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Acupuntura na Estética
Gracimar de Moura Pedraça1
[email protected]
Orientadora Daiana
Pós-graduação em Acupuntura
Resumo
Sabemos que o envelhecimento é um processo fisiológico e irreversível do organismo, e que
com ele aparecem alterações sistêmicas, como por exemplo, na pele, o surgimento de rugas,
especialmente na face. Existem vários tipos de tratamentos para as rugas faciais, dentre eles
destaca-se nos dias atuais, a acupuntura, que além dos efeitos locais, também traz benefícios
sistêmicos. Para a realização do estudo descritivo de revisão bibliográfica, foram
pesquisados artigos científicos oriundos de periódicos, disponibilizados ou não por via on
line, sites com referência no assunto e livros, priorizando a acupuntura no tratamento de
rugas. Perante a revisão bibliográfica realizada, verificou-se que a literatura sobre o assunto
é escassa, e há necessidade de estudos científicos para averiguar melhor seus efeitos, se estes
são temporários ou definitivos, e se tem aspecto preventivo ou curativo.
Palavras-chave: estética facial, rugas, acupuntura.
Abstract
We know that aging is a physiological process irreversible and the body, and that he appear
with systemic changes, such as the skin, the appearance of wrinkles, especially in the face.
There are various types of treatments for facial wrinkles, among them there is nowadays,
acupuncture, which besides the local effects, also brings benefits systemic. To carry out the
study of descriptive literature review, were searched scientific articles from journals, or
otherwise made available via online, with reference sites and books on the subject, focusing
the acupuncture in the treatment of wrinkles. Given the literature review conducted, it was
found that the literature on the subject is scarce, and there is a need for scientific studies to
better ascertain its effects, if they are temporary or definitive, and have preventive or curative
aspect.
Keywords: facial aesthetics, wrinkles, acupuncture
1. Introdução
O envelhecimento é um processo natural do organismo, ocorre desde o nascimento, mas só
aparecem sinais após a terceira idade. O envelhecimento é um processo progressivo de
declínio das capacidades física e mental, afeta todos os indivíduos, e apresenta um ponto de
vista amplo e variável de manifestações. Está intimamente relacionado com a qualidade de
vida do indivíduo. O órgão que mais revela o envelhecimento é a pele, pois se encontra
externamente, exposta às intempéries, especialmente as mãos, o pescoço e o rosto. A pele
exposta por mais tempo apresenta alterações mais visíveis do que aquelas devidas somente ao
envelhecimento. Esta pele, geralmente se apresenta enrugada, hiperpigmentada e com
flacidez. Outro fator importante que contribui com o envelhecimento precoce da pele, é o
excesso de expressão facial, isto é, algumas pessoas usam exageradamente e de forma errada
alguns grupos musculares da face (GUIRRO & GUIRRO, 2002).
Nas alterações da pele podemos encontrar:
- Região nasal: rugas transversais, queda da ponta nasal, exacerbação do ângulo nasolabial;
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Pós graduando em Acupuntura.
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- Região orbital: flacidez e ptose das pálpebras, bolsas de gordura;
- Região frontal: rugas na glabela e rugas transversais;
- Região mentoniana: queda do mento, flacidez da pele, apagamento da linha mandibular;
- Região malar e terço médio da face: depressão do sulco nasolabial, apagamento da
eminência malar, ptose dos lábios, pregas e rugas generalizadas (SILVA et al., 2004).
A acupuntura é o recurso da Medicina Tradicional Chinesa mais conhecido no Ocidente. É
uma técnica onde é feita a introdução, circulação, mobilização de agulhas, promovendo o
equilíbrio do organismo, o fortalecimento dos órgãos e das vísceras do corpo. A acupuntura
trabalha nos canais de energia do corpo favorecendo a prevenção e interrupção de um
processo de adoecimento.
Na Medicina Oriental, o envelhecimento da pele está ligado ao desequilíbrio energético do
sangue, da defesa do organismo e da pele, deficiência na nutrição, favorecendo ao surgimento
das rugas.
