Sociologia Professor LUCIANO DE PAULA

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Sociologia
Professor
LUCIANO DE PAULA
“O HOMEM É UM ANIMAL SOCIAL”
Aristóteles em 1259 aC, fundamenta a tese
que “o homem é um animal social”
dizendo que a união entre os homens é
natural, porque o homem é um ser
naturalmente carente, que necessita de
coisas e de outras pessoas para alcançar
a sua plenitude.
O QUE É SOCIOLOGIA?
• A sociologia é a ciência que explica a vida
em sociedade, as relações entre o
indivíduo e a sociedade, bem como as
relações entre sociedade e estado.
• Nasceu de uma mudança radical da
sociedade, fruto de duas revoluções: a
francesa e a industrial.
• No período da Idade Média o que permeava o
pensamento do homem era a dicotomia
teocentrismo X antropocentrismo,ou seja, Deus
ou homem, quem é o centro do universo?
• O
século
XVIII
marca
consideráveis
transformações na relação indivíduo e Estado
fazendo o homem analisar a sociedade por um
outro prisma, um novo "objeto" de estudo. Essa
situação foi gerada pelas revoluções Industrial e
Francesa.
• A Revolução Industrial teve início no século XVIII, na
Inglaterra, com a mecanização dos sistemas de
produção.
• A mão de obra da indústria era formada por ex
camponeses, ou seja, homens e mulheres que
deixavam o meio rural para trabalhar na cidade, no
meio urbano.
• Essa migração do meio rural para o meio urbano
gerou uma profunda mudança nas relações sociais.
• Durante a Revolução Francesa, surgem
filósofos, chamados de iluministas, que
objetivavam transformar a sociedade,
como
também,
demonstrar
a
irracionalidade e as injustiças de algumas
instituições, pregando a liberdade e a
igualdade dos indivíduos. Esse cenário
leva à constituição de um estudo científico
da sociedade.
• A Revolução Francesa instituiu um movimento
chamado "física social", criado pelo positivista
Augusto Comte, "pai da sociologia“.
• Assim como Comte, Émile Durkheim, tornou-se
um grande teórico desta nova ciência, a
Sociologia.
• Um grande esforço dos positivistas foi feito para
emancipar a sociologia e entendê-la como uma
disciplina científica.
• Foi dentro desse contexto que surgiu a
Sociologia, ciência que, mesmo antes de
ser considerada como tal, estimulou a
reflexão da sociedade moderna colocando
como "objeto de estudo" a própria
sociedade,
tendo
como
principais
articuladores Auguste Comte e Émile
Durkheim.
RELAÇÕES ENTRE INDIVÍDUO E
SOCIEDADE.
“O HOMEM NASCE LIVRE, A
SOCIEDADE EM QUE ELE VIVE É QUE O
TRANSFORMA”
J. J. ROUSSEAU.
• A sociedade é a convivência permanente
entre os seres humanos. Dela resultam
não só os modos de organizar as relações
humanas, como também, os modos de
pensar, agir,viver, sentir, vestir-se, etc.
• Os indivíduos, conforme suas vivências são
integrantes e constituintes da sociedade,
modelando-a e modelando-se ao relacionaremse uns com os outros, pois essa interação
dinâmica e mútua entre os indivíduos, não é a
mesma entre todas as sociedades.
• Cada sociedade em cada momento histórico
tem modos e ritmos próprios que determinam
formas também particulares de configuração e
de inter-relação entre indivíduo e sociedade.
• Um fator expressivo que leva uma sociedade a
ter suas características peculiares é a cultura
nela inserida.
• A sociedade brasileira é multifacetária, em
virtude do histórico da nossa colonização,
tivemos influências de três tipos de povos de
diferentes continentes, o povo branco europeu ,
o negro africano e os índios que aqui viviam.
Com o passar do tempo outros povos migraram
para o nosso país contribuindo para o
enrrequecimento da nossa cultura tão
diversificada.
• A cultura no que tange aos valores e visões de
mundo é fundamental para nossa constituição
enquanto indivíduos, pois limitar-se a sua
própria cultura desconhecendo ou depreciando
as demais culturas existentes, de povos ou
grupos dos quais não fazemos parte, pode nos
levar a uma visão estreita das dimensões da
vida humana.
• O etnocentrismo é uma visão que toma a
cultura do outro (alheia ao observador) como
algo menor, sem valor, errado, primitivo. A visão
etnocêntrica desconsidera a lógica de
funcionamento de outras culturas. A herança
cultural que recebemos de nossos pais,
antepassados, escola e do meio em que
vivemos, contribui para a nossa compreensão
de mundo, pois nos condiciona ao mesmo
tempo em que nos educa.
• O etnocentrismo é uma avaliação pautada em juízos de valor
daquilo que é considerado diferente. Por exemplo, enquanto alguns
animais como escorpiões e cães não fazem parte da cultura
alimentar do brasileiro, em alguns países asiáticos estes animais
são preparados como alimentos, sendo vendidos na rua, da mesma
forma como estamos habituados aqui a comer um pastel ou
pipocas. Assim, o que aqui é exótico lá não necessariamente o é.
Outro exemplo, para além da comida, é a vestimenta, pois, tomando
como base o costume do homem urbano de qualquer grande centro
brasileiro, certamente a pouca vestimenta dos índios e as roupas
típicas dos escoceses são vistas com estranheza. Da mesma
forma, um estrangeiro, ao chegar ao Brasil, vindo de um país
qualquer com muita formalidade e impessoalidade no trato, pode,
ao ser recepcionado, estranhar a cordialidade e a simpatia com que
possivelmente será tratado, mesmo sem ser conhecido.
• Por outro lado quando se aceita ou compreende as diversidades
culturais de determinados grupos sociais ficamos de frente ao
Relativismo Cultural, que é a visão de que os sistemas morais ou
éticos, que variam de cultura para cultura, são todos igualmente
válidos e que nenhuma cultura é realmente "melhor" do que
qualquer outra. Isto é baseado na idéia de que não existe um
padrão definitivo do bem ou do mal, então cada decisão sobre certo
e errado é um produto da sociedade.
•
Portanto, qualquer opinião sobre a moralidade ou ética de uma
sociedade está subordinada à perspectiva cultural de cada pessoa.
Em última análise, isso significa que nenhum sistema ético ou moral
pode ser considerado o "melhor" ou "pior", e nenhuma posição
moral ou ética em particular pode realmente ser considerada "certa"
ou
"errada".
Quanto à visão do indivíduo frente a cultuaras diferentes temos:
Etnocentrismo
Relativismo
Cultural
Não aceita ou
desconsidera outras
culturas
Aceita e compreende
as diferenças
culturais
SOCIOLOGIA
PROF. LUCIANO DE PAULA
COMUNIDADE
CIDADANIA
MINORIAS
COMUNIDADE, CIDADANIA e
MINORIAS
• COMUNIDADE:
Sentimento
de
solidariedade entre os seus membros
• CIDADANIA: Para de ser um CIDADÃO
basta viver em sociedade?
• MINORIAS: O processo de globalização
tem influência no surgimento grupos que
identificam-se como MINORIAS?
COMUNIDADE
• A proximidade física entre as pessoas, que a
vida em comunidade proporciona, permite
vínculos mais significativos entre elas e,
portanto,um sentimento de solidariedade
• Assim, os LIMITES TERRITORIAIS são um dos
fatores importantes levados em conta pelo
SOCIÓLOGO ao descrever e analisar uma
comunidade. Ele examinam, também, os vários
grupos que se formam dentro de uma
COMUNIDADE.
COMUNIDADE
• As comunidades se estabelecem pela
associação
entre
seus
membros.
Portanto,
quando
descrevermos
COMUNIDADE
HUMANA
estamos
falando num tipo de sociedade
COMUNIDADE
• Para identificar, descrever e analisar uma
comunidade é preciso estar diante de
grupos sociais unidos por laços afetivos. A
proximidade física entre as pessoas, que
a vida em pequenas comunidades
proporciona, permite vínculos mais
afetivos entre elas e, portanto, um maior
sentimento de solidariedade.
COMUNIDADE
CARACTERÍSTICAS DA COMUNIDADE
• NITIDEZ – É o limite territorial claro da
comunidade, ou seja, onde ela começa e onde
ela acaba.
• PEQUENEZ – A comunidade é, em si a unidade
de observação pessoal ou, então, sendo um
pouco maior, porém homogênea, proporciona
uma
unidade
de
observação
pessoal
plenamente representativa do todo.
COMUNIDADE
• HOMOGENEIDADE – As atividades e o estado
de espírito são muito semelhantes para todas as
pessoas de sexo e idade correspondentes; o
curso de uma geração é semelhante ao da
precedente.
