APOSTILA INVENTARIO DE PLANTAS

advertisement
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE MANICA
DIVISÃO DE ECONOMIA, GESTÃO E TURISMO
CURSO DE ECOTURISMO E GESTÃO DE FAUNA BRAVIA
Zefanias Jone Magodo
Diamuleto Altivo Banze
AULAS DE INVENTÁRIO DE PLANTAS
Apostila recomendada para:
Estudantes do Curso de Ecoturismo,
Gestão de Fauna Bravia, Engenharia Florestal,
Gestores de Áreas de Conservação e outros interessados
em conservação da biodiversidade.
Matsinho, Setembro de 2017
AULAS DE INVENTARIO DE PLANTAS
Zefanias Jone Magodo1
Diamuleto Altivo Banze2
Matsinho, Setembro de 2017
1
Divisão de Economia, Gestão e Turismo; Graduado em Ecoturismo e Gestão de Fauna Bravia; Mestre
em Gestão e Auditorias Ambientais; Mestrando e Ciências Jurídicas Publico Forense; Vinculado ao
Cybertracker level II.
2
Divisão de Economia, Gestão e Turismo; Graduado em Ecoturismo e Gestão de Fauna Bravia;
Mestrando em Mudanças Climáticas.
LISTA DE AUTORES
Autor
Zefanias Jone Magodo
Docente no Curso de Licenciatura em Ecoturismo e Gestão de Fauna Bravia do Instituto
Superior Politécnico de Manica (ISPM), nos módulos de Identificação e Inventario de Plantas,
Armamento e Tiro, Fiscalização e Estratégias de Defesa Pessoal, Comércio de Recursos
Florestais e Faunísticos e Legislação Aplicada ao Turismo e Conservação.
Coautor
Diamuleto Altivo Banze
Docente no curso de Licenciatura em Ecoturismo e Gestão de Fauna Bravia do Instituto
Superior Politécnico de Manica (ISPM), nos módulos de Gestão de Áreas de Conservação
Transfronteiras, Gestão da Biodiversidade e Logística e Gestão de Transportes em Ecoturismo.
Técnico em Ecologia, Estudos e Pesquisas em Wildlife.
i
NOTA PRÉVIA
A presente apostila é dirigida a estudantes dos cursos de ecoturismo e gestão de fauna bravia,
engenharia florestal, gestão ambiental e todos aqueles que desenvolvem actividades de
conservação da biodiversidade.
Os conteúdos constantes dela, são derivados de pesquisas feitas pelos autores, com intuito de
estimular e suscitar nos leitores a promoção da investigação e pesquisa em matérias
relacionadas com o inventario de plantas e/ou recursos florestais.
Esta apostila não é o ponto final de conteúdos sobre inventários, pois não esgota todas
opiniões (divergentes) e recomenda-se o contacto com os autores para a melhoria da mesma.
Os autores.
ii
ÍNDICE
LISTA DE AUTORES
i
NOTA PRÉVIA
ii
UNIDADE 1. CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DAS PLANTAS
1
1.1.
Classificação de plantas
2
1.2.
Nomenclatura das plantas
5
1.2.1.
Historial da nomenclatura botânica
1.2.1. Regras de nomenclatura
UNIDADE 2: HERBÁRIO
6
6
8
2.1. Conceitos
9
2.2. Serviços prestados pelo herbário
9
2.3. A amostra do herbário e sua importância
10
2.4. Preparação de amostra de herbário
11
UNIDADE 3. INVENTÁRIO DE PLANTAS
13
3.1. Tipos de inventários
13
3.1.1. Contagens totais
14
3.1.2. Contagens de amostras
14
3.2. Considerações no inventário de plantas
14
3.3. Objectivos dos inventários
15
3.4. Questões retiradas do inventário
15
3.5. Importância de inventários
16
3.4. Métodos de amostragem
16
3.4.1. Amostragem aleatória simples
17
3.4.2. Amostragem sistemática
17
3.4.3. Amostragem em conglomerados
18
3.5. Analise dos dados colhidos
18
3.5.1. Frequências
18
3.5.2. Densidade
19
3.5.3. Índice de importância
19
3.5. Técnicas/ Métodos de inventários de plantas (Cobertura basal)
19
3.6. Técnicas/ Métodos de inventários de plantas (Frame Quadrat)
20
3.7. Técnicas/ Métodos de inventários de plantas (PCQ)
20
BIBLIOGRAFIA
22
UNIDADE 1. CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DAS PLANTAS
1
O termo planta, ou vegetal, é muito mais difícil de definir do que se poderia pensar. Lineu
definiu o seu reino Plantae incluindo todos os tipos de plantas "superiores", as algas e os
fungos. Depois de se descobrir que nem todas eram verdes, passou-se a definir planta como
qualquer ser vivo sem movimentos voluntários.
