Regência.

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Núcleo de Educação a Distância
UVAONLINE
Comunicação Oral e Escrita
Unidade 10
Regência
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Aviso importante!
Este material foi produzido com o objetivo de permitir que você realize consultas offline ao conteúdo da disciplina virtual.
No entanto, alertamos para o fato de que a disciplina deve ser cursada no modo
digital. O conteúdo foi desenvolvido prevendo a utilização dos recursos que a mídia
eletrônica pode oferecer. Através do ambiente UVAONLINE, a aprendizagem tornarse-á mais fácil, ágil, interativa e eficaz.
O texto que estamos disponibilizando para você, através desta apostila, deverá ser
utilizado apenas como um reforço. Todas as práticas e atividades que devem ser
realizadas ao longo e ao final de cada Unidade, só estão disponíveis no ambiente
virtual.
Lembramos ainda que, para obter aprovação, é necessário que você tenha realizado
e enviado para o seu Tutor as atividades e avaliações propostas em todas as
unidades da disciplina.
Tenha um ótimo estudo!
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Unidade 10 – Regência
A correção textual depende muito da Regência que, dentro da língua, é a parte
que regula a construção da frase, com o uso de termos e, principalmente, da
preposição.
Podem-se considerar dois usos como corretos:
a) rígido ou gramatical (o que segue a norma).
Exemplo:
•
Ofereci nova oportunidade ao diretor.
b) estilístico (o que se justifica pela expressividade ou necessidade de clareza).
Exemplos:
•
Ao diretor, ofereci-lhe uma nova oportunidade.
•
O diretor, ofereci-lhe uma nova oportunidade.
O primeiro é exemplo de PLEONASMO, pois os dois termos têm a mesma função
sintática: objeto indireto; e o segundo, de ANACOLUTO, já que o objeto indireto é o
lhe, sendo o "diretor" uma espécie de "sujeito sem verbo".
Existe, também, forte instabilidade entre o certo e o errado, o usual e o fora de
uso. Veja:
1. Nós assistimos o jogo.
Segundo a Norma Gramatical, está ERRADO, embora seja usual (o verbo
assistir, com o sentido de ver, exige a proposição A: é transitivo indireto e não
direto).
2. Nós assistimos ao jogo.
CERTO (“ao jogo” é o objeto indireto, complemento com preposição do verbo).
3. Assisti o doente com prazer.
CERTO (assistir, com o sentido de ajudar, pode ser transitivo direto).
4. Assisti ao doente com prazer.
CERTO (o verbo assistir, com sentido de ajudar, pode ter ou não a preposição A:
agora é objeto indireto).
5. Eu o vi hoje.
CERTO (“o” é objeto direto, equivalente a alguém, ele...)
6. Eu lhe vi hoje.
Para a norma culta, está ERRADO (o verbo ver é transitivo direto, ou seja, não
pede preposição, logo exige o e não lhe, pois lhe só deve ser usado se houver
preposição).
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7. Eu vi ele hoje.
Para a norma culta, está ERRADO (a pessoa de quem se fala – a terceira - é
objeto direto, logo deve-se usar o pronome oblíquo e não o reto).
8. Eu vi a ele hoje.
CERTO (a forma ele, precedida de preposição, não é pronome reto, e sim o
oblíquo tônico; é objeto direto preposicionado).
Objetivos da unidade
Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de:
1.
2.
3.
4.
Reconhecer as regências corretas de nomes e de verbos;
Construir as frases de maneira a adequá-las à norma culta;
Corrigir as frases segundo o padrão culto de regência;
Usar adequadamente o sinal indicador de crase.
Roteiro da Unidade
Esta unidade está organizada nas seguintes lições:
Lição 10.1 – Regência nominal
Lição 10.2 – Regência verbal
Lição 10.3 – Crase
Lição 10.1 – Regência Nominal
Muitas vezes, embora, no ato normal da fala, não nos preocupemos com isso, a
linguagem prepara alguns casos que, trazidos para a consciência, apresentam
certas dificuldades.
A regência nominal parece ser um desses casos. Veja só.
