124 ROSA, J., et al. SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A UM PACIENTE PORTADOR DE ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO SYSTEMATIZATION OF NURSING ASSISTANCE TO A CEREBRAL STROKE PATIENT SISTEMATIZACIÓN DE LA ASISTENCIA DE ENFERMERÍA A UN PACIENTE PORTADOR DE ACCIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO Janice da Rosa1 Éder Luís Arboit2 Taise Barichello Moro³ Andrea Nunes de liveira4 Luana Posamai Menezes5 Cristina Thum Kaefer6 RESUMO Objetivo: relatar a experiência de acadêmicas de enfermagem no cuidado ao paciente idoso com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Método: estudo descritivo de abordagem qualitativa, realizado por meio de um relato de experiência. As atividades estão vinculadas a disciplina de Estágio Curricular em Enfermagem no Cuidado do Adulto, vinculada ao 8° semestre do Curso de Enfermagem da Universidade de Cruz Alta. Resultados: realizou-se o histórico de enfermagem, exame físico e análise dos exames laboratoriais e de imagem. Elencaram-se os diagnósticos de enfermagem, a prescrição e evolução de enfermagem. Conclusões: foi possível integrar a teoria e metodologia trabalhadas em sala de aula com a prática do cotidiano realizada no hospital. Através do cuidado integral e individualizado, possibilitou a assistência de modo integral, individualizado e holístico, promovendo a melhoria da qualidade de vida e saúde do paciente. Favoreceu a troca de experiências, contribuindo como espaço de aprendizagem e formação profissional. Descritores: Enfermagem; Administração dos cuidados ao paciente; Processos de Enfermagem; Doença pulmonar obstrutiva crônica. 1 Enfermeira, egressa da Universidade de Cruz Alta - RS. Cruz Alta - RS, Brasil. E-mail: [email protected] 2 Enfermeiro, Mestre em Enfermagem, Docente no Curso de Enfermagem da Universidade de Cruz Alta. Cruz Alta - RS, Brasil. Membro do Grupo de Pesquisa Enfermagem no Contexto da Assistência à Saúde - ENFAS, vinculado ao Curso de Enfermagem da Unicruz. E-mail: [email protected] 3 Acadêmica do oitavo semestre do curso de Enfermagem da Universidade de Cruz Alta - RS. Cruz Alta - RS, Brasil. E-mail: [email protected] 4 Enfermeira, egressa da Universidade de Cruz Alta - RS. Cruz Alta - RS, Brasil. E-mail: [email protected] 5 Enfermeira, Mestre em Enfermagem, Docente no Curso de Enfermagem da Universidade de Cruz Alta. Cruz Alta - RS, Brasil. Membro do Grupo de Pesquisa Enfermagem no Contexto da Assistência à Saúde - ENFAS, vinculado ao Curso de Enfermagem da Unicruz. E-mail: [email protected] 6 Enfermeira, Mestre em Enfermagem e Saúde, Docente no Curso de Enfermagem da Universidade de Cruz Alta. Cruz Alta - RS, Brasil. Membro do Grupo de Pesquisa Enfermagem no Contexto da Assistência à Saúde ENFAS, vinculado ao Curso de Enfermagem da Unicruz. E-mail: [email protected] Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 125 ROSA, J., et al. ABSTRACT Aim: to report an Academic Experience assistance of the Nursing Course of process of an Ischemic stroke Patient. Method: report of the Nursing Academic group experience with a non-assisted elderly patient diagnosed with Stroke. Results: we identified in the nursing process the Diagnoses such as: phlebitis paragraph risk related to stroke; Infection risk related to one Central Vascular Access; Related Fall Risk due to the age and agitation of the patient; Risk of acute pain related to the disease. From these have emerged interventions through Care Plan means: Perform salinization of the venous access, Keeping Bedside High, washing nasogastric tube, do central venous access dressing, checking SPO² and medicate as the prescription. Conclusions: the present study demonstrated the importance of Nursing Practice Team along The Patient Ischemic stroke carrier. The systematization of nursing care provided a realization of a humanized care, qualified and personal. Descriptores: Nursing; Patient Management; Nursing Process; Stoke. RESUMEN Objetivo: relatar la experiencia de académicos del Curso de Enfermería en el proceso asistencial de paciente de Accidente Cerebrovascular Isquémico. Método: relato de experiencia de académicos de enfermería en el cuidado a un paciente mayor con diagnóstico de accidente vascular encefálico. Resultados: pudo identificarse en