livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 1 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 2 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 3 da mãe à criança um a nova esp erança HOSPITAIS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA MATERNIDADE DOUTOR DANIEL DE MATOS DIRECTOR DO DEPARTAMENTO DE MEDICINA MATERNO-FETAL, GENÉTICA E REPRODUÇÃO HUMANA Professor Doutor Carlos de Oliveira DIRECTOR DO SERVIÇO DE OBSTETRÍCIA Professor Doutor Paulo Moura Editores: Lúcia Pinho Isabel Ramos Marco Pereira Luís Marques Enfermagem Eugénia Malheiro Cristina Canavarro Rosa Henriques Graça Rocha Coordenadora: Lúcia Pinho Maternidade Dr. Daniel de Matos – Hospitais da Universidade de Coimbra Rua Miguel Torga – 3030-165 Coimbra Telefone: 239 40 30 60 Fax: 239 40 16 24 E-mail: [email protected] Desenhos realizados por: Paulo Silva Composição gráfica e design: José Luís Fernandes 2007, Reedição revista no âmbito do Projecto “Gravidez e Maternidade: Um Estudo Longitudinal sobre Mulheres Infectadas pelo VIH” (Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA — Proc. 11-7.3/2004) 1ª Edição patrocinada pela Comissão Nacional para Humanização e Qualidade de Serviços de Saúde/Ministério da Saúde 2000 3 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 4 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 5 5 da mãe à criança um a nova esp erança Índice A mulher e a infecção VIH / SIDA..................................................................................... 7 O que é o vírus da SIDA e quais as consequências da infecção VIH?............................ 8 Quais são as vias de transmissão do VIH? ...................................................................... 9 O VIH/SIDA não se transmite............................................................................................ 10 A mulher infectada pode engravidar? ............................................................................... 13 O que fazer se a infecção for diagnosticada durante a gravidez? ................................... 15 Cuidados que deve ter durante a gravidez ....................................................................... 18 Que vigilância deverá ser dispensada à grávida infectada pelo VIH? ............................. 20 Para quando o parto? ....................................................................................................... 23 A infecção VIH condiciona o tipo de parto? ...................................................................... 23 Seguimento médico da mãe e da criança após o parto ................................................... 24 Como devem as mães seropositivas cuidar dos seus bebés?......................................... 27 O que não deve ser feito........................................................................................ 27 O que deve ser feito............................................................................................... 27 Mães e bebés: Uma unidade indissociável....................................................................... 29 Apoios que poderão ser dispensados pela Consulta de Acompanhamento Psicológico 31 Apoios que poderão ser dispensados pelo Serviço Social da maternidade..................... 31 Apoios que poderão ser dispensados pelo Serviço de Enfermagem ............................... 32 Consulta de Obstetrícia-Infecciosas ................................................................................. 33 Indicações úteis................................................................................................................. 34 Telefones úteis .................................................................................................................. 35 Poema ............................................................................................................................... 36 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 6 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 7 da mãe à criança um a nova esp erança A mulher e a infecção VIH/SIDA Introdução Após a descrição dos primeiros casos de SIDA no início dos anos oitenta (nos EUA), assistiu-se, nas décadas que se seguiram, ao aumento rápido do número de infectados em todo o Mundo. Actualmente, nenhum país ou Continente é poupado a esta epidemia, e apesar dos avanços consideráveis que se fizeram no que diz respeito ao tratamento das pessoas infectadas, a SIDA continua a ser uma doença incurável. Como tal, a única maneira de nos protegermos contra ela será através da prevenção, ou seja, evitando comportamentos que possam constituir um risco para a aquisição do vírus responsável pela doença: o VIH ou Vírus da Imunodeficiência Humana. A Mulher desempenha um papel fulcral no alastrar desta epidemia, pois pode transmitir a doença a terceiros, não só através das relações sexuais e do contacto com o seu sangue, mas também porque pode transmiti-la aos seus filhos durante a gravidez e o parto. Este último facto é tão importante, que hoje podemos afirmar que a quase totalidade dos casos de SIDA na infância é devida à transmissão do VIH das mães aos seus filhos. Poder-se-á então fazer alguma coisa para proteger as crianças, filhas de mães infectadas? A resposta a esta questão é afirmativa e esta publicação destina-se precisamente a esclarecer sobre o que pode e deve ser hoje oferecido às grávidas seropositivas no sentido de lhes proporcionar um seguimento e um tratamento adequados da Infecção VIH e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de a transmitir aos seus bebés. 