Sector da Saúde ainda longe do ideal

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O Caminho do Bem
a saúde nas suas mãos
MINISTÉRIO DA SAÚDE
GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA
Ano 7 - Nº 76
Novembro
2016
Mensal Gratuito
jornal
Director Editorial: Rui Moreira de Sá
European Society for
Quality Research
Lausanne
OXFORD
aude
A
da
EUROPE BUSINESS ASSEMBLY
N
G
O
L
Orçamento Geral do Estado 2017
Sector da Saúde
ainda longe do ideal
Num ano em que a fatia do orçamento atribuída ao sector social atinge os valores mínimos desde o final
da guerra, a saúde receberá apenas 4,21% do total. Verba claramente insuficiente para as necessidades
de um sector prioritário. |Pags.2 e 3
A
Estudo no Hospital
do Prenda revela
Diabéticos
hospitalizados
custaram mais
de 45 milhões
Kz por ano
Doença típica dos tempos modernos, a diabetes afecta uma
fatia cada vez maior da população. No mês em que se comemora o Dia Mundial da
Diabetes, é divulgado um estudo, da autoria do farmacêutico
António Pedro Kutala Zangulo, que tenta apurar os custos
do tratamento do doente diabético no Hospital do Prenda,
em Luanda. |Pags.8 e 9
O que
“stressa”
os angolanos?
Costuma sentir-se stressado?
Que motivos o levam a sentirse desse modo? E o que costuma fazer para tentar contrariar
o stress? A reportagem do Jornal da Saúde foi tentar perceber o que “stressa” os angolanos e o que é que eles fazem
para combater os efeitos da
ansiedade. Junto da psicóloga
clínica Massoxi Vigário, tentámos conhecer, de forma científica, a questão do stress e
quais as formas mais indicadas de o combater. |Pag.10
SIDA
O que sempre quis saber,
mas tinha vergonha de perguntar…
|Pag. 14
2 OPINIãO
Novembro 2016 JSA
QUADRO DE HONRA
Lina antunes
Empresas Socialmente Responsáveis
O Jornal da Saúde chega gratuitamente às suas mãos graças
ao apoio das seguintes empresas e entidades socialmente
responsáveis que contribuem para o bem-estar dos angolanos
e o desenvolvimento sustentável do país.
Transição em saúde
A transição de Angola da categoria de país de baixa-renda para país
de média-renda, até 2020, deverá implicar também uma transição
em saúde.
No âmbito da Epidemiologia, esta transição será caracterizada
pelo peso duplo das doenças transmissíveis (decorrentes de deficientes condições de higiene, saneamento e alimentação) e das
doenças crónicas (decorrentes dos novos estilos de vida e factores
de risco associados às doenças).A componente das doenças crónicas (que se espera ter um peso cada vez maior) é fortemente determinada pelos estilos de vida das populações, cabendo ao Estado
e à sociedade civil promover a aderência a boas práticas alimentares, ao exercício físico e ao controlo de saúde regular. No entanto,
factores genéticos e o envelhecimento da população (uma realidade
esperada nesta transição) irão contribuir para que as doenças crónicas representem um grande peso adicional nos orçamentos hospitalares nos próximos anos,não só por aumento do número global
de internamentos hospitalares com maior estadia hospitalar pela
natureza das doenças, como ainda por internamentos repetidos
por complicações das doenças (por exemplo diabetes mellitus, hipertensão arterial…) nos doentes com baixa renda e sem capacidade de suportar o custo mensal dos medicamentos que devem
tomar diariamente.
Seria então concordante que a Saúde mostrasse um
aumento percentual na distribuição do Orçamento Geral
do Estado.Infelizmente não se verifica essa tendência,permanecendo Angola na cauda dos países africanos com
menor percentagem do OGE.
Por outro lado sabemos que não deve caber ao Estado o suporte total dos custos em Saúde. Devemos começar a pensar em alternativas que possam financiar em parte estas despesas. O Plano
Nacional de Desenvolvimento em Saúde apresenta no Programa
9, Projecto 56, a possibilidade de se avançar para um seguro de saúde que assegure a protecção social da população mais vulnerável.
Outra alternativa será a promoção das parcerias público-privadas no
sector da saúde,já contempladas na Lei nº2/11 de 14 de Janeiro,que
carece de regulamentação, sendo esta já uma tarefa urgente.
CEDUMED lança
prémio de
educação médica
n O Centro de Estudos Avançados em Educação e
Formação Médica, da Universidade Agostinho
Neto, anunciou a criação do “Prémio CEDUMED
de Educação Médica” com a finalidade de distinguir trabalhos de educação médica em Angola. O
prémio inclui duas categorias, a de “investigação
científica”, destinada à pesquisa sobre a educação
médica, e a de “formação” destinada à oferta de
acções de formação e à produção de material didáctico. Para cada uma das categorias será atribuído o primeiro, segundo e terceiro lugares, os
quais receberão um diploma, uma medalha e um
valor pecuniário.
O prémio é anual, de âmbito nacional, e destina-se a trabalhos dos dois anos anteriores. A Clínica Multiperfil associa-se ao CEDUMED na primeira edição do prémio, pelo que o designado
“Prémio CEDUMED de Educação Médica 2017
Clínica Multiperfil” acolherá trabalhos realizados
em 2015 e 2016 cujas candidaturas sejam submetidas até ao dia 20 de Dezembro de 2016.
FICHA TÉCNICA Conselho editorial: Prof. Dr. Miguel
Bettencourt Mateus (coordenador),
Dra. Adelaide Carvalho, Prof. Dra.
Arlete Borges, Dr. Carlos (Kaka) Alberto, Enf. Lic. Conceição Martins,
Dra. Filomena Wilson, Dra. Helga
Freitas, Dra. Isabel Massocolo, Dra.
Isilda Neves, Dr. Joaquim Van-Dúnem, Dra. Joseth de Sousa, Prof. Dr.
Josinando Teófilo, Prof. Dra. Maria
Manuela de Jesus Mendes, Dr. Miguel Gaspar, Dr. Paulo Campos.
Director Editorial: Rui Moreira de Sá
[email protected];
Redacção: Cláudia Pinto; Francisco
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ACTUAlIDADE 3
Novembro 2016 JSA Orçamento Geral do Estado 2017
Sector da saúde ainda longe dos objectivos
SUSANA GONÇALVES
OGE 2017
n Num ano em que a fatia do
Orçamento sector da Saúde 310.762.212.068,00 Kz
(4,21% do OGE)
orçamento atribuída ao sector social atinge os valores mínimos desde o final da guerra,
a saúde receberá apenas
4,21% do Orçamento. Verba
claramente insuficiente para
as necessidades de um sector
prioritário.
Apresentada no passado dia 31
de Outubro, a proposta de Orçamento de Estado (OGE) para
2017 reserva ao sector da saúde
4,21% do seu valor total. A verba
mais baixa desde 2011, muito
longe dos 15% do Orçamento
Nacional exigidos pelo Compromisso de Abuja, assinado em
2001 e nunca cumprido.
Sendo a saúde um sector estratégico para o desenvolvimento
de um país, já que contribui para
o desenvolvimento humano, a
redução da pobreza e o crescimento económico sustentável,
seria de esperar que o investimento nesta área fosse substancialmente maior. Sobretudo
quando a situação no sector é reconhecidamente deficitária.