el proceso de enfermería los diagnósticos de enfermería como: Riesgo para flebitis relacionado al ACV (accidente cerebrovascular); Riesgo de Infección relacionado a Acceso Vascular Central; Riesgo de caída relacionada a la edad y agitación del paciente; Riesgo de dolor agudo relacionado a la patología. A partir de éstos surgieron intervenciones por medio de un plan de cuidados: Realizar salinización del acceso venoso, mantener la cabecera elevada, lavar la sonda nasogástrica, hacer apósito del acceso venoso central, verificar SPO² y administrar medicinas según prescripción médica. Conclusiones: el presente estudio demostró la importancia de la acción del equipo de enfermería junto al paciente portador de Accidente Cerebrovascular Isquémico. La sistematización de la Asistencia de Enfermería hizo posible la realización de un cuidado humanizado, cualificado e individualizado. Descriptors: Enfermería; Manejo de Atencion al Paciente; Processos de Enfermería; Accidente Cerebrovascular. INTRODUÇÃO Na assistência hospitalar evidenciam-se muitos casos de pacientes com diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). A prevalência está estimada em nove a 10% da população acima dos 40 anos, sendo maior em fumantes e em homens (CHAYAMITI; CALIRI, 2010). Por atingir pessoas em processo de envelhecimento é importante o setor saúde realizar planejamento de ações com estrutura e logísticas com recursos humano devido a esta patologia configurar-se como um dos maiores desafios da atualidade e do futuro, devendo intensificar ações de prevenção de doenças e promoção da saúde (MARCHIORI et al., 2010). Atualmente assistimos a um aumento da população idosa, associado às doenças crônicas e síndromes geriátricas, deixando as pessoas que encontram-se neste ciclo vital mais Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 126 ROSA, J., et al. vulnerável enquanto estado de saúde (LANA; SCHNEIDER et al., 2016). A DPOC é considerada como uma enfermidade crônica e progressiva ocasionando déficit no seu estado geral de saúde em que os aspectos funcionais e emocionais são afetados (NOGUEIRA, 2016). Tal patologia caracteriza-se pela limitação do fluxo aéreo, apresentam dispnéia, intolerância aos exercícios físicos e progressiva incapacidade em realizar atividades diárias, porém é uma doença previnível e tratável (COSTA; RUFINO, 2013) Assim, programas terapêuticos para a reabilitação destes pacientes devem ser ofertados ao passo que gestores em saúde necessitam investir em políticas públicas que contemplem cuidados de saúde aos portadores de DBPOC melhorando desta forma a sua qualidade de vida. Muitos pacientes também podem apresentar outras enfermidades apresentando problemas cardíacos, estando associada a potencial risco para arritmias, ocorrendo extrasístoles ventriculares em 83%, taquicardia supraventricular em 69%, taquicardia ventricular em 22% e fibrilação atrial em 8% dos casos (SCHETTINO et. al., 2013). Por vezes, estes pacientes necessitam fazer uso de medicações como betabloqueadores usados para tratar a pressão arterial, aliviar angina entre outros. O paciente portador de DBPOC apresenta diversas alterações no estilo de vida influenciando também seu contexto familiar, pois ocorrem mudanças em rotinas de vida, na qual necessita de necessita de auxílio para realizar suas atividades diárias ou até uso de oxigenioterapia devido a dispnéia que dependendo do estado clinico do paciente faz uso de cateter nasal ou máscara facial que dificultam a deambulação. A presente doença enfocada neste estudo doença acomete os pulmões, destruindo ou danificando os alvéolos que prejudicam as trocas gasosas (oxigênio por gás carbônico e viceversa). A obstrução do fluxo aéreo é geralmente progressiva na DPOC e está associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de partículas ou gases tóxicos, causada primariamente pelo tabagismo (RABAHI, 2013). As principais queixas relacionadas ao sistema respiratório compreendem a dispnéia, tosse, expectoração, hemoptise, dor torácica e rouquidão. Por sua vez ao realizar exame físico evidenciam-se sinais como: cianose, baqueteamento digital, alterações da caixa torácica, do padrão respiratório, da expansibilidade, do frêmito toracovocal, dos sons à percussão e ausculta (BETTENCOURT, et. al., 2010). Quanto