Untitled - Lagoinha

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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha
Gerência de Comunicação: Ana Paula Costa.
Edição Março/2008.
Transcrição: Else Albuquerque.
Copidesque: Jussara Fonseca.
Revisão: Adriana Santos.
Capa e Diagramação: Luciano Buchacra.
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Introdução
ORAÇÃO
“Pai, no precioso Nome de Jesus, que tu possas trazer aos
teus filhos graça, entendimento e compreensão das Escrituras
para que a tua Palavra não seja apenas proclamada, não seja
apenas o “Logos” da letra, mas seja a Palavra “Rhema”, a Palavra viva para o nosso coração. Ó, Senhor, queremos realmente
guardar a tua Palavra em nosso coração para não pecarmos
contra ti. Queremos conhecê-la para não tropeçar em nada.
Que nesta hora haja, no coração de cada um, verdadeira fome
e verdadeiro desejo em conhecer o teu coração. Em nome de
Jesus, amém.”
“O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento.” (Oséias 4.6). A falta do conhecimento tem le5
vado a muitos à destruição. Há algo muito importante que
precisamos guardar e é isto que vamos descobrir.
Em Provérbios, no capítulo 4, versículo 23, lemos: “Sobre
tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Muitos acham que o coração que a
Bíblia menciona é o órgão que bombeia o sangue, este órgão que, se adoecer, pode ser “consertado”, pode ser transplantado. Mas vamos ver a que coração a Bíblia se refere. O
que significa coração nas Escrituras?
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Capítulo I
Coração alegre
A
Palavra diz que é do coração que procedem as fontes
de vida (Provérbios 4.23). As pessoas que não têm as
Escrituras como um referencial para a sua vida, imaginam
que o nosso cérebro é a fonte da vida, que o cérebro comanda todas as atividades humanas. A Bíblia, no entanto, referese ao coração de forma muito clara, mostrando-o como o
centro, o âmago do nosso ser, como o “reservatório” de tudo
que somos. Lucas, 6.45, diz: “O homem bom do bom tesouro
do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” O nosso coração
é a fonte de onde tiramos o bem ou o mal.
Há um ditado que diz: “Cada um dá o que tem”. Em Jeremias 17.9, nós lemos: “Enganoso é o coração, mais do que
todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Quantas vezes o coração engana a você mesmo? É
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por isto que as Escrituras dizem: “Sobre tudo o que se deve
guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Pv 4.23). É como se o coração pudesse abarcar
tudo, a totalidade do nosso intelecto e da nossa vontade.
Os fariseus eram extremamente zelosos em determinadas coisas como lavar as mãos e o corpo; por qualquer coisa
se lavavam. E, naquela época, não havia água encanada, as
coisas eram bem mais difíceis. Por exemplo, nas bodas de
Caná, faltou vinho, mas não faltou a água que era para as
purificações. Eles achavam que o mal se encontrava no exterior, do lado de fora, que o mal vinha da poeira, do tocar em
um morto ou coisas assim.
Agora, Jesus traz estas palavras em Marcos 7.20-23: “E
dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque
de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus
desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios,
a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia,
a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e
contaminam o homem.” Esta fonte você percebe, você sente,
é o coração.
Podemos conhecer o coração como o centro do nosso
ser, porque com nosso coração conhecemos as coisas: oramos com o coração, meditamos com o coração, escondemos a Palavra de Deus no coração, muitos maquinam o mal
no coração, guardam as palavras de sabedoria no coração,
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“pensam” pelo coração, duvidam no coração, consideram as
coisas no coração, crêem com o coração. Você se converteu
crendo não com a cabeça, mas com o coração. A Escritura
diz que: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor
e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10.9). Ou seja, o que gera o novo
nascimento é o crer com o coração, que determina o arrependimento e a Salvação. Crer com o nosso intelecto é um
crer diferente.
Queremos enfocar o coração como o âmago do individuo porque ele envolve emoções, intelecto e vontade. Mas
quem pode conhecer o coração? Deus é que sonda e conhece os corações (Provérbio 21.2; Romanos 8.27).
É interessante observar que, exceto no livro de Judas encontramos a palavra coração, em toda a Bíblia.
Há um versículo que diz: “O coração alegre aformoseia o
rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate.” (Provérbios 15.13). Isto quer dizer que a beleza não está só do
lado de fora, que ela não aparece só com cuidados e maquiagem, mas, como a Bíblia diz, com a alegria do coração. É
interessante que podemos perceber o coração de uma pessoa pelo seu semblante.
O coração é a sede das nossas emoções. No livro do Êxodo, vemos que Arão foi ao encontro de Moisés, e se alegrou
no coração ao vê-lo.
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“Então, se acendeu a ira do Senhor contra Moisés, e disse:
Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele fala fluentemente; e eis que ele sai ao teu encontro e, vendo-te, se alegrará em
seu coração.” (Êxodo 4.14).
O coração se alegra, mas também se entristece. O coração de Jesus se alegrava, mas havia momentos em que seu
coração se entristecia também. Ele disse certa vez: “A minha alma está profundamente triste até à morte [...].” (Mateus
26.38). Por isso a Palavra de Deus diz: “Está alguém entre vós
sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.”
