MEMÓRIAS DO CATIRA DE UBERABA: ENTRE A LEMBRANÇA E

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
4ª Semana do Servidor e 5ª Semana Acadêmica
2008 – UFU 30 anos
MEMÓRIAS DO CATIRA DE UBERABA: ENTRE A LEMBRANÇA E O
ESQUECIMENTO DE UM TEMPO QUE NÃO VOLTA.
WAGNER CESAR RÉDUA∗
Universidade Federal do Uberlândia
[email protected]
Resumo: Uberaba tem sua peculiaridade no efervescimento do catira, pelos grupos que se
formaram e pelos violeiros compositores que também eram poetas. Entrar na memória dos
catireiros é extrair sentimentos dos momentos vividos. Quando lembrados, extraem reações
saudosistas que por vezes entristecem, mas que também pode traduzir em deleite de um tempo
que não volta mais. O presente trabalho metodologicamente descritivo tem por finalidade
analisar aspectos que envolvem a memória – lembrança e esquecimento, de alguns antigos
catireiros uberabenses através de depoimentos orais.
Palavras-Chave: Catira – memória – lembrança – esquecimento.
O catira, que aparece no cenário rural no final do século XIX, ganha notoriedade e
maior número de adeptos no início do século XX. O auge do catira em Uberaba é de um
tempo diferente dos dias de hoje, quando o Brasil, mais rural que urbano, espreitava a
industrialização e com ela a modernização. É também de um tempo em que o êxodo rural se
intensifica e os protagonistas dessa “viagem” ao mundo urbano vêm-se na ruptura da terra
natal, o mundo rural, com seus aspectos peculiares ante à incógnita vida citadina, e da
desintegração dos laços fraternais construídos aos estímulos da sobrevivência (Cândido,
1982), em contraposição à individualidade da vida urbana.
Quem migrou para os centros urbanos carregou dentro de si memórias do real vivido
em que as lembranças se convergem num sentido, expandido na concepção denominada
saudade. Quem ficou no campo resistindo às inconstâncias sociais viu aos poucos as mudanças
se acentuarem, e apegando-se à imagem de outrora agarram-se aos sentimentos dos “bons”
tempos passado.
Esse retrato da vida rural de outros tempos pode ser relacionado aos versos de uma
canção:
Mas quem ficou, no pensamento voou
com seu canto que o outro lembrou.
E quem voou, no pensamento ficou
com a lembrança que o outro canto
(Canção da América – Milton Nascimento & Fernando Brant)
No campo da memória pode-se encontrar o ser humano na sua essência, os resultados
se expressam na ação, provenientes dos sentimentos, que produzem reações diversas. A
mente, vontade e emoção humana encontram-se no cerne da razão das produções humanas,
isto é, antes das ações e reações, ainda que num espaço ínfimo, o indivíduo lança mão de seus
atributos internos. Nesse espaço interior humano, pode-se dizer indecifrável, encontram-se os
motivos das ações e reações do ser individual, que o caracterizam singularmente, mas também
parte de um todo, portanto, apresentando uma semelhança com os seus contemporâneos. As
∗
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em História Social, linha de pesquisa História e Cultura.
suas manifestações, entretanto, se assemelham quando a consciência coletiva é projetada,
conformando-se numa certa unanimidade, dessa forma, partindo da consciência coletiva
encontra-se o indivíduo e vice-versa. É nesse espaço interior humano que armazenam as
lembranças, que também torna, por vezes, um campo de batalha, uma luta pelo esquecimento,
o desejo de apagar da memória algo que incomoda1.
Estudos sobre a memória inserem-na como expressão da representação, apropriação e
prática, mas qual a relação entre memória e história? A história de Heródoto é essencialmente
memória, e sua linguagem tem um pé no mito, sendo também vazia de compromissos com a
verdade, diferente de Tucídedes, que pelo método do logos optou pela observação.
A memória está vinculada a Mnemosine, deusa da memória, e sua linguagem é a
imagem que carrega toda ambivalência que a própria imagem tem. O movimento da memória
parte do presente, volta ao passado e aponta para o futuro. Ela pode, portanto, trazer uma
grande mentira, porque pode trazer ilusões, fantasias, diferente da história que não parte
disso em seus pressupostos.