Aristóteles dividia todos os seres vivos em plantas (sem capacidade motora ou órgãos
sensitivos), e em animais - esta definição foi aceite durante muito tempo. No entanto, nem esta
definição é muito correcta, uma vez que a sensitiva (Mimosa pudica, uma leguminosa), fecha os
seus folíolos ao mínimo toque, entre outras causas, como o fim do dia solar.
1.1.
Classificação de plantas3
No reino vegetal as plantas são divididas em plantas avasculares e plantas vasculares. As
plantas avasculares são aquelas que não possuem vasos condutores de seiva, e as plantas
vasculares são plantas que possuem vasos condutores de seiva. Os vasos condutores de seiva
presentes nas plantas funcionam como os vasos sanguíneos que temos em nosso corpo,
levando substâncias úteis e substâncias que não serão mais utilizadas.
No Reino Plantae (lê-se “plante”), as plantas são classificadas em briófitas, pteridófitas,
gimnospermas e angiospermas.
As briófitas são plantas avasculares, facilmente encontradas na natureza. Elas são muito
conhecidas como musgos e não ultrapassam os 2 cm de altura. Para que essas plantas
consigam se reproduzir, elas precisam de água, por esse motivo são encontradas somente em
locais húmidos.
As briófitas são plantas muito pequenas, e apresentam cauloide, que lembra o caule das
plantas vasculares; filoides, que lembram folhas; e rizoides que têm a mesma função das raízes
das plantas vasculares, fixar a planta no solo.
3
Texto retirado em: http://escolakids.uol.com.br/classificacao-das-plantas.htm. Autora: Louredo
2
As briófitas são plantas que dependem da água para sua reprodução
As pteridófitas são plantas vasculares, podem atingir vários metros de altura. Gostam de
ambientes húmidos e sombrios, e seus representantes mais conhecidos são as samambaias.
Essas plantas costumam apresentar raiz, caule e folhas, mas nem sempre são percebidas com
facilidade. Assim como as briófitas, as pteridófitas também necessitam da água para sua
reprodução, que é feita através dos gametas que se encontram no interior dos soros, aqueles
pontinhos pretos que podem ser vistos a olho nu no dorso das folhas das samambaias.
As pteridófitas, assim como as briófitas, necessitam de água para sua reprodução
3
As gimnospermas são plantas vasculares que possuem raiz, caule e folhas. São as primeiras
plantas a apresentarem sementes, e por esse motivo não necessitam de água para que ocorra
a fecundação de seus gametas. As pinhas encontradas nas gimnospermas são muito utilizadas
em decorações natalinas, e é por meio delas que a planta, através de insetos ou vento,
consegue fecundar seus óvulos, originando sementes que chamamos de pinhão. As
gimnospermas mais conhecidas são os pinheiros.
As gimnospermas foram as primeiras plantas a apresentar sementes
Por último temos as angiospermas, plantas vasculares que apresentam raiz, caule, folhas,
flores e frutos. As angiospermas constituem mais de 70% de todas as espécies de plantas
existentes no planeta, e seu tamanho varia desde pequenas ervas até grandes árvores. A
fecundação das angiospermas ocorre através de suas flores, e quando fecundadas produzem
frutos e sementes, que servem de alimento para muitos animais, inclusive para o homem.
4
As angiospermas são plantas que dominam o ambiente terrestre
1.2.
Nomenclatura das plantas
A nomenclatura de plantas, é a denominação do nome correcto a uma planta já conhecida
conforme as regras, princípios e recomendações do Código Internacional de Nomenclatura
(Código de Melbourne, 2011). A aplicação de nomes científicos as plantas Bortoluzzi (2015)4.
Os primeiros nomes das plantas foram vernáculos ou nomes comuns, mas estes têm seus
inconvenientes:
 Não são universais e somente são aplicados a uma língua.
 Somente algumas plantas têm nome vernáculo.
 Freqüentemente duas ou mais plantas não relacionadas possuem o mesmo nome ou uma
mesma planta possui diferentes nomes comuns.