aos exames laboratoriais, os achados mais frequentes são alterações dos gases sanguíneos arteriais e hematócrito (AQUINO et. al., 2011). Neste contexto, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) constitui um meio que o enfermeiro dispõe para prestar assistência aos pacientes de forma humana, Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 127 ROSA, J., et al. individual, planejada e organizada, visando o bem estar físico e psíquico do cliente, fortalecendo o trabalho em equipe e proporcionando um cuidado integral, continuado e humanizado, contribuindo assim para melhoria da qualidade da assistência de enfermagem (SANTOS; VEIGA; ANDRADE, 2011). A SAE constitui-se em atividade privativa do enfermeiro e utiliza método e estratégia de trabalho científico para a identificação das situações de saúde/doença. Trata-se de um processo completo realizada de forma sistemática em toda instituição da saúde, pública e privada e que precisa ser registrada formalmente no prontuário do paciente (SANTOS VEIGA; ANDRADE, 2011). Atividade intelectual complexa, premeditada e deliberada. Está constituído por cinco etapas: Histórico de Enfermagem, Diagnóstico de Enfermagem, Planejamento de Enfermagem, Implementação de Enfermagem, Avaliação de Enfermagem (COFEN, 2009). Tal metodologia assistencial subsidia ações de assistência de enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família e comunidade (COFEN, 2009). Além disso, as habilidades cognitivas e perceptivas da enfermeira são fatores que influenciam a organização de modelos para a coleta dos dados (CHAYAMITI; CALIRI, 2010). Diante da problemática exposta, o presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência de acadêmicas de enfermagem no cuidado ao paciente com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. METODO Estudo descritivo de abordagem qualitativa, realizado por meio de um relato de experiência, o qual descreve aspectos vivenciados pelos autores, no cuidado de um paciente com DPOC. Estudo desenvolvido em agosto de 2015, no decorrer das atividades práticas da disciplina de Estágio Curricular em Enfermagem no Cuidado do Adulto, vinculada ao 8° período do Curso de Enfermagem da Universidade de Cruz Alta. O cenário foi um hospital privado, de médio porte, localizado no interior do Rio Grande do Sul (RS). A unidade de escolha para o referido estágio atende basicamente a pacientes adultos com patologias clinicas. Possui 33 leitos distribuídos em quartos privativos e semi-privativos, atendendo somente particulares e convênios. Um relato de experiência consiste em analisar e compreender variáveis importantes ao desenvolvimento do cuidado dispensado aos indivíduos-famílias-comunidade e aos seus problemas, sendo o pesquisador um observador passivo ou ativo, que relata de forma clara e objetiva suas observações (MINAYO, 2013). Trata-se de uma ferramenta da pesquisa, a qual Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 128 ROSA, J., et al. tem por objetivo apresentar uma reflexão sobre uma ação ou um conjunto de ações relacionadas a uma prática vivenciada no âmbito profissional ou educacional e de interesse da comunidade científica (CAVALCANTE; LIMA, 2012). Por se tratar de relato de experiência o estudo não necessita de submissão para apreciação em Comitê de Ética em Pesquisa. No entanto, foram respeitados todos os princípios da Resolução 466/2012 (BRASIL, 2012). Foi solicitada Autorização Institucional, por meio do Termo de Confidencialidade, uma vez que se teve acesso ao prontuário. Pela impossibilidade da paciente o familiar (filho) assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) ficando de posse de uma cópia e o pesquisador de outra, garantindo assim a confidencialidade dos dados, única e exclusivamente para fins científicos. RESULTADOS E DISCUSSÃO A pesquisa teve como sujeito paciente do sexo feminino, hospitalizada com diagnóstico principal de DPOC. A coleta de dados foi realizada por meio da consulta ao prontuário da paciente, através de consulta de enfermagem e pela SAE, avaliados em suas dimensões sociais e físicas (exame físico, história clínica e avaliação da dor). Neste sentido, a SAE constitui-se em uma ferramenta importante a ser utilizada pelos enfermeiros no cotidiano de trabalho. Possibilita a identificação