Tratamento das Desordens Temporomandibulares Diagnósticas com precisão e tratar as DTMs pode ser uma difícil e confusa tarefa. Isto é uma verdade primária , pois os sintomas de um paciente nem sempre se ajusta a uma classificação.Todos os métodos de tratamento geralmente usados para DTMs podem ser categorizados dentro de um dos dois tipos : Tratamento Definitivo e Terapia de suporte . Tratamento definitivo se refere a esses métodos dirigidos para controlar ou eliminar os fatores etiológicos que criaram a desordem. Terapia de suporte se refere a métodos de tratamento dirigido para alterar os sintomas dos paciente. Tratamento definitivos È preconizado para eliminação ou alteração dos fatores etiológicos responsáveis pela desordem , Sendo o tratamento dirigido para a causa , o diagnóstico preciso é essencial. DTMs surgem quando uma atividade normal do sistema mastigatório é interrompida por um evento .Esse evento é a causa .O tratamento definitivo tentaria eliminar o evento ou a sua conseqüência. A historia e o exame são extremamente importante no entendimento do papel da condição oclusal nas DTMs. O profissional sempre deve lembrar que a mera presença se interferências oclusais não é indicativo de causa.Mas quando a oclusão representa o fator etiológico , os tratamentos oclusais se tornam tratamentos definitivos.Outra causa comum de DTMs é o aumento da tensão emocional e nesse caso terapias para redução a tensão são consideradas definitivas. Terapia Oclusal O que se entende por terapia oclusão é qualquer tratamento dirigido para alterar o posicionamento mandibular ou o contato oclusal padrão dos dentes. Este pode ser de dois tipos: Reversível ou irreversível . A primeira altera a condição oclusal do paciente só temporariamente e é melhor realizada com um dispositivo oclusal (placa de mordida). A posição mandibular exata e a oclusão depende da causa da desordem.Quando uma atividade parafuncional for tratada , o dispositivo provê uma posição mandibular em Relação Cêntrica , ficando em harmonia côndilo-disco-fossa para o paciente. E a estabilização so ocorre quando a placa está sendo usada. Quanto a irreversivel, o tratamento altera permanetemente a condição oclusal , a posição mandibular ou ambas. Um dos exemplos são: Desgastes seletivos dos dentes , tratamentos ortodônticos , entre outros. Porém, em um tratemento de DTMs, deve –se ficar atento para complexidade das DTMs, especialmente quando lidando com a hiperatividade muscular , pois é impossível estar certo do fator etiológico principal.Então a terapia oclusal reversível sempre é indicada como tratamento inicial para pacientes com as DTMs. Terapia de Suporte A terapia de suporte é dirigida para alterar os sintomas do paciente e freqüentemente não tem nenhuma efeito na causa da desordem.Um exemplo simples é dar uma aspirina ao paciente para uma enxaqueca que é causada pela fome.O paciente 3 pode sentir alívio da enxaqueca, mas não há nenhuma mudança no fator etiológico(fome) que criou o sintoma.Considerando que muitos pacientes sofrem muito de DTMs, a terapia de suporte é freqüente e extremamente útil, promovendo alívio imediato dos sintomas. Lembremos sempre, porém, que a terapia de suporte é somente sintomática e geralmente não apropriada para o tratamento a longo prazo de DTMs.Fatores etiológicos devem ser rotulados e eliminados, dessa forma o sucesso do tratamento a longo prazo é alcançado.A Terapia de suporte é dirigida para a redução de dor e disfunção.Os dois tipos gerais de terapias de suporte são: terapia farmacológica e terapia física. Terapia Farmacológica A terapia farmacológica pode ser um método efetivo, por administrar sintomas associados com muitas DTMs.OS pacientes deveriam estar atentos ao medicamentos que normalmente não oferece uma solução ou cura de seus problemas. Porém