a separação silábica a partir da compreensão do

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ISSN 2317-2320
A SEPARAÇÃO SILÁBICA A PARTIR DA COMPREENSÃO DO ROTEIRO 3 DE
ACENTUAÇÃO OBJETIVA PELA NEOPEDAGOGIA DA GRAMÁTICA
The syllable breaks from understanding the script 3 accent neopedagogia by objective of
grammar
Elisabete Costa da Silva
Alceu Vanzing
Resumo
Este trabalho aborda a Tese 2 da Neopedagogia da Gramática defendida pelo professor Francisco
Dequi, do Centro de Estudos Sintagramaticais (CES), que trata da acentuação natural das palavras:
“Dominada a tonicidade nata das palavras sem diacrítico, 99.8% dos acentos gráficos oficiais da Língua Portuguesa podem ser explicados com uma única regra”. Em especial, dá-se ênfase ao roteiro 3
da acentuação objetiva, fazendo-se um estudo das possíveis relações entre acentuação natural e
separação silábica das palavras contidas nesse roteiro. Tal estudo se dá a partir da verificação com o
maior número de amostragem de palavras contempladas no roteiro, verificando-se se essas obedecem a um mesmo “esquema” de relação, permitindo “criar” uma nova forma de compreender a divisão
silábica a partir da tonicidade natural das palavras. Demonstra-se que o domínio e a aprendizagem
da tonificação das palavras leva o aluno a ler com tonicidade correta toda palavra sem acento gráfico,
tornando o aprendizado da separação silábica facilitado. E, por fim, apontam-se algumas alternativas
metodológicas que auxiliam o professor de língua portuguesa no desenvolvimento dos conteúdos
curriculares, procurando compreender a gramática para aprimorar a leitura e escrita.
Palavras-chave: Acentuação Objetiva. Separação Silábica. Tonicidade Natural.
Abstract
This paper addresses the Thesis 2 Neopedagogia Grammar advocated by Professor Francisco Dequi,
Sintagramaticais Studies Center (ESC), which deals with the natural accent of the words: "Dominated
the tone cream of words without diacritics, 99.8% of graphic accents officials Portuguese can be explained with a single rule. " In particular, emphasis is given to the script 3 accentuation objective, making a study of the possible relationships between natural accent and separation syllabic words contained in this script. This study starts from the scan with the highest number of sampling words included in the script, checking whether these obey the same "blueprint" for the relationship, allowing
"create" a new way of understanding the hyphenation from natural tone of the words. It is shown that
the domain of learning and toning of the words takes the student to read with proper tone every word
without accent mark, making learning easier syllabic separation. And finally, it was pointed out some
methodological alternatives that assist the Portuguese teacher in the development of curricula, seeking to understand the grammar to improve reading and writing.
Keywords: Accent Lens. Syllable breaks. Natural tone.
Licenciada em Pedagogia – Anos iniciais de crianças, jovens e adultos pela UERGS. Graduada em
Letras – Habilitação em Língua Portuguesa e Língua Espanhola e suas respectivas literaturas pela
UNITINS. Especialista em Educação para a Paz pela PUC/RS. Acadêmica do Curso de Especialização em Neopedagogia da Gramática, da Faculdade de Tecnologia do IPUC/ FATIPUC, Canoas/RS.
E-mail: <[email protected]>.
Licenciado em Letras – Habilitação em Língua Portuguesa e Língua Espanhola e suas respectivas
literaturas pelo UNILASALLE, de Canoas/RS. Pós-graduado em Gramática e Ensino de Língua Portuguesa pela UFRGS. Professor nos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Tecnologia IPUC – FATIPUC –, de Canoas/RS. E-mail: <[email protected]>.
www.linguanostra.ipuc.edu.br – [email protected] – Canoas/RS, Volume 2, Número 2, agosto / dezembro de 2013.
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Introdução
O ensino e estudo da gramática portuguesa têm sido, sem dúvida, alvos de
muitos questionamentos, tendo em vista o grande número de regras e suas exceções para quase todos os temas, ou ainda, os assuntos que constam na Gramática
Tradicional, sem contar também, a forma complexa como são apresentados os tópicos a serem abordados. Os alunos a odeiam; os professores não a dominam.
Dentro deste contexto, surge uma série de “manuais” e livros com o intuito
de facilitar ao aprendiz dominá-la. Porém, o que se observa é a apresentação de
macetes, resumos e esquemas que até servem para o consumo imediato de informações, auxiliando na “memorização” das infinitas regras e exceções, como mencionado anteriormente, mas que acabam no esquecimento da maioria dos que os
buscaram.
