1 Instituto Educacional Vera Cruz Disciplina: Sociologia Professor

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Instituto Educacional Vera Cruz
Disciplina: Sociologia
Professor: Alan Jones Vilar
1ª Série Ensino Médio
1.1. A Palavra Sociologia
A Palavra Sociologia foi criada pelo pensador francês
Augusto Comte em 1839 em seu curso de filosofia
positiva. A palavra sociologia é híbrida, isto é, ela é
formada por duas línguas diferentes: Sócio do latim
significa social ou sociedade, logia do grego significa
estudo, formando assim, o “estudo do social” ou “estudo
da sociedade”.
1.2. Conceitos de Sociologia
sejam em características políticas, econômicas,
sociais, culturais, históricas, etc.
A sociologia é importante porque nos permite
compreender melhor a sociedade em que vivemos e
conseqüentemente, explicar e buscar soluções para a
complexidade das questões sociais. Assim a
sociologia vem se tornando uma ciência
imprescindível para o conhecimento do mundo atual.
Exercícios
1. Explique o significado da palavra Sociologia.
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A Sociologia possui uma infinidade de conceitos para
identificá-la e explicá-la, diferenciando-a de outras
ciências ou tipos de conhecimentos. Vejamos alguns
conceitos segundo alguns sociólogos: para Durkheim “a
sociologia é a ciência das instituições”; para L. Ward e
W. G. Summer “a sociologia é a ciência da sociedade”;
para F. H. Gilddings “a sociologia é a ciência dos
fenômenos sociais”. Ela também já foi definida por
Robert Park como “ciência do comportamento coletivo”,
por Small de “ciência das relações humanas”. Para
Weber a “sociologia é a ciência que procura uma
compreensão interpretativa da ação social para a partir
daí chegar à explicação causal do seu sentido e dos seus
efeitos”.
Para alguns sociólogos brasileiros como Carlos Benedito
Martins a “sociologia é o resultado de uma tentativa de
compreensão de situações sociais radicalmente novas
criada pela então sociedade capitalista”; para Costa Pinto
a “sociologia é o estudo científico da formação,
organização e transformação da sociedade humana”.
2. O que é Social?
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1. 3. Objetivo,
Importância
5. Qual o Objetivo, Objeto, Campo de Estudo e
importância da Sociologia?
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Objeto,
Campo
de
Estudo
e
O Objetivo da Sociologia é aumentar ao máximo o
conhecimento do homem e da sociedade através da
investigação científica.
O Objeto de Estudo da Sociologia é os fenômenos
sociais, isto é, tudo aquilo que se refere às relações entre
as pessoas, suas questões nos seus grupos sociais ou
entre os grupos dinamizando a sociedade como um todo.
O campo de estudo da sociologia é a sociedade como
um todo, envolvendo todas as suas particularidades,
3. O que é Sociedade?
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4. Formule um conceito de Sociologia.
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1.4. A Sociologia e as demais Ciências Sociais
2
Com a complexidade do mundo social e o avanço do
conhecimento, tornou-se necessária uma divisão das
ciências sociais em diversas disciplinas, com a finalidade
de produzir um conhecimento mais rigoroso e criterioso,
facilitando a sistematização do estudo e das pesquisas.
Assim podemos destacar algumas ciências sociais que
contribuem para os estudos sociológicos e o
entendimento do mundo social:
Economia – estuda as atividades ligadas à produção,
distribuição, circulação de bens e serviços;
Ciência Política – estuda a distribuição de poder nas
sociedades, bem como a formação e o desenvolvimento
das diversas formas de governos;
Antropologia – estuda e pesquisa as semelhanças e
diferenças culturais entre os vários agrupamentos
humanos, assim como a origem e a evolução das
culturas.
1.5. O conhecimento Sociológico
A Sociologia se baseia no conhecimento científico, por
isso, utiliza-se das regras metodológicas da ciência social
como a pesquisa, a objetividade, a observação, as
entrevistas e questionários.
1.6. O Ser Sociológico e o Ser Biológico
Observando a sociedade, percebemos que as pessoas
caminham, correm, dormem, respiram – isso é biológico
(orgânico). Mas as pessoas também cooperam umas com
as outras no trabalho, recebem salários, descontam
cheques, entram em greve, estudam, namoram, casam e
etc. – isso é sociológico (superorgânico); são essas
atividades que fazem do homem um ser sociológico e,
que merecem toda a atenção da sociologia enquanto
ciência que busca a compreensão e explicação dos
diversos tipos de relações sociais.
1.7. Principais temas Sociológicos
Como a sociedade é formada pelos diversos tipos de
relações sociais, a sociologia se interessa por essas
relações que dinamizam a sociedade, por isso, seus
principais temas se envolvem e se confundem dentro da
complexidade das relações sociais - dentro dos grupos
sociais: da família, de amigos, do trabalho, da cultura, da
ideologia, da cidadania, da política, da economia, isto é,
em todos os níveis de relações sociais.
1.8. A Sociologia em nosso cotidiano
A sociologia convive constantemente em nosso dia-adia. Vivemos em sociedade, estamos sempre nos
relacionando com outras pessoas através dos grupos
sociais, quando não estamos em casa com o nosso
grupo familiar, estamos na rua com o grupo de amigos
ou na escola nos relacionando com os colegas, enfim
estamos sempre nos relacionando socialmente.
Fazemos parte de um sistema estrutural e conjuntural
no qual precisamos compreender e descobrir que
muitos fatos (“problemas”) que ocorrem em nossa
vida diária esta ligada às condições sociais. É neste
conjunto de ralações sociais que a sociologia busca
compreender e explicar a sociedade, nossa
complexidade, antagonismo, harmonia, crises, etc.
Exercícios
1. Cite e explique as principais Ciências Sociais.
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2. Em que se baseia o Conhecimento Sociológico?
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3. Diferencie o Ser Sociológico do Ser Biológico.
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4. Cite alguns temas de interesse da Sociologia.
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5. Explique como o Conhecimento Sociológico pode
ser importante em nosso cotidiano?
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3
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2.1. História do Pensamento Sociológico
A busca de compreensão e explicação da sociedade já
existia desde a Antiguidade, passando pelo Período
Medieval e Idade Moderna, mas este pensamento não
tinha uma base sociológica, pois os filósofos dessa
época acreditavam que Deus e a natureza controlavam
a sociedade, teorizavam modelos de sociedades ideais
requisitando às pessoas que seguissem esses modelos,
por isso, durante todos esses períodos o pensamento
sobre o social estava influenciado por um
caráter normativo (estabelecer regras para vida social)
e finalista (objetivo de uma organização social ideal),
impedindo um entendimento científico da realidade
social. Outro fator que contribuiu para a inexistência
da sociologia foi o fato de que as sociedades précapitalistas eram relativamente estáveis, o ritmo e o
nível das mudanças eram razoavelmente lentos, não se
percebendo a sociedade enquanto um “problema”
merecedor de análises e investigação minuciosa
(científica).
2.2. Teorias que influenciaram na formação da
Sociologia
Para a Sociologia se consolidar como ciência ela teve
que abandonar seu caráter normativo e finalista. Por
isso, ela sofreu a influência de teorias e métodos das
ciências
biológicas
e
naturais:
a teoria
evolucionista de Charles Darwin (1809-1882), onde
diz que ao longo de milhões de anos todas as espécies
de seres vivos evoluíram; A biologia foi outra ciência
que influenciou na cientificidade sociológica, através
de Herbert Spencer (1820-1903), que criou
uma sociologia organicista onde se fazia uma analogia
do organismo vivo com a sociedade. Neste contexto
foi fundamental aceitar a idéia de que os fenômenos
sociais obedecem a leis naturais, embora produzidas
pelos
homens,
esta
foi
a
importância
do positivismo que deu os primeiros passos para a
cientificidade da sociologia. Foi, por isso, também,
que logo no seu início, a sociologia recebeu outros
nomes como fisiologia social (por Saint-Simon), ou
física social (por Augusto Comte).
Outros teóricos fizeram suas interpretações sociais
buscando dar à sociologia um caráter de ciência,
buscando a consolidação definitiva sobre um
conhecimento verdadeiro e importante para a
sociedade; estes desenvolveram um conhecimento
científico-social onde abrange todos os aspectos da
sociedade, utilizando-se de outras ciências sociais
como a economia (produção material), política
(relações de poder), antropologia (aspectos culturais)
e outras. Neste processo foram importantes as
contribuições de Karl Marx, Emile Durkheim e Max
Weber.
2.3. Fatores Históricos
Os fatores ou transformações históricas que
contribuíram para a consolidação do Capitalismo e o
surgimento da Sociologia estão relacionados ao
contexto geral da transição do Feudalismo para o
Capitalismo, onde podemos destacar:
 Os Fatores Históricos que vinham ocorrendo
desde o século XVI como:
 Reforma Protestante (mudança religiosa)
 Formação dos Estados Nacionais
 Absolutismo (mudança política e territorial)
 Grandes Navegações (mudança geográfica)
 Humanismo/Renascimento (mudança cultural)
 Revolução científica (mudança na ciência)
 Iluminismo (mudança ideológica)
 As Transformações Socioeconômicas do Século
XVIII provocadas pela Dupla Revolução:
 Revolução Francesa representou a mudança
política-jurídica na história das sociedades ocidental,
baseado nos ideais iluministas de liberdade, igualdade
e fraternidade, a burguesia que já dominava o poder
econômico reivindicava agora o poder político, o que
aconteceu durante a revolução francesa. Assim
adotaram novo regime político de representatividade
política e sistemas econômicos favoráveis aos seus
interesses.
 Revolução
Industrial
representou
as
transformações de mudança socioeconômicas, com o
surgimento das máquinas, com maior divisão técnica
do trabalho, com o aumento da produção, da
urbanização, do êxodo rural; a sociedade torna-se
mais complexa e dinâmica, agravando-se também as
questões sociais como: crescimento acelerado do
desemprego, miséria, alcoolismo, prostituição e etc.
