Lucas 16.19-31 - 2013 A

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MENSAGEM
Texto: Lucas 16.19-31 - 2013
Tema: Contrastes.
Ocasião: 19º Domingo Após Pentecostes – Vila Velha, 28,29 de Setembro de 2013. Cor: Verde.
Introdução:
Há quem questione se a parábola do Rico e Lázaro é realmente uma parábola ou se se trata de um fato real,
narrado por Jesus. Verdade é que os ensinamentos deste texto são profundos, sérios e muito importantes para nós.
Há dois personagens: O rico e Lázaro. É preciso dizer de saída que não há a intenção de Jesus em repudiar a riqueza
e enaltecer a pobreza. O que está em jogo aqui é a confiança de coração em Deus ou nas riquezas e os prazeres
pecaminosos que elas podem proporcionar. A parábola do Rico e Lázaro apresenta contrastes gritantes entre os
dois personagens. Contrastes nesta vida e contrastes na eternidade.
Desenvolvimento:
1 - Contrastes nesta vida
Primeiramente, é estranho que Lázaro seja citado pelo nome. Em nenhuma parábola Jesus cita o nome de
um personagem; apenas aqui. Lázaro significa “Confiança em Deus”, ou “Deus é a nossa ajuda”. O rico não é
apresentado pelo nome. Contrasta a tese do mundo onde os ricos tem seu nome nos holofotes, no hall da fama,
enquanto os pobres jazem no anonimato e esquecimento.
A descrição do homem rico é detalhada: Ele usava a roupa de cima tingida de púrpura, e a roupa de baixo,
junto à pele, de fios de linho – material caríssimo e confortável. Embora o texto não descreva a roupa de Lázaro,
pode-se deduzir que usava uma roupa cheia de remendos, de tecido simples, humilde.
O rico fazia questão de mostrar sua fortuna, promovendo festas diárias, regadas a bebida cara e pratos
finos. Lázaro desejava tão somente fartar-se das sobras, como aquelas pessoas que reviram o lixo das casas para
encontrar algo que se aproveita para comer.
O rico tinha uma pele lisa, proporcionada pelos nutrientes fartos e pela boa condição de higiene que
desfrutava. Lázaro tinha a sua pele coberta de úlceras – feridas que eram abertas pela falta de alimentos adequados
e pela condição de pobreza em que vivia.
O rico, pode-se deduzir, tinha muitos amigos insinceros. Sua fortuna servia como um ímã para atrair pessoas
interessadas em desfrutar da sua riqueza. Lázaro tinha os cães que vinham lamber as suas feridas. A língua quente
e áspera dos cães era seu único consolo e refrigério em meio ao sofrimento físico. Os cães eram mais compassivos
com Lázaro do que aquelas pessoas que viam todos os dias a sua miséria.
Transição: A semelhança – A morte sobreveio aos dois. A morte não escolhe pobre, rico, velho, jovem,
preto, branco. Do ponto de vista da morte, todos são iguais.
2 – Contrastes na Eternidade
Mas, as semelhanças param por aí, porque Lázaro morreu e foi levado pelos anjos para o seio de
Abraão; o rico morreu e foi sepultado. Mesmo na morte, o mendigo continua sendo chamado pelo nome.
O rico continua sendo escondido atrás da sua riqueza. Lázaro certamente teve um sepultamento humilde,
ou mesmo foi jogado nas covas comuns aos pobres e forasteiros. O rico teve a última coisa que o dinheiro
pode comprar para alguém: Um enterro pomposo e caro.
Na eternidade, Lázaro foi levado para o seio de Abraão. Em Rm 4.16, o apóstolo Paulo chama a
Abraão de Pai dos que creem. Então, Lázaro, que creu em Cristo, foi recolhido a eternidade feliz do céu.
O apóstolo João fala do “seio do Pai”, como sendo o lugar de Jesus (Jo 1.18) e aqui, Lázaro também está
lá. Onde Jesus está, o crente, filho de Deus também está! O rico, por sua vez, foi conduzido ao mundo dos
mortos, a eterna separação entre os descrentes e Deus, ao lugar do castigo eterno.
O rico pôde ver Lázaro desfrutando das alegrias da vida eterna com Deus; enquanto estava em
tormentos no inferno. Ele, inclusive, pediu a Abraão que mandasse Lázaro molhar a ponta do dedo em
água e lhe refrescar a língua. Notemos que aquele homem que teve tudo durante a sua vida, agora deseja
apenas uma gota de água. Mas, a resposta de Abraão é clara: “Está posto um grande abismo entre nós e
vós” (V.26). É interessante destacar que, enquanto viviam aqui no mundo, havia um grande abismo social
entre eles. Agora, há o grande abismo eterno. E esse abismo é intransponível!
Então o rico se preocupa com seus cinco irmãos e pede que Abraão mande a Lázaro para que
testemunhe para eles. É estranho que ele, só agora, se preocupe com o destino eterno dos seus irmãos.
Agora era tarde demais! A resposta de Abraão é categórica: “Eles tem Moisés e os profetas; ouçam-nos!”
(V.29). Ao que o rico contraria a Abraão, dizendo: “Não, Pai Abraão, se alguém dos mortos for ter com
eles, arrepender-se-ão” (V.30). Ele quer criar um meio da graça especial para seus irmãos. Abraão assenta
a suficiência das Escrituras Sagradas, dizendo: “Se eles não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se
deixarão persuadir ainda que ressuscite alguém dentre os mortos!” (V.31).
Lei
A parábola do Rico e Lázaro não é um chicote para o lombo apenas dos ricos; é uma advertência para todos nós que
somos tentados a valorizar aquelas coisas que dão prazer, que alegram, que tornam notória a vida aqui, mas que não nos
preparam para a hora da morte e que nos afastam da vida eterna feliz com Deus nos céus.
O homem rico pertencia ao povo de Deus, mas virou as costas para Deus na mesma proporção que se dedicou a viver
no desfrute das suas riquezas e dos prazeres que elas podem proporcionar. Afastou-se da Igreja. Não lia, nem ouvia a Palavra
de Deus - tinha muitos compromissos - e isso se torna evidente quando quer que um morto se levante para evangelizar seus
irmãos. É o quadro bem real daqueles que abraçam os prazeres pecaminosos do mundo e se afastam da palavra de Deus;
daqueles que fazem do dinheiro, dos prazeres pecaminosos, o seu deus, e se esquecem que a vida terminará, que a morte
chegará. Ela nivela a todos: Pobres, ricos, velhos, jovens, pretos, brancos. E então? O que será?
Quantos gostariam que as verdades desse texto bíblico fossem ficção! Quantos gostariam que os prazeres desfrutados
neste mundo, à custa dos bens e favores terrenos, não terminassem! Quantos vivem como se jamais sua vida tivesse um fim!
