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EIXO TEMÁTICO 5: FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS E BIOLOGIA
MODALIDADE: COMUNICAÇÃO ORAL – CO.49
OLHARES SOBRE A ESCOLA E A FORMAÇÃO DOCENTE: PERCEPÇÕES DE
BOLSISTAS DO PIBID-BIO/UFSJ SOBRE SUAS EXPERIÊNCIAS
Priscila Matilde Milagres Ferrão, UFSJ, [email protected]
Déborah Gontijo de Castro, UFSJ, [email protected]
Rangel Goulart Cabral, UFSJ, [email protected]
Bruno Venâncio, UFSJ, [email protected]
Aparecida Auxiliadora Leite, Escola Municipal Carlos Damiano Fuzatto, [email protected]
Gabriel Menezes Viana, UFSJ, [email protected]
CAPES
RESUMO
Este trabalho consiste de um relato de experiências coletivas, construído em torno de
reflexões sobre a formação do professor de Ciências e Biologia na perspectiva de quatro
bolsistas do PIBID-BIO da UFSJ. À partir de experiências desenvolvidas na escola e dentro
de um coletivo de professores em formação, buscamos destacar alguns aspectos sobre práticas
desenvolvidas no contexto escolar, assim como, nossa construção de olhares e percepções
sobre as experiências desenvolvidas e como isso contribuiu para nossa formação.
Palavras-chave: PIBID-BIO/UFSJ; formação docente; olhares sobre a escola.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho traz reflexões construídas por um coletivo de licenciandos a partir
do desenvolvimento de atividades do PIBID-BIOLOGIA da UFSJ em escolas e em reuniões
na universidade.
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, o PIBID, vêm
demonstrando ser um grande aliado na formação de professores no Brasil. Como se sabe,
entre vários aspectos, destaca-se a contribuição que tal programa oferece para uma
aproximação maior e melhor entre universidade e escola. Nesse sentido, dizemos de uma
grande oportunidade que se colocar para que todos os sujeitos envolvidos (coordenador,
bolsistas, professores-tutores, direção e alunos da escola) têm de ao pensar e pesquisar juntos,
poderem aturem de modo mais orientado e reflexivo. Contribuindo assim para uma formação
docente mais contextualizada no espaço escolar e, porquê também não dizer, de uma escola
pública mais coletiva e próxima do saber acadêmico.
O PIBID-BIO da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ) realiza atividades
desde o ano de 2009. Possuindo assim um bom repertório de experiências com algumas
escolas da educação básica desse município. Tais experiências, trouxeram consigo um
conjunto de reflexões que, na grande maioria das vezes, nos permitiram construir relações
com teorias do campo da formação de professores de Ciências e Biologia.
No presente edital, trazemos como um de nossos objetivos uma atenção para dois
eixos orientadores de nossas práticas nas escolas: a transdisciplinaridade e o atendimento às
diversidades (Projeto PIBID-BIO 2014).
A contemporaneidade apresenta necessidades múltiplas, que se misturam e pedem que
nossa visão de mundo seja cada vez mais aberta às diversas formas de poder compreendê-lo e
transformá-lo. Assim como podermos evoluir também como seres humanos mais dignos,
dispostos a olhar para esse mesmo mundo e sermos capazes de repensarmos sempre em
nossas relações com ele e entre nós mesmos.
Nossas experiências nos contextos escolares abriu nossos olhares de forma mais
sensível para esta instituição social, compreendendo-a como também parte de uma sociedade
ainda tão carente de justiça social. Assim, a relação entre as diversas realidades de vida dos
sujeitos envolvidos, das comunidades as quais pertencem necessitam ser consideradas. Em
São João del-Rei, inúmeras diversidades culturais e sociais coexistem, ainda que de forma não
harmoniosa e desproporcional, e isto se reflete na heterogeneidade da comunidade escolar.
