Karina Silva Funabashi EXTRAÇÃO DE DNA PARA A ANÁLISE DA AMELOGENINA EM AMOSTRAS FIXADAS EM FORMALINA, INCLUIDAS EM PARAFINA E ARQUIVADAS POR 1 E 5 ANOS NO DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO Dissertação apresentada à Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, para obtenção do título de Mestre em Ciências. São Paulo 2011 Karina Silva Funabashi EXTRAÇÃO DE DNA PARA A ANÁLISE DA AMELOGENINA EM AMOSTRAS FIXADAS EM FORMALINA, INCLUIDAS EM PARAFINA E ARQUIVADAS POR 1 E 5 ANOS NO DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO Dissertação apresentada à Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, para obtenção do título de Mestre em Ciências. Orientadora: Profa. Dra. Edna Sadayo Miazato Iwamura São Paulo 2011 ii Funabashi, Karina Silva Univ Extração de DNA para a análise da amelogenina em amostras fixadas em formalina, incluídas em parafina e arquivadas por 1 e 5 anos no Departamento de Patologia da Universidade Federal de São Paulo. / Karina Silva Funabashi. – São Paulo, 2011. xviii, 99f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de Medicina. Programa de Pós-graduação em Patologia. Título em inglês: DNA extraction for amelogenin analysis in formalin fixed, paraffin embedded samples stored for 1 and 5 years from Department of Pathology of Federal University of São Paulo. 1. amelogenina 2. extração de DNA 3. parafina. iii UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA Chefe do Departamento: Profa. Dra. Maria Teresa Seixas Alves Coordenadora do Curso de Pós-graduação: Profa. Dra. Silvia Saiuli Miki Ihara iv Karina Silva Funabashi EXTRAÇÃO DE DNA PARA A ANÁLISE DA AMELOGENINA EM AMOSTRAS FIXADAS EM FORMALINA, INCLUIDAS EM PARAFINA E ARQUIVADAS POR 1 E 5 ANOS NO DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO Presidente da banca: Prof.ª Dr.ª Edna Sadayo Miazato Iwamura BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Gilles Landman Prof.ª Dr.ª Janete Maria Cerutti Prof. Dr. Rogério Nogueira de Oliveira Aprovada em: 23/02/2011. v DEDICATÓRIA Aos meus pais Mitur e Maria Luiza, que sempre iluminaram os meus caminhos com muito amor e amizade, vibrando com minhas vitórias e incentivando nos momentos difíceis. Ao Prof. Dr. Antonio Sesso, Pesquisador Associado do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo pela Universidade de São Paulo, pela transmissão de conhecimentos científicos, com grandes e valiosos ensinamentos. A todos os docentes e funcionários que de alguma forma participaram deste trabalho. À Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina UNIFESP/EPM. vi AGRADECIMENTO ESPECIAL À Profa. Dra. Edna Sadayo Miazato Iwamura, Professora Adjunta do Departamento de Patologia da UNIFESP-EPM, orientadora deste trabalho, pela oportunidade, confiança a mim depositada e por todos os ensinamentos científicos e intelectuais que colaboraram para minha formação. vii AGRADECIMENTOS À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) por fornecer os recursos financeiros para o desenvolvimento dessa pesquisa através do processo de número 2008/11233-8. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro. viii AGRADECIMENTOS À Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina – UNIFESP/EPM, por ter me recebido como aluna do Programa de Pósgraduação em Patologia e possibilitando minha titulação; Aos docentes do Programa de Pós-graduação em Patologia da UNIFESP/EPM, pelos ensinamentos, apoio, críticas e exemplo como docentes e pesquisadores; À Dra. Silvia Saiuli Miki Ihara, coordenadora do programa de Pós-graduação em Patologia da UNIFESP/EPM, pela receptividade e auxílio; À médica patologista do Departamento de Patologia da UNIFESP/EPM, Dra. Iria Visoná, que muito colaborou na realização deste trabalho, principalmente na análise histológica das amostras; Aos residentes do Departamento de Patologia da UNIFESP/EPM, que muito colaboraram na realização deste trabalho, principalmente na coleta e seleção das amostras; Aos funcionários do Departamento de Patologia da UNIFESP/EPM, Daniel Rosa Filho, Vera Cotrim, Angélica Maria da Silva, Arquimedes Leonardi, José Sérgio Alves e Fátima de Seixas, pela simpatia, receptividade e apoio ao meu trabalho; Ao Joaquim Soares de Almeida, biólogo e técnico de laboratório do Departamento de Patologia da UNIFESP/EPM, pela simpatia, disponibilidade e por preparar com habilidade e atenção os cortes dos blocos de parafina para este trabalho; ix Às secretárias do Programa de Pós-graduação em Patologia da UNIFESP/EPM Virgínia Silva e Jeniffer Oliveira, pelo atendimento atencioso quando precisava de auxílio; Aos secretários Norberto Silva Lobo e Denise Pelegrini, pela simpatia e auxílio; Aos colegas do Programa de Pós-graduação em Patologia da UNIFESP/EPM, pela convivência e experiências trocadas para a formação profissional; Ao Marcos Araújo Sobrinho, pelo companheirismo, auxílio e compreensão durante todo este trabalho; Aos amigos que acompanharam todo o projeto: Valéria Fernandes, Orlando Piubelli, Alpio Stanchi, Suellen Albertão e Márcia Nascimento. Obrigada pelo apoio, carinho e suporte. Aos colegas Carla Godoy, Mirella Soler, Marcelo Silva e Denise Barcelos, pela convivência, amizade, formação de espírito crítico e auxílio para o desenvolvimento deste trabalho. Vocês foram de suma importância para o meu crescimento profissional, intelectual e pessoal. x "O mistério gera curiosidade e a curiosidade é a base do desejo humano para compreender. " (Neil Armstrong) xi SUMÁRIO Dedicatória ........................................................................................ vi Agradecimentos ............................................................................... vii Epígrafe ............................................................................................. xi Lista de Figuras ................................................................................ xiii Lista de Tabelas e Gráficos ............................................................. xv Lista de Abreviaturas ....................................................................... xvi Resumo ............................................................................................. xviii 1. INTRODUÇÃO ............................................................................... 01 2. OBJETIVOS ................................................................................... 20 3. MATERIAIS E MÉTODO ................................................................ 21 4. RESULTADOS ............................................................................... 30 5. DISCUSSÃO .................................................................................. 45 6. CONCLUSÃO ................................................................................ 50 7. Anexos 8. Referências Bibliográficas Abstract xii LISTA DE FIGURAS Figura 1. Ciclo de temperatura durante reação de PCR ......................... 03 Figura 2. Localização cromossômica do gene da amelogenina ............. 14 Figura 3. Organograma da análise do processo de fixação e inclusão em amostras de baço e cérebro .............................................................. 27 Figura 4. Fotomicrografia de amostra de baço normal recente (coletada em 2009). 100x ........................................................................ 30 Figura 5. Fotomicrografia de amostra de fígado normal recente (coletada em 2009). 100x ........................................................................ 30 Figura 6. Fotomicrografia de amostra de cérebro normal recente (coletada em 2009). 100x. ....................................................................... 31 Figura 7. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras recentes (coletadas em 2009) extraídas com fenolclorofórmio. .............................................................................................. 36 Figura 8. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras recentes (coletadas em 2009) extraídas com kit comercial. .... 36 Figura 9. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras recentes (coletadas em 2009) extraídas com Salting-Out. ...... 37 Figura 10. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras armazenadas por 1 ano e extraídas com fenol-clorofórmio. .... 37 Figura 11. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras armazenadas por 1 ano e extraídas com kit comercial. ........... 38 Figura 12. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras armazenadas por 1 ano e extraídas com Salting-Out. ............. 38 Figura 13. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras armazenadas por 5 anos e extraídas com fenol-clorofórmio. .. 39 Figura 14. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras armazenadas por 5 anos e extraídas com kit comercial. ......... 39 Figura 15. Amplificação dos produtos de PCR do gene da β-actina em amostras armazenadas por 5 anos e extraídas com Salting-Out. ........... 40 xiii Figura 16. Amplificação dos produtos de PCR do gene da amelogenina em amostras recentes (coletadas em 2009) extraídas com fenolclorofórmio. .............................................................................................. 41 Figura 17. Amplificação dos produtos de PCR do gene da amelogenina em amostras recentes (coletadas em 2009) extraídas com kit comercial. ................................................................................................. 41 Figura 18. Amplificação dos produtos de PCR do gene da amelogenina em amostras recentes (coletadas em 2009) de baço e cérebro fixados em formalina tamponada e não-tamponada por 24h, seguido por extração com kit. ...................................................................................... 44 Figura 19. Amplificação dos produtos de PCR do gene da amelogenina em amostras recentes (coletadas em 2009) de baço e cérebro fixados em formalina tamponada e não-tamponada por 7 dias, processadas pelos banhos de etanol e xilol e seguidas para extração com kit. ........... 44 xiv LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS Tabela 1. Parâmetros de fixação a serem considerados para uma boa preservação do tecido. ................................................................... 07 Tabela 2. Concentração de DNA (ng/µl/cm²) e taxa de sucesso de amplificação para o gene da β-actina e amelogenina em amostras de baço congeladas, coletadas em 2009 (recentes parafinadas) e amostras de baço armazenadas por 1 ano e 5 anos. ........................... 32 Tabela 3. Concentração de DNA (ng/µl/cm²) e taxa de sucesso de amplificação para o gene da β-actina e amelogenina em amostras de fígado congeladas, coletadas em 2009 (recentes parafinadas) e amostras de baço armazenadas por 1 ano e 5 anos. ........................... 32 Tabela 4. Concentração de DNA (ng/µl/cm²) e taxa de sucesso de amplificação para o gene da β-actina e amelogenina em amostras de cérebro congeladas, coletadas em 2009 (recentes parafinadas) e amostras de baço armazenadas por 1 ano e 5 anos. ........................... 33 Tabela 5. Concentração do DNA extraído das amostras de baço e cérebro fixadas em formalina tamponada e não-tamponada por 24h. 42 Tabela 6. Concentração do DNA extraído das amostras de baço e cérebro fixadas em formalina tamponada e não-tamponada por 7 dias e processadas nos banhos de xilol e etanol. ........................................ 43 Gráfico 1. Grau de pureza do DNA extraído de amostras de baço coletadas em 2009 (recentes parafinadas), congeladas (controle) e arquivadas por 1 ano e 5 anos, nos diferentes métodos de extração. 34 Gráfico 2. Grau de pureza do DNA extraído de amostras de fígado coletadas em 2009 (recentes parafinadas), congeladas (controle) e arquivadas por 1 ano e 5 anos, nos diferentes métodos de extração. 34 Gráfico 3. Grau de pureza do DNA extraído de amostras de cérebro coletadas em 2009 (recentes parafinadas), congeladas (controle) e arquivadas por 1 ano e 5 anos, nos diferentes métodos de extração. 35 xv LISTA DE ABREVIATURAS AmeloF Sentido do primer da amelogenina 3´-5´ (forward) AmeloR Sentido do primer da amelogenina 5´-3´ (reverse) AMELX Gene da amelogenina localizado no cromossomo X AMELY Gene da amelogenina localizado no cromossomo Y A-T Ligação adenina – timina B Baço BN Baço em formalina não-tamponada BT Baço em formalina tamponada C Cérebro CH2OH Metilol cm Centímetro CN Cérebro em formalina não-tamponada CT Cérebro em formalina tamponada C-T Ligação citosina – timina DMSO Dimethyl sufoxide DNA Ácido desoxirribonucléico dNTPs Desoxirribonucléicos fosfatados (adenina, timina, citosina e guanina) EDTA Ácido etilenodiamino tetra-acético F Fígado FN Fígado em formalina não-tamponada FT Fígado em formalina tamponada G-A Ligação guanina – adenina xvi h Hora HCl Ácido clorídrico ME Microscopia eletrônica mg Miligramas ml Mililitros NaCl Cloreto de sódio Neg Controle negativo Ng/µl/cm² Nanogramas / microlitro / centímetro ao quadrado O4Os Tetróxido de ósmio PCR Reação em cadeia da polimerase Pos Controle positivo SBME Sociedade brasileira de microscopia eletrônica SDS Dodecil sulfato de sódio TE Solução de Tris-EDTA µl Microlitro µm Micrômetro v/v Volume por volume Xg Unidade de rotação β Beta βF Sentido do primer da β-actina 3´-5´ (forward) βR Sentido do primer da β-actina 5´-3´ (reverse) xvii RESUMO Tecidos fixados em formalina e incluídos em parafina permitem investigações retrospectivas valiosas para estudos moleculares, especialmente em estudos genéticos, nos casos em que o DNA não se encontra disponível em amostras congeladas e/ou frescas. Entretanto, de acordo com alguns autores, é difícil obter um DNA de boa qualidade, uma vez que o processo de fixação resulta na fragmentação dos ácidos nucleicos. O objetivo deste trabalho foi avaliar o DNA extraído de tecidos parafinados, após 1 e 5 anos de armazenamento, através de 3 métodos de extração. Para isso, foram utilizados o gene da β-actina (136pb), a fim de detectar a viabilidade e fragmentação do DNA extraído, e da amelogenina (X: 212pb e Y: 218pb) para diferenciação do sexo do indivíduo e viabilidade na utilização de primers com comprimento maior. O estudo envolveu 12 casos de autópsia recentes, onde amostras normais de fígado (n=10), baço (n=10) e cérebro (n=10) foram coletadas em duplicata, de modo que um grupo seguiu para o processo de fixação e inclusão em parafina, e outro grupo seguiu para o congelamento. Além disso, foram utilizados os mesmos tipos de tecidos, normais (n=10 cada), oriundos de 13 casos de autópsia armazenados por 1 ano e 15 casos armazenados por 5 anos. Após a remoção da parafina, as amostras foram submetidas às extrações com kit comercial (QIAGEN QIAamp Mini), Salting-Out e fenol-clorofórmio. O DNA extraído foi quantificado no aparelho Nanodrop® e ajustado para PCR (10ng/µl). Os produtos de PCR foram visualizados em gel de agarose a 1%. As amostras de baço e fígado apresentaram maior rendimento em relação à extração de DNA quando comparado ao cérebro, em todos os tempos. Todas as amostras arquivadas apresentaram boas condições de extração de DNA, porém deve-se levar em consideração o processo de fixação e inclusão dos tecidos, que podem comprometer a qualidade do DNA. A extração pelo fenol rendeu maior quantidade de DNA e grau de pureza em relação aos outros métodos estudados, porém o kit comercial mostrou melhores resultados quanto à amplificação do DNA obtido. Houve amplificação do gene da amelogenina em todas as amostras utilizadas, porém recomenda-se a utilização de primers menores para uma completa análise do fragmento a ser estudado. xviii 1. INTRODUÇÃO O procedimento da biópsia é utilizado rotineiramente na medicina, visando o diagnóstico das doenças, orientando o tratamento e o prognóstico dos pacientes. Essas amostras são armazenadas em frascos contendo soluções fixadoras, na maioria das vezes a formalina, para posterior inclusão em parafina. Os blocos de parafina são cortados em micrótomos e os cortes obtidos são aderidos às lâminas de vidro e corados para análise histológica. Após a obtenção dos cortes, esses blocos ficam arquivados e representam importante fonte de material biológico para pesquisa. Tecidos fixados em formalina e incluídos em parafina representam a maior fonte de materiais biológicos arquivados disponíveis para estudos genéticos. São materiais essenciais para diagnósticos médicos e pesquisa clínica. Com isso, espécimes biológicos arquivados puderam ser analisados em diversas situações: a) Diagnóstico: para detectar ou não a presença de três tipos de vírus em crianças com síndrome da morte súbita (Alvarez-Lafuente et al 2008); doenças neurológicas humanas (Ferrer et al 2007) e alguns espécimes tumorais (Ananian et al 2010, Lassalle et al 2009 e Budimlija et al 2009). b) Estudos retrospectivos: em museus de anatomia que armazenam amostras raras de más-formações congênitas, doenças infecciosas (Santos et al 2008, Dubeau et al 1986, Goelz et al 1985, Kallio et al 1989, Warford et al 1988) e expressão de um determinado gene em uma neoplasia rara (RibeiroSilva et al 2007); c) Em casos de investigações forenses, análise de DNA pós-morte e casos de erro médico, como troca de amostras. Em muitas situações este tipo de material pode representar a última fonte disponível para análise genética, e podem contribuir para obtenção de dados históricos e de aspecto legal (Duval et al 2010, Doran et al 1986, Crisan et al 1990, Banaschak et al 2000). De modo que, os tecidos fixados em formalina e incluídos em parafina são uma excelente fonte de DNA, porém sua extração continua sendo um desafio. O uso do DNA extraído de tecidos parafinados em procedimentos de genética molecular é dependente de sua qualidade e quantidade. Diversos 2 autores afirmam que é essencial um método de extração de DNA adequado e deve ser escolhido de acordo com características específicas de uma investigação. (Santos et al 2009, Coura et al 2005, Farrugia et al 2010, Grantzdorffer et al 2009, Okello et al 2010, Gilbert et al 2007, Rivero et al 2006). De acordo com alguns autores, é difícil obter DNA genômico de boa qualidade, uma vez que o processo de fixação, freqüentemente, resulta na fragmentação do DNA, além das ligações cruzadas de proteína-proteína e proteína-DNA que se formam. Além disso, o formaldeído dentro do tecido gradualmente se modifica em ácido fórmico, hidrolisando o DNA (Gillio-Tos et al 2007). Existem diversos protocolos descritos para a extração de DNA de tecidos frescos, sangue e cultura celular, mas extrações de DNA em tecidos parafinados requerem protocolos especiais. Obter uma boa qualidade de produtos de PCR de DNA extraído de tecidos parafinados é uma tarefa difícil, pois, geralmente este material é escasso, degradado e contém substâncias que inibem a reação de amplificação da amostra, como a formalina, ou que inibem a enzima proteinase K utilizada no procedimento de extração, como também o xilol (Coura et al 2005). A literatura tem mostrado que o tamanho médio de fragmentos obtidos de DNA após a PCR é de 300-400pb em biópsias congeladas, mas em tecidos parafinados o tamanho é bem menor (Casale et al 2010). O advento da tecnologia da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), técnica molecular específica, sensível, de rápida execução e de baixo custo, permitiu a detecção de fragmentos específicos de DNA e com isso aumentou o interesse, pelos pesquisadores no estudo de espécimes preservados e armazenados em arquivos de hospitais e museus. (Arnheim et al 1990 e Paabo et al 1989). Ao contrário do DNA bem conservado oriundo de tecidos frescos congelados, o DNA recuperado de amostras fixadas em formalina e incluídas em parafina é altamente degradado. Portanto, numerosas tentativas são realizadas para se descobrir um método ideal para uma recuperação e amplificação eficiente de DNA nestes materiais. (Legrand et al 2002). 3 Nas décadas de 80 e 90, a utilização de técnicas moleculares para extração de DNA em materiais arquivados em parafina era bastante limitada, visto que alguns procedimentos requeriam a destruição dos blocos. Nesta época, o processo de degradação do DNA através do contato com a formalina era ainda desconhecida e somente eram amplificados fragmentos de DNA a partir de amostras que continham DNA totalmente integro. (Shibata et al 1988 e Faloona et al 1987). A técnica de PCR é realizada a partir de uma amostra de DNA e alguns reagentes que propiciaram a amplificação de regiões específicas desta amostra. Para isso, são necessários dois primers que flanqueiam a sequência de DNA de interesse, dNTPs (que são os 4 nucleotídeos), a enzima DNA polimerase, íons de magnésio e um tampão que equilibrará toda essa mistura. A reação é realizada através de ciclagens em diferentes temperaturas (conforme figura 1). Uma temperatura inicial é aplicada a fim de separar a dupla hélice de DNA na seqüência. Em seguida, é utilizada uma temperatura específica para que os primers sejam anelados na amostra, e finalmente a temperatura é ajustada para aproximadamente 72ºC (fase de extensão), onde a enzima adicionará a partir dos primers, os nucleotídeos correspondentes à região a ser amplificada (Kubista et al 2006). Desnaturação Anelamento Extensão 95°C - 1 3 72°C - 2 50°C - tempo Fig.1. O ciclo de temperatura da PCR: (1) a temperatura é elevada a aproximadamente 95ºC para separar as duplas fitas de DNA, (2) a temperatura é dimunuída para o anelamento dos primers, (3) a temperatura é ajustada para 72ºC para a polimerase estender os primers. (Kubista et al 2006) 4 A fase de desnaturação deve ter temperatura suficiente para a separação das fitas de DNA. A temperatura e duração da desnaturação dependem do comprimento e às vezes da sequência de DNA a ser analisada, além do equipamento e reagentes utilizados (Faloona et al 1987). A temperatura de anelamento depende do conjunto de primers utilizados e dos nucleotídeos nele contidos. Existem diversos programas gratuitos disponíveis que estimam a temperatura de desnaturação ideal para cada primer. Entretanto, estes programas não contam com o efeito estabilizador da polimerase, que se liga ao primer anelado e estabiliza o complexo. Na verdade, o mecanismo mais provável é de que a polimerase se liga primeiramente ao primer e em seguida o complexo polimerase-primer se liga à sequência de DNA alvo. A temperatura ótima para a polimerase é de aproximadamente 72ºC, utilizada na maioria dos protocolos de PCR. (Kubista et al 2006) A investigação genética requer a extração de DNA de uma variedade de tecidos com os mais variados tipos de preparações. Dentre estas, o processamento de tecidos parafinados pode variar de acordo com as rotinas de laboratórios clínicos, pois apesar de padronizado, pode ter variações no tipo de fixador utilizado, tempo de fixação (especialmente em soluções de formaldeído) e suplementos. Alguns autores relatam que a fixação de um tecido em formalina por mais de uma semana pode danificar os ácidos nucleicos, pois induz a um extensivo “crosslinking” nas proteínas do tecido, resultando na fragmentação do DNA. (Bonin et al 2003). A obtenção do DNA em condições ideais para amplificação é o fator limitante desse tipo de amostra. O tipo de fixador utilizado, tempo de fixação, condições de inclusão e condições de armazenagem podem resultar na degradação do DNA (Ben-Ezra et al 1991). Uma garantia fundamental para prevenir possíveis contaminações com produtos de PCR é realizar a preparação das amostras em local isolado do processo de análise. O seccionamento dos blocos de parafina requer esforços consideráveis para prevenir contaminações entre as amostras. Deve ser realizada uma rigorosa limpeza do micrótomo, das lâminas de corte e qualquer outro equipamento utilizado nesse processo, pois qualquer resquício de tecido pode contaminar a próxima amostra a ser seccionada. O uso de lâminas 5 descartáveis fornece maior proteção contra este tipo de problema, além da troca freqüente de luvas descartáveis entre a limpeza dos equipamentos e as secções dos blocos. (Greer et al 1994) Uma vez que o micrótomo está limpo, várias secções (5-20µm) podem ser obtidas de cada bloco e colocadas em um tubo para microcentrífuga de 1,5ml. A espessura do corte depende do tamanho da amostra. Para biópsias pequenas (2-3mm), cortes de 10-20µm podem ser utilizados, enquanto que tecidos maiores (5x5mm) podem ser cortados com 5µm. (Greer et al 1994) Para a remoção da parafina, são necessárias diversas lavagens com alcoóis. Alguns autores afirmam que a utilização de etanol a diversas graduações (30-100%) podem remover completamente a formalina (Fang et al 2002, Rivero et al 2006, Gräntzdörffer et al 2009, Duval et al 2010). Outros utilizam kits comerciais para desparafinização (Okello et al 2010). Apesar de eficiente, esse método é laborioso, pois exige várias lavagens com solventes que são tóxicos e centrifugações, o que aumenta o risco de contaminação das amostras. Procedimentos usando sal têm sido usados para extrair o DNA de sangue e amostras citológicas e provou ser menos laborioso e tóxico do que o método do fenol-clorofórmio (Rivero et al 2006). 1.1 FIXAÇÃO DE SISTEMAS BIOLÓGICOS Tão cedo quanto 400a.c, Hipócrates discutiu os efeitos biológicos do mercúrio e do álccol como fixadores. Entretanto, curiosamente sobre as estruturas histológicas dos tecidos começaram apenas com a invenção do microscópio. Centenas de anos mais tarde, a importância da qualidade do espécime para uma validez exata foi realizado. Um estudo sistemático dos fixadores deu início na última metade do século 19. Entretanto, deve ser notado que o próprio fixador leva a um maior número de artefatos (Srinivasan et al 2002). A célula animal está em um estado de fluidez ou um semifluidez, e a fixação envolve algumas modificações químicas dos constituintes e proteínas dos tecidos, evento este necessário para prevenir sua perda durante o processamento do tecido (Williams et al 1999). 6 Uma atenção maior foi focada em desenvolver fixadores que podem preservar células e constituintes dos tecidos em um estado tão semelhante quanto à célula original permitindo passar por procedimentos de preparação sem mudança (Chaw et al 1980). Diversos fixadores são discutidos na literatura a fim de solucionar os problemas de preservação das amostras. O glutaraldeído é amplamente utilizado na microscopia eletrônica, entretanto, a penetração lenta e a necessidade de diversas trocas para manter os níveis de aldeído tornam-se uma grande limitação para a biologia molecular (Srinivasan et al 2002). O fixador Bouin é constituído de ácido pícrico, ácido acético glacial e formalina, que apesar de preservar melhor os detalhes das células e apresentar menor quantidade de artefatos, é cada vez menos utilizado. Embora nestas amostras uma quantidade considerável de DNA pode ser extraído, o rendimento obtido de ácidos nucléicos é menor do que em tecidos fixados em formalina (Baloglu et al 2008). O uso de etanol e metanol como fixadores preserva bem os ácidos nucléicos e provocam poucas mudanças químicas nos tecidos. Por ter uma rápida penetração, pode contribuir para a uniformidade do tecido fixado e mínima perda dos componentes da amostra. (Giannella et al 1997 e Noguchi et al 1997) Em diversas aplicações clínicas, o diagnóstico pode ser dificultado por métodos de fixação que falham na conservação da estrutura dos ácidos nucléicos e proteínas em tecidos e até mesmo em diagnosticar estágios tumorais (Hsu et al 2007) e a capacidade limitada de extrair DNA, RNA ou proteínas de alta qualidade de tecidos fixados. Diversos fatores de pré fixação, intra fixação e pós fixação (conforme tabela 1) estão integralmente envolvidos na manutenção do estado in vivo do tecido humano ex vivo (Srinivasan et al 2002). 