medicamentos juntos com a terapia física apropriada e o tratamento definitivo oferecem a aproximação mais completa a muitos problemas. Deve ser tomar cuidado com o tipo e o modo como são prescritas as drogas.Considerando que muitos sintomas de DTMs são periódicos ou cíclicos,há uma tendência para prescrever drogas somente quando necessário.Este tipo de administração encoraja o uso de drogas pelo paciente(138-140)que pode conduzir a dependência física ou psicológica.As droga comumente usadas abusivamente por pacientes são os analgésicos narcóticos e tranqüilizantes.Estes provêem um período breve de euforia ou sentimento de bem-estar e ás vezes podem se tornar uma recompensa por ter sofrido dor.O contínuo uso de drogas tende a conduzir a ciclos de dor mais freqüentes e menos efetividade da droga.A sugestão geral é que quando as drogas são indicadas para DTMs, estas devem ser prescritas em (por intervalos regulares por um período específico exemplo,três vezes por dia,durante 2 semanas).Ao término deste tempo é esperado que o tratamento definitivo esteja promovendo alívio dos sintomas,não sendo necessário estender o uso do medicamento.Isto é verdade principalmente para os analgésicos e agentes tranqüilizantes. Os agentes farmacológicos mais comumente usados para a administração nas DTMs incluem analgésico,antiinflamatórios não esteróides(AINEs)*,agente antiinflamatórios,corticosteróides,agentes ansiolíticos,relaxantes musculares, antidepressores tricíclicos e anestésicos locais.São indicados os analgésicos, corticosteróides e agentes ansiolíticos para dor na DTM aguda; podem ser usados os AINEs,relaxantes musculares,e anestésicos locais para condições agudas e crônicas; e os antidepressores tricíclicos são indicados principalmente para administração quando da dor orofacial crônicas. Analgésicos 4 Os analgésicos são medicamentos com função de aliviar a dor. O alívio causado por esses medicamentos pode ocorrer por meio do bloqueio dos estímulos dolorosos antes de chegarem ao cérebro ou pela interferência na forma como o cérebro interpreta esses estímulos, sem levar a anestesia ou perda da consciência. Os analgésicos compreendem diversos medicamentos diferentes, sendo divididos basicamente em dois grupos: opióides ou não-opióides. Os analgésicos opiódes são usados amplamente no tratamento de dor e por isso possuem grande aplicabilidade na odontologia. A morfina e outros analgésicos opióides constituem a classe de analgésicos mais eficazes conhecidos, não existindo nenhum outro fármaco que se compare ou supere a sua capacidade de aliviar a dor. O efeito terapêutico dos analgésicos opiódes ocorre devido a receptores específicos no sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico. Desta forma, estes analgésicos são comumente classificados em termos de “tendência a dependência”, indicando que têm uma maior probabilidade de produzir dependência física significativa. No caso das DTMs, os analgésicos opiódes podem ser prescritos nos casos de dores agudas moderadas e severas, durante um período curto de tempo. A substância de escolha é a codeína, normalmente associada ao salicilato e acetomifeno. Outro grupo de analgésicos existente é o dos analgésicos não-opióides, que compreende a aspirina (salicilato) e o paracetamol (acetomifeno). Esses analgésicos compartilham de mecanismos de ação semelhantes e propriedades analgésicas, antiinflamatórias e antipiréticas. São amplamente prescritos por dentistas e médicos, porque podem ser administrados por via oral, não causam depressão respiratória ou do SNC e são muito eficazes no tratamento de dor. Os analgésicos não-opióides são eficazes no tratamento de dor moderada associada a DTM. São considerados agentes importantes na terapia de suporte para muitas DTMs e nos casos de dor muscular