geologia III - fernandomautas

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SOTER – SISTEMA DE ENSINO TÉCNICO REGULAR
Introdução
Sempre que ocorre uma grande erupção vulcânica, jornais e noticiários cobrem o acontecimento enfatizando uma série
de palavras: violento, enorme, impressionante.
Diante de um vulcão em erupção, as pessoas compartilham sentimentos como o medo diante do poder de destruição
da natureza.
Embora os cientistas tenham desvendado muitos mistérios a respeito dos vulcões, o conhecimento sobre eles não os
tornou menos fascinantes. Neste artigo, veremos as poderosas e violentas forças que criam as erupções e
analisaremos como elas constroem estruturas vulcânicas como as ilhas.
Quando as pessoas pensam em vulcões, a primeira imagem que vem à cabeça é provavelmente uma montanha alta com
lava alaranjada sendo expelida. Certamente há vários tipos de vulcões assim. Mas o termo vulcão descreve, na
verdade, uma gama de fenômenos geológicos muito mais ampla.
Em geral, um vulcão é qualquer lugar onde uma certa quantidade de material é expelida de dentro do planeta para a
superfície terrestre.
Lava pahoehoe (encordoada) escorrendo de um vulcão no Havaí
A primeira pergunta é: o que é exatamente esse material expelido? No nosso planeta é o magma ou rocha fundida. Para
entender da onde ele vem, precisamos examinar a estrutura do planeta Terra.
A Terra é composta de várias camadas, divididas em três mega-camadas: o núcleo, o manto e a crosta.

Nós vivemos na crosta rígida que possui de 5 a 10 km de espessura sob os oceanos e de 32 a 70 km sob a
terra. Isso pode parecer muito, mas, comparada ao resto do planeta, ela é bem fina como a casca de uma
maçã.

Logo abaixo da crosta encontra-se o manto, a maior camada da Terra. Embora o manto seja extremamente
quente, ele é primordialmente sólido, pois a pressão interna do planeta é tão grande que o material não derrete.
Em circunstâncias especiais, contudo, o material derrete formando o magma que transborda pela crosta.

Em 1960, cientistas desenvolveram uma teoria revolucionária chamada Teoria das placas tectônicas.
Ela sustenta que a litosfera, camada de material rígido composta pela crosta e pela parte superior do manto,
é dividida em sete grandes placas e algumas outras placas menores. Essas placas se movimentam
vagarosamente sobre o manto, que está lubrificado por uma leve camada chamada astenosfera. A atividade
nos limites entre algumas dessas placas é o catalisador básico para a produção do magma.

Onde diferentes placas se encontram, há uma interação. O modo como elas se deslocam umas em relação às
outras estão associados diferentes tipos de fenômenos de superfície.

Se as placas se afastam umas das outras, uma cordilheira oceânica ou cordilheira continental é formada,
dependendo de como elas se encontram (se no oceano ou na terra). À medida que as placas se separam, a
parte sólida do manto, que se encontra na astenosfera, corre para esse vazio provocado por elass. Como a
pressão não é elevada a esse nível, as rochas do manto se derretem, formando o magma. Conforme o magma
sobe, ele se resfria formando uma nova crosta que preenche a lacuna deixada pela divergência das placas.
Esse tipo de produção do magma é chamado vulcanismo central.

Quando duas placas colidem, uma pode ser empurrada para baixo da outra de modo a afundar no manto.
Esse processo é chamado de subducção, que forma uma vala, um canal muito profundo geralmente no solo
oceânico. À medida que a litosfera rígida faz força em direção ao manto quente e sob alta pressão, há um
super aquecimento. Muitos cientistas acreditam que a camada da litosfera que afunda não pode derreter a
essa profundidade, mas que o aquecimento e a pressão forçam a água (água da superfície e dos minerais
hidratados) para fora das placas em direção à camada do manto que está acima. O acúmulo de água reduz o
ponto de fusão das rochas provocando o derretimento das rochas dentro do magma. Esse tipo de produção
do magma é chamado vulcanismo da zona de subducção.