7 Tab. 1. Parâmetros de fixação a serem considerados para uma boa preservação do tecido. (Srinivasan et al 2002) Grupo I: parâmetros de pré-fixação 1. Fatores constantes: a. Natureza do anestésico b. Duração da anestesia c. Injúria anóxica in situ 2. Fatores variáveis: a. Tempo de pré-fixação Grupo II: parâmetros de intra-fixação 1. Propriedades dos fixadores: a. Química e mecanismo de ação b. Penetração no tecido 2. Condição da fixação: a. Temperatura b. Duração c. pH d. Osmolaridade e. Concentração f. Tamanho do espécime g. Volume do fixador Grupo III: parâmetros pós-fixação 1. Parâmetros de armazenamento a. Duração b. Temperatura c. Condição (empacotado em vácuo) 2. Natureza do fator biológico a ser analisado a. Proteínas b. Enzimas c. Lipídios d. Ácidos nucleicos e. Mucopolissacarídeos f. Glicogênio Como o nome sugere, a fixação é o processo pelo qual se obtém a estabilização das estruturas celulares e intercelulares. As fixações por métodos físicos incluem: a secagem ao ar, a criofixação, utilização de substâncias crioprotetoras, a criofixação convencional, a criofixação por congelamento ultra-rápido (“quick freezing”), etc. (Ben-Ezra et al 1991). A fixação química é obtida pelo emprego de substâncias que, reagindo com determinados sítios das biomacromoléculas, estabilizam as mesmas. As moléculas das substâncias empregadas na fixação química podem ou não ser adicionadas às macromoléculas tissulares (Greer et al 1991). As proteínas, por exemplo, as intracelulares de membranas, citosólicas, etc, e as produzidas pela célula para exportação para atuarem 8 extracelularmente, pertencem a uma das duas seguintes categorias: Proteínas fibrosas e proteínas globulares. Nas proteínas fibrosas, como o colágeno e queratina, a cadeia polipeptídica, em sua estrutura secundária está disposta em hélice e se enrola ao redor de um cilindro imaginários de cerca de 1nm de diâmetro. As proteínas globulares solúveis têm cadeia polipeptídica enovelada numa configuração esferoidal com os radicais hidrofóbicos na parte inferior da estrutura terciária da proteína e os radicais hidrofóbicos expostos na superfície. Segmentos variáveis, conforme o tipo de proteína globular desse polipeptídio podem exibir estrutura em hélice. As proteínas integrais que atravessam as membranas têm os radicais hidrofóbicos expostos para o segmento hidrofóbico da bicamada de fosfolipídios. Essa interação permite o ancoramento dessas proteínas à membrana (Casale et al 2010) Para a microscopia eletrônica, os procedimentos de fixação têm sido mais estudados e descritos devido às suas características de resolução. Os fixadores químicos podem desnaturar as proteínas em graus variáveis, conforme a estrutura molecular do agente fixador. A desnaturação, que se for intensa e irreversível é indistinguível da coagulação, consiste numa modificação da estrutura da cadeia polipeptídica que é revirada e passa a exibir exteriormente radicais hidrofóbicos, o que determina a precipitação e insolubilização de uma proteína previamente solúvel (Greer et al 1991 e Srinivasan et al 2002). Os fixadores que têm ação coagulante sobre as proteínas precipitam permanentemente as mesmas, alteram bastante sua configuração (por isso não são utilizadas em microscopia eletrônica) e, geralmente, não são incorporados às proteínas, sendo por isso também referidos como não aditivos. Sob a ação dos fixadores não coagulantes, como os aldeídos fórmicos e glutaraldeído, a acroleína e o tetróxido de ósmio (O4Os), as proteínas assumem o aspecto de gel transparente, isso porque ocorre uma estabilização estrutural através de uma amarração que as moléculas fixadoras fazem sobre as macromoléculas tissulares sem distorcer muito estas últimas. A “amarração“ que esses fixadores propiciam deve-se ao fato que suas moléculas ou parte das mesmas estabelecem ligações cruzadas entre os componentes estruturais. Desse modo, esses fixadores são incorporados aos tecidos, daí também serem nomeados de fixadores aditivos. (Sociedade 9 Brasileira de Microscopia Eletrônica - SBME 1989). A Sociedade Brasileira de Microscopia Eletrônica editou um manual no qual seguem as recomendações de procedimentos de fixação. As soluções comerciais designadas formalina têm concentração de formaldeído de 37 a 40%. A formalina apresenta de 11% a 16% de metanol que extrai boa parte do material do citosol e das membranas da célula. Tecidos fixados em solução aquosa de formalina a 10% (ou de formaldeído 3.7% - 4.0%) subseqüentemente em tetróxido de ósmio a 1% em tampão fosfato 0,1 M pH 7.3 e processados para inclusão em resina epóxi exibem péssima preservação das estruturas submiscroscópicas, principalmente devido à ação deletéria do metanol contido na primeira solução fixadora. Preservação estrutural razoável, para fins de diagnóstico histopatológico ao ME, é obtida de fragmento de órgão diretamente fixado em formalina 10% em tampão fosfato 0,1 M pH 7,2-7.4 e depois em O4Os. (Sociedade Brasileira de Microscopia Eletrônica - SBME 1989). A fixação depende do coeficiente de difusão do fixador e a taxa em que reage com os componentes do tecido. O coeficiente de difusão em 1 hora é a distância em milímetros que o fixador é difundido no tecido, e é inversamente relacionada à raiz quadrada do tempo. No geral, quanto mais alto o coeficiente de difusão, melhor o fixador. A formalina a 4% possui um coeficiente de difusão de 0,78. Em contato com a água, a formalina rapidamente se torna hidratada para formar metileno glicol. Quando o tecido está imerso na formalina, ele é rapidamente penetrado pelo metileno glicol. A atual fixação química covalente depende da fração da formalina formando ligações com os componentes do tecido e a dissociação da formalina com o metileno glicol. (Srinivasan et al 2002) Para facilitar uma maior uniformidade de penetração do fixador no tecido, é aconselhável utilizar pequenos fragmentos de amostras (5mm a 1cm) e o volume do fixador deve ser 20 vezes maior que o volume do tecido. (Srinivasan et al 2002 e Greer et al 1991) 10 1.2 FORMALINA Ferdinard Blum foi creditado como a primeira pessoa a utilizar formalina como fixador de tecidos em 1893 (Puchtler et al 1985). Desde esta data, a formalina tamponada a 10% é o fixador universal mais amplamente utilizado, pois preserva uma grande quantidade de tecidos e seus componentes. A formalina é o fixador mais utilizado na prática histopatológica devido ao seu fácil manuseio, menor toxicidade e um grande número de anticorpos podem ser utilizados para imunohistoquímica. (Zsikla et al 2004). Entretanto, as tentativas de extrair DNA utilizável de tecidos fixados em formalina são variavelmente bem sucedidas. (Srinivasan et al 2002) Na preparação dos fixadores, consideram-se, entre outros fatores, o pH da solução, a sua tonicidade e ainda a presença de íons bivalentes e açúcares. O pH parece ser um dos elementos mais importantes a ter em conta, pois os resultados obtidos com fixadores não tamponados são muito variáveis. Os tampões estabilizam as modificações de pH que acompanham a morte celular à medida que o fixador penetra nos tecidos. Geralmente a fixação faz-se a um pH fisiológico (7.2 - 7.5). No entanto, um pH baixo próprio do tecido (como biópsias gástricas), não gera efeito negativo na qualidade do DNA (Zsikla et al 2004). A formalina a 10% tamponada é ainda a melhor opção nas diversas circunstâncias. Além do baixo custo, o tecido é preservado durante longos períodos sem sofrer deteriorização, além de ser compatível com a maioria das colorações especiais. A formalina pura é uma solução concentrada (40%) do gás formaldeído em água. Assim a solução de formalina a 10% representa a solução de um gás a 4%. (Alves et al 2002) A velocidade de penetração da formalina a 10% é de cerca de 1 mm/h, mas este período pode ser abreviado com a utilização de forno de microondas comercial, desde que sejam mantidas as temperaturas entre 63° e 65 °C, já que a ebulição da formalina conduz a artefatos indesejáveis (Alves et al 2004). Estudos das reações químicas entre formalina e ácidos nucléicos têm demonstrado que diversas reações são semelhantes àquelas observadas em interações com formalina e proteína. A formalina inicia a desnaturação do DNA (ligações de hidrogênio são rompidas e ocorre o desempilhamento das 11 bases) nas regiões de adenina e timina (A-T) da dupla fita de DNA, criando sítios para interação química (Zsikla et al 2004). Existem 4 interações da formalina com DNA: 1. Reação adicional: a formalina é adicionada ao ácido nucléico, formando um grupo de hidroximetil (metilol, -CH2OH). 2. Ataque eletrofílico do N-metilol em uma base amino, formando uma ponte de metileno entre dois grupos aminos. 3. Tratamento com formalina pode gerar sítios apurínicos e apirimídicos (sítios de AP) via hidrólise das ligações N-glicosílicas, levando a resíduos de pirimidina e purina. Sítios de AP possuem um íon carboxônio altamente instável que hidrolisa rapidamente. 4. Formalina pode causar hidrólise lenta das ligações fosfodiésteres, levando a pequenas cadeias de polideoxiribose com pirimidinas intactas (Srinivasan et al 2002). Quando comparado ao DNA extraído de tecidos congelados, tecidos fixados em formalina exibem alta freqüência de sequencia não reproduzível. Como resultado, na reação de PCR, a polimerase falha em reconhecer a citosina e incorpora uma adenina no lugar de uma guanina, criando uma mutação artificial C-T ou G-A. Além disso, o DNA danificado é conhecido por promover saltos durante amplificação, permitindo que a polimerase insira um resíduo de adenina no final da molécula da amostra em questão (Srinivasan et al 2002). 12 1.3 PARAFINA A parafina é uma mistura de hidrocarbonetos sólidos derivados do petróleo. A parafina é branca ou incolor, mais ou menos translúcida e inodora. Existem vários tipos, cada um com um ponto de fusão diferente. As parafinas mais moles têm um ponto de fusão de aproximadamente 45°C e são melhores para tecidos moles como os tecidos conjuntivos dos fetos. As parafinas duras derretem-se a cerca de 60°C e são as mais indicadas para tecidos duros, como por exemplo, o tecido fibroso denso e o osso. Para utilização em laboratório aconselha-se uma parafina cujo ponto de fusão ronde os 56°C, já que não é prático num laboratório de patologia de rotina incluir algumas amostras com parafinas moles e outras com parafinas duras (Alves et al 2002). As parafinas utilizadas para impregnação e inclusão são variadas e são escolhidas de acordo com a demanda de cada laboratório. Por terem diferentes pontos de derretimento e texturas, podem impactar nas características de seccionamento dos blocos finais. A maioria dos laboratórios utiliza a parafina sintética, que possui baixa temperatura de derretimento (5563ºC) e é composta por látex, DMSO (dimethyl sulfoxide) e “plastificantes” que modificam a textura e maleabilidade. O uso de parafinas com alta temperatura de derretimento resulta em uma inadequada desparafinização e redução da quantidade de ácidos nucléicos recuperados (Hewitt et al 2008). Os tecidos embebidos em parafina podem ficar armazenados por longos períodos. Alguns pesquisadores afirmam que há uma redução na quantidade de ácidos nucléicos recuperados em amostras antigas, na ordem de 5%-50% por cada década armazenada. Não é claro se esta redução é em função do tempo em que o tecido está parafinado, da qualidade do processamento do tecido ou das mudanças dos reagentes e processos utilizados durante a fixação. Apesar disso, muitos laboratórios trabalham com materiais de 20 e 25 anos atrás (Cronin et al 2004 e Gillio-Tos et al 2007) e até mesmo em espécimes de museus datadas do século 20, para estudo da gripe espanhola (Taubenberger et al 1997). 13 1.4 AMELOGENINA Nos estágios terminais do desenvolvimento dos dentes, as células epiteliais presentes no esmalte interno são diferenciadas em ameloblastos, que sintetizam e secretam proteínas específicas. Existem duas classes de proteínas que são constituintes do desenvolvimento do esmalte: a amelogenina e a enamelina . A amelogenina contém altas concentrações de prolina, glutamina, leucina e histidina (Sasaki et al 1995). Os genes da amelogenina foram identificados nos cromossomos sexuais tanto em camundongos quanto no homem por Lau et al 1989. Duas cópias do gene da amelogenina foram detectadas no genoma humano através da técnica de Southern Blot (Shimokawa et al 1989). Fincham et al, em 1991, encontrou diferenças nos componentes da amelogenina humana de acordo com o sexo do indivíduo. Foram extraídas amostras de dentes de indivíduos e as proteínas foram analisadas por eletroforese. Bandas específicas da amelogenina foram detectadas e o dimorfismo sexual foi observado. Após este estudo, em 1992, Salido et al relataram que os genes da amelogenina são expressados tanto no cromossomo X, quanto no cromossomo Y. Trata-se de um gene homólogo, que está localizado no cromossomo Xp22.1-Xp22.3 e Yp 11.2 (conforme figura 2). Ele pode ser utilizado na determinação do sexo de amostras humanas desconhecidas através da Reação de Cadeia da Polimerase (PCR). Utilizando primers específicos para o íntron 1 do gene, a seqüência do gene para o íntron pode ser amplificada. O gene do cromossomo X, AMELX, dá origem a um produto de amplificação de 212pb e o gene do cromossomo Y, AMELY, 218pb. Desta forma o AMELX contém uma deleção de 6pb no íntron 1. Utilizando primers específicos para o íntron 1 do gene, a seqüência do gene para o íntron pode ser amplificada. Portanto, quando os fragmentos amplificados são colocados em gel de agarose, as amostras do sexo masculino (XY) apresentarão duas bandas (uma de 212pb e outra de 218pb), enquanto as do sexo feminino (XX) apresentarão apenas uma banda (Sasaki et al 1995). 14 Fig. 2. Localização do gene da amelogenina nos cromossomos X (AMELX) e Y (AMELY), destacados em vermelho. (Fonte: Nature Genetics Reviews) A identificação do sexo é uma importante variável biológica que auxilia na avaliação específica de um indivíduo e tem se tornado indispensável em casos forenses, não apenas em casos de estupro, mas também em desastres em massa e utilizado na maioria dos kits comerciais para PCR. Quando a utilização de métodos convencionais de identificação sexual é impossível ou dificultada (análise arqueológica), a análise de sequências específicas de DNA para os cromossomos X e Y permitem uma solução rápida (Gibbon et al 2009). Há diversas situações onde a identificação do sexo é crucial, como o diagnóstico prenatal de hemofilia e a determinação do número de cópias de cromossomos sexuais. Além disso, a caracterização sexual também é utilizada em aplicações médicas, como em casos de síndrome de Klinefelter (XXY). O princípio dos testes comercialmente disponíveis é baseado no fato 15 de que numerosos polimorfismos estão presentes nas duas cópias homólogas do gene da amelogenina nos cromossomos X e Y (AMELX e AMELY) (Tschentscher et al 2008 e Sullivan et al 1993). A amelogenina é utilizada nos kits de identificação humana para propósitos forenses (Applied Biosystems). 