UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE BIOCIÊNCIAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA PARASITÁRIA CAMILA ALVES DE OLIVEIRA ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DA DENGUE NO ESTADO DA PARAÍBA NO PERÍODO DE 2011 A 2014 Natal 2015 CAMILA ALVES DE OLIVEIRA ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DA DENGUE NO ESTADO DA PARAÍBA NO PERÍODO DE 2011 A 2014 Dissertação de Mestrado do curso de Pós-Graduação em Biologia Parasitária, para obtenção do Título de Mestre em Biologia Parasitária na área de Parasitologia. ORIENTADOR: Prof. Dra. Tatjana Keesen de Souza Lima CO-ORIENTADOR: Prof. Dr. Josélio Maria Galvão de Araújo Natal 2015 Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Setorial do Centro de Biociências Oliveira, Camila Alves de. Aspectos epidemiológicos da dengue no Estado da Paraíba no período de 2011 a 2014 / Camila Alves de Oliveira. – Natal, RN, 2015. 79 f.: il. Orientadora: Profa. Dra. Tatjana Keesen de Souza Lima. Coorientador: Prof. Dr. Josélio Maria Galvão de Araújo. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Biociências. Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária. 1. Aedes aegypti. – Dissertação. 2. Dengue. – Dissertação. 3. DENV - Paraíba. – Dissertação. I. Keesen, Tatjana de Souza Lima. II. Araújo, Josélio Maria Galvão de. III. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. IV. Título. RN/UF/BSE-CB CDU 614.4 CAMILA ALVES DE OLIVEIRA ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DA DENGUE NO ESTADO DA PARAÍBA NO PERÍODO DE 2011 A 2014 Dissertação de Mestrado do curso de Pós-Graduação em Biologia Parasitária, para obtenção do Título de Mestre em Biologia Parasitária na área de Parasitologia. Aprovada em: _____/_____/______. BANCA EXAMINADORA ____________________________________________ Prof. Drª Tatjana Keesen de Souza Lima-DBCM-CBiotec-UFPB _____________________________________________ Prof. Drª. Bruna Leal Lima Maciel _____________________________________________ Prof. Drª. Fabíola da Cruz Nunes Dedico este trabalho, Aos meus pais Eduardo Alves e Francisca Pereira, Às minhas irmãs Itala Alves e Pollyanna Alves, e a toda a minha família. AGRADECIMENTOS Primeiramente à Deus, pelo dom da vida, pela proteção diária e por me permitir a realização de um sonho, a ti Senhor, a minha eterna gratidão. Aos meus pais, Eduardo Alves de Souza e Francisca Pereira de Oliveira, exemplo de vida e dignidade, por todo o amor, dedicação e conselhos, que tanto me fizeram crescer. À minha orientadora Dra. Tatjana Keesen pela orientação, indispensável para a conclusão desta etapa, pelos conhecimentos repassados que contribuíram muito para a minha formação pessoal e profissional, o meu sincero agradecimento. À equipe da secretaria de Saúde da Paraíba pela presteza na disponibilização dos dados da dengue. Às meninas, Fany, Isabel e Bruna, pela valiosa ajuda na análise dos dados, meu sincero agradecimento. Ao Programa de Pós-graduação em Biologia Parasitária, aos coordenadores, professores, secretaria e a todos os colegas de turma. RESUMO A dengue é uma doença infecciosa causada por um arbovírus (gênero Flavivirus, família Flaviviridae), transmitida principalmente por mosquitos da espécie Aedes aegypti. Existem quatro sorotipos diferentes do vírus da dengue: (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), que ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil. A infecção por dengue atualmente é considerada um grave problema de saúde pública mundial. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 50-100 milhões de pessoas se infectam anualmente em mais de 100 países do mundo. O objetivo deste estudo foi analisar o perfil epidemiológico dos casos de dengue no estado da Paraíba, no período de 2011 a 2014. Uma pesquisa descritiva foi realizada, a qual utilizou dados secundários registrados no SINAN da Paraíba, em que os casos notificados foram analisados em função de variáveis como gênero, faixa etária, escolaridade, sorotipo do vírus envolvido, meses de notificação, classificação clínica e evolução da doença. De 2011 a 2014 na Paraíba foram notificados 53.373 casos suspeitos de dengue, dos quais 52,5% (28.020) foram confirmados. Casos confirmados em 2011 corresponderam a 53,4% (8.646), em 2012 foram equivalentes a 60% (6.867), o ano de 2013 registrou 48% (8.827), e em 2014 com 49,6% (3.680) dos casos notificados. Houve predominância da infecção no sexo feminino, que foi equivalente a 58% dos casos confirmados. A idade dos indivíduos com diagnóstico confirmado variou de 1 a 60 anos, média de 35 anos, na qual a faixa etária entre 18-60 anos representou 64,2% dos casos. Quando analisada a evolução da doença, observou-se que 89% dos indivíduos com diagnóstico de dengue confirmado evoluíram para a cura. Houveram 48 óbitos nesse período. O sorotipo DENV-1 foi predominante de 2011 a 2013, seguido do DENV-4. A classificação dengue clássico foi equivalente a 86,4% dos casos. A ocorrência de complicações foi registrada em apenas 1,3% dos casos, destes 0,5% classificados como febre hemorrágica da dengue e 0,06% como síndrome do choque da dengue. Os meses de maior notificação da doença foram no primeiro semestre do ano, com maior incidência entre os meses de março a junho. Nossos resultados oferecem dados para uma melhor compreensão do problema da dengue no estado da Paraíba, Brasil. Palavras-chave: Dengue. Aedes aegypti. Paraíba. DENV. ABSTRACT Dengue is an infectious disease caused by an arbovirus (genus Flavivirus, family Flaviviridae), mainly transmitted by mosquitoes of the species Aedes aegypti. There are four different serotypes of dengue virus: (DENV-1, DENV-2, DENV-3 and DENV-4), which occurs mostly in tropical and subtropical areas of the world, including Brazil. Dengue infection is now considered a serious public health problem worldwide. According to the World Health Organization, about 50-100 million people are infected annually in more than 100 countries worldwide. The objective of this study was to analyze the epidemiology of dengue in the state of Paraiba, in the 2011 to 2014 period. A descriptive study was conducted, which used secondary data recorded in the SINAN of Paraiba, where the reported cases were analyzed according to variables such as gender, age, education, serotype involved viruses, months of notification, clinical classification and evolution of disease. From 2011 to 2014 in Paraiba were reported 53 373 suspected cases of dengue, of which 52.5% (28,020) were confirmed. In 2011 have been confirmed 53.4% (8,646) of cases in 2012 confirmed cases were equivalent to 60% (6867), the year 2013 recorded 48% (8827) and in 2014 with 49.6% (3,680). There was a predominance of infection in females, which was equivalent to 58% of cases. The age of patients with confirmed diagnosis ranged from 1 to 60, average age 35, in which the age group between 18-60 years accounted for 64.2% of cases. When analyzing the evolution of the disease, it was observed that 89% of patients with confirmed diagnosis of dengue develop to cure. There were 48 deaths in this period. The DENV-1 serotype was predominant from 2011 to 2013, followed by DENV-4. The classic dengue classification was equivalent to 86.4% of cases. The complication rate was recorded in only 1.3% of cases, these 0.5% were classified as dengue hemorrhagic fever and 0.06% as of dengue shock syndrome. The months of notification of the disease were higher in the first half of the year, with higher incidence during the months from March to June. Our findings offer insights into the understanding the dengue problem in the state of Paraiba, Brazil. Keywords: Dengue. Aedes aegypti. Paraíba. DENV. LISTA DE FIGURAS Figura 1- Vírus dengue.............................................................................................14 Figura 2- Fase de leitura aberta (open reading frame) codificante das proteínas dos vírus dengue...............................................................................................................17 Figura 3- Áreas de transmissão do dengue vírus.....................................................32 Figura 4- Áreas de risco de transmissão da dengue no Brasil.................................34 Figura 5- Mapa de Localização da Paraíba...............................................................39 Figura 6- Distribuição dos casos de suspeita de dengue na Paraíba de 2011 a 2014............................................................................................................................44 Figura 7- Total de casos positivos da Paraíba de 2011 a 2014................................45 Figura 8- Distribuição dos casos de suspeita de dengue em João Pessoa de 2011 a 2014............................................................................................................................46 Figura 9 - Total de casos positivos em João Pessoa de 2011 a 2014......................47 Figura 10- Sorotipos DENV circulantes de 2011 a 2014...........................................53 Figura 11- Distribuição dos casos e os meses de notificação de dengue entre 2011 e 2014........................................................................................................................54 LISTA DE TABELAS Tabela 1- Incidência de casos dengue na Paraíba no período de 2011 a 2014............................................................................................................................48 Tabela 2- Características demográficas dos casos de dengue analisados neste estudo.........................................................................................................................49 Tabela 3- Características clínicas dos casos de dengue analisados neste estudo.........................................................................................................................50 Tabela 4- Sorologia dos casos suspeitos de dengue do Estado da Paraíba (20112014)..........................................................................................................................51 Tabela 5 - Classificação clínica dos pacientes com dengue analisados neste estudo.........................................................................................................................52 SIGLAS E ABREVIATURAS Ae.: Aedes ADE: Aprimoramento dependente de anticorpo C: Proteína estrutural do capsídeo viral CF: Fixação de complemento DC: Dengue clássica DENV: Vírus dengue DENV-1: Sorotipo 1 dos vírus dengue DENV-2: Sorotipo 2 dos vírus dengue DENV-3: Sorotipo 3 dos vírus dengue DENV-4: Sorotipo 4 dos vírus dengue E: Proteína estrutural do envelope ELISA: Ensaio imunoenzimático indireto FHD: Febre hemorrágica da dengue HI: Inibição de hemaglutinação IgG: Imunoglobulina G IgM: Imunoglobulina M Kb: Kilobase kDa: Quilodaltons Km²: Quilômetros quadrados M: Proteína estrutural da membrana ml: mililitro NS: Proteína não estrutural do vírus NS1: proteína não estrutural 1 NS2A: proteína não estrutural 2A NS2B: proteína não estrutural 2B NS3: proteína não estrutural 3 NS4A: proteína não estrutural 4A NS4B: proteína não estrutural 4B NS5: proteína não estrutural 5 NT: Teste de neutralização OMS: Organização Mundial de Saúde ORF: do Inglês Open reading frame PB: Paraíba Pb: Pares de bases PCR: Reação em cadeia da polimerase PrM: Proteína pré-membrana RNA: Ácido ribonucleico SCD: Síndrome do choque da dengue SINAN: Sistema de Informação de Agravos de Notificação SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................13 1.1 BREVE HISTÓRICO............................................................................................13 1.2 AGENTE ETIOLÓGICO.......................................................................................14 1.2.1 VARIABILIDADE GENÉTICA............................................................................18 1.3 VETOR.................................................................................................................20 1.4 PATOGÊNESE E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA INFECÇÃO PELO VÍRUS DENGUE....................................................................................................................22 1.5 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL........................................................................26 1.6 EPIDEMIOLOGIA DA DENGUE...........................................................................29 1.6.1 DENGUE NO BRASIL.......................................................................................33 2. OBJETIVOS...........................................................................................................38 2.1 OBJETIVO GERAL...............................................................................................38 