O potencial do mercado asiático para as exportações - Cepea

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DEPARTAMENTO DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO • ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA "LUIZ DE
QUEIROZ”
O POTENCIAL DO MERCADO ASIÁTICO PARA AS EXPORTAÇÕES DO
COMPLEXO AGROINDUSTRIAL BRASILEIRO
David Yoshigi Nukui: Graduando em Ciências Econômicas – ESALQ/USP. Rua 7 de
setembro, n. 39. Centro. Bauru. Email: [email protected]
Sílvia H. G. de Miranda: Eng. Agronôma, Doutora em Economia Aplicada (ESALQ/USP).
Bolsista PRODOC-CAPES no Depto. de Economia, Administração e Sociologia –
ESALQ/USP; pesquisadora colaboradora CEPEA/ESALQ-USP. Av. Pádua Dias, n. 11. Caixa
postal 132. CEP: 13.400-970. Piracicaba/SP. Email: [email protected]
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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO • ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA "LUIZ DE
QUEIROZ”
O Potencial do Mercado Asiático para as Exportações do Complexo Agroindustrial
Brasileiro1
RESUMO
Este trabalho teve como objetivo discutir a potencialidade do mercado asiático
(particularmente, China, Japão e Coréia do Sul) para os produtos agroindustriais brasileiros,
tendo como pano de fundo alguns fatores econômicos, sociais e políticos que marcaram essa
região. Como objetivo específico, pretendeu-se identificar as dificuldades que os exportadores
brasileiros têm enfrentado nesses mercados, com base na literatura e em informações obtidas
diretamente junto a empresas exportadoras de produtos agroindustriais para esses mercados.
Verificou-se que o comércio do agronegócio com o Japão tem se concentrado em
commodities, o que tem levado a redução de sua importância relativa na pauta exportadora
brasileira. Alguns produtos que merecem destaque são a soja em grão, o álcool, e as carnes,
no que tange aos mercados asiáticos estudados. O álcool vem ganhando espaço como melhor
alternativa de energia limpa disponível no momento, com possibilidades tanto para o Japão
quanto para a China. Os empresários entrevistados não identificaram grandes entraves quanto
à questão cultural. Possivelmente, o fato da maioria delas atuar enviando representações para
esses países, tem facilitado esse relacionamento. As maiores dificuldades apontadas
relacionaram-se às variáveis de política macroeconômica doméstica, como a taxa de juros e a
política cambial. A burocracia exportadora no Brasil e a burocracia nesses mercados também
foram apontadas como gargalos ao comércio.
PALAVRAS-CHAVE: exportação, agronegócio, mercados asiáticos
1
O trabalho está baseado no relatório final de estágio do primeiro autor durante o curso de Economia
Agroindustrial – ESALQ/USP.
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INTRODUÇÃO
A dificuldade no avanço das negociações para a formação da Área de Livre Comércio
das Américas (ALCA) e, mesmo, das negociações multilateriais na Organização Mundial de
Comércio (OMC) têm sido um dos fatores que impulsionam a intensificação das relações
comerciais com novos blocos econômicos. É o caso da aproximação com os países da
Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN)2, e também, de acordos bilaterais que
não só possibilitem mercados alternativos para produtos tradicionais, mas também que abram
espaço para novos.
O comércio intra-regional e a proliferação de acordos regionais têm se mostrado como
um caminho atrativo para os países exportadores, inclusive os asiáticos. Para ilustrar essa
afirmativa, segundo BID (2002), o comércio intra-regional na APEC3 (Cooperação
Econômica da Ásia e do Pacífico) cresceu de 55,1%, em 1980, para 68,6%, em 2002.
No ano de 2003, a China respondeu, em valor monetário, por 6,20% das exportações
totais brasileiras, sendo o terceiro maior mercado de destino, abaixo apenas dos EUA que
representou 22,84% e praticamente empatada com a Argentina, que respondeu por 6,24%.
Entre 1998 e 2003, as exportações brasileiras totais para a China, Coréia do Sul e Japão foram
adicionadas, respectivamente, em dólar FOB, em cerca de 570%, 94,9% e 5,4%.
Considerando que o agronegócio é um dos principais setores em crescimento no país,
o que se reflete no comércio externo, sua importância torna-se evidente no avanço para os
mercados asiáticos. Entre 1998 e 2003, observou-se uma variação em valor das exportações
brasileiras de agronegócio (considerando a balança comercial divulgada pelo MAPA4) de
605,7% para a China, 85,9% para a Coréia do Sul e 3,9% para o Japão. A exceção nesse
quadro significativamente favorável é o Japão, que, em alguns anos, tem apresentado redução
na aquisição de produtos do agronegócio brasileiro, em valor. Este país é um importante
importador de commodities, e beneficiou-se da redução dos preços internacionais dos
produtos básicos.
O governo tem investido em ações de promoção institucional,via Agência de
Promoção de Exportações do Brasil (APEX), levando empresários a feiras internacionais e em
delegações nos países do Oriente. Segundo Ramone (2003), a APEX contratou uma empresa
de consultoria responsável por mapear 15 setores econômicos nos quais os produtos
brasileiros podem ser mais competitivos no mercado chinês.
Reconhece-se que há peculiaridades nos mercados orientais que deverão ser
absorvidas pelo empresariado nacional a fim de viabilizar sua entrada e consolidação nesses
2
A ASEAN é formada por Birmânia, Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Filipinas, Cingapura,
Tailândia e Vietnã.
3
A APEC foi criada em 1989, na Austrália, como um fórum de conversações informais entre os países membros
da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e parceiros econômicos da região do Pacífico. É
compreendida por: Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Cingapura, Coréia do Sul, EUA, Filipinas, HongKong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Tailândia, Taiwan e
Vietnã.
4
Disponível no site www.agricultura.gov.br (acesso em abril de 2004).
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novos mercados. Questões culturais, políticas, logísticas ainda estão sendo equacionadas, e os
resultados já começam a ser observados, conforme evidenciam os números acima.
Diante disso, é indiscutível a importância de estudos sobre a potencialidade de
expansão dos mercados agroindustriais, e, em particular para os mercados asiáticos.
OBJETIVOS
Este trabalho pretende discutir a potencialidade do mercado asiático para os produtos
agroindustriais brasileiros, tendo como pano de fundo alguns fatores econômicos, sociais e
políticos, particularmente para o Japão, China e Coréia do Sul.
Como objetivo específico, pretende-se identificar as dificuldades que os exportadores
brasileiros têm enfrentado nesses mercados, com base, além da literatura, em informações
obtidas diretamente junto a empresas exportadoras de produtos agroindustriais para esses
mercados asiáticos.
REVISÃO DE LITERATURA
Antecedentes históricos e culturais dos mercados estudados
O Japão, o mais ocidentalizado dos mercados analisados neste estudo, é a segunda
economia mundial. A industrialização japonesa começou no século XIX com a dinastia Meiji
e essa cultura industrial facilitou a recuperação econômica japonesa após a derrota na
Segunda Guerra Mundial, em 1945. Outros fatores foram importantes para a recuperação
japonesa como a mão-de-obra numerosa, barata e elevado capital humano, a aplicação de
recursos financeiros dos EUA e o reerguimento das famílias industriais (keiretsu).
Shcwartz (1995) afirma que o interesse americano em formar um cinturão sanitário5,
após as revoluções comunistas na Ásia, incentivou a industrialização japonesa e tornou os
futuros tigres asiáticos fornecedores de insumos e importantes mercados para os produtos
japoneses.
Para punir permanentemente as elites japonesas pela “aventura belicista”, o general
MacArthur – comandante das forças de ocupação norte-americanas no Japão – determinou o
confisco das ações das famílias zaibatsu (grandes grupos econômicos que monopolizavam a
economia japonesa), vendendo-as nas Bolsas de Valores, acabando com os elos formais de
subordinação das filiais (kaisha) em relação à matriz (honsha). Mas, como a rede de relações
pessoais entre os gerentes das diversas empresas mantiveram-se relativamente intactas,
houve o reagrupamento das empresas zaibatsu formando uma nova conglomeração, o
keiretsu. Com isto, surgiu um padrão de concorrência diverso do que havia existido no Japão
pré-guerra. Os keiretsu possuem diversas empresas atuando sobretudo em três setores:
bancário, comercial e industrial (Shcwartz, 1995).
Na área comercial, as General Trading Companies (Sogo Shosha) tiveram um papel
importante no desenvolvimento da economia japonesa, principalmente após o período Meiji
(1867-1912). Até este período, as Sogo Shosha acumularam experiências internacionais em
operações regulares de comércio com o mundo todo, tendo constituído um grande conjunto de
5
Cinturão sanitário é o termo utilizado para indicar a estratégia norte-americana de isolar os países comunistas
da Ásia continental, por meio do apoio financeiro aos países insulares da Ásia-Pacífico na época da Guerra Fria.