das respostas dos pacientes aos problemas de saúde e aos processos vitais que exigem intervenções. Trata-se de uma paciente idosa com iniciais, A. R. B, 87 anos, admitida para tratamento respiratório, apresentando dispneia intensa, cianose de extremidades, cansaço, astenia, dor no tórax, inapetência. Os acadêmicos tiveram a possibilidade de realizar o histórico de enfermagem, exame físico e análise dos exames laboratoriais e de imagem. Elencaram-se os Diagnósticos de Enfermagem (DE) de NANDA, a prescrição e evolução de enfermagem, utilizando os pressupostos da teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda Aguiar Horta. Anamnese e Exame Físico A anamnese e o exame físico são as primeiras etapas do Processo de Enfermagem (PE) e representam um instrumento de grande valia para a assistência, uma vez que permite ao enfermeiro realizar o diagnóstico e planejar as ações de enfermagem, acompanhar e avaliar a evolução do paciente. Sua implementação visa o cuidado individualizado, holístico, humanizado e com embasamento científico (SOUZA; LANDIN, 2013). Para a realização do Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 129 ROSA, J., et al. exame físico utilizou-se os passos terapêuticos como inspeção, palpação, ausculta e percussão (SANTOS, 2014). Ao exame físico evidenciou-se: Quadro 1 - Descrição da Anamnese e Exame Físico Paciente lúcida, orientada e consciente, pupilas isofotoreagentes, nível de consciência avaliada através da escala Glasgow: 15; couro cabeludo íntegro, mucosas oculares normocoradas, presença de prótese dentária, higiene oral e corporal adequadas, acuidade visual e auditiva preservadas. Apresenta-se hipocorada e afebril. Pele ressecada, com presença de hematomas em MMSS e lesões nos calcâneos e cóccix, não deambula, aplicada escala de Braden 13. Mamas simétricas. Eupnéia, à ausculta pulmonar presença leve estertores. Abdômen flácido indolor à palpação profunda, fígado palpável e indolor, ruídos hidroaéreos normais, faz uso gastrostomia para alimentação. Desconhece ser a alérgica a medicação. Faz uso Sonda Vesical de Demora (SVD) em sistema fechado com diurese de coloração amarelada. Eliminação intestinal presentes 3 vezes ao dia com fezes semi líquidas. Restante do exame sem anormalidades. Sinais vitais: T: 36ºC, FR: 20 ipm, FC: 94 bmp, PA: 140x90 mmhg, Sat O2: 89%. Fonte: Elaborado pelos autores em agosto de 2015 A anamnese e exame físico foram realizados com base em um formulário institucional, impresso e de uso exclusivo para cada paciente. A primeira parte contem dados sobre a identificação do paciente, história de saúde/doença (atual e pregressa), antecedentes pessoais e familiares, sinais vitais, questões sócio demográficas, entre outras. Na segunda parte do formulário estão incluídos os aspectos relacionados aos sistemas orgânicos, aos possíveis riscos, o que facilita na elaboração dos diagnósticos de enfermagem. Cabe destacar que o exame físico sempre é realizado no sentido céfalo-caudal, em ambiente calmo e quando o paciente não apresenta condições de responder as questões do roteiro, solicita-se auxilio ao familiar. Diagnósticos de Enfermagem Os DE são elementos fundamentais, pois a precisão e a relevância de toda a prescrição de cuidados dependem da sua capacidade de identificar, de forma clara e específica, tanto os problemas quanto as suas causas. Para elaborar o DE, o enfermeiro precisa ter conhecimento sobre o exame físico do paciente e raciocínio clínico e atencioso com base técnico-científica na anatomia, fisiologia e fisiopatologia. Somente através do julgamento clínico correto é Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 130 ROSA, J., et al. possível prever os diagnósticos de risco reais e, portanto, planejar cuidados que previnam problemas e promovam a saúde (NANDA, 2013). Em estudo de Silva et.al., (2015), referem que a SAE apresenta relevância no cuidado enquanto assistência ao paciente para traçar um plano assistencial de cuidados ao paciente, e ter relevância em cuidados voltados ao envelhecimento cuidando com premissas de qualidade e segurança, com humanização e redução de agravos à saúde. Os autores afirmam que para realizar a SAE os diagnósticos de NANDA são salutares para intervir com cuidados que favoreçam o reestabelecimento da saúde do paciente. Neste contexto, após avalição da história da paciente foram seguidos os demais passos da SAE. Assim, considerando as características definidoras, que são caracterizados como sinais, sintomas e /ou manifestações clinicas do indivíduo, foram elaborados 12 diagnósticos sendo eles classificados coo diagnósticos reais e de risco. Os primeiros referem-se àquelas respostas já presentes nos pacientes e o segundo, a situações que apresentam alto risco para o paciente desenvolver (OLIVEIRA et. al., 2011). Tabela 1 – Diagnósticos de Enfermagem segundo Taxonomia II de NANDA, 2013. 