r io n o s
apropriarm os dos diversos recu rsos tecn o ló gico s disponíveis.
C o m o d isse m o s an te s, m u ito s d ele s estão d en tro de nós
m e sm o s, esp e ran d o que sejam d e sc o b e rto s e m an u sead o s
com a técnica adequada. Em outras palavras, nós carregam os
um arsenal de ferram en tas tecn ológicas prontas para serem
ap licad as e assim to rn a r n o ssas c o m u n ic a çõ e s o rais m ais
convincentes e proveitosas.
T od a tecnologia é um conhecim ento criado, desenvolvido
e aplicado para resolver os problem as de lim itação humana. Sua
utilização perm ite que um a ação seja realizada com mais eficácia
e rapidez. A roda é um a das prim eiras invenções tecnológicas
do hom em com utilidade inquestionável. A p artir dela outras
tecn o lo gias foram in ven tadas, ap erfeiço an d o este invento.
Para que a ro d a fosse bem utilizada, foi n ecessário conceber
técnicas e p ro ced im en to s específicos. A ssim , não basta ter
acesso à tecn ologia; é p reciso saber em pregá-la, dom inar a
'técnica e os p ro ced im en to s co rreto s para fazê-la funcionar
produtivam en te.
Cama fa z e * c apveôentà* tnafadhos científicas em eventos acadêm icas
Tecnologias de comunicação
“A p rim e ira im p re ssã o é a que fica” , en sin a-n os um
conhecido p ro vérbio popular. Em parte so m o s obrigados a
concordar com essa m áxim a. U m a boa parcela da im agem que
as pessoas fazem de nós é responsabilidade totalm ente nossa.
Por isso, devem os buscar o controle sob a construção da nossa
im agem na cabeça das pessoas. N ossa voz, fala, gestos e roupas
são tecnologias sim ples que, bem exploradas, podem m elhorar
sensivelm ente nosso poder de com unicação, principalm ente em
eventos acadêm icos.
Voz —tecnologia sonora de comunicação
U m a das m aiores riquezas tecnológicas foi desenvolvida
pela natureza humana desde o princípio da civilização. A fala,
capacidade de verbalizar desejos e sentim entos p or m eio de
palavras que representam coisas reais e fictícias, concretas e
abstratas, é o m ais poderoso instrum ento de com unicação da
humanidade. Para falar, o hom em precisou adaptar determ inados
órgãos do corpo que desem penhavam antes outras funções.
Antonio Carlos Xavier
A b o c a , os d e n te s e a lín g u a , p o r e x e m p lo , fu n cion am
prim ordialm ente para a alim entação. Eles foram readaptados
para articular sons que ganham significados de acordo com a
língua adotada pela com unidade a que pertence o falante.
Em d eterm in ad o s se to re s, falar é a m ais im p o rtan te
h abilid ad e p ara o su c e sso p ro fissio n a l. E ste é o caso dos
estudantes, p rofessores e pesquisadores etc. para os quais saber
se expressar verbalm ente é essencial. Por isso, é fundamental
para esses profissionais saberem usar e preservar bem a voz.
Em um a com unicação or,al, o palestrante tem que ficar
atento à m odulação da sua voz. É preciso regular o volum e,
controlar o ritm o e aplicar as entonações corretas para valorizar
cada palavra que m e re ça d estaq u e. V ejam o s os p rin cip ais
equívocos no uso da fala e da voz que podem prejudicar uma
apresentação verbal:
2
f ln
Voz de instrutor de tropa militar
É o tipo de p alestran te que fala gritan d o. Para evitar
desgastar a voz e a tolerância dos ouvintes, o palestrante deve
pedir à organização do evento um m icrofone, caso o auditório
seja m uito am plo. M esm o sem m icrofon e e diante de um a
plateia grande, não é necessário gritar. Im postar a voz para
torná-la audível não significa b errar para rachar as paredes do
auditório com o fazem alguns m ilitares. O palestrante sensível
sabe dimensionar bem o volum e de voz e consegue falar de m odo
audível, confortável e com preensível.
157
Cama fa z e * e apvesentcut t*aêa£Aos científicas em eventos acadêmicos
^
QÈ
.