Em contrapartida, em meados de 1976, surgiu – tanto para o ensino como à
aprendizagem da língua portuguesa – uma nova abordagem da gramática, esta sem
dúvida mais coerente, simples e lógica: a Neopedagogia da Gramática. Método revolucionário, criado pelo professor Francisco Dequi, a Neopedagogia procura levar o
aprendiz a entender bem a gramática natural, sintetizando as regras, fazendo o estudante perceber os princípios lógicos não constatados na Gramática Tradicional.
O mentor da Neopedagogia apresenta, em uma de suas inúmeras obras –
Neopedagogia da Gramática: 18 teses surpreendentes1 – questões que abordam a
gramática com outro olhar. Uma delas é a que trata da Acentuação Natural das Palavras sem Acento Gráfico. É requisito básico para a compreensão da regra única de
acentuação gráfica desenvolvida pelo Professor Dequi saber os três roteiros da acentuação regular ou natural das palavras, ou seja, reconhecer a vogal tônica das
palavras que não levam acento gráfico. Para tanto, é importante saber, primeiramente, a função do acento gráfico: deslocar a tonicidade e diferenciar o timbre. Partindo
disso, observa-se que 99,8% dos acentos podem ser explicados com apenas uma
regra de acentuação.
Ainda sobre a acentuação e já mencionada a separação silábica, segundo a
Gramática Tradicional, tais conteúdos são explicados baseados em outros termos
1
DEQUI, Francisco. Neopedagogia da Gramática: 18 teses surpreendentes. Canoas: Centro de Estudos Sintagramaticais, 2005.
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não enfatizados por Francisco Dequi: semivogais, ditongo (oral, nasal, crescente e
decrescente), hiato, tritongo (oral e nasal), para então, a exposição maçante de, aproximadamente, 20 regras gerais (10 para cada tema) e suas cansativas exceções.
Neste trabalho, será dada ênfase ao roteiro 3, uma vez que será investigado
se ele foca a separação silábica das palavras de que se ocupa.
Assim, num primeiro momento, são apresentadas as regras vigentes na
Gramática Tradicional de língua portuguesa no que se refere à acentuação e separação silábica das palavras. Ainda é exposto o roteiro didático elaborado pelo Professor Francisco Dequi, também se referindo à acentuação e separação de sílabas,
permitindo-nos fazer um comparativo entre a Gramática Tradicional e a concepção
didática da Neopedagogia.
No segundo momento, trabalha-se de forma mais detalhada com o roteiro 3
da acentuação objetiva, contida na Tese 2: Acentuação Natural das Palavras sem
Acento Gráfico. Investiga-se se as palavras contempladas no roteiro 3 da acentuação objetiva obedecem a um mesmo “esquema” de relação, permitindo, assim, “criar” uma nova forma de compreender a divisão silábica a partir da tonicidade natural
das palavras.
1 Acentuação e separação silábica: gramática tradicional x neopedagogia da
gramática
Apresentam-se aqui, de forma sucinta, as regras vigentes de acentuação e
separação silábica, procurando fazer um comparativo entre a Gramática Tradicional
e a Neopedagogia da Gramática.
1.1 Acentuação e separação silábica pela gramática tradicional: conceitos e
regras
Seguem abaixo as regras de acentuação gráfica e separação silábica baseadas nas obras Nova Minigramática da Língua Portuguesa2 e Ortografia – em conformidade com o acordo ortográfico da língua portuguesa3.
2
3
CEGALLA, Domingos Paschoal. 3. Ed. São Paulo: Companhia editora Nacional, 2008.
CATARINO, Dílson. São Paulo: Noovha América, 2009.
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1.1.1 Acentuação Gráfica
Inúmeros manuais e gramáticas escolares, quando apresentam o tema “acentuação gráfica”, recorrem ao ensino de regras que variam entre 5 a 10 itens, isto
porque algumas gramáticas adotam as regras e suas exceções, enquanto outras
apresentam estas enumeradas também como regras. Dessa forma, têm-se:
Regra 1
Põe-se acento agudo na base dos ditongos abertos e tônicos éi, éu ói de palavras oxítonas: papéis, chapéu, herói, anzóis, destrói, etc.
Obs.: – Esses ditongos não se acentuam em palavras paroxítonas: ideia, jiboia, chapeuzinho, heroico, etc.
Regra 2
Acentuam-se, via de regra, o i e u tônicos dos hiatos: saída, saúde, caía, egoísta, ruína, juízes, país, baú, baús, construí, etc.
Obs.: – Não se acentuam as ditas vogais antes de nh e também quando formam sílabas com l, m, n, r, z, i ou u: rainha, paul, amendoim, ainda, sair, juiz,
pauis, saiu, contribuiu, etc.
Também não se acentuam quando precedidas de ditongo, em palavras paroxítonas: baiuca, feiura, cheinha, saiinha, etc.
