Revista HUGV 2013 n.2 - Hospital Universitário Getúlio Vargas

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Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas
The Journal of Getulio Vargas University Hospital
V.12. N. 2 JUL./DEZ. – 2013
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GETÚLIO VARGAS
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EDITOR-CHEFE
Fernando Luiz Westphal
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Cristina de Melo Rocha
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Edson de Oliveira Andrade
Ermerson Silva
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Eurico Manoel Azevedo
Fernando César Façanha Fonseca
Fernando Luiz Westphal
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Ione Rodrigues Brum
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José Correa Lima Netto
Julio Mario de Melo e Lima
Kathya Augusta Thomé Lopes
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Lourivaldo Rodrigues de Souza
Luís Carlos de Lima
Luiz Carlos de Lima Ferreira
Luiz Fernando Passos
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Maria do Socorro Lobato
Maria do Socorro L. Cardoso
Maria Fulgência Costa L. Bandeira
Maria Lizete Guimarães Dabela
Márcia Melo Damian
Massanobu Takatani
Miharu Magnória Matsuura Matos
Patrícia Bandeira de Melo Akel
Petrus Oliva Souza
Ricardo Torres Santana
Rodolfo Fagionato
Rubem Alves da Silva Júnior
Sandra Lúcia Euzébio
Wilson Bulbol
Zânia Regina Ferreira Pereira
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Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas
The Journal of Getulio Vargas University Hospital
V.12. N. 2 JUL./DEZ. – 2013
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GETÚLIO VARGAS
Copyright© 2013 Universidade Federal do Amazonas/HUGV
REITORA DA UFAM
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DIRETOR DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO GETÚLIO VARGAS
Prof. Dr. Lourivaldo Rodrigues de Souza
PRODUÇÃO GRÁFICA-EDITORIAL
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ORGANIZAÇÃO
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DIRETORA DA EDUA
Suely Oliveira Moraes Marquez
DIRETORA DA REVISTA
Profª Dayse Enne Botelho
REVISÃO (LÍNGUA PORTUGUESA)
Sergio Luiz Pereira
CAPA
Serviço de Ergodesign
TIRAGEM 300 EXEMPLARES
FICHA CATALOGRÁFICA
Ycaro Verçosa dos Santos – CRB-11 287
CDU 61(051)
R454 Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Revista do Hospital Getúlio Vargas. V. 12, n. 2 (2013) / Manaus: Editora da Universidade
Federal do Amazonas, 2013
135 p.
Semestral
Título da revista em português inglês
ISSN – 1677-9169
1. Medicina-Periódico I. Hospital Universitário Getúlio Vargas II. Universidade Federal do Amazonas.
CDU 61(051)
Sumário
Editorial
11
Fernando Luiz Westphal
Artigos Originais
História da Otorrinolaringologia: Uma Breve Revisão da Produção Historiográfica
13
Rodolfo Fagionato de Freitas; Bárbara Iasmine Gomes Abreu Christo; Breno Gonçalves Medeiros; Isaac Veloso
Gomes
Oficina de Arteterapia com a Terceira Idade: O Desabrochar da Criatividade
20
Karen Dalila Matsdorff Fernandes; Ana Karoline Aguiar Preslei; Thaize Maria Silva Lima; Dalila Fernandes
Monteiro; Sônia Maria Belém de Sousa; Rosana Pimentel Correia Moysés
Relato de Caso
Oesteomilite Artrite Séptica Ocasionada por Salmonella spp em Paciente com Lúpus
Eritematoso Sistêmico
26
David Luniere Gonçalves; Maria José dos Santos Silva; Domingos Sávio Nunes de Lima
Cuidados Intensivos de Enfermagem na Manutenção do Potencial Doador de Órgãos e Tecidos em Morte Encefálica: Estudo de Caso
31
Paulo Anderson Dantas Reis; Lisbeth Lima Hansen; Sibila Lilian Osis
Falência Ovariana Precoce Associada à Deleção do Braço Curto do Cromossomo X: Relato
de caso
41
Patrícia Gonzales Maia; Paula Rita Leite da Silva; Izabella Barros dos Santos
Pseudocisto Esplênico Pós-Traumático: Relato de Caso
46
Adalberto Caoru Haji Júnior; Ticiane da Costa Martins; Adriano Pessoa Picanço Júnior; Rebeca Aparecida dos
Santos Di Tommaso; Ricardo Sérgio Estevam dos Santos; Ana Maria Sampaio de Melo
Manejo Operatório de Litíase Intra-Hepática em Paciente Portador de Situs Inversus
Totalis: Um Relato de Caso
51
Gerson Suguiyama Nakajima; Adriano Pessoa Picanço Júnior; Rubem Alves da Silva Neto; Priscila Cavalcanti
Ballut; Rebeca Aparecida dos Santos di Tommaso; Mônika Maya Tsuji Nishikido
Adenocarcinoma Ductal de Pâncreas Associado à Neoplasia Papilar Mucinosa Intraductal:
Relato de Caso
Rebeca Aparecida dos Santos Di Tommaso; Ticiane da Costa Martins; Adalberto Caoru Júnior; Priscilla Ribeiro
dos Santos; Marcelo Henrique dos Santos; Leonardo Simão Coelho Guimarães
56
Gestação Ovariana: Relato de Caso
62
Iracema Correia Veloso; Lana de Lourdes Aguiar Lima; Ione Rodrigues Brum
Síndrome de Mckittrick-Wheelock: Relato de Caso
66
João Bergamasco; Adriano Picanço; Ticiane Martins; Gerson Nakagima; Priscilla Ballut
Cisto Broncogênico Duplo
69
Fernando Luiz Westphal; Luiz Carlos de Lima; José Corrêa Lima Netto; Michel de Araújo Tavares; Ricardo
Augusto Monteiro Cardoso; Felipe de Siqueira Moreira Gil; Pedro Igor Lima Soares; Thaís Borges Viana
Sarcoma de Partes Moles após Radioterapia para Tratamento do Câncer de Mama
73
Fernando Luiz Westphal; Roberto Alves Pereira; Luís Carlos de Lima; José Corrêa Lima Netto; Márcia dos
Santos da Silva; Ricardo Augusto Monteiro Cardoso; Lincoln José Trindade Martins; Thaís Borges Viana
Anais da VII Jornada de Saúde da Amazônia Ocidental
75
Contents
Editorial
Fernando Luiz Westphal
11
Original Articles
History Of Otorhinolaryngology: A Brief Historical Review
13
Rodolfo Fagionato de Freitas; Bárbara Iasmine Gomes Abreu Christo; Breno Gonçalves Medeiros; Isaac Veloso
Gomes
Art Therapy Workshop With The Third Age: The Creativity Blooming
20
Karen Dalila Matsdorff Fernandes; Ana Karoline Aguiar Preslei; Thaize Maria Silva Lima; Dalila Fernandes
Monteiro; Sônia Maria Belém de Sousa; Rosana Pimentel Correia Moysés
Case Report
Osteomyelitis and Septic Arthritis Caused by Salmonella spp. In Patients With Systemic
Lupus Erythematosus
26
David Luniere Gonçalves; Maria José dos Santos Silva; Domingos Sávio Nunes de Lima
Critical Care Nursing In Maintaining The Potential Donor Of Organs And Tissues In Brain
Death: A Case Report
31
Paulo Anderson Dantas Reis; Lisbeth Lima Hansen; Sibila Lilian Osis
Premature Ovarian Failure Associated With X Chromosome Short Arm Deletion: Case Report
41
Patrícia Gonzales Maia; Paula Rita Leite da Silva; Izabella Barros dos Santos
Post-Traumatic Splenic Pseudocyst:Case Report
46
Adalberto Caoru Haji Júnior; Ticiane da Costa Martins; Adriano Pessoa Picanço Júnior; Rebeca Aparecida dos
Santos Di Tommaso; Ricardo Sérgio Estevam dos Santos; Ana Maria Sampaio de Melo
Surgical Approach Of Intrahepatic Lithiasis In A Patient With Situs Inversus Totalis: A Case
Report
51
Gerson Suguiyama Nakajima; Adriano Pessoa Picanço Júnior; Rubem Alves da Silva Neto; Priscila Cavalcanti
Ballut; Rebeca Aparecida dos Santos di Tommaso; Mônika Maya Tsuji Nishikido
Pancreatic Ductal Adenocarcinoma Associated With Intraductal Papillary Mucinous
Neoplasm: A Case Report
Rebeca Aparecida dos Santos Di Tommaso; Ticiane da Costa Martins; Adalberto Caoru Júnior; Priscilla Ribeiro
dos Santos; Marcelo Henrique dos Santos; Leonardo Simão Coelho Guimarães
56
Ovarian Pregancy: Case report
62
Iracema Correia Veloso; Lana de Lourdes Aguiar Lima; Ione Rodrigues Brum
Mckittrick-Wheelock Syndrome: A Case Report
66
João Bergamasco; Adriano Picanço; Ticiane Martins; Gerson Nakagima; Priscilla Ballut
Double Bronchogenic Cyst
69
Fernando Luiz Westphal; Luiz Carlos de Lima; José Corrêa Lima Netto; Michel de Araújo Tavares; Ricardo
Augusto Monteiro Cardoso; Felipe de Siqueira Moreira Gil; Pedro Igor Lima Soares; Thaís Borges Viana
Soft Tissue Sarcoma after Breast Cancer Radiotherapy Treatment
73
Fernando Luiz Westphal; Roberto Alves Pereira; Luís Carlos de Lima; José Corrêa Lima Netto; Márcia dos
Santos da Silva; Ricardo Augusto Monteiro Cardoso; Lincoln José Trindade Martins; Thaís Borges Viana
Anais da VII Jornada de Saúde da Amazônia Ocidental
75
Editorial
A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.
Albert Einstein
A RHUGV está no seu 11º ano de existência, dos quais nos últimos nove anos este Editor
esteve à frente deste periódico, na tentativa de melhorar, manter as publicações, ampliar e
ascender na classificação perante a Capes.
A grande dificuldade encontrada está na captação de artigos científicos originais, pois nos Programas
de Pós-Graduação a pontuação dos artigos publicados está vinculada a uma classificação superior
a de nosso periódico, ocasionando um grande imbróglio para todos os periódicos que tentam a
ascensão. Torna-se um círculo vicioso, no qual o pós-graduando ou o seu orientador não publicam
nas Revistas com classificação C, a exemplo da nossa, pois não conta pontuação para o Programa
de Pós-Graduação e, desse modo, a Revista não edita os artigos originais necessários para a
ascensão. Um dos exemplos disso, mais próximo da minha realidade, é a Revista Brasileira de
Cirurgia Torácica que editou um número e não conseguiu mais trabalhos para manter a publicação,
mesmo mantendo uma ativa divulgação da necessidade da apresentação dos artigos científicos.
A pesquisa no HUGV está num patamar bastante ínfimo quando pensamos que este é um
Hospital Universitário. Algumas ilhas de excelência conseguem realizar seus Projetos de Pesquisas
e, consequentemente, captar recursos, entretanto a maioria dos serviços encontra-se sem
Linhas de Pesquisa ou sem Pesquisadores. A essência da pesquisa passa por problemas estruturais
e organizacionais, mas sempre é possível, desde que os Chefes de Serviços estejam com o espírito
de pesquisa imbuído nas ações que norteiam seus objetivos.
A formação de Curso de Pós-Graduação pode ser uma das alternativas para o fomento da pesquisa,
pois necessariamente os trabalhos do curso serão realizados nas dependências da Instituição e
estimulará esse importante braço do tripé ensino, assistência e pesquisa.
Alguns paradigmas devem ser vencidos para a concretização da Pesquisa dentro do Hospital
Universitário Getúlio Vargas. O primeiro seria o alocamento nos postos de Chefia de pessoas
comprometidas com publicações ou com a realização de trabalhos científicos, pois só será dada a
devida importância à Pesquisa se houver líderes com o espírito voltado para a produção científica.
Uma vez que se comece, as pessoas serão estimuladas a seguir seus líderes e aí uma corrente
é formada por uma competição construtiva. Enquanto houver a indicação política de cargos de
Chefia, manter-se-á a estagnação observada atualmente na Instituição no quesito pesquisa e,
consequentemente, produção científica.
Uma das propostas dessa Diretoria seria uma compensação para o Servidor que se dedicasse ao
exercício da Pesquisa, com dedicação de parte da carga horária disponibilizada para tal. Assim o
profissional que demonstrasse interesse em desenvolver um Projeto de Pesquisa, com um objetivo
claro de publicação científica ao final, teria esse apoio da Direção, mas com o compromisso de
apresentar resultados concretos, sob pena de perder a prerrogativa de alocação da carga horária
para a Pesquisa.
Na atual perspectiva do Hospital, o qual está sendo assumido pela Empresa Brasileira de Serviços
Hospitalares (EBSERH), não observo muita preocupação com a Pesquisa, nessa etapa inicial a
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prioridade externada pelos representantes locais e da sede em Brasília é transformar o Hospital
em um Centro de Assistência à Saúde. Espero que esta minha visão esteja equivocada para que
possamos emergir do ostracismo gerado pelas mentes obstruídas do espírito científico, pesquisa
médica, características essenciais para evolução da medicina.
Fernando Luiz Westphal
Editor da Revista HUGV
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HISTÓRIA DA OTORRINOLARINGOLOGIA:
UMA BREVE REVISÃO DA PRODUÇÃO
HISTORIOGRÁFICA
HISTORY OF OTORHINOLARYNGOLOGY: A BRIEF HISTORICAL REVIEW
Rodolfo Fagionato de Freitas;* Bárbara Iasmine Gomes Abreu Christo;** Breno Gonçalves Medeiros;** Isaac Veloso Gomes**
Resumo
Abordagens terapêuticas acerca da Otorrinolaringologia já eram realizadas por gregos, hindus e
bizantinos. As descobertas mais recentes despertavam novas curiosidades e teorias a respeito da
fisiologia e das patologias do ouvido, da laringe e da cavidade nasal. O objetivo deste trabalho
consiste em relatar os avanços de cada parte dessa especialidade desde o seu surgimento até a
atualidade, e destacar a importância da Otorrinolaringologia como especialidade médica e do
estudo de métodos diagnósticos e tratamentos antigos para a compreensão das tendências atuais.
Métodos: Consiste em uma revisão de literatura, narrando o progresso da Otorrinolaringologia
como ciência e especialidade médica, enfatizando figuras históricas na laringologia, rinologia e
otologia. Conclusão: A evolução no conhecimento da anatomia, fisiologia e patologia, as experiências com determinadas abordagens terapêuticas e as figuras marcantes desse processo histórico
são de grande importância para a compreensão do conhecimento disponível e o surgimento de
curiosidades e novas teorias para o futuro da especialidade.
Palavras-chave: História; História da Medicina; Laringoscopia; Otologia; Otorrinolaringologia.
Abstract
Therapeutic approaches about Otorhinolaryngology were already performed by Greeks, Hindus,
and Byzantines. The latest discoveries arouse curiosity and new theories about the ear, larynx and
nasal cavity physiology and pathology. This paper purpose is to report the progress in each part of
this specialty since your beginning until the present time, showing the most ancient diagnostic and
therapeutic methods importance in order to understand the current trends. Methods: A review of
the literature, chronicling the progress of Otorhinolaryngology as a science and medical specialty,
emphasizing historical characters in laryngology, rhinology and otology. Conclusion: Knowledge
evolution in anatomy, physiology and pathology, experiments with specific therapeutic approaches
and these process iconic characters are historically of great importance in the understanding
about available knowledge and new theories and curiosities emergence in the specialty’s future.
Keywords: History; History of Medicine; Laryngoscopy; Otology; Otorhinolaryngology.
* Cirurgião de Cabeça e Pescoço do HUGV, professor da disciplina História da Medicina da Faculdade de Medicina da Ufam.
** Acadêmicos de Medicina.
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HISTÓRIA DA OTORRINOLARINGOLOGIA: UMA BREVE REVISÃO DA PRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA
Introdução
por um local específico do cérebro responsável
pela audição.2,3 Além disso, ele descobriu uma
Abordagens
terapêuticas
acerca
da conexão entre o cérebro e órgãos sensitivos e,
Otorrinolaringologia já eram realizadas por entre 500 e 451 a.C., relatou a existência de
gregos, hindus e bizantinos. As descobertas um tubo que conecta o ouvido com a faringe
mais
recentes
despertavam
novas superior.3,4
curiosidades e teorias a respeito da fisiologia
e das patologias do ouvido, da laringe e da Empédocles foi pioneiro em descrever a
cavidade nasal. Novos conceitos surgiram estrutura anatômica da cóclea e batizou-a de
no século 18 com o estudo da anatomia, da “caracol marinho”, e elaborou a teoria de que
fisiologia e das patologias que acometiam essas havia algo implantado no ouvido, ao qual, ao
regiões. Já o século 20 foi marcado por novas receber estímulo, produziria uma resposta, que
técnicas para abordagem cirúrgica, métodos de permaneceu até o século 18.2,3 Já Hipócrates
antissepsia, antibioticoterapia, imagenologia e manteve sua atenção nas infecções do ouvido
novas tecnologias e houve então a fusão das e a possibilidade de relação com outros órgãos
três especialidades na Otorrinolaringologia. do corpo humano, como o cérebro.2 Aristóteles
Este trabalho tem como objetivo relatar os preocupou-se em elaborar teorias de como
avanços de cada parte dessa especialidade funcionava a audição.1 Ele acreditava que havia
desde o seu surgimento até a atualidade, e um espaço ressonante dentro do ouvido interno
destacar a importância da Otorrinolaringologia com ar puro e este vibrava em resposta aos
como especialidade médica e do estudo de sons.2,3
métodos diagnósticos e tratamentos antigos
No período do Império Romano, a medicina se
para a compreensão das tendências atuais.
baseou em muitos conhecimentos gregos e em
novos conceitos, como a descrição de novos
Métodos
tratamentos por Cornelius Celsus, no século
2,3
Consiste em uma revisão de literatura, narrando 1 d.C. Sem as vantagens da microscopia
o progresso da Otorrinolaringologia como óptica, Galeno descreveu detalhadamente o
ciência e especialidade médica, enfatizando as ouvido interno e denominou-a de “Labirinto
de Creta”, e observou que o nervo do conduto
principais figuras históricas.
auditivo externo era conectado ao cérebro.2
Otologia
Após a queda do Império Romano, houve
poucos avanços no conceito sobre a área da
Primórdios
otologia.1,2 Aetius of Amida foi autor do tratado
Contractae ex Veteribus Medicinae, que foi
Em um dos documentos mais famosos do Egito
considerada uma das maiores referências da
Antigo, os papiros descobertos por George Ebers,
época para tratamento de afecções do ouvido.4
em 1872, há registros de ferimentos de guerra
Alexander de Tralles foi um dos primeiros
em ossos temporais e suas repercussões na
a descrever a existência de uma trompa de
audição e na fala, e tratamento para sintomas
audição e várias estratégias terapêuticas em
como zumbido, tontura e hipoacusia em um
1,2,3
documento conhecido como “Medicamentos Practica Alexandri Yatros.
para ouvido com audição fraca”, de 1500 a.C.1,2
Séculos 16, 17 e 18
Na Grécia, realizavam-se estudos anatômicos
com o objetivo de compreender o funcionamento Antes do Renascimento, o conhecimento
do corpo humano e como aconteciam as anatômico do aparelho auditivo era limitado
doenças. Alcmeon de Crotona elaborou a pelas estruturas visíveis a olho nu. O tratamento
teoria de que a audição era um fenômeno das enfermidades relacionadas ao ouvido era
fisiológico que consistia de movimentos do ar realizado de forma empírica e a abordagem
que entravam pelo ouvido e eram captados cirúrgica era reservada aos casos de trauma
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Freitas et al
e retirada de corpo estranho.2,3 Na Itália,
Berengario de Carpi e Ingrassia de Nápoles
descreveram de forma anatômica os ossículos da
orelha média. Eustáquio descreveu estruturas
que antes eram inacessíveis, como a tuba
auditiva, relatada de forma anatomicamente
detalhada em De Auditus Organis.3
Versálio, em sua obra The Fabrica (1543),
relatou as janelas oval e redonda e os ossículos
martelo e bigorna. Falópio, da escola de Pádua,
investigou o canal do nervo facial, que recebeu
seu nome (Aqueduto de Falópio), descreveu o
tímpano pela semelhança com um tambor e, no
trabalho De morbo gallico, relatou um zumbido
de forte intensidade presente em alguns quadros
de estágio avançado da sífilis.2,3 Hiermonymus
Capivacci descreveu a origem da perda auditiva
de acordo com a porção acometida, como a
perda auditiva de causa neurossensorial, e
introduziu o teste de condução auditiva por via
óssea.3
Samuel Thomas von Soemmerring elaborou um
atlas de anatomia em 1806, que foi considerado
um dos maiores avanços na Alemanha.3
Alfonso Corti descreveu minuciosamente o que
foi nomeado posteriormente de órgão de Corti
por meio de técnicas de dissecação com auxílio
de microscópio e, com isso, elaborou o trabalho
Recherches sur lorgane de loute.2,3 Prosper
Ménière relatou a tríade clássica da doença
que atualmente carrega o seu nome: vertigem
periódica, hipoacusia e zumbido.1,2 Em Paris,
Gilbert Breschet foi o primeiro a mencionar
os termos “otoconia” e “helicotrema”, e
descreveu as diferenças entre perilinfa e
endolinfa.3
O século 20 foi considerado a Era de Ouro da
Otorrinolaringologia, pois houve a fusão da
otologia com a laringologia. Adam Politzer
renovou relatos da história da otologia e foi
considerado o pai da otologia moderna.1.2 Em
1901, Perry abriu o conduto auditivo interno de
Hiermymus
Mercurialis
publicou
De um paciente com doença de Ménière, seccionou
compositione medicamentorum, considerado o o nervo, dando início à neurotomia do 8.º par
primeiro manual clínico de otologia.1,2 Fabricius craniano.3,6 Em 1911, construiu-se a primeira
Hildanus, em Obserevationum et curationum cátedra de Otorrinolaringologia, tendo como
chirurgicarum centuriae, citou causas de primeiro catedrático Eduardo Rodrigues de
perda auditiva e afirmou que essas situações Moraes. Um ano depois, Kisch descreveu uma
resultavam em lesão irreversível por ruptura timpanoplastia.3 Em 1914, Robert Bárany, um dos
traumática da membrana timpânica.3
mais conhecidos estudantes de Adam Politzer,
recebeu o primeiro prêmio Nobel concedido à
Floriano Caldani descreveu microscopicamente Otorrinolaringologia por seus trabalhos sobre
a membrana timpânica. Cotugno, da Escola fisiologia e patologia do aparelho vestibular.1.2
de Nápoles, descreveu a perilinfa, e Scarpa
a endolinfa e descreveu detalhadamente a Além disso, Fletcher e Wegel introduziram o
cóclea e sua função na audição humana em De exame audiométrico para pesquisa de perda
acquaeductibus auris humanae.1,3 Edme-Guilles auditiva. Schutt e Meyers foram os primeiros
Guyot elaborou de forma pioneira o cateter a estudar o nistagmo.3 Nesse mesmo ano,
para a tuba de Eustáquio, cujos benefícios o brasileiro Mário de Ottoni publicou uma
foram descritos em 1724 pela Academic Royale importante monografia sobre fisioneurologia e
des Sciences, em Paris.3
patologias do aparelho vestibular.1,2,3 Em 1933,
Mário Ottoni de Rezende e Homero Cordeiro
Séculos 19 e 20
iniciaram a edição da Revista Otolaringológica
de São Paulo, que depois foi renomeada de
Todas as contribuições anteriores resultaram Revista Brasileira de Otorrinolaringologia.2,3
no reconhecimento da otologia como uma
especialidade clínica e cirúrgica.3 O médico Em 1953, surgiu a modalidade de cirurgia
francês Breschet, com a obra Recherches por microscopia moderna por conta do
anatomiques et physiologiques sur lorgane de desenvolvimento do microscópio binocular pela
louïe, organizou a nomenclatura otoanatômica.1,5 Zeiss Optical Company, nos Estados Unidos.2
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HISTÓRIA DA OTORRINOLARINGOLOGIA: UMA BREVE REVISÃO DA PRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA
Fritz Zöllner e Horst Wüllstein escreveram vários
relatos acerca do tratamento de perfurações
timpânicas por meio de timpanoplastia através
de microscópios binoculares.1,3 No Brasil, o
primeiro implante de cóclea foi realizado
por Pedro Albernaz em 1977. Ricardo Bento e
William House, dos Estados Unidos, iniciaram
uma técnica de implante de tronco cerebral,
com recuperação de parte da audição.1,2
Além desses avanços, o surgimento da
tomografia computadorizada e da ressonância
nuclear magnética revelou muitas estruturas
normais e patológicas do ouvido e o avanço
dos aparelhos para execução de audiometria
permitiu uma identificação precoce e precisa
da perda auditiva.1,7
Vários genes que estão relacionados com
a perda auditiva foram identificados pelo
projeto Genoma e a engenharia genética com
alteração de DNA, em 2005. Além disso, estudos
estão sendo realizados a respeito do uso de
células-tronco no reparo e regeneração das
células ciliadas.1,2,4
Laringologia
Primórdios
Uma das mais antigas referências da laringologia
consiste em um desenho de aproximadamente
3.600 a.C. que possivelmente retrata uma
traqueostomia, encontrado em tumbas nas
planície de Saqqara, no Egito. Na Índia,
alguns documentos antigos com tratamentos
e medicações para desordens da voz foram
encontrados, como o “Sushtrata” e o “Charaka”,
de 300 a.C. e 100 a.C., respectivamente, estes
indicavam algum conhecimento anatômico da
laringe e a origem da voz.7,8
Aristóteles menciona a localização da laringe e
relata que a respiração e fala ocorrem através
dessa região, em 350 a.C., em seu livro Historia
Animalium, livro I, capítulo XII. Além disso,
em 290 a.C., Erasistratos descreve a função
dos músculos da laringe, enquanto Galeno
discursava sobre a função laríngea no século
2, em seu tratado De usu partium corporis
humini.7,8
Alexandre, o Grande, é relatado por ter
realizado uma traqueostomia em um soldado
com a ponta de sua espada na região conhecida
por Aristóteles como “moinho de vento”.2,7
Séculos 16, 17 e 18
Dissecações de cadáveres humanos foram
realizadas, que resultou no surgimento
de descrições detalhadas da laringe e seu
funcionamento.1 Ainda fora realizada a
primeira laringotomia por Musa Brasavola, em
1545, na Itália. O trabalho de Giovani Morgagni,
Adversaria Anatomica Prima, trouxe descrições
detalhadas da laringe.1,6 Bertin corrigiu Ferrein
ao relatar que as estruturas ditas por Ferrein
eram pregas vocais ao invés de cordas, como no
violino.2,7
Século 19
Para que o desenvolvimento da laringologia
ocorresse, necessitou-se do desenvolvimento
de aparelhos capazes de permitir a visualização
da laringe, além das técnicas de assepsia,
anestesia e conhecimento em patologia celular.2
Bozzini, em 1807, elaborou um dispositivo para
avaliação da nasofaringe e da hipofaringe4.
Em 1829, Babington elaborou um modelo de
laringoscópio, que permitiu a realização de
exames da região supraglótica, porém não havia
referência a respeito da visualização das pregas
vocais.4,7,8
Manuel Garcia, apesar de ser professor de
canto, foi o primeiro a examinar com espelhos
sua laringe e a visualizar as pregas vocais, em
1855.2,4,7,8 Em sua publicação, há descrição
da função das pregas vocais nos fenômenos
de inspiração e vocalização, e importantes
conclusões a respeito da produção de som
pela laringe.4,8 Türck utilizou os espelhos
laríngeos para examinar sua laringe e verificar
patologias laríngeas em seus pacientes, porém
apenas no verão e primavera na Europa, pela
necessidade de luz solar para funcionamento
de seus espelhos.8 Czermak examinou pacientes
com patologias na laringe utilizando a técnica
de Türck e luz artificial, permitindo o uso de
espelhos durante o outono e inverno.1,2,8
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Freitas et al
O inglês Sir Morrell Mackenzie redesenhou
o espelho de Czermack, dando-o o nome
de laringoscópio, também realizou biópsias
laríngeas por meio de laringoscopia indireta.1,2
Karl Koller e Edmund Jelinek, oftalmologista
e laringologista, respectivamente, realizaram
a anestesia local da laringe por intermédio
de cocaína para cirurgia laríngea.8 Em 1870,
foi desenvolvido um retrator de epiglote por
Reichert. Três anos depois, em Viena, Billroth
realizava a primeira laringectomia total, sendo
a principal complicação de seu paciente a
aspiração e dificuldade de deglutição. Logo,
em 1874, Carl Gussember desenvolveu uma
prótese vocal para os pacientes submetidos
à laringectomia por Billroth.1,2,7 Em 1895,
Oertel utilizou um estroboscópio mecânico
para avaliação da vibração das cordas vocais.
Esse modelo foi aprimorado e resultaria na
estroboscopia eletrônica, em 1960.2,4,8
laringe em Cleverland, porém houve rejeição
do órgão pelo paciente.7,8
Rinologia
Primórdios
O estudo da região nasal, o olfato e o
conhecimento dos seios paranasais remontam
das épocas mais remotas, assim como novas
formas de tratamento que foram proferidas
por meio da experiência adquirida.5 Os
médicos egípcios foram os pioneiros na
realização de cirurgias da região nasal e
realizavam remoção de massa encefálica através
do nariz. No papiro de Edwin Smith, de 1600
a.C., há descrição do tratamento de fratura
de septo nasal acompanhada de remoção e
estancamento de hemorragias, o osso fraturado
ou desalinhado devia ser forçado a voltar e as
narinas, envolvidas com tiras de linho saturado
Século 20
de gordura e mel.2,5 O primeiro exame do
O início do século 20 foi marcado pela nariz está documentado em um registro hindu
mudança de ambiente de realização da “Suchruta-samhita”, em que é descrito um
telelaringoestroboscopia e a laringoscopia espéculo nasal tubular, confeccionado com
de suspensão do ambiente ambulatorial para bambu, além de tonsilectomias e2,9reconstrução
o cirúrgico.4 Nos Estados Unidos, iniciou-se nasal a partir de retalho frontal. Hipócrates,
métodos
o uso de “guilhotinas” para tonsilectomias, no século 5 a.C., já descrevia
9
popularizado por Greenfield Sluder. Microscópios terapêuticos para lesões nasais.
monoculares se tornaram úteis para realização
de cirurgias na laringe, sendo o alemão Brunings Séculos 15 ao 17
e o estadunidense Jackson os iniciadores
dessa prática, que permitiu posteriormente o Na Idade Média, foram atribuídas funções
surgimento de laringoscópios binoculares de obscuras aos seios paranasais, como servir
Yankauer, depois redesenhados por Jako, em de espaço de drenagem de espíritos malignos
do cérebro, que atribuíram nomes aos seios
1970.2,7,8
paranasais, como “la cloaca del cérebro”,
Avanços médicos permitiram o uso de medicina segundo o2,5 médico espanhol Sansovino, no
nuclear na radioterapia de lesões malignas século 16. Em 1660, Schneider, da cidade
da laringe, desenvolvimento de endoscópios de Wittenberg, na Alemanha, foi o primeiro a
com fibra óptica e realização de tireoplastias, elaborar uma teoria de que o muco presente
reconstrução da cavidade oral, retalhos e nos seios paranasais era um produto do cérebro
anastomoses microvasculares por meio de novas das estruturas paranasais quando normais,
grande quantidade nos quadros
tecnologias.8 A microcirurgia endolaríngea presente em 4,5,9
inflamatórios.
alcançou novos patamares, não se limitando
apenas a tratar lesões que se projetassem para
o espaço glótico.2,4 Houve popularização das
tireoplastias no final da década de 1980, sendo
estas publicadas desde 1976 por Isshiki; e em
1998 realizou-se o primeiro transplante de
Hipócrates já tinha identificado partes da
anatomia nasal, mas foi somente no século 15
que as conchas nasais e seios paranasais foram
descritos de forma minuciosa por Leonardo da
Vinci.10 Já as inserções posteriores das conchas
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
HISTÓRIA DA OTORRINOLARINGOLOGIA: UMA BREVE REVISÃO DA PRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA
médias foram descritas pela primeira vez por
Georg Thomas, no trabalho Anatomiae pars
prior, em 1536.2,9 O primeiro livro dedicado
inteiramente à descrição das técnicas
cirúrgicas para rinoplastia foi lançado em 1597,
intitulado “Tratado sobre a Rinoplastia”, por
Gaspare Tagliacozzi, professor da Universidade
de Bolonha, que tinha grande acúmulo de
experiência no assunto. Por essa obra, sugeriu
novas técnicas para rotação de retalhos sobre a
pirâmide nasal.1,6
As décadas que antecederam o século 20
impulsionaram estudos de anatomia seccional e
cirúrgica, com nomes como Grunwald, Onodi,
Hajek, que participaram do nascimento da
especialidade de rinologia, fazendo as bases
dos conceitos atuais de diagnóstico e terapia
das doenças da cavidade nasal e seios da face.5
O século 20 iniciou-se com uma queda do
interesse pela área da rinologia, principalmente
pela divulgação do uso de antibióticos no
tratamento de patologias da região nasal, que
Séculos 17 e 18
reduziu a necessidade de cirurgias nos seios
paranasais.5,10 O brasileiro Ermiro Estevam de
Durante os séculos 17 e 18, a principal discussão Lima desenvolveu o acesso transmaxilar aos seios
científica que envolvia a região nasal era sobre etmoidal e esfenoidal, para o qual criou a cureta
a função e propósitos dos seios paranasais.5 que leva seu nome. A via cirúrgica citada passou
Giovanni Battista Morgagni (1682-1771) é desde logo a ser conhecida mundialmente como
considerado o pai da patogênese moderna. Ele “Operação de Ermiro de Lima”. Além disso,
justificou o surgimento de esporas e desvio do fundou a Sociedade Brasileira de Rinologia, em
septo nasal como sendo por conta do rápido 1974.9
crescimento do septo em relação aos outros
ossos da região maxilar, resultando em uma Na metade do século, o microscópio passou
curvatura.10 Quelmaltz, em 1750, publicou a ser utilizado em cirurgias nasais, o que
um tratado sobre os desvios do septo nasal, permitiu avanço nas técnicas cirúrgicas.2,6 Um
afirmando que a pressão em cima do nariz maior conhecimento de anatomia, fisiologia
durante um trabalho de parto difícil, o ato de e patologia dos seios paranasais, graças ao
cair na infância e o ato de empurrar o dedo no professor Walter Messerklinger e seu sucessor,
nariz durante a infância causavam condições professor H. Stammberger, da Áustria, nos
inflamatórias de origem traumática.2,10 Lamorier, trabalhos sobre a aeração das células etmoidais
em 1743, já realizava abertura do seio maxilar anteriores foram uma chave importante para o
através da cavidade oral, que permaneceu como conhecimento da drenagem e aeração dos seios
procedimento padrão-ouro por muito tempo. paranasais. Messerklinger revitalizou o uso dos
Ele publicou, entretanto, descrições de suas endoscópios ao utilizá-los na realização de
experiências somente 25 anos depois.5,10
cirurgias nasais e procedimentos diagnósticos.2,5
Em 1954, o uso de novas tecnologias
permitiu o avanço nas técnicas endoscópicas,
Caldwell, nos Estados Unidos, em 1893, principalmente com o desenvolvimento dos
publicou seu método em que realizava a endoscópios com fibra óptica, pela Storz
abertura do seio maxilar através da fossa Fiberoptic Company. Esses avanços somados
canina, removendo a membrana mucosa e uma à tomografia computadorizada, desenvolvida
abertura na parede lateral do meato inferior.5 em 1969 por Geoffrey Hounsfield, tornaram
Sem ter conhecimento dos trabalhos de Luc, em possível uma análise detalhada da cavidade
Paris, em 1897, reportou seu método, que era nasal, em particular da parede lateral e
praticamente idêntico ao do médico americano. do complexo osteomeatal.9,10 Outro fator
Tal procedimento é conhecido, hoje, como o que aumentou o interesse na rinologia foi a
método de Caldwell-Luc.2,5
desmistificação da rinoplastia, trabalho feito
pela Academia Americana de Cirurgia Plástica
O conhecimento atual da anatomia se deve em Facial e Reconstrutiva, fundada em 1964 pela
grande parte ao trabalho de Emil Zuckerkandl. Academia Europeia de Cirurgia Facial (Joseph
Séculos 19 e 20
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Freitas et al
Society). Isso trouxe para a Otorrinolaringologia
um campo de domínio antes exclusivo de
cirurgiões plásticos.2,5
6. Tange RA. Some historical aspects of the
surgical treatment of the infected maxillary
sinus. Rhinology. 1991; 29(2): 155-63.
Conclusão
7.
Weir,
N.
History
of
Medicine:
Otorhinolaryngology. Postgrad. Med. J. 2000;
76: 61-79.
A evolução no conhecimento da anatomia,
fisiologia e patologia, as experiências com
determinadas abordagens terapêuticas e as
figuras marcantes desse processo histórico são
de grande importância para a compreensão do
conhecimento disponível e o surgimento de
curiosidades e novas teorias para o futuro da
especialidade.
Além disso, houve um aumento da atuação
dos médicos especialistas na área de cirurgia
plástica de face, como otoplastia e rinoplastia,
e doenças cérvico-faciais pela complementação
da Otorrinolaringologia e o surgimento da
especialidade Otorrinolaringologia e Cirurgia
Cérvico-facial.
Referências
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Centennial Celebration. Otolaryngology-Head
and Neck Surgery. 1996; 114(3): 345-54.
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of nasal injuries by Hippocrates. Annals of
Otology, Rhinology and Laryngology. 2003;
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11. Júnior LCM, Oiticica J, Batissoco AC.
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OFICINA DE ARTETERAPIA COM A TERCEIRA
IDADE: O DESABROCHAR DA CRIATIVIDADE
ART THERAPY WORKSHOP WITH THE THIRD AGE: THE CREATIVITY BLOOMING
Karen Dalila Matsdorff Fernandes;* Ana Karoline Aguiar Preslei;** Thaize Maria Silva Lima;** Dalila Fernandes Monteiro;*** Sônia Maria Belém de
Sousa;**** Rosana Pimentel Correia Moysés*****
Resumo
Introdução: A arteterapia é a terapia onde a expressão artística é o principal veículo de
comunicação. Na terceira idade, a realização de alguma arte, além de socializar, permite ao
homem liberar sentimentos e emoções. Ela mantém as experimentações criativas e expressivas,
e funciona como fator ativador de núcleos de vitalidade e de comunicação. Objetivos: Descrever
a realização de uma oficina de arteterapia com idosos em um Centro de Convivência do Idoso
na cidade de Manaus e a equipe multiprofissional de saúde do Hospital Universitário Getúlio
Vargas – HUGV. Metodologia: Estudo descritivo, abordagem qualitativa, que descreve a oficina de
arteterapia realizada pela equipe multiprofissional que reuniu os idosos no auditório do Centro de
Convivência do Idoso. Resultados: Neste trabalho os idosos mostraram-se atentos, participativos,
demonstrando grande satisfação com a atividade proposta. Durante a realização da atividade, eles
trocavam experiências entre si de forma lúdica, desenvolvendo sua criatividade e expressando
emoções de forma livre. Conclusão: Diante dos benefícios que a arteterapia proporciona aos
idosos, torna-se evidente a necessidade de trabalhar regularmente com essa técnica, visando
à ludicidade com públicos da terceira idade, pois os resultados são muito mais significativos e
observáveis, favorecendo o aprendizado e a participação ativa.
Palavras-chave: Terapia pela Arte; Idoso; Centro de Convivência e Lazer.
Abstract
Introduction: Art therapy is a therapeutic instrument where artistic expression is the primary
communication vehicle. In old age, some art realization and socializing, allows man to release
feelings and emotions. It maintains creative and expressive experiments, working as vitality and
communication core factors. Objectives: To describe a seniors therapy workshop implementation
in an Elderly Community Center in Manaus city and the multidisciplinary health care team from
Getúlio Vargas University Hospital – HUGV. Methodology: A descriptive, qualitative approach,
which relates the art therapy workshop conducted by the multidisciplinary team at Elderly
Community Centre. Results: In this work, the elderly showed up attentive, participative, showing
great satisfaction with the proposed activity. While performing the activity they were exchanging
experiences among themselves through play, in order to develop their creativity and to express
their emotions freely. Conclusion: Considering the benefits that art therapy provides for the
elderly, it becomes evident this technique regularly working need, aimed at mental and social
*Residente de Psicologia do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde – Ufam/HUGV.
**Residente de Nutrição do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde – Ufam/HUGV.
***Residente de Fisioterapia do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde – Ufam/HUGV.
****Psicóloga do Serviço de Psicologia Clínica – HUGV.
*****Docente da Universidade Federal do Amazonas – Ufam.
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OFICINA DE ARTETERAPIA COM A TERCEIRA IDADE: O DESABROCHAR DA CRIATIVIDADE
third age health maintenance, with more meaningful and observable results, promoting learning
and active participation.
Keywords: : Art therapy; Elderly; Community Center and Recreation.
Introdução
A arteterapia é a terapia onde a expressão
artística é o principal veículo de comunicação.
Em arteterapia não é necessário preocupar-se
com a estética, sendo o valor simbólico da
criação e o que isso trará como melhoria para o
ser humano o fundamental da atividade.1
É de certa forma um meio de comunicação que
pode ser expressado por sua arte executada
e que em graus variados mostra sua realidade
interior, assim como sua realidade externa,
sendo exemplificado por projetos que ganham
vida por meio da arte.
de renovação, mudanças e realização. Com o
resgate da autoestima, a alegria, a descoberta
de potencialidades, o prazer de expressar e ser
ouvido são expectativas para uma vida plena.4
Para a grande maioria, a velhice é uma
etapa da vida cercada por impedimentos
e constrangimentos. Envelhecer significa
enfrentar transformações no corpo e na vida
social. As mudanças na vida social são mais
difíceis de serem aceitas do que os limites que
o corpo impõe com o avançar da idade.5
Muitas vezes em decorrência do tempo livre que
a aposentadoria acarreta, sentimentos negativos
como a depressão e a solidão também podem
aparecer. Quando isso acontece, a realização
de alguma arte, além de socializar, permite
ao homem liberar sentimentos e emoções.
Ela mantém as experimentações criativas e
expressivas, e funciona como fator ativador de
núcleos de vitalidade e de comunicação.5
É imprescindível que esse tipo de atividade
melhore a autoestima e a performance cognitiva
dos indivíduos. Onde a arte possibilita inúmeros
canais de expressão, seja por meio das tintas
e pincéis, da modelagem, da música, teatro,
dança, escrita, entre outros. É praticamente
infindável a gama de opções que nos oferece o
Com base nos benefícios que a arteterapia
fazer artístico.2
pode desencadear aos indivíduos que estão
A prática da arteterapia promove mudanças vivenciando a terceira idade, descreveremos a
no campo afetivo, interpessoal e relacional, realização de uma oficina de arteterapia com
melhorando
o
equilíbrio
emocional
e idosos em um Centro de Convivência do Idoso na
promovendo bem-estar. Constitui-se em uma cidade de Manaus e a equipe multiprofissional
prática multidisciplinar, pois reúne saberes de saúde do Hospital Universitário Getúlio
de diversas áreas do conhecimento, buscando Vargas – HUGV.
resgatar o homem na sua integralidade.2
O Censo 2010 indica que a pirâmide etária
brasileira se alterou profundamente na última
década. O Brasil está passando por um processo
de envelhecimento, que fará com que o país
deixe de ser majoritariamente jovem para se
tornar uma nação madura em 2040.3
A terceira idade não precisa ser um período
de declínio e decadência, se vivida de
maneira saudável e ativa poderá ser uma fase
natural da existência, com probabilidades
Metodologia
Este é um estudo descritivo, de abordagem
qualitativa. O cenário foi o Centro de
Convivência do Idoso, localizado na cidade
de Manaus, no bairro Manoa. A equipe da
Residência Multiprofissional em Saúde do
Hospital Universitário Getúlio Vargas, composta
por duas nutricionistas, uma fisioterapeuta e
uma psicóloga, estava atuando nesse centro,
realizando semanalmente atividades com o
grupo de idosos, abordando temas diferenciados
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Fernandes et al
tais como: Ginástica Laboral, Mutirão Hiperdia,
Prevenção de Quedas e Osteoporose, Higiene
Corporal, Alimentação Saudável na Terceira
Idade e Oficina de Memória. Além destas,
decidiu-se realizar a Oficina de Arteterapia que
foi avisada a eles com antecedência de uma
semana, para que pudessem levar o material
necessário, que nesse caso foi uma lata de
alimento vazia.
Este estudo teve como base a experiência
profissional vivida durante a realização de
uma oficina de arteterapia com idosos no
Centro de Convivência do Idoso em Manaus.
Essa atividade foi realizada por 50 idosos com
a orientação de uma equipe multiprofissional.
Para o desenvolvimento desse relato, foi
utilizado o método descritivo das etapas da
oficina de arteterapia. O relato está focado nas
percepções da profissional de psicologia.
Relato da Experiência: Oficina de
Arteterapia na Terceira Idade: O
Desabrochar da Criatividade
A equipe multiprofissional reuniu os idosos no
auditório do Centro de Convivência do Idoso,
este era equipado com mesas e cadeiras. Os
idosos foram divididos em grupos, totalizando
oito grupos, de acordo com a capacidade de
cada mesa, para facilitar o uso do material.
Figura 1: Idosos divididos em grupos no auditório. Fonte: Matsdorff, 2011.
O material utilizado para realização da atividade
foi: primer, tinta, verniz para artesanato,
papel para decoupage, pincel, secador de
cabelo, tesoura e cola para artesanato. Com
exceção das latas, o material utilizado foi
levado pelos residentes.
O público foi cerca de cinquenta idosos, sendo a
maioria do sexo feminino. Cada um deles levou
a sua lata conforme solicitado para que fosse
possível a realização da arte proposta. Após
posicioná-los nos grupos, foram dadas as
informações de como a atividade seria realizada,
então o material foi dividido em todas as mesas.
O primeiro passo foi passar o primer nas latas,
em seguida eram secas por meio do secador. O
terceiro passo foi pintar a lata com a cor de sua
preferência.
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OFICINA DE ARTETERAPIA COM A TERCEIRA IDADE: O DESABROCHAR DA CRIATIVIDADE
Figura 2: Idosos realizando a pintura de suas latas. Fonte: Matsdorff, 2011.
Estando a pintura seca, o idoso escolhia uma
imagem do papel de decoupage para colar em
sua lata. Então passavam a cola e colavam a
imagem conforme sua predileção. O último
passo e para finalizar a arte, caso desejado, os
idosos podiam passar verniz.
Figura 3: Apresentação do trabalho pronto. Fonte: Matsdorff, 2011.
Resultados
Nesse trabalho os idosos mostraram-se atentos,
participativos e motivados para a confecção das
latas. Todos os idosos confeccionaram uma arte
com a lata, fazendo uso da técnica aprendida,
demonstrando grande satisfação com a atividade
proposta. Observou-se que durante a realização
da atividade eles trocavam experiências entre si
de forma lúdica, desenvolvendo sua criatividade
e expressando emoções de forma livre. Tiveram
a oportunidade de trabalhar a coordenação
visomotora, a memória, a criatividade,
concentração e o senso estético. Exercitaram
a sociabilidade, recuperação da autoestima, a
alegria e a motivação.
Discussão
A participação de idosos em processos de
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Fernandes et al
aprendizagem e envolvimento com atividades,
como a oficina de arteterapia, melhora a
qualidade de vida e o torna autor do seu
processo de viver. Ter qualidade de vida não
é algo que acontece naturalmente, pois exige
compromisso (para consigo e para com os
outros), altruísmo e implicação para com “a
arte de viver e conviver”. Como ser pensante
e “ser aprendiz” que é, o ser humano necessita
aprender a comprometer-se e implicar-se para
com o seu processo de viver (e de conviver),
importando-se com esse processo e construindo-o
de modo que lhe proporcione eficaz qualidade
de vida durante todo o seu ciclo vital.6
institucionalizados, visto que a pessoa sai da
posição incômoda de perceber-se como inútil e
passa a se ver como alguém com possibilidade
de criar e dar vida a algo com as próprias mãos.
A arteterapia leva ao autoconhecimento e à autoconfiança, aspectos essenciais para a pessoa
idosa aproveitar ao máximo o próprio potencial.8
De acordo com a literatura, faz-se necessário a
realização de vários encontros com idosos para
se obter um resultado perceptível de ganhos ou
mudanças na maneira de os idosos vivenciarem
essa fase da vida.
A participação nessas atividades possibilita aos
idosos identificar as potencialidades presentes
e possíveis, promovendo a derrubada dos
mitos sobre a velhice que tornam os idosos
passivos, inoperantes e improdutivos. Quando
participantes, os idosos podem desenvolver as
capacidades cognitivas e intelectuais, melhorar
a autoestima, interação com pessoas da
mesma idade, sentimentos de participação em
um grupo social e conquista de novas amizades.6
Após a realização da oficina, observamos a
necessidade em realizar mais encontros, para
oportunizar outras formas de expressão com os
idosos, para que os benefícios sejam maiores.
Conscientizou-nos, porém, como equipe
multiprofissional de saúde em formação, a
necessidade de trabalhar com arteterapia
visando à ludicidade com públicos da terceira
idade, pois os resultados são muito mais
significativos e observáveis, favorecendo o
aprendizado e a participação ativa.
Com a arteterapia os idosos ampliam as
possibilidades de socialização, convivendo em
um ambiente social de convivência saudável
com outras pessoas da mesma condição e
a realização de atividades proveitosas e
gratificantes.7
Conclusão
Referências
1. Sved AL. A arteterapia e a terceira idade.
Monografia
apresentada
como
requisito
parcial para obtenção do grau em Especialista
em Arteterapia. Universidade Candido Mendes.
Os profissionais da saúde e da educação, por Rio de Janeiro, 2002.
meio da arte, têm a possibilidade de auxiliar
os outros seres humanos, que é o objetivo 2. Coqueiro NF, Vieira FRR, Freitas MMC.
primeiro das profissões de ajuda. Pela arte Arteterapia como dispositivo terapêutico em
desenvolvem-se os valores essenciais da pessoa, saúde mental. Acta Paul Enferm, 2010; 23(6):
é possível conhecê-la melhor para poder 859-62.
cuidá-la bem. Desse modo, autores ressaltam a
importância da ligação entre arte, educação e 3. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e
saúde. Trata-se de uma alternativa de cuidado. Estatística. IBGE Cidades (Censo Demográfico
Cuidado e conforto sempre fizeram parte da 2010).
atividade da saúde e da educação; porém,
com o passar do tempo, centralizou-se a 4. Schambeck LD. Arteterapia na terceira
atenção ao modelo de intervenção tradicional, idade: busca da felicidade, prazer, integração
extremamente tecnicista e assistencialista.8
e promoção da saúde. Monografia apresentada
à diretoria de pós-graduação da Universidade
Estudos realizados com pessoas da terceira do Extremo Sul Catarinense – Unesc, para a
idade, fazendo uso da arteterapia, relatam obtenção do título de Especialista em Saúde
as transformações ocorridas em idosos Pública e Ação Comunitária. Criciúma, 2004.
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OFICINA DE ARTETERAPIA COM A TERCEIRA IDADE: O DESABROCHAR DA CRIATIVIDADE
5. Guedes MHM, Guedes HM, Almeida MEF.
Efeito da prática de trabalhos manuais sobre
a autoimagem de idosos. Artigos originais. Rev
Bras Geriatr Gerontol. Rio de Janeiro, 2011;
14(4): 731-742.
6. Roldão FD. Aprendizagem contínua de
adulto-idosos e qualidade de vida: refletindo
sobre possibilidades em atividades de extensão
nas universidades. RBCEH, Passo Fundo, v. 6, n.
1, p. 61-73, jan./abr., 2009.
7. Lima CCP. Os benefícios da arteterapia para
melhoria da qualidade de vida das pessoas
na terceira idade. Apresentação de Monografia
à Universidade Candido Mendes como
condição prévia para a conclusão do curso de
Pós-Graduação em Arteterapia e Educação e
Saúde. Niterói, 2007.
8. Portella MR, Ormezzano G. Arteterapia
no cuidado gerontológico: reflexões sobre
vivências criativas na velhice e na educação.
Revista Transdisciplinar de Gerontologia. Ano IV,
volume III, número 2, 2010.
Endereço correspondente:
Karen Dalila Matsdorff Fernandes
Universidade Federal do Amazonas – Ufam,
Brasil. E-mail: [email protected]
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OESTEOMILITE ARTRITE SÉPTICA OCASIONADA
POR SALMONELLA SPP EM PACIENTE COM
LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
OSTEOMYELITIS AND SEPTIC ARTHRITIS CAUSED BY SALMONELLA SPP.
IN PATIENTS WITH SYSTEMIC LUPUS ERYTHEMATOSUS
David Luniere Gonçalves;* Maria José dos Santos Silva;* Domingos Sávio Nunes de Lima**
Resumo
A presença de artrite em vigência do uso de corticosteroides é incomum no Lúpus Eritematoso
Sistêmico (LES) típico, o que leva a procurar por uma infecção. Quando uma artrite séptica ocorre, a
Salmonella pode ser um dos agentes a ser reconhecido. Por conta da localização direta da bactéria,
a artrite pode ser mono ou poliarticular e ter um curso prolongado com recaídas, levando a um
prognóstico reservado com danos articulares graves e septicemia. O tratamento combinado da
doença de base, com imunossupressores e corticosteroide, certamente contribuem para a difusão
de infecção por Salmonella. É relatado um caso clínico de artrite séptica e osteomielite numa
paciente jovem com sintomas sugestivos e em uso de corticosteroides, que abriu o quadro clínico
nas articulações após fazer pulsoterapia com ciclofosfamida. Foi iniciado tratamento clínico com
antibiótico e, posteriormente, a paciente foi submetida a uma limpeza cirúrgica.
Palavras-chave: LES; Artrite Séptica; Osteomielite; Ciclofosfamida.
Abstract
The arthritis presence during corticosteroids administration in SLE is an unusual characteristic,
which leads to search for an infection site. When a septic arthritis occur the Salmonella can
be one of the agents to be recognized. The bacterium direct location can lead the clinic to
presents as mono or polyarthritic pattern with a prolonged relapsing course and a poor prognosis
due to the severe joint damage and septicemia. The underlying disease combined treatment,
with corticosteroids and immunosuppressants, certainly contribute to the Salmonella infections
spreading. A septic arthrits and osteomyelitis case report in a young patient, at the time using
corticosteroids with suggestive symptoms, which opened joints clinical outbreak after making
pulse cyclophosphamide terapy. Clinical treatment was initiated with antibiotic therapy and
subsequently surgical cleaning.
Keywords: SLE; Septic Arthritis; Osteomyelitis; Cyclophosphamide.
Introdução
Pacientes com LES são altamente suscetíveis
a infecções, com mortalidade média de
4,7% que varia de 1,2 a 36%.1 Os agentes
patogênicos bacterianos mais frequentemente
reconhecidos, em ordem de prevalência, são
o Staphylococcus aureus, Escherichia coli,
Klebsiella pneumoniae, Pneumococos, Proteus, Pseudomonas e Salmonella spp.2 Entre
* Médico residente de Clínica Médica do HUGV-Ufam.
** Médico reumatologista/preceptor da Residência de Clínica Médica e supervisor da Residência de Reumatologia do HUGV-Ufam.
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OSTEOMIELITE E ARTRITE SÉPTICA SALMONELLA SPP. EM PACIENTE COM LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
essas infecções, a Salmonella continua a ser
uma ameaça considerável.3 As salmonelas são
bactérias gram-negativas aeróbias veiculadas,
principalmente, por alimentos contaminados;
sua disseminação é por via hematogênica,
podendo causar infecção em qualquer órgão.
Na osteomielite a principal complicação
da infecção por salmonela é a formação de
abscessos.
de Patrick-Fabere positivo, Volkman positivo
e dor à compressão direta posterior. Aparelho
cardiorrespiratório e abdome sem alterações.
Laboratório: Hb: 9,8 g/dL, Leuco: 12.150 µL,
Seg: 62%, Plaq: 340.000 µL, Ureia: 40 mg/dL,
Creatinina: 0,5 mg/dL PCR: 192 µL/dl, VHS: 63
mm/s.
Iniciada investigação para a artrite de grandes
e médias articulações, sendo realizado
Fatores predisponentes para a infecção artrocentese de joelho direito, o qual evidenciou
osteoarticular incluem corticosteroides, outras líquido
sinovial
purulento,
citometria:
drogas imunossupressoras, insuficiência renal, 86.526 leuc/mm3, 94% PMN, baixa glicose;
anemia hemolítica e uma ineficaz fagocitose bacterioscopia: bastonetes gram-negativos e
granulocítica e monocítica. Esses fatores cultura: Salmonella spp.
podem induzir um aumento da morbidade, com
o envolvimento de vários órgãos e, às vezes, Na radiografia de joelho direito verificou-se um
com um desfecho fatal.4
aumento de partes moles e área de rarefação
do côndilo medial. Realizada tomografia
O objetivo deste relato é apresentar um caso computadorizada do mesmo joelho, o qual
de uma paciente com LES que, após alguns dias evidenciou múltiplas rarefações em tíbia
do uso de ciclofosfamida, para tratamento de proximal e fêmur distal (Figura 1A). Solicinefrite lúpica, evoluiu com artrite séptica e tado, então, ressonância nuclear magnética
osteomielite.
(RNM) de joelho direito, que mostrou áreas
focais císticas/necróticas de permeio (Figura 1B), envolvendo o terço distal do fêmur e
Relato de Caso
proximal da tíbia, e derrame articular com
Paciente do sexo feminino, 21 anos, com espessamento irregular da sinóvia. A RNM de
diagnóstico de LES, por apresentar critérios cotovelo esquerdo (Figura 1C) identificou ostde fotossensibilidade, rash malar, artrite, FAN eomielite do úmero distal e artrite do cotovelo.
nuclear homogêneo 1/40960 e citoplasmático E a RNM do quadril (Figura 1D) mostrava-se com
pontilhado 1/10240, Anti-DNA reagente 1/2560, sacroileíte à direita, derrame articular coxo-feconsumo de C4 = 3,3 mg/dL (10 – 40) e consumo de mural bilateral, infiltração edematosa dos músC3 = 19,4 mg/dL (70 – 150), anticardiolipina IgM culos íleo-psoas, glúteo máximo, vastos lateral
reagente (39,6), coombs direto positivo e exame e intermédio à direita.
de urina apresentando incontáveis hemácias,
presença de proteínas e 30 leucócitos/campo Foi então iniciado antibiótico (ciprofloxacino
com proteinúria de 2.963 mg/24h. Em uso de 1 g/dia e vancomicina 2 g/dia) e abordado
prednisona 60 mg/dia, cloroquina 150 mg/dia. cirurgicamente o joelho direito (artrotomia e
Em junho/2012 realizou pulso de ciclofosfamida limpeza cirúrgica). Para as demais articulações
1 g/dia para tratamento de nefrite lúpica. Após manteve-se o tratamento clínico. No momento
alguns dias (± 1 semana), evoluiu com febre encontra-se em período de pós-operatório,
diária (T: 38°C), dores articulares em região estável, apresentando melhora clínica gradual.
lombar baixa, joelhos e pés associado a edema.
Negava traumas corto-contusos, ou qualquer
infecção do trato pulmonar ou gastrointestinal.
Ao exame físico apresentava-se hipocorada
(++/+4), com fácies cushingoide, alopécia,
artrite de joelho D (+3/4), cotovelo E (+2/4)
e dor em região de nádega D, com manobras
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Gonçalves et al
1A
1B
1C
1D
Figura 1A: TC de Joelho Direto: Múltiplas rarefações em tíbia proximal e fêmur distal. 1B: RNM de Joelho
Direito: Áreas focais císticas/necróticas de permeio, envolvendo o terço distal do fêmur e proximal
da tíbia e derrame articular com espessamento irregular da sinóvia. 1C: RNM de Cotovelo Esquerdo:
Alteração de sinal na medula óssea de extremidade distal do úmero, rotura de sua cortical anterior
comunicando-se com o espaço articular com leve infiltração das porções do bíceps e tríceps adjacentes.
1D: RNM de Quadril: Sacroileíte à direita, derrame articular coxo-femural bilateral, infiltração edematosa
dos músculos íleo-psoas, glúteo máximo, vastos lateral e intermédio à direita.
Discussão
helper.7
Pacientes com LES têm muitas deficiências,
sejam elas: imunológicas, celular e/ou
humoral, levando a uma susceptibilidade para
infecções comuns e oportunistas.5 A Salmonella
refere-se a um grupo heterogêneo de bacilos
gram-negativos móveis que afetam tanto
animais quanto humanos.6 Tem a capacidade
para subsistir apesar da presença de anticorpos
humorais e celulares. A infecção é grave em
pacientes com deficiência na função das
células T, especialmente aqueles com linfócitos
diminuídos e números reduzidos de células T
Em muitos casos relatados de artrite séptica
primária e/ou secundária, acredita-se que a
origem da infecção seja hematogênica. Os
fatores que favorecem a implantação bacteriana
e seu crescimento têm sido identificados no
LES ativo, no tratamento com corticosteroide
e/ou imunossupressores, e na coexistência de
envolvimento renal ou necrose avascular óssea.8
Verificou-se que pacientes com LES admitidos
no hospital recebiam uma dose média de
prednisona de 10 mg em comparação com os não
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OSTEOMIELITE E ARTRITE SÉPTICA SALMONELLA SPP. EM PACIENTE COM LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
admitidos, sugerindo piora da imunidade desses
pacientes.9 Em outro estudo, a administração
recente de corticosteroides intravenosos e/ou
imunossupressores foi determinada como um
fator de risco para a infecção.10 Como em outros
trabalhos, no entanto, a dose da prednisona
daqueles que desenvolveram infecções e dos
que não desenvolveram não foi estatisticamente
diferente entre os dois grupos.11
Os pacientes respondem bem às cefalosporinas
de terceira geração, cloranfenicol ou
ciprofloxacina.12 Associado à terapia antibiótica,
deve-se lançar mão da artrocentese e/ou
artrotomia com desbridamento em pacientes
com artrite séptica.13,14,15 As escolhas de
antibiótico
devem
ser
cuidadosamente
avaliadas, uma vez que podem levar a uma
resistência antimicrobiana.15,16
Em conclusão, foi investigada artrite séptica
pela apresentação clínica que a paciente
apresentava: sinais flogísticos de grandes e
médias articulações, início agudo, febre alta
e uso de imunossupressores. Mesmo com um
diagnóstico precoce da doença, esta já havia
evoluído para o comprometimento intraósseo,
necessitando não apenas de terapia antibiótica,
mas, também, de tratamento cirúrgico. Na
osteomielite a cirurgia visa à retirada dos
fragmentos infectados e lavagem exaustiva do
local.
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CUIDADOS INTENSIVOS DE ENFERMAGEM NA
MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR DE
ÓRGÃOS E TECIDOS EM MORTE ENCEFÁLICA:
ESTUDO DE CASO
CRITICAL CARE NURSING IN MAINTAINING THE POTENTIAL DONOR OF
ORGANS AND TISSUES IN BRAIN DEATH: A CASE REPORT
Paulo Anderson Dantas Reis;* Lisbeth Lima Hansen;** Sibila Lilian Osis***
Resumo
No contexto atual, observa-se a necessidade de aprimorar o trabalho da equipe de Enfermagem que
está envolvida no atendimento de potenciais doadores, pautando-se em evidências científicas que
visam à melhoria da manutenção de órgãos para doação. O presente estudo objetivou descrever a
Sistematização da Assistência de Enfermagem em um paciente com diagnóstico clínico de morte
encefálica para viabilização dos órgãos a serem doados. Trata-se de uma pesquisa qualitativa,
com características exploratórias, do tipo estudo de caso, que implementou a Sistematização
da Assistência de Enfermagem baseada no modelo teórico das Necessidades Humanas Básicas
de Wanda Horta, visando categorizar os diagnósticos de enfermagem da North American
Nursing Diagnosis Association (Nanda) como norteadores das intervenções de enfermagem para
manutenção hemodinâmica e metabólica do paciente. A aplicação da Sistematização da Assistência
de Enfermagem com os seus diagnósticos e intervenções viabilizou o cumprimento de metas
na manutenção de um potencial doador, proporcionando, além da viabilidade de órgãos para
transplante, um sistema de informação na comunicação entre enfermeiros e demais profissionais
de saúde.
Palavras-chave: Cuidados de Enfermagem; Morte Encefálica; Transplante de Órgãos.
Abstract
In the current context, there is a need to improve the nursing staff related with caring for
potential donors, basing itself on scientific evidence which aim to improve the maintenance of
organs for donation. Therefore, this study aimed to describe the Nursing Systematization from a
case study in a patient with a clinical diagnosis of brain death allowing organs to be donated. This
is a qualitative research, with exploratory characteristics, a case report, which implemented
the Systematization of Nursing theoretical model based on the Basic Human Needs Wanda Horta,
aiming categorizing nursing diagnoses the North American Nursing Diagnosis Association (Nanda)
as guiding nursing interventions for maintaining hemodynamic and metabolic patient. The
application of Systematization of Nursing with their diagnoses and interventions enabled us to
fulfill the maintenance of a potential donor, providing, besides the organs viability for transplantation, an information system in communication between nurses and other health professionals.
Keywords: Nursing Care; Brain Death; Organ Transplantation.
* Enfermeiro especialista em Terapia Intensiva.
** Enfermeira, mestra, professora da Universidade Federal do Amazonas.
*** Enfermeira especialista, professora da Universidade do Estado do Amazonas.
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CUIDADOS INTENSIVOS DE ENFERMAGEM NA MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS EM MORTE ENCEFÁLICA: ESTUDO DE CASO
Introdução
aprimorar o trabalho da equipe de enfermagem
que está envolvida no atendimento de potenciais
No Brasil, o Sistema Nacional de Transplantes doadores, pautando-se em evidências científicas
está presente em 25 Estados com um total de que visam à melhoria da manutenção de órgãos
548 estabelecimentos de saúde e 1.376 equipes para doação. O presente estudo teve como
médicas autorizadas a realizar transplantes objetivo, portanto, descrever a Sistematização
e esses dados destacam o país como um dos da Assistência de Enfermagem a partir de um
maiores sistemas públicos de doação de órgãos estudo de caso em um paciente com diagnóstico
e tecidos no mundo. No Amazonas, em 2012, clínico de morte encefálica viabilizando os
a Secretaria Estadual de Saúde realizou 212 órgãos a serem doados.
transplantes: 43 de rim – a partir de doadores
falecidos –, 145 de córneas e 24 de rim entre Aspectos Metodológicos
vivos. A perspectiva do Estado é aumentar esses
números de doação de órgão a partir de doadores Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com
falecidos com a ampliação do programa para características exploratórias, do tipo estudo
transplante de coração e fígado.1,2
de caso, que visa categorizar os diagnósticos
de enfermagem como norteadores das
Nesse contexto, que visa diminuir a fila de espera intervenções de enfermagem para manutenção
por um órgão, a manutenção de potenciais hemodinâmica e metabólica do paciente com
doadores de órgãos e tecidos é responsabilidade diagnóstico clínico de morte encefálica.
da enfermagem, sendo para isso necessário que
o enfermeiro da equipe conheça as alterações Para se atingir o objetivo do estudo,
fisiopatológicas da morte encefálica e os meios implementou-se
a
Sistematização
da
necessários para garantir a viabilidade dos Assistência de Enfermagem a um paciente
órgãos passíveis de doação.
com diagnóstico clínico de morte encefálica.
Utilizaram-se os diagnósticos de enfermagem
O processo de enfermagem oferece uma da North American Nursing Diagnosis Association
estrutura lógica para atuação do enfermeiro (Nanda) e, com bases nesses diagnósticos
que envolve o controle organizacional do de enfermagem, realizou-se a prescrição de
trabalho e os processos de tomada de decisão, enfermagem objetivando manter a estabilidade
com o objetivo de alcançar o cuidado de forma hemodinâmica e metabólica do potencial
individualizada, contextualizada e voltada para doador de órgão e tecidos.
resultados possíveis e desejados. Esse processo
de enfermagem inclui a investigação ou coleta O estudo obedeceu a todos os critérios éticos
de dados, o diagnóstico de enfermagem, o legais da Norma 196/96, do Conselho Nacional
planejamento, a implementação das ações e de Saúde, sendo aprovado pelo Comitê de Ética
a avaliação dos resultados. Essas etapas são e Pesquisa da Universidade Federal do Amazonas
contínuas, dinâmicas e independentes.3
sob o número 09799712.0.0000.5020.
A sistematização da assistência de enfermagem
garante ao enfermeiro uma participação
ativa no processo de manutenção, captação
e transplante de órgãos, embasada no
conhecimento técnico-científico da profissão. A
doação de órgãos e tecidos começa dentro das
Unidades de Terapia Intensiva e a manutenção
de pacientes com diagnóstico clínico de morte
encefálica de modo sistematizado garante a
viabilidade de órgãos a serem doados.
No contexto atual, observa-se a necessidade de
Relato de Caso
Paciente do sexo masculino, 14 anos de
idade, natural de Manaus/AM, deu entrada
no dia 14/2/2013 no Serviço de Neurocirurgia
do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio
Pereira Machado após crise convulsiva com
rebaixamento do nível de consciência, sendo
admitido na UTI do mesmo hospital às 17h com
diagnóstico clínico de Hemorragia Subaracnoide
e suspeita de morte encefálica. Sob efeito de
medicamentos sedativos, com escore de nível
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Reis et al
1 na Escala de Sedação-Agitação. Mantido em
prótese ventilatória com modalidade volume
controlado, com FiO2 a 60%, frequência
respiratória de 18 irpm, PEEP de 5 cmH2O
e volume corrente de 526 ml. Com pupilas
midriáticas (7 cm) com ausência de fotorreação,
pressão arterial média estável com auxílio de
noradrenalina com vazão de 0,05 mcg/kg/min,
hipotérmico e apresentando pico hiperglicêmico.
Ausculta pulmonar com murmúrios vesiculares
presentes
bilateralmente
sem
ruídos
adventícios, com expansibilidade simétrica.
Ausculta cardíaca com ritmo cardíaco regular
em dois tempos com bulhas hiperfonéticas sem
sopro. Abdome plano com ruídos hidroaéreos
presentes e normoativos. Instituída suspensão
da sedação e iniciados os cuidados intensivos
iniciais como punção de acesso venoso central
em subclávia direita e em artéria radial direita
para monitorização de PAM, realizada sondagem
orogástrica,
instalação
de
termômetro
esofagiano e coleta de exames laboratoriais e
de imagem admissionais.
No dia 16/3/2013, às 10h, o segundo exame
clínico foi realizado, confirmando a suspeita
de morte encefálica, sendo solicitado como
exame complementar o doppler transcraniano
que evidenciou picos sistólicos curtos no
território das artérias cerebral média direita,
cerebral média esquerda e basilar compatível,
portanto, com parada circulatória cerebral,
desse modo sendo fechado o diagnóstico de
morte encefálica às 12h24.
No dia 15/3/2013 permanecia sem sedação,
com Escala de Coma de Glasgow de 3,
mantendo pressão arterial média estável
com
noradrenalina
(0,05
mcg/kg/min),
hipotermia severa responsiva a aquecimento
com cobertor e foco de luz, sendo iniciada
abertura do protocolo para morte encefálica às
17h, no qual demonstrou coma aperceptivo com
pupilas fixas e arreativas (8 cm), ausência de
reflexo córneo-palpebral, ausência de reflexo
oculocefálico, ausência de respostas às provas
calóricas, ausência de reflexo de tosse e apneia.
Após a identificação dos diagnósticos de
enfermagem, foi realizada a prescrição de
enfermagem que consiste em um planejamento
com metas predefinidas com finalidade de
manter o suporte hemodinâmico do potencial
doador em morte encefálica. As intervenções de
enfermagem foram pautadas nas recomendações
literárias que visam à manutenção dos órgãos
a serem transplantados. No quadro a seguir,
serão demonstradas quais as intervenções de
enfermagem para cada diagnóstico executado,
neste estudo de caso:
Diagnóstico
Resultados
O processo de elaboração dos diagnósticos de
enfermagem, deste estudo de caso, foi norteado
pela taxonomia da Nanda, com finalidade de
promover a manutenção do potencial doador
de órgão e tecidos por meio de ações que visam
à garantia de órgãos viáveis para transplante.
Vale ressaltar que, pelo motivo de o Estado
do Amazonas só realizar transplante de rins
e córneas, os diagnósticos de enfermagem
direcionaram-se na manutenção desses órgãos.
Quadro 1: Intervenções de enfermagem para cada diagnóstico
Meta
Intervenções de Enfermagem
Ventilação espontânea
prejudicada relacionada à
depressão do sistema nervoso
central secundário a hemorragia
subaracnóidea.
Meta: iniciar ventilação
mecânica com parâmetros
próximos ao fisiológico
– Manter fixação do
tubo orotraqueal em 22 cm na
rima labial;
– Oferecer suporte ventilatório
em modalidade controlada com
VC de 6-8 ml/kg, FiO2 para obter
um PaO2 > 100 mmHg, PEEP
5-10cmH2O e platô < 30 cmH2O;
– Monitorar parâmetros
ventilatórios a cada 2 horas.
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CUIDADOS INTENSIVOS DE ENFERMAGEM NA MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS EM MORTE ENCEFÁLICA: ESTUDO DE CASO
Diagnóstico
Meta
Intervenções de Enfermagem
Risco para função respiratória
prejudicada. Fator de risco:
imobilidade, estase de secreção
e tosse ineficaz secundárias à
depressão do sistema nervoso
central.
Meta: manter vias aéreas pérvia
com SatO2 ≥ 92%.
– Manter cabeceira elevada de
30-45º;
– Realizar ausculta pulmonar
e aspirar tubo orotraqueal se
presença de crepitações ou
presença de secreção;
– Manter pressão do cuff do
tubo orotraqueal entre 25 – 30
cmH2O;
– Coletar/Avaliar valores
gasométricos.
Risco para temperatura corporal Meta: manter temperatura
desequilibrada relacionado
corporal acima de 35ºC.
a controle prejudicado da
temperatura secundário a
pressão intracraniana aumentada
associada à vasodilatação.
– Instalar termômetro
esofagiano;
– Realizar aquecimento corporal
com auxílio de cobertores;
– Iniciar aquecimento com foco
de luz caso temperatura ≤ 35ºC.
Risco de desequilíbrio
eletrolítico. Fator de risco:
mecanismos reguladores
prejudicados.
Risco de desidratação. Fator de
risco: estado hipermetabólico.
Meta: manter homeostase
eletrolítica.
– Coletar amostra de sangue para
ionograma de 6/6h;
– Monitorar ionograma.
Meta: manter Pressão Venosa
Central (PVC) entre 6-10 cmH2O e diurese de 1-3 ml/kg/h
evitando estado de hipovolemia.
– Monitorar PVC de 6/6h;
– Monitorar eliminação urinária,
realizar balanço hídrico
criterioso;
– Iniciar ressuscitação volêmica
conforme prescrição médica.
Débito cardíaco diminuído
relacionado à frequência
cardíaca alterada.
Meta: manter débito cardíaco
que atenda as necessidades
metabólicas corporais.
– Manter monitorização cardíaca;
– Manter PAM ≥ 70 mmHg ou PAS
> 100 mmHg;
– Administrar vasopressina
conforme prescrição médica;
– Iniciar/Ajustar terapêutica com
droga vasopressora conforme
prescrição médica.
Risco de choque. Fator de
risco: Hipovolemia, hipotensão,
hipoxemia e hipóxia.
Meta: minimizar fatores de risco
como hipotensão, hipovolemia,
hipóxia e hipoxemia.
– Monitorar hematócrito e
hemoglobina;
– Monitorar sinais e sintomas de
choque.
Risco de glicemia instável. Fator
de risco: estado de saúde física.
Meta: manter o estado de
normoglicemia.
– Monitorar glicemia de 6/6
horas;
– Corrigir glicemia, conforme
protocolo institucional, se
glicemia capilar dextro < 70 mg/
dl ou > 140 mg/dl.
Continuação do Quadro 1
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Reis et al
Diagnóstico
Meta
Intervenções de Enfermagem
Nutrição desequilibrada:
menos do que as necessidades
corporais, relacionado à ingestão insuficiente de nutrientes
para satisfazer as necessidades
metabólicas.
Meta: oferecer de 15 a 30%
das calorias a partir do gasto
energético.
– Iniciar alimentação por via
nasogástrica;
– Avaliar distenção abdominal
após início da dieta;
– Avaliar resíduo gástrico a cada
4 horas.
Risco de perfusão renal ineficaz.
Fator de risco: acidose
metabólica e hipovolemia.
Meta: manter perfusão renal adequada para filtração
glomerular.
– Monitorar valores de creatinina
e ureia;
– Manter balanço hídrico entre
1-3 ml/kg/h;
– Avaliar débito urinário após
reposição volêmica;
– Avaliar aspecto e cor da
diurese.
Risco de infecção. Fatores de
riscos: exposição ambiental
a patógenos e presença de
dispositivos invasivos.
Meta: minimizar contato do
indivíduo a agentes patogênicos.
– Monitorar sinais vitais no
máximo de 2/2h;
– Coletar amostra para realização
de hemocultura, urocultura e
secreção traqueal;
– Monitorar leucograma;
– Realizar curativo oclusivo
em inserção de acesso venoso
central e cateter de PAM com
S.F0,9% e solução antisséptica;
– Realizar higiene de cavidade
oral com solução antisséptica
bucal à base de clorexedina
6/6h.
Pesar relacionado à morte de
pessoa significante.
Meta: família deverá expressar
seu pesar pela perda do membro
familiar.
– Esclarecer todas as dúvidas
inerentes à morte encefálica
proporcionando apoio emocional
à família.
Continuação do Quadro 1
Evolução
O paciente evoluiu sem sedação, arreativo,
com Glasgow de 3, pupilas midriáticas (8 cm),
com ausência de fotorreação, apresentando
episódio de hipotensão responsiva a ajuste
da noradrenalina para 0,66 mcg/kg/min e
ressuscitação volêmica com 2.500 ml de
S.F.0,9%, com pressão venosa central (PVC)
em 12 cmH2O, em sincronia com prótese
ventilatória com SatO2 ≥ 95% com PaO2/FiO2
de 337 mmHg, apresentando pico febril de
37,9ºC, com radiografia de tórax evidenciando
infiltrados sugestivos de foco infeccioso e
leucócitos de 12.870/ml, sendo iniciada
antibioticoterapia com Piperacilina sódica +
Tazobactam sódico 4,5 g. Ausculta pulmonar
com
murmúrios
vesiculares
presentes
bilateralmente com crepitações grosseiras
em bases pulmonares, com expansibilidade
simétrica. Ausculta cardíaca com ritmo
cardíaco regular em dois tempos com bulhas
hiperfonéticas sem sopro. Abdome plano com
ruídos hidroaéreos normoativos, tolerando dieta
por sonda gástrica, mantendo normoglicemia.
Pele com perfusão preservada e íntegra em
áreas de proeminências ósseas. Acesso venoso
central pérvio em subclávia direita pérvio e sem
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CUIDADOS INTENSIVOS DE ENFERMAGEM NA MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS EM MORTE ENCEFÁLICA: ESTUDO DE CASO
sinais de flogose. Cateter de PAM em artéria
radial direita sem sinais de flogose e pérvio.
Sonda vesical de demora drenando urina de
aspecto límpido com coloração amarelo-clara
com débito urinário das últimas 24 horas de 3,15
ml/kg/h, dosagem de creatinina de 0,8 mg/dl.
Iniciada terapêutica de reposição hormonal com
metilprednisolona 1 g endovenosa e levotiroxina
300 mcg por via enteral encaminhado para
capitação de córneas e rins às 17h20.
Discussão
Todos os doadores com morte encefálica
necessitam de ventilação mecânica controlada
para a manutenção da oxigenação dos tecidos.
Os pulmões do doador morto são particularmente
vulneráveis a lesões pulmonares por influência
da liberação de mediadores pró-inflamatórios
que acompanham a morte encefálica; portanto,
é necessária a utilização de estratégias que
não acrescentem dano ao tecido pulmonar. A
ventilação deve conter estratégias protetoras
com finalidade de oferecer adequada troca
gasosa mantendo uma relação entre PaO2/FiO2
> 300 mmHg, PaO2 superior a 100 mmHg, PaCO2
entre 35 a 45 mmHg e um pH entre 7,35 a 7,45.
Para se alcançar tais objetivos, é necessário
ventilar esses pacientes com volumes correntes
de 5 a 8 ml/kg, ajustar a FiO2 para se obter uma
PaO2 > 100 mmHg, PEEP entre 5 a 10 cmH2O e
uma pressão de platô < 30 cmH2O.3,4,5
A assistência de enfermagem na manutenção
da ventilação do potencial doador de órgão em
morte encefálica visa à manutenção da relação
ventilação/perfusão pulmonar minimizando
efeitos deletérios sobre os pulmões e com o
máximo controle asséptico das vias aéreas para
evitar infecções pulmonares.3,5 Desse modo,
durante a permanência do paciente na UTI,
o controle de parâmetros ventilatórios pelo
enfermeiro guiou a manutenção da oxigenação
dos órgãos a serem transplantados.
A necessidade de aspirações foi realizada de
acordo com a necessidade e não como uma
rotina a ser executada, fazendo ressalva que
a utilização de sistema de aspiração fechado
poderia auxiliar na manutenção da pressão
positiva final na utilização de manobras de
recrutamento alveolar caso fosse utilizado uma
PEEP superior a 10 cmH2O. A coleta de amostra
de sangue deve ser realizada para que se possa
avaliar a efetividade da ventilação mecânica
que, neste paciente, foram realizadas no
período da manhã.
A mudança de decúbito a cada 2 horas é uma
rotina executada na instituição, auxiliando
na mobilização de secreção, o que facilita a
aspiração traqueal. A utilização da posição
prona pode auxiliar na troca gasosa, no entanto
não utilizamos essa manobra por dificultar
outros procedimentos. A pressão do balonete do
tubo orotraqueal deve ser mantida entre 25 a
30 cmH20 com finalidade de minimizar os riscos
de broncoaspiração; no entanto, pela ausência
de cufômetro, impossibilitou sua mensuração.
O controle da temperatura corporal na morte
encefálica encontra-se comprometido, visto
que a regulação hipotalâmica é inexistente. A
vasodilatação extrema da síndrome, associada
com a incapacidade de tremer para produzir
calor e a infusão de grandes volumes de líquidos
não aquecidos resulta em quedas bruscas de
temperatura.5 Cabe ao enfermeiro o controle
da temperatura corporal do potencial doador de
órgãos, visto que temperatura abaixo de 35ºC
predispõe o potencial doador a desenvolver
arritmias cardíacas, vasoconstricção severa,
hiperglicemia,
coagulopatias,
alterações
da função renal e diminuição da atividade
enzimática.3
Como o recomendado, logo na admissão
do paciente, foi realizada a instalação do
termômetro esofagiano para um monitoramento
mais fidedigno da temperatura corpórea.
Objetivando manter a temperatura superior a
35ºC, neste estudo utilizamos primeiramente
aquecimento com auxílio de cobertores;
entretanto, em sua permanência na UTI, o
paciente desenvolveu quadro de hipotermia
severa, sendo necessário o aquecimento com
foco de luz direcionado ao tórax e abdome,
medida a qual conseguimos uma temperatura
superior a 35ºC. Outros mecanismos de
aquecimento corporal, que apresentam bons
resultados, são a utilização de mantas térmicas
e, em casos mais severos, a infusão de soluções
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aquecidas e aquecimento do ar inspirado com
controle adequado do ventilador mecânico.3
Distúrbios hidroletrolíticos estão inerentes
com a morte encefálica, principalmente os
relacionados ao sódio. Esse quadro sucede do
tratamento antecedente à morte encefálica
que visava manter a pressão intracraniana
em níveis adequados e pelo diabetes insipidus
decorrente dos baixos níveis de hormônio
antidiurético.4 A correção hidroeletrolítica
adequada é importante para evitar ocorrências
de arritmias que podem comprometer a função
hemodinâmica.6
Nesse contexto, a participação do enfermeiro
no monitoramento de eletrólitos e a coleta
de sangue para dosagem de ionograma deverá
ser feita a cada seis horas. Neste estudo
de caso, foram coletados e analisados o
ionograma uma vez ao dia durante os dias de
internação na UTI, sempre pela manhã, no que
observávamos homeostasia do sódio, cálcio e
magnésio com discreta alteração dos níveis de
potássio de 5,5 mE/L, caracterizando estado de
hiperpotassemia.
sendo iniciada ressuscitação volêmica com 2.500
ml de soro fisiológico a 0,9% com estabilização
da PAM em um valor superior a 70 mmHg.
Caso a ressuscitação volêmica não alcance o
objetivo de manter a perfusão dos órgãos a
serem transplantados, o suporte vasopressor
e inotrópico deverá ser baseado na lógica
fisiológica de alcançar uma PAM igual ou maior a
70 mmHg.3,7 O enfermeiro deve ter em mente que
a infusão de drogas vasopressoras é feita por via
endovenosa e que sua resposta farmacológica
é rápida; portanto, que sua participação ativa
na administração desse fármaco para o alcance
de níveis adequados de pressão arterial se faz
necessária para a manutenção de uma perfusão
satisfatória dos órgãos a serem transplantados.
Nesse caso, o que observamos foi o gradativo
aumento da infusão de noradrenalina para o
alcance de uma PAM adequada para perfusão de
tecidos.
A falência progressiva do eixo hipotalâmicohipofisário contribui para um declínio
progressivo da liberação do hormônio
antidiurético, o que resulta em diabetes
insipidus. A consequência desse processo é
Com relação ao estado de hidratação do potencial a produção de uma diurese hiposmolar, com
doador, o grande desafio é evitar a hipovolemia, hipovolemia secundária, hipernatremia e
principal instabilidade hemodinâmica, que hiperosmolaridade sérica. A vasopressina é
deverá ser tratada primeiramente com um hormônio que pode ser utilizado tanto na
reposição volêmica agressiva. Uma reposição terapêutica vasopressora quanto no manejo da
insuficiente acarretará em uma perfusão diabetes insipidus, auxiliando na estabilização
tecidual inadequada com ativação inflamatória dos níveis pressóricos.8 Neste estudo de caso,
sistêmica e disfunção orgânica culminando a prescrição médica continha vasopressina a
em uma menor qualidade dos órgãos a serem critério médico; no entanto, pela boa resposta
transplantados.7 A participação do enfermeiro com a infusão de volume e noradrenalina, não
no controle volêmico visa à manutenção de foi necessária a sua administração.
uma pressão venosa central (PVC) entre 8 e
12 cmH2O com um débito urinário menor que Além da supressão do hormônio antidiurético,
4 ml/kg/h; para tal, o balanço hídrico deverá observamos também a tendência de pacientes
ser feito de 6/6h. Essas medidas não devem ser com morte encefálica evoluírem com
isoladas, cabendo ao profissional a busca ativa hiperglicemia, fator resultante da tempestade
de sinais e sintomas de choque.3,7
simpática que aumenta tanto a gliconeogênese
quanto a resistência à insulina nos tecidos
Para esse paciente do estudo de caso, como periféricos aliada com a diminuição de
critério de avaliação, foram mensuradas a PVC insulina pelo pâncreas, um segundo momento
a cada 6 horas que, embora estivesse dentro é a normalização dos níveis insulinêmicos e
dos padrões de normalidade com 12 cmH2O, aumento do peptídeo. O nível glicêmico deverá
constatou-se desenvolvimento de hipotensão ser mantido em torno de 140 a 180 mg/dl guiado
não responsiva a ajuste de droga vasopressora, por protocolo de correção glicêmica nos casos
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CUIDADOS INTENSIVOS DE ENFERMAGEM NA MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS EM MORTE ENCEFÁLICA: ESTUDO DE CASO
de crise hiperglicêmica.4,5,6
sintomas decorrentes da disfunção endócrina.
A monitorização da glicemia capilar de 6/6h
ofereceu ao enfermeiro subsídios na hora
de realizar a correção das taxa de glicemia
sanguínea, pois, em sua admissão, o paciente
apresentava valor de glicemia capilar de 183
mg/dl, sendo realizada a correção com insulina
regular guiada pelo protocolo institucional.
Após essa correção, o paciente evoluiu em
estado normoglicêmico, não sendo necessária a
realização de insulinoterapia.
A tempestade simpática resultante da morte
encefálica é responsável pela liberação maciça
de adrenalina, corticosteroide e glugacon e o
resultado é um aumento no gasto energético
de 2,5 vezes superior à taxa metabólica basal.
Passada essa fase, há uma diminuição do gasto
energético provavelmente pela ausência de
atividade muscular espontânea, ausência de
metabolismo cerebral e hipotermia. Recomendase que seja iniciada ou mantida a oferta
calórica por via enteral de 15 a 30% das calorias
O controle endócrino-metabólico se estende além calculadas a partir do gasto energético basal –
da reposição de insulina em doadores falecidos. calculado pela equação de Harris-Benedict –,
Evidências clínicas recomendam a terapia de devendo ser parada a infusão apenas quando o
reposição hormonal com administração de doador for levado ao centro cirúrgico.4,6
corticoides, como a metilprednisolona, em
razão da ação anti-inflamatória sobre o enxerto A participação do enfermeiro na manutenção
hepático reduzindo a disfunção hepática pós- do aporte calórico visa ao início quanto antes
transplante. A falência hipofisária evolui para da nutrição enteral com oferta de nutrientes de
um declínio gradual da concentração plasmática maneira segura e que possibilite a sua absorção
do hormônio tiroidiano tri-iodotironina (T3), pelo trato gastrointestinal. Após a admissão na
a consequência clínica dessa deficiência UTI, foi realizada a sondagem nasogástrica com
resulta em redução da contratilidade cardíaca sonda n.º 14 e adotadas medidas preventivas
e mudanças do metabolismo aeróbico para como a manutenção da cabeceira elevada
o anaeróbico aumentando a acidose lática em torno de 30-45º, avaliação de distensão
progressiva. Administração de hormônios abdominal e presença de resíduo gástrico a
tiroidianos por via endovenosa visa a uma maior cada 4 horas. O posicionamento da sonda pósestabilidade hemodinâmica, principalmente pilórica minimiza os riscos de broncoaspiração,
no que diz respeito à captação de coração. Na pois o reflexo de tosse nesse tipo de paciente é
ausência de levotiroxina na forma endovenosa inexistente; entretanto, não há contraindicação
pode-se optar por via enteral.4,8,9
do posicionamento da sonda em região gástrica.3
Confirmada a morte encefálica desse paciente
e, de acordo com a prescrição médica, foi
iniciada reposição de hormônio tireoidiano com
levotiroxina 300 mcg por via enteral por conta
da indisponibilidade na instituição da forma
farmacêutica endovenosa desse medicamento.
Além da utilização da levotiroxina, a
metilprednisolona foi administrada em dose de
1 g uma vez ao dia. Deficiências hormonais em
pacientes com morte encefálica são observadas
por meio das alterações hemodinâmicas que a
supressão de hormônios causa em determinados
tecidos. A atuação do enfermeiro no controle
endócrino do potencial doador está relacionada
na administração da terapêutica de reposição
hormonal; portanto, o conhecimento da função
destes guia a identificação precoce de sinais e
Para a manutenção da função renal adequada,
recomenda-se manter uma PAM ≥ 70 mmHg, PVC
em torno de 6 a 10 cmH2O e diurese de 1 ml/
kg/h no doador cadáver. Essas medidas devem
ser alcançadas por meio de uma reposição
volêmica vigorosa, drogas vasopressoras
e, quando necessário, drogas inotrópicas.
Avaliação da função renal deverá ser feita por
meio da monitorização do débito urinário e dos
valores de creatinina basal no qual valores entre
1,5-2,0 mg/dl são o máximo tolerável para o
transplante.10
A participação do enfermeiro na manutenção
da função renal é, portanto, a monitorização
do débito urinário com a realização do balanço
hídrico a cada 6 horas associada à coleta de
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sangue para dosagem de creatinina a cada 24
horas e avaliação do aspecto da urina. No nosso
estudo, essas medidas se mostram benéficas,
pois a evolução do potencial doador foi com urina
de aspecto límpido com coloração amareloclara com débito urinário das últimas 24 horas
de 3,15 ml/kg/h e dosagem de creatinina de
0,8 mg/dl, sugerindo a viabilidade dos rins para
transplante.