Há casos em que só uma preposição tem de ser usada:
1. Quem tem respeito tem respeito POR alguém.
2. Quem tem necessidade tem necessidade DE alguém.
3. Quem tem preocupação tem preocupação COM alguém.
Entretanto, existem outros em que se pode usar mais de uma preposição:
4. Quem tem consideração tem consideração A ou POR alguém.
5. Quem tem horror tem horror A ou DE alguém.
Observe, nas frases abaixo, a regência de alguns nomes bem usados:
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1. A matéria é acessível a todos.
2. Somos amantes de boas histórias.
3. A descoberta é benéfica à sociedade.
4. Todos estão certos de nossa aprovação.
5. Ela parece descontente com a outra universidade.
6. O professor é especialista em História Antiga.
7. A turma não era favorável a tais soluções.
8. A biblioteca é imprópria para tais brincadeiras.
9. A moça era natural de São Paulo.
10. O cientista parecia um perito em hieróglifos.
Apesar disso, existem alguns nomes que podem reger mais de uma preposição.
Veja:
1. O menino era afável com (ou para com) os animais.
2. Ela estava ansiosa por (ou para) sair dali .
3. Eu sinto aversão a (ou por) tais mistérios.
4. O acontecimento foi contemporâneo a (ou de) outras conquistas sociais.
5. Nós temos horror à (ou de) redação.
6. A meta está próxima a (ou de) vocês.
7. Sinto ojeriza a (ou por) mentiras.
8. O livro é parco de (ou em) soluções.
9. O solo é rico em (ou de) minerais.
10. Estes exemplos são úteis a (ou para) vocês.
Para encerrar esta lição, guarde as regências dos nomes abaixo:
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1. NOMES QUE REGEM “A”
Agradável, alheio, análogo, contíguo, contrário, desatento, desfavorável,
equivalente, essencial, estranho, fiel, grato, habituado, hostil, idêntico, igual,
indiferente, inerente, inexorável, leal, necessário, nocivo, paralelo, permissivo,
perpendicular, posterior, preferível, prejudicial, propício, semelhante e
sensível.
Exemplos:
•
Isto é agradável a vocês.
•
Tal fato é posterior ao de ontem.
2. NOMES QUE REGEM “DE”
Capaz, desejoso, diferente, difícil, digno, escasso, fácil, impossível, indigno,
medo, passível, possível e suspeito.
Exemplos:
•
Ele é capaz de tudo.
•
A moça é suspeita do crime.
3. NOMES QUE REGEM “COM”
Compatível, compreensível, contente, cuidadoso, desleal, generoso,
incompatível, inconseqüente, liberal e relacionado.
Exemplos:
•
O aparelho é compatível com a rede.
•
O pai era liberal com os filhos.
4. NOMES QUE REGEM “EM”
Entendido, erudito, firme, hábil, indeciso, lento, morador, negligente, pertinaz,
residente, sito e versado.
Exemplos:
•
Você deve ser firme em suas posições.
•
A menina é versada em latim.
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5. NOMES QUE REGEM “POR”
Curioso e responsável.
Exemplos:
•
Estamos curiosos por outra resposta.
•
Eu sou responsável pela festa. (por / per + a)
6. NOMES QUE REGEM “PARA”
Completo e pronto.
Exemplos:
•
O texto está completo para leitura.
•
O aluno parecia pronto para o PROVÃO.
7. NOMES QUE REGEM “A” OU “PARA”
Apto, comum, essencial, impróprio e prestes.
Exemplos:
•
Todos estão aptos ao exame (ou para o exame).
•
O produto é impróprio ao consumo (ou para o consumo).
8. NOMES QUE REGEM “DE” OU “EM”
Constante, independente, pobre e seguro.
Exemplos:
•
A frase estava constante em (ou de) um documento antigo.
•
Estou seguro de (ou em) afirmar isto.
9. NOMES QUE REGEM “DE” OU “POR”
Ávido e possuído.
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Exemplos:
•
Eles estão ávidos da (ou pela) vitória.
•
O menino estava possuído de (ou por) forças estranhas
10. NOMES QUE REGEM “A” OU “COM”
Afável e relacionado.
•
Ela era afável aos (ou com os) amigos.
•
Devemos nos relacionar aos (ou com os) colegas de sala.
Lição 10.2 – Regência Verbal
Se, na lição anterior, o nome sempre precisava de uma preposição, e o problema
se restringia a saber qual seria, agora a dificuldade aumenta, pois, com os verbos,
nem mesmo sabemos se há ou não necessidade de preposição.