1. Déficit no autocuidado alimentar-se / banho higiene / vestir-se arrumar relacionado com quadro clínico; 2. Risco de glicemia instável relacionado com pouca aceitação da dieta; 3. Risco de desidratação relacionada com diminuição da ingesta hídrica; 4. Risco de dor aguda relacionada ao quadro clínico; 5. Risco para flebite relacionado com Acesso Venoso Central; 6. Risco de infecção urinária relacionado com presença de cateter vesical de demora; 7. Troca gasosa deficiente relacionada ao desequilíbrio entre ventilação e perfusão evidenciada pela cianose de extremidades; 8. Risco de lesões na região inguinal relacionada umidade; 9. Risco de queda relacionado à idade, fraqueza e diminuição da força muscular; 10. Risco de integridade da pele prejudicada relacionada à restrição de movimentos; 11. Nutrição Desequilibrada: menos do que as necessidades corporais relacionada com a inapetência e desconforto respiratório; 12. Risco Potencial para complicações metabólicas relacionadas com o quadro clínico. Fonte: Elaborado pelos autores em agosto de 2015 Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 131 ROSA, J., et al. Saber intervir diante dos DE, requer que o enfermeiro tenha conhecimentos e habilidades específicos acerca do processo saúde/doença do paciente e, dessa forma, após a identificação do problema expresso pelo DE, pode-se planejar e desenvolver atividades que atendam as necessidades do paciente na sua integralidade, promovendo a saúde, buscando prevenir complicações e dando continuidade ao processo de enfermagem para que seja efetiva a melhora do quadro clínico (GOUVEIA et. al., 2012). A implementação dos diagnósticos de enfermagem trouxe benefícios diretos não somente para o paciente, mas para a instituição e aos demais profissionais da saúde (OLIVEIRA et. al., 2011). Com dados coletados no histórico de enfermagem foi possível identificar as principais necessidades da paciente frente aos problemas identificados que nortearam, facilitando o planejamento e implementação da prescrição de enfermagem. Nogueira (2016) em seu estudo aponta que o profissional enfermeiro apresenta atuação relevante na avaliação dos dados clínicos do paciente, podendo atuar promocionalmente com orientação para o autocuidado a partir dos problemas apresentados e diagnosticados. Desta forma é salutar ampliar saberes a cerca da DPOC e desenvolver atividades educacionais e gerenciais a fim de melhorar a assistência prestada. Prescrição de Enfermagem A Prescrição de Enfermagem compreende a quarta etapa do PE. Consiste em um planejamento de atividades específico e individualizado e coerente com as necessidades de cada paciente. Tem validade de 24 horas e a possibilidade de alteração sempre que necessário. Atividade privativa do enfermeiro, sendo registrada em impresso próprio, tendo como subsidio a Evolução de Enfermagem (CHAVES, 2013a). Deve iniciar a frase, sempre no infinitivo, sendo complementada quando houver alteração nas condições do paciente. Após a elaboração dos DE foram elencados os cuidados de enfermagem de maior relevância evidenciados a fim de implementar a prescrição de enfermagem de modo sistemático, dinâmico e seguro. A tabela 2 apresenta os cuidados de enfermagem, realizado com base nos DE, deste estudo. Tabela 2 - Prescrição de Enfermagem. PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM 13/08/2015 1. Realizar higiene corporal e do couro cabeludo pela manha 08h 2. Avaliar o grau de dispneia e hipóxia Continuo Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 132 ROSA, J., et al. 3. Manter colchão piramidal Continuo 4. Realizar higiene oral com cepacol 4 x ao dia 08, 12, 18, 22 5. Manter cabeceira elevada 45° Continuo 6. Proporcionar massagem