Nesse contexto fomos realizando ao longo de 2014 diversas atividades nas escolas a
saber: discussões, roda de conversa, leituras individuais e coletivas. Buscamos nessas
atividades, desenvolver nosso olhar para os eixos do projeto: a transdisciplinaridade e
diversidade. Nesse movimento, nos guiamos também por nossas intuições, anseios, vontades,
desejos e sentimentos, dimensão que também atua de forma significativa na formação e
atuação do docente na escola, afinal como propõe Tardif: “o trabalho docente repousa sobre
emoções, afetos, sobre a capacidade não só de pensar nos alunos, mas também de perceber e
sentir suas emoções, seus temores, suas alegrias” (TARDIF, 2005, p.258).
Alguns dilemas na formação de professores
Além do PIBID, sabemos há (ou havia, em alguns casos) outras iniciativas que
buscam contribuir para uma melhora nos cursos de formação para professores em nosso país,
como o PRODOCÊNCIA, PLI (Programa de Licenciaturas Internacionais), cursos de
licenciatura à distância pela UAB (Universidade Aberta do Brasil), entre outras. No entanto,
talvez fosse tão importante quanto fazermos uma pergunta central, como a de José Pacheco
(2008) é: “Para que serve a formação?” (2008). Segundo esse autor, “na tradição liberal
clássica, estar em formação é estar em preparação para ensinar [...] Na segunda década deste
século, tomou forma uma tradição que viria a incidir em perspectivas de eficácia social”
(2008). Nesse sentido, apoiado nos estudos de Donald Schon (1992) o autor lusitano chama a
atenção para uma racionalidade técnica que ainda se encontra subjazida na formação de
professores:
“Na racionalidade técnica, a actividade profissional é principalmente
dirigida à solução de problemas, pela aplicação rigorosa de teorias
científicas: o profissional é um técnico, um especialista que aplica
com rigor as regras que derivam do conhecimento científico. Na
racionalidade reflexiva, o professor trabalha com pessoas que actuam
e reflectem. [...] À dimensão científica (técnica) acresce a dimensão
artística. Esta componente artística caracteriza toda a actividade
prática e não se confina à racionalidade técnica. Esta última é incapaz
de dar resposta à complexidade, à singularidade, à incerteza e
conflitos de valores próprios dos fenómenos formativos. Na
racionalidade reflexiva, o professor age como prático autónomo, como
artista que reflecte, toma decisões e cria no próprio processo de
execução, e detém um conjunto de conhecimentos em acção, de
reflexões em acção e de reflexões sobre a acção” (PACHECO, 2008,
apud Schön, D, 1992).
Ainda sobre a formação de professores, Edgar Morin (2003, p.11) “desliza” sobre dois
termos: “ensinar” e “educação”. Morin (2003) coloca que Ensinar ou transmitir os
conhecimentos tem um sentido mais restrito, pois apenas cognitivo. A palavra Educação
“comporta um excesso e uma carência”, uma forma de aprender que “permita compreender
nossa condição e nos ajude a viver, e que favoreça, ao mesmo tempo, um modo de pensar
aberto e livre” (p.11).
A “Educação” é uma palavra forte: “Utilização de meios que
permitem assegurar a formação e o desenvolvimento de um ser
humano; esses próprios meios”. (Robert) O termo “formação”, com
suas conotações de moldagem e conformação, tem o defeito de
ignorar que a missão do didatismo é encorajar o autodidatismo,
despertando, provocando, favorecendo a autonomia do espírito
(MORIN, 2003).
Percebemos o quanto a formação do professor é abrangente e requer muita pesquisa,
para que possamos sempre estar repensando nossas práticas. Além disso, vimos que é preciso
muita sensibilidade também, para olharmos com cuidado os sujeitos envolvidos no processo
de aprendizagem, refletindo em nossas ações.
