Salve Rainha, oração antiga - Arquidiocese de Campo Grande

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Salve Rainha, oração antiga
A Salve-Rainha constitui uma oração antiga, dedicada à Virgem Maria. Trata-se de uma das mais belas
antífonas marianas, muito recitada pelos cristãos.
A Salve-Rainha constitui uma oração antiga, dedicada à Virgem Maria. Trata-se de uma das mais
belas antífonas marianas, muito recitada pelos cristãos.
A Salve-Rainha faz parte do patrimônio espiritual da Igreja. As comunidades cristãs costuma m
recitá-la à noite, em suas celebrações e orações. O texto da Salve-Rainha recebeu comentários
de escritores e teólogos.
ORIGENS
A Salve-Rainha originou-se na Igreja da Idade Média. Alguns estudiosos a atribuíam ao bispo
Ademar de Puy, falecido em 1098.
Entretanto, a maioria dos estudiosos contemporâneos argumenta que o autor do texto da SalveRainha foi Germano Contractus, o monge, que viveu no mosteiro de São Galo, na Suíça, próximo
do lago de Constança. É do século XI. Nasceu aos 18 de julho de 1013 e faleceu em 1054.
Paralítico desde seu nascimento, ele foi confiado pelos pais, aos sete anos, aos monges para ser
formando em ciências e artes. Posteriormente, ingressou no mosteiro. Era astrônomo, físico,
matemático, teólogo, poeta e músico. Todavia, sua existência foi caracterizada por muito
sofrimento. Encarava o sofrimento como uma prova do amor de Deus e confiava-se aos cuidados
de Nossa Senhora. Era muito devoto dela.
Aos 15 de novembro de 1049, experimentando muito sofrimento, recolheu-se em sua cela e orou
diante do quadro da Virgem Maria.
Aos 15 de novembro de 1049, experimentando muito sofrimento, recolheu-se em sua cela e orou
diante do quadro da Virgem Maria. Longo depois, dirigiu-se à capela de Nossa Senhora e
continuou sua oração e meditação. Desta experiência formulou a Salve-Rainha.
A expressão “sempre virgem”, que se encontra na parte da Salve-Rainha “ó doce sempre Virgem
Maria”, foi acrescentada mais tarde. Inicialmente a antífona dizia: “Salve, Rainha de
Misericórdia”. No século XVI introduziu-se o termo “Mãe”, permanecendo assim: “Salve,
Rainha, Mãe de Misericórdia”.
A jaculatória “Rogai por nós, santa mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de
Cristo” foi acrescentada à antífona mais tarde.
O próprio Germano elaborou a melodia para se cantar a Salve-Rainha. Já os primeiros cruzados
cantaram-na em 1099. Tal fato mostra que o povo também a conhecia.
Durante os séculos XII e XIII, mais e mais se propagou o costume de cantar a Salve-Rainha logo
após as completas, são a oração da noite da Liturgia das Horas. Os cistercienses cantaram-nas
nas completas desde 1218. Já os dominicanos entoavam-na desde 1226.
Em 1239 o Papa Gregório IX introduziu o canto da Salve-Rainha nas igrejas de Roma, Itália.
Encaminham-se os monges, com velas acesas, para um altar lateral da igreja e aí a entoavam.
MÃE DA MISERICÓRDIA
A Salve-Rainha começa com um termo típico: “Salve”. Esta palavra vem do latim, “salvere”,
que significa “ter saúde”, “passar bem”. No português, exprime saudação. Em oração, o devoto
se dirige à Virgem Maria e faz sua saudação com amor e respeito.
Com piedade, o devoto saúda Nossa Senhora como rainha. Este título foi atribuído a ela pela
tradição cristã, a partir do século IV, para evidenciar sua preeminência e seu poder. Ela é rainha
enquanto participa da realeza de Jesus Cristo, auxiliando-o e colaborando com Ele na realização
do seu Reino no mundo. Ela é “associada de seu Filho nascido de Deus na sua procriação
terrestre, no seu governo, na sua glória” (H. Cazelles, teólogo).