2.4. A Relação do Capitalismo com a Sociologia
4
O surgimento, a formação e o desenvolvimento da
Sociologia estão relacionados diretamente com a
consolidação do Capitalismo a partir da Revolução
Industrial e da Revolução Francesa do Século XVIII,
que criaram novas condições sócio-econômicas e
político-ideológico, que caracterizam a Sociedade
Capitalista, como o surgimento da Indústria, da
relação entre Burguesia e Operário, de Regimes
Políticos e Leis Burguesas.
O Sistema Capitalista possui uma estrutura social
inédita na História da Humanidade, que nos instiga a
uma reflexão sobre este sistema, suas transformações,
suas crises, seus antagonismos.
É dentro desse contexto que surge a necessidade de se
compreender e explicar essa nova realidade. Por isso,
precisou-se de uma ciência que estivesse voltada para
essas transformações. A Sociologia constitui em certa
medida uma resposta intelectual às novas situações
geradas pela nascente sociedade Capitalista Industrial.
Exercícios
1. Por que a sociologia não existia antes? O que é um
pensamento sociológico?
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2. Como era o Pensamento Social na Antiguidade,
Idade Média e Moderna?
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3. Que teorias influenciaram na formação da
Sociologia?
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4. Cite os fatores históricos que contribuíram para o
surgimento da Sociologia.
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5. Que Revoluções do Século XVIII criaram as
condições para o surgimento da Sociologia?
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6. Explique a relação da consolidação do Capitalismo
com o surgimento da Sociologia.
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2.5. As Correntes Sociológicas
A existência de interesses opostos na Sociedade
Capitalista penetrou e invadiu a formação da
Sociologia, impedindo um entendimento comum por
parte dos pensadores, por isso, a Sociologia se dividiu
ideologicamente entre a conservação e a
transformação do status quo, dando margem ao
nascimento de diferentes tradições sociológicas
(correntes sociológicas) que representam as diferentes
tendências ideológicas de compreensão e explicação
da Sociedade Capitalista. Assim, temos as primeiras
teorias sobre as transformações provocadas pelo
Capitalismo:
 Profetas do Passado – representados pelos
pensadores Edmund Burk (1729-1797), Joseph de
Maistre (1753-1821) e de Louis de Bonald (17541840). Estes eram conservadores e tradicionalistas,
tinham um pensamento reacionário: condenavam o
Iluminismo e a Revolução Francesa, culpavam pelo
caos social, desorganização da família, da religião,
das corporações. Estes ideólogos eram apaixonados
pelo
equilíbrio
das
instituições
religiosas,
monárquicas e aristocráticas da época feudal. Por isso,
defendiam a ordem e o equilíbrio da sociedade,
preocuparam-se com o controle, integração, posição,
hierarquias sociais e também com os rituais da
sociedade.
 Socialismo Utópico (ou romântico) representados
por Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier (17721837), Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), Louis
Blanc (1811-1882) e Robert Owen (1771-1858). Estes
eram transformadores, mas românticos, pois
acreditavam que os ricos capitalistas voluntariamente
abririam mão de suas riquezas partilhando com os
pobres; apelavam para a natureza boa do ser humano
que foi pervertida pelo sistema capitalista. Eram
utópicos porque criticavam o capitalismo e
5
anunciavam os princípios de uma sociedade futura
ideal, mas sem indicar os meios para torná-la real.
 Positivismo – O positivismo é uma matriz teóricofilosófica que deu origem a uma sociologia
conservadora e afirmadora da sociedade capitalista.
Representado por Augusto Comte (1798-1857) e
Emile Durkheim (1858-1917). Estes se dedicaram em
buscar a estabilidade social, preocuparam-se com os
problemas da manutenção da ordem capitalista,
queriam estabelecer o bom funcionamento desta
sociedade, pretendiam solucionar os problemas
sociais através da coerção física e da educação moral,
esta seria a função da sociologia enquanto ciência
positiva.
 Socialismo Científico – representado por Karl
Marx (1818-1883) e Frederic Engels (1820-1895). As
idéias marxianas eram de base estritamente
econômica, assim, todas as questões sociais tinham
origem na desigualdade econômica entre as classes
proprietárias e as não proprietárias dos meios de
produção. Por isso, pretendiam realizar mudanças
radicais nesta sociedade através de uma revolução
socialista do proletariado, introduzindo a sociedade
comunista como uma sociedade justa e igualitária.
Essa perspectiva despertou um pensamento
sociológico crítico e negador da sociedade capitalista.
 Funcionalismo – representa
uma
teoria
reprodutora e conservadora da Sociedade Capitalista.
O principal representante do Funcionalismo é Émile
Durkheim (1858-1917), este pensador estabelece uma
analogia entre a Sociedade e o Organismo Biológico
Humano. Assim, a Sociedade funciona graças a seu
Sistema Orgânico, onde cada instituição ou pessoa faz
parte de relações funcionais, fazendo uma organização
social de dependência e complementaridade das
atividades sociais, assim a sociedade é um todo
organizado e harmônico.
 Marxismo – corresponde às várias interpretações e
continuação complementares das teorias de Karl Marx
e Engels. Entre seus principais representantes
podemos destacar: Lênin (1870-1924), Rosa
Luxemburgo (1871-1919), Gramsci (1891-1937) e
outros. Baseado no socialismo científico e nas novas
conjunturas e contexto em que viviam, estes
pensadores desenvolveram novas perspectivas
teóricas e práticas, implementando assim o socialismo
real, diferente do socialismo ideal (proposto por
Marx).
 Escola de Chicago – fundada em 1892, seus
principais representantes são George Homans Cooley
(1846-1929), Talcott Parsons (1902), Robert K.
Merton (1910). Estes foram influenciados pelo
positivismo e o funcionalismo do francês Durkheim,
do polonês Malinowski (1884-1942), e do italiano
Vilfredo Pareto (1848-1923). Assim a sociologia
chegou aos E.U.A, através da escola de Chicago que
desenvolveu a investigação de campo, de dados
empíricos neutros e objetivos, com procedimentos
quantitativos e estatísticos, foram pioneiros nos
métodos ecológicos e etnográficos; desvinculando-se
da realidade concreta de sua época, construíram vários
conceitos arbitrários e artificiais, dedicando-se a casos
isolados e irrelevantes como as relações sociais em
outras sociedades e outros momentos. A sociologia
norte-americana pretendia neutralizar os ideais e
teorias do socialismo marxista, entretanto, também
romperam com o estilo dos clássicos que se
dedicaram a uma significação histórica como a
formação do capitalismo e a totalidade da vida social.
 Escola de Frankfurt – fundada em 1923, sob o
nome de Instituto de Pesquisa Social, seus principais
representantes são: Max Horkheimer (1895-1973),
Walter Benjamin (1892-1940), Theodor W. Adorno
(1906-1969), Herbert Marcuse (1898-1979) e Jurgem
Habermas (1929). Sua filosofia também é conhecida
como Teoria crítica. Os frankfurtianos criticam a
dominação da natureza para fins lucrativos colocando
a ciência e a técnica a serviço do capital. Os
frankfurtianos querem recuperar a razão não
repressora, capaz de autocrítica e a serviço da
emancipação humana. Esses pensadores reutilizam o
conceito de iluminismo em sentido mais amplo – um
pensador iluminista sempre combate as superstições,
o arbítrio do poder e defende o pluralismo e a
tolerância.
Exercícios
1. O que são Correntes Sociológicas?
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2. Por que existem diferentes Correntes Sociológicas?
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6
3. Diferencie as ideias dos Profetas do Passado do
Positivismo?
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sociedade de seu tempo. Entre esses pensadores
podemos destacar: Comte, Marx, Durkheim e Weber.
Estes são considerados clássicos da sociologia, pois
seus pensamentos ainda têm poder explicativo, sua
vitalidade teórica e explicativa ainda alcança a era
contemporânea, embora apresente limitações.
4. Diferencie o Socialismo Utópico do Socialismo
Científico.
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1. Cite os principais pensadores sociais do Século
XVIII considerados Clássicos da Sociologia.
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5. Diferencie o Marxismo de Funcionalismo.
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6. Diferencie as ideias propostas na Escola de
Chicago da Escola de Frankfurt.
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2.6. Os Clássicos da Sociologia
Os primeiros pensadores que testemunharam as
transformações sociais que ocorriam desde o século
XVIII e que se preocuparam em compreender e
explicá-las, não eram homens de ciência ou
sociólogos que viviam desta profissão. Eram antes de
tudo homens voltados para a ação, que desejavam
introduzir determinadas modificações na sociedade.
Participavam ativamente dos debates ideológicos em
que se envolviam as correntes liberais, conservadoras
e socialistas. Eles não desejaram introduzir um mero
conhecimento sobre as novas condições de vida
geradas pela revolução industrial, mas procuravam
extrair dele orientações para a ação, tanto para manter,
como para reformar ou modificar radicalmente a
Exercícios
2. Por que os primeiros os pensadores do Século
XVIII não eram homens de ciência ou sociólogos que
viviam dessa profissão?
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3. Por que os pensadores sociais do Século XVIII não
desejavam apenas introduzir um mero conhecimento
sobre as novas condições de vida geradas pela
Revolução Industrial?
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4. Por que os principais pensadores sociais do século
XVIII são considerados clássicos da Sociologia?
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3.1. Vida e Obra
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Isidore Augusto Marie François Xavier Comte,
filósofo e matemático francês, nasceu em Montpelier
a 19 de janeiro de 1798. Foi fundador do positivismo
foi ele também que batizou com o nome de sociologia
uma nova ciência que antes ele chamava de “física
social”. Augusto Comte foi importante para a
sociologia, pois, através de sua perspectiva positivista
que deu os primeiros passos para a cientificidade da
sociologia, mas ainda confundida com uma filosofia
social e religiosidade de tipo ideologicamente
conservadora. Suas principais obras são: Curso de
Filosofia Positiva e Sistema de Política Positiva.
