Anais da Semana de Pedagogia da UEM ISSN Online: 2316-9435 XX Semana de Pedagogia da UEM VIII Encontro de Pesquisa em Educação / I Jornada Parfor EDUCAÇÃO INFANTIL: RELATO DE EXPERIÊNCIAS BORTOT, Camila Maria [email protected] CAMPOS, Gabriela Rodrigues [email protected] CHICARELLE, Regina de Jesus (Orientadora) [email protected] Universidade Estadual de Maringá (UEM) Formação de professores e intervenção pedagógica INTRODUÇÃO O Estágio Supervisionado em Educação Infantil, do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), é integrante da estrutura curricular e têm como objetivos: propiciar a formação profissional do acadêmico, integrar a teoria e a prática por meio de experiência, como aproximar situações reais e propiciar maior contato com a área da educação. As normas para a Educação Infantil – fundamentada pela Constituição Cidadã Brasileira (1988), Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996) e Referenciais e Parâmetros de Qualidade Nacional, que asseguram a criança o direito a educação e o bem-estar – tem como objetivo instrumentalizar os educadores infantis a concretizarem seu trabalho educativo conjuntamente com as crianças, buscando a articulação com o educar e o cuidar. Assim, visa-se o desenvolvimento integral para a formação da identidade e de cidadania ativa, além de propiciar a socialização e aprendizagem dos conhecimentos da realidade social e cultural. Partindo destas ideias que abrangem a prática na Educação Infantil, desenvolvemos o presente artigo a fim de compartilhar nossas experiências no que compete à prática pedagógica vivenciada no Estágio Supervisionado em um Centro Municipal de Educação Infantil de Maringá, localizado na periferia, embasadas em teorias estudadas na disciplina de Formação Docente e para a elaboração do relatório final da disciplina de Estágio. Partindo deste pressuposto, averiguamos alguns problemas presentes na Educação Infantil, e buscamos articular a teoria e a prática com o intuito de compreender a situação real na prática de ensino e aprendizagem das crianças, visto que muitas coisas podem ser refletidas e melhoradas. Também propiciamos que outros educadores tomem ciência de nossas ideias e reflexões acerca das intervenções, enfoques e fundamentações teóricas da realidade vivida. Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 2 Desta forma, necessita-se que o acadêmico compreenda a importância do Estágio Obrigatório Supervisionado em Educação Infantil nos currículos do curso de Pedagogia. Braga (1999) entende que o estágio tem por finalidade envolver os conhecimentos adquiridos com competência e habilidade à aplicação na realidade social, isto é, na experiência do estágio. Enfatiza ainda o intuito é formar um profissional capaz de promover o avanço simultâneo da prática pedagógica, a fim de favorecer a reflexão acerca sobre a própria prática e construção coletiva, seja ela social ou política. Este relato de experiências tem como objetivo descrever o desenvolvimento do processo de formação docente com fundamentações teóricas e a prática exercida no Centro de Educação Infantil, ao qual fizemos nosso estágio desde as observações livres ou direcionadas, bem como as ações a partir de nossas intervenções com as crianças do Infantil IV A. Realizaremos exposição de pensamentos e concepções de autores que refletem acerca da Educação Infantil, relacionando-os com a prática vivenciada. METODOLOGIA A partir da elaboração do relatório final do primeiro semestre, sendo um dos requisitos necessários da disciplina de Estágio Curricular Supervisionado em Educação Infantil, é que deu a origem do presente artigo. Portanto, a metodologia deste tem caráter bibliográfico, no entanto, apresenta os resultados do processo do Estágio. Buscamos informações em autores, aos quais nos possibilitaram fundamentação teórica, para abordar reflexões sobre nossas experiências da melhor maneira possível para que fossem apresentadas de forma clara e objetiva. Os autores selecionados foram elencados de acordo com os subtítulos presentes nos resultados, ou seja, foram expostas ideias de acordo com a atividade desenvolvida. Destarte, o item Considerações sobre o trabalho e a Educação Infantil, conta com as ideias de Ferreira (2002), Sternberg e Lubart (1995) Vygotsky (2009) para fundamentar aspectos relevantes à criança, estimular aspectos psicomotores, sócio afetivos, cognitivos e linguísticos por meio da Arte, criatividade e interações com o meio social que contribuem na sua imaginação, esta construída por experiências. O segundo item Intervenções: execução e reflexão, conta ideias e resultados das intervenções por nós elaboradas, descrevendo o trabalho desenvolvido com as crianças. E por fim, o terceiro item