O QUE VOCÊ SABE SOBRE SEU CÉREBRO É VERDADE? ESCLARECENDO NEUROMITOS(1) Ismael do Nascimento Brum(2), Alexandre Garcia(3), Liane da Silva de Vargas(4), Pâmela Billig Mello-Carpes(5) (1) Trabalho executado com recursos do Edital da Pró Reitoria de Extensão PROEXT/MEC, Novos Talentos/CAPES, STEM CAPES, British Council e Newton Found. (2) Estudante de graduação em enfermagem bolsista voluntário CAPES; Universidade Federal do Pampa, RS;ismaelbrum@hotmail. (3) Estudante de graduação em enfermagem, bolsista CAPES; Universidade Federal do Pampa; Uuruguaiana, RS; [email protected] . (4) Co-orientador; Universidade Federal do Pampa, Campus Uruguaiana. (5) Orientador; Universidade Federal do Pampa, Campus Uruguaiana. Palavras-Chave: neuromitos, educação, divulgação científica. INTRODUÇÃO A neurociência é a ciência que estuda o sistema nervoso (LENT, 2001) e vem se tornando cada vez mais um dos assuntos de interesse tanto de jovens, como de adultos. Devido ao crescimento das pesquisas em neurociência, nos últimos anos tem se percebido um aumento da disseminação e do interesse público em informações a respeito do cérebro. No entanto, nem sempre essas informações são transmitidas ou interpretadas da maneira mais correta, o que acaba contribuindo para a disseminação dos neuromitos (BUENO et al., 2015). Neuromitos são informações equivocadas acerca do sistema nervoso comumente disseminadas em meio à população. Um neuromito muito comum entre a população é que usamos somente 10% do nosso cérebro. O surgimento deste mito pode estar relacionado à leituras errôneas ou má interpretação de dados científicos. Outro neuromito muito disseminado entre a população é que temos um lado dominante do nosso cérebro (OECD, 2007). Considerando que, atualmente, a neurociência está muito relacionada com a educação, muitas vezes estas informações equivocadas chegam até o meio escolar, tornando, assim, a disseminação de informações errôneas um ciclo vicioso (DEKKER et al., 2012). Nesse contexto, a colaboração entre a neurociência e a educação desfaz os mal entendidos sobre os neuromitos, esclarecendo conceitos equivocados que são amplamente divulgados na mídia e no cenário escolar (DEKKER et al., 2012). Assim, é imprescindível elencar, informar e desmitificar como nosso cérebro funciona e o porquê de do surgimento dos neuromitos. O objetivo desse trabalho é facilitar a compreensão de escolares acerca de como nosso cérebro funciona, esclarecendo e desmistificando os neuromitos mais comuns por meios de ações de divulgação e popularização da neurociência. METODOLOGIA As ações deste trabalho fazem parte do programa de extensão POPNEURO. As atividades aqui relatadas foram realizadas durante o ano letivo de 2016, constituindo três encontros de 1h30min cada, em 04 escolas da rede pública da cidade. Participaram das ações em torno de 180 alunos com idade entre 10 a 13 anos. Em todas as ações, inicialmente foram realizadas explanações dialogadas e uma peça teatral, uma abordagem acessível para melhor compreensão do tema proposto. Após, foi proposta uma atividade prática, na qual os alunos eram protagonistas. Foram abordados os seguintes temas/neuromitos: (1) Usamos apenas 10% do nosso cérebro: Durante esta ação foi dialogado com os alunos que usamos 100% do nosso cérebro e não somente 10%, como é disseminado erroneamente. Para tal, primeiro foi feito uma aula teórica, que incluiu o diálogo de um cientista (personagem) com os estudantes e um teatro. A atividade foi seguida por uma dinâmica com os alunos; (2) A pílula da inteligência: Nesta ação foi abordada a fantasiosa existência de uma pílula “milagrosa” que supostamente poderia nos deixar mais inteligente. Tal abordagem se deu através de uma aula teórica seguida por um teatro; (3) Teoria localizacionista e períodos de aprendizagem: Esta ação abordou a localização das funções cerebrais e a ideia de que só se pode aprender em uma fase da vida. Foi realizada uma aula teórica que procurou evidenciar que nosso cérebro e todas as suas partes funcionam em conjunto, e que ele é capaz de responder a estímulos que recebe ao longo de toda vida, sendo assim, todos somos Anais do 8º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa capazes de aprender, em qualquer período da vida. Ao final os alunos foram convidados a construir uma revista para auxiliar a erradicação dos neuromitos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao longo da realização das ações foi evidenciado que a maioria dos alunos acreditava na veracidade dos neuromitos, o que é bastante comum. Entretanto, com o decorrer das ações, o interesse e entendimento de todos, os alunos tiveram a oportunidade de desmistificar tais conceitos equivocados, percebendo as bases neurobiológicas que determinam o funcionamento do cérebro e do Sistema Nervoso. Na primeira ação os alunos perceberam que usamos 100% da nossa capacidade cerebral, não havendo nenhuma parte inerte do nosso cérebro, o qual consome 20% da glicose do nosso corpo diariamente (BEYERSTEIN, 2004). Na segunda ação, puderam compreender que não existe nenhuma fórmula mágica que possa garantir um “cérebro mais potente”, mas que se cuidarmos bem do cérebro, desenvolvendo hábitos como a prática de atividades físicas, uma alimentação saudável, entre outros, ele é capaz de aprender cada vez mais e melhor. Na terceira ação os estudantes puderam entender o correto potencial do cérebro e capacidade que cada um tem de aprender ao longo da vida. Tais resultados corroboram com a ideia de que ações colaborativas entre a neurociência e a educação podem auxiliar a desfazer mal entendidos sobre o cérebro (neuromitos) (DEKKER et al., 2012). CONCLUSÕES Ações de divulgação neurocientífica na escola auxiliam na desmistificação de neuromitos, permitindo que estudantes da Educação Básica, através de atividades lúdicas, compreendam melhor como o cérebro funciona. REFERÊNCIAS Beyerstein B. L. (2004) Do we really use only 10% of our brains? Revista Scientific American. Ed. Disponível em < http://www.scientificamerican.com/article/do-we-really-use-only-10/> BROCKINGTON, G.; MESQUITA, L. As consequências da má divulgação científica. Revista da Biologia (2016) 15(1):914. http://ib.usp.br/revista BUENO, O. F. A.; EKUNI, R.; ZEGGIO, L. Caçadores de neurônios: o que você sabe sobre seu cérebro é verdade? . São Paulo: Memnon, 2015. Disponível em: < http://www.cacadoresdeneuromitos.com>. Acesso em: 17 jan. 2016. DEKKER, S.; LEE, N. C.; HOWARD-JONES, P.; JOLLES, J. Neuromyths in education: Prevalence and predictors of misconceptions among teachers. Frontiers in Psychology. 2012. Disponível em: http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fpsyg.2012.00429/full Orgasination for Economic Cooperation and Development. Understanding the Brain: Towards a New Learning Science, OECD, Chapter 4.6 pp. 69-77. 2002. Disponível em: < http://www.oecd.org/edu/ceri/neuromyths.htm >. Acesso em: 18 jan. 2016. RUFINO, T. C. S. O lúdico em sala de aula: em séries iniciais do ensino fundamental. Monografia – Universiade Estadual da Paraíba, Centro da Humanidade, 38 p. 2014. Anais do 8º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa