ESTUDO DE MIOSINA-V E CaMKII NO CÉREBRO DA ABELHA Apis mellifera: COMPARAÇÃO ENTRE ZANGÃO, RAINHA E OPERÁRIAS CLAUDIA TAVARES DOS SANTOS1, LUCIANA KAREN CALÁBRIA1, FOUED SALMEN ESPINDOLA1, MILTON VIEIRA COELHO 1 RESUMO As abelhas são himenópteros sociais e vivem em colônias permanentes com indivíduos divididos em três castas: rainha, zangão e operárias. A miosina-V é um motor molecular que realiza importantes processos celulares. A CaMKII é conhecida por ser central na coordenação e execução de transdução de sinal mediado por cálcio. O presente trabalho visou analisar a expressão de miosina-V e CaMKII no cérebro das abelhas rainha, zangão e operárias Apis mellifera, visando um estudo comparativo dos polipeptídios no cérebro desses indivíduos além de correlacionar esses dados com a morfologia e a localização de zinco. Ensaios bioquímicos foram realizados com homogeneizado dos cérebros das abelhas Apis mellifera por Western blot e eletroforese, e análises histológicas por H.E., impregnação metálica, Nissl e histoquímica. Os resultados mostram a diferença de expressão de miosina-V e CaMKII no cérebro das abelhas, sua localização coincidente com processos sinápticos e a relação entre determinados polipeptídios com as castas e comportamento. Nossos dados também mostram as diferenças morfológicas relacionadas à casta e comportamento e apontam a utilização de técnicas histológicas e histoquímica como importantes ferramentas em estudos comparativos. Palavras chave: cérebro, abelha, miosina-V, CaMKII. ABSTRACT STUDY OF MIOSIN-V AND CAMKII IN THE BRAIN OF HONEYBEE Apis mellifera : COMPARISON BETWEEN DRONE, QUEEN AND WORKERS Honeybees are social hymenoptera living in permanent colonies with individuals divided into three castes: queen, drone and workers. The myosin-V is a molecular motor that plays important cellular processes. The CaMKII is known to be central in the coordenation 1 Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Genética e Bioquímica, Av. Pará 1720, Bloco 2E, sala 39, Uberlândia, Minas Gerais, CEP 38405-925. [email protected] and execution of signal transduction. The present study aimed to analyze the expression of myosin-V and CaMKII in the honeybee brain of queen, drone and workers Apis mellifera, looking for a comparative study of the polypeptides in the brain correlating those data with the morphology and the location of zinc. Biochemical assays were performed with honeybee Apis mellifera homogenized brains by Western blot and electrophoresis, and the histological analyses by H.E., metallic impregnation, Nissl and histochemistry. The results shows the different patterns of expression of myosin-V and CaMKII in the honeybee brain, the correspondent localization with synaptic processes and the relation between some polypeptides with castes and behavior. Our data also shows the morphological differences related to caste and behavior and histological techniques and histochemistry like important tools in comparative studies. Key words: brain, honeybee, myosin-V, CaMKII As operárias podem ser divididas INTRODUÇÃO conforme a função exercida dentro da A abelha Apis mellifera é um inseto social e sua colônia é composta de uma rainha, zangões e operárias (Winston, 1979). Delas são extraídos o mel, a cera, a geléia real, a própolis e outros subprodutos (Camargo e Stort, 1973). Na colônia, a rainha tem a função de pôr ovos, através de um ferrão modificado em ovopositor e produzir uma substância que inibe a reprodução das operárias, o feromônio (Winston, 1987). Com relação ao zangão, sabe-se que possui a única função de fecundar a rainha. Para isso, exibe intensa adaptação comportamental e morfológica (Michener, 1944). Além disso, não participa da divisão de trabalho da colônia (Giray e Robinson, 1996). colônia. Nos primeiros dias de vida, só executam serviços de faxina e, quando as glândulas que produzem geléia real já estão desenvolvidas, nutrizes trabalham (operárias alimentando as como nutridoras), larvas. Quando desenvolvem as glândulas de veneno e do cheiro, as operárias exercem funções de guarda, sinalização e forrageamento (operárias campeiras) (Winston, 1987). Em paralelo com essa mudança de papel dependente da idade, mudanças fisiológicas ocorrem em certos órgãos das operárias (Winston, 1987). As abelhas garantiram seu sucesso adaptativo por possuírem um sistema sensorial eficiente, baseado em um sistema nervoso composto por cérebro e cordão nervoso ventral (Oleskevick e Clements, estrutura corresponde ao bulbo olfatório 1997). Seu cérebro é dividido em três em vertebrados (Lancet, 1986). regiões: protocérebro, deutocérebro e tritocérebro (Snodgrass, 1956). No protocérebro estruturas bilaterais e O método histoquímico para metais pesados, descrito inicialmente por Timm, localizam-se especializadas em 1958 (Danscher, 1984), tem sido extensivamente utilizado para a denominadas mushroom bodies, corpora visualização de metais de transição e pedunculata ou corpos de cogumelo. Elas metais do grupo IIb, em secções de tecido recebem informações de diferentes áreas (Danscher, et al., 1987; Santos, 1999). do cérebro, como do lobo antenal e do lobo O processo se baseia na óptico, e são estruturas essenciais para a transformação dos metais, presentes no associação e integração das informações tecido, em sulfetos de metais, utilizando-se recebidas. Os corpos de cogumelo são os uma solução de sulfeto de sódio. O sulfeto supostos sítios de armazenamento de reage com os metais presentes no tecido e memória nos cérebros de insetos (Hammer se depositam sob a forma de sulfetos de e Menzel 1995) sendo comparados ao metais nas regiões de origem (Zimmer, hipocampo de vertebrados (Oleskevich et 1974). Como a prata se deposita nos locais al, 1997). onde estão presentes os sulfetos, é muito O lobo óptico das abelhas é uma provável que a visualização da prata massa de fibras e células nervosas, corresponda aos locais do tecido onde os presentes em três gânglios sinápticos metais pesados podem ser encontrados internos: lâmina, medula e lóbula, nos (Danscher, 1981). quais existem receptores sinápticos O método Neo-Timm (Mello et específicos para as projeções de axônios al.,1993) é uma modificação do tradicional enviados de fotorreceptores da retina método de Timm (1958) a fim de aumentar (Nässel et al., 1986). a especificidade da marcação de zinco e No lobo antenal estão presentes 156 glomérulos, considerados regiões de sinapses (Nässel, 1986), envoltos por promover, desta forma, uma melhor visualização do sistema de fibras musgosas em vertebrados (Babb et al., 1991). corpos celulares