Mas, não, o inferno não é uma ficção ou uma imaginação doentia; o inferno é real! O rico da nossa parábola, que viveu como
se ele não existisse, deu de cara com seus tormentos. Seus tormentos? ... Seus tormentos são terríveis: É uma chama
consumidora, que nunca se apaga. É uma sede que jamais será saciada. É poder ver a felicidade dos santos no céu, mas não
ter a menor possibilidade de participar dela. É jamais ser libertado das torturas do inferno. Toda a qualquer esperança se foi
para sempre.
Não caiamos nós na armadilha que o rico caiu. Não abandonemos a palavra de Deus, achando que a vida prazerosa
do pecado jamais acabará. Não pensemos que haverá uma segunda chance. O texto relata claramente: Não haverá! Não
imaginemos que poderá haver algum alívio no inferno em chamas. Não haverá!
Evangelho:
A parábola do Rico e Lázaro é um bálsamo de evangelho para o coração de todos aqueles que, como Lázaro, foram
chamados para fazer parte da família de Deus e, apesar de todas as dificuldades da vida aqui, se alegram com isso. Desde o
batismo, você e eu fomos separados do domínio do diabo e fomos trazidos para a família de Deus. Deus nos comprou para si
com o sangue precioso do seu Filho Jesus Cristo, derramado na cruz, por nós. Assim, recebemos de Deus a maior de todas as
riquezas: A de pertencer a família dos salvos, ao povo escolhido e abençoado por Deus para o servir aqui no mundo e que
estará com ele por toda a eternidade nos céus.
A parábola do Rico e Lázaro nos faz perceber que maravilhosa riqueza Deus nos dá quando nos permite ter acesso à
sua palavra viva. Ela é suficiente para dar a fé e fortalece-la para a eternidade. Pelo evangelho, o Espírito Santo trabalha em
nosso coração para que conheçamos e creiamos as verdades fundamentais do amor de Deus, em Cristo, para uma vida feliz
com Deus aqui e por toda a eternidade. “Eles tem Moisés e os profetas; ouçam-nos” (V. 29) – esse é o testemunho das
Escrituras de que elas são suficientes e de que, quem as tem (nós as temos!!!!) e se apega às suas verdades, tem o verdadeiro
tesouro que não pode ser roubado, a verdadeira riqueza que dura para sempre, o verdadeiro prazer e alegria que dura por
toda a eternidade.
O Salmo 1 diz que o prazer do justo está na Palavra do Senhor, e “na sua lei, medita dia e noite” (Sl 1.2). É prazeroso
ouvir as Escrituras, porque elas revelam, mostram, o amor de Deus por nós, em Cristo Jesus. É maravilhoso perceber como
Deus se revela, em cada página das Escrituras Sagradas, como Deus misericordioso, bondoso, perdoador, que está conosco
todos os dias aqui nesse mundo difícil, e nos levará para a eternidade dos céus.
É prazeroso receber essa riqueza verdadeira de Deus, na palavra e sacramentos, e poder compartilhar o amor de Deus
com as pessoas. Há Lázaros à nossa volta. Podem estar nas nossas casas, congregações. Também há pessoas que estão
afastadas de Deus em nossa própria família. Que privilégio maravilhoso estender a mão para ajuda-las! Que bênção Deus nos
dá a de repartir as maravilhas do seu amor, do seu perdão, da paz que nos dá, em Cristo, para aquelas pessoas da nossa própria
família, nossos irmãos, parentes e amigos, que estão carentes da verdade que liberta e leva para o céu!
Conclusão
O céu ... o céu não é uma ficção. O céu é real. Imagina o que será dito de você que você foi batizado, creu em Cristo
e, após a sua morte, foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. Lá há alegria para sempre. Todas as tristezas, dores,
sofrimentos desta vida cessarão. Lá “o mendigo vira rei”! O faminto ganha pão. Os que choram serão consolados. Estaremos
para sempre com o Senhor. Há prazer maior que esse? Há riqueza maior que essa? Não, não há! Deus nos convida a desfrutar
dela já aqui. Amém!
Textos: Sl 146, Am 6.1-7, 1Tm 3.1-13, Lc 16.19-31.
Hinos: 136, 393, 391, 257 + Coral Paz.
PREPARAÇÃO
I – CONTEXTO
1. 1 – O Texto no dia litúrgico
1.1.1 – Gradual
Que todos os que se dedicam a Deus o temam, pois aqueles que o temem não tem falta de nada! Os bons
passam por muitas aflições, mas o Senhor os livra de todas elas.
1.1.2 – Verso
Aleluia. Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite.
Aleluia.
1.1.3 – Coleta do dia
Ó Deus, és a força de todos os que confiam em ti e sem a tua ajuda não podemos fazer nada de bom.
Concede-nos a ajuda da tua graça a fim de te agradarmos tanto na vontade como nas ações; através de
Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus. Agora e
sempre.
1.2 – Os textos do dia
1.2.1 – Sl 146
O Salmista louva ao Senhor e não coloca a sua confiança no poder e nos recursos dos homens. Feliz é
aquele que confia em Deus, cuja esperança está no Senhor. Ele é poderoso, fiel, justo, libertador,
ajudador. O Senhor ama os justos, guarda o peregrino, ampara o órfão e a viúva. O Senhor reina para
sempre. Síntese: Confiança em Deus e não nos homens ou seus recursos.
1 Aleluia! Louva, ó minha alma, ao SENHOR.
2 Louvarei ao SENHOR durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu viver.
3 Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação.
4 Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios.
5 Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no SENHOR, seu
Deus,
6 que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e mantém para sempre a sua fidelidade.
7 Que faz justiça aos oprimidos e dá pão aos que têm fome. O SENHOR liberta os encarcerados.
8 O SENHOR abre os olhos aos cegos, o SENHOR levanta os abatidos, o SENHOR ama os justos.
9 O SENHOR guarda o peregrino, ampara o órfão e a viúva, porém transtorna o caminho dos ímpios.
10 O SENHOR reina para sempre; o teu Deus, ó Sião, reina de geração em geração. Aleluia!
1.2.2 – Am 6.1-7
O profeta Amós prega contra aqueles que vivem no desfrute dos seus bens e não se importam com os
que passam necessidades. Ele acena com a ameaça do cativeiro e, então, a “farra” terminará.
1 Ai dos que andam à vontade em Sião e dos que vivem sem receio no monte de Samaria, homens
notáveis da principal das nações, aos quais vem a casa de Israel!
2 Passai a Calné e vede; e, dali, ide à grande Hamate; depois, descei a Gate dos filisteus; sois melhores
que estes reinos? Ou será maior o seu território do que o vosso território?