7 livro CC 8 6/6/07 2:57 PM Page 8 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à O que é o vírus da SIDA e quais as consequências da infecção VIH? Os vírus são agentes infecciosos responsáveis por algumas das infecções mais comuns na comunidade como as constipações, as gripes, o sarampo, a varicela ou a papeira. O agente responsável pela SIDA é o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH). É um vírus frágil, normalmente incapaz de viver fora do organismo e que se caracteriza por atacar selectivamente o sistema imunitário das pessoas atingidas, debilitando-o de tal modo que ele não consegue defender-se de infecções banais, nem de alguns tumores malignos. De entre as células preferencialmente atingidas pelos VIH, encontram-se os linfócitos. Estes são dos mais importantes elementos que entram na constituição do sistema imunitário do corpo humano, sendo comparáveis a “maestros” que regem “a orquestra” dos mecanismos de defesa do organismo. O VIH destrói os linfócitos por ele invadidos, fazendo com que o seu número diminua progressivamente ao longo do tempo. Depois de alguns anos, o sistema imunitário fica de tal forma enfraquecido que não consegue detectar e eliminar agentes invasores (bactérias, vírus e outros germens). Nesta fase os portadores do VIH poderão adoecer gravemente. Entre o contágio (ou seja, o momento em que acontece a infecção) e o aparecimento dos sintomas da doença, podem ocorrer vários anos. No entanto, os indivíduos atingidos podem desde muito cedo infectar outras pessoas. Os infectados que não apresentam sintomas, chamam-se portadores assintomáticos ou seropositivos ou simplesmente portadores do VIH. livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 9 da mãe à criança um a nova esp erança Quais são as vias de transmissão do VIH? O VIH transmite-se fundamentalmente pelas vias sexual, sanguínea e vertical (da mãe para o filho). A transmissão por transfusões de sangue e derivados, tem diminuído graças às medidas adoptadas pelos serviços responsáveis, os quais fazem o rastreio sistemático de várias doenças infecciosas (ex: SIDA, sífilis, hepatite B e C, entre outras) nas dádivas de sangue recolhidas. A transmissão por via sanguínea entre toxicodependentes que partilham agulhas e seringas, está a tornar-se cada vez mais preocupante nos países ocidentais, dado o crescente número de dependentes de drogas ilícitas injectáveis nesta zona do Globo. Em alguns países europeus assiste-se hoje a uma diminuição da incidência da infecção VIH entre os homossexuais masculinos, devido às medidas de prevenção entretanto adoptadas por este grupo populacional. Em Portugal, a incidência da infecção VIH entre os homossexuais masculinos tem-se mantido mais ou menos estável desde a declaração dos primeiros casos, na década de 80. No Mundo actual, as vias heterossexual e materno-infantil estão a adquirir cada vez mais importância na disseminação do vírus. A mulher aparece aqui como denominador comum destas situações (seja ela parceira ou mãe), pois pode transmitir a doença não só por via sexual (para os seus parceiros), mas também para os seus filhos. 9 livro CC 10 6/6/07 2:57 PM Page 10 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à Numa relação entre parceiros heterossexuais, a mulher é considerada mais vulnerável à infecção pelo VIH que o homem. A transmissão VIH para os descendentes, pode acontecer durante a gravidez, o parto ou o aleitamento. Muitas mães transmitem a infecção ao filho desconhecendo o seu estado de portadoras do VIH. Por este motivo, está hoje bem estabelecido que a Infecção VIH deverá ser rastreada em todas as grávidas, o mais precocemente possível e com o seu consentimento. Só assim se poderão pôr em marcha, atempadamente, as medidas de tratamento da mãe e prevenção da transmissão à criança. Idealmente, todos os casais deveriam ser rastreados para a Infecção VIH antes do início da vida a dois. Os testes de rastreio podem ser realizados nos Centros de Saúde, Hospitais e CADs (Centros de Aconselhamento e Detecção Precoce da Infecção VIH). Os seus resultados são confidenciais. O VHI/SIDA não se transmite Falar com alguém que tussa ou que espirre Abraçar ou acariciar livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 11 da mãe à criança um a nova esp erança Tomar banho numa piscina • Sentar-se ao lado de alguém; • Cuidar de animais e brincar com eles • Conviver com pessoas no trabalho, na escola, nos transportes públicos, na prática de desporto, etc.; • Dormir com alguém; • Partilhar brinquedos; • Comer e beber do mesmo prato ou do mesmo copo; • Partilhar chávenas, pratos, talheres etc.; • Brincar com alguém; • Cortar o cabelo; • Dar ou apertar a mão; • Partilhar o quarto de banho; • Ser picado por um mosquito ou insecto 11 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 12 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 13 da mãe à criança um a nova