Enviado por nilton_ga_briel

A filosofia como o mais alto grau do conhecimento

Propaganda
A filosofia como o mais
alto grau do
conhecimento
Prof. Nilton Gabriel
Licenciando em
História - UFPE
A filosofia é um modo de pensar, é uma postura
diante do mundo. A filosofia não Assim,
é um conjunto
ela pode
de conhecimentos prontos, um sistema
acabado,
se voltar
para
fechado em si mesmo. Ela é, antesqualquer
de maisobjeto.
nada,
uma prática de vida que procura
Podepensar
pensar a os
acontecimentos além da sua pura aparência.
ciência, seus
valores, seus
métodos, seus
mitos; pode
pensar a religião;
pode pensar a
arte; pode pensar
o próprio homem
em sua vida cotidiana. Uma
história em
quadrinhos ou
uma canção
popular podem
ser objeto da
reflexão
Assim, ela pode se voltar para qualquer objeto. Pode pensar a ciência, seus valores, seus métodos, seus mitos;
pode pensar a
filosófica.
religião; pode pensar a arte; pode pensar o próprio homem em sua vida cotidiana. Uma história em quadrinhos ou uma canção
popular podem ser objeto da reflexão filosófica.
A filosofia incomoda porque questiona o modo de ser das pessoas,
das culturas, do mundo. Questiona as práticas política, científica,
técnica, ética, econômica, cultural e artística. Não há área onde ela
não se meta, não indague, não perturbe. E, nesse sentido, a filosofia
é perigosa, subversiva, pois vira a ordem estabelecida de cabeça
para baixo.
A morte de Sócrates –
Jean-Jacques David (1787)
Quando a filosofia surge, entre os gregos, no século VI a.C, ela
engloba tanto a indagação filosófica propriamente dita quanto o que
hoje chamamos de conhecimento científico. O filósofo teorizava
sobre todos os assuntos, procurando responder não só ao porquê
das coisas, mas, também, ao como, ou seja, ao funcionamento.
O pensamento
filosófico
É só a partir do século XVII, com Galileu e o aperfeiçoamento do método científico, fundado na observação, experimentação e
matematização dos resultados, que a ciência começa a se constituir como forma específica de abordagem do real e a se
destacar da filosofia.
O conhecimento é fragmentado entre as
várias ciências, pois cada uma se ocupa
somente de uma pequena parte do real. As
afirmações de cada uma delas são
chamadas juízos de realidade, uma vez que
se referem aos fenômenos e pretendem
mostrar como estes ocorrem e como se
relacionam com outros fenômenos. De
posse desses dados sobre o funcionamento
dos fenômenos naturais e humanos, tornase possível prevê-los e controlá-los.
A filosofia trata dessa mesma realidade,
mas, em vez de fragmentá-la em
conhecimentos particulares, toma-a como
totalidade de fenômenos, ou seja, considera
a realidade a partir de uma visão de
conjunto. Qualquer que seja o problema, a
reflexão filosófica considera cada um de
seus aspectos, relacionando-o ao contexto
dentro do qual ele se insere e
restabelecendo a integridade do universo
humano.
É por isso que, sem desmerecer o
conhecimento especializado buscado pelas várias ciências, defendemos a necessidade da reflexão
filosófica, reflexão esta que faz a
crítica dos fundamentos de
conhecimento e da ação humanos.
A filosofia quer encontrar o significado mais profundo dos
fenômenos. Não basta saber como funcionam, mas o que
significam na ordem geral do mundo humano. A filosofia
emite juízos de valor ao julgar cada fato, cada ação em
relação ao todo. A filosofia vai além daquilo que é, para
propor como poderia ser. É, portanto, indispensável para a
vida de todos nós, que desejamos ser seres humanos
completos, cidadãos livres e responsáveis por nossas
escolhas.
Características do
pensamento filosófico
O trabalho do filósofo é refletir sobre a realidade, qualquer que seja ela, descobrindo seus significados mais
profundos.
Refletir é pensar, considerar cuidadosamente o que já foi pensado.
Como um espelho que reflete a nossa
imagem, a reflexão do filósofo deixa
ver, revela, mostra, traduz os valores
envolvidos nos acontecimentos e nas
ações humanas.
Para chegar a essa revelação, a reflexão filosófica, segundo
Demerval Saviani, deve ser:
 Radical — ou seja, chegar até a raiz dos acontecimentos,
isto é, aos seus fundamentos; à sua origem, não só cronológica, mas no sentido de chegar aos valores originais
que possibilitaram o fato. A reflexão filosófica, portanto, é
uma reflexão em profundidade.
 Rigorosa — isto é, seguir um método adequado ao objeto
em estudo, com todo o rigor, colocando em questão as
respostas mais superficiais, comuns à sabedoria popular e a
algumas generalizações científicas apressadas.
 De conjunto —a filosofia não considera os problemas
isoladamente, mas dentro de um conjunto de fatos, fatores
e valores que estão relacionados entre si.