 Se aplicam indistintamente a gêneros, espécies ou variedades.
Profª Roseli L.C. Bortoluzzi. (2015). Regras de nomenclatura botânica. Universidade do Estado de
Santa Catarina. Departamento de Fitotecnia.
4
5
1.2.1. Historial da nomenclatura botânica5
A nomenclatura botanica teve o seu inico no Séc. XVIII (época prélineana), onde as plantas
eram identificadas por uma longa fase descritiva em latim (sistema polinomial), que cresceu a
medida que se encontravam novas espécies semelhantes. Por exemplo: Carlina acaulis L. era
conhecida como:Carlina acule inifloro florae breviore.
Com a publicação de Species Plantarum por Lineu, em 1753, o sistema foi definitivamente
estabelecido, com uma combinação de duas palavras em latim: O nome genérico ou gênero e
O epíteto específico. O nome científico sempre está acompanhado pelo nome abreviado do
autor que o descreveu pela primeira vez de forma efectiva ou válida.
O nome de um gênero pode ser o nome de uma pessoa latinizado, seguindo as regras:
Terminação em vogal: se adiciona a, exceto quando termina em a (ea).
Ex: Boutelou
Boutelona; Colla Collaea
Terminação em consoante: se adiciona ia. Ex: Klein Kleinia; Lobel Lobelia
Nota: Quando uma espécie muda de gênero, o nome do autor do basiônimo (primeiro nome
dado a uma espécie) deve ser citado entre parênteses, seguido pelo nome do autor que fez a
nova combinação. Ex. Majorana hortensis (Linn.) Moench.; basiônimo: Origanum majorana
Linn.
1.2.1. Regras de nomenclatura
De acordo com o Código Internacional de Nomenclatura Botânica (2011)6, a nomenclatura
botânica obedece 6 princípios, nomeadamente:
1. A nomenclatura de algas, fungos e plantas é independente da nomenclatura zoológica e
bacteriológica. Este Código aplica-se igualmente aos nomes de grupos taxonómicos tratados
Texto retirado em: https://pt.slideshare.net/wendersonnonato7/nomenclatura-botnica. Autor: Ferreira,
Wenderson (2015).
5
6
International Code of Nomenclature for algae, fungi, and plants (Melbourne Code). Adopted
by the Eighteenth International Botanical. Congress Melbourne, Australia, July 2011.
6
como algas, fungos ou plantas, independentemente de esses grupos terem ou não sido
tratados originalmente;
2. A aplicação dos nomes dos grupos taxonómicos é determinada por tipos nomenclaturais;
3. A nomenclatura de um grupo taxonómico baseia-se na prioridade de publicação;
4. Cada grupo taxonómico com uma circunscrição, posição e classificação específica pode
suportar apenas um nome correcto, o mais antigo que esteja de acordo com as regras, exceto
em casos especificados.
5. Nomes científicos de grupos taxonómicos são tratados em latim, independentemente de sua
derivação.
6. As regras da nomenclatura são retroativas, a menos que expressamente limitado.
7
UNIDADE 2: HERBÁRIO
8
2.1. Conceitos
Um herbário é um conjunto de espécimes vegetais que, prensados e secos, são dispostos
segundo a sequência de uma classificação taxonómica (Engler, Cronquist, APG) e podem ser
utilizados como referência a outros estudos científicos7.
O Herbário constitui um conjunto de plantas processadas e organizadas, que servem como
material de pesquisa para todas as áreas da ciência que utilizam os vegetais como seu objeto
de estudo. As plantas herborizadas e identificadas que constituem a coleção do herbário são
chamadas exsicatas.
Herbário é uma coleção científica de plantas secas (exsicatas), organizadas e preservadas
segundo um sistema determinado (Instituto Plantarum)8.
É uma colecção de plantas prensadas e secas, dispostas segundo determinada ordem e
disponíveis para referência ou estudo. Podendo conter algumas centenas de exemplares
colhidos num determinado local, ou, geralmente, ser composto de milhões de exemplares,
acumulados ao longo de muitos anos e que documentam a flora de um ou mais continentes
(ciência viva)9.
O herbário é como uma biblioteca. A diferença é que seu acervo não é composto
de livros e sim de vegetais secos e conservados. Por isso, é considerado o
detentor das informações sobre a flora de uma determinada região.
