economia do trabalho - Concurseiro 24 Horas

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AULA 02
1.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS .......................................................................... 2
2.
A DEMANDA POR TRABALHO ........................................................................ 3
3.
DETERMINANTES DA DEMANDA POR TRABALHO .......................................... 5
4.
ELASTICIDADES DA DEMANDA ................................................................... 11
4.1. AS LEIS HICKS-MARSHALL DA DEMANDA DERIVADA ................................. 12
5.
O MODELO COMPETITIVO E MODELOS NÃO COMPETITIVOS ...................... 16
5.1. COMPETIÇÃO PERFEITA ............................................................................. 16
5.2. A COMPETIÇÃO PERFEITA NO MERCADO DE TRABALHO ............................. 17
5.3. AS DECISÕES DE EMPREGO DAS EMPRESAS ............................................... 19
5.4. PRODUTIVIDADE MARGINAL, VALOR DA PRODUÇÃO MARGINAL E CUSTO
MARGINAL ....................................................................................................... 21
5.5. PRODUTIVIDADE MARGINAL DECRESCENTE .............................................. 25
5.6. MODELOS NÃO COMPETITIVOS DE DEMANDA POR TRABALHO ................... 29
6.
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 33
7.
QUESTÕES PROPOSTAS .............................................................................. 34
8.
RESOLUÇÃO DAS QUESTÕES PROPOSTAS .................................................. 39
Concurso: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
Cargo: Auditor - Fiscal Do Trabalho
Matéria: Economia Do Trabalho
Professor: Tiago Musser
Este curso é protegido por direitos autorais (copyright), nos
termos da Lei n.º 9.610/1998, que altera, atualiza e consolida a
legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.
AUDITOR-FISCAL DO TRABALHO - AFT
ECONOMIA DO TRABALHO
PROFESSOR TIAGO MUSSER
1. Considerações Iniciais
Olá futuro(a) Auditor(a) Fiscal do Trabalho, tudo bem? Aproveitou a aula passada?
Animado(a) para entender todo conteúdo desta nova? Espero que sim. Nada de desespero
com a disciplina!!! As aulas terão uma abordagem clara e bem direcionada.
Nesta aula, iremos trabalhar um dos temas mais centrais de nosso curso: A
demanda por trabalho. Os economistas, muitas vezes, analisam o mercado de trabalho
como um mercado qualquer onde a lei da oferta e da procura pode ser usada. A mercadoria
neste contexto é o trabalho e seu preço adivinhe...adivinhe!!! O salário!!!!
Pois bem, nesta aula a demanda por trabalho por parte dos empregadores será
nosso foco. Fique atento(a) aos detalhes e a construção da aula, pois, na próxima, iremos
estudar o outro lado da moeda: a oferta de trabalho.
Podemos começar? Com você, a aula 01 do curso de Economia do Trabalho!!!
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AUDITOR-FISCAL DO TRABALHO - AFT
ECONOMIA DO TRABALHO
PROFESSOR TIAGO MUSSER
2. A Demanda Por Trabalho
Quem demanda quer alguma coisa, busca alguma coisa. No mercado de trabalho,
quem demanda é o empregador. Ele que vai buscar mão de obra no mundo do trabalho.
Empresas, firmas e qualquer um que contrate um trabalhador se torna um demandante de
mão de obra.
E como o empregador vai saber quantas pessoas empregar? Este é o objetivo desta
aula, ansioso(a) amigo(a). UM TOQUE IMPORTANTE: É comum ouvirmos notícias sobre
a oferta de vaga de trabalho na mídia, por meio de oportunidades de emprego. Isso não é
oferta de trabalho!!! Na verdade, as vagas anunciadas representam a demanda dos
empregadores por trabalhadores. Da mesma forma, um desempregado que procura
emprego pode falar que está “demandando trabalho”. Arregale os olhos: Só que no
mercado de trabalho é o trabalho a mercadoria, e não a vaga de emprego! Então ele está
na verdade ofertando trabalho para os empregadores, que são os que na verdade estão
demandando trabalho.
Pegou?! Calma...não se desespere, pois irá ouvir muito essas expressões!!!
Só recordando mais uma vez: quem demanda mão de obra? OS EMPREGADORES!!!
E, quem oferta? Bem alto...os TRABALHADORES!!! Tudo bem? Seguindo...
Se estamos falando de demanda e oferta em um mercado, é útil começarmos com
a “lei da oferta e da demanda”, ou “lei da oferta e da procura”. Essa é uma noção geral de
como os mercados funcionam. Em qualquer mercado, a princípio, um aumento do preço,
que tenha ocorrido por qualquer razão, tende a diminuir a demanda por um produto. No
mesmo sentido, uma queda do preço aumenta a demanda.
Vejamos por exemplo a redução do IPI para a chamada “linha branca”. Com o
desconto do imposto, os preços de alguns eletrodomésticos diminuíram. Como os preços
diminuíram, a demanda aumentou, e mais pessoas compraram geladeiras, por exemplo.
O imposto voltando a ter o seu valor normal, os preços da linha branca vão aumentar e a
demanda vai diminuir. A lei da demanda estabelece que, tudo o mais constante (se usa
a expressão ceteris paribus para indicar “tudo o mais constante”, fique alerta), a
quantidade demandada de uma mercadoria cai quando o seu preço aumenta. A expressão
“tudo o mais constante” não está ali sem motivo. É perfeitamente possível que preço e
demanda aumentem ao mesmo tempo, mas isso é explicado por alguma outra força: a
relação direta entre preço e a demanda é inversa e essas são variáveis que vão a direções
opostas.
E no mercado de trabalho? A lei da demanda também se aplica ao mercado de
trabalho. O preço em questão é o salário. Assim como um aumento de preço nos outros
mercados, um aumento de salário leva a uma queda da demanda no mercado de trabalho
(tudo o mais constante). Dessa forma, espera-se que um aumento do salário mínimo freie
a demanda por trabalhadores que recebem salário com esse valor. Vamos ver um exemplo
simples.
Suponha que Fulano tenha um pequeno negócio, como uma loja de ferragens.
Suponha que ele possua apenas 4 mil reais para gastar com salários. Vamos supor ainda
que esse é o único gasto que ele tem ao contratar. Se o salário mínimo fosse de 400 reais,
Fulano conseguiria contratar 10 trabalhadores (4 mil dividido por 400 é igual a 10). Se o
salário mínimo fosse de 800 reais, a sua demanda por trabalho seria agora de 5
trabalhadores (4 mil dividido por 800). Com um salário mínimo de 1000 reais, ele só
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ECONOMIA DO TRABALHO
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contrataria 4 padeiros. Se fosse de dois mil reais, a demanda seria de 2 trabalhadores.
Finalmente, com um salário mínimo de 4 mil reais, Fulano só conseguiria contratar 1
padeiro.
Salário
Mínimo
Demanda
por trabalho
de Fulano
400
10
800
5
1000
4
2000
2
4000
1
E, graficamente?
Salário Mínimo
4000
2000
1000
800
400
1
2
4
5
10
Demanda por Trabalho de Fulano
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ECONOMIA DO TRABALHO
PROFESSOR TIAGO MUSSER
Agora temos uma bela CURVA DE DEMANDA. O que seria ela, em palavras?
A curva de demanda é um gráfico que relaciona os salários com a demanda por
trabalhadores. Por ela, é possível visualizar a lei da demanda para o mercado de trabalho:
QUANTO MAIOR O SALÁRIO, MENOR A DEMANDA. A curva de demanda de qualquer
mercado terá sempre um formato parecido com esse, apontando para baixo, já que quanto
menor for o preço, maior será a demanda.
3. Determinantes da Demanda por Trabalho
E cá estamos no capítulo 02 de nossa aula. Está indo tranquilo, amigo(a)? Sem
desesperos!!!
No exemplo anterior de Fulano, trabalhamos apenas com um determinante da
demanda por trabalho...Qual era? Hein? Hein? Pense!!! Tempo!!..o...o..Salário!!!
Entretanto, outras variáveis influenciam a demanda por trabalho. Vamos incrementar
mais?
As empresas não demandam apenas trabalho. A loja de ferragens de Fulano só
precisa de trabalho? E a energia, água, aluguel, ferro, entre outros materiais? Onde ficam?
Os chamados insumos entram na conta de Fulano. Os economistas simplificam essa noção
no que chamam de função de produção. A função de produção relaciona a quantidade
necessária de insumos para atingir uma certa quantidade de produto. Esses insumos são
chamados ainda de FATORES DE PRODUÇÃO. Grave esse nome!!!
Para simplificar a análise, os temidos e, nem sempre entendidos (coitados!!!)
economistas consideram que uma função de produção possui apenas dois fatores de
produção (insumos): CAPITAL E TRABALHO - o trabalho também é um fator de produção
(insumo). Esses seriam então os dois itens que as empresas demandariam.
Mas o que é capital? Tchã nã nã nã!!!...Capital é um termo genérico para designar
todos os outros insumos da função de produção, diferentes do trabalho. Lembrando,
amigo(a): É uma simplificação útil para nossos propósitos. Exemplos: Máquinas e
equipamentos, como o forno da padaria, entram em capital.
Tempo para respirar, olhar a paisagem, comer, beber....
Foi?
Vamos...
Na verdade, uma função de produção em que os dois fatores são trabalho e capital
leva em conta uma grande quantidade de insumos, pois o termo “capital” (ou tecnologia)
é tudo que não for trabalho.
Portanto, esperto(a) concurseiro(a), as empresas demandam outros fatores além de
trabalho. Dessa forma, a demanda por trabalho depende também da demanda por esses
fatores. Se houver incremento de tecnologia com capital mais avançados, a demanda por
trabalho irá diminuir mesmo sem os salários aumentarem!!!
Vamos resumir:
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ECONOMIA DO TRABALHO
PROFESSOR TIAGO MUSSER
Os principais determinantes da demanda por trabalho, além dos
salários, são o custo do capital e a demanda pelas mercadorias
produzidas na empresa. Agora alerta máximo: Como cada um desses
determinantes afeta a demanda por trabalho? O impacto de cada um
desses determinantes pode ser avaliado através de dois efeitos na
demanda por trabalho: O EFEITO ESCALA E O EFEITO
SUBSTITUIÇÃO.
Que efeitos são esses, meu professor preferido? Eu falo para você....
Mais quadrinhos...
O Efeito Escala é o efeito das vendas da mercadoria produzida na
demanda por trabalho. É também chamado de efeito volume ou efeito
produção.
O Efeito Substituição é o efeito do preço do capital relativo ao da mão
de obra na demanda por trabalho.
Perdido, amigo(a)?! sem problemas...Vamos tornar esses termos mais claros...
Relembre aquele exemplo do salário mínimo, ok? Da loja de ferragens. Considere
novamente um aumento do salário mínimo. Quando o salário mínimo aumenta, a
demanda? Cai! Por que isso acontece. O efeito escala e o efeito substituição explicam
porque mudanças nos salários afetam a demanda por trabalho.
CASO DO EFEITO ESCALA
Como um aumento dos salários afetariam as vendas de uma mercadoria? No caso
de Fulano, ele teria mais custos na produção com o insumo trabalho. Para uma mesma
quantidade de ferros, o seu custo será maior: o salário dos ferreiros aumentou, sem que
a produção tenha aumentado. É possível que Fulano repasse parte desse aumento para o
preço final do ferro vendido.
Suponhamos que antes do aumento ele cobrasse 20 centavos por ferro dos seus
consumidores. Com o aumento do salário mínimo e o consequente repasse no preço do
produto final, ele passa a cobrar 40 centavos por ferro. Qual seria a consequência desse
aumento no preço do ferro?
A demanda por ferros vai diminuir! Vimos a tal lei da demanda, que também se
aplica ao mercado de ferros. Quanto maior o preço, menor a demanda. Quando Fulano
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ECONOMIA DO TRABALHO
PROFESSOR TIAGO MUSSER
repassa o aumento dos seus custos para os seus clientes, o resultado será menos ferros
vendidos. Só que essa redução na quantidade de ferros vendidos vai fazer com que o
volume da produção da loja de ferragens de Fulano diminua. Dependendo do tamanho
desse efeito, Fulano pode não precisar de tantos ferreiros quanto antes. O aumento do
preço do ferro diminuiu as vendas e a produção, diminuindo também a demanda por
trabalho.
Por que Fulano empregaria a mesma quantidade de ferreiros de antes, se a produção
agora é menor? Não compensaria para ele, e ele terá que despedir alguns empregados.
RESUMO: Este exemplo sintetiza o efeito escala da mudança salarial: a mudança
dos salários muda os custos dos empregadores, mudando também o preço das
mercadorias que elas comercializam, afetando ainda as vendas, e consequentemente a
produção e, assim, a demanda pelo insumo trabalho. É por isso que o efeito escala também
é chamado de efeito volume ou efeito produção.
***
Mas esse não é o único efeito possível. Ainda não falamos do efeito substituição. O
aumento dos salários torna a mão de obra (insumo trabalho) mais cara em relação ao
insumo capital. Um aumento do salário mínimo poderia tornar mais atraente para o
empregador gastar com tecnologia (capital) do que com mão de obra (trabalhadores). A
substituição em questão é exatamente essa: do homem pela máquina.
E se Fulano trocar a máquina de produzir ferros por outra mais inteligente? Antes,
com salários mais baixos, não compensava a Fulano trocar trabalhadores pela máquina.
Entretanto, com o aumento dos salários dos trabalhadores, Fulano começou a rever sua
posição. Agora, se ele usasse esse dinheiro para pagar as prestações do novo forno,
poderia ter uma produção maior. Assim, ele toma uma decisão: despede alguns ferreiros
e começa a pagar as prestações da nova máquina, sem prejuízo para a sua produção.