• AUTO-SUFICIÊNCIA – É o que proporciona
todas ou a maioria das atividades que atendem
às necessidades de seus membros.
Ao mesmo tempo, a pequena comunidade
cultiva uma forma de vida que acompanha seus
membros do berço ao túmulo.
COMUNIDADE
AS COMUNIDADES VIRTUAIS
• Nas grandes cidades em todo o mundo assiste-se hoje a
formação de micro grupos, de tribos urbanas como os panks,
os surfistas, os rappers, as gangues de periferia cujos
membros não têm outro objetivo senão o de estarem juntos.
• A lado dos micro grupos, surgem também as COMUNIDADES
VIRTUAIS formadas por contato virtual proporcionado por
redes de computadores como a internet. Nessas novas
COMUNIDADES VIRTUAIS ocorre a inversão do processo de
formação dos laços de afinidade social, cuja comunicação é
eletrônica. A presença física deixa de ser uma das
precondições para a realização do contato.
COMUNIDADES VIRTUAIS
• As TRIBOS ELETRÔNICAS, que se formam no
coração do ciberespaço, são expoentes da era
tecnológica, que está promovendo o casamento
entre a informática e as novas formas de
sociabilidade.
• A CIBERCULTURA é um fenômeno recente, que
continua em expansão, e como tal, sem regras e
limites ainda definidos, funciona basicamente a
partir de uma comunicação espontânea, sem
que se saiba quem é onde está o outro.
COMUNIDADES VIRTUAIS
• Em dezembro de 2010 um jovem tunisiano, desempregado, ateou
fogo no próprio corpo como manifestação contra as condições de
vida no país. Ele não sabia, mas o ato desesperado, que terminou
com a própria morte, seria o pontapé inicial do que viria a ser
chamado mais tarde de Primavera Árabe. Protestos se
espalharam pela Tunísia, levando o presidente Zine el-Abdine Ben
Ali a fugir para a Arábia Saudita apenas dez dias depois. Ben Ali
estava no poder desde novembro de 1987.
• Inspirados no "sucesso" dos protestos na Tunísia, os egípcios
foram às ruas. A saída do presidente Hosni Mubarak, que estava
no poder havia 30 anos, demoraria um pouco mais. Enfraquecido,
ele renunciou dezoito dias depois do início das manifestações
populares, concentradas na praça Tahrir (ou praça da Libertação,
em árabe), no Cairo, a capital do Egito. Mais tarde, Mubarak seria
internado e, mesmo em uma cama hospitalar, seria levado a
julgamento.
COMUNIDADE
• A MOBILIDADE GEOGRÁFICA e ocupacional
de hoje, geralmente, retira as pessoas do lugar
e da classe social a quem pertencem, ou da
cultura em que nasceram, em que estiveram
presentes seus pais, irmãos e outros familiares,
desta forma a mobilidade geográfica atua no
sentido de desagregar a unidade familiar.
Ocorrendo assim, o desaparecimento das
formas tradicionais e de um modo de vida
comunitário que obriga as pessoas a criar novas
formas de relacionamento, novas associações,
um outro tipo de organização pessoal.
COMUNIDADES VIRTUAIS
• A Tunísia e o Egito foram às urnas já no primeiro ano
da Primavera Árabe. Nos dois países, partidos
islâmicos saíram na frente. A Tunísia elegeu, em
eleições muito disputadas, o Ennahda. No Egito, a
Irmandade Muçulmana despontou como favorito nas
apurações iniciais do pleito parlamentar.
• A Líbia demorou bem mais até derrubar o coronel
Muamar Kadafi, o ditador que estava havia mais tempo
no poder na região: 42 anos, desde 1969. O país se
envolveu em uma violenta guerra civil, com rebeldes
avançando lentamente sobre as cidades ainda
dominadas pelo regime de Kadafi. Trípoli, a capital, caiu
em agosto. Dois meses depois, o caricato ditador seria
capturado e morto em um buraco de esgoto em Sirte,
sua cidade natal.
COMUNIDADES VIRTUAIS
• O último ditador a cair foi Ali Abdullah Saleh,
presidente do Íêmem. Meses depois de ficar
gravemente ferido em um atentado contra a
mesquita do palácio presidencial em Sanaa,
Saleh assinou um acordo para deixar o poder. O
vice-presidente, Abd Rabbuh Mansur al-Radi,
anunciou então um governo de reconciliação
nacional. A saída negociada de Saleh foi
também fruto de pressão popular.
TIPOS DE SOCIEDADE
•
•
•
•
•
•
SOCIEDADE COMUNITÁRIA
É tipicamente pequena, com divisão simples do
trabalho;
As relações sociais são duradouras;
Os contatos sociais predominantes são
primários;
Compartilha as experiências individuais;
O comportamento é largamente regulado pelos
costumes ;
Há pouca necessidade de lei formal .
TIPOS DE SOCIEDADE
•
•
•
•
•
•
SOCIEDADE SOCIETÁRIA
Acentuada divisão do trabalho;
Proliferação de papéis;
Estrutura complexa;
Divergências de crenças, costumes e
valores;
Frouxamente articulada;
Dificuldade de consenso.
TIPOS DE SOCIEDADE
SOCIEDADE SOCIETÁRIA:
•
As grandes metrópoles contemporâneas são
caracterizas pela acentuada divisão do trabalho e pela
proliferação de papéis sociais. As relações sociais
tendem a ser transitórias, superficiais e impessoais. Os
indivíduos associam-se uns aos outros em função de
determinados propósitos limitados. A vida perde a
coesão unitária que mantinha estável a antiga
comunidade. O trabalho fica distanciado da família e do
lazer. A religião tende a continuar-se a determinadas
ocasiões e lugares, em vez de fazer parte do convívio
cotidiano das pessoas. Nessa estrutura social, a família
deixa de ser o centro de união do grupo.
TIPOS DE SOCIEDADE
• Na sociedade societária, os interesses comuns
muitas vezes entram em conflito, e perde-se em
grande parte a força de tradição. A relativa
uniformidade de pensamentos da comunidade é
substituída por uma enorme variedade de
interesses
e
idéias
divergentes.
São
relativamente poucas as crenças, os valores e
padrões de comportamentos universalmente
aceitos. A integração é frouxa e o grau de
consenso tende a diminuir e isso pode provocar
uma freqüência maior de situações de conflito.
TIPOS DE SOCIEDADE
• A distinção entre comunidade (sociedade comunitária) e sociedade
societária proporciona instrumentos para a interpretação de
sociedade contemporânea. Com o avanço da industrialização e da
globalização, as sociedades comunitárias tendem a se transformar
rapidamente em sociedades societárias. Manifestações desse
processo são o crescimento sistemático das cidades, o declínio da
importância da família, a ampliação do poder da burocracia, o
enfraquecimento das tradições e a diminuição do papel da religião
na vida cotidiana (Uma das reações a essa diminuição é o
crescimento de certas igrejas, como a evangélica, nas quais os
crentes desenvolvem aspectos importantes de vida comunitária).
• Essas mudanças conduzem, de um lado, ao conflito, à instabilidade
e as tensões psicológicas; de outro, à liberação dos sistemas de
controle e de coerção, e as novas oportunidades para o
desenvolvimento humano.
A CULTURA DO INDIVIDUALISMO
• A Sociologia contemporânea atualizou
certos conceitos de comunidade e
sociedade, de acordo com as novas
relações
sociais
que
vêm
se
estabelecendo entre os indivíduos. Um
novo tipo de vida, que se baseia em
relações
sociais
acentuadamente
indiretas, são os chamados singles
(pessoas que preferem viver sozinhas).
A CULTURA DO INDIVIDUALISMO
• No Brasil, há quase 4 milhões de pessoas que vivem
sozinhas em seus domicílios. As explicações são razões
demográficas, econômicas ou particulares: as pessoas
se casam menos e com mais idade (o número de
solteiros é cada vez maior), o grupo dos descasados
também aumenta (cerca de 150 mil pessoas se
divorciam anualmente no Brasil), os casais tendem a ter
menos filhos do que antigamente, é comum que, na
separação, cada um arrume seu próprio canto, e há
também o aumento de expectativa de vida do brasileiro
(o número de idosos também aumenta). São exigentes,
têm estilo próprio e colecionam manias: a tribo dos
singles não para de crescer. Essa tendência é mundial.
Nos Estados Unidos há 26 milhões de adultos que
moram sozinhos por opção.
COMUNIDADE
INDAGAÇÕES, MUDANÇAS E DESAFIOS
• Como será a sociedade no futuro? Qual será a base do
consenso e da estabilidade na sociedade pós-industrial
urbana? Será necessário, para resolver nossos
problemas econômicos e sociais, retomar os valores
tradicionais e os modos mais antigos de organização?
