AS POSIÇÕES REALISTA E ANTIRREALISTA NA CIÊNCIA A

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AS POSIÇÕES REALISTA E ANTIRREALISTA NA CIÊNCIA A RESPEITO DA
ACEITAÇÃO DE TEORIAS CIENTÍFICAS
André de Oliveira Biagi, Marcos Rodrigues da Silva, e-mail: [email protected]
Universidade Estadual de Londrina/Departamento de Filosofia/CCH
Área e sub-área do conhecimento: Filosofia/Filosofia da Ciência
Palavras-chave:
Realismo;
antirrealismo;
teorias científicas;
Resumo
Este trabalho tem o objetivo de apresentar brevemente as posições realista e
antirrealista, e suas discussões a respeito da aceitação de teorias científicas. De
acordo com o realismo científico, o sucesso das teorias acarretam na crença em sua
verdade, e as entidades inobserváveis postuladas por elas existem
independentemente de nossa percepção. Já para uma corrente empirista do
antirrealismo, tal sucesso apenas autoriza a crença na adequação empírica das
teorias, e apenas pode-se dizer algo sobre aquilo que é observável. Para o primeiro
o mundo precede a nossa percepção e existe independentemente dela. Para o
segundo, a nossa percepção precede o mundo, e tudo o que podemos conhecer é
aquilo que é acessível diretamente pelos nossos sentidos. Além disso, pretende-se
analisar o argumento da inferência da melhor explicação, nas versões realista e
antirrealista, não só por seus aspectos epistemológicos, mas também pelos
pragmáticos, de modo que o debate entre essas posições se aproxime das
realidades práticas da ciência e da aceitação de teorias.
Introdução
Na filosofia da ciência, uma questão pertinente e reflexiva é aquela sobre o(s)
limite(s) do conhecimento que, por sua vez, leva a outras como: “O que podemos
conhecer? Como sabemos o que sabemos? Aquilo que conhecemos e aceitamos é
mesmo verdadeiro ou apenas uma percepção subjetiva construída pelos nossos
sentidos?”. A despeito dessas perguntas, no campo das ciências naturais, o cientista
continua trabalhando com seus experimentos, formulando suas hipóteses, e
testando-as, afim de conseguir ou pelo menos tentar entender os mecanismos dos
fenômenos naturais, e então, poder apresentar seus resultados à comunidade
científica.
Entretanto, na filosofia da ciência, algumas dessas questões são importantes
para duas posições epistemológicas rivais: o realismo e o antirrealismo. Segundo o
realista, a ciência tem a pretensão e o objetivo de nos fornecer um conhecimento fiel
ao mundo como ele é ou pelo menos aproximadamente verdadeiro. Ela tem o papel
de descobrir, por meio de suas teorias, leis e entidades que já existiam antes no
mundo e que são autônomas, ou seja, independem de nosso aparato cognitivo ou
das teorias científicas para existirem. Além disso, a aceitação de tais teorias legitima
a crença de que elas sejam verdadeiras e de que as entidades observáveis e
inobserváveis postuladas por elas sejam reais.
1
De acordo com Silva (1998, p. 7), na tese realista, “as teorias científicas
possuem um valor-de-verdade (o verdadeiro ou o falso), uma vez que os enunciados
teóricos referem a entidades externas à teoria, sendo que estas entidades realmente
existem. O realista mostra-se comprometido com entidades inobserváveis (externas
à teoria, e, principalmente, descobertas pela teoria), e alega que este compromisso
decorre de uma tentativa de explicação da ciência (e, em alguns casos, de outras
modalidades cognitivas) que se apresenta como mais bem-sucedida do que as
alternativas disponíveis, pois a vantagem de sua concepção reside no fato de que
ele possui um critério externo para a avaliação do conhecimento”.
Por outro lado, para o antirrealista, a ciência não descreve verdadeiramente o
que acontece no mundo, nem descobre as causas inobserváveis que explicariam os
fenômenos observáveis, como acredita o realista, mas, ao contrário, ela pode
fornecer uma construção mental, ou, uma interpretação de um fenômeno, ou, uma
teoria, que consiga explicar apenas uma parte do mundo, a porção observável. Ou
seja, aquela que podemos acessar diretamente pelos nossos sentidos, em oposição
à porção inobservável, que está além do alcance de nossas capacidades sensíveis,
e da qual o antirrealista nada pode dizer a respeito. Assim, diante de uma teoria bem
sucedida cientificamente, o antirrealista pode até reconhecê-la como digna de
aceitação, mas, para ele, isso não legitima a crença em sua verdade.
Silva (1998. p. 8) afirma que “o antirrealista não julga como necessário o
comprometimento com entidades sob o ponto de vista ontológico. Nossas hipóteses
acerca do mundo são apenas construções mentais, que se impõem não por seu
caráter referencial, mas em função de sua capacidade explicativa”. Isso pode ser
encontrado numa vertente antirrealista importante contemporaneamente: o
empirismo construtivo de van Fraassen (1989), segundo o qual as teorias científicas
tem o objetivo de construir uma explicação que seja adequada aos fenômenos,
abandonando aquela busca realista pelas verdades sobre o que é inobservável, e
restringindo-se apenas ao observável, de modo que a aceitação dessas teorias
legitima apenas a crença na sua adequação empírica.
