ARTE PARA ETERNIDADE ALGUMA FORMA DE ARTE existe em

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ARTE PARA ETERNIDADE
ALGUMA FORMA DE ARTE existe em todas as partes do globo, mas a história da arte como um
esforço contínuo não principia nas cavernas do Sul da França nem entre os índios norte-americanos. Não
há uma tradição direta que ligue esses estranhos começos aos nossos próprios dias, mas existe uma
tradição direta, transmitida de mestre a discípulo, e de discípulo a admirador ou copista. que liga a arte do
nosso tempo, qualquer casa ou qualquer cartaz, à arte do vale do Nilo de cerca de cinco mil anos atrás.
Pois veremos que os mestres gregos freqüentaram a escola dos egípcios — e todos nós somos discípulos
dos gregos. Assim, a arte do Egito reveste-se de tremenda importância para nós. Todo mundo sabe que o
Egito é a terra das pirâmides, essas montanhas de pedra que se erguem como marcos desgastados pelas
intempéries no horizonte distante da história. Por mais remotas e misteriosas que pareçam, elas contamnos muito sobre a nossa própria história. Falam-nos de uma terra que estava tão completamente
organizada que foi possível empilhar esses gigantescos morros tumulares durante a vida de um único rei; e
falam-nos de reis que eram tão ricos e poderosos que puderam forçar milhares e milhares de trabalhadores
ou escravos a labutarem por eles, ano após ano, a cortarem as pedras, a arrastarem-nas para o local da
construção e a deslocarem-nas por meios sumamente primitivos até que o túmulo ficou pronto para
receber o rei. Nenhum monarca e nenhum povo teria suportado semelhante gasto, e passado por tantas
dificuldades, caso se tratasse da criação de um mero monumento. De fato, sabemos que as pirâmides
tinham sua importância prática aos olhos dos reis e seus súditos. O rei era considerado um ser divino que
tinha completo domínio sobre eles e, ao partir deste mundo, voltava a ascender para junto dos deuses
donde viera. As pirâmides elevando-se para o céu ajudá-lo-iam provavelmente a fazer sua ascensão. Em
todo o caso, elas preservariam seu corpo sagrado da decomposição. Pois os egípcios acreditavam que o
corpo deve ser preservado para que a alma possa continuar vivendo no além. Por isso impediam a
desintegração do cadáver mediante um método elaborado de embalsamação e enfaixamento em tiras de
pano. Era para a múmia do rei que a pirâmide tinha sido erigida, e seu corpo era colocado exatamente no
centro da gigantesca montanha de pedra, num esquife de pedra.Em toda a volta da câmara funerária,
fórmulas mágicas e encantamentos eram escritos para ajudá-lo em sua jornada para o outro mundo.
Mas não são apenas essas antiqüíssimas relíquias da arquitetura humana que nos contam o papel
desempenhado por vetustas crenças na história da arte. Os egípcios sustentavam a crença de que a
preservação do corpo não era bastante. Se a fiel imagem do rei também fosse preservada, não havia dúvida
alguma de que ele continuaria vivendo para sempre. Assim, ordenavam aos escultores que esculpissem a
cabeça do rei em imperecível granito e a colocassem na tumba onde ninguém a via, para aí exercer sua
magia e ajudar sua alma a manter-se viva na imagem e através desta. Uma expressão egípcia para designar
o escultor era, realmente, "Aquele que mantém vivo".
No começo, esses ritos eram reservados aos reis, mas logo os nobres da casa real passaram a ter
seus túmulos menores agrupados em filas bem alinhadas em torno do túmulo do rei; e, gradualmente, toda
pessoa que se prezava tinha que tomar providências para a vida no além, encomendando uma dispendiosa
tumba que abrigasse sua múmia e sua imagem, e onde sua alma pudesse habitar e receber as oferendas de
alimento e bebida que eram feitas ao morto. Alguns desses primeiros retratos da era das pirâmides, a
quarta dinastia do "'Antigo Império", estão entre as mais belas obras da arte egípcia (fig. 33). Existe neles
um ar de solenidade e simplicidade que não se esquece facilmente. Vê-se que o escultor não estava
tentando lisonjear seu modelo nem preservar uma expressão fugidia. Interessava-se apenas pelos aspectos
essenciais. Todos os pormenores secundários eram postos de lado. Talvez seja por causa dessa estrita
concentração nas formas básicas da cabeça humana que esses retratos continuam sendo tão
impressionantes. Pois, apesar de sua rigidez quase geométrica, não são tão primitivos quanto às máscaras
rituais de que tratamos no Capítulo 1. Nem são tão fiéis à realidade quanto os retratos naturalistas dos
artistas da Nigéria (fig. 23). A observação da natureza e a regularidade do todo são equilibradas de um
modo tão uniforme que essas cabeças nos impressionam como reflexo fiel da vida e, no entanto, remotas e
duradouras.
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Essa combinação de regularidade geométrica e aguda observação da natureza é característica de
toda a arte egípcia. Podemos estudá-la melhor nos relevos e pinturas que adornavam as paredes dos
túmulos. A palavra "adornar", é certo, ajusta-se mal a uma arte que não pretendia ser vista por ninguém,
exceto a alma do morto. De fato, essas obras não tinham a finalidade de serem objeto de deleite. Também
elas se destinavam a "manter vivo". Num passado sombrio e distante, tinha sido costume, quando morria
um homem poderoso, que seus servos e escravos o acompanhassem na sepultura. Eles eram sacrificados
para que o senhor chegasse ao além com um séqüito condigno. Depois, esses horrores foram considerados
excessivamente cruéis ou excessivamente onerosos, e a arte acudiu em ajuda. Em vez de servos de carne e
osso, aos poderosos da Terra passaram a ser oferecidas imagens como substitutos. As pinturas e os
modelos encontrados em túmulos egípcios estavam associados à idéia de suprir a alma de ajudantes no
outro mundo.
Para nós, esses relevos e pinturas murais fornecem um quadro extraordinariamente vigoroso da
vida no Egito há milhares de anos. E, no entanto, olhando-os pela primeira vez, é muito provável que os
achemos bastante insólitos e nos causem uma certa perplexidade. A razão é que os pintores egípcios
tinham um modo de representar a vida real muito diferente do nosso. Talvez isso se relacione com a
finalidade diferente que tinha de ser servida por suas pinturas. O que mais importava não era a boniteza,
mas a inteireza. A tarefa do artista consistia em preservar tudo o mais clara e pernamentemente possível.
Assim, não se propuseram bosquejar a natureza tal como se lhes apresentava sob qualquer ângulo fortuito.
Eles desenhavam de memória, de acordo com regras estritas que asseguravam que tudo o que tinha de
entrar no quadro se destacaria com perfeita clareza. O método do artista, de fato, assemelhava-se mais ao
do cartógrafo do que ao do pintor. Os egípcios não tinham tais escrúpulos ao abordar o problema.
Desenhavam simplesmente o tanque como se fosse visto de cima e as árvores de lado. Os peixes e
pássaros no lago, por outra parte, dificilmente seriam reconhecíveis se vistos de cima, de modo que foram
desenhados de perfil. Numa cena tão simples, podemos facilmente entender o procedimento do artista. Um
método semelhante é usado com freqüência pelas crianças. Mas os egípcios eram muito mais consistentes
em sua aplicação desses métodos do que as crianças jamais o foram. Tudo tinha que
ser representado desde o seu ângulo mais característico. A fig. 35 mostra o efeito que essa idéia teve na
representação do corpo humano. A cabeça era mais facilmente vista de perfil, de modo que eles a
desenharam lateralmente. Mas, se pensamos no olho humano, é como se fosse visto de frente que
usualmente o consideramos. Portanto, um olho de frente era plantado na vista lateral da face. A metade
superior do corpo, os ombros e o tronco, são melhor vistos de frente, pois desse modo vemos como os
braços estão ligados ao corpo. Mas braços e pernas em movimento vêem-se muito mais claramente de
lado. Essa é a razão pela qual os egípcios, nessas imagens, nos parecem tão estranhamente planos e
contorcidos. Além disso, os artistas egípcios achavam difícil visualizar um pé ou outro visto de um plano
exterior. Preferiam o contorno claro desde o dedão para cima. Portanto, ambos os pés são vistos de dentro
e o homem no releve parece ter dois pés esquerdos. Não se deve supor que os artistas egípcios pensavam
que os seres humanos tinham essa aparência. Seguiam meramente uma regra que lhes permitia incluir tudo
o que consideravam importante na forma humana. Talvez essa rigorosa adesão à regra tivesse algo a ver
com a finalidade mágica da representação pictórica. Pois como poderia um homem com seu braço "posto
em perspectiva" ou "cortado" levar ou receber as oferendas requeridas ao morto?