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................38 3. MATERIAL E MÉTODOS......................................................................................39 3.1 ÁREA DE ESTUDO..............................................................................................39 3.2 DELINEAMENTO DO ESTUDO...........................................................................40 3.3 FONTE DE DADOS..............................................................................................40 3.4 SELEÇÃO DOS DADOS......................................................................................40 3.5 ANÁLISE DOS DADOS........................................................................................41 4. RESULTADOS.......................................................................................................43 4.1 DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS SUSPEITOS DE DENGUE NA PARAÍBA DE 2011 A 2014........................................................................................................................43 4.2 DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS SUSPEITOS DE DENGUE EM JOÃO PESSOA DE 2011 A 2014.........................................................................................................45 4.3 INCIDÊNCIA DE DENGUE NA PARAÍBA E JOÃO PESSOA ENTRE OS ANOS DE 2011 E 2014.........................................................................................................47 4.4 CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E DEMOGRÁFICAS DOS CASOS DE DENGUE....................................................................................................................48 4.5 SOROLOGIA E CLASSIFICAÇÃO FINAL DE DENGUE DOS PACIENTES CONFIRMADOS.........................................................................................................51 4.6 SOROTIPOS DE DENGUE CIRCULANTES ENTRE 2011 E 201.4....................52 4.7 DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS E MESES DE NOTIFICAÇÃO.............................54 5. DISCUSSÃO..........................................................................................................55 6. CONCLUSÕES......................................................................................................60 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................61 ANEXOS....................................................................................................................78 14 1.INTRODUÇÃO 1.1 BREVE HISTÓRICO A dengue tem sido reconhecida clinicamente há mais de 200 anos. Durante os séculos XVIII e XIX, ocorreram epidemias intermitentes que afetaram continentes como a Ásia e as Américas, e ocorreram em intervalos de até várias décadas. A disseminação da doença se dava geralmente por navios que transportavam mosquitos Aedes aegypti infectados e hospedeiros humanos susceptíveis. Em muitas áreas, a dengue foi reconhecida apenas entre os colonizadores estrangeiros ou forças militares coloniais, e a doença escapou da atenção nas populações indígenas devido a falta de vigilância médica (CAREY, 1971; EHRENKRANZ, 1971). Durante e após a II Guerra Mundial, os vírus dengue foram disseminados por militares para áreas de guerra no Pacífico. Vários sorotipos do vírus foram geograficamente dispersos por tropas e refugiados virêmicos, e o vetor foi disseminado por veículos, contendo recipientes de armazenamento de água, e os pneus onde eram depositadas larvas do Ae. aegypti. A disseminação do vírus dengue e seu vetor foi reforçada, após a guerra pelo rápido crescimento populacional e urbanização (MONATH, 1994). Esses fatores levaram ao estabelecimento de uma alta incidência da infecção por dengue no sudeste da Ásia, um padrão de surtos anuais causadas por todos os quatro sorotipos de dengue, e uma frequência crescente de infecções sequenciais de crianças (GUBLER, 1989). O surgimento da dengue e dengue hemorrágica na região da América fornece um paradigma para a mudança das características da epidemiologia da dengue. Antes da Segunda Guerra Mundial epidemias esporádicas ocorreram em intervalos de até 37 anos, provavelmente causadas pela introdução de um único sorotipo (EHRENKRANZ, 1971). As oportunidades para a introdução de novos vírus eram limitadas. Surtos foram raramente registrados, porque as populações humanas eram relativamente baixas e isoladas em ilhas onde hospedeiros imunologicamente suscetíveis eram rapidamente esgotados (SAN MARTÍN et al., 2010). 15 Mudanças pós-guerra na epidemiologia da dengue na região da América ocorreram um pouco mais tarde do que na Ásia. Durante a década de 60, os tipos de vírus DENV-2 e DENV-3 se estabeleceram na região, e, em 1977, O DENV-1 foi introduzido, e rapidamente se espalhou, tornando-se endêmico (GUBLER, 1989). Na década de 1970, alguns casos de dengue hemorrágica foram identificados em Porto Rico, onde a dengue estava sob intenso estudo. O primeiro surto na verdade ocorreu em Cuba em 1981, com 116.000 pacientes hospitalizados, 34.000 casos documentados de dengue hemorrágica e 158 mortes (KOURI e GUZMAN, 1987). 1.2 AGENTE ETIOLÓGICO O vírus dengue (DENV) é o agente causador da dengue, a mais prevalente doença viral em seres humanos (Figura 1). Pertencente ao grupo dos arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes), é transmitido principalmente pelos mosquitos Ae. aegypti e Ae. albopictus, que são encontrados em regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo, principalmente em áreas urbanas e semi-urbanas, como também em áreas rurais (GUBLER, 1989; HALSTEAD, 1992). Figura 1- Vírus dengue Os vírus dengue formam um complexo viral composto de 4 (quatro) sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4), antigenicamente distintos, que são ainda 16 mais subdivididos em vários genótipos filogeneticamente. A infecção por um sorotipo DENV confere imunidade duradoura contra o mesmo, mas só confere imunidade parcial e temporária contra a infecção pelos outros três sorotipos (CHATURVEDI et al., 2007). Os DENV estão inclusos na família Flaviviridae que é composta por três gêneros: O gênero Flavivirus (no qual estão agrupados os quatro sorotipos dos vírus dengue (DENV 1-4), Vírus da Febre Amarela, Vírus do Oeste do Nilo e da Encefalite Japonesa), o gênero Pestevirus na qual inclui-se os vírus da diarreia bovina e da peste suína clássica, e o gênero Hepacivirus, onde encontramos agrupados os vírus das hepatites C e G ( HALSTEAD, 1988; GUBLER, 1998). Os DENV são vírus RNA de polaridade positiva, sendo o RNA genômico infeccioso, que codifica as proteínas virais necessárias para a replicação do seu material genético. A ausência da cauda poli-A indica que o vírus não utiliza o mesmo mecanismo de tradução que os RNAs mensageiros celulares (CLYDE et al., 2006), porém apresentam a extremidade 5’ metilada. Esse vírus possui um capsídeo homopolimérico formado de proteína C, envelope viral lipídico derivado da membrana celular da célula hospedeira e que contém as proteínas M e E. As partículas virais são esféricas, com 50 a 55 nm de diâmetro, constituídas por um core de ribonucleoproteínas e de envelope de liproproteínas (CHAMBERS et al., 1990; LINDENBACH E RICE, 2001). Seu genoma tem aproximadamente 11kB e possui uma única fase de leitura aberta (open reading frame) que codifica 10 proteínas, sendo 3 estruturais (proteínas de capsídeo-C, de pré membrana-prM, que após processamento torna-se M e glicoproteínas do envelope-E) e 7 não-estruturais (NS1, NS2a, NS2b, NS3, NS4a, NS4b e NS5) como mostra a Figura 2, e é flanqueado por regiões não codificantes denominadas UTRs, que possuem de 100 a 400 pares de bases e tem importante papel na regulação de processos relativos à replicação viral (CHAMBERS et al., 1990; LINDENBACH et al., 2007). A característica mais notável do genoma dos flavivírus é a presença de um enquadramento de leitura aberto (ORF) de mais de 10.000 bases. ORF para diferentes flavivírus (começando no primeiro resíduo Met) variam entre 10.158 bases (DENV-4) para 10.302 bases e codificam poliproteínas de 3386 a 3434 aminoácidos (CHAMBERS et al., 1990). 17 A proteína C presente em vírions, de peso molecular aproximadamente 1214kD, é uma proteína altamente carregada positivamente, que constitui um componente estrutural do nucleocapsídeo. A homologia de sequência de proteínas C de flavivírus é baixa, mas as regiões de aminoácidos hidrofóbicos e hidrofílicos são conservadas, incluindo um domínio hidrófobo C-terminal que é imediatamente precedida por uma região hidrofílica, e uma região hidrofóbica central (MANDL et al., 1988). A proteína prM é um precursor da glicoproteína (peso molecular previsto 18 19 kD, modificado por adição de hidratos de carbono) para a proteína estrutural M. Este precursor sofre uma clivagem tardia para formar M e o segmento pr N-terminal, esta clivagem é presumivelmente ligada a maturação ou a liberação do vírus, como prM e M encontram-se intracelulares e extracelulares nos vírions, respectivamente (CHAMBERS et al., 1990). A proteína M impede a fusão precoce da glicoproteína E, durante a passagem pelo ambiente acídico do complexo de Golgi (QI et al., 2008). A glicoproteína E (peso molecular previsto 53-54 kD) é a principal proteína estrutural das formas glicosiladas de vírions, encontrada em alguns, mas não em todos os flavivírus. Esta proteína presumivelmente desempenha um papel numa série de atividades biológicas incluindo a montagem do vírion, a ligação ao receptor, e a fusão da membrana, e é o alvo principal para neutralizar anticorpos (HEINZ, 1986). A proteína não estrutural NS1 tem um peso molecular previsto de 39-41 kD, com modificação adicional através de glicosilação ligado a N. A proteína inclui 12 resíduos estritamente conservados de cisteína (exceto DENV-4), locais de glicosilação invariantes, e outras regiões de elevada homologia de sequência (MACKOW et al., 1987). A NS1 é encontrada associada a células, na superfície celular, e no ambiente extracelular (WESTAWAY, 1987; LEE, 1989). Como esta proteína é produzida desde o início da replicação viral, a sua presença no soro do paciente é pesquisada para o diagnóstico precoce da dengue, já a partir do segundo dia da infecção. Infecções por flavivírus induzem anticorpos para NS1 com atividade de fixação de complemento (CF) e a forma segregada desta proteína tem sido chamado de fixação de complemento antígeno solúvel (SCF) (SMITH, 1985). Epítopos tipo-específicos e de grupo reativo foram definidas para NS1 e parecem 18 desempenhar um papel na imunidade protetora (HENCHAL, 1987). A imunização ativa com a NS1 ou imunização passiva com anticorpos monoclonais anti-NS1 protege os animais contra o desafio com flavivírus homólogos (BRAY et al., 1989). A glicoproteína NS3, a segunda maior proteína viral (peso molecular previsto de 68-70 kD), é altamente conservada entre flavivírus e não contém longas extensões hidrofóbicas. Um papel para a NS3 na replicação do RNA viral foi postulado, e comparações de sequências recentes sugerem que é, provavelmente, uma proteína bifuncional, contendo tanto uma atividade de protease e, possivelmente, uma atividade de trifosfatase de nucleotídeos/ helicase ( MANDL et al., 1989). A NS5 é a maior (peso molecular previsto 103-104 kD) e mais conservada das proteínas de flavivírus (MANDL et al., 1989). Dados da sequência C-terminal indicam que a proteína se estende para a extremidade prevista do ORF (SPEIGHT, 1989). NS5 é uma proteína básica e não contém quaisquer longas extensões hidrofóbicas. O possível papel de NS5 como a polimerase viral de RNA e a geração do seu N-terminal, por clivagem no compartimento citoplasmático (presumivelmente por uma protease NS3 ou alternativa) sugerem que NS5 está localizada no citoplasma, embora esteja associada com membranas (CHAMBERS et al., 1990). Figura 2 - Fase de leitura aberta (open reading frame) codificante das proteínas dos vírus dengue A evidência sugere que o vírus entra nas células por endocitose mediada pelo receptor, presumivelmente mediada pela interação da glicoproteína do envelope (E) com receptores de membrana plasmática da célula, com formação de uma vesícula endossomal, seguido de fusão dependente de abaixamento do pH. Além disso, a entrada dos vírus nas células também pode ocorrer por endocitose mediado por receptores para a fração Fc de anticorpos IgG, presentes nos monócitos e 19 macrófagos, quando as partículas virais estão recobertas por estas imunoglobulinas (GOLLINS, 1985). No momento da adsorção os DENVs interagem com múltiplos receptores celulares, acarretando em uma considerável variedade de células susceptíveis ao vírus no organismo humano, como as células da linhagem mononuclear fagocitária, cardíacas, cerebrais, renais, hepáticas, pulmonares e da medula óssea (JESSIE et al., 2004; ARAÚJO et al., 2009; RODENHUS-ZYBERT et al., 2010). Após tradução e processamento das proteínas virais, a replicase viral é montada a partir das proteínas NS atuando sobre o RNA viral, provavelmente por interação de proteínas hidrofóbicas NS pequenas. A replicação começa com a síntese da fita negativa do RNA, a qual serve como molde para a síntese de fitas positivas de RNA da progênie viral. O RNA viral acumula-se em associação com membranas citoplasmáticas na região perinuclear das células de mamíferos. A montagem dos virions acontece em associação com membranas do retículo endoplasmático (RE), os nucleocapsídeos montados brotam dentro do lúmem do RE e as partículas virais são liberadas pela via exocítica (LINDENBACH e RICE, 2001). Os DENV, assim como outros vírus de RNA, apresentam uma alta taxa de mutação devido à ausência de atividade de proofreading (capacidade de correção do erro cometido) da RNA polimerase viral. Devido a esta alta taxa de mutação, os vírus de RNA não consistem de um único genótipo, e sim de um grupo de genótipos relacionados (HOLLAND et al., 1982). Esta alta taxa de mutação do DENV seria o fator determinante da alta variabilidade genética observada neste vírus, porém, recentemente, outros estudos mostraram que a recombinação gênica também teria um papel importante na diversidade genética dos DENV (HOLMES et al., 1999; WOROBEY et al., 1999; TWIDDY et al., 2003). 