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empresas e negociadores, desde sua abertura econômica, em 1860. Isso favoreceu a inserção
internacional da indústria japonesa, que teve um processo acelerado de crescimento no início
do século XX (Britto et al, 2003).
Esta forte inserção internacional pode ser evidenciada nas relações econômicas e
industriais do Japão com os Novos Países Industrializados (NPIs), como Taiwan e Coréia do
Sul, intensificadas na década de 80, e que aprofundaram o desenvolvimento científico e
tecnológico por meio de investimentos japoneses.
Com esta fase de grande industrialização, o Japão se alinhou aos países ricos, e, na
atualidade, pertence a organizações como o G76 e a OCDE7. O Japão tem se mostrado um
país protecionista, alinhando-se, de forma geral, aos países europeus nas negociações na
OMC, pressionando para a inserção de temas como a proteção ambiental e a
multifuncionalidade nas negociações comerciais.
A história recente da China também apresenta elementos importantes para a atual
condução da sua política comercial. Nesse país, o século XX foi marcado por grandes
movimentos. Em 1912, o partido republicano Kuomintang (Partido Nacional do Povo)
derrubou o governo monarca da era Qing, e proclamou a República. Em 1921, ocorreu a
fundação do Partido Comunista (PC), e devido à invasão japonesa em 1937, o Exército
Vermelho foi incorporado ao Exército nacional chinês. Depois da derrota japonesa, com o fim
da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se uma guerra civil, na qual em 1949, o Partido
Comunista (PC), derrotou o Kuomintang. Com a derrota, o general Chang Kai-chek, líder do
Kuomintang, fugiu para Taiwan e fundou a República Democrática da China (Pomar, 2002).
Com a subida do PC ao poder, Mao Zedong declarou que “o povo chinês levantouse”, referindo-se às condições para a concretização de um sonho chinês de unidade,
independência e prosperidade, tendo como base: o crescimento econômico chinês
fundamentado nos valores do Confucionismo8, contrapondo-se aos valores estrangeiros; e a
inserção chinesa em um contexto internacional, baseada nas interligações do povo chinês
causada por sua diáspora, através dos overseas chineses (Pinto, 2000).
No contexto da inserção internacional da China, tem-se a incorporação de Hong Kong
e de Macau, respectivamente, em 1997 e em 1999, reunificando esses territórios sob o
princípio “um país, dois sistemas”. Além disso houve a aproximação com Taiwan. A
expansão da fronteira econômica chinesa em direção ao sudeste Asiático é considerada por
Pinto (2000) uma fase posterior, e facilitada pela existência, ao sul da China, de uma rede de
indivíduos com origem étnica comum (overseas chineses), e, assim, com mesma identidade
cultural. Estes chineses extra-mar são um fator fundamental para o desenho atual das relações
comerciais contemporâneas da China.
Este país, entre 1960 e 1970, possuía um planejamento nacional com ênfase no
desenvolvimento da indústria pesada, controle da migração interna, auto-suficiência regional,
6
O G7 é formado pela Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido.
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é formada pelo G7 e pela Austrália,
Áustria, Bélgica, Coréia do Sul, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Finlândia, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda,
Islândia, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Polônia, Portugal, República Tcheca, Suécia, Suíça e
Turquia.
8
Os valores do Confucionismo, como sustentação para o dinamismo econômico, referem-se à ênfase na
participação comunitária, aversão ao individualismo, perspectiva de longo prazo, preocupação constante com a
harmonia, a unidade familiar e o sentido do dever (Pinto, 2000).
7
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preços administrados, descentralização seletiva e uma política de garantia à alimentação
básica para todos os trabalhadores cadastrados. Com o final da era Mao Zedong, passou a
buscar políticas voltadas ao mercado e, a partir de 1978, a taxa de crescimento do PIB
duplicou, devido à adoção de crescimento voltado ao exterior e à incorporação de tecnologia
estrangeira (Pomar, 2002).
Segundo o relatório do Departamento Nacional de Estatísticas da China, este país vem
desde 1978, ano do lançamento do processo de reforma e abertura da China, crescendo a uma
taxa de 9,4% ao ano, sendo que naquele ano o PIB chinês era da ordem de US$ 5,27
bilhões.O PIB passou, em 2002, para mais de US$ 1,2 trilhão (Banco Mundial, 2003). O
índice de crescimento manteve-se estável desde 1989, apesar do isolamento do mundo
ocidental e dos momentos de instabilidade no mundo comunista.
Atualmente, a China vive um período de abertura comercial, realizada de forma
centralizada por parte do governo, caracterizando uma economia “mista” no sentido de que o
Estado direciona a abertura da economia, sendo a abertura comercial impulsionada pelas
ligações que o país tem com os overseas chineses.
Assim como os outros tigres asiáticos (Taiwan, Hong Kong e Cingapura), a Coréia
do Sul apresentou um rápido e sustentado crescimento econômico no período de 1960 a
1990, devido ao alto índice de investimento e ao rápido crescimento da poupança interna. Os
tigres asiáticos mencionados possuem um mercado interno pequeno, o que torna sua
industrialização dependente das exportações. A partir da década de 70, a maioria deles
diversificou as exportações para reduzir os problemas causados pelas flutuações de preços e
de demanda de seus produtos exportados. Assim, a produção e exportação de produtos
condicionados a recursos físicos e mão-de-obra cederam espaço para produtos intensivos em
capital. Apesar do aumento gradativo do comércio intra-regional entre os tigres asiáticos, é
pouco provável que ocorra um acordo de comércio preferencial entre esses países, pois Hong
Kong e Cingapura são praticantes do livre comércio (MDIC, 2002).
Em relação aos acontecimentos políticos, Shcwartz (1995) mostrou que a Coréia do
Sul, colônia japonesa no período de 1910 até o final da Segunda Guerra Mundial, herdou dos
japoneses um moderno sistema financeiro, que foi fundamental para permitir alavancar
recursos para a indústria japonesa, principalmente com fins militares. Os coreanos foram
aperfeiçoando esse sistema em três segmentos: os bancos comerciais, as Instituições
Financeiras Não-Bancárias e um mercado informal (cub market).
Segundo o mesmo autor, para estimular alguns setores, o Conselho Monetário
coreano, em 1962, iniciou suas operações de crédito seletivo através de bancos
especializados para pequenas e médias empresas; setores de indústria básica, pesada e
química; comércio exterior; financiamento ao consumo da agricultura e da pesca.
Shcwartz (1995) menciona que a prioridade na concessão de créditos era estabelecida
considerando os setores capazes de melhorar a balança de pagamentos (pela exportação ou
pela substituição de importações); os produtores de bens da cesta básica; os setores de
impacto no crescimento e na geração de emprego; os ligados a prioridades estratégicas
nacionais (químico, pesado, armamentos e maquinaria); os setores capazes de contribuir para
a racionalização da indústria e o desenvolvimento de alta tecnologia.
Diante desse breve histórico, evidencia-se a preocupação sul-coreana em ser um país
tecnologicamente avançado e exportador. Apesar do incentivo à produção da cesta básica,
produtos agroindustriais não estão entre suas prioridades, e o país não é competitivo neste
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setor. Sobretudo, a Coréia do Sul consiste em um mercado interessante tendo em vista que,
conforme dados da FAO, os sul-coreanos são os terceiros consumidores per capita de
alimentos do mundo.
Aspectos econômicos
O mercado asiático estudado representou 9,8% do PIB mundial, em 2000. Em relação
ao Produto Nacional Bruto, a soma dos três países asiáticos específicados equivaleu a US$
6,38 trilhões.
A Tabela 1 apresenta as taxas de crescimento dos principais países da Ásia-Pacífico.
No período de 1981/91 as taxas de crescimento na região foram maiores em relação ao
período subsequente, 1991/01, e esta desaceleração pode ser explicada em parte devido à
Crise Asiática. Em relação à China, a Crise Asiática atingiu sua economia de forma amena,
sendo que este país vem obtendo altas taxas de crescimento nas últimas décadas (Banco
Mundial, 2002).
Tabela 1: Taxa de crescimento do PNB para os principais países da Ásia-Pacífico (%).
Japão China Coréia Indonésia Tailândia Malásia Filipinas
Média
Anos
do Sul
9,1
5,4
9,3
3
5,9
4,3
10,0
81-91
1,2
9,7
91-01
2,4
7,1
2000
-0,4
6,6
2001
01-05*
* estimativa.
Fonte: Banco Mundial (2002).