Primeiro, tem-se de ver se há preposição, para, só então, descobrir qual é.
Entretanto, é possível aprender, desde que se parta de um longa lista de regência
verbal, feita a partir do que enumeram os dicionários.
Nesta lição, vamos estudar os seguintes tópicos:
a) Casos gerais de regência verbal;
b) Casos especialíssimos;
c) Casos mais que especialíssimos.
a) Casos gerais de regência verbal
a) São verbos transitivos diretos, logo não pedem preposição:
PREZAR e ESTIMAR; ACEITAR, NAMORAR, RESPEITAR e AMAR;
CUMPRIMENTAR e FELICITAR; ALMEJAR, CONVIDAR e USUFRUIR.
Exemplos:
1. Convidei o meu irmão. (objeto direto)
2. Estimo vocês.
Pode-se dizer A VOCÊS, mas a preposição não é necessária (seria caso de
objeto direto preposicionado, apenas para dar ênfase).
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3. Prezo-os bastante. (o “os” é objeto direto)
4. Deve-se usufruir a juventude.
Apesar de muito se ouvir “Deve-se usufruir DA juventude”, não há preposição.
É errado, segundo a norma culta, dizer: “Nós usufruímos de sua companhia.”;
logo, o certo seria: “Nós usufruímos sua companhia.”
Verbo Transitivo Direto:
• pede complemento sem preposição;
• objeto direto.
Exemplo:
Vi um belo espetáculo.
Verbo Transitivo Indireto
• pede complemento com preposição;
• objeto indireto.
Exemplo:
Assisti a um bom jogo.
b) São verbos transitivos indiretos que pedem preposição DE:
GOSTAR e DESGOSTAR, ABSTER-SE e PRESCINDIR; CARECER, DEPENDER e
NECESSITAR.
Exemplos:
• Abstenha-se das más companhias.
O termo destacado é objeto indireto regido de preposição DE.
• Nós prescindimos de tua ajuda.
O termo destacado é objeto indireto com DE.
c) São verbos transitivos indiretos que regem a preposição A:
OBEDECER (DESOBEDECER) e RESISTIR; PROCEDER e SUCEDER; ALUDIR,
RENUNCIAR, REFERIR-SE e ANUIR.
Exemplos:
•
Procederemos à chamada.
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“À chamada” é objeto indireto com preposição A.
• Aludi ao meu irmão.
O termo destacado é objeto indireto regido pela preposição A.
d) São verbos transitivos diretos e indiretos, logo pedem dois complementos: um
sem preposição (objeto direto) e outro com preposição A:
PREFERIR, ACONSELHAR, ENSINAR e PERMITIR.
Exemplos:
• Prefiro o Português à Matemática.
O PORTUGUÊS é objeto direto e À MATEMÁTICA, objeto indireto.
É errado dizer: "Prefiro muito mais ir ao cinema do que ver televisão.“
O certo seria “Prefiro ir ao cinema a ver televisão.”
• Aconselhei ao aluno estudar.
AO ALUNO é objeto indireto, e ESTUDAR funciona como objeto direto (oracional);
também é possível: “Aconselhei o aluno a estudar.”
O importante é que haja um objeto de cada: um sem preposição e outro com.
e) São verbos transitivos diretos e indiretos com construções parecidas, uma com A
e outra com DE:
CERTIFICAR, CIENTIFICAR, AVISAR e INFORMAR; INCUMBIR; IMPEDIR e
PROIBIR.
Exemplos:
•
Avisei o professor do horário. (o professor é objeto direto; do horário,
objeto indireto).
•
Avisei ao professor o horário. (ao professor é objeto indireto, e o horário,
objeto direto).
•
Informei-o da verdade ou Informei-lhe a verdade.
•
Incumbiu o aluno de me representar ou Incumbi ao aluno representar-me.
Nota: Neste último, os objetos são oracionais por serem representados por meio de
orações; veja a presença do verbo no infinitivo (REPRESENTAR).
f) São verbos que admitem várias regências, mesmo sem alteração de sentido. Por
exemplo, o verbo PERDOAR pede objeto direto “coisa” e objeto indireto “pessoa”
(com A).