Pacientes com morte encefálica apresentam
um risco elevado no desenvolvimento de
infecções relacionadas à ventilação mecânica,
broncoaspiração e em alguns casos à presença
de lesões traumáticas, além dos dispositivos
invasivos que favorecem a disseminação de
microrganismos e sepse.8 Muitos doadores com
morte encefálica são excluídos pela presença
de infecção, suspeita ou comprovada, no
momento do diagnóstico, de morte cerebral.
Cada caso deverá, no entanto, ser avaliado
particularmente evitando a contraindicação
absoluta e a coleta de cultura poderá guiar a
equipe na tomada de decisão. A utilização de
antibioticoterapia profilática adequada poderá
minimizar os riscos e, nesse caso, deverá ser
dada preferência aos antibióticos que não
causem nefrotoxidade.4
Medidas com a monitorização dos sinais vitais
a cada 2 horas, realização da higiene oral
com solução antisséptica e monitorização do
leucograma visam à rápida identificação de
processos infecciosos em potenciais doadores.
Neste estudo, observamos que o potencial
doador evoluiu com pico febril de 37,9ºC,
radiografia de tórax evidenciando infiltrados
sugestivos de foco infeccioso e leucócitos
de 12.870/ml, o que resultou no início de
antibioticoterapia profilática com Piperacilina
sódica + Tazobactam sódico 4,5 g. A coleta de
amostra de material biológico para cultura de
sangue, urina e secreção traqueal foi realizada
com finalidade de avaliar o risco de sepse póstransplante.
certo tempo que permita a família assimilar
as informações, uma nova equipe entra em
contato para pedir o consentimento de doação
de órgãos. O profissional que intermediará o
processo de consentimento de doação pode ser
um profissional enfermeiro, médico, psicólogo
ou assistente social que não participou do
tratamento do paciente.11
A abordagem familiar exige do enfermeiro
envolvido no processo de doação de órgãos, seja
ele o enfermeiro assistencial ou o enfermeiro
da captação de órgãos, um preparo técnico,
pois esse momento é um processo de separação
entre o paciente que está com morte encefálica
e a família e qualquer dúvida quanto à morte
deve ser sanada. Neste estudo de caso, o que
observamos foi a receptividade por parte da
família, que embora estivesse em um momento
de sofrimento por perda de um ente, mostrouse interessada em realizar a doação de órgãos
antes mesmo da abordagem da equipe da central
de transplante. Talvez essa atitude tenha sido
resultado do trabalho da equipe assistencial
que durante a internação do paciente procurou
esclarecer para família todas as dúvidas
inerentes à situação clínica dele.
Conclusão
O quantitativo de doadores de órgãos para
transplante é insuficiente para suprir a
necessidade de pessoas na lista de espera por
um órgão. O processo de captação de tecidos se
inicia dentro da UTI e a busca ativa a possíveis
doadores visa diminuir essa lista. Embora o
Amazonas seja um Estado que tenha iniciado há
pouco tempo o processo de captação e doação
de órgãos, observou-se que existe um empenho
da equipe em ter uma participação mais ativa
nesse processo.
O início precoce da manutenção do potencial
doador em morte encefálica garante a
viabilidade de órgãos para transplante. Embora
seja um trabalho que demande tanto de
A técnica do desacoplamento apresenta maiores recursos humanos quanto tecnológicos, e seja
taxas de aceitação da família para a doação de emocionalmente desgastante para a equipe, a
órgãos. Essa técnica consiste na informação dada manutenção do potencial doador engloba uma
pelo médico intensivista sobre o diagnóstico grande questão social tendo em vista que um
de morte encefálica e seu significado. Após possível doador, mantida a sua estabilidade
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CUIDADOS INTENSIVOS DE ENFERMAGEM NA MANUTENÇÃO DO POTENCIAL DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS EM MORTE ENCEFÁLICA: ESTUDO DE CASO
hemodinâmica e metabólica, poderá ajudar a
melhorar as condições de saúde para diversas
pessoas.
É necessário que o enfermeiro intensivista,
como membro integrante da equipe de saúde,
conheça as alterações inerentes à morte
encefálica. A aplicação da Sistematização
da Assistência de Enfermagem com os seus
diagnósticos e intervenções viabiliza o
cumprimento de metas na manutenção de um
potencial doador, proporcionando, além da
viabilidade de órgãos para transplante, um
sistema de informação na comunicação entre
enfermeiros e demais profissionais de saúde.
Conhecer e divulgar, portanto, o trabalho da
equipe de enfermagem na manutenção de
potenciais doadores diagnosticados com morte
encefálica visa possibilitar acesso à informação
pautado à luz da ciência.
5.
Guetti NR, Marques IR. Assistência de
enfermagem ao potencial doador de órgãos
em morte encefálica. Rev Bras Enferm. 2008;
61(01): 91-97.
6. Guimarães HP, Lopes RD, Lopes AC.
Tratado de urgência e emergência, prontosocorro e UTI. São Paulo: Atheneu, 2010, p.
857-880.
7.
Westphal GA, Caldeira Filho M, Vieira KD
et al. Diretrizes para a manutenção de múltiplos
órgãos no potencial doador adulto falecido.
Parte I: Aspectos gerais e suporte hemodinâmico.
Rev Bras Ter Intensiva. 2011; 23(03): 255-268.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbti/
v23n3/v23n3a03.pdf. <Acesso em 7.2.2013>
Referências
8.
Rech TH, Rodrigues Filho EM. Manuseio
do potencial doador de múltiplos órgãos. Rev
Bras Ter Intensiva. 2007; 19(02): 197-204.
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbti/
v19n2/a10v19n2.pdf. <Acesso em 7.2.2013>
1. Brasil. Ministério da Saúde. Portal da
Saúde: transplantes. Disponível em: http://
portal.saude.gov.br/portal/saude/area.
cfm?id_area=1004. <Acesso em 29.3.2013>
9. Cintra EA, Nishide VM, Nunes WA.
Assistência de enfermagem ao paciente
gravemente enfermo. 2a ed. São Paulo:
Atheneu, 2008, p. 443-456.
2.
Amazonas. Portal do Estado do Amazonas.
Falta de informação ainda é uma das principais
barreiras para doação de órgãos no Amazonas.
Disponível em: http://www.amazonas.am.gov.
br/2013/01/falta-de-informacao-ainda-e-umadas-principais-barreiras-para-a-doacao-deorgaos-no-am/. <Acesso em 29.3.2013>
10.
Westphal GA, Caldeira Filho M, Vieira KD
et. al. Diretrizes para a manutenção de múltiplos
órgãos no potencial doador adulto falecido.
Parte III: Recomendações órgãos específicas.
Rev Bras Ter Intensiva. 2011; 23(04): 410-425.
Disponível em: http://www.rbti.org.br/artigos.
asp?lang=br&modo=ver&id_artigo=644. <Acesso
em 7.2.2013>
3. Padilha KG, Vattimo MFF et al.
Enfermagem em UTI: cuidando do paciente
crítico. São Paulo: Manole, 2010, p. 1088-1101.
4.
Westphal GA, Caldeira Filho M, Vieira
KD et al. Diretrizes para a manutenção de
múltiplos órgãos no potencial doador adulto
falecido. Parte II: ventilação mecânica,
controle endócrino e metabólico e aspectos
hematológicos e infecciosos. Rev Bras Ter
Intensiva. 2011; 23(03): 269-282. Disponível
em http://www.saude.ba.gov.br/transplantes/
documentos_tx/artigo_amib.pdf. <Acesso em
7.2.2013>
11.
Rech TH, Rodrigues Filho EM. Entrevista
familiar e consentimento. Rev Bras Ter Intensiva.
2007; 19(01): 85-89. Disponível em: http://
www.scielo.br/pdf/rbti/v19n1/a11v19n1.pdf.
<Acesso em 7.2.2013>
Contato:
Paulo Anderson Dantas Reis
R: Paracuúba, 190 – bairro São José I. CEP:
69085-210
Fone: (92) 8250-0798 / 3248-3456
e-mail: [email protected]
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FALÊNCIA OVARIANA PRECOCE ASSOCIADA À
DELEÇÃO DO BRAÇO CURTO DO
CROMOSSOMO X: RELATO DE CASO
PREMATURE OVARIAN FAILURE ASSOCIATED WITH X CHROMOSOME
SHORT ARM DELETION: CASE REPORT
Patrícia Gonzales Maia;* Paula Rita Leite da Silva;** Izabella Barros dos Santos*
Resumo
A falência ovariana precoce é caracterizada por amenorreia associada à deficiência de esteroides
ovarianos e elevados níveis de gonadotrofinas em mulheres com idade inferior a 40 anos. Esse
diagnóstico traz consigo repercussões importantes na vida dessas jovens mulheres, principalmente
no que diz respeito à fertilidade. Neste relato, apresenta-se um caso de deleção no braço curto
de cromossomo X, em paciente nulípara, com amenorreia secundária e infertilidade. Já ao
diagnóstico, a paciente aqui descrita encontrava-se com osteoporose e atrofia intensa de aparelho
reprodutor interno. Este caso enfatiza a importância do diagnóstico e tratamento precoce da FOP
na prevenção de complicações decorrentes do hipoestrogenismo, diminuindo assim as taxas de
morbimortalidade e melhorando a qualidade de vida dessas pacientes.
Palavras-chave: Falência Ovariana Prematura; Deleção Cromossômica; Amenorreia; Infertilidade.
Abstract
Premature ovarian failure is characterized by amenorrhea associated with deficiency of sex
hormones and high levels of gonadotropins in women aged less than 40 years. This diagnosis brings
important reverberations in the lives of these young women, particularly as regards fertility. In
this report we present a case of deletion on the short arm of the X chromosome in a nulliparous
patient with secondary amenorrhea and infertility. Already diagnosis the patient presented
with severe osteoporosis and atrophy of the reproductive tract. With this case we would like to
emphasize the importance of early diagnosis and treatment of POF in preventing complications
of hipostrogenismo, reducing rates of morbidity and mortality and improving the quality of life of
these patients.
Keywords: Premature Ovarian Failure; Chromosome Deletion; Amenorrhea; Infertility.
Introdução
folículo estimulante maior que 40 mIU/mL.1
Dentre as causas etiológicas mais importantes
A Falência Ovarina Precoce (FOP) é encontram-se anormalidades cromossômicas
tradicionalmente definida como amenorreia numéricas e estruturais, síndrome do X frágil
antes dos 40 anos associada a hipogonadismo (FMR1), desordens autoimunes, radioterapia
hipergonadotrófico com níveis de hormônio e quimioterapia. Aproximadamente 1% das
* Médica residente em Ginecologia e Obstetrícia, Hospital Universitário Francisca Mendes.
** Professora de Tocoginecologia da Universidade do Estado do Amazonas.
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FALÊNCIA OVARIANA PRECOCE ASSOCIADA À DELEÇÃO DO BRAÇO CURTO DO CROMOSSOMO X: RELATO DE CASO
mulheres podem desenvolver FOP antes dos 40
anos de idade.2
As principais consequências da FOP são a
infertilidade e o hipoestrogenismo que pode
levar ao desenvolvimento de osteoporose,3
susceptibilidade a doenças cardiovasculares4 e
hipotrofia genital, além de sintomas vasomotores
como fogachos e alterações do humor.5
A conduta diante de pacientes com FOP envolve
a abordagem da infertilidade, reposição
hormonal e aconselhamento genético em
casos específicos de cromossomopatias.1,2,5
Importante enfatizar a necessidade da equipe
multidisciplinar no momento do diagnóstico,
proporcionando suporte e aconselhamento
emocional.6 A maior parte das pacientes
são jovens e compreensivelmente não estão
preparadas para receber o diagnóstico.1 O
elemento da síndrome que mais as afetam é a
infertilidade.6
A FOP é frequentemente causada por
aberrações do cromossomo X. Anormalidades
do cromossomo X, como a monossomia X,
resultam em amenorreia primária e alteração
do desenvolvimento puberal (síndrome de
Turner). Ao passo que alterações leves, como as
deleções parciais, são relacionadas à amenorreia
secundária.7
Relato de Caso
Paciente com 27 anos, nulípara, encaminhada
por amenorreia secundária. Refere menarca
aos 12 anos e completo desenvolvimento de
caracteres sexuais secundários. Evoluiu com
ciclos menstruais irregulares caracterizados
como espaniomenorreia desde a menarca. Aos
22 anos procurou atendimento médico, quando
foi prescrito anticoncepcional oral, que fez
uso por um ano. Desde abril de 2010 encontrase em amenorreia. Nega comorbidades,
cirurgias anteriores, antecedentes familiares e
medicações de uso sistemático.
Ao exame físico apresentava completo
desenvolvimento puberal e mamário, IMC:
25,4. O exame gincológico evidenciou genitália
hipotrófica, pilificação adequada, paredes
vaginais e colo uterino atróficos. Ao toque
apresentava elasticidade vaginal diminuída,
sem outras alterações.
Aos exames laboratoriais: Prolactina de 12.8;
TSH: 3.26; T4 livre:1.35; Testosterona total:
15.8; Testosterona livre: 102; SDHEA: 120; 17
hidroxiprogesterona: 0.33; Androstenediona:
1.16;
Glicemia:
71;
Colesterol:
249;
Triglicerídeo: 256; FSH: 73.5 (> 40 mUI/ mL);
LH: 25.6 e Estradiol: 20.9. A ultrassonografia
abdominal confirmou o diagnóstico de útero
As deleções mais comuns são as que ocorrem no involuído com volume total de 10 cm3 e ovários
braço curto do cromossomo X, essas deleções não visualizados. A paciente apresentava
evidenciam vários fenotipos, dependendo da exame colpocitológico negativo para neoplasias
quantidade de Xp remanescente. O ponto de e densitometria óssea com diagnóstico de
corte comum para deleções terminais é Xp11. osteoporose tanto em colo de fêmur (-2.7)
Deleções em Xp11 resultam 50% em amenorreia como em coluna (-2.6). Foi solicitado cariótipo
primária e disgenesia gonadal, enquanto o com coloração por banda G que identificou
restante evolui com amenorreia secundária.8
deleção do braço curto de um dos cromossomos
sexuais 46 X, del (X) (p11.4), confirmando o
No presente estudo apresenta-se um caso de diagnóstico de falência ovariana precoce de
FOP em que a análise citogenética evidenciou etiologia genética. O uso de anticoncepcional
deleção no braço curto do cromossomo X oral contínuo, a reposição de cálcio e vitmina D
(p11.4).
foram iniciados.
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Maia et al
Figura 1:Figura 1: Cariótipo com deleção do braço curto do cromossomo X (del (p11.4)).
Discussão
falha menstrual em 2010 e só obteve diagnóstico
definitivo em 2012.
A falência ovariana precoce é uma desordem
incomum, confundida há tempos com menopausa
precoce. Hoje, porém, diferentemente da
menopausa, a falência ovariana não é sinônimo
de cessação permanente da função ovariana.
Sendo assim, insuficiência ovariana sería um
termo adequado, pois transmite uma sensação
de que a fisiopatologia representa um continum.
Além disso, o termo pode ser mais aceitável
para as pacientes, pois reflete a possibilidade de
remissão espontânea e gravidez subsequente.9
A FOP afeta aproximadamente 1 em cada 10.000
mulheres até 20 anos, 1 (uma) em mil mulheres
até 30 anos; 1 (uma) em cada cem mulheres até
40 anos.10
Em geral, após a exclusão de gravidez, a
avaliação inicial se dá com dosagens hormonais
de prolactina sérica, FSH e TSH. Se o FSH tiver
valores menopausais, ou seja, acima de 40
mUI/mL, em pacientes com idade inferior a 40
anos, é necessário a repetição dele em trinta
dias e dosagem do estrogênio sérico. O teste
da progesterona não é aconselhável nesses
casos por conta da característica intrínseca de
função ovariana intermitente, em que metade
das pacientes poderá responder positivamente
ao teste, levando ao atraso do diagnóstico
definitivo.9
Uma vez feito o diagnóstico, é necessário
a realização de exames específicos para
O primeiro desafio nessa afecção é o diagnóstico. definição da etiologia. Nem sempre, contudo,
Em um estudo realizado com 50 mulheres que o diagnóstico etiológico é possível, podendo ser
apresentavam amenorreia secundária, mostrou- realizado por exclusão. Nos casos de falência
se que 57% (16 de 28) das pacientes visitaram ovariana precoce que não estão associadas a
consultórios médicos três ou mais vezes antes uma síndrome, os testes laboratoriais que são
que testes laboratoriais fossem feitos para recomendados incluem o estudo citogenético,
determinar o diagnóstico. O tempo médio entre teste para premutação de FMR1 e teste para
o início da falha menstrual até o estabelecimento anticorpos adrenais.12
do diagnóstico de falência ovariana prematura
foi de dois anos.11 Informação que está de acordo A FOP pode resultar de uma diminuição
com o caso em estudo no qual a paciente iniciou do número de folículos sendo encontrado
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
FALÊNCIA OVARIANA PRECOCE ASSOCIADA À DELEÇÃO DO BRAÇO CURTO DO CROMOSSOMO X: RELATO DE CASO
durante o desenvolvimento do ovário ou
aumento da taxa de perda ou atresia folicular
acelerada.5 Diferentes mecanismos genéticos
são pertinentes a esses processos, incluindo
rearranjos do cromossomo X, mutações de
genes autossômicos, genes ligados ao X e no DNA
mitocondrial, como também a determinantes
poligênicos e multifatoriais.13
efeitos benéficos no sistema cardiovascular.16
Quanto à fertilidade, mulheres com FOP têm a
chance de 5-15% de conceber espontaneamente.
A terapia de primeira linha é uma prova com
reposição de estradiol e acompanhamento de
perto da ovulação.2 Outra opção terapêutica
seria a fertilização in vitro (FIV) com óvulo de
doadora, cujas taxas de gestação chegam a 50%
por ciclo.3
Mulheres com anormalidades estruturais e
numéricas do cromossomo X formam o maior
subgrupo com insuficiência ovariana primária.14 Em conclusão, é de vital importância que o
diagnóstico de falência ovariana precoce seja
Esteroides sexuais são importantes para o feito a tempo para que medidas possam ser
bom funcionamento do aparelho reprodutor, tomadas quanto à fertilidade e prevenção de
mas também para outros aspectos da saúde complicações tardias. O diagnóstico se dá por
da mulher como manutenção da massa óssea, meio de alterações clínicas e distúrbios do ciclo
prevenção de complicações cardiovasculares, menstrual típicos de deficiências hormonais.
cognição, bem-estar e sexualidade.14
É necessário investigar a etiologia para que
se possa fornecer informação adequada e
As pacientes com FOP representam uma aconselhamento genético, se necessário. A
população sob o maior risco de osteoporose e terapia hormonal deve ser iniciada quanto
fraturas futuras.3,15 Nossa paciente na vigência antes e o tempo de uso individualizado para
do diagnóstico já se encontrava com osteoporose cada paciente, mas de uma forma geral dura
tanto em colo de fêmur como em coluna, sendo até o tempo em média de ocorrência da
imediatamente iniciada reposição de cálcio menopausa natural. Tal tratamento, como já foi
e vitamina D, juntamente com o tratamento mencionado, além de prevenir complicações,
hormonal.
tem forte influência no bem-estar e qualidade
de vida dessas jovens mulheres.
Apesar de não haver estudos prospectivos que
avaliem o impacto do estrogênio sobre fraturas Referências
especificamente em mulheres com FOP,
evidências sugerem que a terapia hormonal 1. Speroff L, Fritz M A. Clinical gynecologic
aumenta a densidade óssea independentemente endocrinology and infertility. 8a ed. Philadelphia:
da dose, via de administração ou regime Lippincott Williams & Wilkins, a Wolters Kluwer
terapêutico.3
busness, 2011.
As mulheres que experimentam FOP estão sob
um risco maior de doenças cardiovasculares, o
comprometimento da função endotelial vascular
é um marcador precoce de aterosclerose.4,16
Mulheres com FOP quando comparadas com
controles, com função ovariana preservada,
apresentam importante disfunção endotelial.
Os resultados indicam que o processo de
aterosclerose inicia-se precocemente nessas
mulheres e pode contribuir para o risco
aumentado de doença cardiovascular.16
A terapia hormonal em mulheres jovens com
POF restaura a fisiologia normal e pode ter
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Manaus/AM.
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PSEUDOCISTO ESPLÊNICO PÓS-TRAUMÁTICO:
RELATO DE CASO
POST-TRAUMATIC SPLENIC PSEUDOCYST: CASE REPORT
Adalberto Caoru Haji Júnior;* Ticiane da Costa Martins;** Adriano Pessoa Picanço Júnior;** Rebeca Aparecida dos Santos Di Tommaso;* Ricardo
Sérgio Estevam dos Santos;*** Ana Maria Sampaio de Melo****
Resumo
Os pseudocistos esplênicos são patologias raras, havendo poucos relatos na literatura mundial. As
lesões císticas do baço são divididas e cistos verdadeiros e pseudocistos de acordo com o epitélio
de revestimento, sendo os últimos mais comuns. O tratamento da patologia é baseado no tamanho
ao diagnóstico, na apresentação de sintomas ou na alteração do volume da lesão. Apresentamos o
caso de um pseudocisto esplênico de origem traumática que foi submetido a tratamento cirúrgico
pelo seu tamanho e sintomatologia evoluindo satisfatoriamente e sem complicações no seguimento
em um ano e seis meses.
Palavras-chave: Doenças do Baço; Pseudocisto; Esplenectomia; Imagem do Baço.
Abstract
The splenic pseudocysts are rare diseases, with few reports in the worldwide literature. Cystic
spleen lesions are divided into true cysts and pseudocysts according to the epithelial lining, the
latter being more common. The condition treatment is based on the size at diagnosis, presenting
symptoms or change in lesion volume. A traumatic splenic pseudocyst case report which satisfactorily
evolved without complications at follow-up after a year and six months that underwent surgical
treatment due to their size and symptoms.
Keywords: Spleen Diseases; Pseudocyst; Splenectomy; Spleen Image.
Introdução
processos inflamatórios, podendo estar com
grande volume no momento do diagnóstico.5
Mesmo quando muito volumosos podem ser
oligossintomáticos, tornando-se sintomáticos ao
comprimir estruturas vizinhas.6 Apresentando
sintomatologia similar à de doença no tórax,
abdome, pelve ou mesmo nos membros
inferiores.7
Os pseudocistos esplênicos são lesões raras,
tendo aproximadamente 800 a mil casos
descritos na literatura médica mundial.1,2
Os cistos esplênicos podem ser classificados
como parasitários e não parasitários.3
Podendo-se classificar os não parasitários
em cistos primários (“verdadeiros”) ou
secundários (“falsos”) com base na presença de Este relato de caso visa apresentar essa
revestimento celular ou fibros.4 Os pseudocistos patologia rara. Ressaltando sua provável
originam-se de traumatismos, degeneração ou etiologia, classificação, métodos diagnósticos e
tratamento.
* Médico residente do Programa de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
** Médica residente do Programa de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
*** Médico assistencial do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
**** Médica supervisora do Programa de Cirurgia Geral e chefe do Serviço de Cirurgia Abdominal do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
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Haji Júnior et al
Relato de Caso
sendo realizados outros exames investigatórios.
Apresentando hipertensão arterial sistêmica e
Paciente do sexo feminino, parda, 63 anos, osteoporose em acompanhamento. Exame físico
natural de Ipu/CE, e procedente de Boa Vista/ sem alterações significativas. Ultrassonografia
RR, evoluindo havia aproximadamente dois de abdome total demonstrando baço com massa
anos com dor em hipocôndrio esquerdo, tipo de contornos regulares, ecotextura heterogênea
pontada, de intensidade moderada e com e volume de 96 centímetros cúbicos. Tomografia
irradiação para terço inferior de hemitórax computadorizada do abdome evidenciando
esquerdo. Refere história de queda de 50 cm baço de contorno e dimensões normais,
de altura com traumatismo em hipocôndrio apresentando área oval e circunscrita, densa,
esquerdo fazia aproximadamente seis anos da com calcificações periféricas, medindo 6,8 x
internação. Durante a realização de radiografia 5,3 centímetros, considerando a hipótese de
para acompanhamento de osteoporose, foi pseudocisto esplênico (Figura 1).
identificada calcificação na loja esplênica,
Figura 1: Tomografia computadorizada do abdome superior com contraste oral e venoso
mostrando a lesão no baço de aspecto cístico.
A paciente foi submetida ao preparo préoperatório para esplenectomia total, sendo
posteriormente submetida a ela por via aberta
sem intercorrências (Figura 2). Evoluindo
satisfatoriamente no pós-operatório, recebeu
alta hospitalar no terceiro dia pós-operatório.
Ao exame anatomopatológico do baço, foi
identificado pseudocisto esplênico com focos de
calcificação na pseudocápsula. No seguimento
pós-operatório com um ano e seis meses, a
paciente referiu melhora significativa dos
sintomas álgicos.
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PSEUDOCISTO ESPLÊNICO PÓS-TRAUMÁTICO: RELATO DE CASO
Figura 2: Pseudocisto esplênico.
Discussão
Os cistos do baço são patologias raras,1,2 sendo
classificados mais comumente em verdadeiros
ou falsos de acordo com seu epitélio de
revestimento.8
Tendo,
entretanto,
sido
propostas aproximadamente dez classificações
para eles desde Fowler (1940).9 Sendo que a
classificação mais recentemente proposta é a
de Mirilas (2007), que divide os cistos esplênicos
não parasitários em primários e secundários,
sendo os primários subdivididos em congênitos
e neoplásicos, e os secundários em traumáticos
e necróticos.9 Os pseudocistos são quatro vezes
mais comuns que os cistos verdadeiros.10
Há casos, entretanto, em que os cistos
secundários se formam em pacientes sem
histórico de traumatismo prévio, sendo nesses
casos considerada a possibilidade de tratar-se
de um cisto verdadeiro, que evoluiu com atrofia
do epitélio, tornando-o similar a um cisto falso.8
Os cistos falsos constituem 75% de todos os cistos
não parasitários e têm comumente origem póstraumática, como no caso apresentado, podendo
ainda ter origem infecciosa ou degenerativa.
Algumas outras condições predisponentes para
pseudocistos são enumeradas a seguir:10
1)Hematoma
subcapsular
ou
intraparenquimatoso originado no decorrer de
Os cistos secundários, ou pseudocistos, ou pancreatite aguda ou crônica;
cistos falsos são em sua maioria decorrentes 2)Hematomas subcapsulares espontâneos na
de traumatismos prévios com formação de mononucleose;
subcapsulares
espontâneos
hematomas
parenquimatosos
organizados 3)Hematomas
associados
à
infecção
pelo
citomegalovírus;
ou zonas de infarto, que posteriormente
se reabsorvem, comprimem o parênquima 4)Hematomas associados ao uso de cocaína;
esplênico adjacente e geram a formação de 5)Hematomas pós-colonoscopia.
uma pseudocápsula de tecidos fibrosos com ou
Os
cistos
esplênicos
são
geralmente
sem calcificações.2-4, 6,8
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Haji Júnior et al
assintomáticos. Quando maiores que oito
centímetros, os sintomas mais frequentes são
massa abdominal palpável, associada a dor
abdominal leve e desconforto no hipocôndrio
esquerdo.11 Sintomas secundários à compressão
de órgãos adjacentes ao baço aumentado de
tamanho são: náusea, vômito, flatulência e
diarreia. Além disso, a pressão no sistema
cardiorrespiratório pode causar dor pleurítica,
dispneia, atelectasia de lobo pulmonar inferior
esquerdo, pneumonias recorrentes e a irritação
constante do diafragma pode levar à tosse
persistente.5,12
total ou conservadora, com ou sem drenagem
percutânea, enucleação ou marsupialização.8,14
Um algoritmo para o tratamento das lesões
císticas do baço é difícil de ser criado por
conta da raridade da patologia.14 Para cistos
assintomáticos pequenos (menores que 5 cm
de diâmetro), o tratamento conservador pode
ser realizado com segurança, enquanto para os
cistos sintomáticos ou volumosos (maiores que
5 cm) têm sua indicação cirúrgica em diversas
séries.14,15 Outras séries consideram, entretanto,
como ponto de corte o tamanho de 4 cm.8,13
Comumente os cistos do baço são diagnosticados
de forma incidental ao se realizar exames com
outros propósitos.3
Para o grupo de tratamento conservador
é
recomendado
acompanhamento
com
ultrassonografia semestral, passando para anual
se não ocorrer aumento dele até a resolução do
Vários exames de imagem podem ser realizados cisto. Sendo o tratamento cirúrgico novamente
para esclarecimento da natureza da lesão, escolhido se a lesão passar a crescer ou
como a ultrassonografia, a tomografia apresentar sintomatologia.8
computadorizada e a ressonância nuclear
magnética. Na ultrassonografia podem ser O melhor tratamento recomendado é a
encontradas imagens heterogêneas causadas por esplenectomia parcial com preservação de no
debris no interior do pseudocisto e, se houver mínimo 25% do baço, para se evitar infecções
calcificações periféricas, haverá formação pós-esplenectomias por germes como o
de imagens hiperecogênicas com formação pneumococo, o meningococo e o Haemophilus
de sombra acústica posterior. Na tomografia influenzae.8,14 No paciente do relato de
computadorizada aparecem como lesões bem caso optou-se por esplenectomia total pela
delimitadas, geralmente homogêneas e sem dificuldade técnica imposta pelo tamanho e
realce pelo contraste. Na ressonância nuclear localização da lesão no baço.
magnética podem mostrar estruturas com realce
hipointenso em T1 e hiperintenso em T2.13
Ao se optar por realizar esplenectomia total, é
sugerida a administração de vacinas contra as
Diagnósticos diferenciais que devem ser bactérias citadas antes e, quando necessário,
investigados são: abscesso, cisto hidático, após a cirurgia associada à administração de
metástase cística e neoplasias císticas, sendo antibióticos no pós-operatório.8,10
incluídos nessa última os hemangiomas,
linfangiomas e cistos epidermoides e dermoides.3 Referências
Complicações comuns dos cistos esplênicos
falsos são a infecção, ruptura com
peritonite, formação de abscesso, perfuração
transdiafragmática e hemorragia.11,12 Quando
eles se apresentam em grandes volumes,
podem estar associados à trombocitopenia ou
hipertensão arterial secundária a compressão
da artéria renal esquerda.11
Os tratamentos descritos para o pseudocisto do
baço de etiologia traumática são: esplenectomia
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Correspondência para:
e-mail: [email protected].
End.: Rua São Pedro, 50 – Morro da Liberdade.
Manaus/AM. CEP: 69074-730.
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MANEJO OPERATÓRIO DE LITÍASE
INTRA-HEPÁTICA EM PACIENTE PORTADOR DE
SITUS INVERSUS TOTALIS: UM RELATO DE CASO
SURGICAL APPROACH OF INTRAHEPATIC LITHIASIS IN A PATIENT
WITH SITUS INVERSUS TOTALIS: A CASE REPORT
Gerson Suguiyama Nakajima;* Adriano Pessoa Picanço Júnior;** Rubem Alves da Silva Neto;** Priscila Cavalcanti Ballut;*** Rebeca Aparecida dos
Santos di Tommaso;*** Mônika Maya Tsuji Nishikido***
Resumo
A litíase intra-hepática primária é caracterizada pela presença de cálculos formados em ductos
intra-hepáticos e é mais prevalente no Leste Asiático. Sua fisiopatologia ainda não está bem definida,
porém parece ter relação com estase biliar, infecção e desnutrição proteico-calórica. Este relato
descreve o caso de um paciente de 66 anos, portador de Situs Inversus Totalis, apresentando sinais
e sintomas colestáticos, sendo evidenciado colelitíase, coledocolitíase e litíase intra-hepática em
colangiorressonância magnética. A conduta realizada foi colecistectomia com coledocotomia e
extração de cálculos intra-hepáticos e do colédoco, além de anastomose biliodigestiva coledocoduodeno látero-lateral. A evolução foi satisfatória, com melhora dos sintomas álgicos e da icterícia.
Palavras-chave: Situs Inversus; Cálculos nas Vias Biliares; Colelitíase; Coledocolitíase.
Abstract
The primary intrahepatic lithiasis characterizes itself by stones presence in intrahepatic bile
ducts, being most prevalent in East Asian. Its pathophysiology is not well defined, but appears
to be related to bile stasis, infection and malnutrition. This case report describes a 66 years old
patient, with situs inversus totalis, presenting cholestasic pattern, diagnosed with cholelithiasis,
choledocholithiasis and intrahepatic gallstones in magnetic resonance cholangiography. The conduct
was performed by cholecystectomy with choledochotomy and extraction of intrahepatic and bile
duct stones, followed by common bile duct-duodenal latero-lateral biliodigestive anastomosis.
The result was satisfactory, with healing of the pain symptoms and jaundice.
Keywords: Situs Inversus; Gallstones; Cholelithiasis; Choledocholithiasis.
Introdução
A litíase intra-hepática é considerada primária
quando é formada em ductos intra-hepáticos e
secundária quando é formada na vesícula biliar
e migram para os ductos biliares. A prevalência
da litíase intra-hepática primária no Ocidente é
de 0,6 a 1,3%, já em países asiáticos são mais
prevalentes: 12% na Malásia, 18% na Coreia, 38%
na China e 47% em Taiwan.1 A sua fisiopatologia
ainda não está muito bem definida, mas parece
haver relação com infecção, estase biliar e
desnutrição proteico-calórica.2
O situs inversus é uma condição rara autossômica
e recessiva na qual os órgãos estão em situação
* Professor do Departamento de Clínica Cirúrgica FMUFAM.
** Médico residente de Cirurgia do Aparelho Digestivo do HUGV.
*** Médica residente de Cirurgia Geral do HUGV.
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MANEJO OPERATÓRIO DE LITÍASE INTRA-HEPÁTICA EM PACIENTE PORTADOR DE SITUS INVERSUS TOTALIS: UM RELATO DE CASO
oposta ao que seria normal no corpo humano.
Quando há o envolvimento dessa transposição,
tanto dos órgãos abdominais como a
dextrocardia, é dito com Situs Inversus Totalis.
Nesses pacientes, a clínica da colelitíase é
confusa por conta da presença de dor localizada
no hipocôndrio esquerdo, fazendo que haja uma
dificuldade no seu diagnóstico inicialmente. Para
realizar procedimentos cirúrgicos em pacientes
com situs inversus, requer maior habilidade
do cirurgião, além de um planejamento préoperatório como posicionamento da equipe
cirúrgica, dos instrumentos e dos portais da
videolaparoscopia.3
O objetivo deste trabalho é relatar o caso de
um paciente portador de Situs Inversus Totalis
com colelitíase, coledocolitíase e litíase intrahepática, tratado cirurgicamente e que evoluiu
de forma satisfatória.
Relato de Caso
Paciente de 66 anos, sexo masculino, natural
de Nhamundá/AM e procedente de Manaus/AM.
Iniciou, em agosto de 2013, um quadro de dor
em hipocôndrio esquerdo que irradiava para
dorso e região epigástrica, relacionado à ingesta
hiperlipídica e associado a quadro de colúria,
icterícia e acolia. Relatou queixa dispéptica e
perda ponderal de 10 kg nos últimos dois meses.
Negou demais queixas álgicas ou relacionadas
ao trânsito intestinal.
Nos antecedentes pessoais, negou comorbidades
e relatou apenas uma cirurgia prévia de
facectomia bilateralmente. Na história familiar,
negou qualquer sintomatologia semelhante.
Desconhece outras doenças na família.
Admitido no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital
Universitário Getúlio Vargas/Ufam, transferido
do HPS 28 de Agosto, com quadro de icterícia
intensa e colúria, além de dor abdominal em
hipocôndrio esquerdo. Os exames laboratoriais
mostravam um aumento da bilirrubinemia à
custa de bilirrubina direta de 14,7 mg/dl, e
aumento das enzimas canaliculares (Gama GT:
820 U/L e Fosfatase Alcalina: 1496 U/L).
Ultrassonografia abdominal demonstrou fígado
e vesícula biliar localizados no hipocôndrio
esquerdo e baço ao lado direito. A vesícula
biliar era repleta por cálculos. TCs de tórax
e abdome confirmaram os achados de Situs
Inversus Totalis. Por conta da alteração
anatômica, foi solicitado RNM de vias biliares
que evidenciou coledocolitíase e litíase intrahepática com dilatação de vias biliares intra e
extra-hepáticas.
Figura 1: Tomografia Computadorizada evidenciando o situs inversus e a
dilatação de vias biliares intra-hepática.
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Nakajima et al
Com o diagnóstico de colelitíase associado
à coledocolitíase e litíase intra-hepática,
a programação para o paciente era
colecistectomia com exploração de vias
biliares
e
anastomose
biliodigestiva
videolaparoscópica. Primeiro, foi realizada
uma pequena incisão supraumbilical e
inserindo trocater de 10 mm com confecção
de pneumoperitônio e seguiu-se ao inventário
da cavidade abdominal, no qual foi verificado
presença de ascite em pequena quantidade e
lesões hepáticas macronodulares. Suspeitouse, então, de um possível colangiocarcinoma
com metástase hepática por conta da idade do
paciente e perda de peso recente, e optou-se
por converter a cirurgia para melhor inventário
da cavidade abdominal.
Realizou-se então incisão subcostal esquerda
e os achados intraoperatórios revelaram a
Figura 2: Fotos do intraoperatório demonstrando a anatomia inversa do paciente e a anastomose realizada.
presença de microabscessos hepáticos e o
paciente não apresentava lesão indicativa
de implante secundário. A vesícula biliar
estava túrgida contendo múltiplos cálculos de
tamanhos variados; ducto colédoco de 2 cm
com cálculos à palpação, procedeu-se então
à coledocotomia com extração de múltiplos
cálculos pretos da via biliar principal. Optouse por usar o coledocoscópio até ductos
hepáticos direito e esquerdo com retirada de
cálculos pretos deles com auxílio de um cateter
de Fogarty, seguida de lavagem da via biliar
principal com soro fisiológico a 0,9% aquecido,
usando sonda de aspiração número 12, manobra
de Kocher e anastomose biliodigestiva colédocoduodeno látero-lateral com sutura contínua
simples da parede posterior do colédoco com
parede posterior do duodeno e sutura contínua
com pontos Schmieden da parede anterior do
colédoco com parede anterior do duodeno
usando fio de ácido poliglicólico 4-0. Um dreno
de Watterman foi deixado durante 72 horas
para observar anastomose.
Pós-operatório seguiu sem intercorrências e o
paciente teve alta hospitalar no sétimo dia pósoperatório.
Figura 3: Cálculos intra-hepáticos, do colédoco e da vesícula biliar esquematizados
conforme sua localização.
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MANEJO OPERATÓRIO DE LITÍASE INTRA-HEPÁTICA EM PACIENTE PORTADOR DE SITUS INVERSUS TOTALIS: UM RELATO DE CASO
Discussão
Cirurgia videolaparoscópica no Situs Inversus
Totalis pode ser realizada com segurança e
Situs Inversus Totalis é um raro defeito genético deve ser o procedimento de escolha; porém,
transmitido por genes autossômicos recessivos, se houver dificuldades técnicas, deve-se
sem predileção por sexo, que pode apresentar prevalecer a técnica convencional, diminuindo
dificuldades no manejo de doenças abdominais. os riscos de iatrogenia e dando maior segurança
A incidência varia de 1:4000 a 1:20000.4 Embora tanto para o paciente quanto para o cirurgião.
não haja evidências que sugerem que colelitíase
seja mais ou menos comum em pacientes com Referências
Situs Inversus Totalis, a apresentação com dor
no quadrante superior esquerdo pode atrasar o 1. Chawla, Y, Duseja, A. Intrahepatic stones: is
diagnóstico.5
it a lifestyle disease? Journal of Gastroenterolgy
and Hepatology. 2008; 7(1): 998-9.
A primeira colecistectomia videolaparoscópica
em um paciente com Situs Inversus Totalis 2. Caly, WR, Carpi G, Sica, ACAR, Catapani, WR.
foi descrita por Campos e Siepes, em 1991,6 Cálculos e intra-hepática: desafio diagnóstico
e desde então 39 casos foram reportados na como causa de colestase – Relato de caso. GED.
literatura, demonstrando que o procedimento 2009; 28(2): 68-70.
laparoscópico não está contraindicado nesses
pacientes. Quatro desses pacientes eram 3. Arya SV, Das A, Singh S, Kalwaniya DS,
também portadores de coledocolitíase e Sharma A, Thukral BB. Technical difficulties and
foram submetidos à extração dos cálculos its remedies in laparoscopic cholecystectomy in
por
Colangiopancreatografia
Retrógrada situs inversus totalis: A rare case report. Int J
Endoscópica (CPRE) sem intercorrências.7,8
Surg Case Rep. 2013; 4(8): 727-30.
Colecistectomia
videolaparoscópica,
exploração da via biliar por videolaparoscopia e 4. Demetriades H, Botsios D, Dervenis C et. al.
apendicectomia incidental foram realizados com Laparoscopic cholecystectomy in two patients
sucesso, com nenhum paciente apresentando with symptomatic cholelithiasis and situs
complicação pós-operatória.9 Muitas vezes, inversus totalis. Dig Surg. 1999; 16(6): 519-21.
porém, pela presença de ascite, dificuldade em
manter pneumoperitônio ou dúvida diagnóstica, 5.
Kumar
S,
Fusai
G.
Laparoscopic
a melhor opção é converter a cirurgia para cholecystectomy in situs inversus totalis with
laparotomia, dando, assim, mais segurança para left sided gall bladder. Ann R Coll Surg Engl.
o cirurgião e melhor visualização dos órgãos 2007; 89(2): 16-8.
intra-abdominais. Colecistectomia convencional
no Situs Inversus Totalis foi realizada como 6. Campos L, Siepes E. Laparoscopic
emergência em pacientes em colecistite aguda, cholecystectomy in a 39-year-old female with
na qual o acesso à laparoscopia era limitado.10 situs inversus. J Laparoendosc Surg. 1991; 1(2):
123-5.
Neste relato, apesar da cirurgia ter sido iniciada
por videolaparoscopia, optou-se por converter, 7. Dubois F, Icard P, Berthelot G, Levard H.
pelas razões acima citadas, proporcionando Celioscopic
cholecystectomy:
preliminary
assim decidir a melhor conduta terapêutica para report of 36 cases. Ann Surg. 1990; 211(1): 60-2.
o paciente. Durante a revisão de literatura, não
foi encontrado nenhum caso de colecistectomia 8. Pitiakoudis M, TsarouchaAK, Katotomichelakis
convencional com exploração de via biliar M, Polychronidis A, Simopoulos C. Laparoscopic
e anastomose biliodigestiva. A orientação cholecystectomy in a patient with situs inversus
anatômica distorcida torna o procedimento using ultrasonically activated coagulating
mais desafiador, resultando em um maior tempo scissors. Report of a case and review of the
operatório. O tempo total de cirurgia foi de 150 literature. Acta Chir Belg. 2005; 105(1): 114-7.
minutos.
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Nakajima et al
9. Iusco DR, Sacco S, Ismail I, Bonomi S, Virzi
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in patient with situs viscerum inversus totalis.
Case report and review of the literature. G Chir.
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totalis: report of a case. Internet Journal of
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
ADENOCARCINOMA DUCTAL DE PÂNCREAS
ASSOCIADO À NEOPLASIA PAPILAR MUCINOSA
INTRADUCTAL: RELATO DE CASO
PANCREATIC DUCTAL ADENOCARCINOMA ASSOCIATED WITH INTRADUCTAL
PAPILLARY MUCINOUS NEOPLASM: A CASE REPORT
Rebeca Aparecida dos Santos Di Tommaso;* Ticiane da Costa Martins;** Adalberto Caoru Júnior;* Priscilla Ribeiro dos Santos;* Marcelo Henrique
dos Santos;*** Leonardo Simão Coelho Guimarães****
Resumo
Adenocarcinoma ductal de pâncreas (ACDP) pode ser derivado da neoplasia mucinosa papilar
intraductal (NMPI) ou pode ocorrer no ducto pancreático distante dela. Pacientes com ACDP
associado à NMPI apresentam resultados mais favoráveis quando comparados ao ACDP isolado, com
maior sobrevida. O objetivo deste estudo é relatar um caso de ADCP associado à NMPI operado no
Serviço de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Palavras-chave: Câncer; Neoplasia Mucinosa Papilar Intraductal; Pâncreas.
Abstract
Pancreatic ductal adenocarcinoma (PDAC) may stem itself from an intraductal papillary mucinous
neoplasm of the pancreas (IPMN) or may develop in the pancreatic duct apart from it. Patients with
PDAC in association with IPMN apparently have a more favorable outcome, with better survival
rates. This paper offers pancreatic ductal adenocarcinoma case report associated with intraductal
papillary mucinous neoplasm treated in the Department of Gastrointestinal Surgery of Getúlio
Vargas University Hospital.
Keywords: Cancer; Intraductal Papillary Mucinous Neoplasm; Pancreas.
Introdução
graus variados de secreção de mucina, dilatação
cística e atipia arquitetural.2
Adenocarcinoma ductal de pâncreas (ACDP)
é uma doença altamente letal caracterizada
por metástase precoce e rápida progressão.1
Neoplasia mucinosa papilar intraductal (NMPI) do
pâncreas é uma entidade tumoral relativamente
nova, caracterizada pelo crescimento papilar
intraductal e de células colunares produtoras de
mucina. Referido no passado como carcinoma
papilífero, cistoadenoma mucinoso ductal e
tumor produtor de mucina, NMPI apresenta
A Organização Mundial de Saúde (WHO) define a
NMPI como uma neoplasia produtora de mucina
caracterizada por epitélio colunar que acomete
tanto o ducto pancreático principal (variante
ducto principal) como os pequenos ductos
(variante ductos secundários) ou ambos (variante
mista). Difere da neoplasia cística mucinosa do
pâncreas pela ausência de estroma ovariano.
A NMPI progride do estádio adenomatoso para
* Residente em Cirurgia Geral da Universidade Federal do Amazonas.