Exercícios
1. Explique a importância de Augusto Comte para a
Sociologia?
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2. Cite as principais obras de Augusto Comte.
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3. Que nome Comte usou pela primeira vez antes de
Sociologia?
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4. Com o que é confundida a cientificidade de
Comte?
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5. Comte
é
um
pensador
de
tendência
ideologicamente?
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3.2. Os Três Princípios Básicos Do Positivismo
Comteano
I – Prioridade do todo sobre as partes: significa
que, para compreender e explicar um fenômeno social
particular devemos analisá-lo no contexto global a que
pertence. Considerava que tanto a sociologia estática
(estudo da ordem das sociedades em determinado
momento histórico) quanto à sociologia dinâmica
(estudo da evolução das sociedades no tempo)
deveriam analisar a sociedade, de uma determinada
época, correlacionando-a a sua história e a história da
humanidade (a sociologia de Comte é, na realidade,
sociologia comparada, tendo como quadro de
referência a história universal);
II – O progresso do conhecimento é característica
da sociedade humana: a sucessão de gerações, com
seus conhecimentos permite uma cumulação de
experiências e de saber que constitui um patrimônio
espiritual objetivo e liga as gerações entre si, existe
uma coerência entre o estágio dos conhecimentos e a
organização social;
III – O homem é o mesmo por toda à parte e em
todos os termos: em virtude de possuir idêntica
constituição biológica e sistema cerebral.
Exercícios
1. Cite os três princípios básicos do positivismo
Comteano.
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2. Explique o primeiro principio básico do
positivismo Comteano.
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3. Diferencie Sociologia Estática de Sociologia
Dinâmica segundo os princípios Comteano.
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 O critério histórico, a ordem histórica das ciências:
matemática, astronomia, física, química, biologia e
sociologia.
4. Como é a Sociologia de Comte?
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O fundamento da política positiva é: “o amor por
princípio, a ordem por base e o progresso por fim”. Só
pode haver progresso social na medida em que o
governo mantém a ordem, reprimindo as
manifestações críticas, sufocando revoltas, garantindo
desta forma a paz, a ordem e o progresso.
Para Comte, o governo deve ser ditatorial, para poder
instaurar a nova moral positiva, subordinando os
interesses individuais ao coletivo, garantir a ordem
social a qualquer custo.
5. Como Comte explique o progresso da Sociedade
Humana?
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6. Explique por que Comte diz que o “homem é o
mesmo por toda a parte e em todos os tempos”?
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3.4. O Conhecimento Positivo
Segundo Comte, o único conhecimento válido é que
se baseia em fatos. Por isso, a imaginação deve estar
completamente subordinada a observação da realidade
sensível e manipulável pela técnica. Constantemente,
abandona-se qualquer tentativa de conhecimento
absoluto ou pelas causas, o objetivo é chegar às leis,
ou seja, as relações constantes que os fatos possuem
entre si.
Para Comte, somente a filosofia positivista, livre das
teologias e da metafísica, poderia superar as
contradições da humanidade, levando a alcançar o seu
destino de progresso.
3.5. A Classificação Das Ciências
Comte classificou as ciências segundo dois critérios
interdependentes:
 O critério de generalidade decrescente e
complexidade crescente;
3.6. A Política Positivista
3.7. A Religião Da Humanidade
Comte propôs uma Religião Positivista, cujo objeto de
culto é a própria humanidade, através da veneração
dos motivos, principalmente os filósofos e cientistas.
Essa religião seria a base da política positiva, na
medida em que seus sacerdotes, os sábios deveriam
inculcar na sociedade os princípios morais.
Exercícios
1. Segundo Augusto Comte, o que é o Conhecimento
Positivo?
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2. Como Comte classifica as ciências?
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3. Em que se fundamenta a Política Positivista?
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4. Para Comte, como deve ser o governo?
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5. Explique a religião da humanidade como uma
Religião Positivista proposta por Comte.
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4.1. Vida e Obra
Karl Heinrich Marx nasceu em 5 de maio de 1818 em
Trier cidade situada na fronteira da Prússia Renana
com a França. Marx foi um dos principais pensadores
do século XIX, ele foi fundador do socialismo
científico e grande ativista a favor da revolução
proletária, apesar de não ser um sociólogo de
profissão, suas teorias despertaram a consciência de
uma sociologia crítica. Uma das principais
características do pensamento de Marx é a Práxis, isto
é, não foi um teórico de gabinete ele aliava teoria e
prática, participando dos movimentos sociais e
revolucionários. Era um pensador de tendência
ideológica transformadora, pretendia transformar a
sociedade capitalista em uma sociedade comunista
através da revolução socialista proletária. Entre suas
principais obras podemos destacar: A Sagrada
Família (1845), A Ideologia Alemã (1845-1846),
Miséria da Filosofia, Manifesto do Partido
Comunista, As lutas de classe na França (1850/59), o
18 Brumário de Luis Bonaparte (1852/55), Crítica da
economia política (1859) e O capital.
Exercícios
1. Quem foi Karl Marx?
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2. Qual a principal característica do pensamento de
Marx?
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3. O que é Práxis?
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4. Qual a tendência ideológica de Karl Marx?
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5. Quais as principais obras de Marx?
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4.2. Infraestrutura (base) e Superestrutura
Marx considerava que não se pode pensar a relação
individuo e sociedade separadamente das condições
materiais em que essas relações se apoiam. Para ele,
as condições materiais de toda sociedade condicionam
as demais relações sociais. Em outras palavras, para
viver, os homens têm de, inicialmente transformar a
natureza, ou seja, caçar, construir abrigos, utensílios,
etc., sem o que não poderiam existir como seres vivos.
Por isso, o estudo de qualquer sociedade deveria partir
justamente das relações sociais (de produção) que os
homens estabelecem entre si e no processo de
produção. Essas relações sociais de produção são a
base (infraestrutura) – é o modo de produção, a
maneira básica como a sociedade organiza a produção
de bens. A superestrutura repousa sobre a base e tem
que refletir sua forma, na produção da vida os homens
geram também outra espécie de produtos que não têm
forma material: as ideologias políticas, concepções
religiosas, códigos morais e estéticos, sistemas legais,
de ensino, de comunicação, o conhecimento filosófico
e científico, representações coletivas de sentimentos,
ilusões, modos de pensar e concepções de vida diversa
e plasmada de um modo peculiar.
10
Para Marx, portanto, a produção é a raiz de toda a
estrutura social. Na sociedade antiga, por exemplo, a
relação social básica era a relação senhor x escravo.
Não podemos, segundo Marx, entender a política ou a
cultura dessa época sem primeiramente estudar essa
relação básica que condicionava todo o resto da
sociedade.
4.3. Classes Sociais e Luta de Classes
Para Marx, o modo de produção capitalista se
caracteriza pela divisão da sociedade em classes, na
exploração do trabalhador e na alienação, gerando
assim uma sociedade desigual, antagônica, injusta,
irracional e anárquica que deve ser substituída pelo
socialismo através da revolução proletária.
Segundo Marx, na sociedade capitalista as relações
sociais de produção definem duas grandes classes: de
um lado, os capitalistas, que são aquelas pessoas que
possuem os meios de produção (máquinas,
ferramentas, capital, etc.) necessários para transformar
a natureza e produzir mercadorias; do outro lado, os
trabalhadores, também chamados, no seu conjunto,
de proletariados, aqueles que nada possuem, a não ser
o seu corpo e sua disposição para trabalhar. Assim o
conceito de classe em Marx estabelece um grupo de
indivíduos que ocupam uma mesma posição no
processo de produção e nas relações de produção, em
determinada sociedade. A classe a que pertencemos é
que condiciona de maneira decisiva nossa atuação
social. Neste sentido, é principalmente a situação de
classe que condiciona a existência do individuo e sua
relação com o resto da sociedade: podemos
compartilhar idéias, amizades e comportamentos de
indivíduos de outras classes, mas no momento de
conflito, como nas greves ou mesmo no mercado
(consumo), as diferenças irão aparecer de acordo com
a classe a que pertencemos. Nessa relação de classes
surgem a “classe em si” e “classe para si”:
 “Classe em si” – quando o individuo não tem
consciência de classe, ele encontra-se em qualquer
posição (status) na estrutura econômica;
 “Classe para si” – quando a pessoa tem consciência
de classe, ele assume uma posição político-ideológica.
Exercícios
1. Por que Marx considera que não se pode pensar a
relação indivíduo e sociedade separadamente das
condições materiais que essas relações se apoiam?
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2. Segundo Marx, o que se entende por Infraestrutura
e Superestrutura?
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3. Para Marx, o que caracteriza o Modo de Produção
Capitalista?
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4. Para Marx, como a Sociedade Capitalista deve ser
substituída?
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5. Explique as duas grandes classes que existem na
Sociedade Capitalista definidas por Marx?
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6. Conceitue classe, segundo Karl Marx.
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7. Segundo Marx, o que condiciona ou determina a
vida das pessoas na Sociedade Capitalista?
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8. Diferencie “classe em si” de “classe para si”.
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5.1. Vida e Obra
David Émile Durkheim, sociólogo francês nasceu em
Épinal em 15 de abril de 1858, estudou na Ecole
Normale Superfieure de Paris, tendo-se doutorado em
filosofia. Em 1885 foi estudar na Alemanha, sendo
muito influenciado pelas idéias do positivismo de
Wilhelm Wundt. Durkheim é um dos principais
clássicos da sociologia, foi responsável pela
introdução da sociologia nas universidades como
disciplina e ciência acadêmica. De tendência
ideológica conservadora, ele corresponde a uma
corrente sociológica funcionalista, cuja teorias e
metodologia de caráter comparativas consolidaram a
sociologia como ciência social. Entre suas principais
obras podemos destacar: A divisão do trabalho social
(1893), As regras do método sociológico (1894), O
suicídio (1897).