Com um Serviço Nacional de
Saúde (SNS) estruturado em três
níveis - o terciário que inclui os
hospitais especializados; o secundário que inclui os hospitais
gerais; e o primário que inclui os
postos e centros de saúde - o País
conta, de acordo com análise do
Orçamento Geral do Estado
(OGE) para o ano de 2016 no sector da Saúde, elaborada pela
Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) e pela Unicef, com
um total de 2.356 unidades sanitárias. Muitas unidades sanitárias do nível primário não estarão em condições de fornecer
serviços básicos, todo o sistema
de referência é fraco e há um
Distribuição do orçamento por sub-função
Subfunção
Kwanzas
% do total da Saúde
% do total do OGE
Saúde Pública
127.264.528.344
40,95
1,72
Hospitais Gerais
98.641.853.141
31,74
1,23
Centros Médicos
e Maternidades
48.056.703.943
15,46
0,65
Hospitais Especializados 32.182.933.157
10,36
0,44
Prod.e Equipamentos
Ambulatório
6
Para além da saúde
Promover um sistema sólido de
promoção da saúde, prevenção
1,34
0,06
e cuidados curativos básicos ali0,15
0,01
cerçado nas próprias comunidades, aliviaria a pressão sobre
os serviços prestados nas unidades sanitárias. Mais do que promover a saúde dos angolanos,
Saúde Pública
Saúde Pública
estas medidas estariam, também, a favorecer a economia do
Hospitais Gerais
Hospitaispaís.
Gerais
De acordo com estimativas
Centros Médicos e Maternidades
globais, cada melhoria de 10
Centros Médicos e Maternidades
pontos percentuais na esperanHospitais Especializados
ça
de vida à nascença pode reHospitais Especializados
Prod. e Equipamentos
flectir-se num aumento do crescimento do PIB de, pelo menos,
Prod. e Equipamentos
Ambulatório
0,4 pontos percentuais por ano
Ambulatório
(Sachs et al 2001).
4.161.204.364
454.989.119
Evolução do orçamento do sector da Saúde
(em % do OGE total)
5
6
4
5
3
2
1
4
3
0
2
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
1
0
2011
2012
2013
grande défice em termos de infra-estruturas de saúde, sobretudo nas zonas suburbanas e rurais. Além disso, o SNS enfrenta
uma grave escassez de pessoal
qualificado. Segundo a Ordem
dos Médicos, Angola tem apenas um médico por cada oito
mil habitantes e estes estão concentrados nas principais cidades do país, em especial, em
Luanda.
2014
2015
2016
2017
Redução flagrante
Para o próximo ano, o Governo
destinou ao sector da Saúde
pouco mais de 310 mil milhões
de Kz, valor que regista uma redução, em termos nominais, de
cerca de 30 mil milhões de
Kwanzas relativamente 2016.
Porém, esta redução poderá ser
mais flagrante caso a taxa de inflação se mantenha nos índices
alcançados já este ano, ou aumente, e a moeda nacional continue a desvalorizar. Nos últimos
cinco anos, o peso da atribuição
ao sector da Saúde em relação ao
total do OGE não mostra qualquer tendência para aumentar,
mantendo-se à volta dos 5%, va-
Iº Fórum de Saúde Comunitária
Construindo uma saúde global
n A Clínica Multiperfil realizou, no dia 4 de
Novembro, no Centro de Convenções de Talatona, o Primeiro Fórum de Saúde Comunitária, sob o lema “Construindo uma Saúde
Global”, evento cuja cerimónia de abertura
contou com a presença de inúmeras figuras
de destaque da área da saúde em Angola.
Neste fórum, e através de diversas comunicações e mesas redondas, foram abordados temas como os desafios e as responsabilidades em saúde comunitária, o papel do
médico de família e do enfermeiro de saúde
comunitária, entre outros. Destinado a todos
os profissionais e estudantes de Saúde, o encontro teve como objectivo destacar a importância da existência de um número cada
vez maior de profissionais especializados
neste domínio.
Numa sociedade que se torna cada vez mais
global, as necessidades relacionadas com os
cuidados de saúde das comunidades também se alteram, com efeitos directos nos sistemas e cuidados de saúde. Estas modificações provocadas pela globalização condu-
zem a um aumento da necessidade de profissionais altamente capacitados para uma
prestação de cuidados segura, efectiva e culturalmente adequada. Desta forma, a saúde
global interessa-se por temas e problemas
de saúde que transcendem os limites nacionais e que podem ser influenciados pelas circunstâncias ou experiências noutros países,
pelo que este fórum também tentou encontrar as melhores respostas para as novas
questões, através de acções e soluções cooperativas.
lores com os quais dificilmente
Angola conseguirá atingir objectivos, quer nacionais, quer internacionais, relativos à melhoria
dos cuidados de saúde. São também estes valores que a colocam
entre os países do continente e
do mundo que investem a menor percentagem de recursos
públicos na saúde.
Orçamento por sub-função
Analisada a distribuição do orçamento da saúde por sub-função, nota-se que a maior fatia
(1,72 % do OGE total) vai para
os Serviços de Saúde Pública.
Seguem-se os serviços hospitalares gerais (1,23%), os serviços
de centros médicos e de maternidade (0,65%), e os serviços
hospitalares especializados
(com 0,44%). Tal como tem vindo a acontecer nos últimos
quatro anos, a rubrica Saúde
Pública vê aumentar a receita
que lhe é alocada, uma tendência positiva, considerando que
esta rubrica contém os fundos
para o financiamento aos cuidados primários de saúde, e está alinhada com os objectivos
do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS)
2012 – 2021, que prioriza os cuidados de saúde primários. Numa época de dificuldades financeiras como a que o país está a atravessar, dificilmente se
conseguirão alcançar as verbas
necessárias para dotar o SNS
das condições que permitiriam
começar a alterar o quadro bastante negativo da saúde em Angola. No entanto, seria desejável que a distribuição dos dinheiros públicos se realizasse
tendo em conta que a saúde do
próprio país só tem a ganhar
com a boa saúde dos seus cidadãos que são, afinal, o seu
maior bem.
4 ActuAlidAde
Novembro 2016 JSA
1ª JORNADAS DE MEDICINA DO TRABALHO EM ANGOLA
Profissionais discutem a importância
da prevenção e segurança no trabalho
Francisco cosme dos santos
Discutir os temas relacionados com os riscos associados
à actividade profissional foi o
principal objectivo deste encontro organizado pelo Colégio de Medicina doTrabalho da ORMED. Numa altura
em que o desenvolvimento
industrial e empresarial regista uma evolução, estas
Jornadas ajudaram a alertar
os profissionais para a importância da Medicina do
Trabalho.
n O secretário de Estado da
Saúde, Eleutério Hivilikwa,
recordou, no decorrer das 1ª
Jornadas de Medicina do
Trabalho realizadas em Angola, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, todas as profissões implicam
riscos e que, anualmente,
12,2 milhões de pessoas, na
sua maioria em países em
desenvolvimento, morrem
em idade laboral devido a
doenças profissionais. Referiu ainda que é necessário e
importante que a prevenção
e a segurança do trabalho se
tornem prioridades e que
sejam sempre tratadas como temas da actualidade,
assim como é fundamental,
igualmente, a actuação de
profissionais da área da segurança do trabalho, afim de
se estabelecer um processo
de consciencialização no
dia-a-dia para que se consigam avanços significativos
na redução dos números da
sinistralidade laboral e na
construção de uma verdadeira cultura de prevenção
de riscos laborais.
Acrescentou que, apesar
do índice elevado deste tipo
de doenças, os profissionais
não estão capacitados para
lidar com os riscos de saúde
relacionados com o trabalho. Além da atenção sanitária habitual, todos os trabalhadores necessitam de serviços de saúde que avaliem e
reduzam a exposição de ris-
cos ocupacionais, assim como de serviços de vigilância
médica, para detecção precoce de doenças e traumatismos ocupacionais.