** Residente em Cirurgia do Aparelho Digestivo da Universidade Federal do Amazonas.
*** Residente em Cancerologia Cirúrgica da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas.
**** Cirurgião assistente do Serviço de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
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ADENOCARCINOMA DUCTAL DE PANCREAS ASSOCIADO A NEOPLASIA PAPILAR MUCINOSA INTRADUCTAL: RELATO DE CASO
NMPI com displasia, NMPI com carcinoma in situ
e eventualmente NMPI invasiva.3 A estimativa
de tempo de progressão da NMPI adenomatosa
à NMPI invasiva é cerca de cinco anos.4
O risco de desenvolvimento de câncer
invasivo associado à NMPI é significativamente
maior quando há o acometimento do ducto
pancreático
principal
(60-92%)
quando
comparado ao acometimento isolado dos ductos
secundários.5 Consequentemente, o Consenso
Internacional preconiza ressecção de todas as
NMPIs com envolvimento do ducto pancreático
principal. O manejo da NMPI variante ductos
secundários é mais controversa, com os
consensos recomendando ressecção cirúrgica
para lesões císticas maiores que 3 cm, sendo as
menores ressecadas na vigência de sintomas ou
se associadas a componente sólido ou se houver
citologia positiva.6
O objetivo deste trabalho é relatar um caso de
adenocarcinoma ductal de pâncreas associado à
neoplasia mucinosa papilar intraductal operado
no Serviço de Cirurgia do Aparelho Digestivo do
Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Relato de Caso
Paciente do sexo feminino, 64 anos, autônoma,
procedente de Manaus; evoluindo havia
quatro meses com dor abdominal tipo cólica,
mais intensa em epigástrio e hipocôndrio
direito, com irradiação para dorso, que cedia
parcialmente com analgésicos. Associou-se ao
quadro presença de icterícia, colúria e acolia
fecal com aumento progressivo da intensidade.
Paciente apresentava também anorexia, astenia
e perda ponderal de 13 kg em quatro meses
(mais de 10% de seu peso corporal). Procurou
facultativo e iniciou investigação diagnóstica,
sendo posteriormente referenciada à nossa
instituição. Diabética e em tratamento irregular
de sua comorbidade, negava tabagismo e
etilismo, negava história pessoal e familiar
de neoplasias. Ao exame físico apresentavase emagrecida (índice de massa corporal de
21,3), em regular estado geral, hipocorada
leve, ictérica intensa, sem linfonodomegalias
palpáveis, edema de membros inferiores 3+/4+
e com cacifo. Abdome plano, flácido, indolor
à palpação superficial e profunda, com massa
palpável em região epigástrica, endurecida,
imóvel e indolor; fígado palpável a seis
centímetros de rebordo costal, hepatimetria de
17 cm, com sinal de Courvoisier-Terrier, Traube
livre.
Exames
laboratoriais
demonstravam
hiperglicemia e hipercolesterolemia. Aspartato
e alanina aminotransferase elevadas (AST: 247
U/L e ALT: 385 U/L), assim como as enzimas
canaliculares (gamaglutamil transpeptídase
1532 U/L e fosfátase alcalina 2429 U/L) e
bilirrubina total de 15,47 mg/dl (direta 9,61 mg/
dl e indireta 5,86 mg/dl). Tempo de protrombina
de 44%, sorologias para hepatite negativas.
Marcadores tumorais apresentavam elevação,
com CEA 12,3 mcg/l e CA 19,9 405,9 U/ml.
Ultrassonografia de abdome total evidenciava
via biliar intra-hepática esquerda dilatada, com
hepatocolédoco de calibre aumentado de 1,0 cm
com presença de formação nodular hipoecoica
adjacente à cabeça do pâncreas, medindo 0,9
cm. Ressonância nuclear magnética evidenciou
lesão expansiva, lobulada, localizada em
topografia de cabeça de pâncreas, caracterizada
pelo sinal heterogêneo com predominante
hipossinal em T1 e hipersinal em T2, de
características císticas com septações internas
e dimensões axiais 50 x 43 mm; atrofia do
pâncreas e distensão difusa do ducto de Wirsung;
com a lesão mantendo contato com a parede
lateral da veia mesentérica superior; vesícula
biliar hidrópica e dilatação dos ductos hepáticos
direito, esquerdo, comum e hepatocolédoco.
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Di Tommaso et al
Foto 1: RNM de abdome e vias biliares evidenciando lesão lobulada em
cabeça de pâncreas com dilatação da via biliar.
A
paciente
foi
submetida
à
gastrobilioduodenopancreatectomia
total
com esplenectomia e colecistectomia com
reconstrução em alça única e ressecção anterior
de veia porta com rafia primária. Permaneceu
sob os cuidados da terapia intensiva até o
oitavo dia de pós-operatório, onde evoluiu com
insuficiência renal aguda tendo respondido ao
tratamento dialítico. Recebeu alta hospitalar
no 18.º dia de pós-operatório, seguindo em
acompanhamento com o Serviço de Nutrição,
Endocrinologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo
de nossa instituição.
Foto 2: Peça cirúrgica sendo rebatida, após a gastrobilioduodenopancretectomia total,
demonstrando a íntima relação entre a lesão pancreática e a parede anterior da veia porta.
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ADENOCARCINOMA DUCTAL DE PANCREAS ASSOCIADO A NEOPLASIA PAPILAR MUCINOSA INTRADUCTAL: RELATO DE CASO
Foto 3: Aspecto final após remoção da peça cirúrgica e rafia primária da veia porta.
Exame
histopatológico
evidenciou
adenocarcinoma ductal do pâncreas bem
diferenciado (grau 1), associado a áreas
de neoplasia papilar mucinosa intraductal.
Presença de infiltração em omento maior e
parede de duodeno, com margens cirúrgicas
livres, com metástase em cinco dos 23 linfonodos
isolados (gastroduodenal e retrocólico).
Estadiamento patológico – pT3N1M0. A paciente
foi encaminhada para tratamento adjuvante.
Em geral, a maioria dos pacientes com
NMPI são assintomáticos, sendo a maioria
dos diagnósticos incidentais, por meio de
tomografia computadorizada e ressonância
nuclear magnética, realizadas por outras
queixas (urológica, vascular, ginecológica,
torácica). Quando sintomáticos, os principais
sintomas e sinais relatados são dor abdominal,
perda de peso, icterícia, esteatorreia, diabetes
e pancreatite.8
DISCUSSÃO
Tomografia computadorizada e ressonância
nuclear magnética são utilizadas para determinar
o local anatômico exato das lesões e diagnosticar
metástases. Na variante ductos secundários,
evidenciam múltiplos pequenos cistos (1-2 cm)
e na variante ducto principal evidenciam o
Wirsung dilatado, sendo a colangiorressonância
superior em evidenciar comunicação das
lesões císticas com os ductos pancreáticos. A
colangiopancreatografia retrógrada endoscópica
demonstra a comunicação do cisto com o
sistema ductal e a saída de mucina por meio
da ampola duodenal (achado patognomônico de
NMPI). À ultrassonografia endoscópica, achados
que sugerem malignidade associada à NMPI é
dilatação > 1 cm do ducto principal – variante
ducto principal e lesões maiores que 4 cm com
Neoplasia mucinosa papilar intraductal do
pâncreas é considerada uma lesão pré-maligna
que progride de adenoma a carcinoma. NMPI
é conhecida pelo seu prognóstico favorável;
entretanto, apresenta prognóstico pobre
quando associada à forma invasiva, estando
o ACDP associado à NMPI no extremo da NMPI
invasiva. A presença de ACDP associado à NMPI
torna difícil a distinção se a NMPI é precursora
ou é condição associada a essa neoplasia
maligna. Ambos, entretanto, NMPI associada ao
ACDP e o ACDP derivado da NMPI, apresentam
melhor prognóstico quando comparado ao ACDP
convencional.7
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Di Tommaso et al
septos irregulares e lesões sólidas – variante
ductos secundários.9
De acordo com o Consenso Internacional de
2012, no manejo dos pacientes com NMPI, a
ressecção cirúrgica é fortemente recomendada
para paciente com a variante ducto principal
pela alta frequência de malignidade (média
61,6%).10 A maioria das NMPI está localizada
na cabeça do pâncreas, necessitando
de
duodenopancreatectomia.
Pelo
seu
crescimento longitudinal, há a necessidade
de estabelecimento de margens negativas
por biópsia de congelação; se não for possível
estabelecer margens negativas, está indicada
pancreatectomia total.11
Em contraste, a frequência de malignidade nos
pacientes com a variante ductos secundários
é bem menor (média 25,5%), e nos que não
apresentam sinais de malignidade como
componente sólido e citologia negativa, podem
ser acompanhados sem tratamento cirúrgico
imediato. Entretanto, pacientes com a variante
ductos secundários com mais de um fator de
risco (história familiar de câncer de pâncreas,
síndrome de câncer pancreático hereditário,
diabetes mellitus, obesidade, pancreatite
crônica, tabagismo) devem ser acompanhados
com exames de imagem – ressonância magnética
de vias biliares e ultrassonografia endoscópica,
a cada 4-6 meses para detecção precoce de
ACDP.12
A maioria dos pacientes com ACDP encontra-se
com doença sistêmica avançada no momento
do diagnóstico impedindo ressecção cirúrgica.
Na minoria dos pacientes submetidos ao
tratamento cirúrgico com intenção curativa, a
taxa de sobrevida em cinco anos é de 10-25%.13
Pacientes com adenocarcinoma pancreático
invasivo, entretanto, associado à NMPI
apresentam resultados mais favoráveis, com
sobrevida em cinco anos entre 40-60% após
ressecção cirúrgica.14
Dois tipos distintos de carcinoma invasivo
comumente se associam à NMPI: o tipo
tubular, tipicamente derivado da NMPI tipo
pancreatobiliar e semelhante ao ACDP; e o tipo
coloidal (mucinoso não cístico), derivado da
NMPI tipo intestinal que é caracterizado pela
abundante mucina extracelular.15 Enquanto o
prognóstico dos dois tipos de NMPI associada
ao adenocarcinoma invasivo parece ser mais
favorável quando comparado com o ACDP
padrão, o tipo coloidal exibe um comportamento
mais indolente, com taxa de sobrevida em cinco
anos após tratamento cirúrgico de 57-72%.16
O adenocarcinoma ductal de pâncreas é uma
patologia com alto índice de mortalidade.1
Pacientes com fatores de risco e lesões préneoplásicas associadas, como a neoplasia
mucinosa papilar intraductal, necessitam de
diagnóstico e tratamento precoces, por conta
da alta incidência de degeneração neoplásica
maligna.7,9,12 No presente relato, a paciente era
portadora de NMPI associada ao adenocarcinoma
ductal de pâncreas, sendo a ressecção cirúrgica
o tratamento de escolha.
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GESTAÇÃO OVARIANA: RELATO DE CASO
OVARIAN PREGANCY: CASE REPORT
Iracema Correia Veloso,* Lana de Lourdes Aguiar Lima,*Ione Rodrigues Brum**
Resumo
A gestação ectópica (GE) consiste na implantação e no desenvolvimento do óvulo fora da grande
cavidade uterina e é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre da gestação. A
literatura médica tem publicado, nos últimos anos, diversos relatos de caso de gestação ectópica
de localização atípica (intersticial, cervical, cicatriz de cesárea, ovariana e abdominal) que
representam situações de elevada morbidade e mortalidade. Este trabalho tem como objetivo
relatar um caso de gestação ectópica ovariana ocorrida em Serviço de Ginecologia e Obstetrícia
em Manaus/AM.
Palavras-chave: Gravidez Ectópica; Gravidez Ovariana; Laparotomia.
Abstract
The ectopic pregnancy (GE) is the ovule implementation and development ovule outside the uterine
cavity and is the leading cause of maternal death in the pregnancy first trimester. The medical
literature has been publishing in recent years, several case reports of ectopic pregnancy with
atypical localization (interstitial, cervical, cesarean scar, ovarian and abdominal) that represents
situations of high morbidity and mortality. This case report aims to describe an ovarian ectopic
pregnancy occurred in obstetrics and gynecology service in Manaus, Amazonas state.
Keywords: Ectopic Pregnancy; Ovarian Pregnancy; Laparotomy.
Introdução
A gravidez ectópica está entre as principais
urgências ginecológicas, representando a
principal causa de morte materna no primeiro
trimestre da gestação.1 A gravidez implantada
no ovário, no entanto, é uma condição rara,
correspondendo a menos de 3% de todos os
casos dessas gestações.2
A localização ovariana da gestação pode
ser explicada por processos inflamatórios
e aderências tubárias que dificultam sua
mobilidade, quanto por alterações motoras
das fímbrias, cursando com a não captação do
óvulo. Assim, o óvulo fecundado permanece na
superfície do órgão.3
O diagnóstico precoce é importante para reduzir
o risco de ruptura, além de melhorar o sucesso
das condutas conservadoras. Atenção especial
deve ser dada às pacientes com fatores de risco,
como gravidez ectópica prévia, cirurgia tubária
prévia (esterilização feminina, reanastomose
tubária), infertilidade, doença inflamatória
pélvica, endometriose, anticoncepção de
emergência e tabagismo.4-5
*Médica residente em Ginecologia e Obstetrícia.
** Doutora em Medicina, chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Francisca Mendes.
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GESTAÇÃO OVARIANA: RELATO DE CASO
Apresentamos um caso de uma paciente com
gravidez ovariana rota e laqueadura tubária
prévia.
Relato de Caso
Paciente do sexo feminino, 33 anos, obesa,
casada, parda, natural de Manaus, residente do
bairro Jorge Teixeira III, deu entrada no Serviço
de Urgência da Maternidade Nazira Daou.
Queixava de enjoos e vômitos havia semanas,
os quais não apresentavam melhora substancial
com uso de medicações orais. Acrescido ao
quadro, relatava dor moderada, progressiva,
em pontada, em fossa ilíaca direita, iniciada
havia 3 horas e atraso menstrual de 11 semanas
e três dias. Possuía história ginecológica de
quatro gestações anteriores, laqueadura tubária
pós-parto havia sete anos e ciclos menstruais
oligomenorreicos.
Paciente apresentava-se em bom estado
geral, hipocorada, discretamente sudoreica,
acianótica, afebril, pressão arterial de 110 x 70
mmHg. Abdome globoso, sem massas palpáveis,
doloroso à palpação profunda em fossa ilíaca
direita. Presença de discreta cicatriz em região
umbilical.
Foram solicitados exames: beta-HCG qualitativo,
hemograma, tipagem sanguínea com fator
Rh, ecografia transvaginal. Os resultados
deles foram: beta-HCG positivo, hematócrito
de 29,6%, hemoglobina de 9,7, leucocitose
de 20.400 com neutrofilia de 92%, tipagem O
positivo; laudo ecográfico: útero aumentado de
tamanho, com volume de 310 cm3. Endométrio
heterogêneo, espessado, medindo 25 mm, sem
saco gestacional. Ovário direito com volume
aumentado, apresentando coleção líquida,
medindo 6 x 3 cm (Figura 1). Ovário esquerdo
não visualizado.
Paciente evoluiu com piora do quadro álgico,
sendo submetida à laparotomia exploradora
de emergência. Os achados cirúrgicos foram:
moderada quantidade de sangue em cavidade
pélvica, ovário direito de volume aumentado,
aspecto heterogêneo, com visualização de
embrião sem batimento cardíaco em seu interior
(Figura 2); ovário esquerdo sem anormalidade;
útero aumentado de tamanho, miomatoso;
tubas uterinas edemaciadas e fibrosadas. Foi
realizado anexectomia esquerda.
Paciente evoluiu satisfatoriamente, sem
intercorrências. Recebeu alta hospitalar em 72
horas.
Figura 1: Imagem ultrassonográfica mostrando ovário direito aumentado de tamanho
(medindo 6 x 3 cm) apresentando coleção líquida em seu interior.
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Veloso et al
Figura 2: Achados cirúrgicos: ovário direito aumentado de tamanho, heterogêneo,
contendo embrião medindo 4,0 cm.
Discussão
de imagem de gestação tópica com valores da
b-HCG acima da zona discriminatória é indicativo
Foi observado que o quadro clínico de gravidez de gestação anormal.10 A exceção a essa regra
ovariana não difere das outras formas de são os casos iniciais de gravidez múltipla, cujos
gravidez ectópica. Na vigência de atraso valores da b-HCG são mais elevados quando
menstrual, sangramento genital e/ou dor comparados à gravidez única.11
abdominal, a hipótese deve ser investigada.
O diagnóstico depende da interpretação dos Com o aumento dos tratamentos de infertilidade,
dados da anamnese, exame físico, níveis de ocorreu também um aumento da incidência de
beta-HCG, mas principalmente de exames de gravidez ectópica em 1%. Mesmo, portanto,
se na ecografia for visualizada gestação
imagens como ecografia.
intrauterina, deve-se sempre obter imagens das
A ecografia transvaginal consegue visualizar regiões anexiais de modo a excluir a ocorrência
o saco gestacional intrauterino com cinco a de uma gravidez combinada.
seis semanas de atraso menstrual.6,7 Quando a
idade gestacional é desconhecida, os valores da Com o aprimoramento do diagnóstico da
b-HCG podem auxiliar na determinação da idade gestação ectópica, o tratamento tem sido
gestacional, além de ajudar na interpretação da realizado de forma mais precoce e com métodos
imagem.8,9 O valor discriminatório da b-HCG é menos invasivos.
de 1.500 a 2.000 mUI/mL, ou seja, com valores
superiores a este, a gestação intrauterina A apresentação clínica, contudo, tem mudado
deveria ser confirmada à ecografia. A ausência de uma situação de risco de morte, na qual era
necessária uma cirurgia de emergência, para uma
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GESTAÇÃO OVARIANA: RELATO DE CASO
nova situação, com condições mais favoráveis,
por vezes, com pacientes assintomáticas.
O relato de caso destaca a importância
fundamental da ecografia no diagnóstico das
alterações gestacionais no primeiro trimestre,
valorizando as imagens ovarianas. Destacamos,
também, a necessidade do exame de betaHCG quantitativo nas maternidades públicas
do Estado, o qual se torna necessário tanto
para determinação de conduta quanto de
acompanhamento.
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SÍNDROME DE MCKITTRICK-WHEELOCK:
RELATO DE CASO
MCKITTRICK-WHEELOCK SYNDROME: A CASE REPORT
João Bergamasco;* Adriano Picanço;** Ticiane Martins;** Gerson Nakagima;***Priscilla Ballut*
Resumo
Apresentar um caso clínico enfatizando a abordagem terapêutica realizada pelo cirurgião geral
com a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos pacientes acometidos pela Síndrome de
Mckittrick-Wheelock. Paciente de 66 anos, masculino, evolui há dez anos com diarreia líquida
diária, sem restos alimentares, com mucorreia, sem enterorragia, aproximadamente quatro vezes
ao dia, associada a quadros esporádicos de náuseas e vômitos. Informa piora intensa nos últimos
sete meses com necessidade de internações hospitalares para melhora do aporte hidroeletrolítico.
Refere perda ponderal significativa nesse período, não sabendo estimar quanto.
Palavras-chave: Síndrome de Mckittrick-Wheelock.
Abstract
Case report emphasizing the therapeutic approach performed by a general surgeon in order to
improve patients’ life quality affected by the Mckittrick-Wheelock syndrome. Patient 66 years
old, male, evolves ten years ago with daily diarrhea settles without food debris, with mucorrhea
without rectal bleeding, approximately 4 times a day intestinal routine, associated with sporadic
nausea and vomiting episodes. In the last seven months, informs intense worsening, requiring
hospitalization for improved electrolyte intake treatment. Refers significant weight loss during
this period, not knowing how much.
Keywords: Mckittrick-Wheelock Syndrome.
Introdução
Esses pólipos hipersecretores são responsáveis
pela perda hidroeletrolítica que os pacientes
que os possuem manifestam. Na Síndrome de
Mckittrick-Wheelock, o principal eletrólito
envolvido é o potássio. Assim, muitos pacientes
procuram o pronto atendimento médico
queixando-se de câimbras, fadiga, adinamia e
em último caso arritmias cardíacas.
Os pólipos adenomatosos são lesões com alto
potencial de malignização, localizados mais
frequentemente no cólon distal e reto. Entre
estes, os adenomas vilosos representam de 3 a
6% de todos os tumores de cólon, porém somente
3% destes são adenomas hipersecretores.1,2
Ao observá-los com microscópio óptico, os
adenomas vilosos apresentam uma produção Relato de Caso
de muco aumentada e o número de células
produtoras é maior.
Paciente de 66 anos, do sexo masculino,
evoluindo com quadro de diarreia líquida diária
*Médico residente de Cirurgia Geral da Ufam.
**Médico residente de Cirurgia do Aparelho Digestivo da Ufam.
***Médico, doutor em Clínica Cirúrgica, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Manaus/AM.
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SÍNDROME DE MCKITTRICK-WHEELOCK: RELATO DE CASO
havia dez anos, sem restos alimentares, com
mucorreia, sem enterorragia, aproximadamente
quatro vezes ao dia. Refere dor epigástrica
associada à plenitude pós-prandial e pirose
um ano após início do quadro. Nega melena
e hematêmese. Informa piora intensa nos
últimos sete meses, com necessidade de
internações hospitalares para melhora do
aporte hidroeletrolítico. Refere perda ponderal
significativa nesse período, não sabendo estimar
quanto.
pangastrite moderada, com lesão elevada séssil
antral e sua biópsia revelou hiperplasia faveolar,
gastrite crônica ativa associada à Helicobacter
pylori e ausência de malignidade no material
recebido. Retossigmoidoscopia rígida normal
até 20 cm e presença de tumoração vilosa do
reto ao sigmoide com anátomo-histopatológico
evidenciando adenoma túbulo viloso com
displasia leve a moderada, ausências de
sinais sugestivos de infiltração na lâmina
própria em secções avaliadas. A tomografia
computadorizada revelou moderada distensão
líquida e conteúdo com densidade de partes
moles no terço distal do sigmoide e reto em
toda sua extensão associada a espessamento
parietal concêntrico.
Ao exame físico: em regular estado geral, lúcido
e orientado, eupneico, mucosas hipocoradas,
anictérico, acianótico em extremidades, afebril
e desidratado. A ausculta respiratória mostrava
murmúrio vesicular fisiológico sem ruídos
adventícios bilateralmente e ausculta cardíaca O paciente foi submetido a tratamento cirúrgico
normal. Abdome escavado, indolor à palpação pela técnica de Cutait.
superficial e profunda, sem dor a descompressão
brusca, sem visceromegalias e com presença de Discussão
ruídos hidroaéreos.
Os
exames
laboratoriais
evidenciaram
hemoglobina de 10 g/dL, hematócrito de
28,1%, com demais dados de hemograma e de
coagulograma normais, creatinina 1,7 mg/dL,
albumina de 3,9 g/dL, enzimas hepáticas e
canaliculares dentro dos padrões de normalidade,
sódio de 136 mEq/L, potássio de 3,5 mEq/L,
magnésio de 1,7 mg/dL. Sorologia para HIV
negativa. A endoscopia digestiva alta revelou
A Síndrome de Mckittrick-Wheelock, descrita
primeira vez em 1954,3 é uma síndrome de
depleção hidroeletrolítica caracterizada por
desidratação, uremia pré-renal, hiponatremia,
hipocalemia, hipocloremia, acidose metabólica,
fadiga, confusão e em casos severos até a
morte. É causada por grandes adenomas vilosos,
localizados no reto (Figura 1) e a possibilidade
de surgimento dessa síndrome se dá quanto
mais distal se localizar a lesão.4
Figura 1: Fotografia de peça cirúrgica do reto evidenciando
numerosos adenomas vilosos.
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Bergamasco et al
A hipersecreção, tanto de fluidos como de
eletrólitos, está relacionada com o incremento
da atividade da adenosina monofosfato e dos
altos níveis de prostaglandinas E2 em células
adenomatosas, as quais ativam canais de cloro
e potássio facilitando a saída de sódio. Vários
estudos têm reportado o decréscimo dos níveis
de prostaglandina E2 depois do tratamento
com indometacina obtendo bons resultados no
controle das perdas.
importante, uma vez que o tratamento cirúrgico
precoce é o único efetivo com o paciente se
encontra estável.
A disfunção do sistema nervoso central por
hiponatremia é um resultado secundário da
diarreia secretora. A hipocalemia produz
alterações
no
eletrocardiograma
com
infradesnivelamento do segmento ST e ondas U.
2. Shamblin JR, Huff JF, Waugh JM, Moertel
CG. Villous adenocarcinoma of the colon with
pronounced electrolyte disturbance. Ann Surg.
1962; 2: 318-26.
A síndrome de depleção causada por
hipersecreção intestinal de um total de 0,5 a 3
litros por dia produz desidratação e insuficiência
renal aguda.
Logo, a depleção de eletrólitos e fluidos deve
sugerir o diagnóstico etiológico. Habitualmente,
a presença de diarreia crônica indica a realização
de uma colonoscopia.5 A ressecção endoscópica
está indicada em casos de adenomas pequenos,
mas já os tumores de tamanho maior são
suscetíveis à ressecção cirúrgica.
A indicação do tratamento cirúrgico se baseia
nos seguintes parâmetros: distância deste
da borda anal, tamanho, porcentagem de
circunferência acometida e estadiamento do
tumor por via endoscópica.
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Existem várias técnicas cirúrgicas para ressecção
e reconstrução do trânsito intestinal, sendo as
técnicas de Duhamel-Haddad e Cutait as mais
utilizadas.
No caso relatado, a cirurgia a Cutait, que consiste
na proctocolectomia subtotal com abaixamento
endoanal e posterior fixação cólon-anal foi a
técnica escolhida.
Em conclusão, a Síndrome de MckittrickWheelock deve ser considerada em casos que
se apresentem com a tríade de insuficiência
aguda pré-renal, alterações hidroeletrolíticas
e diarreia crônica.6 O diagnóstico etiológico é
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CISTO BRONCOGÊNICO DUPLO
DOUBLE BRONCHOGENIC CYST
Fernando Luiz Westphal;* Luiz Carlos de Lima;* José Corrêa Lima Netto;** Michel de Araújo Tavares;*** Ricardo Augusto Monteiro Cardoso;****
Felipe de Siqueira Moreira Gil;**** Pedro Igor Lima Soares;**** Thaís Borges Viana*****
Resumo
O cisto broncogênico é uma malformação congênita, geralmente sendo uma lesão única, porém
pode apresentar-se como lesões múltiplas. É relatado um caso raro de cisto broncogênico duplo
em uma paciente de seis anos e sete meses, que apresentou quadro clínico de pneumonia
para o qual fez tratamento clínico e radiografia simples de tórax, a qual mostrou alargamento
do mediastino médio, notadamente à direita, por provável processo expansivo. Foi realizada
tomografia computadorizada para esclarecimento da natureza da lesão, foram observadas
duas lesões expansivas de contornos lobulados, uma no lobo superior direito e outra no lobo
inferior direito. A paciente foi submetida à toracotomia para ressecção das lesões císticas. O
exame histopatológico revelou epitélio cilíndrico ciliado, compatível com cisto broncogênico. A
evolução pós-operatória foi excelente.
Palavras-chave: Cisto Broncogênico Duplo; Pneumonia; Anomalias Congênitas.
Abstract
The bronchogenic cyst is a common malformation, usually with a single lesion, however, can
present itself as multiple lesions. A rare case report of double bronchogenic cyst is described
here, discovered in a 6 year-old female patient, who experienced clinical pneumonia for which
was done clinical treatment and chest X-ray, revealing enlarged middle mediastinum, especially
on the right side, probably due to expansive process. A CT scan was performed to clarify the
injury nature, two expansive lobulated lesions were observed, one in the right upper lobe and
the other in the hemithoracic lower lobe. The patient underwent thoracotomy for cystic lesions
resection. Histopathological revealed ciliate cylindrical epithelium, consistent with bronchogenic
cysts. The postoperative outcome was excellent.
Keywords: Double Bronchogenic Cyst; Pneumonia; Congenital Abnormalities.
Introdução
O cisto broncogênico é uma lesão congênita do
trato respiratório originada por um distúrbio
na embriogênese da árvore traqueobrônquica
durante a gestação.1,2,3 Entre o vigésimo sexto
e o quadragésimo dia de gestação o intestino
primitivo divide-se em segmento dorsal e
segmento ventral, em que este se diferencia na
árvore traqueobrônquica e aquele no esôfago.
Durante a ramificação da árvore brônquica, é
sugerido que um grupo de células desprendese e adquire desenvolvimento autônomo,
originando o cisto brônquico.1 Se isso ocorrer
antes da quarta semana, sua localização tende
a ser mediastinal e se ocorrer após a sexta
semana, tende a ser intrapulmonar. Pode situarse ao longo de toda a via aérea, no entanto.
*Cirurgião torácico, doutor em Medicina, Universidade Federal do Amazonas. Título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica.
**Especialista em Cirurgia Torácica da Universidade Federal do Amazonas.
***Médico radiologista, Universidade Federal do Amazonas.
****Acadêmico de Medicina, Universidade Federal do Amazonas.
*****Assessora de Comunicação do HUGV
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CISTO BRONCOGÊNICO DUPLO
Os cistos broncogênicos são relativamente
incomuns, representando cerca de 6 a 15%
das massas mediastinais primárias.3,4,5 Os mais
frequentes são os mediastinais6,7 e correspondem
a 5% de todas as massas mediastinais em crianças.8
Estes são classificados em: paratraqueais,
subcarinais, hilares e paraesofágicos, sendo a
localização subcarinal a mais frequente seguida
da paratraqueal e depois por paraesofágica e
hílares.4,5 Os cistos intrapulmonares ocorrem
principalmente nos lobos inferiores7,9 sem
preferência por pulmão direito ou esquerdo.7
Relato de Caso
I.F.C., seis anos e um mês, sexo feminino,
apresenta quadro semelhante à pneumonia,
para o qual foi diagnosticada e tratada. Ao
realizar radiografia simples posteroanterior (PA)
e perfil de tórax, foi observado que o mediastino
estava alargado por conta de um provável
processo expansivo (Figuras 1 e 2). Foi feita uma
tomografia computadorizada (TC) contrastada
para esclarecer a natureza da lesão. Em seu
pulmão direito, foram encontrados duas lesões
expansivas de contornos lobulados de densidade
fluida, um em seu lobo superior (LSD) e outro em
seu lobo inferior (LID) (Figuras 3 e 4). A conduta
tomada foi toracotomia para ressecção de
ambas as lesões (Figura 5). A cirurgia apresentou
alguns empecilhos, com necessidade de ampla
ressecção e ligadura da artéria pulmonar do LID.
Paciente obteve alta em sete dias e retornou
11 dias após procedimento cirúrgico com novos
exames que se apresentavam normais.
Figuras 1 e 2: Radiografia do tórax nas incidências posteroanterior e perfil que demonstram alargamento
do mediastino médio de contornos regulares, notadamente à direita, por provável processo expansivo.
Figuras 3 e 4: Tomografia computadorizada do tórax no plano axial após administração endovenosa de
meio de contraste demonstra duas lesões expansivas de contornos lobulados, com densidade fluida
situada no mediastino médio à direita, na região infracarinal e peri-hilar à direita.
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Westphal et al
Figura 5: Cistos Broncogênicos.
Discussão do Caso
O cisto broncogênico ocorre mais no
sexo masculino numa proporção 1:0,76
aproximadamente.10 Sua apresentação clínica
varia com a idade do paciente, tamanho e
localização. Em crianças com menos de um ano
os sintomas predominantes são compressivos,
podendo distorcer o esôfago (raro), a traqueia
e os brônquios, levando a insuficiência
respiratória, enquanto em crianças maiores e em
adultos predominam as infecções respiratórias
de repetição,11 como foi apresentado neste
caso. Nos cistos mediastinais os sintomas
mais comuns são os compressivos,4,5,10,12
como, por exemplo, dor torácica, disfagia,13
dispneia e tosse, por conta dessa compressão
ou irritação das vias aéreas ou do esôfago.
Nos cistos intrapulmonares, os sintomas
estão relacionados à infecção de repetição
que em alguma ocasião infectam o cisto ou
seu parênquima adjacente.5,6,11 A paciente
em questão apresentou cistos mediastinais e
infecções respiratórias de repetição.
Apesar dos cistos serem normalmente únicos,
segundo Riedi et. al., normalmente os cistos
serem únicos,13 observamos, nesse caso, que a
paciente apresentava cistos duplos (um em LSD
e outro em LID), ambos esféricos e com paredes
finas. As paredes podem ser constituídas por um
epitélio brônquico (colunar pseudoestratificado,
ciliado, com glândulas mucoides, fibras elásticas
e musculares, cartilagem) ou alveolar (simples
pavimentoso), que contém um material
gelatinoso ou um líquido aquoso. Às vezes
podem apresentar-se calcificados ou conter ar
quando há uma comunicação com via aérea.
Apesar de sua evolução cursar normalmente
com redução de tamanho ou completo
desaparecimento, houve casos em que o cisto
malignizou para adenocarcinoma,5 e outros que
levavam à infecção de repetição, justificando a
conduta de ressecção tomada.
O diagnóstico foi confirmado pela histopatologia,
que mostrou os cistos com uma parede delgada,
com fragmentos de cartilagem, musculatura
lisa e glândulas e um revestimento interno de
epitélio cilíndrico ciliado.
Embora a literatura sempre deixasse claro que
poderiam apresentar-se em formas múltiplas,
só foram encontrados relatos de cistos
broncogênicos únicos, demonstrando a raridade
do caso e a relevância do seu relato.
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SARCOMA DE PARTES MOLES APÓS
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Fernando Luiz Westphal;* Roberto Alves Pereira;**Luís Carlos de Lima;*** José Corrêa Lima Netto;**** Márcia dos Santos da Silva;*****
Ricardo Augusto Monteiro Cardoso;****** Lincoln José Trindade Martins;******* Thaís Borges Viana********
Resumo
O câncer mamário possui alta prevalência e incidência no mundo, sendo a principal a causa de
óbitos por câncer no sexo feminino; portanto, após seu diagnóstico, deve ser tratado de maneira
agressiva, com terapia adjuvante (quimioterapia e radioterapia) após a cirurgia radical. Essa
agressividade, no entanto, pode ser prejudicial a alguns pacientes. É sabido que a radiação ionizante
possui eventos adversos graves como o desenvolvimento de outras neoplasias. Apresentamos o
caso de uma paciente que apresentou sarcoma de partes moles após radioterapia adjuvante para
câncer de mama. A paciente apresentava queixas locais, levando a descoberta de um nódulo na
região. Após investigação inconclusiva, foi realizada cirurgia com excisão completa de um nódulo
encapsulado. O resultado do histopatológico foi de sarcoma de partes moles.
Palavras-chave: Sarcoma; Câncer de Mama; Pós-Radioterapia Adjuvante.
Abstract
The breast cancer has a high prevalence and incidence around the world, and is the main cause of
cancer deaths in women, these characteristics turned up his treatment approach in a aggressive
way, which is based on adjuvant therapy (chemotherapy and radiotherapy) after radical surgery
excision. However, this therapeutic aggressiveness can be harmful to some patients. It is known
that ionizing radiation has serious adverse effects, such as development of other tumors. We
present the case of a patient who had soft tissue sarcoma after adjuvant radiotherapy for breast
cancer. The patient had local complaints, leading to the discovery of a nodule in the region. After
inconclusive research, a surgery of complete excision of an encapsulated nodule was performed.
The histopathology findings were soft tissue sarcoma.
Keywords: Sarcoma; Breast Cancer; Post-Adjuvant Radiotherapy.
*Professor-adjunto e coordenador da disciplina de Cirurgia Torácica da Universidade Federal do Amazonas.
** Cirurgião plástico e professor voluntário da disciplina de Cirurgia Plástica da Universidade Federal do Amazonas
*** Chefe do Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
**** Médico assistente do Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
***** Médica assistente
****** Acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Amazonas
******* Acadêmico de Medicina da Universidade Nilton Lins
********Assessora de Comunicação do HUGV
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SARCOMA DE PARTES MOLES APÓS RADIOTERAPIA PARA TRATAMENTO DO CÂNCER DE MAMA
Introdução
Paciente de 56 anos, há cinco foi submetida à
mastectomia radical à direita para tratamento
O câncer de mama (CM) é o segundo tipo de de neoplasia ductal de mama seguida de
câncer mais frequente no mundo e o primeiro reconstrução mamária por meio da utilização
entre as mulheres, respondendo por 22% de do retalho de músculo reto abdominal.
todos os casos novos de câncer a cada ano. No Realizou adjuvância com RT e quimioterapia,
Brasil, o risco estimado é de 49 casos a cada permanecendo assintomática por quatro anos,
100.000 mulheres, com a estimativa absoluta quando iniciou quadro de dor em mama direita
em região de arcos costais abaixo da prótese
de 49.240 casos novos para o ano de 2010.1
mamária. Relatava endurecimento do tecido
O tratamento do CM envolve uma equipe abaixo da mama e aumento do volume local.
multidisciplinar,
com
a
realização
de Ao exame de ressonância nuclear magnética foi
cirurgia, radioterapia (RT), quimioterapia e detectado nódulo justacostal, medindo cerca
hormonioterapia. Dentre estas modalidades, de 4 cm, localizado abaixo do músculo peitoral.
a RT tem um papel fundamental na prevenção Realizou biópsia percutânea por agulha fina e
da recidiva local do CM nos estágios iniciais, biópsia incisional, as quais foram inconclusivas.
além de aumentar as taxas de conservação Optou-se por exploração cirúrgica local
da mama.2 No entanto, o procedimento não com incisão em borda externa da mama e
é isento de complicações e dentre os vários rebatimento da prótese mamária de sua região.
efeitos adversos, o mais grave, porém, raro, é Foi encontrada lesão nodular encapsulada
o surgimento de um sarcoma na região exposta envolvendo o músculo peitoral maior e peitoral
menor (Figura 1). A massa foi ressecada com
à RT.3
margens de segurança em conjunto com parte
O objetivo deste trabalho é relatar o caso de dos músculos envolvidos (Figuras 2 e 3).
uma paciente que desenvolveu um sarcoma de
partes moles no mesmo local anatômico exposto O exame histopatológico da lesão revelou
à radiação ionizante para o tratamento de CM. sarcoma de partes moles com margens cirúrgicas
livres. A evolução da paciente até o momento é
satisfatória.
Relato de Caso
Figura 1: Imagem da cirurgia, com rebatimento superior da prótese mamária e
do músculo peitoral maior, mostrando o nódulo (seta).
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Westphal et al
Figuras 2 e 3: Sarcoma de partes moles de aproximadamente 4 cm inteiro
(2): Visualização da sua parte interna após secção medial (3).
Discussão
incidência do sarcoma tende a aumentar com
o decorrer do tempo, passando de 0,07% nos
ART, em conjunto com a cirurgia e a quimioterapia, primeiros cinco anos, para 0,27% e 0,48% após
é uma importante opção terapêutica no dez e 15 anos, respectivamente.7
tratamento das neoplasias malignas. Na prática
clínica, o uso dessa modalidade segue uma As neoplasias secundárias à RT parecem surgir por
programação padronizada, adaptada a partir efeito direto da radiação, a partir de mutações
da experiência de longa data em uma média de genéticas radioinduzidas. No entanto, a maior
indivíduos. Muitas vezes, essa padronização não associação da RT com o angiossarcoma sugere
leva em conta a radiossensibilidade individual, um mecanismo diferente de carcinogênese
tornando alguns pacientes mais suscetíveis aos radioinduzida em relação aos demais tipos de
sarcoma. Embora o linfedema secundário à
efeitos colaterais da radiação ionizante.4
manipulação do CM seja considerado um fator
No tecido-alvo, a RT cliva o duplo filamento predisponente para o desenvolvimento de
de DNA e gera radicais livres a partir da água angiossarcoma nas áreas afetadas,8,9 o contrário
celular, capazes de danificar as membranas, também é verdade, pois a RT adjuvante pode
proteínas e organelas celulares. O maior contribuir ou mesmo agravar a esclerose dos
inconveniente da RT é o fato de a radiação lesar linfonodos axilares e, consequentemente,
não apenas as células tumorais, mas também induzir o bloqueio linfático.10 Os sarcomas de
o tecido sadio ao seu redor. Os efeitos agudos partes moles que surgem em locais anatômicos
da RT se manifestam quase sempre durante o previamente expostos à radiação são o tipo
tratamento e desaparecem algumas semanas mais associado ao efeito carcinogênico direto
após o término da terapia. Os efeitos tardios da RT.11
surgem meses ou anos após o tratamento,
independentemente de lesões agudas prévias.5,6 O diagnóstico de sarcoma pós-radiação deve
ser baseado em quatro critérios: história prévia
Um efeito tóxico tardio é o desenvolvimento de de RT, surgimento do sarcoma no mesmo sítio
um segundo tumor sólido no campo de radiação ou próximo ao local previamente irradiado,
ou adjacente a ele, sendo o sarcoma uma das período de latência de vários anos entre a RT
neoplasias comprovadamente associada à RT.5 e o surgimento do sarcoma, e confirmação
Um estudo realizado com 194.798 mulheres histológica de sarcoma.12
com diagnóstico de CM observou um risco
16 vezes maior para o desenvolvimento de Esses tumores geralmente são agressivos e têm
angiossarcoma e duas vezes maior para os outros um elevado potencial de recorrência local e
tipos de sarcoma em mulheres submetidas à RT metástases. A ressecção radical parece ser a
em comparação a pacientes não expostas.6 A única chance de cura, independentemente de
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SARCOMA DE PARTES MOLES APÓS RADIOTERAPIA PARA TRATAMENTO DO CÂNCER DE MAMA
sua localização, pois os únicos sobreviventes
de longo prazo foram aqueles submetidos à
ressecção cirúrgica completa.13 Infelizmente,
a maioria dos casos de sarcoma é descoberta
tardiamente, piorando ainda mais o seu
prognóstico. Nesses casos, a quimioterapia
passa a ser um tratamento lógico por conta da
possibilidade de disseminação da doença e pelo
seu alto grau histológico.14
tissue sarcoma after radiotherapy in women
with breast carcinoma. Cancer, 2001;92(1):
172-80.
Em conclusão, as alterações teciduais e
celulares decorrentes do efeito de radioterapia
podem acarretar o desenvolvimento de outras
neoplasias. É importante o seguimento desses
pacientes e uma abordagem agressiva quando
detectada alguma anormalidade no sítio
correspondente à área irradiada.
8. Cozen W, Bernstein L, Wang F, Press MF, Mack
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breast cancer. Br J Cancer, 1999;81: 532-6.
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radioterapia. In: Kasper DL, Braunwald E, Fauci
AS, Hauser SL, Longo DL, Jameson JL. Harrison:
Medicina Interna. 16.ª ed. vol. 1. Rio de Janeiro:
McGraw-Hill, 2006, p. 505-512.
Instituição em que o trabalho foi realizado:
Universidade
Federal
do
Amazonas
Departamento de Clínica Cirúrgica
–
Endereço para correspondência:
6. Huang J, Mackillop WJ. Increased risk of soft Fernando Luiz Westphal – Hospital Universitário
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
Westphal et al
Getúlio Vargas, Coordenação de Ensino e
Pesquisa. Av. Aripuanã, n.º 4 – Praça 14 de
Janeiro – Manaus/AM, Brasil. CEP 69020-170
E-mail: [email protected]
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
Anais da VII Jornada de Saúde da
Amazônia Ocidental
Data: 27, 28 e 29 de agosto de 2013
Local: Auditório “Belarmino Lins” – Assembléia
Legislativa do Estado do Amazonas
Patrocinadores
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Temas Livres – Categorial oral
Efeito da Exposição aos Gases Anestésicos no Sistema de Defesa Antioxidante em
Residentes de Cirurgia de um Hospital Universitário em Manaus/AM
SOUSA, L. B.1; LIMA, J. T.1; SILVA, M. R. G.2; PAES, E. R. C.3; Lima, E. S.4
1 Estudantes de graduação em Farmácia da Universidade Federal do Amazonas – Ufam/Manaus, Brasil.
2 Farmacêutica graduada pela Universidade Federal do Amazonas – Ufam/Manaus, Brasil.
3 Farmacêutica doutora em Programa de Pós-Graduação em Anestesiologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho – Unesp/
Botucatu, Brasil.
4 Farmacêutico doutor em Farmácia (Análises Clínicas) pela Universidade de São Paulo – USP, Brasil.
E-mail: [email protected]
Pesquisas indicam que a exposição ocupacional aos gases anestésicos pode acarretar danos à
saúde e à qualidade de vida. No Amazonas, incluindo a cidade de Manaus, existe uma quantidade
insuficiente de trabalhos que abordem a temática e um elevado número de queixas dos profissionais
em razão de sérias implicações à saúde e à qualidade de vida pela constante permanência no
centro cirúrgico. O objetivo deste estudo foi avaliar o comportamento do sistema de defesa
antioxidante, Superóxido Dismutase, Catalase, Glutationa Peroxidase e Tióis Totais, bem como do
marcador de dano oxidativo Malondialdeído, por meio da análise de amostras de sangue periférico
de 15 residentes de cirurgia (grupo exposto) de um Hospital Universitário em Manaus, coletadas
no início do primeiro e segundo anos de residência médica, contabilizando um ano de exposição.
Os resultados foram comparados com a análise do sangue de 15 acadêmicos do Curso de Farmácia
(grupo controle) com o mesmo perfil antropométrico. Por meio deste estudo, pôde-se observar
que não houve alteração significativa na Superóxido Dismutase (643,7±146,6 e 661,3±142,8
Unid SOD/ml), Catalase (5,48±2,9 e 4,16±2 k/ghb/min), Tiois Totais (672,8±162,2 e 794,9±259,8
µmol/L) e Malondialdeído (0,89±0,3 e 0,59±0,2 μmol/L) ao se comparar o grupo exposto com
indivíduos sadios do grupo não exposto, respectivamente. A exposição aos gases anestésicos
aumentou significativamente (p<0,05) a atividade da Glutationa Peroxidase após um ano de
exposição comparado ao grupo controle não exposto (4589,9±979,4 e 3863,9±1123,3 U/L de GPx,
respectivamente), indicando que quantidades maiores de H2O2 possam estar sendo produzidas.
Sendo assim, este estudo demonstrou que a exposição ocupacional aos gases anestésicos não
é capaz de promover algum tipo de dano oxidativo, indicando a segurança ocupacional desses
profissionais quando expostos durante um ano aos gases anestésicos.