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Exemplos:
•
Perdoei o erro. (TD: objeto direto “coisa”)
•
Perdoei ao velho. (TI: objeto indireto “pessoa”)
•
Perdoei o erro ao velho. (TDI: objeto direto e indireto)
b) Casos especialíssimos de regência verbal
São verbos que admitem várias regências com alteração de sentido:
1) Querer
a) Quero este livro. (TD) (= desejar)
b) Quero a meus pais. (TI) (= amar)
2) Servir
a) Já servi os sanduíches. (TD) (= oferecer)
b) Isso não serve a vocês. (TI) (= ser útil)
c) O moço serviu a cerveja a todos. (TDI) (= oferecer)
3) Assistir
a) Assistirei os necessitados. (TD) (= ajudar)*
b) Assistirei aos necessitados. (TI) (= ajudar)*
* As duas formas são possíveis.
c) Assisti ao filme. (TI) (= ver)
4) Visar
a) Visei o alvo. (TD) (= ver)
b) Visei ao cargo de chefe. (TI) (= desejar)
5) Agradar
a) Agradei o meu filho. (TD) (= acariciar)
b) Agradei a todos. (TI) (= atender, ser agradável)
6) Aspirar
a) Aspirou o ar da montanha. (TD) (= respirar)
b) Aspiro por um mundo melhor. (TI) (= desejar)
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7) Chamar
a) Chamei você. (TD) (= convocar, solicitar a presença)
b) Chamei ao aluno de bobo. (TI) (= qualificar)
8) Proceder
a) Ele procedeu mal. (VI) (= comportar-se)
b) 0 juiz procedeu ao julgamento. (TI) (= iniciar, realizar)
9) Implicar
a) 0 menino implicou com a irmã. (TI) (= incomodar)
b) Nota baixa implica reprovação. (TD) (= causar, provocar)
10) Custar
a) Custa a todos esta intervenção. (TI) (= incomodar)
b) Custa a mim rever esta terra. (TI) (= incomodar)
11) Faltar
a) Faltam a você novas condições. (TI) (= não ser possível)
b) Falta a mim (ou -me) fazer isto. (TI) (= não ser possível)
c) Vinte alunos faltaram à aula. (TI) (= não comparecer)
12) Chegar
a) Eu chegarei a Paris amanhã. (objetivo)
b) Cheguei ontem de Lisboa. (origem)
13) Ir
a) Vou a Brasília a negócios.
Obs.: IR também não admite a preposição EM.
14) Agradecer
a) Agradeço o convite ao senhor. (TDI)
15) Suceder
a) Sucedeu um evento preocupante. (VI) (= ocorreu)
b) O petista sucedeu ao peessedebista. (VTI) (= substituiu)
16) Atender
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a) Vou atender aos acenos da razão. (TI) (= seguir; obedecer)
c) Casos mais que especialíssimos de regência verbal
Neste tópico, vamos estudar os casos dos verbos lembrar e esquecer.
•
Lembrar
1. Lembrei o teu nome.
Só objeto direto: lembrar alguma coisa.
2. Lembrei-me do teu nome.
Só objeto indireto: lembrar-se de alguma coisa.
3. Lembrei a vocês a hora da saída – ou – Lembrei vocês da hora da saída.
É transitivo direto e indireto. Passa a ter o sentido de AVISAR (“vocês” = OD; “da
hora da saída” = OI)
4. Lembrou-me dizer-lhe a verdade.
O pronome ME (= A MIM) é objeto indireto de lembrar (verbo TI); a oração "dizerlhe a verdade" é o sujeito (oracional) em relação a LEMBRAR, que é sinônimo de
OCORRER.
•
Esquecer
1. Eu esqueci a razão.
Só objeto direto = esquecer alguma coisa.
2. Eu me esqueci de tudo.
Só objeto indireto = esquecer-se de alguma coisa (verbo pronominal, portanto,
transitivo indireto).
3. Esqueceram-me novos caminhos de reação.
“Novos caminhos de reação” é o sujeito; ME (= A MIM) é o objeto indireto. Nessa
construção culta - e meio antiga - esquecer é sinônimo de faltar, fugir: "Faltaram-me
novos caminhos..."
Lição 10.3 – Crase
A crase é um fenômeno fonético, caracterizado pela contração de duas vogais
iguais.