Traduzindo...O que Fulano fez foi trocar, substituir, o insumo trabalho pelo insumo
capital, porque o preço do trabalho (salário mínimo) ficou mais caro em relação ao preço
do capital (prestações da máquina). A demanda pelo insumo capital aumentou e a
demanda pelo insumo trabalho diminuiu.
As próximas figuras sintetizam o efeito escala e o efeito substituição.
EFEITO ESCALA
Custo dos insumos
Custo da produção
Preço da
mercadoria
Demanda pela
mercadoria
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PROFESSOR TIAGO MUSSER
Volume da
produção
Demanda por
trabalho
EFEITO SUBSTITUIÇÃO
Custo do trabalho em
comparação ao capital
Demanda por
capital
(substituição)
Demanda por
trabalho
O aumento do salário mínimo foi usado para exemplificar os efeitos de uma mudança
salarial. Só que uma mudança salarial poderia também ocorrer na direção contrária. Os
fluxogramas acima continuam servindo para analisar mudanças nessa direção. Suponha
então uma redução real do salário dos trabalhadores. Qual seria o efeito sobre a demanda
por mão de obra?
Vamos olhar nossos fluxogramas para entender, já que eles podem ser usados para
qualquer mudança salarial. Comecemos com “Custo dos insumos” no efeito escala:
PASSOS
1. Se o salário diminuiu,
2. O insumo trabalho ficou mais barato,
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3. Os custos do empregador diminuem,
4. O preço da mercadoria final cai,
5. As vendas aumentam,
6. A produção sobe,
7. E mais trabalhadores serão demandados.
E o efeito substituição?
1. O trabalho agora ficou mais barato,
2. Se o insumo capital estiver custando o mesmo tanto,
3. o capital ficou mais caro em relação ao trabalho,
4. Há incentivo para usar mais o insumo trabalho, diminuindo a demanda por capital e
aumentando a demanda por trabalho.
Portanto, observe que esse arcabouço é útil para analisar mudanças salariais em
qualquer direção e em qualquer magnitude. O efeito escala e o efeito substituição não vão
ser os mesmos sempre. Existem setores em que alterações nas vendas podem afetar mais
a demanda por trabalho (efeito escala) do que em outros e existem setores em que
trabalhador e máquina são mais substitutos (efeito substituição) do que em outros.
Qual o efeito de uma redução no custo do capital na demanda por trabalho?
Depende!
O efeito substituição é bem óbvio e intuitivo. Se o capital ficar mais barato, há
tendência de substituição do trabalho por máquinas (capital), aumentando a demanda por
capital e diminuindo a demanda por trabalho. Se o capital ficar mais caro, há tendência de
substituição das máquinas por trabalho, diminuindo a demanda por capital e aumentando
a demanda por trabalho.
***
E o efeito escala?
Vamos mais uma vez usar um exemplo para entender esses efeitos. Imagine uma
fazenda produtora de milho. Simplificando, suponha que o dono da fazenda use apenas
dois insumos na produção: homens e tratores (capital). O efeito substituição é fácil de
entender: quanto menor for o preço dos tratores em comparação aos salários, mais os
trabalhadores serão substituídos pelas máquinas (e vice versa), diminuindo a demanda
por trabalho. E o escala?
Sabemos que o capital é, tal qual o trabalho, um insumo. Olhando no nosso
fluxograma do efeito escala, vemos que ele começa com o “Custo dos insumos”. Se os
tratores ficarem mais baratos, a produção como um todo ficará mais barata. Isso quer
dizer que o preço do milho vai diminuir e a demanda pelo produto aumentar. E isso leva a
um aumento da produção, aumentando a demanda por trabalho. Por exemplo, um
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ECONOMIA DO TRABALHO
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fazendeiro, estimulado pelas vendas com a redução do preço, pode resolver plantar mais
em uma nova safra, precisando de mais trabalhadores. Dessa forma, uma redução no custo
do capital pode aumentar a demanda por trabalho pelo efeito escala!
Assim, ao contrário de uma mudança salarial, em que o efeito escala e o efeito
substituição vão à mesma direção, em uma mudança no custo do capital, o efeito escala e
o efeito substituição vão em direções opostas. O efeito total na demanda por trabalho
depende de qual efeito predomina.
Note que usamos como exemplo uma redução no custo do capital. Mas o efeito de
um aumento no custo do capital também é ambíguo. Pelo efeito substituição, a demanda
por trabalho aumentaria (substituição da máquina pelo homem). Pelo efeito escala, a
demanda por trabalho diminuiria (os custos aumentam, a mercadoria vendida fica mais
cara, e a demanda e a produção caem). Assim, temos novamente uma indeterminação.
ATENÇÃO: Dizer que o efeito total da mudança no custo de capital é ambíguo é
diferente de dizer que ele é nulo ou não existe. Estamos dizendo apenas que o efeito
depende. Pode ser que em um setor da economia o efeito escala seja mais forte que o
efeito substituição, e vice versa. Isso não ocorre com a mudança dos salários e ou a
mudança na demanda do produto comercializado (que vamos ver a seguir), em que a
teoria oferece uma resposta dos efeitos para qualquer empresa.
***
Vamos analisar agora o último dos principais determinantes da demanda por
trabalho. Qual o efeito de alterações na demanda do produto vendido na demanda por
trabalho?
O efeito escala capta com facilidade essa questão. Ora, um aumento nas vendas do
produto vai aumentar a produção, que necessitará de mais trabalhadores, aumentando a
demanda por trabalho. Tranquilo?! Seguindo...
Por outro lado, uma diminuição das vendas levará a uma redução de demanda por
trabalho. É por isso que em épocas em que a economia cresce, mais pessoas são
contratadas, para dar conta do aumento da atividade econômica. Da mesma forma, em
épocas de recessão na economia, costuma haver um aumento do número de
desempregados, já que a demanda por trabalho diminuiu. No fluxograma do efeito escala,
chegaremos a essas conclusões pulando os três primeiros quadrados, já que não temos
uma mudança no custo dos insumos nem no preço do produto final.
E o efeito substituição? Ele não existirá se não houver mudanças no preço dos
insumos. É possível que o preço desses insumos mude com o aumento da demanda, mas
essa é uma complicação que não precisamos ter aqui. Entender o efeito escala é suficiente
para esse caso.
RESUMÃO: A próxima tabela resume efeito escala para os três determinantes
estudados da demanda de trabalho: mudanças nos salários, no custo do capital e na
demanda do produto. O sinal positivo (+) significa aumento da demanda por trabalho, e o
sinal negativo (-) significa redução da demanda por trabalho.
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ECONOMIA DO TRABALHO
PROFESSOR TIAGO MUSSER
DEMANDA POR TRABALHO
EFEITO
ESCALA
EFEITO
SUBSTITUIÇÃO
EFEITO
TOTAL
Aumento dos salários
-
-
-
Diminuição dos salários
+
+
+
Aumento do custo do
capital
-
+
?
Diminuição do custo do
capital
+
-
?
Aumento da demanda do
produto
+
+
Diminuição da demanda
do produto
-
-
Sobrevivendo, amigo(a)?! Muitos detalhes a serem entendidos, né? Fique calmo (a)
que nada será tão complicado assim. Sempre releia as aulas e qualquer dúvida só enviar
para meu email, ok? Qualquer dúvida, fale comigo!!!
Relaxe um pouco e vamos iniciando o próximo capítulo...
4. Elasticidades Da Demanda
Capítulo simples, concurseiro(a). Deve estar imaginando nos balões do pensamento
“finalmente!”, né? Sei que esta aula é uma das mais pesadas de nosso curso. Mas, nada
de desânimo, pois tudo será bem digerido por você.
O que seria “elasticidade”? Já imagina algo que pode ser elástico ou não. Uma corda,
um barbante...É isso mesmo!!! Existem variáveis econômicas que possuem mais
elasticidade que outras, ou seja, se distendem com mais facilidade que outras. Na
realidade, uma elasticidade mede a magnitude com que uma variável é afetada por uma
mudança em outra variável.
Em que magnitude, por exemplo, a demanda por trabalho é afetada por mudanças
nos salários e no preço do capital? Em alguns, o efeito escala pode ser mais forte que o
efeito substituição. O estudo das elasticidades vai permitir aprofundar a nossa análise.
A elasticidade mais estudada no mercado de trabalho é a elasticidade da demanda
ao salário. Ou seja, a maneira com que a demanda por trabalho é afetada por uma
mudança no salário. A elasticidade da demanda por trabalho mede a magnitude com que
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ECONOMIA DO TRABALHO
PROFESSOR TIAGO MUSSER
a demanda por trabalho é afetada por uma mudança no salário. Ela pode ser definida como
sendo elástica e inelástica. Observe o quadro abaixo:
Uma variável elástica é aquela que é muito sensível a mudanças em outra variável. Por outro
lado, uma variável inelástica é aquela que é pouco sensível a mudanças em outra variável. A
demanda por trabalho é elástica quando varia muito com mudanças no salário. Se o salário
mínimo aumentar 20% e a demanda por trabalho da padaria de Joaquim diminuir 10%,
enquanto a loja de eletrodomésticos de Paulo diminuir 30%, verificamos que a demanda de
Paulo caiu mais que de Joaquim. Como a demanda por trabalho de Paulo é mais sensível,
podemos dizer que ela é mais elástica. Nesse exemplo, a elasticidade da demanda por trabalho
ao salário de Paulo é maior do que a de Joaquim.
Existem premissas importantes no formato de “leis” que versam sobre a questão
das elasticidades, perdido(a) concurseiro(a). As chamadas Leis de Hicks-Marshall trazem
importantes colocações a respeito do tema. Vamos estudá-las?!
Seguindo...
4.1. As leis Hicks-Marshall da demanda derivada
O que afeta a elasticidade da demanda por trabalho (ao salário)? Essa pergunta
pode ser respondida por algumas regras criadas pelos economistas John Hicks e Alfred
Marshall. O termo “demanda derivada” que estamos usando aqui se refere simplesmente
à demanda por trabalho.
Eis as leis no quadrinho...
1ª lei: A demanda por trabalho é mais elástica quanto mais sensível for a demanda
pelo produto a variações preço dele.
2ª lei: A demanda por trabalho é mais elástica quanto mais substituível o trabalho
for por outros fatores, como capital.
3ª lei: A demanda por trabalho é mais elástica quanto mais houver oferta de outros
fatores, como capital.
4ª lei: A demanda por trabalho é mais elástica quanto mais os salários pesam no
custo total.
Confuso? Vamos ver o que cada uma dessas leis diz. Para isso, vamos usar os
conceitos de efeito escala e efeito substituição, já que é mais fácil entender as leis com
eles. Na verdade, cada uma das leis de Hicks-Marshall está ligada a um efeito: ou o efeito
escala ou o efeito substituição. Sem ansiedade para decorá-las, basta que as entenda, ok?
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ECONOMIA DO TRABALHO
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1ª lei: Essa lei traz uma ideia que nós já analisamos antes. A primeira lei se liga ao
efeito escala. Pelo efeito escala, uma mudança salarial diminui a demanda por trabalho.
Os custos da empresa aumentam e esse aumento é repassado ao preço final do produto.
Com o aumento do preço do produto, a demanda cai, o que acarreta diminuição das vendas
e da produção, terminando com uma redução da demanda por trabalho. É fácil ver então
que o efeito de uma mudança salarial na demanda por trabalho depende de quão sensível
a demanda pelo produto é em relação ao preço do produto. Traduzindo: a demanda por
trabalho é mais elástica quanto mais elástica for a demanda do produto.
Pela 1ª lei de Hicks-Marshall, deverá ser o setor da economia em que a demanda
pelo produto for mais sensível a variações no seu preço. Setores que trabalhem com
profissionais cruciais para a sociedade, devem ter demandas menos sensíveis às variações
dos salários. Por exemplo, se os salários de enfermeiros e o salário de profissionais
esteticistas forem aumentados, a demanda de ambos os setores diminuirá, porém a
demanda de profissionais enfermeiros cairá menos que a de esteticistas, tendo em vista a
função crucial pela vida dos primeiros profissionais. Assim, dependendo do setor da
economia, a sensibilidade da demanda pode variar.
O que essa lei diz é que o efeito escala varia com cada empresa. Como o efeito
escala trata do repasse do aumento de salários para o preço final do produto, aquelas
empresas que vendem produtos “menos importantes” vão ter maior redução na demanda.
Com isso, elas também terão maior redução na demanda por trabalho. Assim, é fácil
imaginar que a demanda por trabalho no nosso exemplo vai diminuir muito mais para
esteticistas que para enfermeiros, mesmo que o aumento dos salários seja da mesma
proporção. Concluindo, a demanda por trabalho é mais elástica quanto mais elástica
for a demanda do produto final em relação ao preço. A demanda por esteticistas é
mais elástica do que a demanda por enfermeiros, porque a demanda por estética é mais
elástica em relação ao preço do que a demanda por profissionais de saúde.
RESUMO: a elasticidade é uma medida de quanto uma variável X é afetada por uma
mudança no valor de Y. X pode ser demanda por trabalho e Y o salário. Ou X pode ser a
demanda pelo produto e Y o preço dele. Nessa lógica, podemos inventar qualquer outra
elasticidade quando uma variável qualquer X é afetada por Y.
2ª lei: Mais uma vez temos uma ideia que já conhecemos. A segunda lei se liga
ao efeito substituição. Vimos que uma mudança salarial também diminui a demanda por
trabalho pelo efeito substituição. Como o salário é um custo para o empregador, ele irá
buscar substituir trabalho por outros fatores (insumos) na produção, como máquinas e
equipamentos. Só que o efeito substituição também vai variar em cada setor. O quanto
que a demanda por trabalho é afetada por mudanças no salário (elasticidade de demanda
por trabalho) depende do grau que os trabalhadores são substituíveis por outros
fatores.
Um exemplo de substituição que já vimos é de nosso ferreiro com a maquina nova.