denominado Um olhar direcionado para a Educação Infantil conta com os enfoques acerca da Educação Infantil, a criança, os recursos pedagógicos, a relação professor e aluno, uma curiosidade da dupla de estágio e uma lei Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 3 regida agora sobre a Educação Infantil. Com base nas vivências, buscamos nos embasar em Pimentel e Araújo (2007), Oliveira-Formosinho (2007), Martins e Arce (2010), Leontiev (1978), Piaget (1974), Souza (2007), Vygotsky (1998), Freire (1996), Lei número 12.796 (BRASIL, 2013) citando as exposições feitas pelo ministro da Educação atual Aloizio Mercadante. Estes são teóricos que argumentam sobre cada aspecto direcionado à observação que permite o desenvolvimento da Educação Infantil. Assim, obtivemos resultados e discussões das vivências no Centro de Educação Infantil de modo a expressarem nossas ideias e concordâncias a autores da Educação Infantil, considerando todos os elementos chaves para o desenvolvimento infantil: criatividade, imaginação, interação, afetividade, ludicidade, intencionalidade, descobertas, fantasias, autonomia, direitos, condições de trabalho a partir dos recursos e o envolvimento da família e escola para a formação integral da criança. RESULTADOS E DISCUSSÕES Após estudarmos por algumas aulas teóricas realizadas na Universidade Estadual de Maringá, fomos à prática, assim, podendo vivenciar a tão importante articulação de teoria e prática, ou seja, a fundamental práxis. Quando iniciamos a prática do Estágio Curricular Supervisionado, conversamos com a equipe pedagógica do Centro de Educação Infantil, conhecendo o histórico do estabelecimento e a importância do cuidar e do educar. Em segundo momento, as duplas de trabalho fizeram um rodízio entre as turmas a partir de observações breves realizadas em um período de estágio, a fim de decidir qual sala seria fixa para o estágio. Assim, conseguimos ter uma visão de proximidade com a sala de aula, tendo contato direto com a rotina e as atividades dos pequenos, considerando desde já a importância da dependência das crianças sob os educadores, exercendo influências para que a prática do ensino-aprendizagem seja a cada passo aprimorada somando positivamente na formação das crianças. Depois de consideradas estas primeiras informações sobre a trajetória de conhecimento do Centro e escolha da turma a ser observada, elencamos subtítulos para melhor orientar este artigo. CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO E A EDUCAÇÃO INFANTIL Escolhemos o Infantil IV A, turma esta composta por crianças entre três e quatro anos de idade. Deparamo-nos com a divisão das disciplinas de Arte e Educação Física, com elas as diferenças da prática de ensino. Destacamos a importância do planejamento, já que Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 4 observamos que o sistema apresentado poderia ser um pouco melhor, porque o que víamos eram atividades improvisadas sem nenhuma intencionalidade prévia. Logo, nas próximas observações averiguamos que as atividades não foram diferentes, era aula de arte e havia um pouco de organização em relação à prática. Sempre brincam com pecinhas de montar, e criam de forma fantasiosa com relação ao meio em que vivem, desenvolvem a coordenação motora e assim seu cogito, expressando a sua fase e que esta precisa de inovações para aprimorar-se, que cada coisa se desenvolve em seu tempo, cada criança desenvolve-se em seu período. Quando podem brincam pelo parque da escola. São muito agitados e falantes, porém, muito inteligentes. Nesta fase, são egocêntricos, brigam muito, mas como destacamos anteriormente que cada fase tem suas especificidades e precisam ser construídas e ultrapassadas. Depois de algum tempo, a professora efetiva da sala começa a trabalhar com a turma, ao qual tem planejamento e faz atividades e brincadeiras lúdicas de forma direcionada, e até nos mostra seus planejamentos e os conteúdos que foram trabalhados. Segundo Ferreira (2002) a Educação Infantil visa estimular aspectos psicomotores, sócio afetivos, cognitivos e linguísticos, ao mesmo tempo em que garante a aquisição de novos conhecimentos. Configura-se como uma instância do procedimento de sociabilização da criança. Assim, ela precisa se expressar, e essa característica pode ser desenvolvida a partir da música, sendo fonte de estímulos e equilíbrio aos pequenos por meio dos sons e gestos. Para Sternberg e Lubart (1995) a criatividade tem de ser algo novo e apropriado ao que se pede em sua direção. Esta “novidade” (diferente do usual) tem de ser útil e adequada para determinada situação. Reforçamos que de acordo com Vygotsky (2009) a atividade de imaginação criativa depende das experiências que as crianças