CULTIVO DE ABÓBORA HÍBRIDA

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CULTIVO DE ABÓBORA HÍBRIDA
COMUNICADO TÉCNICO RECOMENDAÇÕES BÁSICAS PARA A
FRUTIFICAÇÃO DA ABÓBORA HÍBRIDA TIPO TETSUKABUTO ou
KABUTIÁ. I- USO DE POLINIZADORES E PRODUTOS HORMONAIS
Welington Pereira Eng. Agr., Ph.D., Embrapa Hortaliças, Caixa Postal 218,
CEP 70.359-970- Brasília – DF, Telefones: (061) 385-9076, (061) 385-9065,
Fax:
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556-5744,
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1. INTRODUÇÃO
As abóboras e morangas têm elevada importância sócio-econômica em
diferentes regiões do país ocupando o 7o lugar entre as hortaliças, sendo que o
cultivo da abóbora híbrida interespecífica (Cucurbita maxima x Cucurbita
moschata), conhecidamente como abóbora tipo Tetsukabuto, Kabutiá ou
abóbora japonesa, está em franca expansão, chegando a dominar o mercado
em algumas regiões brasileiras. Minas Gerais plantou, em 1994, 2.694 ha, com
uma produção total de 23,6 mil toneladas e produtividade média de 8,7 t/ha, a
qual deve representar a média nacional. A abóbora híbrida apresenta várias
vantagens sobre as cultivares de polinização aberta ou sejam: precocidade
(100 a 110 dias); resistência à broca; estabilidade de produção; uniformidade
no tamanho e coloração do fruto (casca verde escuro e polpa alaranjada);
resistência ao manuseio, transporte e pós-colheita; melhor qualidade nutritiva e
culinária. Essas características proporcionam uma grande aceitação para a
comercialização, principalmente, naqueles mercados mais exigentes onde
somente a abóbora com frutos de tamanho e coloração uniformes, bom sabor,
polpa enxuta e baixo teor de fibras alcançam maior valor comercial. Embora
diversos híbridos já tenham sido obtidos no Brasil (“AG 90“, “Agroflora 12“,
“Agroflora 13“, “Jabras“, “Lavras 1“, “Lavras 2“, “Samanta” e “Suprema“) e no
exterior “Kaneco”, “Kiowa”, “Kobayashi”, “Osawa”, “Oghata”, “Sakata”,
“Takayama”, “Takii” etc), muitas de suas características de crescimento não
foram completamente determinadas para as condições brasileiras. Em geral, as
exigências culturais dos híbridos são muito diferentes das culturas de abóboras
e morangas. As plantas dos híbridos têm alto vigor, grande capacidade de
resposta à fertilização e precocidade, entretanto, baixas produtividades têm
sido observadas muitas vezes devido a baixa eficiência do processo de
frutificação. A seguir são descritas as informações e tecnologias sobre os
processos sexuados e assexuados da frutificação da abóbora híbrida,
desenvolvidos na Embrapa Hortaliças. As técnicas de cultivos foram descritas
por Pedrosa et al. (1982), Pereira et al. (1996) e Sistema (1980).
2. PROCESSOS DE FLORESCIMENTO, FECUNDAÇÃO E FRUTIFICAÇÃO
2.1. Florescimento e frutificaçãoEm geral, as cucurbitáceas se
caracterizam por possuírem flores unissexuais na mesma planta (Figura 1B) ou
seja de expressão sexual monóica, apresentando compatibilidade de
cruzamento entre as cultivares dentro do mesmo gênero e entre espécies. Por
outro lado, os híbridos tipo Tetsukabuto apresentam flores macho estéreis,
ficando, portanto, a frutificação dependente primordialmente da eficiência do
processo de florescimento e fecundação. Normalmente, o potencial produtivo
de flores depende, das características genéticas e fisiológicas das plantas, do
estado nutricional e sanitário da cultura. Os cultivos realizados em solos com
boa fertilidade, alta fertilização e que apresentaram um bom estado
fitossanitário produzem, em geral, cerca de 20.000 a 30.000 flores/ha (Figura
2). A abóbora apresenta uma alta capacidade de resposta às adubações
químicas situando-se em cerca de 2 t/ha da fórmula 4-14-8 no plantio, 50 a 100
kg de Nitrogênio / ha em cobertura, associados ou não a 3 a 4 t/ha de esterco
de galinha misto.