3 Vós que imaginais estar longe o dia mau e fazeis chegar o trono da violência;
4 que dormis em camas de marfim, e vos espreguiçais sobre o vosso leito, e comeis os cordeiros do
rebanho e os bezerros do cevadouro;
5 que cantais à toa ao som da lira e inventais, como Davi, instrumentos músicos para vós mesmos;
6 que bebeis vinho em taças e vos ungis com o mais excelente óleo, mas não vos afligis com a ruína de
José.
7 Portanto, agora, ireis em cativeiro entre os primeiros que forem levados cativos, e cessarão as pândegas
dos espreguiçadores.
1.2.3 – 1Tm 3.1-13
O apóstolo Paulo fala dos pastores e diáconos. Dá uma série de requisitos para que eles exerçam bem sua
função dentro da Igreja de Deus. Entre os muitos requisitos está o de não serem avarentos, não cobiçosos,
nem terem sórdida ganância.
1 Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.
2 É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio,
modesto, hospitaleiro, apto para ensinar;
3 não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento;
4 e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito
5 (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);
6 não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo.
7 Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio
e no laço do diabo.
8 Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não
inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância,
9 conservando o mistério da fé com a consciência limpa.
10 Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o
diaconato.
11 Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes,
temperantes e fiéis em tudo.
12 O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.
13 Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita
intrepidez na fé em Cristo Jesus.
1.2.4 – Lc 16.19-31
Jesus conta a parábola do Rico e Lázaro. Fala dos contrastes entre a vida do rico e do mendigo, aqui e na
eternidade. Aqui, um vivia no luxo e o outro, na pobreza extrema e na doença. Na eternidade, os papéis
se inverteram: Lázaro estava no “seio de Abraão” e o rico estava em horrores no inferno. O rico pede que
Lázaro venha refrescar sua língua; mas, isso lhe é negado. Pede que Lázaro vá aos da sua casa para pregar
a palavra de Deus a fim de que não tenham o mesmo destino que o rico; isso também lhe é negado. A
resposta de Deus é certa: Eles tem Moisés e os profetas. Ouçam-nos. O grande inimigo, quem impede as
pessoas de ouvirem a palavra de Deus são os bens, as riquezas e os prazeres que elas podem proporcionar.
19 Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se
regalava esplendidamente.
20 Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;
21 e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as
úlceras.
22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico
e foi sepultado.
23 No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.
24 Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água
a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro
igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.
26 E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar
daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
27 Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,
28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar
de tormento.
29 Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
30 Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.
31 Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão
persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.
1.3 – Contexto Anterior
O evangelho de Lucas tem uma estrutura muito clara:
Prólogo, 1,1-4.
I - A Infância de João Batista e de Jesus, 1.5-2.52;
II – Preparação do ministério de Jesus, 3.1-4.13;
III – Ministério de Jesus na Galiléia, 4.14-9.15;
IV – A Viagem de Jesus a Jerusalém, 9.51-19.27;
V – Ministério de Jesus em Jerusalém, 19.28-22.62;
VI – A Semana da Paixão, 21.39-24.12;
VII – Jesus ressuscitado, 24.13-53.
O Contexto anterior dos capítulos 12,13, destacamos:
a) Jesus fala do fermento dos fariseus, 12.1-12;
b) Jesus reprova a avareza, 13-21;
c) A ansiosa solicitude pela vida, 22-34;
d) A parábola do servo vigilante, 35-48;
e) Jesus traz fogo e dissenção à terra, 49-53;
f) Os sinais dos tempos, 54-59.
g) A morte dos galileus e a queda da torre de Siloé, 13.1-5;
h) A parábola da figueira estéril, 6-9;
i) A cura de uma enferma, 10-17;
j) A parábola do grão de mostarda, 18,19;
k) A parábola do fermento, 20,21;
l) A porta estreita, 22-30;
m) A mensagem de Jesus a Herodes. O lamento sobre Jerusalém, 31-35.
n) A cura de um hidrópico, 14.1-6;
o) Os primeiros lugares, 7-14;
p) A parábola da grande ceia, 15-24;
q) O serviço de Cristo exige abnegação, 25-33;
r) Os discípulos, sal da terra, 34,35;
s) Jesus recebe pecadores, 15.1,2;
t) A parábola da Ovelha perdida, 3-7;
u) A parábola da dracma perdida, 8-10;
v) A parábola do Filho Pródigo, 11-32;
w) Jesus reprova os fariseus, 14-17;
x) Jesus fala sobre o divórcio, 18.
1.4 – Contexto Posterior
O capítulo 14 traz os seguintes relatos:
a) Os tropeços, 17.1,2;
b) Quantas vezes se deve perdoar a um irmão, 3-10;
c) A cura dos dez leprosos, 11-19;
d) A vinda do Reino de Deus, 20-37.
II – O TEXTO NO VERNÁCULO - Comparação de Traduções
ARA
19 Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se
regalava esplendidamente.
20 Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;
21 e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as
úlceras.
22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico
e foi sepultado.
23 No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.
24 Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água
a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro
igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.
26 E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar
daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
27 Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,
28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar
de tormento.
29 Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
30 Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.
31 Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão
persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.
ARC
19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada
e esplendidamente.
20 Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele.
21 E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham
lamber-lhe as chagas.
22 E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também
o rico e foi sepultado.
23 E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio.
24 E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água
a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente
males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado.
26 E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar
daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá.
27 E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,
28 pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este
lugar de tormento.
29 Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
30 E disse ele: Não, Abraão, meu pai; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam.
31 Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco acreditarão, ainda que
algum dos mortos ressuscite.
NTLH
19 Jesus continuou: — Havia um homem rico que vestia roupas muito caras e todos os dias dava uma
grande festa.
20 Havia também um homem pobre, chamado Lázaro, que tinha o corpo coberto de feridas, e que
costumavam largar perto da casa do rico.
21 Lázaro ficava ali, procurando matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do homem rico. E até
os cachorros vinham lamber as suas feridas.
22 O pobre morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão, na festa do céu. O rico também morreu
e foi sepultado.
23 Ele sofria muito no mundo dos mortos. Quando olhou, viu lá longe Abraão e Lázaro ao lado dele.
24 Então gritou: “Pai Abraão, tenha pena de mim! Mande que Lázaro molhe o dedo na água e venha
refrescar a minha língua porque estou sofrendo muito neste fogo!”
25 — Mas Abraão respondeu: “Meu filho, lembre que você recebeu na sua vida todas as coisas boas,
porém Lázaro só recebeu o que era mau. E agora ele está feliz aqui, enquanto você está sofrendo.