Neste exemplo, como sempre, a arte egípcia não se baseou no que o artista podia ver num
dado momento, e sim no que ele sabia pertencer a uma pessoa ou cena. Era a partir dessas formas,
por ele aprendidas e dele conhecidas, que construía as suas representações, tal como o artista tribal
constrói suas figuras a partir de formas que ele pode dominar. Não é apenas o seu conhecimento de formas
e contornos que o artista consubstancia em sua pintura, mas também o conhecimento que ele possui do
significado dessas formas. Chamamos às vezes a um homem um big boss. Os egípcios desenhavam o
patrão maior do que seus criados ou até do que sua esposa.
Uma vez apreendidas essas regras e convenções, entenderemos sem maiores dificuldades a
linguagem das pinturas em que é historiada a vida dos egípcios. A fig. 36 dá uma boa idéia da disposição
geral de uma parede no túmulo de um alto dignitário egípcio do "Império do Meio", cerca de novecentos
anos antes de nossa era. As inscrições em hieróglifos dizem-nos exatamente quem era ele, e que títulos e
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honrarias reunira durante sua vida. Seu nome, segundo se lê, era Chnemhotep, Administrador do Deserto
Oriental, Príncipe de Menat Chufu, Amigo Confidencial do Faraó, Conviva Real, Superintendente dos
Sacerdotes, Sacerdote de Horo, Sacerdote de Anúbis. Chefe de Todos os Segredos Divinos e — o mais
impressionante de todos os títulos — Mestre de Todas as Túnicas. a esquerda vemo-lo caçando aves
selvagens com uma espécie de bumerangue, acompanhado de sua esposa Cheti, sua concubina Jat, e um de
seus filhos, o qual, apesar de seu tamanho minúsculo na pintura, ostentava o título de Superintendente das
Fronteiras. Abaixo, no friso, vemos pescadores com seu capataz, Mentuhotep, puxando para terra uma
farta pescaria. No topo da porta, Chnemhotep é visto de novo, agora apanhando aves aquáticas numa rede.
Compreendendo os métodos do artista egípcio, podemos facilmente ver como esse estratagema funcionou.
O caçador sentou-se escondido atrás de uma cortina de juncos, segurando uma corda ligada à rede aberta
(vista de cima). Quando as aves acudiram à isca, ele puxou a corda e a rede fechou-se sobre elas. Atrás de
Chnemhotep está seu filho primogênito Nacht e seu Superintendente dos Tesouros, que era também o
responsável pela arrumação do túmulo. Do lado direito, Chnemhotep, que é cognominado "grande” em
peixe, rico em aves selvagens, amante da deusa da caça", apresenta-se no ato de traspassar um peixe com
sua lança. Podemos observar de novo as convenções do artista egípcio, que deixa a água subir entre os
juncos a fim de nos mostrar a clareira com o peixe. A inscrição diz: "Canoagem no leito de papiros, os
Ianques de aves selvagens, os brejos e os riachos; caçando com a lança de duas pontas, ele traspassou
trinta peixes. Como é delicioso o dia de caça ao hipopótamo!" No friso de baixo, um episódio divertido:
um homem que tinha caído na água está sendo pescado pelos seus companheiros. A inscrição em torno da
porta registra o dia em que as oferendas devem ser dadas ao morto e inclui preces aos deuses.
Quando nos habituamos a olhar essas pinturas egípcias, somos tão pouco perturbados por suas
irrealidades quanto o somos pela ausência de cor numa fotografia em preto e branco. Começamos,
inclusive, a dar-nos conta das grandes vantagens do método egípcio. Nada nessas pinturas nos dá a
impressão de casual ou fortuito, nada nos sugere que pudesse ter sido igualmente colocado em algum
outro lugar. Vale a pena pegar num lápis e tentar copiar um desses desenhos egípcios "primitivos". As
nossas tentativas parecem sempre canhestras, assimétricas e deformadas. Pelo menos, as minhas parecem.
Pois o sentido egípcio de ordem em todos os detalhes é tão forte que qualquer variação, por mínima que
seja, parece desorganizar inteiramente o conjunto. O artista egípcio iniciava seu trabalho desenhando uma
rede de linhas retas na parede e distribuía suas figuras com grande cuidado ao longo dessas linhas.
Entretanto, todo esse sentido geométrico de ordem não o impedia de observar com surpreendente precisão
os pormenores da natureza. Cada ave ou peixe é desenhado com tamanha veracidade que os zoólogos
ainda hoje podem reconhecer facilmente a espécie a que
cada um pertence. A fig. 37 mostra um detalhe da fig. 36 — as aves na árvore vizinha da rede de
Chnemhotep. Não foi apenas o seu grande conhecimento que guiou o artista, mas também seu olhar
experimentado para captar padrões.
É uma das maiores façanhas da arte egípcia que todas as estátuas, pinturas e formas arquitetônicas
parecem encaixar-se nos lugares certos, como se obedecessem a uma só lei. A tal lei, à qual todas as
criações de um povo parecem obedecer, chamamos um "estilo". É difícil explicar com palavras o que
produz um estilo, mas é muito menos difícil vê-lo. As regras que governam toda a arte egípcia conferem a
cada obra individual o efeito de equilíbrio, estabilidade e austera harmonia.
O estilo egípcio englobou uma série de leis muito rigorosas, que todo artista tinha que aprender
desde muito jovem. As estátuas sentadas tinham que ter as mãos sobre os joelhos; os homens tinham que
ser pintados com a pele mais escura do que as mulheres; a aparência de cada deus egípcio era
rigorosamente estabelecida: Horo, o deus-sol, tinha que ser apresentado como um falcão ou com uma
cabeça de falcão; Anúbis, o deus da morte, como um chacal ou com uma cabeça de chacal. Todo artista
tinha que aprender também a arte da bela escrita. Tinha que recortar na pedra, de um modo claro e
preciso, as imagens e os símbolos dos hieróglifos. Mas, assim que dominasse todas essas regras, dava-se
por encerrada a sua aprendizagem. Ninguém queria coisas diferentes, ninguém lhe pedia que fosse
"original". Pelo contrário, era provavelmente considerado o melhor artista aquele que pudesse fazer suas
estátuas o mais parecidas com os monumentos admirados do passado. Por isso aconteceu que. no
transcurso de três mil anos ou mais, a arte egípcia mudou muito pouco. Tudo o que era considerado bom e
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belo na era das pirâmides era tido como igualmente excelente mil anos depois. É certo que surgiram novas
modas e novos temas foram pedidos aos artistas, mas o modo de representarem o homem e a natureza
permaneceu essencialmente o mesmo.
Somente um homem abalou as barras de ferro do estilo egípcio. Foi ele um rei da 18ª dinastia, no
período conhecido como o "Novo Reino" (ou Império), o qual foi fundado após uma catastrófica invasão
do Egito. Esse rei, chamado Amenófis IV, era um herético. Rompeu com muitos costumes aureolados pela
antiga tradição. Não desejava render homenagem aos incontáveis deuses de estranhas formas cio seu povo.
Para ele, somente um deus era supremo, Aton, de quem era devoto e a quem fez representar na forma do
Sol. Intitulou-se a si mesmo Akhnaton, segundo o nome do seu deus, e instalou sua corte longe do alcance
dos sacerdotes dos outros deuses, numa localidade que hoje se chama El-Amarna.
