Revista da SBEnBio - Número 9 - 2016
VI Enebio e VIII Erebio Regional 3
DIVULGANDO AS NEUROCIÊNCIAS NO ENSINO MÉDIO: NOSSA
EXPERIÊNCIA NO COLÉGIO PEDRO II – CAMPUS NITERÓI-R.J.
Mônica Narciso Guimarães (Colégio Pedro II – Campus Niterói)
Resumo
As neurociências estudam o sistema nervoso, suas estruturas e seu funcionamento, se
tratando de uma área multidisciplinar. É uma área científica amplamente divulgada tanto no
senso comum quanto no meio acadêmico, mas no ensino médio é praticamente inexistente.
Este artigo relata uma experiência desenvolvida pelo Grupo de Estudos em Neurociências do
Colégio Pedro II – Campus Niterói, para contribuir com a divulgação das Neurociências junto
a estudantes da educação básica: a visita do Museu Itinerante de Neurociências. Foram
promovidas atividades práticas e entrevistas com alunos, professores e funcionários. Os
resultados revelam que as atividades desenvolvidas têm proporcionado aquisição de
conhecimentos, além da descoberta de vocações e aprovações em competições na área.
Palavras-chave:
Neurociência, Divulgação Científica e Ensino Médio.
Introdução
As neurociências são as ciências que estudam o sistema nervoso: suas estruturas
(Neuroanatomia); seu funcionamento e evolução (Neurofisiologia), bem como uma correlação
entre áreas cerebrais envolvidas em determinada função cognitiva (neuropsicologia) (LURIA,
1981).
[...] O sistema nervoso, e o cérebro em particular, pode ser estudado de várias
maneiras, todas verdadeiras e igualmente importantes. Podemos encará-lo como um
objeto desconhecido, mas capaz de produzir comportamento e consciência, e assim
dedicar-nos a estudar apenas estas propriedades (ditas ―emergentes‖) do sistema
nervoso. É o modo de ver dos psicólogos. Podemos também vê-lo como um
conjunto de células que se tocam através de finos prolongamentos, formando
trilhões de complexos circuitos intercomunicantes. É a visão dos neurobiólogos
celulares. Alternativamente, podemos pensar apenas os sinais elétricos produzidos
pelos neurônios como elementos de comunicação, como fazem os eletrofisiologistas.
Ou então nas reações químicas que ocorrem entre as moléculas existentes dentro e
fora das células nervosas, como fazem os neuroquímicos. E assim por diante. Como
se vê, são muitos os modos (chamados níveis) de existência do sistema nervoso,
abordados pelos diferentes especialistas. (LENT, 2010, p.03)
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Pode-se perceber portanto, que se trata de uma área multidisciplinar, que necessita da
comunicação entre várias disciplinas. Nos Estados Unidos da América, a década de 1990
ficou conhecida como “década do cérebro”, já que foi marcada por grandes descobertas
envolvendo o campo da neurociência, como os estudos de neuroimagem (técnica nãoinvasiva). Até a primeira metade do século XX, estudos sobre o funcionamento do cérebro
humano eram realizados majoritariamente de forma indireta, através do exame de pessoas
lesionadas – como o caso do operário Phineas Gage – mas também por meio de análises post
mortem e de tecnologias de exame mais simples como a eletroencefalografia (EEG),
disponíveis a partir da década de 1920 (LISBOA, 2015).
Para BATISTA et al. (2010), “os avanços neurocientíficos convidam os estudantes de
diferentes campos do conhecimento a um mergulho instigante na apreciação dos fundamentos
dos processos neurais”. Deste modo, torna-se extremamente necessária a criação de espaços
institucionais para a discussão de neurociências, tanto no âmbito de diferentes cursos como
nos níveis da educação básica.
Considerando que é uma área científica amplamente divulgada tanto no senso comum
(revistas, jornais, e notícias televisivas) quanto no meio acadêmico (artigos em periódicos
científicos), poucos cursos de graduação possuem uma abordagem integrada, sendo seu
tratamento no ensino médio praticamente inexistente (EKUNI et al., 2014). Além disso, há
muitas informações erradas sobre o cérebro, os chamados neuromitos (LISBOA, 2015). De
acordo com Lisboa (2015), os neuromitos são transmitidos especialmente pela mídia, e
perpetuados por pessoas que conhecem pouco as neurociências.