esp erança A mulher infectada pode engravidar? A infecção pelo VIH, tal como muitas outras doenças de transmissão sexual, atinge frequentemente a mulher em plena idade reprodutiva. Não foi ainda provado que este vírus produza esterilidade na mulher e as dificuldades em engravidar apresentadas por algumas infectadas resultam habitualmente de outras situações: (1) lesões no aparelho reprodutor por doenças inflamatórias pélvicas em relação com outros germens; (2) ciclos anovulatórios relacionadas com o consumo de droga (tão frequente nas toxicodependentes) ou com a caquexia (emagrecimento acentuado), eventualmente presente nas fases mais avançadas da SIDA. Enquanto as outras doenças de transmissão sexual podem beneficiar de um tratamento curativo, já não se pode dizer o mesmo do VIH: o tratamento que existe não é curativo e apenas diminui a quantidade de vírus circulantes poupando o sistema imunitário a uma agressão mais intensiva. Os medicamentos que se usam no tratamento da Infecção VIH chamam-se, genericamente, de anti-retrovíricos, isto porque o VIH pertence a uma família particular de vírus - os Retrovírus. Sem Medicação Anti-retrovírica (circulação sanguínea) Com Medicação Anti-retrovírica (circulação sanguínea) 13 livro CC 14 6/6/07 2:57 PM Page 14 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à Pelas razões atrás expostas, podemos concluir que não existem habitualmente razões físicas ou fisiológicas para que a mulher infectada não possa engravidar. Mas no entanto, há algumas questões importantes que não devem ser esquecidas nem ocultadas a essas mulheres, pois podem justificar a opção de não ter filhos. E essas questões são as seguintes: 1 — O risco de transmissão vertical do VIH pode ser hoje francamente reduzido com as terapêuticas anti-retrovíricas disponíveis, mas ninguém pode afirmar que ele seja nulo; há sempre uma probabilidade, mesmo que pequena, de poder ocorrer transmissão; 2 — Não se sabe ainda se alguns dos anti-retrovíricos usados no tratamento dos adultos infectados, têm efeitos indesejáveis (nomeadamente de provocarem malformações) sobre os fetos; por esse motivo, as grávidas (sobretudo no primeiro trimestre de gravidez), não podem beneficiar de todas as opções terapêuticas disponíveis para a restante população; 3 — Desconhecem-se também os efeitos a longo prazo da medicação anti-retrovírica sobre as crianças e adolescentes a ela submetidos, durante a vida intra-uterina; 4 — A gravidez pode ser responsável por uma redução da contagem de linfócitos, da qual a mãe seropositiva não venha a recuperar após o parto; 5 — A mulher infectada que opte por engravidar, deve assegurar-se de que dispõe de bons apoios (familiares ou outros) que possam proporcionar os cuidados adequados aos seus filhos, se por acaso vier a necessitar de internamentos hospitalares; estas preocupações colocam-se com maior acuidade se o seu parceiro, for também ele, seropositivo; 6 — A mulher seropositiva que opte por engravidar, deverá estar consciente de que, na eventualidade de a sua criança estar infectada, irá necessitar do seu apoio e afecto, bem como de um seguimento médico apertado, com medicações nem sempre bem toleradas pelas crianças muito pequenas. Com o conhecimento destas informações, caberá à mulher, em última instância, decidir sobre se deverá ou não ter filhos. livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 15 da mãe à criança um a nova esp erança O que fazer se a infecção for diagnosticada durante a gravidez? Equipas constituídas por Obstetras, Infecciologistas, Psiquiatras, Psicólogos, Assistentes Sociais, Pediatras e Enfermeiros, constituíram-se em algumas das Maternidades do nosso País, no sentido de melhor apoiarem estas situações. Só uma mulher bem esclarecida poderá, em consciência, decidir sobre o seu futuro e o da sua criança. Saber que se é portador de uma doença incurável (pelo menos no momento actual) como a infecção VIH, é sempre um drama para qualquer ser humano. É um momento dramático na vida de qualquer grávida, a merecer a melhor atenção dos técnicos de Saúde, no sentido de a ajudarem a encontrar respostas satisfatórias às suas dúvidas e angústias. REACÇÕES DE ADAPTAÇÃO: A mulher grávida a quem foi diagnosticada infecção pelo VIH, experimenta geralmente um sentimento de ruptura na sua vida, pelas potenciais repercussões que esta situação pode ter sobre os seus hábitos, relações e projectos. Apesar de cada pessoa ser única e reagir de forma particular, todas as mulheres atravessam uma fase mais ou menos longa de adaptação, durante a qual podem apresentar alterações emocionais e psicossomáticas. Esta forma de sofrimento psicológico, muitas vezes silenciosa e vivida na solidão pela impossibilidade de partilhar o problema, com medo das reacções de terceiros, pode ser partilhado com os profissionais de saúde, com absoluta garantia de confidencialidade. O psicólogo e o médico especialista em psiquiatria estão naturalmente vocacionados para proporcionar apoio e ajudar a grávida a lidar com os seus problemas numa perspectiva de readaptação construtiva às novas circunstâncias da sua vida. Reconhecem-se cinco formas de reagir que são úteis para compreender os diferentes estados emocionais que qualquer pessoa pode vivenciar