Assim, embora os sistemas filosóficos possam chegar a conclusões
diversas, dependendo das premissas de partida e da situação
histórica dos próprios pensadores, o processo do filosofar será
sempre marcado por essas características, resultando em uma
reflexão rigorosa, radical e de conjunto.
Ceticismo e
dogmatismo na
filosofia
A partir do que foi colocado, percebemos que para filosofar não
podemos manter nem uma atitude cética nem sua contrapartida,
uma atitude dogmática perante o mundo e o conhecimento humano. Se, de um lado, necessitamos de certezas, de conhecimento
válido para orientar nossas ações, de outro, sabemos que essas
certezas fazem parte de momentos históricos, de pontos de vista a
partir dos quais analisamos o nosso estar no mundo.
O cético, no sentido comum, é aquele que desconfia de tudo, que não acredita nas possibilidades que estão a sua
frente. Do ponto de vista filosófico, porém, dá-se o nome de ceticismo à corrente de pensamento que duvida de
toda e qualquer possibilidade de se chegar ao conhecimento verdadeiro.
Ceticismo
Por exemplo, Montaigne, filósofo francês do século XVI, partindo da
ideia de que toda verdade é relativa à época, ao contexto histórico e
à situação pessoal de cada um, afirma que o homem deve renunciar
à pretensão de chegar a qualquer certeza. Não há possibilidade
sequer de saber se as sensações são reais ou imaginadas. Assim
sendo, os homens devem abster-se de emitir qualquer juízo, uma
vez que toda afirmação é passível de dúvida.
Para o cético, portanto, o sujeito é incapaz de apreender o
objeto de conhecimento. O ceticismo, ainda, inspira a atitude
crítica e questionadora da filosofia contemporânea, colocando
questões sobre a relatividade do conhecimento e os limites da
razão.
No senso comum, o dogmático, por outro lado, é a pessoa que acredita ter a posse da verdade e se recusa ao
diálogo, não admitindo nenhum questionamento de suas certezas. Em filosofia, entretanto, dá-se o nome de
dogmatismo à doutrina ou atitude que afirma, de forma absoluta, a capacidade humana de chegar a verdades
seguras, através do uso exclusivo da razão. É essa mesma crença cega na razão que faz com que o dogmático
não admita discussões.
Dogmatismo
Do ponto de vista histórico, o dogmatismo é a atitude dos primeiros
filósofos, os chamados pré-socráticos, que têm como certo o poder de
conhecer a realidade tal qual ela é. Os sofistas são os primeiros a
problematizar a questão da verdade do conhecimento.
O nascimento da
filosofia
A reflexão filosófica, com as características descritas, nasceu na Grécia no século VI a.C, com os filósofos que antecederam a Sócrates.
A passagem da consciência mítica e religiosa para a consciência racional e filosófica não foi feita de um salto. Esses dois tipos de
consciência coexistiram na sociedade grega, assim como, dentro de certos limites, coexistem na nossa.
A teogonia opôs-se a cosmologia, isto
é, a crença na origem divina e mítica do
mundo foi substituída pela busca da
arché, do princípio não só material, mas
também regulador da ordem do
mundo. Esta busca da arché, do princípio ou fundamento das coisas, transformou-se na questão central para os
pré-socráticos. As respostas foram múltiplas e divergentes: para alguns era a
água, para outros, o ar, para outros,
ainda, o fogo ou os quatro elementos.
E, com esta diversidade de respostas,
rompe-se a atitude mítica, monolítica e
dogmática, embora o conteúdo da reflexão filosófica permaneça muito
semelhante ao do mito, pois a estrutura
de entendimento do mundo é
semelhante.
Com Sócrates, essa busca da discussão e do
rigor leva à criação do chamado método
socrático.
Voltando sua atenção para o problema do homem,
Sócrates faz uma análise detalhada das qualidades
individuais e das virtudes humanas, determinando e
definindo essas qualidades como sendo a bondade, a
justiça, a temperança, a coragem etc. o coerente e
rigoroso.
O método socrático envolve duas fases.
A primeira, chamada ironia, consiste em fazer
perguntas ao interlocutor que o obriguem a
justificar, sempre com maior profundidade,
seu ponto de vista, até que ele perceba que
seus argumentos não se sustentam. Esta é a
fase destrutiva, pois leva as pessoas a admitir a
própria ignorância a respeito do assunto. São
destruídas as opiniões do senso comum e o
conhecimento espontâneo, muitas vezes
baseados em estereótipos e preconceitos.
A segunda parte, chamada maiêutica (parto), é
a construção de novos conceitos baseados em
argumentação racional. Assim, Sócrates, com
suas perguntas, demole o saber constituído
para, depois, ainda através de perguntas e da
contraposição de ideias, reconstruí-lo a partir de
uma base mais sólida e de um raciocínio
coerente e rigoroso.
Download