26 Além disso, há um grande abismo entre nós, de modo que os que querem atravessar daqui até vocês
não podem, como também os daí não podem passar para cá.”
27 — O rico disse: “Nesse caso, Pai Abraão, peço que mande Lázaro até a casa do meu pai
28 porque eu tenho cinco irmãos. Deixe que ele vá e os avise para que assim não venham para este lugar
de sofrimento.”
29 — Mas Abraão respondeu: “Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisar.
Que eles os escutem!”
30 — “Só isso não basta, Pai Abraão!”, respondeu o rico. “Porém, se alguém ressuscitar e for falar com
eles, aí eles se arrependerão dos seus pecados.”
31 — Mas Abraão respondeu: “Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que
alguém ressuscite.”
III – O TEXTO NO ORIGINAL
:Anqrwpoj
de,
tij
h=n
plou,sioj(
kai.
evnedidu,sketo porfu,ran kai. bu,sson euvfraino,menoj
kaqV h`me,ran lamprw/jÅ
V.
19
–
Homem e certo havia rico, e se vestia de púrpura e linho fino fazendo festa cada
dia suntuosamente
evnedidu,sketo – Verbo imperfeito indicativo médio 3ª pessoa do singular de evndidu,skw
: Vestir-se.
porfu,ran – Substantivo acusativo feminino singular de porfu,ra, aj, h`: Púrpura.
bu,sson – Substantivo acusativo feminino singular de bu,ssoj, ou, h`: Linho fino.
euvfraino,menoj – Verbo particípio presente passivo nominativo masculino singular
de
euvfrai,nw: Alegrava-se.
kaqV h`me,ran – Preposição kata, +
substantivo acusativo feminino singular de h`me,ra,
aj, h`: Dia.
lamprw/j
– Advérbio de lamprw/j: Esplendidamente, suntuosamente.
V. 20 – ptwco.j de, tij ovno,mati La,zaroj evbe,blhto
pro.j to.n pulw/na auvtou/ ei`lkwme,noj
Pobre e certo por nome Lázaro estava jogado junto a o portão dele coberto de
úlceras
ptwco.j – Adjetivo masculino singular de ptwco,j, h, o,n: Pobre.
evbe,blhto – Verbo mais que perfeito indicativo passivo 3ª pessoa do singular de ba,llw: Ser
lançado.
pulw/na
– Substantivo acusativo masculino singular de pulw,n, w/noj, o`: Portão,
especialmente de um palácio ou do templo.
ei`lkwme,noj – Verbo particípio perfeito passivo nominativo masculino singular de e`lko,w:
Coberto com úlceras, chagas.
V. 21 – kai.
evpiqumw/n cortasqh/nai avpo. tw/n
pipto,ntwn avpo. th/j trape,zhj tou/ plousi,ou\ avlla.
kai. oi` ku,nej evrco,menoi evpe,leicon ta. e[lkh
auvtou/Å
E desejando saciar-se de as (coisas que) caíam de a mesa do rico; mas também os
cães, vindo, lambiam as úlceras dele.
evpiqumw/n – Verbo particípio presente ativo nominativo masculino singular de evpiqume,w :
Desejar.
cortasqh/nai
– Verbo infinitivo aoristo passivo de corta,zw: Alimentar-se, encher-se,
satisfazer-se.
pipto,ntwn – Verbo particípio presente ativo genitivo neutro plural de pi,ptw: Cair.
trape,zhj – Substantivo genitivo feminino singular de tra,peza, hj, h`: Mesa.
evrco,menoi – Verbo particípio presente médio nominativo masculino plural de e;rcomai: Vir.
evpe,leicon – Verbo imperfeito indicativo ativo 3ª pessoa do plural de evpilei,cw : Lamber.
e[lkh – Substantivo acusativo neutro plural de e[lkoj, ouj, to,: Chagas, úlceras, tumores.
evge,neto de. avpoqanei/n to.n ptwco.n kai.
avpenecqh/nai auvto.n u`po. tw/n avgge,lwn eivj to.n
ko,lpon VAbraa,m\ avpe,qanen de. kai. o` plou,sioj
kai. evta,fhÅ
V. 22 –
Aconteceu e morrer o pobre e ser levado embora ele por os anjos para o seio de
Abraão; morreu e também o rico e foi sepultado.
evge,neto
– Verbo aoristo indicativo médio 3ª pessoa do singular de gi,nomai: Tornar,
acontecer.
avpoqanei/n – Verbo infinitivo aoristo ativo de avpoqnh,|skw: Morrer.
avpenecqh/nai – Verbo infinitivo aoristo passivo de avpofe,rw: Ser levado, ser carregado.
ko,lpon – Substantivo acusativo masculino singular de ko,lpoj, ou, o`: Seio, âmago. Indica um
lugar de honra num banquete.
avpe,qanen – Verbo aoristo indicativo ativo 3ª pessoa do singular de avpoqnh,|skw: Morrer.
evta,fh – Verbo aoristo indicativo passivo 3ª pessoa do singular de qa,ptw: Sepultar; passivo: Ser
sepultado.
V. 23 – kai. evn tw/| a[|dh| evpa,raj tou.j ovfqalmou.j
auvtou/( u`pa,rcwn evn basa,noij( o`ra/|
avpo. makro,qen kai. La,zaron evn toi/j
auvtou/Å
VAbraa.m
ko,lpoij
E em o Hades erguendo os olhos dele, estando em tormentos, vê Abraão de longe
e Lázaro em o seio dele.
a[|dh – Substantivo dativo masculino singular de a|[dhj, ou, o`: Hades, mundo dos mortos.
evpa,raj – Verbo particípio aoristo ativo nominativo masculino singular de evpai,rw: Levantar.
u`pa,rcwn – Verbo particípio presente ativo nominativo masculino singular de u`pa,rcw: Existir,
estar presente.
basa,noij – Substantivo dativo feminino plural de ba,sanoj, ou, h`: Tormento, tortura.
o`ra/ - Verbo presente indicativo ativo 3ª pessoa do singular de o`ra,w: Ver.
makro,qen - Advérbio makro,qen: A uma distância, de longe.