perante um problema grave de saúde. No entanto, nem todas as grávidas passam necessariamente por todas estas experiências e, sobretudo, não as vivenciam na mesma ordem, nem com o mesmo ritmo, nem com a mesma intensidade. Num período inicial, de Negação e Isolamento, descrito como sendo a reacção imediata da grávida ao aperceber-se da sua doença, esta pensa: “Não, não posso ser eu, deve haver algum engano”. É uma reacção praticamente universal de 15 livro CC 16 6/6/07 2:57 PM Page 16 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à incredulidade ou de choque diante de uma notícia inesperada, reacção que concede à grávida algum tempo para tomar consciência do problema. O estado seguinte pode ser de Revolta e surge quando a grávida já superou o estado de negação e começa a confrontar-se com os factos concretos e reais. Neste período pode sentir raiva, cólera, ansiedade e questionar-se: “Porquê eu, porquê a mim?”. O estado seguinte pode ser o de Negociação, em que a grávida já tomou consciência da sua situação e do seu problema, mas procura assegurar algumas contrapartidas, nem sempre realistas: “Sim, sou eu, mas pode ser que não seja preciso tratamento”. Outro estado emocional frequente é o da Depressão, em que a grávida, após tomar conhecimento das consequências reais da sua doença, atravessa um período de tristeza, desânimo e abatimento perdendo o prazer de viver: “Sim, sou eu, infeliz sorte a minha!”. Nesta fase, a grávida pode perder o apetite de comer, ter dificuldade em dormir e chorar facilmente. Por fim, a grávida alcança um estado de Aceitação e Readaptação às novas condições da sua vida, integrando de forma mais serena e construtiva, a situação que vive, no fio condutor da sua existência: “Reconheço a evidência, é difícil mas é o que tenho, vou aproveitar todos os momentos da minha vida, da melhor forma possível”. Para além de si própria e da sua saúde, agora a grávida pensa também nas possíveis consequências para o filho que espera: Será que lhe vou transmitir esta infecção? O meu filho vai nascer com malformações? Devo prosseguir ou interromper esta gravidez? Nunca mais poderei engravidar? Como informar o meu marido / companheiro sobre esta situação? Devo informar a restante família? Os meus familiares e amigos vão abandonar-me se souberem desta notícia? Este turbilhão de questões, para as quais parece não haver resposta, provavelmente assaltarão o pensamento destas mulheres. livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 17 da mãe à criança um a nova esp erança Em termos gerais e se não houver qualquer intervenção médica para modificar estes resultados, o risco de transmissão do VIH da mãe para o filho, está estimado em cerca de 25 a 45%. Desde há alguns anos e nos países que dispõem de medicamentos que combatem o VIH, descobriu-se que, através desta medicação e de outras medidas de intervenção (nomeadamente da escolha do tipo de parto e da proibição do aleitamento materno), era possível reduzir a probabilidade de transmissão vertical para valores inferiores a 5%. O VIH não é teratogénico; isto significa que este vírus não tem capacidade para provocar malformações no feto. Por si só, também não parece afectar de forma negativa a normal evolução de uma gravidez. A infecção VIH é uma das situações particulares que poderá justificar a interrupção de uma gravidez, de acordo com a Lei em vigor. Se a grávida decidir por não prosseguir com a gravidez, a sua situação será avaliada por uma Comissão de Ética, hospitalar, que se pronunciará sobre a possibilidade da interrupção, na Maternidade. Informar o marido ou companheiro sobre a sua situação de infectada, embora tratando-se de uma tarefa muito dolorosa e difícil, terá de ser feita. É que o parceiro, poderá também estar infectado e a necessitar de iniciar tratamento dirigido. O médico psiquiatra e o psicólogo poderão ajudar a grávida quer com indicações sobre a melhor maneira de dar esta notícia, quer mesmo convocando o companheiro para uma conversa esclarecedora, entre todos. Há também que decidir sobre quais as pessoas (se as houver) que deverão conhecer este diagnóstico. Tratando-se de um assunto da vida privada de cada um, cabe apenas à grávida a resolução de divulgar ou não a notícia a quem quiser. Tratando-se de um assunto que é considerado segredo médico, os técnicos de Saúde estão obrigados ao sigilo, apenas podendo divulgá-lo a pedido expresso dos interessados. 17 livro CC 6/6/07 18 2:57 PM Page 18 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à Cuidados que deve ter durante a gravidez Uma grávida infectada pelo VIH deve ter os mesmos cuidados que qualquer outra grávida, mas de uma forma um pouco mais orientada: para consigo própria, com o futuro filho, no seu relacionamento com o marido ou companheiro e ainda com os outros. Deverá observar uma higiene cuidada de todo o corpo, diariamente, de forma a sentirse bem consigo e com os outros, reduzindo assim o perigo de outras infecções, nomeadamente as da pele. As horas de sono deverão ser respeitadas (recomendam-se cerca de 8 horas / dia) e, durante o dia sempre que possível, fazer uns períodos de repouso. Da sua alimentação, devem fazer parte: peixe, carne, ovos, legumes, fruta (bem lavada e descascada), leite