1.3 Max Weber e a busca das conexões de sentido

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CIÊNCIAS SOCIAIS
MÓDULO 2
AS PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES DO
PENSAMENTO SOCIOLÓGICO CLÁSSICO e
A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE
CAPITALISTA NO BRASIL
Índice
1. As Principais Contribuições do Pensamento Sociológico
Clássico .................................................................. 3
1.1 Émile Durkheim e o pensamento positivista.............. 3
1.1.1 A relação indivíduo x sociedade ......................... 4
1.1.2 Os fatos sociais e a consciência coletiva .............. 4
1.1.3 Solidariedade mecânica e orgânica .................... 5
1.2 Karl Marx e o materialismo histórico e dialético ......... 6
1.2.1 Classes sociais ................................................ 6
1.2.2 Ideologia e alienação ....................................... 6
1.2.3 Salário, valor, lucro, mais-valia ......................... 7
1.2.4 A amplitude da contribuição de Karl Marx ........... 7
1.3 Max Weber e a busca das conexões de sentido ......... 8
1.3.1 Ação social e tipo ideal ..................................... 8
1.3.2 A tarefa do cientista ........................................ 9
1.3.3 A ética protestante e o espírito do capitalismo ..... 9
1.3.4 Teoria da burocracia e os tipos de dominação ..... 10
2. A Formação da Sociedade Capitalista no Brasil ............. 11
2.1 Industrialização e formação da sociedade de classes ... 11
2.2 O capitalismo dependente .................................... 12
2
Ciências Sociais - Módulo 2: As Principais Contribuições do Pensamento Sociológico Clássico e a
Formação da Sociedade Capitalista no Brasil
1. AS PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES DO PENSAMENTO
SOCIOLÓGICO CLÁSSICO
Nesta unidade, estudaremos o pensamento sociológico clássico, que
consiste na compreensão dos três princípios explicativos da realidade social.
É usual alunos nos perguntarem qual a razão do estudo de pensadores que
viveram no século XIX?
A importância da compreensão das principais matrizes do pensamento
social deve-se à sua capacidade de explicar o mundo contemporâneo. A
atualidade de suas obras significa que elas não foram corroídas com o tempo
e são capazes de lançar luz na compreensão do mundo contemporâneo.
Nesta unidade é importante compreender o conjunto de princípios
fundamentais que formam a teoria social desses autores e seus principais
conceitos.
1.1 ÉMILE DURKHEIM E O PENSAMENTO POSITIVISTA
O positivismo é uma corrente de pensamento que surgiu no século XIX
na Europa e foi fortemente influenciada pela crescente valorização da ciência
como fonte de obtenção da verdade. O positivismo inspirou-se no método de
investigação das ciências da natureza e a biologia foi considerada como
referência. A sociedade era passível de compreensão, e o homem possuía
uma natureza social.
As pesquisas sobre o funcionamento do corpo humano conduziram os
positivistas a pensarem a sociedade como um grande organismo social,
constituído de partes integradas e coesas que deveriam funcionar
harmonicamente. Desde modo, é preciso conhecer sua anatomia e descobrir
as causas de suas doenças.
Outra forte influência do pensamento positivista foi o darwinismo
social, que consistiu na crença de que as sociedades mudariam e evoluiriam
num mesmo sentido. Émile Durkheim (1858-1917) foi o pensador francês
que deu à Sociologia o status de disciplina acadêmica. Viveu em uma época
de grandes crises econômicas e sociais, que causavam desemprego e miséria
entre os trabalhadores. As freqüentes ondas de suicídio eram analisadas
como indício de que a sociedade encontrava-se incapaz de exercer controle
sobre o comportamento de seus membros.
Acreditava que os problemas de sua época não eram de natureza
econômica, mas de natureza moral, pois as regras de conduta não estavam
funcionando. Via a necessidade de criação de novos hábitos e
comportamentos no homem moderno visando ao bom funcionamento da
sociedade.