Voz de locutor dejutebol
Há p alestran tes que falam ráp id o d em ais, p arece que
ganham p o r palavras pron u n ciad as. M uitos falam com o se
estivessem num estádio narrando um a partida de futebol ou
num hipódrom o descrevendo um a corrida de cavalos. M uita
velocidade no falar dificulta a com preensão da frase e com plica
o p ro cessam en to do significado da in form ação tran sm itida.
Existem certos m om entos que acelerar um pouco o ritm o da
fala pode servir para cham ar a atenção da plateia, acentuando
um a determ inada in form ação. O palestrante deve lem brar que
há pessoas no auditório com ritm os diferentes de processam ento
inform acional e todos os ouvintes devem ser contem plados por
sua palestra.
Voz de Padre
Há, todavia, palestrantes que usam o estilo “D om Elder
Câm ara” , o falecido A rcebispo do Recife. O religioso sem pre
falava com m uita calm a, bem devagar, quase em câm era lenta.
M uita lentidão no falar pode levar o ouvinte a p erder o interesse
pela palestra e fazê-lo cochilar em plena apresentação. O jogo
de freio e acelerador para a fala é um a arte que acom panha os
m elhores oradores. Saber dosar a velocidade é preciso. Gravar
as próprias apresen tações para avaliar o ritm o da fala é um
exercício bastante útil para aprender a segurar o cabresto e evitar
os atropelos na com unicação oral.
Antonio Carlos Xavier
Voz de Exorcista
Encontram os palestrantes que, tem endo p erd er a atenção
do p ú blico , se en tusiasm am tan to que exageram na ênfase
das palavras. U tilizam a voz com o se quisessem obrigar e não
p ersu ad ir o ouvinte a agir de d eterm inada m an eira. Falam
brigando, às vezes com os dentes cerrados e chegam a arrancar
sons estranhos da garganta para destacar frases que consideram
im p o r ta n te s. A e m issã o de (so n s d e s p r o p o r c io n a lm e n te
enfatizados pode provocar desconforto auditivo no ouvinte e
fazê-lo perd er o respeito pelo conteúdo do discurso em razão
da form a vocal m al em pregada pelo com unicador.
n
Voz de atendimento eletrônico
As gravações eletrônicas de atendim ento telefônico são
edições de palavras program adas no com putador para serem
acionadas quando o usuário prem er um dos núm eros do teclado
do telefone. O efeito é a m onotonia, ou seja, todas as palavras
são pronunciadas praticam ente no m esm o tom , sem qualquer
ênfase ou destaque. Alguns palestrantes usam esse tipo de voz. O
tem a pode até ser interessante, m as se o palestrante não parece
entusiasmado por ele, a audiência não perceberá sua importância.
A voz bem utilizada facilm ente vende um a ideia.
Além de buscar extrair da fala o que ela tem de m elhor,
ou seja, falar de m aneira agradável, elegante e inteligível, o
palestrante precisa ter alguns cuidados com a voz, um dos seus
Coma fa z e * e ap kzôentax ttaêaíA os científicas etn eventos acadêm icas
principais instrum entos de trabalho. Algum as atitudes podem
preservar a qualidade da fala e a longevidade da voz, enquanto
determ inadas ações podem prejudicá-las com pletam ente. >
Fazem bem à v o z e à fala:
•
Beber m uita água. O profissional que depende
da voz para trabalhar deve ingerir de dois a três
litros de água p o r dia. A lém d isso , ele deve
um edecer a garganta antes, durante e depois de
cada apresentação oral;
•
Fazer exercícios de relaxam ento e aquecimento
das cordas vocais, com o p or exem plo: bocejar
ainda que sem vontade e forçar um sussurro,
expelindo ar pelas cordas vocais antes de iniciar
um a comunicação oral. Esses m ovim entos bucais
preparam a voz para o trabalho intenso que virá;
•
C o n su lta r um
e s p e c ia lis ta (m é d ic o
ou
fo n a u d ió lo g o ), se m e stra lm e n te p a ra ch ecar
form ações de nódulos ou calos nas pregas vocais,
é um a boa m aneira de preservar a saúde da voz.
A visita a um otorrinolaringologista deve ser feita
im ediatam ente quando o co rrerem rouquidão,
ardência ou inflamação na garganta. Essas visitas
devem se tornar rotina na vida do profissional
que depende da voz para trabalhar;
•
D o rm ir b astan te d escan sa e re c u p e ra a voz
desgastada após um a apresentação;
•
M anter a postura da cabeça e do corpo sem pre
Antonio Carlos Xavier
erguida preserva a voz. Falar de tronco arqueado e
de cabeça baixa dificulta a pronúncia das palavras,
inibe o diafragm a e força o aparelho fonador a
produzir sons sem naturalidade.
Fazem m al à v oz e à fala:
•
Fum ar cigarros e outros produtos que causam
câncer;
•
Ingerir álcool sem m oderação;
•
Respirar ar poluído;
•
Gritar ou pigarrear;
•
Falar em locais baru lh en tos ou sem acústica
adequada que im peça o falante ouvir o som da
própria voz.
Microfone
—
tecnologia p a r a a comunicação a distância
O microfone tem com o função ampliar a voz do falante. Bons
aparelhos reproduzem a voz exatamente com o ela é, simplesmente,
Cama fazoc e apiesentoK badtalfw-s cientificai em eventos acadêm icas
au m en tan d o seu alcan ce de au d ição . M u ito s p a le stra n te s
tem em -no ou não sabem usá-lo corretam ente. Vejamos alguns
procedim entos que podem nos ajudar a usufruirm os o m.elhor
desta tecnologia tão im portante para a clareza e inteligibilidade
de um a apresentação.
Cabe ao ap resen tad or:
1. Chegar ao local 1S m inutos antes do início da
sua ap resen tação para checar a existên cia e a
possibilidade de utilizar m icrofones durante sua
palestra;
2. Testar o funcionamento do m icrofone para ajustar
o volum e e adequá-lo ao tim bre de voz. As vezes,
é preciso equalizar os sons agudos, m édios e graves
para evitar microfonias, aqueles apitos irritantes que
tiram a concentração do palestrante e inquietam a
plateia. Norm alm ente há um técnico responsável
por ligar e cuidar do funcionamento dos aparelhos
do auditório. M anter um a relação de simpatia com
ele é fundamental para o sucesso da palestra. Um
simples m ovimento do técnico pode com prom eter
toda a comunicação oral do palestrante;
3. Posicionar o m icrofone junto à boca, no caso de
usar microfone de lapela ou auricular, equipamento
que se prende à cabeça do falante. A m bos são
aparelhos wireless, ou seja, não têm fio e por isso seu
usuário precisa carregar um a base no corpo ligada
a um receptor rem oto. O s m icrofones sem fio de
m ão não precisam de base no corpo do falante. O
Antonio Carlos Xavier
sinal é transmitido diretamente para o receptor e
este para o amplificador;
4. Aproximar o microfone 10 cm junto à boca. Quanto
mais próxim o à boca estiver o m icrofone, maior
será a distorção do som . Quanto mais distante das
cordas vocais, m enor serão a qualidade vocal do
falante e a potência de volume;
5. N ão gesticular com a mão que segura o m icrofone,
pois o som da fala não será ouvido por causa do
distanciamento do aparelho à boca;
O m icrofone deve ser um amigo íntimo do palestrante,
pois ele é fundamental para garantir a qualidade da voz, da fala e
consequentemente da palestra. Ele é mais um tecnologia a serviço
da boa comunicação e não um a parafernália dispensável com o
pensam alguns acadêmicos.
Gesto —tecnologia visual de comunicação
Harmonizar o ritmo da fala, o tom de voz e os gestos corporais
é uma arte que exige muita coordenação motora,, mas que é possível
conseguir com o treino e a dedicação intensos do palestrante.
i<S>3
Coma fa z e * e ap%e*enta* tycdkiifw* científica& em eaento* acadêm ico*
Ao se referir a um acontecimento triste, o tom e o volume
de voz do palestrante devem diminuir, suas pálpebras devem se
recolher e seus braços se juntar ao corpo adotando um a atitude
de lamento e contrição. Q uando o tem a tratado for alegre, será
necessário aumentar um pouco o tom e o volume da voz, abrir
um breve sorriso, alargar os gestos manuais e colorir o semblante
a fim de festejar o acontecim ento com seus ouvintes.
G ravar em vídeo as apresentações realizadas é um bom
c o m e ç o p ara que o acad êm ico se con h eça, d escu b ra seus
pró prios gesto s quando fala para assim sintonizá-los m elhor
tanto em relação ao conteúdo do seu discurso quanto ao tom ,
velocidade e volum e da voz. Esta é, sem dúvida, m ais um a
tecnologia de com unicação que pode m uito bem ser explorada
pelo pesquisador que precisa apresentar trabalhos científicos
em eventos acadêm icos e tornar sua com unicação oral m ais
em polgante para a plateia que o prestigia.
Roupa —tecnologia visual de comunicação
Q uem realiza um a com unicação oral ocupa um a posição
de destaque no auditório. L ogo, o público focará sua atenção
Antonio Carlos Xavier
naquele que detém a palavra. N ossas roupas são um código.
Fornecem os inform ações a nosso respeito, sobre nossa atividade
profissional e sobre nosso estado de espírito, quando escolhem os
nos vestir de um jeito ou de outro.
U m a cam isa m u ito esta m p a d a d e n tro de um p aletó
escuro pode cham ar m ais atenção da plateia do que o conteúdo
preparado pelo palestrante. U m decote m uito cavado ou uma
saia m uito curta pode gerar bochichos no público e desviar a
atenção dos ouvintes para os dotes físicos da palestrante ao invés
de m anter o interesse da plateia focado em seu discurso.
O palestrante deve se p reocupar m uito com o que vai
v e stir no m o m e n to da sua a p re se n ta ç ão , p o rq u e a ro u p a
pode roubar a cena e p ô r todo seu investim ento intelectual e
financeiro a perd er. Palestrar para jovens com terno austero é
in apropriado. Falar em um reunião de em presários sem paletó
é perd er 50% do conteúdo com unicado. A escolha de roupas
sóbrias e confortáveis para os m om entos de com unicação oral em
eventos acadêm icos é sem pre um a garantia de que a atenção e o
interesse do público estarão voltados para o texto do palestrante
e não para outros elem entos que com põem sua apresentação. E
de bom alvitre que o bom senso e o bom gosto andem sem pre
juntos tam bém no guarda-roupas do palestrante
Exposição da p a le stra em slides
Praticam ente tod os os acadêm icos hoje em dia têm acesso
à s tecnologias digitais de inform ação e com unicação, e de m odo
mais frequente usa o com putador. A grande m aioria deles já
controla bem os principais recu rsos do p rocessad or de texto.
Canta faszex e apxesentax txafiaíAos científica» em eventos acadêm icas
O p róxim o passo é dom inar as ferram entas de apresentação
do esboço em slides dos trabalhos científicos que escrevem no
processador de texto.
Ainda assistim os a muitas apresentações de pesquisadores
bem conceituados em sua área de estudo cujas com unicações
orais são sofríveis. N ão p or que se com un iquem oralm ente
m al, m as em razão da desorganização do conteúdo m ostrado.
O desinteresse pelos recursos dos program as de apresentação
de dados com o Pow erPoint, por exem plo, tem sido a causa de
más apresentações em eventos acadêmicos. Muitos pesquisadores
chegam a utilizar o pro jeto r m ultim ídia para ex p o r no telão o
texto com pleto de seu artigo científico. E o que é mais bizarro,
alguns leem o texto na íntegra. N ão percebem quão m onótona
e cansativa fica sua exposição.
N ão há dúvida de que os re cu rso s visuais p ren d em a
atenção dos ouvintes e facilitam o acom panham ento e um m aior
aproveitam ento do conteúdo da apresentação. Todavia, o texto
com pleto não deveria ser projetado no telão. Ele precisa de um
tratam ento, um a edição(que o torne esquem ático e operacional.
Para isso, é fundam ental que o artigo escrito seja transform ado
em um resum o esquem ático, um esboço sintético que guie o
palestrante e os ouvintes durante a apresentação. Será necessário
fazer um trabalho de retextualização da escrita para a fala, pois os
slides, tam bém cham ados de diapositivos, servirão com o roteiro
visual a ser seguido por todos.