1.5 EXTRAÇÃO DE DNA Com base nas características estruturais dos ácidos nucléicos, algumas técnicas moleculares são utilizadas na manipulação do DNA dos organismos. A hibridização é a técnica que se baseia na complementaridade entre as fitas de DNA. Um fragmento de DNA marcado por uma substância radioativa é usado como sonda para determinar a presença da fita complementar em uma amostra específica. Essa técnica foi muito utilizada em testes de diagnóstico, porém, atualmente em conseqüência de sua baixa sensibilidade e de problemas advindos do uso de radioatividade, ela caiu em desuso (Oliveira et al 2007). A clivagem é outra técnica que pode facilitar a manipulação do DNA. Para esse fim, existem as chamadas enzimas de restrição, que são capazes de cortar o DNA em sítios específicos, definidos geralmente pela seqüência de bases distribuídas ao longo da molécula, produzindo fragmentos de comprimento menor. As enzimas de restrição são sintetizadas naturalmente por muitas bactérias e centenas (com especificidade para diferentes sítios de restrição) estão disponíveis comercialmente. Outros tipos de manipulação de DNA incluem a amplificação (utilizando a técnica de PCR) e a eletroforese (Oliveira et al 2007) Para o isolamento e purificação dos ácidos nucleicos, encontram-se disponíveis várias técnicas alternativas as quais originam DNA ou RNA com diferentes graus de pureza e de integridade física. Na maioria dos casos, estas técnicas iniciam-se com o processo de liberação dos ácidos nucleicos, o que envolve a lise das células a estudar, seguida de ataques enzimáticos e/ou químicos para destruir os componentes proteicos da mistura. Já no que diz respeito ao processo de purificação dos ácidos, várias alternativas se 16 encontram disponíveis (Rivero et al 2006, Baloglu et al 2008, Greer et al 1991, Gräntzdörffer et al 2009 e Duval et al 2010). O processo de purificação mais económico e simples é denominado de Salting-Out e consiste na insolubilização dos longos filamentos de DNA por ação da concentração salina da solução. Neste método, o DNA obtido é de baixa pureza, sendo recolhido por suave enrolamento com uma vareta de vidro após adição de um sal. O DNA assim preparado necessita depois de ser submetido a um longo processo de ressolubilização, após o que se encontra pronto para ser estudado. Note-se que apesar do baixo custo envolvido, este é um processo muito ineficiente devido á baixa pureza do DNA obtido, ao elevado teor de mão de obra necessário, e ao longo tempo de preparação que envolve (Rivero et al 2006). O processo tradicional de extração de DNA de elevada pureza e integridade física é denominado de fenol-clorofórmio. Este processo deve o seu nome ao fato de envolver o ataque químico de proteínas e outros compostos celulares por ação do fenol dissolvido em clorofórmio. Esta mistura contém ainda habitualmente d-hidroxiquinelona como corante (facultativo) e álcool isoamílico como regulador da densidade. Neste processo, após a libertação dos ácidos nucleicos, a solução aquosa é misturada com igual volume de solução de fenol/clorofórmio, e após homogeneização suave, é centrifugada. Como as soluções aquosas (contendo o DNA) e orgânicas (contendo o fenol) são imiscíveis, após a centrifugação podemos facilmente recolher a fase aquosa (no topo do tubo) e rejeitar a fase orgânica (no fundo do tubo) e a interfase contendo um anel esbranquiçado de proteínas e precipitados. A remoção da fase aquosa deve ser executada com muito cuidado, para que a alta viscosidade não acarrete o arrastamento de interfase proteica. O processo repete-se ciclicamente até não ser observável a presença de interfase protéica (Barcelos et al 2008, Oliveira et al 2007). No final, a precipitação do DNA é feita por meio da utilização de etanol absoluto associado a uma solução com alta concentração de um sal catiônico. O etanol induz a transição estrutural nas moléculas de ácido, fazendo-as se agregarem, com conseqüente precipitação. A precipitação com etanol absoluto, além de concentrar o DNA, ajuda a remover resíduos de fenol e de clorofórmio presentes na amostra. O etanol a 70% é utilizado para remover 17 resíduos de sais. Embora tanto o cloreto de sódio como o acetato de sódio e o acetato de amônio sejam eficazes na precipitação do DNA, é mais difícil remover o cloreto de sódio, em razão da sua menor solubilidade (Barcelos et al 2008). Este processo, apesar de permitir obter DNA de elevada pureza, concentração e integridade fisica, tem como o Salting-Out a desvantagem de ser exigente do ponto de vista da mão-de-obra e do tempo de execução, envolvendo ainda a manipulação de compostos tóxicos como o fenol e o clorofórmio (Oliveira et al 2007). A solubilidade das proteínas depende, além de outros fatores, da concentração de sal na solução. Em baixas concentrações, a presença de sais estabiliza vários grupos de uma molécula de proteína, atraindo a mesma dentro da solução e reforçando a solubilidade. Este método é comumente conhecido como Salting-In. Entretanto, como a concentração de sal vai aumentando, o ponto de solubilidade máximo da proteína é alcançado. O aumento da concentração de sal implica na menor disponibilidade de água para solubilizar as proteínas. Desta maneira, a proteína começa a precipitar quando não há moléculas de água suficientes para interagir com as moléculas de proteínas. Este fenômeno de precipitação na presença de excesso de sal é conhecido como Salting-Out (Jakoby 1971). Diversos tipos de sais têm sido empregados para a separação e purificação de proteínas através do Salting-Out. O mais amplamente utilizado é o sulfato de amônio, pois possui alta solubilidade e baixo custo (Jakoby 1971). A grande revolução nos processos de purificação de ácidos nucleicos foi a descoberta em meados dos anos 80 de que certas formulações de sílica possuíam a capacidade de adsorver os ácidos nucleicos, de modo dependente do pH e da concentração salina. A formulação da matriz de sílica variou desde suspensões a colunas de centrifugação, colunas ou matrizes de colunas de vácuo, sistemas de filtração e até partículas magnéticas revestidas a sílica. Em todos os casos, o processo melhorou muito em termos de rapidez, automatibilidade, reprodutibilidade, utilização de mão de obra, rendimento e até custo (Oliveira et al 2007 e Okello et al 2010). 18 1.6 ELETROFORESE A eletroforese é um método simples e muito eficiente para separar, identificar e para purificar fragmentos de DNA e de proteínas. Este método consiste na separação de moléculas ionizadas (aminoácidos, peptídeos, proteínas - incluindo lipoproteínas e glicoproteínas, nucleotídeos, ácidos carboxílicos e outras substâncias de relevância biológica), de acordo com sua carga elétrica e seu peso molecular. Moléculas com carga negativa migram para o pólo positivo (ânodo) e moléculas com carga positiva migram para o pólo negativo (cátodo) (Sambrok et al 2001). Para haver migração, é preciso desequilibrar eletricamente duas regiões extremas de um meio que contenha eletrólitos, no qual esteja dissolvida ou dispersa uma substância com potencial para migrar. Para tanto, é estabelecida a diferença de potencial entre dois eletrodos ligados aos terminais de uma fonte de corrente contínua e dispostos em dois compartimentos, catódico e anódico; ambos os compartimentos contém, em geral, uma solução-tampão. O meio físico de separação, igualmente tamponado, se comunica através de suas extremidades com as soluçõestampão dos eletrodos, fechando assim o circuito elétrico. A corrente elétrica, ao passar pelo meio, conduzida pelos pequenos íons presentes na solução, dá ensejo ao deslocamento, por exemplo, de partículas protéicas carregadas para determinado pólo (Oliveira et al 2007). Pelo fato das proteínas serem substâncias anfóteras, ou seja, capazes de adquirirem carga positiva ou negativa de acordo com o pH, é indispensável manter constante o pH do meio durante a eletroforese, por meio do uso de soluções-tampão (Oliveira et al 2007). Os ácidos nucléicos, por possuírem carga total negativa (em decorrência do grupamento fosfato), migram sempre em direção ao pólo positivo (ânodo). O sistema tampão usado consiste em duas partes: o tampão usado na preparação do gel e o tampão da cuba eletrolítica, na qual se encontram os eletrodos (ânodo e cátodo). Nos tampões das cubas e do gel, a corrente elétrica é conduzida por íons, e nos eletrodos, por elétrons. Na presença de um sistema tampão adequado, a hidrólise da água, que se dá na superfície dos eletrodos, permite a troca entre elétrons e íons. O sistema 19 tampão pode ser contínuo (o mesmo tampão é utilizado no gel e nos eletrodos) ou descontínuo (quando diferentes composições ou concentrações de tampão são utilizadas no gel e nos eletrodos) (Sambrok et al 2001). O principal fator a ser considerado na escolha do tampão é a sua capacidade de tamponamento. Os dois tampões mais usados na separação eletroforética de moléculas de DNA são TAE (tampão tris-acetato-EDTA) e TBE (tampão tris-boratoEDTA). Esses dois tampões possuem efeito ligeiramente diferente na mobilidade do DNA. Apesar de o TAE ser mais utilizado, ele é mais facilmente exaurido durante reações longas ou com alta voltagem. O TBE tem melhor capacidade tamponante, mas deve ser evitado para purificação de DNA de géis. (Sambrok et al 2001). A eletroforese pode ser conduzida em solução com gradiente de densidade ou em diferentes meios de suporte, tais como papel-filtro, sílica-gel, membranas de acetato de celulose, gel de agarose, amido ou poliacrilamida. O suporte deve ser química e fisicamente inerte, de modo a não interferir na mobilidade das moléculas e, em relação aos géis de agarose ou à poliacrilamida, a porosidade do gel determina o poder de resolução das bandas e este geralmente é decorrente do grau de polimerização entre os monômeros (Oliveira et al 2007). Diante da problemática exposta, é importante conhecer e analisar cada etapa deste tipo de estudo, desde o armazenamento e processo de amostras parafinadas até a análise molecular. Em nosso estudo, pretendeu-se avaliar a qualidade do DNA por diferentes métodos de extração e analisar todo o processo histológico em amostras parafinadas. Além disso, com o intuito de avaliar a integridade do DNA, o gene da amelogenina foi utilizado na diferenciação do sexo. 20 2. OBJETIVOS: Avaliar a influência da fixação e do tempo de armazenamento na integridade do DNA da amelogenina extraída de tecidos humanos incluídos em parafina. 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Em amostras normais de fígado, baço e cérebro fixadas em formalina e incluídas em parafina, obtidas de cadáveres: 1. Comparar a concentração e a qualidade do DNA extraído de tecidos normais coletados durante os procedimentos de necropsia, fixados em formalina e incluídos em parafina; 2. Comparar as amostras de fígado, baço e cérebro fixadas em formalina, incluídas em parafina e arquivadas por 1 e 5 anos; 3. Comparar 3 métodos de extração: fenol-clorofórmio, utilização de sais (Salting-Out, modificado de Rivero ERC 2006) e kit comercial (QIAamp Mini Kit QIAGEN®). 4. Avaliar a amplificação dos produtos de PCR utilizando o gene da amelogenina (212-218pb) para identificação do sexo. 21 3. MATERIAIS E MÉTODO: 3.1 MATERIAL: 1º grupo (casos recentes): Foram coletadas amostras de fígado, baço e cérebro normais de 13 indivíduos, de forma aleatória, sendo adultos do sexo masculino e sexo feminino, submetidos aos procedimentos de necropsia, realizadas no Departamento de Patologia. Os fragmentos de cerca de 1cm² foram fixados em formalina tamponada e incluídos em parafina (n=10 de cada tipo de tecido); fixados em formalina não-tamponada e incluídos em parafina (n=10 de cada tipo de tecido) e congelados (casos controle, n=10 de cada tipo de tecido). 2º grupo (casos arquivados): Foram coletados blocos de parafina contendo fragmentos de fígado, baço e cérebro normais de 15 indivíduos adultos, do sexo feminino e masculino, obtidas de necropsias realizadas no Departamento de Patologia da UNIFESP. As amostras foram fixadas em formalina não-tamponada, incluídas em parafina e arquivadas no Departamento de Patologia, sendo armazenadas por 1 ano (n=10 bloco de cada tecido) e armazenadas por 5 anos (n=10 blocos de cada tecido). 3º grupo: Fragmentos de baço, fígado e cérebro normais de um único indivíduo (adulto do sexo masculino) retirados no momento da necropsia. Analisamos a qualidade do DNA extraído dentre diferentes etapas do processamento 22 histológico, a fim de avaliar os efeitos dos fixadores, dos banhos de etanol e xilol e do processo de parafinização, em cada etapa, de forma isolada. Critérios de inclusão: 1. Possuir o exame com os resultados anátomo-patológico de necropsias; 2. Aspecto histológico de normalidade; 3. Blocos arquivados por 1 e 5 anos em boas condições de preservação. Critérios de exclusão: 1. Exame histológico com diagnóstico de neoplasia ou alterações de normalidade (patologias relacionadas ao cérebro, fígado e baço); 2. Blocos de parafina em más condições de preservação (blocos danificados, tecidos emblocados inadequadamente, blocos gastos, etc.) 3. Biópsias; 4. Hepatopatias; 5. Doenças infecciosas (viroses e septicemias no geral); 6. Etilistas; 7. Tabagistas; 8. Presença de autólise, artefatos ou pigmentos na análise histológica. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da EPM/UNIFESP – CEP 0063/09. 3.2. MÉTODO: 3.2.1. Microtomia Dois cortes com aproximadamente 10µm de espessura foram obtidos em micrótomo do tipo Minot (Leica, Modelo RM 2035) e armazenados em tubos de 1,5 ml. As amostras escolhidas apresentaram a mesma área de superfície (aproximadamente 1 cm2). 