Serão as formas sociais alternativas (como a dos
singles) apropriadas a uma sociedade complexa como a
nossa, com valores muitas vezes conflitantes, como o
da liberdade, da oportunidade e da individualidade?
Será possível conciliar, de alguma forma, os diferentes
e, muitas vezes, conflitantes tipos de vida que se
estabelecem no centro e nos bairros das grandes
metrópoles e em suas periferias?
COMUNIDADE
INDAGAÇÕES, MUDANÇAS E DESAFIOS
• Embora as metrópoles contribuam para o
surgimento de novos estilos de vida, as mudanças
não são muito freqüentes nos bairros pobres da
periferia, onde o código moral se baseia, em geral,
na ajuda mútua e podem-se encontrar relações
intensas de vizinhança, nas quais os indivíduos
estabeleçam contatos sociais diretos, com ações de
solidariedade. Mesmo numa sociedade igualitária,
preservam-se certos valores, a vida gira em torno da
família, do local de moradia, das relações de
vizinhança. O vizinho passa a ser quase um membro
da família, um companheiro nas horas de apuro.
COMUNIDADE
INDAGAÇÕES, MUDANÇAS E DESAFIOS
• Entretanto, a velocidade com que estão se dando as mudanças
na sociedade societária traz novos desafios: o assustador
aumento da criminalidade e as dificuldades para combatê-la.
Embora, em alguns lugares a solidariedade continue forte em
alguns lugares da periferia, ela perde sua força nas grandes
cidades; antigas instituições sociais sofrem duros golpes em
sua credibilidade e legitimidade. Tudo favorece o
comportamento individualista que se manifesta inclusive no
desenvolvimento de estratégias de estratégias de autodefesa
pessoal ou de procurar “fazer justiça pelas próprias mãos”.
Mesmo algumas relações de vizinhança, onde persistem as
manifestações de vida comunitária, poderão não sobreviver ao
individualismo crescente, que tende a se universalizar.
COMUNIDADE
INDAGAÇÕES, MUDANÇAS E DESAFIOS
• Com seu estimulo ao consumo e à competição
desenfreada, a economia capitalista, dinâmica e
tecnologicamente inovadora, colabora para reforçar a
cultura do individualismo e o isolamento; favorece a
formação de uma sociedade egocêntrica, com uma frágil
conexão entre seus membros, na qual as pessoas
buscam satisfazer apenas suas necessidades e
impulsos. Numa sociedade desse tipo, a satisfação
individual está acima de qualquer obrigação comunitária.
CIDADANIA
• A sociedade contemporânea tem algumas
características que atuam no sentido de
desagregar valores cultivados não só nas
antigas comunidades (solidariedade, vida
familiar, igualdade de oportunidade,
participação política etc.), mas também na
própria sociedade societária até meados
do século XX.
CIDADANIA
• No interior da própria sociedade societária
moderna existem forças que se opõem
fortemente a essas tendências desagregadoras.
Isso acontece porque todas as sociedades pósindustriais são sociedades democráticas, que se
caracterizam pelo respeito aos direitos
humanos, pelo “império da lei” (todos são iguais
perante a lei e ninguém está acima dela), pela
pluralidade de partidos políticos, pelo voto livre
e universal e pela alternância no poder.
CIDADANIA
• As Ciências Sociais compreendem a CIDADANIA a
partir de dois pilares principais. De um lado, ela é
entendida como a PARTICIPAÇÃO dos cidadãos na
VIDA SOCIAL e PLÍTICA. De outro lado, a cidadania
expressa por meio do exercício de seus DIREITOS, ou
melhor, do DIREITO DO CIDADÃO de ter direitos.
• Tanto a participação quanto o exercício de direitos não
são possíveis sem uma contrapartida: OS DEVERES. É
o caso do voto, que pode ser compreendido tanto como
um DIREITO POLÍTICO como também um dever de
participar da escolha dos governantes e, assim, exercer
a cidadania.
CIDADANIA
• DIREIOS CIVIIS: Relativos ao homem enquanto
indivíduo, reconhecem A sua autonomia frente
ao Estado e os demais membros da sociedade;
• DIREITOS POLÍTICOS: Dizem respeito à
participação do cidadão no processo políticodecisório do Estado;
• DIREITOS SOCIAIS: Tomam as pessoas como
SERES SOCIAIS, que, portanto, necessitam de
garantias materiais mínimas, como saúde,
educação, emprego, aposentadoria, segurança,
etc.
CIDADANIA
•
•
Um dos fundamentos do regime democrático é o conceito de cidadania,
para o sociólogo Herbert de Souza (Betinho), “cidadão é um indivíduo que
tem consciência de seus direitos e deveres e participa ativamente de todas
as questões da sociedade. Tudo o que acontece no mundo, acontece
comigo. Então eu preciso participar das decisões que interferem na minha
vida. Um cidadão com um sentimento ético forte e consciente da cidadania
não deixa passar nada, não abre mão desse poder de participação (...)”.
A idéia de cidadania ativa é ser alguém que cobra, propõe e pressiona o
tempo todo. O cidadão precisa ter consciência de seu poder. A cidadania
está diretamente ligada aos direitos humanos, uma longa e penosa
conquista da humanidade que teve seu reconhecimento formal com a
Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948 pela
Organização da Nações Unidas (ONU) . na época – marcada pela vitoria
das nações democráticas contra o nazismo durante a Segunda Guerra
Mundial (1939-1945)-, ela abria a perspectiva de um novo mundo, em que
haveria paz, liberdade e prosperidade: uma esperança que acabou não se
realizando.
CIDADANIA
DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
Os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, compare com
a realidade da cidadania, tal como ela vem sendo praticada no mundo em geral
e no Brasil, em particular:
•
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
•
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
•
Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa.
•
Todo ser humano tem direito à alimentação, vestuário, habitação e
cuidados médicos.
•
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
•
Toda ser humano tem direito ao trabalho e à livre escolha de emprego.
•
Toda pessoa tem direito à segurança social.
•
Toda pessoa tem direito a tomar parte no governo de seu país.
•
Toda pessoa tem direito a uma ordem social em que seus direitos e
liberdade possam ser plenamente realizados.
•
Todo individuo tem o direito de ser reconhecido como pessoa perante a
lei.
•
Todo ser humano tem direito à instrução
CIDADANIA
OS DIREITOS DAS CRIANÇAS
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Uma declaração, com dez itens – aprovados pela Assembléia Geral das Nações
Unidas em 1950.
1.
Direito à igualdade, sem distinção de raça religião ou nacionalidade.
2.
Direito a proteção especial para seu desenvolvimento físico, mental e
social.
3.
Direito a um nome e a uma nacionalidade
4.
Direito à alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a
criança e a mãe.
5.
Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou
mentalmente deficiente.
6.
Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.
7.
Direito à educação gratuita e ao lazer
8.
Direito a ser socorrida em primeiro lugar, em caso de catástrofe.
9.
Direito de ser protegida contra o abandono e a exploração no trabalho.
10.
Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão,
amizade e justiça entre os povos.
CIDADANIA
• As condições de vida das crianças podem indicar o nível de
desenvolvimento de um país e permitem fazer projeções de como
será sua situação no futuro: por trás de cada criança abandonada
existe pelo menos um adulto abandonado; essa criança que hoje
vive nas ruas provavelmente ira gerar, quando adulta, outras
crianças abandonadas. Ao aceitar passivamente enormes
contingentes de crianças de rua, a sociedade esta negando a essas
pessoas as condições básicas de vida e mostrando ao lado mais
cruel da ausência de cidadania.
• Outro indicador do grau de cidadania de uma nação é o tratamento
que se dá aos idosos. Crianças e idosos são os dois extremos
frágeis de uma sociedade. Toda sociedade que não respeita suas
crianças e seus idosos é incapaz de atender aos princípios mínimos
dos direitos humanos e da cidadania.
CIDADANIA
•
•
•
•
cidadania – afirma o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein – é o
direito de se ter uma idéia e poder expressá-la. É poder votar em quem
quiser sem constrangimento. É processar um medico que cometa um
erro. É devolver um produto estragado e receber o dinheiro de volta. É
o direito de ser negro sem ser discriminado, de praticar uma religião
sem ser perseguido.
Há detalhes que parecem insignificantes, mas revelam estágios de
cidadania: respeitar o sinal vermelho no trânsito, não jogar papel na
rua, não destruir telefones públicos. Por trás desse comportamento
esta o respeito à coisa publica”.
Uma das principais funções do Estado , hoje, é produzir bens e
serviços sociais – como educação, saúde, previdência social – para
serem distribuídos gratuitamente aos membros da sociedade. São
bens e serviços que não podem ser individualizados.