Há na memória uma linguagem que não é a da história, pois a memória
institucionalizada é um lugar, uma marca, um logotipo, um espaço para lembrar feitos que
favorecem a política, ou os valores morais, nesse sentido, memória é uma coisa, história é
outra, nessa questão elas se distanciam, mas em outras se aproximam, e sem deixar de ser um
fenômeno humano é também um fenômeno social. Os lugares de memória são lugares de
memórias históricas, historicizadas, não havendo lugar para a memória fora dessa clivagem.
Halbachs (Seixas, 2001) faz distinção entre memória individual e memória coletiva,
para ele, o que lembramos individualmente é o reflexo do que o social lembra, e nessa
memória pode aparecer a consciência que restringe à intelectualidade, o vivido num certo
espaço temporal. No entanto, a memória sai do passado retorna ao presente o que interessa à
consciência. Ela vem em lacunas que a história procura preencher, pois não se pode percorrer
a memória virtual de forma total. A forma circular da memória em Bérgson (idem) é deixada
de lado, quando a memória de forma espiral, ao ir e vir carrega novas concepções. O espiral é
o tempo e o espaço, diferente da circular que se fecha entre os pólos presente / passado e viceversa. A espiral, em sua essência, aposta nas descontinuidades. A memória cria caminhos
involuntariamente, que sendo muitos, também não são verdadeiros. O percurso da memória
não preenche lacunas, apenas supõe essas lacunas e o intelecto não abrange memórias
profundas.
A memória açambarca diversas temporalidades, e nas várias experiências vividas o
esquecimento é um subterfúgio. É importante esquecer, como, de semelhante modo, é
importante lembrar. Lembrar e esquecer estão no campo do involuntário e são também
ambivalentes. A memória em excesso paralisa, é prejudicial e traz percepções que a história
não consegue desarticular ou articular, ela se diferencia ao mesmo tempo em que cruza com a
história. A memória como reconstrução do passado está presente e inserido no campo da
história, mas é bom lembrar que é inegável a diferença epistemológica entre história e
memória.
A noção de memória social foi obscurecida pela noção de memória coletiva, memória é
uma função humana, portanto, compartilhada. Nascemos numa memória coletiva e é coletivo
o que lembra um indivíduo, como não se desvincula um indivíduo de seu tempo histórico,
qualquer lembrança está vinculada à sociedade, no entanto, memória é memória social e
existe enquanto articulada. A memória se atualiza no tempo, por isso, quando recortada
percorre outros caminhos, onde seus percursos são traçados a partir das descontinuidades. A
memória voluntária, por sua vez vem, mas sem afetividade, sem dor, é arrumada,
essencialmente voluntária.
1
Estudo que aborda a questão da incomodação, que geralmente vem pelo ressentimento pode ser encontrado nos
estudos de BRESCIANI e NAXARA, 2001.
2
A memória é desprovida de crítica, a historiografia, ao contrário, problematiza e
analisa a memória e o esquecimento (Ricouer, 2007). Memória e esquecimento percorrem os
mesmos caminhos, formam um par e se apresentam num mesmo molde, pois se a memória
fala por imagens, o esquecimento também. Sobretudo, não podemos ver o esquecimento como
um “buraco negro” da memória, nem como o “remédio” da sobrevivência. E se pudermos
avaliar as disparidades e as não disparidades entre memória e história vale lembrar que
história é logos e memória, uma função humana.
Outrossim, utilizar a memória na história é lançar mão da história oral. Apontar os
tons dissonantes dos discursos em épocas distintas recai sob critérios a serem utilizados no
que concerne à história oral. A atenção sob a utilização desses discursos deve ser redobrada.
O cuidado em lidar com essa questão é bem colocado por Maria Clara quando diz: “aqueles
que lidam com a história oral no exercício de seu trabalho, é quase impossível manter a fé na
idéia de verdade na história (Machado, 1996.)”, nos dando a entender que a verdade na
história é sempre questionável, e acreditar piamente nos relatos sem questionamentos, pode-se
debandar para o positivismo. Os cruzamentos de informações e a constante relação temporal
evitarão erros de apontamentos. No entanto, a exposição da memória através da entrevista
oral produz uma relação de co-produção entre entrevistador e entrevistado, conforme
apontado por Maria Clara.
A pesquisa instigada pela história oral tem por finalidade utilizar a memória como
ferramenta capaz de extrair fragmentos do passado, para o historiador o perigo está no
descontrole das informações fornecidas, pois a memória estimulada pode conter traços irreais
e a memória não estimulada tende a manter no inconsciente os fatos que poderia ter uma
possível importância no cruzamento de informações. No entanto, a singularidade dos
indivíduos assegura as incertezas quanto à extração de matérias factuais da memória.