O tratamento propõe aumentar estas energias na região da face, através de estímulos ao
Sistema Nervoso Autônomo. Sabendo que a utilização da acupuntura na estética ainda é
pouco significativa no Ocidente, e que ainda faltam estudos nessa área, é de extrema
importância a realização de
2. A pele e as rugas
A pele representa 12% do peso total do nosso corpo, sendo responsável pelo revestimento
deste. É composta por camadas: a epiderme, camada mais superficial, formada por várias
células unidas, e a derme, camada mais profunda, composta por feixes de fibras elásticas e
colágenas onde estão presentes estruturas, como os vasos sanguíneos e linfáticos, terminações
nervosas, pêlos, glândulas sebáceas e sudoríparas, além de células de vários tipos, como
fibrócitos, mastócitos e macrófagos. Além destas, classifica-se ainda a hipoderme, constituída
por tecido conjuntivo frouxo e células adiposas. A pele representa o maior órgão sensitivo do
nosso corpo que recebe estímulos de temperatura, dor e tato. É o mais sensível dos órgãos,
sendo o primeiro meio de comunicação do nosso corpo com o ambiente e proteção,
apresentando várias funções:
- Função sudorípara;
- Função de secreção sebácea;
- Função tamponante;
- Função queratogênica;
- Função de absorção;
- Função pigmentogênica;
- Função de termorregulação;
- Função respiratória;
- Função sensorial;
- Defesa e proteção (GUIRRO & GUIRRO, 2002; TAGLIAVINI, 1995).
Segundo Guirro & Guirro (2002) a aparência da pele pode variar dependendo dos fatores
como a idade, o sexo, o clima, estado de alimentação e saúde do indivíduo. A pele pode ser
classificada de acordo com o tipo e a quantidade das secreções presentes. A pele oleosa se
apresenta com excesso de secreção gordurosa com um brilho característico. Na pele seca
ocorre insuficiência dessa secreção. A pele desidratada é um tipo de pele seca.
Quando ocorre a existência dos dois tipos de pele, esta é chamada de mista. Através de sua
elasticidade, a pele permite os movimentos do nosso corpo. As rugas se originam devido à
diminuição das funções do tecido conjuntivo que promove uma deformidade nas camadas de
gordura e degeneração das fibras elásticas da pele.
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Além disso, a deficiência de oxigenação dos tecidos provoca uma desidratação, contribuindo
para a formação das rugas.
As rugas são classificadas em:
- Profundas: são causadas pela exposição ao sol, e não se alteram quando a pele é esticada;
- Superficiais: são causadas por uma diminuição ou perda de fibras elásticas da pele, mas se
alteram quando a pele é esticada. As linhas de expressão são decorrentes da contração
repetida dos músculos responsáveis pelas expressões faciais ao longo dos anos.
As rugas ainda são classificadas sendo de 1º grau, quando aparecem na segunda década de
vida; de 2º grau, parecendo na terceira e quarta década de vida; e, de 3º grau, ocorrendo na
quinta década em diante (GUIRRO & GUIRRO, 2002).
2.1 Acupuntura
2.1.1 Histórico
No Oriente, a acupuntura vem sendo usada com finalidades preventiva e terapêutica há vários
milênios. De fato, agulhas de pedra e de espinha de peixe foram utilizadas na China durante a
Idade da Pedra (cerca de 3000 anos AC). Ney Jing, ou "Clássico do Imperador Amarelo sobre
Medicina Interna", texto clássico e fundamental da MTC, descreve aspectos anatômicos,
fisiológicos, patológicos, diagnósticos e terapêuticos das moléstias à luz da medicina oriental.
Nesse tratado, já se afirmava que o sangue flui continuamente por todo o corpo, sob controle
do coração. Cerca de 2000 anos depois, mais precisamente em 1628, William Harvey,
proporia sua teoria sobre a circulação sangüínea (ALTMAN, 1992).