23 3.2.2. Extração de DNA Foram cortados em micrótomo 2 secções de 10µm de espessura dos blocos de parafina e coletados em tubos de 1,5 ml. 3.2.3. Métodos de Extração: Fenol-clorofórmio Um mililitro (1mL) de xilol pré-aquecido (60ºC) é adicionado em tubos de 1,5ml, contendo os tecidos, que são mantidos a 60ºC por 30 minutos. O sobrenadante é descartado, é adicionado 1mL de xilol e em seguida mantido a 60°C por 10 minutos. Em seguida, o tecido é lavado duas vezes com 1mL de etanol absoluto (Merck). Toda troca de reagentes é precedida por centrifugação em 16000xg por 4 min. Após, as amostras são colocadas em 470µl de solução que chamaremos de DP (Tris HCl 1mM pH 8.0, EDTA 0,5mM e Tween 20 0,5%) e 30µl de proteinase K (30mg/µl). A digestão em proteinase K ocorre por 24h a 56ºC. Após a digestão pela proteinase K, 0,5mL de fenol-clorofórmio-álcoolisoamílico (25:24:1 v/v) é adicionado. As amostras são centrifugadas a 16000xg por 2 minutos e em seguida o sobrenadante é transferido para outro tubo. A seguir, 0,5mL de fenol-clorofórmio é adicionado no sobrenadante e os tubos são centrifugados novamente a 16000g por 4 minutos. O sobrenadante é transferido para um novo tubo. O DNA é precipitado com 1mL de etanol absoluto e 40µl de acetato de sódio 3M pH 4.8 a -20ºC por 2 horas. A solução é centrifugada a 16000xg por 15 minutos. Após a decantação do DNA, o etanol é desprezado por inversão e os tubos são incubados à temperatura ambiente até secarem completamente. O DNA então é dissolvido em 80µL de solução TE (Tris-EDTA) e mantido à temperatura de 4ºC até a sua utilização (Barcelos et al 2008). 24 Utilização de sais: Salting-out (modificado de Rivero EC, 2006) Um mililitro (1ml) de xilol pré-aquecido (60ºC) é adicionado nos tubos de 1,5ml contendo os cortes e mantidos a 60ºC por 10min. Em seguida, os tubos são centrifugados a 9300xg por 5 min. O sobrenadante é descartado, seguido por uma nova lavagem com xilol. O pellet é lavado em séries no sentido descrescente de etanol (etanol absoluto, etanol 95% e etanol 70%). Toda a lavagem é precedida por homogeneização e centrifugação a 9300xg por 5min. Em seguida, adiciona-se 470ul de tampão de digestão (1M NaCl, 1M Tris-HCl pH 8.0, 0,5M EDTA pH 8.0 e 10% de SDS) e 30ul de proteinase K (30mg/ml). A digestão em proteinase ocorre por 24h a 56ºC. Após a digestão pela proteinase K, essa é inativada, incubando os tubos a 95ºC por 10min. Em seguida são adicionados 200µL de acetato de amônia. Os tubos são vortexados por 20 segundos na velocidade alta e em seguida incubados a -20ºC por 5 minutos e centrifugados a 13000xg por 3 minutos. O sobrenadante é transferido para um novo tubo de 1,5ml e 600µL de isopropanol é adicionado e centrifugado a 16000xg por 5 minutos. O pellet de DNA é lavado com 200µl de etanol a 70% e centrifugado a 16000xg por 1 minuto. O sobrenadante é descartado. O DNA é dissolvido em 80µl de solução de TE (Tris-EDTA) e mantido à temperatura de 4ºC até a análise. Kit comercial (QIAamp DNA Mini Kit - QIAGEN®) Os procedimentos de extração são realizados de acordo com as instruções do manual do fabricante. Um mililitro (1mL) de xilol é adicionado no tubo de 1,5ml (contendo os cortes do tecido parafinado) e vortexado vigorosamente por 5 segundos. Em seguida o tubo é centrifugado em velocidade máxima (16000xg) por 5 min, o sobrenadante é descartado e adiciona-se 1mL de etanol absoluto (Merck). O tubo é vortexado gentilmente e em seguida centrifugado a 16000xg por 5 min. Este processo é repetido por mais uma vez. A seguir, o tubo é incubado aberto a 37°C por 10-15 min até o etanol ter evaporado. O pellet é ressuspendido em 180µL de Buffer ATL e 20µL de proteinase K (30mg/ul), vortexado e incubado a 56°C por 2h. Após digestão pela proteinase K, são adicionados 200µL de Buffer AL, vortexados 25 por 15 segundos e incubados a 70°C por 10 min. Em s eguida são adicionados 200µL de etanol absoluto (Merck), vortexado por 15 segundos e a mistura é transferida para a coluna do kit, sem encostar na membrana. O tubo é então centrifugado a 8000rpm por 1 min e a coluna é transferida para um novo tubo coletor. São adicionados 500µL de Buffer AW1, o tubo é centrifugado a 8000rpm por 1 min e a coluna é transferida para um novo tubo coletor. Em seguida são adicionados 500µL de Buffer AW2 e o tubo é centrifugado a 14000rpm por 3 min. A coluna é transferida para um tubo limpo de 1,5mL e são adicionados 200µL de Buffer AE. O tubo é incubado em temperatura ambiente por 1 min e em seguida centrifugado a 8000rpm por 1 min. A coluna é descartada e o material é armazenado a -20°C até sua utilização. 3.3. Análise do processo de fixação e inclusão em fragmentos de baço, fígado e cérebro. Conforme figura 3, realizamos um experimento em paralelo onde foram obtidos fragmentos de baço, fígado e cérebro normais de um indivíduo (adulto do sexo masculino) retirados no momento da necropsia. Analisamos a qualidade do DNA extraído dentre diferentes etapas do processamento histológico, a fim de avaliar os efeitos dos fixadores, dos banhos de etanol e xilol e do processo de parafinização, em cada etapa, de forma isolada. Todas as amostras foram pesadas para 25mg ou cortadas em 10µm numa área de 1cm² e utilizados 2 cortes por bloco. Esses fragmentos foram divididos e processados da seguinte forma: 1. Congeladas em Tissue Tek ® a -20ºC; 2. Fixadas em formalina 10% tamponada; 3. Fixadas em formalina 10% não-tamponada. Amostras congeladas: Foram pesadas e padronizadas para 25mg de tecido. A extração de DNA foi realizada conforme as recomendações do kit comercial QIAGEN QIAamp Mini®. Essas amostras foram utilizadas como controle da análise. 26 Amostras somente fixadas: Os fragmentos fixados tanto em formalina tamponada quanto nãotamponada (por 24h) foram novamente divididas: uma parte seguiu por mais 6 dias no fixador e outra parte seguiu para o processo de extração de DNA. Amostras fixadas e processadas para inclusão, exceto na parafina: Após 6 dias de fixação em formalina tamponada e não-tamponada, as amostras foram submetidas aos banhos no aparelho Leica Jung Histokinnette 2000® em gradiente de etanol e xilol (3 banhos de etanol absoluto com 1h cada e 3 banhos de xilol com 1h cada). Os fragmentos previamente pesados (25mg) seguiram então para a extração de DNA no kit QIAGEN QIAamp Mini®. Amostras fixadas e processadas para a inclusão em parafina (processo final): Os fragmentos que foram processados até o final, ou seja, até a inclusão em parafina, foram cortados e padronizados para 1cm². Após os banhos de etanol e xilol, as amostras foram incluídas em parafina de acordo com a rotina do departamento. Em seguida, foram obtidos 2 cortes de 10µm de cada bloco (fragmento com 1cm²) e seguiu-se a extração de DNA com o kit QIAGEN QIAamp Mini®. 27 Caso 2010 Baço Fígado Fixação em formalina tamponada Cérebro Congeladas Fixação em formalina não tamponada Fixado Fixado 24h 7 dias Banhos Etanol+Xilol Extração de DNA – kit QIAGEN QIAamp DNA Mini® Fig. 3. Organograma do experimento para análise do processo de fixação e inclusão das amostras de fígado, baço e cérebro normais coletadas durante o procedimento de necropsia. 3.4. Avaliação do DNA extraído 3.4.1. Pureza e rendimento do DNA A pureza do DNA extraído foi avaliada por espectrofotometria, através do aparelho Nanodrop (Thermo Scientific®), calculando a taxa A260/A280 para as impurezas das proteínas. A concentração de DNA presente nas amostras foi calculada em ng/µl/cm². 28 3.5. Amplificação através da técnica de PCR (reação em cadeia da polimerase) Foi utilizado o gene da amelogenina (218pb-X / 212pb-Y) de acordo com as recomendações do fabricante (Promega®), a fim de avaliar a integridade do DNA obtido em fragmentos maiores e para identificação do sexo. Além disso, também foi utilizado o gene da β-actina (136pb) para avaliar a viabilidade e integridade do DNA extraído. Amelogenina - primers (iniciadores): 212/218pb: AmeloF (5´-3´): ACCTCATCCTGGGCACCCTGG AmeloR (5´-3´): AGGCTTGAGGCCAACCATCAG Preparo para PCR: Componentes H2O Primer Amelogenina F (300nM) Primer Amelogenina R (300nM) Master Mix (Qiagen®) DNA (10ng/µL) Total Volume de amostra 8 µl 1,25 µl 1,25 µl 12 µl 2,5 µl 25 µl Reação de PCR 40 ciclos 94°C 30´´, 60°C 1´, 72°C 30´´ Final Extension 72°C 7´ 4°C ∞ 29 β-actina 136pb - primers (iniciadores): βF (5´-3´): AGC GGG AAA TCG TGC GTG βR (5´-3´): GGT GAT GAC CTG GCC GTC Preparo para PCR: Componentes H2O Primer β-actina F (300nM) Primer β-actina R (300nM) Top Taq Master Mix (Qiagen®) DNA (10ng/µl) Total Volume 6,5 µl 1,25 µl 1,25 µl 12 µl 2 µl 25 µl Reação de PCR 96°C 5´ 40 ciclos 96°C 2´, 60°C 2´,72°C 2´ Final Extension 72° 7´ 4° C ∞ Como controle negativo foi utilizada água MilliQ e K562 (Promega®) como controle positivo da amplificação. 3.6. Análise do DNA extraído Para a visualização dos amplicons gerados pelos primers descritos, as amostras foram analisadas por eletroforese em gel de agarose a 1%, corado com Gel RedTM (Biotium®). Após, o gel de agarose foi fotografado sobre luz ultra-violeta no equipamento Edas KODAK. 30 4. RESULTADOS: As fotomicrografias a seguir apresentam a condição de normalidade das amostras incluídas em parafina de um caso recente (coletado em 2009 – N09-35): Fig.4. Fotomicrografia de amostra de baço recente incluída em parafina. 100x. Fig.5. Fotomicrografia de amostra de fígado recente incluída em parafina. 100x. 31 Fig.6. Fotomicrografia de amostra de cérebro recente incluída em parafina. 100x As tabelas 2, 3 e 4 a seguir apresentam os resultados das concentrações de DNA em ng/µl/cm² (média ± dp), obtidas das amostras de baço, fígado e cérebro, respectivamente (n= 10). Cada uma das tabelas apresenta os resultados obtidos pelos 3 métodos de extração: fenolclorofórmio, kit comercial (QIAGEN® QIAamp Mini) e Salting-Out. Após a extração e quantificação, realizou-se a reação de PCR para o gene da βactina (136pb) e amelogenina (212-206pb) nos 3 métodos. O sucesso da amplificação está expresso em porcentagem do total de amostras. De acordo com os resultados obtidos, houve 100% de taxa de amplificação nas amostras congeladas, utilizadas neste estudo como controle. Houve maior taxa de amplificação pelo gene da β-actina em amostras recentes parafinas, se comparada com as amostras arquivadas por 1 e 5 anos. Nos três tipos de tecido, todas as amostras selecionadas para reação de PCR pelo gene da amelogenina foram amplificadas. Foram estudados um total de 450 amostras e realizadas 615 reações de PCR. Em todas as amostras extraídas com fenol-clorofórmio, recuperou-se uma maior quantidade de DNA em todos os tempos, se comparado com os outros tipos de extração. 32 Tabela 2. Concentração de DNA (ng/µl/cm²) e taxa de sucesso de amplificação (expresso em porcentagem) para o gene da β-actina e amelogenina em amostras de baço congeladas, coletadas em 2009 (recentes parafinadas) e amostras de baço armazenadas por 1 ano e 5 anos (n= 10 cada). Tabela 2. Análise de baço Congeladas Recentes Parafinadas 1 ano 5 anos Fenol Kit Salting-Out 523,5 ± 88,8 117,4 ± 50,7 80,5 ± 52,5 323,9 ± 135,6 21,2 ± 18,8 21,2 ± 20,1 1009,5 ± 526,6 14,9 ± 8,3 10,5 ± 6 312,5 ± 141,7 34,4 ± 19,7 19,2 ± 24,1 β-actina (+) Fenol β-actina (+) Kit β-actina (+) Salting-Out 100% 100% 100% 100% 100% 100% 60% 50% 100% 50% 50% 100% Amelogenina (+) Fenol Amelogenina (+) Kit Amelogenina (+) Salting-Out 100% 100% 100% 100% - 0% 0% - - Tabela 3. Concentração de DNA (ng/µl/cm²) e taxa de sucesso de amplificação (expresso em porcentagem) para o gene da β-actina e amelogenina em amostras de fígado congeladas, coletadas em 2009 (recentes parafinadas) e amostras de fígado armazenadas por 1 ano e 5 anos (n= 10 cada). Tabela 3. Análise de fígado Congeladas Recentes Parafinadas 1 ano 5 anos 1522,7 ± 693,7 80,7 ± 61,8 70,5 ± 50,2 313,2 ± 152,4 27,5 ± 15,8 11,7 ± 7,1 1045,6 ± 572,4 14 ± 10,2 16,2 ± 11,8 274,4 ± 127,8 24,3 ± 21,8 7,6 ± 4,2 β-actina (+) Fenol β-actina (+) Kit β-actina (+) Salting-Out 100% 100% 100% 90% 100% 100% 70% 60% 70% 40% 60% 100% Amelogenina (+) Fenol Amelogenina (+) Kit Amelogenina (+) Salting-Out 100% 100% 100% 100% - 0% 0% - - Fenol Kit Salting-Out 33 Tabela 4. Concentração de DNA (ng/µl/cm²) e taxa de sucesso de amplificação (expresso em porcentagem) para o gene da B-actina e amelogenina em amostras de cérebro congeladas, coletadas em 2009 (recentes parafinadas) e amostras de cérebro armazenadas por 1 ano e 5 anos (n= 10 cada). Tabela 4. Análise de cérebro Congeladas Recentes Parafinadas 1 ano 5 anos Fenol Kit Salting-Out 524,8 ± 205,9 10,3 ± 3,9 148,6 ± 89,6 182,6 ± 125,7 11 ± 7 6,3 ± 3,1 335,2 ± 115,4 7,2 ± 4,3 6,5 ± 4,4 157 ± 69,3 14,5 ± 8,3 7,9 ± 6,3 β-actina (+) Fenol β-actina (+) Kit β-actina (+) Salting-Out 100% 100% 100% 70% 100% 100% 70% 20% 80% 50% 40% 100% Amelogenina (+) Fenol Amelogenina (+) Kit Amelogenina (+) Salting-Out 100% 100% 100% 100% - 0% 0% - - Os gráficos a seguir apresentam as comparações entre os métodos de extração (kit comercial, fenol-clorofórmio e Salting-Out) em relação ao grau de pureza do DNA extraído em amostras de fígado, baço e cérebro congeladas, coletadas em 2009 (recentes parafinadas), armazenadas por 1 ano e por 5 anos. Nota-se que, em todas as amostras extraídas pelo método Salting-Out, há um menor grau de pureza e heterogeneidade entre os tempos, se comparado com os outros métodos. A extração pelo kit comercial rendeu maior grau de pureza, porém na extração com fenol-clorofórmio, houve maior homogeneidade entre os tempos. 34 DNA extraído de amostras de baço Grau de pureza (A260/A280) 2,5 2 1 ano 5 anos 2009 parafinadas 1,5 1 Congeladas 0,5 0 Kit Comercial Fenol Salting-out Gráfico 1. Grau de pureza (A260/A280) do DNA extraído de amostras de baço coletadas em 2009 (recentes parafinadas), congeladas (controle) e arquivadas por 1 ano e 5 anos, nos diferentes métodos de extração. DNA extraído de amostras de fígado Grau de pureza (A260/A280) 3 2,5 2 1 ano 5 anos 2009 parafinadas Congeladas 1,5 1 0,5 0 Kit Comercial Fenol Salting-out Gráfico 2. Grau de pureza (A260/A280) do DNA extraído de amostras de fígado coletadas em 2009 (recentes parafinadas), congeladas (controle) e arquivadas por 1 ano e 5 anos, nos diferentes méto dos de extração. 