Neste sentido, se torna fundamental que as Neurociências sejam mais divulgadas e,
amplamente discutidas, sobretudo no âmbito escolar. A divulgação científica, em termos
gerais, demanda uma multiplicidade de linguagens e representações do conhecimento
científico que se encontram nos espaços de sua comunicação, seja na mídia clássica
(televisão, rádio), revistas especializadas, ou nas novas formas de mídia (como as redes
sociais, por exemplo).
Segundo TRÓPIA (2008), a produção científica vem crescendo cada vez mais e
instituições como a escola, em geral, não conseguem tão rapidamente contemplar esses novos
saberes em seu currículo. Assim, a divulgação científica não deve ficar restrita às revistas
especializadas, mas sim, transcender os limites desta, levando as descobertas e novidades do
mundo científico ao público geral e, em particular, aos estudantes do ensino básico.
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Diante do exposto, este artigo tem a finalidade de relatar uma experiência que foi
desenvolvida com o intuito de contribuir para a divulgação e popularização das Neurociências
junto a estudantes da rede pública federal de Educação Básica: o Dia do Cérebro com a visita
do Museu Itinerante de Neurociências no Colégio Pedro II – Campus Niterói, no Rio de
Janeiro.
A motivação inicial
Dentre as atividades pedagógicas desenvolvidas no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro,
os alunos do ensino médio podem participar de projetos extracurriculares envolvidos com a
preparação para a participação em olimpíadas nas mais diferentes áreas de ensino. Desde o
ano de 2015, no Campus Niterói, foi formado um grupo de estudos em Neurociências,
constituído por uma professora de Biologia e cerca de 12 alunos das turmas da 1ª série do
ensino médio, com a finalidade de proporcionar a preparação necessária aos interessados em
participar das Olimpíadas de Neurociências, um evento internacional que vem sendo
promovido pelo comitê local, na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
As Olimpíadas de Neurociências (Brain Bee) são competições de neurociência para
estudantes do ensino básico. Seu objetivo é motivar os estudantes a aprenderem sobre as
ciências que estudam o sistema nervoso e despertar vocações nas áreas de ciências humanas,
tecnológicas e biológicas que estudam ou interagem com as neurociências tanto ao nível
básico como clínico. Estas competições são normalmente realizadas em inglês, mas a partir de
negociações entre a coordenação nacional brasileira e o Comitê Internacional, foi acordado
que no Brasil, as olimpíadas poderiam ser bilíngues, embora a competição internacional
utilize como língua oficial o inglês1.
Os alunos que se preparam para a competição podem estudar, com a supervisão de um
professor, através de livros que estão disponíveis gratuitamente para download da Internet,
compreendendo as seguintes funções cerebrais: sensações, inteligência, emoções, movimento
e consciência, assim como disfunções cerebrais tais como Alzheimer, autismo e os vícios e
técnicas de pesquisa e tecnologia médica. As provas da competição são compostas por
perguntas orais e respostas escritas (objetivas e discursivas), mas podem incluir atividades
práticas de neuroanatomia e neurohistologia, diagnóstico do paciente com atores e análise de
imagens, como as de ressonância magnética.
Os participantes adquirem experiências novas e se encontram com outros jovens e
pesquisadores renomados provenientes de outras escolas, cidades e países, enquanto
1
Fonte: http://cienciasecognicao.org/brazilianbrainbee/pagina-exemplo/historia/, acessado em 04 jun 2016.
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aprendem mais sobre as neurociências. As competições locais e nacional são excelentes
oportunidades para que os jovens se exponham a materiais de leitura mais específicos, o que
acaba por estimular o estudo e despertar vocações além de auxiliar no preparo para seus
estudos. No Rio de Janeiro, contamos com várias parcerias que subsidiam as olimpíadas,
dentre elas as da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Rio
de janeiro (UFRJ).
Os alunos que participam das Olimpíadas de Neurociências concorrem a premiações, as
quais podem incluir medalhas, estágios, bolsas de estudo, bem como viagens para outras
competições. Tais competições têm como objetivos: despertar o interesse dos estudantes do
ensino básico para as várias ciências do sistema nervoso, na saúde e em situações patológicas;
estimular o desenvolvimento de Comitês Locais responsáveis pela organização e
estabelecimento de iniciativas visando a popularização, divulgação e difusão dos
conhecimentos sobre o sistema nervoso para estudantes do ensino básico; aproximar os
estudantes e professores do ensino básico ao ambiente universitário, promovendo o
divulgação e compreensão do saber científico e das inovações científico-tecnológicas;
estimular o processo de descoberta das capacidades intelectuais pelos estudantes, assim como
o crescimento social, econômico e cultural do jovem durante sua formação básica e estimular
a troca de ideias e experiências ao âmbito educacional com o apoio de espaços formais e não
formais de ensino em todo o território nacional, além de estimular a participação em eventos
internacionais.