cíclica, tratamento definitivo. Drogas Anti-inflamatórias não-esteroidais (AINES) Estas drogas são úteis na maioria das dores de ATM, sendo efetivas para abrandar desordens inflamatórias moderadas e dor pós-operatória aguda. Sua aplicação clínica principal em DTMS está no tratamento de dor músculo- esqueletal. Elas promovem somente alívio sintomático e não detêm a progressão de injúria tecidual patológica, com possível exceção da doença articular inflamatória ativa. Podem ser divididos em dois grupos de combinações: (1) O Indol (em que indomethacin [Indocin] é o protótipo) inclui sulindac(Clinoril) e tolmetin sodium (Tolectin) 5 (2) Derivados de ácidos propriônicos com uma meia-vida menor (por exemplo, ibuprofen [Motrin], naproxen[Naprosin] e fenopren[Nalfon]. A indometacina é um derivado do ácido indolacético com potente propriedade antiinflamatória, possuindo também ação antipirética e analgésica visto que age inibindo a via da cicloxigenase. A absorção se dá no trato gastro-intestinal. No entanto a indometacina nunca deve ser usada apenas como antipirético ou analgésico simplesmente visto que um dos seus principais efeitos adversos assim como o sulindaco é irritação gástrica, discrasias sanguíneas, toxicidade, dor epigástrica, náuseas e diarréia. A indometacina é indicada p/ artrite reumatóide e osteoartrite, mas pela toxicidade seu uso ainda é limitado. O Ibuprofeno (Motrin, Advil, Nuprin) e o naproxeno possuem potente efeito antiinflamatório, reduzindo edema em pacientes com artrite reumatóide osteoartrite. Além do mais provou ser muito efetivo, reduzindo dores-esqueletais e cessando efeitos cíclicos da dor profunda, sendo geralmente receitado numa dosagem de 600 a 800 mg três vezes ao dia.Outras indicações destas medicações são o combate a artralgia decorrente de desordem capsulares e sinoviais, quando outras medidas não são suficientes como medidas fisioterápicas, dieta líquida e o uso de analgésicos de ação periférica com a dipirona. Desta forma para se evitar os sintomas de uma sinovite severa os AINES podem estar indicados, podendo -se optar pelos seguintes medicamentos, pela via oral: -Meloxicam – Movatec 15 mg a cada 24 horas -Ibuprofen – Motrin 600mg a cada 12 horas -Nimesulide- Scaflam 100 mg a cada 12 horas A duração do tratamento não deve ultrapassar mais do que 3 ou 4 dias devido ao efeitos gastrointestinais e distúrbios hemorrágicos dos AINES, sendo assim o paciente deve ser questionado antes do início do tratamento e monitorado de perto durante o tratamento. É ideal a ingestão concomitante de alimentos com a medicação. Destes o meloxicam parece ser o menos agressivo à mucosa gástrica. Agentes Anti-inflamatórios São agentes ideais para combate de condições inflamatórias, visto que sua ação principal é a supressão da resposta global do corpo. Podem ser administrados via oral ou através de injeção. Quando tomados regularmente, os AINEs orais, que são considerados analgésicos de ação periférica, são úteis no tratamento de desordens articulares inflamatórias e mialgias crônicas. Como exemplo podemos citar o ibuprofeno ou aspirina e outros como o naxopreno e flurbiprofen . 6 O ibuprofeno foi o primeiro analgésico oral a ser aprovado pela FDA que mostrou maior efeito máximo de analgesia superior a 650 mg de aspirina. È um ácido orgânico fraco e é extensamente (mais de 90%) ligado a albumina plasmática. É quase totalmente metabolizado e então excretado na urina, com meia- vida plasmática de aproximadamente 2 horas. O naxopreno é aprovado para várias doenças inflamatórias e alívio para dor. È disponível como ácido livre e como sal de sódio, sendo este mais rapidamente absorvido pelo sistema gastro-intestinal, e pode ser a forma preferida para uso como analgésico. Sua meia-vida é de aproximadamente d e13 horas; a droga é parcialmente