6,4
3,2
4,9
3,3
4,4
8,2
3,2
4,6
1,8
3,7
5,7
6,1
8,2
0,4
5,2
1,3
3,5
4,0
3,0
4,6
6,4
4,6
5,8
2,5
-
As baixas taxas de inflação marcaram os últimos anos dessas economias, sendo uma
variável essencial para a busca do desenvolvimento sustentável. Em 1981, apenas o Japão
possuía inflação de um dígito; passados dez anos, a China e a Coréia do Sul apresentaram um
níveis de inflação a um dígito.
Outra característica dos países asiáticos são os elevados saldos comerciais positivos,
verificados na década de 90 e no início do século XXI. Destaca-se como principal ferramenta
para estimular esses saldos, a manutenção de uma taxa de câmbio desvalorizada. A tabela
abaixo mostra a magnitude da balança comercial desses três países.
Tabela 2: Comércio Internacional do Japão, China e Coréia do Sul (US$ Milhões)
Anos
1981
1991
2000
2001
2002*
Exp.
(FOB)
151.495
314.786
479.249
404.686
-
Japão
Import.
(CIF)
142.866
236.999
379.511
350.095
-
Saldo
Com.
8.629
77.787
99.738
54.591
-
Export.
(FOB)
22.007
71.843
249.210
266.155
365.395
China
Import.
(CIF)
22.015
63.791
225.097
243.610
328.013
Saldo
Com.
- 0,008
8.052
24.113
22.545
37.383
Coréia do Sul
Export. Import. Saldo
(FOB)
(CIF)
Com.
21.254
26.131 -4.877
71.870
81.525 -9.655
172.268 160.481 11.787
150.439 141.098 9.341
190.696 183.977 6.719
Fonte: Banco Mundial (2002) e 2003*.
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No tocante à participação de cada setor econômico na economia, percebe-se que em
todos os países analisados, ocorre a diminuição na participação da agricultura ao longo das
décadas de 80 e 90 (Tabela 3).
Dados do Banco Mundial (2002) mostram que a agricultura apresentou um
crescimento negativo no Japão, entre 1991 e 2001, de 2,8%, comparado a um crescimento
negativo de 0,4% na indústria e uma taxa positiva de 2,4% nos serviços. Na China,
agricultura, indústria e serviços cresceram, respectivamente, no mesmo período, 4,0%, 12,6%
e 8,7%. Da mesma maneira, a taxa de crescimento da agricultura na Coréia (1,9%) é bem
inferior àquela dos setores indústria (6,1%) e serviços (5,4%).
Tabela 3.Participação dos setores econômicos no PNB do Japão, China e Coréia do Sul
(%).
Japão
China
Coréia do Sul
Anos Agricultura Indústria Serviços Agricultura Indústria Serviços Agricultura Indústria Serviços
3,5
40,5
56,0
31,8
46,4
21,8
15,5
39,3
45,2
1981
1991
2000
2001
2,3
1,3*
n.d.
38,9
n.d.
n.d.
58,7
n.d.
n.d.
24,5
15,9
15,2
42,1
50,9
51,2
33,4
33,2
33,6
7,6
4,7
4,4
44,3
42,4
41,4
48,0
52,9
54,1
* 1996.
Fonte: Banco Mundial (2002) e OECD (2003).
Em relação aos interesses junto à OMC, a China é um país alinhado ao Brasil, ao
contrário do Japão, pois critica o protecionismo dos países desenvolvidos aos produtos semimanufaturados e manufaturados dos países pobres. Sua entrada na OMC poderá resultar em
maior competitividade para alguns setores da economia brasileira. Um exemplo é o de
brinquedos, no qual a igualdade nas regras estabelecidas pela OMC diminuirá as vantagens
chinesas em termos de exploração de mão-de-obra e outros fatores que diminuem os preços
chineses abaixo dos custos brasileiros, o que tem gerado conflitos relacionados ao dumping.
Segundo Goyos Jr. et al (2002), a acessão da República Popular da China à OMC
ocorreu a 11 de dezembro de 2001. Dentre os compromissos desse país, destacam-se a
redução de suas tarifa industriais de uma média de 24,6% para 9,4%. Quotas e licenças teriam
um prazo de cinco anos, o mesmo da redução tarifária, para serem eliminadas. Em três anos,
em respeito à cláusula de não-discriminação do GATT, os direitos das empresas estrangeiras
importarem, exportarem e distribuírem na China, devem ser estabelecidos conforme
determina a OMC. Outros temas que são tratados em acordos específicos nos Tratados de
Marraqueche também passam a ser incorporados pelo país. O Banco Mundial, segundo os
mesmos autores, estima que, até 2005, em função desse processo, o país deverá chegar a uma
participação de 10% no comércio mundial, ou seja três vezes maior do que em 2001.
Em se tratando de indicadores sociais, os países da Ásia possuem valores muito
discrepantes entre si. O Japão e a Coréia do Sul possuem índices considerados de países
desenvolvidos, enquanto a China possui índices sociais equivalentes aos dos demais países
em desenvolvimento (Tabela 4).
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Tabela 4: Indicadores sociais do Japão, China e Coréia do Sul (2001).
Mortalidade
País
População abaixo Expectativa de Analfabetism
Vida (anos)
o (%)
Infantil (para cada
da linha de
1000)
pobreza (%)
0
81
4
Japão
1,27
71
15
32
China
0
73
2
8
Coréia do
Sul
Fonte: Banco Mundial (2002).
Um importante indicador é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU.
Entre 1975 e 1999, o IDH da Coréia do Sul passou de próximo a 0,70 para quase 0,875,
patamar que, tal como o IDH japonês, é considerado de país desenvolvido. O IDH da China,
que em 1975 era de pouco mais de 0,5, cresceu rapidamente nas duas décadas e meia,
chegando a 0,718, e aproximando-se do IDH brasileiro em 1999 (0,750).
Notoriamente, um dos fatores que possibilitaram o rápido crescimento econômico da
Coréia do Sul foi seu desempenho favorável em indicadores como expectativa de vida,
educação e renda per capita. A elevação do IDH da Coréia ocorreu rapidamente, comparada à
evolução de outros países asiáticos e ao Brasil. Valores superiores a 0,80 indicam alto
desenvolvimento humano.
Apesar de um IDH inferior ao Brasil, a China está passando por profundas mudanças.
Os altos índices de crescimento da indústria e de serviços, mudaram a estrutura da economia
chinesa, e a agricultura passou a ter uma participação de 16% em 2000, em comparação a
40%, em 1970. Isto também vem acompanhado da queda na participação da agricultura nos
empregos gerados e na participação da população rural na população chinesa. O aumento da
população urbana, tornou necessário o incentivo do crescimento de empreendimentos
privados em áreas urbanas e em determinados setores, a partir de 1984. Em 1991, os
empreendimentos privados já representavam 47% do parque industrial e o governo também
realizou reformas descentralizando as responsabilidades por infra-estrutura e serviços sociais
para escalões inferiores. Assim, a população rural que vivia na pobreza absoluta teve sensível
melhorias em sua qualidade de vida (DEINT, 2002).
Agropecuária e o comércio agroindustrial
Observando mais detalhadamente o setor agropecuário, no caso do Japão, este
correspondeu a 2% do PIB em 1998, sendo que em 2002 o PIB foi de US$ 3,97 trilhões. A
baixa participação do setor primário e a alta participação do setor de serviços (68% em 1998)
são características de países desenvolvidos. Os principais produtos agrícolas produzidos no
Japão são: arroz, batata, repolho, beterraba e frutas cítricas; os principais setores da pecuária
são: bovinos, suínos e aves, e o setor pesqueiro produziu 6,3 milhões de toneladas em 2000
(MAPA, 2002c).
O Japão é um arquipélago com montanhas e vegetação de coníferas, tendo apenas a
planície litorânea e alguns pontos no interior como área habitável. Somando a estas
dificuldades, é um país populoso, diminuindo a área disponível para cultivo. Contrapondo-se
ao modelo americano de desenvolvimento agrário, os japoneses adotaram as inovações
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biológicas pois a terra é o fator limitante nesse país. Assim, apresenta um modelo agrícola de
pequena escala de produção, uso de grande quantidade de mão-de-obra, o que resulta em
elevados custos dos produtos agrícolas e, consequentemente, reduz sua competitividade.
O Japão é um país altamente protecionista quanto a seu mercado de produtos
processados, estimulando a importação de commodities por meio da escalada tarifária.