ORGANIZAÇÃO DAS ATIVIDADES
Como somos vinte bolsistas, e sendo assim, um grupo com sujeitos bastante diversos,
nos dividimos em quatro grupos de estudo, que surgiram conforme nossas interesses em áreas
dentro de estudos e pesquisas dentro do campo da Educação em Ciências, são eles: Educação
Ambiental, Metodologia, Diversidade e Inclusão. No presente trabalho focaremos as
atividades desenvolvidas no âmbito dos grupos que estudaram Metodologia para o ensino de
Ciências e Biologia e Diversidades no contexto escolar.
No presente edital do PIBID-BIO, desenvolvemos atividades em quatro escolas, nos
distribuindo em cinco licenciandos bolsistas por escola, cada uma sob supervisão de uma
professora-tutora e todos sob coordenação de um professor na universidade. O propósito
central é que os grupos de estudo trabalhassem dentro da perspectiva da pesquisa-ação,
mantendo suas atividades orientadas para cada um das quatro áreas de em diferentes escolas.
O grupo de Diversidade desenvolve suas atividades na Escola Estadual Governador Milton
Campos e o de Metodologia na Escola Municipal Carlos Damiano Fuzatto. Além das
atividades nas escolas, também nos encontramos em reuniões semanais, alterando em
encontros com os grupos menores e reuniões gerais com todos os membros do PIBID-BIO e a
presença do coordenador.
Nessas últimas, são tratadas questões mais amplas desde aspectos organizacionais, de
divulgação científica, debate dos planos de cada grupo, às questões mais amplas sobre a
formação docente como seminários de fundamentação teórica e socialização de nossas
experiências nas escolas. Além de um espaço de conversa sobre nossas vontades e
expectativas com a comunidade escolar. As reuniões gerais também são abertas para leituras
coletivas, roda de conversa, oficinas, com a autonomia de o bolsista organizar previamente,
como aconteceu algumas vezes, enriquecendo nossos debates.
As reuniões do grupo de Metodologia aconteciam quinzenalmente conforme nossas
necessidades de socializar artigos e leituras, debater sobre a proposta do grupo, conversar
sobre propostas de atividades a serem realizadas na escola. Em nosso grupo os bolsistas
escolheram as turmas nas quais gostariam de acompanhar durante o ano, entre os quintos anos
e nonos anos do Ensino Fundamental. Neste grupo decidimos acompanhar as duas turmas de
oitavos anos, A e B, pois tivemos o interesse de à partir do olhar das metodologias para o
ensino de Ciências em desenvolver um trabalho de modelização sobre o corpo humano com
os educandos. Nosso acompanhamento seguiu de observação das aulas, entrosamento com os
educandos, desenvolvemos de algumas aulas fundamentada em orientações sobre
modelização, avaliações, e aulas práticas de montagem do modelo feito com materiais
reaproveitados que os educandos juntaram ao longo do ano.
Sobre a Modelização, os modelos didáticos têm sido apontados como uma estratégia
importante. Para Fourez (1997) a utilização de modelos pode ser considerada com uma
necessidade, levando em consideração as realidades dos professores e alunos nas várias
escolas públicas brasileiras. , Astolfi (1995) afirma que os modelos nas salas de aula surgiram
de uma necessidade de aprimorar ou melhorar o conteúdo que está presente no livro didático.
O grupo de Diversidade também mantinha a mesma periodicidade de reuniões. Esses
encontros aconteciam para organizar as atividades do grupo, trocar ideias sobre as impressões,
angústias, alegrias e demais experiências vivenciadas ao longo do tempo. Um dos objetivos
também era o de discutir sobre as diversidades percebidas no contexto escolar e suas relações.
Além disso, fazíamos leituras individuais e coletivas de artigos e textos da área. A escolha dos
temas dos textos variava de acordo com as necessidades de orientação para a reflexão que o
grupo encontrava mediante as observações na escola.