Regra 3
Não se acentua a primeira vogal dos hiatos oo, ao e ee: voo, voos, lagoa, canoa, pessoa, voa, deem, creem, leem , veem (verbo ver).
Regra 4
Acentuam-se todas as palavras proparoxítonas com acento agudo ou circunflexo, conforme o timbre da vogal tônica for aberto ou fechado: lágrima, médico, déssemos, péssimo, católico, único, seríamos, lâmpada, lêssemos, pêssego, fôssemos, estômago, etc.
Regra 5
Acentuam-se com o competente acento as palavras paroxítonas terminadas
em ditongo crescente: sábio, planície, Gávea, nódoa, régua, ânsia, espontânea, ciência, colônia, ingênuo, tênue, amêndoas, etc.
Regra 6
Acentuam-se com o devido acento as palavras paroxítonas terminadas em:
1) i, is, us, um, uns: júri, lápis, vírus, álbum, álbuns.
2) l, n, r, x: fácil, amável, imóvel, hífen, mártir, fênix.
3) ei, eis: jóquei, incríveis, úteis, fósseis, lêsseis.
4) ã, ãs, ão, ãos: ímã, ímãs, órfão, órfãos, bênção, bênçãos, etc.
Regra 7
Acentuam-se com o devido acento as palavras oxítonas terminadas em:
1) a, e, o, seguidos ou não de s: gambá, gambás, será, atrás, pajé, avó, avô,
compôs, etc.
Obs. – Seguem esta regra os verbos infinitivos terminados em a, e, o, seguidos de pronome: tratá-lo, vendê-los, compô-los, etc.
2) em, ens (nas palavras de duas ou mais sílabas): refém, reféns, contém,
entreténs, retém, reténs, etc.
3) éis, éu, éus, ói, óis: fiéis, chapéu, chapéus, herói, heróis, Niterói, corrói,
etc.
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Regra 8
Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em a(s), e(s), o(s), éis,
éu(s), ói(s): pá, pás, pé, pés, dê, dês, pó, pós, réis, véu, véus, rói, róis, etc.
Regra 9
Usa-se o acento grave exclusivamente para indicar a crase:
Cheguei à estação às 8 horas.
Assistimos às aulas.
Você já foi àquela ilha?
Entregue o livro àquele professor.
Regra 10
Acentua-se o verbo pôde (pretérito perfeito) para distinguir de pode (presente). Exemplos:
Ontem a professora não pôde dar aula.
Agora você pode ir brincar.
Leva o acento circunflexo também o verbo pôr para se distinguir de por, preposição. Exemplos:
Fui pôr meus brinquedos na caixa. (verbo)
Vendi meus selos por mil reais. (preposição)
Obs.: – Fora desses casos, não se usa o acento diferencial: o começo, o almoço, a torre, o governo, seco, medo, polo, pelo (cabelo), pera, etc.
OS GRUPOS GUE, GUI, QUE, QUI
Não se coloca o acento agudo sobre o u desses grupos, quando é proferido e
tônico. Exemplos:
averigue, averigues, averiguem, apazigue, apazigues, apaziguem, argui, arguis, arguem, etc.
Quando átono, o referido u não recebe trema, abolido no novo sistema ortográfico. Exemplos:
aguentar, arguir, frequente, tranquilo, cinquenta, enxaguei, pinguim, seques4
tro, etc.
1.1.2 Separação Silábica
A divisão de sílabas é feita com base na soletração. Usa-se o hífen para
marcar a separação silábica. Ex.: te-sou-ra, bi-sa-vô.
Convém, no entanto, observar as seguintes regras para uma correta separação de sílabas:
 Não se separam os ditongos e os tritongos:
Au-ro-ra, ou-ro, Pa-ra-guai
 Não se separam os dígrafos consonantais CH, LH, NH, GU, QU:
Che-gar, fi-lho, ga-li-nha, fo-gue-te, e-qui-va-ler
 Não se separam os grupos consonantais que iniciam palavras:
4
CEGALLA, Domingos Paschoal. Nova Minigramática da Língua.3ª ed. São Paulo: Companhia editora Nacional, 2008, pp.20, 39-41.