2.2. Serviços prestados pelo herbário10
 Levantamentos Florísticos: tem por objectivo levantar espécies botânicas de determinada
área geográfica. Entre estes levantamentos, há o levantamento expedito por caminhamento,
cuja meta é amostrar as espécies, percorrendo a área e elaborando uma lista dos grupos de
vegetais encontrados ao longo do trajeto.
 Relatório técnico botânico: compreende a identificação botânica e as etapas a seguir:
Texto retirado em: http://www.unesc.net/portal/capa/index/223/468.
Texto retirado em: http://www.plantarum.org.br/pesquisa/herbario/
9 Texto retirado em: http://www.cienciaviva.pt/projectos/pulsar/herbario.asp
10
Texto retirado em: http://www.unesc.net/portal/capa/index/223/468.
7
8
9
 Descrição das espécies: as informações referentes às características botânicas
peculiares de cada espécie, como altura, forma biológica (herbácea, arbusto, arvoreta,
liana ou árvore), folhas, flores, inflorescência e fruto, entre outros;
 Distribuição geográfica: descrição da área de estudo e amplitude geográfica das
espécies;
 Importância econômica: informações referentes ao uso da espécie (medicinal,
ornamental, etc.) e ao valor econômico atribuído à espécie botânica em questão, se
conhecido.
 Identificação Botânica: entende-se por identificação botânica o acto de dar nome à
espécie botânica em questão já previamente classificada pelo botânico que a descobriu.
 Herborização: entende-se por herborização o processo de prensagem e secagem do
material amostrado e coletado no campo.
2.3. A amostra do herbário e sua importância
Uma amostra do herbário, é uma amostra de planta pressionada e depositada para referência
futura. Ela apoia o trabalho de investigação e pode ser examinada para verificar a identidade da
planta específicas utilizadas em um estudo.
A amostra obtida é chamada exsicata, a unidade básica da coleção de um herbário. Ela é então
numerada antes de ser incorporada ao acervo. Posteriormente as exsicatas são acondicionadas
e arquivadas em armários de metais hermeticamente fechados, em ambiente com temperatura
e umidade controladas, a fim de se evitar a proliferação de insetos e fungos que podem
danificar a coleção, contribuindo com sua preservação para estudos futuros por centenas de
anos.
As coleções de herbário atuam como verdadeiros bancos de informações sobre a flora e são as
bases do conhecimento sobre sua composição, distribuição e conservação, desempenhando
duas funções essenciais no processo de geração do saber, uma vez que são as fontes
primárias de material para diversos estudos e, por outro lado, servem como testemunho destes
estudos.
Como centro de referência material, os herbários são indispensáveis para a identificação
científica de plantas para distintos pesquisadores, a exemplo dos taxonomistas, ecólogos,
conservacionistas e ambientalistas – a correta identificação é sempre o primeiro passo no
10
acesso às informações relacionadas à determinada espécie, permitindo o diálogo entre
cientistas de áreas do saber ou regiões do mundo distintas.
O herbário ainda representa o mais poderoso instrumento para o conhecimento sistemático e a
compreensão das relações fitogeográficas e evolutivas da flora de uma determinada região.
Através de suas coleções podem também ser obtidas amostras para análises químicas ou
genéticas, dados a respeito da morfologia, fenologia e ecologia das espécies vegetais,
fundamentais à inúmeras pesquisas em distintas áreas da ciência.
Um herbário serve como depositário de coleções históricas notáveis – tipos nomenclaturais,
coleções citadas nos trabalhos clássicos ou identificadas por distintos especialistas, com
diferentes posicionamentos ao longo dos anos; é especialmente útil na documentação
permanente da composição florística de regiões que foram alteradas ou devastadas, o que
comprova o valor e a versatilidade dessas coleções científicas, e as coloca definitivamente no
centro dos esforços para a conservação de espécies.
Herbários também podem representar um importante instrumento didático para o treinamento
de estudantes, técnicos e entusiastas no reconhecimento da flora de uma determinada região.
2.4. Preparação de amostra de herbário
1º Planeamento prévio para preparação de espécimes;
2º Identificar o local da recolha e a data para obter as amostras;
3º Obtenção de licenças de recolha á órgãos competentes;
4º Estabelecimento de contacto oficial com o governo, herbário e pessoal de investigação na
área que você estará trabalhando
5º 2 placas de madeira (dimensões sugeridas – 40x30 cm), com um furo a 2,5 cm de cada um
dos quatros cantos;
6º 4 parafusos compridos com porcas de orelhas e jornais.
11
Como fazer?