que possuem projeções de As miosinas participam de vários axônios vindas da antena mecanossensorial eventos celulares, desde a contração e de dendritos vindos dos neurônios muscular; passando pelo transporte de motores vesículas, (Kloppenburg, 1995). Essa organelas e RNAm; até ancoragem e estabilização de esteriocílios, entre outros (Mermall et al., 1998). Miosinas da classe V são MATERIAL E MÉTODOS motores moleculares conservados evolutivamente, Coleta de material biológico sendo encontradas em plantas, leveduras, Neste trabalho, utilizamos abelhas nematóides e vertebrados, incluindo o ser zangão e rainha Apis mellifera que foram humano (Reck-Peterson et al., 2000). fornecidas pela Universidade Estadual A CaMKII é conhecida como uma Paulista (UNESP) de Rio Claro e rainhas, central de coordenação e execução de zangões e operárias nutridoras e campeiras transdução de sinais mediados por cálcio. A. mellifera, fornecidas pelo Apiário Os substratos fosforilados pela CaMKII Girassol Ltda, de Uberlândia-MG. estão implicados em importantes processos celulares e, principalmente, nas Dissecação modificações dependentes de sinapses das Inicialmente, as abelhas foram funções neuronais que estão por trás de anestesiadas em gelo e, a seguir, fixadas complexas em placa de Petri contendo parafina, com o respostas cognitivas e comportamentais, incluindo aprendizagem auxílio e memória. A CaMKII compreende uma Adicionou-se uma quantidade de tampão família de enzimas com 28 isoformas fosfato suficiente para cobrir o material, similares que são derivadas de quatro mantendo-o em condições fisiológicas e genes (α, β, γ e δ), as subunidades α e β facilitando o processo de remoção do são as formas predominantes em cérebro cérebro. de alfinetes entomológicos. A remoção foi feita com auxílio de (Lisman et al., 2002). Tendo em vista a importância da material adequado (pinças e tesoura abelha Apis mellifera, seu sistema nervoso, oftalmológica). Os cérebros das abelhas suas características sociais e a divisão de foram dissecados no plano sagital mediano trabalho, casta e sexo, neste trabalho nós e imediatamente após a dissecação, o buscamos caracterizar a presença de material foi imerso em nitrogênio líquido e miosina-V e CaMKII no cérebro das armazenado em microtubos no ultrafreezer abelhas à -80°C ou imersos em solução fixadora. rainha, zangão e operárias campeira e nutridora, correlacionando com a presença de zinco nos terminais sinápticos e com a morfologia diferenciada de regiões específicas do cérebro. Estudo morfológico Hematoxilina e Eosina (H.E.) e vezes por 30 segundos cada. P osteriormente, as lâminas foram montadas contagem de células A fixação dos tecidos foi feita com Entelan e lamínula. segundo Mc Lean e Nakane (1974). Os A contagem de células foi realizada cérebros foram mantidos em solução à partir da fotomicrografias do cérebro das fixadora periodato-lisina-paraformaldeído abelhas Apis mellifera corados com H.E. contendo paraformaldeído 4% por 1 hora e utilizando-se o programa HLImage. O teste 30 minutos. Posteriormente, os tecidos Kolmogorov-Smirnov foi aplicado para foram desidratados em álcool etílico verificar se a amostra possuía distribuição absoluto por 1 hora com três trocas a cada normal. Para as amostras que apresentaram 20 minutos e 1 hora no xilol com duas distribuição normal foi empregado o teste t trocas de 30 minutos. A seguir foram e para as amostras que apresentaram emblocados distribuição não-normal foi aplicado o em parafina líquida permanecendo em moldura até a secagem. teste Cortes de 8 µm foram montados em lâmina estatisticamente os resultados utilizando-se pré-tratada o programa S-plus. com gelatina 0.2% e, Wilcoxon para se comparar posteriormente, desparafinizados em 3 banhos de xilol, o primeiro de 10 minutos, Nissl (Klüver e Barrera, 1953) o segundo de 5 minutos e o terceiro de 30 Os tecidos foram fixados em segundos, e hidratados em concentrações solução de Carnoy (álcool etílico 60%, decrescentes de álcool etílico (3 banhos no clorofórmio 30%, ácido acético glacial álcool etílico absoluto, um banho no 95%, 10%) com sulfeto de sódio 1.2% por 1 um no 85% e um no 70%, 30 segundos hora e 30 minutos. Posteriormente, os cada), água corrente por 10 minutos e água tecidos foram desidratados em álcool destilada por 5 minutos. As secções foram etílico absoluto por 1 hora com três trocas imersas em Hematoxilina-Harris por 15 a cada 20 minutos e 1 hora no xilol com minutos e lavadas em água corrente por 10 duas trocas de 30 minutos. Os tecidos minutos e água destilada por 5 minuots. foram emblocados em parafina líquida Em seguida, os cortes foram imersos na para serem cortados em micrótomo. Cortes solução de Eosina por 12 segundos e de 8 µm foram montados em lâminas enxaguados rapidamente em água destilada previamente (aproximadamente 3 segundos). Os cortes contendo gelatina 0.5% e bicromato de passaram por uma bateria de álcool etílico potássio (70%, 85%, 95% e 3 vezes 100%) e xilol 3 incubadas em solução contendo violeta de tratadas 0.05%. As com secções solução foram cresila, pH 3.9, por 40 minutos. Os cortes dia. Seguiu-se a desidratação em álcool foram lavados em água destilada por 1 (50%, 70%, 100%) por 5 minutos cada, minuto e desidratados em álcool em clareamento em xilol (5 minutos) e concentrações montagem das lâminas com Entelan e crescentes (50%, 70%, 100%), finalizando com incubação em lamínula. xilol por 5 minutos cada. Em seguida, as lâminas foram montadas com Entelan e Estudo histoquímico lamínula. Método histoquímico Neo-Timm As lâminas foram previamente Impregnação metálica (Behmer tratadas com solução contendo 0,5% et al., 1986) Após a dissecação dos cérebros, gelatina e 0,05% bicromato de potássio. Os estes foram fixados em álcool absoluto tecidos foram fixados em solução Carnoy acrescido de amônia, mantendo-os em (60% álcool etílico, 30% clorofórmio, 10% imersão por 1 hora e 30 minutos. Em ácido acético glacial) com 1.2% sulfeto de seguida, os tecidos foram desidratados em sódio álcool etílico absoluto por 1 hora com três desidratados em álcool etílico 100% por 1 trocas a cada 20 minutos e 1 hora no xilol hora, imersos em xilol por 1 hora e com incluídos em parafina. duas trocas Posteriormente, os de 30 minutos. fragmentos por 1 hora e 30 minutos, foram Cortes de 8 µm foram incubados imersos em parafina líquida à 56 0C por 30 em solução de desenvolvimento físico minutos. A seguir foram colocados em contendo 60% goma arábica, 10% tampão formas plásticas contendo parafina líquida citrato, 30% hidroquinona e 0.5% nitrato onde permaneceram overnight. Secções