O secretário de Estado salientou que muitas são as
empresas que introduzem
modificações nas suas estruturas e processos produtivos
para serem mais produtivas
e competitivas, mas que essas mudanças, nem sempre
incluem acções relativas à
segurança e à saúde no trabalho, e que muitos gestores
desconhece que a inclusão
destes pressupostos permitiria contar com trabalhadores mais saudáveis, que viessem a reduzir, não só os custos associados a acidentes e
doenças profissionais mas
também o absentismo, contribuindo, deste modo, para
o aumento da produtividade
e competitividade.
Eleutério Hevilikwa real-
çou que o evento constituiu
uma oportunidade e um espaço para a discussão e análise da problemática da segurança do trabalhador no
ambiente de trabalho. Disse
também que as Jornadas de
Medicina do Trabalho foram um marco importante
para se traçarem algumas
estratégias de coordenação
que permitem o alcance de
um maior impacto nos sectores produtivos da economia. Defendendo que a saúde do trabalho é um direito
básico de todos trabalhadores, recordou que não há nenhuma actividade humana
isenta de riscos, em maior
ou menor grau.
A saúde do trabalhador,
como factor
de desenvolvimento
Presente nas Jornadas esteve também o bastonário da
Ordem dos Médicos, Carlos
Alberto Pinto de Sousa, que
disse que a saúde do trabalhador, como factor de desenvolvimento, é um tema
de extrema importância, estando enquadrado no Plano
Nacional do Desenvolvimento Sanitário (PNDS), do
Ministério da Saúde. Segundo o bastonário, a Ordem
entendeu que, através do
Colégio de Especialidade de
Medicina do Trabalho, se
discutisse e desenvolvesse
esta temática, não só no âmbito médico, mas trazendo
para o fórum outros profissionais, como juristas, engenheiros, técnicos de segurança, higiene e saúde no
trabalho, psicólogos e sociólogos, de forma a fazer uma
abordagem mais abrangente, já que este é um assunto
que tem vindo a ser debatido em encontros de especialistas a nível nacional e internacional.
Pinto de Sousa alegou
que a especialidade de Medicina do Trabalho é importante para Angola devido o
desenvolvimento industrial
e empresarial e, uma vez
que os trabalhadores devem
ser protegidos, a Ordem desenvolveu conceitos de promoção e de prevenção das
doenças ocupacionais de
risco para vários profissionais, temas que foram debatidos no fórum com o objectivo de aprimorar os instrumentos e os métodos de
trabalho de toda da classe
trabalhadora.
Médico do trabalho
O presidente do Colégio da
Especialidade de Medicina
do Trabalho, Rui Capo, afirmou que é notório o interesse que demostrado pelas
empresas do País em possuírem um médico do trabalho que faça a prevenção dos
riscos associados à função
dos trabalhadores. Acrescentando que a saúde dos
trabalhadores, actualmente,
faz parte do contexto das
empresas, uma vez que não
é possível ter produtividade
e rendimento empresarial
quando os trabalhadores
não estão bem e não se sentem confortáveis, salientou
que é da responsabilidade
das empresas ou dos empregadores proporcionarem
condições de trabalho que
acautelam a exposição do
trabalhador a todos os males
que possam ameaçar a sua
integridade, como o contacto com produtos químicos
ou explosivos, frio ou calor
excessivos, riscos biológicos,
ergonómicos e físicos. Referiu Rui Capo que o objectivo
destas Jornadas passou pela
discussão da problemática
da saúde do trabalhador em
Angola, num esforço para se
promover, nas empresas,
condições que venham a
possibilitar uma maior preocupação com a saúde dos
profissionais.
As 1ª Jornadas de Medicina do Trabalho, que decorreram a 21 e 22 de Outubro,
em Luanda, foram organizadas pelo Colégio de Medicina do Trabalho da ORMED, e tiveram como lema
a saúde do trabalhador como factor de desenvolvimento. Durante este encontro, que contou com a presença de vários profissionais
de diversos sectores, como
enfermeiros, psicólogos,
técnicos de saúde no trabalho e juristas, entre outros
convidados, foram debatidos temas de extrema importância para a medicina
do trabalhador em Angola,
nomeadamente os desafios
para o futuro, a ética e profissionalismo médico ou os
riscos psico-sociais no trabalho.
6 ActuAlidAde
Novembro 2016 JSA
WORKSHOP
Jornadas comemorativas
do dia mundial da saúde mental
Francisco cosme dos santos
Apesar dos progressos já alcançados, ainda há muito para fazer no que diz respeito à
Saúde Mental. Promover a
informação relacionada
com o tema e garantir o
acesso da população aos serviços da especialidades, foram duas das prioridades
apontadas neste workshop.
MIGUEL OLIVEIRA
Hoje, são já 40 as
unidades sanitárias
com serviços de
saúde mental
HERNANDO AGUDELO
A OMS continará a
apoiar tecnicamente a
implementação dos
serviços de saúde
mental
n O Director Nacional da Saú-
de Pública, Miguel de Oliveira, afirmou que desde 2013 e
até à presente data foram realizadas, em Angola, 257.625
actividades, entre as quais
constam iniciativas para a
promoção e prevenção da
saúde mental, consultas de
psicologia, psiquiatria e defectologia, sessões de psicoterapia, e a inserção de pacientes reabilitados socialmente e
entregues às famílias.
Estas declarações foram
proferidas no âmbito de um
workshop realizado em alusão ao encerramento das Jornadas em Comemoração do
Dia Mundial da Saúde Mental, que se realizaram em Ou-
tubro, organizadas pela Direcção Nacional de Saúde Pública e sob o lema “Primeiros
Socorros Psicológicos”.
Miguel de Oliveira acrescentou que se alcançaram ganhos significativos nesta área
já que, até 2013, existiam apenas 10 unidades de referência
no País, que estavam associadas aos serviços de psiquiatria e psicologia e, hoje, são já
40 as unidades sanitárias com
serviços de saúde mental,
que contam com equipas de
médicos psiquiatras e psicólogos clínicos.
O responsável afirmou
que considera importante
aumentar os investimentos e
as parcerias em acções de
saúde mental, bem como traçarem-se estratégias de voluntariado junto de estudantes, profissionais de saúde e
sociedade civil, que contribuam para a redução do estigma, do preconceito e da
discriminação associados à
doença mental. Promover a
inclusão e aumentar a informação da população em relação os cuidados da saúde
mental devem ser outras das
prioridades dos responsáveis
ligados a esta área.
Manter os progresso alcançados nos últimos três
anos, a nível provincial e municipal, deve ser outra das
preocupações, e as medidas
que vierem a ser tomadas devem permitir o acesso aos
serviços da saúde mental,
com equidade e qualidade.
Saltos qualitativos
Por sua vez, o representante
da Organização Mundial da
Saúde (OMS), Hernando
Agudelo afirmou que o programa de saúde mental do
País tem dado saltos qualitativos significativos, embora
não havendo ainda o número
de psiquiatras e psicólogos
que se deseja para cobrir todo
o território nacional e responder às necessidades, tendo
em conta o número de habitantes e o estilo de vida das
populações. Revelou também que, face a este progresso, a OMS continuará a apoiar
tecnicamente a implementação dos serviços de saúde
mental em Angola, com base
no Plano Mundial da Saúde
Mental que foi estabelecido
pela Assembleia Mundial da
Saúde para os anos de 2013 a
2020.
