“Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA O TERCEIRO SETOR NA ERA DA CIBERCULTURA E DO MARKETING 2.0: o caso Noolhar em Belém do Pará. 1 Heverton Gebson Oliveira SANTOS2 Cenira Almeida SAMPAIO3 Universidade da Amazônia - UNAMA, Belém, PA RESUMO Este artigo analisa como as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação, através dos conceitos de Marketing 2.0, Web 2.0 e da cibercultura podem auxiliar em organizações pertencentes ao Terceiro Setor no que concerne a melhoria de suas ações, visibilidade e obtenção de recursos tangíveis e intangíveis para suas causas, sustentando a hipótese de que a partir destas ferramentas é possível dinamizar as estratégias de captação de recursos para organizações não governamentais, sendo um campo fértil para estudos e atuação dos profissionais de marketing e publicidade. PALAVRAS-CHAVE Terceiro Setor; Marketing 2.0; cibercultura; web 2.0. 1 INTRODUÇÃO Este artigo científico é fundamentado no trabalho de conclusão de curso homônimo defendido na Universidade da Amazônia em junho de 2011. A escolha do tema surgiu a partir da observação do crescimento do Terceiro Setor nas últimas décadas, impulsionado pelo fortalecimento de associações e ONGs (organizações não governamentais), com engajamento político, social e ambiental. Pelo movimento de democratização da informação proporcionado pela evolução das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) e universalização da internet, sustentando a hipótese de que a partir do Marketing 2.0 como ferramenta da Web 2.0 é possível dinamizar as estratégias de captação de recursos, visibilidade e representatividade do Terceiro Setor no Brasil e no mundo. 1 Trabalho apresentado no Grupo de Trabalho da II Conferência Sul-Americana e VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã. 2 Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela UNAMA, email: [email protected] 3 Orientadora do projeto de pesquisa com Doutorado em Ciências Agrárias pela UFRA, email: [email protected] 1 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA A importância deste estudo revela-se devido a popularização dos debates entre governos, empresas, sociedade civil e profissionais da comunicação no que tange aos temas ligados ao meio ambiente, qualidade de vida, produção energética limpa e alternativas para a redução do consumo humano. Tais temas utilizados muitas vezes como razão existencial de instituições do Terceiro Setor. O objetivo principal deste estudo está em analisar como as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação, especialmente o Marketing 2.0 através da Web 2.0 podem ajudar no fortalecimento de organizações do Terceiro Setor para que estas consigam obter recursos tangíveis e intangíveis4 para as suas causas sociais e ambientais. Para a comprovação das hipóteses sustentadas, buscou-se a ONG ambientalista e sem fins lucrativos Noolhar, situada em Belém do Pará desde 2005. Analisada pelo autor como melhor usuária destas novas ferramentas da comunicação, e que possui um público heterogêneo, o que contribui para uma análise global do estudo. 2 TERCEIRO SETOR: ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS O Terceiro Setor é assim denominado porque engloba instituições com fins públicos, porém de caráter privado, que não se enquadram, portanto, no Primeiro Setor (Estado), nem no Segundo (Mercado), ou seja, fazem parte do denominado “espaço público não estatal”. Qualificam-se como entidades do Terceiro Setor as ONGs, associações, fundações, entidades de assistência social, educação, saúde, esporte, meio ambiente, cultura, ciência e tecnologia, entre outras organizações da sociedade civil. Albuquerque (2006, p. 21) descreve que as organizações sociais que hoje compõem o Terceiro Setor não são uma criação dos séculos XX e XXI. Na Europa, na América do norte e mesmo na America latina, os movimentos associativos tiveram origem nos séculos XVI e 4 Recursos Tangíveis: Tudo o que é palpável, possível de ser medido (recursos materiais, financeiros, humanos etc). Recursos Intangíveis: O que não pode ser medido, tocado (profissionalização de pessoal, habilidades pessoais, ações de empresas, marcas, patentes), muitas vezes utilizam-se dos recursos tangíveis para serem conseguidos. 