(Tiago 5.13). Quando o seu coração está triste, é preciso orar,
mas quando o seu coração está alegre, cante louvores. É tão
interessante a beleza que envolve o rosto quando o coração,
alegremente, entoa louvores a Deus.
O cristão não é um bobo que vive rindo a toa, mas existe
uma alegria diferente, e esta alegria a Bíblia chama de paz.
O coração passa a ser, através da graça do Senhor, encharcado de paz. A Bíblia diz que o coração do homem adoeceu
desde que ele pecou no Jardim do Éden. É como o coração
doente, sobre o qual o médico diz que a única solução é um
transplante. Assim também a mensagem do Evangelho não
é um remendo, não é um conserto, mas a mensagem do
Evangelho é uma substituição, é algo que Deus opera que
Deus realiza dentro do coração do homem.
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Capítulo 2
Um novo coração
O
que é o Novo Nascimento? O Novo Nascimento não
é uma mudança de religião. O Novo Nascimento é a
mudança que Deus opera em nosso próprio coração.
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios
5.17).
Vemos Davi numa situação difícil porque ele não conhecia direito o seu coração. Ele fazia coisas das quais arrependia profundamente em sua alma. Certa feita, ele disse: “Cria
em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um
espírito inabalável.” (Salmos 51.10). E, no livro de Ezequiel, o
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profeta descreve a promessa do Senhor dizendo assim: “Darlhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei
da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne.”
(Ezequiel 11.19). Coração de pedra é o coração insensível, é
o coração duro, que não pulsa, mas Deus diz: Eu vou mudar
este coração duro em um coração sensível à minha voz.
Quando participamos da ceia do Senhor, bebendo do
cálice que representa o sangue do Senhor, comendo do pão
que é símbolo do Corpo de Cristo, anunciamos a morte de
Jesus até que Ele venha:
“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes
o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.” (1
Coríntios 11.26).
É vida dele em nossa própria vida. É por isto que as Escrituras dizem: “[...] Cristo em vós, a esperança da glória.” (Colossenses 1.27). Com o nosso coração não regenerado, nunca
conseguiremos levar a nossa vida segundo os princípios da
Palavra do Senhor. É por isto que, no verso seguinte, Ezequiel nos mostra a razão pela qual recebemos esse coração
novo. Ele diz, “para que andem nos meus estatutos, e guardem
os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei
o seu Deus.” (Ezequiel 11.20).
Muitos querem viver a Palavra, querem ter uma vida
santa, uma vida plena, mas parece que não conseguem. Por
quê? Isso acontece porque o coração não pode ser remen12
dado, é necessário um coração novo, ou seja, a própria vida
do Senhor na nossa vida.
Cristão significa parecido com Cristo. Então, quando somos de Cristo, há vida e poder em nosso coração, e o Espírito
Santo opera. É o Espírito do Senhor que faz com que não
haja rejeição ao novo coração. Normalmente, quando se
faz um transplante, a pessoa tem de tomar medicamentos
o resto da sua vida para que não haja rejeição ao coração
transplantado. Por isto a Bíblia diz que o mesmo Espírito que
levantou Jesus dentre os mortos e trouxe vida ao coração
que havia parado, é o Espírito que habita em nós. É esse Espírito que capacita cada um de nós a viver segundo os princípios da Palavra de Deus.
“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de
toda a tua alma e de toda a tua força.” (Deuteronômio 6.5).
Se isso não existir você será apenas um religioso. O religioso é aquele que faz tudo por obrigação, o fiel é aquele
que busca o Senhor, é aquele cujo coração é cheio de amor
por Ele, é aquele que o ama, que ama a Palavra, ama a oração, ama os irmãos, ama as pessoas. O problema é que muitos querem amar Deus somente com o intelecto. Mesmo
que a nossa fé tenha de ser prática, ela envolve emoções.
O ministério tem de ser realizado com amor. Precisamos
entender que a nossa relação com Deus não passa apenas
pelo intelecto, mas principalmente pelo coração, ou seja,
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não fica nas extremidades do intelecto, mas flui do centro,
do coração. Quem conhece Deus apenas com o intelecto
não consegue amá-lo intensa e profundamente. A fé cristã
envolve emoções profundas em amor.
“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de
toda a tua alma e de toda a tua força.” (Deuteronômio 6.5).
Quando olhamos o coração, como sede das emoções,
vemos que amar implica em emoção. Contudo, é preciso
discernir as emoções, porque assim como a alegria, o medo
também é emoção.
Logo que o povo de Israel atravessou o Jordão e entrou
na terra para possuí-la, os habitantes começaram a se encher de medo. Diz a Palavra de Deus que “[...] ouvindo todos
os reis dos amorreus que habitavam deste lado do Jordão, ao
ocidente, e todos os reis dos cananeus que estavam ao pé do
mar que o Senhor tinha secado as águas do Jordão, de diante dos filhos de Israel, até que passamos, desmaiou-se-lhes o
coração, e não houve mais alento neles, por causa dos filhos
de Israel.” (Josué 5.1). Quantas vezes o nosso coração já não
desmaiou de medo?