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Pneu-má-ti-co, gno-mo
 Separam-se as vogais que formam hiatos:
sa-í-da, Ra-i-nha, sa-ú-de
 Separam-se os dígrafos RR, SS, SC, XS, XC, SÇ:
Car-ro, as-sa-do, as-cen-são, ex-su-dar, ex-ce-ção, des-ça
 Os prefixos DES-, IN-, SUB- desmembram-se para formar outra síla
ba quando seguidos de vogal:
De-su-ni-ão, i-ne-vi-tá-vel, su-ben-ten-der
 Alguns prefixos como SUB-, quando seguidos de consoantes não se
desmembram:
5
Sub-lin-gual, sub-le-gen-da
A partir desta primeira exposição, conclui-se que a acentuação gráfica e a
separação silábica, segundo a Gramática Tradicional são explicadas baseadas em
termos como semivogais, ditongo (oral, nasal, crescente, decrescente), hiato, tritongo (oral e nasal). São terminologias que, como se verá, a Neopedagogia não costuma abordar, tendo em vista que pela regra de acentuação natural das palavras, não
é necessário o conhecimento de tais conceitos. O caminho para a acentuação objetiva e a separação silábica difere do da Gramática Tradicional. Essa traz como pontos iniciais o conhecimento prévio e o domínio de tais conceitos para, então, fazer a
exposição cansativa e maçante das regras acima citadas; aquela simplifica o estudo,
como se verá adiante.
2 Acentuação e separação silábica pela Neopedagogia da Gramática: outra
forma de ensinar e aprender
Parte-se, agora, à exposição de outra visão didática para o ensino de acentuação gráfica e separação silábica: a da Neopedagogia da Gramática. Para tanto,
baseou-se na obra Português Fono-Orto-Morfo6, de autoria do Professor Francisco
Dequi.
2.1 Acentuação Objetiva
5
6
CATARINO, Dílson. Ortografia – em conformidade com o acordo ortográfico da língua portuguesa.São Paulo: Noovha América, 2009, pp.9-28.
DEQUI, Francisco. Português: fono-orto-morfo. 6ª ed. Canoas: Centro de Estudos Sintagramaticais
– IPUC, 2011.
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No estudo da acentuação objetiva, o mais importante é a identificação da
vogal tônica. Assim, menciona-se VOGAL TÔNICA, e não, SÍLABA TÔNICA. Cabe
ainda mencionar que 100% da localização da tonicidade natural das palavras segue
três roteiros.
Primeiramente, as vogais são numeradas da direita para a esquerda. Apenas as realmente proferidas:
PUBLICO
3
2 1
REVOLVER
3 2
FLAUTA
1
32 1
ESQUENTAR
3
2
1
Em seguida, observam-se três roteiros básicos para as palavras sem acento
gráfico:
Primeiro roteiro – terminações fracas: A, E, O, AM, EM, ENS. Quando as
palavras apresentarem as terminações mencionadas, a tonicidade cairá na vogal 2,
como em publico, porem, itens, celebre, coco, domino.
Segundo roteiro – terminações fortes: TODAS AS DEMAIS. Todas as palavras não contempladas no primeiro roteiro terão a tonicidade na vogal1: revolver,
urubu, animal, maçã, abacaxi, lençol, semitom.
Terceiro roteiro: “I e U, quando antecedidos de vogal encostada e não
sendo apoiados, no lado direito, por nasalização, por consoante SUA, ou por autoajuda, cedem tonicidade para essa vogal anterior encostada”7, como nas palavras
flauta, doido, vatapau, maio, caiam.
Prof. Francisco Dequi salienta, ainda, que o S, na dinâmica da tonicidade,
jamais serve de apoio, como em Deus, doidos.
Após conhecer os três roteiros das palavras sem acento gráfico, pode-se
avançar para a Regra Única de Acentuação, que contabiliza a existência de 99,8%
das palavras que levam acento gráfico podendo ser explicadas por tal regra:
7
DEQUI, Francisco. 2011, p.55.
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“O acento gráfico anula a tonicidade natural e tonifica outra vogal. Torna forte a que seria fraca”8, como nos exemplos abaixo.
CAMELO – CAMELÔ
VICIO – VÍCIO
DUVIDA - DÚVIDA
Além disso, têm-se ainda os sinais diferenciadores que, segundo Dequi, representam 0,2% dos casos a que não se aplica a regra única de acentuação.
Os acentos nos encontros ÉI, ÉU, ÓI foram conservados somente quando
localizados na vogal 2 – dói, cruéis, troféu, céu –, pois, nesses encontros, os acentos que figuram na vogal 3 foram abolidos pelo Acordo Ortográfico: ideia, heroico,
assembleia.
Dequi menciona, ainda, os outros acentos diferenciais que permanecem
nestas palavras: pôr (verbo) / por (preposição), pôde (pretérito perfeito do indicativo)
/ pode (presente do modo indicativo), eles têm, eles vêm (apenas no plural) e o uso
facultativo de fôrma ou forma (objeto utilizado como molde) 9.
2.2 Separação Silábica
É a partir dos fonemas que se formam as sílabas, tendo sempre como núcleo uma vogal. Já as consoantes, como o próprio nome diz, soam com as vogais.