metabolizada e sua depuração é quase completamente renal. Como o ibuprofeno, o naxopreno também se liga à albumina plasmática, mas não parece interagir com o warfarin ou hipoglicemiantes orais. A dose recomendada é 500mg iniciais, seguida por 250 mg a cada 6 a 8 horas. Não foi relacionada relação definitiva entre analgesia e a concentração sanguínea. O Flurbiprofeno não possui vantagens superiores sobre o ibuprofeno, mas é mais potente, sendo que de50 a 100mg desta droga possui eficácia equivalente 400mg d e ibuprofeno. No entanto alguns cuidados devem ser tomados com novos remédios no mercado visto que há a possibilidade de toxicidade renal. Efeitos farmacológicos: a aspirina, eles inibem o sistema da ciclo-oxigenase, impedindo a formação de endoperóxidos, prostaglandinas, tromboxanos e metabólitos semelhantes, contribuindo para a atividade analgésica, anti-piréticas e antiinflamatórias. Possuem efeito máximo, além do qual doses maiores não aumentam significativamente a resposta analgésica. Por serem ácidos fracos são facilmente absorvidos e altamente ligados a albumina plasmática e as meias-vidas variam de 2 horas para o ibuprofeno e 10 a 13 horas para o naproxeno. Reações tóxicas e efeitos colaterais: a algumas das reações tóxicas são irritação gástrica (náuseas, dor abdominal), tonteira, trato gastrointestinal, retenção hídrica e nefrotoxicidade. A inibição da agregação plaquetária é reversível e transitória. Os sinais que sinalizam superdosagem são: zumbido, náuseas e vômitos. São contra-indicados p/ pacientes com úlceras gastrointestinais, distúrbios da coagulação, doença renal e intolerância a aspirina. Drogas de ação central podem ser associadas com drogas de ação periférica pelo fato de que aquelas alteram a percepção do Sistema Nervoso Central com relação a dor ,e estas combatem a dor através da interferência direta com os mediadores químicos, que causam sensibilização das terminações nervosas no local da lesão.A saúde geral do paciente deve ser sempre considerada, de forma que é necessário consultar o médico quanto à pendência de usar tal droga na terapia. 7 Corticóides adrenais Alguns corticóides adrenais e seus análogos sintéticos são largamente usados na medicina por suas potentes propriedades anti-inflamatórias. Infelizmente, quando os glicocorticóides são administrados durante longos períodos, como ocorre freqüentemente, podem surgir reações tóxicas graves. O córtex da adrenal sintetiza e secreta 2 tipos de hormônios esteróides. Os androgênios e os corticóides esses dividem-se em glicocorticóides que possuem efeitos maiores sobre o metabolismo dos carboidratos e os mineralocorticóide representados pela aldosterona que é mais ativo na retenção de sódio. A atividade anti-inflamatória correlaciona-se bem com a potência dos glicocorticóides. A hipófise tem função de liberar (ACTH) que vai ao córtex adrenal que libera por sua vez a cortisona (hidrocortisona), se a pessoa usar corticóides por feedback negativo inibe produção de ACTH. Os efeitos farmacológicos dos glicocorticóides são principalmente exageros das funções fisiológicas dos corticosteróides endógenos. Possuem efeitos sobre o metabolismo de carboidratos, proteínas, lipídios, equilíbrio eletrolítico, propriedades anti-inflamatórias e nas funções dos sistemas cardiovascular, rins, muscular e outros órgãos. Quanto ao metabolismo da glicose os glicocorticóides agem no fígado, estimulam especificamente a síntese de glicose a partir dos aminoácidos, concomitantemente, mobilizam aminoácidos através da inibição da síntese protéica do músculo (efeito antianabólico). Aumenta glicemia, glicogênio hepático. Como conseqüência desses prolongados usos surgem manifestações clínicas de desgaste protéico, retardo do crescimento em crianças, aumento da fragilidade capilar, equimoses, perda