Derivada dos radicais latinos acus e pungere, que significam agulha e puncionar,
respectivamente, a acupuntura visa à terapia e curandas enfermidades pela aplicação de
estímulos através da pele, com a inserção de agulhas em pontos específicos (WEN, 1989;
JAGGAR, 1992) chamados acupontos. Trata-se também de uma terapia reflexa, em que o
estímulo de uma área age sobre outra(s). Para este fim, utiliza, principalmente, o estímulo
nociceptivo (LUNDEBERG, 1993).
2.1.2 Origens
Teoria dos Canais de Energia originou-se com a observação dos efeitos terapêuticos obtidos
com a estimulação de certos pontos no corpo. Supôs-se que alguns pontos foram descobertos
acidentalmente, quando, por exemplo, uma pessoa foi inadvertidamente golpeada ou
queimada e em conseqüência disto a dor ou doença localizada em outra parte no corpo
aliviava-se espontaneamente. De modo semelhante, durante as investigações sobre os
aspectos externos do corpo relacionados aos sintomas de doença, foi relatado que
determinados locais da pele reagiam pela presença da doença, que se tornavam sensíveis ao
toque ou manifestavam alterações na coloração, presença de umidade, aumento de
consistência ou outras alterações da pele. A massagem destes pontos de reação também pode
atenuar a doença ou mesmo eliminá-la. O desenvolvimento das agulhas mais finas e técnicas
de cauterização, contribui para a descoberta dos novos pontos em tecidos mais profundos e a
localização ainda não especificados na pele.
Os locais e as características terapêuticas dos Pontos de Acupuntura, tornaram-se mais
específicos passando então a receber nomes específicos. Com o tempo, juntando as
características de numerosos pontos, verificaram que muitas propriedades terapêuticas dos
Pontos de Acupuntura não eram domínio exclusivo de qualquer ponto incluindo-se neste
grupo, as patologias dos Órgãos internos. A idéia de separar ou de isolar os Pontos de
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Acupuntura originou gradualmente os conceitos de linhas ou de Canais de Energia, fato este,
confirmado pelo fenômeno de transmissão de sensação da Acupuntura.
Os pontos de Acupuntura foram especificados baseando-se nas propriedades terapêuticas
comuns, constituindo o que se chama atualmente de Canais de Energia Principais. Estas
observações eram baseadas em um amplo conhecimento relativo a anatomia e fisiologia
humana.
O nome, a localização, profundidade e sintomas relacionados da maioria dos pontos antigos e
recentes foram anotados no Livro Jin, Clássico sobre sistematização da Acupuntura e Moxa,
que sistematizou informações contidas no Ling Shu, no Tratado de Medicina do Imperador
Amarelo: Categorização do Saguão Brilhante e outros livros, tornando-se uma fonte
importante de informações.
A Seleção de pontos de Acupuntura de acordo com o local da dor, foi mencionada pela
primeira vez no Clássico da Dinastia Tang (fundada em 618 d.C.) no livro Receita dos Mil
Ducados. Nesse sistema, qualquer ponto doloroso situado no corpo é um local para a Terapia
pala Acupuntura, assim sendo, o numero dos Pontos de Acupuntura é teoricamente ilimitado.
Na Dinastia Tang também estava incluída nas discussões da Teoria dos Canais de Energia a
aplicação clínica dos Canais de Energia de Conexão, Canais de Energia Tendino - Musculares
e regiões Cutâneas. Neste período, pela primeira vez forma imprimidas terapias de
Acupuntura em cinco cores.
Na Dinastia Song (fundada no ano 960 d.C.) foram modeladas figuras do corpo humano em
bronze para ensinar artifícios, mostrar os locais dos Pontos de Acupuntura situados no Canal
de Energia Principal.
Novos pontos de Acupuntura foram acrescentados em dois trabalhos daquela época, Clássico
Ilustrado de Pontos de Acupuntura no Modelo de Bronze e o Clássico da Nutrição da Vida
com Acupuntura e Moxa e o Huangdi Neiging.
Na Dinastia Song também foram agregados os Canais de Energia Vaso-Governador e Vaso
Concepção aos 12 Canais de Energia Principais tradicionais que passam a ser conhecidos
como 14 Canais de Energia.