Segundo o professor Dequi, é por isso que as consoantes pertencem às vogais, veja-se o que ele afirma: “a seta da pertinência indica claramente esse relacionamento”.10 Para entender melhor, apresenta-se, a seguir, o exemplo dado pelo professor.
A TUR DI DO
estrutura silábica: V+CVC+CV+CV
A seta de pertinência também é chamada de sintagrama subordinativo enquanto que os colchetes são sintagramas coordenativos11. Sendo assim, pode-se
afirmar que o número de vogais corresponde ao número de sílabas. Também, afir-
8
DEQUI, Francisco. 2011, p.78.
DEQUI, Francisco. 2011, p.56.
10
Idem, p.14.
11
Para melhores esclarecimentos sobre os sintagramas, sugere-se consulta aos materiais do Centro
de Estudos Sintagramaticais – CES.
9
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ma-se que as vogais não pertencem umas às outras, mas exercem funções de coordenação. Dessa forma, as setas indicam a subordinação das consoantes às vogais.
Apresentam-se a seguir, de forma sucinta12, as explanações do professor
Francisco Dequi a respeito da separação silábica.
Encontros consonantais inseparáveis: sempre que a estrutura silábica de
uma palavra apresentar a sequência C+r+V ou C+l+V, não separamos as consoantes destes encontros. Exemplo:
PRO CLA MAR
estrutura silábica: CCV+CCV+CVC
Encontros biconsonantais separáveis: ocorrem quando a palavra apresentar duas consoantes intervocálicas. Neste caso, uma pertencerá à vogal anterior
e a outra, à vogal seguinte. Analisemos:
POS TE
estrutura silábica: CVC+CV
Encontros biconsonantais em início de palavras nunca serão separados, e
as duas consoantes cairão para a direita acompanhando a vogal posposta. Observe:
PSÍ QUI CO
estrutura silábica: CCV+CVV+CV
Encontros triconsonantais: quando ocorre esse tipo de encontro “deve-se
abandonar a lógica da sintaxe dos fonemas e seguir as orientações da recente reforma ortográfica” (2011, p.16). Quando o s for medial deverá ficar com a sílaba da
esquerda. Assim:
SU PERS TI ÇÃO
12
estrutura silábica: CV+CVCC+CV+CVvperiférica
Resumo do assunto abordado nas páginas 15 a 18 da obra Português: fono-orto-morfo. 6ª ed. Canoas: Centro de Estudos Sintagramaticais – IPUC, 2011.
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É importante destacar-se que m e n pós-vocálicos que não vierem seguidos
de outra vogal, não são consoantes, e sim, sinais de nasalização da vogal anterior.
Ou seja, não se trata de triconsonantismo, mas de biconsonantismo. Veja-se o exemplo.
INS PI RA ÇÃO
estrutura silábica: VnasalC+CV+CV+CVvperiférica
Encontros vocálicos e vogal periférica: as vogais se coordenam entre si,
porém, existem vogais chamadas de periféricas que são subordinadas aos núcleos
silábicos. Na Gramática Tradicional, são conhecidas como semivogais, as quais formam encontros nomeados de ditongos e tritongos. Observe:
EN DOI DE CEU
estrutura silábica: Vnasal+CVvperif+CV+CVvperif
DE SI GUAIS
estrutura silábica: CV+CV+CvperifVvperifC
Hiatos: o hiato, diferente do ditongo e tritongo, é um encontro de vogais coordenadas, ou seja, na separação silábica por serem núcleos de sílabas separamse.
BA Ú
estrutura silábica: CV+V
Assim, o estudo das sílabas pela Neopedagogia trabalha com o critério fonético-sintático, mostrando que é possível realizar a sintaxe dos elementos que compõem a palavra, de forma a estabelecer parâmetros de coordenação e subordinação
entre eles, diferenciando-se da abordagem da Gramática Tradicional que prima por
aspectos semânticos e morfológicos, onde o aluno deve apreender inúmeros conceitos e regras para dominar a separação silábica – o que nem sempre ocorre, tendo
em vista que dominar tais regras resume-se em memorizá-las, ou ainda, decorá-las,
fazendo com que o educando não aprenda na íntegra o conteúdo proposto, persistindo as dúvidas.
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Cabe, ainda, mencionar que o método da soletração pouco colabora com o
entender do aluno, uma vez que este não é “levado a perceber” os fatos gramaticais
e os relacionamentos sintáticos, claramente visualizados com o método utilizado pela Neopedagogia da Gramática.
3 O roteiro 3 de acentuação objetiva: relação de palavras contempladas e sua
separação silábica
Apresentam-se, aqui, algumas considerações sobre o roteiro 3 e suas particularidades, bem como, algumas elucidações sobre a separação silábica das palavras contempladas no roteiro.