Palavras-chave: Gases Anestésicos, Sistema Antioxidante; Dano Oxidativo.
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Relato de Caso Clínico: NF1 em uma Família do Amazonas
PRAZERES, V. M. G.; MERLINO, A. P. S. M.; COSTA, J. L.; VASCONCELOS, K. C. F.; NOEL FILHO, M. J. S.; ZIEGLER, R. J. C. L.; HARRAQUIAN, V. C.
Dois irmãos adolescentes e seu pai procuraram atendimento em genética médica no AAL pela queixa
de efélides, manchas café com leite e neurofibromas em toda a extensão de sua pele, aparecimento
desde o primeiro ano de vida e evolução progressiva. O pai dos adolescentes relata o mesmo quadro
clínico em sua mãe. A família fecha critérios de diagnóstico clínico para Neuro fibromatose tipo 1:
6 ou mais manchas café com leite de mais de 5 mm de diâmetro antes da puberdade e de 15 mm
de diâmetro após a puberdade, neurofibromas, além de nódulos de Lisch na íris e pode ou não
haver lesão óssea. A Neurofibromatose tipo 1 é uma hamartose de herança genética autossômica
dominante relativamente frequente, com quadro clínico bastante heterogêneo, levando desde
um espectro de manifestações leves somente com sardas até manifestações mais graves com
neurofibromas em áreas nobres, podendo levar a fenômenos compressivos e um risco aumentado
para malignidade. A família foi submetida a aconselhamento genético, sendo informada do risco de
recorrência da condição de 50% para a prole de cada afetado, além da necessidade de observação
clínica regular e frequente para prevenção terciária das complicações da neurofibromatose como
glioma óptico, neurofibroma plexiforme e neoplasias.
Protocolo de Triagem Nutricional Nutritional Risk Screening-2002:
uma Revisão da Literatura
SOUZA, M. S. Q.1; ARAÚJO, C. R.1;PEREIRA, Z. R. F.2
1 Acadêmica de Graduação em Nutrição – Uninorte.
2 Nutricionista do Hospital Universitário Getúlio Vargas – Ufam.
E-mail: [email protected]
Introdução: A desnutrição se tornou problema frequente em hospitais no Brasil. Atualmente existem
diversos instrumentos de triagem nutricional que possibilitam a identificação de desnutrição
hospitalar. O Nutritional Risk Screening-2002 (NRS-2002) desempenha o papel de ferramenta de
rastreio nutricional, tendo como diferencial a aplicabilidade independentemente da doença e
respeitando a idade do paciente sendo esta a característica que amplia a sua recomendação para
adultos. O NRS-2002 caracteriza-se como um questionário baseado em perguntas objetivas sendo
dividido em duas fases para obter o resultado da triagem nutricional. Essa característica confere
ao protocolo maior agilidade e confiabilidade no diagnóstico nutricional. Objetivo: Analisar os
dados científicos disponíveis na literatura atual referente ao protocolo de triagem Nutritional Risk
Screening-2002 (NRS-2002). Metodologia: Utilizou-se a revisão bibliográfica, fundamentada em
artigos de revistas científicas no período de 2000 a 2013, disponíveis nas bases de dados na Scielo,
Medline e Lilacs. Resultados: Foram recuperados 29 artigos científicos de revistas eletrônicas
com o termo “triagem nutricional” NRS-2002 e 25 publicações com o termo “Nutritional Risk
Screening-2002” e 73 com o termo “Nutritional Risk Screening” 2002. Dos artigos encontrados
com o termo “triagem nutricional”, 11 foram selecionados. Com os termos “Nutritional Risk
Screening-2002” e “Nutritional Risk Screening” 2002 foram selecionados quatro e cinco artigos,
respectivamente, por estarem de acordo com os critérios de seleção. Conclusão: O NRS-2002 é
um instrumento desenvolvido para ambiente hospitalar, vários estudos constataram a validação
desse instrumento e verificaram que a sua aplicabilidade caracteriza-se como prática e confiável
na detecção precoce de risco nutricional.
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Assistência de Enfermagem ao Paciente com Acidente Vascular Encefálico
Isquêmico (AVEI) na Clínica Médica do Hospital Regional de Coari/AM
REBOUÇAS, B. O.1; MONTANHO, J.2
1 Residente da Residência Multiprofissional em Saúde da Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM.
2 Professora esp. do Departamento de Enfermagem do Instituto de Saúde e Biotecnologia, Coari/AM.
E-mail: [email protected]
Introdução: O acidente vascular encefálico é a terceira causa de morte no mundo, sendo
mais incapacitante que fatal. No estágio agudo, o tratamento adequado e as intervenções de
enfermagem são de extrema importância para prevenir as complicações secundárias e diminuir o
tempo de hospitalização. Objetivos: Verificar os procedimentos, recursos materiais e/ou humanos
disponibilizados pela equipe de enfermagem da clínica médica do HRC aos pacientes vítimas de
isquemia encefálica e correlacioná-los com a literatura específica da área. Metodologia: Optou-se
por utilizar uma abordagem qualitativa, do tipo descritivo. Como instrumento de levantamento de
dados, foi utilizado um questionário com questões abertas e fechadas, buscando verificar a atuação
da equipe de enfermagem no tratamento de pacientes pós-isquemia encefálica. Participaram da
pesquisa quatro enfermeiros, 15 técnicos de enfermagem e cinco médicos generalistas. Resultados:
Verificou-se que o atendimento das pessoas com suspeita de AVE não obedece nenhum protocolo
clínico. Os cuidados de enfermagem prestados aos pacientes são apenas os cuidados gerais de
enfermagem, o que difere da literatura. Os pacientes pós-AVE isquêmico são acompanhados
por médicos generalistas, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e técnicos de
enfermagem. Como o hospital não dispõe de neurologista e fonoaudiólogo, os pacientes são
encaminhados para Manaus. As dificuldades encontradas pela equipe de enfermagem durante a
assistência foram recursos materiais, seguida por humanos e capacitação da equipe. Conclusão:
A deficiência de materiais, recursos humanos e capacitação da equipe comprometem a qualidade
da assistência, já que esses clientes são considerados graves, portanto requerem uma assistência
especializada para prevenção de complicações e incapacitações.
Desenvolvimento de Habilidades Sociais a Partir do Brincar:
a Psicoterapia Grupal com Crianças
ROCHA, G. V. M.1; DE ANDRADE, A. C.2; DA SILVA, R. L. R.1; FLOR, S. R. A1. ROCHA, M. L. F.3; NEGREIROS, L. N.3
1 Ufam.
2 HUGV/Ufam.
3 HUGV.
Introdução: A construção da subjetividade do indivíduo é, em grande parte, influenciada por
suas vivências durante a infância. O conjunto de relações estabelecidas e o aprendizado ocorrido
no período infantil são refletidos na formação da psique do adulto. No Hospital Universitário
Getúlio Vargas funcionam os grupos terapêuticos voltados ao público infantil. Objetivos: Os grupos
terapêuticos têm o objetivo de estimular o desenvolvimento da criança por meio do lúdico. O
desenvolvimento psicológico da criança pode ser estimulado por brincadeiras, contribuindo para
o crescimento e, principalmente, para a saúde, além de nortear os convívios grupais. Além disso,
o brincar possui uma função simbólica, atribuída pela própria criança, que correlaciona a ação
e a ficção, proporcionando a representação do mundo pelos objetos. Métodos: As crianças são
encaminhadas por profissionais da saúde e das escolas. A psicoterapia ocorre semanalmente, com
duração de uma hora, num ambiente lúdico. As atividades se caracterizam como brincadeiras livres
e direcionadas, jogos e desenhos, além da utilização de uma avaliação neuropsicológica quando
houver suspeita de dificuldade cognitiva ou comportamental de ordem neurológica. Resultados:
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Com o acompanhamento terapêutico, a observação das crianças e o discurso dos pais averiguamse melhoras no desenvolvimento de habilidades sociais nas crianças, além do aperfeiçoamento
dos aspectos cognitivos. Conclusão: A partir deste trabalho, constatou-se a importância do lúdico,
pois foram observadas mudanças no comportamento das crianças e superação de limitações, uma
vez que, pelo brincar, foi dada a possibilidade de elas manifestarem seus sentimentos e emoções
e as demandas vivenciadas em seu cotidiano.
Avaliação da Incidência de Dor e do Grau de Satisfação de Pacientes
no Pós-Operatório de Colecistectomia
CUNHA, R.N.1; CAMPOS, M.S.2; DE CARVALHO, T. M
1 Médico residente de Anestesiologia do HUGV, Manaus/AM.
2 Acadêmico de Medicina, Manaus/AM.
Contato: [email protected], [email protected]
Introdução: A dor pós-operatória é um dos principais motivos para a insatisfação do doente ao
término de um tratamento cirúrgico. Desfechos clínicos desfavoráveis decorrentes da dor aguda
mal conduzida, como hipertensão arterial, distúrbios ventilatórios e transtornos psicológicos
aumentam, significantemente, o tempo e os custos da internação hospitalar. Objetivos: O
presente estudo tem o objetivo de avaliar a incidência de dor no pós-operatório e o grau de
satisfação dos pacientes cirúrgicos submetidos à colecistectomia no Hospital Universitário Getúlio
Vargas no período de 1.º/4/2013 a 20/7/2013. Metodologia: O estudo consta na abordagem ao
paciente após 24 horas da intervenção cirúrgica. O paciente será questionado quanto à presença
de dor, assim como a satisfação que obteve com o tratamento medicamentoso recebido. O estudo
foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da instituição. Resultados: Dos 79
pacientes que participaram do estudo, 12,6% não relataram dor, 44,3% referiram dor leve, 35,4%
dor moderada e 7,6% queixaram-se de dor intensa. Naqueles pacientes em que houve relato de
dor, 20,2% afirmaram que gostariam de ter recebido mais medicamentos e 79,8% responderam
que não, considerando normal a presença de dor em um período pós-operatório. Conclusão: O
conhecimento da incidência de dor dentro da instituição hospitalar favorece a criação de uma
rotina no tratamento da dor aguda. Sabe-se que o tratamento da dor é um desafio constante ao
médico, podendo este estudo servir como orientação para melhor satisfação do paciente.
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A Integralidade dos Serviços de Saúde Voltados aos Idosos
na Atenção Primária do SUS
SENTALIN, M. L.1; SASSAKI, Y.2
1 Graduando em Serviço Social na Universidade Federal do Amazonas.
2 Professora doutora em Serviço Social na Universidade Federal do Amazonas.
Resumo: A saúde é direito de todos e quando se trata de saúde pública o Brasil possui um Sistema
Único de Saúde (SUS) que dentre suas diretrizes preconiza uma atenção dividida em níveis
articulados de forma integral como um sistema único. A integralidade de ações no cuidado com os
sujeitos, segundo a proposta do SUS, é realizada por meio da formação de redes entre os níveis
de atenção em um sistema de referência e contrarreferência, de forma que envolva a promoção,
prevenção e recuperação. A atenção primária é a porta de entrada para o sistema único de saúde
e além de cuidar dos carecimentos cotidianos básicos deve referenciar para os demais níveis de
atenção as demandas de maior complexidade. Segundo dados sobre integralidade do resultado
da pesquisa realizada em duas unidades básicas de saúde de Manaus no PIB-SA/0107/2012,
com entrevista aos profissionais e formulários junto aos idosos. Considera-se que não existe
integralidade na dimensão em que a lei regulamenta. Existe uma fragmentação dos níveis como
se fossem independentes e de cuidados isolados. Alguns profissionais percebem essa realidade e
reconhecem a necessidade de mudanças no sistema que, para isso, depende de ações políticas
compromissadas e em conjunto.
Palavras-chave: Integralidade, Atenção Primária à Saúde.
Reflexões sobre a Integralidade dos Serviços de Saúde Voltados aos
Idosos e na Alta Complexidade de Saúde de Manaus
(Hospital Universitário Getúlio Vargas e Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio)
MARTINS, J. M.1 ; SASSAKI, Y.2
1 Bacharelanda em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas. Manaus/AM
2 Professora doutora da Universidade Federal do Amazonas. Manaus/AM
Resumo: Buscou-se analisar a integralidade dos serviços de saúde voltados aos idosos na alta
complexidade de saúde de Manaus (Hospital Universitário Getúlio Vargas e Hospital e Pronto-Socorro
João Lúcio). O envelhecimento é um processo social e ao longo da vida, se não houver promoção
à saúde, refletirá em agravos e repercussões das doenças crônico-degenerativas na velhice. Como
metodologia utilizou-se de dados quanti-qualitativos, de fontes secundárias, como documentos
institucionais e governamentais e como dados primários aplicação de formulários junto aos idosos
e entrevistas com profissionais dos respectivos hospitais. Como resultado, apontamos que a saúde,
muitas vezes fragmentada, voltada, sobretudo, para um modelo clínico, focado na atenção do
médico e hospitalocêntrico influenciada pela conjuntura neoliberal, mercantilista e focalizada
contrária ao SUS. Os agravos de saúde dos idosos são inúmeros e complexos e, segundo a Semsa
(2011), as maiores causas de mortalidade em Manaus estão relacionadas a causas externas: doenças
do aparelho circulatório; neoplasias; causas mal definidas e doenças do aparelho respiratório. Por
conta do tema da pesquisa, selecionamos usuários com doenças correlacionadas a diabetes (pédiabético infeccionado), hipertensão, circulatórios, dentre outros, que teoricamente estariam
participando dos três níveis de atenção. A alta complexidade apresenta, portanto, alguns avanços
e desafios no nível pesquisado, a integralidade tem respaldo legal; no entanto, tanto os usuários
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como os profissionais poucos conhecem e/ou utilizam dessa integralidade nos lócus, e os que
afirmaram usam entre pessoas e não institucionalmente.
Palavras-chave: Integralidade; Saúde; Idoso.
Desafios da Atuação Interdisciplinar na Política Pública de Saúde em Relação às
Mães Albergadas nas Maternidades
DE SOUZA, M. A. A.1; CALDAS, M. D.2; BENES, V.S.3
1 Assistente em Saúde, Secretaria Municipal de Saúde, Manaus/AM.
2 Assistente social, Secretaria Municipal de Saúde, Manaus/AM.
3 Assistente social, Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Manaus/AM.
[email protected], [email protected], [email protected]
Introdução: No cenário brasileiro, há uma grande demanda de mulheres e bebês prematuros
requerendo cuidados em saúde nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e Unidade de Cuidado
Intensivo (UCI). Nessas feições, no Brasil, desde a década de 90 implementou-se o Programa
Especializado denominado Método Canguru. Diante disso, a Política Nacional de Humanização
(2003) representa um importante instrumento na qualidade do atendimento em saúde, a qual
suscita inovações no fazer profissional de modo a assegurar direitos, pelo atendimento acolhedor,
centrado nas singulares dos sujeitos e que requer esforços de todos os atores que fazem parte do
processo. Objetivo geral: Refletir sobre os desafios na atuação interdisciplinar no âmbito da saúde
em relação às mães albergadas nas maternidades, no contexto brasileiro. Método: A pesquisa
pauta-se numa abordagem de natureza qualitativa, a qual se classifica como descritiva, delineada
por meio de pesquisa bibliográfica. Resultados: Aponta-se a necessidade de um atendimento
humanizado e resolutivo, garantidor de direitos, com comprometimento da equipe interdisciplinar
em ações participativas, visando à integralidade no atendimento e bem-estar das mães albergadas.
Faleiros (2008, p. 72) argumenta que o profissional romperá com a atuação repetitiva, pragmática,
empiricista quando atrelar as intervenções a um processo de construção e desconstrução contínuo
de categorias que permita a práxis. Conclusão: Os desafios postos são: execução de um trabalho
coletivo em resposta às necessidades peculiares desse segmento; intervenção não fragmentada
em que os cuidados em saúde vislumbrem a totalidade dos sujeitos, em consonância com os
princípios e preceitos da Política Nacional de Humanização.
Palavras-chave: Interdisciplinaridade; Política Nacional de Humanização; Saúde.
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Abordagem de Educação Física num Programa Multiprofissional no
Âmbito Hospitalar e Ambulatorial
PONCE, K. B.; AMORIM, M. L. C.; LOPES, K. A. T.; CORRÊA, L.S.; MOURÃO, I.F.C.A.; BEZERRA, E. S.; DUGAICH, S. T. U.; MOREIRA, R. S.;
DA SILVA, M. C. J. A.; BEZERRA, M. H. L.; MOURA, A. B.
Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Hospital Universitário Getúlio Vargas – HUGV,
Programa de Atividades Motoras Para Deficientes – PROAMDE.
Introdução: Um programa multiprofissional que atende pessoas com lesão medular e tem o objetivo
desenvolver as potencialidades da pessoa com lesão medular e proporcionar o conhecimento
necessário sobre a deficiência e suas características evitando complicações, iniciando no leito
hospitalar à reabilitação ambulatorial. Objetivo: O educador físico em suas atribuições busca em
conjunto com os demais profissionais realizar uma anamnese física geral, além de aplicar teste
de antropometria, força muscular, resistência aeróbica e manejo de cadeira de rodas. Após a
avaliação, é construído um plano de curso onde é previsto o conteúdo a ser trabalhado durante o
período em que o aluno passará em atendimento e o plano de aula para o atendimento individual.
Métodos: Durante os atendimentos, busca-se desenvolver as habilidades dentro de um processo
global progressivo, onde as orientações começam a partir do que o aluno traz de sua realidade e
contempla-se a autopercepção onde conteúdo deve ser aplicado em sua vida diária. Resultados: No
período de janeiro/julho de 2013 foram atendidas 13 pessoas com Lesão Medular na reabilitação,
sendo que destes, 23% concluíram, 46% estão em atendimento e 31% não concluíram; em média
temos uma melhora significativa de 13,2% da antropometria, 5,4% de força muscular e 23,1% de
manejo de cadeira de rodas. Conclusão: Para atingir um resultado mais efetivo, se faz necessário
que o aluno compreenda em casa o que lhe é orientado no programa, para que os conteúdos
tenham efetividade na vida diária e atinjam o objetivo esperado. Palavras-chave: Lesão Medular;
Reabilitação; Educação Física.
Avaliação de Independência em Atividades de Vida Diária e Locomoção
em Pessoas com Lesão Medular Pós-Reabilitação Motora
COSTA, E. M.; DUGAICH, S. T. U; LOPES, K. A. T.; AMORIM, M. C.; PONCE, K. B.; CORRÊA, L.S.; MOURÃO, I.F.C.A.; DOS SANTOS, D. G.;
VIEIRA, G. L. S.
Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Hospital Universitário Getúlio Vargas – HUGV,
Programa de Atividades Motoras Para Deficientes – PROAMDE.
Introdução: Um dos acometimentos graves que o ser humano pode sofrer é a lesão da medula
espinal caracterizada por qualquer injúria às estruturas contidas no canal medular, que percute em
alterações social, psíquica e física. A avaliação do lesionado medular, referente à sua qualidade de
vida, é de suma importância pelo impacto que essas pessoas sofrem após o incidente. Objetivo:
Verificar o ganho de independência dos alunos pós-período de reabilitação no Proamde/HUGV em
locomoção e atividades de vida diária (AVD). Metodologia: Entrevista por meio de questionário
direto com respostas fechadas adaptadas de questionários validados, como WHOQOL – bref,
Medidas de Independência Funcional (MIF) e Medida de Independência da Medula Espinhal (SCIM 3)
realizados em domicílio de alunos que participaram da fase de reabilitação (3 meses) do Proamde/
HUGV no período do 2000 a 2012, onde se aplica SIM, NÃO e NÃO SE APLICA, avaliando locomoção,
AVD. Resultados: O estudo foi feito de fevereiro a junho de 2013, foram realizadas 19 entrevistas
em domicílio, a maioria é do sexo masculino (89%), com maior prevalência de idade entre 31-45
anos, e 68% são lesões torácicas e tem mais de três anos de lesão. Atribuindo-se valores brutos
para itens como locomoção, 63% atingiram 7-9 pontos para o máximo 10, e 89% atingiram entre
4-6 pontos para o máximo 6 em AVDs. Conclusão: O período em que essas pessoas permaneceram
no programa permitiu que obtivessem sucesso na realização de suas AVDs e independência para
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se locomover utilizando essa independência, mesmo um longo período pós-alta. Palavras-chave:
Reabilitação; Locomoção; Atividade de Vida Diária.
O Processo de Reabilitação Motora em Pacientes Críticos com Úlcera por Pressão
DA SILVA, M. C. J. A.; AMORIM, M. L. C.; PINTO, S. A. S.; DUGAICH, S. T. U; PONCE, K. B.
Programa de Atividades Motoras para Deficientes (PROAMDE) do Hospital Universitário Getulio Vargas,Manaus,Amazonas.
Introdução: Brasil – 1998 define Paciente Crítico ou Grave, aquele que apresenta instabilidade de
um ou mais de seus sistemas orgânicos, por conta de alterações agudas ou agudizadas, ameaçadora
da vida. A reabilitação é um conceito dinâmico de um projeto de ação, com integração de vários
profissionais com a finalidade de ajudar o paciente a realizar suas máximas possibilidades físicas,
emocionais, sociais e vocacionais. Objetivos: Com este trabalho queremos mostrar a frequência de
clientes com úlceras por pressão graves a um programa de reabilitação de Pessoas com Lesão Medular
(PLM) no Ambulatório Araújo Lima (AAL). Metodologia: A equipe multiprofissional faz previamente
uma visita ao domicílio da PLM, onde o enfermeiro avalia sua estabilidade geral (autocuidado e
pele), com a incidência de úlceras por pressão, essa pessoa é encaminhada a um tratamento clínico,
pois é uma complicação séria e requer uma atenção específica. Resultado: Assim se configura a
urgência em manter uma intervenção preventiva, ativa e contínua, desde a internação, buscandose a prevenção, orientando paciente/familiares, eliminando o desenvolvimento em potencial de
lesões graves e promovendo o mais rápido possível a reabilitação dessa população. Conclusão:
Confirmando a magnitude do problema e a necessidade de ações mais expressivas na prevenção
da úlcera por pressão e de seu agravo, uma vez que pode retardar a participação no processo de
reabilitação global. Palavras-chave: Paciente Crítico; Úlceras por Pressão; Reabilitação.
Atuação da Fisioterapia na Restauração da Independência Funcional de um
Paciente com Doença de Wilson – Relato de Caso
ALENCAR, E. C. M.1; DOS SANTOS, A. C. B.1; NETO AIRES, W. Z.2
1 Acadêmicas do 9.º período do Curso de Fisioterapia da Universidade Nilton Lins, Manaus/AM, Brasil.
2 Fisioterapeuta, especialista em Saúde Pública e docente da Universidade Nilton Lins, Manaus/AM, Brasil.
E-mail: [email protected]
Introdução: A Doença de Wilson (DW) é rara, de origem genética, com início entre os 11 e 25
anos de idade, que produz um defeito no metabolismo do cobre.1 Ocorre em razão da transmissão
autossômica recessiva, que provoca alterações no metabolismo do cobre. Essas alterações
comprometem a síntese de ceruloplasmina e provocam deposição de cobre em vários locais
do organismo, principalmente no fígado, cérebro, córnea (membrana de Descemet) e rins.3 A
sintomatologia é caracterizada por manifestações neurológicas, hepáticas, psiquiátricas e
oculares. O anel de Kayser-Fleischer e as alterações do nível de ceruloplasmina no sangue e
da excreção urinária de cobre representam os dados de maior importância para o diagnóstico
da doença.2,3 Objetivo: Relatar a experiência de atuação da fisioterapia em paciente com
Doença de Wilson. Método: Trata-se de relato de caso de paciente do sexo masculino, 17 anos
de idade, atendido no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV). Foram realizadas 32 sessões
fisioterapêuticas, com duração de 45 minutos, cinco vezes por semana. O paciente foi submetido
à avaliação neurofuncional convencional. Paciente foi internado por apresentar, havia 18 meses,
dificuldade de falar e deambular, de forma lenta e progressiva. Ao exame neurológico constatouse sintomatologia compatível com patologias relacionadas aos gânglios da base caracterizada por:
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fácies com o olhar fixo, boca entreaberta, sialorreia, bradicinesia, rigidez articular, tremores de
repouso e postural em ambas as mãos e postura distônica na mão esquerda. Apresentava alteração
de equilíbrio (não sentava), encurtamento muscular de peitoral maior, bíceps braquial, quadríceps,
tríceps sural. Era totalmente dependente para a realização de suas atividades de vida diária
(AVDs). Resultados: As condutas utilizadas para a reabilitação desse paciente foram alongamentos
globais de MMSS, MMII e tronco; técnicas de mobilização articular; exercícios passivos e ativos
assistidos; treino de transferências funcionais e AVDs; facilitação neuromuscular proprioceptiva
(FNP); treino de equilíbrio. Após as sessões de Fisioterapia, o paciente apresentou aumento da
ADM, desenvolvendo de forma independente habilidades motoras funcionais do seu dia a dia, como
o rolar e o sentar. Adquiriu equilíbrio de tronco, mantendo-se na posição sentada. Menkes (2002)
afirma que a cinesioterapia ativa e o treino de reações de equilíbrio proporcionam restauração do
padrão motor do movimento funcional e previne complicações decorrentes da patologia. Galizzi
(2009) diz que o tratamento deve iniciar quanto antes, para evitar a rápida progressão da doença.
Conclusão: Diante de tais resultados, conclui-se que a Fisioterapia proporciona independência
funcional a pacientes com Doença de Wilson, por meio do aumento da força muscular, restauração
de habilidades motoras funcionais e reações de equilíbrio.
Falhas no Processo de Prescrição Médica: Análise de Causa Raiz
JACINTO, A. H. V. L.1; RAMOS, M. C. B2; BASTOS, L. M.3; BEZERRA, N. M. S.3; ARAÚJO, M. E. A.4
1 Acadêmica de Farmácia da Universidade Federal do Amazonas,
2 Acadêmica de Medicina da Universidade Federal do Amazonas,
3 Farmacêutica da Gerência de Risco Sanitário Hospitalar do Hospital Universitário Getúlio Vargas,
4 Gerente de Risco do Hospital Universitário Getúlio Vargas,
Manaus/AM.
Manaus/AM.
Manaus/AM.
Manaus/AM.
E-mail: [email protected]
Introdução: Os erros de medicação são eventos passíveis de prevenção, decorrentes do uso
inadequado de medicamentos, e possivelmente relacionados com falhas no sistema de utilização
de medicamentos (prescrição/administração/dispensação), podendo ou não causar danos ao
paciente. Estima-se que 6,6 erros estão presentes para cada prescrição médica elaborada na
Clínica Cirúrgica do HUGV. Falhas nessa etapa podem ocasionar erros sistêmicos, comprometendo
todo o sistema e aumentando a possibilidade dos erros atingirem o paciente. Objetivos: Identificar
as causas potenciais para ocorrência de erro na etapa de prescrição de medicamentos para os
pacientes internados na Clínica Cirúrgica do HUGV. Método: Estudo observacional realizado
por meio de acompanhamento direto do serviço desenvolvido pelos prescritores, no período de
fevereiro/abril de 2013, com aplicação do Guia Estruturado de Observação Não Participante.
Como ferramenta para análise dos achados, foi utilizado o Diagrama de Ishikawa, no formato
6M (método/meio/mão de obra/material/máquina/medição). Resultados: Foram identificadas
as seguintes falhas no processo, relacionadas ao I) método: prescrição manuscrita, favorecendo
rasuras e ilegibilidade; II) meio: sala de residência incompatível com atividades desenvolvidas;
III) mão de obra: desconhecimento da lista de medicamentos padronizados na instituição;
comunicação entre internos, residentes e preceptores insatisfatória; IV) material: equipamentos,
como computadores para digitalização da prescrição e consulta à literatura, são insuficientes; não
há protocolos ou diretrizes terapêuticas disponíveis para consulta. Conclusão: A identificação da
causa e/ou fatores contribuintes para a ocorrência de erros na prescrição tem papel corretivo e
preventivo, uma vez que a partir dos problemas apontados é possível adotar medidas para evitar
que as falhas ocorram novamente ou para minimizar seus efeitos, garantindo a segurança do
paciente.
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A Integralidade dos Serviços de Saúde Voltados aos Idosos na Atenção Secundária
(Caimi da Zona Norte e Ambulatório Araújo Lima) de Saúde de Manaus
NUNES, D. C.1; SASSAKI, Y.2
1 Bacharelanda em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM.
2 Professora doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM.
Resumo: Análise da integralidade do Sistema Único de Saúde em Manaus, voltado à saúde do
idoso, no Caimi Zona Norte e Ambulatório Araújo Lima. Com verificação dos conhecimentos que os
idosos possuem dos seus direitos com relação à saúde e identificação da integralidade de ações na
atenção secundária realizadas pelos profissionais. Para sua implementação, a pesquisa teve como
natureza uma abordagem quanti-qualitativa, visto que foram usados dados quantitativos do IBGE,
PNAD e do Ministério da Saúde. Dados quantitativos por meio de formulários aplicados aos idosos
e entrevistas junto aos profissionais de saúde. Percebe-se a ausência de especialistas em Geriatria
e Gerontologia no atendimento aos idosos nas instituições, apesar de uma das instituições ser
nomeada como Centro de Atenção Integral, não há essa integralidade no atendimento ao idoso.
Os profissionais dessas unidades relatam uma dificuldade com relação ao funcionamento da
integralidade dos serviços, num nível de referência e contrarreferência, sendo esta realizada de
modo diferenciado em cada unidade. Com relação aos idosos, mais da metade desconhece seus
direitos, resultando na dificuldade de acesso nos serviços e impossibilitando o tratamento adequado
para seus agravos de saúde, de modo que a integralidade não é efetivada como preconiza o SUS.
Palavras-chave: Saúde; Integralidade; Atenção Secundária.
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Temas Livres – Categoria Pôster
Tuberculose: o Abandono do Tratamento em Manaus
DA SILVA, E N.1; FROTA, G. A.2
1 Enfermeira residente em Neurointensivismo da Residência Multiprofissional em Saúde – HUGV/Ufam.
2 Enfermeira residente em Neurointensivismo da Residência Multiprofissional em Saúde – HUGV/Ufam.
Universidade Federal do Amazonas - Residência Multiprofissional em Saúde
Introdução: A Organização Mundial da Saúde propôs um Plano Global para o Combate à
Tuberculose 2011-2015, com o objetivo de erradicar do mundo essa doença. Como estímulo a
adesão ao tratamento, o Ministério da Saúde, pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose,
fornece gratuitamente os fármacos para o esquema terapêutico e, em alguns casos, distribui
cestas básicas para o paciente. No entanto, apesar desses esforços, em 2012 a taxa de incidência
dos novos casos de tuberculose em Manaus foi de 95 para cada cem mil habitantes, maior que
a média nacional. Objetivos: Conhecer, a partir de dados secundários, a taxa de abandono dos
pacientes em tratamento contra a tuberculose na cidade de Manaus nos anos de 2010, 2011 e
2012, além de identificar qual gênero desiste mais do tratamento. Métodos: Os dados foram
coletados no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil e no Sistema de
Informação de Agravos de Notificação, tendo como um dos critérios de inclusão os casos novos
de tuberculose pulmonar. Resultados: Houve diminuição gradativa das notificações de abandono
no período analisado, sendo que, tal como ocorre em outras cidades do Brasil, em Manaus os
homens desistem mais do tratamento do que as mulheres. Conclusão: O abandono do tratamento
da tuberculose no município de Manaus permaneceu dentro do limite aceitável pelo Programa
Nacional de Controle da Tuberculose. O fortalecimento das atividades de controle da tuberculose
pela atenção básica pode aumentar as chances de conclusão do tratamento e o percentual de cura
da doença. Modo de Apresentação: A critério da Comissão Organizadora.
Coleta de Glicemia Periférica e Capilar: Erros na Conduta de Enfermagem para a
Realização da Glicemia Periférica e Capilar
MENEZES, L.C.S.1; SALOMÃO, A.B.2
1 Fisioterapeuta. Especialista em Metodologia do Ensino Superior. Professor universitário. Orientador da disciplina de Trabalho de Conclusão de
Curso do Centro Universitário do Norte – Uninorte Laureate Universities.
2 Enfermeira. Especialista em Enfermagem em Terapia Intensiva. Faculdade Literatus.
Resumo: A monitorização da glicemia capilar é primordial para direcionar as ações de enfermagem
e que envolvem o tratamento do Diabetes Millitus (DM). Assim, este trabalho de pesquisa é
uma revisão integrativa da literatura que teve por objetivo geral identificar quais os fatores
que podem influenciar nos resultados obtidos de exame de glicemia periférica. Seguindo os
critérios metodológicos desse tipo de revisão, foi realizada buscas às bases de dados na Scielo
(Scientific Electronic Library Online), Medline (Medical Literature Analysis and Retrieval System
Online) e Lilacs (Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde) a partir de
uma problematização relacionada às ações de enfermagem. Os resultados foram discutidos de
forma descritiva e indicaram que, na busca das evidências científicas disponíveis sobre coleta de
glicemia periférica e capilar e os erros na conduta de enfermagem para o controle desses testes,
não foi possível identificar artigos relacionados com a problematização que norteou esta revisão
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integrativa da literatura. Assim, devem existir mais pesquisas fundamentadas a fim de formar
bases de dados de evidências que comprovem que o controle dos possíveis erros nas condutas de
enfermagem, para a realização da glicemia periférica e capilar, pode proporcionar uma melhora da
qualidade de vida dos indivíduos portadores de DM e na diminuição das complicações decorrentes
do mau controle metabólico dessa patologia.
Palavras-chave: Enfermagem; Glicemia; Diabetes Mellitus.
Interações Medicamentosas em uma Unidade de Terapia Intensiva em um Hospital
Público de Manaus/AM
BRANDÃO; D. M.1; PEREIRA, Z. R.F.2
1 Farmacêutica residente, Ufam, Manaus/AM.
2 Nutricionista do HUGV/Ufam, Manaus/AM.
As interações medicamentosas em unidades de terapia intensiva são comuns, pois os pacientes
fazem uso concomitante de várias medicações, pela sua condição clínica, como paciente crítico.
O objetivo deste estudo foi avaliar a existência de interações medicamentosas potenciais teóricas
(IMPT) em prescrições feitas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital da rede pública
de saúde da cidade de Manaus/AM. Estudo quantitativo-descritivo na análise de prescrições no
período de março a junho de 2013, de pacientes maiores de 18 anos, internados por mais de 24
horas na UTI adulto do hospital. As prescrições foram avaliadas quanto às interações utilizando a
base de dados Micromedex® e pelo livro Interações Medicamentosas, quantificadas e classificadas
quanto ao seu grau de severidade. No período, foram analisadas 143 prescrições; destas, 12,6% (18)
continham IMPT. Nas prescrições que apresentaram interações, encontraram-se 32 interações, 18
graves (56,2%), sete moderadas (21,9%) e sete menores (21,9%), essas interações foram informadas
à equipe médica de acordo com a sua gravidade de manejo clínico. Este estudo demonstra o
perfil da farmacoterapia utilizada em terapia intensiva, mostrando uma incidência relevante de
interações medicamentosas potenciais em prescrições de pacientes críticos. Demonstra-se com
elas a necessidade de atuação do farmacêutico clínico na UTI, a fim de contribuir com a equipe
multidisciplinar na redução de riscos provenientes da terapia medicamentosa no paciente crítico.
Palavras-chave: Interações de Medicamentos; Unidade de Terapia Intensiva.
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A Percepção do Residente Multiprofissional sobre a Captação de Possíveis Doadores
de Órgãos a Partir do Protocolo de Morte Encefálica
BRANDÃO, D.M.1; DOS REIS,V. P.1; SOUZA, C.S.M.2
1 Farmacêutica residente, Ufam, Manaus/AM.
2 Docente, Ufam, Manaus/AM.
Introdução: O uso do protocolo de morte encefálica (ME) é um facilitador para a captura de
doadores de órgãos e também de redução de custos e otimização de leitos em hospitais. Objetivo:
Descrever a aplicabilidade do protocolo de morte encefálica para captação de possíveis doadores
de órgãos em pacientes em um Hospital Universitário de Manaus/AM. Metodologia: Qualitativa
descritiva, com uso de técnicas de manuseio documental por meio de formulários oficiais,
embasamentos científicos e banco de dados que subsidiam o processo de implantação dos protocolos
da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário Getúlio Vargas. Amostra documental dos
formulários de aplicabilidade dos protocolos por ME ocorreu por conveniência durante o mês de
fevereiro de 2013. Optou-se por análise de conteúdo para confrontar os dados a posterior com a
literatura científica e as novas diretrizes dos protocolos de 2012 regulamentados pelo Ministério
da Saúde. Resultados: Foi observado que a equipe do Hospital Universitário Getúlio Vargas realiza
o protocolo de ME, segundo a normatização, e demonstra conhecer o instrumento. Todavia, o
critério de notificação considerado um dos critérios do protocolo para que o paciente se apto,
possa ser doador, apresenta-se ausente na maioria das amostras observadas. O procedimento é
realizado pelo plantonista da UTI. Conclusão: O processo de implantação e aplicabilidade dos
protocolos ainda está em fase de estruturação, porém evidências científicas demonstraram que
os profissionais precisam de qualificação para que a padronização ocorra. Sabe-se que quando o
processo é realizado com o protocolo de morte encefálica adequado às necessidades da Rede de
Atenção à Saúde, o hospital reduz custos e otimiza leitos. Além de proporcionar a outras pessoas
oportunidade de melhorar a qualidade de vida quando um órgão é captado.
Prevalência de idosos hipertensos em atendimento de projeto de saúde básica no
Hospital Militar de Área de Manaus.
MARTINS, S; ALVES, K.
Introdução: Segundo os últimos dados mais atualizados de estatística epidemiológica a população
idosa tem aumentada nas ultimas décadas. Essas mudanças são acarretadas devido às transições
da humanidade, resultando em maiores expectativa de vida. Entretanto estudos mostram que
esses idosos estão chegando nessa expectativa com uma saúde mais afetada por doenças crônicas
não transmissíveis, principalmente a hipertensão arterial. Através do projeto: Atenção e cuidados
básicos de saúde, realizado no Hospital Militar Área de Manaus. Objetivo: Com o objetivo de
detecção dessas doenças previas. Métodos: Estudo epidemiológico transversal, envolvendo 129
idosos, atendidos pelo projeto de atenção e cuidados básicos de saúde no Hospital Militar Área de
Manaus, onde traçamos o perfil nutricional através do IMC de acordo com a Organização Mundial
de Saúde, aferição de pressão com esfignomanômero e estetoscópio, As variáveis explanatórias do
estudo foram: sexo, idade, escolaridade, tabagismo, consumo de álcool, tempo sentado, doenças e
uso de medicamentos. Resultados: Ocorreu uma prevalência de hipertensão entre os idosos, numero
maior entre as mulheres e das causas apontadas, a Circunferência abdominal entre as mulheres
mostrou se uma prevalência, uma vez que envolve modificações físicas, fisiológicas, metabólicas
que influenciam no resultado. Conclusão: Geralmente uma alimentação não balanceada e o não
cuidado com a saúde ainda na idade adulta resultam em inúmeras dislipidemias e uma velhice
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patologicamente preocupante. O conhecimento do estado de saúde do idoso é importante para
as políticas de saúde, pois auxilia os planejadores na elaboração de estratégias específicas a essa
população.
Palavras chave: Idosos, hipertensão, Atenção a Saúde.
Casa Mamãe Margarida: a Inserção Social das Jovens em Situação de Abrigamento
AZEVEDO, M.B.1; PEREIRA, Z.R.F.2
1 Assistente social do HPS Platão Araújo.
2 Nutricionista do HPS Platão Araújo.
Resumo: A Casa Mamãe Margarida, situada na cidade de Manaus, tem como finalidade abrigar jovens
e crianças do sexo feminino cujos direitos foram violados, retiradas de suas famílias de origem, em
cumprimento ao artigo 5.º do Estatuto da Criança e do Adolescente, que visa resguardar a criança
e a adolescente da violência e dos maus-tratos. Assim, este trabalho de pesquisa visa conhecer
as políticas sociais direcionadas às jovens atendidas na Casa Mamãe Margarida. Foram utilizados
como critérios metodológicos nesta pesquisa a técnica de observação participante e aplicação
de questionário aberto para posterior comprovação científica. Os resultados foram discutidos
de maneira descritiva e revelaram que todos os entrevistados demonstraram um conhecimento
satisfatório sobre os programas existentes na instituição, que são, além das atividades normais
como artes plásticas, pintura, bordado, crochê, corte e costura, flauta, violão, dança, teatro, curso
de informática, além dos projetos políticos, como também a inserção de ex-alunas no mercado de
trabalho, exercendo atividades em escritórios, fábricas do Distrito Industrial ou trabalhando por
conta própria em barracas de artesanato nas feiras ou trabalham em casa. Conclui-se, portanto,
a necessidade do fortalecimento da rede de proteção integral, nos âmbitos municipal estadual,
no sentido da implementação de programas específicos onde as jovens possam ter um leque mais
abrangente de oportunidades que possam efetivamente oportunizar um futuro mais seguro em
relação a uma profissionalização, que não se detenha apenas no âmbito do artesanato ou prendas
domésticas, mas com garantia de um modo digno de sobrevivência, quando do seu desligamento.
Palavras-chave: Casa Mamãe Margarida; Abrigo; Inserção Social.
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A Influência da Gordura Abdominal na Pressão Arterial e
Glicemia de Pacientes Diabéticos Tipo 2
CAMPOS, L.S.1; PEREIRA, Z.R.F1
1 Nutricionista clínica, HUGV/Ufam, Manaus/AM.
Introdução: A relação entre obesidade e diabetes mellitus tipo 2 é bem estabelecida. Indivíduos
com sobrepeso ou obesidade têm um aumento significativo do risco de desenvolverem diabetes,
risco este cerca de três vezes superior ao da população com peso considerado normal. Os
fundamentos sistematizados neste trabalho versam sobre a relação entre gordura abdominal e
diabetes mellitus. Objetivo: Analisar a influência da gordura abdominal na glicemia e pressão
arterial de diabéticos tipo 2. Metodologia: Utilizou-se o método qualitativo, por meio de revisão
a partir de bases de dados na Scielo, Medline e Lilacs, no período de 2000 a 2012, a fim de
revisar e levantar informações sobre o tema proposto. Resultados: Foram analisados 125 artigos
e, desses, 75 atendiam aos critérios de refinamento, sendo maior parte dos artigos, 53 (71%),
mostrou que tanto o excesso de gordura abdominal como ganho de peso total aumenta o risco
do desenvolvimento de diabetes, hipertensão arterial sistêmica e controle glicêmico prejudicado
naqueles que já desenvolveram a doença e 22 (29,3%) artigos apontam que a diminuição desse
tipo de obesidade, com modificação no perfil de gordura corporal, deve ser perseguida como
alvo terapêutico, com intuito de reduzir a resistência insulínica e melhorar o perfil metabólico.
Conclusão: O estudo trouxe ferramentas atuais necessárias para atingir o melhor controle da
glicemia, perfil lipídico e pressão arterial sistêmica.
A Busca pela Velhice Bem-Sucedida em Manaus: do Controle
dos Agravos a Intervenções Ampliadas
DE LEÃO, A.A.M.P.1;
1 Mestre em Serviço Social e Sustentabilidade na Amazônia (PPGSS/Ufam).Professora substituta do Curso de Serviço Social da Ufam.
E-mail: [email protected]
Introdução: A velhice é um fenômeno preocupante, cujas demandas causam ônus para o Estado.
Por conta do aparecimento/agravamento de doenças crônico-degenerativas, aumenta a procura
dos idosos pelos serviços de saúde para controle/tratamento. Tomando o conceito ampliado de
saúde, observa-se que os serviços são descolados da realidade de pobreza e exclusão social da
maioria dos idosos. O desafio do envelhecimento bem-sucedido demanda novas estratégias para
se garantir, primeiro, boas condições de vida. Objetivos: Identificar os agravos manifestados
pelos idosos; levantar os serviços oferecidos aos idosos na atenção primária. Método: Abordagem
quanti-qualitativa. Aplicação de entrevistas semiestruturadas a profissionais e idosos das UBSs e
Caimis de Manaus. Resultados: Os dados apontam que 55% dos idosos são hipertensos e 45% são
diabéticos. 80% dos idosos procuram as UBSs por serem próximas às suas casas, para consultas e
exames e 20% procuram os Caimis porque oferecem serviços especializados e atividades de lazer.
A procura maior é pelo médico (60%) e enfermeiro (40%). 60% dos idosos procuram atividades de
grupo fora das UBSs e Caimis para a melhoria da qualidade de vida. Conclusão: Necessidade de
integração entre os serviços socioassistenciais oferecidos em uma mesma área de abrangência para
a transversalidade da política de saúde e prestação de um atendimento totalitário às necessidades
dos idosos.
Tratamento Nutricional de Paciente com Síndrome de Secreção Inapropriada de
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Hormônio Antidiurético Crônico por Tuberculose Pulmonar Ativa em um Centro de
Terapia Intensiva de um Hospital Público de Manaus/AM: Estudo de Caso
DE SOUSA, R.L.1; PEREIRA, Z.R.F2
1 Nutricionista residente, R2, Ufam, Manaus/AM. ([email protected])
2 Nutricionista, HUGV/Ufam, Manaus/AM. ([email protected])
Introdução: A Síndrome da Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (Siadh) é a causa
mais comum de hiponatremia normovolêmica, bem como o fator etiológico mais usual de
hiponatremia em pacientes hospitalizados. Na Siadh ocorre uma inabilidade de diluir a urina
na presença de hiposmolalidade plasmática. Os mecanismos envolvidos sugerem elevação na
secreção do ADH, um bloqueio do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA) e elevação
discreta do PAN (peptídeo natriurético atrial), relacionado à diminuição da pressão arterial.