2 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA XVII, inicialmente com caráter religioso ou político. As dissidências religiosas ocorridas na Europa propiciaram que o trabalho organizado socialmente estivesse intimamente relacionado com o trabalho religioso. Nesse período inicial, as organizações sociais também foram influenciadas pelos sistemas de governo e pelas políticas nacionais vigentes. Conforme Albuquerque (2006) A partir dos anos 1800 surgem as associações patronais e os sindicatos de trabalhadores. A relação da sociedade civil e do setor privado com o Estado e com o governo intensificou-se e diversificou-se. Durante esse período, os movimentos associativos adotaram uma forma particular de atuação, em que a Igreja e o Estado determinavam os limites, os horizontes e as atividades da sociedade civil organizada. Assim, por seus vínculos com o Estado e a Igreja, as associações acabaram por adquirir características presentes nessas duas instituições: participação massiva e politizada e uma hierarquia centralizadora e controladora. Durante as décadas de 1970 e 1980, ditaduras militares foram as formas de governo de diversos países da América Latina, o que provocou dentre inúmeros efeitos, a redução da participação civil no Estado e nas empresas. A impossibilidade de dialogar com esses setores levou os movimentos associativos latino-americanos a atuar no âmbito local, voltando-se para as comunidades. Entretanto, é com a Teologia da Libertação que ocorrerá o grande impulso no movimento do ativismo social durante a década de 1970 na América Latina. Essa doutrina da Igreja Católica pregava que o Evangelho reflete uma opção preferencial pelos pobres. Essa escolha foi oficialmente manifestada pelos bispos latino-americanos durante reunião na Colômbia, em 1968. Na América latina a criação de novos atores políticos se misturou com atores que já ocupavam a cena, trazendo algo curioso. Uma colaboração entre partidos políticos clandestinos, movimentos sociais e a Igreja Católica. Tendo assim, um momento de unificação da opinião e do trabalho dos diferentes atores sociais que lutavam por algo em comum: a liberdade da opinião pública. (CARDOSO, informação verbal) 5 A intensidade desse movimento nos diversos países latinos variou, havendo casos em que chegou a atingir âmbito nacional, como no Brasil. Entretanto, independentemente de sua amplitude ou de suas influencias variáveis, apareceram representantes da Teologia da 5 Ciclo de Debates, Estado e Sociedade. “A Importância do Terceiro Setor”. 2006 3 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Libertação em diversos países da América latina: Gustavo Guttierez (Peru), Leonardo Boff (Brasil), Pablo Richard (Chile e Costa Rica), Otto Maduro (Venezuela), Juan Luís Segundo (Uruguai) e outros. Assim, a Igreja Católica foi uma das, senão a, instituição de maior importância dentro do processo de surgimento de movimentos civis organizados na América latina e principalmente no Brasil. 3 COMUNICAÇÃO E TERCEIRO SETOR É a partir da comunicação que se constrói a imagem das organizações, esta é responsável por passar credibilidade, valores e estabelecer o diálogo com seu público externo e interno. Sobre isto, acrescenta-se que, “a função da comunicação é atuar na imagem, ampliar a base de consumidores e o mercado, no caso do Terceiro Setor é fazer conhecer, aumentar a base de colaboradores e usuários e ampliar seu foco”. (MANZIONE, 2006, p. 113) Neste sentido, nota-se que a comunicação está presente em todos os tipos de organizações, e no Terceiro Setor esta é de suma importância para o estreitamento de relações entre colaboradores, voluntários, funcionários e demais atores participantes. A credibilidade não se constrói da noite para o dia, ela é resultado de um trabalho contínuo da atividade de comunicação com o público interno e externo, através dos profissionais multidisciplinares trabalhando junto, buscando um único objetivo que é o de contribuir para a manutenção da boa imagem e solidificação da reputação da empresa. (LEÃO 2008, p. 21) Se o Terceiro Setor é um campo fértil para a comunicação, porque as organizações que dele fazem parte não adotam estratégias que além de difundir suas causas, atinjam funcionários, voluntários, clientes, fornecedores, empresas do setor, governos, imprensa, em geral seu público externo e interno? Sobre essa questão, Manzione (2006) relata que “a dificuldade de planejamento estratégico dentro do Terceiro Setor existe basicamente porque as pessoas estão tão envolvidas com a causa defendida pela organização que não tem tempo para investir sua boa vontade em outros setores”. Assim, o que poderia se tornar um vasto 4 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA campo de pesquisa, estudos e aprendizado torna-se invisível aos olhos de profissionais, governos e da sociedade civil organizada. 