Um aumento grande dos salários levará o ferreiro a despedir alguns trabalhadores
(diminuir a demanda por trabalho) e comprar uma nova máquina para continuar dando
conta da produção que esses trabalhadores fariam. Só que nem sempre é fácil substituir o
homem pela máquina, ou por outro insumo. Assim, a demanda por trabalho é mais
elástica quanto mais substituível o trabalho for por outros fatores.
RESUMO: um termo que designa essa ideia de substituição entre trabalho e capital
na função de produção é “elasticidade de substituição”. Assim, a elasticidade da demanda
por trabalho é maior quando a elasticidade de substituição dos fatores é maior, ou seja,
quando é mais fácil substituir trabalho por outros fatores.
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AUDITOR-FISCAL DO TRABALHO - AFT
ECONOMIA DO TRABALHO
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3ª lei: Essa lei se relaciona com a anterior, mas elas tratam de coisas diferentes. A
terceira lei também se liga ao efeito substituição. Só que ela trata da disponibilidade de
outros fatores de produção. Na 2ª lei, falávamos do grau em que os trabalhadores eram
substituíveis por máquinas. Agora, falaremos de quando eles podem ser substituídos.
A substituição do trabalho pelos insumos, após uma mudança salarial, não é
imediata. Máquinas e equipamentos usados pelas empresas, em geral, não estão
prontamente disponíveis. A palavra agora é tempo. A oferta desse tipo de tecnologia só
muda com o tempo. Em geral, os economistas consideram que a oferta de capital é fixa
no curto prazo. Isso que dizer que a demanda por trabalho é o única demanda por insumo
que varia a curto prazo. Uma implicação disso é que variações na demanda a curto prazo
são equivalentes a variação na produção, já que o capital é considerado fixo na função de
produção.
Uma consequência importante para o nosso estudo é que uma mudança salarial vai
afetar mais a demanda por trabalho no longo prazo. O efeito substituição é limitado no
curto prazo, porque as empresas não conseguem substituir trabalho por capital tão rápido.
No longo prazo, a mudança salarial será mais sentida e a demanda mais afetada.
RESUMO: A demanda por trabalho é mais elástica no longo prazo.
4ª lei: Essa é a lei mais simples de todas. A quarta lei se liga ao efeito escala. Seu
entendimento é bem simples também. Ela diz apenas diz o efeito escala depende da
participação dos salários nos custos.
Sabemos que o efeito escala trata das consequências do aumento do salário na
demanda por trabalho causadas pelo repasse dos custos ao preço final do produto.
Naturalmente, o efeito escala será maior para empresas em que o custo do trabalho tem
uma peso maior no custo total.
Que tal um resumo de todas as leis?
As leis Hicks-Marshall
Efeito
Quanto mais elástica for a demanda
do produto final em relação ao preço
ESCALA
Quanto mais substituível o trabalho
for por outros fatores
SUBSTITUIÇÃO
No longo prazo, quando se pode usar
SUBSTITUIÇÃO
mais capital
Quanto maior a participação dos
salários no custo total do produto
ESCALA
Vou abrir um rápido parêntese para tratar do cálculo da elasticidade da demanda
por trabalho. Várias são as maneiras para calcular a elasticidade, vamos no “basicão”?
Seguindo...Observe o quadro:
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ECONOMIA DO TRABALHO
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Elasticidade da demanda por trabalho = Variação percentual na
quantidade demandada/Variação percentual no salário
Essa conta relaciona a variação na demanda com a variação no salário.
Vamos ver um exemplo.
Suponha que Paulo tem 5 padeiros. Os salários sobem de 400 para 500. Com esse
aumento, Paulo resolve despedir um padeiro, demandando apenas 4 padeiros. Qual o valor
da elasticidade?
Pela fórmula acima, precisamos da variação percentual na quantidade demanda e
da variação percentual no salário.
Variação percentual da quantidade demandada:
100 x (5 – 4)/5 =
100 x 1/5 =
100 x 0,2 =
20%
A redução de 5 para 4 é uma redução de 20%.
Variação percentual do salário:
100 x (500 – 400)/400 =
100 x 100/400 =
100 x 0,25 =
25%
O aumento de 500 para 550 é um aumento de 25%.
Aplicando a fórmula:
Elasticidade da demanda por trabalho = 20%/25% = 0,8
O que significa esse valor? Os economistas consideram uma variável elástica
quando a elasticidade é maior do 1, e inelástica quanto a elasticidade é menor do
que 1.
Quando a elasticidade é maior do que 1, a variação na quantidade demandada é
maior do que a variação no salário. Ou seja, a variação no salário afeta a demanda por
trabalho de maneira mais do que proporcional. É por isso que a variável é considerada
elástica. Quando a elasticidade é menor do que 1, a variação na quantidade demandada é
menor do que a variação no salário. Ou seja, a variação no salário a afeta a demanda por
trabalho de maneira menos do que proporcional. É por isso que a variável é considerada
inelástica. No nosso exemplo, a elasticidade é 0,8, ou seja, a demanda por trabalho de
Paulo é inelástica.
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Por convenção, a elasticidade é sempre apresentada como um valor positivo. Você
deve se lembrar que, na matemática, o módulo transforma um valor negativo em um valor
positivo. Por exemplo |-5| = 5. Para a conta da elasticidade, também usaremos módulo.
Assim, se o valor da elasticidade for negativo, considere o mesmo valor, só que positivo.
5. O Modelo Competitivo e Modelos não Competitivos
Nosso edital separa os modelos de demanda por trabalho em modelo competitivo e
modelos não competitivos. Mas o que seria um modelo de demanda competitivo? E o que
é um modelo de demanda não competitivo? Nessa aula, veremos, com calma, como são
esses dois modelos. Antes de entrar a fundo em cada um dos modelos, vamos já definir
alguma diferença entre os dois.
5.1. Competição Perfeita
Um modelo competitivo é o que existe em um mercado competitivo. Em geral,
“competição” é um termo que tem um significado ruim para a maioria das pessoas, mas
para os economistas um mercado competitivo é um mercado ideal.
Nos concursos, em geral, modelo competitivo é o que opera em um mercado de
competição perfeita, e os modelos não competitivos seriam então os de competição
imperfeita. A hipótese da competição perfeita é uma simplificação que os economistas
fazem para estudar os mercados. Na realidade, poucos mercados operam em competição
perfeita, mas muitos mercados operam próximos à competição perfeita, de forma que a
hipótese da competição perfeita é muito útil, inclusive para estudar o mercado de trabalho.
Às vezes, a competição perfeita é também chamada de concorrência perfeita: os dois
termos são sinônimos, dizem absolutamente a mesma coisa.
Chega de lero lero...vamos sintetizar?
Um mercado em competição perfeita é um mercado com infinitos
compradores e vendedores. Dessa forma, a antítese da competição
perfeita é o monopólio.
Note que a competição perfeita e o monopólio são extremos: em um temos infinitos
pequenos vendedores, no outro apenas um único grande vendedor. O mercado
monopolizado é um exemplo de um mercado não competitivo.
ATENÇÃO: A principal característica que distingue um mercado competitivo de um
mercado não competitivo é o poder de mercado. Um agente tem poder de mercado
quando é capaz de influenciar os preços do mercado. Como há infinitos vendedores, na
competição perfeita nenhuma empresa tem poder de mercado. Isso quer dizer que
nenhuma empresa é grande o suficiente para influenciar o preço. As empresas não
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escolhem o preço da mercadoria: o preço é tomado como dado. As forças de demanda e
oferta nesse mercado fazem com que o preço seja um só: a concorrência faz com que as
empresas vendam um produto igual pelo mesmo preço.
Em outras palavras, isso acontece porque as empresas visam a maior quantidade
de lucro possível. A empresa que tentar aplicar um preço maior ao do mercado perderia
toda a sua demanda, já que existiriam infinitos concorrentes com um preço menor. Já a
empresa que tentar aplicar um preço inferior ao do mercado captaria toda a demanda para
ela. Mas aí todas as concorrentes teriam incentivos para reagir e também diminuir seus
preços. Esse processo aconteceria até que o preço não pudesse ser mais diminuído.
E nos mercados não competitivos?
Em mercados não competitivos os vendedores possuem poder de mercado. No caso
do monopólio, como o vendedor tem toda a demanda do mercado para si, ele pode
influenciar os preços. Assim como na concorrência perfeita, ele também busca o maior
lucro possível. Mas se ele aumentar ou reduzir os preços, seus compradores não teriam
para onde fugir. Mercados competitivos são considerados eficientes, e mercados não
competitivos são considerados ineficientes. Qualquer outro mercado em que haja poder de
mercado não será um mercado competitivo. Outros exemplos são os dominados por
oligopólio ou cartel, onde também há poder de mercado.
O poder de mercado é consequência da existência de barreiras à entrada. Mercados
em que existe poder de mercado são mercados em que as empresas não podem entrar ou
sair livremente. Lembra do Paulo, dono da padaria? Como ele, qualquer um pode entrar
no mercado de padarias, mas não é fácil entrar em todo mercado. Barreiras à entrada
podem ocorrer por vários motivos, como, por exemplo, por dificuldades em conseguir
tecnologia, barreiras naturais como companhias de esgoto e abastecimento de água e
energia nas cidades (não é possível haver mais de uma delas em uma mesma região).
5.2. A competição perfeita no mercado de trabalho
Todas as essas coisas ditas podem estar relacionados com o mercado de trabalho,
professor?! Claro, perdido(a) aluno. Preste atenção: O mercado competitivo de demanda
por trabalho é o que existe em um mercado com muitos empregadores (muitos
demandantes). Veja que antes introduzimos a competição perfeita em um mercado em
que as empresas ofertavam (vendiam) um produto. Mas essas mesmas empresas
demandam fatores de produção para fazer esses produtos. Tudo que falamos sobre
mercados competitivos também se aplica ao mercado de fatores, incluindo o mercado de
trabalho, porém, agora, as empresas estão demandando, e não ofertando.
Um modelo não competitivo de demanda por trabalho é o que existe em um mercado
com poucos empregadores (poucos demandantes). Um exemplo é caso de um único
empregador. Quando um mercado possui um único demandante ele é chamado de
monopsônio (é isso mesmo!!!Não se assuste). Perceba que o termo é análogo ao caso
de um único ofertante, quando falávamos em monopólio. Já um mercado com poucos
demandantes (mas não apenas um) é chamado de oligopsônio.
A diferença entre um modelo competitivo e um modelo não competitivo de demanda
por trabalho é o poder de mercado (olha ele aqui!!!) dos demandantes. Ou seja, a sua
capacidade de influenciar os preços. Só que sabemos que, no mercado de trabalho, os
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preços são os salários. Em um modelo competitivo de demanda por trabalho, os
demandantes (empregadores) não conseguem influenciar o salário. Em um mercado como
esse, o empregador que pagar menos do que a concorrência não encontrará trabalhadores.
Como o empregador quer lucrar, não há também motivo para pagar mais do que a
concorrência. Essas forças convergem para tornar o salário do mercado um só e todos os
empregadores tomam esse salário como dado.
Em um modelo não competitivo de demanda por trabalho, os demandantes têm
poder de mercado e podem influenciar o salário. O modelo não competitivo mais
importante é o monopsônio. No monopsônio, o empregador (demandante) pode escolher
o salário que quiser, porque os trabalhadores não tem alternativa. ATENÇÃO: A ideia á
mesma do monopólio, em que os compradores não teriam para onde ir.
Lembre que as firmas operam em dois mercados: aquele em que elas ofertam suas
mercadorias e aquele em que elas demandam seus fatores de produção (como de
trabalho). Não existe nenhuma vinculação obrigatória entre as estruturas desses dois
mercados. Uma firma pode ofertar bens em um mercado em concorrência perfeita, mas
ser uma monopsonista em um mercado de trabalho, ou pode monopolizar o mercado de
seu produto, mas se deparar com um mercado de trabalho em concorrência perfeita. Ela
pode ainda ter poder de mercado em ambos os mercados, operando em monopólio no
mercado de seu produto e em monopsônio no mercado de trabalho. Por fim, o cenário
mais provável é que uma empresa opere em concorrência perfeita tanto no mercado de
seus produtos como no mercado de trabalho, não tendo poder de mercado em nenhum
deles.
O quadro abaixo resume as diferenças entre os mercados competitivos e os
mercados não competitivos. Para aplicar essas informações à demanda no mercado de
trabalho, considere que as empresas são empregadoras de mão de obra.
MERCADOS COMPETITIVOS
(COMPETIÇÃO PERFEITA)
MERCADOS NÃO COMPETITIVOS
(COMPETIÇÃO IMPERFEITA)
Livre entrada e saída de empresas (não
há barreiras).
Há barreiras à entrada de empresas.
Muitas empresas.
Poucas empresas.
Nenhuma empresa é grande o suficiente
para ter poder de mercado.
Há empresas grandes o suficiente para
ter poder de mercado.
Nenhuma empresa influencia os preços.
As empresas influenciam os preços.
Os preços são tomados como dado.
Os preços não são tomados como dado.
Tudo isso que vimos agora foi apenas uma introdução aos modelos competitivos e
não competitivos no mercado de trabalho. Vamos aprofundar nessa aula as características
desses modelos, muito cobradas pela ESAF. Antes, podemos resolver uma questão com o
que vimos.
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5.3. As Decisões de Emprego das Empresas
O modelo competitivo de demanda por trabalho
Cansado(a)?! nada né? Vamos seguindo...
A resposta que esse modelo responde é a seguinte: Quanto, em um mercado
competitivo, uma empresa vai demandar de trabalho? Quantos trabalhadores ela vai
contratar?
Para responder essa pergunta, precisamos de mais algumas informações.

Qual é a produção da empresa? Quer dizer, qual é a quantidade de mercadorias que
ela vende no mercado de bens?

Quantos trabalhadores ela precisa para produzir essa quantidade?