Além das reuniões, os integrantes do grupo Diversidade ministraram aulas em
conteúdos tradicionais na disciplina de Biologia para turmas do segundo ano do Ensino
Médio, mas buscando trazer as questões de diversidade para as aulas. O meio que
conseguimos fazer isto foi em atividades extracurriculares em momentos e espaços mais
propícios para tal, como no dia da Consciência Negra m que um dos integrantes do grupo
ministrou uma palestra.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A proposta inicial do grupo de Metodologia tinha a seguinte ideia: A cada reunião,
duas pessoas preparam uma aula (ou plano de aula) para apresentar. Após a apresentação, era
realizada uma discussão sobre as aulas apresentadas. Essa discussão envolvia vários eixos
para reflexão, como, por exemplo: adequação das atividades à faixa etária dos alunos;
possibilidade de transdisciplinaridade no conteúdo abordado com outros, reflexão sobre as
ações desenvolvidas nas aulas, entre outras. Nessas reuniões foi proposto uma pauta fixa, que
denominamos de “Momento Utopia”, no qual uma pessoa seria previamente sorteada para
compartilhar suas reflexões através de um vídeo, um poema, um texto teórico, uma história ou
uma música.
Em uma dessas reuniões foi apresentado um plano de aula que relacionava aos
conteúdos tradicionais de Biologia: genética, citologia, evolução, ética e questões sociais; e
outros. No Momento Utopia, assistimos a um vídeo de uma palestra do professor José
Pacheco, um dos idealizadores da Escola da Ponte. Consideramos que este nos foi muito
importante, pois repensamos a estrutura arquitetônica das escolas, a construção curricular,
avaliação, e discutimos também sobre a importância da autonomia do aluno, assim como dos
professores também.
Nesse encontro conversamos sobre a proposta de desenvolver a aula de forma a abrir
portas para vários ramos do conhecimento, relacionando os saberes e permitindo os sujeitos
de se reconhecerem nesse processo. Nessa perspectiva levantamos a necessidade de
pesquisarmos mais sobre a transdisciplinaridade e sua importância para o ensino na
contemporaneidade. Outro ponto importante foi uma conversa sobre avaliação, pois a
proposta de aula apresentou um tipo de avaliação diferenciado, baseado em auto-avaliação
conjunta com o educador refletindo o que foi aprendido e o que precisa ser reforçado.
A conversa sobre avaliação se repetiu em reuniões posteriores, em conversas sobre
nossas atividades práticas na escola. Levantamos algumas questões, por exemplo: sobre as
avaliações quantitativas; sobre como a aprendizagem se limitar a mera memorização das
informações; sobre como as próprias aulas acabarem sendo orientadas pelas questões de
provas, e, principalmente, sobre como poderíamos despertar o interesse dos alunos nesses
momentos. Pelo que observamos nos momentos de estágios, durante as avaliações as maiores
preocupações dos estudantes acabam sendo a de conseguir passar de ano não dando assim,
muita importância às outras atividades como trabalhos em grupo, tarefas para casa e
participação na aula, que também são atividades avaliativas.
Diante do que observamos, cogitamos a possibilidade de mudarmos completamente a
forma de avaliação nas turmas que estávamos acompanhando. Desenvolvemos uma avaliação
diferenciada nas turmas de oitavos anos, que foi em pequenos grupos, que se baseava em
fazer um desenho do corpo humano em tamanho real, focando a representação do sistema
circulatório, no qual os educandos escreviam tudo aquilo que lembrassem sobre o assunto
estudado, nomes, funções, etc. Esse método foi bem aceito, uma vez que foi uma dinâmica
diferente, o espaço da sala de aula foi modificado, pois as carteiras foram organizadas em
grupos, e a prova foi um momento prazeroso no qual os alunos descobriam juntos e
compartilhavam entre si, durante uma atividade que para eles foi interessante.
Diante desta experiência, consideramos que, entre outras questões, as preocupações
dos estudantes com as provas acabam dificultando que os educandos interpretem a avaliação
como também um momento de aprendizado, e, assim, acaba se tornado um momento quase
exclusivo de caracterização por parte do professor entre os que aprenderam e os que não
aprenderam o conteúdo lecionado. Não servindo assim para o estudante como forma de rever
e refletir sobre seu próprio processo de aprendizagem. Não obstante, observamos que na
maioria das vezes a avaliação acaba tendo um fim quando os alunos a entregam já que após
sua aplicação geralmente se inicia outro assunto e as dúvidas ficam para trás. Perdendo assim
uma oportunidade de aprender com os próprios erros.