35 DNA extraído de amostras de cérebro Grau de pureza A260/A280 3 2,5 1 ano 2 5 anos 1,5 2009 parafinadas congeladas 1 0,5 0 Kit Comercial Fenol 1 Salting-out Gráfico 3. Grau de pureza (A260/A280) do DNA extraído de amostras de cérebro coletadas em 2009 (recentes parafinadas), congeladas (controle) e arquivadas por 1 ano e 5 anos, nos diferentes métodos de extração. As figuras a seguir apresentam a amplificação dos produtos de PCR das amostras, com os genes da β-actina e amelogenina em gel de agarose 1% corada com GelRed®. Cada número e letra identificados no gel representam um indivíduo e seu respectivo órgão, ou seja, 12, 13, 20, etc significa o código do indivíduo e as letras “B”, “C” e “F” significam “baço”, “cérebro” e “fígado” respectivamente. As letras “T” e “N” significam “formalina tamponada” e “formalina não-tamponada”, respectivamente. Em cada gel foram utilizados um controle negativo (água MilliQ), um controle positivo (K562® Promega) e um padrão de peso molecular (pGem® Promega). Como pudemos observar, as fotografias dos géis mostram a maioria das amostras amplificadas pelos genes estudados. De acordo com nossos resultados, as amostras recentes apresentam uma intensidade de banda maior quando comparada às amostras armazenadas por 1 e 5 anos. A amplificação dos produtos de PCR pelo método Salting-Out apresentou maior taxa de amplificação, porém há a presença de “fundo manchado” em todos os géis realizados. 36 pGem 33BT 33BN 33CN 33CT 33FT 33FN 33BT 35BN Neg Pos pGem 136pb pGem 35CT 35CN 35FT 35FN 34CT 34CN Neg Pos pGem 222 179 126 Fig. 7. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras de fígado, baço e cérebro recentes parafinadas, extraídas pelo método fenolclorofórmio (B = baço, F = fígado, C = cérebro, T = formalina tamponada, NT = formalina não tamponada, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo K562 e pGem = padrão de peso molecular). pGem 33CN 35BT 34CN 34CT 35FT 33BT 33FN 35CT Neg Pos pGem 136pb pGem 35FN 35CN 33CT 35BT 33BN 33FT Neg Pos pGem 222 222 179 179 126 126 Fig. 8. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras 136pb de fígado, baço e cérebro recentes parafinadas, extraídas pelo método de kit comercial (B = baço, F = fígado, C = cérebro, T = formalina tamponada, NT = formalina não tamponada, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo K562 e pGem = padrão de peso molecular). 37 pGem 33FT 33FN 33BT 33BN 35FT 35FN 35BT 35BN pGem pGem 36BT 36BN 36FT 36FN 34CT 37BT 37BN Neg Pos pGem 222 179 126 136pb Fig. 9. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras de fígado, baço e cérebro recentes parafinadas, extraídas pelo método de Salting-out. (B = baço, F = fígado, C = cérebro, T = formalina tamponada, NT = formalina não tamponada, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo - K562 e pGem = padrão de peso molecular). pGem 18F 18B 18C 19F 19B 19C 24F 24B 24C 25F 25B 25C Neg Pos pGem 136 pb 222 179 126 Fig. 10. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras de fígado, baço e cérebro armazenadas por 1 ano, extraídas pelo método de fenol-clorofórmio (B = baço, F = fígado, C = cérebro, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo - K562 e pGem= padrão de peso molecular). 38 18F 18B 18C 19F 19B 19C 24C 24F 24B 25F neg 25C pos pGem 136pb 222 179 126 Fig. 11. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras de fígado, baço e cérebro armazenadas por 1 ano, extraídas pelo método de kit comercial (B = baço, F = fígado, C = cérebro, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo - K562 e pGem = padrão de peso molecular). pGem 17B 17F 19B 19F 19C 16B 18B 24C 24F 24B pGem 222 136pb 179 126 pGem 25F 25C 25B 26B 27C 13C 18C 20C neg pos pGem Fig. 12. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras de fígado, baço e cérebro armazenadas por 1 ano, extraídas pelo método de Salting-Out (B = baço, F = fígado, C = cérebro, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo - K562 e pGem= padrão de peso molecular). 39 pGem 2C 3C 4C 5C 6C 7B 9F 9B 10C 5C pGem pGem 5F 11C 4F 12F 4B 13F neg neg pos pGem 222 179 136pb 126 Fig. 13. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras de fígado, baço e cérebro armazenadas por 5 anos, extraídas pelo método de fenol-clorofórmio (B = baço, F = fígado, C = cérebro, Neg = controle negativo água, Pos = controle positivo - K562 e pGem= padrão de peso molecular). pGem 2C 3C 4C 5C 6C 7B 9F 9B 10C 11C 12F 4B 7C 13F 14F 15F pos neg pGem 136pb Fig. 14. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras de fígado, baço e cérebro armazenadas por 5 anos, extraídas pelo método kit comercial (B = baço, F = fígado, C = cérebro, Neg = controle negativo - água, Pos= controle positivo - K562 e pGem= padrão de peso molecular). 40 pGem 1B 2B 2C 3F 3C pGem 5B 5F 5C 6B 6F 4B 4F 4C pGem . 6C neg pos pGem 222 179 136pb 126 Fig. 15. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina (136pb) em amostras de fígado, baço e cérebro armazenadas por 5 anos, extraídas pelo método Salting-Out (B = baço, F = fígado, C = cérebro, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo - K562 e pGem= padrão de peso molecular). As figuras a seguir apresentam as amplificações dos produtos de PCR do gene da amelogenina do DNA extraído pelo método de fenol-clorofórmio e kit comercial. Podemos observar que, nas amostras extraídas com fenol-clorofórmio, não houve amplificação do gene da amelogenina. Por outro lado, nas amostras extraídas com kit comercial, houve amplificação do gene e, portanto, a identificação sexual do indivíduo. 41 pGem XY 30CT 30CN 30BT 30BN 30FT 30FN neg pos XY pGem 212 218 222 179 126 Fig. 16. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da amelogenina em amostras de fígado, baço e cérebro recentes parafinadas, extraídas pelo método fenolclorofórmio (B = baço, F = fígado, C = cérebro, T = formalina tamponada, NT = formalina não tamponada, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo K562, pGem = padrão de peso molecular e XY = padrão da amelogenina). pGem 30BT 30BN 30FT 30FN neg pos pGem 212pb Fig. 17. Amplificação dos produtos de PCR pelo gene da amelogenina em amostras de fígado, baço e cérebro recentes parafinadas, extraídas pelo método kit comercial (B= baço, F = fígado, T = formalina tamponada, NT = formalina não tamponada, Neg = controle negativo - água, Pos = controle positivo - K562, pGem = padrão de peso molecular e XY = padrão da amelogenina). 42 Análise do processo de fixação e inclusão: As tabelas a seguir apresentam a concentração do DNA extraído (ng/µl) em amostras somente fixadas pela formalina (Tabela 5) e em amostras processadas pelos banhos de xilol e etanol (Tabela 6). Podemos observar que as amostras de baço apresentaram maior rendimento de DNA extraído em relação às amostras de cérebro. Entretanto, não houve diferença na quantidade de DNA entre as etapas. Tab. 5. Concentração do DNA extraído das amostras de baço e cérebro fixadas em formalina tamponada e não-tamponada por 24h. Tipo de Amostra baço tamponado I Concentração Inicial (ng/ul) 52,36 baço tamponado II 37,34 baço tamponado III 40,11 baço não tamponado I 50,73 baço não tamponado II 56,47 baço não tamponado III 45,45 cérebro tamponado I 4,64 cérebro tamponado II 4,01 cérebro tamponado III 5,99 cérebro não tamponado I 6 cérebro não tamponado II 7,04 cérebro não tamponado III 7,62 43 Tab. 6. Concentração do DNA extraído das amostras de baço e cérebro fixadas em formalina tamponada e não-tamponada por 7 dias e processadas nos banhos de xilol e etanol. Tipo de Amostra baço tamponado I Concentração Inicial (ng/ul) 31,54 baço tamponado II 38,5 baço não tamponado I 28,85 baço não tamponado II 32,16 cérebro tamponado I 12,11 cérebro tamponado II 12,35 cérebro não tamponado I 14,14 cérebro não tamponado II 14,18 As figuras a seguir apresentam a amplificação dos produtos de PCR pelo gene da amelogenina em amostras somente fixadas (Figura 18) e em amostras processadas pelos banhos de etanol e xilol (Figura 19). De acordo com os nossos resultados, houve identificação sexual do indivíduo (sexo masculino, apresentando duas bandas) nas amostras de baço que foram somente fixadas. Entretanto, nas amostras processadas pelos banhos, houve amplificação do gene, porém não houve a diferenciação das bandas (X e Y). 44 pGem BT BT BT BN BN BN CT CT CT CN CN CN Neg Pos pGem 216pb 212pb 222 179 126 Fig. 18. Amplificação dos produtos de PCR da amelogenina em amostras de baço (B) e cérebro (C) fixadas em formalina tamponada (T) e não tamponada (N) e DNA extraído após 24h de fixação (pGem = padrão de peso molecular, Neg = controle negativo - água e Pos = controle positivo, K562). pGem BT pGem BT L BN CT BN FT FT FN CT CN CN Neg FN Pos Neg L Pos pGem pGem 216pb 212pb Fig. 19. Amplificação dos produtos de PCR da amelogenina em amostras de baço (B) e cérebro (C) fixadas em formalina tamponada (T) e não tamponada (N) por 7 dias e processadas no banhos de xilol e etanol. (L) Ladder amelogenina (pGem = padrão de peso molecular, Neg = controle negativo - água e Pos = controle positivo, K562). 45 5. DISCUSSÃO Os dados obtidos neste estudo (tabela 2 e anexo 1) demonstram que as amostras de baço apresentaram uma maior concentração de DNA extraído, seguido pelas amostras de fígado e cérebro, respectivamente. Isso se deve ao fato do baço e o fígado possuírem maior celularidade e tipo de arquitetura celular diferenciado nestes tecidos (conforme figuras 4 e 5). O cérebro é composto por células da glia, que apresentam estrutura alongada, ocupam mais espaço no tecido e, apresentam menor quantidade de núcleos (conforme figura 6). Assim como afirma Carturan et al (2008) , cada tipo de tecido rende uma quantidade de DNA específica, mas esta quantidade também está associada ao método de extração e fixação da amostra. Dos três métodos testados, o fenol apresentou maior rendimento, seguido pelo kit e pelo Saltingout. Portanto, as amostras de cérebro extraídas pelo método Salting-out foi o que apresentou os menores índices de DNA extraído. A ação do tempo de armazenamento das amostras foi analisado pela observação dos produtos de amplificação pela PCR do gene da β-actina humana. Foi observado, em gel de agarose 1%, que as amostras armazenadas por 1 ano e 5 anos apresentaram intensidade de banda menor (conforme figuras 10-15) quando comparadas com as amostras congeladas e as recentes parafinadas (conforme figuras 7-9), pelos três métodos de extração. Quanto ao rendimento e ao grau de pureza do material obtido, não houve diferença (conforme gráficos 1, 2 e 3) entre os tempos. Desta maneira, podemos obter quantidade suficiente de DNA para determinada análise, porém a qualidade pode estar comprometida se utilizarmos amostras parafinadas armazenadas por mais de 1 ano. Diversos protocolos de extração têm sido descritos (Greer et al 1991, Gall et al 1993, Bonin et al 2003, Bonin et al 2005, O´Learly et al 1994, Sato et al 2001, De Lamballerie et al 1994, Diaz-Cano et al 1997, Bielawski et al 2001, Chan et al 2001, Andreassen et al 2004, Coombs et al 1999, Duval et al 2010) a fim de obter DNA de qualidade a partir destas amostras arquivadas. As variações dos protocolos podem focar em diferentes etapas do processamento, como a desparafinização, tempo e quantidade da digestão com proteinase K, purificação pós extração e amplificação pela PCR. O tempo de armazenamento 46 do bloco, a temperatura e a umidade do ambiente onde o bloco está armazenado podem influenciar na qualidade do DNA. De acordo com vários autores (Greer et al 1991, Bonin et al 2003, Baloglu et al 2008 ) a etapa mais crítica para a integridade do DNA é a fixação em formalina. Entretanto, no nosso estudo e no de Gillio-Tos et al (2007) o processo de inclusão em parafina tem também uma importante ação na obtenção de DNA amplificável (conforme demonstrado no estudo de avaliação da qualidade do DNA durante processo histológico, pág 42-44). O método convencional utilizado para a purificação do DNA é a técnica do fenol-clorofórmio, que se baseia na diferença de solubilidade dos ácidos nucléicos, proteínas e lipídios. A vantagem deste método é que uma maior quantidade de DNA pode ser obtida, entretanto o procedimento é laborioso, devido ao número de centrifugações necessárias, manuseio dos reagentes e toxicidade dos mesmos. Já no método de extração com kit comercial, uma menor quantidade de DNA é obtida, porém há uma melhor qualidade da amostra em relação à amplificação. Essa diferença pode ser observada nas figuras 7 e 8, onde há nitidamente uma amplificação da PCR no kit comercial em relação à β-actina. Esses resultados confirmam o estudo de Gilbert et al 2007, onde houve um maior número de DNA amplificável pela PCR através do kit do que usando a extração com fenol-clorofórmio. De acordo com o trabalho, supõe-se que os reagentes do kit possuem propriedades que revertem a ligação entre proteínas do tecido. Por outro lado, entende-se em nosso estudo e pelo principio da extração pela sílica que ocorre uma retenção de um DNA com melhor potencial de amplificação, mesmo em quantidades menores, liberando aqueles que estejam com as ligações cruzadas. O DNA extraído através do kit comercial mostrou melhores resultados na amplificação dos produtos de PCR pelo gene da β-actina e amelogenina, (figuras 8, 11, 14 e nas figuras 16 e 17 em relação à amelogenina), mesmo havendo diferença quanto ao grau de pureza em relação aos outros métodos de extração. Desta maneira, pode-se afirmar que, apesar de se obter menor quantidade de DNA e purificação não tão eficiente quanto a extração com fenol, neste método há uma melhor qualidade em relação à amplificação, comparando-se aos outros tipos de extração. 47 Em amostras com o DNA extraído pelo método Salting-out, o grau de pureza apresentou resultados muito variados (conforme gráficos 1, 2 e 3). Surpreeendentemente, houve amplificação do gene da β-actina em 100% (conforme figuras 9, 12 e 15), porém não houve definição exata de intensidade de banda se comparado com o DNA extraído por fenol-clorofórmio e kit comercial (conforme figuras 7, 8, 10, 11, 13 e 15). Esse resultado pode ser justificado pelo processo de extração em si, em que não há etapas de purificação da amostra e, portanto, fragmentos inespecíficos podem persistir durante a reação de PCR. De acordo com Rivero et al 2006, utilizando tecido de carcinoma oral e tecido inflamatório oral fixadas em formalina 10% tamponada e os blocos armazenados por até 5 anos foi possível obter DNA de boa qualidade neste tipo de extração, tanto quanto no método orgânico e de sílica. De acordo com os resultados apresentados, a extração de DNA pelo fenol-clorofórmio apresentou maior quantidade de ácidos nucleicos e maior grau de pureza. No entanto, trata-se de um método extremamente tóxico e laborioso, e com custo similar de um kit comercial. A extração de DNA pelo kit comercial apresentou uma menor quantidade de ácidos nucleicos e grau de pureza, quando comparado ao método de fenol. Apesar de ter o mesmo custo que a extração com fenol-clorofórmio, pudemos obter melhor amplificação de produtos de PCR. O método de Salting-Out apresentou quantidades de DNA variáveis e graus de pureza heterogêneos e baixos, porém houve amplificação dos produtos de PCR em todas as amostras. Trata-se de um método menos laborioso e com baixo custo, se comparado aos outros métodos estudados. O laboratório de anatomia patológica do Departamento de Patologia recebe um grande número de biopsias e representa um importante centro de diagnósticos, responsável por 33.000 exames anuais (www.unifesp.br/dpato). Para os exames com finalidade diagnóstica, principalmente os de necropsia, não há a urgência de um centro cirúrgico. Nossas amostras provenientes dessas necropsias não apresentam um padrão de processamento histológico em relação ao tempo de fixação, o que poderia justificar nossos resultados. Em nosso estudo, a forma de processamento em parafina das amostras pode interferir nos resultados. 