já têm, assim, quanto mais ricas forem às experiências sua imaginação será maior, pois o individuo só cria se tiver condições para se criar. É um processo complexo da subjetividade do homem que se constrói a partir dos espaços sociais, no caso a escola, que utilizaremos recursos psicológicos lúdicos que permitirão ações criativas. INTERVENÇÕES: EXECUÇÃO E REFLEXÃO Em nossas intervenções, iniciamos trabalhando o poema “As borboletas”, de Vinicius de Moraes, ao qual o objetivo era analisar as cores e suas diferentes tonalidades a partir da poesia, desenvolvendo a criatividade para o desenho e a pintura, a fim de melhorar a motricidade fina de controle dos movimentos usando o lápis fomentando o desenvolvimento infantil. O nome da atividade “Cores: montando nosso jardim” em que discutimos brevemente Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 5 sobre quem foi Vinicius de Morais, e se gostavam de borboletas enfatizando dentre elas a importância da existência das cores que estão presentes em qualquer coisa que vemos, ou seja, tudo que possui luz. O trabalho foi de forma verbal e ao final produzimos um jardim em que as crianças desenharam suas borboletas, retratando o nível de desenvolvimento que se encontra, e as colocamos no painel. Na segunda intervenção demos continuidade ao tema de cores, mas agora associando ao corpo, já que já trabalharam com a professora da turma esta temática. Denominamos como “Cores e corpo: associando a nós”, em que podemos desenvolver através da leitura da história “Menina bonita do laço de fita”, de Ana Maria Machado, a associação das cores existentes em nosso corpo e também mostrando a valoração da diversidade cultural, em que nós somos iguais independentes das diferenças. Discutimos a história envolvendo as questões das cores associado ao corpo, ressaltando pontos culturais. A atividade acerca desta intervenção fora de pintar a sua “menina bonita do laço de fita” (que já estava impresso para pintura) da forma que quiseram, com as cores que gostam. O que nos chamou a atenção foi que uma criança da turma se identificou com a menina e todos ficaram satisfeitos em “presenciar uma menina bonita do laço de fita”, negra, em seu convívio e que ninguém é igual a ninguém. Finalizando este trabalho na terceira intervenção trabalhamos as cores e o corpo, ao qual chamamos o trabalho de “Cores e corpo: a dança do corpo e as cores”, em que queríamos perceber nas crianças os membros do corpo e as cores a partir da música “Cabeça, ombro, joelho e pé”, para que identifiquem e associem os comandos da canção e façam os gestos, possibilitando uma aprendizagem divertida. Objetivamos assim, desenvolver de maneira lúdica a coordenação motora e o raciocínio com dinamicidade. Inicialmente projetamos o data show na sala para a melhor visualização e desempenho da criança ao dançar. Logo, para enfatizar a cor utilizamos tinta para a atividade em que estampamos em uma folha a mão de cada aprendiz, mostrando a ela um membro que compõe nosso corpo que utilizamos para estudar, comer, brincar, pegar algo, ou seja, um membro importante que compõe nosso corpo. UM OLHAR DIRECIONADO PARA EDUCAÇÃO INFANTIL Alguns dias a observação eram livres e outros com um foco objetivo, pois com eles temos uma visão mais atenta acerca dos aspectos que integram a Educação Infantil. O primeiro olhar direcionado fora a criança. Ao longo da história houve várias concepções de criança e para com um sentimento de infância e hoje sabemos que a criança é um ser ingênuo, de pouca idade, é o período em que temos de formar para criar uma identidade no cidadão que Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 6 irá se desenvolver, um ser infantil. Segundo Pimentel e Araújo (2007) têm o senso comum, nos expressamos a esta personalidade ingênua e que ainda pouco sabe nos adultos que se comportam com características desta fase, exemplo “Você está se comportando como uma criança está sendo infantil”. A partir disso, a nosso ver, nós educadores precisamos entender que na infância estamos em desenvolvimento continuo, uma nova descoberta, em que o lúdico se faz muito presente, e a imaginação e fantasia são elementos essenciais em sua formação. Na infância se aprende brincando, e cabe ao professor criar maneiras e métodos com que ele sinta prazer e ao mesmo tempo cresça intelectualmente. Tivemos a observação da atividade com um olhar voltado para analisar a sua fantasia que expressariam ao montar, a sua relação com o meio onde vive. Vemos e escutamos a atividade, entregamo-nos a este momento, concentrados nas características da criança. Para nós, as crianças são seres ingênuos, reproduzem o que lhe faz sentir prazer, que faça sair de uma realidade e viajar para o que vai