Quais são os custos da empresa com trabalho e com capital?
Afinal, as empresas demandam quantidades diferentes de trabalhadores. Existem
empresas com cinco, cinquenta ou quinhentos trabalhadores. Algumas empresas são
maiores que outras, produzem mais bens e precisam de mais funcionários. Outras possuem
mais tecnologia, necessitando de menos pessoas.
Então, como é a demanda por trabalho em um modelo competitivo? Já vimos
anteriormente que empresas, em competição perfeita ou não, buscam a maior quantidade
de lucro possível. Isso não quer dizer que elas sejam gananciosas ou inescrupulosas, mas
apenas que elas não desperdiçam recursos. Essa é a primeira hipótese que precisamos
para estudar mais a fundo a demanda por trabalho. As empresas maximizam lucro. Essa
é uma hipótese importante da teoria que estamos estudando hoje, chamada de teoria
neoclássica da economia do trabalho.
Quantos trabalhadores emprega uma empresa que maximiza lucro? Existem
vantagens e desvantagens associadas à contratação de um trabalhador. As vantagens são
suas contribuições à produção e ao faturamento da empresa, que ajuda a aumentar os
lucros da empresa. As desvantagens são os custos que ele impõe à empresa, que diminui
o lucro. Assim, as empresas demandam trabalho na quantidade que maximiza seu lucro.
A contratação de trabalhadores em excesso diminui os lucros, porque aumenta os custos.
Mas a contratação de trabalhadores de menos também diminui os lucros, porque diminui
a produção, as vendas e, logo, o faturamento (valor da produção). Uma empresa deve
dosar a quantidade ideal de trabalhadores. Chamemos essa quantidade de L. Contratando
mais que L, o lucro da empresa diminui por causa do alto custo e poderia ser maior com
menos trabalhadores. Contratando menos que L, o lucro também diminui por causa do
baixo faturamento e poderia ser maior com mais trabalhadores. Na maioria das vezes,
nosso desafio no concurso é encontrar o valor de L. Dito de outra forma, a empresa vai
contratar trabalhadores até o ponto que compensa para ela.
Existe na realidade uma quantidade ideal L de trabalhadores para cada empresa?
Todas as empresas sabem e escolhem essa quantidade? A resposta provavelmente é não.
Os economistas usam o arcabouço que veremos porque consideram que a maioria das
empresas contrata uma quantidade próxima de L, porque elas preferem ter mais lucro a
19
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ECONOMIA DO TRABALHO
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ter menos lucro. É por isso que no início da aula falamos em hipótese da concorrência
perfeita, e por isso que falamos agora na hipótese da maximização do lucro.
Precisamos de um exemplo para avançar no conteúdo. Nosso exemplo de demanda
por trabalho em um mercado competitivo vai ser com a padaria de Carlos. A demanda por
trabalho de Carlos deve ser aquela que torne o seu lucro máximo. Não pode contratar
poucos padeiros, se não estaria deixando de produzir e de ganhar mais dinheiro. Mas ele
também não pode contratar muitos padeiros, porque os custos podem não compensar os
benefícios. A tabela abaixo traz as informações da padaria de Carlos. (Cada coluna em
branco revela o quanto que cada padeiro adiciona na produção, no valor da produção
(faturamento), nos gastos e no lucro. As colunas cinza são somatório desses valores para
o total de padeiros contratados.)
Com apenas um padeiro, a padaria vai produzir 10 mil pães por mês, como
vislumbrado na primeira linha da tabela. A padaria é uma empresa operando em um
mercado de competição perfeita. Isso quer dizer que, independente da quantidade que
produza, o preço do pão vai ser o mesmo, já que ela não tem poder de mercado. Isso quer
dizer também que ela toma como dado os salários dos padeiros. Nessa cidade, o preço do
pão é de R$0,30 centavos e o salário do padeiro é de R$ 700. Se com um padeiro a padaria
produz 10 mil pães, o valor de sua produção (faturamento) será de 3 mil reais (10 mil
multiplicado por 0,30). Como o salário é de 700, o lucro da padaria será de 2300 (3000700), já que estamos ignorando quaisquer outros custos.
Pães
L
adicionais
(Padeiros)
por
padeiro
Pães Total
Gasto
Valor da
com
produção Valor da
salário
adicional produção
adicional
por
- Total
por
padeiro
padeiro
Gasto
total
com
salário
Lucro
adicional Lucro por
Total
padeiro
1
10000
10000
3000
3000
700
700
2300
2300
2
7500
17500
1875
4875
700
1400
1175
3475
3
5000
22500
1250
6125
700
2100
550
4025
4
2000
24500
500
6625
700
2800
-200
3825
5
700
25200
175
6800
700
3500
-525
3300
6
100
25300
25
6825
700
4200
-675
2625
Mas Carlos sabe que um padeiro sozinho não dá conta do recado. Vale a pena
contratar mais um. Ele incrementaria a produção da padaria. Esse segundo padeiro ajuda
a produzir mais 7500 pães por mês. Essa é uma quantidade inferior a do primeiro padeiro.
Isso acontece porque o resto da função de produção está constante: Carlos não comprou
mais equipamentos. Assim, o padeiro adicional não é tão produtivo quanto o primeiro,
porque a mesma quantidade de máquinas está sendo usada. Com os dois padeiros, a
padaria produz 17500 pães (10000+7500). O valor da produção (faturamento) será de
4875 (17500 x 0,30). Mais o segundo padeiro também vai trazer custos. O salário dele é
o mesmo do anterior, já que a empresa toma o salário como dado. Assim, os custos agora
são de 1400 (700 + 700). O lucro total é de 3475 (4875 – 1400).
20
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O lucro com um padeiro era de 2300. Com um segundo padeiro, passou a 3475.
Isso quer dizer que o segundo padeiro adicionou mais 1175 de lucro (3475 – 2300). Valeu
a pena contratar o padeiro! Carlos continua aumentado o lucro: o valor da produção
adicional com o segundo padeiro compensa o custo adicional.
E um terceiro padeiro? Essas informações estão na terceira linha da tabela. Ele
adiciona mais 5 mil pães por mês a produção da empresa. Observe que essa é uma
quantidade menor que os padeiros anteriores. Ele ainda agrega para a produção, mas um
pouco menos, pelos mesmos motivos que o segundo incrementa menos que o primeiro.
Outros equipamentos já estão sendo usados. Carlos não pode dobrar ou triplicar a
produção simplesmente dobrando ou triplicando a quantidade de padeiros sem investir em
capital. Como o preço do pão é de $0,25, esses 5 mil pães dão um faturamento adicional
(valor da produção adicional) para a empresa de 1250 (5000 x 0,25). Claramente
compensou contratar o terceiro padeiro, porque seu salário é de 700 reais, bem menos
que o que ele adicionou ao valor da produção. A padaria continua lucrando, apesar de o
lucro adicional resultante da contratação do terceiro padeiro não ser tão grande quanto o
lucro adicional resultante da contratação do primeiro ou do segundo padeiro.
Mas existe um limite. Carlos não pode empregar infinitos padeiros e produzir uma
quantidade infinita de pães. Existe limitação de espaço físico e da quantidade de máquinas.
Imagine uma padaria com cada vez mais padeiros. É fácil perceber que cada padeiro
adicional produz incrementalmente (adicionalmente) menos do que o anterior. Será que,
na padaria de Carlos, esse limite é atingido com um quarto padeiro? Vejamos na tabela.
Um quarto padeiro no nosso exemplo incrementaria a produção em 2 mil pães,
totalizando 500 reais de faturamento adicional (2000 x 0,25). Mas o salário é de 700 reais!
Com a contratação do quarto padeiro, o lucro da empresa diminuiria em 200 reais (500 –
700 = -200). O custo adicional é maior que o valor da produção adicional. Da mesma
forma, um quinto e um sexto padeiro incrementariam a produção em muito pouco, em
menos do que os seus salários, e continuam a reduzir os lucros da padaria. Não há como
aumentar mais a produção apenas com padeiros.
Assim, o lucro máximo é de 4025 e se dá com a contratação de três padeiros. Com
menos que isso, um ou dois padeiros, Carlos deixa de ganhar dinheiro: essas contratações
ajudariam a aumentar a produção e gerar mais faturamento (valor da produção). Com
mais do que isso, Carlos também perde dinheiro, porque os custos adicionais não
compensam.
Esse exemplo nos ajuda a entender como as empresas escolhem a quantidade de
trabalhadores que vão demandar. Precisamos agora de outros conceitos para prosseguir.
5.4. Produtividade marginal, valor da produção marginal e custo marginal
Vamos olhar novamente a tabela acima. Nas colunas brancas, a partir da segunda
coluna, temos sempre uma quantia adicional que cada padeiro fornece. Na primeira, nós
temos a produção adicional possibilitada pela contratação de mais um padeiro. Na próxima
coluna de cor branca, temos o valor da produção adicional que cada padeiro dá. Como a
produção adicional resultante de cada contratação é sempre inferior à anterior, esse valor
da produção incremental também decresce (o valor da produção é a produção multiplicada
pelo preço o produto). A outra coluna em branco é o custo adicional da contratação de
cada trabalhador. Como o mercado de trabalho é competitivo e o salário é dado, esse custo
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ECONOMIA DO TRABALHO
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é sempre constante, o mesmo para cada trabalhador. A última coluna dá o valor do lucro
adicional resultante da contratação de cada trabalhador. Ela é o valor da diferença entre o
valor da produção adicional e o custo adicional.
Os economistas dão um nome diferente para esses valores adicionais, incrementais,
que cada trabalhador fornece: marginal. Assim, a produção adicional (incremental)
resultante da contratação de um novo trabalhador é chamada de produtividade marginal.
A produtividade marginal do primeiro padeiro é de 10 mil, a do segundo é de 7500 e ela
segue decrescendo com os seguintes: 5000, 2000, 700 e 100. Vimos que essa produção
adicional, a produtividade marginal, decresce a cada novo padeiro, porque não é possível
aumentar a produção apenas contratando mais padeiros, com o mesmo número de
equipamentos. Com uma quantidade fixa de equipamentos (capital), o primeiro padeiro
acrescenta muito na produção de pães, o segundo um pouco menos e assim por diante.
Assim, consideramos que a produtividade marginal do trabalho é decrescente, e isso ocorre
porque a quantidade de capital é fixa.
Nessa mesma linha de raciocínio, o valor da produção adicional (incremental)
resultante da contratação de um novo trabalhador é chamado de valor da produção
marginal. Sabemos que o valor da produção é o resultado da multiplicação da produção de
pães pelo preço. Sabemos ainda que, em um mercado competitivo como o de pães, o preço
é tomado como dado: Carlos não influencia o preço independente da quantidade que
produza. Assim, no modelo competitivo o valor da produção marginal é o resultado da
produtividade marginal multiplicada pelo preço.
Continuando nessa lógica, é fácil perceber que o custo adicional (incremental)
resultante da contratação de um novo trabalhador é chamado de custo marginal. Sabemos
que, em um mercado de trabalho competitivo como o de padeiros, o salário é tomado
como dado: Carlos não influencia o salário independente a quantidade de padeiros que
contrate. Assim, no modelo competitivo o custo marginal do trabalho é constante e igual
ao salário. Essa afirmação decorre ainda de estarmos supondo que o único custo que Carlos
tem com os padeiros é o salário.
Por fim, o lucro adicional, resultado da diferença entre o valor da produção marginal
e o custo marginal é também chamado e lucro marginal. Vejamos a tabela novamente,
com essa nova nomenclatura: produtividade marginal, valor da produção marginal, custo
marginal e lucro marginal.
L
Produtividade
(Padeiros)
marginal
Pães Total
Valor da
produção
marginal
Valor da
Custo
produção marginal
- Total
(salário)
Gasto
total com
salário
Lucro
marginal
Lucro Total
1
10000
10000
3000
3000
700
700
2300
2300
2
7500
17500
1875
4875
700
1400
1175
3475
3
5000
22500
1250
6125
700
2100
550
4025
4
2000
24500
500
6625
700
2800
-200
3825
5
700
25200
175
6800
700
3500
-525
3300
6
100
25300
25
6825
700
4200
-675
2625
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ECONOMIA DO TRABALHO
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Essa tabela não nenhum valor novo ou diferente da tabela anterior: só mudamos o
nome de algumas variáveis. Agora estamos muito perto de determinar como é a demanda
por trabalho em um mercado competitivo.
Vimos que as empresas contratam trabalho na quantidade que maximiza seu lucro.
Vimos que para Carlos essa quantidade ideal L é de três padeiros, quando ele consegue
seu lucro de 4025. Com menos que três padeiros o lucro é menor, porque o valor da
produção adicional é maior que o custo adicional, e contratando mais padeiros é possível
incrementar ainda mais a produção. Com mais que três padeiros o lucro também é menor,
porque o custo adicional é maior que o valor da produção adicional, e contratando menos
padeiro é possível diminuir os custos.
Assim, o lucro máximo é simplesmente o maior lucro possível: não há como lucrar
mais contratando trabalhador. A quantidade ideal L de trabalhadores é aquela então que
se dá quando o lucro adicional com a contratação seja zero. Carlos vai contratar
trabalhadores até o ponto que ainda vale a pena, até o ponto que compensa. E esse ponto
é quando o valor da produção adicional com cada trabalhador é igual ao custo adicional
com cada trabalhador. Se o custo adicional é maior que o valor da produção adicional,
Carlos perde dinheiro. Se o valor da produção adicional é maior que o custo adicional,
Carlos também perde dinheiro porque ainda vale a pena contratar mais e incrementar a
produção. A solução ideal então é quando o valor da produção adicional é igual ao
custo adicional. Como o lucro adicional é o resultado da diferença entre valor da produção
adicional e custo adicional, o lucro adicional deve ser zero: não há como aumentar mais o
lucro, já que ele já é o máximo.