Objetivo: Descrever o tratamento e conduta nutricional. Metodologia: Trata-se de estudo de
caso, observacional, a partir da situação clínica de um paciente do sexo masculino adulto de 48
anos, com o diagnóstico de Tuberculose Pulmonar Ativa evoluindo com Siadh, que se internou no
CTI, onde a equipe multiprofissional decidiu iniciar o tratamento com terapia nutricional enteral,
com dieta hiperproteica, hiperssódica e restrição hídrica de 600 ML/dia, utilizando seis módulos
de 100 ml/cada de dieta enteral complementada com 1 flaconete de Cloreto de Sódio (NaCl),
totalizando 7 g/dia de NaCl, em 72 horas. O paciente permaneceu quatro dias com a dieta enteral
evoluindo para dieta padrão, sendo transferido para a clínica médica com dieta oral. Resultado:
O paciente apresentou melhora no quadro geral, inclusive no débito urinário e com a reversão
do coma, sem precisar de utilização de diuréticos de alça. O desfecho na clínica médica não foi
bom, por apresentar complicações respiratórias causadas pela tuberculose. Conclusão: Percebese então a essencial participação do nutricionista na equipe multiprofissional, a fim de contribuir
na assistência integral ao paciente crítico.
Palavras-chave: Siadh; Nutrição Enteral; Tratamento Nutricional; UTI.
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A Ventilação Mecânica como Fator Associado à Pneumonia em Pacientes em
Tratamento na UTI (Unidade de Terapia Intensiva): Revisão de Literatura
DA SILVA, F. S.1; MENEZES, C.A.1; BRITO, G.K.V.1; DE ARRUDA, P.R.S.1; MACIEL, R.J.B.1; BARBOSA, E.L.2
1 Acadêmicos do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Metropolitana de Manaus.
2 Enfermeiro MSc em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia – Instituto Leônidas e Maria Deanne ILMD – Fiocruz, docente do Curso de
Enfermagem da Faculdade Metropolitana de Manaus.
E-mail: [email protected]
Introdução: A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) é definida como uma infecção
pulmonar que surge 48 a 72 horas após intubação endotraqueal e também até 48 horas após a
extubação.1 Objetivo: Identificar os fatores associados à ocorrência de PAV em pacientes em
tratamento na UTI, a partir da revisão de literatura. Método: Trata-se de estudo descritivo
referente aos artigos recuperados nas bases de dados Scielo e Lilacs, sendo utilizados os seguintes
descritores: “pneumonia”; “ventilação mecânica” e “UTI”. Resultados: De acordo com Carvalho
e colaboradores (2005), a pneumonia geralmente é de origem aspirativa, tendo como principal
fonte as secreções das vias aéreas superiores, seguida pela inoculação exógena de material
contaminado ou pelo refluxo do trato gastrintestinal. Segundo Guimarães e colaboradores (2006),
as formas de aspirações mais comuns são as microaspirações silenciosas, associadas a um quadro
de insuficiência respiratória grave. Nesse contexto, Rocha et. al., (2008) afirmam que a pneumonia
é a segunda forma de infecção nosocomial de maior incidência, tendo a UTI (Unidade de Terapia
Intensiva) como o local de maior ocorrência. Em relação à prática da traqueostomia, Teixeira
e colaboradores (2004) relatam que esse procedimento quando realizado precocemente reduz
significativamente o tempo de ventilação artificial e o tempo de permanência na UTI, diminuindo
o risco do paciente desenvolver pneumonia. Conclusões: É importante ressaltar que a prática da
traqueostomia precoce, higiene oral e adoção de um sistema de vigilância do perfil bacteriano
constituem as medidas necessárias para a prevenção da pneumonia associada à ventilação
mecânica.
Palavras-chave: Pneumonia; Ventilação Mecânica; UTI.
Prevenção de Infecção no Sítio Cirúrgico relacionada à Assistência de Enfermagem:
Revisão de Literatura
SILVEIRA, F.T.M.1; MORESCHI, E.S.1; BRIGLIA, J.M.1; ALFAIA, L.S.1; BARBOSA, E.L.2
1 Acadêmicos do 5.º período do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Metropolitana de Manaus – Fametro.
2 Enfermeiro MSc em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia – docente do Curso de Enfermagem da Faculdade Metropolitana de Manaus –
Fametro.
E-mail: [email protected]
Introdução: A Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das principais infecções relacionadas à
assistência à saúde no Brasil1, ocupando a terceira posição entre as infecções em serviços de
saúde e compreendendo 14 a 16% daquelas encontradas em pacientes hospitalizados.2 Objetivo:
Identificar as medidas de prevenção da infecção do sítio cirúrgico a partir da revisão de literatura.
Método: Trata-se de estudo descritivo, considerando artigos recuperados das seguintes bases
de dados: Scielo e Lilacs, do qual foram utilizados os seguintes descritores: “Infecções do sítio
cirúrgico”, “Prevenção”, “Enfermagem”. Resultados: Segundo Ferraz e colaboradores (2001),
além da microbiota endógena, do próprio paciente, procedimentos sem considerar práticas
da biossegurança propiciam a infecção do sítio cirúrgico. Corroborando, Maia e colaboradores
(1999) ressaltam que o enfermeiro tem um papel importante na implementação dos protocolos
institucionais, melhorando a qualidade e reduzindo, além de complicações, a morbimortalidade
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e os custos decorrentes de ISC. Ainda, em Oliveira e colaboradores (2004), a equipe cirúrgica
tem condições suficientes de melhorar as práticas que visam à prevenção, caso obedecerem aos
programas e protocolos de controle da infecção de sítios cirúrgicos, podendo reduzir a taxa de
ocorrência de 3,5 para 1%. Por fim, ressalta-se o estudo de Silva (2010), que identificou que o
grau de contaminação do sítio cirúrgico apresenta-se diretamente associada à infecção do sítio
cirúrgico. Conclusões: É preciso considerar que o desenvolvimento de medidas preventivas pode
reduzir significativamente as taxas de incidências das infecções no sítio cirúrgico, além de também
impactar no número de internações relacionadas a essa problemática.
Palavras-chave: Prevenção; Infecção; Sítio Cirúrgico; Enfermagem.
Fatores de Riscos para Infecções do Trato Urinário no Âmbito Hospitalar: Revisão
de Literatura
DA SILVA, F.S.1; CAVALHEIRA, A.1; DE OLIVEIRA, C.P.1; OLIVEIRA, E.S.1; REIS, E. T.1; BARBOSA, E.L.2
1 Acadêmicos do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Metropolitana de Manaus – Fametro.
2 Enfermeiro MSc em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia – docente do Curso de Enfermagem da Faculdade Metropolitana de Manaus –
Fametro.
E-mail: [email protected]
Introdução: A infecção hospitalar é considerada um agravo na saúde pública, sendo responsável
pelo aumento da morbidade e mortalidade de pacientes, bem como do período de internação
e custos assistenciais.1 Objetivo: Identificar os fatores de risco para infecções do trato urinário
no âmbito hospitalar. Método: Trata-se de estudo descritivo referente a artigos recuperados nas
seguintes bases de dados: Medline e Lilacs. Foram utilizados os seguintes descritores “Infecção
do trato urinário”, “Enfermagem” e “saúde”, foram considerados apenas estudos publicados no
período 2006/2012. Resultados: Segundo Alves e colaboradores (2002), a ITU está presente em
todas as idades, populações, com particular impacto em mulheres, e em sua maioria está associada
ao uso de cateter vesical de demora. Corroborando Braga e Giordane (2005), a ITU tem como
principal agente causador a bactéria Escherichia coli, independente da faixa etária. De acordo com
Fernandes e Hallage (2006), os principais fatores de risco associados às ITUs são: sexo feminino,
idade avançada, disfunções anatômicas e fisiológicas do trato urinário e doenças subjacentes
severas, como diabetes. Ainda Stamm e colaboradores (2002) afirmam que dessas infecções, 80%
estão associada ao cateterismo do trato urinário e sua duração. Na mesma linha, Heilberg e Schor
(2003) identificaram que os episódios de ITU de origem hospitalar ocorreram, na sua maioria, em
pacientes com sonda vesical de demora, sendo 70,8% do sexo feminino. Conclusões: A prevenção
das infecções hospitalares é um dever de todos os profissionais de saúde, para isso eles deverão
ser conscientizados, motivados e orientados em um processo permanente.
Palavras-chave: Infecção do Trato Urinário; Enfermagem; Saúde.
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
A Prática da Desinfecção como Medida de Prevenção da Infecção Hospitalar no
Âmbito da Enfermagem: Revisão de Literatura
SILVEIRA, F.T.M.1; DA SILVA, M.R.S.M.1; BARBOSA, E.L.2; SOUZA, E.P.A.3; COELHO, C.F.A.1; CASTRO, B.M.C.4
1 Acadêmicos do 5.º período de Graduação em Enfermagem da Faculdade Metropolitana de Manaus – Fametro.
2 Enfermeiro MSc em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia – ILMD – docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade
Metropolitana de Manaus.
3 Enfermeira – coordenadora do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Metropolitana de Manaus – Fametro.
4 Enfermeira – residente do Programa de Residência em Área Profissional em Enfermagem Obstétrica do Hospital Universitário Getúlio Vargas –
HUGV, Universidade Federal do Amazonas – Ufam.
Introdução: Desinfecção é um processo físico ou químico que elimina a maioria dos microrganismos
patogênicos de objetos inanimados e superficiais, sendo considerado um dos principais
procedimentos para a prevenção de infecções no âmbito hospitalar. Objetivo: Descrever métodos
e produtos utilizados para a realização da desinfecção como medida de prevenção à infecção
hospitalar, a partir da revisão de literatura. Método: Trata-se de estudo descritivo referente aos
artigos das bases de dados Scielo e Lilacs, sendo utilizados os seguintes descritores: “Desinfecção”,
“Infecção Hospitalar” e “Enfermagem”. Resultados: Segundo o Guia de Enfermeiros (2000), entre
os métodos disponíveis, encontramos: a) Limpeza Manual, realizada manualmente para a remoção
da sujidade por meio do uso de escova, detergente e água; b) Limpeza Mecânica, procedimento
automatizado para a remoção de sujidade por lavadoras com ação física e química. Segundo Kalil
e Costa (1994), durante o processo de desinfecção, devem ser consideradas as seguintes questões:
a) Área restrita para realização de desinfecção em sistema aberto (manual/química); b) Validade
do desinfetante após a diluição; c) Conservação do Hipoclorito de Sódio em recipientes foscos;
d) Limpeza e secagem prévia dos artigos; e) Imersão total de todos os artigos e tubulações; f)
Uso de EPIs apropriados; g) Cuidados para não recontaminar os artigos durante o processo, h)
Condicionarem em recipiente estéril ou desinfetado até o momento do embalo. Considerações
Finais: É possível concluir que a desinfecção está diretamente associada à prática da higienização,
cuidado na manipulação de materiais e o uso de EPI (equipamento de proteção individual).
Palavras-chave: Desinfecção; Prevenção; Infecção Hospitalar; Enfermagem.
As Competências do Enfermeiro na Prevenção do Desenvolvimento de Úlceras por
Pressão em Unidade de Terapia Intensiva: uma Revisão de Literatura
CASTRO, B.M.C.1; SARKIS, B. 2; BARBOSA, E.L.3
1 Enfermeira. Residente do Programa de Residência em Área Profissional em Enfermagem Obstétrica do Hospital Universitário Getúlio Vargas –
HUGV, Universidade Federal do Amazonas – Ufam.
2 Enfermeiro. Graduado pela Universidade Federal do Amazonas – Ufam.
3 Enfermeiro. Mestre em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia. Instituto Leônidas e Maria Deane – ILMD. Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz.
Introdução: A prevenção do desenvolvimento de úlceras por pressão em Unidade de Terapia
Intensiva (UTI) constitui grande desafio para a enfermagem, pois o desenvolvimento dessas lesões
aumenta o risco de infecções e interferem na recuperação da saúde e qualidade de vida do paciente,
aumentando índices de permanência nos leitos hospitalares e consequentemente interferindo
nos custos. Objetivos: Identificar as estratégias utilizadas pelo enfermeiro para prevenir o
desenvolvimento de úlceras por pressão em Unidade de Terapia Intensiva, a partir da revisão de
literatura. Método: Trata-se de estudo descritivo, a partir de uma revisão de literatura, referente
a dez artigos científicos recuperados nas seguintes bases de dados: Scielo e Lilacs, no período de
setembro a dezembro de 2012, do qual foram utilizados os seguintes descritores “Enfermeiro”,
“Úlcera por pressão”, “Unidade de terapia Intensiva”. Resultados: Considerando os agravos que
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levam a Úlcera por Pressão (UP), verifica-se que a enfermagem possui, tradicionalmente, papel
fundamental na prevenção dessas feridas. Assim, prevenir UP passa pela adoção de cuidados ao
paciente, pela educação permanente dos profissionais, pela orientação de familiares e cuidadores,
além do compromisso da instituição em prover condições necessárias à assistência. Assim, um
protocolo de prevenção relacionando seu escore com a necessidade de intervenções específicas
constitui alternativa para a excelência do cuidado de enfermagem. Conclusão: O enfermeiro, como
responsável pela equipe de enfermagem, tem papel fundamental na prevenção de agravos como
a Úlcera por Pressão, pois é esse profissional que, contando com seu conhecimento e vivência,
somados ao seu pensamento crítico e diagnóstico, avaliará rotineiramente o paciente admitido na
Unidade de Terapia Intensiva.
Sistematização da Assistência de Enfermagem ao Paciente Portador de
Meningoencefalite Tuberculosa: um Estudo de Caso
CASTRO, B.M.C.1; SARKIS, B. 2; BARBOSA, E.L.3
1 Enfermeira. Residente do Programa de Residência em Área Profissional em Enfermagem Obstétrica do Hospital Universitário Getúlio Vargas –
HUGV, Universidade Federal do Amazonas – Ufam.
2 Enfermeiro. Graduado pela Universidade Federal do Amazonas – Ufam.
3 Enfermeiro. Mestre em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia. Instituto Leônidas e Maria Deane – ILMD. Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz.
Introdução: Tendo em vista a problemática da Meningoencefalite Tuberculosa na saúde pública,
torna-se fundamental que sejam despendidos esforços na tentativa de melhorar o prognóstico
dos indivíduos acometidos por essa doença. Tendo como pressuposto que o enfermeiro presta
cuidados integrais e contínuos ao indivíduo, desde seu estado mais estável ao mais crítico,
julga-se relevante a utilização da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), que
objetiva dispensar uma assistência mais qualificada, visando à recuperação e reabilitação do
indivíduo. Objetivos: Identificar os problemas de enfermagem e elaborar um plano de cuidados
visando amenizar as problemáticas existentes e prevenir possíveis complicações ao portador de
Meningoencefalite Tuberculosa. Método: Trata-se de estudo de caso de um paciente diagnosticado
com meningoencefalite tuberculosa internado na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas
(FMT-AM) no período de 2/11/2009 a 10/11/2009. Como referencial teórico, utilizou-se o modelo
conceitual de Horta, aplicando-se os Diagnósticos de Enfermagem da Nanda e Intervenções de
Enfermagem da Carpenito. Resultados: Entre os diagnósticos de enfermagem identificados,
incluíram-se: déficit do autocuidado para alimentação, banho/higiene, higiene íntima, vestir-se/
arrumar-se, integridade da pele prejudicada, risco para infecção, risco para aspiração e mobilidade
física prejudicada. Percebeu-se, no desenvolvimento do caso clínico abordado, significativa
importância da enfermagem na implementação e aplicação de suas intervenções, baseadas em
teorias científicas, a qual visa amenizar os problemas já existentes e evitar complicações que
poderiam advir com a doença. Conclusão: A partir da aplicação da SAE, percebeu-se melhora
significativa no estado de saúde da paciente, reafirmando mais uma vez a importância da realização
do processo de enfermagem na prática do cuidar.
Palavras-chave: SAE; Enfermagem; Meningite Tuberculosa.
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Gerontologia Social e seu Sujeito de Trabalho: Idosos Ex-Dependentes de Álcool
Assistidos pela Associação Alcoólicos Anônimos em Manaus
DA CUNHA, R.P.1; PEREIRA, A.S.2
Faculdade Salesiana Dom Bosco.
E-mail: www.fsdb.edu.br
1 Assistente social, pós-graduanda em Gerontologia Social na Faculdade Salesiana Dom Bosco, Manaus/AM.
E-mail: [email protected]
2 Orientadora, mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas.
E-mail: [email protected]
Resumo: O estudo teve como objetivo conhecer os idosos assistidos pela Associação Alcoólicos
Anônimos em Manaus. Contudo, este trabalho procura fortalecer o debate sobre o consumo de
álcool, no qual é uma preocupação voltada para todas as faixas etárias independentemente do
gênero, de classe e etnia. Todavia, os problemas relacionados ao abuso do álcool e alcoolismo
na faixa etária a partir ou maior que 60 anos de idade são comuns, porém pouco discutidos.
E para o alcance desse intento, trabalhou-se com os objetivos específicos: identificar o perfil
socioeconômico do idoso. Descrever as consequências do álcool na vida do idoso. Citar o trabalho
desenvolvido pela Associação Alcoólicos Anônimos junto com idoso. A escolha metodológica da
pesquisa baseia-se numa pesquisa descritiva, de campo e aplicada. Quanto à forma de abordagem
do problema, trata-se de estudo qualitativo. Os sujeitos da pesquisa foram dois idosos (de ambos
os gêneros), sendo que estavam presentes onze (11) membros dos A.A., nove (9) estão em processo
de envelhecimento. A coleta dos dados constituiu-se em anotações dos relatos dos sujeitos da
pesquisa. Os resultados alcançados indicam que, independente dos fatores, consequências e
problemas que o alcoolismo traz na vida do jovem, adulto e idoso, antes de tudo são seres
humanos, os quais precisam de apoio, compreensão, amor e ajuda, uma vez que dependência
alcoólica é uma doença. Contudo, precisamos desenvolver mais estudos sobre o alcoolismo na
faixa etária de 60 anos de idade, já que dependência alcoólica acarreta implicações físicas e
psicossociais ao idoso.
O Nível de Satisfação dos Idosos Inscritos no Programa Hiperdia Desenvolvido na
UBS Dr. José Amazonas Palhano da Zona Leste da Cidade de Manaus
LOBATO, M.S.1; SILVA-LIMA, T.2
1 Especialista em Saúde da Família, assistente social da Secretaria Municipal de Saúde e do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM.
2 Doutora em Procesos Sociales y Política em America Latina. Universidade de Arte y Ciencias Sociales.
Introdução: Com o crescimento demográfico da população idosa, uma preocupação constante
das instituições governamentais é instituir políticas que possam atender às demandas postas
por eles como na saúde que a Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus têm aumentado sua
prevalência com o decorrer da idade. Objetivo: Analisar o nível de satisfação dos idosos inscritos
no Programa Hiperdia sobre os Serviços de Atendimento da UBS da Zona Leste da cidade de
Manaus. Metodologia: Abordagem qualitativa tendo como sujeitos os idosos inscritos no Programa
Hiperdia que frequentam o Grupo de Saúde do Idoso, sendo 20 idosos hipertensos e/ou diabéticos;
destes, 17 aceitaram participar da pesquisa. Realizada em 2012, teve a coleta de dados e pesquisa
de campo efetivadas nos meses de novembro e dezembro. Resultados: O idoso do Hiperdia da
UBS Dr. José Amazonas Palhano é do sexo feminino, 89%, na faixa etária de 70 a 74 anos, 41%, e
é de baixa escolaridade, 77%. Sendo o grau de escolaridade baixa, pode-se dizer que também o
nível de expectativas e satisfação sobre os serviços de saúde oferecidos pelo Hiperdia também
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são baixos. Referem-se ao atendimento no Hiperdia como bom, mas, pelo discurso, desconhecem
seus objetivos. O acesso à medicação é bom, porém relatam insatisfação quanto ao acesso e
disponibilidade de forma sistemática. Conclusão: Assim, conclui-se que os idosos, apesar de
apontarem para um bom atendimento no Programa Hiperdia, demonstram insatisfação quanto à
sistemática de tratamento, visto que suas demandas não são atendidas na sua totalidade.
Palavras-chave: Envelhecimento; Idosos; Hiperdia; Nível de Satisfação.
Imaginologia nos Tumores Hepáticos
HAJI JR., A.C.; NISHIKIDO, M. M.T; DE MELO, A.M.S; GUIMARÃES, L.S.C.; SILVA JR., R.A.; NAKAJIMA, G.S.
Médico(a) do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Introdução: Existem diversos tipos de lesões hepáticas malignas e benignas. Muitas delas podem
ser diagnosticadas precisamente por meio de exames de imagem que são considerados “padrão
ouro”. Não necessitando a confirmação histopatológica por sua acurácia.1 Metodologia: Foram
consultados artigos indexados no portal de periódicos Capes e Up to date, além de livros, com
publicação entre 2009 a 2013. As palavras-chave pesquisadas foram “câncer hepático” e “tumor
hepático”. Resultados: Foram encontrados mais de 1.500 artigos com as palavras-chave utilizadas.
Discussão: Existem vários exames de imagem para o diagnóstico diferencial das lesões hepáticas
neoplásicas, seja por uso isolado dos equipamentos de captação da imagem, ou desses associados
aos contrastes.1 Os principais exames diagnósticos de neoplasias hepáticas são: ultrassonografia,
tomografia computadorizada (TC) e ressonância nuclear magnética (RNM). Sendo que muitos
consensos já os aplicam como métodos de diagnóstico ou de rastreamento das lesões. A RNM
e a TC têm resolução similar para a avaliação de lesões hepáticas.3 Apesar de em alguns casos
necessitarem de meios de contraste para maior precisão na diferenciação das lesões. Estudos
demonstram a importância da ultrassonografia no diagnóstico precoce do carcinoma hepatocelular
e definição do planejamento do tratamento. Conclusões: O desenvolvimento dos métodos de
imagem tem aumentado a precisão diagnóstica dos tumores hepáticos pelos exames não invasivos.
Os artigos demonstram que o diagnóstico por imagem é uma área de significativo interesse para
pesquisas e alto potencial de inovação científica.
Palavras-chave: Imaginologia; Tomografia Computadorizada; Ressonância Nuclear Magnética;
Ultrassonografia; Tumores Hepáticos.
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Úlcera Gástrica Solitária Benigna no Idoso
NISHIKIDO, M. M. T.1; HAJI JR., A. C.1; GUIMARÃES, L. S. C.1; DE MELO, A. M. S.1; SILVA JR., R. A.1; NAKAJIMA, G. S.1
1 Médico(a) do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Introdução: As principais etiologias conhecidas das úlceras gástricas são a infecção por Helicobacter
pylori e o uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), este último, muito frequente
em idosos por seu uso para analgesia em osteoartroses. Nesses últimos anos, porém, houve um
aumento na incidência de úlceras gástricas não relacionadas a essas etiologias, sendo enquadradas
como úlceras idiopáticas. Dentre estas, destacam-se alguns casos onde a úlcera é única, benigna e
acometem principalmente em idosos. Objetivos: A finalidade deste estudo é de expor a existência
de úlceras gástricas benignas não relacionadas à H. pylori nem a AINES, encontradas em idosos.
Método: Realizada análise de periódicos indexados na base de dados da plataforma Capes,
encontrando-se dois relativos a palavras-chave “úlceras gástricas”, “benignas”, “idiopáticas”,
“idosos”, “solitária”, “não H. pylori”, “não AINES”. Resultados: Segundo Yamane et. al., foram
verificados seis casos japoneses de úlceras gástricas antrais idiopáticas, nos quais todos eram
acima de 57 anos e apresentavam desconforto ou dor epigástrica como queixa clínica. Dos seis
casos, apenas três eram úlceras solitárias. Já o estudo indiano de Rajabalinia et. al., identificaramse oito casos de úlceras não relacionadas à H. pylori e AINES dentre 61 casos de úlceras gástricas
acompanhadas de hemorragia digestiva alta. Dentre esses oito casos, verificou-se uma incidência
maior em idosos. Conclusão: A incidência de úlceras gástricas não relacionadas à H. pylori e
a AINES vem aumentando, porém são necessários mais estudos referentes a esse assunto para
esclarecimento de sua etiologia e para melhor terapêutica.
Monitorização de Paciente Cirúrgico na SRPA:
o Olhar do Graduando de Enfermagem
DE SOUZA, S. V.1; ZAGONEL, S. M.2; BRITO, I. G.2
1 Enfermeira do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
2 Acadêmicas do 7.º período de Enfermagem da Universidade Federal do Amazonas/Ufam.
E-mail: [email protected]
Introdução: A Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) é o local onde o paciente, submetido
a um procedimento anestésico-cirúrgico, tem suas funções vitais monitoradas e a garantia de
medidas de suporte em caso de instabilidade. A Sobecc recomenda a monitorização do nível de
consciência, saturação periférica de oxigênio e a dor pós-operatória, registrando essa avaliação
a cada 15 minutos na 1.ª hora e após 30 minutos ou se necessário de acordo com as alterações
hemodinâmicas. Objetivos: Relatar a experiência no processo de observação e assistência aos
pacientes em pós-operatório imediato. Método: Estudo descritivo do relato de experiência das
acadêmicas de enfermagem durante estágio extracurricular na SRPA de um Hospital Universitário
de Manaus. Resultados: Após admissão do paciente na SRPA, é realizada a aferição e registro dos
sinais vitais pela equipe de enfermagem a cada 15 minutos na 1.ª hora, a cada 30 minutos na 2.ª
hora, e a cada 1 hora se necessário a permanência por mais tempo. Em relação ao sinal vital,
dor, observa-se durante o período de permanência manifestações e expressões que indiquem a
ocorrência de dor, assim como relatos e queixas mencionados pelo próprio paciente. Conclusões:
Dessa forma, percebemos a importância da assistência prestada pela equipe de enfermagem aos
pacientes em pós-operatório imediato, sendo fundamental a monitorização dos sinais vitais para
que essa etapa transcorra dentro do esperado, preservando, sobretudo, o conforto, o bem-estar
e a segurança do paciente.
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Frequência de Anemia em Profissionais de Serviços Gerais no Hemocentro do
Amazonas – Hemoam
BEZERRA, A. K. A.1; MORIKAWA, D. O.1; DA COSTA, M. R. L.2; ARAÚJO, M. I. S.3; PASSOS, L. N. M.4; MATOS, M. M. M.5
1 Paic/Hemoam.
2 Unicel.
3 Labio/Ufam.
4 Hemoam.
5 HUGV/Ufam.
E-mail: [email protected]
Introdução: Nos trabalhadores em geral, a anemia é um problema sério, que se não for diagnosticada
precoce e tratada adequadamente promove uma diminuição do desempenho físico, causando
um efeito negativo às funções cognitivas e psicomotoras e, consequentemente, afastamento
de suas atividades laborais. Objetivo: Determinar a frequência de anemias em trabalhadores
de serviços gerais do Hemocentro do Amazonas – Hemoam. Método: A anemia foi avaliada pela
hemoglobina (Hb), volume corpuscular médio (VCM) e concentração de hemoglobina corpuscular
média (CHCM). Resultados: Foram abordados 45 trabalhadores, sendo que 15 não aceitaram
participar, por doença, férias e recusas à punção venosa, sendo avaliados 30 de ambos os sexos
neste estudo. A frequência total de anemia encontrada neste estudo foi de 13,3%, sendo de 16,7%
no sexo feminino. Não foi encontrada anemia no grupo dos homens. A classificação da significância
populacional da frequência de anemia encontrada neste estudo foi leve, conforme a classificação
da OMS (WHO, 2001). A metade dos participantes anêmicos apresentou anemia do tipo normocítica
e normocrômica, 25% do tipo microcítica e hipocrômica e 25% do tipo normocítica e hipocrômica.
Não foram observadas anemias do tipo macrocíticas. Conclusão: A frequência de anemia
encontrada nos profissionais de serviços gerais do Hemocentro do Amazonas foi relativamente
semelhante quando comparada à prevalência observada em trabalhadores de outros contextos
profissionais. A maioria dos profissionais apresentou anemia do tipo normocítica e normocrômica,
o que é sugestivo de anemia por doença crônica, diminuindo a causa de deficiência de ferro na
anemia desses trabalhadores.
Palavras-chave: Anemia; Eritrograma; Alterações Hematológicas.
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Resumo de Literatura: Cisto Pilonidal
BERGAMASSO, J.; GIMENEZ, F.; NAKAJIMA, G. S.1
1 Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Introdução: Cisto pilonidal é um cisto ou abscesso próximo à divisão das nádegas abaixo do cóccix
que frequentemente contém pelos ou restos de pele. Os cistos pilonidais podem ser dolorosos,
atingindo os homens com mais frequência que as mulheres, ocorrendo de forma típica entre o
período de 15 a 24 anos. Os cistos pilonidais podem também atingir o umbigo, as axilas ou o
pênis, embora tais ocorrências sejam muito mais raras. Uma das causas especuladas para os
cistos pilonidais é a presença de pelos que crescem dentro do corpo. Acredita-se que o ato de se
sentar excessivamente possa predispor as pessoas à condição porque isso exerce pressão sobre a
região do cóccix. Não se acredita que traumas possam causar um cisto pilonidal; entretanto, um
evento dessa natureza pode resultar em inflamação de um cisto já existente. Há casos nos quais
um cisto se desenvolveu meses após um ferimento localizado naquela área. Alguns pesquisadores
propuseram a possibilidade de que os cistos pilonidais possam ser o resultado de uma depressão
pilonidal congênita. A transpiração excessiva também pode contribuir para o surgimento de um
cisto pilonidal. O tratamento pode incluir terapia com antibióticos, compressas quentes e aplicação
de cremes depilatórios. Em casos mais severos, o cisto pode ser drenado ou submetido à excisão
cirúrgica. Objetivo: Apresentar um caso clínico enfatizando a abordagem cirúrgica realizada com
a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos pacientes acometidos por cisto pilonidal. Método:
É apresentado o caso clínico de um paciente com sintomas de dor interglútea, diagnosticado como
portadora de cisto pilonidal, tratada cirurgicamente. Resultados: A paciente foi submetida a uma
exérese de cisto por meio de uma incisão elíptica em que foi realizada a exérese dele. Conclusão:
Descrevemos o caso de um paciente portador de cisto pilonidal que foi submetida ao tratamento
definitivo cirurgicamente com o intuito de melhorar seu quadro e, consequentemente, melhorar
a sua qualidade de vida.
Estudo de Caso: Divertículo de Zenker: Relato de Caso
BERGAMASCO, J.; OKAMURA, R.; SIMÃO, L.
Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Introdução: O divertículo de Zenker é mais prevalente nos homens, normalmente apresenta-se
entre a sétima e oitava décadas de vida. É classificado como um falso divertículo pela presença no
saco herniário apenas de mucosa e submucosa. Ocorre numa área de fragilidade conhecida como
triângulo de Killian, entre as fibras do músculo tireofaríngeo e as fibras do músculo cricofaríngeo.
Disfagia e regurgitação são os sintomas mais comuns. O diagnóstico definitivo é feito com
esofagograma com bário, demonstrando um divertículo preenchido com contraste repousando
posteriormente ao longo do esôfago. Seu tratamento é cirúrgico. Objetivo: Apresentar um caso
clínico enfatizando a abordagem cirúrgica realizada com a finalidade de melhorar a qualidade de
vida dos pacientes acometidos pelo divertículo de Zenker. Método: É apresentado o caso clínico
de uma paciente idosa com sintomas de disfagia progressiva, diagnosticada como portadora de
divertículo de Zenker, tratada cirurgicamente no Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam.
Resultados: A paciente foi submetida a uma diverticulectomia por meio de incisão cervical à
esquerda no dia 18 de julho de 2013, onde foi realizada a exérese do divertículo seguido de rafia
do esôfago. Atualmente a paciente encontra-se em acompanhamento pós-operatório satisfatório,
sem complicações. Conclusão: Descrevemos o caso de uma paciente portadora de divertículo de
Zenker que foi submetida ao tratamento definitivo cirurgicamente com o intuito de melhorar seu
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quadro progressivo de disfagia, evitar complicações decorrentes da doença e consequentemente
melhorar sua qualidade de vida.
Revisão de Literatura: Lipoma Perianal
BERGAMASSO, J.; GIMENEZ, F.; NAKAJIMA, G. S.
Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Introdução: Lipoma ou lipomatose é um acúmulo de tecido gorduroso que surge por baixo da
pele. Os lipomas são tumores benignos, mas podem crescer bastante, causando grande incômodo
estético e até mesmo físico. Manifestações clínicas: Os lipomas formam lesões palpáveis, de
consistência firme e elástica que fazem relevo na pele. Alguns podem ser bem macios. Seu
tamanho pode variar de meio centímetro a vários centímetros de diâmetro. A pele que os recobre
apresenta-se de aspecto normal. Na maioria das vezes são assintomáticos, podendo, em alguns
casos, ser dolorosos. Alguns tipos, dependendo da localização, podem evoluir com transtornos
fisiológicos como os da região anal, que causa mal-estar e alterações no processo evacuatório
(foto). Foto pré-operatória do lipoma. Foto pós-excisão cirúrgica do lipoma. Os lipomas podem
ser únicos ou múltiplos. A forma múltipla, conhecida como lipomatose, é usualmente familiar e
as lesões costumam ser dolorosas. Tratamento: O tratamento é usualmente simples, mas pode se
tornar complexo como nos caso da região perianal que devem ser atentados para evitar a lesão
esfincteriana. Apesar de o aspecto macroscópico evidenciar a lesão, o exame anatomopatológico
torna-se obrigatório para confirmação diagnóstica. Vale ressaltar que outras lesões subcutâneas
podem se parecer com lipomas, inclusive lesões malignas, como sarcomas e metástases cutâneas.
O correto diagnóstico pode envolver várias etapas, inclusive o estudo imuno-histoquímico.
Avaliação do Leucograma dos Profissionais de Serviços Gerais da Fundação de
Hematologia e Hemoterapia do Amazonas
MORIKAWA, D.O.1; BEZERRA, A.K.A.1; DA COSTA, M.R.L.2; ARAÚJO, M. I. S.3; PASSOS, L.N.M.4; MATOS, M.M.M.5
1 Paic/Hemoam.
2 Unicel.
3 Labio/Ufam.
4 Hemoam.
5 HUGV/Ufam.
E-mail: [email protected]
Introdução: A leucocitose é um achado laboratorial comum no leucograma, que se caracteriza
pelo aumento dos leucócitos totais no sangue e, geralmente, estão associadas com processos
inflamatórios e infecciosos, sendo as neutrofilias e linfocitoses as alterações leucocitárias mais
referidas. A identificação precoce das alterações leucocitárias auxilia a identificar os vários tipos
de doenças que podem comprometer a saúde do trabalhador e podem interferir nas atividades
laborais. Objetivo: Caracterizar as alterações leucocitárias encontradas no leucograma de
profissionais de serviços gerais de um hemocentro da cidade de Manaus/AM. Método: Foram
analisados 30 leucogramas, constituído de contagem total de leucócitos (milhares/μL de sangue)
e a contagem diferencial, expressa em percentagem (relativa) e número absoluto (milhares/
μL de sangue) de cada tipo de leucócitos. Resultados: Do total de leucogramas avaliados, dois
(6,7%) apresentaram leucocitose, sendo do grupo das mulheres da faixa de 30 a 50 anos. As
alterações isoladas em qualquer linhagem celular, sem ocasionar leucocitose e/ou leucopenia,
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foram responsáveis por seis casos, sendo cinco casos em mulheres (83,3%) e um caso em homens
(16,7%). As alterações de maior prevalência, na categoria feminina, foram a eosinofilia (40%),
basofilia (40%) e linfopenia (20%) e do sexo masculino a alteração leucocitária de maior destaque
foi a eosinofilia. Conclusão: O perfil leucocitário encontrado nos profissionais de serviços gerais do
Hemocentro do Amazonas foi semelhante à prevalência observada nas literaturas consultadas. As
alterações de maior prevalência foram: a eosinofilia, basofilia e linfopenia, que são características
de população com baixo grau de saneamento básico, mostrando que há uma importante relação
entre saúde e condições socioeconômicas.
Palavras-chave: Leucograma; Alteração Leucocitária; Leucócitos, Leucocitose.
Reconstrução de Parede Torácica: Técnica com Stratos. Relato de Caso
WESTPHAL, F. L.2; LIMA, L. C.2; LIMA NETTO J. C.2; SEELIG, S. C.1; LIMA, K. F.1
1 Acadêmicos de Medicina – Ufam.
2 Professor-adjunto da Ufam.
Objetivo: Relatar o caso de uma paciente submetida à ressecção de tumor desmoide em parede
torácica anterior reconstruída com placas de titânio (Stratos). Metodologia: Paciente, sexo
feminino, 25 anos, com queixa de dor torácica e dispneia discreta havia cerca de um ano, relata
um aumento de volume do rebordo costal esquerdo. Ao exame físico, observada tumoração em
terço inferior da parede torácica anterior com comprometimento da transição toracoabdominal.
A Tomografia Computadorizada do tórax demonstrou tumoração de partes moles comprometendo
a região do rebordo costal anterior, com extensão para região abdominal com compressão do lobo
hepático esquerdo, do pericárdio anterior e do parênquima pulmonar do lobo inferior esquerdo,
entretanto sem sinais de invasão das estruturas, com 12,0 x 11,0 x 7,5 cm. A paciente foi submetida
à ressecção da parede torácica que incluiu tecidos moles e a porção anterior dos 6.º, 7.º e 8.º
arcos costais e rebordo costal. A reconstrução da parede torácica foi realizada com três placas de
titânio, da marca Stratos, que permitiu que a paciente mantivesse a funcionabilidade e estética
da parede torácica, sem depressão de pele e tecido celular subcutâneo na região da excisão.
Resultados: O titânio apresenta vantagens como: alta relação força-peso, boa integração óssea
e menor interferência em exames de imagem como tomografia computadorizada e ressonância
magnética. Além disso, os casos já publicados de pacientes, que foram operados com o Stratos,
não apresentaram recorrência da neoplasia. Gonfiotti et. al. utilizaram o Stratos em um paciente
com Sarcome de Ewing, de proporções semelhantes as da operação realizada em nossa paciente.
Coonar et. al. também utilizaram esse mesmo sistema, e após 21 meses de acompanhamento,
o paciente não apresentou recorrência. Conclusão: A utilização da técnica de placas de titânio
para manter a anatomia da parede torácica foi importante, visto que outrora os dispositivos
disponíveis para a substituição do gradil costal não permitia um resultado funcional ou estético
como observado nesse caso.
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Equipe Médica e Multi: uma Visita Clínica que Favorece o Paciente
ROCHA, M.L.F.¹; DA SILVA, A.F.F.²; KISHIBE, C.M.N.³; SILVA, J.B.²; NEGREIROS, L.N.¹; LIMA, L.S.4
1 Psicóloga residente em Doenças Neurológicas – Saúde Funcional do HUGV/Ufam.
2 Fisioterapeuta residente em Doenças Neurológicas – Saúde Funcional do HUGV/Ufam.
3 Enfermeira residente em Doenças Neurológicas – Saúde Funcional do HUGV/Ufam.
4 Assistente social residente em Doenças Neurológicas – Saúde Funcional do HUGV/Ufam.
No HUGV, assim como em todo hospital-escola, a visita médica faz parte da rotina, nela os residentes
e preceptores analisam os casos, utilizando jargões que muitas vezes despertam manifestações
nos pacientes com efeitos deletérios. Entretanto a visita médica realizada aos pacientes com
diagnóstico neurológico do HUGV na clínica médica tem uma estrutura diferenciada, onde além
de visar atingir objetivos didáticos, prestigia o paciente, tendo como parte integrante a equipe
de saúde funcional da residência multiprofissional em doenças neurológicas. Os profissionais se
apresentam ao paciente, repassando as informações necessárias e discutindo dados inerentes ao
caso, minimizando o efeito iatrogênico e conduzindo o processo de forma humanizada. A partir
da reação dos pacientes durante a visita e acompanhamento no leito por toda equipe, observouse que percepção conflitiva e pessimista dos pacientes são menor ou quase imperceptível nos
relatos durante a escuta terapêutica e intervenção dos demais profissionais. Isso ocorre pelo
fato de que olhar não se volta exclusivamente para o diagnóstico de causa da internação,
outros fatores, tais como: a dieta, situação social, contexto sociocultural e subjetividade são
considerados e observados. Nessa conjectura, a visita já não é mais médica e sim clínica, pois se
torna interdisciplinar com a contribuição de diversos saberes. Portanto, percebe-se a importância
da interação da equipe médica com as demais equipes da saúde, uma vez que trocando saberes e
refletindo acerca da prática, podem minimizar o sofrimento psíquico dos pacientes favorecendo
no seu tratamento e prognóstico o considerado como sujeito.
A Atuação da Psicologia no Centro de Testagem e Aconselhamento de DSTs (CTA)
do Hospital Universitário Getúlio Vargas
DE ANDRADE, A.C.1;ROCHA, M.L.F.1;NEGREIROS, L.N.1; VICTOR, G.2; RAMAIANE, S.2; LUNARA, R.2
1 Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM.
2 FAPSI, Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM.
Centro de Aconselhamento e Testagem de DSTs (CTA) realizado no HUGV faz parte de um programa
nacional de combate à proliferação de doenças sexualmente transmissíveis que incluem doenças
como: Aids, Sífilis e Hepatites tipos C e D. As atividades são realizadas por meio de palestras
educativas voltadas à comunidade em geral. O objetivo principal dos CTAs é orientar a população
sobre os riscos das DSTs, modos de transmissão, tratamento. A metodologia utilizada consiste
em palestras educativas de prevenção ministradas por equipe multiprofissional que estimula a
adoção de práticas sexuais seguras por meio de orientações quanto ao uso de preservativos e
eliminação das chamadas situações de risco. Realizada a palestra coletiva, é feita uma entrevista
individual sigilosa denominada fase pré-teste, aplicando-se um questionário que procura evidenciar
situações de exposição e risco às doenças. A fase pós-teste é a entrega do exame e a sucessão dos
encaminhamentos necessários. Dentre os resultados obtidos, entre maio de 2011 a maio de 2013,
pode-se estabelecer um perfil epidemiológico dos usuários que procuram o serviço, cuja maioria
possui idade que varia entre 18 e 40 anos e que utiliza o serviço como forma de prevenção,
realizando periodicamente exame de amostra de sangue. O Serviço de Psicologia/HUGV auxilia
nas palestras educativas e aconselhamentos e, algumas vezes, é solicitado a prover o atendimento
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individual dos usuários cujo resultado é positivo para com algumas dessas doenças. Conclui-se que
o CTA é uma forma eficaz de abordar as DSTs, como também de prevenir e promover a saúde da
coletividade.
Melhorando a Qualidade de Vida do Paciente Crítico, da Família e da Equipe de
Enfermagem do CTI/HUGV: a Tarefa da Psicologia na Promoção da Humanização do
Atendimento
DE ANDRADE, A.C.1; DE ANDRADE, A.K.P.1;MATOS, H.M.C.1; SOUZA, S.M.B.1; DA SILVA, R.L.R.2
1 Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM.
2 FAPSI, Hospital Universitário Getúlio Vargas/ Ufam, Manaus/AM.
O Centro de Tratamento Intensivo (CTI) é um recurso hospitalar destinado ao tratamento de
graves enfermidades e, muitas vezes, está associado à ideia de sofrimento e morte iminente pela
gravidade dos pacientes que ali se encontram internados. O propósito de conter as complicações em
pacientes críticos por meio de um tratamento de cuidados intensivos. Mas as complicações não só
se remetem ao paciente ou à família dele, inclui-se, também, a equipe de saúde. O objetivo desta
pesquisa, portanto, foi evidenciar dados que avaliem a qualidade de vida da equipe de enfermagem
do CTI/HUGV com a finalidade de detectar alterações emocionais (ansiedade, depressão e
estresse), comunicação entre a equipe, satisfação com o setor de trabalho e com a profissão.
Foram, então, aplicados testes psicométricos (WHOQUOL Bref e SF-36) e questionário elaborado
por psicólogos do HUGV que tinham por meta avaliar a qualidade de vida desses funcionários.
A pesquisa evidenciou que, muitas vezes, a equipe de enfermagem sente-se impotente diante
da gravidade da situação do paciente e para suportar, muitas vezes, se refugia em suas defesas
psicológicas que incluem as psicopatologias do trabalho. Conclui-se que o psicólogo deve atuar
como facilitador do fluxo de emoções e reflexões dessa equipe, detectando o foco de estresse,
favorecendo a compreensão de sua não onipotência (pois há subjetividade mesmo que no silêncio)
e intervir junto à equipe somando seu saber e seu fazer aos demais cuidados para a promoção de
um amplo suporte ao paciente em uma dimensão integrada e humanização na saúde.
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Aspectos Psicológicos que Envolvem Casais na Reprodução Humana Assistida:
uma Pesquisa sobre a Percepção da Qualidade de Vida
DE ANDRADE, A.C.1; FONSECA, M.A.A.2; BRAGA, S.S.A.3; DE SOUZA, S.M.B.1; RIBEIRO, T.A.4
1 Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM.
2 Hospital das Clínicas/UFMG, Belo Horizonte/MG.
3 Clínica La Vitta. Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM.
4 Ministério da Saúde. Provab, Coari/AM.
Tornar-se pai ou mãe é um processo psíquico e social que transforma as pessoas em suas relações
e posições, e quando surgem obstáculos à satisfação da vontade de ter filhos, a evolução da
medicina mostra-se uma aliada para a busca e realização do desejo por meio de técnicas de
reprodução humana. Quando a infertilidade é detectada, um sentimento de impotência envolve
o casal, correndo o risco de focalizarem toda a vida e sentimentos para o objetivo de engravidar.
Este trabalho, portanto, objetivou investigar aspectos psicossociais que levam casais à busca
da fertilização em clínicas e hospitais que trabalham com reprodução humana. A metodologia
utilizada foi a da aplicação de questionário psicológico sobre percepção da qualidade de vida
(WHOQOL Bref) que avalia as condições psicológicas dos casais que desejam engravidar. Nos
resultados da pesquisa, observou-se a presença de certa fragilidade emocional entre os casais que
experimentam tentativas de gravidez (especialmente as mulheres): ansiedade permanente, com
preocupações e comparações com outras pessoas, insegurança e isolamento social. Conclui-se
que as vivências da infertilidade configuram-se perdas complexas, mas por vezes opções de vida,
como algumas mulheres que decidem pela maternidade após a obtenção do sucesso profissional.
Essas situações merecem atenção e manejo especial do psicólogo e da equipe multiprofissional
envolvida. Cada casal, a partir de sua experiência, deve definir um limite para as tentativas de
gravidez e somente com a ajuda da equipe profissional envolvida nos tratamentos em reprodução
assistida é que alguns casais conseguem constatar a necessidade de encerrar os procedimentos ou
intervenções médicas.