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Ciências Sociais - Módulo 2: As Principais Contribuições do Pensamento Sociológico Clássico e a
Formação da Sociedade Capitalista no Brasil
PONTO DE REFLEXÃO:
Durkheim acreditava que os problemas de sua época eram de natureza
moral, e atualmente? Nossos problemas são de natureza moral ou
econômica?
1.1.1 A relação indivíduo x sociedade
Ao nascer o indivíduo encontra a sociedade pronta e acabada. As
maneiras de se comportar, de sentir as coisas, de curtir a vida, já foram
estabelecidas pelos “outros” e possuem a qualidade de serem coercitivas1. A
impositividade do social sobre o individual é que determina nosso
comportamento, por isso o comportamento social deve ser pautado nas
regras socialmente aprovadas. Veja como DURKHEIM (1985: 2) exemplifica
esta questão:
“Se não me submeto às convenções mundanas; se, ao me vestir, não
levo em consideração os usos seguidos em meu país e na minha classe, o
riso que provoco, o afastamento em que os outros me conservam, produzem
os mesmos efeitos de uma pena propriamente dita.(...) Não sou obrigado a
falar o mesmo idioma que meus compatriotas, nem empregar as moedas
legais; mas é impossível agir de outra maneira. (...) Se sou industrial, nada
me proíbe de trabalhar utilizando processos e técnicas do século passado;
mas, se o fizer, terei a ruína como resultado inevitável”.
Portanto, não existe espaço para manifestação da individualidade, pois
é o social que determina nosso comportamento individual, atuando como
uma verdadeira “camisa de força” sobre as nossas individualidades.
1.1.2 Os fatos sociais e a consciência coletiva
Para Durkheim, a Sociologia deveria se ocupar com os fatos sociais
que são fatos de natureza coletiva que se apresentam ao indivíduo como
exteriores e coercitivos. Assinala o caráter impositivo dos fatos sociais.
Eis aqui um conceito fundamental para analisar a sociedade.
OS FATOS SOCIAIS SÃO TODOS AQUELES QUE TENHAM TRÊS
CARACTERÍSTICAS:
1.
exterioridade -, ou seja, não foi criado por nós, é exterior à
nossa vontade.
2.
coercitividade - que enquadra nosso comportamento, atua pela
intimidação e induz o homem a aceitação das regras a despeito
de seus anseios e opções pessoais.
3.
generalidade - qualidade do que é geral, ou seja, atinge um
grande número de pessoas na sociedade.
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Formação da Sociedade Capitalista no Brasil
Os fatos sociais podem ser normais ou patológicos. Um fato social
normal é aquele que desempenha alguma função importante para sua
adaptação ou evolução, como o crime1. Um fato patológico é aquele que se
encontra fora dos limites permitidos pela ordem social.
Os fatos sociais são considerados patológicos quando as leis não
funcionam, quando as regras não estão claramente estabelecidas;
estaríamos diante da anomia.
PONTO DE REFLEXÃO:
O desemprego é um fato social? Por quê?
Por consciência coletiva entende-se que um conjunto de idéias comuns
que formam a base para uma consciência da sociedade. Cada um de nós
possui uma consciência individual, que faz parte de nossa personalidade.
Existe também uma consciência coletiva formada pelas idéias comuns que
estão presentes em todas as consciências individuais de uma sociedade.
A consciência coletiva está difusa na sociedade e, por isso, ela é
exterior ao indivíduo, quer dizer, a consciência coletiva não é o que o
indivíduo pensa, mas o que a sociedade pensa. Ela age sobre o indivíduo de
maneira coercitiva, exercendo uma autoridade sobre o modo do indivíduo
agir no meio social.
Desse modo, podemos concluir que a consciência coletiva não é o que
o indivíduo pensa, mas o que a sociedade pensa. A consciência coletiva age
como a moral vigente na sociedade. Ela define em uma sociedade o que é
considerado imoral, reprovável ou criminoso1.
É possível sentirmos a força da consciência coletiva nos intensos
debates públicos que temos em nossa sociedade nos últimos tempos sobre a
legalização do aborto, descriminalização do uso de drogas etc.
1.1.3 Solidariedade mecânica e orgânica
Outro conceito importante deste autor é: solidariedade mecânica, que
significa a união de pessoas a partir da semelhança na religião, tradição ou
sentimentos. A solidariedade orgânica é a união de pessoas a partir da
dependência que uma tem da outra para realizar alguma atividade social. O
que une o grupo é a dependência que cada um tem da atividade do outro.
Esta união é dada pela especialização de funções. Desde modo, considerava
a crescente divisão do trabalho como uma possibilidade de aumento da
solidariedade entre os homens.
O único espaço para o exercício da individualidade é na especialização
do trabalho. Considera que instituições que no passado exerciam papel de
integração social, como a igreja, a família, perderam sua eficácia. A partir de
então a sociedade moderna leva os indivíduos a se agruparem segundo suas
atividades profissionais.
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Formação da Sociedade Capitalista no Brasil
A profissão assume importância cada vez maior na vida social, tornase herdeira da família, substituindo-a.
Para Durkheim, a Sociologia, como ciência, deve ser portada de uma
neutralidade diante dos fatos sociais, ou seja, a Sociologia não deve
envolver-se com política. Toda reforma social deve estar baseada
primeiramente no conhecimento prévio e científico da sociedade e não na
ação política.
A função da Sociologia seria detectar e buscar soluções para os
problemas sociais restaurando a normalidade social e convertendo-se em
técnica de controle social.
Enfim, não há espaço nesta elaboração teórica para o exercício da
liberdade individual, vê o ser humano como um ser passivo, não como
sujeito capaz de atuar para a transformação social.
1.2 KARL MARX E O MATERIALISMO HISTÓRICO E DIALÉTICO
Karl Marx (1818-1883) foi um pensador que recebeu influências de
várias ciências e influenciou a atuação política de várias gerações que o
sucederam. Vamos iniciar nossa exposição discutindo seu método de análise
da realidade.
Fortemente influenciado pelo filósofo Hegel (1770-1831) que
sistematizou os princípios da dialética que consiste em considerar que as
coisas possuem movimento e estão relacionadas umas com as outras. Desde
modo, a realidade é um constante devir, marcada pela luta dos opostos (ex:
vida x morte, saúde x doença etc). Neste modelo de análise, é a contradição
que atua como verdadeiro motor do pensamento.
Partindo da análise da base material da sociedade, a estrutura
econômica1, Karl Marx busca colocar em evidência os antagonismos e
contradições do capitalismo.
1.2.1 Classes sociais
As desigualdades são a base da formação das classes sociais. As duas
classes sociais básicas burguesia X proletariado mantêm relação de
exploração, ao mesmo tempo em que são complementares, pois uma só
existe em relação à outra.
A classe média, os pequenos industriais, os pequenos comerciantes e
camponeses vão se proletarizando na medida que seu pequeno capital não
lhes permite concorrer com a grande indústria. Desde modo, há uma
simplificação dos antagonismos passando a existir duas classes
fundamentais: a burguesia e o proletariado.
1.2.2 Ideologia e alienação
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Formação da Sociedade Capitalista no Brasil
Concebe a ideologia como um sistema de inversão da realidade, cujas
idéias da elite aparecem como dominantes em uma época. Procura, assim,
ocultar a verdadeira natureza das relações de produção pautadas na
exploração.
A ideologia (burguesa) tem como objetivo fazer com que as pessoas
não percebam que a sociedade é dividida em classes sociais. Desde modo, a
ideologia contribui para a manutenção das estruturas de dominação.
Por alienação entende-se a perda da consciência da realidade
concreta. No capitalismo, a propriedade privada e o assalariamento separam
o trabalhador dos meios de produção e do fruto do trabalho, desde modo, ao
vender sua força de trabalho, o trabalhador aliena-se, pois não se vê como
produtor das riquezas.
A alienação política significa que o princípio da representatividade não
garante ao trabalhador a participação política efetiva, pois este não se vê
como um ser capaz de intervir nos destinos políticos da sociedade.