A saudação continua enumerando belíssimas invocações marianas: “Mãe de Misericór dia, vida,
doçura e esperança nossa”. Ela é a Mãe de Jesus Cristo, que revela em si mesmo a misericórdia
e a bondade de Deus (Tt 3,4). Vida, doçura e esperança da humanidade, ela, como Mãe, cuida
das pessoas com carinho e as encaminha para Jesus, o Salvador. Já glorificada e rainha do céu,
ela “brilha aqui na terra como sinal de esperança segura e do conforto para o povo de Deus em
peregrinação, até que chegue o dia do Senhor” (Concílio Vaticano II. L. G., nº. 68).
Com confiança e fé, os devotos suplicam a Nossa Senhora: “A vós bradamos, os degredados
filhos de Eva”. Tal expressão significa que eles estão pedindo ajuda de maneira veemente. Bradar
quer dizer pedir, gritar por socorro, rogar compaixão. Degredados são aqueles que são forçados
a viver longe, presos, sozinhos. Isso faz referência à expulsão do ser humano do paraíso na
criação, causada pelo pecado (Cf. Gn 4,23-24). Assim, os seres humanos, que estão na terra,
longe do céu, gritam a Mãe de Jesus, rogando-lhe ajuda em sua miséria, pois buscam a pátria
definitiva (Hb 13,14).
SOCORRO E ADVOGADA
“... a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas”
Na Salve-Rainha, os devotos prosseguem rezando: “... a vós suspiramos, gemendo e chorando
neste vale de lágrimas”. Com tais palavras, eles continuam suplicando o socorro da Mãe do
Salvador, pois sua situação humana é caracterizada, muitas vezes, pelo sofrimento, pela
fragilidade e pelo desânimo.
A Salve-Rainha mostra que a segurança dos devotos, que ainda peregrinam no mundo, é a
Virgem bondosa: “Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”.
A interjeição “eia” serve para animar, estimular. Assim Maria é a advogada dos seres humanos,
que os anima e acalenta, assume sua defesa e o seu socorro, para que eles possam resolver suas
dificuldades, permanecendo fiéis ao projeto de Deus. Com seus olhos misericordiosos, ela os
ajuda a enfrentar os perigos e os males presentes na história da salvação.
A Salve-Rainha não deixa de se voltar para Jesus Cristo, o Filho bendito de Maria: “E, depois
deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre”. Tal prece pede que ela mostre
aos seres humanos Jesus, em sua entrada para a glória. A morte não é fim trágico, mas porta para
a eternidade feliz, que é comunhão plena com a Santíssima Trindade. Jesus é o caminho que leva
aqueles que acreditam nele ao Reino do Pai do Céu (cf. Jo 14,1-14).
Os devotos ainda lembram o amor de Nossa Senhora, rezando: “... ó clemente, ó piedosa, ó doce,
sempre Virgem Maria”. Com estas palavras, eles louvam e elogiam a Mãe de Jesus, que está
sempre disposta a auxiliar e cuidar, com bondade maternal, daqueles que recorrem a ela. São
expressões que despertam neles a confiança em seus corações. Com solicitude, ela é a Mãe
clemente e compassiva, que compreende seus filhos, olha para eles com misericórdia e os acolhe
com ternura, para conquistá-los pelo amor.
Ao terminar a Salve-Rainha, os devotos rezam a jaculatória: “Rogai por nós, santa mãe de Deus,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo”. Com isso, eles pedem que Maria os ajude
junto ao Salvador, para que possam receber o que Ele prometeu, isto é, o Reino de Deus. Com
fé, caridade e esperança, confiam nas promessas de Cristo e buscam alcançá-las com a intercessão
certa da Mãe de Deus.
Pe. Eugênio Antônio Bisinoto. C.Ss.R.
Missionário Redentorista
Ex-diretor da Academia Marial
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