Um argumento sólido e relevante para o realismo é o argumento da inferência
da melhor explicação, que pode ser formulado da seguinte maneira: uma
determinada evidência P precisa ser explicada; uma hipótese S explica P melhor do
que outras hipóteses rivais e concorrentes; diante disso, portanto, S é passível de
crença em sua verdade e tudo o que ela postula sobre o que é observável ou
inobservável pode ser inferido. Este é um argumento persuasivo, pois, como destaca
Silva (2011 p. 275), “em primeiro lugar ele cumpre uma função filosófica de
legitimação do próprio realismo científico e de dissuasão de alternativas filosóficas
rivais. Em segundo lugar ele explica por que os cientistas inferem a existência de
entidades inobserváveis, o que se dá por meio de um complexo processo
argumentativo e não nasce de uma mera precipitação ontológica. Em terceiro lugar
ele fornece não apenas uma justificação filosófica de um procedimento científico,
mas igualmente uma descrição altamente confiável deste procedimento”.
Uma réplica bem conhecida de tal argumento é o “argumento do conjunto
defeituoso” que se encontra na filosofia do empirismo construtivo de Bas van
Fraassen. Segundo ela e de acordo com essa corrente antirrealista, a seleção e o
sucesso de uma teoria não nos autoriza, necessariamente, a acreditar em sua
verdade, pois nós, seres limitados no tempo e no espaço, jamais poderíamos
contemplar, nem conseguiríamos esgotar todas as hipóteses possíveis para, então,
diante de um conjunto completo e perfeito de hipóteses, podermos selecionar a
melhor delas que seria passível de crença em sua verdade. Porém, “por essas
mesmas razões, também não há garantias epistemológicas para se crer na
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adequação empírica das teorias (proposta antirrealista) que passaram pelas
premissas do argumento da inferência da melhor explicação” (SILVA; 2011, p. 276).
Assim, ficamos diante de duas versões epistemológicas da inferência da
melhor explicação, uma que legitima a crença na verdade da teoria aceita, e outra
que legitima a crença apenas na sua adequação empírica. Além dessa dimensão
epistemológica que tem sido apresentada até então, pode-se pensar em uma
dimensão pragmática na qual seriam consideradas as condições reais e os limites
espaciais e temporais do cientista, ou seja, os aspectos práticos da atividade
científica e da aceitação de teorias, que incluem as demandas científicas e as
teorias já consolidadas na história da ciência as quais servem de parâmetro para
aquelas que estão surgindo. Com isso, tanto a versão realista, quanto a antirrealista,
podem, também, ser analisadas e problematizadas por um viés pragmático, o que
aproxima o debate das condições práticas da produção científica.
Materiais e Métodos
Os materiais utilizados nesta pesquisa e na elaboração deste relatório foram obras
filosóficas e artigos científicos de filosofia da ciência que se mostraram importantes e
essenciais para o tema proposto e para o alcance dos objetivos deste trabalho.
Os métodos adotados para a construção deste texto foram a interpretação,
análise e comparação de obras e artigos filosóficos, tendo em vista que esta
pesquisa tem como fonte apenas trabalhos bibliográficos.
Resultados, Discussão e Conclusões
Este trabalho e esta pesquisa resultarão em uma contribuição para o debate, em
filosofia da ciência, entre a concepção realista e a antirrealista, ou também, entre o
empirismo e o realismo científico. Aqui, ambas as perspectivas estão apresentadas
de forma clara e esclarecedora, mesmo que brevemente, de modo que o leitor
consiga compreender do que se trata cada uma dessas posições, obtendo
conhecimento sobre suas teses e sobre alguns argumentos que as sustentam, de
modo que ele possa estar familiarizado com o debate, e seja capaz de refletir sobre
o tema.
Além disso, por meio da reconstrução e apresentação dessas concepções e
de suas dimensões epistemológica e pragmática a respeito da inferência da melhor
explicação (IBE), espera-se que o leitor compreenda que existem certas
complexidades práticas na atividade científica, como as demandas científicas de
solução para os fenômenos, e os padrões e parâmetros (teorias consolidadas,
métodos fixados pela ciência) estabelecidos pela história da ciência que restringem
a produção científica e a aceitação de teorias às condições consolidadas pela
tradição e pela comunidade, o que leva a uma necessidade de aproximação do
realismo e do antirrealismo das questões e dos aspectos envolvidos na prática
científica.
Agradecimentos
Ao órgão CNPq por financiar esta pesquisa.
Ao professor doutor da Universidade Estadual de Londrina, Marcos Rodrigues
da Silva, por disponibilizar de parte de seu tempo para orientar-me. Por sua boa
vontade em auxiliar-me e em esclarecer minhas dúvidas, além da oportunidade
concedida a mim de participar de seu grupo de pesquisa.
3
Referências
VAN FRAASSEN, B. (1989) The Scientific Image. Oxford: Clarendon Press.
SILVA, M. R. O Problema da Aceitação de Teorias e o Argumento da Inferência da
Melhor Explicação. Cognitio, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 273-282, jul./dez. 2011.
SILVA, M. R. Realismo e Antirrealismo na Ciência: aspectos introdutórios de uma
discussão sobre a natureza das teorias. Revista Ciência & Educação, 1998, 5(1), 713.
CASTILHO, Daiane, C. Considerações introdutórias acerca do debate entre realismo
e antirrealismo científico.
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