É previsto em lei que o bem público, sendo bem de todos, não pode
pertencer a algum grupo social especifico ou a uma entidade
particular. Ninguém pode se utilizar de bens públicos para fins
particulares e quem o faz esta cometendo um crime contra a
sociedade, devendo ser condenado pela Justiça.
CIDADANIA
•
•
•
•
A sociedade contemporânea, constituída em torno da informação, deve proporcionar
em maior quantidade o que mais se deve valorizar numa democracia: igualdade e
liberdade.
A política da igualdade incorpora a igualdade formal, segundo a qual todos são iguais
perante a lei, uma conquista do período de constituição dos Estados modernos. Seu
ponto de partida é o reconhecimento dos direitos humanos e o exercício dos direitos
e deveres da cidadania. A política da igualdade se expressa na busca da equidade.
Esta deve:
·
Promover a igualdade entre desiguais, por meio da educação, da saúde
pública, da moradia, do emprego, do meio ambiente saudável e de outros benefícios
sociais;
·
Combater todas as formas de preconceito e discriminação, seja por motivo de
raça, sexo, religião, cultura, condição econômica, aparência ou condição física.
A distinção entre publico e privado é um dos valores mais importantes da
democracia.
Além de ilegal é antiético e ilegítimo legislar em causa própria, praticar abuso de
poder ou utilizar recursos públicos para favorecer interesses particulares. No Brasil
as mudanças na economia e na sociedade têm beneficiado mais os grupos sociais
que já eram privilegiados do que as camadas mais pobres da população
MINORIAS
• O processo de globalização em promovendo em
todo o mundo a massificação, a homogeneização e a
padronização cultural ao retratar um mundo.
Diversos grupos sociais minoritários – as minorias
étnicas, religiosas, sexuais, políticas e regionais –
buscam seu espaço social e geográfico, sua
identidade social e cultural.
• Reivindicam direitos e contestam normas sociais
por se sentirem excluídos, os grupos minoritários,
políticos, étnicos, raciais e sexuais, que vem dando
um novo sentido à noção de cidadania.
MINORIAS
• A situação de exclusão de muitas minorias geralmente
se origina da avaliação negativa que grupos dominantes
da maioria fazem delas, da sua discriminação e
segregação.
• Pode acontecer de uma minoria ser formada pela maior
parte da população. São as minorias majoritárias que
ocupam na estrutura de poder uma posição de
subordinação diante de uma minoria autoritária e
poderosa.
• Os escravos de qualquer época e lugar são exemplos
de minorias majoritárias diante de governos escravistas
que formavam o grupo minoritário nesses sistemas.
Outro exemplo é o apartheid da África do Sul em que
maioria negra foi subjugada pela minoria branca
MINORIAS
• Democracia representativa e democracia
participativa. Em certos casos, a capacidade de
mobilização política de algumas minorias tem
levado os especialistas a ponderar sobre as
noções de democracia representativa – que se
baseia na maioria – em contraste com a nova
noção de democracia participativa – na qual as
minorias excluídas têm uma participação social
e política mais efetiva na sociedade.
SOCIOLOGIA
Professor
LUCIANO DE PAULA
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Os grupos sociais
A própria natureza humana exige que os homens se
agrupem. A vida em sociedade é condição necessária à
sobrevivência da espécie humana.
Vamos analisar inicialmente os grupos sociais: aqueles que,
devido aos contatos sociais mais duradouros, resultam em
formas mais estáveis de integração social. Nos grupos sociais há
normas, hábitos e costumes próprios, divisão de funções e
posições sociais definidas. Como exemplos temos: a família, a
escola, a igreja, o clube, o Estado etc.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Grupo Social é a reunião de duas ou mais pessoas, associadas
pela interação, e, por isso, capazes de ação conjunta, visando
atingir um objetivo comum.
O indivíduo, ao longo de sua vida, participa de vários grupos
sociais. Os principais são:
•
•
•
•
•
•
•
Grupo familial – família;
Grupo vicinal – vizinhança;
Grupo educativo – escola,
Grupo religioso – Igreja;
Grupo de lazer – clube, associação;
Grupo profissional – empresa;
Grupo político – Estado, partidos políticos.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
As principais características de um grupo social são:
• Pluralidade de indivíduos – há sempre mais de um indivíduo no grupo
social; grupo dá ideia de algo coletivo;
• Interação social – no grupo, os indivíduos comunicam-se uns com os
outros;
• Objetividade e exterioridade – os grupos sociais são superiores e
exteriores ao indivíduo, isto é, quando uma pessoa entra no grupo, ele já
existe; quando sai, ele continua a existir;
• Continuidade – as interações passageiras não chegam a formar grupos
sociais organizados; para isso, é necessário que elas tenham uma certa
duração; como exemplo temos a família, a escola, a Igreja etc.; há, porém,
grupos de duração efêmera, que aparecem e desaparecem com facilidade,
como exemplo, o mutirão;
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
• Conteúdo intencional ou objetivo comum – os membros de um grupo
unem-se em torno de certos princípios ou valores, para atingir um
objetivo de todo o grupo; a importância dos valores pode ser percebida
pelo fato de que o grupo geralmente se divide quando ocorre um conflito
de valores; um partido político, por exemplo, pode dividir-se quando uma
parte de seus membros passa a discordar de seus princípios básicos;
• Consciência grupal ou sentimento de “nós” – são as maneiras de pensar,
sentir e agir próprias do grupo; existe um pensamento mais ou menos
forte de compartilhar uma série de ideias, de pensamentos, de modos de
agir, um exemplo disso é o torcedor que, quando fala da vitória de seu
time, diz: “Nós ganhamos”;
• Organização – todo grupo, para funcionar bem, precisa de uma ordem
interna.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Tomando por base a classificação dos contatos em primários
e secundários, os grupos sociais podem ser classificados em:
• Grupos primários – são aqueles em que predominam os contatos
primários, isto é, os contatos mais pessoais, diretos, como família, os
vizinhos, o grupo de brinquedos etc.;
• Grupos secundários – são os grupos sociais mais complexos, como as
igrejas e o Estado, em que predominam os contatos secundários; os
contatos sociais , neste caso, realizam-se de maneira pessoal e direta –
mas sem intimidade –, ou de maneira indireta, através de cartas,
telegramas, telefonemas etc.;
• Grupos intermediários – são aqueles em que se alternam e se
complementam as duas formas de contatos sociais (primários e
secundários). Um exemplo deste tipo é a escola.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Outras formas de agrupamentos sociais
Existem, além dos grupos sociais organizados, formas
diferentes de agrupamentos sociais, chamados em Sociologia de
agregados sociais.
Agregado social é uma reunião de pessoas frouxamente
aglomeradas que, no entanto, mantêm entre si um mínimo de
comunicação e de relações sociais.
O agregado social não é organizado e as pessoas que dele
participam são relativamente anônimas.
Podemos destacar como agregados sociais: a multidão, o
público e a massa.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Multidão
Um grupo de pessoas observando um incêndio ou fugindo de
um edifício em chamas, a população de um bairro que se junta
para linchar um preso e um grupo que se encontra na rua para
brincar o carnaval são exemplos de multidão.
As principais características da multidão são as seguintes:
•
•
•
•
•
Falta de organização;
Anonimato;
Objetivos comuns;
Indiferenciação;
Proximidades física.
A multidão pode assumir forma pacífica ou tumultuosa.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Público
O público é o agrupamento de pessoas que seguem os
mesmos estímulos. É espontâneo, amorfo, não se baseia em
contato físico, mas na comunicação recebida através dos
diversos meios de comunicação. Os indivíduos que assistem a
um jogo ou uma apresentação teatral formam públicos. Todos os
indivíduos que compõem o público recebem o mesmo estímulo
(que vem do jogo, da peça de teatro etc.). Não se trata de uma
multidão porque a integração dos indivíduos que formam o
público é mais ou menos intencional (decidiram ir assistir ao jogo
ou à peça), ao passo que a multidão é ocasional.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Massa
As pessoas que assistem ao mesmo programa de televisão,
veem o mesmo anúncio num cartaz ou leem em casa o mesmo
jornal constituem a massa.
A massa é, portanto, formada por indivíduos que recebem, de
maneira mais ou menos passiva, opiniões formadas, que são
veiculadas pelos meios de comunicação de massa. Consiste num
agrupamento relativamente grande de pessoas, separadas e
desconhecidas umas das outras. Não obedecendo as normas –
como todo agregado social – sua formação é espontânea.