1.2.1 VARIABILIDADE GENÉTICA Análises filogenéticas com base na sequência de 240 nucleotídeos correspondente à região de junção das proteínas E e NS1 de diferentes cepas de DENV-1 e DENV-2, têm indicado a existência de 5 genótipos para cada um destes sorotipos (RICO-HESSE, 1990). Para DENV-1 estes são: o das Américas, África e Sudeste Asiático; o de Sirilanka; o Japonês; um grupo representando Taiwan e 20 Tailândia; e o quinto grupo incluindo cepas do Sudeste Asiático, do Pacífico Sul, México e Austrália (KUKRETI et al., 2008). Desses genótipos, apenas o V possui evidências de circular no Brasil (CARNEIRO et al., 2012). O DENV-2 possui cinco genótipos circulantes (TWIDDY et al., 2002), sendo um silvestre e quatro urbanos. DENV-2 inclui os seguintes genótipos: do Caribe, do Pacífico Sul, da Indonésia; do Vietnã e Tailândia; e do Oeste da África. Esta classificação foi confirmada por outros estudos analisando a sequência completa do gene da proteína E e a região não codificadora 3’ (RNC3’) (LEWIS et al., 1993; WANG et al., 2000; SHURTLEFF et al., 2001). Outros estudos têm mostrado a existência de 4 genótipos de DENV-3 (genótipo I, Filipinas; genótipo II, Tailândia; genótipo III, Sri Lanka e genótipo IV, Porto Rico) (LANCIOTTI et al.,1997; WANG et al., 2000). O DENV-4 apresenta três genótipos, o Genótipo-1 (vírus das Filipinas, Tailândia e Sri Lanka), o genótipo-2 (vírus da Indonésia, Nova Caledônia, Taiti, Caribe e América do Sul) e o genótipo III (exclusivamente no ambiente silvestre da Malásia) (LANCIOTTI et al., 1997). Estudos funcionais in vitro tem mostrado que distintos genótipos virais apresentam diferentes características de infecção celular, sugerindo que a virulência estaria relacionada com o genótipo viral. A associação de alguns genótipos de DENV com o aumento da gravidade da doença, mesmo no contexto de infecção sequencial, foi bem documentado, em particular envolvendo certos genótipos de DENV-2 e DENV-3 (HARRIS e KYLE, 2008). Nas Américas, o DENV-2 teria sido responsável por repetidos surtos de dengue, bem como teria contribuído para o aparecimento explosivo de dengue hemorrágica em Cuba, Venezuela e Brasil. Evidências circunstanciais de análise molecular sugerem que uma estirpe DENV-2 seria responsável pela ocorrência de doença mais grave e poderia representar uma variante com uma virulência aumentada para os seres humanos (MONATH, 1994). As análises filogenéticas sugerem que os sorotipos circulantes divergiram de seus ancestrais silvestres aproximadamente 1.000 anos atrás (TWIDDY et al., 2003); no entanto, as origens geográficas do DENV permanecem obscuras e foram alternativamente atribuídas a África ou na Ásia (SMITH, 1956; POWELL et al, 1980; WANG et al, 2000; DIALLO et al., 2005). Atualmente, a maior diversidade genética é encontrada no Sudeste Asiático, onde os quatro sorotipos foram cocirculantes desde a Segunda Guerra Mundial (GUBLER, 2006). Em geral, o Sudeste Asiático parece servir como uma fonte de diversidade viral, gerando uma multiplicidade de estirpes, algumas das quais são inerentemente mais virulentas e talvez mais bem sucedidas 21 do que outras, como evidenciado pela sua disseminação mundial e possível deslocamento de cepas DENV anteriores (RICO-HESSE et al., 1997). Esta região tem sido identificada como uma população de origem para o ressurgimento rápido e dramático do DENV globalmente ao longo do último meio século, inicialmente facilitada pelo movimento de navios e mercadorias durante a Segunda Guerra Mundial (GUBLER, 1997) e mais recentemente por rápidos aumentos no tamanho da população humana, a urbanização descontrolada e facilidade de deslocamento das pessoas (GUBLER, 1998). 1.3 VETOR O principal vetor do DENV vírus é o mosquito Ae. aegypti, uma espécie antropofílica, pertencente à família Cullicidae, que se adaptou muito bem ao ambiente urbano, e pode ser encontrado no interior e ao ar livre nas proximidades de habitações humanas (GUBLER, 2006). Acredita-se ter se originado nas selvas da África e foi provavelmente disseminado por todo o resto do mundo via navios negreiros e comerciais durante os séculos XVII e XIX (SMITH, 1956). Totalmente domesticado atualmente, o Ae. aegypti é um vetor eficiente de DENV por causa de sua preferência para o assentamento de seus ovos em recipientes artificiais, fazendo o repasto sanguíneo em humanos, e mantendo-se dentro de casa, onde tem acesso ao seu hospedeiro preferido (RODHAIN e ROSEN, 1997). O Ae. aegypti de maneira geral se desloca por distâncias relativamente curtas de cerca de 100 metros, embora haja relatos de outras espécies do gênero Aedes que se deslocam até 800 metros (REITER et al, 1995; HARRINGTON et al., 2005). Os mosquitos adultos preferem descansar dentro de casa, são discretos, e preferem se alimentar de seres humanos durante o dia (GUBLER, 1998). Outro mosquito que tem mostrado potencialidade em ser transmissor do vírus da dengue é o Ae. albopictus. Nos últimos anos, em consequência do intenso comércio intercontinental de pneus, por intermédio dos transportes marítimos, o A. albopictus se disseminou para as Américas, sendo inicialmente detectado nos Estados Unidos, em 1985. Antes de 1979, esta espécie era encontrada apenas na 22 Ásia e no Pacífico Ocidental, mas ela se espalhou para grande parte do resto do mundo nas últimas décadas (SMITH, 1956; GRATZ, 2004). O Ae. albopictus não é doméstico como o Ae. aegypti, prefere os ocos de árvores para depositar seus ovos e tem hábitos antropofílicos e zoofílicos diurnos e fora dos domicílios. Sua competência vetorial vem sendo objeto de investigação, já que tais hábitos podem estabelecer um elo entre o ciclo dos vírus da dengue nos macacos e no homem, além de haver referência quanto à sua responsabilidade pela transmissão de surtos epidêmicos de dengue clássica e hemorrágica na Ásia (METSELAAR et al., 1980; IBÁNEZ-BERNAL et al.,1997). O A. albopictus tem como característica a resistência dos seus ovos à temperaturas mais extremas (HAWLEY et al., 1987). Durante o dia, o Ae. aegypti realiza seu repasto sanguíneo, diferentemente de outros mosquitos, se alimenta em dois períodos do dia, durante o amanhecer e ao entardecer, realizando inúmeros repastos para uma única ovoposição (JANSEN, 2010). O ciclo de vida do vírus dengue no vetor inicia-se quando a fêmea do Ae. aegypti se alimenta de um hospedeiro humano infectado durante a fase de viremia. Após o repasto, os vírus infectam células epiteliais do esôfago do vetor. Posteriormente, os vírus migram para a hemocele e infectam as glândulas salivares e outros órgãos, por exemplo, os ovários. O período de incubação extrínseca, que se refere ao tempo requerido desde o repasto em um indivíduo humano virêmico até que o mosquito torne-se infectante, dura em torno de 8 a 12 dias (MCBRIDE e BIELEFELDT-OHMANN, 2000). Durante um novo repasto, os vírus são secretados na saliva do mosquito vetor e infectam o indivíduo sadio (MCBRIDE e BIELEFELDTOHMANN, 2000). No indivíduo humano infectado, o período de incubação intrínseca, que se refere ao período desde a infecção até o aparecimento dos sintomas, varia de 3 a 14 dias, mas geralmente dura de 4 a 7 dias. O período de viremia geralmente coincide com a ocorrência dos sintomas e dura de 5 a 7 dias (SENANAYAKE, 2006). Uma vez na circulação sanguínea de um novo hospedeiro, o vírus passa a se replicar em células permissivas de órgãos específicos, como baço, fígado e tecidos linfáticos (WHITEHEAD et al., 2007). O Ae. aegypti e o Ae. albopictus são capazes de transmitir os quatro sorotipos de DENV, já que podem ser infectados pelo vírus em suas células epiteliais do 23 intestino, onde ocorre a replicação e a disseminação deste para a hemocele e em seguida suas glândulas salivares (BEERNTSEN, 2000). 1.4 PATOGÊNESE E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA INFECÇÃO PELO VÍRUS DENGUE O mecanismo de patogênese inicia-se após a inoculação do vírus, que se replica inicialmente nas células mononucleares dos linfonodos locais ou nas células musculares esqueléticas, produzindo viremia. Estudos sugerem que as células T podem auxiliar no controle da infecção pelos diferentes tipos de vírus da dengue devido a sua multifuncionalidade na resposta imune e talvez a perda dessa multifuncionalidade celular em infecções pode contribuir para o aumento da patogênese e consequente gravidade da doença (MATHEW et al., 2014). Células dendríticas infectadas amadurecem e migram para os linfonodos regionais ou locais onde apresentam antígenos virais às células T, iniciando as respostas imunes humoral e celular. Existe também evidência de replicação de DENV abundante em células do parênquima do fígado e em macrófagos nos gânglios linfáticos, fígado e baço, bem como em monócitos de sangue periférico (JESSIE et al., 2004). Macrófagos e monócitos participam do processo de aprimoramento anticorpo dependente (ADE), tanto in vitro quanto in vivo. ADE ocorre quando fagócitos mononucleares são infectados através de seus receptores Fc por complexos imunes que se formam entre DENV e anticorpos não neutralizantes (GONÇALVEZ et al., 2007). Assim, é provável que a infecção prévia, por meio do aprimoramento anticorpo dependente (ADE), influencie na infecção pelo aumento da fagocitose e replicação do vírus dengue em células da linhagem de células mononucleares (MORENS, 1987). Pensa-se que estas células produzam e secretem mediadores vasoativos em resposta a infecção por dengue, o que causa um aumento da permeabilidade vascular, a hipovolemia e choque (GUBLER, 1998). Indivíduos infectados por um dos sorotipos do vírus da dengue desenvolvem proteção imunológica contra a reinfecção pelo mesmo sorotipo. Infecções sequenciais por outro sorotipo do vírus da dengue podem ocorrer e células T de 24 memória podem ser reativadas levando a maior gravidade da doença (MATHEW et al., 2014; WEISKOPF e SETTE, 2014). O anticorpo dengue heterólogo preexistente reconhece o vírus infectante e forma um complexo de antígeno-anticorpo, o qual é então ligado e internalizado por receptores Fc de imunoglobulina na membrana de leucócitos, especialmente monócitos e macrófagos. Uma vez que o anticorpo é heterólogo, o vírus não é neutralizado e é livre para replicar dentro do macrófago (GUBLER,1998). Geralmente, células T CD8+ controlam a infecção viral pela produção de citocinas como o IFN-у e o TNF-α, como também por sua capacidade citotóxica, sendo que essas citocinas estão diretamente implicadas na patogênese da Febre Hemorrágica da Dengue (FHD), quando ocorre uma produção muito elevada durante o quadro infeccioso. As células T CD4+ podem também auxiliar no combate aos vírus devido a múltiplos mecanismos como ativação das células T CD8 + e células B, além de contribuir com a produção de citocinas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias e respostas de memória (MATHEW et al., 2014; WEISKOPF e SETTE, 2014). Acredita-se que essas citocinas promovam mecanismos fundamentais na imunopatogênese da dengue, devido a seus efeitos pró-inflamatórios em células endoteliais vasculares, que presumivelmente levam a junções com vazamentos e aumento da permeabilidade capilar (ROTHMAN e ENNIS, 1999). Tem sido demonstrado que as células T CD8+ reconhecem mais vigorosamente e frequentemente as proteínas NS3, NS4B e NS5, ao passo que as proteínas do capsídeo, envelope, e