RESUMÃO: Usando a nova terminologia que aprendemos podemos dar um
importante passo na matéria e afirmar que as empresas demandam trabalho na quantidade
em que o valor da produção marginal é igual ao custo marginal. Esse é um resultado que
vale tanto para os modelos competitivos quanto para os modelos não competitivos, porque
em ambos as empresas buscam o maior lucro possível.
VALOR DA PRODUÇÃO MARGINAL = CUSTO MARGINAL
No caso de Carlos, não há nenhum trabalhador cujo valor da produção marginal
iguale o do custo marginal, mas o que mais chega perto é o terceiro: para todos os outros
a diferença é maior.
Vamos agora nos voltar exclusivamente para o modelo competitivo. Sua principal
diferença em relação aos modelos não competitivos era de que as empresas não tinham
poder de mercado, e assim, tomavam o preço como dado. Vimos que, dessa forma, o valor
da produção marginal é igual ao produto marginal multiplicado pelo preço dado. Ficamos
com a seguinte equação então.
PRODUTO MARGINAL x PREÇO = CUSTO MARGINAL
Só que nós vimos também que o custo marginal em um modelo competitivo é
constante e igual ao salário (o salário é tomado como dado em um modelo competitivo).
Podemos avançar ainda mais e definir a quantidade demandada de trabalho como aquela
em que:
PRODUTO MARGINAL x PREÇO = SALÁRIO
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ECONOMIA DO TRABALHO
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Como estamos falando de equação, temos que modificar um pouco nossa linguagem.
Vamos adaptá-la agora para a forma matemática que os economistas usam. Começaremos
abreviando tudo que for “marginal”. Assim, a partir de agora usaremos as seguintes
abreviações:
Vpmg: Valor da produção marginal
Cmg: Custo marginal
Pmg: Produtividade marginal
Os economistas usam algumas letras para ser referir a outras variáveis,
normalmente originadas de abreviações do inglês. Uma que já usamos foi L para a
quantidade de trabalhadores demandada, que vem do termo labor. Vamos usar outras
nesse concurso:
L: quantidade de trabalhadores demandada (labor)
p: preço do produto (price)
w: salário dos trabalhadores (wage)
Assim, vamos trabalhar com essa equação:
Pmg x p = w
Existe uma segunda versão para essa equação. Passando p para o outro lado, temos
o seguinte (lembre da matemática da escola: o que tá multiplicando passa dividindo)
Pmg = w/p
Nessa versão, essa equação ganha outro entendimento. Como p é preço, w/p é
entendido como o salário real (o salário descontado a inflação). Não vamos nos aprofundar
nisso, só temos que saber que existem essas duas versões para essa mesma equação. Mas
o resultado é o mesmo, ela só quer dizer que a afirmação “produtividade marginal
multiplicada pelo preço é igual ao salário nominal” (Pmg = w) é equivalente a
“produtividade marginal é igual ao salário real” (Pmg = w/p).
E a função de produção? Ela relacionava a quantidade produzida de mercadorias
com os fatores de produção trabalho e capital. Terminamos com mais algumas incógnitas:
y: quantidade produzida
Q: quantidade de produzida (tanto “y” quanto “Q” são usados para esse caso)
K: quantidade de equipamentos e máquinas usada na produção (vem de capital)
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ECONOMIA DO TRABALHO
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Adaptando nossa nova linguagem ao exemplo anterior, temos o seguinte: Carlos
usa L (trabalho) e K (capital) para produzir y (pães), vendidos por p (preço). Ele demanda
L na quantidade em que Vpmg=Cmg, ou seja, na quantidade que Pmg x p = w.
5.5. Produtividade marginal decrescente
Talvez a gente possa se alongar um pouco nessa questão. Na verdade, o pressuposto
da produtividade marginal decrescente é usado para todos os fatores na teoria econômica,
inclusive capital. Um exemplo de produtividade marginal decrescente pode ser encontrado
nas suas conversas sobre esse concurso. Muitos estudantes consideram que a
produtividade marginal do estudo é decrescente, e ela é. A primeira hora de estudo rende
mais, a segunda um pouquinho menos e assim por diante. Depois de dez horas de estudo,
você ainda consegue ler algumas páginas, mas em menos quantidade ou com menos
qualidade do que na primeira ou segunda hora. A cabeça cansa, você não tem mais tanta
atenção ou concentração. Depois de vinte ou trinta horas seguidas, o seu corpo vai
manifestar uma fadiga mais forte, e o seu estudo quase não vai render. Você pode
conseguir ler uma ou outra coisa, de forma que a sua produtividade marginal do estudo
seja positiva, mas ela é com certeza decrescente. E por que isso acontece? Porque o seu
corpo tem limites físicos. O seu corpo é o equivalente ao capital no caso do trabalho. Depois
de X horas, você não vai conseguir aprender apenas estudando, e vai precisar fazer outras
coisas, notadamente comer e dormir, talvez até tomar um café – e essas atitudes são o
seu equivalente aos investimentos em capital de uma empresa. A produtividade marginal
do trabalho é decrescente quando não há investimentos adicionais em capital, e a
produtividade marginal do estudo é decrescente quando não há “investimentos” adicionais
em comida, sono ou café.
Observe, ainda, que decrescente é diferente de negativo. Cada padeiro adicional
produzia menos que o anterior, mas ele ainda assim contribuía para a produção da padaria.
A produção só cresce, o problema é que o custo também crescia. Sua produtividade
marginal do estudo também é decrescente e positiva. Você rende cada vez menos, mas é
improvável que chegue a um ponto em que uma hora adicional te deixe sabendo menos
conteúdo do que antes: cada hora continua contribuindo, mas menos que à anterior. Um
termo equivalente ao de produtividade marginal decrescente é rendimentos decrescentes
de escala.
Tranquilo, amigo(a)?! Podemos continuar?!
***
EXTRA: Calculando a produtividade marginal com a derivada
Chegamos numa parte importante dessa aula. Nós já entendemos com uma empresa
escolhe a quantidade de trabalhadores que vai demandar. Como maximiza lucro, ela
demandará até que Vpmg=Cmg. No modelo competitivo, isso quer dizer que ela vai
demandar até que Pmg x p = w (ou Pmg=w/p).
Para resolver essa equação, precisamos da produtividade marginal, do preço e do
salário. Em mercados competitivos as empresas tomam o preço e o salário como dados, e
então nós temos essas informações. Nosso problema agora é como encontrar a
produtividade marginal. Nos exercícios anteriores, o examinador já deu o valor da
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produtividade marginal (questão 10), ou então não cobrou um valor numérico para ela
(questões 11 e 12). Mas ele não é sempre generoso assim.
Em vários exercícios, que são os mais complexos do concurso, você terá de obter a
produtividade marginal a partir da função de produção usando derivadas. A função de
produção mostra como uma empresa produz uma mercadoria usando os insumos trabalho
e capital. A produtividade do trabalho é variação na produção resultante de adição de um
trabalhador a mais. A derivada é o recurso que a matemática tem para encontrar variações
de uma função (como a função de produção no nosso caso) resultantes do incremento em
uma das variáveis (como o trabalho no nosso caso).
Apresento a você um pouco de derivada, matéria de cálculo presença constante nas
faculdades exatas. Se já conhece, pode até pular a explicação. Esse tipo de assunto é mais
propenso cair em provas da ESAF. Mas, vai que a CESPE ou outra banca resolve cobrar?
As funções de produção que devemos derivar na prova da ESAF tem sempre a
mesma forma: uma incógnita (como L) elevada a alguma potência, multiplicada por um
número. Um exemplo é 7L². L é a incógnita, que está elevada à segunda potência (²),
multiplicada por 7.
Número x IncógnitaPotência
Exemplo: 7 x L2
L1/2.
Outros exemplos de função de produção nesse formato são: 5L³, 10L2, 6K4, 2Q²,
Com a derivada, essa função vai ser modificada. Os dois valores que se alteram com
a derivada são “Número” e “Potência”. Aplicando a derivada, uma função nesse formato
fica da seguinte forma:
(Potência x Número) x IncógnitaPotência-1
Exemplo: (2 x 7) x L2-1 = 14L¹
Não se preocupe. Vamos fazer um passo de cada vez e treinar bastante.
1º passo: Multiplicar o valor da potência pelo número que está multiplicando a incógnita.
É como se o número que está lá encima elevado à potência “caísse” e multiplicasse o de
baixo. Nosso exemplo ainda é com a função de produção 7L².
Número x IncógnitaPotência
Exemplo:
7 x L2
2x7 = 14
2º passo: Diminuir em menos um o valor elevado à potência.
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Número x IncógnitaPotência-1
Exemplo: L2-1 = L¹
Agora, é só juntar o resultado dos passos 1 e 2. Do primeiro passo, temos o novo número
14. Do segundo, temos a nova potência, que é 1. A derivada de 7L² é 14L¹.
A derivada de 7L2 é 14L¹
Assim, se 7L² é uma função de produção, 14L¹ é a produtividade marginal do
trabalho. Com esses mesmos passos, vamos derivar os outros exemplos: 5L³, 10L2, 6K4,
2Q², L1/2.
i) 5L³
1º passo: Vamos cair com a potência (3) e multiplicar o número (5). 3x5 = 15.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (3). L3-1 = L².
Juntando os passos: A derivada de 5L³ é 15L².
ii) 10L²
1º passo: Vamos cair com a potência (2) e multiplicar o número (10). 2x10 = 20.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (2). L2-1 = L¹.
Juntando os passos: A derivada de 10L² é 20L¹.
iii) 6K4
Esse exemplo não é com L, mas com K. E agora? Não muda nada! Poderia ser
qualquer letra do alfabeto como incógnita: o que vai mudar é o número e a potência.
1º passo: Vamos cair com a potência (4) e multiplicar o número (6). 4x6 = 24.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (4). K4-1 = K³.
Juntando os passos: A derivada de 6K4 é 24K³.
iv) 2Q²
1º passo: Vamos cair com a potência (2) e multiplicar o número (2). 2x2 = 4.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (2). Q2-1 = Q¹.
Juntando os passos: A derivada de 2Q² é 4Q¹.
v) L1/2
Agora temos uma fração na potência. Isso não muda nada.
1º passo: Vamos cair com a potência (1/2) e multiplicar o número (1) (você lembra
da escola que L = 1L, certo?). ½ x 1 = ½.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (1/2). L1/2 - 1 = L-1/2.
Juntando os passos: A derivada de L1/2 é ½ L-1/2 .
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Se quiser treinar mais derivada, há alguns exercícios no fim dessa aula.
Antes de aplicarmos o nosso estudo das derivadas às questões, da ESAF, devemos
lembrar quatro regrinhas da potenciação, que você viu lá na escola.

Uma incógnita elevada a zero é igual a um. Exemplo: L0 = 1

Uma incógnita elevada a um é igual a ela mesma. Exemplo: L¹ = L

Uma incógnita elevada a uma fração é igual a uma raiz da incógnita, com radical
igual ao denominador. Exemplos:
L¹/2 = √L
L¹/3 = √L
3

Uma incógnita elevada a um número negativo é igual uma fração em que o
denominador é a incógnita elevada a esse número, positivo. Exemplo: L-2 = 1/L²
Observe que essas regrinhas não são derivadas: são regras de potenciação da
escola. E útil lembrar essas regras: a ESAF já cobrou derivadas que envolviam elas. Note
que a derivada é fácil, a complicação é lembrar a regrinha de potenciação para quem não
teve contato com matemática nos últimos anos.
Vamos resolver mais algumas derivadas, que usam essas regrinhas. Começamos
com a do exercício (v), de novo.
v) L1/2
1º passo: Vamos cair com a potência (1/2) e multiplicar o número (1). ½ x 1 = ½.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (1/2). L1/2 - 1 = L-1/2.
Juntando os passos: A derivada de L1/2 é ½ L-1/2 .
Só que pela quarta regrinha de potenciação, sabemos que uma incógnita elevada a
um número negativo deve ir para o denominador da fração, com o número positivo. Assim:
1 L-1/2
=
2
1
2 L1/2
Podemos usar mais uma regrinha. Na terceira regra, vimos que um número elevado
a uma fração é uma raiz. Assim:
1
2 L1/2
=
1
2 √L
Por que, além de fazer a derivada, temos que transformar o resultado dessa forma?
Porque fazer a derivada não resolve o exercício, ainda teremos uma equação. É mais fácil
encontrar o valor de L usando a versão 1/2√L do que ½ L-1/2.
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vi) L
Vamos usar agora as outras duas primeiras regrinhas de potenciação. Sabemos pela
segunda que L é a mesma coisa que L¹.
1º passo: Vamos cair com a potência (1) e multiplicar o número (1). 1 x 1 = 1.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (1). L1 - 1 = L0.
Juntando os passos: A derivada de L é 1L0.
Só que nós vimos na primeira regrinha que L0 é igual a 1. Assim, a derivada de L é
simplesmente 1.
vii) 4L
1º passo: Vamos cair com a potência (1) e multiplicar o número (4). 1 x 4 = 4.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (1). L1 - 1 = L0 = 1.
Juntando os passos: A derivada de 4L é 4L0.
Vimos no exercício anterior e na primeira regrinha que L0 é igual a 1. Assim, a
derivada de 4L é simplesmente 4.
Já podemos agora começar a resolver mais questões da ESAF sobre demanda por
trabalho. Sabíamos que para achar a demanda do trabalho deveríamos usar a fórmula Pmg
x p = w. Agora aprendemos a achar Pmg, a produtividade marginal do trabalho, quando o
examinador não nos dá o seu valor: faremos isso derivando a função de produção. O que
aprendemos agora também será muito útil para resolver as questões sobre demanda de
trabalho de modelos não competitivos. Na verdade, como a derivada serve pra encontrar
variações em uma função causada por uma variável, ela pode ser usada para encontrar
outros valores marginais, e não apenas a produtividade marginal do trabalho.