Consequências
do alcoolismo
Ainda no âmbito das Jornadas em Comemoração do
Dia Mundial da Saúde
Mental, foram realizados
debates sobre temas como
as consequências do alcoolismo e drogas ou da violência sexual sobre a saúde, entre outros. Estiveram presentes nas comemorações
representantes de diversas
organizações sediadas no
País, como é o caso da
ONU/SIDA, entidades do
Estado, profissionais do
sector e convidados.
II CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO DOS GINECOLOGISTAS E OBSTETRAS DE ANGOLA (AGOA)
Saúde materna em destaque em encontro de especialistas
n Reduzir a taxa de mortali-
dade materna é a preocupação de ginecologistas e obstetras que apostam na prevenção de doenças como a
pré-eclâmpsia, cuja prevalência está a aumentar no
País.
Francisco Cosme dos Santos
Estima-se que a taxa de mortalidade materna em Angola
ronde, actualmente, uma cifra próxima das 40 mortes
por cada 100.000 nascimentos, afirmou o presidente da
Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Angola
(AGOA), Paulo Adão de
Campos. Este profissional salientou que uma das maiores
preocupações da associação
a que preside prende-se com
o aumento do número de
mulheres que têm sido diagnosticadas com pré-eclâmpsia no País, sobretudo na província de Luanda, que regista
anualmente 300 casos desta
doença nas consultas em
centro médicos. Paulo Campos referiu também que este
aumento de casos obrigou já
a que houvesse uma maior
preocupação dos profissionais em abordar, nos congressos, o tema das patologias que põem em risco a
saúde da mulher e que podem ser prevenidas, como é
o caso da pré-eclâmpsia, um
problema que ocorre quan-
do uma grávida tem uma
pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg), a
qualquer momento após a
20ª semana de gestação. e
que, quando não tratado pode agravar-se e degenerar em
eclâmpsia, uma condição relativamente rara mas grave,
que provoca convulsões, ou
mesmo coma, durante a gravidez. Durante o congresso
foi referido que a préeclâmpsia continua a ser a
segunda causa de mortalidade materna em Angola, logo
a seguir às hemorragias na
gravidez e parto.
O presidente da AGOA referiu ainda que para se diminuir o impacto da mortalida-
de materna no País, é necessário que os especialistas se
desloquem até às comunidades para que seja facilitado o
acesso das populações aos
tratamentos.
Grávidas com hipertensão
Por sua vez, a cardiologista
Filomena Cruz disse que todas as mulheres grávidas que
desenvolvem hipertensão
podem ter, após o parto, várias complicações, algumas
de consequências fatais, devido o mau controlo da tensão que incide, sobretudo, no
funcionamento do coração.
Garantiu esta especialista
que, ultimamente, muitas
mulheres que já eram hiper-
tensas antes da gestação têm
aparecido com problemas
cardíacos, mesmo após o período gestacional.
O II Congresso da Associação dos Ginecologistas e
Obstetras de Angola
(AGOA), realizado por esta
organização entre 14 e 15 de
Outubro, decorreu em Luanda, com o lema “Doenças
Hipertensivas na Gravidez:
os Desafios de uma Gestação Saudável”. O encontro
contou com a presença de
vários profissionais do sector
e convidados de outras
áreas, e incluiu cinco mesasredondas e um simpósio,
tendo sido apresentadas 11
conferências.
8 diAbeteS
Novembro 2016 JSA
Estudo no Hospital do Prenda revela
Diabéticos
hospitalizados
custaram mais de
45 milhões KZ por ano
SuSana GonçalveS
Doença típica dos tempos
modernos, a diabetes afecta uma fatia cada vez
maior da população. No
mês em que se comemora
o Dia Mundial da Diabetes,
é divulgado um estudo, de
2012, que tenta apurar os
custos do tratamento do
doente diabético no Hospital do Prenda, em Luanda.Apesar dos dados já terem quatro anos, o trabalho vem ajudar a traçar um
retrato do doente diabético na capital angolana.
n A diabetes mellitus é um
síndrome metabólico de
origem múltipla que decorre da falta de insulina
no organismo e/ou da incapacidade de a mesma
exercer adequadamente os
seus efeitos, causando um
aumento da glicose (açúcar) no sangue. Constitui,
actualmente, um problema de grande impacto na
morbimortalidade e estima-se que, em todo mundo, afectará 150 milhões de
pessoas, cifra que poderá
duplicar nos próximos 25
anos, alcançando proporções epidémicas e afectando 366 milhões de pessoas
a nível mundial.
Considerada como uma
doença emergente, associada ao progresso da sociedade, a sua prevalência cresce
paralelamente ao aumento
da obesidade e do sedenta-
rismo. Com critérios de
diagnóstico bem definidos
é de tratamento complexo,
uma vez que a sua abordagem, além da terapêutica
medicamentosa, envolve
uma série de mudanças nos
hábitos de vida dos pacientes. Não obstante as dificuldades do tratamento, os
avanços terapêuticos têm
demonstrado eficácia, já
que, com o decorrer do
tempo, pode-se observar
um aumento da sobrevida
dos pacientes. No tratamento do diabetes, os recursos medicamentosos
são empregados, geralmen-
A diabetes mellitus
é um síndrome
metabólico de origem
múltipla que decorre
da falta de insulina no
organismo e/ou da
incapacidade de a
mesma exercer
adequadamente os
seus efeitos, causando
um aumento da
glicose (açúcar) no
sangue.
te, num segundo momento
da terapêutica, diante da incapacidade de controlar os
níveis glicémicos através da
dieta e pela prática de exercício físico.
Angola não foge à regra e
também no País se tem registado um aumento de casos de pacientes diabéticos.
No entanto, a real situação
da doença é difícil de determinar, uma vez que há poucos estudos ou trabalhos
realizados para avaliar, quer
a prevalência quer a incidência da diabetes mellitus,
e os dados fornecidos pelo
Centro de Processamento
de Dados Epidemiológicos
são escassos e não são
abrangentes. Sabe-se que à
falta de preparação dos profissionais de saúde se associam as dificuldades dos
pacientes ao acesso aos
meios de diagnóstico e tratamento, bem como constrangimentos de natureza
cultural e económica que
levam a que os doentes só
procurem ajuda especializada demasiado tarde, atrasando a prestação de cuidados adequados.
O impacto em Angola
Precisamente numa tentativa de calcular o impacto
económico da diabetes em
Angola, foi agora divulgado
um estudo da autoria de
António Pedro Kutala Zangulo, da Ordem dos Farmacêuticos de Angola (em coautoria com o prof. Dr. Mamadu L. Bari e a mestre
Maria Isabel Uceda), intitulado “Avaliação de custo do
tratamento de pacientes
com Diabetes Mellitus internados no Serviço de Medicina do Hospital do Prenda no ano de 2012”. Realizado a partir de dados com
quatro anos, este estudo só
agora é conhecido pois, de
acordo com o seu autor,
houve várias dificuldades,
nomeadamente a falta de
tempo dos próprios autores, que atrasaram a sua publicação. No entanto, António Pedro Cutala Zangulo
refere a sua intenção de fazer um estudo histórico,
com a comparação de resultados de diferentes anos
e que pretende iniciar esse
trabalho já a partir de 2017.