48 Em relação à condição do fixador, não há diferenças quanto à qualidade e quantidade de DNA em amostras recentes fixadas em formalina 10% tamponada e não-tamponada (conforme figuras 7-9), mesmo com a diferença de pH entre as soluções (formalina tamponada com pH 7.0 e formalina nãotamponada com pH 4.0). Quanto à amplificação dos produtos de PCR, houve amplificação dos produtos de PCR pelo gene da amelogenina em todas as amostras utilizadas (conforme figura 17). Entretanto, nas amostras extraídas com fenol-clorofórmio, não houve amplificação (conforme figura 16). Os resultados obtidos sugerem que há uma “amarração” do DNA e ligações cruzadas entre proteínas durante o processo de fixação e inclusão em parafina, causando maior dificuldade no processo de amplificação do DNA. Diversos estudos apontam esse mesmo tipo de problema, onde a análise das amostras pela PCR é somente realizada em sequências curtas de DNA, raramente excedendo 300pb (Liu et al 1993, Pavelic et al 1996, Bonin et al 2005, Shi et al 2004, Rivero et al 2006, Ferrer et al 2007, Baloglu et al 2008, Coombs et al 1999). O processo de fixação em formalina e a inclusão em parafina pode comprometer a qualidade do DNA, como mostra as figuras 18 e 19. Nas amostras que foram apenas fixadas e em seguida submetidas à extração, houve identificação sexual pelo gene da amelogenina nas amostras de baço, enquanto que nos tecidos que foram submetidos aos banhos, a identificação não pôde ser feita. Isso sugere que o processo de desidratação dos tecidos, ao passar por consecutivos banhos de etanol e xilol também podem afetar a qualidade do DNA, seja por hidrólise na estrutura dos ácidos nucléicos ou ligações cruzadas entre proteínas e amarração das histonas. O uso da biologia molecular no âmbito da patologia é cada vez mais crescente, e novos métodos de otimização e padronização de amostras para análise molecular tem sido estudadas. Sabe-se que a condição ideal de uma amostra para diagnóstico molecular é o congelamento, porém nem todos os laboratórios possuem fácil acessibilidade na coleta de material fresco de biópsias e/ou autopsias. Por isso, ao analisar molecularmente amostras parafinadas, que já fazem parte da rotina de patologia, é importante considerar o tipo de tecido, a condição de fixação e inclusão em que a amostra foi processada e estudar qual o melhor método de extração para este caso. 49 Desta maneira, a escolha do método de extração deve ser direcionada pelo tipo de análise molecular. Recomenda-se a utilização de mais de um tipo de extração para a obtenção de um bom rendimento e boa qualidade de DNA. Uma possibilidade seria a utilização do fenol-clorofórmio com kit comercial. Por outro lado, um equilíbrio entre custo e interesse do material em estudo deve também ser considerado. 50 Considerando os objetivos propostos: 1. Os tecidos normais coletados durante os procedimentos de necropsia apresentam quantidades de DNA suficientes após a extração. São teoricamente viáveis para estudos moleculares. O baço e o fígado apresentaram o maior rendimento em relação a extração de DNA comparado ao cérebro. Os resultados obtidos estão de acordo com sua estrutura celular, apesar da variabilidade entre indivíduos, as amostras e os cortes das amostras. 2. Todos os tecidos coletados no processo de necropsia (baço, fígado e cérebro FFEP) arquivados por 1 e 5 anos apresentam condições de extração de DNA. Além da fixação em formalina, o tempo de armazenamento dos blocos de parafina influenciou na qualidade do DNA extraído. Por outro lado, o processo de inclusão em parafina também é um fator a ser considerado quanto à análise dos ácidos nucleicos. 3. A extração de DNA pelo método orgânico (fenol-clorofórmio) rendeu maior quantidade de ácidos nucleicos e pureza em relação aos outros métodos estudados. Porém, o método de sílica mostrou resultados consistentes quanto à amplificação do DNA obtido. O método utilizando sais (Salting-out) apresentou resultados positivos de extração e amplificação, embora com muito variável (não consistentes). 4. Foi possível a identificação do sexo através da amplificação por PCR do gene da amelogenina nas amostras fixadas em formalina e incluídas em parafina, analisadas em gel de agarose. 51 6. CONCLUSÃO Os tecidos normais coletados durante os procedimentos de necropsia apresentam quantidades de DNA suficientes após a extração. São teoricamente viáveis para estudos moleculares. Além da fixação em formalina, o tempo de armazenamento dos blocos de parafina influenciou na qualidade do DNA extraído. Por outro lado, o processo de inclusão em parafina também é um fator a ser considerado quanto à análise dos ácidos nucleicos. O método por kit comercial mostrou resultados consistentes e reprodutíveis quanto à amplificação do DNA obtido. Desta maneira, a escolha do método de extração deve ser direcionada pelo tipo de análise molecular. Considerações finais: Percebe-se a importância e a necessidade da elaboração de protocolos adequados de fixação e processamento de amostras na área da Patologia, para novos estudos que envolvam ferramentas da Biologia Molecular, como a amplificação pela PCR e a análise pelo sequenciamento. 7. ANEXOS Anexo 1. Concentração de DNA (ng/µl/cm²), grau de pureza (A260/A280), grau de contaminação orgânica (A260/A230) e grau de impurezas (340 raw) em todas as amostras analisadas. Identificação da amostra 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Tipo de Extração 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 Tecido utilizado 1 1 1 1 1 1 3 3 3 2 2 2 3 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 Tempo do bloco 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos Caso (indivíduo) 1 1 1 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 Tipo de fixação - Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 156,98 20,8 2,83 277,68 7,5 5,07 140,94 4,68 17,38 213,99 23,73 3,66 149,82 14,07 5,24 341,55 23,36 8,95 328,82 27,18 16,09 228,74 12,95 Leitura A260/A280 1,72 2 1,56 1,79 2,22 1,28 1,66 15,57 1,38 1,75 1,77 1,3 1,66 2,02 1,69 1,79 1,84 1,38 1,8 1,87 1,51 1,76 1,99 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 2,03 0,83 2,23 2,04 0,25 0,76 1,84 0,24 0,58 1,94 0,66 0,54 1,76 0,63 0,78 2,05 0,76 0,52 2,1 0,99 1,04 1,82 0,56 Leitura 340 raw 0,005 0,004 -0,007 0,06 0,035 0,034 0,012 0,022 0,298 0,03 0,188 -0,01 0,036 0,004 0 0,016 0,062 0,972 0,038 -0,004 0,084 0,024 -0,013 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 Tipo de Extração 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 1 2 2 3 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 Tecido utilizado 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 2 1 2 1 2 3 3 3 2 2 2 3 3 3 2 2 2 Tempo do bloco 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos Caso (indivíduo) 4 5 5 5 5 5 5 5 5 5 6 6 6 6 6 6 6 6 6 7 7 7 7 7 7 8 8 8 Tipo de fixação - Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 8,69 523,3 82,97 2,2 523,3 82,97 60,13 43,02 21,41 2,59 399,33 180,41 23,32 46,32 5,08 1,67 66,08 19,23 7,22 141,37 21,95 8,54 140,37 4,54 3,49 409,29 36,19 3,18 Leitura A260/A280 2,03 1,86 1,96 0,79 1,86 1,96 1,65 1,7 2,48 0,77 1,79 1,78 1,69 1,7 1,47 1,06 1,65 1,8 1,31 1,72 2,13 1,19 1,67 3,61 0,77 1,85 1,86 0,94 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,85 1,93 1,51 0,32 1,93 1,51 0,69 1,63 0,77 0,35 2,02 2 0,54 1,19 0,72 -0,52 1,81 0,75 0,53 1,9 0,9 0,66 1,9 0,24 0,35 1,94 1,07 0,36 Leitura 340 raw -0,001 0,24 0,025 -0,002 0,24 0,025 0,769 -0,006 0,031 0,017 0,086 0,048 0,007 -0,065 -0,03 -0,38 0,006 -0,01 0,016 0,008 -0,001 0,017 0,01 0 0,017 0,022 0,013 -0,189 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 Tipo de Extração 1 1 2 2 3 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 1 2 3 3 1 2 1 2 Tecido utilizado 1 2 1 2 1 2 3 3 3 2 2 2 3 3 3 3 3 3 1 1 2 2 1 2 1 1 2 2 Tempo do bloco 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos Caso (indivíduo) 9 9 9 9 9 9 9 9 9 10 10 10 10 10 10 11 11 11 12 12 12 12 12 12 13 13 13 13 Tipo de fixação - Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 308,43 361 21,49 10,73 10,08 31,53 247,9 10,93 10,49 143,88 33,73 2,74 204,69 30,02 1,85 244,74 6,39 2,48 112,6 23,53 407,83 24,29 12,46 1,69 293,08 23,76 512,27 37,28 Leitura A260/A280 1,77 1,78 1,7 2,06 1,32 1,71 1,78 1,91 1,39 1,67 1,73 1,01 1,76 1,79 2,29 1,82 1,95 0,71 1,7 2,2 1,87 1,8 1,44 1,05 1,8 1,98 1,87 1,7 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 2,04 1,99 0,71 0,37 0,5 0,96 1,96 0,42 0,89 1,91 0,98 0,53 2 0,94 -4,02 2,06 0,3 0,55 1,71 0,91 1,97 0,83 0,66 -0,97 1,95 0,62 2,07 0,62 Leitura 340 raw 0,02 0,002 0,025 -0,014 0,057 1,843 0,039 0,016 -0,019 0,019 0,014 0,024 0,124 0,017 0,027 0,031 -0,001 0,007 0,628 0,009 0,017 -0,01 0,148 0,073 0,012 0,005 0,055 -0,002 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 Tipo de Extração 1 2 3 3 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 Tecido utilizado 3 3 1 2 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 1 1 1 2 2 2 1 1 1 2 2 Tempo do bloco 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 5 anos 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano Caso (indivíduo) 13 13 13 13 13 14 14 14 15 15 15 16 16 16 16 16 16 17 17 17 17 17 17 18 18 18 18 18 Tipo de fixação - Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 103,78 20,8 15,87 62,92 19,7 174,47 4,74 6,84 157,55 11,61 7,08 1258,64 19,16 3,47 1397,35 18,84 10,3 1705,32 5,15 12,25 1714,2 11,6 21,59 1634,91 4,58 26,89 1678,57 6,14 Leitura A260/A280 1,75 2 1,46 1,77 1,59 1,73 3,38 1,34 1,69 1,77 1,32 1,59 1,67 1,09 1,54 1,82 1,61 1,61 1,68 1,36 1,63 1,23 1,34 1,55 1,42 1,55 1,54 1,56 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 1,82 0,83 0,65 1,63 1,82 1,9 0,17 0,73 1,77 0,44 0,57 1,96 0,61 1,42 1,96 0,73 0,76 1,98 0,24 0,39 2 0,38 0,45 1,97 0,21 0,79 1,95 0,23 Leitura 340 raw -0,002 0,004 0,05 0,036 0,096 0,008 0,027 0,022 0,024 -0,03 0,052 0,541 0,026 -0,007 0,116 0,036 0,059 -0,07 0,012 0,065 -0,078 0,025 0,133 0,013 0,029 0,98 1,258 0,029 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 Tipo de Extração 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 2 1 2 Tecido utilizado 2 3 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 2 2 1 3 3 3 1 1 1 3 3 3 2 2 3 Tempo do bloco 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano Caso (indivíduo) 18 18 18 18 19 19 19 19 19 19 19 19 19 20 20 20 20 20 20 21 21 21 21 21 21 22 22 22 Tipo de fixação - Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 3,39 2370,58 5,31 3,12 1684,94 15,18 3,61 1173,35 9,78 15,93 3143,43 8,28 10,35 1507,19 13,28 15,18 239,22 5,57 2,94 295,3 34,03 13,56 68,85 10,69 1,34 24,54 407,98 4,9 Leitura A260/A280 1,26 1,54 1,49 1,64 1,59 1,44 1,11 1,61 2,39 1,92 1,64 1,5 1,53 1,58 1,4 1,58 1,74 1,61 1,73 1,81 1,77 1,42 1,6 2,12 0,68 1,62 1,77 1,64 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,38 2,06 0,17 0,29 2,01 0,49 0,43 1,95 0,44 1,12 2,19 0,3 0,88 1,99 0,4 0,73 1,93 0,16 0,46 2,03 0,99 0,45 1,75 0,36 0,43 0,59 1,96 0,19 Leitura 340 raw -0,01 0,011 0,033 0,112 1,488 0,102 0,096 0,027 0,001 0,075 -0,066 0,074 0,024 -0,022 0,035 0,087 0,096 0,04 0,022 0,06 0,01 0,273 0,028 0,008 -0,008 0,065 0,076 0,03 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 Tipo de Extração 3 1 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 3 3 1 1 2 2 1 1 1 2 3 3 3 2 2 1 Tecido utilizado 2 3 3 2 2 2 3 3 3 1 1 1 2 3 2 3 2 3 1 2 3 1 1 2 3 2 3 1 Tempo do bloco 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano Caso (indivíduo) 22 22 22 23 23 23 23 23 23 24 24 24 24 24 24 24 24 24 25 25 25 25 25 25 25 25 25 26 Tipo de fixação - Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 7,34 202,6 3,73 260,5 11,22 3,88 135,72 8,73 12,11 197,33 11,1 10,99 4,72 6,09 102,84 180,6 27,81 6,78 147,41 196,95 161,53 6,16 26,81 9,42 11,19 5,25 4,25 1490,39 Leitura A260/A280 1,66 1,73 1,56 1,7 1,77 1,47 1,65 1,71 1,15 1,74 2,07 1,48 1,75 1,24 1,64 1,68 1,82 2,38 1,67 1,63 1,68 2,37 1,6 1,7 1,38 1,97 1,55 1,46 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,51 1,9 0,36 2,02 0,36 0,46 1,85 0,24 0,49 1,93 0,45 0,65 0,42 0,49 1,86 1,86 0,9 0,33 1,84 1,87 1,88 0,23 0,6 0,85 0,42 0,14 0,15 1,95 Leitura 340 raw 0,045 0,03 -0,124 0,052 0,013 0,006 -0,037 0,049 0,263 0,033 0,016 0,015 0,316 0,002 0,02 0,037 0,069 -0,004 0,03 0,051 0,012 0,051 0,366 0,055 0,075 0,091 0,114 0,011 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 Tipo de Extração 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 1 2 3 2 3 1 1 2 3 2 Tecido utilizado 1 1 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 3 3 3 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 Tempo do bloco 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 1 ano 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 26 26 27 27 27 27 27 27 27 27 27 28 28 28 28 28 28 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 Tipo de fixação 1 2 1 1 2 2 1 2 1 1 2 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 10,91 8,62 452,79 2,81 38,64 344,09 5,34 13,55 184,2 11,48 12,28 248,42 18,15 5,31 246,58 5,6 2,36 242,32 314,61 16,58 58,47 3,42 27,87 236,63 205,04 8,61 5,96 6,44 Leitura A260/A280 1,71 1,49 1,82 3,69 1,46 1,75 1,82 