4 O MARKETING 2.0 COMO FERRAMENTA DE COMUNICAÇÃO PARA O TERCEIRO SETOR Vivemos num mundo 2.0. Termos como Trabalho 2.0, Sustentabilidade 2.0, Gestão 2.0 e Web 2.0 já fazem parte de nossas rotinas e por mais desconhecidos que pareçam vieram para ficar. O digital hoje tem permeado todas as áreas do conhecimento, incluindo o marketing, e vem trazendo várias mudanças no modo como esses profissionais atuam. O marketing 2.0 surgiu na atual era da Informação – cujo núcleo é a Tecnologia da Informação. A tarefa do marketing já não é tão simples. Os profissionais de hoje tem que chegar ao coração e à mente do consumidor. Tal é a visão do Marketing 2.0 ou a era orientada para o cliente. (KOTLER 2010, p. 4) Elucida Ribeiro (2009, online) que o Marketing 2.0 se baseia em dois pilares: conteúdo e relacionamento. Essa ferramenta é resultado do barateamento das Tecnologias de Informação (computadores, celulares, acesso à Internet banda larga) responsáveis por uma revolução no marketing tal como era concebido até a década passada. Através do Marketing 2.0 pode-se conceber uma rede efetiva de relacionamento entre a organização com o público que lhe interessa. Além disso, pode-se medir, com maior precisão o feedback dado a ações de marketing feitas pela organização. Enquanto que no marketing tradicional (1.0) as plataformas utilizadas eram tradicionais e analógicas, hoje se tem uma gama de plataformas digitais que podem ser incorporadas nas estratégias de marketing e as que funcionam melhor são as que utilizam os dois em conjunto (marketing e o digital). Podemos contar hoje com tecnologias móbile, sms, bluetooth, realidades mistas e aumentadas, redes sociais, vídeos compartilhados, plataformas de buscas e etc. E como os profissionais de comunicação e de marketing saberão utilizar esse leque de opções é um dos desafios deste novo mundo. 5 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA 5 WEB 2.0: A INTERNET COMO FERRAMENTA DE FORTALECIMENTO DAS ORGANIZAÇÕES Para Ribeiro (2009) a evolução da tecnologia para o que conhecemos como Web 2.0, se tornou um fenômeno muito mais social do que o aspecto puramente tecnológico. As pessoas puderam começar a se relacionar e interagir de forma semelhante ao que acontece na vida real, fazendo e recebendo comentários, recomendações, idéias e opiniões. Enfim, podendo interagir com outras pessoas. Afinal o homem é uma criatura social. Nas “redes sociais” – que não tem esse nome por acaso -, assuntos ligados ao Terceiro Setor como meio ambiente, sustentabilidade, inclusão social, cidadania, justiça social, rede de trocas solidárias, empreendedorismo, direitos humanos, marketing, responsabilidade social e cultura são bastante pertinentes e nos dão uma idéia do potencial que essas ferramentas têm seja para divulgar assuntos ou unir pessoas em torno de uma causa. É o melhor exemplo de rede colaborativa. Lévy (1998, pg. 103) sustenta que o mundo virtual pode desvendar inéditas galáxias de linguagem, fazer vir à tona temporalidades sociais desconhecidas, reinventar o laço social, aperfeiçoar a democracia, abrir entre os homens trilhas de saber desconhecidas. A Web é uma criação mais social que técnica. Eu a construí para um efeito social ajudar as pessoas a trabalharem juntas- e não como um brinquedo tecnológico. A finalidade última da Web é ajudar a melhorar a “teia” de nossa existência no mundo. Nós nos agrupamos em famílias, associações e empresas. [...] O que acreditamos, endossamos e aceitamos é representável e, cada vez mais, representado na Web. (Tim Berners, online). Na busca de viabilização de seus propósitos as organizações do Terceiro Setor são levadas à exploração das novas tecnologias, ajustando-se ao uso estratégico inovador que podem proporcionar e preservando, a medida do possível, a sua integração com os sistemas legados. Este fenômeno perpassa necessariamente pelo crescimento explosivo da Internet. Para Periotto e Theodoro (2002, p. 34) as organizações do Terceiro Setor podem empregar diretamente a Internet em pelo menos cinco tipos de atividades: 6 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Comunicação: a partir da internet a comunicação torna-se de baixo custo e alta velocidade, possibilitada pela troca de emails, grupos de discussão e os chats, além facilitar a interação e a colaboração entre pessoas e organizações possibilitando também a realização de consultas e a participação