Se as placas colidem e nenhuma delas fica embaixo da outra, a crosta irá apenas "enrugar", formando
montanhas. Esse processo não dá origem a vulcões. As margens das placas desse tipo podem mais tarde se
transformar em zonas de subducção.
 Algumas placas se movimentam umas contra as outras ao invés de empurrá-las ou colidirem. Essas margens
de placas dificilmente produzem atividade vulcânica.
O magma também pode fazer força debaixo de uma placa da litosfera, embora isso seja menos comum que a produção
de magma ao redor das margens das placas. Essa atividade vulcânica intraplaca é causada por um material atípico do
manto quente que é formado na parte inferior do manto e levado para a sua parte superior. O material, que adquire a
forma de uma pluma de 500 a 1.000 km de largura, emerge para criar um ponto quente debaixo de um determinado
lugar da Terra. Devido ao aquecimento incomum desse material, ele se funde formando magma logo abaixo da crosta
terrestre. O ponto quente é estacionário, mas à medida que as placas continentais deslizam, o magma cria uma cadeia
de vulcões que desaparece assim que as placas passam do ponto quente. Os vulcões do Havaí foram criados por um
desses pontos quentes que aparentam ter pelo menos 70 milhões de anos.
Então o que acontece com o magma formado por esses processos? Vimos que o magma produzido na cordilheira
oceânica apenas forma um novo material crustoso, logo, não há produção de vulcões terrestres em erupção. Há poucas
áreas de cordilheira continental onde o magma transborda pela terra, mas a maioria dos vulcões terrestres são
produzidos pelo vulcanismo da zona de subducção e dos pontos quentes.
Quando uma rocha sólida se transforma em um material mais líquido, ela se torna menos densa que as rochas sólidas
ao seu redor. Devido a essa diferença de densidade, o magma sobe com muita força (pela mesma razão que o hélio
em um balão atravessa o ar mais denso que o cerca e o óleo fica suspenso na água). À medida que vai subindo, o
intenso calor funde mais algumas rochas, acrescentando-as à mistura magmática.
O magma continua se movendo pela crosta, a menos que a pressão para subir seja excedida pela pressão exercida pelas
rochas sólidas ao redor para descer. Neste ponto, o magma se acumula em câmaras magmáticas abaixo da superfície
da Terra. Se a pressão do magma se eleva a um determinado nível ou uma cratera se abre na crosta, as rochas fundidas
são extruídas e derramadas pela superfície terrestre.
Se isso acontecer, o magma derretido (agora chamado de lava) forma um vulcão. A estrutura de um vulcão e a
intensidade de sua erupção dependem de uma série de fatores, principalmente da composição do magma. Na próxima
seção, analisaremos os diferentes tipos de magma e veremos como eles entram em erupção.
Magma em erupção
O poder destrutivo dos vulcões varia bastante: alguns explodem de maneira violenta, destruindo tudo em um raio
de 1,5 km em minutos questão de minutos: outros derramam lava tão devagar que se pode caminhar perto deles sem
o menor problema. A severidade da erupção depende principalmente da composição do magma.
Gases expelidos pelo vulcão Kilauea, no Havaí
Por que o magma entra em erupção? A força de erupção vem geralmente da pressão dos gases internos. O material
que origina o magma possui muitos gases liquefeitos que ficaram suspensos na solução magmática. Os gases são
mantidos no estado liquefeito até que a pressão confinada das rochas seja maior que a pressão do vapor exercida
pelo gás. Quando isso se altera e a pressão do vapor fica maior que a pressão exercida pelas rochas, os gases liquefeitos
se expandem formando pequenas bolhas de gás, chamadas vesículas, no magma. Isso acontece se ocorrer uma
das situações abaixo:
 a pressão interna exercida pelas rochas diminui devido à descompressão do magma que emerge de um ponto
de alta pressão para outro de baixa pressão;

a pressão do vapor aumenta devido ao resfriamento do magma, dando início ao processo de cristalização, o
que faz aumentar o conteúdo de gás no magma.

Em ambos os casos, o magma é saturado de pequenas bolhas de gás que possuem uma densidade menor que
a do magma e, por isso, fazem pressão para sair. O mesmo ocorre quando abrimos uma lata de refrigerante,
especialmente se acabamos de sacudi-la. Quando descomprimimos o refrigerante (através da abertura da
lata), as pequenas bolhas de gás são pressionadas para fora. Se sacudirmos antes a lata, as bolhas se misturam
ao refrigerante e, ao saírem, levam consigo uma parte dele. Isso também acontece com os vulcões. Conforme
as bolhas escapam, elas empurram o magma para fora, causando a erupção.
A natureza dessa erupção depende basicamente do conteúdo de gás e da viscosidade do material magmático.
Viscosidade é a capacidade de resistir ao fluxo, é o oposto da fluidez. Se o magma possui uma alta viscosidade,
significando uma forte resi...
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