Sobre uma das placas de madeira colocar vários jornais, depois um exemplar completo da
espécie a herborizar (com caule, folhas e flores/frutos, eventualmente raízes) dentro de um
jornal e, novamente, jornais vazios. Não esquecer de colocar junto a cada planta colhida uma
etiqueta com os seguintes elementos: nome da planta (científico, se conhecido, ou vulgar), local
da colheita (o mais pormenorizado possível, com distrito, concelho, lugar, ecologia, se é
seco/húmido, próximo de caminhos, altitude, etc.) data da colheita, nome do colector. (Fonte:
Lucélia Pombeiro e Teresa Nogueira. In: INETI,2002)
12
Fonte: Lucélia Pombeiro e Teresa Nogueira. In: INETI (2002)
9
Fonte: Lucélia Pombeiro e Teresa Nogueira. In: INETI (2002)
10
Fonte: Lucélia Pombeiro e Teresa Nogueira. In: INETI (2002)
É importante haver jornais sem plantas entre exemplares herborizados, para a humidade que sai das plantas e que é absorvida
pelos jornais não passar dum exemplar para outro. Assim, evita-se o crescimento de fungos (bolores) nas plantas e fermentações,
que as danificavam, não permitindo a sua conservação.
11
Depois de prensadas todas as plantas colhidas, coloca-se a outra placa de madeira e
apertam-se as porcas de orelhas dos parafusos, até sentir alguma pressão, de modo que as
plantas fiquem espalmadas, mas não esborrachadas. Têm que se mudar os jornais com
frequência, de início todos os dias e, posteriormente, à medida que a planta vai secando,
vai-se diminuindo a frequência de substituição dos mesmos (Fonte: Lucélia Pombeiro e
Teresa Nogueira. In: INETI, 2002)
Fonte: Lucélia Pombeiro e Teresa Nogueira. In: INETI, (2002)
Fonte: Lucélia Pombeiro e Teresa Nogueira. In: INETI, (2002)
12
UNIDADE 3. INVENTÁRIO DE PLANTAS
13
Antes de partirmos para a aula de inventários, é necessário conhecer algumas unidades de
medidas, são elas:
dcc: diâmetro com casca
dsc: diâmetro sem casca
d0.1h: diâmetro a 10% da altura
d0.3h: diâmetro a 30% da altura
d3: diâmetro a 3 metros de altura
d5: diâmetro a 5 metros de altura
PMD: ponto de medição do diâmetro
g: área transversal (m2 )
DAP: diâmetro à altura do peito (DAP1.3m: diâmetro à altura do peito medido a 1.30m do solo)
CAP: circunferência à altura do peito
cc ou L: comprimento de cubagem
f: factor de forma
K: quociente de forma
l1,l2: secções do fuste
14
1milha= 16093 km
1 hectare (há) = 10.000m2
1 polegada (inch) = 2,54 cm
O diâmetro é uma das variáveis mais importantes na quantificação volumétrica, avaliação da
biomassa ou estudo do crescimento. Serve para diferenciar ainda que empiricamente árvores
finas de árvores grossas.
A medição do diâmetro de uma árvore em pé é feita sempre que possível à altura do peito do
medidor (DAP), observada a referência de 1.30 metros acima do solo, porque:
a) É uma posição que facilita o trabalho e manuseio dos instrumentos de medição;
b) É mais fácil em caso de medição de sapopemas ou sapobemba11;
c) É uma forma de padronização
O diâmetro é duas vezes o raio de um círculo.
Área transversal, designada pela letra g, é a área da secção transversal (perpendicular ao eixo
da árvore) no ponto de medição do diâmetro. A área transversal (g) em árvores em pé,
geralmente, refere-se ao DAP e calcula-se da seguinte fórmula:
Onde:
g = área transversal
d = diâmetro considerado
= Pi = 3,1415…
é uma palavra originada do tupi sau’pema, que significa raiz chata. Ela designa um tipo de raiz grande
que se desenvolve junto com o tronco de várias árvores da floresta pluvial, formando divisões achatadas
em torno dele.
11
12
O somatório das áreas transversais de todas as árvores da unidade de área (hectare) é definido
como “área basal por unidade de área” e simbolizado por “G”.
A área basal (G) é uma variável importante, pois é uma medida de densidade da floresta e é
diretamente relacionada com o volume por hectare.
A relação da área basal/ha com a idade é de grande importância, pois pode servir para a
determinação do ponto de estagnação da floresta.