No Japão, esse protecionismo à agricultura nacional beneficia uma parcela pequena da
população e onera os consumidores com preços altos. Segundo a East Asian Analytical Unity
(1997) apud MAPA (2002c), o consumidor japonês paga aproximadamente o dobro dos
preços médios mundiais pelos alimentos. É o caso do arroz, que chega a custar seis vezes
mais do que em outros países. A justificativa do governo fundamenta-se no conceito de
“segurança alimentar” (estoques de alimento em quantidade e qualidade adequados para o
abastecimento de toda a população). Esta justificativa é contraditória, pois o Japão só tem
auto-suficiência no arroz às custas de um alto custo para os consumidores. Outras questões
relacionam-se também à segurança do alimento, como, por exemplo, a preocupação do
consumidor japonês com a doença da “vaca louca”, que não só apareceu em seu território mas
também no de seu principal país fornecedor, os EUA.
Recentemente, um novo argumento vem se destacando para respaldar o protecionismo.
É a multifuncionalidade9, que foi incorporada pela Lei Básica sobre Agricultura e Alimentos do
Japão, em 1999 (MAPA, 2002c).
A possível liberalização comercial japonesa poderá trazer benefícios para as indústrias
processadoras de alimentos que obtêm matéria-prima a preços elevados e diminuir a migração
desse setor industrial para outros países, levando consigo capital e empregos, além de
proporcionar melhores preços aos consumidores.
Mesmo o arroz, a batata e as frutas cítricas sendo os principais produtos produzidos no
Japão, a produção doméstica não atende à quantidade demandada por esse mercado, sendo
então necessária a importação dos mesmos.A produção japonesa de arroz descascado, em 2001,
foi de 7,6 bilhões de toneladas, o que corresponde a 1,9% da produção mundial, havendo uma
importação de quase 600 milhões de toneladas, que representaram nesse ano, apenas 2,6% da
importação mundial de arroz. A produção de batata e de frutas cítricas em 2001 foi da ordem de
quase 3 bilhões de toneladas e de 1,4 bilhões toneladas, respectivamente, segundo os dados da
FAO (2002). Estes produtos também são importados, sendo a participação nas importações
totais de 3,5% e 3,0%, respectivamente.
Entre os principais tipos de carnes produzidos no Japão, a de frango destaca-se por
apresentar alta participação no consumo, na produção e no comércio internacional, sendo este
país o 6° mercado consumidor do produto, o 8° maior produtor e o 2° maior importador
mundial, segundo dados da FAO (2002). As participações na produção, importação e
exportação no total mundial da carne de frango em 2001 foram de 18,2%, 20,8% e 13,4%,
respectivamente. As carnes bovinas e suínas possuem baixa participação no mercado
internacional, e não atendem à demanda interna, sendo responsáveis por 12,6% e 14,1% das
importações mundiais em 2001, respectivamente. O Japão é o 8° maior consumidor de carne
9
Segundo esse conceito, a agricultura deve ser incentivada porque desempenha várias funções além da produção
em si: proteção ambiental do solo e da água, fixação dos habitantes nas áreas rurais, preservação da cultura e da
paisagem (MAPA, 2002).
9
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bovina e o 2° maior importador, no caso da carne de suínos é o principal importador, o 4°
maior consumidor e o 9° produtor mundial.
No caso da China, o setor agropecuário ocupou lugar de destaque nas negociações e
no acordo de sua adesão à OMC, tendo incluído inúmeros compromissos relacionados ao
tema. Segundo a FAO, a economia e a agricultura da China vem crescendo rapidamente desde
o começo das reformas econômicas nos finais dos anos setenta, auxiliadas por políticas
agrárias introduzidas nos últimos trinta anos. As transformações de maior êxito na economia
chinesa começaram com o crescimento do setor agrário e, de certo modo, dependeram dele
nos anos oitenta. A produção de cereais aumentou 4,7% ao ano no período 1979/84, apesar da
desaceleração do crescimento da agricultura, depois que se esgotaram os efeitos excepcionais
da descoletivização10 (Tabela 5).
Além da queda na taxa de crescimento da produção agrícola, verifica-se também
redução da parcela dos alimentos no total das exportações e importações. A nova composição
do comércio agropecuário reflete cada vez mais as vantagens comparativas da China, pelas
quais as exportações de produtos a granel, cuja produção necessita de imensa superfície de
terra (cereais, sementes oleaginosas e açúcar), têm diminuído. Em contrapartida, aumentam os
produtos que requerem mais mão-de-obra, como a horticultura e pecuária (FAO, 2002).
Como o Brasil, a agricultura chinesa possui uma alta participação relativa no PIB,
tendo sido de 15,2% em 2001 (Banco Mundial, 2002). A agricultura chinesa destaca-se por
ser um dos principais produtores de arroz, batata, sorgo, amendoim, chá, milheto e cevada. O
Anos
PIB da agricultura
Produção de cereais
Cultivos de oleaginosos
Frutas
Carnes vermelhas
Pescado
População
PIB per capita
Antes da reforma
1970-78
2,7
2,8
2,1
6,6
4,4
5,0
1,8
3,1
1979-84
7,1
4,7
14,9
7,2
9,1
7,9
1,4
7,1
Período de reforma
1985-95
4,0
1,7
4,4
12,7
8,8
13,7
1,37
8,3
1996-00
3,4
0,03
5,6
8,6
6,5
10,2
0,9
7,1
país utiliza toda extensão de terra arável para a produção de grãos e dentre os comerciais
incluem-se o algodão e outras fibras e sementes oleaginosas. Na pecuária, os produtos que
possuem destaque são os derivados da carne suína (MAPA, 2002a).
Tabela 5: Taxas de crescimento anual no período da reforma econômica e anterior à
reforma na China (%)
Fonte: FAO (2002).
Cerca de 27% da população está engajada na agricultura, apesar de somente 10% de
seu território ser agricultável. São 329 milhões de agricultores - equivalente à metade da força
de trabalho – trabalhando geralmente em pequenas áreas de terra.
As exportações agrícolas de vegetais e frutas; peixes e frutos do mar; grãos e
derivados; e carnes e derivados, são direcionadas principalmente a Hong Kong (MAPA,
10
A descoletivização permitiu aos agricultores venderem seus excedente nas feiras localizadas próximas aos
centros de produção (Pomar, 2002).
10
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2002a). A China é o maior produtor e consumidor de arroz do mundo (em 2001, correspondeu
a 30% do total mundial produzido), gerando excedentes para exportar (7,7% das exportações
mundiais). Outros produtos em que a China é grande produtora e exportadora são o chá e o
milho. Apesar da produção da batata ter representado 20,7% da produção mundial em 2001, a
China é dependente das importações para atender a sua demanda.
No mercado de carnes, a China destacou-se por ser a 4° maior produtora e
consumidora de carne bovina e a 11° exportadora mundial em 2002. Em relação à carne suína
é a maior produtora (em 2001, respondeu por 47,1% da produção mundial, segundo dados da
FAO) e consumidora mundial, sendo o 8° mercado importador e o 5° exportador. A carne de
frangos também se destaca no mercado internacional sendo o 2° maior produtor e consumidor
mundial, além de ser o 3° mercado importador e o 5° mercado exportador para este tipo de
carne, segundo previsões para 2003 do USDA, apud MAPA (2003).
Os principais produtos agrícolas produzidos na Coréia do Sul são: arroz, milho,
cevada, batata, batata-doce, frutas; na pecuária, os principais são: bovinos, suínos, aves, e o
setor pesqueiro (MAPA, 2002b). Os dados da tabela abaixo reforçam o que já foi mencionado
sobre a perda de participação da agricultura na economia sul-coreana. Nota-se a redução em
número de estabelecimentos, área e na população rural ao longo da década de 90.
O produto agrícola coreano de maior representatividade na produção mundial é o
arroz, cuja participação foi de 1,2% nos anos de 2000 e 2001, sendo que nos demais produtos,
a Coréia do Sul tem pouca relevância em termos mundiais. Quanto ao comércio internacional,
o milho importado representou 10,0% e a batata, 2,1 % das importações mundiais em 2001. Já
as exportações agrícolas têm pouca expressão no mercado mundial.
Em relação ao mercado de carnes da Coréia do Sul, a carne de suínos é a que possui
maior representatividade no mercado mundial, sendo o 8° produtor, e o 9° consumidor
mundial. No tocante ao comércio internacional, a Coréia do Sul é o 6° importador e o 11°
exportador desse produto. Apesar de ser um importante produtor, este país necessita das
importações para atender a sua demanda. Em relação aos outros tipos de carne, a Coréia do
Sul não é uma grande produtora, necessitando importar para atender ao seu mercado. Segundo
previsões do USDA, apud MAPA (2003), a Coréia do Sul é o 6° importador de carne bovina
e o 9° de carne de frango. No caso das carnes, a Coréia, assim como o Japão, integra o
mercado regional denominado de Pacific Rim, que se destaca pelo alto grau de exigência em
qualidade e sanidade dos produtos, e que se caracteriza por praticar preços mais atrativos.