de de prata à temperatura ambiente. O tempo 8 µm foram colocadas em lâminas de incubação foi de 2 horas. Em seguida, previamente tratadas com cola 0.5%. As os cortes foram lavados em água corrente lâminas foram tratadas em solução de por 10 minutos, desidratados em álcool nitrato de prata 1.5% a 37°C no escuro por etílico 50%, 70% e 100%, 5 minutos cada, 05 dias. Foram feitos controles negativos imersos em xilol por 5 minutos e as com a omissão do nitrato de prata. Em lâminas foram montadas com Entelan e seguida, as lâminas foram lavadas em água lamínula. corrente por duas horas. Os cortes foram tratados com solução contendo hidroquinona 2% em formalina 5% por 01 Estudo bioquímico Homogeneização do tecido regressão linear baseados nos valores Os microtubos contendo o cérebro obtidos a partir da curva-padrão, obtida do indivíduo foi retirado do ultrafreezer à - utilizando-se 80°C e, imediatamente, colocados em (Microsoft Office 97). o programa EXCEL nitrogênio líquido até o momento da homogeneização. Os cérebros das abelhas Eletroforese em gel de foram homogeneizados em gelo, em poliacrilamida na presença de SDS tampão de extração de miosina-V (Cheney (SDS-PAGE) et al., 1993) contendo 40 mM Hepes pH O sistema de tampão descontínuo 7.7, 10 mM EDTA, 2 mM EGTA, 5 mM descrito por Laemmili e Favre (1973) foi ATP, 2 mM DTT, 1 mM benzamidina, 0.1 utilizado, M aprotinina e 0.1 mM PMSF, utilizando- acrilamida de 5 a 22% e no empilhamento se um homogeneizador potter-Elvehjen. de 3%. Os géis de separação foram com. géis gradiente de Para as amostras utilizadas no perfil preparados com glicerol 0.7%, tampão de protéico acrescentou-se um volume de 500 separação 360 mM pH 6.8 (Tris-base µL de tampão de homogeneização em cada 45.38%, 6N HCl 10%), SDS 10%, microtubo e homogeneizou-se por dois acrilamida/bisacrilamida minutos, sendo duas séries de um minuto devidas concentrações, TEMED 0.003% e no gelo. PSA 0.0128%. O gel de empilhamento foi (30:0.8) nas preparado com tampão de empilhamento Dosagem de proteína 124 mM pH 6.8 (Tris-base 15.32% e HCl A concentração de proteína total de 12N 10%), SDS 0.12%, cada amostra foi determinada utilizando-se acrilamida/bisacrilamida (30:1.6) a 3%, como padrão a concentração protéica de TEMED 0.006% e PSA 0.150%. BSA (Bradford, 1976). As determinações A eletroforese foi realizada com foram feitas em duplicatas ou triplicatas e tampão eletrodo (100mM Tris, 7.8mM a EDTA, 770mM glicina, SDS 3% pH 8.3) e absorbância medida em espectrofotômetro a 595 nm. corrente constante de 45mA. Após a Fez-se uma curva padrão de BSA corrida, o gel foi corado em solução (0.1 mg/mL) em concentrações crescentes corante (Croomasie Brilhant Blue R variando de 2 a 20 µg, A concentração 0.125%, metanol 50% e ácido acético 9%) final de proteína total em µg/µL foi por 1 hora e descorado em solução determinada a partir de cálculos de descorante (metanol 5% e ácido acético 9%). Os géis foram armazenados em água quimioluminescência, destilada. protocolo ECL. seguindo o Western blot (Towbin et al., 1979) Imunohistoquímica As amostras separadas por SDS- Os cérebros das abelhas Apis PAGE foram transferidas para membrana mellifera de de nitrocelulose 0.45 µm em corrente fixadora periodato-lisina-paraformaldeído constante de 100 mA por 2 horas, contendo paraformaldeído 4% segundo o utilizando-se tampão eletroblot (25 mM protocolo de McLean e Nakane (1974) por Tris-HCl pH 8.3, 192 mM glicina e 1 hora e 30 minutos. Posteriormente, os metanol 40%). Após a transferência, as tecidos foram desidratados em álcool membranas de nitrocelulose foram coradas etílico absoluto por 1 hora com três trocas com Ponceau 0.5% (Ponceau 0.2% em a cada 20 minutos e 1 hora no xilol com ácido tricloroacético 3%) por quinze duas trocas de 30 minutos. A seguir, foram minutos e descoradas com água destilada. incubados em parafina líquida à 56°C na foram fixados em solução estufa por 30 minutos e incluídos em Imunodetecção formas plásticas permanecendo overnight As membranas de nitrocelulose para secar. foram bloqueadas com solução de bloqueio Cortes de 5 µm de espessura foram (leite desnatado 5% e PBS-T) por 4 horas à colocados em lâminas previamente tratadas temperatura ambiente. Em seguida, as com gelatina 0.2%. As lâminas foram membranas foram lavadas em PBS-T, 3 desparafinizadas e hidratadas com 1 banho vezes de 5 minutos e incubadas com o de xilol por 10 minutos e banhos em álcool anticorpo primário anti-miosina-Va (sonda etílico 100%, 70%, 50% por 5 minutos para o domínio cabeça) e anti-α-CaMKII, cada. Em seguida foram colocadas em diluído em PBS-T a 0.2 µg/µL. Essa água destilada por 5 minutos. incubação foi feita overnight à temperatura Após a hidratação, as secções ambiente e sob agitação. As membranas foram submetidas ao bloqueio com água foram lavadas em PBS-T, 3 vezes de 5 oxigenada 4,5% em solução de tampão minutos cada e incubadas com o anticorpo fosfato pH 7.4, por 15 minutos à secundário anti-coelho e anti-camundongo temperatura ambiente e, em seguida conjugado com peroxidase, diluído em lavadas com água destilada. As lâminas PBS-T por 4 horas. A reatividade dos foram incubadas em couplin plástico com anticorpos 10 mM tampão citrato pH 6.0 (10 mM foi detectada por ácido cítrico) e submetidos à recuperação posteriormente, antigênica de corrente por 10 minutos. As lâminas foram aquecimento numa panela à vapor por 15 desidratadas em álcool etílico 50%, 70% e minutos. 100% por 5 minutos cada e em xilol, através do método lavando-se em água As secções foram incubadas com também 5 minutos. As lâminas foram tampão Tris-glicina por 30 minutos em montadas com Entelan (Merck) e lamínula. câmara úmida e à temperatura ambiente. Em seguida, foram bloqueadas com RESULTADOS tampão B (20 mM fosfato de sódio, pH 7.4 contendo 0.4 M NaCl e Triton X-100 0.3%) acrescido de leite desnatado 5% por Estudo morfológico do cérebro das abelhas Apis mellifera por H.E. 4 horas. Após o bloqueio, as secções foram A análise morfológica revelou o incubadas com o anticorpo primário anti- mesmo padrão de distribuição das regiões miosina-Va (sonda para o domínio cabeça) constituintes nos lobos ópticos, antenais e e anti-α-CaMKII overnight, à temperatura corpos de cogumelo no cérebro das abelhas ambiente. Foram feitos controles negativos rainha, zangão e operárias campeira e com a omissão dos anticorpos primários, nutridora (fig. 01). permanecendo a solução bloqueio nos corte. As regiões constituintes do lobo óptico foram mostradas em corte As secções foram lavadas com histológico (fig. 01 A, D, G, I). Os corpos tampão B por 1 