2.2. Polinização, fecundação e frutificaçãoO potencial de frutificação
da cultura dependerá não só da produção de flores femininas do híbrido
(Figuras 1 e 2), mas também do processo de fecundação destas. O processo
de frutificação dos híbridos de abóbora tipo Tetsukabuto pode ser feito,
basicamente de duas maneiras:
2.2.1. Frutificação sexuada – para que haja o desenvolvimento
do ovário e, consequentemente, o pegamento e desenvolvimento do
fruto com formação de sementes, é necessário que haja polinização
seguida da fertilização (Figura 3). Para o ovário da flor feminina da
abóbora híbrida (Figura 3A lado direito, 3E) completar o seu
desenvolvimento e formar o fruto com sementes a flor feminina deve
receber o pólen da cultivar polinizadora no seu estigma, após a
formação e maturação do ovário. O pólen germina até atingir o óvulo,
completando, posteriormente, a formação do fruto. O tamanho, formato e
uniformidade dos frutos dependem da quantidade de pólen transferido
das anteras das flores masculinas para o estigma das flores femininas
(Figura 3 C-E) O polén transporta para o estigma uma pequena dose de
hormônio (auxina). A auxina é responsável por um desencadeamento de
reações bioquímicas e quebra da cadeia de açúcares presentes do
pedúnculo do frutinho. Sem a quebra desta cadeia de açúcar existente
no pedúnculo, o fruto não desenvolve, devido a uma alta concentração
de açúcar, morrendo por osmose, isto é, a planta não tem capacidade de
transportar água suficiente para contrabalançar o teor de açúcar
existente no pedúnculo, ocorrendo abortamento do frutinho (Tasakii,
1995, Comunicação pessoal: Dr. Seikoh Tasakii, Agroflora S/A
Reflorestamento e Agropecuária, Av. Antônio Pires Pimentel, 2046,
CEP12900-000 – Bragança Paulista – SP, Telefone: (011)7844-1600,
Fax: (011)7844-3022.). Na frutificação sexuada é necessário o uso de
cultivares polinizadoras para garantir a produção de pólen para a
fertilização das flores femininas do híbrido pelos insetos silvestres.
Existem várias cultivares polinizadoras que podem ser usadas, tais
como: Coroa, Canhão ou Menina Gigante, Exposição, Menina Brasileira,
Tronco Redondo, etc. A proporção de plantio da cultivar polinizadora
para o híbrido é variável de acordo com as características do polinizador
e do híbrido sendo as proporções de 15% a 20% as mais promissoras
quando se utiliza uma das cultivares polinizadoras mencionadas acima.
Além do uso de uma proporção correta da cultivar polinizadora para o
híbrido é necessário que haja uma sincronização do florescimento das
flores femininas do híbrido e masculinas da cultivar, uma vez que as
flores femininas das cucurbitáceas apresentam-se receptivas para
fertilização somente por poucas horas na parte da manhã quando elas
estão em antese ou abertas uma única vez. Em geral, o período de
florescimento das cultivares polinizadoras e dos híbridos não é
sincronizado, em relação a mesma data de plantio. É necessário,
portanto, que a produção e disponibilidade do pólen seja coincidente
com o período de florescimento do híbrido para garantir que os insetos
possam levá-lo até as flores femininas. Sabe-se que o plantio das
cultivares polinizadoras deve ser antecipado cerca de 15 a 21 dias ao do
híbrido. Um dos fatores importantes é a quantidade e qualidade do pólen
da cultivar polinizadora a ser utilizada em associação com o híbrido.
Verificou-se que “Menina Brasileira”, “Coroa" e “Exposição”
apresentaram grande quantidade de pólen. A polinização cruzada das
flores femininas do híbrido é entomófila, requerendo, portanto, a ação
dos insetos silvestres, representada basicamente pelas abelhas. A
atividade das abelhas depende das condições climáticas, sendo que a
maior atividade delas ocorre nas temperaturas de 21C a 39C,
apresentando o ideal entre 28C a 30C. Normalmente, elas não
trabalham nos dias chuvosos e nublados diminuindo a polinização das
flores e, consequentemente, a eficiência do processo de frutificação.
Destaca-se, portanto, que a produtividade das cucurbitáceas depende
da eficiência da polinização. A taxa de pegamento dos frutos depende
da eficiência da polinização realizada. Apesar de se recomendar o uso
de colmeias nas culturas de abóbora híbrida para garantir um maior
número de abelhas e, consequentemente maior pegamento de frutos,
tem-se observado, em muitos casos, cultivos sem a colocação destas.