de tecido muscular e osteoporose associada a reabsorção óssea. Quanto ao metabolismo dos lipídios os glicocorticóides mobilizam ácidos graxos do tecido adiposo por hormônios lipolíticos. A administração prolongada de grandes doses de glicocorticóides causa obesidade centrípta que é a redistribuição de depósitos de gordura para face, ombros, dorso e abdômen. Quanto ao equilíbrio eletrolítico os glicocorticóides em doses excessivas levam à retenção de sódio, hipocalcemia e expansão do volume do líquido extracelular. Isso se manifesta por edema e hipertensão. Quanto a propriedade anti-inflamatória. 1-(hidrocortisona) , bloqueia o aumento da permeabilidade capilar produzido por fatores como histamina e cininas reduzindo assim a formação de edema. 8 2- interfere na migração dos neutrófilos e fagócitos para o local da inflamação, a capacidade fagocítica dos macrófagos é também reduzida. 3- inibe a formação de tecido de granulação através do retardo da proliferação de capilares e fibroblastos e da síntese de colágeno. Uso na odontologia: Os glicocorticóides possuem aplicações limitadas na odontologia. Aqui como em outros ramos da medicina, são largamente usados para reduzir os sinais e sintomas de reações inflamatórias indesejadas. Essas aplicações se resumem em ulcerações orais, hipersensibilidade da polpa, dor na articulação temporomandibular, seqüelas pós operatórias e anafilaxia. Distúrbios da ATM: A dor originada na ATM , pode ter várias causas possíveis, incluindo trauma, bruxismo, anomalias anatômicas, artrite reumatóide e distúrbios psicofisiológicos. O tratamento dessas condições deve ser conservador e baseado em diagnóstico muito cuidadoso. Os analgésicos anti-iflamatórios não hormonais, relaxantes musculares ansiolíticos e até mesmo antidepressivos provam ser úteis na farmacoterapia a curto prazo. As condutas não farmacológicas incluem repouso, calor, distensão suave, dispositivos no plano de mordedura e ajustes de oclusão. Em casos relativamente refratários de dor na ATM ou quando a dor aguda é inicialmente tão intensa que impede um curso de tratamento conservador a injeção intra-radicular de glicocorticóides como a prednilona ou dexametasona pode ser benéfica. O alívio dos sintomas pode ser completo ou parcial, permanente ou temporário, (principalmente se a causa do distúrbio não for corrigida). Okeson(1992) relata que os corticosteróides que não são comumente prescritos para uso sistêmico no tratamento de DTM devido a seus efeitos colaterais. Causam variados efeitos metabólicos e modificam as reações imunes do corpo a diversos estímulos. Necessitam de cuidados na sua administração, com vigorosa supervisão médica (Bell, 1991; Dos Santos Jr., 1995). Dennucci et al (1996) e Dionne(1994) relatam que corticosteróides tem sido aplicados topicamente na ATM para tentar minorar a dor, inflamação e disfunção associadas à DTM. Porém estes mesmos autores apresentam estudos que não comprovam a eficácia deste procedimento. Segundo Wennenberg e Kopp (1978), Okeson (1996) e McNeill (1997) , injeções de corticosteróides na ATM têm sido recomendadas com bases limitadas em casos de dor severa na articulação em que outros tratamentos conservador estiveram insucesso. Para Wennenberg e Kopp (1978) e Kopp ET al (1987), corticosteróides via intraarticular têm provado ser úteis no alivio da dor, edema e disfunção em condições inflamatórias dos músculos e articulações como artrite reumatóide, gota e 9 osteoartrite. Gregg e Rugh (1988) afirmam que uma única injeção na ATM tem efeito prolongado e bem sucedido no tratamento da fase inflamatória daosteoartrose, e tem a vantagem de apresentarem risco farmacológico mínimo para o paciente (Goodman e Gilman, 1996). Embora uma única injeção ocasionalmente ajude, há indícios que muitas injeçõescausem danos na