de conforto após o banho 08h 7. Realizar assepsia com álcool 70% no equipo polifix 3 x dia. 14, 22, 06 8. Salinizar acesso venoso 6/6h. 12, 18, 00, 06 9. Lavar sonda de gastrostomia após medicações. Contínuo 10. Estimular movimentação no leito 2/2h DLD - 08, 14, 20 DLE - 10, 16, 22 DD - 12, 18, 04 10. Sentar cliente na cadeira 2 x ao dia 10, 16 12. Trocar equipo da deita 1 x dia 22 13. Lavar sonda de gastrostomia antes da pausa noturna 22 14. Realizar higiene perineal e troca de fraldas M, T, N 15. Registrar volume e aspecto da diurese M, T, N 16. Observar, comunicar e anotar alterações 1x ao turno M, T, N 17. Realizar curativo AVC com tegaderm SN 18. Observar sinais flogisticos M, T, N 19. Manter paciente orientado no tempo e espaço Contínuo 20. Observar e registrar aspecto das secreções M, T, N 21. Observar e registrar aspecto das evacuações M, T, N 22. Manter grades no leito N 23. Hidratar pele e monitorar condições da pele e manter coxins 1 x M, T, N turno 24. Avaliar dor 1x ao turno. 07, 14, 20 25. Monitorar a validade SVD 08 26. Realizar curativo gastrostomia 1x ao dia 10h 27. Verificar SPO2 1 x ao turno 08, 14, 20 28. Administrar analgésico e broncodilatadores SN 29. Realizar curativo MID e MIE com dersani 1x ao dia 08 28. Troca de equipo de medicação (tazocin) 22 30. Aplicar Bepantol pomada nas assaduras 3x ao dia 08, 14, 22 31. Aplicar Bactroban 20 mg nas lesões na região lombar 2 x dia 08, 20h Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 133 ROSA, J., et al. Fonte: Elaborado pelos autores em agosto de 2015 A elaboração da Prescrição de Enfermagem permitiu aos acadêmicos uma visão mais ampla e abrangente das necessidades da paciente, e também demonstrou o quanto o processo é importante para o enfermeiro no que concerne a detecção de intervenções precoces frente aos fatores que possam interferir negativamente no curso do processo terapêutico. Além disso, possibilita que a equipe possa realizar as ações de cuidado de modos sistemático, qualificando a assistência de enfermagem. Observou-se que o conhecimento das patologias e o entendimento de sinais e sintomas são essências para a detecção dos cuidados a serem realizados. As intervenções de Enfermagem, frente aos diagnósticos elaborados, possibilitaram assistir a cliente de uma forma holística, visando o seu bem-estar. Além disso, percebe-se que a assistência baseada em cientificidade e humanização conduz o indivíduo e lhes proporciona uma melhor qualidade de vida. Evolução de Enfermagem A Evolução de Enfermagem representa a última etapa do PE e constitui a fase na qual formaliza plano de cuidados individualizado ofertado ao paciente. Consiste em uma sequencia dinâmica de avaliação e revisão crítica das terapias instituídas pelo enfermeiro (CHAVES, 2013b). As Anotações de Enfermagem fornecem dados que subsidiam os profissionais de saúde e em especial o enfermeiro no estabelecimento do plano de cuidados/prescrição; suporte para análise reflexiva dos cuidados ministrados. Trata-se, portanto, de um o relato diário das mudanças sucessivas que ocorrem no ser humano enquanto estiver sob assistência profissional, sendo possível avaliar a resposta do ser humano à assistência de enfermagem implementada. Neste sentido, elaborou-se a Evolução de Enfermagem, com base nas etapas que a antecedem. O quadro 2 apresenta a Evolução de Enfermagem elaborada em 13/08/2015. Quadro 2 - Evolução de Enfermagem. Paciente em tratamento clinico, neurológico, DPOC, consciente, verbalizando, dislálica, acamada, hipocorada, orientada, lucida, boas condições de higiene corporal e oral, pele ressecada, apresenta hematomas em MMSS, acuidade visual, auditiva preservadas, respirando em ar ambiente, sinais vitais estáveis, mantendo AVC duplo lúmen em subclávia Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 134 ROSA, J., et al. direita salinizado, aplicado reparil cpm, realizado ausculta cardíaca se anormalidades, ausculta pulmonar com presença de leve estertores. Apresentando pústulas na região lombar, faz uso gastrostomia para alimentação com nutrison pratison a 60 ml/h por bomba de infusão. Abdômen leve volumoso indolor a palpação e com presença RHA normais. Realizado curativo no cóccix com aspecto presença de tecido de granulação, sem secreção. Curativo em MID (calcâneo) com