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração,
porque dele procedem as fontes da vida.” (Provérbios 4.23). É
muito fácil sairmos da sintonia da fé, da confiança, da fonte
do nosso coração e caminhar segundo o nosso intelecto. O
nosso intelecto trata apenas da razão, mas a fé nos faz ver o
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invisível, ouvir o inaudível, tocar as coisas que aparentemente não são. É trazer à realidade as coisas que não são como
se já fossem. Isso é fé (Hebreus 11.1).
Quando Jesus caminhava por sobre as águas, chamou
Pedro, que, movido pela fé em seu coração, começou a caminhar sobre as águas. De repente, porém, o intelecto entrou em ação, e a sintonia mudou, não era mais o coração,
a fé, mas a razão que agia. Pedro olhou e viu que estava andando sobre as águas, sobre as ondas e que o vento estava
soprando furiosamente. Então, ele começou a afundar.
Por que a vida de alguns é tão seca, sem cor nem sabor?
É porque lhes falta o óleo da unção e a alegria de Deus. A
Palavra de Deus afirma que o medo faz o coração desmaiar
(Josué 5.1).
Quando foi enfrentar o gigante, Davi foi pela fé em seu
coração, pois se fosse apenas pelo intelecto, ele diria: “Olhe
o tamanho deste homem, ele é grande demais! Não posso
lutar contra ele” Mas no coração dele batia algo diferente.
Então, “sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração”,
guarde a sua fé.
Por outro lado, o coração pode ser a sede do medo. Se o
seu coração começar a fraquejar porque aquela bênção que
você anseia está demorando demais e parece que não vai chegar, lembre-se: “Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifiquese o teu coração; espera, pois, pelo Senhor.” (Salmos 27.14).
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De que modo você vai fortalecer o seu coração? Enchendo-o com a Palavra do Deus. O salmista diz: “Guardo
no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” (Salmos 119.11). Ele procurou encher o coração com a Palavra.
Firmando-nos na Palavra do Senhor intensamente, estamos
fortalecendo o nosso novo coração com a força do Senhor.
Não existe nada mais sensível do que o coração. O salmista nos traz uma advertência sobre como nos arrependermos no coração, e que, quando deixamos de ouvir o Senhor,
ele pode se tornar cauterizado, pesado e duro: “Sacrifícios
agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.” (Salmos 51.17).
Deus, aqui, faz um pacto, um compromisso conosco. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado, ou seja,
Deus não tem prazer em religiosidade.
O grande problema dos judeus era a religiosidade.
As obras religiosas aparecem mais pelo lado exterior, são
cheias de leis, regras e normas, costumes, preceitos e princípios humanos. A verdadeira fé em Cristo nos leva a seguir
os princípios bíblicos por inteiro, pois foram inspirados pelo
Espírito Santo. A compreensão dos judeus considerava o pecado só do lado de fora. Penso que seja por isso que Jesus
foi tão claro quando disse: “Ouvistes que foi dito aos antigos:
Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu,
porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar con16
tra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um
insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e
quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.” (Mateus 5.21-22).
Jesus continua a dizer “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.”
(Mateus 5.27-28). Mesmo que você nunca tenha se deitado
com uma mulher, no seu coração você pode ser um adúltero
contumaz. Não tem jeito, o que precisamos é de um coração
novo, e não pode ser um coração remendado.
A fonte da vida vem do coração. E é no coração que brota o arrependimento. Quando há sensibilidade, as coisas começam a acontecer. A Palavra diz que um coração quebrantado e arrependido, o Senhor não despreza. Esse coração
novo e sensível não é apenas para as grandes coisas, mas
para as coisas pequenas também, ou seja, ele foi colocado
em nós para todas as coisas. Por isso vale a pena repetir:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Provérbios 4.23).
Certa vez, um detetive foi brutalmente assassinado por
um bandido enquanto o perseguia. O bandido também foi
ferido e, enquanto ele estava sendo socorrido no pronto
socorro do hospital, alguns policiais invadiram o recinto e
queriam linchá-lo ali mesmo. O nosso intelecto procura
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vingança. Mas, quando alguém nasce de novo, o coração
muda. Aquele homem era um marginal apenas porque não
tinha o coração de Jesus.
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Capítulo 3
Um coração
sensível a Deus
A
fé cristã pode parecer utópica em alguns princípios e
podemos pensar que ninguém consegue viver segun-
da ela. E não consegue mesmo, a não ser que tenha uma
nova fonte. Esta fonte é o Senhor Jesus. O grande problema
é que colocamos alguns diques nessas fontes, impedindo
que elas venham alcançar, também, as outras áreas da nossa vida.