3.1 Compreendendo melhora o roteiro 3
Retomando alguns conceitos expostos anteriormente sobre acentuação objetiva, observou-se que, no estudo da tonicidade natural das palavras sem acento
gráfico, 100% dos casos seguem três roteiros desenvolvidos pelo professor Francisco Dequi.
No roteiro 1, que trata das terminações fracas – A, E, O, AM, EM, ENS –, a
tonicidade cairá na vogal 2. No roteiro 2, cujo objeto são as terminações fortes –
todas as demais –, as palavras terão a tonicidade na vogal1. O roteiro 3, que é o
foco de estudo deste artigo, menciona:
[...] a tonicidade se fixará na vogal imediatamente precedente ao I ou U
caso estes não estiverem APOIADOS, no lado direito, ou por consoante
SUA (exceto s), ou por uma nasalização, ou por outro I/U. Nestes casos, os
13
dois itens anteriores são ignorados.
O que isso quer dizer? Acredita-se que este item, dentre os demais, é o mais
complexo, porém, ainda assim, de fácil assimilação. Para melhor compreensão, observem-se algumas elucidações com exemplos.
Segundo Dequi, “[...] a tonicidade se fixará na vogal imediatamente precedente ao I ou U...”. Nesta primeira parte da citação, compreende-se que vogal pre-
13
DEQUI, Francisco. 2011, p.59.
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cedente é a vogal que está encostada ao I ou U, ao seu lado esquerdo. Vejam-se
alguns exemplos.
MUITO
AMEIXA
ENCAIXE
JAULA
FROUXO
REPARTIU
Em todos esses exemplos, o I e o U, apesar dos roteiros 1 e 2, não retêm a
tonicidade, uma vez que, ao seu lado esquerdo, há uma vogal encostada, caindo
sobre ela a tonicidade. Isso acontece porque I e U não possuem apoio no seu lado
direito. Assim:
MUITO, AMEIXA, ENCAIXE, JAULA e FROUXO possuem terminações fracas (a, e, o), devendo obedecer ao roteiro 1, que diz que a tonicidade cai para a vogal 2, porém, a v2 é um I ou U que têm encostado à sua esquerda uma vogal; logo,
a tonicidade cairá na v3.
Já a palavra REPARTIU pertence ao rol das terminações fortes, do roteiro 2,
que diz que a tonicidade fica na v1. Porém, esta v1 que é o U está antecedida por
vogal encostada e não possui nenhum apoio do seu lado direito, fazendo com que a
tonicidade caia na v2: I.
Surge, então, um questionamento: quando I e U apresentam apoio do seu
lado direito? Segundo Francisco Dequi, “[...] caso estes não estiverem APOIADOS,
no lado direito, ou por consoante SUA (exceto s), ou por uma nasalização, ou por
outro I/U. Nestes casos, os dois itens anteriores são ignorados”.14 Observem-se alguns exemplos que analisam o que é dito acima.
Ex.1) I ou U, sendo apoiados por consoante sua: SAIRDES, RAIZ.
Pode-se fazer as seguintes constatações: em SAIRDES tem-se terminação
fraca, logo a tonicidade cai para a v2. A v2 é um I que, neste caso, apresenta uma
consoante apoiando-o no seu lado direito; dessa forma, a tonicidade é retida na v2 e
não cai para a v3. O mesmo acontece com RAIZ: está no rol das terminações fortes,
onde a tonicidade fica na v1, porém precede-se de vogal encostada (A), mas possui
apoio de consoante sua (Z), o que obriga a tonicidade a ficar retida na v1: I.
14
Idem.
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Ex. 2) I ou U sendo apoiados por nasalização: AINDA, CAUIM, MOINHO.
Tem-se para os exemplos AINDA e MOINHO a seguinte explicação: estariam contempladas no roteiro 1, pois apresentam terminação fraca (A, O). Assim, a
tonicidade iria para a v2, porém é um I que possui no seu lado esquerdo uma vogal
encostada, o que “puxa” a tonicidade para a v3, mas o I está apoiado no seu lado
direito por nasalização (N e NH), segurando a tonicidade consigo: v2.
Em CAUIM, tem-se um caso das terminações fortes, tonicidade na v1. A vogal encostada U não consegue reter a tonicidade, tendo em vista que I está apoiado
por nasalização (M).
Ex. 3) I ou U apoiados por autoajuda: INFLUIU, PAUIS, POSSUIU, CONTRAIU.