lhe fazer feliz. Esses comportamentos nos faz cada vez mais concordar com a ideologia que a autora Oliveira-Formosinho (2007), em que devemos nos contrapor a uma herança histórica de que as crianças só devem ser vistas, e não ouvidas. Devemos dar voz à criança, ouvir suas dúvidas, apresentar a ela o certo e o errado, mostram o carinho para com o educar e cuidar de fato, salientando que estamos formandos cidadãos para o exercício do bem, pois todos nós somos conjunto da obra participativa que precisa renovar-se para melhorar a educação, transmitir valores, desenvolver com a brincadeira marcos que signifiquem o seu interior. Já Martins e Arce (2010, p. 44), enfatizam a orientação de Leontiev (1978, p. 235) que mostra que “o desenvolvimento efetivamente humano com o desenvolvimento dessas novas formações, decorrentes da atividade individual historicamente condicionada, afirmando-as mais decisivas”, assim, que as condições psíquicas própria do ser humano produzem-se por um processo de apropriação de aquisição. O meio que a criança vive direciona o seu desenvolvimento. A família dá condições de lidar com o ambiente, e que na Educação Infantil vai aprimorando estas condições, promovendo a ampliação das visões necessárias para a formação. Vemos isso presentemente nas crianças, ao expressar sua imaginação comentando sobre seus pais e sua casa, por exemplo. Crianças de uma mesma idade podem apresentar características de desenvolvimento bastante distintas [...] e, [...] implica [...] da emergência do novo. [...] A qualidade da construção da atividade infantil é consequência social, não decorre de propriedades naturais dispostas na criança nem da convivência social espontânea. (ARCE, A; MARTINS, L.M, 2010, p. 4445). Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 7 Considerando o desenvolvimento e a organização das próprias crianças com elas mesmas, é dinamizar o olhar. São cooperativas, mas apresentam uma identidade muito forte. Agarram o que determinam como seu não tem ideia de quanto tem e que podem dividir. Quando mediadas, vão entendendo tudo isso. Faz sentido a tudo o que estudamos, pois observar com enfoque na criança exige entender a prática que a ela é imposta, e que sua criatividade, fantasia, autonomia, afetividade, criam sua identidade, e que precisam ser instigadas. Em sua cognição, expressando a fase que vive e que esta precisa de inovações para aprimorar-se, que cada coisa se desenvolve em seu tempo, cada criança desenvolve-se em seu período, devemos considerar isso e buscar melhores maneiras para a prática do ensinoaprendizagem. São pequeninos descobridores de sua realidade, abordando sempre o que Piaget (1974) diz como componentes essenciais com o desenvolvimento intelectual o cognitivo e o afetivo. Outro enfoque fora os recursos pedagógicos. Apontado por Souza (2007, p. 111), “recurso didático é todo material utilizado como auxilio no ensino - aprendizagem do conteúdo proposto para ser aplicado pelo professor a seus alunos”. Então, tudo aquilo que podemos colocar a disposição do processo educativo, e ainda Souza se refere a estes como “auxilio no ensino”. Podemos destacar também o relacionamento do recurso didático e conteúdo, pois não é todo recurso que pode ser trabalhado para determinado assunto, sendo papel de o professor analisar quais são os materiais que a escola disponibiliza e quais podem ser manuseados, de forma que oriente e efetive o desenvolvimento. Ao buscar e produzir os materiais para nossa primeira intervenção (que foi também o dia do enfoque sobre os recursos), vimos uma infinidade de objetos (materiais para desenho e pintura, revistas, livros, tesouras, cola, um estojo para cada aluno, entre outros), mostrando que há possibilidades para desenvolver na criança a proposta que a escola tem educar e cuidar. Nós, educadores, precisamos ter criticidade acerca de todo material fornecido a nossa prática de ensinoaprendizagem, e estes devem ser usados visando algo que desenvolva e supere a concepção que possui, dando continuidade aos saberes e sendo possibilidades de aprimoramento de técnicas, marcando no ser algo que os motive a conhecer e descobrir tais possibilidades. Ao pensar sobre recursos didáticos, devemos ter a concepção de tudo que é didático tem a função educativa, possibilitando as atividades de trabalho ser mais dinâmicas e interessantes, por exemplo, o aprender brincando ou criando. Outro olhar direcionado foi a relação professor e aluno. Segundo Vygotsky (1998) na relação educador-educando deve-se observar cuidado, respeito e de desenvolvimento, e não Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 8 uma relação em que o professor de impõe autoritariamente. O aprendiz deve ser um sujeito ativo e que