Ninguém consegue viver a vida cristã a não ser que tenha a fonte da vida dentro dele. Quem que, recebendo um
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tapa em uma face, oferece a outra? Quem, que se alguém
levar o seu paletó, lhe dá também a gravata? Muitas pessoas
têm uma vida insossa. Uma vida ruim. Mas a vida cristã é
muito diferente. O cristão passa a ser sobrenatural aqui na
Terra. Depois de nascer de novo, ele passa a ser uma outra
criatura. O seu coração é trocado e ele passa a ter a capacidade de amar.
A Palavra de Deus diz que: “Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração
pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” (Romanos 5.5). Só
o cristão consegue amar porque o amor de Deus não cabe
em um coração não regenerado. Nesse coração existe a rejeição. Nossa fé não é uma religião. Nossa fé é um profundo relacionamento com o Senhor. E uma das coisas que o
mundo aguarda é a manifestação da glória de Deus, quando
cada filho de Deus deixar de brincar de ser crente, deixar de
ser religioso e manifestar a própria vida do Senhor ao mundo.
Nosso coração precisa chorar com as coisas que fazem
o nosso Deus chorar. Quando vemos um menino de rua, o
que bate em nosso coração? Por que ele é assim? Nós responsabilizamos o governo, mas a solução de Deus é a Igreja.
Quando vemos a injustiça e as atrocidades, se o nosso coração não ficar sensibilizado, se não conseguirmos nem ao
menos ouvir, é porque ele está seco. A nossa fé traz emoções,
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não apenas no louvor, quando cantamos e dançamos diante
de Deus; ou quando estamos no altar do Senhor, o manto da
glória dele nos envolve e a nossa carne treme, nossos cabelos ficam arrepiados e choramos diante dele. Nosso coração
precisa chorar com as coisas que fazem o coração de Deus
chorar. Quando vemos um lar se desfazendo, nosso coração
se parte e isso faz parte do novo coração.
O casamento, segundo a Bíblia, não é algo determinado
apenas no papel, ele é um pacto, é um compromisso, é uma
aliança. Precisamos colocar a nossa fé em ação e deixá-la se
manifestar.
“A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa
palavra o alegra.” (Provérbios 12.25). Esse texto diz que o
nosso coração pode abrir espaço para a ansiedade e você
pode perceber que a ansiedade abate o coração. Se você
está preocupado com as pressões que vem de um lado e de
outro, aí vem o abatimento.
Queremos trazer ao seu coração a boa palavra. Na ceia,
o pão e o vinho são símbolos da boa palavra que foi encarnada. A boa palavra é o amor de Deus. Você é a pessoa mais
preciosa que há no mundo. Não existe nada em nós para
que Ele escolha nos amar, mas Ele escolheu nos amar: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha
a vida eterna.” (João 3.16).
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Se você alimentar o seu coração com a ansiedade, ele se
abaterá e você ficará abatido. As Escrituras dizem para lançarmos sobre Ele toda a nossa ansiedade, porque Ele tem
cuidado de nós (1 Pedro 5.7).
O pão, na ceia, tem uma forte mensagem: Você tem um
grande valor para o Senhor. E a do vinho é que existe uma
aliança, um pacto, e você faz parte desse pacto. Penso que
seja por isto que a Palavra de Deus diz que “a ansiedade no
coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra” (Provérbios 12.25). Procure deixar o seu coração se alegrar na
compreensão de que você é amado por Deus, o nosso Pai.
Veja o seu coração como a sede das suas emoções. O
coração pode se alegrar e pode ter ansiedade, e se descuidarmos, veja o que acontece a ele: “A estultícia do homem
perverte o seu caminho, mas é contra o Senhor que o seu coração se ira.” (Provérbios 19.3). Normalmente, as pessoas fazem uma transferência da ira que sentem. Algo acontece no
seu trabalho e você não pode revidar. Então, quando chega
em casa, desconta na esposa ou nos filhos. Isto é, faz uma
transferência. Embora o crente não fique irado contra Deus,
ele pode manifestar sua ira contra as outras pessoas e contra
os próprios irmãos.
Todas as vezes que abrimos espaço para a incredulidade, estamos, de fato dizendo que Deus está errado e que, se
estivéssemos no lugar dele faríamos muito melhor que Ele.
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Deste modo estamos abrindo caminho para a estultícia. Deixe Deus ser Deus. Deixe o seu coração ficar cheio de amor
por Ele.
A Palavra de Deus diz: “Porque os meus pensamentos não
são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus
caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais
altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do
que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos
do que os vossos pensamentos.” (Isaías 55.8-9). Parafraseando,
o Senhor quer dizer: “Os meus caminhos e os meus pensamentos são mais altos. O que eu quero é que você me ame”.
Amar é confiar. Jesus mandou que celebrássemos a ceia
muitas vezes, porque na ceia há uma mensagem silenciosa de Deus: “Eu o amo, eu me importo com você. Não havia
nada mais que eu pudesse fazer a não ser dar o que de mais
precioso eu possuía: a vida do meu próprio Filho.”
Nós afirmamos que somos um povo avivado. Entretanto, avivamento não é a Igreja. Como está escrito em Isaías
57.15: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo
lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração
dos contritos.” O Senhor pode soprar no seu coração todo
esse fogo e toda essa emoção, trazendo-lhe a verdadeira
alegria.