O que seria autoajuda na acentuação objetiva? Nas palavras de seu mentor,
“[...] se autoajudarem e consoarem, ou seja, na sequência de três vogais, I e U se
autoapoiam. O postado no lado direito, apoia o do lado esquerdo, para que este não
deixe a tonicidade fugir para a vogal três”.15
Sendo assim, tem-se, em INFLUIU, POSSUIU e CONTRAIU, I apoiado por
autoajuda. Os exemplos pertencem ao rol das terminações fortes (U), a tonicidade
ficaria retida na v1, porém há o I como vogal encostada, ao lado esquerdo e, como o
U não apresenta nenhum apoio ao lado direito, a tonicidade fica na v2: I. Neste caso,
a tonicidade não vai para a v3 porque U e I se autoapoiam.
Também em PAUIS, mesmo sendo das terminações fortes, I não segura a
tonicidade por ter uma vogal encostada (U), estando na condição de autoajuda a
tonicidade não cairá para a v3 (A), fica retida na v2 (U). É importante ressaltar, novamente, que o S jamais serve de apoio: Deus, doidos, por isso que PAUIS não apresenta apoio do seu lado direito.
Encerrando as elucidações sobre o roteiro três de acentuação objetiva, coloca-se ainda uma constatação feita após a reforma ortográfica, que aboliu o acento
nos hiatos (ver regra 2, capítulo 1, subtítulo 1.1.1, deste artigo) precedidos de ditongo. Nesta constatação, Dequi simplifica o que a Gramática Tradicional complica:
15
DEQUI, Francisco. 2011, p.60.
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[...] podemos dizer que I e U mantêm tonicidade nata na vogal dois se no
lado direito tiverem apoio de consoante sua, ou de uma nasalização clara.
Também, mantêm tonicidade na vogal dois, caso no seu lado esquerdo, a16
parecerem mais de uma vogal”.
Assim, têm-se palavras como FEIURA, COBAIUVA, BAIUCA, exemplificando tal afirmação.
Feitas essas observações, passar-se-á, agora, à análise de palavras contempladas no roteiro 3, precisamente à daquelas em que I ou U não estejam apoiados por consoante sua, por nasalização ou por autoajuda.
2.3 Palavras contempladas no roteiro 3 e sua separação silábica: obedecem a
um mesmo esquema de relação?
Após fazer este apanhado sobre separação silábica e acentuação gráfica,
realizando um paralelo entre a abordagem da Gramática Tradicional e a concepção
da Neopedagogia da Gramática desenvolvida pelo CES, parte-se para a seguinte
indagação: é possível afirmar que I e U, quando não apoiados por consoante SUA,
ou por nasalização, ou ainda por outro I/U e antecedidos por vogal encostada – roteiro 3 da tonicidade regular ou natural –, na separação silábica permanecerão sempre com a vogal encostada?
A partir do que foi visto anteriormente, busca-se, aqui, trazer um maior número de palavras que estejam contempladas no roteiro 3 da acentuação objetiva,
para fazer a sua análise dentro do tema em estudo, porém é importante deixar claro
que a lista contida a seguir é apenas uma parcela das palavras que podem ser incluídas no referido roteiro.
Dessa forma, apresentar-se-á uma série de palavras17 e uma breve análise
da sua separação silábica, observando se há influência exercida pela prática do que
prevê o roteiro 3 de acentuação objetiva na aprendizagem de separação silábica.
16
17
a-ba-ca-tei-ro
a-cou-tar
cir-cui-to
ge-rais
Neu-ral
a-bai-xar
a-poi-ar
claus-tro
goi-var
o-dei-am
a-ba-te-dou-ro
a-poi-o
cou-ve
gra-tui-to
ou-ro
Idem.
LUFT, Celso Pedro Ática. Dicionário Eletrônico. São Paulo: Ática,1998.
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a-bei-rar
au-ge
dei-tar
in-tui-to
ou-trem
a-bi-ei-ro
au-la
Deus
jau-la
ou-tro
a-bis-coi-tar
au-ra
deu-sa
lai-co
pa-pa-gai-o
a-bo-bo-rei-ra
aus-tral
lou-ro
re-cai-a
tai-par
a-boi-ar
ca-dei-ra
gra-tui-to
pro-sai-co
sou-to
a-bra-ça-dei-ra
ca-va-lei-ro
lou-ça
pau-sa
sau-dar
a-bra-si-lei-rar
ca-va-lhei-ro
lou-sa
re-cai
sau-na
a-çai-mo
dou-tor
lau-do
ro-quei-ro
ta-pui-a
a-ça-i-zei-ro
doi-do
mai-o
ro-tei-ro
tou-ca
a-cei-tar
fau-na
mai-or
re-cei-o
tou-ro
a-çoi-te
faus-to
maus
re-cei-ta
ta-pui-a
a-çou-gue
feu-dal
ma-cai-a
ro-sei-ral
u-ru-guai-o
aus-tro
flau-ta
Moi-ta
sal-mou-ra
va-ta-pau
bai-o
flui-do
pei-to
sai-a
vai-ar
bai-ta
for-tui-to
pou-co
sau-dar
vei-a
bai-xo
gai-ta
pou-par
sin-ta-gra-ma-ti-cais vo-gais
ca-dei-a
Após a separação silábica das palavras acima elencadas, observou-se que
aquelas que estariam contempladas no roteiro 1 de acentuação objetiva, ou seja,
que tinham terminação fraca (palavras em azul) a tonicidade cairia para a v2; porém,
tendo em vista que esta é I ou U e que não está apoiada por consoante sua, por nasalização ou autoajuda, e que, à sua esquerda, apresenta-se vogal encostada, a
tonicidade ficou retida na v3.