O sistema sociológico de Durkheim baseia-se em
quatro princípios fundamentais:
I – A sociologia é uma ciência independente das
demais ciências sociais e da filosofia;
II – A realidade social é formada pelos fenômenos
coletivos considerados como “coisas”;
III – A causa de cada fato social deve ser procurada
entre os fenômenos sociais que antecedem. Para
explicar um fenômeno social deve-se procurar suas
causas;
IV – Todos os fatos sociais são exteriores aos
indivíduos, formando uma realidade especifica.
2. Qual a tendência ideológica de Durkheim?
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3. A qual Corrente Sociológica Durkheim
corresponde?
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4. Que caráter tem as teorias e metodologia de
Durkheim?
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4. Cite as principais obras de Durkheim.
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5. Explique os quatro princípios fundamentais do
Sistema Sociológico de Durkheim.
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Exercícios
5.5. O Método de Estudo da Sociologia
1. Quem foi Emille Durkheim?
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Em sua obra As regras do método sociológico (1894),
Durkheim propõem alguns procedimentos aos
pesquisadores: o método de uma ciência consiste no
conjunto de regras que o pesquisador deve seguir para
realizar, de maneira correta, suas pesquisas. Como
12
Durkheim enfatiza o caráter exterior e coercitivo dos
fatos sociais, ele colocará como regra básica de seu
método que o pesquisador deve analisar os fatos
sociais como se eles fossem coisas, isto é, como se
fossem objetos que existem independentemente de
nossas idéias e vontades. Com isso, Durkheim
enfatiza como fundamental para uma pesquisa
científica a posição de neutralidade e objetividade que
o pesquisador deve descrever a realidade social, sem
deixar que suas ideias e opiniões interfiram na
observação dos fatos sociais.
5.6. Fato Social
Para Durkheim, na relação indivíduo e sociedade, ele
destaca que a sociedade prevalece sobre o indivíduo.
A sociedade é, para esse autor, um conjunto de
normas de ação, pensamento e sentimento que não
existem apenas na consciência dos indivíduos, mas
que são construídos exteriormente. Isto é, fora das
consciências individuais. Em outras palavras, na vida
em sociedade o homem defronta com regras de
conduta que não foram diretamente criadas por ele,
mas que existem e são aceitas na vida em sociedade,
devendo ser seguidas por todos. Sem essas regras, a
sociedade não existiria e é por isso que os indivíduos
devem obedecê-las. Os fatos sociais são os modos de
pensar, sentir e agir de um grupo social. O modo de
vestir, a língua, o sistema monetário, a religião e uma
infinidade de outros fenômenos são consideradas fatos
sociais.
As leis são um bom exemplo do raciocínio de
Durkheim. Em toda sociedade existem leis que
organizam a vida em conjunto. O indivíduo isolado
não cria leis nem pode modificá-las. São as gerações
de homens que vão criando e reformulando
coletivamente as leis. Essas leis são transmitidas para
as gerações seguintes na forma de códigos, decretos,
constituições, etc. como indivíduos isolados, temos de
aceita-las; sob pena de sofrer castigos por violá-las.
Seguindo essas ideias, Durkheim afirmara que os
fatos sociais, ou seja, o objeto de estudo da sociologia,
é justamente essas regras e normas coletivas que
orientam a vida dos indivíduos em sociedade. Tais
fatos sociais são diferentes dos fatos estudados por
outras ciências por terem origem na sociedade, e não
na natureza (como nas ciências naturais) ou no
individuo (na psicologia).
5.7. Características do Fato Social
Esses fatos sociais têm três características básicas que
permitirão sua identificação na realidade, elas são:
gerais, exteriores e coercitivos.
 Generalidade – o fato social é comum aos
membros de um grupo;
 Exterioridade – o fato social é externo ao
indivíduo, existe independentemente de sua vontade.
Isto é, consistem em ideias, normas ou regras de
conduta que não são criadas isoladamente pelos
indivíduos, mas foram criadas pela coletividade e já
existem fora de nós quando nascemos.
 Coercitividade – os indivíduos veem-se obrigados
a seguir o comportamento estabelecido porque essas
idéias, normas e regras devem ser seguidas pelos
membros da sociedade; se isso não acontece, se
alguém desobedece a elas, é punido, de alguma
maneira pelo resto do grupo.
É justamente a educação um dos exemplos preferidos
por Durkheim para mostrar o que é um fato social. O
indivíduo, segundo ele, não nasce sabendo
previamente as normas de conduta necessárias para a
vida em sociedade. Por isso, toda sociedade tem de
educar seus membros, fazendo com que aprendam as
regras necessárias à organização da vida social. As
gerações adultas transmitem às crianças e aos
adolescentes aquilo que aprenderam ao longo de sua
vida em sociedade. Com isso, o grupo social é
perpetuado, a pesar da morte dos indivíduos.
O que a criança aprende na escola? Ideias,
sentimentos e hábitos que ela não possui quando
nasce, mas que são essenciais para a vida em
sociedade. A linguagem, por exemplo, é aprendida,
em grande medida, na escola. Ninguém nasce
conhecendo a língua de seu país. É necessário um
aprendizado, que começa já nos primeiros dias de vida
e se prolonga no decorrer dos muitos anos na escola,
para que a criança consiga se comunicar de maneira
adequada com seus semelhantes. Sem o aprendizado
da linguagem, a criança não poderia participar da vida
em sociedade.
5.8. Instituição
Outro conceito importante para Durkheim é o de
instituição. Para ele, uma instituição é um conjunto de
normas e regras de vida que se consolidam fora dos
indivíduos e que as gerações transmitem uma às
outras. Há ainda muitos outros exemplos de
instituições: família, Estado, Igreja, Exército, etc.
13
Assim, para Durkheim é a sociedade, como
coletividade, que organiza, condiciona as ações
individuais. O indivíduo aprende a seguir normas e
regras de ação que lhes são exteriores. Ou seja, que
não foram criadas por ele, e são coercitivas, pois
limitam sua ação e prescreve punições para quem não
obedecer aos limites sociais. A função das instituições
é socializar os indivíduos, fazer com que eles
assimilem as regras e normas necessárias à vida em
comum.
Exercícios
1. O que Durkheim coloca como regra básica de seu
Método de Pesquisa?
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2. O que Durkheim enfatiza como fundamental para
uma Pesquisa Científica?
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3. Como Durkheim vê a relação Indivíduo e
Sociedade?
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4. O que é Sociedade para Durkheim?
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5. Para Durkheim, qual a importância das Regras
Sociais?
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6. Na concepção de Durkheim, o que é Fato Social?
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7. Qual o objeto de estudo da Sociologia, segundo
Durkheim?
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8. Cite e explique as características dos Fatos Sociais.
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9. Qual a importância da Educação, segundo
Durkheim?
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10. O que é Instituição? Cite exemplos e explique sua
função.
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6.1. Vida e Obra
Nascido em Erfut, a 21 de Abril de 1864, Max Weber
tornou-se um dos sociólogos e economistas político
mais importante da Alemanha nos séculos XIX e XX.
Max Weber foi um dos mais importantes clássicos da
sociologia, pois suas teorias contribuem até hoje para
a análise da vida social. Filho de uma abastada
família de comerciantes formou-se em direito e
economia nas Universidades de Berlim e de
Heidelberg respectivamente. Mais tarde trabalhou
como professor nas Universidades de Berlim (1893),
Freiburg (1894), Heidelberg (1897), Viena (1917).
14
Pode-se afirmar que a vida de Max Weber foi
totalmente dedicada aos estudos, à pesquisa e à
participação ativa na política alemã de seu tempo,
principalmente mediante suas intervenções em
conferências, seus artigos para jornais e revistas e seus
escritos publicados em vida e postumamente. Max
Weber é um pensador de tendência ideológica
conservadora e suas análises têm características
histórico-comparativa. Entre suas principais obras
podemos destacar: A ética protestante e o espírito do
capitalismo e Economia e Sociedade.
Exercícios
1. Quem foi Max Weber?
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2. Como foi a vida de Max Weber?
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3. Qual a tendência ideológica de Max Weber?
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4. Quais as características das análises teóricas de
Weber?
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5. Quais as principais obras de Weber?
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6.2. A Metodologia e a Neutralidade Científica
A sua insistência em compreender as motivações das
ações humanas levou-o a rejeitar a proposta do
positivismo de transferir para a Sociologia a
metodologia de investigação utilizada pelas ciências
naturais. Não havia, para ele, fundamento para esta
resposta, uma vez que o sociólogo não trabalha sobre
uma matéria inerte, como acontece com as cientistas
naturais. Weber diz que o ponto chave de uma
investigação sociológica é o indivíduo e sua ação, é a
compreensão da ação dos indivíduos e não a análise
das “instituições sociais” ou “grupo social” que vai
nos permitir entender a sociedade. Para compreender
as instituições temos que partir das intenções e
motivações dos indivíduos que vivenciam estas
situações sociais.
Ao contrário do Positivismo, que dava maior ênfase
aos fatos, à realidade empírica, transformando
geralmente o pesquisador num mero registrador de
informações, a metodologia de Weber atribuía-lhe um
papel ativo na elaboração do conhecimento.