As pinturas que ele encomendou devem ter chocado os egípcios de seu tempo pela novidade. Em
nenhuma delas se divisava a solene e rígida dignidade dos faraós anteriores. Preferiu fazer-se representar
erguendo sua filha para os joelhos e pondo-a no seu colo, passeando com a esposa pelos jardins, apoiado
em sua bengala. Alguns de seus retratos mostram-no como um homem feio (fig. 38); talvez ele quisesse
que os artistas o retratassem com toda a sua fragilidade humana ou, quem sabe, estivesse tão convencido
de sua importância ímpar como profeta que insistisse numa semelhança natural e fiel. O sucessor de
Akhnaton foi Tutankhamen, cujo túmulo com seus tesouros foi descoberto em 1922. Algumas dessas
obras ainda são no estilo moderno da religião de Aton — sobretudo o espaldar do trono do rei (fig. 39),
que nos mostra o rei e a rainha num idílio doméstico. Ele está sentado em sua cadeira numa atitude que
poderia ter escandalizado os rígidos conservadores egípcios — quase refestelado, pelos padrões egípcios.
Sua esposa não é menor do que ele, e coloca gentilmente a mão no ombro do rei, enquanto o deus-sol,
representado como um globo dourado estende suas mãos numa bênção a ambos.
Não é de todo impossível que essa reforma da arte na 18ª Dinastia tenha sido facilitada para o rei
pelo fato de ele poder apontar obras estrangeiras que eram muito menos severas e rígidas do que os
produtos egípcios. Numa ilha do Mediterrâneo, em Creta, habitava um povo talentoso cujos artistas se
comprariam na representação de movimentos rápidos e ágeis. Quando o palácio do rei desse povo foi
escavado em Cnosso, em fins do século XIX, as pessoas mal podiam acreditar que um estilo tão livre e
gracioso pudesse ter sido desenvolvido no segundo milênio antes de nossa era. Obras nesse estilo foram
também encontradas no continente grego; uma adaga proveniente de Micenas (fig. 40) revela um sentido
de movimento e linhas fluentes que deve ter impressionado qualquer artífice egípcio a quem fosse
permitido desviar-se das regras consagradas de seu estilo.
Mas essa abertura da arte egípcia não durou muito. Já no decorrer do reinado de Tutankhamen as
velhas crenças foram restabelecidas e a janela para o mundo exterior voltou a ser fechada. O estilo egípcio,
tal como existira por mais de mil anos antes de seu reinado, continuou a existir por outros mil anos ou
mais, e os egípcios acreditavam, sem dúvida, que continuaria por toda a eternidade. Muitas obras egípcias
em nossos museus datam desse período mais recente, e o mesmo pode ser dito de quase todas as
edificações egípcias, como templos e palácios. Novos temas foram introduzidos, novas tarefas executadas,
mas nada de essencialmente novo foi acrescentado à realização artística.
O Egito, evidememente, era apenas um dos grandes e poderosos impérios que existiram no
Oriente Próximo durante muitos milhares de anos. Todos sabemos pela Bíblia que a pequena
Palestina se situava entre o reino egípcio do Nilo e os impérios babilônico e assírio, os quais tinham
prosperado no vale dos rios Eufrates e Tigre. A arte da Mesopotâmia, como o vale formado pelos dois rios
era designado em grego, é menos conhecida do que a arte do Egito. Isso deve-se, em parte, a um acidente.
Não havia pedreiras nesses vales e a maioria dos edifícios eram construídos com tijolo cozido que, no
transcurso do tempo, se desintegravam e convertiam em pó. A própria escultura em pedra era
relativamente rara. Mas essa não é a única explicação para o fato de comparativamente poucas das
primeiras obras dessa arte terem chegado até nós. A principal razão consiste, provavelmente, em que esses
povos não compartilhavam da crença religiosa dos egípcios de que o corpo humano e sua representação
deviam ser preservados para que a alma sobrevivesse. Nos primeiros tempos, quando um povo, os
sumérios, governou na capital de Ur, os reis ainda eram sepultados com toda a sua casa, escravos e tudo,
para que não lhes faltasse um séquito no mundo do além. Foram descobertas sepulturas desse período e
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podemos admirar alguns dos deuses domésticos desses antigos e bárbaros reis no Museu Britânico. Podese apreciar quanto refinamento e engenho artístico é capaz de acompanhar a superstição e crueldade
primitivas. Existia, por exemplo, uma harpa em um dos túmulos, decorada com animais fabulosos (fig.
41). Assemelham-se um pouco aos nossos animais heráldicos, não só em sua aparência geral, mas também
na disposição, pois os sumérios revelavam particular gosto pela simetria e a precisão. Não sabemos
exatamente o que se pretendia significar com esses animais fabulosos, mas é quase certo que se tratava de
figuras da mitologia desses recuados tempos, e que cenas que hoje nos lembram as páginas de um livro
infantil tinham uma significação muito solene e austera.
Embora os artistas da Mesopotâmia não fossem chamados a decorar as paredes dos túmulos,
também tinham de se assegurar, de um modo diferente, de que a imagem ajudava a manter vivos os
poderosos. Desde os primeiros tempos, era costume dos reis mesopotâmicos encomendar monumentos em
celebração de suas vitórias na guerra, os quais falavam das tribos que tinham sido derrotadas e dos
despojos que tinham sido tomados. A fig. 42 mostra-nos um desses relevos, representando o rei que
espezinha o corpo de seu inimigo trucidado, enquanto outros de seus inimigos imploram misericórdia.
Talvez a idéia subjacente nesses monumentos não fosse apenas conservar viva a memória dessas vitórias.
Nos primeiros tempos, pelo menos, as
antigas crenças no poder da imagem poderiam ter ainda influenciado aqueles que as encomendavam.
Talvez pensassem que, enquanto a imagem do rei com o pé sobre o pescoço do inimigo prostrado ali
permanecesse, a tribo derrotada não teria forças para se rebelar de novo.
Em tempos mais recentes, tais monumentos converteram-se em completas crônicas ilustradas das
campanhas do rei. A mais bem conservada dessas crônicas data de um período relativamente recente, o
reinado de Assurnasirpal II da Assina, que viveu no século IX a.C, um pouco depois do bíblico Rei
Salomão. O relevo está exposto no Museu Britânico. Aí vemos todos
os episódios de uma campanha bem organizada; vemos o exército cruzando rios e atacando fortalezas (fig.
43), seus acampamentos e suas refeições. O modo como essas cenas são representadas é bastante
semelhante aos métodos egípcios, mas talvez um pouco menos arrumado e rígido. Quando as olhamos,
sentimos como se estivéssemos assistindo a um cinejornal filmado há 2.000 anos. Tudo parece tão real e
convincente. Mas, se observarmos mais atentamente, descobriremos um fato curioso: é grande a profusão
de mortos e feridos nessas horríveis guerras... mas nenhum deles é assírio. A arte do ufanismo jactancioso
e da propaganda já estava bem avançada nessa época. Mas talvez possamos adotar uma idéia algo mais
tolerante a respeito desses assírios. Talvez eles ainda fossem governados pela antiga superstição que
intervém com tanta freqüência nesta história: a superstição de que numa pintura, num relevo, numa
estátua, existe algo mais do que uma simples pintura, um relevo ou uma estátua. Talvez não quisessem
representar assírios feridos por alguma dessas razões. Em todo o caso, a tradição que se iniciou então teve
uma vida muito longa. Em todos os monumentos que glorificam os senhores da guerra do passado, a
guerra não chega a ser problema. Basta o herói aparecer e o inimigo é dispersado como palha ao vento.
(GOMBRICH, Ernst Hans. A Historia da Arte. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992.)
EGITO
Tudo no Egito é feito para a eternidade. A arte é totalmente feita para a eternidade. O Egito tem
sido considerado desde a mais remota antigüidade o berço da civilização. Enquanto a Europa era
completamente bárbara, todo mundo se matando, passando do Paleolítico para o Bronze, o Egito já estava
totalmente com a civilização feita. Os mestres gregos estudaram no Egito. A arte e civilização Egípcia
duraram 40 séculos. Ela começou mesmo como civilização em 5.000 A.C. e chegou ainda como
civilização organizada egípcia até 30 A.C. Ela continuou depois, mas como civilização forte até 30 A.C.