Essas reflexões contribuíram no desenvolvimento do trabalho de modelização nas
turmas de oitavos anos. Identificamos que o interesse dos educandos se dava de forma
espontânea durante o processo de montagem e que, em sua maioria, acontecia em meio a
brincadeiras e conversas informais, momentos nos quais as dúvidas surgiam mais
naturalmente.
O grupo Diversidade desenvolve suas atividades com alunos do Ensino Médio
discutindo as relações e interpretação da identidade enquanto indivíduo, propondo
compreender melhor as diversidades existentes nos ambientes de vivências, sejam elas
culturais, sociais, étnico-raciais, sexuais ou de gênero. Por ser um tema amplo, o grupo
enfrentou algumas dificuldades no princípio para entender como trabalharíamos toda a
diversidade contida no âmbito escolar. Para isso fizemos leituras conjuntas e individuais de
artigos como, por exemplo: Possibilidades de Trabalho com a Diversidade em Sala de Aula,
de Juliana Maria Carvalho Durante, Diversidade Cultural: um desafio na escola Gabriel
Lage; de Maria do Carmo Lacerda Souza, Diversidade e Fomação Docente: um desafio para
o avanço da Educação de Antônia Vitória Soares Aranha e Desigualdades e Diversidade na
Educação de Nilma Lino Gomes. Cada um destes textos contribui para entedermos um pouco
melhor sobre as diferentes expressões de diversidades e suas relações com a sala de aula.
O grupo de Metodologia, refletindo no teatro como uma forma de trabalhar e perceber
o próprio corpo, optamos por fazê-lo por meio de oficinas de teatro com os alunos de oitavo
ano, da Escola Municipal Carlos Damiano Fuzatto. Aproveitamos a oportunidade do teatro
não se tratar de um conteúdo central no ensino de Biologia para podermos subvertermos um
pouco mais as normalizações mais tradicionais que normalmente se tem adotado para o
ensino de conteúdo escolares. Nosso objetivo foi montar uma performance para apresentar no
dia de comemoração da copa do mundo em um sábado letivo na escola. A montagem se
baseou a partir das próprias em reflexões dos alunos sobre as manifestações que estavam
ocorrendo na época, criticando os gastos absurdos com a copa, contrapondo com os recursos
destinados à saúde e educação. Assim, à partir das discussões com a turma, selecionamos
músicas de Chico Science e Nação Zumbi: Maracatu Atômico, O Cidadão do Mundo, Um
Satélite na Cabeça e Todos Estão Surdos. Essas músicas foram selecionadas pois são muito
ricas musicalmente, trazem ritmos ligados à cultura afro-brasileira, o que dialoga com o tema
Diversidade, além de trazer em suas letras um caráter político-social. As oficinas ocorreram
na escola e em uma sala do Campus Dom Bosco da UFSJ.
As artes abrem várias possibilidades de compreensão do mundo, de enxergar e sentir o
que ocorre a nossa volta, principalmente sentir. A sensibilidade é a janela aberta da mente,
onde as coisas fluem e se relacionam, se conectam. Pensamos melhor sobre o que nos toca, e
todo resultado cujo processo passou pela ponte do sensível e dos afetos se torna melhor, mais
rico, porque se humaniza. Por isso sentimos um simplismo extremo quando pudemos em
utilizar as artes como uma “ferramenta”, pois essa palavra já traz consigo a ideia de mecânica,
e a arte é um universo de caminhos, de encontros, de possibilidades. Além disso, segundo
Viola Spolin (2010), uma oficina de teatro ou um jogo teatral em sala de aula pode trazer
pontos positivos para o processo de aprendizagem, visto que é “um momento em que
professor e aluno tornam-se parceiros de jogo, envolvidos a entrar em contato um com o
outro”.