em processos decisórios. Informação: a partir do momento em que possibilita o acesso a baixo custo a uma imensa quantidade de informações, como banco de dados, estudos, relatórios e documentos que até então eram indisponíveis para a maior parte dessas entidades. Visibilidade: propicia diferentes formas para a organização divulgar informações e aumentar a visibilidade junto a organizações parceiras, a financiadores e à população. Para alcançar esta visibilidade as organizações podem criar um website, produzir e distribuir boletins eletrônicos (webmails) e participar de discussões. Colaboração: as listas de discussão e as comunidades virtuais são recursos que propiciam a colaboração entre organizações e pessoas, possibilitando a comunicação entre um grande número de pessoas e eliminando barreiras geográficas. Através desses recursos, “comunidades virtuais” e redes de organizações dispõem de meios para compartilhar informação e realizar trabalhos coletivos, como elaboração de propostas e relatórios, organização de eventos e busca de soluções para problemas comuns. Gestão: possibilita aperfeiçoar as atividades e programas já desenvolvidos, mediante a incorporação de novas formas de comunicação, interação e disseminação das informações. 6 CIBERESPAÇO, TERCEIRO SETOR E CIBERATIVISMO Entende-se por ciberespaço como um nome genérico para se referir a “um conjunto de tecnologias diferentes, algumas familiares, outras só recentemente disponíveis, mas que têm em comum a habilidade para simular ambientes dentro dos quais os humanos podem interagir.” SANTAELLA (2003. p. 99) 7 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Atualmente, não obstante o grande número de opções que se abrem ao usuário, o ambiente ciberespacial codificou-se em rotas e sítios sinalizados com uma organização interna. A autora conclui que “as comunidades virtuais do ciberespaço têm crescido e se diferenciado com tal intensidade que produziram o aparecimento de uma nova forma de cultura do ciberespaço ou cibercultura.” SANTAELLA (2004, p. 44). No início de 2011 o Greenpeace em parceria com a agência de publicidade DDB/Paris lançou uma campanha veiculada somente no ambiente virtual com o objetivo de arrecadar fundos para a construção de um navio cujo nome - Rainbow Warrior remete ao do primeiro navio da ONG, naufragado em 1985. A ação consistiu na criação de uma plataforma em 3D do navio a ser construído. Figura 1 - Home Page do site criado pela agência DDB/Paris. Adaptado por Heverton Oliveira 2011 Fonte: www.anewwarrior.greenpeace.org/?lang=en No projeto estão diversos objetos que serão utilizados quando o navio estiver pronto, como cordas, radares, sofás, utensílios domésticos e etc, que poderão ser “comprados” por internautas por um valor específico. O dinheiro arrecadado vai para a construção verdadeira do navio, e ao término da campanha todos os internautas que contribuíram terão seus nomes gravados no navio. É um ótimo exemplo de estratégia de marketing digital com reflexos reais para o cliente. 8 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA A partir deste exemplo vê-se que as organizações que compõem o chamado Terceiro Setor não estão alheias as tecnologias da informação e ao ciberespaço, e que como coloca Santaella (2004, p.29) vivemos a “época em que as formas de experimentar e sentir a realidade e a vida sofreram inflexões agudas.” Neste contexto de mudanças vemos emergir no Terceiro Setor um conceito diferenciado de ativismo online ou um ciberativismo6. Que convida o internauta a produzir, compartilhar e dividir conteúdos, protestar nas “ruas” da internet e democratizar informações na rede. E essas fronteiras, cada vez menos demarcadas permitirão que organizações do Terceiro Setor possam ser vistas cada vez mais como modificadoras da realidade, mesmo que este movimento se inicie no âmbito virtual. 7 MARKETING 2.0 E ONG NOOLHAR. A ONG Noolhar foi escolhida como laboratório de estudo desta pesquisa por ser localizada na cidade de Belém e possuir certa participação quando se fala em ciberespaço e tecnologias da informação. A ONG possui um website, perfis em redes sociais e é bastante presente nas mídias em geral. Uma rápida pesquisa no buscador Google com as palavras “noolhar ong”, mostra esta como primeira opção de site, com resultados de diversos projetos, ações e eventos realizados na cidade, como pode ser melhor compreendido na Figura 2. 