No Livro da Dinastia Yuan (Fundada em 1279 d.C.) Bolsa de Pérolas Preciosas, as ervas
medicinais forma catalogadas de acordo com seu efeitos terapêuticos sobre a patologia de um
ou de outro Canal de Energia Principal, para o qual cada erva tinha a especificidade. Este
livro serviu de guia para receitas herbais para gerações posteriores. Uma descrição completa
sobre os oito Canais de Energia Curiosos foi feita na Dinastia Ming (fundada no ano de 1368
d.C.) no livro intitulado Estudos dos Oito Canais Mistos.
Outros livros da Dinastia Ming, principalmente o Clássico de Categorias e seu apêndice
forneceram mais dados para a elaboração da Teoria dos canais de Energia. Novas
interpretações sobre circulação do Qi através dos canais de Energia forma descritas no Perfil
da Medicina. Embora todos os livros mencionados sejam de considerável valor de referência,
talvez o texto de informações sobre a Acupuntura de maior importância seja o Grande
Compêndio de Acupuntura e Moxa, que permaneceu como um livro popular até o tempo
presente e contém um profusão de material no que diz respeito à história e à aplicação clínica
da Acupuntura.
Os precursores da acupuntura moderna, informada pelo desenvolvimento das pesquisas em
neurociência, foram Gerhard van Swieten e Rougement. O primeiro especulou sobre as bases
neurológicas da acupuntura e da moxibustão, em 1755. O segundo escreveu sobre acupuntura
emoxibustão como formas de terapia por contra-irritação, em 1798 (BIRCH; FELT, 1999).
As bases da prática da acupuntura moderna na Europa foram erigidas por Soulié de Morant,
no início do século XX. Ele propôs correlações entre a longo de quase 40 anos, na divulgação
deste método de tratamento junto a jovens profissionais de saúde.
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Os estudos clínicos de Soulié de Morant e de outros pioneiros não cumprem os critérios
científicos exigidos nos estudos clínicos de hoje, mas ocupam um lugar simbólico no início da
construção da ponte entre o campo da acupuntura e o da comunidade biomédica ocidental. Os
critérios de controle que tornam um estudo confiável na medicina ocidental colocam
restrições problemáticas à medicina tradicional chinesa, que identifica subgrupos de
diagnósticos diferenciados para cada alteração da saúde definida por critérios alopáticos.
A literatura clínica tradicional chinesa preconiza conjuntos específicos de pontos para tratar
cada subgrupo de diagnóstico diferenciado, uma seleção que pode ser modificada para atender
as características individuais dos pacientes, tornando cada tratamento único. Os estudos
clínicos científicos, entretanto, expressam o diagnóstico em termos biomédicos e seus
protocolos requerem medicina tradicional chinesa e a medicina ocidental colocando-se
contrário à ênfase dada às incompatibilidades entre os dois os campos. Foi incansável, ao
longo de quase 40 anos, na divulgação deste método de tratamento junto a jovens
profissionais de saúde.
Os estudos clínicos de Soulié de Morant e de outros pioneiros não cumprem os critérios
científicos exigidos nos estudos clínicos de hoje, mas ocupam um lugar simbólico no início da
construção da ponte entre o campo da acupuntura e o da comunidade biomédica ocidental.
Os critérios de controle que tornam um estudo confiável na medicina ocidental colocam
restrições problemáticas à medicina tradicional chinesa, que identifica subgrupos de
diagnósticos diferenciados para cada alteração da saúde definida por critérios alopáticos.
A literatura clínica tradicional chinesa preconiza conjuntos específicos de pontos para tratar
cada subgrupo de diagnóstico diferenciado, uma seleção que pode ser modificada para atender
as características individuais dos pacientes, tornando cada tratamento único. Os estudos
clínicos científicos, entretanto, expressam o diagnóstico em termos biomédicos e seus
protocolos requerem que os mesmos pontos sejam utilizados em todos os pacientes.