O acadêm ico deve dividir o trabalho em diversas partes.
Cada um a delas deve ocupar slides diferentes. V ejam os um
exem plo sobre o que deve constar em cada um a dos slides, tendo
Antonio Carlos Xavier
com o ponto de partida a apresentação de um artigo científico
em um congresso de profissionais:
Slide 01
Com o fazer e apresentar
trabalh os científicos em
eventos acadêm icos
Título e identificação do
apresentador: nome e
»
instituição profissional;
».
Antonio Carlos Xavier
(UFPE)
Slide 02
Problema/questão que
motivou a pesquisa
»
Muitos estudantes não
sabem escrever trabalhos
científicos e muitos
acadêmicos não sabem
apresentá-los em eventos
acadêmicos. Por quê?
Slide 03
Objetivos, justificativa e
hipótese
»
Ensinar as características
, dos gêneros acadêmicos,
as técnicas c as tecnologias
de como apresentá-los em
eventos.
167
Como fax& t e apneôcntax tvaêaíão* cientificoô em euentoô acadêmico*
Slide 04
Método e metodologia
utilizados
»
Escrever um livro com
as principais informações
sobre textos acadêmicos
em linguagem direta e com
exemplos práticos
Slide 05
O livro se baseou em
normas da ABNT e outros
livros que discutem a
metodologia do trabalho
científico
Slide 06
Análise dos dados
organizados em tabelas
e gráficos
Muitos acadêmicos não
se comunicam bem
e por isso precisam
aprender a usar melhor
as tecnologias de
comunicação
Antonio Carlos Xavier
Slide 07
Discussão dos resultados
O livro pode ajudar
o acadêmico a
escrever melhor e a se
comunicar oralmente
com mais clareza com o
apoio das tecnologias
^
Slide 08
A obediência às
sugestões apontadas
Conclusão (do trabalho)
Pe^° ^vro tornará os
textos científicos e
suas apresentações em
eventos mais claros e
atraentes
^
Slide 09
Referências
. '—•
Referências
»
*•
CALDAS, M. A et al. Documentos
acadêmicos; um padrão de qualidade.
Recife, Editora da UFPE, 2006.
XAVIER, A. C. Como se faz um texto.
Catanduva: Editora Rêspel, 2006.
Cama fxvz&c e apresen ta* txaâaíãos científica» em eventos acadêm icos
Certam ente, a quantidade de slides m udará de acordo com
o tem po que o palestrante tiver disponível para sua apresentação
e pela natureza das inform ações da pesquisa. A seguir, veja outras
sugestões de p roced im en tos que, se adotadas, poderão tornar
a apresentação m uito mais envolvente e em polgante.
N a m o n tagem dos slides de sua com un icação o ral, o
palestrante deve:
• Escrever período sim ples, frases curtas em fontes
de tam an h o g ra n d e , n un ca m e n o r e s q u e 30 e
p referen cialm en te com letras arred o n d ad as que
possam ser lidas de m odo confortável e rápido;
• Em pregar as m esm as palavras do slide e gesticular
em harm onia com elas para reforçar o texto e para
que a inform ação chegue lim pa e clara ao ouvinte;
• A crescentar breves paráfrases ao texto do slide para
am pliar o sentido do conteúdo exposto;
• D em orar-se no m áxim o um m inuto para explicar
o conteúdo de cada um dos slides;
I
• Apontar para os dados do slide conduzindo a atenção
da audiência na direção das inform ações im portantes.