O Egito é uma espécie de oásis no centro de uma região desértica. É um vale estreito cheio de montanhas
nos dois lados. Dos lados tem dois dos maiores desertos do mundo Saara e Núbia. A alma do Egito era o
Nilo, “rio deus”, que tornava as terras férteis graças às inundações periódicas. Nessas terras férteis eram
cultivados os cereais, especialmente o trigo que fazia daquele país no meio desértico o celeiro da
antigüidade.
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A primeira civilização egípcia no 5o. milênio, anterior às dinastias dos faraós eram divididos em
clãs familiares. Não tinha dinastias e nem faraós. As dinastias vão surgir depois desses grandes clãs. Era
uma organização social simples. Na arte egípcia sempre vai ser exaltado o sentimento de morte e
eternidade. A arte egípcia é toda dirigida para a religião, sendo uma arte simbólica e convencional. A arte
egípcia é extremamente regular, simétrica, equilibrada e geométrica. Após se formarem as dinastias,
quando surgem os faraós, os aspectos sociais, econômicos, culturais e religiosos eram o seguinte: O
comércio, do qual viviam muito da venda do ouro, cereais, era exercido pelos faraós e seus funcionários.
A indústria da época como: manufatura de papiros, os moldes belíssimos, as armas, as cerâmicas, os
tecidos, as jóias eram todas concentradas no domínio real ou dos templos. Não podia existir nada fora do
domínio do faraó ou dos sacerdotes. A arte e a ciência eram muito avançadas para a época. Só os
sacerdotes ou amigos dos sacerdotes é podiam exercê-las. Para controlar as águas do Nilo foram erguidas
obras hidráulicas de represamento e irrigação. Durante a época das inundações, os trabalhadores
interrompiam o trabalho agrícola quando grande parte da população estava disponível para as grandes
construções. Não era só trabalho do escravo, mas de todo o povo.
O Egito foi dividido em Alto e Baixo. Toda construção do Egito é feita de pedra proveniente das
abundantes jazidas que existem no Egito. As Pirâmides e as Mastabas são túmulos onde residem os
mortos. Os Templos também são monumentos colossais. São todos monumentos faraônicos e todos de
pedra para durarem para a eternidade. Quem vivia nos templos eram os ricos Sacerdotes e Faraós. E nas
Pirâmides, os mortos, mas sempre para os faraós ou pessoas da família dele. Os mais pobres eram
enterrados em uma vala comum.
As habitações da classe média eram na periferia, feitas de pedra e o telhado de palha. Depois
vinham os trabalhadores do campo que tinham uma casa razoável, e os escravos que moravam em
palhoças como se fossem animais. Existe um estilo egípcio tão forte que durante milênios não vai mudar
nada. Ficou 5.000 anos sem mudar nada na escultura, pintura, porque não era permitido.
A arte egípcia estava tão ligada ao país que, assim que o Egito começa a acabar a sua arte acaba
também. Até 30 A.C. o Egito vale a pena enquanto arte e civilização. A partir daí começa a decadência do
estilo e arte Egípcia. No estilo egípcio existiam leis muito rigorosas que não podiam nunca ser mudadas.
Os artistas tinham que aprender bem cedo o estilo. O artista tinha que aprender que sempre que fosse
pintado o homem e a mulher, o homem tinha que ser mais alto que a mulher. Os homens tinham que ter a
pele mais escura que a da mulher. O patrão tinha que ser maior que a esposa, os filhos e os criados. Eles
tinham paixão por pele clara. Elas tomavam banho de leite de cabra para ficarem bem brancas. Quanto
mais branca, mais valiosa ela era. O egípcio tem uma mistura com preto. Toda pintura egípcia tem a lei da
frontalidade, o que quer dizer que sempre a figura humana vai ser representada com o rosto de perfil, olho
de frente, tronco de frente, os braços e pés de perfil para melhor representar as características da pessoa. É
a lei do ver melhor. As mãos eles fazem sempre sobre o joelho, o que significava a força que a pessoa
tinha.
No Egito existiam escolas de arte cuja função era formar artistas. Só que eles tinham que aprender
tudo: anatomia, lidar com tintas, com cores, lei da frontalidade, até fazer hieróglifos. Mas o artista não
podia passar disso, não podia criar nada. As regras passavam de geração a geração sem nenhuma
renovação. A arte egípcia ficou 3000 anos sem mudar nada. O artista tinha que saber mitologia e ser
anônimo. Ninguém podia saber quem tinha feito o trabalho pois o artista não podia assinar. Um texto
escrito por um artista, em hieróglifos, sobre uma pedra, foi descoberto mais tarde, sobre o que achava dele
próprio como artista do novo império: “Conheço o segredos das palavras divinas, conheço a conduta das
festas. Sei toda a magia que pratiquei sem que nada me escapasse. Nada do que se refere à esse assunto de
magia me é oculto. Sou chefe de todos os segredos dos rituais cabalísticos. Vejo Ra em suas
manifestações. Sou um artista excelente em minha arte. Um homem acima do comum por meus
conhecimentos. Conheço a pose da mulher, a postura de quem lança o arpão, o olhar de alguém à seu
auxiliar, conheço a flor, conheço o amor, sou um artista!” Ele se valorizava. É uma demonstração que o
pintor estava insatisfeito. Conhecia tudo, mas era um mero artista ignorado. Era uma demonstração de
revolta.
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Existiam muitos ofícios no Egito: escultores que faziam esculturas em pedra e madeira; joalheiros
que faziam jóias fantásticas, sem exagero, braceletes, anéis e miniaturas de jóias vistas só com lupa. Eles
tinham uma espécie de feira, onde seria o Cairo hoje,.onde colocavam os produtos sobre as mesinhas,
prateleiras para vender ou trocar por comida, bebida, etc.
Desde o começo da pré-dinastia a arte egípcia era completamente ligada à morte. Para o egípcio a
morte não é um acontecimento triste, é meramente uma transição para uma outra dimensão. Eles
acreditavam profundamente na imortalidade da alma. Acreditavam na vida eterna. Eles acreditavam que a
alma continuava a viver, só que com as mesmas necessidades terrenas. O corpo do morto não podia ser
tocado, surgindo com isso a mumificação. Nas primeiras dinastias, eles sabiam que a pessoa que morria só
ficaria contente se tivesse tudo o que tinha em vida e que gostasse junto com ele. Ex: Um faraó que ia ser
enterrado e que gostasse de bailarinas, estas iriam ser enterradas vivas junto com ele. Elas iam com
vontade pois significava uma honra. Jóias, comidas, etc. também era colocado junto ao morto. É porisso
que existia muita riqueza nos túmulos. Com o passar do tempo, nas outras dinastias não era levado
ninguém mais vivo para ser enterrado. Nos primeiros 2 milênios iam todos juntos. O faraó era mumificado
e em seguida colocado na pirâmide junto com as pessoas que gostava, vivas, para depois fechar a
pirâmide. Depois da mumificação não podiam mais tocar no morto pois a sua alma poderia ficar
perambulando por milhares de séculos. Dentro da pirâmide o morto iria “ascender” para se encontrar com
“deus”. Na mumificação era cortada a cabeça, os membros ( braços, pernas) deixando só o tronco. Eles
limpam tudo o que tem dentro do tronco e enchem de bucha, de trapo, algodão. Daí eles costuram tudo
novamente. Colocam uma solução de ácidos e sais aromáticos deixando o corpo banhado nisso por (+/-) 6
meses a 1 ano. Só depois é que tiram o corpo dessa solução e não se sabe como secavam esse corpo.
Depois eles montam tudo novamente e estará pronto para ser enterrado nas pirâmides. Na realidade
ninguém nunca mais conseguiu fazer mumificação.