Observou-se em 1995 e 1996 taxas médias de pegamento do híbrido
Jabras, nas condições da área experimental da Embrapa Hortaliças em
Brasília - DF, de 27% e produtividades de 6 a 12 t/ha. A estimativa de
florescimento foi de 23.500 flores/ha com uma produção de frutos por
planta de 2,64 a 3,99. Estes resultados indicaram uma baixa atividade
de insetos silvestres e que a frutificação depende não somente da
capacidade de produção de flores femininas pelo híbrido, mas sobretudo
da eficiência do processo de polinização.
2.2.2. Frutificação assexuada ou partenocárpica – feita
através da aplicação exógena de um fitohormônio com
característica da auxina. A formação de frutos partenocárpicos é
possível via aplicação exógena de um hormônio sintético (ácido
indol acético, alfa naftaleno acetato de sódio) ou produto com
características da auxina, tal como o 2,4-D (ácido 2,4diclorofenoxiacético). O 2,4-D quando aplicado em concentrações
baixas atua como hormônio de crescimento à semelhança da
auxina ou ácido indol acético (AIA) . A aplicação correta da
dosagem do hormônio nas flores femininas em antese é muito
importante, pois, o 2,4-D aplicado em concentrações altas, atua
de maneira inversa à auxina natural (AIA) existente no interior das
plantas, proporcionando uma completa desregulação nos
principais processos metabólicos, tais como: a fotossíntese, o
metabolismo dos hidratos de carbono, a respiração, a
transpiração e movimento de solutos e o metabolismo do N e do
P. As plantas submetidas à doses excessivas do 2,4-D cessam o
crescimento mostrando sintomas de ramas enroladas e
contorcidas, estreitamento do limbo foliar, denominados de
epinastia. Os resultados de pesquisa desenvolvidos pela Embrapa
Hortaliças indicaram que as dosagens de 200 a 250 ppm de 2,4-D
promoveram maiores produtividades, apresentando custo
insignificantes comparativamente ao do hormônio sintético puro
(AIA). O gasto total da solução de 2,4-D aplicada nas flores
produzidas em um hectare de abóbora híbrida é de
aproximadamente 60 litros, correspondendo a 15 ml do produto
comercial 2,4-D. As aplicações são feitas sob a forma de jato
rápido (cerca de 2 ml/flor) diariamente no interior ou exterior de
cada uma das flores em antese (Figura 4A). Deve-se evitar
escorrimento da solução do fitohormônio nas folhas, uma vez que
as plantas da abóbora híbrida toleraram concentrações totais de
aproximadamente 0,4 a 0,5 mg do ingrediente ativo de 2,4D/planta como consequência das aplicações diárias de 300 ppm
de produtos comercias de 2,4-D nas flores abertas durante o
período de florescimento. O período mais apropriado para aplicar
o fitohormônio é durante a parte da manhã (6:00 às 11:00 horas),
quando as flores estão abertas e receptivas à fecundação. A
frutificação assexuada obtida pelo uso de fitohormônio é muito
maior do que pela frutificação sexuada realizada através da
polinização pelos insetos silvestres.
3. SÍNTESE DAS RECOMENDAÇÕES BÁSICAS PARA O PROCESSO DE
FRUTIFICAÇÃO DA ABÓBORA HÍBRIDA.