Os gastos anuais directos
da atenção sanitária à diabetes em todo mundo estão
calculados em, aproximadamente, 153 bilhões de
dólares anuais e, se as previsões sobre o aumento da
prevalência se cumprirem,
estarão entre os 213 e os 396
bilhões em 2025, o que se
supõe ser entre 7 e 13% do
total de gasto sanitário
mundial. Na ausência de
dados nacionais, foi com o
objectivo de avaliar o custo
do tratamento de pacientes
com Diabetes Mellitus internados no Serviço de Me-
dicina do Hospital do Prenda, no ano de 2012, que se
realizou este estudo observacional analítico retrospectivo. Apesar de relativo
ao ano de 2012 e dos resultados apresentados já não
corresponderem aos custos
actuais, devido à subida da
taxa de inflação em Angola
que fez disparar, também,
os preços de todos os produtos associados aos tratamentos, este estudo reves-
JSA Novembro 2016
te-se de especial importância, uma vez que são muito
poucos os trabalhos desta
natureza realizados no País.
Mais do que estabelecer
quanto custa um doente
diabético, o trabalho procu-
9
rou também caracterizar a
população em estudo
quanto à idade e sexo, identificar o período do tempo
com maior número de pacientes internados, determinar o tempo médio de in-
ternamento dos pacientes,
identificar o seu estado à
saída do hospital e identificar os principais recursos utilizados para o tratamento de diabéticos.
A partir do levantamento de dados secundários referentes aos processos clínicos do serviço de
Medicina e seus respectivos
custos, bem como à identificação de gastos hospitalares num universo de 1213
processos dos pacientes internados com diabetes mellitus, foram seleccionados,
de forma aleatória simples,
122 processos (cerca de 10%
do total) que constituíram a
amostra. Como resultado
da análise desta amostra,
constatou-se que o sexo
feminino foi predominante, com 70 pacientes (57,9 %), número que poderá ser influenciado
pela
prevalência da população
do sexo feminino entre os
angolanos (52% da população segundo indica o último
censo).
A faixa etária dos 36 e 45
anos foi a mais afectada,
com 26 pacientes, ou seja
21,5 % da amostra estudada.
Seguem-se a dos 46 aos 55
anos, com 25 casos; o grupo
etário dos 26 aos 35 anos, e o
dos maiores de 65 anos,
com 20 casos cada; e, por último, o grupo dos 15 aos 25
anos, com 8 casos. Assim,
observa-se que dos 15 anos
e até aos 45 anos há um aumento da prevalência que
vai depois diminuindo à
medida que a idade aumenta, facto que pode estar
associado com a esperança
média de vida da população
angolana, que está situada,
aproximadamente, nos 50
anos.
Em 2012, o mês de Novembro foi aquele que registou maior número de internamentos, cerca de 17, o
que corresponde 14 % da
amostra. A maioria dos pacientes, cerca de 55 (45,5%
da amostra), ficou internada entre cinco e oito dias.
No entanto, o tempo médio
de internamento foi de cerca de nove dias. Foram 93 os
pacientes que tiveram alta
por melhorias, o que corresponde a 76,9 %. nesta amostra, tendo-se registado 21
óbitos (17,4%), resultado
que mostra a importância
da atenção prestada ao paciente diabético, já que a
doença apresenta um elevado índice de mortalidade.
Custos da doença
Quanto aos custos da doença calculados por este estudo, os mesmos são expressos em valores de 2012 e
tendo em conta que o preço
dos materiais utilizados para o tratamento dos pacientes é muito variado, dependendo do fornecedor e da
origem. A insulina, seringas,
glucofitas, lancetas, algodão, álcool, cloreto de sódio,
sistemas e as brânulas, foram os produtos considerados para esta estimativa de
custos. Sendo todos eles de
uso diário, a sua aquisição
implicou um desembolso
Os gastos anuais
directos da atenção
sanitária à diabetes em
todo mundo estão
calculados em,
aproximadamente, 153
bilhões de dólares
anuais e, se as
previsões sobre o
aumento da
prevalência se
cumprirem, estarão
entre os 213 e os 396
bilhões em 2025, o
que se supõe ser
entre 7 e 13% do total
de gasto sanitário
mundial.
médio de 31.550,15 Kz, uma
vez que o hospital adquire
os materiais e medicamentos em retalho e não por
unidade. Já o custo directo
diário por paciente foi de
4.170,11 Kz. O custo anual
de atendimento ao paciente
diabético no Hospital do
Prenda foi de 45.525.490,9
Kz.
Economia da saúde
Vivemos numa época em
que a economia da saúde
tem vindo a ganhar força
como uma área de conhecimento específico. Este ramo
da Economia aplicado ao
estudo da organização e do
financiamento do sector de
Saúde, tem modelos e instrumentos que são de gran-
de auxílio na análise e no
equacionamento dos problemas do sector. Entre as
suas aplicações no sistema
de saúde, estão a estimativa
do custo da doença e a determinação da eficiência
das actividades dos serviços, que proporcionam informações relevantes para a
tomada de decisões quanto
à alocação dos recursos,
muitas vezes escassos, nessa área.
A aposta na prevenção
Quando os indivíduos com
diabetes constituem uma
percentagem desproporcionada e crescente dos pacientes hospitalizados, embora frequentemente esteja
subestimada, está na altura
de começar a apostar mais
na prevenção dos casos que
podem ser evitados ou tratados precocemente de forma a evitar a hospitalização.
No tratamento da diabetes,
nomeadamente na do tipo
II, os recursos medicamentosos são empregados, geralmente, num segundo
momento da terapêutica,
diante da incapacidade de
controlar os níveis glicémicos de forma mais natural,
através de uma dieta equilibrada e de exercício físico.
Assim, é preciso consciencializar toda a população, e
não apenas a que se apresenta como de risco, para a
importância de um estilo de
vida saudável na prevenção
das mais variadas doenças.
10 StreSS
O que
“stressa”
os angolanos?
FALA
POVO
Francisco cosme dos santos
Costuma sentir-se stressado? Que motivos o levam a sentir-se desse modo?
E o que costuma fazer para tentar contrariar o stress?
É um dos males mais frequentes das sociedades
modernas e uma das queixas mais habituais de todos quantos enfrentam
quotidianos agitados e
exigentes. Fisicamente, o
stress é uma reacção do
organismo a uma situação
de perigo e prepara o cor-
po para reagir a uma
ameaça. Em momentos
de pressão psicológica ou
angústia, o organismo encara a situação como sendo de perigo e desencadeia os mesmos mecanismos que activa em
momentos de risco.
Quando estamos constan-
Atritos com
os vizinhos
Quotidiano
agitado
Situação incomodativa
Estudante
Universitária,
Maria Pedro
Estudante do
Ensino Superior,
Hélio
dos Santos
Farmacêutica,
Maria António
Às vezes sintome mais ansiosa, quando estou cansada,
quando me
aborrecem, ou
mesmo sem ter
grandes motivos. Também
acontece se estiver a enfrentar
alguns atritos
com os vizinhos,
problemas de
trânsito ou com
a forma de gerir
o meu tempo,
por exemplo.
Para controlar o
stress tento ter
sempre a máxima calma e levar
a vida com
maior naturalidade possível.
Queixo-me de
ansiedade, sobretudo, quando o meu dia
correu mal ou
foi bastante turbulento, ou
quando os meus
projectos não se
concretizam
conforme foram
projectei. Para
controlar o
stress tenho por
hábito ingerir
muitos líquidos,
principalmente
água, para descontrair a mente, ouvir música
e respirar ar puro.
Sinto que estou
stressada quando meu temperamento muda
repentinamente, o que pode
acontecer se
houver qualquer
situação ou alguma coisa que
me incomodam,
mesmo que sejam pequenas
questões que
noutras situações em considerasse serem
normais ou passageiras. Para ultrapassar estes
momentos, faço
caminhadas e
procuro estar
mais tempo com
as minhas amigas.
temente sujeitos a momentos de pressão, o
stress deixa de ser uma arma para passar a estar na
origem de variadíssimos
problemas de saúde que
se podem manifestar psicológica ou fisicamente.