Esta exigência metodológica obriga que se reformule a questão sobre a eficácia da acupuntura
como uma modalidade autonômica de tratamento, para uma questão sobre a eficácia da
acupuntura como tratamento biomédico. A mudança de significado compromete o exame da
hipótese forte da acupuntura: o tratamento que resulta da combinação de acupuntura com o
método de diagnóstico da medicina tradicional chinesa é superior ao tratamento no qual
apenas uma faceta desta modalidade integral de tratamento é controlada (MAYER 2000).
Em outras palavras, a eficácia das ações específicas da acupuntura para uma determinada
alteração da saúde está vinculada à observação dos preceitos de seus próprios cânones:
doutrinas do yin/yang e das cinco fases, substâncias vitais, teoria dos zang fu, teoria dos
meridianos e pontos, etiologia, semiologia e princípios de diagnóstico segundo a medicina
tradicional chinesa.
A ciência ocidental indica o método duplo-cego com randomização para estimar os efeitos de
um determinado tratamento (em SCHULTZ et al., 1995, os efeitos das terapias, nos estudos
que omitem randomização, são superestimados em 40%, na média). O método baseia-se em
dois esteios: os grupos comparados devem ser idênticos no que diz respeito a todos os fatores
que possam influenciar os resultados e os tratamentos comparados devem parecer idênticos
para o paciente e para o observador. Seu uso pretende excluir a influência de fatores que não
sejam aqueles testados na aferição do efeito de um tratamento.
Embora os estudos clínicos de acupuntura não possam cumprir de imediato alguns requisitos
dos estudos duplo-cegos a cooperação entre metodologistas e acupunturistas no
aperfeiçoamento do design destes estudos tem ajudado a superar as dificuldades. No que
tange aos estudos laboratoriais, o envolvimento de tecnologia moderna, como técnicas de
neuroimagem e outras técnicas de alta resolução, tornou-se crucial para o avanço da
investigação científica deste campo
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Apesar de parecer novidade, a acupuntura estética nasceu na década de 70 e tem, basicamente,
o mesmo princípio que a versão tradicional. Agulhas são colocadas em determinados pontos
do corpo para harmonizar a energia. A medicina chinesa tem uma visão. global do paciente,
por isso, uma simples ruga pode ser um indicativo de que algo no organismo não vai bem. O
tratamento de uma marca de expressão acaba sendo um programa de saúde completo.
Para Zucco (2004), as agulhas são instrumentos poderosos quando utilizadas de modo
adequado, podendo tratar de uma extensa lista de doenças. Além de oferecer benefícios para a
saúde, essa técnica milenar chinesa também pode ser usada na estética: atenuar rugas e marcas
de expressão, estrias, celulite e outra série de males que afetam principalmente a vaidade das
mulheres. A utilização da acupuntura na estética facial é antiga. Imperatrizes das diversas
dinastias na Antiga China já usavam as agulhas para atenuar as rugas. A acupuntura estética
facial é um método que auxilia na redução de rugas, além de prevenir o envelhecimento,
melhorando a estrutura da pele, renovando o estrato córneo e estimulando a circulação local.
De acordo com Silva et al., (2004), nos dias de hoje, existe uma pressão enorme sobre os
indivíduos adultos para se manter uma aparência jovem, e muitas vezes, as pessoas não
aceitam o processo natural do envelhecimento. De fato, a aparência externa é muito
importante. A acupuntura altera a circulação do sangue e a energia dos canais dos órgãos e
vísceras, levando o corpo a uma harmonia de matéria e de energia. Esses efeitos agem sobre o
sistema nervoso autônomo e central, assim como o sangue, difundindo o QI, os hormônios,
provocando reações de analgesia, aumento ou diminuição das funções orgânicas.
A Medicina Tradicional Chinesa considera o mundo como um todo, e que esse todo é o
resultado de duas forças contrárias presente no universo: o Yin e o Yang. O Yin, segundo a
medicina oriental, é a matéria, e o Yang é a energia que a coloca em movimento. As duas
forças se complementam e se transformam constantemente uma em outra. Para uma saúde
perfeita, o segredo é manter essas duas forças em harmonia, equivalentes. As alterações da
pele também são classificadas segundo a teoria do Yin e do Yang, sendo que os problemas
agudos apresentam características mais Yang, e os crônicos, características mais Yin.