e derivados, com excepção de queijo fresco. Estes alimentos, deverão ser distribuídos por 6 refeições (não muito abundantes) ao longo do dia. Suplementos de ferro e cálcio, serão indicados pelo seu médico para assegurar um aporte suficiente destes elementos. Evitar as saladas cruas, desde que não tenha a certeza que foram bem lavadas. Os medicamentos antiretrovíricos receitados pelo médico infecciologista, devem ser tomados com regularidade e nas doses recomendadas. Assegure-se sempre de que percebeu bem como deve tomar os medicamentos que lhe foram receitados antes de abandonar o gabinete de consulta. Não se envergonhe de perguntar, porque para os médicos também é importante saber que foi para casa bem esclarecida. livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 19 da mãe à criança um a nova esp erança Nunca, em circunstância alguma, poderá reduzir o número de comprimidos prescritos. Se notar uma intolerância insuportável à medicação, deverá contactar de imediato o seu médico assistente (para isso terá de dispor do seu número de telefone ou de outro qualquer meio de o contactar rapidamente). Em caso de necessidade (intolerância grave ou ausência de melhoria nos resultados das análises referentes ao VIH), a sua medicação poderá ser alterada. Perante qualquer sinal de infecção (febre, dor ao urinar, dor de dentes ou abcesso dentário, dor de garganta, tosse, diarreia, corrimento vaginal) deverá consultar o seu médico para que este possa indicar um tratamento adequado. Se surgirem perdas vaginais de sangue, elas poderão estar relacionadas com complicações da gravidez (tais como ameaça de aborto, placenta prévia ou descolamento da placenta) ou não. Em qualquer dos casos anteriores deverá consultar o seu médico e usar pensos de protecção, de modo a não sujar as roupas de cama ou o seu vestuário. O repouso torna-se fundamental nestas situações porque evita as contracções uterinas, reduzindo assim o risco de transmissão do vírus para o feto. Se por acaso cair sangue no chão, nos sanitários ou nos objectos da casa de banho, deverá cobrir as manchas com lixívia, deixar actuar durante 10 minutos e, só depois, limpar com os produtos de limpeza usuais. A ruptura de membranas (ruptura do “saco das águas”) antes da data provável do parto, aumenta a possibilidade de complicações para o recém-nascido, em qualquer gravidez. Nas infectadas, dada a presença do VIH nas secreções vaginais, existe o perigo de contaminação do feto, sobretudo se essa ruptura se deu, há mais de 4 horas. Se se aperceber de qualquer perda anormal de líquido, dirija-se de imediato ao estabelecimento hospitalar onde é seguida (Maternidade). O relacionamento com o seu marido/companheiro não pode ser descuidado e a componente afectiva da relação deverá ser incentivada. 19 livro CC 6/6/07 20 2:57 PM Page 20 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à A sua gravidez também diz respeito ao “pai” e o apoio mútuo, poderá inclusivamente fortalecer os laços do casal. Não esquecer porém que, nas relações sexuais, o marido/companheiro deverá usar preservativo, para não a re-infectar com diferentes tipos de vírus (mutantes do VIH) caso seja também seropositivo, ou para evitar que se venha a infectar, no caso de ser seronegativo. As mulheres com problemas de toxicodependência deverão aproveitar a circunstância de estarem grávidas para se tratarem. A persistência no consumo de drogas só irá afectar ainda mais o seu estado de saúde, podendo ainda resultar em complicações importantes da gravidez, com consequências nefastas para o recém-nascido (risco acrescido de prematuridade e de atrasos de crescimento, síndromas de abstinência, entre outros). Por outro lado, o recém-nascido irá precisar de uma mãe atenta, cuidadosa e consciente das necessidades (alimentares, afectivas, medicamentosas e de higiene) do seu bebé. Sob o efeito de drogas, não há mãe que possa cuidar convenientemente do seu filho. Que vigilância deverá ser dispensada à grávida infectada pelo VIH? Uma grávida infectada pelo VIH deve ser vigiada numa consulta diferenciada onde colaborem em ligação estreita, diferentes tipos de profissionais de Saúde: Obstetra, Infecciologista, Psiquiatra, Psicólogo, Assistente Social e Enfermeira preparada nesta área. Trata-se de uma gravidez de risco infeccioso com grande carga emocional que necessita de todo este apoio só possível numa Maternidade Central. A Enfermeira, que está vocacionada para este tipo de situações, aborda-la-á primeiro: entrará em diálogo, conversando sobre a gravidez, os cuidados a ter, avaliando a tensão arterial, peso e analisando a urina. O Obstetra depois de colher os dados da história clinica, faz uma avaliação obstétrica e ginecológica: na 1ª consulta far-se-á um exame ginecológico: vulvoscopia, colposcopia, colheitas do corrimento para pesquisa de germens. livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 21 da mãe à criança um a nova esp erança A determinação da idade gestacional, o mais precoce possível, mediante uma ecografia obstétrica, ajudará a determinar a data provável do parto. Além das análises de rotina serão pedidos a serologia das hepatites B e C, Citomegalovírus, Hemograma com população linfócitária, carga vírica no sangue. Nas consultas