A intenção de conferir à Sociologia uma reputação
científica encontra na figura de Max Weber, um
marco de referência. Durante toda a sua vida, insistiu
em estabelecer uma clara distinção entre o
conhecimento científico, fruto de cuidadosa
investigação, e os julgamentos de valor sobre a
realidade. Com isso, desejava assinalar que um
cientista não tinha o direito de possuir, a partir de sua
profissão, preferência políticas e ideológicas. No
entanto, julgava ele, sendo todo cientista também um
cidadão, poderia ele assumir posições apaixonadas em
face dos problemas econômicos e políticos, mas
jamais deveria defendê-los a partir de sua atividade
profissional. Essa posição de Weber, que tantas
discussões têm provocado entre os cientistas sociais,
constitui, ao isolar a Sociologia dos Movimentos
Revolucionários, um dos momentos decisivos da
profissionalização dessa disciplina. A ideia de uma
ciência social neutra seria um argumento útil e
fascinante para aqueles que viviam e iriam viver da
sociologia como profissão. Ela abria a possibilidade
de conceber a Sociologia como um conjunto de
técnicas neutras que poderiam ser oferecidas a
15
qualquer comprador público ou privado. Vários
estudiosos da formação da Sociologia têm assinalado,
no entanto, que a neutralidade defendida por Weber
foi um recurso utilizado por ele na luta pela liberdade
intelectual, uma forma de manter a autonomia da
sociologia em face da burocracia e do Estado alemão
da época.
6.3. Cientista X Político
A busca de uma neutralidade científica levou Weber a
estabelecer uma rigorosa fronteira entre o cientista,
homem do saber, das análises frias e penetrantes; e o
político, homem de ação e de decisão comprometido
com questões práticas da vida. O que a ciência tem a
oferecer a esse homem de ação, segundo Weber, é um
entendimento claro de sua conduta, das motivações e
das consequências de seus atos.
A Sociologia por ele desenvolvida considerava o
indivíduo e sua ação como ponto chave da
investigação. Com isso, ele queria salientar que o
verdadeiro ponto de partida da Sociologia era a
compreensão da ação dos indivíduos e não a análise
das “instituições sociais” ou de “grupos sociais”, tão
enfatizadas pelo pensamento conservador. Com essa
posição, não tinha a intenção de negar a existência ou
a importância dos fenômenos sociais, como o Estado,
a empresa capitalista, a sociedade anônima, mas tão
somente a de ressaltar a necessidade de compreender
as intenções e motivações dos indivíduos que
vivenciam estas situações sociais.
A ciência não pode propor fins à ação prática: “uma
ciência empírica não está apta a ensinar a ninguém
aquilo que ‘deve’, mas, sim, apenas aquilo que ‘pode’
– em certas circunstâncias – aquilo que ‘quer fazer’”.
O domínio da ciência empírica deve ser definida
como o dos meios e não como o dos fins.
Exercícios
1. Segundo Weber, qual é ponto chave de uma
Investigação Sociológica?
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2. Por que Weber foi importante para a reputação
científica da Sociologia?
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3. Por que Weber diferencia o cientista do político?
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4. O que Weber quis salientar ao dizer que o ponto
chave da investigação é o indivíduo e sua ação?
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5. Por que Weber afirma que a ciência não pode
propor fins a ação prática?
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6.5. Tipo Ideal
É o instrumento principal da compreensão.
Corresponde a um processo que representa o primeiro
nível de generalização de conceitos absolutos e
correspondendo as exigências lógicas da prova, então
intimamente ligados à realidade concreta e particular
(de relações sociais).
Corresponde a um processo de conceituação que
abstrai de fenômenos concretos o que existe de
particular,
construindo
assim
um
conceito
individualizante ou como diz o próprio Weber: “um
conceito histórico concreto”.
É um procedimento metodológico que incorporam
relações sociais abstratas, características universais da
ação social e conjuntura histórica definida.
O tipo ideal não deve ser aceito somente como
generalizações, proposições, definições e hipóteses.
16
6.6. Ação e Relação Social
6.8. Tipos de Ação Social
A ação é definida por Weber como toda conduta
humana (ato, omissão, permissão) dotada de um
significado dado por quem a executa e que orienta
essa ação. Quando tal orientação tem vista a ação –
passada, presente, ou futura – de outro ou de outros
agentes que podem ser “individualizados e conhecidos
ou uma pluralidade de indivíduos indeterminados e
completamente desconhecidos” – o público, a
audiência de um programa, a família do agente etc. –
a ação passa a ser definida como social. A ação é
determinada pelas intenções, motivações e
expectativas de outros.
A relação social se refere à conduta de múltiplos
agentes que se orientam reciprocamente em
conformidade com um conteúdo específico (conflito,
hostilidade, amizade, competição, atração sexual etc.)
do próprio sentido das suas ações. As relações sociais
podem ser de natureza transitória, assimétrica: quando
não há o mesmo sentido subjetivo e se expõe atitudes
diferentes sem reciprocidade, mas mutuamente
orientado à mesma expectativa; simétrica: quando a
relação corresponde em suas expectativas o mesmo
significado para todos envolvidos.
6.7. Ação Social
Para Weber a sociologia é a ciência que procura uma
compreensão interpretativa da ação social para a partir
daí chegar à explicação causal do seu sentido e dos
seus efeitos.
Para Max Weber, a análise sociológica estará centrada
nos atores e em suas ações. O agente individual é a
unidade da análise sociológica, a única entidade capaz
de conferir significado às suas ações. A sociedade não
é algo exterior e superior aos indivíduos; a sociedade
pode ser compreendida a partir do conjunto das ações
individuais reciprocamente referidas. Por isso, Weber
define como objeto da sociologia a ação social, que é
qualquer ação que o individuo faz orientando-se pela
ação de outros. Toda vez que se estabelecer uma
relação significativa, isto é, algum tipo de sentido
entre várias ações sociais, terá então relações sociais.
Só existe ação social quando o individuo tenta
estabelecer algum tipo de comunicação a partir de
suas ações com os demais. Nem toda ação, desse
ponto de vista, será social, mas apenas aquelas que
impliquem alguma orientação significativa visando
outros indivíduos.
Weber afirma que podemos pensar em diferentes tipos
de ação social, agrupando-os de acordo com o modo
pelo qual os indivíduos orientam suas ações. Assim
ele estabelece quatro tipos de ação social:
 Ação tradicional – que é determinada por um
costume ou um hábito arraigado;
 Ação afetiva – aquela determinada por afetos ou
estados sentimentais;
 Ação racional com relação a valores –
determinada pela crença consciente num valor
considerado importante, independente do êxito desse
valor na realidade;
 Ação racional com relação a fins – determinada
pelo cálculo racional que coloca fins e organiza os
meios necessários.
Weber admite não existir ação pura todas são
possíveis de misturas.
Exercícios
1. O que é o Tipo Ideal e o que ele corresponde?
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2. O que é Ação?
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3. O que é Relação Social?
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4. O que é Sociologia para Weber?
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5. Em que está centrada a Análise Sociológica?
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6. Qual o Objeto de Estudo da Sociologia segundo
Weber?
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7. Quando existe Ação Social?
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8. Cite e explique os diferentes tipos de Ação Social.
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6.9. Teoria da Estratificação Social:
Estamentos e Partidos
Classes,
No estudo das relações sociais, Weber percebeu que
nas sociedades a existência de diferenças sociais pode
ter vários princípios explicativos, sendo que o critério
de classificação mais relevante é dado pela
dominância, em cada unidade histórica, de uma forma
de organização ou pelo peso particular que cada uma
das diversas esferas da vida coletiva possa ter, essas
esferas são: econômica, religiosa, política, jurídica,
social, cultural – cada uma com sua lógica particular
de funcionamento. Assim Weber, destacou as três
esferas (dimensões) da sociedade, sendo que cada
esfera possui sua ordem de estratificação própria:
 Classes – refere-se a ordem econômica, o interesse
econômico é fator que cria uma classe, podendo-se até
considerar que as classes estão estratificadas segundo
suas relações com a produção e a aquisição de bens; a
estratificação econômica é, portanto, representada
pelos rendimentos, bens e serviços que o individuo
possui ou de que dispõe.
 Estamentos (status) – refere-se a ordem social,
onde os grupos de status estratificam-se em função do
principio de consumo de bens, representados por
estilos de vida específicos, a estratificação social é,
portanto, evidenciada pelo prestigio e honra
desfrutados.
 Partidos – refere-se a ordem política, que
manifesta-se através do poder; a estratificação política
é assim observada através da distribuição do poder
entre grupos e partidos políticos, entre indivíduos no
interior dos grupos e partidos, assim como entre os
indivíduos na esfera da ação política.
6.10. A Concepção de Estado
Segundo Weber, o Estado é uma instituição social que
mantém o monopólio do uso legítimo da força física
dentro de determinado território, para que este estado
exista é preciso que sua autoridade seja reconhecida
como legitima. Neste sentido, o Estado é definido por
sua autoridade para gerar e aplicar poder coletivo.
Como acontece com todas as instituições sociais, o
Estado é organizado em torno de um conjunto de
funções sociais, incluindo manter a lei, a ordem e a
estabilidade, resolver vários tipos de litígios através
do sistema judiciário, cobrar impostos, censo,
identificação e registro da população, alistamento
militar, encarrega-se da defesa comum e cuidar do
bem-estar da população de maneira que estão além
dos meios do indivíduo, tal como implementar
medidas de saúde pública, prover educação de massa
etc.
6.11. Dominação e Autoridade
Para Weber, os conceitos de dominação e autoridade
possibilitam a explicação da regularidade do conteúdo
de ações e das relações sociais ligada à determinada
obediência dentro de determinados grupos sociais.