V. 24 – kai. auvto.j fwnh,saj ei=pen\ pa,ter VAbraa,m(
evle,hso,n me kai. pe,myon La,zaron i[na ba,yh| to.
a;kron tou/ daktu,lou auvtou/ u[datoj kai. katayu,xh|
th.n glw/ssa,n mou( o[ti ovdunw/mai evn th/| flogi.
tau,th|Å
E ele clamando disse: Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que
molhe a ponta do dedo dele com água e refresque a língua minha porque estou
sofrendo em a chama esta.
fwnh,saj - de fwne,w:
ei=pen\ - Verbo aoristo indicativo ativo 3ª pessoa do singular de le,gw: Dizer.
evle,hso,n – Verbo imperativo aoristo ativo 2ª pessoa do singular de evlee,w: Compadecer,
ter misericórdia.
pe,myon – Verbo imperativo aoristo ativo 2ª pessoa do singular de pe,mpw: Enviar.
ba,yh – Verbo aoristo subjuntivo ativo 3ª pessoa do singular de ba,ptw:
a;kron – Substantivo acusativo neutro singular de a;kron, ou, to,: Ponta.
katayu,xh| - Verbo aoristo subjuntivo ativo 3ª pessoa do singular de katayu,cw: Refrescar,
tornar fresco.
ovdunw/mai – Verbo presente indicativo passivo 1ª pessoa do singular de ovduna,w: Causar,
sentir dor.
flogi. – Substantivo dativo feminino singular de flo,x, flogo,j: Chama.
V. 25 – ei=pen
de. VAbraa,m\ te,knon( mnh,sqhti o[ti
avpe,labej ta. avgaqa, sou evn th/| zwh/| sou( kai.
La,zaroj
o`moi,wj
ta.
kaka,\
nu/n
de.
w-de
parakalei/tai( su. de. ovduna/saiÅ
Disse e Abraão: Filho, lembra-te que recebeste as coisas boas tuas em a vida tua, e
Lázaro igualmente as coisas más; agora mas aqui é consolado, tu mas estás
sofrendo.
ei=pen\ - Verbo aoristo indicativo ativo 3ª pessoa do singular de le,gw: Dizer.
mnh,sqhti – Verbo imperativo aoristo passivo 2ª pessoa do singular de mimnh,|skomai:
Lembrar.
avpe,labej – Verbo aoristo indicativo ativo 2ª pessoa do singular de avpolamba,nw: Receber.
w-de – Advérbio de w-de: Aqui.
parakalei/tai – Verbo presente indicativo passivo 3ª pessoa do singular de parakale,w:
Chamar para o lado, consolar.
ovduna/sai – Verbo presente indicativo passivo 2ª pessoa do singular de ovduna,w : Causar
dor, sentir dor.
V. 26 – kai. evn pa/si tou,toij metaxu. h`mw/n kai. u`mw/n
ca,sma me,ga evsth,riktai( o[pwj oi` qe,lontej
diabh/nai e;nqen pro.j u`ma/j mh. du,nwntai( mhde.
evkei/qen pro.j h`ma/j diaperw/sinÅ
E em todas estas coisas entre nós e vós (um) abismo grande foi posto, para que os
que desejam passar daqui para vós não consigam, nem de lá para nós passem.
metaxu. - Advérbio metaxu,: Entre.
ca,sma - Substantivo nominativo neutro singular de ca,sma, atoj, to,: Divisão, abismo.
evsth,riktai – Verbo indicativo perfeito passivo 3ª pessoa do singular de sthri,zw: Colocar
firmemente, estabelecer. Aquilo que está firme e fixado.
qe,lontej – Verbo particípio presente ativo nominativo masculino plural de qe,lw: Querer ou
desejar.
diabh/nai – Verbo infinitivo aoristo ativo de diabai,nw: Atravessar, passar por.
e;nqen - Preosição e;nqen: Para aqui.
du,nwntai – Verbo subjuntivo presente médio 3ª pessoa do plural de du,namai: Poder, ser
capaz.
diaperw/sin- Verbo subjuntivo presenta ativo 3ª pessoa do plural de diapera,w: Atravessar.
V. 27 – ei=pen de,\ evrwtw/ se ou=n( pa,ter( i[na pe,myh|j
auvto.n eivj to.n oi=kon tou/ patro,j mou(
Disse e: Peço a ti, pois, pai, que envies o mesmo para a casa do pai meu,
evrwtw/ - Verbo presente indicativo ativo 1ª pessoa do singular de evrwta,w: Pedir.
pe,myh|j - Verbo aoristo subjuntivo ativo 2ª pessoa do singular de pe,mpw: Enviar.
V. 28 – e;cw ga.r pe,nte avdelfou,j( o[pwj diamartu,rhtai
auvtoi/j( i[na mh. kai. auvtoi. e;lqwsin eivj to.n
to,pon tou/ton th/j basa,nouÅ
Tenho pois cinco irmãos, para que testemunhe a eles, para que não também eles
venham para o lugar este do sofrimento.
e;cw – Verbo presente indicativo ativo 1ª pessoa do singular de e;cw: Ter.
diamartu,rhtai - Verbo presente subjuntivo médio 3ª pessoa
do singular de
diamartu,romai: Dar testemunho, advertir. A preposição no verbo composto pode significar:
“testemunhar com sucesso” ou, “testemunhar de modo eficiente e sincero”.
e;lqwsin – Verbo aoristo subjuntivo ativo 3ª pessoa do plural de e;rcomai: Vir.
basa,nou – Substantivo genitivo feminino singular de ba,sanoj, ou, h`: Tortura, tormento,
grande dor.
V. 29 – le,gei de. VAbraa,m\ e;cousi Mwu?se,a kai. tou.j
profh,taj\ avkousa,twsan auvtw/nÅ
Diz e Abraão: Tem Moisés e os profetas. Ouçam a eles.
le,gei – Verbo presente indicativo ativo 3ª pessoa do singular de le,gw: Dizer.
e;cousi – Verbo presente indicativo ativo 3ª pessoa do plural de e;cw: Ter.
avkousa,twsan – Verbo aoristo imperativo ativo 3ª pessoa do plural de avkou,w: Ouvir.
V. 30 – o` de. ei=pen\ ouvci,( pa,ter VAbraa,m( avllV
eva,n tij avpo.
metanoh,sousinÅ
nekrw/n
poreuqh/|
pro.j
auvtou.j
Ele mas disse: Não, Pai Abraão, mas se alguém dentre (os) mortos for até eles se
arrependerão.
poreuqh/| - Verbo aoristo subjuntivo passivo 3ª pessoa do singular de poreu,w : Ir.
metanoh,sousin – Verbo futuro indicativo ativo 3ª pessoa do plural de metanoe,w : Sentir
remorso, arrepender-se. Literalmente: Mudar de mentalidade.
V.31 – ei=pen
de. auvtw/|\ eiv Mwu?se,wj kai. tw/n
profhtw/n ouvk avkou,ousin( ouvdV eva,n tij evk
nekrw/n avnasth/| peisqh,sontaiÅ
Disse mas a ele: Se a Moisés e aos profetas não ouvem, tampouco se alguém dentre
(o)s mortos ressuscitar serão persuadidos.
avkou,ousin – Verbo presente indicativo ativo 3ª pessoa do plural de avkou,w: Ouvir.
avnasth/
- Verbo aoristo subjuntivo passivo 3ª pessoa do singular de avni,sthmi: Levantar,
ressuscitar.
peisqh,sontai – Verbo futuro indicativo passivo 3ª pessoa do plural de pei,qw: Convencer,
persuadir. A história ensina a necessidade de prestar rigorosa atenção a Palavra de Deus.