A Importância da Saúde Baseada em Evidência nas Tomadas de Decisão: as
Atividades do Núcleo de Avaliação em Tecnologia em Saúde
DE ANDRADE, A.C.1; ARAÚJO, M.E.A.1; BEZERRA, N.M.S.1; MARINHO, A.W.G.B.1; AGUIAR, T.L.1; MATOS, H.M.C.1
1 Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM.
O Núcleo de Avaliação em Tecnologia em Saúde, coordenado pela Gerência de Risco Hospitalar, foi
instituído pela Portaria n.º 38, de dezembro de 2009, do HUGV. O objetivo do NATS é introduzir
a cultura da Avaliação em Tecnologias em Saúde por meio da elaboração de pareceres, notas
técnicas, diretrizes clínicas e estudos que contribuam para o uso racional de tecnologias em
saúde na Amazônia, que visem decisões racionais quanto à eficácia e o custo-efetividade da
tecnologia a ser avaliada (medicamentos, equipamentos, exames diagnósticos, entre outros) e
a mais adequada à prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, possibilitado a elaboração
de pareceres técnicos científicos, diretrizes clínicas e notas técnicas para sua incorporação em
serviço de saúde. Entre os anos de 2009 a 2012 foi possível realizar importantes pesquisas que vêm
beneficiar o trabalho em saúde. Citam-se as revisões sistemáticas de literatura sobre: a placa de
Nuss, procedimentos em hemodinâmica e em ressonância endovascular e os protocolos clínicos.
Incluem-se, também, as atividades de ensino por cursos de capacitação e aperfeiçoamento,
incentivando as pesquisas baseadas em evidências científicas com workshops e cursos de Saúde
Baseada em Evidências. Conclui-se que a utilização das tecnologias em saúde exige uma avaliação
metodológica criteriosa que considera as diferenças sutis entre as tecnologias mais benéficas para
o usuário e para o SUS.
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Estenose Esofágica por Ingestão de Hidróxido de Sódio: um Relato de Caso
DA SILVA, K.A.1; LOBO, A.M.G.1; DA SOLEDADE, A.T.1
1 Centro de Informações Toxicológicas do Amazonas (CIT-AM), Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV). Universidade Federal do Amazonas
(Ufam). Manaus/AM.
Introdução: O hidróxido de sódio (soda cáustica) é uma substância que produz perda de solução
de continuidade nos tecidos sobre os quais atuam. É o principal responsável pelos acidentes
graves por domissanitários, em crianças acidentalmente e adultos por tentativa de suicídio. A
lesão é pela solubilização proteica, saponificação de gorduras e desidratação celular. Principais
manifestações clínicas compreendem dor em cavidade oral e retroesternal, sialorreia, vômito,
desidratação e lesões esofágicas. Tardiamente, pode ocorrer estenose duodenal ou esofagiana,
sendo esta a mais frequente. Objetivo: Relatar caso de paciente diagnosticada com estenose
esofágica por ingestão de soda cáustica. Materiais e Métodos: Informações obtidas por meio da
revisão do prontuário, entrevista com paciente e revisão literária. Relato de Caso: Paciente do
sexo feminino, esquizofrênica, 29 anos, deu entrada no HUGV com o quadro de estenose esofágica
após ingestão de soda cáustica em fevereiro de 2011, e queixava-se de disfagia de líquidos e
sólidos, êmese e dispneia. Havia passado em procedimento de gastrostomia em outubro de 2011
e janeiro de 2012. Realizado procedimento de esofagogastroplastia e jejunostomia no dia 28 de
maio. Por conseguinte, admitida no CTI nesse mesmo dia, evoluiu com obstrução da jejunostomia
no PO à cirurgia. Foi reconduzida para revisão e troca de sonda e readmitida no CTI. Mantevese sob cuidados do CTI por 36 dias. Paciente começou a fazer uso de antibioticoterapia para
tratar pneumonia no 33.o dia de PO. No dia 5 de junho, recebeu alta do CTI e desde então vem
sendo acompanhada pela clínica cirúrgica do hospital. Conclusão: Ingestão cáustica causa lesões
graves em tentativa de suicídio. São importantes as orientações do CIT nos primeiros socorros,
para evitar progressão das lesões. Estenose esofágica é uma complicação frequente, predispondo
paciente a procedimentos de alta complexidade e riscos inerentes à hospitalização prolongada.
Perfil de Interações Medicamentosas em um Centro de Terapia Intensiva de um
Hospital Universitário Registrado pelo CIT-AM nos Meses de Março e Abril de 2013
DA SILVA, K.A.1; LOPES, N.S.1; RODRIGUES, J.M.S.1; LOBO, A.M.G.1; MARQUES, V.B.P.1
1 Centro de Informações Toxicológicas do Amazonas (CIT-AM), Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV). Universidade Federal do Amazonas
(Ufam). Manaus/AM.
Introdução: Interação Medicamentosa (IM) é definida como a interferência de um fármaco na
ação de outro, com potencial de desencadear possíveis eventos adversos (EA). Pacientes em
Centros de Terapia Intensiva (CTI) estão mais predispostos a desenvolverem IM, uma vez que estão
sujeitos à politerapia, severidade da doença e falência de órgãos, os quais podem modificar a
resposta farmacológica aos medicamentos. Objetivo: Identificar e descrever o perfil das interações
medicamentosas em um CTI, no período de março a abril de 2013. Método: Análise retrospectiva
e transversal, onde os dados foram obtidos por levantamento das prescrições de medicamentos
de pacientes que permaneceram mais de dois dias em internação. A classificação de gravidade
das interações foi realizada conforme a base de dados Micromedex®. As variáveis epidemiológicas
foram analisadas estatisticamente no software Epi Info 7.0. Resultados: Em dois meses foram
incluídos 28 pacientes, predominando o sexo feminino (71,4%). As IMs somaram um total de 158,
sendo 31 (19,6%) de maior prevalência: oito (25,8%) oriundas da combinação fentanil-midazolam;
seis (19,4%) ranitidina-fenitoína; cinco (16,1%) fenitoína-dexametasona; quatro (12,9%) heparinadipirona; quatro (12,9%) ranitidina-midazolam; e quatro (12,9%), amitriptilina-metoclopramida.
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
A gravidade das interações foi classificada em secundária (1,3%), leve (7,1%), moderada (49,4%),
importante (37,0%) e contraindicada (5,2%). Os EAs mais comumente esperados por conta dessas
IMs variaram desde alterações do SNC, como o aumento do risco de reações extrapiramidais e
síndrome neuroléptica maligna (3,2%); alterações no sistema cardiovascular, como o prolongamento
do intervalo QT (2,5%); aumento do risco de hemorragia gastrintestinal (2,5%); até distúrbios
eletrolíticos, como hipercalemia (4,4%). Vale salientar que a depressão respiratória aditiva foi o
efeito esperado mais frequente (7,0%). Conclusão: É interessante que as IMs sejam observadas,
sobretudo em CTI, pois tendem a elevar a criticidade do estado dos pacientes, ou ainda reduzir a
eficácia da terapia prescrita.
Rabdomiólise Associada com Intoxicação Aguda por Ciprofibrato: um Relato de
Caso
SILVA, G.R.1; LOBO, A.M.G.1; DA SOLEDADE, A.T.1
1 Centro de Informações Toxicológicas do Amazonas (CIT-AM), Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV). Universidade Federal do Amazonas
(Ufam). Manaus/AM.
Introdução: O ciprofibrato é um derivado do ácido fíbrico utilizado para o tratamento de
dislipidemias, cujo mecanismo de ação está relacionado com a intensificação da lipoproteína
lipase (LPL). Os fibratos apresentam uma boa aceitação e as reações adversas mais comuns são
desconforto gastrointestinal, náuseas, ansiedade e erupção cutânea. Rabdomiólise é um evento
adverso não usual, mas bastante grave por suas complicações sistêmicas, tais como insuficiência
renal e coagulação intravascular disseminada, podendo levar ao óbito. Objetivo: Relatar caso de
paciente diagnosticado com intoxicação aguda por ciprofibrato. Método: As informações foram
obtidas por meio da revisão de prontuário, entrevista com paciente e revisão de literatura.
Resultados: Paciente do sexo masculino, 53 anos, deu entrada com queixas de dor muscular
progressiva e com dificuldade respiratória. Segundo relato do paciente, o médico havia prescrito
um fitoterápico com Silybum marianum L. Gaerth em sua composição a fim de tratar esteatose
hepática, porém houve troca dessa medicação pelo atendente na drogaria e o paciente fez uso
de ciprofibrato na dose de 600 mg/dia durante quatro dias até o surgimento da mialgia. Ao fazer
uso dessa medicação por uma semana, o paciente apresentou dor muscular generalizada, com
dificuldade de deambular e dispneia. No momento de sua entrada no hospital, exames detectaram
creatinofosfoquinase (CPK) 11.000U/L, sendo realizado o suporte básico com hidratação venosa,
uso de bicarbonato de sódio para alcalinização da urina e suspensão da medicação. Após essa
medida, o paciente apresentou melhoras no seu quadro clínico, com diminuição das dores e
deambulação gradativa. Ao fim de uma semana de internação, os exames laboratoriais ratificaram
melhoras laboratoriais com CPK 3400U/L, ureia 27,0 mg/dL e creatina 0,9 mg/dL. Conclusão: A
rabdomiólise é um efeito tóxico grave, que pode estar associado com o uso único de ciprofibrato
ou associado com outras medicações. Nesse relato, a venda e uso inadequado da medicação
favoreceu substancialmente o surgimento dessa grave intoxicação.
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O Papel da Equipe Multiprofissional Junto a Pacientes Terminais e seus Familiares
LIMA, L.S.1; KISHIBE, C.M.2; ROCHA, M.L.3; DA SILVA, J.B.4; NEGREIROS, L. N.5; DA SILVA, A.F.F.6
1 Assistente social da Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam.
E-mail: [email protected]
2 Enfermeira da Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam.
3 Psicóloga da Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam.
4 Fisioterapeuta da Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam.
5 Psicóloga da Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam.
6 Fisioterapeuta da Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam.
Introdução: A assistência aos pacientes que não têm possibilidades terapêuticas de cura deve
ser realizada por equipe de saúde especializada. Diferentes profissionais, como assistentes
sociais, médicos, enfermeiros, psicólogos, podem intervir para que seja garantido o direito de
o paciente ter um atendimento correspondente à sua dignidade humana e cuidado especial
nessa fase que está vivenciando, não esquecendo, nesse contexto, a família, que também sofre
e vivencia diversas dificuldades. Objetivo: Refletir sobre o papel da equipe multiprofissional
na assistência aos pacientes fora das possibilidades terapêuticas de cura e a seus familiares.
Metodologia: Trata-se de revisão bibliográfica baseada na literatura especializada por consulta
a artigos científicos selecionados pela busca no banco de dados do Scielo e da Bireme, a partir
das fontes Medline e Lilacs, sites de organizações ou instituições voltadas ao atendimento de
pacientes terminais e disponíveis em instituições de Ensino Superior. Resultado e Conclusão: Os
estudos apontam o despreparo dos profissionais para lidar com o processo de finitude humana. Dar
suporte para o paciente e sua família diante da proximidade da morte exige das equipes de saúde
conhecimento, profissionalismo e principalmente sensibilidade para compreender que a morte é
um acontecimento único para cada ser humano. A equipe de saúde deve estar em sintonia com o
plano de cuidados que serão oferecidos nessa fase, para que o paciente e a família não se sintam
abandonados. Enfim, é necessário respeito e valorização da dignidade da pessoa humana para que
haja a humanização da assistência e dos cuidados paliativos.
Palavras-chave: Cuidados Paliativos; Paciente Terminal; Equipe Multiprofissional.
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Neoplasia de Papila Duodenal: Relato de Caso
LIMA, V.P.1; DA SILVA JÚNIOR, R.A.2; DA SILVA NETO, R.A.3; HAJI JUNIOR, A.C.4; SILVA, K.D.L.P.5
1 Residente do primeiro ano de Cirurgia Geral ([email protected]).
2 Doutor supervisor da Cirurgia do Aparelho Digestivo.
3 Residente de Cirurgia do Aparelho Digestivo.
4 Residente do segundo ano de Cirurgia Geral.
5 Interna do Curso de Medicina ([email protected]).
Introdução: A neoplasia de papila duodenal é uma patologia rara. Podendo cursar com síndrome
colestática e dilatação do hepatocolédoco. Sendo o tratamento de escolha a ressecção da lesão
pela possibilidade de recidiva e a necessidade de histopatológico para definição do prognóstico e
seguimento. Objetivo: Apresentar o caso clínico descrevendo as condutas cirúrgicas e a evolução
clínica do paciente. Método: Relato de caso de paciente, sexo feminino, 39 anos, que apresentou
febre intermitente, cefaleia, hiporexia, perda ponderal de 12 kg em seis meses (redução de
22% da massa corporal), prurido, colúria, acolia fecal e icterícia. Diagnóstico histopatológico de
adenocarcinoma de papila duodenal moderadamente diferenciado. Recebeu suporte nutricional e
tratamento cirúrgico no Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam. Resultados: Paciente submetida
à gastroduodenopancreatectomia e à colecistectomia com colocação do dreno de Penrose em 3 de
julho de 2013. Após dez dias, foi realizada laparotomia exploradora, limpeza de cavidade e rafia de
anastomose pancreatojejunal por conta da drenagem de secreção purulenta pelo dreno. Sendo o
diagnóstico pós-operatório: abscesso intracavitário e deiscência parcial de telescopagem. Recebeu
antibioticoterapia e apresenta melhora clínica. Paciente encontra-se em acompanhamento pósoperatório satisfatório e sem complicações. Conclusão: Descrito caso de paciente com diagnóstico
de neoplasia de papila duodenal submetida à gastroduodenopancreatectomia e à colecistectomia
com colocação do dreno de Penrose buscando melhora clínica e retorno do paciente às atividades
cotidianas.
Tratamento de Hipertensão Venosa Severa em Membro Superior com Embolização
de Fístula Arteriovenosa: Relato de Caso
SOUZA, J.E.S.1; PEREIRA, R.M.2; DE ARAÚJO, A.O.1; PESSOA, H.A.3; CAVALCANTE, L.P.1; BERNARDES, M.V.4
1 Hospital Universitário Francisca Mendes/Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM, Brasil.
2 Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM, Brasil.
3 Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM, Brasil.
4 Hospital Universitário Francisca Mendes, Manaus/AM, Brasil.
Introdução: A hipertensão venosa após confecção de fístula arteriovenosa (FAV) é uma complicação
de baixa frequência. Objetivo: Apresentar caso de tratamento endovascular por embolização com
micromolas de fístula arteriovenosa para hemodiálise. Método e Resultado: Homem, 63 anos,
com hipertensão arterial sistêmica, coronariopatia isquêmica grave, diabetes mellitus e doença
renal crônica em estágio V, para a qual realizava hemodiálise por meio de FAV bráquio-mediana.
Foi encaminhado ao Serviço de Cirurgia Vascular com edema do membro superior esquerdo (MSE),
erosões cutâneas superficiais no dorso da mão, face dorsal do antebraço e face medial do braço.
Os pulsos radial e ulnar estavam ausentes, havendo, porém, fluxo monofásico ao doppler contínuo
em ambas as artérias no punho. Por conta da coronariopatia, optou-se por mudar a terapia renal
substitutiva para diálise peritoneal e desativar a FAV no intuito de tratar a síndrome de hipertensão
venosa do MSE e diminuir o aumento da pré-carga cardíaca. Por conta do risco cirúrgico alto para
cirurgia aberta de desativação da FAV e do risco de complicações incisionais em um membro
com flebo/linfedema e ulcerações, paciente foi submetido à arteriografia do MSE com flebografia
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revistahugv - Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas
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indireta. Evidenciou dilatação difusa da artéria braquial e comunicação com veia mediana, estando
esta aneurismática proximalmente e com drenagem através de veias braquiais e basílica. Havia
fraca opacificação das artérias do antebraço e oclusão longa de veia subclávia. Optou-se pela
embolização da veia de drenagem da FAV com a liberação de quatro micromolas GDC no interior
do aneurisma venoso proximal, selando a única via de drenagem da FAV e preservando o fluxo
arterial para o antebraço. Paciente ficou em observação por 24h; recebeu alta sem queixas e com
frêmito diminuído no local da fístula. 30 e 60 dias depois houve melhora do edema, cicatrização
parcial das erosões e pulsos distais palpáveis. Conclusão: A embolização com micromolas em
pacientes com contraindicação para cirurgia aberta de desativação de FAV é uma opção viável e
efetiva.
Insuficiência Arterial Aguda Secundária a Arterite Induzida por Radiação:
Relato de Caso
PEREIRA, R.M.1; SOUZA, J.E.S.2; DE ARAÚJO, A.O.2; CAVALCANTE, L.P.2; BERNARDES, M.V.3; DA ROCHA, R.D.3
1 Universidade Federal do Amazonas.
2 Hospital Universitário Francisca Mendes/Hospital Universitário Getúlio Vargas.
3 Hospital Universitário Francisca Mendes.
Introdução: Lesão arterial induzida por radiação é rara, mas bem reconhecida complicação da
radioterapia. A lesão é frequentemente indistinguível da aterosclerose; entretanto, a localização
e o confinamento em uma área previamente irradiada sem lesões em outros locais favorecem
a etiologia actínica. Objetivo: Apresentar caso de tratamento endovascular de insuficiência
arterial aguda causada por estenose actínica. Método: Mulher, 34 anos, diagnosticada com
neoplasia avançada de colo do útero e submetida à quimioterapia (dez sessões), radioterapia
(32 sessões) e braquiterapia (quatro sessões). Dois anos depois, apresentou trombose venosa
profunda iliofemoral esquerda, para a qual recebeu tratamento com devida anticoagulação. Dois
meses depois, ainda em anticoagulação efetiva, apresentou insuficiência arterial aguda do mesmo
membro, com persistência de edema importante, dor intensa, dificuldade de deambulação,
parestesia e frialdade do pé esquerdo. Ao exame físico apresentava pulso femoral esquerdo de
difícil palpação e ausência de pulsos poplíteo/distais (todos normais no membro contralateral),
cianose do pé e enchimento capilar digital lentificado. Submetida à angiografia digital aorto-ilíaca
esquerda, esta evidenciou suboclusão de artéria ilíaca externa, sem outros achados. Optou-se pelo
tratamento endovascular com angioplastia transluminal percutânea e implantação de dois stents
autoexpansíveis. Resultados: Angiografia de controle evidenciou perviedade de artérias ilíacas
comum/interna/externa esquerdas, com calibres preservados. No primeiro dia pós-procedimento
paciente apresentava fluxo trifásico em artérias tibiais no tornozelo (US Doppler contínuo) e
remissão da parestesia e demais sinais de isquemia do pé esquerdo. Conclusão: A angioplastia
com implantação de stent autoexpansível é uma boa opção para o tratamento das estenoses
ilíacas secundárias a radiação.
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Tratamento Endovascular de Fístula Aorto-Caval Pós-Traumática Tardia:
Relato de Caso
PEREIRA, R.M.1; SOUZA, J.E.S2; DE ARAÚJO, A.O.2; CAVALCANTE, L.P.2; BERNARDES, M.V.3; PARISATI, M.H.3
1 Universidade Federal do Amazonas.
2 Hospital Universitário Francisca Mendes/Hospital Universitário Getúlio Vargas.
3 Hospital Universitário Francisca Mendes.
Introdução: Fístulas aorto-cavais são entidades raras, principalmente as de causa traumática.
Objetivo: Apresentar caso de tratamento endovascular de uma fístula aorto-caval pós-traumática
por ferimento abdominal penetrante, com evolução insidiosa. Método e Resultado: Paciente do
sexo masculino, 53 anos, deu entrada via pronto-socorro com sinais importantes de insuficiência
cardíaca congestiva, manifestada com palpitações e dispneia, fibrilação atrial paroxística, além
de pressão arterial divergente e sopro em epigástrio. Os pulsos periféricos eram de amplitude
normal, e verificou-se a presença de cicatriz de laparotomia mediana realizada havia 27 anos
por ferimento por arma branca no epigástrio. O ecocardiograma evidenciou aumento moderado
de câmaras cardíacas esquerdas, aumento de massa ventricular esquerda e fluxo turbulento
acelerado na aorta torácica descendente proximal. Para elucidação diagnóstica, foi realizada uma
angiotomografia que evidenciou uma comunicação entre a veia cava inferior e a aorta abdominal
infrarrenal, contrastação precoce (em fase arterial) da veia e dilatação difusa dela. Procedeu-se
o tratamento endovascular para o selamento da fístula por meio de punção femoral esquerda e
dissecção femoral direita com posterior implante de endoprótese de aorta abdominal. O controle
tomográfico do paciente, segundo acompanhamento após três meses, evidenciou integridade do
dispositivo, selamento completo do orifício aórtico, ausência de contrastação precoce da veia
cava inferior e redução importante do seu calibre. Houve melhora significante do quadro clínico
e controle adequado da insuficiência cardíaca congestiva. Conclusão: O presente caso demonstra
que o tratamento endovascular de fístulas aorto-cavais é uma opção terapêutica segura e eficaz
para o selamento delas.
Embolização de Pseudoaneurisma Traumático de Artéria Temporal Superficial:
Relato de Caso
SOUZA, J.E.S.1; PEREIRA, R.M.2; DE ARAÚJO, A.O.1; PESSOA, H.A.3; CAVALCANTE, L.P.1; BERNARDES, M. V.4
1 Hospital Universitário Francisca Mendes/Hospital Universitário Getúlio Vargas.
2 Universidade Federal do Amazonas.
3 Hospital Universitário Getúlio Vargas.
4 Hospital Universitário Francisca Mendes.
Introdução: Um pseudoaneurisma se forma quando ocorre lesão incompleta na parede de um
vaso com extravasamento de sangue e formação de hematoma. Este se organiza formando uma
pseudocápsula ao redor do sangue extravasado. O tratamento endovascular de tais lesões vem
ganhando cada vez mais espaço. Objetivo: Apresentar caso de embolização com micromolas de
pseudoaneurisma traumático de artéria temporal superficial. Método e Resultado: Paciente do
sexo masculino, 18 anos, morador do interior do Amazonas, vítima de ferimento por arma de
fogo com orifício de entrada em região malar esquerda, sem orifício de saída. Após primeiro
atendimento na cidade de origem, foi encaminhado para o pronto-socorro de referência com
massa pré-auricular pulsátil à esquerda. Foi atendido pela equipe de Cirurgia de Cabeça e
Pescoço do pronto-socorro, a qual realizou Tomografia Computadorizada com reconstrução em
3D, que evidenciou artefato de projétil em região occipital esquerda. Encaminhado ao Serviço
de Cirurgia Vascular do Hospital Universitário Francisca Mendes, foi submetido à arteriografia
por subtração digital de troncos supra-aórticos e carótidas, que evidenciou pseudoaneurisma
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de artéria temporal superficial. Procedeu-se então à cateterização seletiva de carótida externa
seguida de embolização do pseudoaneurisma com micromolas. Ultrassonografia Doppler Colorido
duas semanas após o procedimento evidenciou ausência de fluxo no pseudoaneurisma. Foi então
realizada a drenagem do hematoma residual e o paciente evoluiu de forma satisfatória, com
regressão da tumoração facial. Conclusão: O tratamento endovascular por embolização com
micromolas em pseudoaneurismas traumáticos é uma opção viável, tendo sido efetiva no presente
caso.
Tratamento Endovascular de Estenose de Aorta e Artérias Renais por Arterite de
Takayasu: Relato de Caso
Souza, J.E.S.1; PEREIRA, R.M.2; DE ARAÚJO, A.O.1; CAVALCANTE, L.P.1; BERNARDES, M.V.3; PARISATI, M.H.3
1 Hospital Universitário Francisca Mendes/Hospital Universitário Getúlio Vargas.
2 Universidade Federal do Amazonas.
3 Hospital Universitário Francisca Mendes.
Introdução: A Arterite de Takayasu é uma vasculite que acomete vasos de médio e grande
calibres. A aorta e seus ramos frequentemente são lesados, o que pode levar a estenoses com
repercussão clínica. Objetivo: Apresentar caso de tratamento endovascular de estenose de aorta
e artérias renais em paciente com Arterite de Takayasu. Método e Resultado: Paciente do sexo
feminino, 12 anos, iniciou quadro de dispneia associada a retardo do crescimento. Exames clínicos
e radiográficos identificaram hipertensão arterial sistêmica e insuficiência cardíaca congestiva.
Angiotomografia e angiorressonância evidenciaram estreitamento da aorta abdominal e artérias
renais e, após avaliação da Reumatologia, foi diagnosticada Arterite de Takayasu. A paciente
foi submetida à arteriografia, que evidenciou lesão suboclusiva de ambas as artérias renais e
estenose de aproximadamente 30% da aorta abdominal suprarrenal. Após controle da atividade da
doença, bem como da hipertensão arterial (parcialmente controlada com três anti-hipertensivos),
realizou-se angioplastia com balão de ambas as artérias renais, com sucesso angiográfico. Dois
anos após a primeira angioplastia, paciente retornou ao ambulatório de Cirurgia Vascular com
cintilografia renal evidenciando rim direito com tamanho reduzido e déficit de função glomerular,
com necessidade do acréscimo de mais um anti-hipertensivo (após a primeira intervenção
paciente teve sua pressão arterial adequadamente controlada com apenas um medicamento),
apesar de controle adequado da doença de base com o uso isolado de imunossupressor. Angiografia
de controle evidenciou reestenose de artéria renal direita e progressão da estenose aórtica.
Nova angioplastia com balão foi realizada para tratamento da artéria renal direita e da estenose
aórtica, com sucesso angiográfico. Paciente recebeu alta no primeiro dia pós-operatório com
antiagregação plaquetária e vem sendo acompanhada pela Cirurgia Vascular e Reumatologia sem
novas intercorrências até o terceiro mês de pós-operatório. Conclusão: O tratamento endovascular
das complicações estenóticas crônicas vasculares da Arterite de Takayasu é uma opção terapêutica
segura e eficaz.
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Hemorroidopexia Mecânica (PPH): uma Alternativa Cirúrgica Menos Invasiva à
Hemorroidectomia Convencional
MARON, S.M.C.¹; DA SILVA NETO, R.A.²; SANTOS, R.D.T³; GIMENEZ, F.4; NAKAJIMA, G.S.
1 Interna do Curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas ([email protected]).
2 Residente do 1.º ano do Serviço de Aparelho Digestivo do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
3 Residente do 2.º ano do Serviço de Cirurgia Geral.
4 Professora voluntária do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM.
5 Professor associado do Departamento de Clínica Cirúrgica/Ufam.
Introdução: A indicação clássica de cirurgia no tratamento das hemorroidas acontece nos casos de
III e IV graus, correspondendo cerca de 5 a 10% dos casos, consistindo o método terapêutico mais
eficaz. Existem várias técnicas cirúrgicas descritas, como as hemorroidectomias abertas (técnica
de Milligan-Morgan) e fechadas (técnica de Fergunson). Por estas causarem dor pós-operatória
considerável e, às vezes, recuperação longa e incômoda, Longo, em 1993, propôs a hemorroidopexia
grampeada (ou Procedimento para Prolapso Hemorroidário – PPH) como alternativa terapêutica.
Objetivos: Descrever a técnica da hemorroidopexia mecânica para difundir uma técnica cirúrgica
menos invasiva para o tratamento das hemorroidas graus III e IV. Método: Primeiramente, o
anuscópio para sutura em bolsa é introduzido pelo canal anal. Este desloca o prolapso da mucosa
ao longo das paredes retais, numa circunferência de 270 graus, tornando a membrana projetada
por meio do aparelho facilmente incluída num reparo que abrange unicamente a mucosa e a
submucosa. Essa sutura tem de ser efetuada a pelo menos 5 cm distalmente da linha dentada,
devendo-se aumentar a distância proporcionalmente ao grau do prolapso. A sutura é feita ao
“disparar” o grampeador envolvendo toda a circunferência retal. Resultados: A técnica apresenta
menor intensidade de dor pós-operatória, menor tempo de internação hospitalar e retorno
mais rápido às atividades cotidianas como principais vantagens. Preserva, contudo, índices de
complicações pós-operatórias semelhantes a técnicas convencionais. Conclusão: O PPH mostrase como uma opção inovadora no tratamento da doença hemorroidária avançada com ou sem
associação de prolapso de mucosa retal.
Manejo da Hérnia Femoral Complicada
DIAS, D.¹; FERRUGEM, T. M.¹; FONSECA F. C. F.²; NAKAJIMA, G. S.²
1 Médico residente de Cirurgia Geral.
2 Professor do Departamento de Medicina da Matéria Clínica Cirúrgica da Universidade do Estado do Amazonas.
E-mail: [email protected]
Introdução: A hérnia femoral é uma protrusão dolorosa ou não, do conteúdo abdominal através
do canal femoral, comumente associada a encarceramento ou estrangulamento da víscera
acometida. Metodologia: Paciente com história de dor e protrusão súbita em região inguinocrural direita. Diagnosticada hérnia femoral estrangulada, com necrose de segmento do intestino
delgado. Submetida à inguinotomia, enterectomia e enteroenteroanastomose leterolateral,
usando grampeador linear. Reparo da falha aponeurótica pela técnica de Mc Vay e uso da tela de
polipropileno retrofunicular. Resultados: Evolução satisfatória, sem fístulas ou infecção intraabdominal e da ferida operatória. Discussão: De acordo com a literatura, a hérnia femoral é mais
frequente no sexo feminino. Dor e protrusão são manifestações comuns. O canal femoral, espaço
limitado pelo trato iliopúbico, ligamento de Cooper e veia femoral, forma anel herniário rígido,
propiciando o encarceramento e estrangulamento dessas hérnias. O reparo do canal femoral pode
ser feito por acesso femoral, inguinal, laparotomia mediana ou via laparoscópica. Nesse caso, o
reparo foi realizado por inguinotomia sem dificuldades técnicas, sendo a enterectomia facilitada
pelo grampeador linear. Na correção pode-se usar o reforço da parede ancorando-se a fáscia do
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transverso ao ligamento de Cooper (Mc Vay). O acesso femoral não permite um reforço adequado
da falha do canal femoral e incômodo quando se necessita uma enterectomia como nesse caso. A
recorrência chega a 10% sem a devida correção da falha do canal femoral. Conclusão: Concluímos
que o uso do grampeador linear agilizou o procedimento, permitindo ressecção asséptica diante
da necrose do intestino delgado.
Palavras-chave: Hérnia Femoral; Técnica Asséptica.
Perfil de Pacientes em Terapia de Nutrição Parenteral de um Hospital de Ensino:
Avaliação a Partir da Evolução Farmacêutica
LOPES, M.C.C.1; FORMOSO, W.A.G.2
1 Farmacêutica do Serviço de Farmácia do HUGV, Manaus/AM, e-mail: marcé[email protected]
2 Farmacêutico residente da Residência Multiprofissional em Saúde do HUGV, Área de Concentração: Intensivismo,
e-mail: [email protected]
Introdução: A Terapia de Nutrição Parenteral (TNP), definida pela Portaria n.º 272/MS/SNVS, de
8 de abril de 1998, como solução ou emulsão, composta de carboidratos, aminoácidos, lipídios,
vitaminas e minerais, estéril e apirogênica, destinada à administração intravenosa em pacientes
desnutridos ou não, visando a síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas, envolve
riscos e custos inerentes à sua utilização exigindo indicação e acompanhamento multiprofissional
racional e criterioso. Nesse contexto está o farmacêutico intervindo na avaliação do paciente,
análise da prescrição, manipulação e evolução da terapia. Objetivos: Avaliar o perfil dos pacientes
submetidos à TNP a partir da evolução farmacêutica em um Hospital Universitário de Manaus/AM.
Método: Estudo transversal retrospectivo avaliou 22 prescrições de pacientes em TNP, durante o
ano de 2012. Os dados foram coletados da planilha de controle, folha de evolução farmacêutica
e prontuário dos pacientes em TNP. Resultados: Dos 22 pacientes em TNP, 14 (64%) eram do sexo
masculino e oito (36%) do sexo feminino; 11 (50%) tinham mais de 60 anos; 19 (86%) iniciaram
a terapia após cirurgias do Trato Gastrintestinal; 19 (86%) utilizaram formulações contendo
todos macronutrientes; nove (41%) receberam oferta energético-proteica adequada; 22 (100%)
receberam formulações hiperosmolares, administradas por via central; 20 (91%) utilizaram a
terapia acima de sete dias. Em oito (36%) houve possibilidade de interação fármaco-nutriente; 12
(54%) evoluíram para terapia de nutrição enteral ou oral e dez (45%) foram a óbito; nove (41%)
apresentaram complicações metabólicas e cinco (23%) infecciosas. Conclusão: Como membro da
equipe, ao farmacêutico, além da manipulação, compete o acompanhamento dos pacientes em
TNP, contribuindo com a garantia de sua eficácia e segurança.
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Adenocarcinoma de Cólon: Relato de Caso
DA COSTA E SILVA, I.T.1; DA SILVA NETO, R. A.2; Bergamasco, J.3; LIMA, V. P.4; OLIVEIRA, G.F.5
1 Professor-adjunto do Departamento de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da Ufam, titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia
([email protected]).
2 Residente do primeiro ano de Cirurgia do Aparelho Digestivo – HUGV, Manaus/AM ([email protected]).
3 Residente do segundo ano de Cirurgia Geral – HUGV, Manaus/AM ([email protected]).
4 Residente do primeiro ano de Cirurgia Geral – HUGV, Porto Velho/RO ([email protected]).
5 Acadêmica de Medicina, Ufam, Manaus/AM ([email protected]).
Introdução: O câncer colorretal é a terceira neoplasia maligna mais comum mundialmente. A
sintomatologia varia quanto à localização do tumor. Pacientes que apresentam alteração no hábito
intestinal, hematoquezia, dor abdominal, emagrecimento ou anemia ferropriva não explicados
devem ser investigados. A suspeita deve ser reforçada se o paciente tiver mais de 50 anos ou história
de câncer de cólon familiar. O diagnóstico é feito preferencialmente por meio de colonoscopia
com biópsias. O tratamento é eminentemente cirúrgico e tem maior potencial de cura quanto
mais precocemente realizado. Objetivo: Apresentar caso clínico sobre câncer colorretal. Método:
Paciente com 49 anos, feminina, com dois meses de dor abdominal e massa palpável em flanco
e fossa ilíaca esquerdos, mudança do hábito intestinal e perda ponderal de 6 kg. Nega história
de neoplasias na família; é ex-tabagista. Uma semana antes de ser transferida para nosso serviço
apresentou distensão abdominal, parada de eliminação de fezes, mantendo flatos, mas piora
importante da dor. Foi submetida à colonoscopia sem sucesso pelo preparo inadequado do cólon.
Resultados: Paciente submetida à laparotomia exploradora por conta da suboclusão intestinal,
observando-se tumoração em colón descendente invadindo a parede anterolateral esquerda do
abdome com aderência de alças intestinais delgadas. Realizada colectomia segmentar esquerda,
enterectomia e colostomia a Hartmann. Foi reoperada em 24h por necrose isquêmica da colostomia.
Anatomopatológico: Adenocarcinoma colônico tipo intestinal bem diferenciado. Recebeu alta
hospitalar melhorada clinicamente, sendo encaminhada para quimioterapia adjuvante. Conclusão:
Apresentado caso clínico de paciente com diagnóstico de adenocarcinoma de cólon T4 Nx M0
tratada cirurgicamente com intuito de citorredução.
Manejo Cirúrgico de Estenose de Papila por Pancreatite Crônica
GIMENEZ, L.¹; BEZERRA FILHO, M. R. V. ¹; CARDOSO, R. A. M. ¹; GUEDES, D. S. ¹; TAYAH, I.2; MACHADO, A. P.3; FONSECA, F. C.4; NAKAJIMA, G. S.4
1 Discente do Curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas.
2 Médico assistencial do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
3 Médico assistencial do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
4 Professor do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM.
Introdução: A estenose de papila (esfíncter de Oddi) é uma condição incomum e, portanto,
negligenciada quanto a sua importância na Medicina. Objetivo: Mostrar a clínica e os principais
tratamentos cirúrgicos empregados na atualidade. Metodologia: Com o intuito de realizar uma
revisão da literatura, periódicos da Capes e Up to date foram consultados no período de cinco anos
de passado recente. Resultado e Discussão: A estenose de papila é responsável pela obstrução
biliar e/ou pancreática e está relacionada a anormalidades mecânicas e funcionais como litíase
biliar, trauma, pancreatite e anormalidades congênitas. Da sintomatologia não específica, a
dor é mais frequente, podendo ser local ou difusa. O diagnóstico é difícil, notada quando há
insucesso no tratamento cirúrgico de patologias biliares e/ou quando há pancreatite recorrente.
Macroscopicamente verificam-se dilatações coledociana e/ou cística, colecistite, pancreatite,
litíase coledociana e fístulas vesico-colônica. Eliminar a dor e/ou pancreatite recorrente é a meta
da terapêutica que pode ser farmacológica, endoscópica ou cirúrgica. Na abordagem cirúrgica,
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utiliza-se acesso transduodenal para realizar uma esfincterectomia ampla. É o método mais preciso
para realizar a septoplastia transampular, evitando uma estenose recorrente. Endoscopicamente,
utiliza-se o eletrocautério durante a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE),
procedendo-se a secção do segmento biliar e/ou pancreático do esfíncter de Oddi. O sucesso é
de até 90% com alívio álgico do paciente. Apesar de poder causar pancreatite pós-procedimento,
apresenta menor morbi-mortalidade. Conclusão: A cirurgia é o tratamento de escolha para
erradicar os sintomas causados pela estenose de papila sendo o CPRE a melhor técnica.
Assistência de Enfermagem: Orientações ao Paciente Cirúrgico
DE SOUZA, S.V.1; DA SILVA, A.C.1; ZAGONEL, S.M.2; BRITO, I. G.2
1 Enfermeiras do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
2 Acadêmicas do 7.º período de Enfermagem da Universidade Federal do Amazonas/Ufam.
E-mail: [email protected]
Introdução: As orientações fornecidas pelo enfermeiro em relação ao pré e pós-operatório são
uma forma de esclarecer as dúvidas, preparar o paciente para o processo cirúrgico proporcionando
tranquilidade e segurança, sendo o enfermeiro o profissional capacitado para realizá-la com
uma linguagem acessível. O acolhimento é uma postura ética, que implica no compartilhamento
de saberes, necessidades, angústias e intervenções. Objetivos: Relatar a experiência sobre
a importância da educação em saúde aos pacientes sobre os cuidados no período pré e pósoperatório. Método: Estudo descritivo do relato de experiência das acadêmicas de Enfermagem
durante estágio extracurricular na unidade de Clínica Cirúrgica de um Hospital Universitário
da cidade de Manaus no período de janeiro a julho de 2013. Resultados: Durante o processo
de admissão do paciente na Clínica Cirúrgica, frequentemente é realizada uma educação em
saúde por um enfermeiro plantonista, podendo ou não ser fixo da clínica, abordando sobre os
cuidados que se deve ter antes e após o procedimento cirúrgico, como: o jejum pré-operatório,
não molhar o cabelo, realizar tricotomia, o cuidado com a prótese dentária, a lavagem correta
das mãos e não utilização de acessórios durante o período de internação hospitalar. Conclusões:
Observou-se que nem sempre é realizada a educação em saúde, pois são encontradas dificuldades
institucionais, organizacionais, que impedem o enfermeiro na realização da educação em saúde
para os pacientes cirúrgicos. Prejudicando a qualidade da sua assistência, sendo essa atividade
de suma importância, visto que, por meio dela, pode-se amenizar a ansiedade e o medo que o
paciente apresenta nesse período.
Palavras-chave: Enfermagem; Enfermagem Cirúrgica; Educação em Saúde.
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revistahugv - Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas
v.12. n.2 jul./dez. - 2013
Cisto Broncogênico Duplo
WESTPHAL, F.L1; DE LIMA, L.C.1; LIMA NETTO, J.C.2; TAVARES, M.A.3; CARDOSO, R. A.M.4; GIL, F.S.M. 4; SOARES, P. I.L.4
1 Professor-adjunto do Departamento de Clínica Cirúrgica da Ufam.
2 Cirurgião torácico do Serviço de Cirurgia Torácica do HUGV.
3 Professor de Radiologia do Departamento de Clínica Médica.
4 Acadêmico de Medicina da Ufam.
Introdução: O cisto broncogênico é uma lesão congênita do trato respiratório originada por um
distúrbio na embriogênese da árvore traqueobrônquica durante a gestação. Durante a ramificação
da árvore brônquica, é sugerido que um grupo de células desprende-se e desenvolve-se de
forma autônoma, originando o cisto brônquico. Geralmente é uma lesão única, porém pode ter
apresentação múltipla. Os cistos broncogênicos são relativamente incomuns, representando
cerca de 6 a 15% das massas mediastinais primárias. Os mais frequentes são os mediastinais e
correspondem a 5% de todas as massas mediastinais em crianças. Objetivo: Relatar caso raro de
cisto broncogênico duplo. Relato de Caso: Paciente de seis anos e sete meses evoluiu com quadro
clínico de pneumonia para o qual fez tratamento clínico. A radiografia simples de tórax, mostrando
alargamento do mediastino médio, notadamente à direita, por provável processo expansivo.
Foi realizada tomografia computadorizada de tórax para esclarecimento da natureza da lesão,
foram observadas duas lesões expansivas de contornos lobulados, uma no lobo superior direito
e outra no lobo inferior direito. A paciente foi submetida à toracotomia lateral para ressecção
das lesões císticas. O exame histopatológico revelou epitélio cilíndrico ciliado, compatível com
cisto broncogênico. A evolução pós-operatória foi excelente. Conclusão: A presença de cisto
broncogênico múltiplo é raro e deve sempre ser lembrada nos casos de lesões císticas múltiplas
do mediastino.
Timolipoma, uma Massa Mediastinal Gigante: Relato de Caso
WESTPHAL, F.L1; DE LIMA, L.C.1; LIMA NETTO, J.C.2; TAVARES, M.A.3; CARDOSO, R. A.M.4; GIL, F.S.M. 4; SOARES, P. I.L.4
1 Professor-adjunto do Departamento de Clínica Cirúrgica da Ufam.
2 Cirurgião torácico do Serviço de Cirurgia Torácica do HUGV.
3 Professor de Radiologia do Departamento de Clínica Médica.
4 Acadêmico de Medicina da Ufam.
Introdução: O timolipoma é um tumor benigno raro do timo, localizado no mediastino anterior,
composto de tecido tímico e tecido adiposo maduro, envolvidos por uma cápsula. Geralmente,
cursa com quadro de tosse, dispneia e dor torácica; no entanto, pode ser assintomático. É
responsável por 2-9% dos tumores de timo, podendo acometer qualquer faixa etária sem diferenças
de incidência entre gêneros. Objetivos: Apresentar caso de um paciente com massa mediastinal
volumosa. Relato de Caso: Paciente, 37 anos, sexo masculino, apresentou-se com uma massa
mediastinal volumosa, descoberta ao acaso por radiografia simples de tórax. A única queixa era
sensação de peso na garganta à noite. A ressonância nuclear magnética revelou uma lesão expansiva
de densidade similar à de tecido adiposo no mediastino anterior com extensão para mediastino
posterior e porção inferior e terço médio mediastinais, sendo compatível com timolipoma. O
paciente foi submetido a uma esternotomia longitudinal total, permitindo completa exérese
da massa. O diagnóstico foi confirmado pelo exame histopatológico. Conclusão: Os tumores
mediastinais benignos podem acarretar sintomas compressivos que são tratados prontamente com
ressecção cirúrgica como demonstrado nesse caso.
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revistahugv - Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas
v.12. n.2 jul./dez. - 2013
A Morte e o Morrer no Centro de Terapia Intensiva do Hospital
Universitário Getúlio Vargas
ROCHA, M.L.F.¹; RIBEIRO, T.A.²; DE ANDRADE, A.C.³; FLOR, S.R.A.4; ROCHA, G.V.M.4; DA SILVA, L.R.4
1 Psicóloga residente do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM, e-mail: [email protected]
2 Médico – Ministério da Saúde. Provab, Coari/AM.
3 Psicóloga do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM.
4 Estagiário de Psicologia – FAPSI, Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam, Manaus/AM.
Introdução: Todos os indivíduos nascem com a expectativa de que um dia enfrentarão a morte,
fenômeno biológico natural. Entretanto, é uma etapa do desenvolvimento com maior distinção
das demais, tanto por revelar ao ser humano sua finitude quanto por ter sido a ciência inábil
em explicá-la. Objetivos: O acompanhamento psicológico prestado aos familiares e pacientes
internados no Centro de Terapia Intensiva do HUGV/Ufam visa aproximar as partes e compreender
as diversas formas de conceber e enfrentar a morte e o morrer. Método: Ao psicólogo é dada
a competência de suscitar esse tema, com a justificativa de que falar sobre a morte não irá
aproximá-los dela, partindo do pressuposto de que esta é inerente à condição humana, contudo
dará subsídios para enfrentar o sofrimento que a permeia. Resultados: Nesse âmbito é velada a
temática da morte e isso se deve ao fato de que a esperança está presente em todos os estágios
de adoecimento e luto, causando nos familiares e pacientes a sensação de desrespeito por um
“favorecimento antecipatório do luto”. Embora não seja um trabalho de fácil manejo, os rituais de
despedida e aproximação dos familiares aos moribundos são realizados com êxito, proporcionando
benefício mútuo para os envolvidos e para o desenvolvimento da ciência psicológica. Conclusão:
Dessa forma, fomentar cuidados paliativos aos pacientes terminais é uma forma de promover
saúde e prevenir doenças, buscando qualidade de vida aos que ficam e qualidade de morte aos
que vão, por terem a oportunidade da despedida e realização dos últimos desejos.