Para haver crase, há necessidade de dois elementos: primeira vogal e segunda
vogal. Como a primeira vogal é sempre a preposição A, o acento da crase é um
caso de REGÊNCIA.
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Há três casos de crase marcados pelo acento grave (`).
1º) Preposição A + Artigo definido A ou AS.
Exemplo:
Vou a + a escola = Vou à escola / Vou às escolas.
2º) Preposição A + Pronome demonstrativo A ou AS.
Exemplo:
Refiro-me a + a que saiu = Refiro-me à que saiu / Refiro-me às que saíram.
3º) Preposição A + Vogal inicial do pronome demonstrativo (AQUELE, AQUELA
e AQUILO)
Exemplo:
Refiro-me a + aquilo, aquele livro e aquela moça = Refiro-me àquilo / àquele
livro / àquela moça.
Conclusão importantíssima
Só pode haver crase, se o verbo (ou o nome) reger a preposição A.
Nesta lição, vamos estudar quatro tópicos:
a) observações gerais relativas à crase;
b) caso especial: uso obrigatório para evitar ambigüidade;
c) regras práticas para o emprego da crase;
d) observações específicas a respeito da crase.
a) Observações gerais
1) O acento é obrigatório quando há os dois elementos.
Exemplo:
Vou à Argentina. (preposição + artigo)
2) O acento é inexistente quando só há um dos elementos.
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Exemplo:
Vou a São Paulo. (só preposição)
3) O acento é facultativo quando pode haver um ou dois elementos.
Exemplo:
O médico assistiu a (ou à) doente.
b) Caso especial: uso obrigatório para evitar ambigüidade
Vamos ver dois exemplos de uso obrigatório da crase.
1) A caçadora à leoa matou.
Enquanto “A caçadora” é o sujeito, “à leoa” é o objeto direto preposicionado. Note
que “matar” é verbo transitivo direto. A preposição A seleciona o objeto direto, já
que o sujeito nunca pode ter preposição.
2) Veio à noite. (“à noite” = adjunto adverbial de tempo) é diferente de:
Veio a noite. (“noite” = sujeito; “a noite chegou”)
c) Regras práticas para o emprego da crase
1º Passo: Ver se há preposição, examinando a regência do verbo ou do nome. Se
não houver a preposição, nem se pensa no acento grave. Se houver preposição, vaise para o 2º passo.
2º Passo: Ver se há o segundo elemento, de um dos dois modos seguintes:
Modo 1
Substitua o verbo ou nome que peça a preposição A por um que peça outra (DE, EM
ou POR).
a) Ir a escola – ou – Ir à escola?
Verbo IR: quem vai, vai a algum lugar.
Podemos substituir por: Vir da escola / Estar na escola / Passar pela escola
Veja, usamos as combinações DA, NA e PELA.
Conclusão: Há artigo, além da preposição, portanto, o A tem crase: Ir à escola.
b) Chegar a Pernambuco – ou – Chegar à Pernambuco?
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Verbo CHEGAR: quem chega, chega de algum lugar.
Podemos substituir por: Vir de Pernambuco / Estar em Pernambuco / Passar por
Pernambuco
Veja, usamos as preposições DE, EM e POR.
Conclusão: Não há artigo, só preposição, portanto o A não tem crase: Chegar a
Pernambuco.
Modo 2
Substitua o nome que peça o artigo feminino ou o pronome demonstrativo, por nome
ou pronome demonstrativo masculino.
Exemplos:
a) Ofereceu o livro a professora – ou – Ofereceu o livro à professora?
Podemos substituir por: Ofereceu o livro ao professor.
Conclusão: Há preposição mais artigo, portanto, o A tem crase: Ofereceu o livro à
professora.
b) Refiro-me a que chegou – ou – Refiro-me à que chegou?
Podemos substituir por: Refiro-me ao que chegou.
Conclusão: Há preposição + pronome (que equivale a AQUELE, que por sua vez,
é o antecedente de QUE), portanto, o A tem crase: Refiro-me à que chegou.
d) Observações específicas a respeito da crase
º) Com adjuntos adverbiais, o acento da crase é obrigatório:
a) se forem femininos;
b) se masculinos, com o sentido de “à moda de”.
Exemplos:
• Tudo foi dito às claras.
•
Usava um vestido à Cardin. (à moda de...)
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Notas:
a) Não levam o acento os adjuntos adverbiais de meio ou instrumento.