Segundo Weber, dominação é um estado de coisas
pelo qual uma vontade manifesta (mandato) do
dominador ou dos dominadores influi sobre os atos de
outros (do dominado ou dos dominados), de tal modo
que, em um grau socialmente relevante, estes atos têm
lugar como se os dominados tivessem adotado por si
18
mesmos e como máxima de sua ação o conteúdo do
mandato (obediência). Assim destacam-se três tipos
de dominação legitima justificadas por motivos
(fontes) de submissão ou princípios de autoridades
distintas:
 Racional-legal – se baseia na racionalidade das
leis, é um empreendimento contínuo de funções
públicas, empreendimento este que envolve
regulamentos e registros escritos, bem como um corpo
de funcionários especializados. A dominação legal
apresenta como característica a noção mais ou menos
disseminada de direito. Weber focaliza o problema de
que a autoridade dos governantes, baseada na
legalidade, é limitada pela ordem impessoal do
direito, e que os governados (cidadãos) só devem
obediência a essa ordem impessoal. A mais típica
forma de domínio legal é a burocracia.
 Tradicional – é baseado na autoridade pessoal do
governante, investida por força do costume, é uma
autoridade discricionária, não submetida a princípios
fixos e formais. Pertencem ao domínio tradicionais
tipos de dominação gerontocrática, tais como
patrimonialismo, patriarcalismo, sultanismo.
 Carismático – é baseado no carisma (emoção),
qualidade tida como excepcional de liderança, que se
manifesta como uma espécie de magnetismo pessoal
mágico e que leva a pessoa carismática a ter certa
preponderância sobre as demais. Assim o carisma
pode estar presente num demagogo ou num ditador,
num herói militar ou num líder revolucionário. É o
carisma encarnado na pessoa do chefe que leva os
liderados a se entregar emocionalmente a essa
liderança pessoal.
Exercícios
1. Explique a teoria da Estratificação Social segundo
Weber.
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2. Explique a Concepção de Estado para Weber.
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3. Qual a importância de estudo dos conceitos de
Dominação e Autoridade?
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4. O que é Dominação para Weber?
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5. Cite e explique os três tipos de Dominação
Legítima.
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A Sociedade Humana como Objeto de Estudo
Você certamente já leu ou ouviu algum tipo de
referência à Sociologia. Sabe talvez que o expresidente Fernando Henrique Cardoso, que governou
o Brasil durante dois mandatos consecutivos, entre
1995 e 2002, é sociólogo por formação acadêmica e
profissional.
Da mesma forma que você, muitas pessoas já ouviram
falar dessa ciência social. Mas poucas seriam capazes
de responder: de que trata a Sociologia? Qual e seu
objeto de estudo? Para que serve aprofissão de
sociólogo? Para responder a essas perguntas, vamos
contar uma história verídica queocorreu na França
entre os séculos XVIII e XIX: o fascinante caso do
"menino selvagem de Aveyron”.
1.1 O "menino selvagem" de Aveyron
Em 1797, um menino quase inteiramente nu foi visto
pela primeira vez perambulando pela floresta de
Lacaune, na França. Em 9 de janeiro de 1800, foi
registrado seu aparecimento num moinho em SaintSernein, distrito de Aveyron. Tinha a cabeça, os
braços e os pés nus; farrapos de uma velhacamisa
(sinal de algum contato anterior com seres humanos)
cobriam o resto do corpo. Sempre quealguém se
aproximava, ele fugia como um animal assustado.
19
Era um menino de cerca de 12 anos, tinha a pele
branca e fina, rosto redondo, olhos negros efundos,
cabelos castanhos e nariz comprido e aquilino. Sua
fisionomia
foi
descrita
como
graciosa;
sorriainvoluntariamente e seu corpo estava coberto de
cicatrizes. Provavelmente abandonado na floresta aos
4 ou 5 anos, foi objeto de curiosidade e provocou
discussões acaloradas principal mente na França.
Após sua captura, verificou-se que Victor (assim
passou a ser chamado) não pronunciavanenhuma
palavra e parecia não entender nada do que lhe
falavam. Apesar do rigoroso inverno europeu,
rejeitava roupas e também o uso de cama, dormia no
chão sem colchão. Locomovia-se apoiado nasmãos e
nos pés, correndo como os animais quadrupedes. Um
olhar sociológico Victor de Aveyron tornou-se um
dos casos mais conhecidos de seres humanos criados
livres emambiente selvagem.
Médicos franceses, como Jean Étienne Esquirol
(1772-1840) e Philippe Pinel (1745-1826),afirmavam
que o menino selvagem sofria de idiotia, uma
deficiência mental grave. Segundo eles, teriasido essa
a razão pela qual os pais o haviam abandonado.
O psiquiatra Jean-Marie Gaspard Itard, diretor de um
instituto de surdos-mudos, nãocompartilhava da
opinião dos colegas. Quais as consequências,
perguntava ele, da privação do convíviosocial e da
ausência absoluta de educação para a inteligência de
um adolescente que viveu assim,separado de
indivíduos de sua espécie?Itard acreditava que a
situação de abandono e afastamento da civilização
explicava ocomportamento diferente do menino.
Discordava, assim, do diagnóstico de deficiência
mental para ocaso.
No livro A educação de um homem selvagem,
publicado em 1801, Itard apresenta seu trabalho com
o menino selvagem de Aveyron, descrevendo as
etapas de sua educação: ele já é capaz de sentarseconvenientemente a mesa, tirar a água necessária
para beber, levar ao seu terapeuta as coisas deque
necessita; diverte-se ao empurrar um pequeno
carrinho e começa também a ler.
Cinco anos mais tarde, Victor já fabricava pequenos
objetos e podava as plantas da casa. Com base nesses
resultados, Itard reforçou sua tese de que os hábitos
selvagens iniciais do menino e suaaparente deficiência
mental eram apenas e tão-somente resultado de uma
vida afastada de seussemelhantes e da civilização. A
partir de sua experiência com o menino, Itard
formulou a hipótese de quea maior parte das
deficiências intelectuais e sociais não é inata, mas tem
sua origem na falta desocialização do indivíduo
considerado deficiente, na falta de comunicação com
seus semelhantes, especialmente de comunicação
verbal. Aproximando se de uma visão sociológica, o
pesquisadorconcluiu que o isolamento social
prejudica a sociabilidade do indivíduo. Ora, a
sociabilidade é o quetorna possível a vida em
sociedade.
O caso do menino selvagem de Aveyron mostra que o
ser humane é um animal social porexcelência, como
afirmava o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.).
Sua vida só adquire sentido narelação com outros
seres humanos.
Você certamente já ouviu falar de Mogli, o meninolobo. Trata-se de uma criação literária doescritor
anglo-indiano Rudyard Kipling (1865-1936). Na
história de Kipling, Mogli é um menino inteligentee
sociável, que se dá muito bem com os animais e
também com os seres humanos. Mogli é um
personagem fictício, criado pela imaginação do autor.
Mas o que aconteceria realmente a um serhumano,
caso fosse criado entre lobos?
A história a seguir pertence a vida real e mostra como
o personagem Mogli esta longe de refletira realidade.
Duas meninas, Amala e Kamala, foram descobertas
em 1921, numa caverna da Índia, vivendoentre lobos.
Essas crianças, que na época tinham quatro e oito
anos de idade, foram confiadas a umasilo e passaram
a ser observadas por estudiosos. Amala, a mais jovem,
não resistiu a nova vida e logo morreu. A outra,
porém, viveu cerca de oito anos.
Ambas apresentavam hábitos alimentares bem
diferentes dos nossos. Como fazem normalmente os
animais, elas cheiravam a comida antes de tocá-la,
dilaceravam alimentos com osdentes e faziam pouco
usa das mãos para beber e comer. Possuíam aguda
sensibilidade auditiva e oolfato desenvolvido.
Locomoviam-se de forma curvada, com as mãos
apoiadas no chão, como o fazemos quadrupedes.
Kamala levou seis anos para andar de forma ereta.
Notou-se também que a meninanão ficava a vontade
na companhia de pessoas, preferindo o convívio com
os animais, que não seassustavam com sua presença e
pareciam até entendê-la.
Assim como no caso do menino de Aveyron, a
experiência das duas crianças criadas entre lobosna
Índia mostra que os indivíduos só adquirem
características realmente humanas quando convivem
20
emsociedade
com
outros
seres
humanos,
estabelecendo com eles relações sociais.
Outro personagem celebre surgido da imaginação do
escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs
(1875-1950), é Tarzan. Criado por macacas na África,
Tarzan aprendeu a ler sozinho, com a ajuda apenas de
um livro encontrado em uma cabana. Além disso,
demonstrava sentimentos humanos edefendia valores
semelhantes aos da sociedade em que viveu o escritor.
Como obra de ficção, Tarzan sempre atraiu o interesse
de jovens leitores, mas esta tão distante da vida real
quanta Mogli, o menino-lobo. Na verdade, crianças
que crescem entre animais sãoincapazes de
desenvolver atitudes e sentimentos humanos antes de
qualquer cantata com outros indivíduos de sua espécie
que já vivam em sociedade.
Para a pensador Lucien Malson, a conclusão é clara:
"Será preciso admitir que os homens não são homens
fora do ambiente social, visto que aquilo que
consideramos ser próprio deles, como o risoou o
sorriso, jamais ilumina a rosto das crianças isoladas".
A história das crianças selvagens, que sobreviveram
quase milagrosamente entre as animais epenaram para
alcançar algumas das características básicas de uma
existência "civilizada", deixa umalição que não pode
ser ignorada: sem o denso tecido das relações sociais,
do qual participa toda criança, simplesmente não ha
humanidade.
As relações entre os seres humanos, isto é, as relações
sociais, constituem a base dasociedade. A forma pela
qual essas relações ocorrem são fatos sociais e são
eles que determinam ocomportamento e a vida em
sociedade. Victor aprendeu a andar, a comer, a vestirse e a fazer objetos por intermédio do contato
comoutras pessoas. Mas não assimilou apenas as
coisas práticas da vida. Ao estabelecer relações
comoutros seres humanos, aprendeu também a
comportar-se, a expressar sentimentos e a agir da
mesmaforma que as pessoas com as quais passou a
conviver. Em uma palavra, ele socializou-se.
