CONCEITOS BÁSICOS.

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CONCEITOS BÁSICOS EM BIOGEOGRAFIA
Habitat
O habitat é o lugar na natureza onde uma espécie vive. Por exemplo, o habitat da planta
vitória régia são os lagos e as matas alagadas da Amazônia, enquanto o habitat do panda são as
florestas de bambu das regiões montanhosas na China e no Vietnã.
Nicho ecológico
O nicho é um conjunto de condições em que o indivíduo (ou uma população) vive e se
reproduz. Pode se dizer ainda que o nicho é o "modo de vida" de um organismo na natureza. E
esse modo de vida inclui tanto os fatores físicos - como a umidade, a temperatura, etc - quanto os
fatores biológicos - como o alimento e os seres que se alimentam desse indivíduo.
Vamos explicar melhor: O nicho do Bugio, por exemplo, inclui o que ele come, os seres que se
alimentam dele, os organismos que vivem juntos ou próximo dele, e assim por diante. No caso de
uma planta, o nicho inclui os sais minerais que ela retira do solo, a parte do solo de onde os retira,
a relação com as outras espécies, e assim por diante.
O nicho mostra também como as espécies exploram os recursos do ambiente. Assim a zebra,
encontrada nas savanas da África, come as ervas rasteiras, enquanto a girafa, vivendo no mesmo
hábitat, come as folhas das árvores. Observe que cada espécie explora os recursos do ambiente de
forma um pouco diferente.
População
Indivíduos de uma mesma espécie que vivem em determinada região formam uma
população. Por exemplo: as onças do pantanal formam uma população.
As capivaras também podem ser encontradas no pantanal, mas fazem parte de outra população, já
que são de outra espécie.
Às vezes a população pode aumentar muito, por exemplo, em meados do século XIX,
alguns coelhos selvagens foram levados da Inglaterra para a Austrália, para serem usados nas
caçadas. Na Europa, as populações de coelhos eram naturalmente controladas por diversos
predadores e parasitas. Na Austrália, porém não existiam tantas espécies que atacavam coelhos. O
resultado é que esse animal se reproduziu rapidamente chegando a atingir mais de 200 milhões de
indivíduos, que passaram a destruir as plantações e as pastagens da Austrália. Isso mostra o perigo
de se introduzir num novo ambiente um organismo não nativo.
Comunidade
Na figura abaixo, podemos perceber que no mar existem diversos animais e vários tipos de
plantas. E há também seres muito pequenos - tão pequenos que só podem ser vistos com aparelhos
especiais como os microscópios, que possuem lentes especiais que ampliam a imagem dos seres
observados.
Se colocarmos uma gota da água do mar no microscópio, veremos um número imenso
desses pequenos seres vivos.
Pense quantos organismos diferentes podem ser encontrados num jardim: grama, roseiras,
minhocas, borboletas, besouros, formigas, caracóis, sabiás, lagatixas...
Todos os seres vivos de determinado lugar e que mantêm relações entre si formam uma
comunidade. A comunidade do mar abaixo é composta por peixes, algas, plantas, os seres
microscópios, enfim todas as populações lá existentes.
Ecossistema
É o conjunto dos relacionamentos que a fauna, flora, microorganismos (fatores bióticos) e
o ambiente, composto pelos elementos solo, água e atmosfera (fatores abióticos) mantém entre si.
Todos os elementos que compõem o ecossistema se relacionam com equilíbrio e harmonia e estão
ligados entre si. A alteração de um único elemento causa modificações em todo o sistema podendo
ocorrer a perda do equilíbrio existente. Se por exemplo, uma grande área com mata nativa de
determinada região for substituída pelo cultivo de um único tipo de vegetal, pode-se comprometer
a cadeia alimentar dos animais que se alimentam de plantas, bem como daqueles que se alimentam
destes animais.
A delimitação do ecossistema depende do nível de detalhamento do estudo. Por exemplo,
se quisermos estudar o ecossistema de um canteiro do jardim ou do ecossistema presente dentro de
uma planta como a bromélia.
Biosfera
Ainda não temos conhecimento da existência de outro lugar no Universo, atém da Terra,
onde aconteça o fenômeno a que chamamos de vida.
A vida na Terra é possível porque a luz do Sol chega até aqui. Graças a sua posição em
relação ao Sol, o nosso planeta recebe uma quantidade de energia solar que permite a existência da
água em estado líquido, e não apenas em estado sólido (gelo) ou gasoso (vapor). A água é
essencial aos organismos vivos. A presença de água possibilita a vida das plantas e de outros seres
capazes de produzir alimento a partir da energia solar e permite também, indiretamente, a
sobrevivência de todos os outros seres vivos que se alimentam de plantas ou animais. Pela
fotossíntese que há a absorção de água e gás carbônico e liberação de oxigênio, a energia do Sol é
transformada em um tipo de energia presente nos açucares, que pode então ser aproveitada por
seres que realizam esse processo e por outros seres a eles relacionados na busca por alimento.
A Terra pode ser dividida assim:
Litosfera - a parte sólida formada a partir das rochas;
Hidrosfera - conjunto total de água do planeta (seus rios, lagos, oceanos);
Atmosfera - a camada de ar que envolve o planeta;
Biosfera - as regiões habitadas do planeta.
Biosfera é o conjunto de todos os ecossistemas da Terra. É um conceito da Ecologia,
relacionado com os conceitos de litosfera, hidrosfera e atmosfera. Incluem-se na biosfera todos os
organismos vivos que vivem no planeta, embora o conceito seja geralmente alargado para incluir
também os seus habitats.