seguintes, os exames a pedir, serão idênticos aos duma gravidez normal: 4 Ecografias (se tudo estiver a correr bem) e análises de rotina. A serologia das hepatites B e C, Citomegalovírus, Sífilis (VDRL) faz-se no início, 24 – 32 semanas. Ao Infecciologista cabe avaliar o estado geral de saúde da grávida, o grau de lesão do seu sistema imunitário e o valor da carga vírica, ou seja, a quantidade de vírus (VIH) que existe no seu sangue. Com base nestes dados, este médico avalia a necessidade e oportunidade de iniciar um tratamento anti-retrovírico e, também, ter alguma noção do menor ou maior risco de transmissão à criança. Se for necessário começar algum tratamento, o especialista em Infecciologia e a grávida conversarão sobre a melhor altura para o iniciar e quais os medicamentos mais indicados para a sua situação. Estes medicamentos anti-retrovíricos são fornecidos gratuitamente nas farmácias dos Hospitais que fazem consulta de acompanhamento da Infecção VIH. Para os obter, a grávida, ou alguém da sua confiança, terá de dirigir-se aos serviços farmacêuticos hospitalares periodicamente (cada 1 a 2 meses) munida de uma requisição que lhe será fornecida pelo médico Infecciologista. Estes tratamentos têm alguns efeitos secundários habitualmente bem suportados, sendo no entanto conveniente alertar a mulher para a hipótese deles acontecerem. A grávida infectada deve estar consciente que, sem a sua colaboração no cumprimento correcto da medicação, não será possível controlar o VIH. Periodicamente (de 2 em 2 ou 3 em 3 meses) serão pedidas análises, para saber se há boa resposta ao tratamento instituído e se o organismo materno não se está a ressentir de eventuais efeitos secundários dos fármacos. O Psiquiatra e o Psicólogo de preferência na 1ª consulta e outras se necessário, ajudá-la-ão a restabelecer o seu equilíbrio emocional e afectivo. A Assistente social procurará a melhor forma de ajudar a resolver alguns problemas, pela análise social da situação. As consultas serão com a periodicidade duma consulta normal excepto se surgirem complicações. 21 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 22 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 23 da mãe à criança um a nova esp erança Para quando o parto? A programação do parto, far-se-á para as 38 semanas. Nesta idade gestacional, o feto encontra-se em plena maturidade. A infecção VIH condiciona o tipo de parto? No parto por via vaginal, dada a presença do VIH nas secreções vaginais, devem evitar-se: a ruptura de membranas (ruptura do “ saco das águas” superior a 4 horas), o trabalho de parto prolongado, a utilização de ventosa ou fórceps, assim como de monitorização interna (cardiotocografia com eléctrodo no polo cefálico do feto depois da ruptura das membranas). A presença do VIH nas secreções vaginais, muito embora em quantidades ínfimas ou muito reduzidas nas grávidas medicadas com anti-retrovíricos, constitui o principal motivo para que se defenda hoje o parto por cesariana, como mais uma das medidas que contribuem para reduzir a probabilidade de transmissão do vírus ao recém-nascido. 23 livro CC 24 6/6/07 2:57 PM Page 24 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à Seguimento médico da mãe e da criança após o parto Depois do parto, a perda dos lóquios infectados pelo vírus, poderá ser um problema presente no espaço do convívio familiar. Existem normas de higiene que devem ser rigorosamente cumpridas, para que se sinta bem, no meio dos que a rodeiam: uma higiene cuidada de todo o corpo, o uso de pensos de protecção, lavar cuidadosamente e desinfectar (com lixívia) os objectos comuns aos membros do agregado familiar. Cerca de 1 mês e meio depois do parto é a consulta de revisão, na Maternidade. Depois do exame ginecológico e das cicatrizes operatórias, o obstetra aconselha normas contraceptivas eficazes, normas de conduta para consigo própria, e para com os que a rodeiam, e indicar-lhe-á as consultas especializadas que deve frequentar: — Doenças Infecciosas (onde irá prosseguir o acompanhamento da Infecção VIH e a vigilância dos efeitos do tratamento anti-retrovírico). — Ginecologia de Alto Risco. Uma mulher infectada pelo vírus VIH deverá fazer controlo ginecológico de 6 em 6 meses, uma vez que tem um risco acrescido para desenvolver infecções do aparelho reprodutor. Por outro lado e devido ao enfraquecimento das defesas imunitárias provocado pelo VIH, essas infecções manifestam-se de uma forma mais grave e por vezes têm uma evolução rápida e progressiva para formas de cancro. São disso exemplo as infecções do colo uterino por HPV (vírus do papiloma humano) e VHS2 (vírus do herpes simples genital). livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 25 da mãe à criança um a nova esp erança — Pediatria, onde as crianças, filhos de mães seropositivas, irão fazer exames médicos e análises, no sentido de se diagnosticarem o mais cedo possível, os casos (felizmente pouco frequentes) de infecção. 