hora e, posteriormente, as de neurônios monopolares, se localizaram lâminas foram incubadas com anticorpo na secundário anti-coelho e anti-camundongo compactada. Na medula e na lóbula, a conjugados distribuição dos neurônios, assim como na com peroxidase por 45 lâmina de forma lâmina, câmara úmida. Após a incubação, as ordenada. No zangão e rainha, nota-se secções foram lavadas com tampão B por 1 maior número de omatídeos na retina, em hora. comparação com as operárias. utilizando-se o Kit DAB (Sigma homogênea e minutos à temperatura ambiente e em A revelação da peroxidase foi feita encontrou-se ordenada e Nos corpos de cogumelo (fig. 01 B, E, H, K) foi possível distinguir as células Chemical). A reação foi interrompida com Kenyon compactadas água após 12 minutos. Os cortes foram compactadas contra-corados com Hematoxilina Harris Além dessas, as regiões do cálice (lábio, por, aproximadamente, 3 segundos e, colar e basal) e o pedúnculo também foram e internas, compactadas não externas. identificados. Nos lobos antenais (fig. 01 internas C, F, I, L), foi possível distinguir os bem mais numerosas na rainha (Fig. 02 B) interneurônios e nutridora (fig. 02 H) do que nas operárias glomerulares e os glomérulos. apresentaram-se, visualmente, (fig. 02 E), além das células Kenyon não A contagem de células foi analisada pelo programa S-plus empregando-se os compactadas que se mostraram maiores e mais arredondadas. testes t e Wilcoxon. Foram analisadas a Os interneurônios glomerulares área, o perímetro e o número de células foram observados no lobo antenal (fig. 02 dos lobos ópticos, antenais e corpos de C, F, I)), envolvendo os glomérulos não cogumelo. Devido ao pequeno número de corados. Em operária campeira (fig. 02 F), amostras não foi possível obter resultados os interneurônios estavam mais dispersos e significantes (p<0.05), somente a área do degradados, comparado com nutridora (fig. lobo óptico apresentou distribuição normal 02 (tabela 01). interneurônios I). Na rainha (fig. 02 C) os apresentaram-se, visualmente, mais abundantes, maiores e Estudo morfológico do cérebro mais globulares. da abelha Apis mellifera por coloração de Nissl Estudo morfológico do cérebro A análise por coloração de Nissl mostrou o mesmo padrão de localização das abelhas Apis mellifera por coloração pela prata dos corpos neuronais (corados em azul), A análise histológica da secção porém revelou diferenças no tamanho, horizontal do cérebro de rainha, zangão e quantidade e arranjo dos corpos de operárias neurônios nas abelhas rainha, zangão e impregnados com prata (fig. 03), revelou operárias campeira e nutridora (fig. 02). componentes do tecido como os corpos de Nos lobos ópticos (fig. 02 A, D, G) campeira evidenciando lâmina, quiasma externo, medula, quiasma neurofibrilas. interno e lóbula, exceto em rainha, pois os estavam lesionados. nutridora, cogumelo, lobo óptico e lobo antenal, observou-se a retina, camada fenestrada, cortes e nas neurópilas as Com essa metodologia foi possível Pôde-se visualizar as regiões do lobo óptico bem observar que a retina da rainha apresentou- definidas, como a retina, a lâmina, o se mais espessa (fig. 02 A). quiasma externo, a medula, o quiasma Nos corpos de cogumelo (fig. 02 B, E, H), as células Kenyon compactadas interno e a lóbula, que também impregnaram-se diferencialmente (fig. 03 A, D, G). Na lâmina observaram-se os A marcação pela técnica de Neo- corpos neuronais monopolares localizados Timm é mais forte nas regiões que na camada fenestrada e outros corpos de coincidem com as fibras dos neurônios, neurônios em negro. A região do quiasma podendo externo revelou as neurofibrilas evidentes comparado com as fotromicrografias de que se condensam na medula e lóbula. Nissl, onde há apenas a marcação dos Apesar das estruturas analisadas comparativamente quando corpos neuronais (fig. 05 A e B). Nas regiões constituintes do lobo diferença óptico nota-se a localização do zinco nas morfológica entre elas, em zangão (fig. fibras longas das células da camada 03A) nota-se uma retina maior no lobo fenestrada e a ausência de coloração dos óptico, comparado com as operárias. corpos celulares no quiasma externo no que não as evidenciado castas mostrarem entre ser há No corpo de cogumelo foi possível lobo óptico em todas as abelhas. É possível identificar as regiões do cálice (fig. 03 B, visualizar E, H). Na operária campeira (fig. 03E) centrifugais presentes na medula. a impregnação nas fibras observou-se a presença das células Kenyon Os corpos de cogumelo mostraram e fibras do cálice espaçadas comparando- o mesmo padrão de distribuição de zinco se com a mesma região na operária no cálice (lábio, colar e basal) e no nutridora (fig. 03 H) e zangão (fig. 03 B). pedúnculo, e a sua ausência nas células Nos lobos antenais foi possível visualizar Kenyon (fig. 05 C). No lobo antenal, nota- os glomérulos e nervo antenal nas abelhas se a localização de zinco nos campos rainha, campeira e nutridora (fig. 03 C, F, terminais das fibras nos glomérulos (fig. I). 05 D). Não se obteve lâminas que Estudo morfológico-funcional do contivessem marcação nos lobos antenais e cérebro das abelhas Apis mellifera por corpos de cogumelo das abelhas rainha e método histoquímico Neo-Timm operárias campeira e nutridora. Os dados histoquímicos mostraram que o zinco está localizado nas fibras dos lobos ópticos das abelhas rainha e operárias campeira e nutridora (fig. 04), e Diferenças no perfil de proteínas no cérebro das abelhas Apis mellifera Através da análise do perfil nos lobos óptico, antenais e corpos de eletroforético cogumelo do cérebro dos zangões (fig. 05) cérebro Apis mellifera e não nos corpos neuronais. polipeptídios que migraram na mesma do homogeneizado observou-se a presença de de posição e outros que se expressaram miosina-V nas amostras de cérebro das diferencialmente quanto ao sexo (zangão e abelhas operária campeira, tanto para o rainha), desenvolvimento (pupa) e sobrenadante com 30 cérebros, quanto para campeira e os homogeneizados de um cérebro de nutridora) de A. mellifera, com a massa campeira, rainha e zangão, em que a molecular relativa (Mr) variando de 190 a miosina-V está diferencialmente expressa. 14 kDa, aproximadamente. Porém, para o homogeneizado de um comportamento (operárias Na figura 06 A observa-se que os polipeptídios de Mr 73, 45, 36, 28, 27, 18, cérebro de operária nutridora a miosina-V foi fracamente detectada. 