NS3 são os alvos dominantes de células T CD4+ (SIMMONS et al., 2005). Existem várias hipóteses que tentam definir os mecanismos que levam ao desenvolvimento dos casos graves como FHD ou síndrome do choque da dengue (SCD). Nos casos hemorrágicos, além da glomerulonefrite provocada pela deposição de complexos imunes, ocorrem mudanças fisiopatológicas devido ao aumento da permeabilidade vascular e de lesões de natureza imunopatológicas mediadas pela ativação do complemento pela via clássica, nos indivíduos que foram expostos a outros sorotipos do vírus, e possuem anticorpos (MALASIT, 1987). Esses anticorpos se ligam às células infectadas das paredes dos vasos formando complexo antígeno-anticorpo, que ativa o complemento pela via clássica, provocando lise celular que resulta em lesões nas paredes dos vasos com saída de 25 plasma para os tecidos e cavidades, resultando em hemoconcentração, baixa pressão, podendo levar ao choque hipovolêmico, quando a perda de plasma for crítica. A infecção pelo vírus da dengue também pode resultar na produção do fator properdina B que ativa o complemento pela via alternativa. Durante a ativação do complemento tanto pela via clássica quanto pela via alternativa, resulta na clivagem dos componentes C3 em C3a e C3b e C5 em C5a e C5b. As frações C3a e C5a possuem ação de anaflatoxinas, que aumentam a permeabilidade vascular, aumentando a possibilidade de extravasamento de plasma dos vasos para as cavidades e tecidos. Outras mudanças são observadas em consequência de um distúrbio da homeostase que envolve fatores, tais como: alterações vasculares, trombocitopenia e coagulopatia (AVIRUTNAN et al., 1998). A outra hipótese parte do princípio de que os vírus dengue, como todos os vírus de animais, variam e modificam geneticamente como um resultado das pressões de seleção, por se replicarem em humanos e mosquitos e que há algumas linhagens de vírus com maior potencial epidêmico. A expressão fenotípica de alterações genéticas no genoma do vírus podem incluir o aumento da replicação do vírus e viremia, a gravidade da doença (virulência), e potencial epidêmico (ROSEN, 1977; GUBLER, 1978). Estudos da patogênese dos vírus dengue no organismo humano são essenciais para a compreensão da ação desse agente infeccioso, contribuindo para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas (HALSTEAD, 1988). No entanto, observamos a existência de lacunas significativas nessa área, fato que pode ser justificado pela inexistência de um modelo animal eficiente para este tipo de estudo (HALSTEAD, 1988; CHAUDRY et al.,2006). A infecção pelo vírus dengue em humanos é muitas vezes inaparente, mas pode conduzir a uma ampla variedade de manifestações clínicas, desde febre aguda a quadros hemorrágicos potencialmente fatais (OMS, 2009). Anteriormente, a infecção por dengue era classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em três categorias: DF (Febre da Dengue), uma doença febril aguda; FHD (Febre Hemorrágica da Dengue), uma síndrome caracterizada por aumento da permeabilidade vascular; e alteração da hemostasia que pode evoluir para choque hipovolêmico conhecido como SCD (Síndrome do Choque da Dengue) (OMS, 2009). 26 Desde janeiro de 2014 o Brasil adotou a nova classificação de caso de dengue revisada pela Organização Mundial de Saúde (2009), que é dividida em: dengue sem sinais de alarme, dengue com sinais de alarme e dengue grave (OMS, 2014). Na grande maioria dos casos a doença pode ser assintomática ou evoluir para a cura espontânea com episódios de febre. Entretanto, alguns pacientes podem desenvolver formas mais graves da doença como a febre hemorrágica da dengue (FHD) ou a síndrome do choque da dengue (SCD), caracterizadas por manifestações hemorrágicas, trombocitopenia e distúrbios vasculares disseminados, que passam a seguir a nova classificação da OMS (OMS, 2009). De acordo com a nova classificação dada pela OMS (2009), manifestações clínicas como febre entre 2 a 7 dias, náusea, vômitos, exantema, mialgia, artralgia, cefaleia, dor retro-orbital, petéquias e leucopenia podem ser considerados sintomas da dengue em pessoas que residem em regiões endêmicas ou tenham viajado nos últimos 14 dias para área onde esteja ocorrendo transmissão de dengue ou tenha a presença do vetor. Ressalta-se que, também pode ser considerado caso suspeito toda criança proveniente ou residente em área com transmissão de dengue, com quadro febril agudo, usualmente entre 2 a 7 dias, e sem foco de infecção aparente (OMS, 2009). Já em relação a dengue com sinais de alarme, os pacientes podem apresentar dor abdominal intensa e contínua, ou dor a palpação do abdômen; vômitos persistentes; acumulação de líquidos (ascites, derrame pleural, pericárdico), sangramento de mucosas, letargia ou irritabilidade, hipotensão postural (lipotímia), hepatomegalia maior do que 2 cm, aumento progressivo do hematócrito, durante o período de defervescência da febre. Por último, a dengue grave deverá ser considerada quando o paciente apresentar um ou mais dos seguintes resultados: choque devido ao extravasamento grave de plasma evidenciado por taquicardia, extremidades frias e tempo de enchimento capilar igual ou maior a três segundos, pulso débil ou indetectável, pressão diferencial convergente ≤ 20 mmHg, hipotensão arterial e fase tardia, acumulação de líquidos com insuficiência respiratória, sangramento grave, segundo a avaliação do médico, comprometimento grave de órgãos tais como: dano hepático importante, sistema nervoso central (alteração da consciência), coração (miocardite) ou outros órgãos (OMS, 2009). 27 Os fatores de risco para o desenvolvimento das formas graves da doença incluem imunidade pré-existente a partir de uma infecção DENV anterior, o tempo entre as infecções, idade, etnia e herança genética, sequência de sorotipos que infectam, e genótipo viral (HALSTEAD, 1997; GUBLER, 1998). 1.5 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Os recentes desenvolvimentos em tecnologias de detecção rápida oferecem a promessa de diagnósticos aprimorados para o caso de gestão e detecção precoce de surtos de dengue. A confirmação laboratorial da infecção por dengue depende de isolamento do vírus em cultura de células, a identificação de ácido nucleico viral ou antígenos, detecção da proteína NS1, ou a detecção de anticorpos específicos do vírus (GUZMAN, 1996). Uma amostra de sangue de fase aguda deve ser sempre coletada o mais rapidamente possível após o início da doença suspeita de dengue, e uma amostra de fase convalescente devem, idealmente, serem coletadas de 2 a 3 semanas mais tarde para a realização da sorologia pareada e verificar se houve soroconversão. No entanto, como nem todos os pacientes são diagnosticados dentro deste período, um teste de diagnóstico ideal deve ser sensível, independentemente do estágio da infecção. Por ser frequentemente difíceis de obter amostras da fase de convalescença, no entanto, uma segunda amostra de sangue devem ser sempre tomadas a partir de pacientes internados no dia da alta hospitalar (GUBLER, 1998). A detecção direta do vírus poderia ser usada no início da infecção, com a identificação definitiva do sorotipo-específico das infecções por dengue durante a fase aguda da doença. Componentes virais (ou antígenos) podem ser detectados em soro, plasma, sangue total e tecidos infectadas de 0-7 dias após o aparecimento dos sintomas, a qual corresponde à duração da febre (GUZMAN, 2004). O vírus dengue pode ser isolado pela inoculação de amostras de soro ou plasma do paciente em mosquitos, cultura de células (utilizando linhagens de células de mosquito, tais como C6/36 e AP61 ou linhagens celulares de mamífero, tais como células Vero, e células LLC-MK2) ou a inoculação intracerebral em camundongos 28 (KUNO, 1985). A primeira linhagem celular desenvolvida, e ainda a mais amplamente utilizada, é a C6/36 clone de células de A. albopictus (IGARASHI, 1978). Sangue total, soro ou plasma é coletado a partir de pacientes durante a fase aguda da doença ou a partir de tecidos em casos fatais (vírus da dengue também foi isolado a partir de fígado, baço, nódulos linfáticos e outros tecidos). Há evidências de que as taxas de isolamento do vírus a partir de sangue total são consideravelmente mais elevadas do que as taxas de isolamento a partir de soro ou plasma (CHONTICHA et al., 2007). Os testes sorológicos são comumente utilizados para diagnosticar infecções por dengue, devido à sua facilidade de uso em relação a técnicas como cultura de células ou detecção de RNA. Cinco testes básicos sorológicos têm sido rotineiramente utilizado para o diagnóstico de infecção por dengue: inibição de hemaglutinação (HI), fixação de complemento (CF), um teste de neutralização (NT), imunoglobulina M (IgM) de captura de enzimy-linked immunosorbent assay (MACELISA) e imunoglobulina G de ELISA indireta (GUZMAN, 1996). Independentemente do teste utilizado, o diagnóstico sorológico inequívoco depende de um significativo (quatro vezes ou mais) aumento do título de anticorpos específicos entre amostras de soro da fase aguda e de convalescença confirmando que houve soroconversão. A diversidade de antígenos para a maioria destes testes sorológicos deve incluir todos os quatro sorotipos do vírus da dengue, outros flavivírus (tais como o vírus da febre amarela, o vírus da encefalite japonesa, ou St. Louis vírus da encefalite), outros arbovírus (como vírus Chikungunya ou vírus da encefalite equina) e, idealmente, um antígeno controle de tecido não infectado (GUBLER, 1988). Um método simplificado de diagnóstico durante a fase aguda da infecção por dengue comparada com o isolamento viral ou detecção de ácidos nucleicos é a detecção de antígenos virais na corrente sanguínea; no entanto, a detecção de antígenos na fase aguda da infecção sequencial pode ser comprometida por imunocomplexos IgG pré-existentes. Novos desenvolvimentos no ensaio de imunoabsorvente ligado a enzima (ELISA) e ensaios de imunocromatografia rápidos que têm como alvo a proteína não estrutural 1 (NS1) têm mostrado que elevadas concentrações de antígenos presentes pode ser observado em pacientes com infecções de dengue primário e secundário até 9 dias, após o início da doença (DUSSART et al., 2006). 29 Diferentes padrões de respostas de anticorpos são observados quando os pacientes experimentam uma primeira (primária) ou posterior infecção por dengue (secundário). Em infecções primárias, imunoglobulina M (IgM) é detectada cinco ou mais dias após o início da doença na maioria dos indivíduos infectados e imunoglobulina G (IgG) é detectado a partir de 10-15 dias. Em infecções sequenciais, IgM aparece mais cedo ou no mesmo intervalo de tempo, mas são geralmente em títulos mais baixos do que na infecção primária (PEELING et al., 2010). A sensibilidade e especificidade dos testes baseados em IgM é fortemente influenciada pela qualidade do antígeno utilizado e pode variar grandemente entre os produtos comercialmente disponíveis. Ensaios de IgM com base em ELISA tornaram-se uma ferramenta valiosa para a vigilância da dengue. Muitos testes de ELISA utilizam antígenos protéicos dengue de todos os quatro sorotipos do vírus da dengue. Isto assegura que o ensaio seja capaz de identificar qualquer infecção por dengue, independentemente do sorotipo. No entanto, devido a IgM poder circular por até três meses ou mais, a sua presença pode não ser diagnóstico de uma doença em curso (KUNO, 1991). O teste CF (fixação do complemento) não é amplamente utilizado para testes sorológicos de rotina para diagnóstico da dengue. É mais difícil de executar, requer pessoal altamente treinado, e, portanto, não é utilizado na maioria dos laboratórios de dengue. Baseia-se no princípio de que o complemento é consumido durante as reações antígeno-anticorpo (CASEY, 1965). Anticorpos CF geralmente aparecem mais tarde do que os anticorpos HI (inibição de hemaglutinação), são mais específicos em infecções primárias, e geralmente persistem por períodos curtos, apesar de baixos níveis de anticorpos persistirem em algumas pessoas (GUBLER, 1988). Devido as respostas de anticorpos neutralizantes relativamente monotípicas serem observados no soro de fase convalescente, o NT (teste de neutralização) pode ser utilizado para identificar a presença de vírus de dengue em infecções primárias (RUSSEL, 1967). Em infecções sequenciais, a determinação do sorotipo do vírus por NT ou qualquer outro teste sorológico não é confiável (KUNO, 1993). O IgG-ELISA indireto foi desenvolvido, e é comparável ao teste de HI e também pode ser utilizado para diferenciar infecções de dengue primária e 30 secundária. O teste é simples de realizar e é assim útil para testes de alto volume. O ELISA-IgG é não-específico e exibe a mesma ampla reatividade cruzada entre flavivírus, assim como o teste HI; portanto, não pode ser usado para identificar o sorotipo infectante. No entanto, ele tem uma sensibilidade um pouco maior do que o teste de HI (CHUNGUE et al., 1989). Muitos ensaios de amplificação de ácidos nucleicos têm sido desenvolvidos para o diagnóstico de infecção por dengue. Algumas técnicas são quantitativas e outras podem ser utilizadas para a sorotipagem. Muitos ensaios de RT-PCR para dengue foram descritos nos últimos 10 anos (GUZMAN, 2010). Estes ensaios utilizam diferentes genes alvo e diferentes processos de amplificação. A reação de Nested PCR envolve uma transcrição reversa e etapa inicial de amplificação usando primers dengue específicos que têm como alvo uma região conservada do genoma do vírus seguido por um passo de amplificação, que é específico do sorotipo. Os produtos destas reações são separados por eletroforese num gel de agarose, o qual permite que os sorotipos de dengue sejam diferenciadas com base no tamanho. A sensibilidade dos ensaios de RT-PCR, em comparação com o isolamento do vírus em cultura de células de mosquito varia entre 25% e 79% (RAENGSAKULRACH et al., 2002). Muitas ferramentas de diagnóstico da dengue tornaram-se disponíveis, porém no sistema de saúde do Brasil, o mais acessível e realizado ainda é através de exames de sangue (hemograma) e do exame físico, onde o manejo dos pacientes suspeitos de dengue depende do reconhecimento dos sinais e sintomas característicos da doença e o diagnóstico clínico epidemiológico é de grande importância. Uma outra ferramenta já acessível em vários Estados brasileiros é o exame sorológico de identificação da proteína NS1, como auxilio no fechamento do diagnóstico clínico epidemiológico (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009). 