Ainda está com dúvida na derivada? Você pode treinar com os exercícios do final da
aula, nos moldes do que acabamos de ver.
5.6. Modelos não competitivos de demanda por trabalho
São dois os modelos não competitivos que nos interessam: o monopólio e o
monopsônio. O monopólio ocorre no mercado de bens: apenas uma empresa vende
produtos nesse mercado e, por isso, a sua demanda por trabalho será diferente, mesmo
que o mercado de trabalho esteja em concorrência perfeita. O monopsônio ocorre no
mercado de trabalho: apenas uma empresa emprega trabalhadores e, por isso, a sua
demanda por trabalho será diferente, mesmo que o mercado de bens esteja em
concorrência perfeita.
Qual era mesmo a diferença entre competição perfeita e competição imperfeita? Isso
mesmo, o poder de mercado. E quando existe poder de mercado, as empresas não tomam
os preços como dado, porque elas o influenciam. No monopólio, a empresa influencia o
preço do produto. No monopsônio, a empresa influência o preço do trabalho (salário). Essa
será a principal diferença desses modelos em relação ao modelo competitivo, porque várias
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hipóteses são absolutamente as mesmas. Isso ocorre porque nos modelos não
competitivos (monopólio e monopsônio) as empresas também maximizam o lucro (buscam
lucro máximo).
A demanda por trabalho no monopólio
O monopolista também maximiza o lucro. Assim como a empresa em concorrência
perfeita, isso também afeta sua demanda por trabalho. O monopolista também vai buscar
uma quantidade ideal L de trabalhadores. Contratando mais trabalhadores que L, ele não
maximiza o lucro, porque os custos sobem mais que o valor da produção adicional.
Contratando menos, ele também não terá lucro máximo, porque está perdendo dinheiro,
já que com mais trabalhadores o seu valor da produção adicional ainda subiria mais que
os custos. Isso quer dizer que assim como a empresa em concorrência perfeita o
monopolista demanda trabalho na quantidade em que o valor da produção marginal é igual
ao custo marginal. Quando afirmamos isso para a firma em concorrência perfeita, já
havíamos mencionado que a afirmação também valia para o monopólio.
VALOR DA PRODUÇÃO MARGINAL = CUSTO MARGINAL
Se para o monopolista o valor da produção marginal também deve igualar o custo
marginal, o que muda em relação à concorrência perfeita? A diferença em relação à
empresa em concorrência perfeita é que o monopolista não toma o preço do produto como
dado. Não teremos um valor fixo para o preço, e sim uma função preço. Isso acontece
porque, como é o único vendedor no mercado, a quantidade de produtos que o monopolista
vende afeta o preço do produto. Isso não acontecia na concorrência perfeita, porque
tínhamos uma quantidade infinita de vendedores, de modo que variações na produção de
qualquer um deles não afetava o preço do produto. Quanto maior a oferta de um produto,
menor o seu preço.
O monopolista deve considerar isso na sua decisão de maximizar o lucro. Se ofertar
mais bens, vai aumentar o valor da produção por causa da quantidade vendida. Mas quanto
mais produtos ele ofertar, menor será o preço do produto. Quer dizer, existe um limite à
quantidade que o monopolista pode aumentar na produção. Se produzir de mais, o preço
ficará muito barato e o valor da produção cai. Quanto maior a produção do monopolista,
menor será o preço do seu produto.
E como isso afeta a demanda por trabalho? Na concorrência perfeita, partíamos de
VPmg = Cmg para chegar na fórmula Pmg x p = w. Já sabemos que não poderemos usar
p fixo, porque o monopolista não toma p como dado. Em vez de p, usaremos o que
chamaremos de receita marginal, a receita adicional com a venda de cada produto. Ela não
será igual a um “p” fixo como antes, porque o preço do produto muda com a quantidade
vendida. Observe que o monopolista vende sim seu produto por um preço, ele só não é
tomado como dado como antes. Na competição perfeita, a receita marginal com uma nova
mercadoria é simplesmente p, mas no monopólio a receita marginal é uma função preço
que considera o efeito do aumento da oferta do produto no preço. Assim, o valor da
produção marginal do monopolista é o produto marginal multiplicado pela receita marginal.
Segue que o monopolista demanda trabalho na quantidade em que a produtividade
marginal multiplicada pela receita marginal é igual ao salário.
VALOR DA PRODUÇÃO MARGINAL = CUSTO MARGINAL
VALOR DA PRODUÇÃO MARGINAL = SALÁRIO
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PRODUTIVIDADE MARGINAL X RECEITA MARGINAL = SALÁRIO
Assim como a produtividade marginal, a receita marginal é encontrada com a
derivada. Se na produtividade marginal derivávamos a função produção, na receita
marginal derivaremos a função receita. A função receita é simplesmente a quantidade
produzida multiplicada pelo preço.
A demanda por trabalho no monopsônio
Esse é o terceiro modelo de demanda que estudaremos. Com a compreensão dos
dois anteriores, vai ser mais fácil entendê-lo. Um mercado de trabalho com monopsônio é
um mercado de trabalho em que apenas uma empresa contrata os trabalhadores. A
demanda por trabalho do monopsonista tem o mesmo propósito da demanda da empresa
em concorrência perfeita ou da empresa monopolista: a maximização do lucro. Isso quer
dizer que também o monopsonista visa uma quantidade ideal L de trabalhadores:
demandando menos ou mais do que L o lucro não será o maior possível. A nossa regra
anterior vista nos dois modelos continua valendo: o monopsonista demanda trabalho na
quantidade em que o valor da produção marginal é igual ao custo marginal.
VALOR DA PRODUÇÃO MARGINAL = CUSTO MARGINAL
A igualdade acima era verdade tanto para empresa em concorrência perfeita quando
para a empresa monopolista. Vimos que a diferença se dava na receita marginal: a
empresa em concorrência perfeita tomava o preço p como dado, e a empresa monopolista
tinha poder de mercado e não tomava o preço como dado. O que vai mudar então com o
monopsonista? Ele tem poder de mercado no mercado de trabalho, mas não tem poder de
mercado no mercado da mercadoria produz. Isso quer dizer que o valor da produção
marginal, o lado esquerdo da equação acima, vai ser igual ao da concorrência perfeita e
diferente do monopólio. O monopsonista também toma o preço como dado e sua receita
marginal é p.
A diferença em relação aos modelos anteriores se dará agora na parte direita da
equação, o custo marginal. Isso acontece porque o monopsonista tem poder de mercado
no mercado de trabalho. Como o preço desse mercado é o salário, a diferença em relação
à empresa em concorrência perfeita e à monopolista é que o monopsonista não toma o
salário como dado. Nos modelos anteriores, tomávamos o custo marginal simplesmente
como w, um salário dado. A diferença da demanda do monopsonista se dá justamente aí.
Agora não podemos substituir “custo marginal” por um “salário” dado qualquer.
VALOR DA PRODUÇÃO MARGINAL = CUSTO MARGINAL
PRODUTIVIDADE MARGINAL X PREÇO = CUSTO MARGINAL
Qual é exatamente a consequência desse poder de mercado do monopsonista?
Vimos que no caso do monopólio, o poder de mercado implicava que a oferta do produto
impactava o seu preço. O preço passava a depender da quantidade que o monopolista
escolhia ofertar, e por isso ele não era dado. Da mesma forma, no monopsônio, o poder
de mercado implica que a demanda por trabalho da empresa impacta o salário. O salário
depende da quantidade de trabalho que o monopsonista escolhe demandar.
Como exatamente se dá essa influência? No monopólio, quanto mais a empresa
vendia, mais ela aumentava a oferta do produto e, com isso, pressionava o preço para
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baixo. Só que a demanda em um mercado também afeta os preços. Quanto maior a
demanda, maior o preço. Levemos agora esse resultado para o nosso mercado, em que a
mercadoria é o trabalho e o preço é o salário. No monopsônio do mercado de trabalho, o
aumento da demanda por trabalho pressiona o salário para cima. Com concorrência
perfeita no mercado de trabalho isso não acontecia. A hipótese da concorrência perfeita
supõe que existe uma quantidade grande de empregadores, de forma que nenhum pode
sozinho afetar os salários. Quando uma empresa decide contratar mais, ela não está
aumentando a demanda do mercado. Mas quando toda a demanda de um mercado é de
uma única empresa, a sua demanda é a demanda do mercado. Vale lembrar que o salário
também era dado no monopólio porque supomos que o mercado de trabalho do
monopolista estava em concorrência perfeita.
Concentremo-nos agora nas consequências desse poder de mercado que o
monopsonista tem no mercado de trabalho. Ele terá de considerar esse poder de mercado
em sua decisão de maximização de lucro. Se demandar mais trabalhadores, pode aumentar
sua produção. Mas toda vez que demandar mais trabalhadores ele também irá aumentar
o salário do mercado. Lembra do exemplo da padaria do Carlos? Lá fixamos o salário em
700, e o custo marginal era o mesmo para cada novo trabalhador. Isso não acontece no
monopsônio. Imagine se Carlos, além de fazer as considerações que já fazia sobre o valor
da produção marginal e o custo marginal, tiver que considerar também que cada nova
contratação é mais cara que à anterior? Fatalmente isso o levará a demandar menos
trabalhadores. É isso que ocorre em um monopsônio. A demanda por trabalho no caso de
monopsônio é sempre menor do que na competição perfeita. Isso decorre do custo
marginal aumentar com a demanda por trabalho, porque o monopsonista não toma o
salário como dado, e o salário aumenta com o aumento da quantidade demandada.
Por fim, frise-se que a curva de oferta por trabalho do monopsonista é positivamente
inclinada, porque o custo marginal do trabalho para ele é crescente (o salário aumenta
com o aumento da demanda).
CASO ESPECÍFICO: A ineficiência do monopsônio
No início da aula, vimos que os mercados competitivos são considerados eficientes
para os economistas, enquanto os mercados não competitivos são considerados
ineficientes. No monopólio, essa ineficiência era vislumbrada no fato da quantidade de
trabalho demandada ser menor do que em um mercado em concorrência perfeita. No
monopsônio, já vimos que a quantidade de trabalho demandada também será menor. Só
que esse não é o único problema. No monopsônio, não apenas a quantidade de trabalho
demandada é menor, como também o salário é menor do que na concorrência perfeita.
Não entraremos em detalhe no mecanismo por trás disso, mas a origem do problema está
na existência de poder de mercado.
Está claro que um mercado de trabalho dominado por um único empregador é ruim
para os trabalhadores: o nível de emprego (demanda por trabalho) e os salários são
menores. Se esse mercado estivesse em concorrência perfeita, o emprego e salários
seriam maiores. Por isso, os economistas consideram o monopsônio como um mercado de
trabalho propício para intervenção governamental. Um tipo de intervenção que poderia ser
feita é estabelecer um piso para os salários, ou seja, um salário mínimo. Estudaremos a
fundo nesse curso os impactos do salário mínimo. Podemos adiantar por agora que esse
tipo de intervenção poderia aumentar os salários sem gerar desemprego. Normalmente,
um aumento do salário mínimo está associado a uma redução na demanda por trabalho.
Só que como o monopsonista tem poder de mercado e extrai ganhos dos trabalhadores, é
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possível aumentar os salários sem que o emprego fique prejudicado. O que o governo
estaria fazendo é levando esse mercado para mais próximo da concorrência perfeita, em
que o salário e a demanda por trabalho são maiores. No monopsônio, a fixação de um
salário mínimo pode aumentar os salários sem que a demanda por trabalho se reduza.
Para fechar, que tal um resumão em formato de tabela?
COMPETIÇÃO PERFEITA
MONOPÓLIO
MONOPSÔNIO
Empresa maximiza lucro
Empresa demandará trabalho até que o valor da produção marginal seja igual ao valor
do custo marginal.
VPmg = Cmg
O valor da produção marginal é igual à produtividade marginal multiplicada pela
receita marginal.
Pmg x Rmg = Cmg
O preço é dado.
O preço não é dado.
O preço é dado.
Rmg = p
Rmg ≠ p
Rmg = p
O salário é dado.
O salário é dado.
O salário não é dado.
Cmg = w
Cmg = w
Cmg ≠ w
Pmg x p = w
Pmg x Rmg = w
Pmg x p = Cmg
Demanda por trabalho
é menor do que à
competitiva.
Demanda por trabalho é menor
do que à competitiva.
Salário é menor do que o
competitivo e do que o
monopólio.
6. Considerações Finais
Pronto!!! Encerramos nossa aula 01. Nesta aula, discorremos a respeito de conceitos
referentes à demanda por trabalho. Sei que foi uma aula mais intensa que a anterior.
Talvez, seja uma das aulas mais complexas de todo nosso curso. Por isso, deixei de lado
para as próximas aulas o tema “custos não salariais”, ok? Será melhor deixar para que
uma aula seja responsável por eles.
Não hesite, qualquer dúvida, reclamação, conselho, elogio, é só enviar para
[email protected]
ou
no
meu
grupo
do
facebook:
https://www.facebook.com/groups/123058304514814. Se vislumbrar alguma “errata”,
por favor, mande também para meus contatos. Se houver qualquer problema,
prontamente, será corrigido e repostada a aula.
Até a próxima aula!!!
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7. Questões propostas
Questão 01 - (CESPE/Câmara dos Deputados/Consultor/2002) Quando o salário real
aumenta, o nível de emprego também se eleva, pois os maiores salários levam a um
aumento do consumo, que se traduz em maior demanda de trabalho.
Julgue as questões 02 a 04 como sendo verdadeiras ou falsas:
Questão 02 - O efeito de uma redução dos salários reais sobre a demanda por trabalho é
incerto.
Questão 03 - Se em um período o custo da mão de obra aumentar em 50% e o custo do
capital permanecer constante em todos os setores da economia, o efeito substituição
reduzirá a demanda por trabalho em 50% em todas as empresas.