U m apontador a laser é indicado neste caso;
• E n saiar a a p re se n ta ç ã o p a ra a b so r v e r b e m o
c o n te ú d o e a se q u ê n c ia d o s s lid e s , e v ita n d o
m om entos de “branco” que quebram o fluxo da fala
e dispersam os ouvintes;
C u id a d o s que devem ser to m ad o s na elaboração da
apresentação em slides:
17©
Antonio Carlos Xavier
•
U sar slides com o tecnologias de apoio e não com o
escudo para o palestrante. M uitos se escondem
p or trás destes diapositivos e perdem o contato
olho a olho com o público tão fundam ental para
mantê-lo atento à palestra. Muitos não conseguem
fazer sua apresentação sem o auxílio deles;
•
M oderar o uso das c o r e s1 p ara não p ro vo car
um a poluição visual pelo excesso de inform ação
no slide. Cada slide deve ser lido em até sete
segu n d o s; d ep ois a aten ção do ouvin te deve
se voltar às explicações do palestrante sobre o
conteúdo do slide;
•
Intercalar te x to s com im agens para ilustrar o
conteúdo e facilitar a com preensão do público;
•
I n se r ir fig u r a s in fo r m a tiv a s e n ão a p e n a s
d e c o ra tiv a s no slid e . N e ste c aso , é p re c iso
m u ito cu idad o com as figuras anim adas que
podem , às vezes, cham ar mais atenção do que o
próprio texto. É preciso garantir a im portância
do conteúdo sobre a form a;
•
Intercalar links que puxem outros slides dentro
da m esm a apresentação é um a boa opção para
ganhar dinam ism o e poupar m inutos preciosos
da exposição;
1 0 uso das cores é uma estratégia importante na apresentação, pois elas evocam sensações e
criam disposição no público para receber o conteúdo a ser comunicado. Ao escolhê-las, é bom
saber qual o efeito emocional que se deseja provocar no ouvinte. Por exemplo, o fundo da tela
de projeção em cor amarela evocará alegria e cooperação na audiência. Já a cor azul produz as
sensações de equilíbrio e objetividade. Para destacar aspectos negativos, o fundo da tela deve
ser de cor branca, com letras vermelhas e pretas.
17 a
Como fwz&i e upxesenUvc OuiÊaíãas cientificou em eventos acadêm icos
Seguindo nossas sugestões e observando esses cuidados, su
apresentação tem grandes chances de encantar o público tant<
pela form a quanto pelo conteúdo nos diversos tipos e modalidade
de com unicação oral existentes em eventos acadêm icos dos quai
você ainda vai participar com o palestrante.
Jtef&íênciaa
ALVES, R. Filosofia da ciência: in trodução ao jo g o e as suas regras.
São Paulo, Edições Loyola, 2000.
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1174
Antonio Carlos Xavier ([email protected])
é doutor em Linguística pela Unicamp e
mestre em Letras pela UFPE. Leciona
Língua Portuguesa na graduação e
Linguística na Pós-Graduação em Letras.
Orienta trabalhos nas linhas de pesquisa:
linguagem, tecnologia e ensino e análise
sócio-pragmática do discurso. Coordena
o grupo de pesquisa Nehte (Núcleo de
Estudos de Hipertexto e Tecnologia
Educacional). Fundou, presidiu (20072010) e é conselheiro da Abehte
(Associação Brasileira de Estudos de
Hipertexto e Tecnologia Educacional). Foi
locutor apresentador em emissoras de
rádio e TV e atua como mestre de
cerimônia em eventos acadêmicos e
corporativos. Entre outros livros,
publicou: A Era do hipertexto: linguagem &
tecnologia (Edufpe), Hipertexto e gêneros
digitais (Cortez), Conversas com linguistas
(Parábola), Como se faz um texto (Rêspel) e
A Linguagem do rádio (Rêspel).
Blog: www.profxavier.blogspot.com
Este livro está dividido em duas partes. A primeira ensina como
produzir e formatar textos dos gêneros acadêmicos (projeto de
pesquisa, resumo, resenha, artigo científico, monografia,
dissertação e tese) para as áreas de ciências humanas e sociais
aplicadas. Já a segunda parte deste livro tem como objetivo
apontar estratégias de apresentação de trabalhos científicos
em eventos, pois não adianta saber escrever bem textos
acadêmicos e até publicá-los em revistas importantes, se não
se sabe apresentá-los adequadamente em congressos diante
dos pares. Por isso, este livro traz sugestões de como tornar a
exposição pública do trabalho bem mais objetiva, elegante e
in te rativ a, p erm itin d o a au d iên cia tanto conhecer os
conteúdos relevantes quanto degustar da qualidade do texto
já publicado ou em vias de publicação. Este livro é destinado
aos estudantes, professores e profissionais que trabalham com
comunicação em geral e que precisam escrever trabalhos
científicos e apresentá-los em eventos do mundo acadêmico ou
corporativo.
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