1.6 EPIDEMIOLOGIA DA DENGUE A incidência da dengue têm crescido dramaticamente em todo o mundo nas últimas décadas, em regiões tropicais e subtropicais do mundo, com um aumento de 31 30 vezes ao longo dos últimos 50 anos (OMS, 2012). Estima-se que 2,5 - 3,6 bilhões de pessoas estejam em risco de infecção em mais de 100 países, aproximadamente 975 milhões dos quais vivem em áreas urbanas em países tropicais e subtropicais do sudeste da Ásia, no Pacífico e Américas (OMS, 2013). Os países com incidência da doença estão ilustrados na Figura 3. A transmissão também ocorre na África e no Mediterrâneo Oriental, e as comunidades rurais estão sendo cada vez mais afetadas. O número médio anual de casos de dengue/febre hemorrágica informados à Organização Mundial da Saúde (OMS, 2013) aumentou dramaticamente nos últimos anos. Para o período 20002004, a média anual foi de 925.896 casos, quase o dobro do valor de 479.848 casos que foi relatado para o período 1990-1999. Em 2001, um número recorde de 69 países relataram casos de dengue à OMS e, em 2002, a Região das Américas sozinha relatou mais de 1 milhão de casos (GUBLER, 2004). Embora não haja vigilância eficiente e nenhum relatório oficial de dengue da OMS de países da África e regiões do Mediterrâneo Oriental, em 2005-2006 surtos de suspeita de dengue foram registrados no Paquistão, Arábia Saudita, Sudão e Madagascar, e um grande surto de dengue com aproximadamente 17.000 casos foi documentada em ilhas de Cabo Verde em 2009 (FRANCO et al., 2010). Segundo Guzman et al (2010), havia cerca de 50 milhões de infecções por dengue aparente globalmente em 2010, incluindo 500 mil internações por dengue hemorrágica e desde a década de 1980, houve um aumento de 4,5 vezes no número de casos relatados na América (SAN MARTÍN et al., 2010). Resultados obtidos por Bhatt et al. (2013) indicaram os encargos da dengue no Continente Asiático de um total de aproximadamente 47-94 milhões de infecções. A Índia sozinha contribuiu com cerca de 24-44 milhões de infecções aparentes. As Américas contribuíram com 9-18 milhões de infecções de infecções aparentes por todo o mundo assintomáticas (BHATT et al., 2013), dos quais mais da metade ocorreram no Brasil e no México (CHAKRAVARTI et al., 2012; KAKKAR, 2012). O México contribui para o elevado número de casos de dengue nas Américas e propicia condições favoráveis para a propagação da dengue, devido as grandes regiões tropicais e subtropicais. Além disso, o país tem altos níveis de comércio exterior e turismo, que incentivam o aumento do movimento humano ainda mais pela migração intensa de países da América Central (CUDDEHE, 2009). 32 Na África o número foi quase equivalente ao das Américas, representando 1122 milhões de infecções. Esta disparidade suporta a noção de um fardo, em grande parte oculto da dengue Africana, que está sendo mascarado por doenças sintomaticamente similares ou subnotificação (ENDY et al., 2011; KAKKAR, 2012). Os países da Oceania contribuíram com menos de 0,2% das infecções aparentes globais. Estima-se ainda que cerca de 294 milhões de infecções inaparentes adicionais ocorreram em todo o mundo em 2010 (BHATT et al., 2013). As primeiras estimativas globais do total de infecções do vírus da dengue foram baseadas em uma taxa de infecção constante anual entre uma aproximação grosseira da população em risco com cerca de 80-100 milhões de infecções por ano no mundo inteiro em 1988 (MONATH, 1994). Como mais informações foram agrupadas na proporção de febre hemorrágica para casos de dengue, e a proporção de mortes e casos de febre hemorrágica da dengue, o valor global foi revisto para 50-100 milhões de infecções (HALSTEAD,1997). Essas estimativas foram destinadas exclusivamente como aproximações, mas, na falta de melhor evidência, o valor resultante de 50-100 milhões de infecções por ano é amplamente citado e usado atualmente pela Organização Mundial de Saúde (BHATT et al., 2013). Nas Américas, pacientes com sintomas clínicos de tipo dengue foram registrados já em 1780, na Filadélfia (RUSH, 1951), mas tais surtos foram raros. Antes de 1963, apenas o genótipo DENV-2 americano foi relatado nas Américas, mas desde então, a região tem sido alvo de introduções repetidas. Essa mudança de hipo para hiperendemicidade pode ser associada a um aumento no tamanho e frequência dos surtos DENV (GUBLER, 1997). Além disso, houve um aumento de casos de dengue hemorrágica e síndrome do choque da dengue após a introdução do DENV-2 genótipo asiático-americano em 1981. Hoje, os quatro sorotipos existem nas Américas, e desde 1963, a região experimentou surtos causados por pelo menos um genótipo DENV-1, dois genótipos DENV-2, três genótipos DENV-3, e um genótipo DENV-4 (ALLICOCK et al., 2012). Existe uma sazonalidade clara a surtos dos sorotipos DENV nas Américas, onde o pico de incidência ocorre quando a chuva e densidade populacional dos mosquitos são mais elevadas (FOCKS e BARRERA, 2006; HALSTEAD, 2008). 33 Embora vários sorotipos, e até mesmo múltiplos genótipos de um sorotipo, possam ser detectados em uma determinada época, normalmente, um único sorotipo regional predominará e para uma extensão ainda maior dentro de cada país. Em pequenas escalas epidemiológicas, o movimento de DENV entre localidades resultou no estabelecimento de certas linhagens dentro de populações susceptíveis, acompanhado pela extinção dos genótipos circulantes locais (ZHANG et al., 2005). A co-circulação de múltiplos sorotipos e/ou genótipos em uma determinada região pode resultar em padrões complexos de concorrência, levando a flutuações da diversidade genética do genótipo. Bennett et al (2010) investigaram a história da epidemia de DENV-4 em Porto Rico a partir de sua introdução em 19811998. Estimativas da diversidade genética relativa de DENV-4 neste estudo exibiu dinâmica cíclica que se seguiram de perto as estimativas epidemiológicas da prevalência, refletindo uma periodicidade de transmissão da população (BENNETT et al. 2010). Esta periodicidade também foi observada na Tailândia (CUMMINGS et al., 2004) e em Singapura (OOI et al., 2006). Figura 3- Áreas de transmissão do dengue vírus (OMS, 2012). Os aspectos epidemiológicos da dengue são influenciados pelos mais diversos fatores, dentre os quais se destacam o processo de urbanização, a deficiência de infraestrutura social e os hábitos da população que propiciam a proliferação de criadouros do vetor (FORATTINI, 2003). Estes fatores associados 34 criam condições ecológicas favoráveis à transmissão dos vírus dengue pelo mosquito Ae. aegypti (TAUIL, 2002). Refinamentos cartográficos adicionais são necessários para ajudar a diferenciar áreas endêmicas com potencial epidêmico, para determinar a diversidade geográfica dos tipos de vírus dengue e de prever as distribuições de risco futuro em cenários de mudança sócio-econômica e ambiental. A prevalência global da dengue é alarmante e representa um desafio cada vez maior para as autoridades de saúde pública e políticos. O sucesso no combate a essa crescente ameaça global é, em parte, dependente de reforço da base de evidências em que o controle de decisões de planejamento e seu impacto são avaliados (BHATT et al., 2013). 1.6.1 DENGUE NO BRASIL Grande parte do Brasil possui um clima tropical úmido e seco com altas temperaturas, alta umidade e variações sazonais de precipitação; padrões climáticos que podem fornecer condições adequadas para a reprodução e sobrevivência do Ae. aegypti. Segundo Teixeira et al. (1999) algumas evidências apontam para a ocorrência de epidemias de dengue no Brasil desde 1946, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Entretanto a primeira epidemia de dengue com confirmação laboratorial, no Brasil, aconteceu em 1982, na cidade de Boa Vista, capital do Estado de Roraima, onde foi identificado os sorotipos DENV-1 e DENV-4 como os responsáveis pela epidemia (OSANAI, 1984; TEIXEIRA et al., 1999). Em 1986, o ressurgimento do DENV-1 no Estado do Rio de Janeiro resultou em mais de 60.000 casos notificados em 1987, a subsequente propagação de DENV aumentou a preocupação da saúde pública nacional (BARRETO et al., 2004; NOGUEIRA et al., 2007). Desde o final dos anos 1990, a incidência da dengue continuou a aumentar. A situação no país foi agravada pela introdução do DENV-2 em Niterói (RJ) no ano de 1990, quando foram notificados os primeiros casos de FHD/SCD (NOGUEIRA et al., 1990). Em 1998, o DENV-3 foi isolado de um caso importado na cidade de Limeira, estado de São Paulo, (ROCCO et al., 2001) sem repercussão epidemiológica. Em dezembro de 2000, este sorotipo foi isolado no município de Nova Iguaçu (RJ) 35 sendo o responsável pela maior e mais grave epidemia de dengue do país no ano de 2002 (NOGUEIRA et al., 2005). Em 2000, a transmissão de DENV foi relatada em 22 dos 27 estados brasileiros, e o mosquito vetor estava presente em todos os estados (DA ROSA, 2000). O DENV-4 foi reintroduzido no Brasil, no estado de Roraima, no ano de 2010 após um período de 28 anos sem circulação (TEMPORÃO et al., 2011). O país está dividido em cinco regiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul), compreendendo 26 estados e um Distrito Federal, contendo a capital, Brasília (Figura 4). Em 2000, havia cerca de 170 milhões de habitantes no Brasil, aumentando para mais de 190 milhões em 2010, a maioria dos quais vivem nas grandes cidades das regiões Sudeste e Nordeste (IBGE, 2011). A epidemiologia da dengue no Brasil sugere que a incidência e a gravidade da doença aumentou ao longo dos últimos anos, incluindo epidemias nacionais. No ano de 2010 foi observada um pico de ocorrência da dengue, onde mais de 1 milhão de casos da doença foram notificados, seguido do ano de 2002, com aproximadamente 700 mil registros de dengue no País, e 2008, com cerca de 650 mil casos notificados (TEIXEIRA et al., 2013). Figura 4- Áreas de risco de transmissão da dengue no Brasil (Ministério da Saúde, 2012). 36 A região Nordeste do Brasil, que é a segunda região mais populosa do país, teve cerca de 20% dos casos de dengue registrados de janeiro a abril de 2011. Além disso, 34.2% de casos graves foram notificados no estado de Pernambuco (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011). Entre 2005 e 2006, um inquérito sorológico de base populacional realizado em Recife, capital de PE, mostrou uma positividade de IgG anti-dengue global de cerca de 90%, indicando a intensa transmissão do vírus da dengue (BRAGA et al., 2010). No ano de 2012, segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde, foram notificados 565.510 casos de dengue, contra 727.803 em 2011 – diminuição de 22%. A queda foi observada em 16 estados e no Distrito Federal, com exceção dos estados de Roraima, Tocantins, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, Sergipe, Bahia e Mato Grosso. Dos casos notificados, 76% estavam concentrados em oito estados: Rio de Janeiro (179.518); Ceará (54.591); Bahia (48.653); Pernambuco (33.487); Mato Grosso (29.910); São Paulo (28.767); Rio Grande do Norte (27.230) e Alagoas (27.743) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012). No Ceará, a dengue se manifestou de forma endêmica com o registro de, pelo menos, seis epidemias nos anos de 1987, 1994, 2001, 2008, 2011 e 2012 (CEARÁ, 2013). As epidemias de 1994, 2008 e 2011 segundo boletim epidemiológico da dengue de 2013, merecem destaque pela confirmação dos primeiros casos hemorrágicos em 1994, pelo maior número de casos graves em 2008, inclusive com apresentação de manifestações neurológicas, e pelo maior número de casos clássicos confirmados em 2011 (ARAÚJO et al., 2012a; ARAÚJO et al., 2012b; CEARÁ 2013). Segundo Cavalcanti et al. (2010), a gravidade da epidemia de 2003 no Ceará, sugere associação com a introdução do sorotipo DENV-3, provavelmente com uma cepa de virulência elevada entre uma população susceptível, e com elevadas densidades de vetor. Durante esse mesmo ano foram coletadas e processadas 696 amostras para isolamento viral, em 24 municípios distintos. Destas, 150 foram positivas, sendo 148 DENV-3 (98,7%) e dois DENV-2 (1,3%). 