articulação e devem ser evitadas(Okeson, 1996; Dionne, 1997). Drogas Ansiolíticas O dentista usa drogas ansiolíticas primariamente na pré-medicação do paciente nervoso e apreensivo. Os benzodiazepínicos são as drogas mais utilizadas. Efeitos farmacológicos: Os efeitos farmacológicos ocorrem no sistema nervoso central. Possuem atividades ansiolíticas, sedativo-hipinóticas, anticonvulsivante e relaxante muscular esquelética. Eles deprimem o sistem nervoso central, a sonol~encia e a sedação são manifestações comuns dessa ação depressora. Agem interagindo com os receptores GABA, alterando a cinética dos canais de íons cloro ativados pelo GABA , de forma que há aumento da freqüência de sua abertura. No aparelho respiratório os benzodiazepínicos são depressores da respiração. No aparelho cardiovascular doses pequenas causam pouca alteração, mas doses maiores provocam diminuição da pressão arterial, no débito cardíaco e no volume sistólico. Uso na odontologia: Os fármacos ansiolíticos são importantes na odontologia na pré-medicação do paciente apreensivo, que apresenta discreta neurose associada a boca e da criança que não coopera. O diazepam geralmente é preferido devido as suas boa propriedades de relaxamento muscular, ação prolongada e segurança. Foi observado que reduz trismo após procedimento e pode ser usado como auxiliar no tratamento dos espasmos musculars da cabeça e do pescoço, como nos distúrbios temporomandibulares. Entretanto a etiologia dos distúrbios temporomandibulares é complexa, envolvendo interações entre ansiedade do paciente, espasmos musculares, problemas oclusivos e disfunções articulares. A eficácia do tratamento com relaxantes musculares de ação central será maior se a disfunção for causada primariamente por ansiedade ou espasmo muscular. Segundo McNeill (1997) os ansiolíticos são classificados como drogas sedativohipnóticas e são mais comumente prescritos por seus efeitos contra a ansiedade. Também podem ser receitados como coadjuvantes nos tratamentos de fenômenos dolorosos, pois estes estão intimamente relacionados com aspectos psíquicos (Tortamano, 1997). Os agentes tranqüilizantes não eliminam o estresse, mas sim 10 alteram a percepção ou reação do paciente ao mesmo, sendo portanto, uma terapia de suporte (Okeson, 1996). Os benzodiazepínicos são os ansiolíticos mais utilizados nas DTM. O Diazepan é a droga mais empregada desta classe e se presta para melhorar a qualidade do sono, reduzindo os hábitos parafuncionais e relaxando a musculatura (Okeson, 1992), portanto, seu uso é indicado para tratamento de suporte de sintomas miofasciais agudos, especialmente aqueles relacionados à ansiedade e bruxismo noturno (Andrade, 1999). Bell (1991) e Gregg e Rugh (1988) afirmam que embora este medicamento tenha poucos efeitos colaterais, tem forte capacidade para causar dependência e tolerância quando usados por longo prazo, devendo ser prescritos apenas para períodos limitados de tempo. Dennucci et al . ( 1 9 9 6 ) concluem que pacientes cujas dores são de origem musculoesqueletal podem beneficiar-se com o uso de benzodiazepínicos por poucas semanas, combinada com terapia conservadora, o que diminuiria a sintomatologia para níveis aceitáveis. A falta de eficácia , ou o aparecimento de efeitos colaterais poderia ser uma indicação para a reduçaõ ou descontinuação do uso. Relaxantes Musculares (RM) O equilíbrio dinâmico dos músculos da cabeça e do pescoço é possível através do estímulo proveniente de vários receptores sensoriais. Quando um músculo é estirado passivamente, seus feixes informam o sistema nervoso central da atividade. O sistema nervoso central avalia e organiza o estímulo sensorial e inicia um estímulo eferente apropriado para criar a função motora desejável. Os relaxantes musculares são prescritos na firbomialgia