O catira de Uberaba tem em memória bons catireiros conceituados por muitos
conterrâneos. Em entrevistas percebe-se que a condução nas entrevistas inibem alguns,
enquanto outros se soltam, aprofundam-se na memória estimulando os sentimentos.
Na entrevista de um catireiro da Capelinha do Barreiro, região de Uberaba começa
com perguntas curtas e as respostas mais ainda, estritamente necessário, o extraordinário
parecia ser demais. Mas, num determinado momento estimulado a cantar um verso sobre
cantigas de roda comuns em sua época, o catireiro assume a curiosidade e pergunta à
entrevistadora se conhecia tal canção ou não. Como a resposta foi negativa, o catireiro, já
estimulado começa a descrever experiência de um baile bem fixo em sua memória. Dizia ele:
Tinha um irmão meu..., tinha uma italiana que eles falava que era a namorada dele
né! Aí eu falei, “se bôbo sô, eu que tô namorano.” Ele teimou comigo, aí eu falei que
tava pra sair uma roda. Agora cê fica primeiro do que eu, vamo vê quem que ela tira.
Aí ele ficou assim, e eu fiquei assim. Aí ela pegô um lenço e veio né! Aí, passou por ele
e nem oiou nele, aí chegou mais adiante e banou o lenço ni mim assim, aí eu saí,
quando olhei pra trás ela tava assim com um olho no fundo me olhando, né, aí eu vi
que ela tava querendo era eu, aí ele discrençou daquilo, falou: “Ah! Num tem jeito
mesmo, não! (Narciso, 1993)
Nota-se uma empolgação nessa lembrança. O entusiasmo é percebido na própria
linguagem descrita com os trejeitos caipira. Esse momento foi importante para o catireiro, e
por ser importante marcou algo. Nessa descrição há vários aspectos que podem ser abordados
como a masculinidade, beleza, a conquista amorosa da época, a escolha e sedução feminina,
etc. No entanto, essa imagem ficou para o catireiro de tal forma que ao relembrar um ânimo
redobrado o incendeia, parecendo um esforço sobre-humano para reviver de forma plena os
mesmos sentimentos. A ambivalência entra sorrateiramente em cena, pois todo o esforço de
retorno ao passado torna-se inútil, senão pela memória. Não há como voltar no tempo, restam
as lembranças, que por um momento produzem um nível considerável de entusiasmo que logo
se dissipa, o real puxa o indivíduo para o presente e uma certa dor, de saudade, invade o
interior. É importante salientar que essa doce e amarga lembrança surgiu a partir de um
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estímulo. No início da entrevista catireiro não sabia que relembraria esse fato. Esse aspecto da
memória é formidável, há muitas coisas armazenadas, imagens e lembranças que sobressaem
involuntariamente, é possível pensar que até o estímulo pode também ser involuntário, outras
vezes há necessidade de uma intervenção, um estímulo consciente para que tal fato da
memória venha à tona. O historiador, no trato com a memória pela história oral tem um
papel fundamental.
Numa outra entrevista é possível detectar dois momentos, o de resposta simples e
objetiva e respostas complexas e dispersas. Nesse último caso há necessidade do entrevistador
conduzir a entrevista ao objetivo predeterminado. Mas quando se trata de vasculhar a
memória as reações dos entrevistados são bem parecidas, e alguns dão informações que são
tão importantes que cortar a fala do entrevistado no seu momento de “êxtase”, pode traduzir
na perda de matéria factual. A afirmação da entrevistadora foi convincente e estimuladora ao
catireiro:
_ O que eles contavam? Seria interessante o senhor contar pra gente (Heladir
Serafina, 1993).
_ O meu pai falava, minha mãe falava, isso eu lembro demais eles contar... mas nessa
ocasião o catira era no chão, não era em assoalho, não existia catira em assoalho,
nesse tempo, era tudo no chão, as casa era de pau-a-pique, eles faziam aquelas casas,
cortavam a madeira no mato, fazenda, não tinha tijolo, não tinha, não existia nesse
tempo tijolo, não existia olaria, não existia nada, a casa era de pau-a-pique, barreada
com barro, entendeu, e eles dançava no chão assim ó, dentro da sala, dançava a noite
toda, até o dia clareá, tinha dia que... era todo sábado, diz que o catira amanhecia,
tinha que fechá as portas por causa do sol que tava dentro da casa, tinha que fechá as
porta, dançava a noite inteira. O povo naquele tempo dançava, mas dançava...