A partir desses conceitos é possível compreender por que os setores
oprimidos da sociedade não se rebelam contra o sistema, pois o sistema de
dominação social é introjetado na cabeça dos oprimidos, que passam a ver
com naturalidade a desigualdade e a opressão.
1.2.3 Salário, valor, lucro, mais-valia
O salário é o valor da força de trabalho, considerada no capitalismo
como uma mercadoria qualquer. O salário deve corresponder à quantia que
permita ao trabalhador alimentar-se, vestir, cuidar dos filhos, garantindo a
reprodução das condições de vida do trabalhador e de sua família.
O trabalho é fonte de criação de valor, então como explicar que os
trabalhadores que mais trabalham são os que têm menos dinheiro? Para
Marx, todo assalariado ganha menos do que a riqueza que produz. A
diferença entre a valor da riqueza produzida e o salário é que denominamos
lucro. Se o capitalista pagasse ao assalariado o valor da riqueza que este
produziu, não haveria exploração.
Ao estabelecer relação entre salário e produtividade, Marx conclui que
o empresário, ao pagar os salários aos trabalhadores, nunca paga a estes o
que eles realmente produziram. Por maisvalia entende-se a diferença entre o
preço de custo da força de trabalho (salário) e o valor da mercadoria
produzida. Em outras palavras, é o valor excedente produzido pelo
trabalhador que fica com o capitalista.
1.2.4 A amplitude da contribuição de Karl Marx
Considera-se que o capitalismo baseia-se na exploração do trabalho,
uma exploração oculta, mascarada. A dominação burguesa não se restringe
ao campo econômico, ela se estende ao campo político, que via no Estado
mais uma instituição para reprimir a classe trabalhadora.
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No plano cultural, a dominação burguesa dá-se pelo controle dos
meios de comunicação de massas, que difunde os valores e concepções da
burguesia.
A teoria de Karl Marx tem longo alcance e adquiriu dimensões de ideal
revolucionário e de ação política efetiva e teve ampla repercussão em todo
mundo incentivando a formação de partidos marxistas e sindicatos
contestadores da ordem.
1.3 MAX WEBER E A BUSCA DAS CONEXÕES DE SENTIDO
Max Weber (1864-1920) tinha como preocupação compreender a
racionalidade, pois o capitalismo levou a uma crescente racionalização da
sociedade, levando à mecanização das relações humanas.
Sua preocupação central é compreender a maneira como a razão podia
apreender o conhecimento, pois os acontecimentos são compreendidos não
pela sua concretude, mas pela maneira como são interiorizados pelos
indivíduos.
Desde modo é preciso compreender a ação dos indivíduos, suas
intenções e motivações.
1.3.1 Ação social e tipo ideal
Ação social é qualquer ação que um indivíduo faz orientandose pela
ação dos outros. Por exemplo, um eleitor define seu voto orientando-se pela
ação dos demais eleitores. Embora o ato de votar seja individual, a
compreensão do ato só é possível se percebermos que a escolha feita por ele
tem como referência o conjunto dos demais eleitores.
Os tipos de ação social identificado por Max Weber são:
Tipos de ação
social
Elemento polarizador
Racional por valor
Valor (determinado pela crença em um
valor considerado importante)
Racional por fim
Finalidade
(determinado
pelo
cálculo
racional que coloca fins e organiza os
meios)
Tradicional
Tradição (determinado por um costume ou
hábito)
Afetiva
Sentimento (determinado por afetos ou
estados sentimentais)
A partir desta classificação é possível perceber que o homem dá
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sentido à sua ação. Cada sujeito age levado por um motivo que se orienta
pela tradição, interesses racionais ou pela emotividade.
Ponto de reflexão
O ato de comprar uma mercadoria pode ser considerado uma ação
social?
O tipo ideal é um recurso metodológico que permite dar um enfoque
ao pesquisador em meio à variedade de fenômenos observáveis na vida
social. Consiste basicamente em enfatizar determinados traços da realidade,
mesmo que estes não se apresentem assim nas situações efetivamente
observáveis.