Numa sociedade de massa, o tipo de comunicação que
predomina é aquele transmitido pelos veículos de comunicação de
massa.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Mecanismo de sustentação dos grupos sociais
Toda sociedade tem uma série de forças que mantêm os grupos
sociais. As principais são a liderança, as normas e as sanções sociais, os
valores sociais e os símbolos sociais.
Liderança
A liderança é a ação exercida por um líder, que é aquele que
corrige o grupo e consegue transmitir-lhe ideias e valores. Há dois
tipos de liderança:
• Liderança Institucional – O pai de família e o diretor de uma escola são
lideres institucionais; seu poder de mando vem de seu cargo e de sua
posição no grupo;
• Liderança Pessoal – Podem ser lembrados neste caso Antônio Conselheiro,
Padre Cícero, Mao Tse-tung, Getúlio Vargas, Evita Perón, Adolf Hitler.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Normas e Sanções Sociais
Toda sociedade e todo grupo social têm uma série de regras
de conduta, que orientam e controlam o comportamento das
pessoas. Essas regras de ação são chamadas normas sociais. Em
função do que está socialmente estabelecido, essas normas
indicam o que é “permitido” – e como tal pode ser seguido – e o
que é “proibido” – e não pode ser feito.
A sanção social é aprovativa quando vem sob a forma de
aceitação, aplausos, honras, promoções.
A sanção reprovativa corresponde a uma punição imposta ao
indivíduo que desobedece a alguma norma social.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Valores Sociais
A sociedade estipula o que é bom e o que é ruim, o que é
bonito e o que é feio, o que é certo e o que é errado. Assim, na vida
em sociedade as ideias, as opiniões, os fatos, os objetos não são
avaliados isoladamente, mas dentro de um contexto social que lhes
atribui um significado, um valor e uma qualidade determinados.
Os valores sociais variam no espaço e no tempo, em função de
cada época, cada geração, cada sociedade. Até pouco tempo atrás,
por exemplo, o trabalho doméstico e o cuidado dos filhos eram
considerados tarefas exclusivamente femininas. Atualmente isso
não mais acontece, pelo menos nas grandes cidades. Um pai dando
mamadeira a seu filho é olhado com simpatia e aprovação
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Símbolos
Quando, na igreja, os cristãos tomam uma atitude de respeito e
reverência para com a cruz, demonstram que a cruz – seja ela feita de
madeira, metal ou pedra – simboliza para eles sua fé.
O símbolo é algo cujo significado é atribuído pelas pessoas que o
utilizam. Em nossa sociedade, por exemplo, a aliança é o objeto que
simboliza a união e a fidelidade entre os cônjuges.
A linguagem é um conjunto de símbolos. As palavras menino, boy,
garçon e bambino significam todas “crianças do sexo masculino”,
respectivamente em português, inglês, francês e italiano. A linguagem
é a mais importante forma de expressão simbólica. Sem a linguagem
não haveria organização social humana, em nenhuma de suas
manifestações: política, econômica, religiosa, militar etc. Não poderia
existir norma de comportamento, nenhuma espécie de lei, nenhuma
criação literária ou científica.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Sistema de Status e Papéis
Numa empresa, o patrão possui direitos, deveres e
privilégios diferentes dos do empregado. Numa escola, o
professor possui direitos e deveres diferentes dos do aluno. Todo
indivíduo ocupa na sociedade em que vive posições sociais que
lhe dão maior ou menor ganho, prestígio social e poder.
A posição ocupado pelo indivíduo no grupo social denominase status social.
O status social implica direitos, deveres, prestígio e até
privilégio, conforme o valor social conferido a cada posição.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
O status atribuído é o que não é escolhido voluntariamente
pelo indivíduo e não depende de suas ações ou qualidades.
O status adquirido é obtido em função das qualidades
pessoais do indivíduo, de sua capacidade e habilidade.
Em nossa sociedade, os indivíduos geralmente lutam por
mais status mais elevados do que os que já têm. Isso explica a
insistência com que se procura um “melhor lugar ao sol”. Quanto
mais escassas as “vagas” num status a que se aspira, mais
intenso o conflito entre os candidatos a esse status.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
O papel social
O professor dando aula e exigindo dos alunos o respeito devido
está cumprindo os deveres e usufruindo dos direitos ligados a seu
status social. Ou seja, está cumprindo seu papel social.
Papéis sociais, portanto, são os comportamentos que o grupo
social espera de qualquer pessoa que ocupe determinado status social.
Correspondendo mais precisamente às tarefas, às obrigações inerentes
ao status.
Status e papel são coisas inseparáveis e só os distinguimos para
fins de estudo.
Todas as pessoas sabem o que esperar ou exigir do indivíduo, de
acordo com o status ocupado no grupo ou na sociedade. E a sociedade
sempre encontra meios para punir os indivíduos que não cumprem
seus papel.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Estrutura e organização social
Estrutura social é o conjunto ordenado de partes encadeadas
que formam um todo. Dito de outro modo, a estrutura social é a
totalidade dos status existentes num determinado grupo social
ou numa sociedade.
Cada um dos participantes de uma estrutura desempenha o
papel correspondente à posição social ocupada. O conjunto de
todas as ações que são realizadas quando os membros de um
grupo desempenham seus papéis sociais compõe a organização
social. Esta corresponde, portanto, ao funcionamento do
organismo social.
OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS
Assim, enquanto estrutura social dá ideia de algo estático,
que simplesmente existe, a organização social dá ideia de uma
coisa dinâmica, que acontece.
A estrutura social se refere a um grupo de partes (reunião de
indivíduos, por exemplo), enquanto a organização social se
refere às relações que se estabelecem entre essas partes.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
O processo de produção
Quando vamos a um supermercado e compramos gêneros
alimentícios, bebidas, calçados, material de limpeza etc.,
estamos comprando bens. Da mesma forma, quando pagamos a
passagem de ônibus ou uma consulta médica, estamos pagando
um serviço.
Portanto, bens são todas as coisas palpáveis, concretas, e
que são produzidas para satisfazer as necessidades do homem.
Já uma consulta médica, uma aula, a entrega de um jornal, são
exemplos de serviços. Podemos dizer, então, que o homem com
o seu trabalho pode produzir bens e serviços.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Ao viverem em sociedade, as pessoas participam
diretamente da produção, da distribuição e do consumo de bens
e serviços, ou seja, participam da vida econômica da sociedade.
Assim, o conjunto de indivíduos que participa da vida econômica
de uma nação é o conjunto de indivíduos que participa da
produção, distribuição e consumo de bens e serviços.
Tomemos, por exemplo, o processo produtivo que ocorre em
uma indústria de móveis: a árvore (matéria bruta) é derrubada;
as toras de madeira (matéria-prima) vêm para indústria de
móveis. Aí chegando, sofrem a ação transformador das máquinas
e equipamentos e do trabalho dos operários, resultando desse
processo um novo bem – uma cama, uma mesa, uma cadeira –,
que será colocada à venda.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Produção
É a transformação da natureza da qual resultam bens que
vão satisfazer as necessidades do homem. Portanto, produzir é
dar uma nova combinação aos elementos da natureza.
Como vemos, um dos elementos que intervêm no processo
de produção é o trabalho. Trabalho é a atividade realizada pela
pessoa que, utilizando os instrumentos de produção, transforma
a matéria-prima (tecido) num bem (roupas).
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Trabalho
É toda atividade desenvolvida pelo homem, seja ela física ou
mental, da qual resultam bens e serviços. Isto significa que é
trabalho tanto a atividade do operário de uma indústria como a
do desenhista que projeta os bens a serem produzidos por essa
indústria. Assim, tanto a atividade manual como a atividade
intelectual são trabalho, desde que tenham como resultado a
obtenção de bens e serviços.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
O trabalho pode ser classificado, quanto à execução,
conforme o grau de capacidade exigido das pessoas que o
exercem. Assim, temos:
• Trabalho qualificado – Não pode ser realizado sem certo grau
de aprendizagem: o trabalho de um torneiro mecânico, por
exemplo, enquadra-se nesta categoria;
• Trabalho não qualificado – pode ser realizado praticamente
sem aprendizagem; como exemplo, temos o trabalho de um
servente de pedreiro.
O trabalho predominantemente intelectual é geralmente
qualificado.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Matéria-prima
Os objetos que, no processo de produção, são transformados
para constituírem o bem final são chamados de matéria-prima.
Recursos naturais – Os homens, visando obter os bens e serviços
de que necessitam, utilizam-se de recursos como o solo (para a
agricultura e a pecuária), o subsolo (para a mineração) e os rios e
quedas-d’água (para a navegação e produção de energia
elétrica).
Assim, recursos naturais são elementos da natureza
acessíveis e que podem ser incorporados à atividade econômica
do homem.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Instrumentos de produção
Todas as coisas que direta ou indiretamente nos permitem
transformar a matéria-prima num bem final são chamadas de
produção.