17, 15 e 14 kDa estão presentes nas duas castas. Algumas bandas se destacaram por apresentarem grande concentração, com as Mrs aproximando 36 a 30 kDa, estando Detecção de CaMKII no cérebro das abelhas Apis mellifera Na análise de CaMKII (fig. 06 C) mais evidente em zangão e nutridora, e a observou-se de 29 kDa mais expressa em zangão. polipeptídio que migra com Mr de 60 kDa, Os polipeptídios de Mr aproximada 73, 46, e 38 kDa estão expressos somente em pupa, rainha e zangão, a marcação de um aproximadamente, correspondente à sua subunidade alfa. Os polipeptídios de, respectivamente. Já os polipeptídios de 28 aproximadamente, 49, 42.7, 25.5 e 23 kDa e 18 kDa não foram detectados em pupa. também foram detectados com o anticorpo anti-α-CaMKII. Detecção de miosina-V no Na amostra de homogeneizado de 30 cérebros de abelha operária campeira foram marcadas bandas cérebro das abelhas Apis mellifera A fim de determinar a presença de de 60, 49, 25.5 e 23 kDa. miosina-V no cérebro de abelhas rainha, Indivíduos de operária campeira e zangão e operárias campeira e nutridora nutridora tiveram o mesmo padrão de de imunomarcação nos polipeptídios de 60, homogeneizado do cérebro das castas e 49, 42.7, 25.5 e 23 kDa, porém, em comportamento foram aplicadas em SDS- campeira a marcação foi mais intensa; em PAGE (fig. 06 A) e as amostras analisadas indivíduos de rainha e zangão 49, 42.7, em Western blot (fig. 06 B). 25.5 e 23 kDa; e em pupa, 25.5 e 23 kDa, Apis as mellifera, amostras Por Western blot imunodetectou-se um polipeptídio correspondente de a Mr cadeia 190 pesada kDa, da podendo representar uma degradação da subunidade de 60 kDa. Imunolocalização de miosina-V no cérebro das abelhas Apis mellifera A análise anticorpo não se detectou nenhum tipo de marcação. imunohistoquímica revelou a presença da miosina-V no cérebro das abelhas A. mellifera rainha, zangão, campeira e nutridora nos lobos óptico, antenal e corpos de cogumelo. Houve marcação em todas as Imunolocalização de CaMKII no cérebro das abelhas Apis mellifera Na análise imunohistoquímica do cérebro das abelhas utilizando-se anticorpo anti-CaMKII observou-se a regiões do lobo óptico como a retina, a imunomarcação dos lobos ópticos, antenais camada fenestrada, a lâmina, o quiasma e corpos de cogumelo, para rainha, zangão externo, a medula, o quiasma interno e a e operárias. lóbula (fig. 07). A camada fenestrada foi o Os lobos ópticos (fig. 10) foram local onde a marcação foi mais intensa em marcados em todas as regiões, porém a todos os indivíduos. reatividade foi maior na camada Os corpos de cogumelo (fig. 08) fenestrada. Nos corpos de cogumelo (fig. apresentaram a marcação da miosina-V 11) a reatividade foi mais intensa no cálice mais fortemente na região do cálice e nas e nas células Kenyon. Já nos lobos antenais células Kenyon, já nos lobos antenais (fig. (fig. 12) a marcação foi predominante nos 09) observou-se a reatividade de miosina- glomérulos. V nos glomérulos. Os corpos de cogumelo de zangão e lobos antenais de nutridora e zangão não foram fotografados, pois não houve marcação. No controle com a omissão do FIGURAS Figura 01: Fotomicrografias dos lobos ópticos, corpos de cogumelo e lobos antenais das abelhas rainha, zangão e operárias campeira e nutridora Apis mellifera corados com H.E. A-C: rainha; D-F: zangão; G-I: campeira; J-L: nutridora A, D, G, J: lobos ópticos; B, E, H, K: corpos de cogumelo; C, F, I, L: lobos antenais (lm) lâmina; (me) medula; (ck) células Kenyon; (cki) células Kenyon compactadas internas; (ckn) células Kenyon não compactadas; (cke) células Kenyon compactadas externas; cx (cálice); (pe) pedúnculo; (in) interneurônios; (gl) glomérulos. (Bar=100µm) Figura 02: Fotomicrografias dos lobos ópticos, corpos de cogumelo e lobos antenais das abelhas rainha, campeira e nutridora Apis mellifera corados com Nissl. A-C: rainha; D-F:campeira; G-I: nutridora A, D, G: lobos ópticos; B, E, H: corpos de cogumelo; C, F, I: lobos antenais (lm) lâmina; (me) medula; (qe) quiasma externo; (qi) quiasma interno (cki) células Kenyon compactadas internas; (ckn) células Kenyon não compactadas; (pe) pedúnculo; (la) lábio; (co) colar; (ba) basal; (in) interneurônios; (gl) glomérulos. (Bar=100µm) Figura 03: Fotomicrografias dos lobos ópticos, corpos de cogumelo e lobos antenais das abelhas Apis mellifera corados com impregnação metálica. A-C: zangão; D-F:campeira; G-H: nutridora; I: rainha A, D, G: lobos ópticos; B, E, H: corpos de cogumelo; C, F, I: lobos antenais (lm) lâmina; (me) medula; (qe) quiasma externo; (lo) lóbula; (ck) células Kenyon; (la) lábio; (co) colar; (ba) basal; (in) interneurônios; (gl) glomérulos. (Bar=100µm) Figura 04: Fotomicrografias dos lobos ópticos das abelhas rainha, campeira e nutridora Apis mellifera mostrando o mesmo padrão de marcação de zinco nas neurofibrilas. (A,B) rainha; (C,D) campeira; (E,F) nutridora (lm) lâmina; (cf) camada fenestrada; (qe) quiasma externo; (me) medula; (qi) quiasma interno, (lo) lóbula (Bar= 100µm) A, B, C, E; (Bar=10 µm) D, F; (*) fibras Figura 05: Fotomicrografias do lobo óptico, corpo de cogumelo e lobo antenal de zangão Apis mellifera (A) lobo óptico mostrando a marcação de zinco nas neurofibrilas e, (B) coloração de Nissl mostrando os corpos neuronais. (C) corpo de cogumelo com marcação de zinco no cálice e (D) lobo antenal evidenciando a marcação de zinco nas neurofibrilas dos glomérulos. (re) retina; (cf) camada fenestrada; (lm) lâmina; (qe) quiasma externo; (me) medula; (la) lábio; (co) colar; (ba) basal; (gl) glomérulos (Bar= 100µm) Figura 06: Comparação do perfil eletroforético do cérebro das abelhas Apis mellifera e imunodetecção de miosina-V e CaMKII A: Perfil eletroforético (SDS-PAGE 5-16%) das amostras de homogeneizado de 30 cérebros (S1) de operária campeira, um (C) indivíduo de operária campeira, operária nutridora (N), rainha (R), zangão (Z) e pupa (P) com 20µg por poço mostrando as bandas diferenciais e coincidentes. B: Identificação de miosina-V em imunoblot de amostra de homogeneizado de cérebro da abelha Apis mellifera. C: Western blot com imunodetecção de CaMKII de amostras de homogeneizado de cérebro. Figura 07: Imunohistoquímica dos lobos ópticos do cérebro das abelhas Apis mellifera rainha(A), zangão (B), campeira (C) e nutridora (D) mostrando a localização da miosina-V. (re) retina; (cf) camada fenestrada; (qe) quiasma externo; (lm) lâmina; (me) medula; (qi) quiasma interno; (lo) lóbula. (Bar=100 µm) Figura 08: Imunohistoquímica dos corpos de cogumelo do cérebro das abelhas Apis mellifera rainha (A), campeira (C) e nutridora (D) mostrando a localização da miosina-V e controle (B) com a omissão de anticorpo. (ck) células Kenyon; (cx) cálice; (la) lábio; (co) colar; (ba) basal; (pe) pedúnculo (Bar=100 µm) Figura 