A biosfera inclui todos os ecossistemas que estão presentes desde as altas montanhas (até
10.000 m de altura) até o fundo do mar (até cerca de 10.000 m de profundidade).
Nesse diferentes locais, as condições ambientais também variam. Assim, a seleção natural
atua de modo diversificado sobre os seres vivos em cada região. Sob grandes profundidades no
mar, por exemplo, só sobrevivem seres adaptados à grande pressão que a água exerce sobre eles e
a baixa (ou ausente) luminosidade. Já nas grandes altitudes montanhosas, sobrevivem seres
adaptados a baixas temperaturas e ao ar rarefeito.
Na biosfera, portanto, o ar, a água, o solo, a luz são fatores diretamente relacionados à
vida.
Ao observarmos a natureza, muitas vezes, não percebemos a complexa estrutura que a
envolve e a faz continuar existindo. Esse grande bioma (conjunto de seres vivos de uma área) que
é o planeta Terra, possui muitas características e processos bem definidos, onde todas as formas
de vida existentes no globo se interrelacionem para formar uma biodiversidade.
As diferenças regionais em cada local do mundo criam ambientes (hábitats) diferenciados. Nesses
espaços, as relações bióticas (relativo às formas de vida) e abióticas (ausência de vida)
demonstram suas diversas funções para interagir no mesmo espaço. Como resultado disso, formase o que os ecólogos (cientistas que estudam a ecologia) chamam de “padrões geográficos em
diversidades de espécies”. Assim podemos compreender a existência de determinadas espécies
em várias regiões do globo.
As estruturas ambientais demonstram características próprias onde cada uma se distingue
de outra, criando assim, um ambiente rico em diversidade. Cada nicho (porção restrita de um
hábitat) possui uma grande diversidade de condições físicas, em que os animais e plantas, ali
localizados, estão aptos a viver nessa “aldeia”. Suas características variam de acordo com
diversos fatores, sendo por exemplo: climático, da altitude, da temperatura, da luz solar etc.
Dentro desses nichos, os animais predadores podem ser usados como base na compreensão da
existência de outros seres vivos. Pode-se exemplificar dizendo que num determinado nicho
ecológico uma onça, com sua presa (dente) de 5 mm, busca animais que servirão de comida para
ela possuindo características para serem mortos por suas próprias presas. Isso evidência a
existência de uma diversidade muito grande, pois basta fazer uma relação entre a cadeia
alimentar (estrutura alimentar entre os animais de uma determinada região) e forma-se uma
grande quantidade de espécies variadas, constituindo um determinado nicho ecológico. Uma
característica importante na diversidade de um nicho é a variedade de papéis ecológicos que cada
ser vivo possui nesse ambiente. O resultado disso será uma grande diversidade localizada no
nicho (fato que é abordado por muitos ecólogos).
Outro fator a ser considerado é o espaço que o nicho possui, esse fator demonstra que a
diversidade pode ser maior quando o espaço local aumenta. Entende-se isso de maneira simples,
onde esse espaço irá permitir uma maior quantidade de espécies e assim resultando numa cadeia
alimentar diversa, o que constitui a diversidade do ambiente.
Os espaços de fuga serão as possibilidades que as espécies possuem para evitar a
mortalidade. Essa função irá depender de vários fatores, onde a percepção auditiva, visual ou a
coloração idêntica à mata local, poderão ser características fundamentais para a fuga. Alguns
estudos revelam que a capacidade de fuga depende do espaço local existente, a própria evolução
ou adaptação de uma espécie a um ambiente pode significar uma vantagem na fuga. Exercendo
assim, uma função natural entre as espécies, a busca pela sobrevivência.
Essas características demonstram que a fuga pode ser em vários momentos, uma solução
para a existência da diversidade, pois como se sabe, existe uma cadeia alimentar que é
respeitada naturalmente e onde o ambiente a torna fator determinante para a sua existência.
Conforme Darwin (cientista inglês que criou a Teoria da Evolução), cada espécie irá adaptar-se
ao seu hábitat e a sua diversidade demonstrando suas funções ecológicas na cadeia alimentar,
evidenciando, assim, um equilíbrio no ambiente, pois cada ser vivo coexiste localmente através da
intensidade da competição. Dentro dessas observações, nos cabe analisar que o número de
espécies num determinado hábitat vai depender de suas relações internas, originando a “teoria
do equilíbrio da biogeografia insular”. Essa quantidade de espécies irá se estruturar no espaço
local e constituir um pequeno bioma, onde a competição, a cadeia trófica (cadeia alimentar), os
espaços de fuga, entre outros, serão fatores importantes na formação dessa “ilha”.
Nesses espaços de biodiversidade podemos observar a competição pela existência de cada
espécie. Num mesmo hábitat, a coexistência demonstra-se como fator de equilíbrio natural sendo
definido por diversos fatores, como: dimensão do nicho, poder de adaptação e espaços de fuga.
Assim as espécies irão controlar as populações de determinados seres igualmente. Podemos
compreender também que os espaços influem na quantidade de espécies, tomemos como exemplo
um rio. Em sua montante (nascente) o número de espécies será menor do que em sua jusante
(foz), pois o espaço para a existência de uma cadeia trófica grande e diversa vai necessitar de um
local amplo para coexistirem.
Portanto, tendo em vista que as relações ecológicas estruturam-se de forma igualitária,
percebemos que para haver a continuidade desse equilíbrio é necessário que a biodiversidade
ocorra em todas as regiões do globo. Pois devemos ter em mente que nós, homens, somos parte da
natureza e buscamos ser menos impactante em nosso meio.
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