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O Senhor disse que precisamos aprender com Ele: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados,
e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de
mim, porque sou manso e humilde de coração [...]” (Mateus
11.28-29). O Senhor é o nosso modelo. O coração do Senhor
era tão terno que Ele não olhava como os homens olhavam
a ponto de as pessoas questionarem e chamá-lo de amigo
de pecadores. Só quem tem um coração humilde é que oferece espaço para uma prostituta vir e lavar os seus pés com
as suas lágrimas. Só um coração humilde recebe os párias
da sociedade, só um coração humilde restaura. “Aprendei de
mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis
descanso para a vossa alma”, é a voz do Senhor a nos chamar!
Quem sabe, até hoje você não encontrou descanso para
a sua alma porque acha que o descanso está numa religião
ou em algo a fazer? O descanso vem se o seu coração for
humilde, simples e cheio do Senhor. Um coração que arde
pela Palavra de Deus, como o coração dos dois discípulos no
caminho de Emaús, quando um disse para o outro: “[...] Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho,
nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lucas 24.32).
Nosso coração pode ficar turbado. No livro de João, capítulo 14, versículo 1, Jesus diz: “Não se turbe o vosso coração,
crede em Deus, crede também em mim.” Devemos entender
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que o nosso coração é a sede das nossas emoções e da nossa vontade, mas não existe conserto para o nosso coração, a
única solução é o Senhor nos dar um coração novo.
Ali na cruz, quando o Senhor se deu por nós, pagando
o preço do nosso resgate, aconteceu algo tão terrível que
nós, os humanos, jamais poderíamos compreender: Ele se
fez maldição em nosso lugar e tomou sobre si toda a miséria
humana, todas as dores, todas as desgraças, todas as mazelas. Foi como se o coração dele estivesse sendo arrancado. A
vida do Senhor não foi tomada, Ele a deu; a grande diferença
repousa nessa compreensão. Por isto a Palavra diz: “Amarás
o Senhor teu Deus de todo o teu coração”. Nós o amamos
porque Ele nos amou primeiro.
O Salmo 119, versículo 2, diz: “Bem-aventurados os que
guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração.”
O Senhor tem nos buscado, mas há a necessidade de nós o
buscarmos de todo o coração. No livro dos Provérbios, capítulo 3, o versículo 5 diz assim: “Confia no Senhor de todo
o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”
Confie no Senhor, confie no seu amor, confie no seu perdão.
Desfrute a vida com o Senhor! Jeremias 29.13 diz assim:
“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o
vosso coração.”
Servir ao Senhor com o coração inteiro. A única coisa
que Deus pediu ao homem foi o seu coração: “Filho meu,
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dá-me o teu coração.” Dar o coração é dar toda a vida. Você
é o melhor de Deus.
Entrega total a Deus. Joel, no capítulo 2, versículo 12,
diz: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com
jejuns, com choro e com pranto.” Não adianta o jejum sem o
coração, não adianta o choro, o pranto sem o coração. Ele
diz: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração.”
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Capítulo 4
Coração
perseverante
A
lgum tempo atrás, houve um acidente com o ator que
fazia o papel de super-homem. Nesse acidente, ele
caiu do cavalo e algumas vértebras de sua coluna cervical
foram esmagadas, deixando-o tetraplégico. Ele era um homem bonito, cheio de vida e tinha apenas quarenta e dois
anos de idade. O papel que ele desempenhou no cinema, o
de super-homem, foi tão forte que as pessoas continuavam
a chamá-lo de super-homem – aquele “homem de aço”, que
fazia coisas extraordinárias. Entretanto, não existem super27
homens como também não existem supercrentes, pessoas
imunes a tudo.
“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos
sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou,
de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.”
(Tiago 5.17-18).
A Palavra de Deus fala, nessa passagem, apenas a respeito de Elias, mas se lermos sobre todos os homens da Bíblia
como Moisés, Davi, Sansão, Isaías, Jó, Eliseu e tantos outros,
veremos que eles tinham a mesma estrutura que nós. Eles
também tinham emoções semelhantes às nossas. Eles sorriam, choravam e também passaram por momentos de forte
depressão.
Muitos deles, se não todos, experimentaram grandes
derrotas como também grandes vitórias. No texto de Tiago
5.17, lemos que “Elias era homem semelhante a nós, sujeito
aos mesmos sentimentos [...]”, ou seja, ele era igual a nós.
Talvez, do lado de fora, no aspecto exterior, ele fosse bem
diferente; o semita tem o nariz grande, os cabelos pretos e
lisos, a pele morena. Do lado de fora, talvez fosse realmente
bem diferente, mas nós não somos o que aparentamos ser
do lado de fora, nós somos o que somos do lado de dentro.
Elias foi um homem igual a qualquer um de nós, mas a
Palavra diz que ele orou e os céus se fecharam. Nós também
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oramos, mas o que tornara a oração de Elias tão diferente
da nossa, mesmo que, naquela época, Elias não conhecesse
algo que nós conhecemos hoje que é o poder do nome de
Jesus? Elias viveu milhares de anos antes de Jesus e, hoje,
quando oramos, o poder do nome de Jesus sela a nossa oração.
“Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade, disse a
Acabe: Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante
cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos,
segundo a minha palavra.” (1 Reis 17.1).
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Capítulo 5
Coração decidido
I
srael vivia, naqueles tempos, um momento de crise. O rei
que estava no poder era Acabe, que havia se casado com
uma mulher terrível chamada Jezabel. Ela era extremamente ímpia, idólatra e sedutora. Além disso, era uma mulher
pervertida e, ao lermos sobre Jezabel, ficamos admirados
da maneira como ela mudou o coração de Acabe. Ela trouxe
maldição sobre Israel ao levar o povo a adorar os deuses dela
e a Baal. O povo de Israel estava confuso, porque ao mesmo
tempo em que adorava a Jeová, adorava também a Baal.
Com o coração dividido, a fé e os sentimentos divididos, tal
situação não poderia continuar. A nação de Israel necessi31
tava de uma sacudida. Era necessário que algo acontecesse
para que o povo não continuasse mais naquela situação.
Muitas vezes, Deus permite determinadas situações em
nossa vida para que haja uma tomada de posição. É necessário que o nosso coração seja realmente do Senhor. É urgente
essa tomada de posição que nos leva a dar o nosso tudo a
Ele, e não o resto. O Senhor é digno de receber tudo.
Quando Elias orou, algo aconteceu: as janelas do céu
foram fechadas. Durante três anos e meio não caiu uma só
gota de chuva e, por todo esse tempo, os céus permaneceram fechados. O povo vivia do que já existia, do que estava
armazenado. Entretanto, houve um momento que o que estava armazenado acabou.
Preste bastante atenção nisto: é muito fácil fechar, todavia abrir novamente é muito difícil.
É muito fácil uma pessoa dizer: “Não vou mais à igreja” e
fechar a porta atrás de si. É muito fácil, em um casamento, se
dizer: “Vou acabar com tudo”, porém, voltar atrás e buscar a
reconciliação é tremendamente difícil. É muito fácil acabar
com a própria saúde e, até mesmo, tentar o suicídio, mas a
recuperação é de uma dificuldade impressionante! Fechar
os céus é fácil. Abrir a boca e dizer: “Acabou, está tudo acabado”, é tão fácil como piscar os olhos; mas como é difícil trazer
novamente vida àquela situação.
Elias orou e fechou os céus. O interessante é que ele vi32
via ali também. Ele era igual a todos, com os mesmos sentimentos. Ele via a morte, a destruição, a fome e a seca. Ele
mesmo presenciava e sentia todas essas coisas, ele não estava excluído, mas envolvido em toda aquela situação que
a seca provocava. Havia a necessidade de mudança, pois
o povo de Israel não podia continuar da maneira como se
encontrava. Aquele povo carregava uma bagagem histórica
muito grande. Não só as intervenções miraculosas de Deus,
mas carregava também o próprio nome do Senhor na sua
vida. Israel era um povo que tinha a graça do Senhor gravada no espírito, e estava, agora, se curvando diante de Jeová
e diante de Baal. Era necessário se fazer alguma coisa.
Depois de algum tempo, já no final, quando o povo não
suportava mais, Elias apareceu diante de Acabe e pediu:
“Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de
Baal e os quatrocentos profetas do poste-ídolo que comem da
mesa de Jezabel [...] Então, invocai o nome de vosso deus, e eu
invocarei o nome do Senhor; e há de ser que o deus que responder por fogo esse é que é Deus. E todo o povo respondeu e disse:
É boa esta palavra.” (1 Reis 18.19,24). Elias subiu sozinho levando a bandeira de Jeová. Depois, subiram os quatrocentos
e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas do
poste-ídolo; prepararam o altar, colocaram o sacrifício sobre
ele e o Deus que respondesse com fogo, o povo proclamaria
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que ele era, realmente, o verdadeiro Deus.
Há um momento em nossa vida em que não podemos
continuar indecisos, com um pé lá e o outro aqui. Não podemos continuar em cima do muro, precisamos tomar uma decisão. Não podemos continuar da maneira como estamos.
Há um momento na vida em que queremos e precisamos
dar um basta para a situação em que estamos, um basta na
sequidão, um momento em que queremos que nossos sonhos deixem de ser sonhos e se tornem realidades. Momentos em que queremos algo concreto. Na realidade, é quando
nosso coração clama e diz: “Eu não suporto mais”; é chegada
a hora da tomada de posição.
Seguir ao Senhor Jesus é a mais fascinante vida que um
ser humano pode experimentar aqui na Terra. Entretanto,
essa decisão exige sacrifício, exige a própria vida, exige dedicação, exige esforço, e exige uma entrega completa. Precisamos restaurar o nosso coração, preparando-o para que
o fogo de Deus venha. Precisamos guardar o nosso coração
das coisas que não agradam a Deus.