interaja com o processo de construção de seu conhecimento, e o educador possui o papel fundamental a isto, mostrando sua empatia a ele e experiências, considerando a bagagem cultural que a criança já possui, para edificação da aprendizagem. Esta construção dá-se coletivamente, em que os colegas e mediadores das tarefas estimulem seu desenvolvimento real e potencial da mentalidade (inteligência). Já Piaget (1974) diz que a criança é um sujeito ativo e precisa ser adaptada para as informações relativas ao objeto de estudo, como irá se organizar e agir acerca destas atividades. O mediador é o professor. É pelo diálogo em que o pequeno perceberá o que precisa ser mudado para o seu desenvolvimento, e isto é feito em seu interior. Percebe-se assim, entre os dois autores a diferença em que Vygostsky (1998) diz que o aprendizado é coletivo, Piaget (1974) ressalta que ele é individualizado. Mesmo com estas distinções, o professor tem papel fundamental de incentivar o estudante, e que professor-aluno deve ser um processo de cooperação. A partir das informações obtidas, cabe citar Freire (1996) que defende a intercomunicação em um relacionamento de respeito, ressalvando a afetividade e também que a autoridade é condicionada de forma que o professor é o direcionador do processo e a criança a construtora. Ele também argumenta que o bom professor é aquele que traz o aluno até sua intimidade e desenvolve o seu raciocínio, enfrentando com as crianças os desafios, tanto de transmissão quanto na construção do novo na criança, de maneira divertida e significativa. Compreendemos que a afetividade, empatia, cooperação e respeito são fundamentais para que se efetive o desenvolvimento da criança. Estabelecer vínculo com os pequenos é a maneira de convidá-los a integrar ativamente da prática de ensino formadora da moral, cultura e intelecto. Quando orientadas fazem um ótimo trabalho, são atenciosas e bem receptivas, construtoras de seus conhecimentos, e mediadas por um professor comprometido com o processo o método caminha em uma direção mais efetiva. Houve como enfoque uma curiosidade que temos para com o espaço educacional. O que nos chama muito a atenção seria a questão do condicionamento comportamental, pois observamos que as escolas estabelecem regras e leis internas e externas, e como elas são criadas e até que ponto isso favorece o desenvolvimento cognitivo e social da criança, já que esta prática é realizada para educar os pequenos conforme o que a sociedade impõe, e também se há uma concordância com a família sobre tais aspectos regidos pela educação. Temos essa curiosidade de “até que ponto isso é construído” porque vemos muitos “Cantinhos de pensamento” ou que se “bagunçou não faz tal atividade ou passeio”, que por mais que seja Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 9 pouco tempo para nós adultos, o tempo da criança que espera é imenso, e ela são enérgicos, brinca constantemente e precisa de atividades que a envolva e interesse. Questionamos até que ponto tal condicionamento pode virar chantagem. E o último tema se estabeleceu sobre buscar uma lei regida agora sobre a Educação Infantil. Por nós escolhida foi à lei número 12.796 que altera a lei que oferece as diretrizes e bases da educação em que é dever dos pais de matricular seus filhos a partir dos 4 anos, não é mais uma opção e sim obrigação. Esta nova lei abrange a Educação Infantil e estabelece as suas normas, em que o currículo para a faixa etária deverá ter uma base nacional comum que respeita as diversidades culturais regionais, como feito para o ensino fundamental e médio. Terá registro do acompanhamento do desenvolvimento dos pequenos, e terão “avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental”. Esta nova sobre a obrigatoriedade para a Educação Infantil ressalta que a presença das crianças desta faixa etária na Educação Infantil atende a exigências pedagógicas para o aprendizado e a póstuma alfabetização, prevendo assim um salto na qualidade do ensino-aprendizagem, trazendo significativos benefícios. Sabemos também que a Educação Infantil é a base estrutural para moldar as crianças para a iniciação de suas capacidades cognitivas e sociais. A obrigatoriedade desta lei, temos um ponto de vista meio contraditório, pois ao mesmo tempo em que adiantamos e preparamos nossos pequenos para receber os conhecimentos, e sendo a escola um dos principais lugares para que isso se efetive, às vezes tiramos o sentido da infância, do brincar e conhecer o mundo, e que a formação familiar é importante e o contato de uma educação moral também, então nós ficamos pensando: “quem educa a criança?”