secreção purulenta com odor fétido, faz uso Cateter vesical de demora n0 16 em sistema fechado com diurese de coloração amarelada. Eliminação intestinal presentes 3 x com fezes semi liquida. PA: 140/90 mm/hg, T: 36 c°, FC: 92 bpm/min, FR: 21ipm/min, SPO2: 95%. Recebendo os demais cuidados de enfermagem. Escala de Braden: 13, Escala de Glasgow: 15. Fonte: Elaborado pelos autores em agosto de 2015 A evolução de enfermagem retrata além do estado clínico do paciente a assistência de enfermagem ofertada. Neste sentido Pinto (2016), refere que ações de enfermagem entendida como intervenções de enfermagem devem ser planejada para reestabelecer a qualidade de vida do paciente. Ao evoluir estado clínico do paciente, descreve-se e ilustra-se o estado de saúde, a evolução de sua reabilitação e aspectos salutares a serem observados também como balizadores a cuidados que deverão serem intensificados para melhoria da qualidade de vida e de saúde ao paciente assistido, sendo reavaliado a cada seis horas com a SAE, de forma continua, individualizada e sistematizada. CONCLUSÕES O enfermeiro possui importante atuação no processo saúde e doença do ser humano, mostrando alternativas assistenciais e de cuidados aos pacientes por meio de orientações individualizadas bem como a seus familiares, principalmente quando indivíduos no ciclo vital idoso. Neste momento existencial os idosos apresentam modificações fisiológicas, somadas as doenças prevalentes deixam os frágeis, tornando-os mais vulneráveis se comparado a fases anteriores do seu processo de viver. Neste contexto a família desenvolve importante papel no auxilio aos cuidados tornando assim o cuidado mais efetivo. A DPOC faz com que as pessoas adquirem limitações sérias com dificuldades para desenvolver efetivamente as atividades cotidianas, como higiene, alimentação, vestir-se ou subir alguns degraus. É de extrema importância a ação do enfermeiro pois proporciona Revista Espaço Ciência & Saúde, v. 4, 2016, p. 124-137. 135 ROSA, J., et al. suporte para adaptar-se da melhor maneira possível ao evento da doença e seu conseqüente processo de reabilitação. Assim, a realização deste estudo foi relevante para a formação acadêmica uma vez que a implementação e reflexão da Sistematização da Assistência de Enfermagem favorece para organização do cuidado e na qualidade da assistência ao indivíduo. Isso facilita o planejamento e execução das intervenções traçadas de modo a auxiliar à equipe sobre a importância dos cuidados serem realizados para se obter uma eficácia no tratamento e possibilitando que o paciente permaneça no âmbito hospitalar por um curto período, além de alcançar os resultados esperados para os diagnósticos realizados para a cliente. Percebe-se a relevância da interação do profissional com paciente e a família para que aja uma comunicação efetiva a fim de garantir, resultados positivos e visíveis, tanto no âmbito hospital e no seu domicilio. Com a implementação da SAE, foi possível proporcionar um atendimento individualizado e de acordo com as necessidades da paciente, buscando a recuperação do paciente e melhorando sua qualidade de vida. Para os acadêmicos, tal experiência proporcionou uma visão mais abrangente sobre a patologia e ao papel do enfermeiro na avaliação e realização da SAE. Ainda sob essa prerrogativa, essa experiência permitiu integrar a teoria e metodologia trabalhadas em sala de aula com a prática do cotidiano realizadas no hospital, através do cuidado integral e individualizado, favorecendo a troca de experiências com outros profissionais, além de incentivar a buscar novos conhecimentos contribuindo como espaço de aprendizagem e formação profissional. REFERÊNCIAS AQUINO, R. D. et al., Mapeamento dos diagnósticos de enfermagem em uma unidade de pneumologia. Acta Paulista Enfermagem. 2011; v. 24, n. 2, p. 192-8. BETTENCOURT A.R.et al., Exame do tórax: aparelho respiratório. In: BARROS, A. L. Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. 2a ed. Porto Alegre: Artmed; 2010. p 203-33. BRASIL, Conselho Nacional de Saúde. Resolução 466/2012 - Normas para pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília, DF, 2012. CHAYAMITI, E. M. P. C.; CALIRI, M. H. L. Pressure ulcer in patients under home care. 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