Vocês conhecem bem a história. Os profetas de Baal,
desde o amanhecer até ao entardecer, clamavam por Baal
para que ele respondesse com fogo. Eles retalhavam seus
corpos e gritavam. Entretanto, nenhum fogo desceu. Quando chegou a vez de Elias, a primeira coisa que ele fez foi
restaurar o altar. Aquelas pedras que os profetas de Baal
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haviam tocado com mãos impuras, marcadas pelo pecado,
Elias as restaurou, colocando pedra sobre pedra. Ele mandou que colocassem água sobre o altar e, sem gritar, porque
Deus não é surdo, disse: “[...] Ó Senhor, Deus de Abraão, de
Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel...”
(1 Reis 18.36). E, naquela hora os céus se abriram e o fogo
desceu, consumindo o sacrifício sobre o altar. O texto diz
que as chamas lamberam as águas que estavam em volta
do altar e, quando o povo viu aquilo, em uníssono, gritou:
“O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!” (1 Reis 18.39). Pegaram
os profetas de Baal e os mataram, destruindo-os e o povo
desceu o monte proclamando: “Só o Senhor é Deus.”
Ainda que tivessem uma vitória retumbante, não chovia,
não havia água, os leitos dos rios estavam secos, clamando
por água. Ainda assim, o povo proclamava uma só palavra
de fé: “Só o Senhor é Deus.” Quando o coração do homem se
converte, Deus está pronto para intervir.
Elias subiu ao alto do monte e, junto com ele, havia levado os seus servos. As Escrituras dizem que ele, de modo
humilde e obediente, se curvou, colocou a cabeça entre as
pernas e começou a orar, porque o que a nação precisava
agora era de água. Depois, Elias mandou que seu servo fosse
ao alto do monte para olhar o mar, e perguntou: “O que você
está vendo?” O céu estava limpo, não havia nuvens. Elias
mandou o moço olhar, novamente, e perguntou: “O que
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você vê?” O céu continuava limpo. Mandou seu servo olhar
pela terceira vez e o céu continuava limpo; mandou pela
quarta vez, pela quinta vez, pela sexta vez, e o cenário era
o mesmo, o céu continuava limpo. Mas, a Palavra de Deus
diz que, pela sétima vez, Elias mandou que o moço olhasse,
e ele disse: “Vejo uma nuvem, mas tão pequena que parece
do tamanho da mão de um homem”. E quando o moço disse isso, Elias proclamou: “Vamos descer depressa porque a
chuva já está a caminho.” A fé faz com que a nuvem pequena
se transforme em tantas nuvens que é possível cobrir todo
o Israel.
Muitas vezes, desistimos e, quando nosso coração desiste, nós voltamos às práticas antigas. O que Deus deseja
é retemperar as nossas fibras, aquecer a nossa fé. A Palavra
de Deus diz que houve um momento em que Jó, vivendo
desgraças na sua vida, disse: “Deus, ainda que o Senhor me
mate, mesmo assim vou continuar confiando em ti, eu vou
continuar te amando; ainda que eu não entenda os teus caminhos, eu vou continuar te amando.”
Quantas vezes, já estamos tão perto da bênção, mas desistimos? Quantas vezes você olha uma nuvem pequena e
diz: “Não foi isto que eu pedi, eu não queria que fosse desse
jeito.” Deus abre a porta de um emprego, e você diz: “Não
é isto que eu quero, o salário é muito pequeno e eu queria
ganhar mais, até porque o cargo não me satisfaz, eu quero é
coisa melhor.” Quantas vezes desprezamos a nuvem pequena e falamos: “Senhor, eu quero tudo de uma só vez, só me
interessa aquilo que os meus olhos possam ver”? Entretanto, os caminhos do Senhor não são assim.
Quando o moço disse para Elias: “É uma nuvem pequena, do tamanho da mão de um homem”, Elias imediatamente proclamou: “Eu não preciso orar mais, porque a bênção já
chegou. É o momento da ação, é o momento de descermos.”
Diz a Palavra de Deus que quando Elias começou a descer o
monte, os céus, de repente, se escureceram, as nuvens escuras e pesadas cobriram os céus, e uma chuva torrencial
caiu.
“E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar
seus frutos.” (Tiago 5.18).
Eu já estive em Israel e lá existe um deserto de pedras. A
região do Neguebe é desértica e só recebe chuva uma vez a
cada dois anos. As plantas têm sementes e, se você observar
o chão daquele deserto, você irá vê-lo coberto com muitas
coisinhas pretas que são as sementes. Todo o deserto do
Neguebe é coberto por sementes e, quando vem a chuva,
elas germinam. Então, dentro de poucos dias, não está mais
árido e desértico, mas verde e cheio de flores. A Palavra diz
que quando veio a chuva sobre Israel, a terra fez germinar
os seus frutos.
O que eu quero dizer é que Deus tem colocado no nos37
so coração muitas sementes, muitos sonhos e muitos ideais. Seja no seu casamento, seja a conversão do seu marido,
ou de sua esposa, ou dos seus filhos. Seja a bênção de um
emprego, seja a saúde para o seu corpo ou qualquer outra
coisa. Essas sementes permanecem e, muitas vezes você as
tem desprezado, dizendo: “Eu não vejo nada acontecer.” Mas
elas estão ali, e o que essas sementes precisam é apenas de
chuva. O que essas sementes precisam para se tornar realidade é que haja chuva e que a água inunde, transborde o
nosso coração dessa graça do Senhor.