O estudo de como os seres humanos se relacionam na
vida prática e afetiva, das formas pelas quais
interagem uns com os outros, estabelecendo regras e
valores, constitui tarefa de um grupo de disciplinas
reunidas sob o nome de Ciências Sociais. A
Sociologia é uma das disciplinas das Ciências Sociais.
1.2 As Ciências Sociais
O comportamento humano é muito complexo e
diversificado. Cada indivíduo recebe influências de
seu meio, forma-se de determinada maneira e age no
contexto social de acordo com sua formação. O
indivíduo aprende com o meio, mas também pode
transformá-lo em sua ação social. Há comportamentos
estritamente individuais como andar, respirar, dormir,
que se originam na pessoa enquanto organismo
biológico. São comportamentos estudados pelas
Ciências Físicas e Biológicas. Por outro lado, receber
salário, fazer greve, participar de reuniões, assistir
aulas, casar-se: educar os filhos é comportamentos
sociais, pois se desenvolvem no contexto da
sociedade.
Ao longo da História, a espécie humana tem
organizado sua vida de forma grupal. As Ciências
Sociais pesquisam e estudam o comportamento social
humano e suas várias formas de manifestação.
1.3 Entender a sociedade em que vivemos
Pode-se dizer que as Ciências Sociais caracterizam-se
pelo estudo sistemático do comportamento social do
ser humano. Dessa forma, o objeto das Ciências
Sociais é o ser humano em suas relações sociais.
Ao mesmo tempo, as Ciências Sociais tem por
objetivo ampliar o conhecimento sobre o ser humano
em suas interações sociais e estudar a ação social em
suas diversas dimensões. Ao realizar esse objetivo, as
Ciências Sociais contribuem para um melhor
entendimento da sociedade em quevivemos,
fornecendo instrumentos que podem ajudar a
transformá-la. O método empregado pelas Ciências
Sociais em suas atividades é a investigação científica.
1.4 Disciplinas em que se dividem as Ciências
Sociais
Com o avanço do conhecimento da sociedade, tornouse necessária a divisão das Ciências Sociais em
diversas áreas de conhecimento, de modo a facilitar a
sistematização dos estudos e daspesquisas. Essa
divisão abrange atualmente as seguintes disciplinas:
 Sociologia - Estuda as relações sociais e as formas
de associação, considerando as interaçõesque ocorrem
na vida em sociedade. A Sociologia envolve, portanto,
o estudo dos grupos e dos fatossociais, a divisão da
sociedade em classes e camadas, da mobilidade social,
dos processos decooperação, competição, conflito na
sociedade etc.
21
 Economia - Tem por objeto as atividades humanas
ligadas a produção, circulação, distribuição econsumo
de bens e serviços. Portanto, são fenômenos estudados
pela Economia a distribuição da rendanum pais, a
política salarial, a produtividade de uma empresa etc.
 Antropologia - Estuda e pesquisa as semelhanças
e as diferenças culturais entre os váriosagrupamentos
humanos, assim como a origem e a evolução das
culturas. Além de estudar a cultura dos povos préletrados, a Antropologia ocupa-se também da
diversidade cultural existente nas sociedades
industriais. São objetos de estudo da Antropologia os
tipos de organização familiar, as religiões, a magia, os
ritos de iniciação dos jovens, o casamento etc.
 Ciência Política - Ocupa-se da distribuição de
poder na sociedade, assim como da formação edo
desenvolvimento das diversas formas de governo. É a
Ciência Política que estuda, por exemplo, ospartidos
políticos, os mecanismos eleitorais etc.
Não existe uma divisão nítida entre essas disciplinas.
Embora cada uma das Ciências Sociais esteja voltada
preferencialmente para um aspecto da realidade
social, elas são complementares entre sie atuam
frequentemente juntas para explicar os complexos
fenômenos da vida em sociedade.
1.5 A longa marcha das Ciências Sociais
A reflexão sistemática sobre a vida em sociedade e
sobre os grupos que a compõem começou na Grécia
Antiga, há milhares de anos. Vejamos a seguir alguns
momentos nesse processo de conhecimento.
 Deuses e heróis
As primeiras tentativas de compreender como as
forças sociais funcionam baseavam-se naimaginação,
na fantasia, na especulação. Assim, certos fenômenos
sociais eram explicados a partir daação de seres
mitológicos, como deuses e heróis.
Na mitologia greco-romana, por exemplo, havia um
deus para a guerra (Ares para os gregos,Marte para os
romanos), outro para o comércio (Hermes ou
Mercúrio, entre os romanos), uma deusapara as
relações amorosas (Afrodite ou Vênus, para os
romanos), e assim por diante. O deus supremoera
Zeus. Sua mulher, Hera, protegia o casamento e
tutelava a vida familiar.
 Entre a Filosofia e a Religião
Até o início da Idade Moderna, no século XV, as
tentativas de explicar a sociedade foram
muitoinfluenciadas pela filosofia e pela religião, que
propunham normas para a sociedade, procurando
modificá-la de acordo com seus princípios. Na Grécia
Antiga, como vimos, surgiram explicações
mitológicas para alguns fenômenos sociais.
Insatisfeitos com essas explicações, os filósofos
gregos foram os primeiros a empreender o estudo
sistemático da sociedade humana. Entre eles,
destacam-se Platão (427-347 a.C.), autor de A
República, e Aristóteles (384-322 a.C.), que escreveu
Política. É de Aristóteles a afirmação segundo a qual
"O homem nasce para viver em sociedade".
Na Idade Média a reflexão teórica sobre a sociedade
se deu entre pensadores ligados a Igreja católica.
Santo Agostinho (354-430), por exemplo, em seu
livro A cidade de Deus, propunha normas paraevitar o
pecado na sociedade. Obras como essa descreviam a
sociedade humana em uma perspectivareligiosa muito
acentuada.
 Os pensadores renascentistas
Com o Renascimento, surgiram pensadores que
abordavam os fenômenos sociais de maneiramais
realista. Escreveram sobre a sociedade de sua época:
Maquiavel, autor de O príncipe, Tomás Morus,
Utopia, Tomaso Campanella, Cidade do Sol, Francis
Bacon, Nova Atlântida, Erasmo de Roterdã, Elogio da
loucura. No século XVII, outros pensadores deram
sua contribuição ao desenvolvimento das Ciências
Sociais. Um dos mais notáveis foi o inglês Thomas
Hobbes, autor de Leviatã.
 Vico e a nova ciência
Particularmente importante nesse processo de reflexão
não-religiosa sobre a sociedade foi, no século XVIII, a
obra de Giambattista Vico, A nova ciência. Segundo
Vico, a sociedade se subordina a leis definidas, que
podem ser descobertas pelo estudo e pela observação
objetiva. Sua formulação - "O mundo social é, com
toda certeza, obra do homem" - foi um conceito
revolucionário para a época.
Alguns anos depois, Jean-Jacques Rousseau
reconheceu a influência decisiva da sociedade sobre o
indivíduo. Em seu livro O contrato social, Rousseau
afirma que "o homem nasce puro, a sociedade é que o
22
corrompe". Hoje, sabe-se que o indivíduo também
influencia e modifica o meio em que vive ao agir
sobre ele.
Entretanto, foi só no século XIX - com Augusto
Comte, Herbert Spencer, Gabriel Tarde e,
principalmente, Emile Durkheim, Max Weber e Karl
Marx - que a investigação dos fenômenos
sociaisganhou um caráter verdadeiramente científico.
1.6 A Sociologia na sociedade contemporânea
As obras de Durkheim foram importantíssimas para
definir os métodos de trabalho do sociólogo e
estabelecer os principais conceitos da nova ciência.
Entre essas obras, destacamos A divisão do trabalho
social, As regras do método sociológico e o suicídio.
A partir da segunda metade do século XX, com o
desenvolvimento da sociedade industrial, quese
tornou cada vez mais complexa, a Sociologia ganhou
novo impulso, passando a estudar e a explicar
problemas com os quais até então não havia se
defrontado.
Assim,
problemas
como
exclusão
social,
desagregação familiar, drogas, cidadania, minorias,
violência urbana representam desafios para os quais a
Sociologia tem procurado respostas. Essas exigem
uma análise científica de todos os aspectos da vida em
sociedade, que permita entender o presente e projetar
o futuro.
Dessa forma, a Sociologia moderna procura debruçarse sobre os agentes sociais capazes de provocar
mudanças importantes na sociedade. Hoje, um dos
principais objetivos do conhecimento sociológico é
criar instrumentos teóricos que levem a reflexão sobre
os problemas da sociedade contemporânea. Tais
instrumentos devem contribuir também para que os
indivíduos estabeleçam relações entre sua prática
social e a sociedade mais ampla, capacitando-os a
atuar como agentes ativos da sociedade em que
vivem.
Atualmente, os conhecimentos da Sociologia já não
estão restritos aos sociólogos. De certo modo, muitas
pessoas passaram a utilizá-los, embora nem sempre de
forma consciente e rigorosa. Isso acontece porque
alguns procedimentos e técnicas de pesquisa social
passaram a ser de domínio público.
Pesquisas de opinião (ou de mercado) são utilizadas,
por exemplo, no lançamento de um produto novo ou
de um prédio de apartamentos, na definição da
plataforma política de um candidato a cargo público e
assim por diante. É por meio da pesquisa que o
empresário, ao lançar seu produto, pode ficar sabendo
quais e quantos serão seus compradores; o político,
por sua vez, irá defender pontos devista que
antecipadamente sabe que interessam aos eleitores.