37 O estado do Rio Grande do Norte vem sofrendo sucessivas epidemias de dengue desde o ano de 1994, data do ressurgimento da doença no estado. No período de 2000 a 2009, a SESAP/RN registrou 186.469 casos de dengue. O ano de 2008 foi o de maior número de casos (41.987), seguido de 2001 (39.968) e 2002 (24.053). Verificou-se uma média de 18.647 e mediana de 17.059 casos por ano. Os menores coeficientes de incidência mensais foram observados nos anos de 2004 e 2009 (SECRETARIA DE SAÚDE DO RN, 2010). No período do estudo, a circulação dos sorotipos virais seguiu o padrão nacional, embora o número de amostras encaminhadas para isolamento viral tenha sido pouco representativo. Em 2001, foi identificada co-circulação dos sorotipos DENV-1 e DENV-2, com predominância do DENV-1. Em 2003, detectou-se a co-circulação do DENV-1 e do DENV-3, com predominância do DENV-3, possivelmente associado às altas incidências verificadas naquele ano. De 2004 a 2006, o único sorotipo viral identificado em circulação no Rio Grande do Norte foi o DENV-3, coincidindo com o registro de um período interepidêmico. Em 2007, detectou-se a presença circulante de três sorotipos virais – DENV-1, DENV-2 e DENV-3, com predominância do sorotipo DENV-3. A partir de 2008, foram detectados os sorotipos DENV-1 e DENV-2, com predominância do DENV-2, possivelmente associado à epidemia de dengue daquele ano (SECRETARIA DE SAÚDE DO RN, 2010). A análise das notificações registradas no período de 2000 a 2009 caracteriza a doença como de perfil endêmico, com picos principalmente durante a reintrodução de novos sorotipos virais. A introdução de um novo sorotipo viral em uma área contribui para gerar grandes epidemias e casos mais graves da doença (DASH et al., 2011). Esse fato justifica a atual preocupação da Saúde com a propagação do sorotipo DENV-4 no Brasil e evidencia a importância epidemiológica do Rio Grande do Norte nesse contexto: o estado, com altos índices de infestação por Ae. aegypti, também recebe significativo fluxo de turistas. No Estado da Paraíba, durante o período de 1995 a 2012, um total de 229.922 casos de dengue foram notificados, sendo 366 de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) e 33 óbitos (SVS, 2013). De 1° de janeiro a 27 de julho de 2013, foram notificados 3.963 casos de dengue na Paraíba. Nesse período, foram notificados 95 casos de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) e 16 óbitos (SES/PB, 2013). O maior número de casos ocorreu nos municípios de João Pessoa, Campina 38 Grande, Sousa, São João do Cariri, Santana de Mangueira, Remígio, Itaporanga, Santa Rita e Uiraúna (SES/PB, 2013). Em um estudo em 2013, analisando o estado Rio Grande do Norte isoladamente, pôde-se confirmar 38,4% (97/252) dos casos, sendo o DENV-4 o sorotipo predominante com 83,5% (81/97), seguido por DENV-1 com 12,3% (12/97) e DENV-2 com 4,1% (4/97). Apesar da ocorrência de casos de dengue ter sido menor (19,91% - 45/226), o perfil epidemiológico da Paraíba foi semelhante ao encontrado no RN. Na Paraíba o DENV-4 foi o mais prevalente, representando 93,3% (42/45) dos casos positivos, seguido do DENV-1 com 4,5% (2/45) e DENV-2 com 2,2% (1/45) (Da Costa, 2013). Apesar dos dados relatados acima, a Paraíba é um estado com carência de análises realmente significativas sobre o número real da população afetada, além do levantamento dos sorotipos circulantes no Estado, correlacionando com dados clínicos e gravidade da doença. Diante disso, este estudo visou fazer um levantamento de casos de dengue, seus sorotipos e características clínicas dos pacientes entre os anos de 2011 a 2014. 39 2.OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Analisar o perfil epidemiológico dos casos de dengue ocorridos no estado da Paraíba, no período de 2011 a 2014. 2.2 Objetivos Específicos a) Identificar a incidência da dengue na Paraíba entre 2011 e 2014; b) Verificar se existe diferença na incidência da infecção em relação ao gênero, faixa etária, escolaridade e meses de notificação; c) Relacionar os casos de dengue conforme classificação clínica e evolução da doença; d) Identificar os sorotipos circulantes mais prevalentes durante o período do estudo. 40 3.MATERIAL E MÉTODOS 3.1 ÁREA DE ESTUDO O estado da Paraíba está localizado a leste da Região Nordeste do Brasil, fazendo divisa com os estados do Rio Grande do Norte (norte), de Pernambuco (sul) e do Ceará (a oeste) e o Oceano Atlântico (a leste), como mostra a Figura 5. Possui área total de 56.469,778 km², com uma população estimada em 3.943.885 habitantes e densidade demográfica de 66,70 hab/km² (IBGE 2014). A Paraíba agrupa 223 municípios, quatro mesorregiões e 23 microrregiões. Sua região metropolitana é composta por 12 municípios, Bayeux, Cabedelo, Conde, Cruz do Espírito Santo, João Pessoa, Lucena, Rio Tinto, Santa Rita, Alhandra, Pitimbu, Caaporã e Pedras de Fogo. Figura 5 - Mapa de Localização da Paraíba. 41 3.2 DELINEAMENTO DO ESTUDO Este é um estudo observacional, descritivo e transversal a partir dos dados do sistema de informação do estado da Paraíba no período entre 2011 e 2014. 3.3 FONTE DE DADOS Foram utilizados os dados secundários produzidos pelo sistema de vigilância da dengue de todos os casos notificados da doença na Paraíba entre os anos de 2011 a 2014. Esses dados estão disponíveis no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), que foram cedidos pela Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba. O SINAN tem por objetivo coletar, transmitir e disseminar dados gerados rotineiramente pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica das três esferas de governo por intermédio de uma rede informatizada para apoiar o processo de investigação e dar subsídios à análise das informações de vigilância epidemiológica das doenças de notificação compulsória (BRASIL, 2011). 3.4 SELEÇÃO DOS DADOS Para a análise dos dados foram selecionadas variáveis obrigatórias e essenciais das fichas de notificação e investigação de dengue, como: idade, sexo, escolaridade, gestação, autoctonia, sorotipo, classificação final e evolução do caso. Como consta nos formulários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), nos anexos A e B. A escolha dessas variáveis se deu pela importância epidemiológica de cada uma delas. Na definição de casos, foram utilizados os critérios considerados pelo Ministério da Saúde, que incluem o diagnóstico laboratorial por exames específicos: confirmação por um dos métodos (isolamento do agente viral, teste de NS1 ou sorologia que demonstrem a presença de anticorpos IgM ou IgG) (Brasil, 2009a). Além disso, o diagnóstico clínico-epidemiológico foi considerado, pois alia, além dos 42 dados de sinais e sintomas, aspectos epidemiológicos, como procedência, idade e ocorrência de dengue, confirmado laboratorialmente em pacientes ou ambiente em área comum. Para o resultado laboratorial negativo, considerou-se o caso como descartado. 3.5 ANÁLISE DOS DADOS Foram analisadas as fichas de notificação dos casos suspeitos de dengue registrados pelo SINAN, no Estado da Paraíba, no período definido para a realização do estudo. Adotou-se como critério para definir a ocorrência da doença, a positividade em pelo menos um dos testes laboratoriais para dengue. Com base nesse critério a amostra foi dividida em dois grupos: (1) Confirmado, formados pelos indivíduos em cujas fichas de notificação constava o registro de positividade para pelo menos um teste laboratorial para dengue, ou confirmado pelo exame clínicoepidemiológico e (2) Inconclusivo, os indivíduos cujas fichas não continham registro de positividade em nenhum teste laboratorial para dengue. As formas clínicas foram obtidas por meio da classificação final antiga utilizada até 2013 pela Organização Mundial de Saúde: dengue clássica (DC), febre hemorrágica da dengue (FHD), e síndrome do choque da dengue (SCD). Dengue clássica: em geral se inicia com febre alta (39ºC), seguida de cefaléia, mialgia, prostação, artralgia, anorexia, astenia, dor retroorbitária, náuseas, vômitos, exantema e dor abdominal (principalmente em crianças). Pequenas manifestações hemorrágicas podem ocorrer (petéquias, epistaxes, gengivorragia, sangramento gastrointestinal). A doença dura de 5 a 7 dias, podendo persistir a fadiga. Febre hemorrágica da dengue e Síndrome do choque da dengue: os sintomas iniciais são semelhantes ao da dengue clássica (DC), sendo que no 3º ou 4º dia o quadro se agrava e aparecem os sinais de alerta – dor abdominal intensa e contínua; hepatomegalia dolorosa; sangramentos importantes (petéquias, equimoses, púrpura, sangramento do trato gastrointestinal); diminuição da pressão diferencial; agitação e letargia; extremidades frias; diminuição brusca da temperatura corpórea associada à sudorese profusa, taquicardia e lipotimia; vômitos persistentes; 43 derrames cavitários; hipotensão postural; pulso rápido e fraco; cianose e aumento do hematócrito (com variação de 20%). A nova classificação, adotada a partir de 2014 inclui: Caso suspeito de dengue sem sinais de alarme: qualquer pessoa que viva ou tenha viajado nos últimos 14 dias para área onde esteja ocorrendo transmissão de dengue ou tenha a presença de Ae. aegypti, que apresenta febre, usualmente entre 2 e 7 dias, e apresente duas ou mais das seguintes manifestações: Náusea, vômitos; exantema; mialgias, artralgia; cefaleia, dor retroorbital, petéquias ou prova do laço positiva; leucopenia. Também pode ser considerado caso suspeito toda criança proveniente ou residente em área com transmissão de dengue, com quadro febril agudo, usualmente entre 2 a 7 dias, e sem foco de infecção aparente. Caso suspeito de dengue com sinais de alarme: todo caso de dengue que, no período de defervescência da febre apresenta um ou mais dos seguintes sinais de alarme: dor abdominal intensa e contínua, ou dor a palpação do abdômen; vômitos persistentes; acumulação de líquidos (ascites, derrame pleural, pericárdico); sangramento de mucosas; letargia ou irritabilidade; hipotensão postural (lipotímia); hepatomegalia maior do que 2 cm; aumento progressivo do hematócrito. Caso suspeito de dengue grave: todo caso de dengue que apresenta um ou mais dos seguintes resultados: choque devido ao extravasamento grave de plasma evidenciado por taquicardia, extremidades frias e tempo de enchimento capilar igual ou maior a três segundos, pulso débil ou indetectável, pressão diferencial convergente ≤ 20 mm Hg; hipotensão arterial em fase tardia, acumulação de líquidos com insuficiência respiratória. sangramento grave, segundo a avaliação do médico (exemplos: hematêmese, metrorragia volumosa, sangramento do sistema nervoso central); comprometimento grave de órgãos tais como: dano hepático importante (AST o ALT>1000), sistema nervoso central (alteracão da consciência), coração (miocardite) ou outros órgãos. Realizou-se uma análise descritiva, organizando os dados em gráficos e tabelas com a utilização dos softwares Microsoft Office Excel 2007 e GrapPad Prism 5. 