Os instrumentos de produção que nos permitem transformar
diretamente a matéria-prima são as ferramentas de trabalho, o
equipamento e as máquinas.
Os instrumentos de produção que atuam de forma indireta –
mas não menos necessária –, são o local de trabalho, a iluminação
etc.
Assim, Instrumento de produção é todo bem utilizado pelo
homem na produção de outros bens e serviços. O homem recorre
aos instrumentos da produção na sua atividade produtiva, pois
dessa forma obtém maior eficiência no seu trabalho.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Meios de produção
Sem matéria-prima e sem instrumentos de produção não se
pode produzir nada. Eles são os meios materiais para realizar
qualquer tipo de trabalho. Por isso, chamados meios de
produção.
Portanto, são meios de produção todos os objetos materiais
que intervêm no processo produtivo.
Ao conjunto dos meios de produção mais o trabalho humano
damos o nome de forças produtivas.
forças produtivas = meios de produção + homens
Portanto, o conceito de modo de produção resume
claramente o fato de as relações de produção serem o centro
organizador de todos os aspectos da sociedade.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Modo de produção primitiva
Inicialmente, os homens viviam em tribos nômades e
dependiam exclusivamente dos recursos da região em que a
tribo se encontrava. Sobreviviam graças à coleta e ao
extrativismo: caçavam animais para se alimentar e para usar as
peles como roupas, pescavam e colhiam frutos silvestres.
A comunidade primitiva foi a primeira forma de organização
humana. Ela existiu em diversas partes da Terra há dezenas de
milhares de anos. Ainda hoje, na África, na Austrália, na Nova
Zelândia e na Amazônia, encontramos tribos com esse tipo de
organização: alimentam-se de frutos, da caça e da pesca, e não
praticam a agricultura nem o pastoreio.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Modo de produção escravista
É um modo de produção que predominou na antiguidade, mas
que também existiu no Brasil durante a Colônia e o Império.
Na sociedade escravista os meios de produção (terras e
instrumentos de produção) e os escravos eram propriedades do
senhor. O escravo era considerado um instrumento, um objeto,
assim como um animal ou uma ferramenta.
Assim, no modo de produção escravista, as relações de
produção eram relações de domínio e de sujeição: senhores X
escravos. Um pequeno número de senhores explorava a massa de
escravos, que não tinham nenhum direito.
Neste modo de produção já existia o Estado, pois alguns
homens começaram a dominar os outros; o Estado surgiu para
garantir o interesse dos senhores.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Modo de produção asiático
O modo de produção asiático predominou no Egito antigo, na
China, na Índia, entre os astecas do México e os incas do Peru, e
também na África do século passado.
Modo de produção feudal
A sociedade feudal era estruturada basicamente em senhores X
servos. As relações de produção no feudalismo (relações servis)
baseavam-se na propriedade do senhor sobre a terra e um grande
poder sobre o servo. Os servos não eram como os escravos: eles
cultivavam um pedaço de terra cedido pelo senhor, sendo obrigados a
pagar a ele impostos, rendas, e ainda a trabalhar as terras que o
senhor conservava para si. O servo tinha o usufruto da terra, ou seja,
uma grande parte do que a terra produzia era para ele. Assim,
trabalhava uma parte do tempo para si e outra parte para o senhor.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Modo de produção capitalista
A desagregação do feudalismo e as origens do capitalismo
tiveram como principais causas: o crescimento da população na
Europa, o desenvolvimento das técnicas agrícolas de produção e
o renascimento comercial e urbano.
A burguesia possui as fábricas, os meios de transporte, as
terras, os bancos etc. O trabalhador não é obrigado a ficar
sempre na mesma terra ou na mesma fábrica; ele é livre para se
empregar na propriedade do capitalista que o aceitar para
trabalhar. Como os trabalhadores não são proprietários dos
meios de produção, são obrigados a trabalhar para os
proprietários do capital.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
O capitalismo compreende quatro etapas:
• Pré-capitalismo (séculos XII a XV) – o modo de produção feudal
ainda predomina, mas já se desenvolvem relações capitalistas;
• Capitalismo comercial (séculos XV a XVIII) – a maior parte do lucro
concentra-se nas mãos dos comerciantes, que constituem a camada
hegemônica da sociedade; o trabalho assalariado torna-se o mais
comum;
• Capitalismo industrial (séculos XVIII a XX) – com a Revolução
Industrial, o capitalismo passa a ser investido basicamente nas
indústrias, que se tornam a atividade econômica mais importante; o
trabalho assalariado firma-se definitivamente;
• Capitalismo financeiro (século XX) – os bancos e outras instituições
financeiras passaram a controlar as demais atividades econômicas,
através de financiamentos à agricultura, à indústria, à pecuária e ao
comércio.
Fundamentos Econômicos da Sociedade
Modo de produção socialista
A base econômica do socialismo é a propriedade social dos
meios de produção, isto é, os meios de produção são públicos ou
coletivos, não existem empresas privadas. A finalidade do da
sociedade socialista é a satisfação completa das necessidades
materiais e culturais da população: emprego, habitação,
educação, saúde. Nele não há separação entre proprietários do
capital (patrões) e proprietários da força de trabalho
(empregados). Isto não quer dizer que não continuem existindo
diferenças sociais entre as pessoas, bem como salários desiguais
em função de o trabalho ser manual ou intelectual.
Estratificação e mobilidade social
Estratificação social
A estratificação social indica a existência de diferenças, de
desigualdades entre pessoas de uma determinada sociedade. Ela
indica a existência de grupos de pessoas que ocupam posições
diferentes.
São três os principais tipos de estratificação social:
• Estratificação econômica – baseada na posse de bens materiais,
fazendo com que haja pessoas ricas, pobres e em situação
intermediária;
• Estratificação política – baseada na situação de mando na
sociedade (grupos que têm e grupos que não têm poder);
• Estratificação profissional – baseada nos diferentes graus de
importância atribuídos a cada profissional pela sociedade. Por
exemplo, em nossa sociedade valorizamos muito mais a profissão
de médico do que a profissão de pedreiro.
Estratificação e mobilidade social
De acordo com o critério de nível de rendimento, teremos:
 Grupo A – pessoas de renda alta;
 Grupo B – pessoas de renda média;
 Grupo C – pessoas de renda baixa.
A estratificação social é a divisão da sociedade em estratos
ou camadas sociais. Dependendo do tipo de sociedade, esses
estratos ou camadas podem ser: castas (Índia), estamentos
(Europa Ocidental durante o feudalismo); e classes sociais
(países capitalistas). Cada uma dessas formas de estratificação
tem características próprias, que estudaremos mais adiante.
Estratificação e mobilidade social
Mobilidade social
Mobilidade social é a mudança de posição social de uma
pessoa num determinado sistema de estratificação social.
Quando as mudanças de posição social ocorrem no sentido
de subir ou descer na hierarquia social, estamos diante da
mobilidade social vertical.
• Ascendente, quando a pessoa melhora sua posição no sistema
de estratificação social, passando a integrar um grupo
superior à de seu grupo;
• Descendente, quando a pessoa piora de posição no sistema
de estratificação social, passando a integrar um grupo de
situação inferior.
Estratificação e mobilidade social
Castas sociais
Existem sociedades em que, mesmo usando toda a sua
capacidade e empregando todos os esforços, o indivíduo não
consegue alcançar uma posição social mais elevada. Nestes
casos, a posição social lhe é atribuída por ocasião do
nascimento, Ele carrega consigo, pelo resto da vida, a posição
social herdada.
A sociedade indiana é estratificada dessa maneira. As castas
sociais são grupos sociais fechados, endógamos (os casamentos
se dão entre os membros da mesma casta), cujos membros
seguem tradicionalmente uma determinada profissão herdada
do pai.
Estratificação e mobilidade social
Estamentos ou estados
A sociedade feudal da Europa na Idade Média foi um exemplo
típico de sociedade estratificada em estamentos.
Estamento ou estado é uma camada social semelhante à casta,
porém mais aberta. Na sociedade estamental a mobilidade social
vertical ascendente é difícil, mas não impossível, como na sociedade
das castas. A sociedade estratificada em estamentos é assim dividida:
 Camada social dominante – nobreza e alto clero;
 Camada social intermediária alta – comerciantes;
 Camada social intermediária baixa – artesãos, camponeses livres e baixo
clero;
 Camada social baixa – servos.
A estratificação em estamentos era encontrada na Europa até fins
do século XVIII.