IV – PASSAGENS PARALELAS
4.1 – De todo o Texto
4.2 – Versiculares
V. 19 –
Pv 31.22: “Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura”.
Ap 18.12: “mercadoria de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho finíssimo, de púrpura,
de seda, de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, todo gênero de objeto de marfim, toda
qualidade de móvel de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore”;
Lc 12.19: “Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come,
bebe e regala-te”.
V. 20 –
Lc 15.16: “Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada”.
V. 21 –
Mt 15.27: “Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da
mesa dos seus donos”.
V. 22 –
Jo 1.18: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.
Mt 8.11: “Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão,
Isaque e Jacó no reino dos céus”.
V. 24 –
Lc 3.8: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos
por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”.
V. 25 –
Lucas 6.24: “Mas ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação”.
V. 26 –
Mt 5.4: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.
V. 28 –
Atos 18.5: “Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo se entregou totalmente à palavra,
testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus”.
V.31 –
João 5.46: “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a
meu respeito”.
V – RELACIONAMENTO DO TEXTO
5.1 – O texto no Hinário
Hinos de Pentecostes:132-144;
Hinos da Palavra de Deus: 240-249;
Hinos de Arrependimento: 342-364;
Hinos de Sepultamento: 514-527;
Hinos de Juízo final e fim do mundo: 528-543;
Hinos de Santificação, amor e obediência: 380-400.
5.2 – O Texto no Catecismo
O 1º Mandamento: O dinheiro ocupava o lugar de Deus na vida daquele homem rico.
O 5º Mandamento: Ele não dava a mínima para o pobre enfermo e faminto à sua porta.
O 1º Artigo do Credo: O rico não dava graças a Deus pelos bens, nem os administrava como Deus deseja.
5.3 – O Texto na Liturgia
Kyrie Eleison – “Pai Abraão, tem misericórdia de mim!” – V. 24
Leituras da Palavra de Deus: “Eles tem Moisés e os profetas; ouçam-nos” (V. 29)
VI – DOUTRINAS SUPLEMENTARES
6.1 – Doutrinas Presentes
De Deus
Do homem
Dos Meios da Graça - A Palavra de Deus
6.1 – Doutrinas a Suplementar
Dos Meios da Graça - O Batismo
A Obra da Redenção
VII – PENSAMENTO CENTRAL
A vida do rico e do Lázaro apresentou contrastes nesta vida e na eternidade.
VIII – OBJETIVO
7.1 – Conhecimento: Que os meus ouvintes conheçam bem os aspectos contrastantes da vida do rico e
Lázaro, aqui e na eternidade.
7.2 – Atitude: Que os meus ouvintes confiem no amor de Deus revelado em Jesus como sua maior
riqueza.
7.3 – Habilidade: Que os meus ouvintes vivam a sua vida aqui, valorizando as riquezas espirituais,
administrando bem as riquezas materiais, rumo a eternidade.
IX – LEI E EVANGELHO
9.1 – Lei
A parábola do Rico e Lázaro não é um chicote para o lombo dos ricos apenas; é uma advertência
para todos nós que somos tentados a valorizar aquelas coisas que dão prazer, que alegram, que tornam
notória a vida aqui, mas que não nos preparam para a hora da morte e que nos afastam da vida eterna
feliz com Deus nos céus.
O homem rico pertencia ao povo de Deus, mas virou as costas para Deus na mesma proporção que
se dedicou a viver no desfrute das suas riquezas e dos prazeres que elas podem proporcionar. Afastou-se
da Igreja. Não lia, nem ouvia a Palavra de Deus, e isso se torna evidente quando quer que um morto se
levante para evangelizar seus irmãos. É o quadro bem real daqueles que abraçam os prazeres
pecaminosos do mundo e se afastam da palavra de Deus; daqueles que fazem do dinheiro, dos prazeres
pecaminosos, o seu deus, e se esquecem que a vida terminará, que a morte chegará. Ela nivela a todos:
Pobres, ricos, velhos, jovens, pretos, brancos. E então? O que será?
Quantos gostariam que as verdades desse texto bíblico fossem ficção! Quantos gostariam que os
prazeres desfrutados neste mundo, à custa dos bens e favores terrenos, não terminassem! Quantos vivem
como se jamais sua vida tivesse um fim! Mas, não, o inferno não é uma ficção ou uma imaginação doentia;
o inferno é real! O rico da nossa parábola, que viveu como se ele não existisse, deu de cara com seus
tormentos. Seus tormentos? ... Seus tormentos são terríveis: É uma chama consumidora, que nunca se
apaga. É uma sede que jamais será saciada. É poder ver a felicidade dos santos no céu, mas não ter a
menor possibilidade de participar dela. É não receber libertação ou salvação das torturas do inferno. Toda
a qualquer esperança se foi para sempre.
Não caiamos nós na armadilha que o rico caiu. Não abandonemos a palavra de Deus, achando que
a vida prazerosa do pecado jamais acabará. Não pensemos que haverá uma segunda chance, ou mesmo
uma repescagem. O texto relata claramente: Não haverá!
9.2 – Evangelho
A parábola do Rico e Lázaro é um bálsamo de evangelho para o coração de todos aqueles que,
como Lázaro, foram chamados para fazer parte da família de Deus e se alegram com isso. Desde o batismo,
você e eu fomos separados do domínio do diabo e fomos trazidos para a família de Deus. Deus nos
comprou para si com o sangue precioso do seu Filho Jesus Cristo, derramado na cruz, por nós. Assim,
recebemos de Deus a maior de todas as riquezas: A de pertencer a família dos salvos, ao povo escolhido
e abençoado por Deus para o servir aqui no mundo e que estará com ele por toda a eternidade nos céus.
A parábola do Rico e Lázaro nos faz perceber que maravilhosa riqueza Deus nos dá quando nos
permite ter acesso à sua palavra viva. Ela é suficiente para dar a fé e fortalece-la para a eternidade. Pelo
evangelho, o Espírito Santo trabalha em nosso coração para que conheçamos e creiamos as verdades
fundamentais do amor de Deus, em Cristo, para uma vida feliz com Deus aqui e por toda a eternidade.
“Eles tem Moisés e os profetas; ouçam-nos” (V. 29) – esse é o testemunho das Escrituras de que elas são
suficientes e de que, quem as tem e se apega às suas verdades, tem o verdadeiro tesouro que não pode
ser roubado, a verdadeira riqueza que dura para sempre, o verdadeiro prazer e alegria que dura por toda
a eternidade.