25 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 26 livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 27 da mãe à criança um a nova esp erança Como devem as mães seropositivas cuidar dos seus bebés? O que não deve ser feito A mulher infectada pelo vírus da imunodeficiência humana não deve amamentar o seu filho. O vírus é excretado no leite pelo que, se o fizer, vai aumentar a probabilidade do bebé ser infectado. Ao recém-nascido, deve ser oferecido um leite adaptado, em biberão, segundo as orientações do pediatra. O que deve ser feito Para tentar evitar que a criança se infecte: A criança deve iniciar entre as 6 e as 12 horas de vida um tratamento com xarope de AZT (Retrovir). Este medicamento deve ser dado de 6 em 6 horas, durante as primeiras 6 semanas (a quantidade do xarope a dar depende do peso da criança e ser-lhe-á explicada na data da alta da Maternidade). É muito importante que em casa cumpra rigorosamente esta medicação. Como saber se a criança está ou não infectada? As crianças, filhas de mães seropositivas para o VIH, devem ser acompanhadas numa consulta de Pediatria especializada. Na região Centro devem frequentar a Consulta de Medicina / CDI do Hospital Pediátrico de Coimbra, onde uma equipa composta por uma Pediatra, uma Técnica do Serviço Social, uma Educadora de Infância e uma Enfermeira, as vai observar e orientar. 27 livro CC 28 6/6/07 2:57 PM Page 28 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à Apesar das medidas que foram referidas para tentar evitar a transmissão da mãe para o filho, infelizmente e em alguns casos raros, a criança está infectada. A detecção dessa infecção deve ser feita cedo para que a criança inicie tratamento. Os exames que são feitos nos adultos para saber se estão ou não infectados, não servem para a criança pequena. De facto a criança filha de mãe seropositiva tem sempre ao nascer (e pode manter até aos 18 meses), anticorpos para o vírus, mesmo não estando infectada. Por isso, os testes a realizar para diagnóstico na criança, são de pesquisa do vírus e só realizados em laboratórios especializados. Assim, deve colher- -se sangue à criança às 48 horas de vida, repetir entre o 1º-2º mês e, se estes forem negativos, entre o 4º-5º mês, para pesquisa do vírus (PCR). A 1ª colheita é feita na Maternidade e as restantes, na consulta do Hospital Pediátrico de Coimbra. Vacinações A vacina do BCG não deve ser administrada ao recém-nascido de mãe seropositiva. Irá ser administrada ao 4º-5º mês se os testes de pesquisa do vírus forem negativos. Todas as restantes serão administradas, segundo o Programa Nacional de Vacinações, no Centro de Saúde da área de residência. livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 29 da mãe à criança um a nova esp erança Medicação para prevenir outras infecções A criança infectada pelo VIH tem, ainda mais que o adulto, tendência a ter infecções. A mais frequente e muitas vezes mortal é a pneumonia por Pneumocystis jirovecci, que pode acontecer nos primeiros meses de vida. Por isso toda a criança filha de mãe seropositiva, deve iniciar a partir da 6ª semana de vida (quando termina a prevenção com o AZT) um antibiótico (cotrimoxazole), dado três dias na semana, como será indicado na consulta de Pediatria. Outras indicações Os filhos de mães infectadas pelo VIH precisam, para além de uma alimentação adequada, e do cumprimento de tudo o referido nestas notas, de muito carinho e amor o que obrigatoriamente é devido, a qualquer criança deste Mundo! Mães e bebés: uma unidade indissociável A gravidez é um dos acontecimentos mais sensíveis e importantes na vida da mulher, do homem (e do casal), que gera profundas alterações físicas e psicológicas, preparando-os para ser mãe e pai. O nascimento de um filho é considerado um dos principais momentos de transição do indivíduo ao longo da vida, responsável por mudanças a nível individual, conjugal, familiar e social, sendo uma oportunidade para mudança, crescimento e enriquecimento pessoais. Com efeito, quando nasce um bebé, nascem também uma mãe e um pai. Crianças e mães/pais, embora sejam pessoas separadas, com direito a uma vida própria, são também uma unidade indissociável. Tem sido bastante referido que a saúde mental materna durante a gravidez e nos primeiros tempos após o nascimento do bebé, tem implicações importantes no bem- -estar psicológico da mãe e da criança ao longo de todo o ciclo de vida. Isto significa que é importante que sejam desenvolvidos cuidados abrangentes, físicos, psicológicos e sociais, nos períodos pré e pós-natal, ou seja, durante e após a gravidez. Este aspecto é particularmente importante para as mulheres infectadas pelo VIH, que têm de lidar, não só com as mudanças ocorridas durante a gravidez, como com as exigências acrescidas da existência de uma doença como é a infecção pelo VIH. 29 livro CC 30 6/6/07 2:57 PM Page 30 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à Ser mãe/pai exige assumir novas responsabilidades e desempenhar novas funções. Essas responsabilidades e funções prendem-se com cuidados prestados ao bebé directamente mas também com cuidados relacionados com a própria saúde. Neste sentido, após o nascimento do bebé, o seguimento da mãe nas consultas de Infecciosas e de Ginecologia, com o respectivo acompanhamento de enfermagem, psicológico e social, é extremamente importante na medida em que ao cuidar de si, a mulher está também a cuidar do seu filho. livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 31 31 da mãe à criança