A área basal serve também para indicar, matematicamente, o ponto de máximo crescimento da
espécie em função das condições de solo, espaçamento etc. Com seu conhecimento, podem
ser realizadas avaliações econômicas e potenciais da floresta. A associação da área basal com
a altura e a um fator de forma permite determinar o volume do povoamento ou da própria
árvore.
A determinação da área basal pode ser feita através dos seguintes métodos:
a) Medição directa de todos os diâmetros com cálculo da área basal de cada árvore expresso
em 2m e somatório das mesmas, expresso em 2m /há;
b) Por meio de fotografias aéreas (escalas 1:10.000, 1:8.000 ou menor), nas quais se procura
relacionar o diâmetro da copa com o DAP, ou a superfície da copa com a área basal;
c) Por Relascopia: contagem das árvores em relação a uma determinada banda ou unidade
relascópica, com o uso do relascópio de Bitterlich.
3.1. Tipos de inventários
O inventário de planta é um instrumento de contagem de plantas, existente em determinada
área, reunindo técnicas de colecta em uma determinada área, com intuito de fornecer
informações qualitativa e quantitativa (o que se tem? Quantas?) e outros aspectos.
Inventário é o meio de determinar uma lista exaustiva de todos os recursos em uma área
protegida ou de habitat usando métodos diferentes.
Inventário é um levantamento de campo para determinar a presença de espécies em um
determinado lugar
Inventário Florestal- é um registo ou relação das espécies vegetais de um determinado lugar.
13
Normalmente este documento apresenta dados geográficos e botânicos, como altitude,
localização, declive do terreno, cobertura vegetal, localização das espécies existentes na
natureza do substrato.
3.1.1. Contagens totais
A contagem total acontece quando ela é feita abrangendo toda área. Para tal divide-se a
mesma em pequenos blocos e contam-se tudo que estiver em cada. Esta técnica é usada para
avaliar a densidade de plantas em áreas com poucos indivíduos. É muito simples, faz-se
através de observação, e todos indivíduos são contados
Vantagens:
 A informação é credível porque toda a área e vasculhada;
Desvantagens:
 Acarreta custos elevados;
 A operação consome muito tempo;
 Precisa-se de muita mão-de-obra.
3.1.2. Contagens de amostras
Esse tipo de contagem apenas abrange uma parte da área, sendo estimado a partir da amostra.
Se a amostra for de 25% deverá ser representativo da área total. A amostra deve ser
representativo. Devendo ser: Amostra aleatória e Amostra sistemática.
3.2. Considerações no inventário de plantas
 As plantas são sésseis
 Facilita seu estudo de campo
 Contudo, as espécies ou indivíduos dentro das espécies variam em: 1. Tamanho; 2.
Biomassa; 3. Altura; 4. Distribuição horizontal
 Essas variações podem dificultar a escolha de melhor técnica para determinar a abundância
de espécies
14
 A medida padrão de abundância é a densidade.
 Densidade é o número de indivíduos contados por unidade de área.
 Para além da densidade, biomassa para estimativa de abundância, usa-se a cobertura
vegetal.
 Cobertura vegetal é a medida da área coberta por parte aérea da planta duma determinada
espécie, quando vista de cima.
 As vezes usa-se a frequência na estimativa de abundância.
 Frequência é o número de amostras na qual a espécie é encontrada.
3.3. Objectivos dos inventários
 Para determinar a lista dos recursos (espécies) que se encontram numa determinada área.
 Para determinar o critério para aumentar ou diminuir uma determinada espécie, de modo a
determinar os factores casuais da dinâmica da população em função do tempo.
 Para determinar as necessidades do habitat para cada espécie.
 Para determinar a importância duma específica dentro dum habitat.
 Especificamente no inventário de plantas, em áreas de conservação, tem como objectivo
estimar a quantidade e a qualidade da espécie florestal. Pois, obtém-se dados quanto à
quantidade de indivíduos naquela determinada área, quantidade de espécies, tamanho dos
indivíduos, além do tipo de solo, incidência de luz, entre outros.
3.4. Questões retiradas do inventário
No inventário procuramos responder duas questões fundamentais?
i) Quais são as espécies de animais e plantas existentes na sua área de conservação, sua
localização e sua quantidade?
ii) Qual é a tendência do crescimento da população em função do tempo?
Quanto a tendência do crescimento da população em função do tempo, vai depender da
disponibilidade do alimento, caso existir alimento necessário a população vai crescer num curto
15
espaço de tempo. Caso não haja condições favoráveis para a alimentação, a população terá
deficiência no crescimento.