Entretanto, o sociólogo não pode perder de vista a
noção de relatividade dos fenômenos sociais e as
formas pelas quais esses fenômenos ocorrem. A
relatividade do fenômeno social pode ser percebida
em diversas situações. Consideremos, por exemplo, o
desemprego, ele pode aumentar caso sejam
introduzidas novidades tecnológicas que afetem o
mercado de trabalho, como novas máquinas.
Mas pode diminuir, mesmo com a nova tecnologia, se
a economia do país estiver em expansão. Nos textos a
seguir encontraremos uma explicação muito bem
fundamentada sobre pesquisa social e uma série de
temas afins ao trabalho do sociólogo.
O que é Pesquisa Social
O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir
respostas para problemas mediante o empregode
procedimentos
científicos.
A
partir
dessa
conceituação, pode-se definir pesquisa social como o
processo que, utilizando a metodologia científica,
permite a obtenção de novos conhecimentos no campo
da realidade social.
Realidade social é entendida aqui em sentido amplo,
envolvendo todos os aspectos relativos ao ser humano
em suas múltiplas relações com outros indivíduos e
instituições sociais. Assim, o conceito de pesquisa
aqui adotado aplica-se às investigações realizadas no
âmbito das mais diversas Ciências Sociais, incluindo
Sociologia, Antropologia, Ciência Política, Psicologia
etc.
A pesquisa social pode decorrer de razões de ordem
intelectual - quando estão baseadas nodesejo de
conhecer pela simples satisfação de conhecer - ou
prática - quando estão baseadas no desejo de conhecer
para agir. Daí por que se pode falar em pesquisa pura
e em pesquisa aplicada.
A pesquisa pura (...) procura desenvolver os
conhecimentos científicos sem uma preocupaçãodireta
com suas aplicações e consequências práticas. Seu
desenvolvimento tende a ser bastante formalizado e
objetiva a generalização, visando a construção de
teorias e leis.
A pesquisa aplicada, por sua vez, apresenta muitos
pontos de contato com a pesquisa pura, pois depende
23
de suas descobertas e se enriquece com o seu
desenvolvimento; todavia, tem como característica
fundamental o interesse na aplicação, na utilização e
nas consequências práticas do conhecimento. Sua
preocupação esta menos voltada para o
desenvolvimento de teorias de valor universal do que
para a aplicação imediata numa realidade
circunstancial. De modo geral, é esse o tipo de
pesquisa a que mais se dedicam os psicólogos,
sociólogos, assistentes sociais e outros pesquisadores
sociais.
Pesquisas Exploratórias
As pesquisas explorat6rias têm como principal
finalidade 'desenvolver, esclarecer e modificar
conceitos e ideias, visando a formulação de problemas
mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos
posteriores. De todos os tipos de pesquisa, estas são
as que apresentam menor rigidez noplanejamento.
Habitualmente, envolvem levantamento bibliográfico
e documental, entrevistas nãopadronizadas e estudos
de casos. (...)
Pesquisas exploratórias são desenvolvidas com o
objetivo de proporcionar visão geral, de tipo
aproximativo acerca de determinado fato. Esse tipo de
pesquisa é realizado especialmente quando o tema
escolhido é pouco explorado e torna-se difícil
formular hipóteses precisas e operacionalizáveis sobre
ele.
Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a
primeira etapa de uma investigação mais ampla.
Quando o tema escolhido é bastante genérico, tornamse necessários seu esclarecimento e sua delimitação, o
que exige revisão da literatura, discussão com
especialistas e outros procedimentos. O produto final
desse processo passa a ser um problema mais
esclarecido, passível de investigação mediante
procedimentos mais sistematizados.
por objetivo estudar as características de um grupo:
sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de
escolaridade, estado de saúde física e mental etc.
Outras pesquisas desse tipo são as que se propõem
estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de
uma comunidade, as condições de habitação de seus
habitantes, o índice de criminalidade que aí se registra
etc. (...)
Pesquisas Explicativas
São aquelas que têm como preocupação central
identificar os fatores que determinam ou que
contribuem para a ocorrência dos fenômenos sociais
investigados. Esse é o tipo de pesquisa que mais
aprofunda o conhecimento da realidade, porque
explica a razão, o porquê das coisas. Por isso mesmo é
o tipo mais complexo e delicado, já que o risco de
cometer erros aumenta consideravelmente.
Pode-se dizer que o conhecimento científico esta
assentado nos resultados oferecidos pelos estudos
explicativos. Isso não significa, porém, que as
pesquisas exploratórias e descritivas tenham menos
valor, porque quase sempre constituem etapa previa
indispensável para que se possam obter explicações
científicas. Uma pesquisa explicativa pode ser a
continuação de outra descritiva, posto que a
identificação dos fatores que determinam um
fenômeno exige que este esteja suficientemente
descrito e detalhado.
As pesquisas explicativas nas ciências naturais valemse quase que exclusivamente do método experimental.
Nas Ciências Sociais, em virtude das dificuldades já
comentadas, recorre-se a outros métodos, sobretudo
ao observacional. Nem sempre se torna possível a
realização de pesquisas rigidamente explicativas em
Ciências Sociais, mas em algumas áreas, sobretudo da
Psicologia, as pesquisas revestem-se de elevado grau
de controle, chegando mesmo a ser designadas "quase
experimentais".
Pesquisas Descritivas
O que interessa aos Sociólogos
As pesquisas desse tipo têm como objetivo primordial
a descrição das características de determinada
população ou fenômeno ou o estabelecimento de
relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que
podem ser classificados sob esse título e uma de suas
características mais significativas esta na utilização de
técnicas padronizadas de coleta de dados. Dentre as
pesquisas descritivas, salientam-se aquelas que têm
Os indivíduos, em todo o mundo, vivem em grupo. E
as relações sociais estabelecidas pela vida em grupo
são o objeto de estudo da Sociologia.
O interesse pelas relações sociais é o que diferencia os
sociólogos dos outros cientistas sociais.
 Entre outras coisas, os sociólogos querem saber:
24
Por que grupos como a família, a tribo ou a nação
sobrevivem através dos tempos, até mesmodurante as
guerras e revoluções? Por que um soldado se sente no
dever de lutar e enfrentar a morte, quando poderia
esconder-se ou fugir? Por que o homem se casa e
assume responsabilidades de família, quando poderia,
com a mesma facilidade, satisfazer seus impulsos
sexuais fora do casamento? Que efeitos produz a vida
em grupo sobre o comportamento de seus membros?
Será que as pessoas que vivem em tribos pré-letradas,
isoladas, tem o mesmo comportamento que as que
vivem em Nova York ou num subúrbio parisiense?
Os sociólogos se interessam igualmente pelas causas
das mudanças ou da desintegração dosgrupos. Por
exemplo, querem saber por que alguns casamentos
terminam em divórcio. Querem saber por que há um
maior número de divórcios em alguns países do que
em outros; por que o número de divórcios aumenta ou
diminui com o tempo. Querem saber, ainda, se o
comportamento das pessoas se modifica depois de
uma mudança do campo para a cidade ou da cidade
para os subúrbios.
Os sociólogos estudam também as relações entre os
membros de um grupo e entre grupos.
Quais São as relações entre marido e mulher e entre
pai e filhos atualmente? Essas relações assemelham-se
as da família tradicional, são as mesmas em qualquer
cultura? Quais as causas do conflito entre negros e
brancos em alguns países? O trabalho, a indústria e o
governo nos Estados Unidos estarão relacionados
entre si da mesma forma que grupos e instituições
similares na Austrália, na China ou na Rússia? Por
que alguns grupos da sociedade possuem mais bens
materiais e mais prestígio do que outros?
1.7 Objetividade e Conhecimento Cientifico
Uma importante característica da observação
científica é a objetividade, ou seja, a possibilidadede o
cientista obter resultados sem que seus sentimentos
pessoais estejam envolvidos. A objetividade é mais
difícil de conseguir em Ciências Sociais do que nas
Ciências Exatas. Por exemplo, em Matemática dois
mais dois é igual a quatro, seja a soma feita por um
católico, um muçulmano ou um ateu. Em
contrapartida, no estudo de si mesmos e da sociedade
os seres humanos podem se deixar influenciar por
seus sentimentos, por ideias preconcebidas, pelas
crenças que adotam, pelos valores que aceitam.
Além disso, os cientistas sociais têm também maior
dificuldade de submeter suas teses aexperimentação.
De fato, é muito difícil isolar grandes grupos de
pessoas e induzi-los a mudanças para verificar seus
resultados, como se faz, por exemplo, em Biologia.
Apesar dessas dificuldades, a Sociologia é
perfeitamente capaz de analisar os fatos sociais com
objetividade. É essa possibilidade que faz dela uma
ciência.
O primeiro passo para entender a Sociologia - como
qualquer ciência - é o conhecimento de seus conceitos
básicos. Eles definem os fenômenos que fazem parte
de seu campo de estudo e diferenciam a Sociologia
das outras Ciências Sociais, pois cada uma delas tem
seu próprio corpo de conceitos. Como ciência, a
Sociologia tem um duplo valor: pode aumentar o
conhecimento que o ser humano tem de si mesmo e da
sua sociedade, e pode contribuir para a solução de
problemas que ele enfrenta.
Exercícios
1. Pesquise em jornais e revistas exemplos de
comportamentos sociais. Escreva o título do assunto,
a data e o nome do veículo de comunicação que foi
usado. Cole o recorte ou escreva um resumo do texto.
Faça um comentário pessoal sobre o tema pesquisado.
2. Defina o conceito, o objeto e o objetivo das
Ciências Sociais.
3. Quais São os principais campos de interesse de
cada disciplina em que se dividem as Ciências
Sociais?
4. Cite exemplos de dois fatos sociais, explicando
suas características.
5. Explique uma das contribuições de Durkheim para
a análise dos fatos sociais e sua conceituação de
Sociologia.
6. Faça uma síntese das principais áreas de interesse
dos sociólogos.
Anotações
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