Perfil Clínico-Nutricional de Pacientes Atendidos pela Equipe Multiprofissional de
Terapia Nutricional de um Hospital Universitário
DANTAS, R. C.1; MICCHI, V. C. T.1; NAKAJIMA, G. S.1; CYRINO, C. C. B.1
1 Ufam
Introdução: No Brasil, aproximadamente 60,3% dos pacientes estão desnutridos ou em risco
nutricional intra-hospitalar, o que pode gerar aumento no tempo e custo da internação. Pacientes
em acompanhamento de terapia enteral ou parenteral necessitam de intervenções mais específicas
no curso da internação, evitando possíveis complicações por deficiência nutricional. A assistência
adequada aos pacientes em terapia nutricional depende principalmente do conhecimento do
perfil dessa população atendida. Objetivo: Descrever o perfil clínico nutricional de pacientes
em uso de terapia nutricional enteral e/ou parenteral internados no HUGV. Metodologia: Foram
coletados dados retrospectivos, transversal, por meio dos formulários de acompanhamento
de rotina do serviço de nutrição. Participaram todos os pacientes que fizeram uso de terapia
nutricional no HUGV – Nutrição Enteral (NE) e/ou Nutrição Parenteral (NPT) – entre janeiro/junho
de 2013. Resultados: Foram acompanhados 58 pacientes em terapia nutricional enteral e/ou
parenteral, sendo que 79,3% em uso de nutrição enteral exclusiva ou associada à via oral, 12,0%
fizeram uso de NPT exclusiva ou associada à via oral e 8,62% fizeram uso da associação entre NE/
NPT. A maioria dos pacientes correspondia à faixa etária adulta (20 a 59 anos). O sexo feminino
predominou discretamente, 55,2%. Foram a óbito 46,6% e tiveram alta 13,6%. A maior parte,
63,8%, era oriunda de clínicas de cirurgia geral e neurocirurgia. Pelo estado nutricional inicial,
48,3% apresentavam-se em risco nutricional e 36,2% com algum grau de desnutrição. Conclusão:
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revistahugv - Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas
v.12. n.2 jul./dez. - 2013
Observou-se um elevado número de pacientes iniciando terapia nutricional com algum grau de
desnutrição, o que sugere a necessidade de uma intervenção nutricional precoce.
Análise dos Erros de Prescrição Medicamentosa em uma Clínica do Hospital
Universitário Getúlio Vargas
RAMOS, M.C.B.1; JACINTO, A.H.V.L.2; BASTOS, L.M.3; BEZERRA, N.M.S.3; ARAÚJO, M.E.A.4
1 Acadêmica de Medicina da Ufam.
2 Acadêmica de Farmácia da Ufam.
3 Farmacêutica da Gerência de Risco Sanitário Hospitalar (GRSH) do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV).
4 Gerente de Risco Sanitário Hospitalar do HUGV.
E-mail: [email protected]
Introdução: Na prescrição de medicamentos, os erros são resultados de decisão ou redação
errôneas, não intencionais, que comprometem a qualidade do tratamento e aumentam o risco
de lesão do paciente. Cerca de 50% dos eventos adversos associados a medicamentos referem a
essa etapa, por isso esses erros devem ser prevenidos para que não ocorram sucessivos equívocos
no processo de utilização de medicamentos. Objetivos: Analisar a prescrição de medicamentos,
identificando e quantificando os erros associados a essa etapa do sistema de medicação, além de
sensibilizar os profissionais para a melhoria contínua do uso de medicamentos com a finalidade de
eliminar ou minimizar erros de medicação. Método: Trata-se de estudo observacional descritivo
realizado na Clínica Cirúrgica do HUGV no período de fevereiro-abril de 2013, onde as prescrições
dessa clínica foram avaliadas por meio do Formulário de Erros de Medicação contendo os principais
erros de prescrição encontrados em literatura. Resultados: Foram analisadas 261 prescrições e
encontrados 1.716 erros, sendo os mais comuns os relacionados à falta de dados dos pacientes:
ausência de peso em 100% das prescrições; ausência de idade (73,18%); ausência do número
do prontuário (36,78%). Outro erro bastante comum são prescrições ilegíveis e rasuradas, que
corresponderam a 15,5% do total de erros. A utilização de abreviaturas (13,69%) nas prescrições
também teve importância, acompanhada da ausência de dose (13,52%) e uso de nomes comerciais
(10,02%). Conclusão: A análise dos dados de prescrição pode fornecer bases para revisão das
práticas de prescrição e desenvolver medidas para o uso racional de medicamentos, garantindo a
segurança do paciente.
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revistahugv - Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas
v.12. n.2 jul./dez. - 2013
Aspectos Endoscópicos de Pregas Gástricas em Neoplasia Ulcerosa Maligna
NISHIKIDO, M. M. T.1; HAJI JÚNIOR, A. C.1; GUIMARÃES, L. S. C.²; DE MELO, A. M. S.³; SILVA JUNIOR, R. A.⁴; FONSECA, F.C.F.⁵; NAKAJIMA, G. S.⁵
1 Médico(a) residente de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
2 Médico assistencial do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
3 Supervisora da Residência em Cirurgia Geral e chefe do Serviço de Cirurgia Abdominal do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
4 Supervisor da Residência de Cirurgia Digestiva do Hospital Universitário Getúlio Vargas.
5 Professor do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM.
Introdução: As úlceras gástricas podem resultar de doença maligna subjacente pela relação com
a infecção por Helicobacter pylori e gastrite atrófica, fatores de risco importantes das neoplasias
ulcerosas malignas. Alguns aspectos macroscópicos dessas úlceras, visualizados em endoscopias
digestivas altas, são sugestivos de malignidade, principalmente da morfologia das pregas gástricas
circunjacentes. Objetivos: A finalidade deste estudo é de demonstrar que alguns aspectos
morfológicos de pregas adjacentes a úlceras gástricas são sugestivos de malignidade. Método:
Realizada análise de periódicos indexados na base de dados da plataforma Capes, encontrandose três relativos a palavras-chave “úlceras gástricas”, “câncer gástrico”, endoscopia”, “pregas
gástricas”. Também foi realizada revisão de literatura da primeira edição do Guideline da Sociedade
Japonesa de Pesquisa de Câncer Gástrico (JRSGC). Resultados e Discussão: Segundo JRSGC, as
pregas gástricas sugestivas de malignidade são as que possuem formato de “ponta de lápis” ou
“baqueta de tambor”. Tajiri et. al. relatam que 68% das úlceras com depressões irregulares,
pregas com interrupção abruptas e com formato afilado eram malignas. Já Chen et. al. (2009)
identificaram malignidade em 88,2%. No entanto, Thomopoulos et. al. (2004) informaram que
apenas 28,6% das lesões ulcerosas sugestivas eram realmente malignas. Conclusão: Apesar de
alguns estudos apresentarem uma alta sensibilidade quanto ao aspecto maligno macroscópico
sugestivo das pregas gástricas, outros estudos já não o demonstram. Portanto, é imprescindível a
realização do estudo histopatológico dessas lesões para a confirmação diagnóstica.
Terapia Nutricional em Paciente com Retocolite Ulcerativa Acentuada:
Relato de Caso
DIAS, A.R.B.1; MOURÃO, F. A. P.1; DIAS, I.G.R.1; GIMENEZ, F.²; GARCIA, E. M.³; DANTAS, R.³; CHAASE,V.³; NAKAJIMA, G. S.⁴
1 Discente do Curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas.
2 Professora voluntária do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM.
3 Nutricionista do Serviço de Nutrição do HUGV/Ufam.
4 Professor associado do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM.
E-mail: [email protected]
Introdução: MLSG, feminino, 37 anos, portadora de retocolite ulcerativa havia 20 anos, evoluindo
com crise de dor abdominal associada a episódios diarreicos (sete vezes ao dia) fazia quatro dias,
além de distensão abdominal, foi internada em medida de urgência no Hospital Universitário
Getúlio Vargas (HUGV) para acompanhamento cirúrgico e nutricional. Objetivo: Descrever
a terapia nutricional em paciente com doença inflamatória intestinal, em especial retocolite
ulcerativa. Método: Coleta de dados a partir do prontuário do paciente e pareceres da equipe
multidisciplinar de nutrição para discussão do caso. Resultados e Discussão: Foi realizado parecer
da Equipe Multiprofissional de Nutrição do HUGV, o qual realizou triagem e avaliação nutricional
da paciente, apresentando IMC de 23 kg/m2 e percentual adequado de massa muscular de acordo
com CMB. Sugeriu-se dieta oral líquida completa sem sacarose e lactose com possível evolução para
pastosa e TNO suplementar oligomérica mais glutamina (duas vezes por dia). Após uma semana de
tratamento com a TNO, associado à mesalazina 2.400 mg/dia, a paciente teve melhora do quadro
e recebeu alta do hospital. Doenças como a retocolite ulcerativa podem levar a um estado de
desnutrição do paciente, e estes costumam ter intolerância à lactose, incapacidade de absorção
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revistahugv - Revista do Hospital Universitário Getúlio Vargas
v.12. n.2 jul./dez. - 2013
de micronutrientes, entre outros, necessitando de conduta específica. Conclusão: Vemos nesse
caso a importância de que uma terapia adequada melhora significativamente o quadro clínico
de uma doença inflamatória intestinal, mesmo na fase aguda, mostrando quanto é importante a
função de uma equipe multiprofissional para o suporte nutricional e tratamento.
Análise do Porcionamento e Adequação de Dietas de um
Hospital Universitário de Manaus
PEREIRA, Z.R.F.1; DE LIMA, A.C.G.2; PAZ, A.S.2
1 Nutricionista. Preceptora da RMPS/Ufam, Manaus/AM.
2 Nutricionista. Residente da RMPS/Ufam, Manaus/AM.
E-mail: [email protected]
Introdução: A dieta hospitalar é importante durante o processo de internação, por garantir o
adequado aporte de nutrientes ao paciente, preservando ou recuperando seu estado nutricional
e atuando de forma coterapêutica em doenças crônicas e agudas. A elaboração de um manual
de dietas e a padronização de medidas são métodos importantes para melhorar a qualidade da
assistência, racionalizar o serviço e reduzir seus custos, devendo ser flexibilizados e constar nas
diretrizes do atendimento nutricional. Objetivo: Analisar o porcionamento e adequação das dietas
servidas no Serviço de Nutrição e Dietética de um Hospital Universitário em Manaus. Metodologia:
Trata-se de estudo descritivo, quantitativo, onde se verificou a pesagem e adequação de macro e
micronutrientes por meio do porcionamento de dietas e análise do cardápio mensal. Resultados:
Verificou-se falta de padronização de medidas, com oferta calórica média de 2.722 kcal/dia na
dieta hiperproteica, 3.197 kcal/dia na dieta branda e 3.732 kcal/dia na dieta hipercalórica/
hiperproteica; carboidrato: 56,5% (385,9 g) na dieta hiperproteica, 63,1% (504,6 g) na dieta
branda e 57,5% (536,9 g) na dieta hipercalórica/hiperproteica; proteína: 20,2% (136,8 g) na
dieta hiperproteica, 16,9% (135,3 g) na dieta branda e 18% (168,3 g) na dieta hipercalórica/
hiperproteica; lipídios: 23,4% (70,1 g) na dieta hiperproteica, 19,9% (70,8 g) na dieta branda e
24,3% (101,2 g) na dieta hipercalórica/hiperproteica. Conclusão: A padronização de medidas no
porcionamento de dietas se faz necessária a fim de proporcionar o suporte nutricional adequado
ao paciente internado.
Palavras-chave: Dieta; Serviço Hospital de Nutrição; Estado Nutricional.
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
Atuação da Equipe Multiprofissional em Saúde no Atendimento ao
Paciente com Lesão Medular
NUNES, S.C.S.1; PEREIRA, J.R.2; DE LIMA, A.C.G.3; DA SILVA, E.N.4
1 Fisioterapeuta residente da RMPS/Ufam, Manaus/AM.
2 Assistente social residente da RMPS/Ufam, Manaus/AM.
3 Nutricionista residente da RMPS/Ufam, Manaus/AM.
4 Enfermeira residente da RMPS/Ufam, Manaus/AM.
E-mail: [email protected]
Introdução: O traumatismo da medula espinhal é uma afecção da medula espinhal, que pode
provocar perda motora e/ou sensitiva abaixo do nível da lesão e alterações fisiológicas, o que
pode gerar muitas incertezas tanto ao paciente quanto aos cuidadores, bem como dificuldade
de adaptação ao meio social. As atividades educativas em saúde tornam-se necessárias nesse
contexto, a fim de propiciar esclarecimento nessa nova fase. De modo similar, a reabilitação
assume papel fundamental, por possibilitar maior autonomia aos pacientes atendidos. Objetivo:
Relatar as contribuições do atendimento multiprofissional em saúde no processo de ensinoaprendizagem dos pacientes atendidos no projeto de reabilitação do HUGV/Ufam. Método: Tratase de estudo qualitativo e observacional, por consulta documental de relatórios de triagem e
evolução, elaborados pelos residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde,
durante a realização das práticas educativas e do processo de reabilitação. Resultados: A atuação
da equipe multiprofissional possibilitou aos alunos a ampliação de seus conhecimentos a respeito
da lesão medular e suas complicações, prevenção e tratamento de riscos nutricionais a que estão
sujeitos, direitos e acesso aos recursos da rede socioassistencial e ganho de maior autonomia
para realizar suas atividades de vida diária. Conclusão: A atuação da equipe multiprofissional
no atendimento ao paciente com lesão medular assume fundamental importância por propiciar
um espaço privilegiado de ampliação de conhecimento, na perspectiva da promoção de saúde,
exercício da cidadania e autonomia.
Palavras-chave: Traumatismos da medula espinhal; Educação em Saúde; Equipe de Assistência ao
Paciente.
Atuação da Fisioterapia Motora e Respiratória na Doença de Pompe
DIAS, A.S.1; AIRES NETO, W.Z.1
1 Universidade Nilton Lins, Manaus/AM, Brasil.
[email protected]
Introdução: A Doença de Pompe é uma doença de depósito lisossômico (DDL) causada pela
insuficiência da enzima alfa-glicosidase-ácida, responsável pela degradação do glicogênio
intralisossômico. A deficiência resulta no acúmulo do glicogênio nos lisossomos dentro das células.
Isso leva a disfunções ou danos celulares, particularmente nos tecidos musculares cardíaco,
respiratório e esquelético. Objetivo: Descrever os principais sinais clínicos da Doença de Pompe
e os benefícios da Fisioterapia na reabilitação dos pacientes. Metodologia: É uma revisão da
literatura, onde foram encontradas 12 referências nas plataformas Scielo e Bireme, Bibliotecas
da Universidade Nilton Lins, porém apenas oito foram incluídas na pesquisa. Os descritores foram:
“Fisioterapia” e “Doença de Pompe”. Resultados: As principais alterações são: fraqueza muscular
progressiva, hipotonia, flacidez, pouco controle de cabeça, macroglossia, arreflexia e atraso no
desenvolvimento motor; há fraqueza e insuficiência respiratória progressiva, infecções respiratórias
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
frequentes, cardiomegalia, hipertrofia do ventrículo esquerdo. A fisioterapia motora visa à melhora
da postura estática e dinâmica do tronco e dos membros; prevenção de complicações, como
deformações e fraturas patológicas; melhora da qualidade de vida. A Fisioterapia respiratória
tem por objetivo manter a eficácia da ventilação pulmonar, prevenindo complicações e infecções
respiratórias. Conclusão: Diante de tais resultados, a Fisioterapia proporciona maior sobrevida e
qualidade de vida a pacientes com Doença de Pompe. Por ser uma doença rara, há a necessidade
que novos estudos sejam realizados.
Praticidade da Mensuração da Pressão Venosa Central (PVC) no Paciente Crítico
DIAS, A.R.B.1; MOURÃO, F.A.P.1; DIAS, I.G.R.1; NAKAJIMA, G. S.2
1 Discente do Curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas.
2 Professor associado do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM.
E-mail: [email protected]
Introdução: MC, feminino, 21 anos, 50 kg, diagnosticada com tumor de medula cervical, internada
na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário Getúlio Vargas/Ufam havia mais
de três meses, necessitou de mensuração da pressão venosa central (PVC), que apresentou valor
de 3 cmH2O. Com balanço hídrico acumulado de 39.377,3 ml e BH de 24h (-87) ml. Objetivos:
Descrever a importância prática da avaliação da PVC. Métodos: Revisão de prontuário. Resultados
e Discussão: A praticidade da mensuração da PVC se dá no fato de que parte dos pacientes em
UTI possui acesso venoso central e na ausência de equipamentos modernos é um dos métodos
de avaliação do estado hemodinâmico. A mensuração da PVC ocorre com o paciente posicionado
em decúbito dorsal sem inclinação no leito, posicionando-se uma haste com uma fita métrica e
uma coluna de água fixada, devendo estar a partir da altura da linha axilar média do paciente.
O equipo de avaliação tem duas vias, uma delas conectada ao acesso venoso central do paciente
e a outra deixada livre. As vias do equipo é que formarão a coluna de água. Ao se conectar o
equipo com soro, deixa-se o ar sair deste e após a formação da coluna de água o equipo será
conectado diretamente ao acesso, mensurando a PVC por meio do deslocamento da coluna de água.
Conclusão: A mensuração da PVC no paciente crítico é de realização rápida, podendo ser feita
pelo enfermeiro ou médico responsáveis, sendo ferramenta de avaliação do estado hemodinâmico
permitindo acompanhar o quadro e é um importante auxiliar na rotina do CTI.
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v.12. n.2 jul./dez. - 2013
Relato de Caso: Cisto Esplênico
ALMEIDA, N. X.1; TAYAH, I.²; MACHADO, A.P.²; FONSECA, F. C.³; NAKAJIMA, G. S.³; ARAÚJO, P.S.¹
1 Discente do Curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM.
2 Médico assistencial do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM.
3 Professor do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM, Manaus/AM.
E-mail: [email protected]
Introdução: Os cistos esplênicos são raros e classificados em: Tipo I – verdadeiros, cistos (parasitários/
não) com cápsula, revestimento epitelial escamoso; e Tipo II – secundários/pseudocistos, formados
por uma parede de tecido fibroso sem camada de revestimento epitelial, com origem traumática.
Normalmente assintomáticos, seu diagnóstico está relacionado ao exame físico e de imagem
abdominal de rotina. Relato de Caso: Paciente do sexo feminino, 36 anos, branca. Referia queixa
de dor em flanco esquerdo que piorava com a constipação; nega muco e sangue nas fezes. Ao
exame de imagem, apresentou cisto indefinido em flanco esquerdo à Ultrassonografia e pela
Tomografia Computadorizada foi evidenciada lesão nodular, heterogênea de 3,4 cm em baço,
diagnóstico diferencial com hemangioma. Paciente submetida à esplenectomia sem intercorrência.
Discussão: Os cistos esplênicos sintomáticos relacionam à compressão de vísceras adjacentes,
causando dor em hipocôndrio e hemitórax esquerdo, epigástrio ou região periumbilical, além de
sintomas gastrointestinais. Sofrendo ruptura, pode manifestar-se com quadro de abdome agudo.
Confirma-se o diagnóstico pela histopatologia, sendo os principais métodos de diagnóstico a
Ultrassonografia e a TC de abdome, esta mais sensível que o primeiro pela identificação de septos
(mais comuns em cistos verdadeiros) ou calcificações (mais comuns em cistos falsos). O tratamento
de escolha é a esplenectomia, evitando-se complicações como rotura, hemorragia ou infecção.
Em casos assintomáticos com cistos menores que dois centímetros e sem calcificações ou aumento
de circulação interna/colateral, o tratamento conservador torna-se possível. Conclusão: Os cistos
esplênicos devem ser analisados sob os aspectos clínicos, diagnósticos de imagem sendo a cirurgia
indicada somente em caráter de exceção.
Alzheimer: um Estudo de Caso Realizado no Âmbito da Atenção Primária à Saúde
NAVEGANTE, E.S.1; CASTRO, B.M.C.2
1 Enfermeira residente em Obstetrícia pela Universidade Federal do Amazonas/Hospital Universitário Getúlio Vargas.
E-mail: [email protected]
2 Enfermeira residente em Obstetrícia pela Universidade Federal do Amazonas/Hospital Universitário Getúlio Vargas.
Introdução: A Doença de Alzheimer (DA) é uma patologia neurológica degenerativa, irreversível
e progressiva, começando discretamente com perdas na função cognitiva e distúrbios no
comportamento. Classificada em: DA familial e DA esporádica. Objetivo: Relatar caso de DA e
as intervenções de enfermagem realizada numa cliente na visita domiciliar. Método: Trata-se de
estudo de caso em que foi realizado entrevista para coleta do histórico da paciente e levantamento
da problematização encontrada. Foi elaborado um plano de cuidados de enfermagem no período de
11 a 27 de junho de 2013. Resultados: CCF, 79 anos, feminino, de Tefé/AM e aposentada. Em 2008
começou a apresentar esquecimento, irritabilidade, choro fácil sem causa aparente, solicitava
presença de pai já falecido. Em 2010 foi diagnosticada com DA, possui antecedente familiar de três
irmãos com a doença. Atualmente apresenta o seguinte quadro clínico: não reconhece familiares,
expressa palavras curtas esporádicas (é, dói, ai), oscilação de humor. Os principais diagnósticos de
enfermagem foram: confusão crônica; comunicação verbal prejudicada; déficit no autocuidado.
As prescrições mais importantes foram repassadas aos familiares: utilizar auxiliares de memória
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por meio de objetos que relembrem seu passado como fotos e objetos pessoais; colocar ao alcance
da paciente objetos como relógios e calendários; orientar a família para diálogo de temas que
ela tenha interesse. Conclusão: Diante da aplicação do processo de enfermagem observou-se
melhoria significativa na qualidade de vida da cliente, bem como proporcionou o alívio de sinais
e sintomas.
Palavras-chave: Doença de Alzheimer; Atenção Primária; Cuidado Domiciliar.
Estudo da Utilização de Antimicrobiano em um Hospital Universitário na Cidade de
Manaus/AM
DE LIMA, Q.A.¹; DE AZEVEDO, M.E.F.²; BEZERRA, L.L.R.³; DOS SANTOS, V. A.³
1 Farmacêutica residente multiprofissional.
2 Professora da Universidade Federal do Amazonas.
3 Farmacêutica do Serviço de Farmácia Hospitalar.
Resumo: Os antimicrobianos são medicamentos mais frequentemente prescritos em hospitais. Nos
Estados Unidos foi constatado que mais da metade desse uso é inadequado. Um método para avaliar
as tendências e monitorar o consumo de medicamentos foi recomendado pela Organização Mundial
de Saúde (OMS) em 1996. Trata-se da Anatomical Therapeutic Chemical (ATC) e a Defined Daily
Dose (Dose Diária Definida – DDD). A dose diária definida é uma unidade de medida muito útil para
comparações ao longo do tempo entre hospitais, regiões e países, e permite observar a tendência
de uso de um determinado medicamento em uma determinada região. Este estudo teve como
objetivo conhecer o consumo de antimicrobianos por taxas de DDD de um Hospital Universitário
da cidade de Manaus/AM com 150 leitos. Os antibacterianos selecionados foram limitados à
Relação de Medicamentos Padronizados no hospital e pertenciam ao grupo dos carbapenêmicos
(imipenem e meropenem), da penicilina (Piperacilina + tazobactam), das cefalosporinas de 3.ª/4.ª
(ceftriaxona e cefepima), dos glicopeptídeos (vancomicina) e dos aminoglicosídeos (gentamicina
e amicacina). As DDDs foram divididas por clínicas. O total da DDD foi de 243,19 para imipenem,
159,72 para ceftriaxona, 141,83 para vancomicina, 102,94 para cefepime, 56,02 para piperacilina
+ tazobactam, 53,43 para meropenem, 12,64 para amicacina e 2,33 para gentamicina. Esse tipo
de estudo foi pioneiro no hospital em estudo e os resultados poderão servir como base para
futuros estudos de conhecimento do perfil de consumo, a tendência de uso e correlacionar com a
resistência bacteriana.
Palavras-chave: Antimicrobianos; Dose Diária Definida; Uso de Medicamentos.
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Tumor Cístico do Pâncreas: Registro Fotográfico e Revisão de Literatura
HAJI JR., A.C.¹; NISHIKIDO, M. M. T.¹; SILVA NETO, R.A.²; DE MELO, A.M.S.³; GUIMARÃES, L.S.C. ⁴; SILVA JUNIOR, R.A.⁵; FONSECA, F.C.⁶;
NAKAJIMA, G. S.⁶
1 Médico(a) residente de Cirurgia Geral do HUGV.
2 Médico residente de Cirurgia Digestiva do HUGV.
3 Supervisora da Residência em Cirurgia Geral e chefe do Serviço de Cirurgia Abdominal do HUGV.
4 Médico assistencial do Serviço de Cirurgia Geral do HUGV.
5 Supervisor da Residência de Cirurgia Digestiva do HUGV.
6 Professor do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM.
Introdução: O tumor cístico do pâncreas (TCP) é relativamente raro e possui diagnóstico diferencial
difícil, entretanto tem se tornando mais importante pelo seu diagnóstico incidental frequente nos
exames de imagem.1 Tornando-se assim necessário maior conhecimento por parte dos médicos
sobre a patologia. Metodologia: Foram consultados artigos indexados no portal de periódicos
Capes, no período de 2005 a 2013. A palavra-chave utilizada para a pesquisa foi “neoplasia cística
do pâncreas”. Resultados: Foram encontrados mais de 4.800 artigos referentes ao assunto com
a palavra-chave utilizada. Discussão: Os TCPs são cada vez mais diagnosticados em pacientes
assintomáticos que realizam exames de imagem por outras indicações.2 Existem diversos tipos
histológicos de TCP, sendo que somente os métodos de imagem não são suficientemente fidedignos
para distinguir entre as lesões císticas existentes.2 A grande maioria deles é de comportamento
benigno, mas alguns possuem associação com cânceres invasivos ou tendem à malignização.1 Os
exames diagnósticos mais utilizados são a tomografia computadorizada e a ressonância nuclear
magnética, sendo que a ultrassonografia endoscópica tem sido adicionada ao arsenal diagnóstico
com bons resultados.3 O manejo cirúrgico atual dos TCPs tem sido adaptado de acordo com riscobenefício da ressecção, sendo ressecado se os riscos assim o permitem.3 Conclusão: O aumento
dos diagnósticos incidentais associados ao risco de malignização do tumor cístico pancreático
nos leva à necessidade de um maior conhecimento da patologia e das possibilidades terapêuticas
atuais.
Palavras-chave: Tumor Cístico do Pâncreas; Relato de Caso; Revisão de Literatura.
Ferimento de Artéria Carótida Comum Esquerda em Região Torácica Secundário a
Traumatismo Cervical por Arma Branca: Relato de Caso
DA COSTA, C.E.A.1,2; AMANAJÁS, A.M.S.2; CHRISTO, B.I.G.A3; MEDEIROS, B.G.3; LOPES, K.G.A.3
1 Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM.
2 Hospital Pronto-Socorro João Lúcio Pereira Machado, Manaus/AM.
3 Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM.
Introdução: Os ferimentos cervicais penetrantes representam 10% dos traumatismos em adultos.
São potencialmente fatais e demandam tratamento de emergência pela presença de diversas
estruturas vitais na região, apresentando mortalidade entre 3 e 17%. Objetivo: Relatar caso sobre
traumatismo cervical penetrante com lesão isolada de artéria carótida comum (ACC) esquerda
em região torácica. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino, 28 anos, vítima de traumatismo
cervical por arma branca, foi admitido com sinais de choque hipovolêmico, hematoma cervical
pulsátil e murmúrio vesicular abolido em hemitórax à esquerda. A abordagem inicial consistiu
em obtenção de via aérea definitiva, drenagem de tórax em selo d’água com débito de 800
ml de sangue e reposição volêmica. Após estabilização hemodinâmica solicitou-se Tomografia
Computadorizada (TC), que evidenciou ruptura parcial de ACC esquerda próximo à fúrcula esternal
com hematoma adjacente. A conduta cirúrgica consistiu em esternotomia mediana com extensão
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cervical esquerda, evidenciando secção parcial de ACC esquerda a um centímetro do arco aórtico.
O tratamento realizado foi anastomose término-terminal. O paciente obteve evolução favorável
sem sequelas. Discussão: As lesões em ACC esquerda são raras e frequentemente apresentam
lesões em órgãos adjacentes. O diagnóstico é clínico, com auxílio de exames de imagem na
confirmação e no planejamento cirúrgico. A intervenção é divergente na literatura, alguns estudos
a recomendam em todos os ferimentos com comprometimento do músculo platisma e outros
a preconizam em casos selecionados. Conclusão: Os pacientes com lesão em ACC devem ser
submetidos ao Protocolo ATLS® com manutenção de vias aéreas diante de hematoma extenso.
Apendicite Aguda Associada à Hérnia de Amyand: uma Apresentação Incomum
DA COSTA, C.E.A.1; MELO, A.A.1; CHRISTO, B.I.G.A.2; MEDEIROS, B. G.2; LOPES, K.G.A.2
1 Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM, Brasil.
2 Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM, Brasil.
Introdução: Denomina-se Hérnia de Amyand quando o conteúdo herniário contém apêndice
vermiforme, podendo ou não apresentar sinais flogísticos. Objetivo: Relatar caso clínico de Hérnia
de Amyand com apendicite. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino, 22 anos, procurou
atendimento médico com queixa de dor abdominal localizada em fossa ilíaca e região inguinal
à direita havia um dia. Evoluiu nas oito horas subsequentes com vômitos, distensão abdominal
e parada de eliminação de fezes e flatos. Ao exame, observou-se abdome tenso com ruídos
hidroaéreos aumentados, dor à palpação com sinais de irritação peritoneal, presença de hérnia
inguinoescrotal com sinais de estrangulamento. Solicitou-se rotina para abdome agudo, a qual
apresentou sinais de obstrução intestinal. A conduta consistiu em inguinotomia à direita e, no ato
cirúrgico, evidenciou-se apêndice com sinais flogísticos aderido ao saco herniário. Realizou-se
apendicectomia e hernioplastia pela Técnica de Bassini. O paciente obteve evolução favorável
sem complicações. Discussão: A Hérnia de Amyand é encontrada em aproximadamente 1%
dos casos de hérnia inguinal, quando o apêndice encontra-se normal, e 0,08 a 0,13% quando
acompanhada por apendicite. Na maioria dos casos, é diagnosticada no ato cirúrgico pelo fato de
os exames de imagem não fazerem parte da rotina de alguns serviços em casos de abdome agudo
ou não estarem disponíveis. Conclusão: Hérnia de Amyand constitui uma entidade rara a qual
pode simular uma hérnia encarcerada, torção testicular e epididimo-orquite, representando um
importante diagnóstico diferencial. O diagnóstico precoce, por meio de exame clínico e auxílio de
exames complementares, contribui para a sobrevida dos pacientes.
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Traumatismo Toracoabdominal com Transfixação Gástrica e Pancreática e Explosão
de Polo Inferior do Rim Esquerdo: Relato de Caso
DA COSTA, C.E.A.1,2; CHRISTO, B.I.G.A.3; MEDEIROS, B.G.3; LOPES, K. G. A.3
1 Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM.
2 Hospital Pronto-Socorro João Lúcio Pereira Machado, Manaus/AM.
3 Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM.
Introdução: O Traumatismo Toracoabdominal corresponde ao acometimento do tórax entre o
quarto espaço intercostal anterior, o sexto espaço intercostal lateral e o sétimo espaço intercostal
posterior, bem como os limites inferiores dos hipocôndrios do abdome. Objetivo: Relatar caso
de uma vítima de traumatismo toracoabdominal. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino,
50 anos, vítima de ferimento por arma de fogo no quinto espaço intercostal em hemitórax à
direita, foi admitido em choque hipovolêmico, dreno de tórax à direita e dor abdominal difusa
mais intensa em hipocôndrio direito. A conduta inicial consistiu em monitorização, cateter nasal,
reposição volêmica, sondagem vesical, com evidência de hematúria macroscópica e realização de
radiografia de tórax e abdome, que evidenciou imagem sugestiva de dois fragmentos do projétil,
cujo trajeto cruzava a linha mediana. Durante procedimento cirúrgico, evidenciou-se lesão em
hemicúpula diafragmática à direita e lobo hepático esquerdo, ferimento transfixante de estômago,
lesão de pâncreas, em jejuno em nível do ligamento de Treitz e polo inferior de rim esquerdo com
acometimento da junção pielo-uretral. A conduta cirúrgica consistiu em síntese dos ferimentos
e nefrectomia parcial à esquerda com pieloplastia. O paciente obteve evolução favorável sem
complicações. Discussão: Os traumatismos toracoabdominais correspondem de 10 a 28% dos casos
dos ferimentos torácicos por projétil e associam-se à lesão de múltiplos órgãos. O diagnóstico
é realizado por meio da combinação de achados ao exame clínico e exames complementares.
Conclusão: O atendimento conforme o Protocolo do ATLS® é essencial para a sobrevida dos
pacientes vítimas de ferimentos na transição toracoabdominal.
Relato de Caso: Tumor de Pulmão e Schwannoma Apresentados Simultaneamente
WESTPHAL, F.L.¹; DE LIMA, L.C.¹; LIMA NETTO, J.C.²; TAVARES, M.A.³; GIL, F.S.M.4; CARDOSO, R.A.M.4; SOARES, P.I.L.4
1 Professor-adjunto do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Getúlio Vargas,
2 Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Getúlio Vargas,
3 Professor concursado de Radiologia do Departamento de Clínica Médica na Universidade Federal do Amazonas,
4 Acadêmico do Curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas,
Manaus/AM.
Manaus/AM.
Manaus/AM.
Manaus/AM.
Introdução: Exames de imagem costumam ter um papel importante no estadiamento das neoplasias
pulmonares, tanto na avaliação do fator T quanto do fator N da classificação TNM. Entretanto, a
utilização do PetScan no estudo da neoplasia pulmonar pode induzir a resultados falso-negativos,
tais como na presença de hiperglicemia descompensada, lesões pequenas e lesões de baixa
atividade metabólica. Objetivos: Relatar o caso de paciente que apresentava um schwannoma
de manifestação inconclusiva ao exame de imagem, pela variação de captação de FDG. Método:
Revisão de literatura e verificação de prontuário. Resultados: O exame de PetScan revelou uma
lesão paramediastinal sólida em lobo superior direito, de contornos lobulados, medindo 3,0 x
2,4 cm e SUV de 12,2. Essa lesão determinava oclusão do brônquio para o lobo superior direito,
sendo assim responsável pela atelectasia. Ademais, o exame indicava a presença de uma massa
sugestiva de linfonodomegalia no mediastino superior, à direita, com cerca de 2,0 cm e SUV de
3,8. Conclusão: O PET-CT foi introduzido e desenvolvido como uma modalidade integrada para
estadiamento nodal acurado e detecção de lesões metastáticas de corpo inteiro. Uma vez que a
absorção de FDG pelos schwannomas é amplamente variável, dificultando a diferenciação destes
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apenas por meio de imagens, os achados do Pet-Scan no estudo de massas pulmonares devem ser
analisados com cuidado e os linfonodos com SUV alto, biopsiados, para evitar um diagnóstico ou
estadiamento errôneo e os efeitos de resultado falso positivo.
Fasceíte Necrotizante Causada por Abscesso e Fístula Perirretal: Relato de Caso
BICALHO, N.P.D.¹; RABELO, A.L.D.¹; GIMENEZ, L.¹; FROES JÚNIOR, M.2; GIMENEZ, F.S.2
1 Discente do Curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas.
2 Professor do Departamento de Clínica Cirúrgica da FMUFAM.
Introdução: Os abscessos e fístulas anais são as principais supurações da região perianal que
acometem mais homens entre a quarta e sexta décadas de vida. Uma de suas complicações é
a fasceíte necrotizante perianal (FNP), uma infecção rara e grave que se espalha rapidamente
pelo corpo, com alta mortalidade (67%), sendo crucial seu diagnóstico precoce e o debridamento
cirúrgico. Objetivo: Descrever caso de abscesso perirretal, evoluindo com fasceíte necrotizante
de parede abdominal e retroperitôneo. Metodologia: Estudo baseado no prontuário da paciente
e revisão bibliográfica. Relato de Caso: BOP, mulher, 16 anos, admitida no Pronto-Socorro 28
de Agosto no dia 28 de julho de 2013, transferida de Parintins após apendicectomia incidental
cujo inventário relatou abscesso retroperitoneal. Evoluiu com infecção de ferida operatória e foi
encontrado abscesso perineal. Realizada hidratação, analgesia, antibioticoterapia e encaminhada
para limpeza cirúrgica. Nesse procedimento foram evidenciados infecção e necrose do tecido
celular subcutâneo e fáscia, e também de músculo reto abdominal; coleção purulenta em espaço
retroperitoneal, além de ferimento em glúteo esquerdo com trajeto fistuloso para cavidade
retroperitoneal, caracterizando fístula perianal posterior complexa. Seu tratamento constou de
seis limpezas cirúrgicas de cavidade abdominal e da fístula perianal e colostomia à Hartmann
de proteção. Atualmente com boa evolução em CTI. Conclusão: Apesar de a FNP por abscesso e
fístula do canal anal ser mais comum em pacientes imunodeprimidos, ela pode acometer pacientes
imunocompetentes caso o processo inflamatório-supurativo persista por um longo período,
causando comprometimento à vida; por isso a importância do diagnóstico e tratamento precoces.
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A Triagem Nutricional – NRS 2002 em Pacientes de Cirurgia Eletiva
NAKAJIMA, G.S.1; GARCIA, E.M.2; MONTENEGRO, V.E.P.3; PEREIRA, Z.R. F.4; SILVA, M.C.C.5; FERREIRA, J.C.S.6; DOS SANTOS, M.L.A.7;
DE SOUZA, M.S. Q.8
1 Médico-coordenador da CMTNEP/HUGV.
2 Nutricionista da Clínica Cirúrgica e membro da CMTNEP/HUGV.
3 Médico residente da Clínica Cirúrgica/HUGV.
4 Nutricionista da Clínica Ortopédica e membro da CMTNEP/HUGV.
5 Bióloga, coordenadora técnica/Adm. da CMTNEP/HUGV.
6,7 Nutricionistas voluntárias da Clínica Cirúrgica/HUGV.
8 Acadêmica de Graduação em Nutrição/Uninorte.
Introdução: A triagem nutricional identifica fatores de risco para desnutrição e de apresentar
complicações relacionadas a ela no pré e pós-operatório. Ressalta-se que a triagem nutricional
refere-se apenas a detectar a presença de risco de desnutrição ou clinicamente desnutridos. É
aplicada a um grupo (por exemplo, todos os pacientes que serão internados num determinado
serviço de saúde) para identificar aqueles que estão em risco nutricional. Objetivo: Aplicação da
Triagem de Risco Nutricional (NRS-2002) nos pacientes admitidos na clínica de cirurgia eletiva/
HUGV. Metodologia: Foi desenvolvido estudo transversal e quantitativo no período de janeiro a junho
de 2013 com n = 907 (triados) pacientes admitidos na clínica cirúrgica/HUGV. Foi utilizado como
instrumento de triagem na admissão a NRS-2002 e como instrumento de avaliação antropométrica
o IMC com ponto de corte diferenciado para adultos (18 a 59) e idosos (>60 anos). Resultados:
Dos pacientes que realizaram triagem nutricional foram 59% (feminino) e 48% (masculino), 73%
adultos e 27% idosos. No Escore da NRS-2002, 2% (22) dos pacientes apresentaram risco nutricional.
Quando avaliados pelo IMC foi observado que na população de idoso ocorreu maior incidência de
baixo peso com IMC <20,5 (11%) enquanto que na população adulta observou-se a maior incidência
de sobrepeso e obesidade com IMC >25 (71%). Conclusão: A ferramenta utilizada para triagem
de risco nutricional mostrou que os pacientes da cirurgia eletiva não apresentaram alto índice
de risco nutricional para desnutrição no pré-operatório, sugerindo que índices elevados de risco
nutricional, mostrados pelas literaturas, podem estar relacionados à desnutrição no manejo
nutricional do paciente no pós-operatório.
Tratamento de Resíduos Sólidos do Hospital Universitário Getúlio Vargas
CABUS, M.C.V.1; BASTOS, L.M.2; BEZERRA, N.M.S.2; ARAÚJO, M.E.A.3
1 Técnica de Enfermagem. Executora do Plano de Gerenciamento de Resíduos do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM.
2 Farmacêutica da Gerência de Risco Sanitário Hospitalar do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM.
3 Gerente de Risco do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus/AM.
E-mail: [email protected]
Introdução: O Plano de Gerenciamento de Resíduos do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV)
foi implantado em 2011 atendendo à RDC n.º 306/2004/Anvisa. Nesse contexto, funcionários
foram capacitados para adequado manejo dos resíduos gerados e foi estruturada a Central
de Tratamento de Resíduos (CTR), equipada com balança, autoclave e triturador. Objetivo:
Apresentar os dados de geração e tratamento dos resíduos sólidos do HUGV no ano de 2012.
Método: Os resíduos gerados foram separados nos locais de geração, pesados e tratados na CTR
por meio de inativação térmica e descaracterização (biológicos e perfurocortantes). Os resíduos
comuns foram segregados e destinados à reciclagem. Resultados: Foram gerados 6.461,22 kg de
resíduos biológicos (grupo A), 1.189,2 kg de perfurocortante (grupo E) e 53.854,7 kg de resíduos
comuns (grupo D). 100% dos perfurocortantes e 65% (4.203,5 kg) dos biológicos foram tratados
por meio de autoclavagem e descaracterização. Dos resíduos comuns, 23,5% foram triados como
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recicláveis (papel, papelão, plástico e óleo) e destinados à associação de catadores. Conclusão:
Considerando que o tratamento por inativação térmica e descaracterização transforma os resíduos
infectantes em resíduos comuns e que a reciclagem diminui o quantitativo de resíduo destinado ao
aterro sanitário, conclui-se que o HUGV tem contribuído para proteção da saúde da comunidade
e do meio ambiente. No entanto, faz-se necessário buscar o tratamento de 100% dos resíduos
biológicos e ampliar a reciclagem de resíduos comuns, tais como metais, vidros e orgânicos. Nesse
sentido, a sensibilização pela educação permanente e continuada é de fundamental importância.
Relato de Caso: Tratamento Ambulatorial de Fissura Anal
BATISTA, C.M.V.1; DA SILVA, A.B.1; FIGUEIREDO, L.A.1; MONTEIRO, L.S.1; RIBEIRO, T.J.A.1; NAKAJIMA, G.S.2
1. Acadêmico de Medicina
E-mail: [email protected]
2. Professor da Universidade Federal do Amazonas
Introdução: O tratamento da fissura anal é baseado na combinação de analgésicos e anestésicos
locais, banhos de assento e agentes formadores do bolo fecal. Caso Clínico: FAL, 39 anos, branco,
sexo masculino. Queixa de dor à evacuação e episódios esporádicos de hematoquezia. Sem melhora,
apesar de automedicação tópica anti-inflamatória. Ao Exame Físico: Úlcera profunda de canal
anal e esfíncter hipertônico. Conduta Clínica em Novembro de 2011: Uso de Diltiazen, Proctyl e
Plantabem. Paciente retorna em dezembro de 2011, assintomático e sem fissura anal. Objetivos:
Avaliar a eficácia dos medicamentos usados no caso clínico. Objetivos Específicos: Explanar sobre
as principais condutas indicadas para o tratamento de fissura anal. Métodos: Realizou-se revisão
sistemática nos bancos de dados eletrônicos do Up to date. As seguintes palavras foram utilizadas:
“fissura anal”, “esfincterectomia”. Foi realizada uma metanálise de cinco artigos de abordagem
quantitativa. Resultados: Drogas bloqueadoras dos canais de cálcio reduzem o tônus do esfíncter
interno do ânus, atenuando a contração. Dos artigos avaliados, um relata cicatrização com o
uso de diltiazem em 40% dos casos, noutro artigo se constatou cicatrização em 65% dos casos. O
Plantaben® restabelece o trânsito intestinal e reduz o tempo de permanência do conteúdo fecal,
demonstrando alto índice de eficiência quando usado em associação com os bloqueadores dos
canais de cálcio. Já o Proctyl, cloridrato de chinchocaína, demonstrou eficácia ao reduzir a dor e
prurido e consequentemente o sangramento traumático. Conclusão: A utilização concomitante de
bloqueadores de canais de cálcio, formadores de bolo fecal e anestésico local, se mostrou eficaz.
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Educação em Saúde: uma Intervenção Multiprofissional com um Grupo de
Diabéticos
FROTA, G.A.1; PAZ, A.S.1; DE ANDRADE, A.K.P.1; DA SILVA, B.L.F.1; REBOUÇAS, B.O.1; Giuliana Arie, Marlessa Vidal.²
1 Residentes da Residência Multiprofissional em Saúde – Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM.
2 Preceptora da Residência Multiprofissional em Saúde – Universidade Federal do Amazonas, Manaus/AM.
Introdução: O diabetes mellitus está relacionado a graves complicações crônicas e à redução da
expectativa de vida, portanto o cuidado com o paciente diabético merece atenção multiprofissional
na atenção primária. A mudança no estilo de vida e a educação em diabetes se destacam como
um dos pilares do tratamento dessa doença. Objetivo: Ampliar o conhecimento dos pacientes
diabéticos sobre sua doença, estimular a adoção de práticas saudáveis, desenvolver habilidades
para o autocuidado que visem à melhoria da qualidade de vida e prevenção de complicações.
Metodologia: Estudo descritivo visando à intervenção multiprofissional ao diabético tendo por base
a técnica de Grupo Operativo de Pichon-Rivière. Os cinco encontros foram realizados no período
de junho e julho de 2013 na Policlínica Ivone Lima, em Manaus/AM, e contou com a participação de
oito pessoas. Nas reuniões trabalharam-se as seguintes temáticas: O que é a diabetes, alimentação,
mudança no estilo de vida e cuidados com os pés. Ao final dos encontros foi aplicado questionário
semiestruturado para avaliação do aprendizado dos participantes. Resultados: Por meio de
questionário aplicado com os participantes foi possível sondar as informações que eles tinham
antes do grupo, conhecimentos adquiridos durante os encontros e avaliação pessoal acerca das
atividades. Os participantes foram unânimes em afirmar que as novas informações adquiridas são
imprescindíveis para uma melhor qualidade de vida e controle da doença. Conclusão: A prática
de educação em saúde por meio de grupo operativo compreende uma importante estratégia
educativa para a promoção de saúde e inserção dos usuários na construção do conhecimento sobre
saúde.
Palavras-chave: Grupo Operativo; Educação em Diabetes; Equipe Multiprofissional.
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