Atividades do Grupo de Estudos em Neurociências do Colégio Pedro II – Campus
Niterói
A metodologia de trabalho consistiu em discussões e tarefas promovidas em ambiente
virtual,
na
Plataforma
Moodle
do
Colégio
Pedro
II
(www.cp2.g12.br/moodle/login/index.php), assim como aulas e/ou oficinas ministradas por
professores e profissionais convidados, tanto interna como externamente ao colégio, numa
frequência de uma aula/oficina por mês.
Além das atividades de ensino-aprendizagem, o grupo realizou mesa de bate-papo com
um voluntário portador de Esclerose Múltipla e uma sessão de exibição do filme O primeiro
da Classe (2008), seguida de debate sobre a Síndrome de Tourette.
No mês de março de 2016, o grupo participou da Olimpíada Regional de Neurociências,
ocorrida nas dependências da UFF, alcançando ótimos resultados. Um dos alunos do grupo
alcançou a 3ª colocação, sendo classificado para a etapa nacional da olimpíada. A etapa
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nacional ocorreu em São Paulo, na Escola de Enfermagem do Hospital Albert Einstein com a
participação de diferentes comitês brasileiros.
No ano letivo de 2016, o grupo de estudos em neurociências do CPII - Campus Niterói
teve mais de 50 alunos interessados em participar de suas atividades. Foi feita uma seleção
por meio de um teste de conhecimentos gerais sobre a área. O grupo atualmente conta com 20
alunos bolsistas, sendo 11 alunos da 1ª série do EM e 9 alunos da 2ª série do EM, em idades
que variam de 14 a 16 anos.
Relatando nossa experiência com o Museu Itinerante de Neurociências
Dentre as atividades do grupo de estudos em neurociências desenvolvidas no ano de
2016, neste artigo destacaremos nossa experiência com a visita do Museu Itinerante de
Neurociências, ocorrida em abril deste ano. As atividades foram desenvolvidas ao longo de
um dia inteiro e envolveu toda a comunidade escolar do Colégio Pedro II - Campus Niterói.
O
projeto Museu Itinerante de Neurociências (MIN)2, da Organização Ciências e
Cognição em associação ao Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (CeC-NuDCEN/UFRJ), é uma iniciativa focada na
promoção da alfabetização e difusão científica, que envolve atividades como o Laboratório
Aberto de Práticas, palestras, exposições, dentre outras.
Figura 1. Alunos do Colégio Pedro II – campus Niterói em atividade com integrantes do grupo
de estudos em neurociências e monitores do Museu Itinerante de Neurociências.
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http://www.cienciasecognicao.org/min/, acessado em 04 jun 2016.
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O grupo de estudos em neurociências do CPII – campus Niterói, por meio da professora
responsável, agendou a visita do museu itinerante e o dia escolhido para a realização das
atividades foi intitulado “O Dia do Cérebro”. Este evento ocorreu com a participação de todos
os alunos da escola, incluindo os alunos não pertencentes ao grupo de estudos (Figura 1).
Foram
promovidas
atividades
e
oficinas práticas de Morfologia (Anatomia
Humana)
e
Microscopia
(Figura
2),
Cognição e Lógica, como as de Tangram
(Figura 3), Cubo Mágico e Torre de Hanoi,
Slackline e coordenação motora, O Corpo
no Som, Prosódia Emocional, Narrativas e
Linguagem, dentre outras.
Figura 2. Oficina de Microscopia no Dia do
Cérebro, Colégio Pedro II – campus Niterói.
Com o objetivo de coletar impressões e
registrar a resposta da comunidade escolar em
relação às atividades realizadas durante o Dia do
Cérebro, na visita do Museu Itinerante de
Neurociências, nosso grupo fez entrevistas com
diferentes atores, como alunos, professores,
funcionários e visitantes do evento.