Questão 04 - Um aumento do salário mínimo irá reduzir a demanda por trabalho somente
se o efeito substituição for maior do que o efeito escala.
Questão 05- (ESAF/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho/2006) Suponha uma economia em
que as firmas estão inseridas num contexto de competição perfeita tanto no mercado do
bem final quanto no mercado de fatores de produção. Suponha também que, em uma
determinada indústria, são empregados apenas capital e trabalho para produzir um bem
final. Segundo o que é conhecido na literatura como regras de Marshall da demanda
derivada, ligadas à demanda por trabalho, é correto afirmar que:
a) a demanda por trabalho da indústria será mais elástica quanto menor for a elasticidadepreço da demanda do bem final.
b) a demanda por trabalho da indústria será mais elástica quanto maior for a elasticidade
de substituição entre o trabalho e o capital.
c) a demanda por trabalho da indústria será mais elástica quanto menor fora participação
do trabalho nos custos totais.
d) a demanda por trabalho da indústria será mais elástica quanto menor for a elasticidade
da oferta do capital.
e) a demanda por trabalho da indústria será mais elástica quanto maior for a elasticidaderenda da demanda do bem final.
Questão 06 - (ESAF/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho/2003)
No
longo
prazo
a
demanda por trabalho é mais elástica em relação ao salário do que no curto prazo. Isso é
verdade porque, em longo prazo, quando o salário sobe:
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ECONOMIA DO TRABALHO
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a) a empresa contratará mais mão de obra.
b) a empresa terá lucro zero.
c) a empresa adquirirá mais capital.
d) a empresa pode estabelecer o preço dos produtos.
e) a empresa terá lucro maior do que zero.
Questão 07 - (CESPE/Senado Federal/Consultor/2002) Considerando o arcabouço
analítico proposto por Hicks-Marshall, julgue o item subsequente:
“Observa-se que quanto maior a elasticidade da demanda por um determinado produto,
menor a elasticidade da demanda por mão de obra na produção desse produto.”
Questão 08 – (CESPE/Senado Federal/Consultor/2002) O efeito final de uma elevação do
salário mínimo sobre o emprego depende, entre outros fatores, da elasticidade da
demanda por trabalho: quanto mais elástica for a demanda, maior será o efeito negativo.
Questão 09 - (ESAF/MPU/Analista – Área Pericial – Especialidade Economia/2004) Podem
ser considerados como pressupostos básicos de um modelo de mercado em concorrência
perfeita, exceto:
a) a empresa tomar como dados os preços dos fatores de produção.
b) a empresa tomar como dados os preços de seus produtos.
c) a empresa não conhecer a sua função de produção, o que reduz a possibilidade de
manipulação de preço de mercado.
d) a empresa ser suficientemente pequena no mercado, o que impede a manipulação de
preços no mercado.
e) movimentos de entrada e saída de empresas no mercado poderem explicar flutuações
de preços.
Questão 10 - (ESAF/MPU/Analista – Área Pericial – Especialidade Economia/2004)
(Adaptada) Podem ser considerados como pressupostos básicos de um modelo de
monopólio, exceto o fato de:
a) não ser possível o acesso de concorrentes no suprimento do produto.
b) o monopolista não maximizar o lucro tendo em vista o seu poder de manipulação de
preços no mercado.
c) o monopolista ter poder de mercado.
d) o monopolista influenciar no preço do produto.
e) o monopolista desejar maximizar lucro.
35
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ECONOMIA DO TRABALHO
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Questão 11 - (ESAF/MTE/Auditor-Fiscal do Trabalho/2003) Suponha que a
produtividade marginal do trabalho pode ser expressa pela seguinte função: 10/L, onde L
é a quantidade de mão de obra. Se a empresa vende sua produção em um mercado
competitivo a um preço de $8, quanta mão de obra contratará a empresa se o salário for
de $5 por unidade de mão de obra?
a) 16 unidades de mão de obra.
b) 4 unidades de mão de obra.
c) 6,25 unidades de mão de obra.
d) 10 unidades de mão de obra.
e) 8 unidades de mão de obra.
Questão 12 - (ESAF/MPOG/Economista/2006) (Adaptada) Seja a função de produção
Q = Q(K, L)
E a função custo total
C = r.K + w.L
Onde:
Q = produção;
K = capital;
L = trabalho;
C = custo total;
r = custo unitário do capital;
w = custo unitário do trabalho.
Para maximizar a produção sujeita a um dado custo total e dados os preços dos insumos,
o produtor deve contratar o insumo trabalho em quantidades tais que a produtividade
marginal do trabalho seja igual a:
a) C.
b) 1.
c) zero.
d) w.
e) w/p.
Questão 13 - (CESPE/Câmara dos Deputados/Consultor/2002) Em um mercado em
concorrência tanto de bens como de fatores, a firma maximiza o lucro quando o salário
real é igual à produtividade marginal do trabalho.
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Questão 14 - (CESPE/Câmara dos Deputados/Consultor/2002) A produtividade marginal
do trabalho é positiva e crescente.
Questão 15 – (ESAF/MTE/Auditor-Fiscal do Trabalho/1998) Considerando o modelo
neoclássico sobre o mercado de trabalho, podemos afirmar que:
a) a hipótese que faz com que a curva de demanda seja negativamente inclinada é a de
rendimentos constantes de escalas.
b) a curva de demanda por trabalho é idêntica à curva que relaciona um determinado nível
de emprego à sua produtividade média.
c) a demanda por trabalho relaciona salário nominal e nível de emprego, ao passo que, na
construção da oferta, o salário relevante é o real.
d) o fato de a curva de demanda por trabalho ser negativamente inclinada depende da
hipótese de rendimentos marginais decrescentes.
e) se os rendimentos de escala são decrescentes, a curva de demanda é necessariamente
horizontal.
Questão 16 - (ESAF/ANA/Analista Administrativo – Ciências Econômicas/2009) Uma firma
maximizadora de lucros em um mercado perfeitamente competitivo possui uma função de
produção Cobb-Douglas dada por y = K½L1/2, sendo K e L a quantidade de capital e trabalho
empregada na produção da quantidade y do bem. No curto prazo, a quantidade fixa de
capital é igual a cem unidades (K=100) e a firma escolhe a quantidade de trabalho que
pretende empregar, conforme o salário w pago no mercado competitivo de trabalho. Sendo
assim, podemos afirmar que:
a) a função de demanda pelo fator trabalho é dada por w = 25/L².
b) se o salário for igual a uma unidade monetária, a firma contratará 36 unidades de
trabalho.
c) se o salário for igual a uma unidade monetária, a firma contratará 25 unidades de
trabalho.
d) a função demanda por trabalho é linear em w, ou seja L = aw + b.
e) como existe uma função demanda por trabalho, temos um monopsônio, de modo que o
trabalhador receberá menos do que o valor daquilo que seu trabalho gera em termos de
receitas de vendas.
Questão 17 - (ESAF/MTE/Auditor Fiscal do Trabalho/2003) Uma determinada empresa é
monopolista para uma nova patente de produtos farmacêuticos. Se a demanda por esses
produtos for P = 25 – 2Q, e a função de produção a curto prazo for Q = 4L (Q representa
a quantidade produzida ou vendida e L a quantidade de mão de obra), a demanda de
trabalho dessa empresa poderá ser expressa pela seguinte equação (W representa o salário
nominal):
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a) W = 100 – 4L
b) W = 100 – 64L
c) W = 25 – 4L
d) W = 25 – 8L
e) W = 100 – 8L
Questão 18 - (ESAF/MTE/Auditor-Fiscal do Trabalho/2003) A curva de oferta de trabalho
que enfrenta um monopsonista tem inclinação positiva porque:
a) os monopsonistas somente contratam mão de obra especializada.
b) outras indústrias competem por esses trabalhadores e empurram para cima o salário.
c) ele deverá aumentar o salário caso queira atrair mais mão-de-obra.
d) políticas trabalhistas restringem a oferta de mão-de-obra para um monopsonista.
e) ele tem poder monopólico no mercado de bens finais.
Questão 19 - (ESAF/STN/Analista de Finanças e Controle – Área EconômicoFinanceira/2000) (Adaptada) Com relação ao mercado de trabalho, pode-se afirmar que:
a) um monopolista paga para cada trabalhador contratado um valor superior ao valor de
seu produto marginal.
b) uma política de salário mínimo leva a uma escassez na oferta de trabalho.
c) se o empregador for um monopsônio, então, uma política de salário mínimo pode levar
um aumento na eficiência do mercado.
d) o salário não depende do produto marginal do trabalhador, caso o empregador seja um
monopolista.
e) empresas em concorrência perfeita demandam trabalho até que o salário seja igual ao
valor de seu produto médio.
Questão 20 - (CESPE/Senado Federal/Consultor/2002) No caso de um empregador
monopsonista que fixa um salário abaixo do produto marginal do trabalho, a fixação do
salário mínimo no nível de equilíbrio competitivo acarreta redução do nível de emprego da
economia.
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8. Resolução das Questões Propostas
Questão 01 - Atenção para a seguinte frase, amigo(a): Aumentos do salário levam a uma
redução na demanda por trabalho. Pelo efeito escala, a demanda por trabalho diminui em
consequência da redução das vendas, causadas pelo aumento no preço do produto. Pelo
efeito substituição, a demanda por trabalho diminui porque o insumo trabalho fica menos
atraente em relação ao insumo capital, levando a substituição entre eles. A questão foge
a qualquer um dos efeitos.
O efeito escala e o efeito substituição também podem ser usados para explicar os outros
dois determinantes da demanda por trabalho que citamos: mudanças no preço do capital
e na demanda dos produtos vendidos, ok?
Gabarito: Falsa
Questão 02 - A redução dos salários reais aumenta a demanda por trabalho. Sem nada
de incertezas, pois o efeito escala e o efeito substituição sempre têm a mesma direção.
Gabarito: Falsa
Questão 03 – Como estudamos, atento(a) amigo(a), a proporção que o homem pode
ser trocado pela máquina vai depender de algo chamado elasticidade de substituição. Além
de não ser o mesmo em todos os setores ou empresa, o efeito substituição não tem
necessariamente a mesma magnitude de uma alteração no preço de algum dos insumos.
Os salários podem aumentar 50%, mas a redução na demanda pode ser de qualquer valor,
dependendo de cada caso.
Gabarito: Falsa
Questão 04 - Mesma razão da questão 02. O efeito escala e o efeito substituição têm a
mesma direção nesse caso. Ambos reduzem a demanda por trabalho, nada de incertezas.
Gabarito: Falsa
Questão 05 – Analisando cada sentença...
a) ERRADA. “Elasticidade preço da demanda do bem final” é basicamente a elasticidade de
demanda do produto final em relação ao preço. De acordo com a primeira lei, essa
afirmação teria que estar ao contrário para ser correta: “A demanda por trabalho é mais
elástica quanto mais elástica for a demanda do produto final em relação ao preço.”
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b) CERTA. A elasticidade de substituição é simplesmente o grau com que o trabalho pode
ser trocado por capital. Pela segunda lei, quanto mais fácil for trocá-los, maior vai ser a
elasticidade da demanda por trabalho.
c) ERRADA. É o contrário do que vimos na 4ª lei. “A demanda por trabalho é mais elástica
quanto maior a participação dos salários no custo total do produto.”
d) ERRADA. Sobre a terceira lei: “A demanda por trabalho é mais elástica no longo prazo,
quando pode se usar mais capital.” Só que agora temos um termo novo: “elasticidade de
oferta”. Sabemos que a oferta de capital é fixa no curto prazo e aumenta apenas no longo
prazo. De outra forma, essa oferta é inelástica no curto prazo em relação à demanda (não
varia) e elástica no longo prazo (varia). É justamente a disponibilidade de capital no longo
que prazo que torna a demanda por trabalho mais elástica. Ou seja, quanto mais elástica
for a oferta de capital, mais elástica será a demanda por trabalho, pegou?
e) ERRADA. Se você observar, os quatro itens anteriores abordaram as quatro regras de
Hicks-Marshall. Por elas, não existe relação entre a elasticidade da demanda por trabalho
e a elasticidade-renda da demanda do bem final.
Gabarito: Letra B.
Questão 06 – Tchã nã nã nã..que lei o enunciado está falando, amigo(a)?A terceira,
professor!!! Vimos que no longo prazo a oferta de capital é elástica, quer dizer, ela não é
mais fixa. Assim, a empresa pode substituir trabalho por capital. A resposta então é que a
empresa adquirirá mais capital.
Gabarito: Letra C.
Questão 07 - Essa é mais uma questão que inverte a primeira lei de Hicks-Marshall.
Observe : “A demanda por trabalho é mais elástica quanto mais elástica for a demanda do
produto final em relação ao preço.” Portanto...
Gabarito: Falsa
Questão 08 – Tema da questão: o significado do termo elasticidade da demanda por
trabalho. Quanto mais elástica a demanda por trabalho, mais sensível é a demanda por
trabalho em relação a uma mudança salarial.
E qual é o efeito final de uma elevação do salário? Aumentos de salário diminuem a
demanda por trabalho, isto é, o efeito é negativo.
Vamos juntar as duas coisas: a direção do efeito e a magnitude do efeito. Assim,
quanto mais elástica for a demanda, maior será o efeito negativo resultante de
uma elevação do salário.
Gabarito: Verdadeira
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Questão 09 - Pelo enunciado, devemos encontrar a alternativa incorreta.
a) CERTA. Em um mercado em competição perfeita, a empresa não tem poder de mercado.
Como o examinador não especificou no enunciado a qual mercado ele se referia (se era o
de bens, onde a empresa oferta seus produtos, ou o de fatores, onde demanda trabalho),
parece que ele está supondo ambos em competição perfeita. Se ela não tem poder de
mercado no mercado de fatores, ela não influencia o preço dos fatores (incluindo trabalho).