Ao mesmo tempo, as palavras em vermelho estariam no rol das terminações
fortes, onde a tonicidade ficaria com a v1; porém, seguindo-se o mesmo raciocínio
adotado para a análise das demais palavras, por possuir vogal encostada e não ter
apoio algum do seu lado direito, a tonicidade irá para a v2, em palavras como VOGAIS, VATAPAU, SINTAGRAMATICAIS, RECAI e MAIS; e, para a v3, em exemplos
como VAIAR, ROSEIRAL, DOUTOR.
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Em ambos os casos, ou seja, em todas as palavras analisadas, verificou-se
que obedeciam a um mesmo “esquema” de relação, permitindo, assim, “criar” uma
nova forma de compreender a divisão silábica a partir da tonicidade natural das palavras. Assim, pode-se responder à indagação inicial, com um SIM, pois é possível
afirmar que I e U, quando não apoiados por consoante SUA, ou por nasalização, ou
ainda por outro I/U e antecedidos por vogal encostada – roteiro 3 da tonicidade regular ou natural –, na separação silábica, permanecerão sempre com a vogal encostada.
Considerações finais
Neste trabalho, fez-se uma reflexão acerca da Tese 2 da Neopedagogia da
Gramática defendida pelo professor Francisco Dequi, fundador do CES: “Dominada
a tonicidade nata das palavras sem diacrítico, 99.8% dos acentos gráficos oficiais da
língua portuguesa podem ser explicados com uma única regra”. Em especial, deu-se
ênfase ao conteúdo do roteiro 3 da acentuação objetiva, fazendo-se um estudo das
possíveis relações entre separação silábica e acentuação objetiva.
Apontam-se, assim, paralelos entre a Gramática Tradicional e os estudos
realizados pela Neopedagogia da Gramática. Em seguida, trabalhou-se com o roteiro 3 de acentuação objetiva, examinando-se uma série de palavras, onde foi possível verificar que obedeciam a um mesmo “esquema” de relação, permitindo “criar”
uma nova forma de compreender a divisão silábica, a partir da tonicidade natural das
palavras.
Comprovou-se, ainda, que a tonicidade natural, abordada pela Neopedagogia da Gramática configura-se como um novo caminho para explicar o acento gráfico
oficial, que precisa ser considerado, trabalhado e legitimado como componente importante dentro do estudo e ensino da língua portuguesa.
Demonstrou-se, também, que o domínio e aprendizagem da tonificação das
palavras leva o aluno a ler com tonicidade correta toda palavra sem acento gráfico,
facilitando-se, também, o aprendizado da separação silábica.
Por último, comprovou-se que a acentuação objetiva oferece subsídios aos
professores e aos discentes para uma maior compreensão da relação existente entre tonicidade natural e separação silábica.
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Por tudo isso, acredita-se que é possível, sim, tornar o processo de ensinoaprendizagem mais objetivo e útil. Comprova-se, ainda, que nomenclaturas e conceitos como semivogal, ditongo, tritongo e suas nuances não levam os usuários da
língua a melhorar a leitura e a escrita. Sabe-se que a metodologia do levar a perceber tornou-se mais eficaz do que a do memorizar e decorar.
Referências
CATARINO, Dílson. Ortografia – em conformidade com o acordo ortográfico da língua portuguesa. São Paulo: Noovha América, 2009.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Nova Minigramática da Língua Portuguesa. 3ª ed.
São Paulo: Companhia editora Nacional, 2008.
DEQUI, Francisco. Carta Magna da Língua Portuguesa. Canoas: IPUC / CES, 2006.
______. Neopedagogia da Gramática: 18 teses surpreendentes. Canoas: IPUC /
CES, 2005.
______. Português: fono-orto-morfo. 6ª ed. Canoas: Centro de Estudos Sintagramaticais – IPUC, 2011.
LUFT, Celso Pedro Ática. Dicionário Eletrônico. São Paulo: Ática,1998.
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