Obs: No Vaticano tem uma múmia egípcia que está parte desenrolada podendo ver até a carne e
um pouco do cabelo. A mumificação era feita em toda casta do faraó, até nos ajudantes dele. Os escravos e
os trabalhadores não eram mumificados porque era muito caro fazer a mumificação. Os egípcios levavam
tudo aquilo que o morto gostava para o túmulo a fim de que a alma continuasse a gozar de tudo o que eles
gostavam enquanto vivos. Era uma continuação da vida terrena. Eles tinham uma obsessão pela
imortalidade da alma. O faraó era convicto de que se a mulher dele fosse enterrada junto, não daria
continuidade a sua dinastia. Elas tinham que continuar casando com o filho, ou o faraó com a filha, ou
outro parente. Eles não tinham a mesma concepção moral que nós temos. A parte política e econômica do
faraó era também muito importante para que a mulher do faraó desse continuidade.
Eles também esculpiam um outro corpo, feito em pedra, igual ao do faraó, só que um pouco mais
idealizado, bonito, mais jovem, na sua plenitude, que ficava ao lado da múmia. Se esta fosse violada o
faraó teria um outro corpo. Esta escultura sempre vai ter o rosto esculpido idealizado, mas com as
características do faraó. A múmia depois de pronta nunca mais poderia ser vista e nem tocada. Ela então,
seria colocada na pirâmide e esta bem fechada. Se ela fosse profanada a alma iria ficar sofrendo pelo resto
da eternidade. Para evitar que fossem tocadas, roubadas e profanadas é que iriam ser colocadas em
monumentos colossais que seriam as pirâmides. O túmulo é a pirâmide, e a estátua do morto que era
colocada ao lado da múmia é chamada hoje em dia de “o duplo”. A etimologia da palavra pirâmide: É uma
palavra de origem grega onde “piro” quer dizer fogo e “amid” quer dizer está no centro, isto é, fogo está
no centro.
A pirâmide é um tipo de construção que proliferou no Egito muito mais do que se pensa, e em
alguns lugares da terra também. Tem pirâmide na China, na América do Sul, Central, Peru, México, etc.
Em todo o mundo aparece pirâmides feitas em épocas diferentes.
Na terceira dinastia, no Egito, foi construída a primeira pirâmide, que é a primeira pirâmide dos degraus.
Foi construída em Sacara. Ela tem 121 metros de base e 60 metros de altura. Dois séculos depois foram
construídas as famosas pirâmides de Quéops, Quefrém e Miquerinos, na planície de Gisé, no Egito (que
hoje é o Cairo). Não há um consenso de como foram construídas as pirâmides. A pirâmide de Quéops é a
maior das 3, tendo 146 metros de altura, a base é do tamanho do “Maracanã”. Na construção foram
empregadas 2.600.000 blocos de granito e calcário. Cada bloco pesa de 2 a 20 toneladas. Na região não
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haviam pedras. Esses blocos eram trazidos de uma região há 1000 km de distância. Esse local onde
existiam pedras se chamava Assuã. Onde hoje tem a famosa represa de Assuã. Gisé, local onde foram
construídas as pirâmides, é um altiplano rochoso (que não se mexe). Desde 3500 A.C. até hoje não houve
nenhum terremoto, construção. Está tudo perfeito até hoje. Eles pensaram muito antes de construírem as
pirâmides.
Os historiadores acham que a forma mais certa daquelas pedras chegarem seria através de barcos
pelo Rio Nilo, onde cada barcaça levaria 2 pedras amarradas embaixo da água para que ficassem mais
leves. Só que durante todos esses séculos nenhuma pedra foi encontrada no Rio Nilo.
Não existe nenhum elemento de ligação como o cimento ou argamassa para unir ou sustentar essas
colunas de pedras nas pirâmides. Os blocos eram sobrepostos somente através de cálculos matemáticos
absolutamente precisos. Para esses blocos ficarem sobrepostos perfeitamente encaixados, eles tinham que
ser polidos de uma forma manual. Hoje somente o raio lazer conseguiria deixar a superfície tão lisa. Essas
pirâmides eram totalmente racionais.“O vértice da grande pirâmide corresponde ao polo e o perímetro do
Equador, na escala exata. Cada lado da pirâmide foi projetada para corresponder a curvatura de 1/4 do
hemisfério norte.” Algumas pirâmides eram fechadas no topo e outras abertas. Existem muitas portas
falsas e corredores falsos que não levam a nada para, só para proteger o faraó.
Obs:Há 6 anos atrás saiu na Geográfica Universal, que os franceses fizeram um buraco próximo à
base, na lateral, e deixaram cair uma ferramenta, a qual flutuou. Não tinha nenhuma gravidade. Após
muitas pesquisas descobriram que em Maio a cada dois anos naquele local não tem gravidade. Quando
descobriram a pirâmide de Quéops já não tinha mais nada dentro, pois já tinha sido violada. Todas as 3
maiores pirâmides e as outras 70 que tinham no Egito já tinham sido violadas e roubadas. Os historiadores
acham que as pirâmides foram construídas através de montes de terra ao lado da construção para apoiar as
pedras para serem erguidas. Até hoje as construções são um mistério. As construções civis perto das
pirâmides, quase nada restou até hoje. Elas não eram tão importantes quanto os templos. O que ficou de
melhor está localizado perto das pirâmides.
A pirâmide de Quéops tem uma força, uma energia, que tudo que está localizado próximo num
raio de 200 metros não morre, não apodrece, mumifica. Se for colocado água quente sob o sol, esta ficará
gelada. As moradias descobertas próximas às pirâmides eram construídas em alvenaria e pedra. Todas
tinham terraço com cobertura. Os moradores passavam a noite no terraço tocando música, cantando. Não
chovia nunca. Eram todos de classe média. As janelas eram abertas para o pátio interno. Depois das
pirâmides o que existe de mais fantástico é Karnak e Luxor, são dois templos ligados entre si localizados
na cidade de Tebas. Estando no Cairo pega-se um avião às 5hs. da manhã até Tebas. Uma distância como
se fosse de São Paulo à Salvador. É um calor infernal. Esses templos foram construídos através de 3000
anos. O templo é do tamanho de Manhattan. Do outro lado do Nilo está o outro templo da rainha
Hasétsud. Foi uma rainha poderosa que conseguiu unir o alto e o baixo Egito. O palácio era fantástico. Ela
era uma rainha faraó. Tinha silos de cajal, 150 leitos para os maridos, porque era feito para a eternidade.
Técnica da pintura Egípcia:
Tudo o que os egípcios desenhavam, faziam primeiro o esboço em pedras arenosas chamadas de
ostrakas (porque a pedra parecia com uma concha). A partir desse esboço eles elaboravam a obra
definitiva sobre a parede, muro, madeira. Primeiro eles faziam um reboco grosso sobre a parede, depois
passavam uma massa fina de gesso sobre o reboco. Pegavam um pincel fino feito de bambu e desenhavam
no gesso ainda úmido. Após secar colocavam a cor. A pintura não tem nenhum efeito de luz e sombra, era
chapada, cores planas. A cor vermelha era dada pelo óxido de ferro. Faziam com goma arábica e clara de
ovo. O azul era feito com o pó raspado do lápis lázure e misturavam também com goma arábica, clara e
um pouco de óleo de amêndoa.
A mitologia egípcia lida muito com o demônio. A lua era o demônio para eles. O sol era o divino.
Na iluminação da arquitetura egípcia não há quase janela, ela só aparece excepcionalmente. Nos templos
egípcios a iluminação é importante porque vai haver uma abertura para passar a luz do sol somente no que
for divino, propositadamente, sobre as esculturas dos deuses, que estão dentro da pirâmide e que tem
ligação com o sol. Os deuses que tem a ligação com a lua vão ser iluminados pela luz da lua.
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As esculturas estão sempre fechadas no escuro e só vão ser clareadas naquele momento quando a
luz passa por aquela abertura. A luz vai ser feita pela mão do homem, por assim dizer, ele é que vai deixar
iluminar o que ele quer. A organização da iluminação inteira dos templos era um verdadeiro “misencène”.
Os gregos foram estudar a iluminação dos teatros com os egípcios.