Como vimos, isso implica que ela toma o preço como dado.
b) CERTA. Da mesma forma, se a empresa opera em um mercado de bens em competição
perfeita, ela não tem poder de mercado. Se não tem poder de mercado, ela não influencia
o preço de seus produtos, e toma ele como dado.
c) ERRADA. Ficou na dúvida? Olhando as alternativas seguintes, fica claro que essa é a
alternativa errada. É verdade que na concorrência perfeita a empresa não manipula o preço
de seus produtos, ela toma ele como dado. Mas isso decorre dela não ter poder de
mercado, porque possui vários concorrentes (não há barreiras à entrada) e não dela não
conhecer sua função de produção.
d)CERTA. Como existem muitas empresas no mercado, nenhuma delas é grande o
suficiente para ter poder de mercado e influenciar os preços.
e) CERTA. A competição perfeita é caracterizada pela ausência de poder de mercado
(influência nos preços), que tem origem na grande quantidade de empresas operando, já
que o mercado não possui barreiras à entrada. A competição perfeita é, assim,
caracterizada pela liberdade no movimento de entrada e saída de empresas.
Gabarito: Letra C.
Questão 10 - Mais uma vez, o enunciado pede a alternativa incorreta.
a) CERTA. Em mercados não competitivos, como o monopólio, existem barreiras à entrada,
não sendo possível o acesso de concorrentes.
b) ERRADA. Assim como as empresas da concorrência perfeita, a empresa monopolista
também busca o lucro máximo.
c) CERTA. Essa é uma característica fundamental do monopólio.
d) CERTA. Essa alternativa está relacionada com a anterior.
e) CERTA. A afirmativa feita aqui é o contrário da feita na letra B, que era a incorreta: o
monopolista maximiza lucro sim, assim como as empresas da concorrência perfeita.
Gabarito: Letra B.
Questão 11 – Atenção, o modelo é competitivo. A fórmula da demanda por trabalho em
um modelo assim é a seguinte:
Pmg = w/p
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OU
Pmg x p = w
Informações do Enunciado: Ele disse que a produtividade marginal é igual a 10/L, o
salário é igual a 5 e o preço da mercadoria é igual a 8. Vamos substituir na fórmula Pmg
= w/p.
10/L = 5/8
Agora devemos apenas resolver essa equação para achar o L. Vamos trocar o L pelo
5 na equação, porque o que tá multiplicando passa dividindo.
10 = L x 5/8
10/5 = L/8
Como 10 dividido por 5 é igual 2, temos:
2 = L/8
Isolando o L...
16 = L
Essa empresa irá contratar 16 trabalhadores.
Gabarito: Letra A.
Questão 12 – Traduções desta questão, amigo(a): custo unitário do trabalho (equivalente
ao salário) e insumo (equivalente a fator de produção).
A pergunta é apenas qual a produtividade marginal do trabalho. Vamos usar a
fórmula Pmg = w/p. Muita atenção agora: Ele não deu valores para as nossas
incógnitas, mas as respostas não estão em números como na questão anterior.
Nem precisamos fazer qualquer conta: a letra E já está piscando para gente. A
resposta é simplesmente w/p. Sabendo a fórmula se resolvia a questão...acredite, existem
questões assim!!!Ah, se todas as questões fossem assim né...
Gabarito: Letra E.
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Questão 13 - Sabemos que Pmg = w/p. Sabemos ainda que nossa fórmula diz que
produtividade marginal é igual ao salário real.
A firma que maximiza lucros contrata trabalhadores até o lucro não poder ser maior, ou
seja, até o valor da produção marginal ser igual ao custo marginal. Partindo da igualdade
Vpmg = Cmg, na concorrência perfeita, Vpmg = Pmg x p e Cmg = w. Chegamos assim a
nossa fórmula infalível Pmg = w/p.
Gabarito: Verdadeira
Questão 14 - A produtividade marginal do trabalho é sim positiva, mas não é crescente.
Como já sabemos, cada trabalhador adiciona menos à produção do que o anterior. A
empresa não pode aumentar seu lucro indefinidamente apenas aumentando a quantidade
de trabalhadores, porque eles não rendem tanto.
Gabarito: Falsa
Questão 15 – Analisando cada alternativa
a) ERRADA. A curva de demanda é negativamente inclinada por causa da produtividade
marginal decrescente (lembre-se: rendimentos decrescentes de escala).
b) ERRADA. A curva de demanda relaciona o nível de emprego (quantidade de
trabalhadores demandados) com a produtividade marginal. Não há nada de produtividade
média na história!!!
c) ERRADA. Oferta do trabalho próxima aula!!! Guarde um pouco a ansiedade!!!
d) CERTA. A curva de demanda é negativamente inclinada por causa da produtividade
marginal decrescente (rendimentos decrescentes de escala).
e) ERRADA. Os rendimentos de escala decrescentes (produtividade marginal decrescente)
estão associados a uma curva de demanda negativamente inclinada. Uma curva
“horizontal” é uma curva sem nenhuma inclinação, como a do custo marginal (salário) no
gráfico acima.
Gabarito: Letra D
Questão 16 - E agora? As quatro primeiras alternativas exigem saber a demanda por
trabalho. Então temos que aplicar a fórmula:
Pmg = w/p
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Só que dessa vez o examinador não nos deu o valor da produtividade marginal do
trabalho. Vamos encontrá-lo a partir da função de produção, já que sabemos que a
produtividade marginal é a derivada da função de produção.
O examinador usa uma função de produção chamada “Cobb-Douglas”, mas o nome
dela não nos interessa. O que interessa é que ela é assim:
K½L1/2
O enunciado nos deu o valor de K, o capital, e K é igual a 100. Substituindo na
função...
100½L1/2
Uma das regras de potenciação lá da escola que revisamos diz que 100½ é o
mesmo que √100. Então a função de produção é igual a:
√100 L1/2
Raiz de 100 é 10. Assim, a função de produção pode ser apresentada como:
10L1/2
A partir dessa função de produção, queremos encontrar a produtividade marginal do
trabalho. Vamos derivá-la!
5.
1º passo: Vamos cair com a potência (1/2) e multiplicar o número (10). ½ x 10 =
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (1/2). L1/2 - 1 = L-1/2.
Juntando os passos: A derivada de 10L1/2 é 5L-1/2 .
A produtividade marginal do trabalho é igual a 5L-1/2. Usando Pmg = w/p, temos:
5L-1/2 = w/p
Só que agora temos um problema. O examinador falou que o mercado do produto e
o mercado dos fatores estão em concorrência perfeita. Mas ele não deu em momento
nenhum o valor do preço p! Isso às vezes acontece. Arregale os olhos: Quando o preço
não é informado, considere p=1. Assim, temos:
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5L-1/2 = w
Pela quarta regrinha de potenciação, sabemos uma incógnita elevada a um número
negativo deve ir para o denominador da fração, com o número positivo. Assim:
5 L-1/2
=
5
L1/2
Ainda dá pra usar mais uma regrinha. Sabemos que um número elevado a uma
fração é uma raiz. Então
5
=
L1/2
5
√L
Nossa equação agora é:
5/√L = w
a) ERRADA. w = 5/√L e não 25/L².
As letras b e c supõe que o valor do salário é também igual a 1 (é isso que “uma
unidade monetária” quer dizer). Então a nossa fórmula Pmg = w/p fica:
5/√L = 1
Para continuar resolvendo, não dá pra deixar a raiz de L no denominador. Vamos
passá-la para o outro lado (o que está dividindo vai multiplicando). Chegamos em:
5 = 1 x √L
5 = √L
Só falta resolver a raiz. E a raiz quadrada que dá 5 é a de 25!
L = 25
Com p=1 (que supomos pelo omissão do examinador) e w=1 (valor dado pelas letras
b e c) descobrimos que essa firma irá demandar 25 de trabalhadores.
b) ERRADA. L=25 com w=1.
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c) CERTA. L=25 com w=1.
d) ERRADA. Na nossa resolução, w não tomou esse formato. L = aw + b não tem nada a
ver com o que vimos aqui. Deixe esse tipo de alternativa confundir apenas para o seu
concorrente despreparado.
e) ERRADA. Ainda não estudamos a demanda por trabalho monopsônio, apenas na
concorrência perfeita. Mas a concorrência perfeita também tem uma função demanda por
trabalho. Como isso poderia ser uma característica apenas do monopsônio? Deixa esse tipo
de alternativa para outro concorrente despreparado.
Gabarito: Letra C.
Questão 17 - Acharemos a demanda por trabalho igualando VPmg=Cmg, quer dizer, o
valor da produção marginal ao custo marginal. Em um monopólio, o valor da produção
marginal será igual à produtividade marginal multiplicada pela receita marginal. Como o
mercado de trabalho ainda está em concorrência perfeita, podemos considerar Cmg=w,
como antes. Chamando a receita marginal de Rmg, a nossa fórmula agora é
Pmg x Rmg = w
Note que a diferença em relação à competição perfeita é que lá usávamos p ao invés
de Rmg.
Teremos que fazer duas derivadas, uma para encontrar a produtividade marginal a
partir da função de produção e outra para encontrar a receita marginal a partir da função
receita. Vamos começar com o que já fizemos antes: achar a produtividade marginal.
A função de produção é Q = 4L. Qual a derivada de 4L?
1º passo: Vamos cair com a potência (1) e multiplicar o número (4). 1 x 4 = 4.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (1). L1 - 1 = L0 = 1.
Juntando os passos: A derivada de 4L é 4L0.
Só que L0 = 1. A derivada de 4L é então 4.
Pmg = 4
Falta achar a receita marginal. Sabemos que a receita é o a quantidade produzida
multiplicada pelo preço. Assim
R=QxP
Pelo enunciado, sabemos que P = 25 – 2Q. Observe que o preço não é dado no
monopólio, ele é uma função da quantidade produzida (quanto maior Q, menor o preço).
Continuemos, substituindo P:
R = Q x (25 -2Q)
R = 25Q – 2Q²
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Essa é a nossa função receita, que obtivemos multiplicando a quantidade pelo preço.
Para achar Rmg, a receita marginal, devemos derivá-la. Temos dois termos diferentes para
derivar: 25Q e – 2Q²
Vamos derivar 25Q:
1º passo: Vamos cair com a potência (1) e multiplicar o número (25). 1 x 25 = 25.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (1). Q1 - 1 = Q0 = 1.
Juntando os passos: A derivada de 25Q é 25Q0, que é igual a 25.
Agora, derivemos -2Q².
1º passo: Vamos cair com a potência (2) e multiplicar o número (-2). 2 x -2 = -4.
2º passo: Vamos diminuir em menos um o valor da potência (2). Q2 - 1 = Q1.
Juntando os passos: A derivada de -2Q² é -4Q¹, que é igual a -4Q.
Então Rmg = 25 -4Q.
Já achamos Pmg e Rmg para substituir em Pmg x Rmg = w. Pmg = 4 e Rmg =
25-4Q.
4 x (25 – 4Q) = w
Resolvendo, temos:
100 – 16Q = w
Só que nós queremos a demanda por trabalho L, e não Q. É fácil sair de Q para L,
porque o examinador já disse no enunciado que Q = 4L. Substituiremos então esse valor
na nossa conta:
100 – (16x4L) = w
100 – 64L = w
Achamos a resposta. w = 100 – 64L.
Gabarito: Letra B
Questão 18 - A curva de oferta que o monopsonista se defronta (curva Cmg) tem
inclinação positiva porque ele tem poder de mercado: como é o único empregador, a sua
demanda é a demanda do mercado. E quanto maior a demanda, maior o preço. No mercado
de trabalho, o preço é o salário, e, então, o aumento da sua demanda está associada a um
salário maior.
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a) ERRADA. A diferença do monopsônio para a concorrência perfeita não tem nada a ver
com especialização, e sim com poder de mercado.
b) ERRADA. Há apenas um empregador...
c) CERTA. Quanto mais demanda trabalhadores (mão de obra), mais os salários
aumentam. O monopsonista não pode fazer como Carlos, que pagava um salário constante
(700) para cada novo padeiro. Se quiser contratar mais, terá de pagar salários maiores.
d) ERRADA. Simplesmente nada a ver. Não há qualquer restrição desse tipo.
e) ERRADA. Ele tem poder de mercado apenas no mercado de trabalho. No mercado de
bens, ele opera em concorrência perfeita.
Gabarito: Letra C.
Questão 19 – Analisando cada sentença...
a) ERRADA. Em nenhum modelo os trabalhadores são remunerados por um valor superior
ao de sua produtividade marginal.
b) ERRADA. Um aumento de salários pode reduzir a demanda, mas não reduzir a oferta
(escassez). Não estudamos oferta de trabalho ainda, mas é razoável supor que um
aumento de salário esteja associado a um aumento da quantidade de trabalhadores
dispostos a trabalhar.
c) CERTA. O monopsônio é ineficiente e para corrigir esse problema a intervenção
governamental via fixação de salário mínimo é uma boa opção. Os salários aumentariam,
sem prejuízo da quantidade demandada.
d) ERRADA. No monopólio, vale Pmg x Rmg = w. O salário depende sim da produtividade
marginal.
e) ERRADA. Na concorrência perfeita, vale Pmg x p = w, ou Pmg = w/p. Em bom português,
o salário é igual à produtividade marginal, não à produtividade média.
Gabarito: Letra C
Questão 20 - No monopsônio, um salário mínimo pode corrigir a ineficiência do mercado
sem que haja prejuízo do nível de emprego (redução de demanda por trabalho). Essa seria
uma consequência em outras estruturas de mercado, razão pela qual os economistas se
preocupam que aumentos do salário mínimo aumentem o desemprego ou a informalidade.
Vimos que esse não é o caso do monopsônio, já que o empregador único está extraindo
ganhos dos trabalhadores.
Gabarito: Falsa
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