Tabela 6: Indicadores da agropecuária e do meio rural sul-coreano.
Indicadores Selecionados
Unidade
1990
PIB Agropecuário
Bilhões de US$
11,8
Participação no PIB Total
%
8,5
Taxa de Crescimento do PIB
%
4,6
Agropecuário
Estabelecimentos Agropecuários Mil Unidades
1.767
Totais
Mil Unidades
1.052
Full-time Farms
Mil Unidades
715
Part-time Farms
População Rural
Mil Pessoas
6.661
2001
18,7
4,4
1,4
1.354
884
469
3.933
11
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Participação no Total da
%
15,5
8,3
População
População Rural com mais de 49
%
34,5
52,4
Anos
Total de Empregados na
Mil Pessoas
3.237
1.821
Agropecuária
Participação no Total de
%
17,9
8,5
Empregados
Área Total Cultivada
Mil Hectares
2.109
1.876
Área Cultivada com Arroz
Mil Hectares
1.345
1.146
Área
Média
dos
Hectares
1,19
1,39
Estabelecimentos
%
25,8
32,8
Participação das Rendas NãoAgrícolas na Renda Total das
Famílias Rurais
Fonte: Ministério da Agricultura e Floresta da Coréia, apud MAPA (2002b).
Segundo estudo prospectivo do USDA, apud Souza (2001), espera-se crescimento nas
exportações mundiais e brasileiras dos principais produtos do agronegócio como o complexo
de soja, carne bovina, carne de aves e carne de suínos na presente década. Para a maioria
desses produtos, a China, Japão e Coréia do Sul apresentam importações crescentes.
Entre os países asiáticos considerados, a China vem crescendo em sua participação nas
exportações brasileiras. Em 2003, foi o 3º mercado de destino, absorvendo US$ 2,26 bilhão
(3,20% nas exportações brasileiras), enquanto em 1998, a China era o 14º mercado (1,77%).
A Coréia do Sul tem sido um mercado estável para as exportações brasileiras. Em 2001, foi o
16º mercado, representando 1,26% e chegando a 15o na classificação em 2003, com 1,67%.
Já o mercado japonês, vem diminuindo proporcionalmente suas importações do Brasil,
ao longo dos últimos anos, tendo passado de 5,79%, em 1997, para 3,16% em 2003, o que
corresponde a cerca de US$ 2,3 bilhões.
A Tabela 7 apresenta as exportações totais e participação do agronegócio brasileiro
para os países asiáticos, além da participação das exportações do agronegócio de cada país
asiático no total das exportações do agronegócio brasileiro. Adotando a média dos últimos 13
anos (1990 a 2002), a China é o país asiático estudado com maior participação do
agronegócio nas importações provenientes do Brasil (46%). Em seguida, é o Japão (38%) e
por último a Coréia do Sul (34%).
12
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Tabela 7: Exportações totais do Brasil, participação do agronegócio brasileiro para os
países asiáticos e participação das exportações do agronegócio destinadas a cada país
asiático no total das exportações do agronegócio nacional (em milhares de US$)
Anos
Export.
Totais
1990
381.803
China
% do
% da exp. Exportações
agrone- do agron. na
Totais
gócio nas exp. total do
export.
agron.
totais
brasileiro
41,00%
1,21%
2.348.517
Japão
Coréia do Sul
% do
% da exp.
Export.
% do
% da exp.
agrone- do agron. na Totais
agrone- do agron. na
gócio nas exp. total do
gócio nas exp. total do
export.
agron.
export.
agron.
totais
brasileiro
totais
brasileiro
28,00%
5,06%
543.125
22,00%
0,92%
1995 1.203.750
62,00%
3,58%
3.101.596
39,00%
5,80%
827.454
34,00%
1,35%
1999
47,00%
1,55%
2.192.598
46,00%
4,92%
627.533
37,00%
1,13%
2000 1.085.223
52,00%
2,74%
2.472.374
40,00%
4,80%
580.774
37,00%
1,04%
2001 1.902.093
47,00%
3,75%
1.986.280
48,00%
4,00%
736.475
50,00%
1,54%
2002 2.520.457 54,00%
5,48%
Fonte: MDIC(2003a) e MAPA (2003).
2.097.953
47,00%
3,97%
852.419
43,00%
1,48%
676.140
No tocante à participação das exportações do agronegócio de cada país asiático no
total das exportações do agronegócio brasileiro, o Japão teve maior parcela, na média, desse
mesmo período, seguido da China e Coréia do Sul. Contudo, no período dos 13 anos
ilustrados, a participação chinesa nas exportações do agronegócio brasileiro vem crescendo; a
participação sul-coreana vem se mantendo estável e no caso da japonesa, ocorreu um
decréscimo. Em 2002, a parcela do agronegócio exportado pelo Brasil para Japão, China e
Coréia, no total do agronegócio exportado, foi de 3,97%, 5,48% e 1,48%, respectivamente.
Com exceção de 1993, quando houve um saldo negativo para o Brasil no comércio
com a China, o saldo das relações bilaterais entre o Brasil e os países asiáticos estudados tem
sido superavitário no período de 1989/2002. Em 2003, o agronegócio brasileiro obteve um
saldo positivo de US$ 1,04 bilhão com o Japão, US$ 1,28 bilhão com a China e US$ 424
milhões com a Coréia do Sul, todos crescentes entre 2002 e 2003.
As Tabelas 8,9 e 11 discriminam os principais produtos agroindustriais exportados no
período de 1998 a 2001, para a China, Coréia do Sul e Japão, respectivamente.
Tabela 8: Principais produtos agroindustriais brasileiros exportados para a China
(Milhares US$)
Produtos
1996
1997
Soja mesmo triturada
4.299
86.126
221.631 111.290 337.350
Farelo e resíduo da
extração do óleo de
soja
242.003
264.796
196.735
14.342
12.262
0
0
Óleo de soja em bruto 409.435
253.664
94.909
45.389
17.334
2.199
117.404
18.773
34.429
24.000
52.649
54.185
Pastas de madeira
1998
1999
2000
2001
2002
537.664 825.475
127.268 114.154
13
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Couros e peles, exceto
em bruto
4.460
13.813
15.168
21.409
23.929
55.565
88.199
Madeira serrada ou
fend. long. esp.>6mm
778
1.226
1.939
7.840
26.401
38.679
70.542
Fumo em folhas e
desperdícios
0
12.259
6.367
38.462
50.274
56.124
69.448
Fonte: MDIC (2003a).
A China vem desestimulando a importação de produtos processados através da
escalada tarifária. Isto é evidente na redução das exportações de farelo de soja, sendo que o
Brasil deixou de exportar este produto para a China em 2001.
Segundo DEINT (2002), o Brasil negociou uma lista de produtos para redução de
tarifa, incluindo bens agrícolas e bens industriais com a China. Estes produtos foram as
carnes bovinas e de frango, café em grão, café solúvel, soja em grão, óleo de soja, máquinas
e equipamentos e peças automotivas. A carne bovina (sem osso) deverá atingir uma tarifa de
12% e o café não torrado, não descafeinado, de 8% em 2004.
Apesar das quedas tarifárias a partir de 2004, há grandes dificuldades para o
exportador vender ao mercado chinês. Um exemplo dessa dificuldade é o sistema de preços
nesse país, constituído de três tipos de preços:
a) preço estatal (estabelecido pelas autoridades encarregadas da administração de preços
e não pode ser alterado sem sua utilização);
b) preço de orientação estatal (para os produtos e serviços que tem relação direta com a
economia nacional e as necessidades básicas de subsistência da população, incluídos
os produtos escassos na China); e
c) preço regulado pelo mercado.
Em relação aos produtos agrícolas, 9,1% têm preços fixados pelo Estado, 7,1% são
orientados e 83,3% são determinados pelo mercado (DEINT, 2002).
Segundo a mesma fonte, as tarifas médias de importação da China no ano de 2000
foram de 16,4%. Dentre os 7.062 itens tarifários, 525 itens estão abaixo de 5%, outros 1.488
itens estão entre 5% e 10%, 2.022 itens entre 10% e 15%, e os 3.027 itens restantes estão
acima de 15%. A estrutura tarifária chinesa apresenta dois tipos de tarifas: as gerais e as
preferenciais (tarifas decorrentes de acordos bilaterais de comércio).
De acordo com UNCTAD (1998), apud DEINT (2002), há 69 picos tarifários na
China, entre os quais estão alguns produtos de interesse ao agronegócio brasileiro como a
soja, os óleos de soja, de amendoim e do girassol.