A reportagem do Jornal da
Saúde foi tentar perceber
Demasiadas expectativas
Estudante
Universitário,
Bráulio Neto
Acho que sou
especialmente
afectado pelo
stress quando
espero algo de
alguém, sem saber concretamente o que me
pode me oferecer ou, então, o
que me poderá
pedir. Também
me sinto mais
ansioso nos momentos em que
tenho de enfrentar engarrafamentos. Para
controlar a ansiedade procuro
praticar actividade física.
Planos que
correm mal
Farmacêutica,
Maria Zola
Matulona
O stress afectame mais quando
estou aborrecida ou alguma
coisa me correu
mal. Sempre
que sinto que
me estou a sentir
mais afectada,
tento manter a
calma, por
exemplo em
ambientes agitados, ou deixo as
coisas fluírem
naturalmente.
Faço por tudo
para não me
enervar facilmente.
o que “stressa” os angolanos e o que é que eles fazem para combater os
efeitos da ansiedade. Junto da psicóloga clínica
Massoxi Vigário, tentámos
conhecer, de forma científica, a questão do stress e
quais as formas mais indicadas de o combater.
Afazeres
profissionais
Gineco-obstetra,
Matondo
Alexandre
Deixo-me afectar pelo stress
quando tenho
de desempenhar, ao mesmo
tempo, várias tarefas de trabalho
que envolvem a
minha entrega
total. Para evitar
perder a calma,
pratico desporto, aprecio as artes e faço passeios.
Falta de
tempo
Funcionária
Pública,
Leonilde
Bravo da Silva
Costume sentirme stressada
quando o meu
nível emocional
não está bom,
ou se tiver várias
questões para
resolver e não
consigo fazê-lo a
tempo e horas.
Para tentar controlar as emoções, frequento
alguns espaços
de lazer, vou ao
cinema, à praia e
também faço
passeios com a
família.
Novembro 2016 JSA
A perspectiva
científica
Psicóloga Clínica, Massoxi Vigário
No contexto sociológico, os indivíduos numa determinada sociedade dizem que estão stressados, ou com
stress, quando colocados mediante
uma situação de pressão provocada
por estímulos internos ou externos.
O stress é uma situação de tensão, física ou psicológica, fora do habitual, que
provoca um estado ansioso no organismo.
Pode resultar em perturbações orgânicas e psíquicas provocadas por vários estímulos ou agentes como o frio,
uma doença infecciosa, uma emoção,
um choque cirúrgico, condições de vida muito activa e outras.
Os estímulos internos baseiam-se, sobretudo, em questões pessoais que
acabam por afectar o nosso equilíbrio
relacionadas com metas que queremos atingir, planificação individual, desafios que enfrentamos, necessidades
ou carências que as pessoas têm ou
possam vir a ter. Estes estímulos ocorrem, muito frequentemente, quando
fizemos planos, criámos desejos e
idealizámos coisas que não conseguimos alcançar. Muitas vezes, isto acontece porque pretendemos alcançar
objectivos que não são possíveis de
atingir dentro das nossas possibilidades e que tornam as nossas expectativas muito elevadas. Essas expectativas
acabam por ser frustradas, o que acaba por gerar stress.
Os estímulos externos são aqueles
que se baseiam em todas as pressões
que têm a ver com as nossas vivências
e convivências diárias como, por
exemplo, ter que andar de táxi ou de
transporte público e ficar muito tempo na paragem à espera, as dificuldades que enfrentamos para chegar a
um determinado compromisso, quer
seja de trabalho ou de outra natureza,
não receber salário no final do mês,
ser alvo de provocações, entre outros.
Para se controlar o stress deve-se
tentar eliminar, em primeiro lugar, os
factores de risco que causam o problema.
Como evitar
Primando sempre pelo treinamento
do auto-controlo e domínio, também
se devem evitar conflitos nos ambientes em que estamos inseridos; evitar
idealizar um projecto de vida que, sabemos à partida, que não temos possibilidades claras de alcançar a curto,
médio e longo prazo; ter a consciência
do nosso potencial e de todos os desafios que os nossos planos impõem;
fazer exercício físico regularmente;
frequentar convívios culturais que nos
enriqueçam (dançar, ouvir música,
cantar); fazer leituras; aprender a gerir
o tempo; procurar companhias agradáveis; integrar-se em grupos religiosos; aprender a lidar com as pessoas;
promover diálogos que tragam harmonia à casa ou ao seio familiar; alimentar-se saudavelmente. Se trabalha
num ambiente fechado, como um escritório, faça intervalos curtos, de um
minuto e meio a dois minutos, para relaxar. E procure ingerir muitos líquidos, preferencialmente água.
12 BIOÉTICA
Novembro 2016 JSA
O consentimento informado
em bioética da psiquiatria:para uma
compreensão da dimensão ética e jurídica
Correia adelino
Mestre em Filosofia
doutorando em Bioética
n Reflectir sobre o “Consen-
timento informado” no âmbito bioético, cuja base se
estabelece na tutela da pessoa, afectada por problemas psíquicos, sustentada e
fundamentada pela relação
de cura, estabelecida pelo
médico e coordenada a partir da intencão terapêutica,
faz-nos estar em contacto
com as inúmeras dificuldades da actividade profissional do psicoterapeuta determinada pelos limites e
pelas diversas escolhas no
processo da cura médica.
Este é ponto de partida e
objecto central da nossa reflexão: o fundamento da relacção entre o médico e o
paciente afectado, este último, por problemas psíquicos, sem a capacidade de
tomar decisões e fazer escolhas no processo de cura,
mencionando sua implicação ética e jurídica da inclinação, do pessoal especializado em psicoterapia clínica, à pessoa humana
necessitada de uma mão
que a acolhe.
O consentimento
informado
Em terapia, quando o psiquiatra decide intervir na
vida da pessoa com distúrbios, definidos psíquicos,
procura conhecer, de modo
responsável e competente,
o tipo específico de doença
ou trauma. Neste conhecimento, ele estabelece criando um rapport de abertura e
de confiança no qual o ambiente é de fazer sim que
exista uma aceitação do que
acontece, mesmo sabendo
das imensas dificuldades,
de escolhas a seguir ou não,
e a compreensão das mesmas. É este o fundamento
do “Consentimento informado”, isto é, que, para dar
início às directrizes do e no
processo de cura, se meta
em consideração – antes
das escolhas – quais deci-
sões tomar, verbais ou escritas. Como afirma J. CLOT, o
consentimento informado
é “uma decisão voluntária,
verbal, e em certas vezes escrita, protagonista de uma
pessoa autónoma e capaz,
tomada depois de um processo informativo, para a
aceitação de um tratamento
específico ou experimentação, consciente dos riscos,
benefícios e das possíveis
consequências”1. Segundo
Gianfranco BUFFARDI, em
alguns casos, o consentimento “mesmo se requerido, pode ser negado pelo
paciente, em qualquer momento alcançado com o tratamento pevisto, em vista à
pessoa, à natureza da doença psíquica e à capacidade
de intervir sobre si mesmo”2. Porém, em psiquiatria, “a comunicação da informação ao paciente e a
compreensão do seu quadro clínico para chegar a
uma condivisão e aceitação
consciente e voluntária (…)
da proposta terapêutica, na
presença de uma patologia,
não seria eficaz ou não teria
um bom término porque
ele não é capaz de entender,
de querer e de considerarlhe o significado”3, e nem
sequer reagir colaborando
imediatamente aos estados
de coisa que o circundam:
incapaz de fazer seu o que
se lhe oferece. Ipso facto, toca aos familiares ou aos legais4, a responsabilidade de
confirmar ou não a aceitação do procedimento do
protocolo de cura.