De acordo com os chineses, ao que se refere às rugas da face, os danos da pele causados pela
idade, dependem de alterações dos rins, enquanto os problemas da derme dependem do baço
pâncreas, as da epiderme ao pulmão, as do tônus da musculatura da face ao fígado, e as das
expressões faciais ao coração. Problemas emocionais também influenciam na pele, pois todos
os mediadores químicos encontrados no sistema nervoso central, também se encontram em
outros órgãos do corpo como a pele, o que permite uma interação da mente com todo o resto
do corpo (NAKANO & YAMAMURA, 2005).
Para Serpa (2006), o tratamento é feito usando agulhas nos meridianos, canais de energia vital
do corpo, nos pontos relacionados com os órgãos causadores do problema e no local onde está
localizado o problema em que se quer tratar.
Acredita-se que a acupuntura voltada para a estética aconteceu por acidente, quando se
tratavam os pacientes por outras causas. Com isto, iniciaram-se estudos mais detalhados
relacionados com a estética. Em um estudo, 300 pessoas foram tratadas com acupuntura
facial, e em 90% da amostra, verificaram-se efeitos benéficos, como aumento da elasticidade
dos músculos e diminuição das rugas (ZUCCO, 2004).
Como por exemplo, no caso das rugas horizontais da região frontal da face, elas são causadas
pela ação do músculo frontal e inibição do seu antagonista, o músculo piramidal e o orbicular
do olho. Logo, seda-se os pontos responsáveis em franzir a testa que são: Yuyao, localizado
no meio das sobrancelhas perpendicular às pupilas, e o VB 14, localizado uma polegada
acima. Depois, tonificam-se os pontos Yintang, localizado entre as sobrancelhas, Taiyang (no
final da sobrancelha), e TA-23, localizado na depressão lateral à ponta lateral do supercílio
(NAKANO & YAMAMURA, 2005).
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Os pontos de acupuntura locais devem ser utilizados juntamente com os sistêmicos E-9, E-10,
IG-4, R-7 (pele seca), IG-11 (pele oleosa), VB-43 e VB-44. No tratamento do
envelhecimento há necessidade de tonificar o WEI QI (energia de defesa), o SHEN QI (rins),
o PI (baço) e o FEI (pulmão), para melhorar o tônus muscular, o tecido conjuntivo e a
epiderme (NAKANO & YAMAMURA, 2005).
Segundo Fornazieri (2005), a Medicina Tradicional Chinesa afirma que cada área da face
corresponde a um órgão ou víscera como, por exemplo: a linha horizontal acima do lábio
superior está relacionada com o ovário e o útero, as olheiras referem-se aos rins. Essa
correlação entre a face e os órgãos sugerem uma dupla possibilidade de efeitos ao punturar
um ponto facial, repercutindo com ação local e sistêmica.
A acupuntura possui inúmeras vantagens se comparada a outras técnicas. Além de ser
praticamente indolor, não necessita de tempo para recuperação, o custo é baixo, não possui
efeitos colaterais e os resultados são rápidos. Com a acupuntura estética, os efeitos são do
interior para o exterior, a pessoa se reequilibra e rejuvenesce cerca de dez anos sem perder
suas feições (FERNANDES, s.d.).