44 4.RESULTADOS 4.1 DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS SUSPEITOS DE DENGUE NA PARAÍBA DE 2011 A 2014 Após análise dos registros disponíveis de possíveis casos de dengue na Paraíba no período de 2011 a 2014, um total de 53.373 casos foram suspeitos da doença, dos quais 28.020 foram confirmados, o correspondente a 52,5% do total de casos analisados. No restante, 25.353 pacientes (47,5%) a ocorrência da doença não pôde ser confirmada. Considerando-se cada ano separadamente, constatou-se que no ano de 2011, foram notificados 16.180 casos suspeitos de dengue, dos quais 8.646, o equivalente a 53,4% foram confirmados e nos 7.534 casos restantes (46,6%) a doença não foi confirmada. O ano de 2012 foi o que apresentou maior percentual de confirmação de ocorrência de casos de dengue, no período estudado. De um total de 11.440 casos notificados como suspeito da doença, 6.867 (60%) foram confirmados e em 4.573 (40%) o diagnóstico da doença não pôde ser confirmado. Por outro lado, o ano de 2013 foi o que apresentou maior número de registro de casos suspeitos de dengue, com 18.330 indivíduos, onde apenas 8.827 deles tiveram o diagnóstico de dengue confirmado, o que corresponde a (48%) se destacando o ano com menor percentual de confirmação do diagnóstico da doença. E por último o ano de 2014 que apresentou o menor número de casos suspeitos de dengue do período estudado, com apenas 7.423 registros, dos quais 3.680 (49,6%) foram confirmados como dengue (Figura 6). 45 Casos da Paraíba em 2012 Casos da Paraíba em 2011 20000 16180 15000 10000 8646 7534 5000 Número de Pacientes 15000 11440 10000 6867 4573 5000 15000 8827 9503 5000 To ta l irm 20000 Número de Pacientes Número de Pacientes Casos da Paraíba em 2014 18330 10000 nc lu si os ad ta l In co Co nf nc lu To vo si os ad irm Co nf Casos da Paraíba em 2013 20000 vo 0 0 In co Número de Pacientes 20000 15000 10000 7423 5000 3680 3743 In c Figura 6 - Distribuição dos casos de suspeita de dengue na Paraíba de 2011 a 2014 To ta l s ta l ad o Co nf irm nc lu co In To vo si os ad irm on f C on cl us iv o 0 0 46 A Figura 7 mostra o total de casos positivos da Paraíba entre os anos de estudo. Casos confirmados de dengue entre 2011 e 2014 10000 Confirmados 8000 6000 4000 2000 20 14 20 13 20 12 20 11 0 Anos Figura 7 – Total de casos positivos da Paraíba de 2011 a 2014 4.2 DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS SUSPEITOS DE DENGUE EM JOÃO PESSOA DE 2011 A 2014 A maioria dos casos suspeitos de dengue foi registrada na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, num total de 14.728 casos notificados durante o período estudado. Desse total, 10.363 casos (70%) foram confirmados como dengue, como descrito na metodologia. A distribuição anual dos casos confirmados de dengue apresentou o seguinte perfil: No ano de 2011 foram registrados 4.488 casos suspeitos de dengue, onde constatou-se a confirmação em 3.138 casos, equivalente a 70%. No ano de 2012 tiveram 4.612 casos suspeitos, sendo 3.827 casos confirmados (83%). O ano de 2013 apresentou o menor número de casos confirmados da doença, de 3.339 casos suspeitos, apenas 1.558 (46,7%) foram confirmados como dengue. Em 2014 foi observado o menor número de notificações de casos suspeitos de dengue na cidade, em comparação com os demais anos, no 47 entanto, houve uma maior porcentagem de casos confirmados da doença, 1.840 de um total de 2.289 casos suspeitos, que corresponde (80,4%) de confirmação do diagnóstico de dengue (Figura 8). Casos de João Pessoa em 2012 Casos de João Pessoa em 2011 4000 3138 3000 2000 1000 4612 5000 4488 Número de Pacientes 3827 4000 3000 2000 1000 785 1350 3339 3000 2000 1558 1000 Número de Pacientes 5000 4000 4000 3000 2289 1840 2000 1000 1781 449 lu co nc In irm nf Co Figura 8 - Distribuição dos casos de suspeita de dengue em João Pessoa de 2011 a 2014. al si v ad os al To t cl us iv o In co n ad os irm o 0 0 nf al In c Co 5000 Co To t on cl m us iv ad os ta l co nf ir nc lu To vo si os ad irm Co nf In Casos de João Pessoa em 2014 Casos de João Pessoa em 2013 Número de Pacientes o 0 0 To t Número de Pacientes 5000 48 A Figura 9 mostra o total de casos positivos na capital João Pessoa entre os anos de estudo. Casos confirmados de dengue entre 2011 e 2014 5000 Confirmados 4000 3000 2000 1000 20 14 20 13 20 12 20 11 0 Anos Figura 9 – Total de casos positivos em João Pessoa de 2011 a 2014 4.3 INCIDÊNCIA DE DENGUE NA PARAÍBA E JOÃO PESSOA ENTRE OS ANOS DE 2011 E 2014 Foram calculadas a incidência dos casos confirmados da doença em cada ano estudado. As maiores incidências de dengue no estado da Paraíba foram nos anos de 2011 com alcance de 228,05 casos por 100 mil habitantes e em 2013 um índice de 225,50 casos por 100 mil habitantes. Em 2012 houve menor incidência de 179,99 por 100 mil habitantes; já o ano de 2014 apresentou a menor incidência registrado entre os anos de estudo, correspondente a 93,31 casos por 100 mil habitantes (Tabela 1). Na capital João Pessoa, o ano de 2012 apresentou a maior incidência de dengue, equivalente a 515,44 por 100 mil habitantes, seguida de 2011 com 428,01 por 100 mil habitantes. Os anos de menor incidência de dengue na capital paraibana foram 2014 e 2013 com 235,67 e 202,44 por 100 mil habitantes, respectivamente. 49 Tabela 1 – Incidência de casos de dengue na Paraíba no período de 2011 a 2014. Ano 2011 2012 2013 2014 Total População Paraíba 3791315 3815171 3914418 3943885 30385603 João Pessoa 733155 742478 769604 780738 5819568 Paraíba N 8646 6867 8827 3680 42480 Incidência 228,05 179,99 225,50 93,31 139,80 João Pessoa N 3138 3827 1558 1840 12809 Incidência 428,01 515,44 202,44 235,67 220,10 4.4 CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E DEMOGRÁFICAS DOS CASOS DE DENGUE A Tabela 2 mostra as principais características demográficas aparentadas pelos pacientes que tiveram diagnóstico de dengue confirmado. Em relação ao gênero, a maior frequência de casos da doença notificados no período estudado foi em indivíduos do sexo feminino, com aproximadamente 58% dos casos (n=16.256/ 28.020) e 42% (n=11.764/ 28.020) no sexo masculino. A maior proporção de casos entre mulheres foi observada ao longo dos anos 2011, 2012, 2013 e 2014. Com relação a faixa etária, a maior proporção de casos de dengue confirmados durante todo período estudado foi observada em indivíduos adultos com idade entre 18-60, representando 64,2% (18.012/ 28.020) dos casos. O grupo que inclui crianças com idade entre 0-10 anos apresentou o percentual de 13,4% (3.764/ 28.020), porém o número de casos variou de um ano para outro. Um percentual de 13,2% (3.705/ 28.020) dos casos confirmados foi observado entre indivíduos com idade entre 11-17 anos. Na população com idade maior do que 60 anos foi observada a menor proporção no número de casos confirmados da doença, com 6,1% (1.713/ 28.020). Ao longo do período, observa-se importante decréscimo da incidência nas faixas etárias de 0-10 anos e na população acima de 60 anos. Com relação à variável escolaridade, observou-se que entre os casos confirmados, a proporção de indivíduos que eram analfabetos foi de apenas 1,05% (295/ 28.020). Os que possuíam ensino médio completo representou 10,3% (2.890/ 28.020), já os que tinham apenas o ensino fundamental foi equivalente a 9,4% 50 (2.627/ 28.020), os que estudaram até o ensino primário representou 8,6% (2.415/ 28.020), e os indivíduos que tinham cursado ensino superior foi de 3% (842/ 28.020). Em relação ao local provável onde a infecção foi adquirida, 95% (26.723/ 28.020) dos casos notificados foram autóctones ao município de residência. Nos anos de 2011 foram registrados 8.461 casos autóctones o que representa 30% dos casos, em 2012 foram 6.682 (24%), em 2013 com 8.340 (29,8%), e 2014 com 3.240 (11,5%). Tabela 2 - Características demográficas dos casos de dengue analisados neste estudo. Parâmetros Gênero Masculino Feminino Total Idade 0-10 11-17 18-60 >60 Ignorado Total Escolaridade Analfabeto Ensino Primário Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior Ignorados Total Autóctone 2011 2012 2013 2014 Total 3657 (13,1%) 2754 (9,8%) 4989 (17,8%) 4113(14,7%) 8646 6867 3678 (13,1%) 5144 (18,4%) 8827 1675 (6%) 2004 (7,1%) 3680 11764 (42%) 16250 (58%) 28.020 1380 (4,9%) 697 (2,5%) 1314 (4,7%) 866 (3,1%) 5115 (18,2%) 4851(17,3%) 561 (2%) 369 (1,3%) 276 (1%) 84 (0,3%) 8646 6867 969 (3,5%) 1070 (3,8%) 5759 (20,5%) 596 (2,1%) 433 (1,5%) 8827 718 (2,5%) 455 (1,6%) 2287 (8,2%) 187 (0,7%) 33 (0,12%) 3680 3764 (13,4%) 3705 (13,2%) 18012 (64,2%) 1713 (6,1%) 826 (2,9%) 28.020 125 (0,45%) 78 (0,3%) 69 (0,25%) 23 (0,08%) 295 (1,05%) 1121 (4%) 468 (1,7%) 657 (2,3%) 169 (0,6%) 2415 (8,6%) 926 (3,3%) 819 (2,9%) 569 (2,03%) 773 (2,7%) 893 (3,2%) 864 (3,08%) 239 (0,85%) 434 (1,55%) 2627 (9,4%) 2890 (10,3%) 842 (3% ) 298 (1,06%) 5357 (19,1%) 8646 218 (0,8%) 237 (0,85%) 89 (0,32%) 4761 (17%) 6867 6107 (21,8%) 8827 2726 (9,7%) 3680 18951 (67% ) 28.020 51 Sim Não 8461 (30,2%) 6682(23,8%) 185 (0,66%) 185 (0,66%) Total 8646 6867 8340 (29,7%) 487 (1,7%) 3240 (11,6%) 440 (1,6%) 26723 (95%) 1297 (5%) 8827 3680 28.020 Fonte: Dados obtidos do SINAN/SES/PB Considerando-se o número total de casos de casos de dengue com diagnóstico confirmado, observou-se que 0,9% (248/ 28.020) foram registrados em mulheres gestantes. Indivíduos pertencentes ao sexo masculino, idosos, crianças e/ou qualquer outra que não estivesse em idade ou período reprodutivo foram incluídos no termo “não se aplica”. A análise da variável evolução da doença mostrou que 89% (25.019/ 28.020) evoluíram favoravelmente para cura espontânea. Entre 2011 e 2014 foram registrados 48 óbitos por dengue, destes 8 ocorreram no ano de 2011, 13 óbitos em 2012, o maior número foi observado no ano de 2013 com 19 óbitos, e 8 em 2014, como mostra a Tabela 3. Tabela 3- Características clínicas dos casos de dengue analisados neste estudo Parâmetros Gravidez Grávida Não Grávida Ignorado/ Não se aplica Total Evolução da Doença Cura Óbito por dengue Ignorado Total 2011 2012 2013 2014 Total 248 (0,9%) 93 (0,33%) 58 (0,2%) 82 (0,3%) 15(0,05%) 2210(7,9%) 1505(5,4%) 2437(8,7%) 724(2,6%) 6876(24,5%) 6343(22,6%) 5304(18,9%) 6308(22,5%) 2941(10,5%) 20896(74,6%) 28.020 8646 6867 8827 3680 7903(28,2%) 6467(23,1%) 7724(27,6%) 2925(10,4%) 25019 (89%) 48 (0,17%) 8 (0,03%) 13 (0,05%) 19 (0,07%) 8 (0,03%) 735 (2,62%) 387 (1,4%) 1084 (3,9%) 747 (2,7%) 2953 (10,5%) 28.020 8646 6867 8827 3680 Fonte: Dados obtidos do SINAN/SES/PB 52 4.5 SOROLOGIA E CLASSIFICAÇÃO FINAL DE DENGUE DOS PACIENTES CONFIRMADOS A Tabela 4 mostra os resultados da pesquisa de anticorpos para o vírus da dengue realizada a partir dos soros dos pacientes cujos casos foram notificados no período estudado (2011 a 2014). Observou-se que dos casos em que a sorologia foi realizada, o resultado se mostrou positivo para dengue em um percentual de 27,2% entre os anos estudados. Tabela 4 - Sorologia dos casos suspeitos de dengue do Estado da Paraíba (2011-2014). Parâmetros Sorologia Reagente Não reagente Inconclusivo/Não realizado Ignorado Total 2011 2012 2013 Total 2014 3083(11%) 1522(5,4%) 2356(8,4%) 674 (2,4%) 66 (0,2%) 58 (0,2%) 99 (0,4%) 63 (0,2%) 4181(14,9%) 4904(17,5%) 5101(18,2%) 2905(10,4%) 1316 (4,7%) 383 (1,4%) 1271 (4,5%) 38 (013%) 8646 6867 8827 3680 7635(27,2%) 286 (1,02%) 17091 (61%) 3008(10,7%) 28.020 A Tabela 5 apresenta uma caracterização dos casos de acordo com a classificação final da dengue. Os casos que não foram classificados, o SINAN automaticamente os classificam como inconclusivos. Dos casos analisados incluídos na antiga classificação, os casos diagnosticados como DC (Dengue Clássico), foi maior em todos os anos estudados com 86,4% (24.205 /28.020), principalmente nos anos de 2011 (30%) e 2013 (31%). A proporção de casos que foram classificados com DCC (Dengue com Complicações) foi equivalente a 1,3% (367/ 28.020), com um maior número de casos registrados em 2011 e 2012. A classificação de FHD (Febre Hemorrágica da Dengue) representou 0,5% (146/ 24.313) dos casos nos quatro anos, com número maior de casos registrados, 89 no ano de 2011. Já os casos de SCD (Síndrome do Choque da Dengue) teve o menor índice de classificação, com apenas 10 casos no ano de 2011 e 7 em 2013. 