A Embrapa Hortaliças dispõe de um folder sobre as recomendações de cultivo
da abóbora híbrida (disponível no endereço da ´home page´ da Embrapa
Hortaliças http://www.cnph.embrapa.br) e um video ilustrativo do sobre o uso
do fitohormônio. Além do estado nutricional e sanitário da cultura, considera-se
a produção de flores femininas do híbrido e o pegamento dos frutos como os
dois processos mais importantes para a frutificação e garantia de altas
produtividades da abóbora híbrida. Normalmente, as culturas sadias e bem
nutridas devem produzir de 20.000 a 30.000 flores/ha (Figura 2), obtendo-se
produtividades de 20 a 35 t/ha quando se obtém taxas de pegamento de frutos
de 60 a 80%. O ciclo da cultura varia de 95 a 110 dias ocorrendo o início do
florescimento do híbrido geralmente de 35 a 45 dias após o plantio, se
estendendo cerca de 35 a 45 dias. A frutificação pode ser feita sexuada ou
assexuadamente, conforme descrito a seguir:
1. Frutificação natural ou sexuada - faz-se o plantio antecipado de
uma fileira da cultivar de abóbora ou moranga polinizadora intercalada a cada
quatro fileiras do híbrido, de 15 a 21 dias antes da semeadura definitiva do
híbrido. As cultivares polinizadoras mais utilizadas são: “Canhão” ou
“Exposição”, “ Coroa”, “Menina Brasileira”, “Tronco Redondo”, etc. Neste caso,
é indispensável a presença de agentes polinizadores, como abelhas. Pode-se
usar a população natural de abelhas, embora seja mais recomendável a
colocação de 3 a 6 colmeias/ha para promover uma melhor taxa de pegamento
de frutos. A taxa de pegamento varia de 25% a 50%. 2. Frutificação assexuada
ou partenocárpica – feita com o uso de um fitohormônio ou produto com ação
das auxinas, aplicando-se o produto diretamente no interior ou exterior de cada
uma das flores femininas do híbrido abertas diariamente (Figura 4A). Para tal,
pulveriza-se um jato rápido (mais ou menos 2 ml/flor) de uma solução de 2,4-D
nas flores femininas abertas, no período da manhã (6:00 às 11:00 horas). Esta
operação é repetida diariamente naquelas flores que estiverem abertas,
durante todo o período de floração (cerca de 35 a 45 dias) (Figura 2).
Recomenda-se a dosagem de 133 a 166 ppm do ingrediente ativo de 2,4-D
amina. Assim, deve-se misturar, por exemplo, 1,0 a 1,2 ml de um produto
comercial na formulação 670 g/l de 2,4-D* amina em 5 litros de água,
correspondendo, neste caso, a dosagem de 200 a 250 ppm do produto
comercial. A solução do 2,4-D* preparada deve ser guardada em lugar fresco e
sombreado, podendo ser usada até uma semana após o preparo. Aplica-se a
sloução hormonal com mini-pulverizador ou pulverizador costal convencional. *
O 2,4-D apresenta vários formulações e marcas comerciais descritas a seguir:
Nome comercial Formulação (g/l) Fabricante
Aminamar
670
DowElanco
Aminol
670
Herbitécnica
DMA 806 BR
670
DowElanco
2,4-D Isamina
670
Paragro-Sipcam
Fórmula 480 BR 480
DowElanco
Herbi D 480
480
Herbitécnica
Tornado
670
Du Pont
U-46 D-Fluid
670
Basf Brasileira
* A escolha do produto é indiferente de qualquer marca comercial, devendo
observar as recomendações de rótulo. Esta prática dispensa o plantio de
abóbora ou moranga polinizadora e a presença de abelhas, permitindo o
plantio de toda a área com o híbrido, tipo Tetsukabuto. A taxa do pegamento
dos frutos, é geralmente maior do que o processo natural, variando de 60 a
80%. Gasta-se, em geral, de 12 a 15 serviços dias-homem na aplicação do
fitohormônio por hectare, durante todo o período de florescimento da abóbora.
Os gastos com o produto 2,4-D é insignificante uma vez que se gastam 60
litros da solução num total de 15 ml do 2,4-D/ha. O aplicador deve contar as
flores femininas tratadas diariamente e anotar em uma planilha de campo para
finalmente totalizar o número de flores produzidas na área plantada. Para
calcular o índice (%) de pegamento dos frutos é necessário contar todos os
frutos (comerciais e refugos) produzidos, fazendo-se uma regra de três simples
entre flores e frutos produzidos, ou seja: multiplica-se o número total de flores
por 100 e divide pelo número de frutos obtidos. Quando a área de plantio é
muito grande pode-se selecionar uma área menor (cerca de um ha) para fazer
todo o processo das anotações. Posteriormente, estima-se a produção
potencial multiplicando o número total de flores pela taxa de pegamento dos
frutos e pelo peso médio de frutos, ou seja 1,9 kg, em geral.