Que se cultive num Estado de Direito, como o caso
de Angola, em caso de incapacidade psíquica de decidir pelo paciente um modo
jurídico e legal de tutelar e
proteger as pessoas doentes
e afectadas por um handicap, seguindo uma normativa eticamente aceite e correcta, de modo a consagrar,
por lei, que o paciente “por
causa de um handicap
mental, de uma doença, ou
por um motivo similar, não
havendo a capacidade de
dar o consenso a um inter-
espontâneo e consciente,
de modo que, por necessidade ou por obrigatoriedade, o psiquiatra se dedique
a estimular a participação
activa do paciente ao tratamento (especificando os
reais benefícios e riscos), influenciando o seu comportamento e analisando as diversas formas de informar o
estado de saúde, gradualmente, no momento oportuno7. Portanto, os aspectos
fundamentais e as implicacões jurídicas do consentimento informado trazem à
tona a reflexão do valor e
significado do indivíduo e
em relação ao que a sociedade espera ou pensa sobre
a questão. Porém, mesmo
sendo uma questão também de carácter social, é da
responsabilidade do médico agir em função do seu
dever de ser aquilo que é, isto é, curar o paciente como
se fosse manifestado um
consentimento. Em caso de
emergência, na ausência de
um legal, se deve intervir no
paciente, interessando-se
pelo seu bem, fazendo tudo
o que for possível em modo
proporcional à continuidade e integridade da vida humana.
NOTAS
“O consentimento
informado deve
ser pessoal, liberal,
espontâneo e
consciente...”
vento, este não pode ser
efectuado sem a autorização do seu presentante, a
autoridade de uma pesssoa
ou de um orgão designado
por lei”5. Não se trata de
uma diminuição do agir
profissional do médico, mas
de um acto de consciência
livre e responsabilidade no
processo clínico.
E se considere, profissionalmente, a nível médico
que “com um distúrbio
mental grave, a pessoa não
pode ser submetida a um
intervento que tenha por
objecto a cura do distúrbio
se não quando a falta do tratamento corre o risco de ser
gravemente prejudicial para a saúde e com reserva de
garantias da tutela prevista
pela lei, compreendidos os
procedimentos de vigilância e de controlo se não
aquelas tidas para o internamento”6. Portanto, que
se fundamente o direito do
ser da pessoa doente reconhecendo o bem nela como
um fim a atingir, de modo a
compreender, respeitar e
protegê-la durante os meios
que aplicar-se-ão no processo de cura. Assim ter-seá uma terapia mais benéfica
e humana no limite das motivações e vontade decisional do rapport médico-paciente, tendo em conta algumas esperanças do
desenvolvimento do quadro clínico em causa.
Conclusão
Em suma, o rapport entre o
psicoteurapeuta e a pessoa
afectada de distúrbios psíquicos deve ser comunicativo e responsável. Por isto
me valho da reflexão de R.
CARTANESI, F. SCAPATI e
O. GRECO, concluindo que
o consentimento informado deve ser pessoal, liberal,
1 Cfr. J. CLOT, Bioética: Uma aproximação, Porto Alegre, 2003, pp.
228.
2 Cfr. G. BUFFARDI, Problematiche bioetiche nell’esistenza psichiatrica in Studia Bioethica,Vol. 3
(2010), n°3, p.12.
3 Cfr. A. TARANTINO, Consenso
informato in ENCICLOPEDIA DE
BIOÉTICA, http://www.enciclopediadebioetica.com/index.php/todas-las-voces/223-consensoinformato, (consultado aos 05-082015, 11h:59’) p. 5-7: em corsivo
minha apreciação.
4Familiares e legais que se interem
e se actualizem no conhecimento
de leis justas á favor da pessoa humana e não aos interesses e á sentimentalismos de terceiros.
5 Cfr.CONVENZIONE SUI DIRITTI
DELL’UOMO E SULLA BIOMEDICINA, Capitolo II: Consenso, §3,
Oviedo, 4 aprile 1997.
6 Cfr. Ibdem, §7.
7 Cfr. R. CATANESI et allii, Il consenso in ambito psicoterapeutico,
in Medicina e Morale, 38 (1988),
pp. 435-448.
oncologiA 13
JSA Novembro 2016
Álcool causa
mais de 700 mil
novos casos
de cancro por ano
n O álcool é responsável por
mais de 700 mil novos casos e
365 mil mortes causadas por
cancro, a cada ano e em todo
o mundo, indicam novas estimativas divulgadas este mês
no Congresso Mundial contra o Cancro.
De acordo com os dados
apresentados em Paris, os novos casos (especialmente no
esófago, colo-rectal, garganta,
fígado e mama) surgem principalmente nos países desenvolvidos.
"Uma grande parte da população não sabe que o álcool
pode provocar cancro", salientou o investigador canadiano Kevin Shield ao apre-
sentar os dados preliminares
do estudo do Centro Internacional de Investigação sobre
o Cancro, uma agência dependente da Organização
Mundial de Saúde.
O estudo, relativo a dados
de 2012, indica que os cancros ligados ao álcool representam 5% dos novos casos e
4,5% de todas as mortes causadas por cancro a cada ano
em todo o mundo.
A América do Norte, a
Austrália e a Europa, em particular a Europa de Leste, são
as regiões mais atingidas. Mas
os países em rápido desenvolvimento, como a Índia ou
a China, onde o consumo de
álcool está a aumentar, poderão juntar-se ao grupo dentro
de pouco tempo.
Alterações do modo
de vida
Como demonstram vários
estudos, a preponderância de
casos de cancro ligados ao álcool está estreitamente ligada
ao nível de desenvolvimento
de um país. O consumo
acrescido de álcool que normalmente acompanha o desenvolvimento junta-se também a alterações do modo de
vida, de alimentação ou tabagismo, que "multiplicam o
risco", considerou o investigador canadiano em entre-
vista à agência France Presse.
Segundo o estudo, que deverá ser publicado no próximo ano numa revista científica, o cancro do esófago é o
mais frequente nos casos de
morte associados ao álcool
(representando 34% dos 365
mil casos de morte reportados
em 2012), à frente do cancro
colo-rectal (20% das mortes).
Já entre os 704 mil novos
casos de cancro associado a
álcool, um em cada quatro
(27%) são de cancro da ma-
ma, entre as mulheres.
O mesmo investigador já
tinha demonstrado num trabalho publicado em junho
que mesmo um ligeiro consumo de álcool por dia (menos de dois copos de vinho ou
30 mililitros de bebidas espirituosas ao dia) pode aumentar o risco de cancro da mama
de 5% a 10%.
Kevin Shield realçou que
não existe um limite de risco
[a não ultrapassar], e que "o
risco aumenta de forma li-
near à medida que aumenta
a dose ingerida".
Quanto aos mecanismos
biológicos que causam os
cancros associados a álcool,
os investigadores não os conhecem ainda com exactidão. Entre estes poderá estar
o etanol, um agente cancerígeno que pode actuar "de diversas maneiras", disse o perito canadiano. No caso do
cancro da mama, o etanol pode modificar os níveis de estrogénio, disse.
14 DiA munDiAl De lutA contrA A SiDA
Novembro 2016 JSA
O que sempre quis saber,
mas tinha vergonha de perguntar…
Diferenças entre VIH, HIV
e SIDA
VIH é a sigla para Vírus da
Imunodeficiência Humana.