09: Imunohistoquímica dos lobos antenais do cérebro das abelhas Apis mellifera rainha(A) e campeira (B) mostrando a localização da miosina-V. (Bar=100 µm) Figura 10: Imunohistoquímica dos lobos ópticos do cérebro das abelhas Apis mellifera rainha(A), zangão (C), campeira (E) e nutridora (G) mostrando a localização da CaMKII e os controles com a omissão do anticorpo de rainha (B), zangão (D), campeira (F) e nutridora (H) (Bar=100 µm) Figura 11: Imunohistoquímica dos corpos de cogumelo do cérebro das abelhas Apis mellifera rainha(A), zangão (C), campeira (E) e nutridora (G) mostrando a localização da CaMKII e os controles com a omissão do anticorpo de rainha (B), zangão (D), campeira (F) e nutridora (H) (Bar=100 µm) A, B, E,G, H; (Bar=30 µm) C, D, F. Figura 12: Imunohistoquímica dos lobos antenais do cérebro das abelhas Apis mellifera rainha (A), zangão (C) e campeira (E) mostrando a localização da CaMKII e os controles com a omissão do anticorpo de rainha (B), zangão (D), campeira (F). (Bar=100 µm) Tabela 01:Média das áreas em µm dos lobo ópticos das abelhas Apis mellifera Rainha LO Zangão Campeira Nutridora 15175.19a 10575.53b 14107.33a,b 13782.81a,b variedade DISCUSSÃO de tipos de neurônios, a coloração não possibilitou essa distinção. Nos Estudo morfológico das regiões corpos de cogumelo foi do cérebro da abelha Apis mellifera por possível distinguir as células Kenyon H.E. compactadas e não compactadas, além das A análise morfológica das imagens regiões do cálice (lábio, colar e basal) e o revelou o mesmo padrão de localização pedúnculo. As células Kenyon aparecem dos corpos neuronais nos lobos ópticos, preenchendo o corpo de cogumelo das corpos de cogumelo e lobos antenais das operárias campeira e nutridora num mesmo abelhas rainha, zangão, operárias campeira padrão. Porém, analisando a morfologia e e nutridora. As regiões constituintes do aspecto lobo óptico no cérebro, para as abelhas alterações podendo estar relacionadas com rainha, zangão e operárias, revelaram os o corpos de neurônio monopolares, que se mostrado por Cruz-Landim e Mello (1981) localizam na lâmina de forma ordenada e para a abelha Scaptotrigona postica, em no quiasma externo, onde se observa um que abelhas nutridoras apresentam células aglomerado de células neuronais. Nässel e maiores, e em abelhas campeiras o colaboradores tamanho das células diminui e passam a (1986) estudaram a organização dos neurônios laminares e das estágio células, e observaram-se envelhecimento, como apresentar sinais de degradação. observaram que existem 10 tipos de As diferenças entre os corpos de neurônios que conectam a lâmina à cogumelo entre rainha, zangão e operárias medula, e apenas um tipo conecta aquela devem estar relacionadas aos diferentes região à lóbula. A medula é formada por comportamentos e estímulos. Dados de aproximadamente 60 tipos de neurônios, Farris e colaboradores (2001) confirmam em que neurônios colunares conectam a que o aumento no volume das neurópilas medula à lóbula e neurônios tangenciais dos corpos de cogumelo têm determinantes projetam-se para focos do lóbo óptico. relacionados tanto com a idade quanto com Apesar de ser constatado que existe uma a experiência e comportamento. Os lobos antenais apresentaram-se A impregnação metálica organizados em glomérulos circundados diferenciada nos lobos ópticos evidenciou por interneurônios e o nervo óptico. Esses a composição das neurópilas: lâmina, dados confirmam dados de microscopia quiasma externo, medula, quiasma interno realizados por Brandt e colaboradores e lóbula no cérebro das abelhas. Esses (2005). dados coincidem com os já descritos por A análise da área, do perímetro e do Strausfeld e Nässel (1980) no cérebro de número de células nos lobos ópticos, Calliphora antenais e corpos de cogumelo das abelhas domestica utilizando impregnação com Apis mellifera rainha, zangão e operárias prata. erythrocephala e Musca campeira e nutridora não apresentou Os prolongamentos de neurônios diferenças estatísticas. Os resultados não foram observados na região do cálice dos apresentaram diferenças estatísticas, pois corpos de cogumelo conforme a diferença apresentaram p>0.05 devido ao número de de coloração, comparada com a marcação amostras ter sido insuficiente para que dos corpos de neurônio, além de distinguir pudéssemos aplicar o teste t, portanto, as diferentes regiões do cálice. Utilizando novas contagens deverão ser feitas para impregnação metálica, outros estudiosos que se possa avaliar com mais certeza a mostraram a morfologia do cérebro da relação entre área, perímetro e número de abelha, células nas regiões do cérebro das abelhas exemplo, Coss e colaboradores (1980) fazendo realizando uma coloração rápida de Golgi uma comparação entre as diferentes castas e comportamento. em diferentes âmbitos. Por quantificaram a morfologia das espículas dendríticas no cálice dos corpos de Estudo morfológico no cérebro cogumelo no cérebro de A. mellifera. Para das abelhas Apis mellifera por coloração o estudo do desenvolvimento dos dendritos pela prata das células Kenyon na região do colar dos As características gerais observadas no cérebro da abelha corpos de cogumelo, Farris e mellifera colaboradores (2001) também utilizaram o utilizando a impregnação metálica, no que protocolo de coloração de Golgi, com se refere à constituição anatômica e modificações. Isso morfológica, impregnação metálica concordam A. com as indica que utilizada a neste observações descritas para A. mellifera por trabalho é eficiente no estudo morfológico Snodgrass (1956). do cérebro da abelha com relação à distribuição de fibras e corpos de neurônio. Portanto, usando a técnica de impregnação metálica, proposta em 1903 somente foi possível a visualização dos lobos ópticos. por Cajal para estudos de degenaração e regeneração do sistema nervoso A análise morfológica dos cortes de histológicos de cérebro de zangões Apis vertebrado, sendo adaptada para o cérebro mellifera revelou um mesmo padrão de de inseto, foi possível visualizar os corpos distribuição do zinco nos corpos de neuronais e identificar as regiões onde se cogumelo localizam as neurofibrilas no cérebro da observados para abelhas operárias por abelha A. mellifera, sendo o primeiro relato Calábria (2004). e nos lobos ópticos já usando essa técnica em abelhas zangão e Os dados histoquímicos obtidos operária nutridora, sendo que Calábria e mostraram que não houve marcação nos colaboradores corpos neuronais. Esse resultado confirma (2005) utilizaram-a em operária campeira. Além técnicas disso, a validade do método no sistema