Naquele tempo eles falava forró, não era forró não, era suarê, baile, ih..., dançava
suarê até de manhã cedo, também, quando era baile, era baile só, quando era catira
era catira só. Mas, todo sábado tinha diversão, motirão, tinha motirão, tinha enxada,
juntava 60, 70, 80 homem capinava as lavoura... almoçava, tomava café, ao meio dia,
a merenda às três horas da tarde, à noite era o baile, falava baile... agora ali tinha um
pagode numa sala, tinha catira na outra, era divertido naquele tempo, mas, o povo
naquele tempo, era um povo muito bão, tudo trabalhador, mas existia assim (algumas
pessoas)..., brigava era perigosos, sempre matava argum. Éh..., matava! (Manoel
Teles, 1993)
A atenção para essa afirmação é no recorte temporal. De que tempo o catireiro está se
referindo? A julgar pela sua idade no dia da entrevista e no tempo em que seu pai dizia. “Isso
eu lembro demais eles contar”, pode indicar certo período, ao referir sobre as casas de barro,
pode indicar um tempo ainda anterior ao tempo do início da de sua fala, mas sem data
precisa. Outro aspecto importante de observar são os vários assuntos que se imbricam. O
catireiro falou de catira, mutirão, violência no campo, diversão, mas outros assuntos ainda
podem ser abordados: as festas, a família, sociabilidade no campo etc. Tudo isso numa única
fala, o que apresenta uma vivacidade da memória, como as imagens vão surgindo e sendo
reproduzidas pela palavra falada. Naquele tempo para o catireiro era o tempo vivo em sua
memória como o bom tempo de sua vida, e ao situá-lo no passado imerge a ambivalência que
a memória traz, o prazer e a dor insistem em ocupar um mesmo espaço.
Há entrevistados que suas respostas são sempre longas, mas que se restringem no tema
proposto. Entrevistar violeiros de catira significa também ouvir os depoimentos pela citação
de uma estrofe de acordo com a pergunta. Relembrando sobre a homenagem a um conhecido
catireiro da região o catireiro entrevistado declama a poesia composta especialmente para a
ocasião. O último verso diz:
“Passa o tempo que passar
Suas modas serão ouvidas;
Todos terão de concordar
E com voz decidida dirão
Que nunca mais terá catireiro assim na vida”.
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Após a declamação, sem trégua o entrevistado continua:
Então ele era considerado e aclarmado como maior catireiro, eu então... pra
homenagear a família dele, fiz essa poesia. Agora, eu tenho diversas poesias, por
exemplo, tem uma que diz assim:
“ A saudade mata a gente, sem remédio pra curar
Porque esse seu viver ausente
Vai acabar de me matar
Eu já tentei te esquecer, mas foi o tempo que eu perdi
Passei dias sem comer, muitas noites sem dormir, tentando de esquecer
Não sei até como não enlouqueci” (Vilmondes Cruvinel, 1993).
Resposta a uma pergunta que consumiu três páginas na transcrição denota a disposição do
catireiro em falar. O que vem da memória nesse caso precisa ter cuidado redobrado, pois
pode conter fragmentos que numa dedução geral pode parecer normal, mas que contém
inverdades. Observa-se que ao acabar de falar da homenagem ao catireiro que se dizem o
melhor de Uberaba, o entrevistado, que também é violeiro e compositor de modas e recortado,
direciona o entrevistador a uma outra de suas canções. Há algum mal nisso? Aparentemente
não, mas essa intenção pode advir de uma tentativa de mudar o foco da entrevista que não
está agradando o entrevistado. Nesse caso, a memória poderá estar sendo filtrada e só os fatos
que elevem o status do entrevistado podem estar sendo expostos verbalmente, o que
comprometeria grandemente o trabalho, caso o entrevistador / historiador caísse nessa
armadilha.