HIV é a sigla em inglês para
Human Immunodeficiency
Virus.
SIDA significa Síndrome da
Imunodeficiência Humana
Adquirida. É um conjunto de
sinais e sintomas bem definidos que podem surgir em indivíduos com a infecção pelo
VIH.
Desde o momento em que
se adquire a infecção até que
surjam sintomas de doença
decorre um período de tempo, designado como fase assintomática da infecção pelo
VIH, (que pode durar em média 8 a 10 anos) em que a pessoa infectada não tem qualquer sintoma e se sente bem.
Nesta fase a infecção pode ser
detectada apenas se se efectuarem as análises específicas
para o VIH. Esta é a fase da
doença em que se diz que o
indivíduo é seropositivo.
Na evolução da infecção
pelo VIH verifica-se uma destruição progressiva do sistema de defesa do organismo
humano (o sistema imunológico) com estabelecimento
de um estado de imunodepressão que permite o aparecimento de infecções oportunistas e determinados tipos
de tumores. Quando uma
pessoa infectada pelo VIH
tem uma destas infecções
oportunistas ou tumores passa a dizer-se que já tem SIDA.
Quer um seropositivo, quer
um indivíduo com SIDA podem transmitir a infecção a
outras pessoas através de
comportamentos de risco.
Pode estar-se sempre
no estado
de seropositividade
sem passar a SIDA?
Sem tratamento específico
para o VIH (com os medicamentos anti-retrovíricos) todos os infectados com o vírus
virão a ter SIDA mais cedo ou
mais tarde. Desde o momento em que a pessoa adquire a
infecção até entrar no estadio
de SIDA decorre um período
de tempo que é, em média, de
8 a 10 anos. Com o tratamento actualmente disponível, é
possível modificar a história
natural desta infecção, aumentando a duração do pe-
ríodo assintomático da doença e prevenindo o aparecimento das infecções e tumores que definem a fase de SIDA. Para que isto seja
possível, é fundamental que
todo o indivíduo seropositivo
tenha um acompanhamento
médico periódico adequado
Quem tem um teste
positivo tem sida?
Ter um teste positivo para o
VIH significa que se tem a infecção por este vírus. Quando
uma pessoa com o teste positivo já teve ou tem determinadas manifestações oportunistas – infecções e/ou tumores
– então, já tem SIDA. SIDA
significa Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida. É um conjunto de sinais e sintomas bem definidos que surgem em
indivíduos com a infecção
pelo VIH
Quais os sintomas
do VIH?
Quando se adquire a infecção pelo VIH pode não se ter
qualquer sintoma ou, então,
ter um quadro febril tipo gripal. Em seguida, o doente fica
sem sintomas durante um
período variável que pode ser
de anos, em média de 8 a 10
anos, sentindo-se bem. Nesta
fase, como em todas as fases
da infecção, existe possibilidade de transmissão da
doença a outras pessoas.
Após este período assintomático, surge a fase sintomática da infecção em que o
doente começa a ter sintomas e sinais de doença, indicativos da existência de uma
diminuição das defesas do
organismo. O doente pode
referir cansaço não habitual,
perda de peso, suores nocturnos, falta de apetite, diarreia,
queda de cabelo, pele seca e
descamativa, entre outros
sintomas. Podem surgir algumas manifestações oportunistas como a candidose oral
(infecção da boca por fungos), candidoses vaginais de
repetição, um episódio de
herpes zoster (“zona”), episódios de herpes simples de repetição (oral ou genital), etc.
Mais tarde podem surgir infecções graves, como tuberculose, pneumonia, meningite, entre outras manifestações oportunistas possíveis e
indicadoras de uma grave
imunodepressão (diminuição acentuada das defesas do
organismo humano).
Quantos anos de
vida tem uma pessoa
seropositiva?
É muito variável. A evolução
da infecção não é igual em todas as pessoas. Desde o momento em que se adquire a
infecção até que surjam sintomas de doença decorre um
período de tempo, designado
como fase assintomática da
infecção pelo VIH, que pode
durar em média 8 a 10 anos.
No entanto, nalgumas pessoas este período pode ser
apenas de dois ou três anos e
noutras de 15 ou 20 anos.
Após o aparecimento de uma
infecção oportunista, ou seja,
após se entrar na fase de SIDA, o tempo médio de sobrevida é de cerca de um ano e
meio, na ausência de tratamento anti-retrovírico.
No entanto, com os medicamentos actualmente disponíveis para o tratamento
desta infecção a sobrevida
dos doentes pode ser muito
mais longa desde que se
cumpra rigorosamente o tratamento e as restantes indicações médicas. Actualmente
existem algumas pessoas que
vivem com esta infecção há
mais de 20 anos
Agora que tenho um
resultado positivo
o que faço?
Quando se fazem as análises
para pesquisa dos anticorpos
para o VIH e o resultado é positivo, significa que a pessoa
está infectada por este vírus e
que pode transmitir a infecção para outras pessoas através de comportamentos de
risco. Significa também que
essa pessoa tem uma infecção crónica de evolução lenta, para a qual não existe cura,
que destrói lentamente as defesas do seu organismo e que,
no futuro, poderá ter infecções e alguns tipos de tumores que se associam a uma
imunodepressão. Uma pessoa que descobriu estar infectada deve procurar apoio médico para sua orientação. Precisará de consultas médicas e
análise periódicas para avaliação da sua situação clínica
e da necessidade de efectuar
ou não tratamento com medicamentos específicos para
o VIH. Esta vigilância médica
periódica é essencial para evitar o aparecimento das manifestações oportunistas – infecções e/ou tumores – ou seja, para impedir que a pessoa
fique gravemente doente.
Qualquer pessoa que sabe estar infectada pelo VIH deverá
adoptar comportamentos seguros para não correr o risco
de contagiar outras pessoas e,
também, não se infectar com
outros agentes infecciosos.
Porque é que o sexo anal
envolve maior risco
de contágio?
Durante uma relação sexual
anal existe um maior grau de
traumatismo do que durante
uma relação sexual vaginal.
Existe maior probabilidade
de ocorrência de pequeníssimas lesões (feridas) na mucosa anal que facilitam o contágio e ocorrência de infecção.
Sexo oral é uma forma
de contágio e porquê?
A quantidade de vírus existente na saliva é pouco significativa. Não existe risco de
aquisição da infecção através
do beijo. No entanto quando
a saliva está contaminada
com sangue e existe contacto
desta saliva com a mucosa
genital, existe uma probabilidade, ainda que pequena de
contágio. Se existir contacto
da mucosa da boca com secreções vaginais ou sémen infectados, também existe probabilidade de infecção
Ao ter relações com
o meu/minha
companheiro(a)
seropositivo
o preservativo rompe.
O que posso
e devo fazer?
Penso que todo o indivíduo
seropositivo que tem um parceiro seronegativo deve discutir este assunto com o seu
médico antes da ocorrência
de um episódio deste tipo.
Actualmente existe indicação
para se fazer uma profilaxia
pós-exposição, ou seja, uma
prevenção da infecção, com
utilização de medicamentos
em situações deste tipo. Não
existe certeza absoluta quanto à eficácia desta medida de
prevenção. No entanto,
quando existe indicação para
a tomar, isso deve fazer-se o
mais cedo possível após a
ocorrência do acidente. Assim, é aconselhável procurarem ambos o médico que segue a pessoa seropositiva a
fim de serem tomadas as medidas mais adequadas a cada
situação.
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