3.5. Importância de inventários
Para que serve os dados colhidos nos inventários de plantas?
Os dados obtidos destes levantamentos são uma ferramenta para maneio destas áreas. Uma
vez que serão feitas análises do ecossistema da área estudada, das suas interações como
mutualismo, simbiose, predação por herbivoria e/ou invasão de plantas exóticas, dos estágios
sucessionais da floresta, pois será desenvolvido um estudo de longa duração.
Para identificar as áreas com prioridade para ações de conservação (quais ações de
conservação), pois serão feitas discussões, identificando-se, por exemplo, áreas que precisem
de alguma forma de intervenção, áreas em que a qualidade ambiental é boa, devido às
condições em que se encontram, e estas condições podem ser tomadas como exemplo para
manejo de outras áreas.
3.4. Métodos de amostragem
Para inventariar plantas, existem diferentes técnicas/métodos de amostragem, sendo que o
desenho experimental, deve ser apropriado no espaço e no tempo, dependendo dos objectivos
de estudo e a hipótese. Pode-se definir quadrantes de 20 x 20 m, 15 x 15 m ou 1 x 1 m,
dependendo do que se quer medir (diversidade de árvores, arbustos ou pastos), ou seja, ou
tamanho do quadrante esta relacionado com a forma de vida da planta.
Quadrantes de diferentes medidas para amostragens
16
3.4.1. Amostragem aleatória simples
Na amostragem aleatória simples, a área total é subdividida em áreas menores com dimensões
definidas (20m x 50m), em seguida a numeração das unidades em ordem crescente de 1 a n. é
bastante eficiente em termos de cálculos das estimativas, mas apresenta desvantagens pelo
facto de se caminhar entre as unidades de amostras. Aplicado para pequenas áreas com
características mais ou menos homogéneas.
3.4.2. Amostragem sistemática
Utilizada em levantamentos florestai, por ser prático, rápido na colecta de dados, com custos
reduzidos e com alta precisão, mas influenciada pelo tamanho e forma das unidades amostrais,
devendo-se ter o cuidado de definir correctamente o numero e dimensões das unidades
amostrais, para se evitar erros acima dos limites aceitáveis. Aplicado quando os elementos
amostrais são heterogéneos.
17
3.4.3. Amostragem em conglomerados
Aplicado em inventários florestais de extensas áreas cuja variável de interesse apresente
razoável heterogeneidade. A sua estrutura consiste num formato em cruz com quatro
subunidades cada, uma com1/4 de hectare ou com 10m x 250m
3.5. Analise dos dados colhidos
Na análise de dados colhidos nos levantamentos são usados medidas como frequências,
densidade, dominância e o índice de importância.
3.5.1. Frequências
Do latim frequentĭa, permite fazer referência à quantidade de vezes que um processo se
reproduz por unidade de tempo.
Frequência é a quantidade dos indivíduos disponíveis num número total na área de estudo.
A frequência é à maior ou menor repetição em que ocorre um evento.
A frequência é o descritor do numero de observações realizadas pelo pesquisador de seu
objecto de estudo por exemplo espécie. Expressa normalmente em forma de percentagem.
Esse parâmetro pode ser absoluto (1), quando calculado em função de uma área amostral ou
outra subdivisão criada pelo pesquisador e relativo (2) obtido pela proporção entre a frequência
absoluta de determinada espécie e a soma das frequências absolutas das demais espécies
inventariadas.
18
Frequência é o número de amostras na qual a espécie é encontrada.
A frequência relativa é definida como a razão entre a frequência absoluta e o número total de
observações.
3.5.2. Densidade
A densidade é o número de indivíduos contados por unidade de área.
3.5.3. Índice de importância
O índice de importância é resultante do somatório da frequência relativa, densidade relativa e
dominância relativa da espécie.
3.5. Técnicas/ Métodos de inventários de plantas (Cobertura basal)
A estimativa da cobertura basal ou do dossel, é facilmente obtida em vegetação de baixa altura
(grassland). Esta técnica é usada para estimar a cobertura vegetal de toda área de estudo, ou
algumas parcelas da área.