As perguntas diretas geralmente têm um caráter indutivo, mas podem extrair algo
premeditadamente, ainda que nos últimos instantes, construído. Nesse sentido, é bom
questionar até que ponto a memória é estimulada, pois a intelectualidade pode criar um
discurso semelhante à exposição de lembrança da memória. Numa outra ocasião a resposta a
uma pergunta pode ser mista, ou seja, experiência do real vivido mesclado à invenção do
entrevistado. Pode haver inversão do fato acontecido, quando o que realmente aconteceu
causa vergonha ao entrevistado. No entanto, um outro fator de suma importância tem que ser
levado em conta, isto é, toda lembrança ou matéria factual não constitui uma verdadeira
descrição do passado, mas uma tentativa de reconstrução do passado no sentido de aproximar
o máximo possível do real, não passa, porém, de um discurso.
Numa pergunta direta a um catireiro a entrevistadora diz: “O que mais te trouxe
recordação no catira?” A resposta que parece não satisfazer a entrevistadora começa assim:
“Eu fui campião de catira muitos anos (gaguejos) ensinei muita gente, inclusive meus
irmãos...” Passa então a fazer um discurso na tentativa de levar a outro entendimento: “Eu
dançava cum gosto, cum prazer...” Depois de algum tempo, entra na resposta:
...Convidamos Raul Torres e Florêncio... da radio Record de São Paulo, que veio nos
visita. Fizemos um catira na rua Henrique Dias, ali num salão muito bão...Raul
Torres me aplaudiu muito e me agradecia pelo rádio, de veiz in quando, quando ele
fazia o programa dele em São Paulo... (Sinhô Borges, 1993).
O gaguejo na entrevista aponta para certa insegurança na escolha das palavras, e a intenção
de apresentar a si mesmo como protagonista da situação revela a fragilidade da entrevista.
Tal discurso parece querer ocultar qualquer outro protagonista para que o entrevistado se
torne a figura mais importante. Situações semelhantes a essas levantam dúvidas e
questionamentos, ao mesmo tempo em que apresenta uma memória manipulada, moldada à
situação, cmo parte de uma construção discursiva. Isso não quer dizer que a memória é frágil,
ela está aquém desse julgamento, o discurso proveniente da memória é que é frágil, a
memória, utilizada de forma a visar um fim que privilegie a imagem do entrevistado é
cuidadosamente ordenada e expressada em palavras criteriosamente escolhida. O cuidado,
nesse caso, deve ser principalmente do historiador ao utilizar esses discursos, tendo a
sensibilidade necessária para distinguir a memória dos discursos pela memória.
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Tratar com a memória e esquecimento é utilizar uma importante ferramenta em
análises historiográficas, mas que também podem constituir perigos constantes pelas
armadilhas, conscientes ou não, sutilmente estendidas ao longo da entrevista, pela fala do
entrevistado em relação ao foco que este pretende privilegiar.
REFERÊNCIAS
Bresciani, Maria Stella e Naxara, Márcia Regina Capelari (orgs). Memória e (res)sentimento:
indagações sobre uma questão sensível. Campinas: editora da UNICAMP, 2001.
Cândido, Antônio. Os parceiros do rio bonito: estudo sobre o caipira paulista e a
transformação dos seus meios de vida. São Paulo: Duas Cidades, 1982.
Machado, Maria Clara Tomaz. História oral: uma co-produção responsável. Caderno espaço
feminino. Caderno espaço feminino. Uberlândia: v. 3, n. ½, jan-dez, UFU, 1996, p. 29.
Ricouer, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: editora UNICAMP, 2007.
Seixas, Jacy Alves. Halbwachs e a memória – reconstrução do passado: memória coletiva e
história. História. São Paulo: Editora da USP, 2001.
DISCOGRAFIA
Milton Nascimento. Canção da América. LP Sentinela. Verve, 1980.
ENTREVISTAS
Entrevista de Narciso Antônio de Oliveira ao Arquivo Público de Uberaba, em 21 de junho de 1993. Transcritas
pelo Departamento Sonoro. Fita nº. 117, p. 7.
Entrevista de Manoel Teles a Heladir Josefina Saraiva e Luiz Henrique Celulari, em 11 de junho de 1993.
Arquivo Público de Uberaba, transcritas pelo Departamento Sonoro. Fita nº. 119, p. 6 e 7.
Entrevista de Vilmondes Cruvinel Borges à Sônia Fontoura e Maria Aparecida em 30 de abril de 1993. Arquivo
Público de Uberaba, transcritas pelo Departamento Sonoro. Fita nº. 105, p. 2 e 3.
Entrevista de Sinhô Borges a Paulo Lemos em 11 de maio de 1993. Arquivo Público de Uberaba, transcritas pelo
Departamento Sonoro. Fita nº. 108, p. 5.
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