para ajudar a prevenir o aumento da atividade muscular associada com as DTMs. O uso desses medicamentos induz a um relaxamento central dos músculos pela supressão parcial dos impulsos nervosos para os músculos estriados. Ou seja, esses compostos afetam a atividade neural associada com os reflexos de estiramento muscular. Esta modulação da contração muscular é atingida pela ação do medicamento no SNC. Experimentalmente, relaxantes musculares deprimem reflexos de polissinapse espinhais preferencialmente aos dos reflexos monossinápticos. A depressão ocorre principalmente na área reticular lateral do tronco cerebral. Algumas investigações concluem que suas propriedades de relaxamento muscular estão somente relacionadas aos seus efeitos sedativos. Estes medicamentos podem proporcionar melhora significativa da função mandibular e alívio da dor durante a mastigação. Em muitos pacientes com dor aguda ou exacerbação da hiperatividade muscular, os relaxantes musculares (RM) devem ser considerados por períodos curtos de 1 a 2 semanas, usando-se a dose mínima eficaz. No entanto, eles têm grande capacidade de produzir dependência, sedação e depressão, quando usados por um grande período de tempo. Os RM são anticolinérgicos e, por isso, revelam sintomas físicos incidentais àquela ação. 11 Existem várias medicações que estão no mercado como relaxantes musculares, mas o modo de ação de cada uma delas varia consideravelmente, e seu uso na fibromialgia pode ser otimizado se aplicarmos estas medicações de maneira adequada. Mephesin é o protótipo para a maioria dos RM do esqueleto oral que inclui propanediol (por ex, carisoprodol [SOMA], methocarbamol [Robaxin], e chlorzoxazone quimicamente relacionado [Paraflex, Parafon]). As doses orais destas drogas estão bem abaixo dos níveis exigidos para se obter atividade relaxante muscular experimental. Alguns RM centrais estão disponíveis em combinação com analgésicos (por ex., carisoprodol com aspirina e cafeína [Soma Compound], chlorzoxazone com acetaminofen [Parafon Forte], orphenadrine citrate com aspirina e cafeína [Norgesic Forte], methocarbamol com aspirina [Robaxisal]). Um relaxante muscular que parece afetar a dor muscular positivamente associado com DTMs é cyclobenzaprine (Flexeril). Foi o primeiro relaxante muscular testado na fibromialgia, e até hoje um dos mais utilizados. Seu efeito melhora a dor e o sono dos pacientes. Isto se explica porque a cyclobenzaprine apresenta alguns efeitos semelhantes aos dos antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina. Ela age aumentando o tempo em que o paciente permanece em sono profundo, que desta maneira alcança um maior relaxamento muscular. Como a maioria dos pacientes com fibromialgia apresenta um sono não reparador, esta ação da cyclobenzaprine é duplamente benéfica. Uma dose única de 10mg antes de dormir pode reduzir a dor muscular especialmente a dor que ocorre de manhã. Outra dose de 10mg durante o dia pode ser útil para a dor mas frequentemente, os pacientes acham que os fazem ficar muito sonolentos. Os antidepressivos tricíclicos são quimicamente relacionados aos fenotiazínicos, e alguns tem ações não seletivas de bloqueio de receptores. O tratamento da dor crônica tem merecido especial atenção nos últimos tempos. Como a dor crônica sempre é acompanha de manifestações afetivas, drogas anteriormente utilizadas somente em psiquiatria têm sido agora empregadas com sucesso no seu tratamento. Foi demonstrado que uma baixa dose de amitriptilina (10 mg) antes de dormir pode ter efeito analgésico na dor crônica, esse efeito clínico não é relacionado a qualquer ação de um antidepressivo, desde que as dosagens de antidepressivo sejam de 10 a 20 vezes mais altas. A amitriptilina demora de 2 a 3 horas para agir e seus efeitos duram em torno de 8 