Ainda na escola, desenvolvemos atividade sobre o tema Diversidade, por meio da
temática étnico-racial no qual discutimos com os estudantes, por meio de uma palestra na
Semana da Consciência Negra, realizado pela professora de História juntamente com grupos
de identidade negra da cidade.
Foram realizadas oficinas em um projeto conjunto com um aluno do curso de Artes
Cênicas da UFSJ para discussão de diversidade sexual e genero. Nas oficinas, que foram
realizadas em perídos fora do horário escolar, foram abordados temas considerados
transversais, tais como sexualidade, evolução, construção social de papéis de gênero e
relações sociais. Entende-se a necessidade em levar o assunto da diversidade sexual e de
gênero para os alunos como forma de quebrar tabus e preconceitos, muitos enraizados, afim
de desconstruir a forma de enxergar e de se relacionar com as diferenças existentes na
sociedade, aumentando a tolerância para com aquilo que é diferente ou fora do comum. Outro
ponto forte dessas discussões é melhorar a compreensão dos termos e das novas identidades
adotados como reconhecimento de si na sociedade e no meio em que vive. Encontrar uma
identidade e conviver naturalmente com as outras pessoas que compreendem uma rotina, é
essencial para a construção do aluno enquanto cidadão e indivíduo agente do meio social,
histórico e cultural em que vive, tornando-se capaz de conviver e respeitar não só as próprias
diferenças, mas as alheias também.
Também levamos para que todo o grupo do PIBID-Bio participasse, uma roda de
conversa sobre Feminismo, Negritude e movimento LGBT, com mulheres do movimento
feminista Carcará que atua em conjunto com a Marcha Mundial das Mulheres em São João
del-Rei e uma bolsista do projeto Tugu-Ná Casa do Saber UFSJ. As representantes trouxeram
um histórico das lutas e conquistas, além de trzerem importantes reflexões acerca de nós,
futuros educadores e o papel social importante que devemos exercer.
Além das atividades na escola e do estudo dos textos nos grupos, também
desenvolvemos atividades na universidade. Para compreender melhor as desigualdades de
classe e quanto elas influem nas relações de opressão nas sociedades e também, na sala de
aula, realizamos uma oficina com uma estudante de Artes Cênicas, Teatro do Oprimido, de
Augusto Boal em que todos os membros, professores e coordenador do PIBID-Bio
participaram.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acreditamos que essas experiências contribuíram muito tanto para nossa formação
quanto para a escola, uma vez que repensamos o que é estudar ciências e biologia hoje nas
escolas considerando a necessidade de compreender o mundo como um universo de relações,
e assim, a olhar com seriedade para uma educação mais humana.
Com o desenvolvimento dessas atividades passamos a olhar a educação como algo que
é impossível de ser realizada sozinho, é um trabalho muito complexo que precisa da ajuda de
todos, e precisa também de ser olhada com muito carinho e amor, pois é um cuidado com as
pessoas envolvidas e suas realidades. E é em meio a esse cuidado que o conhecimento se
constrói coletivamente, pois há mais possibilidade de diálogo, e mais respeito à autonomia de
cada um e ao seu tempo.
REFERÊNCIAS
 MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8ª ed.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
 PACHECO, J. Escola da Ponte: formação e transformação da educação. Vozes,
2008.
 SPOLIN, V. Jogos teatrais na sala de aula: um manual para o professor. 2.ed. São
Paulo: Perspectiva, 2010.
 TARDIF, M.; LESSARD, C. O trabalho docente: elementos para uma teoria da
docência como profissão de interações humanas. Vozes, 2005.
 FOUREZ, G. Alfabetización Cientifica y Tecnológica: acerca de las finalidades de las
enseñanza de las ciencias. Ediciones Colihue, Buenos Aires, Argentina, 1997.
 ASTOLFI, J.P. & DEVELAY, M. A didática das ciências. São Paulo: Papirus, 1995.
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