Estratificação e mobilidade social
Classes sociais
Podemos dividir a sociedade capitalista em dois grupos,
segundo a sua situação em relação aos elementos da produção:
 Proprietários – São os donos dos meios de produção (terras, indústrias
etc.);
 Não proprietários – São os donos apenas de sua força de trabalho.
Como vemos, as relações de produção dão origem a camadas
sociais diferentes. A essas camadas – que se diferenciam pelo
lugar que ocupam na produção de bens – damos o nome de
classes sociais.
Na sociedade capitalista existem basicamente duas classes
sociais: a burguesia (proprietária dos meios de produção) e o
proletariado (proprietária apenas de sua força de trabalho).
Instituições sociais
O que são instituições sociais?
Instituição social é o conjunto de regras e procedimentos
padronizados, reconhecidos, aceitos e sancionados pela
sociedade e que têm grande valor social. São os modos de
pensar, de sentir e de agir que a pessoa encontra
preestabelecidos e cuja mudança se faz muito lentamente, com
dificuldade.
Nos estudos das instituições sociais existem dois aspectos
muito importantes. É necessário fazer uma diferença nítida entre
grupo social e instituição social. Apesar de os dois dependerem
basicamente um do outro, são duas realidades distintas.
Instituições sociais
Os grupos sociais referem-se a indivíduos com objetivos
comuns, envolvidos num processo de interação mais ou menos
contínuo. Já as instituições referem-se às regras e procedimentos
padronizados dos diversos grupos. Por exemplo: o pai, a mãe, os
filhos formam um grupo primário. As regras e os procedimentos
que regulamentam essa relação fazem parte da instituição familial.
As principais instituições sociais são: a familial, a educativa, a
religiosa, a jurídica, a econômica e a política.
As instituições sociais servem principalmente como um meio
para a satisfação das necessidades da sociedade. Nenhuma
instituição surge sem que tenha surgido antes uma necessidade.
Mas, além desse papel, as instituições sociais cumprem também o
de servir de instrumento de regulação e controle das atividades do
homem.
Instituições sociais
A família
A família é o primeiro grupo social a que pertencemos. É um
tipo de agrupamento social cuja estrutura em alguns aspectos
varia no tempo e no espaço. Essa variação pode ser quanto ao
número de casamentos e quanto ao tipo de família e à
autoridade.
Quanto ao número de casamentos, a família pode ser
monogâmica e poligâmica.
A família monogâmica é aquela em que cada esposo tem
apenas um cônjuge, já na família poligâmica cada esposo pode ter
dois ou mais cônjuges. Ao casamento de uma mulher com dois ou
mais homens damos o nome de poliandria. Ao casamento de um
homem com várias mulheres damos o nome de poliginia.
Instituições sociais
Quanto à forma de casamento, temos a endogamia e a
exogamia.
Endogamia quer dizer casamento permitido entre apenas
dentro do mesmo grupo, da mesma tribo. Exogamia é o tipo de
casamento encontrado na maioria das sociedades modernas; é o
casamento com alguém de fora do grupo.
A família pode ser classificada em dois tipos básicos: família
conjugal ou nuclear e família consanguínea ou extensa.
Família conjugal ou nuclear é o grupo que reúne o marido, a
esposa e os filhos. Família consanguínea ou extensa é a que reúne,
além do casal e seus filhos, outros parentes, como avós, netos,
genros e noras.
Podemos citar como funções principais da família: função
sexual, reprodutiva, econômica e educacional.
Instituições sociais
A Igreja
Todas as sociedades conhecem alguma forma de religião. A
religião é um fato social universal, sendo encontrada em toda parte
e desde os tempos mais remotos.
A religião inclui a crença em poderes sobrenaturais ou
misteriosos. Essa crença está associada a sentimentos de respeito,
temor e veneração, e se expressa em atitudes públicas destinadas a
lidar com esses poderes.
Geralmente todos se unem numa comunidade espiritual
chamada Igreja.
A forma pela qual se expressa a religião varia muito: sociedades
diferentes acentuam diferentes elementos ou aspectos da religião.
Algumas atribuem importância maior à crença no sobrenatural;
outras, mais aos ritos e cerimônias.
Instituições sociais
O Estado
Quando o indivíduo paga impostos ele está sendo tributado.
Os tributos representam uma apropriação de recursos dos
particulares pelo Estado. Esses recursos servirão para financiar
os gastos do Estado com seus funcionários, com as obras que
deve realizar etc.
O Estado se baseia na ação tributadora para recolher esses
recursos, e essa ação se fundamenta numa qualidade que
integra a própria essência do Estado: o seu poder de coerção.
Esse poder é a possibilidade que tem o Estado de recorrer à
violência física para cumprir os seus fins.
Instituições sociais
Em qualquer sociedade, apenas o Estado tem o direito de
recorrer à violência, à coação, para obrigar alguém a fazer alguma
coisa. Em suma, o Estado é a instituição social que tem a
exclusividade, o monopólio da violência legítima; e assim é
porque a lei lhe confere o direito de recorrer à violência, caso isso
seja necessário.
O poder e a autoridade centralizam-se de maneira mais clara
no Estado. Desse modo, o Estado é uma das agências mais
importantes de controle social; o Estado executa suas funções por
meio da lei, apoiado em última instância no uso da força.
O Estado é essencialmente um agente de controle social.
Difere de outras instituições – como a família e a Igreja, que
também exercem controle – na medida em que tem poder para
regular as ações entre todos os membros da sociedade.
Instituições sociais
O Estado constitui-se de três elementos:
• Território – é a base física do Estado, sobre a qual exerce sua jurisdição;
• População – é composta pelos habitantes do território;
• Governo – é o grupo de pessoas colocadas à frente dos órgãos
fundamentais do estado e que em seu nome exercem o poder público.
Estado, nação e governo
Estado é diferente de nação. A nação é um conjunto de pessoas
ligadas entre si por vínculos permanentes de idioma, religião e
valores. É anterior ao Estado, podendo existir sem ele; por outro
lado, um Estado pode compreender várias nações. Há nações sem
Estado, como acontecia com os judeus antes da criação do Estado
de Israel, e ainda acontece com os ciganos. E há Estado que têm
várias nações, como o Reino Unido (formado pela Escócia, Irlanda
do Norte, País de Gales e Inglaterra).
Instituições sociais
O Estado é, portanto, a nação com um governo. Porém,
Estado é diferente de governo.
Estado é uma instituição social permanente, e governo é um
elemento transitório do Estado.
Os Estados modernos possuem três poderes: Executivo,
Legislativo e Judiciário.
O Estado pode ter as seguintes formas de governo:
• Monarquia – o governo é exercido por uma só pessoa (o rei), que herda o
poder e o mantém até a morte ou renúncia;
• República – o poder é exercido por representantes eleitos periodicamente
pela população;
• Ditadura – uma só pessoa – o ditador – impõe a sua vontade de poder
ilimitado.
Mudança social
O que é mudança social
Mudança social é qualquer alteração nas forma de vida de uma
sociedade. Nenhuma sociedade é perfeitamente igual a si mesma
em dois momentos sucessivos de sua história. Com a abolição da
escravidão, por exemplo, houve uma mudança social, uma
modificação básica na instituição econômica. O trabalho passou a
ser realizado por trabalhadores livres, que recebiam salário. Isso
provocou uma mudança em toda a estrutura social brasileira.
Através da mudança social alteram-se as relações sociais. As
modificações por que passou a família, por exemplo, levaram a uma
menor distância social entre pais e filhos. As relações que, na
família patriarcal, supunham uma estreita obediência dos filhos,
foram hoje substituídas, em boa parte, por uma maior amizade
entre pais e filhos.
Mudança social
Causas da mudança social
A mudança social se estabelece de duas formas: através de
forças endógenas (internas), isto é, por mudanças originadas dentro
da própria sociedade (invenções); ou por forças exógenas
(externas), quando são provenientes de outras sociedades (difusão
cultural).
Toda invenção pertence a uma sociedade determinada. Embora
não seja a sociedade em conjunto que invente, mas sim os
indivíduos, a sociedade fornece as bases, pois todo inventor utiliza o
conhecimento acumulado da sua cultura. Cada geração não parte
da estaca zero, mas de uma herança social transmitida. O
patrimônio cultural e a necessidade social é que geram as
invenções. Teria sido praticamente impossível a Einstein elaborar a
Teoria da Relatividade se tivesse nascido entre os esquimós, por
exemplo.
Mudança social
Fatores contrários à mudança social
Grande parte das mudanças sociais não ocorre sem esbarrar
em obstáculos e resistências. Assim foram precisos séculos para
que se consolidassem grandes mudanças, como o cristianismo e
a democracia.