um a nova esp erança Apoios que poderão ser dispensados pela Consulta de Acompanhamento Psicológico Um psicólogo pertencente à Consulta de Acompanhamento Psicológico (ACOMPSIC), integra a equipa de Obstetrícia-Infecciosas. Com sua intervenção procura ajudar a mulher grávida e a sua família em diversas áreas da sua vida. Nomeadamente: • Compreender melhor os aspectos relacionados com a doença e prevenir a sua transmissão (através da utilização de estratégias psicoeducativas); • Facilitar a expressão de emoções relacionadas com a infecção e ajudar a desenvolver estratégias para lidar com emoções negativas (por exemplo, ansiedade, tristeza, culpa, revolta); • Lidar com as preocupações mais frequentes, principalmente as que se relacionam com a gravidez; saúde própria; saúde dos filhos; responsabilidade; etc.; • (Quando necessário) ajudar na revelação sobre a infecção ao marido/companheiro e outras pessoas que sejam consideradas importantes; • Contribuir para a melhoria das relações familiares e sociais da grávida e da sua qualidade de vida; • Desenvolver comportamentos positivos relacionados com a saúde ou estilos de vida saudáveis. Apoios que poderão ser dispensados pelo Serviço Social da maternidade O Serviço Social, integrado na equipa da consulta de Obstetrícia-Infecciosas, visa efectuar um diagnóstico social, baseado em dados sócio-económicos e familiares, que permitam detectar problemas que de algum modo estejam a condicionar a saúde das grávidas e das suas famílias. Pretende, em conjunto com a próprias utentes, definir estratégias que lhes possibilitem ultrapassar as dificuldades detectadas, contribuindo assim para melhorar a sua “Vida”. Poderá sempre que o desejar, solicitar a intervenção deste serviço. A Assistente Social que apoia esta consulta, estará sempre disponível para os ouvir e, encaminhar para os recursos existentes. livro CC 32 6/6/07 2:57 PM Page 32 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à Apoios que poderão ser dispensados pelo Serviço de Enfermagem A Enfermagem, inserida numa equipe multidiscilpinar, ao receber a grávida com infecção de VIH/SIDA, tem o objectivo de cuidar de forma organizada e personalizada, atendendo sobretudo a três aspectos importantes: • Disponibilidade/Empatia – característica básica necessária compreender o comportamento da doente e ajuda-la na sua recuperação para • Respeito pela confidencialidade – é um direito humano fundamental. A grávida não deve ocultar factos sobre a sua doença ou do seu estado em geral, isso só poderia prejudicá-la. Não receie colocar as suas dúvidas e preocupações. É essencial a mútua confiança para um melhor atendimento. • Educação para a Saúde – os ensinos são dirigidos consoante a idade gestacional da grávida, abrangendo essencialmente: • Acolhimento • Alimentação • Enxoval do bebé e mãe • Sinais de parto • Anestesia epidural • Visita a sala de partos Adaptando a cada utente estes (e outros) ensinos que sejam necessários/oportunos. livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 33 da mãe à criança um a nova esp erança Consulta de Obstetrícia-Infecciosas Hospitais da Universidade de Coimbra Dr.ª Lúcia Pinho: Obstetra - Maternidade Dr. Daniel de Matos Dr.ª Eugénia Malheiro: Obstetra - Maternidade Dr. Daniel de Matos Dr.ª Isabel Ramos: Infecto-contagiosas Dr. Luís Marques: Psiquiatria - Maternidade Dr. Daniel de Matos Dr. Marco Pereira: Psicologia - Maternidade Dr. Daniel de Matos Dr.ª Rosa Henriques: Serviço Social da Maternidade Dr. Daniel de Matos Enfermagem Maternidade Dr. Daniel de Matos Hospital Pediátrico Dr.ª Graça Rocha: Pediatra - Consulta de Medicina/CDI do Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC) Dr.ª Rosa Gomes: Serviço Social do Hospital Pediátrico Dr.ª Constança Moura Casas: Educadora de Infância do Hospital Pediátrico de Coimbra Enf. Isilda Pinto: Enfermeira da Consulta Externa do HPC 33 livro CC 34 6/6/07 2:57 PM Page 34 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à Indicações úteis Inibidores da Dose diária Observações Inibidores da Dose diária Observações transcriptase protease habitual habitual livro CC 6/6/07 2:57 PM Page 35 da mãe à criança um a nova esp erança Telefones úteis Maternidade Dr. Daniel de Matos: .................................................... Departamento de Doenças Infecciosas dos H.U.C.: ...................... 239 403 060 239 400 638 Consulta de Acompanhamento Psicológico da Maternidade: ...... 239 403 060 Serviço de Psiquiatria dos HUC: ...................................................... 239 400 400 Serviço Social Pediátrico: ................................................................. 239 480 306 Serviço Social da Maternidade:........................................................ Hospital Pediátrico: ........................................................................... 239 403 060 239 480 300 35 livro CC 36 6/6/07 2:57 PM Page 36 erança a nova esp m u a ç n a ri c da mãe à VIVE Olha nos meus olhos, O meu olhar não mata! Beija-me. O meu beijo não mata! Pousa a tua mão na minha, A minha mão não mata! O que me mata. É esta solidão Nascida do teu medo! O que me mata Não se chama SIDA! Mata-me a tua falta de Esperança, No que ainda resta Da tua E da minha vida! MARTA BRINCA