O salmo 1 diz que o prazer do justo está na Palavra do Senhor, e “na sua lei, medita dia e noite” (Sl
1.2). É prazeroso ouvir as Escrituras, porque elas revelam, mostram, o amor de Deus por nós, revelado
em Jesus. É maravilhoso perceber como Deus se revela, em cada página das Escrituras Sagradas, como
Deus misericordioso, bondoso, perdoador, que está conosco todos os dias aqui nesse mundo difícil, e nos
levará para a eternidade dos céus.
É prazeroso receber essa riqueza verdadeira de Deus, na palavra e sacramentos, e poder
compartilhar o amor de Deus com as pessoas. Há Lázaros à nossa volta. Podem estar nas nossas casas,
congregações. Também há pessoas que estão afastadas de Deus em nossa própria família. Que privilégio
maravilhoso estender a mão para ajuda-las! Que bênção Deus nos dá a de repartir as maravilhas do seu
amor, do seu perdão, da paz que nos dá, em Cristo, para aquelas pessoas da nossa própria família, nossos
irmãos, parentes e amigos, que estão carentes da verdade que liberta e leva para o céu!
X – ESBOÇO
Tema:
Introdução
Partes
Conclusão
XI - COMENTÁRIOS
11.1 – Kretzmann
O Homem Rico E O Mendigo Lázaro, Lc. 16. 19-31.
Um contraste em fortunas, V. 19) Ora, havia certo homem rico, que se vestia de púrpura
e de linho finíssimo, e que todos os dias se regalava esplendidamente. 20) Havia também certo
mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; 21) e desejava
alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as
úlceras.
Ainda que, para a lição desta história, não seja importante se é uma parábola ou o relato dum
acontecimento real, como Lutero observa, ainda assim a maneira de apresentação indica para a justeza
da última suposição. Está evidente a conecção entre esta narrativa e a conversação imediatamente
anterior. Os escravos do mamom, pelo seu abuso dos dons de Deus, pela sua má aplicação dos fundos
que lhes foram confiados, obtêm para si as torturas da condenação. O contraste vívido que perpassa toda
a descrição devia ser notado: Um certo homem rico fez seu o costume de vir trajado de roupas as mais
caras, púrpura e linho macio; além disso vivia de modo esplêndido a cada dia e se entregava
completamente aos deleites e banquetes. Doutro lado, um homem pobre, cujo nome Lázaro (confiança
em Deus) foi preservado, vivendo na esqualidez da pior pobreza, deitado junto ao portão de entrada da
propriedade do homem rico, sendo os trapos de roupa insuficientes para encobrir-lhe as úlceras que lhe
haviam brotado do corpo por causa das condições insalubres de vida e devido ao alimento inadequado,
mas satisfeito com as migalhas, pelas quais ansiava, que caíam da mesa do homem rico. Os cães eram
mais compassivos do que aquelas pessoas que o enxergavam em sua miséria, pois, ao menos, vinham e
lhe lambiam as úlceras. Um só vivia para si mesmo para os deleites e faustos do corpo. Viu, talvez, o
mendigo que alguém depositara junto à sua porta, ao entrar e sair ou quando passava em sua fina
carruagem, mas não prestou atenção a ele e em suas condições. Fatos desagradáveis interferem nos
deleites da vida. “Quando olhamos a este homem rico, segundo os fatos da fé, então encontramos um
coração e uma árvore da impiedade. Pois, o evangelho o reprova porque diariamente festejava
suntuosamente e se trajava esplendidamente, que por nenhuma razão era considerado um pecado tão
grave.... Mas este homem rico não é reprovado porque tinha comida boa e roupas lindas, pois muitos
santos, reis e rainhas de outrora usavam vestes finas, como Salomão, Éster, Davi, Daniel e outros; mas,
porque colocou neles o seu coração, ele os desejava, apegou-se a eles e os escolhera, tinha neles toda
sua alegria, desejo e prazer, e os tornou em seu ídolo”31 ).
Outro contraste, V. 22) Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio
de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. 23) No inferno, estando em tormentos,
levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. 24) Então, clamando, disse: Pai
Abraão, tem misericórdia de mim! e manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me
refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. 25) Disse, porém, Abraão: Filho,
lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente os males; agora,
porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. 26) E, além de tudo, está posto um grande
abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem,
nem os de lá passar para nós.
Aqui os destinos são invertidos violentamente: o servo de Deus em felicidade, o servo do mamom
em miséria. O mendigo morreu, finalmente sucumbiu sob a combinação de enfermidade e fome. Sua
morte, porém, provocou uma embaixada do céu: foi carregado pelos anjos ao regaço de Abraão.
Notemos: A felicidade do céu é tão inexprimivelmente maravilhosa que linguagem humana, nem de longe,
é capaz de descrever suas glórias. Por isso é usada esta circunscrição – o regaço de Abraão, como o pai de
todos os fiéis. Aquele que não tivera um só amigo no vasto mundo, a quem as pessoas, até, se negavam
tocar, já foi recebido de modo jubiloso no lar eterno e encontrou um lugar de honra ao lado de Abraão,
reclinando em seu colo, assim como o discípulo amado reclinara no colo de Jesus. Porém, o relato da
morte e do funeral do homem rico é extremamente pobre e magro: morreu e foi enterrado. Esta é a
avaliação que Deus à vida daquele que dissipou no servir a si mesmo tudo que Deus lhe dera. Este é o
obituário de Deus. Qual, contudo, é a continuação? No inferno, onde se encontrava sua alma, o anterior
rico achou-se em torturas, em agonia inexprimível, que, em contraste, era tão grande como era grande a
felicidade de Lázaro, a quem enxergava. Em sua dor e miséria clamou por alívio, pedindo a Abraão para
que tivesse piedade dele e enviasse Lázaro trazendo, ao menos, um pingo de água em seu dedo, para
acalmar a sede ardente e febril que consumia a alma sempre tão mimada. Ansiava e implorava por, ao
menos, um pouco de refrigério, por causa da chama que o acometia com as dores mais severas. Notemos:
Agora o homem rico podia – e realmente o fazia – reparar em Lázaro, agora podia suplicar por um favor
das mãos daquele que seus dedos luxentos recusavam tocar, quando vivo. O pedido patético, porém, é
negado. De fato, Abraão o chama filho, pois o é conforme a carne, e se firmara neste parentesco carnal,
não há, contudo, qualquer parentesco espiritual entre eles. Devia lembrar-se que recebera tudo quanto
quisera, todas as coisas boas da vida, enquanto vivia sobre a terra. Servira ao mamom, e o mamom o
recompensara conforme lhe é próprio. Agora a posição de Lázaro e do homem rico estava invertida:
aquele recebeu conforto, e este tortura. A situação era absolutamente justa. E, mesmo que Abraão tivesse
estado disposto a atender os rogos do pobre miserável no inferno, não havia qualquer possibilidade para
cumprir seu pedido, visto haver uma brecha profunda, um abismo intransponível, entre o lugar dos
benditos e o dos condenados, solidamente localizado, que excluía qualquer possibilidade de
comunicação. Desta forma, mesmo que aquele que nunca praticara a humildade e agora suplica
humildemente, não há chance, e sua última esperança se foi.