As atitudes individuais e sociais pode favorecer ou não a
mudança social. Podemos classificar essas atitudes em três tipos
principais:
• Atitude conservadora → Nela se enquadram o tradicionalismo e o
reacionarismo;
• Atitude reformista ou progressista;
• Atitude revolucionária.
Mudança social
Consequências da mudança social
As invenções e a difusão social cultural são processos que
ocasionam mudanças sociais, pois suscitam modificações nos
costumes, relações sociais e instituições.
Mudanças gradativas não destroem as instituições sociais
existentes. Geralmente, visam apenas a melhorá-las. Já
mudanças profundas e violentas alteram todo o sistema de
relações sociais.
As mudanças bruscas, profundas ou muito aceleradas,
podem ocasionar a desorganização social. É o caso das
revoluções.
O subdesenvolvimento
Os indicadores do subdesenvolvimento
O Brasil tem a sétima economia do mundo ocidental. No
entanto, do ponto de vista da sua população, encontra-se no
mesmo nível de alguns países pobres da África e da Ásia.
• População: 200 milhões de habitantes;
• 15 milhões vivem em estado de miséria absoluta (renda anual de 30
dólares), segundo a FAO (Organização de Alimentação e Agricultura
da ONU);
a ideia de país subdesenvolvido traz à mente, por oposição, a
de país desenvolvido. Existe uma corrente de estudiosos do assunto
que defende a ideia de que os países subdesenvolvidos podem
tornar-se desenvolvidos. Para eles, o subdesenvolvimento é – ou
pode ser – um estágio anterior ao desenvolvimento.
O subdesenvolvimento
Outros autores, porém, consideram o subdesenvolvimento
não como uma etapa anterior ao desenvolvimento, mas como
uma situação que pode ser permanente. Além disso, tais autores
defendem a ideia de que o subdesenvolvimento da maioria dos
países do mundo é a contrapartida do desenvolvimento de
alguns países.
Indicadores vitais
São quatro os principais indicadores vitais do
subdesenvolvimento:
•
•
•
•
Insuficiência alimentar;
Grande incidência de doenças;
Intensa natalidade e altas taxas de crescimento demográfico;
Composição etária com predominância de jovens.
O subdesenvolvimento
Indicadores econômicos
Os principais indicadores econômicos do subdesenvolvimento
são:
• Baixa renda per capita;
• predominância do setor primário sobre o secundário;
• Problemas na agricultura;
• Problemas na indústria;
• Concentração de renda;
• Problemas no setor externo;
• Subemprego ou desemprego disfarçado.
O subdesenvolvimento
Baixa renda per capita → A renda per capita é o resultado da
divisão da renda nacional pela população do país (RN/Pop.).
Em razão de sua fácil apuração, é um dos indicadores mais
comumente usados para indicar a condição
de
subdesenvolvimento.
Predominância do setor primário sobre o secundário → Nas
economias subdesenvolvidas, o setor primário (agricultura,
pecuária, pesca, extrativismo vegetal) apresenta maior
importância que o setor secundário (indústria, atividades
extrativistas minerais).
O subdesenvolvimento
Problemas na agricultura → São basicamente três: baixa
produtividade, subemprego e concentração da propriedade.
• Agricultura pouco mecanizada – a falta de máquinas e equipamentos
impede o aumento da eficiência do trabalho humano, fazendo com que a
quantidade de produto gerado por cada trabalhador seja baixa.
• Agricultura extensiva – para obter um determinado volume de produto é
utilizada uma soma de recursos naturais superior à que é necessária numa
economia desenvolvida.
Problemas na indústria → O setor secundário tem uma
participação reduzida na vida econômica das nações
subdesenvolvidas, quer em termos da parcela da população
empregada no setor, quer em termos da parcela do Produto
Interno Bruto (PIB) gerada pelo setor.
O subdesenvolvimento
Concentração de renda → A renda é muito mal distribuída nos
países subdesenvolvidos, estando concentrada nas mão de pouca
pessoas.
Problemas no setor externo → O setor externo é aquele que
compreende as duas operações básicas do comércio internacional:
exportação e importação.
Os países subdesenvolvidos, de modo geral, exportam produtos
primários agrícolas e minerais; muitas vezes as exportações são
representadas por apenas um tipo de matéria-prima, como é o caso
dos países árabes exportadores de petróleo.
Quanto à importação, os países subdesenvolvidos importam
bens de consumo industrializados, além de máquinas e
equipamentos. Aqueles que não produzem petróleo também gastam
quantias consideráveis na importação desse produto essencial.
O subdesenvolvimento
Subemprego ou desemprego disfarçado → O subemprego não
se verifica apenas na área zona rural, mas também na zona
urbana. Encontramos nas cidades um grande número de pessoas
que, não estando integradas em atividades realmente
produtivas, exercem expedientes vários para sobreviver:
jornaleiros, engraxates, camelôs, lavadores de carros etc. Essas
ocupações exigem apenas uma parcela mínima de sua
capacidade de trabalho. Tais pessoas apresentam um baixo nível
de renda e de consumo e vivem aglomeradas em favelas e
cortiços, constituindo a camada marginal do sistema econômico.
O subdesenvolvimento
Indicadores sociais e políticos
Indicador social: a tomada de consciência
Um fenômeno totalmente novo nos permite caracterizar os
países subdesenvolvidos e distingui-los dos países atrasados de
outrora: pela primeira vez na História as populações desses
países têm consciência de sua miséria ou pobreza, ou de seu
atraso em relação aos países industrializados. Essa consciência
coletiva deve-se ao progresso e à difusão dos órgãos de
comunicação de massa.
O subdesenvolvimento
Indicador político: projetos de desenvolvimento
É possível que toda comunidade estabeleça um consenso em
torno de um modo de eliminar o atraso e, portanto, formule um
projeto único de desenvolvimento; mas também é possível que
os diferentes grupos da população encarem de modo diverso tais
deficiências e defendam maneiras diferentes de removê-las, ou
seja, possuam projetos específicos de desenvolvimento.
Não é suficiente, porém, que existam projetos coletivos de
desenvolvimento: é necessário também que os grupos
formuladores de tais projetos induzam o Estado à realização de
seu programa ou procurem fazer-se representar diretamente no
Estado.
O subdesenvolvimento
Os indicadores não absolutos
Os indicadores vitais, econômicos, sociais e políticos de
subdesenvolvimento que vimos até agora são os traços mais
comumente encontrados nos países subdesenvolvidos. Mas nem
todos os países subdesenvolvidos apresentam a totalidade
desses traços. São considerados subdesenvolvidos os países que
apresentam, senão todas, pelo menos um número considerável
dessas características.
Por outro lado, é muito provável que certos países que, a
rigor, não podem ser considerados subdesenvolvidos
apresentem alguns desses sinais.
O subdesenvolvimento
A origem do subdesenvolvimento
• Países periféricos – aqueles que mantiveram ou mantêm uma relação de
dependência econômica e/ou política com países centrais;
• Países centrais – são os grandes centros industrializados (países da Europa
Ocidental, Estados Unidos, Japão).
De modo geral, as nações subdesenvolvidas foram colônias de
nações desenvolvidas (antigas metrópoles).
A origem do subdesenvolvimento dos países periféricos pode
ser localizada exatamente nas relações econômicas e políticas
desses países com as nações centrais ao longo da História.
Como desdobramento da Revolução Comercial por que passou o
Europa principalmente a partir do século XII, surgiu o movimento
de colonização de novas áreas do globo pelas potências europeias,
a partir do século XV.
O subdesenvolvimento
A colonização foi um processo de ocupação e exploração
econômica e política de novas áreas. O movimento colonizador que
se afirmou a partir do século XV assumiu o caráter de
“europeização do mundo”, pois representou a integração de novas
áreas à órbita econômica e política das nações europeias. Desse
movimento surgiram dois tipos de colônia: de povoamento e de
exploração.
As colônias de povoamento foram as áreas ocupadas por levas
de desempregados (sobretudo em razão das transformações
operadas na agricultura europeia) ou por grupos submetidos a
perseguições religiosas.
As colônias de exploração foram as áreas ocupadas pelas
nações europeias, com a finalidade de delas extrair seus bens
comercializáveis na Europa.
O subdesenvolvimento
Crescimento econômico e desenvolvimento
Alguns autores consideram o desenvolvimento como simples
sinônimo de crescimento econômico, ou seja, o aumento
substancial da produção de um país. Para eles, o
desenvolvimento é um processo de expansão quantitativa do
produto e da renda.
No entanto, entendendo o subdesenvolvimento como o
conjunto das características estudadas até agora, podemos
perceber que o desenvolvimento é um processo muito mais
amplo que o mero crescimento. O verdadeiro processo de
desenvolvimento consiste na transformação qualitativa da
sociedade , na mudança de suas características.
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