Existia muito pouca madeira, não tinha andaime. Eles faziam buracos nas paredes, sem muita divisão, e
com madeira para arrematar. Os buracos seriam as janelas com a função de projetar o canhão de luz ,“o
sol”, em cima do que eles quisessem. E durante a noite eles tem outros buracos para passar a luz da lua,
para iluminar os outros deuses. Tudo era muito sofisticado. Existia entalhes para o escoamento de águas
pluviais. Só que lá não chovia, mas era feito como precaução para o dia que chovesse. Os Obeliscos vão
ser importantes no Egito, que vem da palavra grega “obelos” que quer dizer coluna terminada em ponta.
Eles erguiam o obelisco quando ganhavam uma guerra como se fosse um troféu. O faraó mandava fazer o
obelisco de mandava deixar gravado o nome dele, ou então o nome do deus a quem tinha dedicado o
obelisco. Isso é uma característica do antigo império.
Geralmente todos os obeliscos vão ser para comemorar algum feito político ou alguma
homenagem que o faraó desejava celebrar. Nunca foi compreendido como eles foram construídos. Eles
eram altíssimos, feitos de mármore, colocados sobrepostos sem andaime, atingindo equivalente a um
prédio de 10 ou 12 andares. Os historiadores acham que construíam rampas de areia ao lado até chegar na
altura, ou uma espécie de catapulta para erguê-lo.
Quando Napoleão foi ao Egito ele pegou aquele obelisco de Karnak e Luxor e levou até a praça da
Concórdia, na França. Também tem um obelisco na praça Navona. Hoje em dia quase em todos os países
tem obelisco do Egito. Hoje , no Egito, só tem quatro obeliscos. Todo o resto foi retirado. Alguns foram
levados por estrangeiros conquistadores, ou foram destruídos por terremotos, ou afundados em solo. Em
Karnak 10 obeliscos foram destruídos. Tem um obelisco muito bonito em Karnak, da rainha
HATSEPSUT, que foi feito em sua homenagem medindo 42 metros de altura e nele está escrito tudo sobre
a sua vida. Ela era uma faraó muito poderosa que uniu o alto e o baixo Egito. O seu palácio fica no Vale
das Rainhas. Era uma rainha que tinha Silos de Cajal, de peruca, 150 leitos para os seus maridos. Tinha
câmaras frigoríficas embaixo com mais de 200 animais, bois, cavalos, etc, abatidos congelados em
conservação, no meio daquele deserto. A água do Rio Nilo vinha canalizada e quando chegava lá estava
gelada conservando assim esses animais para o futuro da vida dela. Tinha mais de 200 pares de sapatos,
sandálias.
Ela foi sucessora do seu pai. Teve mais de 7 maridos. Viveu até mais ou menos 70 anos. Alguns
maridos ela mandou matar e casou também com o filho dela. Obs: O Shampoo apareceu no Egito para a
Hatsepsut que tinha um cabelo muito feio (por ser descendente de preto). Descobriram um shampoo e
condicionador feito de papiro (que solta um sebo) e adicionaram flores para perfumar. Tinham cremes
feitos de leite de cabra. Tomavam banho de leite para clarear a pele e a gordura era acondicionada em
potes feitos de lápis lázure, também para a pele. Tinham sombra azul para os olhos e cajal para o contorno.
Tingiam o cabelo de Rena, onde aparece pela primeira vez. A mulher realmente era muito bem
conceituada na vida privada. Os maridos dividiam as tarefas, mesmo sendo faraó. O rei e a rainha
apareciam abraçados. Muitas vezes aparece a rainha abraçando o faraó como se estivesse protegendo-o.
Tinha ourives que só faziam jóias para as mulheres. Muito metal, ouro, prata. Faziam muita coisa para o
cabelo e usavam muito pente. Faziam muita coisa com formato de gato porque era um animal muito forte,
misterioso, esperto, bonito, cheiroso para eles. O homem egípcio usava brinco de argola na orelha. No
Metropolitan tem uma escultura de um homem egípcio com uma argola na orelha e pendurado nela um
gatinho.
Vai aparecer o FARAÓ AMENOFIS IV no novo Império que vai mudar completamente a
religião e a arte. Ele briga com os sacerdotes porque estes estavam ganhando dinheiro vendendo fórmulas,
inscrições para a vida eterna, livros dos mortos. Era uma indulgência daquela época. A religião estava
virando um comércio. Então Amenofis IV disse que para ele só um deus era supremo o “ATON”, deus do
sol. Ele disse que deus tem que ser só um. É a primeira tentativa do monoteísmo. Então ele vai mudar o
seu nome para AQUENATON (onde sufixo aton é “deus do sol”) .
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Vai mudar também a arte não querendo que sigam mais a lei da frontalidade. E ele vai querer que
o pintem sem idealizá-lo. Ele tinha uma cabeça bem comprida. O rei, a corte e a rainha foram esculpidos
de forma realista, sem “endeusar” ou idealizar. A mulher dele era belíssima e se chamava NEFERTITE.
Vai querer que suas filhas, ele e sua esposa ficassem bem natural nas esculturas, no colo, se abraçando.
Antigamente isso jamais seria feito. Mostra a sua fragilidade humana, sendo pintado com bengala para se
apoiar. São cenas domésticas. Vai ser a única vez que poderá ser visto isso no Egito, somente no Novo
Império. Essas cenas em outros impérios eram consideradas um desrespeito com a família real e, para ele,
o respeito era mostrar a realidade como ela era. Ele não vai ser reverenciado como um deus, mas como um
homem. Esta arte vai ser de cunho realístico que vai durar por todo o reinado dele. A NEFERTITE,
considerada “A BELA”, vai ter seu rosto muitas vezes esculpido. Vai ter um refinamento de etiquetas de
como se portar socialmente, uma nova maneira de ser. Ele vai ser um revolucionário inovador que muita
gente não vai gostar. Assim que ele morre tudo volta a ser como era.
TUTANKAMON, sucessor de AMINOFIS, foi ser rei aos 9 anos de idade. Aminofis teve quase
todas as filhas doentes, de cabeça comprida e eram bem magras. Os filhos não tinham condições físicas de
serem faraós. Eles casavam muito entre parentes. O parente mais próximo vai ser Tutankamon com 9 anos
e que irá morrer aos 18 anos. Não vai ser um faraó muito rico por ter sido faraó por pouco tempo. Esse
túmulo dele no Vale dos Reis foi a maior descoberta arqueológica do Egito. Em 1922 Haward Carter
chegou perto do Cairo e descobriu um sepulcro. Como ele era inglês, teve que escrever para a Inglaterra
para saber se podia abri-lo ou não. Chegou lá, era uma porta lacrada e ficou esperando naquela época por
mais ou menos 18 meses por uma resposta em carta vinda de navio pois não havia avião naquela época.
Ele conseguiu a permissão e abriu a porta.
Obs.: Tem um filme que conta essa história “A maldição da múmia”(?). Quando ele entrou na
ante-sala com mais 3 britânicos e uns 20 egípcios, descobriram o maior sepulcro do século, até então
nunca visto. Até ele chegar na última sala levou 6 anos cavando e descobrindo só maravilhas e riquezas.
Só na antecâmara encontrou 700 peças, inclusive um rico trono de ouro. Tinha 2 estátuas de 2 metros de
altura de ouro maciço, carruagens de ouro e prata. Vasos de 1,5m de alabastro. Muita coisa de coral,
turquesa. Arcas repletas de roupas do tamanho de um container. A múmia real Tutankamon era protegido
por 3 sarcófagos, sendo a última de ouro maciço. Está no museu do Cairo. Era uma época de esplendor da
civilização egípcia.
Quase todos os túmulos, 90 % foram violados, porque todos sabiam que tinha uma grande riqueza.
Haward Carter ficou muito rico e muita coisa foi para a Inglaterra. O sarcófago, a múmia e algumas coisas
ficaram no Egito. Muita gente começou a morrer de maneira estranha, outros de doença que mais tarde foi
constatado fungo (manchas na pele que degenerava o tecido) por ter ficado 5000 anos fechado. Todos da
expedição morreram. Ele foi o último a morrer.