1.3.2 A tarefa do cientista
Há uma fronteira que separa o cientista, homem do saber – do
político, homem da ação. E qual a relação entre ciência e política, ou entre o
cientista e o político?
Concebendo o cientista como o homem do saber, das análises frias e
penetrantes, e o político como o homem de ação e decisão, comprometido
com as questões práticas, identifica dois tipos de ética: a ética do cientista é
a ética da convicção, e a ética do político é a da responsabilidade. Cabe ao
cientista oferecer ao político o entendimento claro de sua conduta.
1.3.3 A ética protestante e o espírito do capitalismo
Busca examinar as implicações das orientações religiosas na conduta
econômica dos indivíduos. Através de pesquisas, constatou-se que para
algumas seitas protestantes puritanas, o êxito econômico era um indício da
bênção de Deus.
A partir de dados estatísticos, que mostram a proeminência de
adeptos da Reforma entre os grandes homens de negócio, procuram-se
estabelecer as conexões entre a doutrina protestante e o desenvolvimento do
capitalismo. Conclui-se que os valores como a disciplina, a poupança, a
austeridade, a propensão ao trabalho foram fundamentais para o
desenvolvimento do capitalismo. Portanto, é possível estabelecer relação
entre religião e sociedade, na medida que a primeira dá aos indivíduos um
conjunto de valores que são transformados em motivos de ação.
A motivação protestante para o trabalho é encará-lo como uma
vocação, como um fim absoluto em si mesmo, e não com o ganho material
obtido através dele. Ao buscar sair-se bem na profissão, mostrando sua
própria
virtude e vocação e renunciando aos prazeres materiais, o
protestante puritano adapta-se facilmente ao mercado de trabalho.
Ao analisar os valores do catolicismo e do protestantismo, conclui-se
que os últimos revelam a tendência ao racionalismo econômico que
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Formação da Sociedade Capitalista no Brasil
predomina no capitalismo.
1.3.4 Teoria da burocracia e os tipos de dominação
A burocracia tem uma presença marcante na sociedade moderna e é
definida como uma estrutura social na qual a direção das atividades coletivas
fica a cargo de um aparelho impessoal hierarquicamente organizado, que
deve agir segundo critérios impessoais e métodos racionais. Burocracia
designa poder, controle e alienação e é baseada na razão e no direito.
A burocracia surge das necessidades técnicas de coordenação e
supervisão, da necessidade de planejar a produção. Ela protege o indivíduo e
dá tratamento igualitário às partes interessadas.
Eis abaixo algumas características da burocracia:
1.
Todas as burocracias têm uma divisão explícita de trabalho, com
cada posição com um conjunto limitado de responsabilidades.
2.
As normas que governam o comportamento em qualquer posição
são explícitas, claras e codificadas em forma escrita.
3.
Posições diferentes são ordenadas hierarquicamente, com
posições e postos mais altos supervisionando os mais baixos.
4.
Os indivíduos devem reprimir emoções
desempenham seus papéis designados.
5.
As pessoas ocupam posições por competência técnica e não por
atributos pessoais.
6.
As posições e
organizações.
postos
não
pertencem
e
à
paixões
pessoa,
quando
mas
às
A burocratização tende a se generalizar a todos os setores da vida
social: a economia, a política e a cultura.
Ponto de reflexão:
A burocracia é necessária?
Sim, pois sem ela as organizações se perderiam na improvisação e no
arbítrio. Para Weber, a função da burocracia é reduzir conflitos e as regras
economizam esforços, pois eliminam a necessidade de encontrar uma nova
solução para cada problema, além de facilitar a padronização e igualdade no
tratamento de muitos casos.
Os tipos puros de dominação encontrados em uma sociedade são
classificados em:

Dominação
tradicional
-
a
legitimidade
deste
tipo
de
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dominação vem da crença dos dominados de que há qualidade
na maneira como nossos antepassados resolveram seus
problemas. É caracterizada por uma relação de fidelidade
política.