A Palavra diz que Elias fechou, mas houve um momento
quando ele abriu, e você precisa abrir o que está fechado
para que a chuva caia em abundância e possa se cumprir o
que está escrito: “E a terra fez germinar seus frutos.”
Eu não sei quais são os frutos que precisam germinar na
sua vida, mas você sabe. Você tem chorado muitas vezes e
não tem contado isso para ninguém. Você tem contemplado a semente e pedido: “Deus faça germinar essa semente
em minha vida.” Mas para que a semente germine é preciso
água e, muitas vezes, você precisa voltar e acertar a sua vida.
Será necessário tomar uma decisão séria com o Senhor. Há
que se ter uma dedicação absoluta a Ele, de poder com todo
o coração proclamar: Só o Senhor é Deus. Declare com garra, com entusiasmo, com dedicação. E a chuva virá.
Quantas vezes, ao caminhar, você quer que aconteça
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tudo de uma só vez? Quer que de repente a nuvem cresça e
o céu se encha de nuvens escuras e a chuva caia? Porém, é a
sua fé que faz com que a nuvem cresça.
É como a história de uma menina que vivia numa região
que há muito não chovia, e os irmãos da igreja decidiram se
encontrar para orar clamando por chuva. Foram para a igreja
para orar para a chuva descer, e aquela menina também foi,
levando consigo uma sombrinha. Quando entrou na igreja,
os outros irmãos a criticaram: “O que você está fazendo com
uma sombrinha? Há muito tempo não chove!” E a menina
imediatamente declarou: “Mas nós não viemos aqui para
orar pedindo chuva? Então eu vou precisar da sombrinha.”
Quantas vezes nos apresentamos diante do Senhor, apenas
como religiosos e não exercemos a fé? Deus pode fazer florescer as sementes que estão na sua vida.
O primeiro obstáculo para o povo de Israel possuir a terra de Canaã era Jericó, e a ordem de Deus foi que o povo
marchasse em volta dos muros de Jericó, sete vezes, em silêncio absoluto. Ninguém poderia dar uma só palavra, pois
se falassem, eles falariam sobre o tamanho da muralha, e
das lanças dos guerreiros de Jericó. Na sétima volta, Deus
ordenou que o povo gritasse e, quando o povo gritou, as
muralhas foram sacudidas e vieram abaixo.
Naamã, um general do rei, estava com seu corpo coberto de lepra. A ordem foi que ele se mergulhasse sete vezes
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no rio Jordão e assim ele fez. Ele poderia ter desistido, e
quis desistir, mas seus servos o persuadiram e, quando ele
emergiu pela sétima vez, a sua pele estava como a de uma
criança.
Querido, a palavra para o seu coração é esta: Perseverança.
Elias era um homem semelhante a mim e a você, ele poderia ter desistido, mas ele não desistiu, e porque não desistiu, os céus se abriram.
40
Conclusão
Q
uem sabe, neste momento, você esteja quase desistindo? Quem sabe você já esteja pronto a deixar tudo de
lado, e a abandonar tudo, dizendo: “Não tem jeito, eu vou
é acabar com tudo, mesmo?” Hoje, o Senhor lhe diz: “Filho,
filha, tome o seu lugar, a nuvem que você está vendo é um
sinal de que Eu o Senhor estou operando em sua vida.” Este
é o momento em que seu coração é colocado diante do coração de Deus. Existem sementes que precisam ser regadas
com a unção do Espírito Santo.
Hoje, sobre nós está a nuvem da glória de Deus. Que
a unção possa trazer ao seu coração a graça para que essa
semente germine. Há uma semente de Salvação, há uma
semente que é a Palavra de Deus e que você já ouviu algu41
mas vezes, mas você precisa tomar uma decisão ao lado de
Jesus. Você precisa tomar a Jesus como seu Senhor e Salvador. Você precisa reconhecer que Ele morreu por você e que
ressuscitou para a sua justificação. A Bíblia diz que: “Se, com
a tua boca, confessares a Jesus como Senhor e, em teu coração,
creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”
(Romanos 10.9).
Você que um dia caminhou com o Senhor, mas se desviou dele e hoje está longe. Você não consegue apagar esta
semente que está aí no seu coração. A unção de Deus fará
com que ela germine novamente. Volte! Se escolher voltar,
o Senhor o receberá sem acusações, sem culpa e oferecerá
a você uma oportunidade totalmente nova para um reencontro com Ele. O Espírito Santo pode restaurar a sua vida
e a vida da sua família. Guarde o seu coração do mal e se
entregue a Deus. Deixe-o fluir do seu interior.
“E a terra fez germinar seus frutos.” Deixe que a abundante chuva da graça do Senhor seja realidade em sua vida.
Deus abençoe,
Pr. Márcio
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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha
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