6 Ativismo realizado através da Internet ou ciberespaço. Este tipo de ativismo pode ser visto como a forma contemporânea de retomada da “coisa pública”, que pode transformar questões locais em causas de alcance global. Teve início no ano de 1994 no México com o sub-comandante Marcos que articulou através da Internet um movimento de apoio à luta do povo da região da Chiapas, durante o movimento Zapatista. 9 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Figura 2 - Resultados da pesquisa sobre a ONG. Adaptado por Heverton Oliveira 2011 Fonte: www.google.com.br - Sobre a Missão: Atuando desde 2005 em Belém, a Noolhar tem como missão a educação ambiental em toda a sua amplitude, contribuindo para o desenvolvimento sustentável através de ações educativas que fortaleçam o despertar socioambiental para conservação do meio ambiente. Isto é possível a partir da geração de renda com a confecção de produtos que tem como matéria-prima materiais descartáveis, principalmente a garrafa pet. Por meio da ONG o que era lixo se transforma em produtos diversificados como pufes feitos de pet e sacolas ecológicas. - Sobre os Dirigentes e Colaboradores: Marcos é natural de Franca, interior de São Paulo. Formado em Administração com especialização em Marketing. Patrícia Gonçalves é de Porto Alegre (RS). Também concluiu Administração, com especialização em Educação Ambiental. Segundo o coordenador Marcos, a Noolhar só tem um funcionário cadastrado e mais quatro pessoas que trabalham na administração com projetos nos quais as pessoas das comunidades ensinam, por exemplo, biscuit, desenho, artesanatos com garrafa pet e etc. 10 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA - Sobre a Obtenção de recursos: O coordenador coloca que a ONG obtém recursos financeiros de parcerias com empresas privadas e órgãos públicos, sendo a própria empresa dele uma contribuinte. Ainda segundo Marcos, a ONG é apartidária e não recebe recursos financeiros federais, estaduais ou municipais, desta maneira ela tem liberdade para projetos de Estado, não de governos. - Sobre a Comunicação da ONG: Além de website produzido pela empresa R.A. Tecnologia a ONG dispõe de perfil em redes sociais (Twitter, Orkut, Facebook). Marcos enfatiza o poder de ações que gerem mídia espontânea. Com formação na área de Marketing, ele acredita que desta forma as pessoas são muito mais atingidas e os resultados são melhores do que a distribuição de folhetos informativos, por exemplo. A pesquisa aplicada foi do tipo qualitativa com características de estudo de caso, onde foram realizadas entrevistas nos diversos públicos com aplicação de questionários. Realizada no período de 5 a 15 de Abril de 2011, de acordo com a disponibilidade dos entrevistados. Estes foram escolhidos pela experiência com trabalhos e atividades junto a ONG Noolhar. O objetivo principal foi o de coletar dados que comprovassem a hipótese de que o marketing 2.0 e a web 2.0 são ferramentas importantes para a divulgação de causas ambientais, estreitamento da relação entre a ONG, seu(s) público(s)-alvo(s) e colaboradores, obtendo assim recursos tangíveis e intangíveis para as organizações que compõem o Terceiro Setor de um modo geral. Os entrevistados desenvolvem ou desenvolveram algum tipo de atividade, prestação de serviços ou parceria com a ONG, sendo listados na Tabela abaixo: 11 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Nome Liana Maia Nascimento Elisabeth Mendonça de Vasconcellos William Monteiro Rocha Christiene Quaresma Daniel Leal Mescouto Ramo de atuação Gerente de Recursos Humanos dos Jornais O Liberal e Amazônia em Belém. Relação com a ONG Desenvolve junto a ONG um projeto de coleta seletiva de lixo e resíduos no prédio do jornal O Liberal. Executiva da Agência de propaganda Ca No Media, Consultora em Comunicação e Professora da Graduação e Pós-Graduação da Universidade da Amazônia. Desenvolve junto a ONG serviços de parceira e prestação de serviços para empresas interessadas em ecoprodutos para divulgação de ações de Marketing e publicidade. Profissional de Relações Internacionais e Desenvolvimento Sustentável e coordenador do GADE – Grupo de Ação pelo Desenvolvimento. Em parceira com a ONG desenvolve ações que busquem conscientizar as pessoas para os 8 objetivos do milênio, estabelecidos pela ONU. Coordenadora de Marketing do Shopping Pátio Belém e representante do Condomínio Voluntário Pátio Belém. Coordena em parceira com a ONG projetos anuais que utilizam as dependências do Condomínio Voluntário Pátio Belém como local de realização. Voluntário da ONG e coordenador da