A classificação pode ser feita nos seguintes termos: dominante, abundante, frequente,
ocasional ou rara (DAFOR)
A percentagem de cobertura pode ser estimada através de vista directa, criando então, uma
sua classe de percentagem
A estimativa de cobertura é fácil quando se olha vegetação no chão
É extremamente difícil numa floresta fechada
Quando comparado com outras técnicas é muito vantajoso pela sua velocidade de aplicação
Contudo, tem resultado com pouca precisão, devido a alta subjectividade
Pessoas diferentes, ou a mesma pessoa em tempos diferentes pode dar estimativas diferentes
Tem que se garantir que a interpretação de classes de percentagem seja uniforme durante todo
estudo.
19
3.6. Técnicas/ Métodos de inventários de plantas (Frame Quadrat)
Este método pode ser usado para estimar a cobertura, densidade, biomassa ou frequência de
uma espécie em qualquer vegetação.
Frame quadrats é usado para definir área amostral dentro da área de estudo.
É feito por 4 peças de madeira, metal ou plástico rígido, que juntos formam um quadrado
Pode ser usado em diferentes medidas consoante ao tipo de vegetação:
 Briófitas: 0,01 – 0,25 m2
 Grassland: 0,25 – 16 m2
 Arbustos altos: 25 – 100 m2
 Árvores (floresta): 400 – 2500 m2
A densidade é obtida contando número de indivíduos dentro do quadrat.
Na contagem tem que decidir se conta as plantas dentro quadrat ou que tenha raíz dentro do
quadrat.
A frequência, neste caso, consiste na percentagem de quadrats em que a espécies em questão
foi encontrada.
3.7. Técnicas/ Métodos de inventários de plantas (PCQ)
 Altura
 DAP (diâmetro a altura do peito)
 Cobertura
 Distância média por planta (d)
 Área média por planta (d2)
 Densidade (1/d2)
 Frequência
20
Procedimentos
 Determinar a média das quatros distâncias das plantas em relação ao centro.
 A média é elevada ao quadrado (D2)
 Esta é a área média em que uma planta ocorre dentro da área de estudo
 Determina-se a média da dominância somando os valores de cobertura por área basal ou
canopy por indivíduo de cada espécie, e dividi-los por nr de individuos dentro de espécie.
 g = (¶xd2)/4
1. Densidade relativa (Dr)
Dr = (indiv.de1 spp/indiv.totais de todas spp) x 100
2. Densidade
D = (Dr de 1 spp x dens. Total de todas spp)/ 100
3. Dominância relativa (dom rel)
Dom rel =(dom de 1 spp / dom total de todas spp) x 100
4. Frequência (F)
F = (nr de pontos na qual spp ocorre)/ nr total de pontos de amostra
5. Frequência relativa (Fr)
Fr = (valor de F de 1 spp) / (valor total de F de todas spp)
6. Índice de valor de importância (IVI)
IVI = Dr + dom rel + Fr
21
BIBLIOGRAFIA
Da Cunha, U. S. (2004). Dendrometria e Inventário Florestal. Curso técnico em manejo
florestal. Escola Agrotécnica Federal de Manaus. Série Técnica. Manaus-Brasil. 61p.
FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. (2001). Resource
Assessment of Non-Wood Forest Products. Experience and biometric principles. 128p.
Freese, F. (1967). Elementary Statistical Methods For Foresters. Agricultural Hand Book no
317. U.S. Department of Agriculture Forest Service, 91p.
Freese, F. (1976). Elementary Forest Sampling. Agricultural Hand Book no 232. U.S.
Department of Agriculture Forest Service, 95p.
Husch, B.; Beers, T.W; Kershaw, J. A. (2003). Forest Mensuration. 4TH Edition.
Jayaraman, K .(1999). A Statistical Manual For Forestry Research.FAO-FORSPA, Bangkok,
234 p.
Fonte da Web:
http://escolakids.uol.com.br/classificacao-das-plantas.htm. Autora: Louredo
http://www.cienciaviva.pt/projectos/pulsar/herbario.asp
http://www.plantarum.org.br/pesquisa/herbario/
http://www.unesc.net/portal/capa/index/223/468.
https://pt.slideshare.net/wendersonnonato7/nomenclatura-botnica. Autor: Ferreira, Wenderson
(2015).
International Code of Nomenclature for algae, fungi, and plants (Melbourne Code). Adopted
by the Eighteenth International Botanical. Congress Melbourne, Australia, July 2011.
Profª Roseli L.C. Bortoluzzi. (2015). Regras de nomenclatura botânica. Universidade do
Estado de Santa Catarina. Departamento de Fitotecnia.
22
Download