Ouvindo Moisés e os profetas, V. 27) Então replicou: Pai, eu te imploro que o mandes
à minha casa paterna, 28) porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho a fim de
não virem também para este lugar de tormento. 29) Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os
profetas; ouçam-nos. 30) Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter
com eles, arrepender-se-ão. 31) Abraão, porém, lhes respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos
profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.
Uma mudança estranha ocorrera no homem rico. Anteriormente cuidara só de si mesmo e da
gratificação de seus próprios desejos, agora, porém, quando é demasiado tarde, ele recorda
compromissos e bondades que anteriormente devia ter mostrado aos seus parentes. O arrependimento
dos condenados no inferno pode ser mil vezes sincero e completo, mas então é tarde demais! O pobre
infeliz envia uma segunda petição por sobre a brecha profunda. Quer que Lázaro seja enviado de volta ao
mundo, como um espírito do mundo dos mortos, para advertir seus cinco irmãos, para que não
compartilhassem do seu fado medonho. Lá onde a fé e a confiança foram expulsas, lá descrença e
superstição são abundantes e viçosas. Quando a palavra da lei e do evangelho de Deus foram declarados
insuficientes, dando-se favor ao pseudo-iluminismo do século vinte, lá o espiritualismo, tanto o real como
o que se parece, é louvado como uma solução e salvação. Por isso Abraão lhe dá um bocado de informação
muito necessária. A velha e sadia doutrina, a palavra escrita de Deus, é a norma e regra única e segura de
doutrina e vida. Moisés e os profetas estavam disponíveis aos irmãos, sendo lidos em todas as sinagogas
no dia de sábado. Que os irmãos procurassem lá pela verdade, e nada mais seria necessário. Se os irmãos
naqueles dias, se as pessoas de nosso tempo, não quiserem acatar Moisés e os profetas, se não quiserem
seguir a palavra e acatar seus ensinos e advertências, bem como suas admoestações e promessas, então
não há mais esperança. A palavra é uma luz para os pés de cada um que busca a verdade, Sl. 119. 105.
Notemos: O inferno não é uma ficção ou uma imaginação doentia, mas o inferno é real! Seus tormentos
são terríveis: É uma chama consumidora, mas que nunca destrói. É sede que não por ser atenuada por
uma gotinha d’água. É ter a habilidade de ver a felicidade dos santos no céu, mas não ter a menor
possibilidade de alguma vez tornar-se participante desta felicidade. É não receber libertação ou salvação
das torturas do inferno. Toda a qualquer esperança se foi para sempre. Resumo: Jesus conta a parábola
do administrador infiel e junta várias lições para os discípulos e para os fariseus, e relata a história do
homem rico e do mendigo Lázaro.
11.2 – Igreja Luterana – Volume 51 – Junho de 1992
V. 19 – Um homem rico habitualmente se vestia bem: roupa exterior tingida de púrpura, e roupa interior
de fibras de linho. Sua vida era uma festa permanente, libre de dificuldades e trabalho enfadonho. É a boa
vida que as pessoas ricas normalmente dedicam seus recursos, tratando de alimentar e apresentar-se
bem. Nisto encontram sentido para a sua existência. Jesus, porém, coloca o sentido no relacionamento
com as pessoas.
V. 20,21 – Lázaro é o único nome próprio que Jesus emprega numa parábola. Era um mendigo doente,
cheio de feridas, que era depositado e permanecia junto a porta do rico. Desejava obter as sobras da casa
do rico. Ali estava a oportunidade criada por Deus para o rico exercitar o amor ao próximo. Isto porém
passava-lhe despercebido – atitude talvez pior do que a do sacerdote e levita que passaram de largo face
as necessidades do homem ferido na parábola do Bom Samaritano.
V. 22 – Lázaro, tendo morrido, recebeu o lugar de honra junto a Abraão. Entrou na glória eterna; quanto
ao rico, recebeu do seu dinheiro o último bem possível: Um sepultamento pomposo e caro.
V. 23,24 – No mundo dos mortos, o sofrimento do rico é descrito como o de sede, em vista do calor do
fogo. Percebendo ele a Lázaro, acolhido por Abraão, é a vez do rico implorar por “uma migalha de ajuda”,
a ponta de um dedo molhado em água.
V. 25 – Pelo senso de justiça comum, o rico precisava conformar-se com a situação, pois ele tivera situação
conveniente antes, e Lázaro agora; Lázaro sofrera antes, e ele agora. A linha da advertência de Jesus,
contudo, não é no sentido daquilo que as pessoas têm, mas do que fazem com isso em relação a outras
pessoas.
V. 26 – Jesus deixa claro a impossibilidade de intercâmbio entre os dois destinos eternos: “Há um abismo”
– havia um abismo entre a situação social dos dois: Um era rico, o outro era pobre. Havia um abismo entre
a saúde dos dois: Um era saudável e o outro, doente. Havia um abismo entre a vida espiritual dos dois:
Lázaro era “amigo de Deus” e o rico, embora fosse do povo de Deus, não. Agora há um abismo entre o
destino eterno dos dois: O rico está em tormentos no inferno, Lázaro está consolado nos céus - no seio
de Abraão, lugar onde o evangelista João 1.18 revela que também é ocupado pelo próprio Cristo.
V. 27-29 – Jesus deixa claro a suficiência das Escrituras Sagradas. É ouvindo suas promessas que se recebe
a fé verdadeira em Cristo, que torna a pessoa apta para a salvação, para a vida eterna (2 Tm 3.16).
V. 30,31 – Diante do chamado ao arrependimento, o ser humano procura mais e mais alternativas para
adiar e/ou evitar esse momento. Jesus reafirma que a resistência à Escritura é demonstração suficiente
de que também haveria, caso fosse acontecer, resistência a quem do mundo dos mortos viesse para
advertir.
Sugestão de esboço:
Tema: O correto uso das riquezas materiais
Partes:
1 – A atitude negativa do homem rico
2 – A recomendação bíblica: Usá-las a serviço das pessoas, para o bem terreno e para o bem eterno.
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