4. COLHEITA, TRANSPORTE, ARMAZENAGEM, CLASSIFICAÇÃO E
EMBALAGEM
Faz-se a colheita manualmente quando os frutos estiverem maduros, em geral
aos 95 a 110 dias após o plantio, em 2 a 3 vezes (Figura 4B). O fruto maduro
apresenta a parte que fica apoiada na terra com cor amarelada e o pedúnculo
com a cor palha, parecendo estar seco. Corta-se o pedúnculo com 2 cm de
comprimento. Deve-se evitar danos mecânicos. Dependendo da sanidade da
cultura e da incidência de plantas daninhas, a área foliar das plantas pode ser
reduzida permitindo a incidência solar nos frutos, provocando queimaduras
destes, reduzindo a qualidade do produto. De modo geral, o transporte dos
frutos do campo ao local de armazenamento é feito a granel, em caminhões ou
carretas. Após a colheita, os frutos devem ficar em local seco, sombreado e
bem ventilado, evitando fazer montes de abóbora muito grandes, pois pode
ocorrer doenças nos frutos. Durante o armazenamento fazer inspeções
periódicas eliminando os frutos podres e danificados. Os frutos devem ser
classificados quanto ao tamanho, eliminando-se os refugos (danificados,
podres, queimados pelo sol e os menores do que um quilo). As classes
comerciais podem ser de 1,0 a 1,7 kg; 1,7 a 2,5 kg e maiores do que 2,5 kg. A
embalagem para a comercialização no atacado é feita em sacos de ráfia com
capacidade para 18 a 20 kg de frutos.
5. VANTAGENS, CUSTOS E BENEFÍCIOS DOS SISTEMAS DE CULTIVOS
COM FRUTIFICAÇÃO ENTOMÓFILA E COM O USO DE FITOHORMÔNIO
O custo médio da produção de abóbora híbrida situa-se, em geral, de
R$1.200,00 a R$1.500,00/ha. As diferenças nos custos dos dois sistemas
ocorrem basicamente no uso das colméias pelo primeiro e na mão-de-obra
gasta no segundo método, uma vez que o custo do produto 2,4-D é
insignificante. O sistema de frutificação sexuado ou entomófilo requer o uso de
4 a 6 colméias para garantia de uma maior taxa de frutificação (25 a 50%), ao
passo que o sistema de frutificação com o uso de fitohormônio gasta-se 12 a
15 serviços dias-homem para aplicar o 2,4-D nas flores femininas de um
hectare, promovendo, em geral índices de pegamento dos frutos de 60 a 80%.
Utilizando-se os custos médios estimados de R$ 50,00/colméia e
R$10,00/serviço serão gastos cerca de R$200,00 e R$150,00 com os dois
sistemas de frutificação, respectivamente. As produtividades obtidas através do
sistema de frutificação com uso do fitohormônio são normalmente maiores
(cerca de 50 a 200%, em geral) do que o processo de frutificação entomófila,
devido a maior taxa de pegamento dos frutos e ao maior número de plantas por
área plantada. Adcionalmente, os frutos do híbrido apresentam maior valor
comercial e nutritivo do que os frutos produzidos pelas cultivares polinizadoras
utilizadas no processo de frutificação entomófila. A relação de custos /
benefícios do cultivo da abóbora híbrida depende basicamente da
produtividade obtida, dos preços dos insumos e da qualidade do produto que
varia de acordo com a época do ano e local de comercialização. A amplitude
de margens de lucros é larga tendo sido observados relações de custos /
benefícios desde 1:1 até 1:6, indicando o cultivo da abóbora híbrida como um
excelente negócio.
Figura 1. Campo de produção de abóbora híbrida na fase de início de
florescimento (A) e ilustração das flores masculinas (B, esquerda) e femininas
(B,
direita).
Figura 2 - Padrão de florescimento
da abóbora híbrida: produção diária (A) e acumulada (B) de flores femininas/ha
dos híbridos Jabras e Takayama, em Brasília – DF, 1996. Ver gráfico AVer
gráfico BFigura 3. Ilustração da macho esterilidade das flores masculinas da
abóbora híbrida (A, esquerda; B), antera da flor masculina da cultivar
polinizadora (C) fornecedora de grãos de pólen (D) para a polinização da
antera da flor feminina da abóbora híbrida (A, direita; E) e fecundação do ovário
da flor feminina (E parte inferior) e pegamento do frutinho (E, esquerda).
Figura 4. Demostração da
aplicação diária da solução de 2,4-D na flor feminina em antese (A) e frutos
produzidos com o uso do produto (2,4-D) para frutificação partenocárpica
(B).
Fonte: ISLA
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