Com-Vida Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas. Estudante e voluntário da ONG que aplica os conhecimentos adquiridos sobre meio ambiente junto a estudantes de escolas públicas de Belém. Tabela 1: Público entrevistado que compõe o espaço amostral da pesquisa 2011 12 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Os resultados foram tabulados e transformados em gráficos que facilitam a compreensão da leitura para um público leigo. A pesquisa contou com a participação de um público heterogêneo, o que não diminui, no entanto, a validade da mesma. Dos entrevistados 40% declararam-se parceiros da ONG, o que demonstra que esta desenvolve suas ações com seriedade, caso contrário essa porcentagem seria menor. Além disto, estes mesmos parceiros também têm outros vínculos, tais como clientes e prestadores de serviços. Quando questionados sobre como conheceram a ONG Noolhar 20% respondeu através de ações, 20% através de amigos, 20% através dos meios de comunicação de massa (MCM) e 40% através de outros meios, o que abre um espaço para a inserção de outras formas de comunicação entre ONG e seus diversos públicos alvos. Para 100% dos entrevistados, a questão socioambiental, da qual a ONG justifica sua razão de existir, é muito importante. O que demonstra em unanimidade que todos estão dispostos a compartilhar conhecimentos e ajudar na construção de um futuro com melhor qualidade de vida para todos. Na questão sobre se a ONG deveria promover mais ações que lhe dessem maior visibilidade perante a sociedade, a resposta foi 100% positiva. Sobre a Internet ser um importante meio para a ONG estreitar laços com colaboradores, clientes, voluntários, fornecedores e prestadores de serviço, também houve 100% de concordância entre os entrevistados, o que confirma umas das hipóteses desta pesquisa. Sobre as formas de divulgação através da Internet, 20% dos entrevistados respondeu que é a favor desta divulgação feita através de redes sociais e vídeos online, com vistas a provocar uma maior discussão em torno da questão socioambiental defendida pela ONG, enquanto que os outros 80% declararam ser a favor de, além destas formas, o incremento de recursos interativos no site da Noolhar e envio de webmails informativos para todos os colaboradores e parceiros. 13 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA Por fim, questionou-se sobre a Internet ser um meio propício para a divulgação de causas socioambientais e ecoprodutos produzidos pela ONG e obteve-se um resultado unânime entre os entrevistados. Ainda sobre essa questão Liana Nascimento, gerente de recursos humanos do jornal O Liberal ressaltou as redes sociais como ferramentas importantes para as organizações, uma vez que unem a rapidez e a interatividade. CONSIDERAÇÕES FINAIS As organizações sejam elas privadas, públicas, entidades de classe ou sem finslucrativos despertaram para a importância de uma comunicação organizada mediante a ação conjugada de todas as áreas que produzem, emitem e veiculam mensagens para os mais diferentes públicos. Neste sentido, entende-se que as áreas de propaganda, imprensa, relações públicas, promoção de vendas, merchandising, marketing e etc, não podem estar desvinculadas do contexto das organizações e de seu planejamento global de comunicação, elas tem de trabalhar o mais harmoniosamente possível para que a comunicação da organização flua sem ruídos até chegar ao seu público-alvo. A introdução do marketing 2.0 como parte deste mix comunicacional é de grande importância. Uma vez que é sabido que as tecnologias da informação e comunicação permeiam todas as áreas do conhecimento atual e tem grande relevância na construção de organizações sólidas com marcas fortes, pois dialogam com vários públicos de forma dinâmica e direcionada. O Terceiro Setor valendo-se desse tipo de ferramenta para divulgar suas ações pode entrar finalmente na era científico-informacional, do qual não se pode fugir. Estabelecer uma rede de relacionamento permanente com o público através do ambiente virtual é o que organizações do Segundo Setor já fazem com a intenção de fidelizar clientes para seus produtos e serviços. Por que também não se trabalhar este conceito no Terceiro Setor, visto que ele lida com causas mais nobres? 14 “Amazônia e o direito de comunicar” 20 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, Antonio Carlos Carneiro de. Terceiro Setor. História e Gestão das Organizações. 2 ed. São Paulo: Summus, 2006. CARDOSO. Ruth. 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