nervoso a histológicas utilização de abelha, pois em vertebrados a H.E. e histoquímica Neo-Timm promove uma possibilitou a melhor visualização de fibras musgosas confirmação das diferenças morfológicas (Babb et al., 1991), identificando a relacionadas à casta e ao comportamento e presença de traços metálicos em axônios sugere a utilização dessa metodologia glutamatérgicos, mas não em corpos como importante ferramenta em estudos celulares (Frederickson et al., 2000). impregnação básicas das metálica comparativos. A localização do zinco nas fibras longas da camada fenestrada no lobo Distribuição dos corpos de neurônios e zinco óptico possibilitou a visualização das fibras centrifugais na medula, sugerindo A análise morfológica dos cérebros que essa neurópila esteja relacionada com revelou o mesmo padrão de localização processos pré-sinapticos. Nässel et al. dos corpos neuronais e de distribuição do (1986) e Meyer et al. (1986) mostraram a zinco nos lobos ópticos das abelhas rainha, imunorreatividade dos neurônios da lâmina zangão, operária campeira e operária à serotonina, ao GABA e à catecolamina. nutridora. Nos corpos de cogumelo observou- A coloração por Nissl foi útil na se marcação de zinco no cálice e no visualização da morfologia dos lobos pedúnculo, mas não nos corpos das células ópticos, antenais e corpos de cogumelo de Kenyon. Isso é justificado pela transição rainha, campeira e nutridora. Já em zangão de impulsos que os cálices recebem vindos do lobo antenal (olfatório) através do trato É a primeira vez que a técnica Neo- anteno-glomerular, e vindos da lóbula e da timm é utilizada no cérebro de zangões medula (visual) via o trato óptico (Moobs, Apis mellifera. Esse estudo mostrou que 1982). Estudos mostram evidências de que essa técnica é válida para a investigação da os corpos de cogumelo equivalem ao distribuição de zinco, que se sabe está hipocampo dos vertebrados em relação à envolvido em muitos processos catalíticos, aprendizagem estruturais e regulatórios, bem como no espacial (Capaldi et al.,1999), onde o zinco é especialmente papel da neurotransmissão sináptica. abundante (Zimmer, 1973). As diferenças de marcação entre as castas e comportamentos da abelha Apis que no cérebro das abelhas Apis mellifera diferentes A análise do perfil protéico do graus de marcação desde uma coloração cérebro da abelha permitiu a identificação muito de polipeptídios casta-, desenvolvimento- e mellifera, ocasionaram Diferenças no perfil de proteínas enegrecida, passando para tonalidades de marrom, amarelo e até a comportamento- falta de marcação em um mesmo tempo, abelhas rainha, zangão, pupa e operárias pode ter sido um artefato ou conseqüência campeira e nutridora, A. mellifera. Alguns das diferentes concentrações de zinco em polipeptídios diferentes regiões do cérebro e também coincidentes, pelas apresentaram-se diferenças fisiológicas comportamentais apresentaram enquanto que as Mr outros diferencialmente expressos. A comparativo da distribuição de zinco no diferentes castas cérebro de ratos neonatais (5 dias), jovem diferença no perfil dos polipeptídios (5 (48-73) podem indicar que eles sejam sexo- semanas mostra que o zinco está mais específicos. Vários genes já identificados expresso no cérebro do rato neonatal em (Sawashita et al., 1997). Para o estágio diferenciação na expressão gênica, sendo neonatal, o zinco está mais presente no que sete locus caracterizando a evolução e cerebelo, enquanto para o estágio adulto, a função do grupo (Evans e Wheeler, no telencéfalo, especialmente no sistema 1998). e cérebros. para Estudo semanas) desses e específicos envelhecido abelhas heterogeneidade são e a ocorrência responsáveis nas de pela límbico. Altas concentrações no sistema Evans e Wheeler (2000) mostraram límbico estão associadas com a função a expressão diferencial de alguns genes (emoção, memória e aprendizagem) (Scott como, citocromo oxidase I (60 kDa), et al.,1997). dineína (12 kDa), hexamerina II (70 e 90 kDa) e ATP sintase (270 kDa), entre as manutenção do organismo e dos estágios castas. como tal. Kamikouchi identificaram et al. dois (2004) candidatos Oliveira-Junior (1999) analisando a proteínas/genes envolvidos em casta e/ou expressão gênica na divisão de trabalho em sexo A. específicos olfatório de do detectou mellifera fragmentos diferencialmente diferenciados de acordo com a idade e a expressos em operária, rainha e zangão. atividade da abelha na colônia, e outras Com a conclusão do genoma observou-se que se expressão independente da idade e que da experiência do indivíduo. vários abelhas, processamento genes são expressos diferentemente entre as castas. A recente conclusão do genoma da abelha mostrou que, por exemplo, rainhas e campeira apresentam diferentes padrões Detecção de miosina-V no cérebro das abelhas Apis mellifera de Para investigar a expressão de expressão do gene para oxidorredutases miosina-V (mais expressos em larvas de rainhas) e policlonal gerado contra a cadeia pesada de hidrolases (mais expressos em larvas de miosina-V que reconhece um polipeptídio operárias) Genome de 190 kDa (Espreáfico et al., 1992). Este Sequencing Consortium, 2006). Takeuchi e anticorpo foi produzido a partir de colaboradores a proteínas recombinantes de um biblioteca diferença na expressão de genes entre de cDNA de cérebro de galinha que castas e sexos. Nossos resultados também contêm domínios específicos da miosina- sugerem que existe essa diferença para V. Estudos utilizando este anticorpo polipeptídios. mostram a expressão de miosina-V no (The Honeybee (2003) mostraram utilizou-se um anticorpo Em pupa, uma banda expressa de cérebro de galinha (Espíndola et al., 2000); Mr entre 53 e 45 kDa está bem expressa, no gânglio da raiz dorsal de embrião de indicando um espectro de polipeptídios. galinha (Suter et al., 2000) e nas células Setti e Boneti (2001) identificaram em neuronais e gliais de cérebro de rato Melipona scutelaris, nas fases de pupa de (Espreáfico et al., 1992). rainha e de operária, proteínas de Mr 10.1 e 67 kDa grande anticorpo citado foi útil na identificação da concentração em todos os estágios do miosina-V no homogeneizado de cérebro desenvolvimento de pupa, caracterizando- de operárias campeira e nutridora, como as também de rainha e zangão, sugerindo que como presentes proteínas em Neste trabalho, verificamos que o necessárias à os epítopos reconhecidos por este anticorpo para miosina-V de vertebrado associadas. Peixoto (2002) e Silva (2003) estão conservados em himenópteros. Os mostraram dados apresentados concordam com os bioquímicas, como solubilidade