Dominação carismática - a legitimidade vem do carisma, da
crença em qualidades excepcionais de alguém para dirigir um
grupo social. Neste tipo de dominação, há uma devoção afetiva
ao dominador, que geralmente é portador de um poder
intelectual ou de oratória.

Dominação racional legal - a legitimidade provém da crença
na justiça da lei. Neste caso o povo obedece porque crê que ela
é decretada segundo procedimentos corretos.
Ponto de reflexão:
Como a dominação é exercida em seu trabalho?
Max Weber não considerava o capitalismo injusto, irracional ou
anárquico. As instituições, como a grande empresa, constituíam
demonstração de uma organização racional que desenvolvia suas atividades
dentro de um padrão de eficiência e precisão1. Sua crítica à burocracia é que
ela levou a um desencantamento do mundo, tirando seu caráter mágico e
mecanizando as relações humanas. A racionalidade do capitalismo
conduzianos a um mundo cada vez mais intelectualizado e artificial que
abandonaria para sempre os aspectos mágicos e intuitivos do pensamento.
Sua visão dos tempos modernos era melancólica e pessimista.
2. A FORMAÇÃO DA SOCIEDADE CAPITALISTA NO BRASIL
Até agora discutimos as bases do capitalismo mundial. Nesta unidade
vamos falar um pouco das particularidades do capitalismo no Brasil.
A sociedade brasileira constituiu-se a partir do processo de expansão
do capitalismo europeu a partir do século XV. No início, todas as relações
comerciais eram voltadas para a metrópole e aqui se mantinham relações
sociais baseadas na escravidão.
Somente no século XIX, com a abolição da escravidão e a chegada de
um grande contingente de imigrantes é que se introduziu o trabalho livre. No
ciclo do café, outras atividades econômicas desenvolveram-se como:
transporte ferroviário, o sistema bancário, pequenas indústrias de alimentos
e têxteis, que dinamizaram a vida nas áreas urbanas
2.1 INDUSTRIALIZAÇÃO E FORMAÇÃO DA SOCIEDADE DE
CLASSES
Vários estudos indicam que o processo de industrialização do Brasil
esteve ligado ao desenvolvimento da economia cafeeira no Estado de São
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Ciências Sociais - Módulo 2: As Principais Contribuições do Pensamento Sociológico Clássico e a
Formação da Sociedade Capitalista no Brasil
Paulo.
Uma das razões da industrialização foi a introdução do trabalho livre
com o grande surto migratório que o país viveu no século XIX, que gerou um
mercado consumidor de produtos industriais.
Segundo (VITA: 1989, 137) a forma como se organizaram os negócios
do café permitiu a formação de uma ‘consciência burguesa’ entre os
fazendeiros, pois o capital acumulado no café era utilizado na diversificação
das atividades econômicas. Desde modo, o capital acumulado com a venda
do café era investido em outra atividade que possibilitasse a obtenção de
lucro.
Já no início dos anos 20, grandes empresas norte-americanas
instalaram filiais no Brasil: Ford, Firestone, Armour, IBM etc..1 Com a crise
mundial do início dos anos 30, a economia brasileira deixa de ser voltada
para a exportação e apóia-se na interiorização e na industrialização. Porém a
partir dos anos 50, a chegada de um grande número de empresas
estrangeiras, a economia industrial brasileira volta- se novamente para o
mercado externo.
2.2 O CAPITALISMO DEPENDENTE
O grau de dependência que a economia brasileira tem com relação às
potências estrangeiras pode ser compreendido a partir da compreensão do
modelo de desenvolvimento industrial que o país teve, onde se privilegiou a
indústria de bens de consumo em detrimento da indústria de bens de capital.
Outro aspecto que merece ser mencionado a respeito da dependência
estrangeira, diz respeito à ausência de produção de tecnologia no país, que
adotou por um modelo de desenvolvimento industrial marcado tanto pela
dependência tecnológica como pela de capital estrangeiro.
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