Figura 3. Oficina de Tangram no Dia
do Cérebro, Colégio Pedro II – campus
Nas entrevistas, as perguntas procuravam apreender as impressões sobre as atividades
desenvolvidas e a relevância dos conhecimentos ali compartilhados. Dentre os depoimentos
coletados, destacamos alguns para tecer comentários:
GEN – CPII-Niterói3: O que você achou desse evento?
"Achei maneiro! Frequento o CPII desde 2013 e nunca vi um projeto de Biologia ser
aceito pela comunidade escolar como esse museu itinerante. Nem mesmo na feira da
cultura, no ano passado, houve um projeto das proporções desse, onde tivéssemos
toda a escola envolvida. Isso é realmente muito legal!" (Bernardo4 – 17 anos, exaluno)
GEN – CPII-Niterói: O que você mais gostou?
"Então, se você perceber, os projetos (oficinas) associam-se com diferentes matérias,
né? Achei legal isso. Porque, quando eu pensei em museu itinerante de
3
4
Grupo de estudos em Neurociências do Colégio Pedro II – Campus Niterói.
Os nomes adotados são fictícios.
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neurociências, achei que fosse só para o pessoal de biológicas. Mas não, dá para
acharmos oficinas que envolvam física, matemática, química. Isso é bem
interessante!" (Bernardo – 17 anos, ex-aluno)
GEN – CPII-Niterói: O que você achou desse evento? O que você mais gostou?
"Achei super legal! Interessante porque nunca achei que eu pudesse ter acesso a esse
tipo de conhecimento! É incrivelmente divertido e sabe, super atual. Porque o
cérebro é uma coisa que a gente está vendo cada vez mais. Assim, nós estamos
descobrindo cada vez mais coisas e tipo, poder ver isso é algo realmente
interessante!" (Rosa Maria – 16 anos, aluna)
GEN – CPII-Niterói: O que o senhor achou desse evento?
"Então, eu acho que eventos extra sala de aula, onde, principalmente, estudantes
convivam com situações mais do concreto, mais lúdicas, eu acho que ajuda ele a
ampliar o conhecimento"(Diretor-geral de Campus do Colégio Pedro II)
GEN – CPII-Niterói: Você acha que eventos como esse são importantes para a
comunidade escolar?
"Sim, sim. Sem dúvidas, por exemplo, quando eu era estudante eu não tinha essa
oportunidade. Já vocês estão tendo essa oportunidade que é muito legal e que eu
gostaria de ter tido quando era mais jovem. E além disso, algo muito interessante é
que esse evento é extremamente interdisciplinar!" (Diretor-geral de Campus do
Colégio Pedro II)
GEN – CPII-Niterói: O que você achou desse evento?
"Achei um evento maravilhoso, né? Porque é isso que as escolas precisam
proporcionar. Esses eventos que são extra sala, né? Extra curriculares, acho que
podemos falar assim!" (Beatriz – funcionária - 30 anos)
GEN – CPII-Niterói: Qual foi a oficina que você mais gostou?
"Eu achei legal todas, mas eu assisti uma de neuroanatomia onde eles expuseram
uma situação onde o cérebro tinha sido acometido/lesionado por uma Tênia. E eu
achei super legal, porque foi algo extremamente relacionado ao nosso cotidiano!"
(Beatriz – funcionária - 30 anos)
"O sistema nervoso não precisa ser visto apenas como decorar. Mas se eu pensar que
ao trabalhar matemática eu estou trabalhando lógica e cognição. Ao trabalhar
criatividade eu estou usando uma série de informações que eu tenho armazenadas na
memória para eu encontrar soluções." (Manoel- professor de neurofisiologia
visitante- 44 anos)
"Neurociências não é apenas uma única ciência, são diferentes pontos de vista sobre
o funcionamento, estrutura, enfim, aspectos diferentes do sistema nervoso"(Márcia Professora de Física do Colégio Pedro II)
Reflexões e considerações finais
O conhecimento da ciência permite que a população possa entender melhor o mundo em
que vive. Assim, as experiências de divulgação das neurociências na escola são sinalizadores
importantes para a popularização da ciência por favorecerem uma nova forma de fazer ciência
e, consequentemente, possibilitarem sua comunicação a todos, demonstrando-se, assim, a
aplicabilidade do saber científico, neste caso, na escola (FILIPIN et al., 2014).
Por meio das entrevistas, obtidas informalmente, pudemos identificar o envolvimento
da comunidade escolar, incluindo numa mesma perspectiva pedagógica, alunos, professores
de diferentes áreas e funcionários. Sobretudo, o aspecto interdisciplinar pôde ser destacado
pelos entrevistados, indicando a própria natureza do ensino das Neurociências.