2.1.3 Estética Facial
Através da acupuntura facial podemos promover duas ações no organismo: a primeira ação é
localizada, onde acupuntura facial desencadeia reações fisiológicas. O corpo entende a
inserção da agulha como uma agressão, assim promove no local um aumento na circulação
sanguínea, nutrição e oxigenação celular, aumento da energia vital Qi que tonifica a
musculatura revitalizando a pele, suavizando as rugas. Essa “agressão” estimula a produção
de colágeno através da proliferação de células fibroblásticas. O estímulo da agulha inserida na
pele faz com que haja uma nova produção de colágeno e elastina no tecido, fechando os
sulcos que ali existiam; a segunda ação consiste em estimular o equilíbrio interno dos órgãos,
pois temos a representação dos Zang Fu (órgãos e vísceras) na face. Assim, alterações de
manchas, cor, traços, marcas de expressão e rugas são indicativos de como o interior do
organismo se encontra. Dessa forma, é necessário que o interior esteja equilibrado para que o
reflexo no exterior seja belo. Temos que ver o indivíduo como um todo, não existe beleza sem
saúde ou saúde sem beleza, as duas caminham juntas sempre (LIMA, 2007).
Cuidar da pele é antes de tudo cuidar da saúde. Afinal, a pele é o maior órgão do corpo
humano e, com certeza, um dos mais afetados diariamente por tudo o que acontece conosco.
Homens e mulheres cada vez mais procuram manter ou aperfeiçoar sua aparência de acordo
com sua própria visão de estética facial e, em especial, de olho nas técnicas utilizadas no
combate às rugas e outros sinais de envelhecimento. As técnicas que lidam com estética facial
são várias, como o peeling, o botox, a bioplastia e o lifting (FATIMA, 2007).
No mundo de hoje, enfrenta-se regras de beleza. Apesar de nos últimos anos a estética ter
evoluído e estar conseguindo resultados cada vez menos perceptíveis, as pessoas ainda são
obrigadas a gastar muito com tratamentos de resultados duvidosos, ou até mesmo se
submeterem a procedimentos de risco, que podem trazer efeitos indesejados e antiestéticos, ou
até mesmo a morte.
Guirro & Guirro (2002), afirma que há, porém, recursos simples que se pode fazer para
melhorar o aspecto geral da pele sem correr riscos e nem ter gastos desnecessários. Entre os
diversos tratamentos propostos, alguns representam grandes resultados, enquanto outros não.
A falta de pesquisas gera conceitos errôneos e falsa atribuição de resultados das técnicas de
tratamento. Dentre os recursos utilizados na área de estética, a acupuntura se destaca por ser
uma técnica antiga e sem efeitos colaterais.
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3. Discussão
A história mostra que o culto ao corpo sempre existiu em diferentes épocas. Na antiguidade,
o belo e o harmônico eram representados através de pintura e esculturas que exaltavam além
da forma física, a aparência facial. Nos dias de hoje, há uma busca pela perfeição, de modo
que as pessoas recorrem cada vez mais aos tratamentos estéticos para estarem dentro dos
padrões de beleza exigidos pela sociedade. A acupuntura vem se destacando como um aliado
aos tratamentos faciais (BEAU, 1982).
A acupuntura não é novidade na estética, porém, esse procedimento somente agora vem se
firmando com outros tratamentos para combater as rugas faciais. Essa técnica é interessante,
pois não atua somente na retirada das rugas, a sua ação se estende beneficamente em todo o
organismo. Além disso, possui inúmeras vantagens com relação a outros métodos.
Trata-se de uma técnica natural, quase indolor, sem efeitos colaterais e não necessita de
tempo para recuperação. Além disso, os efeitos são percebidos rapidamente e o custo do
tratamento é mais baixo.
O envelhecimento é um processo fisiológico e não pode ser revertido, portanto, as rugas não
podem ser evitadas, mais cedo ou mais tarde, elas irão aparecer. Porém, hoje existem medidas
eficazes para amenizá-las e retardá-las, através de procedimentos que incrementem a
circulação superficial local, com o objetivo de melhorar a nutrição e o metabolismo, assim
como o aumento do tônus muscular, proporcionando uma melhora no aspecto geral da pele,
retardando assim, o envelhecimento precoce da mesma.