53 A partir do ano de 2014, o Brasil adotou a nova classificação de casos de dengue seguindo as normas da a Organização Mundial de Saúde, adotadas desde 2009. São elas: Dengue sem Sinais de Alarme, Dengue com Sinais de Alarme e Dengue Grave. Em 2014 foram registrados 3.043 casos classificados Dengue, equivalente a 10,9% do total dos casos. Dengue com Sinais de Alarme registrou 0,7% (202 casos positivos) dos casos no ano de 2014 e a Dengue Grave foi a menos observada com apenas 0,04% (12 casos) em 2014 (Tabela 5). Tabela 5 - Classificação clínica dos pacientes com dengue analisados neste estudo. Parâmetros 2011 2012 2013 2014 Antiga Classificação Dengue Clássico 8407(30%) 6714(23,9%) 8662(30,9%) 422(1,5%) Dengue com Complicações 140 (0,5%) 117 (0,4%) 109 (0,4%) 1 Febre Hemorrágica da Dengue 89 (0,3%) 36 (0,13%) 21 (0,07%) 0 Síndrome do Choque da 10 0 7 0 Dengue Nova Classificação Dengue 0 0 27 (0,1%) 3043(10,8%) Dengue com Sinais de Alarme 0 0 1 202 (0,7%) Dengue Grave 0 0 0 12(0,04%) Total 8646 6867 8827 3680 Total 24205(86,4%) 367(1,3%) 146(0,5%) 17 (0,06%) 3070 (10,9%) 203 (0,7%) 12 (0,04%) 28.020 4.6 SOROTIPOS DE DENGUE CIRCULANTES ENTRE 2011 E 2014 Analisando quais os sorotipos circularam no estado da Paraíba durante o período de estudo, foi visto que, em 2011 os isolamentos virais detectaram o sorotipo DENV-1 como o mais prevalente, com positividade em 107 (92%) amostras, seguido por infecções pelo DENV-4 com 8 (7%) amostras positivas, o DENV-3 foi detectado em apenas 1 (uma) amostra, e o DENV-2 não foi detectado em nenhuma das amostras isoladas. Em 2012 o sorotipo predominante continuou sendo o DENV1 com 31 (77%) das amostras isoladas positivas, em seguida o DENV-4 com 7 (17,5%) detecções, o DENV-2 foi detectado em 2 (5%) casos confirmados e o DENV-3 não foi detectado em nenhum dos isolamentos. No ano de 2013, o sorotipo 54 DENV-1 novamente foi detectado na maioria das amostras isoladas, com o registro de 54 (80%) casos positivos, o DENV-4 com 12 (18%), o DENV-2 teve apenas 1 (um) caso confirmado e o DENV-3 novamente não foi detectado neste ano. Em 2014, foi observada a cocirculação dos quatros sorotipos, onde mostrou os sorotipos DENV-2 e DENV-4 predominantes, ambos com 9 (35%) amostras detectadas, seguido do DENV-3 com 5 (19%) e o DENV-1 com 3 (11%) (Figura 10). Sorotipo dos casos de Dengue em 2012 Sorotipo dos casos de Dengue em 2011 40 Número de Pacientes 107 100 50 12 0 -4 DE NV -3 NV DE 9 9 8 6 5 4 3 2 Figura 10 - Sorotipos DENV circulantes de 2011 a 2014. -4 DE NV -3 DE NV -2 DE NV -1 NV DE DE NV -4 0 -3 DE NV -2 DE NV -1 0 Número de Pacientes 20 1 0 -2 DE NV -1 NV DE 10 40 NV 2 Sorotipo dos casos de Dengue em 2014 54 DE Número de Pacientes 7 10 -4 DE DE Sorotipo dos casos de Dengue em 2013 60 20 0 NV -2 NV DE DE NV -1 0 31 30 8 1 -3 0 NV Número de Pacientes 150 55 4.7 DISTRIBUIÇÃO DOS CASOS E MESES DE NOTIFICAÇÃO No período de 2011 a 2014 no estado da Paraíba, a maioria dos casos notificados concentrou-se no primeiro semestre do ano, correspondente aos meses mais quentes. A maior concentração do número de casos incidiriam no segundo trimestre, coincidindo com o período chuvoso. Esse perfil foi observado ao longo dos quatro anos de estudo. Nos meses em que a temperatura cai, na segunda metade do ano, verifica-se que a incidência de casos diminui significativamente (Figura 11). Casos da Paraíba em 2012 Casos da Paraíba em 2011 2000 Número de Casos Número de Casos 2000 1500 1000 500 0 J F M A M J J A S O N 1500 1000 500 0 D J F M A M J Meses A S O N D Meses Casos da Paraíba em 2013 Casos da Paraíba em 2014 2000 2000 1500 1500 Número de Casos Número de Casos J 1000 500 1000 500 0 0 J F M A M J J Meses A S O N D J F M A M J J A S Meses Figura 11 – Distribuição dos casos e os meses de notificação de dengue entre 2011 e 2014 O N D 56 5. DISCUSSÃO O presente estudo fornece uma visão valiosa dos dados sobre dengue disponíveis para o Estado da Paraíba durante o período de 2011-2014. As epidemias de dengue na Paraíba apresentaram características epidemiológicas importantes nos casos confirmados entre os anos estudados. Foi observado neste estudo um elevado número de casos descartados, ignorados e/ou inconclusivos, o que pode refletir a qualidade precária do sistema de informação, uma vez que um caso inconclusivo indica que não foi possível diagnosticar o caso após a investigação, podendo ser consequência da falta de informação, ou seja, ausência de dados disponíveis em virtude da não realização de exames laboratoriais específicos para dengue. No estudo da epidemia de 2001/2002 no Rio de Janeiro, Casali et al., (2004) identificaram uma média de idade nos casos de dengue de 32 anos, não existindo diferença significativa entre os sexos. As epidemias estudadas na Paraíba como um todo ou em João Pessoa isoladamente, seguem o mesmo perfil das ocorridas em outros municípios brasileiros com relação ao gênero, predominando o sexo feminino. Esta incidência um pouco mais elevada em mulheres pode ser explicada devido à permanência no ambiente intra e peridomiciliar por tempo maior que os homens, o que facilitaria a exposição ao vetor, ou pela procura mais frequente aos serviços de saúde otimizando a notificação neste sexo (TRAVASSOS et al., 2002). Quanto à distribuição da doença por grupo etário, ocorreram casos em todas as faixas, porém a maior concentração foi observada nas faixas etárias de indivíduos com idade entre 18-60 anos, com a média entre os 35 anos. O maior número de casos de dengue no Brasil, tem sido observado frequentemente entre adultos (RIBEIRO et al., 2008), porém não existe um comportamento único de ocorrência de dengue em relação à idade. No Brasil, até 2006, a incidência da dengue clássico, da febre hemorrágica do dengue e até mesmo das infecções inaparentes foi bem mais elevada em adultos (20-40 anos) (SIQUEIRA-JÚNIOR et al., 2005; TEIXEIRA et al., 2005; HALSTEAD, 2006). Estudos realizados em Salvador (TEIXEIRA et al., 2001), São Luís (GONÇALVES NETO e REBÊLO, 2004) e Teresina (MONTEIRO et al., 2009) 57 mostraram que a faixa etária mais acometida era a de pacientes entre 15 e 49 anos, um grupo bastante amplo. Ao estudar o dengue clássico em Giruá-RS, Baroni e Oliveira (2009) observaram que, em 2007, a infecção predominou na faixa etária de 31 a 40 anos (18,9%). Esses autores relataram achados semelhantes ao encontrado no presente estudo, no que se refere a uma maior ocorrência da infecção em indivíduos do grupo economicamente produtivo. A notificação dos casos suspeitos, a investigação do local provável de infecção, bem como a busca ativa de casos, são elementos fundamentais para o controle da dengue, uma vez que, até o momento o único elo vulnerável da cadeia epidemiológica da dengue é o vetor (TAUIL, 2002). A falta de informações confiáveis pode comprometer tanto a formulação de indicadores de saúde e estudos epidemiológicos quanto a implementação de medidas preventivas para melhorar a vida da população. Embora o estudo na Paraíba tenha mostrado maior número de casos em pessoas com ensino médio completo, não é possível, sem o conhecimento de outros fatores, justificar a causa dos indivíduos deste grupo terem sido mais expostas à doença do que os de outros níveis de escolaridade. Contudo é possível que os indivíduos com maior escolaridade possuam um melhor grau de conscientização e por isso procurem mais os serviços de saúde para esclarecer o diagnóstico. Uma outra justificativa para este fato pode ser devido à essas pessoas com maior grau de instrução terem amigos ou conhecidos que atuam na área da saúde prescrevendo diretamente o medicamento para alívio dos sintomas, o que pode muitas vezes mascarar a doença. Mota et al (2012) mostrou que a infecção por dengue durante a gravidez pode aumentar a mortalidade materna. Também sugere que casos na gravidez estão associados com FHD/SCD e que a susceptibilidade a doenças graves aumenta com a idade gestacional. Com relação à evolução da doença, 89% dos pacientes confirmados foram curados. Os casos ignorados equivalentes a 10% sugerem que possivelmente alguns profissionais que preencheram a ficha de notificação apresentaram desconhecimento ou insegurança, interferindo diretamente na correta análise das informações. 58 Os casos de dengue notificados têm sua classificação a partir de parâmetros laboratoriais ou clínico-epidemiológicos. Em períodos de epidemias, o Ministério da Saúde preconiza a realização de sorologia para 10% dos casos suspeitos de dengue e 100% para os casos graves (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005). Em muitos pacientes suspeitos, o diagnóstico sorológico não foi realizado, o que indica que muitos casos podem ser subnotificados. Em relação aos campos referentes aos resultados de exames, é importante que sejam preenchidos para que se tenha a informação se o exame foi ou não realizado. Quando estes campos encontram-se em branco, não há como saber se o exame não foi solicitado para o paciente ou se foi realizado, porém, não houve preenchimento do resultado. Ao longo do período em análise, foram confirmados maior número de casos classificados como dengue clássico, em comparação com os casos graves (FHD e SCD). Por ser uma doença que, na maioria das vezes, evolui espontaneamente para a cura, além dos casos subclínicos, muitos pacientes não procuram assistência médica e, assim, as notificações não representam o quantitativo real de pessoas com infecção na comunidade. A FHD surgiu entre crianças no Sudeste Asiático, em países como a Tailândia, onde os casos graves ocorriam principalmente em crianças com risco até 15 vezes maior de óbito do que nos adultos, e desde então se transformou num grave problema de saúde pública mundial, sendo uma importante causa de morbidade e mortalidade pediátrica (HONGSIRIWON, 2002). Muitas vezes o diagnóstico clínico em crianças se torna difícil por se confundir em muitos casos, a dengue com outras doenças febris agudas. Até 2008, a maioria dos diagnósticos de dengue no Brasil eram feitos com base em critérios clínicos e epidemiológicos, a realização de técnicas como isolamento e identificação do DENV por reação em cadeia da polimerase (PCR) ainda eram escassas. O Ministério da Saúde realizou uma série de isolamentos DENV de 2000 a 2008, indicando uma alta incidência de DENV-1 no início da década; DENV-3 tornou-se predominante em 2003 e DENV-2 foi importante a partir de 2007. No Ceará um padrão semelhante à mudança de sorotipo foi relatado durante 2000-2003, com uma mudança de DENV-1 e DENV-2 para DENV-3. Até 2003, quase todas as infecções na região Nordeste foram causadas por DENV-3 59 (TEIXEIRA e SIQUEIRA, 2013). Nossa análise revela que os quatro sorotipos DENV circularam no Estado da Paraíba. Foi visto que, a doença segue um padrão marcado por ciclos de predomínio de um determinado sorotipo do vírus, levando a importantes mudanças no perfil epidemiológico da dengue. Tendo em vista que foram isolados todos os quatro sorotipos do vírus dengue, segundo a teoria de Halstead (1970) a FHD ocorre principalmente após epidemias de febre da dengue, seguindo-se à introdução de um sorotipo diferente ao anterior. Um estudo da circulação de mais de um sorotipo evoluindo para formas graves foi realizada na Tailândia em 2002, onde autores enfatizam a complexidade da transmissão do vírus dengue e a severidade da doença. Neste estudo, os maiores números de casos notificados da doença coincidiram com os meses de verão, que apresentam os maiores valores de temperatura e pluviosidade, e consequentemente, elevados índices vetoriais. Monteiro et al (2009), estudando a epidemiologia da dengue em Teresina-PI durante o período de 2002 a 2006, observaram maior incidência de casos no primeiro semestre de cada ano, principalmente nos meses de março a maio, corroborando este estudo. Esta sazonalidade na incidência da dengue em meses quentes está associada à sensibilidade conhecida do ciclo reprodutivo do Ae. aegypti e as variações de temperatura. Ferreira et al (2011) concluíram em seu estudo, que os sistemas de informação ainda são falhos, mostrando que há por parte dos serviços de saúde uma compreensão incorreta quanto ao preenchimento dos seus respectivos documentos. A qualidade dos dados inseridos nos Sistemas de Informação é essencial para o planejamento das ações de saúde, com isso, todo o esforço e o custo são perdidos quando o profissional deixa de fornecer as informações corretas e completas nos formulários padronizados que devem ser preenchidos. Nossa análise identificou várias lacunas de conhecimento, que indicam possíveis caminhos para estudos futuros. Por exemplo, há uma falta de dados sobre a soro prevalência da dengue, estratificada por idade, a incidência regional a longo prazo e sorotipos, as relações entre idade e gravidade da doença. Por fim, novos estudos sobre os fatores de risco para a doença e sua gravidade são importantes, assim como uma realização de inquéritos sorológicos mais extensos e detalhados 60 são necessários para a avaliar a verdadeira taxa de infecção e transmissão da dengue. 61 6.CONCLUSÕES Considerando os anos de estudo, as maiores incidências de infecção por dengue na Paraíba ocorreram nos anos de 2011 e 2013. O perfil epidemiológico dos pacientes confirmados mostrou um maior número de casos entre pessoas do sexo feminino, a faixa etária mais acometida foi de indivíduos adultos com idade entre 18 e 60 anos. O maior número de casos notificados da doença ocorreram no primeiro semestre de cada ano, principalmente nos meses entre março e junho. No período do estudo em análise, foram confirmados 28.020 casos de dengue na Paraíba, sendo 24.205 deles classificados como Dengue Clássico, e 146 como FHD, onde foram registrados 48 óbitos. O DENV-1 foi o sorotipo predominante entre 2011 e 2013, e em 2014 foi observada a co-circulação dos quatros sorotipos (DENV1, DENV-2, DENV-3, DENV4). O presente estudo constitui-se uma ferramenta relevante no direcionamento de medidas futuras para elaboração de novas políticas públicas efetivas no controle da doença. 62 7. 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