Além da estrutura tarifária complexa e restritiva, a China impõe barreiras nãotarifárias às importações, como quotas, licenças para importar, políticas de substituição de
importações e exigência de conteúdo local, além de certificações restritivas e padrões de
quarentena. Essas exigências foram decritas por DEINT (2002) e relacionam-se a:
• Registro, Documentação e Procedimentos Aduaneiros;
• Licença de importação;
• Inspeção aduaneira;
• Restrições quantitativas;
• Proibição de importação;
14
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•
•
Monopólio importador;
Exigência de conteúdo local: a China está exigindo requisito de conteúdo local para
materiais de construção e equipamentos nos contratos de infra-estrutura, além de
transferência de tecnologia.
O monopólio importador é uma restrição séria. Somente as firmas com direito a
comercializar podem importar ou exportar bens para a China. Produtos agroindustriais como
grãos, algodão e óleos vegetais são importados principalmente por empresas de comércio
estatais. Por meio do Ministério de Comércio Exterior e Cooperação Econômica
(MOFTEC), a China está descentralizando gradualmente as operações dos monopólios
estatais. Em 1998, essas empresas somavam 8.800.
Segundo estudo do DEINT (2002), dentre as barreiras técnicas, tem-se como práticas
na China:
• Normas e regulamentos técnicos: provenientes da Lei de Inspeção de Mercadorias de
Importação e Exportação, criada em 1989. Cerca de 78% dos produtos estão sujeitos
à inspeção de conformidade com os regulamentos técnicos.;
• Regulamentos sanitários e fitossanitários: o governo chinês exige certificados
sanitários que atestem ausência de doenças dos animais e plantas. O exportador
queixa-se da discricionariedade adotada pela Administração de Quarentena de
Plantas e Animais..
As importações japonesas de farelo de soja proveniente do Brasil reduziram-se em
78% no período 1996/2002; já a soja em grão obteve um incremento de 61% no mesmo
período (Tabela 23). As importações dos principais produtos do agronegócio japonês
procedente do Brasil vêm diminuindo em valor, tratando-se de commodities.
Tabela 9: Principais produtos agroindustriais brasileiros exportados para Japão
(Milhares US$)
Produtos
1996
Café cru em grão 175.612
Carne de frango 226.814
Suco de laranja
88.407
congelado
Fumo em folhas e
66.857
desperdícios
Soja mesmo
86.887
triturada
Farelo e res. da
52.747
estr. do óleo de
soja
Fonte: MDIC (2003a).
1997
1998
1999
2000
2001
2002
248.101 226.266 182.725 153.530 104.889 92.687
153.153 125.445 157.001 118.827 166.212 215.139
65.235
70.493
75.419
70.070
62.890
76.536
73.941
70.493
61.220
51.581
48.984
48.038
135.189
71.641
64.445
103.224 134.815 140.013
74.976
50.069
52.695
23.960
16.524
11.405
O Brasil enfrenta dificuldades no comércio com o Japão, particularmente no que tange
ao comércio de produtos de maior valor agregado e de grande interesse ao Brasil. Segundo as
estatísticas da UNCTAD, apud DEINT (2002), para o Japão, a tarifa média consolidada ad
valorem foi de 6,6% em 1998, enquanto o desvio padrão foi de 9,3%. Apesar de possuir uma
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tarifa média moderada, o Japão aplica tarifas mais elevadas para laticínios, produtos
comestíveis, produtos da indústria de moagem, preparações de cereais, peles e couros, seda e
calçados.
As Barreiras Não-Tarifárias que o Japão aplica, levantadas pelo DEINT (2000),
estão listadas abaixo:
• Licença de importação;
• Monopólio de importação;
• Restrições quantitativas (quotas);
• Proibição de importação; e
• Medidas antidumping e compensatórias: pouco utilizada pelo governo japonês.
Os produtos do agronegócio estão sujeitos a algumas especificidades. Os produtos
vegetais e suas preparações são classificados em três categorias (DEINT, 2002):
1) Ítens com importações proibidas;
2) Ítens sujeitos a quarentenas; e
3) Ítens não sujeitos à quarentena.
Em se tratando das barreiras mais recentes, a Tabela 10 resume aquelas que afetam as
exportações brasileiras do agronegócio para o Japão.
Tabela 10: Exemplos de barreiras às exportações brasileiras do agronegócio, no Japão
Produto
Barreira
Soja
Escalada tarifária
Açúcar
Escalada tarifária
Fumo
Escalada tarifária
Frutas Tropicais
Medidas sanitárias e fitossanitárias
Vegetais
Medidas sanitárias e fitossanitárias
Couro Bovino
Quota tarifária
Calçados
Quota tarifária
Fonte: Barreiras às exportações brasileiras (SECEX, 2001); Trains / 2001 - UNCTAD apud
MDIC (2003a).
Dentre dos principais produtos agroindustriais brasileiros exportados para a Coréia do
Sul, os grupos que apresentaram aumento, no período de 1996/2002, foram os álcoois e o
farelo e a soja em grãos. Já o suco de laranja e o café em grão apresentaram reduções de 35%
e 45%, respectivamente (Tabela 11). Importante ressaltar que a exportação brasileira de álcool
concentra-se em produto destinado à indústria química. Embora haja negociações sendo
iniciadas sobre comércio de álcool combustíveis, o álcool industrial é o que tem sido
transacionado no mercado externo.
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Tabela 11: Principais produtos agroindustriais brasileiros exportados para a Coréia do
Sul (Milhares US$)
Produtos
Álcoois acíclicos e
seus derivados
Farelo e res. da
extr. do óleo de soja
Suco de laranja
congelado
Pastas de madeira
Café cru em grão
Soja mesmo
triturada
Álcool etílico não
desnaturado
Couros e peles,
depilados, exc.
Bruto
1996
1997
1998
690
9.079
24.037
81.289
56.011
40.573
32.863
204.097
12.447
1999
2000
2001
2002
18.690 22.230
8.541
6.809
23.846
71.848 42.761
102.626
97.992
20.863
18.954 24.442
20.596
26.457
133.629 136.318 62.297 55.034
25.145 12.253 12.072 13.206
35.913
7.792
25.672
6.840
29.850
9.179
7.463
9.003
20.941
16.643
31.906
0
0
4.293
13.396
4.554
15.919
35.651
16.972
21.340
7.607
12.296 10.377
17.707
15.961
Fonte: MDIC (2003a).
Segundo dados da UNCTAD, apud DEINT (2002), a média tarifária de 1996 da
Coréia do Sul foi de 14,6%, computadas as tarifas extraquotas, variando de uma tarifa
mínima igual a zero a uma tarifa máxima de 966,3%, com um desvio padrão de 57,6%. Se o
pico tarifário for definido como as tarifas situadas quatro desvios-padrão acima da média
(tarifa acima de 245%), contabilizam-se 98 picos tarifários (a 10 dígitos), que recaem
principalmente sobre produtos agroindustriais como a soja e álcool etílico.
A alta tarifa média apresentada para a Seção 2 do Sistema Harmonizado (SH) produtos de origem vegetal, em 1996, apresenta tendência de queda, pois a Coréia do Sul
está promovendo uma redução das tarifas consolidadas no âmbito da OMC. Este país
apresenta 92% de seus itens tarifários consolidados. Em relação à Rodada Uruguai, a Coréia
do Sul, utilizou a condição de país em desenvolvimento, tendo um prazo de 10 anos (até
2004) para reduzir suas tarifas. Os produtos agroindustriais manufaturados, por exemplo os
de madeira não tiveram suas tarifas consolidadas na OMC (DEINT, 2002).
Podem-se citar quatro importantes barreiras não-tarifárias na Coréia do Sul conforme o
levantamento do DEINT/MDIC: a licença de importação, as restrições quantitativas, a
campanha antiimportação e as medidas de salvaguarda.
O governo sul-coreano vem eliminando as restrições quantitativas às importações,
conforme acordado na Rodada Uruguai. Em julho de 1997, eliminou o regime de licenças
não-automáticas em cerca de 70 itens, como laranjas in natura, o suco de laranja e as carnes
de frango, de suíno e de eqüino congeladas.
Em 1998, o governo sul-coreano restringia quantitativamente as importações de
arroz, e de mais oito itens tarifários (a 10 dígitos) referentes a bovinos vivos e quatro itens
referentes a leite em pó. As importações de bovinos e carnes de bovinos estão subordinadas
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à aprovação da Organização de Comércio do Produto (Product Marketing Organization)
deste país. Em relação aos produtos lácteos, as quotas estão vinculadas às medidas de
salvaguardas e são divididas com base ao histórico do importador, cabendo pequena
participação aos novos importadores.