O tratamento estético pela acupuntura visa não só resultados externos, como os benefícios
nutricionais, a suavidade na expressão facial, e a melhora na tonicidade muscular, esse
tratamento visa a normalização dos sistemas e órgãos internos que possuem influências
diretas nas diversas regiões do rosto. Trata-se primeiramente o interior, para depois atuar nos
resquícios externos, a parte estética propriamente envolvida. Portanto, no tratamento estético
facial pela acupuntura, o objetivo é o equilíbrio energético entre Yang e Yin, sendo Yang a
parte externa (pele, músculos e tecidos superficiais – estético), e Yin a porção interna do
organismo (órgãos e vísceras – funções orgânicas).
A acupuntura não causa apenas um efeito analgésico; ela provoca múltiplas respostas
biológicas. Segundo França et.al., (2006) a acupuntura além de promover a preparação das
diversas estruturas do corpo através da melhora da oxigenação tissular, aumento o aporte
sanguíneo, efeito analgésico e miorrelaxante, otimiza o estado emocional do paciente
favorecendo um melhor desempenho na mobilidade articular.
Segundo Yamamura (2004) o processo de adoecimento inicia-se com a desarmonia do Yang e
do Yi. A alimentação desregrada, o estresse, as emoções reprimidas, as intoxicações, as
fadigas (física, mental e sexual) são fatores que enfraquecem a Energia Vital dos Zang Fu
(Órgãos/Vísceras).
Conclusão
A acupuntura, uma técnica com mais de 5 mil anos de existência, tem sido utilizada nos mais
variados casos - depressão, TPM, insônia, dores... Atualmente ela vem sendo utilizada
também na área da estética. Uma área nova mas igualmente eficaz.
A acupuntura estética tem objetivo de reestabelecer a harmonia interna que se manifesta
externamente. Mostra resultados surpreendentes no tratamento facial, corporal, bem como no
pós-operatório de cirurgia plástica. A acupuntura estética (facial e corporal) promove um
equilíbrio energético, emocional e orgânico com o objetivo de minimizar as rugas, tonificando
ou sedando os músculos envolvidos da região tratada; melhorar o tônus da pele, aumentando a
energia para manutenção do equilíbrio energético; ativar a circulação sanguínea, linfática e
energética da pele; promover drenagem linfática, diminuindo edemas; favorecer o
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rejuvenescimento e aumentar a viscosidade da pele, melhorando a nutrição tecidual; diminuir
o tecido adiposo, acelerando a quebra das células de gordura, o que promove o
emagrecimento e regulariza as funções gástricas e emocionais e intestinais.
No pós-operatório de cirurgia plástica facial, casos de rinoplastia, por exemplo, ou corporal,
como a lipoaspiração, a acupuntura estética mostra resultados positivos: reduz o tempo de
recuperação em até 50%, se começado já no 2° dia posterior à cirurgia. Tem o objetivo de
diminuir edemas, hematomas, dores, fibrose, transtorno do sono, constipação, ansiedade e
problemas digestórios que são queixas comuns dos pacientes, além de acelerar a cicatrização.
Para o tratamento são utilizados os recursos clássicos e conhecidos: agulhas, auriculoterapia
(sementes), eletroacupuntura, pó de pérola, calor da moxabustão e ventosas deslizantes ou
fixas. Outros mais modernos também chegam para potencializar os efeitos das agulhas: stiper,
Haihua e laser. Pode-se fazer aplicação local ou sistêmica dependendo do caso. A acupuntura
é uma técnica que tem vantagens sobre outras: menos agressiva, tem resultados mais
duradouros, além de cuidar das queixas secundárias dos pacientes. E se associada a hábitos
mais saudáveis leva a uma melhora significativa da qualidade de vida do paciente.
Referências
ALTMAN, S. Terapia pela acupuntura na clínica de pequenos animais. In ETTINGER, S.J.
Tratado de medicina interna veterinária: moléstias do cão e do gato. 3ed. São Paulo:
Manole, 1992, V.1, p.454-459.
BEAU, Georges. A Medicina Chinesa. Rio de Janeiro: Interciência, 1982.
BIRCH SJ, FELT RL. Entendendo a acupuntura. São Paulo(SP): Roca; 2002.
FATIMA. A Estética Facial. 2007. Disponível em: <www.esteticafacial.org> Acesso em 25
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