1,64 1,68 1,88 1,55 1,75 1,68 1,49 1,77 1,99 1,67 1,82 1,85 1,86 1,88 1,68 1,8 1,78 1,79 1,58 2,62 1,9 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,37 0,79 1,97 0,13 0,72 1,92 0,15 0,65 1,87 0,46 0,86 1,92 0,52 0,52 1,87 0,23 0,33 2,05 2,05 0,68 1,62 0,19 1,44 1,88 1,94 0,33 0,61 0,31 Leitura 340 raw 0,003 0,028 0,08 -0,012 0,144 0,085 0,063 0,273 0,067 0,013 0,189 0,06 0,229 -0,006 0,071 0,008 -0,001 0,091 0,048 0,014 0,071 0,014 0,042 0,02 0,012 0,07 0,028 0,054 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 192 193 194 195 196 197 198 199 200 201 202 203 204 205 206 207 208 209 210 211 212 213 214 215 216 217 218 219 Tipo de Extração 3 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 1 2 2 2 Tecido utilizado 3 1 1 2 2 3 3 1 1 2 2 3 3 1 1 2 2 3 3 1 1 2 2 3 3 1 1 2 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 29 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 31 31 31 31 31 31 31 31 31 Tipo de fixação 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 5,43 166,11 73,13 431,88 352,58 278,47 401,28 11,44 39,22 3,42 4,56 23,99 18,42 3,88 23,73 67,73 13,07 3,73 4,55 263,61 173,47 157,36 125,54 22,64 23,22 15,13 17,67 9,11 Leitura A260/A280 2,55 1,74 1,74 1,85 1,86 1,81 1,85 1,76 1,91 1,66 3,49 1,83 1,75 2,49 1,44 1,82 1,78 2,19 1,72 1,85 1,83 1,85 1,81 1,79 1,7 1,45 1,87 2,37 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 1,28 1,82 1,82 2,04 2,12 1,89 2,05 0,37 1,05 0,15 0,2 0,73 0,58 6,74 0,51 1,48 1,08 0,72 0,7 2,14 2,15 2,17 2,11 1,61 1,7 0,45 0,55 0,39 Leitura 340 raw -0,7 0,044 0,044 0,093 0,047 0,08 0,08 0,036 0,056 0,052 0,046 0,045 0,139 0,608 0,104 0,114 -0,001 0,004 -0,012 0,103 0,013 0,05 -0,011 -0,013 -0,009 0,094 0,056 0,04 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 220 221 222 223 224 225 226 227 228 229 230 231 232 233 234 235 236 237 238 239 240 241 242 243 244 245 246 247 Tipo de Extração 2 2 2 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 Tecido utilizado 2 3 3 1 1 2 2 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 31 31 31 31 31 31 31 31 31 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 32 Tipo de fixação 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 16,57 5,24 7,67 7,46 21,02 18,29 38,91 7,5 3,16 300,15 263,23 2399,55 488,4 306,75 530,64 50,72 99,58 395,04 20 22,4 23,99 31,79 49,1 118,65 4,35 3,75 6,8 7,73 Leitura A260/A280 1,84 1,51 1,66 1,67 1,49 1,77 1,85 1,63 0,85 1,73 1,7 1,82 1,82 1,77 1,77 1,65 1,56 1,86 1,89 1,76 2 1,83 1,84 1,9 1,6 1,78 2 1,33 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,54 0,19 0,25 0,84 0,55 1,26 1,58 0,68 -2,07 1,9 1,88 1,93 1,95 1,97 1,65 1,69 1,75 1,74 0,57 0,65 0,71 0,83 1,11 1,45 0,16 0,17 0,23 0,32 Leitura 340 raw 0,038 -0,027 0,034 -0,004 0,825 0,053 0,023 -0,004 -0,091 0,114 0,023 0,676 0,102 0,048 0,726 -0,011 0,01 0,033 0,009 0,023 0,021 0,012 0,065 0,053 0 0,003 0,043 -0,021 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 248 249 250 251 252 253 254 255 256 257 258 259 260 261 262 263 264 265 266 267 268 269 270 271 272 273 274 275 Tipo de Extração 3 3 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 1 1 Tecido utilizado 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 2 2 3 3 1 1 2 2 3 3 1 1 2 2 3 3 3 3 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 32 32 32 32 32 32 32 32 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 33 34 34 Tipo de fixação 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 10,11 50,79 10,97 13,32 45,84 1,49 3,08 132,78 381,17 61,03 216,06 120,05 21,67 90,54 28,07 23,78 20,75 37,72 8,9 10,08 2,55 4,25 5,46 2,04 9,1 3,9 185,34 151,12 Leitura A260/A280 1,25 1,49 1,73 1,45 1,18 2,2 2,07 1,43 1,86 1,68 1,81 1,7 1,61 1,63 1,72 1,72 1,75 1,8 1,46 1,46 2,13 1,58 2,33 1,63 1,4 3,91 1,72 1,64 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,31 0,55 1,24 0,44 0,38 -0,3 0,44 0,54 1,84 1,51 2,03 1,73 1,36 1,66 0,84 0,7 0,64 0,97 0,35 0,36 -0,42 0,26 0,79 0,41 0,34 0,8 1,85 1,74 Leitura 340 raw 0,045 0,635 0,133 0,003 0,971 0,014 0,003 3,803 0,022 -0,284 -0,033 -0,061 -0,078 -0,063 -0,01 0,007 -0,003 0,054 0,006 -0,01 0,099 0,008 -0,076 -0,057 0,276 0,189 -0,058 -0,029 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 276 277 278 279 280 281 282 283 284 285 286 287 288 289 290 291 292 293 294 295 296 297 298 299 300 301 302 303 Tipo de Extração 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 Tecido utilizado 3 3 3 3 3 3 3 1 1 2 2 3 3 3 1 1 2 2 3 3 3 1 1 2 2 3 3 3 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 34 34 34 34 34 34 34 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 35 Tipo de fixação 3 1 2 3 1 2 3 1 2 1 2 1 2 3 1 2 1 2 1 2 3 1 2 1 2 1 2 3 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 421,49 9,08 17,77 5,65 9,57 12,72 154,13 74,91 237,85 127,26 166,33 56,58 60,32 841,93 10,27 11,94 10,15 25,87 6,95 12,37 8,52 6,45 3,9 10,97 10,12 8,97 2,28 190,9 Leitura A260/A280 1,9 1,35 1,61 1,68 1,34 1,99 1,38 1,69 1,72 1,65 1,67 1,61 1,57 1,53 1,43 1,6 1,57 1,75 1,19 1,51 1,51 1,32 3,91 1,69 1,91 1,76 0,98 1,32 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 1,81 0,3 0,55 0,22 0,33 1,2 0,58 1,69 1,73 1,78 1,76 1,72 1,61 1,09 0,27 0,42 0,31 0,78 0,22 0,41 0,46 0,38 0,8 0,66 1,19 0,77 0,26 0,52 Leitura 340 raw 0,009 -0,06 0,026 0,009 -0,014 -0,032 6,509 -0,055 -0,045 -0,06 -0,061 -0,063 -0,073 0,986 0,347 0,019 0,021 0,005 -0,002 0,026 0,531 -0,052 0,189 -0,002 -0,044 4,35 -0,091 7,646 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 304 305 306 307 308 309 310 311 312 313 314 315 316 317 318 319 320 321 322 323 324 325 326 327 328 329 330 331 Tipo de Extração 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 2 3 1 1 1 2 2 2 3 Tecido utilizado 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 36 37 37 37 37 37 37 37 Tipo de fixação 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 3 3 3 1 2 3 1 2 3 1 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 487,33 338,5 2138,7 8,15 51,45 171,18 16,62 16,53 48,46 389,93 350,14 447,26 3,99 15,7 183,18 12,69 7,39 42,93 699,6 14,65 320,53 536,59 388,71 1918,07 57,99 56,82 157,45 7,23 Leitura A260/A280 1,89 1,8 1,64 3,42 1,92 1,76 1,67 1,43 1,34 1,87 1,81 1,66 2,33 1,84 1,79 1,71 1,31 1,36 1,6 1,45 1,34 1,91 1,82 1,73 2,03 1,9 1,76 1,96 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 1,9 1,97 1,24 0,21 1,06 1,23 0,66 0,5 0,6 1,91 1,87 1,44 0,09 0,38 1,4 1,05 0,47 0,46 1,62 0,21 0,47 1,94 1,85 1,4 1,15 1,24 1,17 -3,82 Leitura 340 raw 0,022 -0,018 3,965 -0,042 0,07 0,316 -0,06 0,174 6,401 0,031 0,005 1,751 -0,028 0,405 0,253 -0,045 0,127 0,851 0,607 0 46 0,018 0,006 2,388 0,021 0,054 0,1 0,514 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 332 333 334 335 336 337 338 339 340 341 342 343 344 345 346 347 348 349 350 351 352 353 354 355 356 357 358 359 Tipo de Extração 3 3 1 1 1 2 2 2 1 1 1 2 2 2 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 Tecido utilizado 1 1 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 2 2 2 3 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 37 38 38 38 38 38 38 38 38 Tipo de fixação 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 8,37 99,32 298,55 507 452,04 50,86 70,4 58,38 154,28 255,62 462,77 23,65 22,85 15,26 9,96 1,46 56 0,61 1,96 185,99 358,63 239,2 380,79 522,46 383,07 395,11 330,78 409,26 Leitura A260/A280 1,65 1,48 1,8 1,92 1,73 1,97 1,95 1,76 1,66 1,74 1,95 1,96 1,96 1,52 1,88 0,98 1,6 0,52 2,64 1,28 1,84 1,75 1,75 1,89 1,86 1,77 1,84 1,91 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 -10,22 0,46 1,95 1,96 1,46 1,13 1,44 0,8 1,66 1,84 1,3 0,71 0,66 0,33 -6,02 -0,24 0,58 -0,11 -0,41 0,41 1,91 1,81 1,33 1,92 1,87 1,32 1,84 1,84 Leitura 340 raw -0,002 2,946 0,025 0,035 1,147 0,012 0,059 0,039 -0,021 0,024 0,512 0,041 0,159 0,799 0,048 0,01 1,1 -0,014 0,007 2,3 0,053 0,014 0,272 0,033 0,009 0,291 0,002 0,006 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 360 361 362 363 364 365 366 367 368 369 370 371 372 373 374 375 376 377 378 379 380 381 382 383 384 385 386 387 Tipo de Extração 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Tecido utilizado 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 38 39 39 39 39 39 39 39 39 39 Tipo de fixação 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 243,44 43,68 37,9 72,5 18,53 5,87 92,55 12,72 6,88 5,22 2,96 7,7 41,97 65,95 2,84 62,64 0,29 0,8 183,49 585,24 512,84 956,04 470,66 508,74 594,22 275,16 345,28 405,6 Leitura A260/A280 1,49 1,97 1,89 1,81 1,81 2,68 1,8 1,7 1,44 1,44 1,59 1,31 1,29 1,72 1,45 1,36 -0,7 0,63 1,37 1,92 1,91 1,55 1,89 1,91 1,65 1,75 1,83 2,12 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,77 0,99 1 1,05 0,59 0,13 1,32 0,4 0,29 0,19 -0,68 2,06 0,41 1,75 -0,76 0,45 -0,04 -0,15 0,52 1,8 1,83 0,78 1,97 1,92 1,19 1,81 1,83 1,83 Leitura 340 raw 0,71 0,033 0,024 0,074 0,049 0,07 0,021 0,014 -0,134 0,181 -0,016 0,166 2,39 0,073 -0,026 2,628 -0,014 -0,015 5,757 0,216 0,097 5,222 0,062 0,034 1,084 0,077 0,004 0,007 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 388 389 390 391 392 393 394 395 396 397 398 399 400 401 402 403 404 405 406 407 408 409 410 411 412 413 414 415 Tipo de Extração 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 1 1 2 2 3 3 1 2 3 1 Tecido utilizado 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 1 1 1 3 3 3 3 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 39 40 40 40 40 40 40 41 41 41 42 Tipo de fixação 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 1 2 1 2 3 3 3 3 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 16,59 43,66 152,41 29,54 10,03 156,92 1,06 2,86 7,9 13,86 8,83 73,16 2,48 3,46 113,14 0,18 0,17 190,04 449,92 372,39 29,68 21,69 6.95 38,97 448,12 16,2 52,32 464,47 Leitura A260/A280 2,05 1,89 1,72 1,63 2,18 1,85 -0,005 5,22 1,43 1,49 1,7 1,53 1,05 1,58 1,59 0,18 1,24 1,34 1,91 1,84 1,83 2,09 1,49 1,64 1,91 1,55 1,39 1,94 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,29 0,86 0,83 1,2 0,2 1,97 -4,5 0,21 0,31 0,86 2 0,54 -0,72 -1,38 0,76 -0,03 -0,03 0,51 1,88 1,87 0,88 0,69 10,67 1,44 1,74 0,33 0.52 1,89 Leitura 340 raw 0,732 0,528 0,813 0,047 -0,016 0,089 -0,063 -0,001 -0,015 0,366 0,329 0,847 0,951 -0,027 6,544 -0,016 -0,012 8,013 0,029 0,026 0,034 0,01 -0,024 0,156 0,033 2,023 1,952 -0,017 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 416 417 418 419 420 421 422 423 424 425 426 427 428 429 430 431 432 433 434 435 436 437 438 439 440 441 442 443 Tipo de Extração 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 Tecido utilizado 3 3 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 1 1 1 1 2 2 2 1 1 1 2 2 2 1 1 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 42 42 43 43 43 43 43 43 43 43 43 44 44 44 45 45 45 45 45 45 46 46 46 46 46 46 47 47 Tipo de fixação 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 13,58 1,7 1867,47 49,96 45,06 520,57 81,85 172,24 865,68 9,79 74,69 696,93 22,14 189,25 1866,41 48,71 70,2 659,8 195,81 131,73 1480,25 28,46 16,72 588,36 62 19,86 384,18 214,87 Leitura A260/A280 1,97 0,95 1,66 1,83 1,4 1,61 1,77 1,46 1,65 1,84 1,59 1,42 1,52 1,38 1,59 1,77 1,45 1,59 1,9 1,54 1,74 1,96 1,42 1,61 1,97 1,42 1,95 1,89 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,43 0,33 1,05 1,07 0,5 1,33 1,19 0,63 1,71 0,33 0,72 0,92 0,53 0,49 1,07 0,54 0,61 0,88 1,78 0,66 1,78 0,59 0,53 1,4 0,18 0,43 1,78 1,67 Leitura 340 raw 0,045 -0,029 3,358 0,051 1,175 1,161 0,158 2,47 0,215 -0,024 0,917 5,177 0,156 4,871 3,015 0,045 1,029 3,843 0,029 2,812 0,013 0,031 0,834 0,099 0,015 0,426 0,027 0,192 Continuação - Anexo 1 Identificação da amostra 444 445 446 447 448 449 450 Tipo de Extração 3 1 2 3 1 2 3 Tecido utilizado 1 2 2 2 2 2 2 Tempo do bloco 2009 2009 2009 2009 2009 2009 2009 Caso (indivíduo) 47 47 47 47 48 48 48 Tipo de fixação 3 3 3 3 3 3 3 Concentração de DNA (ng/µl/cm³) 5,78 696,67 295,62 3,98 484,62 288 6,95 Leitura A260/A280 1,1 1,72 1,89 1,07 2,1 1,88 1,34 Tipo de extração: 1- fenol-clorofórmio; 2- kit comercial e 3- Salting-Out Tecido utilizado: 1- baço; 2- fígado e 3- cérebro; Tipo de fixação: 1- formalina tamponada; 2- formalina não-tamponada e 3- tecido congelado Leitura A260/A230 0,49 1,69 2 0,65 1,9 2,07 0,44 Leitura 340 raw 0,101 0,054 -0,015 0,02 0,034 0,042 0,765 8. 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ABSTRACT Formalin fixed and paraffin embedded tissues provide valuable retrospective investigations for molecular studies, especially for genetic studies, when the DNA is not available in fresh and/or frozen samples. However, according to some authors, is difficult to obtain a DNA of good quality, since the fixation process results in nucleic acids fragmentation. The aim of this study was to evaluate the DNA extracted from paraffin embedded tissues, after 1 and 5 years of storage, by 3 methods of extraction. For this, the gene of β-actin (136pb) were used, to detect the viability and DNA fragmentation, and the gene of amelogenin (X: 212pb e Y: 218pb) for sexual differentiation and viability in primers with greater length. The study involved 12 recent autopsy cases, where samples of liver (n=10), spleen (n=10) and brain (n=10) were collected in duplicate, which one group followed to the process of fixation and inclusion and the other group followed to freezing. Moreover, the same kind of tissues, normal (n=10 each), from 13 autopsy cases archived for 1 year and 15 cases archived for 5 years were used. After paraffin remove, the samples were submitted to DNA extraction with commercial kit (QIAGEN QIAamp Mini), Salting-Out and phenol-chlorophorm. The DNA extracted was quantified in Nanodrop® and adjusted for PCR (10ng/µl). The PCR products were visualized in agarose gel 1%. The samples of spleen and liver showed more yield in DNA extraction than the brain samples, in all the times. All the samples archived showed good extraction conditions, however should take in consideration the fixation and embedded process, which could compromise the DNA quality. The extraction by phenol-chloroform yielded more DNA quantity and purity than the other methods. However, the commercial kit extraction showed better results in DNA amplification. The primer of the gene of amelogenin was amplified in all utilized samples, however recommends the utilization of smaller primers for a complete analyze of the fragment studied.