Outro tipo de barreira não-tarifária são as campanhas antiimportação que o governo
sul-coreano realiza para barrar o consumo de produtos de luxo importado, evidenciadas pela
declaração do presidente coreano, em 1996, criticando o consumo de produtos de luxo e de
viagens internacionais e pela publicação de livros e panfletos desestimulando o consumo de
produtos importados, elaborados pelo Ministério das Finanças e da Economia e pelo Instituto
Nacional de Educação em Economia.
Em relação às barreiras técnicas, o Instituto Nacional de Tecnologia e Qualidade é o
órgão responsável pelo estabelecimento de normas industriais. Para a homologação de
produtos estrangeiros há a necessidade da marca “KS” que indica o cumprimento das normas
sul-coreanas. O Ministério do Meio Ambiente é responsável pelos regulamentos ambientais
e pela supervisão da conformidade dos produtos aos regulamentos. Os requisitos de
etiquetagem do governo da Coréia do Sul são rigorosos quanto à identificação na embalagem
de origem do país para inúmeros produtos agrícolas e alimentos (DEINT, 2002).
MATERIAL E MÉTODOS
Os dados utilizados neste trabalho foram obtidos basicamente a partir da literatura e
de entrevistas com agentes do setor exportador. A análise por produtos voltou-se para buscar
a percepção do setor exportador quanto aos produtos relevantes no comércio com os países
asiáticos selecionados.
Os resultados dos questionários aplicados nesta pesquisa foram analisados sob a luz do
levantamento realizado pelo MAPA (2002a, 2002b,2002c) de setores com maior potencial
nesses mercados. O Ministério adotou como metodologia para a escolha de produtos
agroindustriais, a definição da ordem de importância de cada produto, segundo valores de
comercialização médios dos últimos cinco anos, para a pauta de exportação global do Brasil e
para a pauta de importação global do país analisado. Considerando-se a localização do
produto em ambas “listas” (de exportações brasileiras e de importações do país), obteve-se
um “ranking”, que serviu para classificar os produtos numa ordem preliminar de importância.
Outros fatores foram utilizados como base para identificar os produtos com potencial
exportador, considerados pelo MAPA e são explicados nos trabalhos acima mencioandos.
Para o levantamento das informações necessárias ao atendimento dos objetivos deste
trabalho, decidiu-se utilizar a metodologia de questionários e de entrevistas com os diversos
segmentos envolvidos diretamente nas exportações para os mercados asiáticos. Para tanto,
foram enviados e-mails com o questionário elaborado, realizadas entrevistas por telefones e
também diretamente por visitas nas empresas. Das 100 empresas contactadas, previamente
identificadas como exportadoras para os mercados estudados, foi obtida uma amostra de 22
respondentes. A amostra utilizada caracteriza-se por ser de conveniência, uma vez que não
seguiu normas estatísticas, sendo muito mais resultado da disposição dos entrevistados em
atender à pesquisa. Portanto sem a preocupação com estratificação da amostra. Apesar disto,
partiu-se da seleção das empresas com base na lista de exportadores para os três países
analisados, disponível na Vitrine do Exportador (MDIC, 2003b).
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Para a elaboração da maior parte das perguntas do questionário utilizou-se como base
o trabalho de Batalha (2001) intitulado de “Marketing Estratégico Aplicado ao Agronegócio”.
Para a tabulação dos resultados, foi utilizada a escala Likert como referência, com base nos
trabalhos de Batalha & Silva (1999) e Castro (2000).
RESULTADO E DISCUSSÃO
Em termos de resultados mais gerais da pesquisa, e definindo o perfil da amostra de
empresas entrevistadas, constatou-se que destas, 72% são empresas de capital majoritário
nacional, o restante são de países considerados desenvolvidos como o Japão, EUA, França e
Suíça. Questionadas sobre o tempo de atuação na exportação para os mercados analisados,
89% das empresas atuam há menos de 5 anos na China; 73% atuam há menos de 5 anos na
Coréia do Sul; e 64% atuam há mais de dez anos no Japão. Os mercados chinês e sul-coreano
são relativamente novos como destinatários das exportações do agronegócio brasileiro.
Dentre as empresas entrevistadas, para os três países analisados, predominou um
primeiro contato comercial por meio do envio de representação comercial própria,
respondendo por 44%, 67% e 45% dos casos de exportações para a China, Coréia do Sul e
Japão, respectivamente. O canal de exportação via trading destacou-se também para as
empresas exportadoras tanto com destino à China e ao Japão, com participação de 33%.
Segundo Grisi et al (2003), a opção via trading pode ser boa para as empresas que já reúnem
recursos suficientes para uma navegação autônoma e escolhem, com certa freqüência, manter
suas alianças com representantes independentes em busca de redução de custos fixos e maior
agilidade e eficiência operacional. Neste caso, algumas vantagens estão relacionadas à
terceirização de atividades de prospecção de novos mercados, estruturação de logística e
planejamento de marketing.
Segundo os entrevistados, a maioria dos produtos mencionados pelas empresas
exportadoras apresentaram crescimento nos últimos cinco anos. Do total de empresas
consultadas, sobre o desempenho dos produtos que comercializam com a China, Coréia do
Sul e Japão, 83%, 79% e 65%, respectivamente, verificaram crescimento nos últimos cinco
anos.
De modo geral, os principais fatores apontados pelos entrevistados como tendo
impacto sobre o desempenho das vendas para os três países asiáticos foram os referentes a
variáveis domésticas. As questões culturais e religiosas foram consideradas de baixo impacto
pela maior parte dos entrevistados.
Quanto à questão cultural, Ramone (2003) afirma que o”executivo chinês é similar a
qualquer executivo do mundo, busca a obtenção de vantagens, lucros e a expansão dos
negócios”. A autora reconhece que há diferenças culturais, e cita o guanxi, o relacionamento
baseado no conceito da ligação pessoal de confiança, um fator importante nas negociações.
Porém, alerta que os os chineses são muito práticos e bastante minunciosos, e que exigem
qualidade e outros aspectos como quaisquer outros empresários no mercado mundial. Sugere
que as questões culturais não são empecilhos em si para o comércio com tais países.
A maioria das empresas da amostra mencionaram não ter acesso às linhas de
financiamento para exportação, principalmente as empresas nacionais. Do total da amostra,
59% investiram nas exportações visando ao mercado internacional como um todo, e não
somente aos mercados asiáticos específicos. A exceção são os produtos orgânicos
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comercializados para o Japão, que requerem um investimento específico, até porque sendo um
país com alta renda per capita, a população pode pagar por este tipo de produto.
Uma constatação interessante é de que apenas 33% amostradas exportam para três ou
mais países da Ásia-Pacífico, além dos três estudados e 37% para nenhum outro que não o
país apontado (China, Japão ou Coréia do Sul), sendo que apenas 27% das empresas realizam
ações de propaganda e marketing direcionadas a esses outros mercados asiáticos.
Considerando o levantamento do MAPA (2003), os principais produtos com potencial
para exportação brasileira destinada à China são a carne de aves (1,2%), carne suína (0,4%),
carne bovina (0,7%), couros e peles (1,5%), soja em grão (25,5%), açúcar (9,3%), álcool
(0,0%), tabaco não-manufaturado (53,7%) e suco de laranja (67%) (Anexo 3). Os números
entre parênteses indicam a participação do Brasil nas importações totais chinesas desses
produtos citados. Segundo o mesmo estudo, no processo de acessão da China à OMC, e
consequente redução de tarifas, embora se destaquem muitas barreiras não-tarifárias, há
oportunidades para o Brasil. Particularmente, no caso do álcool, está sendo desenvolvido um
programa de utilização do álcool etílico como combustível.
No questionário aplicado neste trabalho, os produtos discutidos pelos entrevistados
foram diversos, com maior representatividade amostral do café. Os fatores mencionados como
os de maior impacto para o comércio do Brasil com a China foram a taxa de juro nacional, o
comportamento da taxa de câmbio, tarifas de importação chinesas, barreiras
sanitárias/fitossanitárias e a burocracia do governo chinês. Os resultados apontam para uma
grande importância das variáveis domésticas.
O mercado chinês é um mercado novo para as empresas brasileiras, afirmativa
ratificada pela constatação de que quase a totalidade da amostra exporta há menos de quatro
anos para a China, sendo a maior parte das empresas amostradas de capital nacional. A
maioria das empresas amostradas que mencionaram ter realizado investimentos para exportar
para a China são estrangeiras. Apenas as empresas de capital estrangeiro mencionaram teremse favorecido de linhas de financiamento para exportar.