. Família e escola devem andar juntas, unidas para permitir uma formação que contemple todos os aspectos, é isto que nos referimos ao contraditório. É necessário também refletir: Será que há condições e espaços para atender a tantas crianças nos centros infantis de educação a partir dos quatro anos? Há vagas para as existentes para atender essa grande demanda? Como ficará o currículo daqui por diante? Será que o país invés de gastar com ampliações de centros, investisse em melhores condições de trabalho para a educação, como a formação continuada dos professores, o espaço físico, a estrutura escolar, entre tantos outros aspectos que poderiam ser repensados? Pensamos que para inserir crianças de quatro anos na educação básica não é preciso só pensar acerca desta nova lei, mas sim analisar a partir de então todo o sistema educacional de nosso país, possibilitando condições positivas para a constante práxis existente nas escolas. Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 10 Após todas as observações, enfoques e intervenções feitas no Centro, construímos este relatório final para apresentação para nossa turma de Estágio na Universidade Estadual de Maringá, considerando todas nossas vivências, como fora relatado em nosso relatório. CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando o que vivenciamos na teoria e na prática, de forma positiva e também negativa para a construção de nossa identidade, como educadores compromissados com a formação de nossas crianças, salientamos a importância do Estágio e a partilha de vivências com os demais a fim de possibilitar reflexões quando falamos em educação, pois por meio de estudos bibliográficos à melhor compreender a prática a partir da realidade em que presenciamos. Mesmo com pouca experiência, corroboramos que o cuidar e o educar sempre estarão à frente na Educação Infantil, ao qual se interpreta a questão do cuidado e educação conforme os direitos e deveres da criança, de maneira a desenvolver a formação de valores. O compromisso com a criança exige entender que sua criatividade, fantasia, autonomia, afetividade, criam sua identidade, e que as atividades pedagógicas norteiam tais avanços. As intervenções foram essenciais à nossa formação acadêmica e profissional ao qual tivemos a oportunidade de aprender sobre como fazer o planejamento de forma intencional, quais autores embasarem-se para desenvolver de forma lúdica cada aspecto. O planejamento é de suma importância para uma organização do que fazer e de como fazer diante ao processo pedagógico, em que destacando os objetivos, a construção para o desenvolvimento que queremos atingir facilita o nosso trabalho. A efetividade entre professores e crianças, bem como a empatia, cooperação e respeito, são fundamentais para que se efetive o desenvolvimento criança. Um ponto de reflexão é que educadores e comunidades devem ter o compromisso a uma formação compromissada, pensando sobre que urgência demanda pressa, que estamos na corrida contra o tempo para um pleno desenvolvimento, que se inicia lá na Educação Infantil, momento essencial para a vida da criança pelas descobertas e inicio do aprendizado que terá para se exercer sob o mundo, e que agindo singularmente e coletivamente, nós educadores precisamos de autonomia para exercer um modelo pedagógico de uma pedagogia efetiva construída por uma constante práxis. A Educação Infantil tem se revelado primordial para uma aprendizagem ativa. Ela socializa e desenvolve habilidades, sendo o verdadeiro alicerce da aprendizagem, aquela que Universidade Estadual de Maringá, 17 a 20 de setembro de 2013. 11 deixa a criança pronta para aprender. É importante brincar e viver a infância, e que tais atividades sejam mediadas de forma lúdica pelo professor, possibilitando o desenvolvimento e descobertas. É o período da construção de valores e identidades. Estas foram nossas conclusões acerca de toda prática vivenciada neste semestre, fazendo-se mister este estágio para a formação do acadêmico do curso de Pedagogia. Todas as observações ocorridas ao longo desse semestre contribuíram para nossa formação profissional, vendo os prós e os contras na educação, mesmo que tendo uma visão de um Centro de Educação Infantil e uma sala da mesma. Tais experiências, com certeza, internalizaram em nós algo progressivo para nossa atuação como formadores de homens, e queremos cada vez mais nos aperfeiçoar para melhorar as condições a uma formação de qualidade e emancipadora de sujeitos. REFERÊNCIAS ARAÚJO, L. S; PIMENTEL, A. Concepção de criança na pós-modernidade, 2007. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/pcp/v27n2/v27n2a02.pdf> Acesso em: 16 abr. 2013. ARCE, A; MARTINS L. M. Quem tem medo de ensinar na educação infantil?: em defesa do ato de ensinar. 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