horas. Portanto, recomenda-se que essa medicação seja tomada com alguma antecedência ao deitar. As doses recomendadas para se obter alívio da dor, relaxamento muscular e sono restaurador são bem menores que as necessárias para a ação antidepressiva. A amitriptilina inibe o mecanismo de bomba da membrana responsável pela recaptação da norepinefrina e serotonina nos neurônios adrenérgicos e serotoninérgicos. Farmacologicamente, esta atividade pode potencializar ou prolongar a atividade neural simpática, uma vez que a recaptação dessas aminas é fisiologicamente importante para 12 suprir suas ações transmissoras. Alguns acreditam que esta interferência na recaptação da norepinefrina e ou serotonina é a base da atividade antidepressiva da amitriptilina. Os antidepressivos tricíclicos possuem ação analgésica indireta, não causam dependência e não possuem efeito narcótico. Promovem aumento da quantidade de neurotransmissores como serotonina, dopamina e norepinefrina. Eles diminuem o número de despertares, aumentando o estágio IV (delta) de sono, e notoriamente diminuem o tempo de movimento rápido dos olhos (REM) no sono, melhorando a qualidade deste, e favorecendo a transmissão neuronal mediada por serotonina, potencializandoa ação analgésica das endorfinas e relaxamento muscular. Por estas razões, eles podem ter potencial no tratamento de tipoes de bruxismo noturno e pode ser parte importante no controle de fibromialgia. Dentre os efeitos colaterais destacam-se a sonolência diurna, secura da boca, embaçamento da visão, obstipação. Ganho de peso, retenção hídrica e palpitações ocorrem raramente com o uso de baixas doses de antidepressivos tricíclicos. Os efeitos colaterais podem ser mais proeminentes em idosos. Deve-se ter cuidados especiais ao se administrar essas drogas em crianças abaixo de 12 anos, gestantes e lactantes. Anestésicos Locais Os ALs são moléculas alinfáticas com um grupo aromático hidrofóbico e um grupo amino básico. Eles bloqueiam a geração de potencias de ação por bloqueio dos canais de sódio. Nas desordens que tem dor como sintoma primário, é imperativo que a fonte de dor seja identificada. Se é uma dor primária será fácil identificá-la , uma vez que a fonte e o lado da dor têm a mesma localização. Para a dor primária o paciente está apontando diretamente para a fonte da dor. Entretanto se a dor é heterotópica, o paciente irá estar direcionando sua atenção para o lado da dor, a qual pode estar um pouco longe da fonte principal da dor, a qual pode estar um pouco longe da fonte principal da dor. Quando um estímulo local não é capaz de aumentar a dor, pode-se estar diante de uma dor heterotópica. Por exemplo, se um paciente se queixa de dor na área da ATM ele também deve se queixar que a dor aumenta na abertura e na mastigação(estímulo local). Se o paciente não relata qualquer problema funcional com o movimento mandibular, a ATM pode ser meramente um lado da dor e não estar patologicamente envolvida. Quando os sintomas dolorosos se tornam complexos, é necessário algumas vezes usar anestésico local para bloquear os tecidos e ajudar a diferenciar o lado da fonte. O bloqueio anestésico deve ser uma rotina no procedimento diagnóstico do clínico. É também valioso anestesiar a ATM de forma que uma dor articular real possa ser separada de outras dores. A articulação não deve ser violada com a injeção. A invervação primária da ATM é feita pelo nervo aurículo-temporal e o restante pelos 13 nervos massetérico e posterior temporal. O nervo aurículo-temporal deve ser bloqueado antes que as fibras alcancem a articulação. A importância de injeções de anestésico local tem sido enfatizada para o diagnóstico diferencial entre desordem articular e muscular. 14 Bibliografia 1 2 3 4 5 OKESON, Jeffrey P. 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