Na China, particularmente, a burocracia e o comércio estatal são impedimentos a
serem vencidos. Sobretudo, há um processo de conhecimento que deve ser desenvolvido por
parte dos empresários que pretendem comercializar com esse país, já que as questões culturais
são muito importantes e hábitos, costumes e até os meios de se realizar negócios podem
representar um diferencial. A China tem desenvolvido um comércio intenso com base nos
chineses extra-mar, já que os laços familiares e culturais facilitam a relação de confiança.
Para o Japão, a literatura indica que os principais produtos com potencial para
exportação brasileira são carne bovina, carne suína, pescados café em grão, açúcar, álcool
etílico, tabaco não-manufaturado, soja em grão, papaias, caqui, uva e manga. Atualmente, o
Brasil representa 0,0%, 0,0%, 5,8%, 27,3%, 0,1%, 16,0%, 13,5% e 14,0%, 0,0%, 0,0%,
0,0%, 0,0%, dos produtos citados, respectivamente. As principais oportunidades desse
mercado são os produtos orgânicos e o álcool etílico, este último relacionado à necessidade de
adotar energia limpa e renovável, respeitando o Protocolo de Quioto.
Contudo há desafios relacionados às barreiras não-tarifárias impostas à carne bovina e
suína. No Japão, além de picos tarifários em produtos agroindustriais de interesse e das
barreiras sanitárias que incidem sobre carnes e frutas, as políticas domésticas de apoio fazem
do país um dos maiores subsidiadores do setor produtivo agrícola, o que também dificulta a
competitividade dos produtos nacionais em seu território.
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Nos questionários, o café e o álcool foram os produtos mais amostrados. As variáveis
identificadas como as mais impactantes no comércio com esse país foram a taxa de câmbio,
taxa de juros, escassez de linhas de financiamento, burocracia brasileira, concorrência
internacional, tarifas de importação e a burocracia japonesa. A maioria das empresas
entrevistadas já mantinham relações comerciais com o Japão há longa data.
Com relação à Coréia do Sul, a literatura indica que os principais produtos com
potencial para exportação brasileira e a atual participação do Brasil nas importações totais
coreanas dos mesmos são: carne bovina (0%), carne suína (0,1%), couros e peles (1,5%),
milho (15,9%), complexo de soja (soja em grão – 7,3%, farelo de soja - 51,2% e óleo de soja
– 7,2% café (café em grão 14% e café torrado 2,7%), tabaco não-manufaturado (18,1%), suco
de laranja (82%) e álcool etílico (28%) (Anexo 5). Dentre as principais oportunidades neste
mercado destacam-se o “boi verde” brasileiro e o milho livre de organismos geneticamente
modificados (OGM), ambos produtos que certamente necessitam de programas de marketing.
Aliás, iniciativas de marketing são necessárias nos três mercados asiáticos estudados.
Barreiras tarifárias (por exemplo, no café) e sanitárias (carne bovina) têm impedido o
comércio do Brasil com esse país. As empresas entrevistadas destacaram-se como
exportadoras de café para a Coréia do Sul. Dentre os fatores mais frequentemente listados
como de maior influência sobre o desempenho desse comércio bilateral, estão a taxa de juros,
burocracia do governo coreano, dificuldade de acesso a linhas de financiamento,
comportamento da taxa de câmbio, tarifas de importação e concorrência internacional. A
maioria das empresas são de capital nacional. O período de início das exportações foi uma
variável cuja resposta evidenciou dois grupos distintos: os que exportam há menos de cinco
anos para esse mercado, e os que exportam há mais de dez anos. A totalidade iniciou as
exportações enviando representantes próprios, e a maioria realizou investimentos para
exportar para estes mercados.
De modo geral, o agronegócio já tem uma significativa parcela no total transacionado
com os países estudados. A participação média do agronegócio nas exportações brasileiras
nos últimos cinco anos foi de 53%, 46% e 39%, para China, Japão e Coréia do Sul,
respectivamente. Contudo, há desafios como, por exemplo, o de que a pauta de exportações
continua concentrada em poucos produtos, principalmente commoditities.
A China parece apresentar-se como o país com maior potencialidade ao agronegócio
brasileiro, dada a sua diversidade de importações, ao crescimento de seu mercado e do
aumento de sua renda (possibilitando consumo de produtos mais elaborados), além da
possibilidade de continuidade da tendência de consumo crescente de produtos ocidentais
como o café. Como ponto negativo, constata-se que a participação do setor primário na
economia chinesa é ainda elevada.
O Japão possui essencialmente a mesma pauta de importação, com o Brasil, que
possuia há dez anos, ou seja, uma alta participação de commodities. Neste contexto, é
importante lembrar que, no longo prazo, tem-se observado uma tendência declinante nos
preços das commodities.
Produtos mais diferenciados e valorizados nos mercados
internacionais e no japonês nãoo fazem parte dessa pauta, é o caso das frutas e carnes.
Outra característica do mercado japonês é a sua forma de comercialização, realizada
por suas tradings companies (Sogo Sosha), que importam produtos FOB e pouco processados
do Brasil para serem processados por suas empresas no Japão, dentro do modelo de Keiretsu.
Apesar da dificuldade nas exportações de produtos com maior valor agregado, a alta renda per
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capita e a conscientização dos japoneses sobre os temas relacionados ao desenvolvimento
sustentável, possibilitam a exportação de produtos orgânicos e podem representar uma
sinalização para o desenvolvimento de produtos com forte apelo ambiental no Brasil.
A Coréia do Sul é o país importador em que o agronegócio tem a menor participação,
sendo que suas aquisições de produtos brasileiros sofrem fortes variações, embora um
constante crescimento. De qualquer modo, o consumidor coreano tem poder aquisitivo para
comprar produtos de maior valor agregado e é bastante exigente em termos de qualidade.
No tocante às relações sobre o comércio de produtos agroindustriais entre estes países,
é oportuno lembrar alguns fluxos comerciais como o das importações de grãos de soja do
Japão provenientes da China, e as importações de farelo de soja provenientes da Coréia do
Sul. No comércio com a Ásia, apesar de todos os ganhos em produtividade que conferem
competitividade aos produtos nacionais, certamente a questão logística (em especial, o frete)
é relevante e decisiva nas negociações comerciais.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Brasil é um importante agroexportador mundial, mas sua pauta de exportação está
concentrada em poucos produtos, principalmente commodities. O Brasil deve procurar
exportar produtos mais processados. O efeito da queda nos preços das commodities e as
dificuldades de exportar com maior valor agregado evidencia-se na evolução das importações
do Japão provenientes do Brasil, em que o volume importado apresenta pouca variação, na
maioria do tempo, mas proporcionalmente ao total, as divisas geradas vêm diminuindo.
Alguns produtos que merecem destaque são a soja em grão, o álcool, e as carnes, no
que tange aos mercados asiáticos estudados. A soja em grão é matéria-prima para produtos
tipicamente asiáticos como o toffu, consumido no Japão. O álcool vem ganhando espaço
como melhor alternativa de energia limpa disponível no momento, e por substituir o MTBE
como aditivo na gasolina, embora atualmente ainda se concentre no mercado para fins
industriais. O Japão vem realizando investimentos em usinas sucroalcooleiras no Brasil, e
formando joint-ventures através de suas tradings, como a Mitsui.
No caso do álcool, também a China vem aumentando o número de sua frota,
ocasionando o aumento da poluição, e devido às Olimpíadas de Beijing em 2008, está
investindo em alternativas menos poluentes. Em relação à Coréia do Sul, o álcool etílico foi o
segundo maior produto exportado do agronegócio brasileiro.
As carnes possuem pouca representatividade nas vendas atuais para esses mercados
(com exceção das exportações de carne de frango para o Japão), mas a possibilidade das
reduções das barreiras sanitárias e o diferencial do “boi verde” brasileiro poderiam aumentar a
participação brasileira nesses mercados, já que todos três são grandes compradores de carnes.
Em relação às características culturais que afetam os aspectos comerciais desses
países, o Japão já é considerado um país ocidental no sentido de conhecer a cultura do
Ocidente, já os chineses e os sul-coreanos preferem manter sua forma particular de negociar,
caracterizada por um longo tempo de conversação antes de efetuar a negociação. Apesar
disso, os empresários entrevistados não identificaram a questão cultural como grande entrave
às relações comerciais. Possivelmente, o fato da maioria delas atuar enviando representações
para esses países, tem facilitado esse relacionamento.
Dificuldades domésticas foram apontadas como sendo as mais determinantes sobre o
desempenho do comércio do Brasil com esses países analisados, principalmente as variáveis
de política macroeconômica. Contudo, confirmando as informações encontradas na literatura,
a burocracia desses países no comércio e as barreiras não-tarifárias têm destaque como
obstáculos a serem ultrapassados no fortalecimento desse comércio.
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