As primeiras reflexões acerca das ações do grupo de estudos em neurociências do
Colégio Pedro II – campus Niterói nos faz perceber a existência de uma demanda de
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reformulação curricular que leve em conta tanto os aspectos científicos da produção
acadêmica como as relações interdisciplinares subjacentes a essa produção. A popularização
da ciência e a divulgação das neurociências junto à comunidade escolar do Colégio Pedro II
se mostrou de fundamental importância por levar temas considerados muito específicos da
neurobiologia do cérebro e sistema nervoso para o conhecimento da sociedade em geral,
principalmente para alunos e professores.
É importante considerar, também, que o interesse pela Neurociência, assim como em
outros campos, como a Educação, ocorre, quase exclusivamente, quando são utilizadas
ferramentas mais lúdicas e atrativas, como as que foram utilizadas durante a visita: atividades
práticas, exposições, criações pessoais, etc. (VARGAS et al., 2014). Nas entrevistas, foi
possível perceber que todas as atividades propostas geraram interesse nos alunos e até mesmo
nos professores.
Ao trabalharmos temas como neuroanatomia, neurofisiologia, memória e equilíbrio de
uma forma dinâmica, prática e instigante, percebemos que conseguimos divulgar o
conhecimento de uma forma simples e divertida, gerando nos alunos curiosidade e interesse.
Os conhecimentos adquiridos acabaram colaborando para o processo de ensino-aprendizagem
dos alunos, uma vez que, durante as atividades, mencionavam situações de benefício e prazer
no aprendizado. Assim, consideramos que a experiência do “Dia do Cérebro” no Colégio
Pedro II e as ações que o grupo de estudos em Neurociências do campus Niterói têm
permitido disseminar de forma simples, prática e lúdica, conceitos de ciência e da
neurociência no ambiente escolar, apontando para a necessidade de que estas ações sejam
mais frequentes.
Além dos resultados percebidos quanto ao conhecimento adquirido, o nosso projeto tem
proporcionado aos seus participantes a descoberta de vocações e a aprovação em competições
na área. As atividades do grupo de estudos em neurociências têm levado a que um número
maior de alunos tenha interesse em aprender sobre neurociência e os temas abordados pelo
grupo visam manter estes novos integrantes envolvidos nas discussões durante todo ano.
Agradecimentos
A autora agradece aos alunos co-autores Eric Cardoso de Souza, Daniel Mendonça
Dantas e Lucas Pereira Jacques, bolsistas da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa,
Extensão e Cultura do Colégio Pedro II e integrantes do Grupo de Estudos em Neurociências do
Colégio Pedro II – Campus Niterói pela elaboração deste trabalho.
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Referências
BATISTA, R. S. et al. Neurociências e Educação: um tempo de encontro no espaço dos
saberes. Revista Ciência & Ideias, n.2, volume 1- abril/setembro, 2010.
EKUNI, R., SOUZA, B. M. N., COSTA, C. L. & OTOMURA, F. H. Projeto de Extensão
“Grupo de Estudos em Neurociência”: divulgando neurociência e despertando vocações.
Revista Brasileira de Extensão Universitária, v. 5, n. 2, p. 55-59, jul-dez, 2014.
FILIPIN, G. et al. Neuroblitz: uma proposta de divulgação da neurociência na escola.
Revista Ciência em Extensão. v.10, n.3, p.69-76, 2014.
LENT, R. Cem bilhões de neurônios. 2ª ed. São Paulo: Atheneu, 2010.
LISBOA, F.S. O Cérebro vai à Escola. Jundiaí: Paco Editorial, 2015.
LURIA, A. R. Fundamentos de Neuropsicologia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e
Científicos; São Paulo: EDUSP, 1981.
TRÓPIA, G. Reflexões sobre o discurso na divulgação neurocientífica. Ciência & Ensino,
vol. 2, n. 2, junho de 2008.
VARGAS, L. da S., MENEZES, J., ALVES, N., SOSA, P., CARPES, P. B. M. Conhecendo o
Sistema Nervoso: Ações de Divulgação e Popularização da Neurociência Junto a Estudantes
da Rede Pública de Educação Básica. Ciências & Cognição, vol. 19(2), p. 233-241, 2014.
Disponível em http://www.cienciasecognicao.org, acesso em 04 jun 2016.
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