RAMSÉS II, sucessor de Tutankamon, é um grande faraó que vai ter uma grande autoridade
imperial. Ele é um grande arquiteto e tudo o que construía era o mais alto. Estátuas de proporções
gigantescas. Ele é da época do Novo império e depois Baixa Época. Ele vai fazer uma avenida como uma
via expressa, perto da represa de Assuã, e 86 esculturas de aproximadamente 2 metros de altura cada
ladeando a represa com um espaço entre elas de 1,2 metros. Teria mais ou menos 12 km. São esculturas
todas em pedra, onde ele após morto passearia até o seu túmulo. Karnak e Luxor tem vários templos, os
mais importantes foram construídos por Ramsés e Amenofis. Os dois templos mais importantes de Karnak
e Luxor eram destinados aos deuses Amon e Rá e ligados entre si por uma monumental avenida.
A pintura de Karnak e Luxor é o auge da pintura Egípcia. Karnak e Luxor são ricas em obeliscos. Levaram
séculos para serem construídos e passava de faraó para faraó. As colunas mais importantes do Egito são as
de Karnak e Luxor. É aqui que vai aparecer pela primeira vez no mundo as colunas. Os gregos vão até o
Egito para aprender sobre as construções.
Ao lado de Karnak e Luxor tinha um grande lago. Só quem podia entrar no templo de Karnak e
Luxor eram os iniciados. Na primeira sala entrava o povo todo, na segunda sala o povo ficava do lado de
fora e entravam só os iniciados e na terceira sala entravam os iniciados, o faraó, a faraó, os sacerdotes e a
família toda. Lá eles ficavam trancados sempre (com números de final 7) como 17 semanas, ou 27
10
semanas, dependendo do que fossem fazer. Começavam as pesquisas de sexo, magia, como uma busca ou
necessidade de se saber tudo. Os valores morais eram outros. Não são bacanais, como ocorria na Grécia,
mas uma pesquisa séria. Faziam testes de mistura de sangue, sexo de todas as formas. Na busca de uma
coisa que fosse melhor para eles. Depois de acabar toda essa reunião, após ficarem também um tempo em
jejum, eles saíam e iam se limpar nesse lago, na lua cheia, onde todos estavam trajados de branco. Após
tomar banho no lago eles deixavam a roupa suja lá e vestiam outra roupa branca, voltando novamente para
o templo para dormir e no dia seguinte sairem de lá. Eles entravam no templo como uma procissão. Muitas
vezes eles iam para Karnak e Luxor através do Nilo como se fosse uma imensa apoteose. O estudo dos
deuses do bem e do mau era feito em Karnak e Luxor. Eles faziam até oferenda de crianças e de seus
próprios filhos.
Depois da morte de Ramsés II começa a chamada Baixa Época, quando o Egito vai ser dominado
pelos persas, assírios e aí nunca mais durante toda a antigüidade o Egito voltará a ser uma nação tão
importante e independente como era. Depois dos persas chegam os gregos chefiados por Alexandre
Magno, vindo da Macedônia. É o primeiro grego que chega a reinar o trono Egípcio. Aí vai aparecer o
Marco Antônio, a Cleópatra. Ele vai fundar, à beira do Mediterrâneo, a cidade de Alexandria.
Alexandria vai ser o encontro das culturas ocidentais e orientais, que são a grega e a egípcia. É a
tentativa de uma coexistência entre o estilo egípcio que é próprio, único, e o grego com aquele escândalo
artístico, com toda a sua beleza. Surge então esculturas híbridas com rosto grego e corpo egípcio. Aos
poucos as formas artísticas passam a conviver cada uma com seu mundo próprio. A escultura grega vai ser
independente da escultura egípcia. Entre 332 A.C. até 30 A.C., os gregos permanecem no Egito. Cleópatra
em 30 A.C., última dos Ptolomeus suicida-se depois de ser derrotada pelos romanos. Estes brigam com os
gregos e com os egípcios. Vão lutar com Cleópatra e ela vendo que vai perder pega uma cobra venenosa
deixando-a picar e morre.
A ruptura final da tradição egípcia cultural, como essas pinturas, esculturas que estamos
costumadas a ver, o fim do Egito como civilização, vai ocorrer no IV século da nossa era quando o
Cristianismo está no auge. Quando o Cristianismo chega para valer no IV século, vão acabar todos os
templos egípcios, vão quebrar quase tudo o que existia aí e na Grécia. Eles não vão aceitar nenhum outro
deus, pois “Cristo” é um só deus.
No século XIX, Champollion, sábio francês, consegue decifrar os hieróglifos e com isso ele vai
permitir que a arqueologia dê um salto fantástico no século XIX. Numa visão retrospectiva da história de
civilização e da cultura que esse povo alcançou, mostra o legado para o mundo futuro, tanto nas artes e nas
ciências, como na organização política e social. O Egito foi a primeira nação a centralizar os poderes do
Estado em uma só pessoa, o faraó. Eles desenvolveram a matemática, a astronomia, a química, fizeram um
calendário solar, um mapa dos céus. Na medicina, os médicos egípcios especializaram em realizar um
trabalho de grande valor na descoberta de droga para dor e nas doenças. Tinham uma espécie de
antibiótico que era quase que a penicilina nossa. Não deixaram a fórmula. No setor cirúrgico as maiores
conquistas deles foram fantásticas, como por exemplo a mumificação que foram se aperfeiçoando durante
milênios. Hoje só ruínas restaram, porém para “Mali”, elas parecem que possuem vida. Elas nos falam da
glória de uma nação de um povo que não queria morrer, mas que infelizmente morreu. Tudo o que eles
fizeram foi para a eternidade.
VER FILME: EGITO: EM BUSCA DA ETERNIDADE
MESOPOTÂMIA
MESOPOTÂMIA: quer dizer em grego região entre os rios Tigre e Eufrates. Situada no Oriente
Antigo. Foi tão importante quanto o Egito. Quando as civilizações européias ainda estavam na pedra
polida, a Mesopotâmia já era uma civilização. Até a metade do século XIX pouco se sabia da
Mesopotâmia. Tudo o que sabíamos sobre a Mesopotâmia era através da Bíblia. Em 1927 os arqueólogos,
depois de muita procura, acharam a cidade de “Hur” que começou 5000 A.C. Tinham tesouros soberbos
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como os dos egípcios. A Mesopotâmia foi uma civilização fantástica como a Egípcia, só que eles não
faziam como os egípcios que trabalhavam em pedras, eles trabalhavam com adornos (que são tijolos
pequenos de terra). Faziam tijolos pequenos um a um à mão, colocavam para secar e depois construíam
palácios, sepulturas, etc. Com o passar do tempo essas construções não resistiram às mudanças e nada
restou.
Os rios Tigre e Eufrades inundaram toda a Mesopotâmia. Foi o dilúvio que a Bíblia comenta. Era
como se tivesse acabado o mundo. Aparece Noé com seu barco e os animais para se salvar do dilúvio. A
arte Egípcia teve poucas variações, enquanto a arte da Mesopotâmia teve muitas. Eles eram muitos povos
como: caldeus, assírios, babilônios, fenícios, etc. Todos tinham uma forma muito diferenciada de falar,
pintar, escrever, etc. O Museu do Louvre está lotado sobre as peças da cultura Mesopotâmica.
Os arqueólogos descobriram vários montes chamados tells (téus) e que tinham lá no fundo tinham
a civilização. Em 1927 eles escavaram os montes e descobriram as cidades da Mesopotâmia. Entre os
muitos povos que faziam parte da Mesopotâmia, os Sumerianos foram os primeiros a dominá-la. As
cidades eram independentes umas das outras, somente a força da religião era que unia todas elas. O culto
aos deuses era muito forte. A religião era magia, tinha força de lei. Os templos para os sacerdotes era a
construção mais bem organizada.