• Escreveu a carta a caneta.
• Fez a redação a tinta.
b) Também não levam acento os que têm repetição:
• Ficaram cara a cara, face a face.
2º) Com pronome relativo, o acento da crase:
a) é proibido diante de QUEM, CUJO e suas flexões;
b) é obrigatório diante de A QUAL, AS QUAIS, A QUE, AS QUE, caso A = AO e AS
= AOS.
Exemplos:
• O professor se referiu a quem saiu.
• O professor se referiu à que saiu. (= ao que...)
• O professor a que me referi é você. (não é AO QUE, e sim A QUE)
• A aluna à qual me referi é você. (= O aluno ao qual...)
3º) Com pronome de tratamento, só pode aparecer o acento da crase diante de
senhora, madame, dona, senhorita; jamais, porém, diante de outro qualquer.
Exemplos:
• Todos fizeram alusão à senhora. (Poderíamos substituir por “Gosto da
senhora.”)
• Ninguém deu a palavra a V.Exa. (Poderíamos substituir por “Gosto de
V.Exa.”)
4º) Com as palavras casa (= próprio lar) e terra (= terra firme), o acento da
crase é proibido, pois não há artigo.
Exemplos:
• Voltei a casa para apanhar a carteira. (é "a minha casa"...)
(Poderíamos substituir por: “Estive em casa.”)
• Fui à casa dela. (Estive na casa dela)
• Logo que meu barco chegou a Portugal, fui a terra. (é "terra firme"...)
(Poderíamos substituir por “Estive em terra.”)
• Voltei à terra de minha mãe.
(Poderíamos substituir por: “Estive na terra de minha mãe.”)
5º) Diante do pronome possessivo, o acento da crase pode ser:
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a) obrigatório:
• Vou às tuas fazendas. (preposição A + artigo AS)
• Não irei à sua nem às nossas. (preposição A + artigo A e AS)
b) proibido:
• Vou a tuas fazendas.
• Vou a teus sítios.
(os termos são plurais, e o A é invariável, logo é só preposição)
c) facultativo:
• Vou à/a tua fazenda.
O “A” pode ser = À (preposição + artigo) ou = A (só preposição).
6º) Diante da hora, o acento exige todo o cuidado:
a) obrigatório, quando substituível por “às duas horas” ou “ao meio-dia” (hora
definida, marcada);
b) proibido, nos outros casos.
Exemplos:
• Chegarei à meia-noite, ou melhor, à uma hora da manhã.
• Chegarei daqui a uma hora.
7º) Só há um caso realmente problemático: é com a palavra A. Se a palavra for
AS, AQUELE, AQUELA ou AQUILO, basta ver se há preposição.
Veja:
•
•
•
•
•
Vou àquele lugar.
Vou àquela cidade.
Vou às cidades litorâneas.
Vou à cidade sem futuro.
Vou a uma cidade qualquer.
O verbo IR pede preposição A; portanto as três primeiras frases têm o
acento da crase obrigatório.
Nas duas últimas, o A poderia ser mais de uma coisa. Na quarta, há necessidade
do artigo definido (veja que seria “Venho DA cidade sem futuro”). Na última, a
presença do artigo indefinido “UMA” impede o uso do acento da crase, sendo o A
apenas uma preposição (“Venho DE uma cidade qualquer”).
Atenção!
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Casos polêmicos entre os próprios autores
1. Escreveu o bilhete à mão.
Parece-nos melhor que "a mão", pois é igual a "com a mão.“
2. Fez o curso de grego a distância.
Parece-nos melhor sem acento, por ser uma distância não determinada.
3. O portão estava à distância de cem metros.
Parece-nos mais adequado o uso por ser determinada a distância.
Sumário da Unidade 10
1. Tanto nomes como verbos podem exigir as preposições necessárias à
correção frasal.
2. Há nomes e verbos que podem reger mais de uma preposição.
3. O uso do acento indicador da crase é conseqüência da regência nominal e
verbal .
4. O emprego do acento da crase obedece a certos princípios básicos de
construção frasal que obedecem às normas gerais de regência.
Atenção:
As atividades práticas e a avaliação on-line estão indicadas no ambiente
virtual, menu CONTEÚDO DIDÁTICO, opção UNIDADES.
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