em ATP, resultados de Coletto (1999) e de Passos- co-sedimentação Lima (2001) que identificaram no cérebro imunopreciptação com NaCl e associação de abelha Mellipona scutellaris e Apis com mellifera a miosina-V utilizando o mesmo miosina-V de cérebro de galinha foram anticorpo. Além disso, Colleto (1999) também conservadas na abelha operária mostrou que o anticorpo reconhece a campeira A. mellifera. que as propriedades com membranas e actina, sinaptossoma, da miosina-V em homogeneizado do sistema nervoso de M. scutellaris e Calábria (2004) revelou a distribuição desta proteína em cortes de cérebro de operária campeira A. Detecção de CaMKII no cérebro das abelhas Apis mellifera Para o estudo da expressão da proteína quinase II dependente de cálcio e mellifera. O resultado diferencial de miosina- calmodulina (CaMKII) foi utilizado um V no cérebro das abelhas indica que anticorpo monoclonal gerado contra a provavelmente este motor molecular se subunidade α da CaMKII, que reconhece expressa comportamento um polipeptídio de 60 kDa. Por sua desempenhado na colônia, apesar de que, participação em mecanismos básicos de não foi investigado se a miosina-V seria memória em vários organismos como alvo também na sua ação na fosforilação da de conforme o regulação diferencial nessas condições. No entanto, Calábria (2004) miosina-V, revelou a expressão não diferencial dessa presença da CaMKII em frações de cérebro proteína de abelha A. mellifera. entre operárias campeira e nutridora; e Passos-Lima (2001) mostrou buscou-se identificar a Em tecido nervoso de abelha, padrão diferencial de expressão entre Hartfelder operária campeira e rainha. identificaram e colaboradores duas (1991) subunidades da É a primeira vez que a miosina-V é CaMKII de 52 e 60 kDa. Apesar desses mostrada expressa no cérebro de zangão. dados o anticorpo dirigido contra a Nesse trabalho, a identificação comparada subunidade α da CaMKII reconheceu entre as diferentes castas complementa cinco polipeptídios diferentes em cérebro estudos anteriores, e abre perspectivas para de abelha. Esses dados podem indicar uma estudos futuros de regulação utilizando degradação da proteína ou de reação este motor molecular e suas proteínas cruzada com polipeptídios inespecíficos. coincidam devido à sua relação de Imunolocalização de miosina-V e fosforilação e ativação. A CaMKII no cérebro das abelhas Apis relação localizações mellifera A análise imunohistoquímica de existente entre miosina-V, as CaMKII, neurofibrila e zinco pode estar relacionada mostrou a localização da miosina-V nos aos lobos ópticos, antenais e corpos de envolvendo neurotransmissores como o cogumelo, evidenciando, assim, sua ampla glutamato, distribuição no cérebro da abelha Apis vertebrados. sítios de assim conexões como sinápticas ocorre em mellifera. No lobo óptico houve intensa CONCLUSÕES marcação de miosina-V na retina e nas neurópilas, regiões onde se evidenciou impregnação de prata, devido à presença de células nervosas fotossensíveis, e localização de zinco nas fibras longas das células da retínula e nas fibras centrifugais da medula, sugerindo que essa neurópila esteja relacionada com processos mostraram-se importantes ferramentas para a análise morfológica do cérebro, servindo como base para o estudo dos resultados de imunohistoquímica e histoquímica; A coloração de Nissl possibilitou a discriminação dos corpos neuronais e da observação da sua morfologia, podendo ser sinápticos. A localização da CaMKII no cérebro da abelha Apis mellifera também foi ampla em todas as neurópilas. Assim como na miosina-V, a CaMKII foi imunodetectada A coloração H.E. e a impregnação metálica preferencialmente nas regiões de conexão sináptica. Dados de Karcher e colaboradores (2001) mostraram que a CaMKII regula a atividade da miosina-V através de sua fosforilação no seu domínio C-terminal, uma parte do motor que está envolvida com o transporte de vesículas em Xenopus. Acreditamos que a localização de miosina-V e CaMKII utilizada em associação com outros tipos de colorações sob forma de contracoloração ou em estudos morfológicos isolados, servindo como base para o estudo dos resultados de histoquímica; O perfil eletroforético das proteínas do cérebro das abelhas rainha, zangão, pupa e operárias mellifera campeira e mostrou nutridora Apis polipeptídios diferencialmente expressos dependendo da casta e do comportamento da abelha; A imunomarcação de miosina-V e CaMKII por Western blot revelou que ambas proteínas estão expressas no cérebro das abelhas rainha, zangão e operárias microgram quantities of protein utilizing campeira e nutridora; the principle of protein-dye binding. Anal. A análise imunohistoquímica revelou que a Biochem., v. 72, p. 248-254, 1976. miosina-V e a CaMKII estão presentes no cérebro das abelhas Apis mellifera nos Brandt, R.; Rohlfing, T.; Rybak, J.; Krofczik, S.; Maye, A.; Westerhoff, M.; lobos ópticos, antenais e corpos de Hege, cogumelo apresentando uma localização dimensional average-shape atlas of the coincidente honeybee brain and its applications. J. com zinco e processos sinápticos; H. C.; Menzel, R. Three- Comp. Neurol., v, 492, p. 1-19, 2005. Foi a primeira vez que foi realizada a imunohistoquímica utilizando-se Cajal, S. R. Sobre un sencillo proceder de impregnación de las fibrilas anticorpos anti-miosina-V (sonda para o interiores del domínio cabeça) e anti-α-CaMKII e a Archivos Latinos técnica de Neo-Timm em cérebro de Biologia, v. 1, p. 3-8, 1903. zangões. Estudos comparativos como esse protoplasma Calábria, de L. nervioso. Medicina K. y Análises devem servir como base para estudos bioquímica e morfológica do cérebro da posteriores de análise de proteínas e de abelha Apis mellifera (Hymenoptera, morfologia do cérebro das abelhas Apis Apidae) com enfoque na miosina-V, mellifera. Dissertação (Monografia em Ciências Biológicas) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia/MG, 2004. REFERÊNCIAS Calábria, L. K.; Teixeira, R. R.; Babb, T. L., Kupfer, W.R.; Moraes, V. R. A.; Santos, A. A. D.; Pretorius, J. K.; Crandal, P. H.; Levesque, Espindola, M. F. Synaptic reorganization by mossy neurofibrils through metallic impregnation fibers in human epileptic fascia dentata. the Neuroscience, v. 42, p. 351-363, 1991. (Hymenoptera, Apidae). Insectes Sociaux, Behmer, O. A.; Tolosa, E. M. C.; F. S. honeybee, The Apis patterns in mellifera 2005 (enviado). Freitas Neto, A. G. Manual de Técnica Camargo, J. M. F.; Stort, A. C. A para Histologia Normal e Patológica, Ed. abelha: Apis mellifera Linnaeus. 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