Existia uma cidade chamada Uruqui, dos sumerianos, na Mesopotâmia. Nessa cidade tinha um
templo fantástico todo branco, lindíssimo. No interior tinha tijolos bem pequenos e coloridos, surgindo aí
a técnica dos mosaicos. Isso ocorre 5.000 A.C.. O sumeriano é o protótipo mais antigo das construções
de dentro de casa.
Durante 3.000 anos, ou seja até 2.000 A.C., todos os povos da Mesopotâmia fizeram as
construções assim. Esse templo enorme que era equivalente a um prédio de 20 andares. Foi o local onde
todos os povos como sumerianos, fenícios, etc, foram convidados para construir esse templo imenso. Os
templos da Mesopotâmia que tinham esse formato chamavam-se Zigurat. Havia, no interior do Zigurat, os
mosaicos. Tinha também só uma porta com uma escadaria que conduzia o povo a subir para rezar lá em
cima, do lado de fora, onde estaria mais próximo de “deus”. Todos, escravos e não escravos, ajudaram na
construção. Cada povo falava uma língua. Foi chamada de “TORRE de BABEL”, ninguém se entendia.
A invenção da escrita aparece na Mesopotâmia em +/- 3.000 A.C.. Os sinais da escrita ao invés
de serem desenhados, foram gravados na argila. Quando a argila estava mole, eles pegavam um estilete em
forma de cunha e gravavam na parede. É por isso chamado de cunheiforme. A escrita da Mesopotâmia
(3.000 A.C.) vai bater mais ou menos com os hieróglifos egípcios, sendo completamente diferentes um do
outro. A fase histórica é praticamente a mesma.É um passo enorme da Humanidade.
Obs.: A civilização mexicana aparece bem depois de Cristo. Ex.: os Maias.
A Mesopotâmia fica hoje mais ou menos onde estão os países Irã, Iraque. A arte era feita para
“deus”, principalmente a escultura. A escultura era super importante, especialmente para os sumerianos.
Tinha um curioso detalhe: a desproporção entre a cabeça e o corpo. A cabeça era cuidadosamente
elaborada, bem feita, enquanto o corpo eles nem ligavam. Isso acontece porque para o povo sumeriano,
principalmente o caráter, a alma das pessoas, estava no rosto e o corpo servia só de suporte. O material
usado para fazer as esculturas era muito variado. Eles utilizavam pedras, mármore, gesso, concha
marítima, sendo que estes dois últimos não duraram com o tempo. O branco dos olhos era feito de
conchas. O azul era feito lápis-lasure. Os olhos eram enormes e bem expressivos, dando expressão de fé e
serenidade.
Os acarianos vão aparecer em 3.000 a 2.500 A.C.. É um povo interessante, guiados pelo rei
Sargão. Dominam toda a Mesopotâmia e toda a Síria. São guerreadores mas não são grandes artistas. Eles
copiam a arte sumeriana. Portanto a arte acariana é muito parecida com a arte sumeriana. O que vai ter de
diferente são as famosas “estrelas” ou “estelas” que são as pedras desenhadas, gravadas ou esculpidas. A
escrita chamava-se cuneiforme por ser em forma de cunha.
A Mesopotâmia não ficou tão famosa porque o material usado nas construções não resistiu ao
tempo por serem feitos de adobe (tijolinhos de pedra). Era uma cerâmica muito ruim. Descobriram que por
baixo dos “tells” (montes) existia uma civilização fantástica. Era uma civilização tão rica quanto a do
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Egito. Eram povos unidos só pela religião. Kudurros eram os contratos feitos em pedra e escritos em
cuneiforme. Era como os contratos de doações de terras.
A única pintura que foi registrada da Mesopotâmia é a cidade de Ur. Em UR eles gostavam tanto
de ouro que faziam muita jóia usando também muito rubi, esmeralda, e ouro vermelho que mandavam
buscar no mundo inteiro. Eles obrigavam as mulheres a usar ouro. As solteiras usavam um bracelete no
braço, um grande colar e uma pulseira também na perna. Em todos os museus do mundo você vai
encontrar essas jóias. Quando essas moças casavam elas passavam a usar somente o bracelete no braço
com ouro de 2 tons sem rubis e esmeraldas. Tiravam o colar do pescoço porque elas não estavam mais
presas aos pais e sim ao marido. Aí começou o cinto da castidade. Elas colocavam um cinto no quadril,
feito também em ouro, quando os maridos saiam de casa para guerrear, ou outro motivo, para indicar que
o homem não estava em casa. Não era um cinto como o de castidade ainda, era só apoiado no quadril e
não tinham pedras preciosas. As pedras eram usadas só nas solteiras. Após casar o marido é que
representava as pedras preciosas, sendo portanto tiradas dos cintos.
Quando o homem era solteiro (mas noivo) ele tinha um grande anel no dedo anular. Quando eles
casavam passava para o outro dedo anular da mão esquerda. O anel era tão grande que ocupava o dedo
todo sem poder dobrá-lo. Depois é que vai surgir mais tarde a aliança.
Na Mesopotâmia é que vai aparecer o esmalte pela primeira vez. Eles usavam uma substância
vermelha que eles tiravam de uma árvore que hoje não existe mais. Era uma árvore parecida com romã.
Era uma substância orgânica que eles maceravam até conseguir o vermelho, misturando também com
outras substâncias. Ficava na unha por um ano. Na realidade era uma tinta, pois só hoje é que
denominamos esmalte. Todo homem e mulher casada tinham que usar nos pés e nas mãos. Quando
ficavam viúvos tinham que pintar as unhas de preto. As mulheres viúvas tinham que casar 3 meses depois
que o marido morria. Tinha uma fila de homens esperando porque o marido deixava toda a herança para a
mulher e não para os filhos. A casta da Mesopotâmia, qualquer um caldeu, assírio, qualquer povo, as
viúvas tinham que casar. Ela é que iria decidir se dava ou não a herança para os filhos, dependendo se
estes eram bons ou não.
Até 18 anos os filhos eram considerados crianças só podendo guerrear, mas não podiam ter nada.
A mulher não tinha direito sobre a herança enquanto o marido estava vivo. Essa lei vai vigorar todo o
tempo na Mesopotâmia. O homem viúvo não tinha que cumprir essa lei. Todos esses povos de uma forma
ou de outra eram guerreiros.
Obs.: Na antiga Babilônia é onde se encontra Saddam Hussein hoje.
Sobre a Mesopotâmia
Babilônia = Hoje é Irã, Iraque
Escultura de um Caldeu em terracota, olhos grandes com conchas. Pode ser visto no museu do
Louvre. Com escrita cuneiforme na própria escultura, na roupa.
Libações- é uma coisa terrível feita em função da morte, do horror, pelos assírios. Era um lugar
feito em pedra onde o morto ficava atrás e o sangue escoava por um buraco para a frente.
Vaso feito de bronze, cujo suporte era como se fossem patinhas. Foi feito na Mesopotâmia
também.
Cabra ou bode feito de ouro e lápis-lazure.
Gudéia - personagem muito bom, pensativo e que queria paz. Em sua saia está escrito em
cuneiforme a história de sua vida. Dizia que o homem tinha que governar como um governante e não
como um deus.
Um rosto em pedra alabastro, deve estar no Louvre.
Primeiro código feito no mundo, código de Hamurabi. É como se fossem as leis de Moisés, mas
não é religioso.
Stela - uma pedra escrita, gravada.
Escultura feita de bronze, como se fosse cabra, tem demônio. Trabalho assírio.
Deusa da fertilidade, caldéia. Tem cintura fina, quadril largo, seios grandes, pernas grossas.
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O rei Assurbanípal, e seus assistentes vitoriosos.
Entrada do palácio de Assurbanípal, no museu do Louvre. Porta com alto e baixo relevo esculpida
com rosto de homem com corpo de animal “touro”. Tem asas em baixo relevo.
Palácio da Babilônia em baixo relevo. Já tinham noção de perspectiva.
A leoa ferida.
Panzuka é um objeto como se fosse um talismã e que dava sorte a toda Mesopotâmia. Vão usar
pendurado no pescoço, pés, mãos, etc. Está no British Museum.
Resto do Zigurat, quando o Siro chegou na Pérsia.
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