a arte de esquecer - LIVROS DIVERSOS 2 - lya.sousa

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A Arte de Esquecer
Ivan Izquierdo
Sobre
Autores:
os Ivan Izquierdo é médico e neurocientista. Nasceu em Buenos
Aires. Trabalha em mecanismos da memória desde 1961, tendo
publicado mais de 500 trabalhos em revistas científicas de
divulgação internacional e orientado mais de 40 teses de
doutorado sobre o tema. Autor de vários livros sobre
memória. Recebeu inúmeros prêmios e distinções nacionais e
internacionais. Atualmente está no Instituto de Biociências da
Universidade do Rio Grande do Sul.
Editora/Cidade: Vieira e Lent/Rio de Janeiro
Copyright: 2004
N/Ano
da 1ª
N
de 111/37
Edição:
Páginas/Capítulos:
Tema:
Pesquisa:
Charles
César Revisão:
Ana Rita Soares
Couto
www.institutoorior.com.br/academiacultural
Fale Conosco: [email protected]
Telefax: (31) 3297 7428
Conteúdo Resumido:
Prefacio
Esquecer é uma arte, porque assim quis a vida, que consiste em perder
muitos neurônios e sinapses, entre outras coisas. Nessas sinapses e neurônios que
se perdem podem residir memórias; e quando aquelas se vão, as memórias vão
juntas.
O esquecimento pode ser o aspecto mais predominante da memória; mas
conservamos e usamos suficientes memórias ou fragmentos de memórias para ter
um desempenho ativo, funcional e relativamente satisfatório como pessoas.
Por que e para que esquecemos?
Esquecemos porque os mecanismos que formam e evocam a memória são
saturáveis. Não podemos fazê-los funcionar constantemente de maneira simultânea
para todas as memórias possíveis, as existentes e as que adquirimos a cada
minuto. Isso obriga naturalmente a perder memórias preexistentes, por falta de uso,
para dar lugar a outras novas.
Não sabemos ainda se os mecanismos através dos quais se guardam no
cérebro os elementos principais de cada memória são ou não saturáveis.
Mas há evidencias recentes de que, na hora de sua formação e na hora de
sua evocação, os sistemas cerebrais que se encarregam das memórias de longa
duração, que envolvem fundamentalmente uma estrutura do lobo temporal chamada
hipocampo, são altamente saturáveis. O mesmo ocorre com os sistemas
encarregados de analisar on-line as informações correspondente à aquisição e à
evocação das memórias.
E, além do mais, para que precisamos esquecer? Simplesmente para não
ficar loucos e poder conviver e sobreviver.
Formas de esquecimento
Há quatro formas de esquecimento. Duas consistem em tornar as memórias
menos acessíveis, sem perdê-las por completo: extinção e repressão. As outras duas
consistem em perdas reais de informação; uma delas por bloqueio de sua aquisição,
e a outra por deterioração e perda da informação, o esquecimento que é um
acontecimento involuntário. A arte de esquecer se concentra na extinção (e seus
parentes próximos, a habituação e a discriminação) e na repressão. E, também na
falsificação.
As perdas da memória de trabalho são inerentes à natureza
Há vários tipos de memória. Em primeiro lugar, existe a memória de
trabalho, que usamos para entender a realidade que nos rodeia e poder efetivamente
formar ou evocar outras formas de memória: a que denominamos de curta duração
e que dura umas poucas horas, o suficiente para que possa se formar a memória de
longa duração (também chamada memória remota).
Um exemplo típico de memória de trabalho é a do numero telefônico que
solicitamos ao nosso vizinho, que dura só o tempo suficiente para discá-lo. E, logo
após a chamada, o número desaparece.
A memória de trabalho não forma arquivos duradouros, desaparecendo em
segundos ou minutos. Ela é o nosso gerente, analisando a realidade com uma
capacidade de processamento enorme, mas não infinita, funcionando como nosso
filtro de informações.
A memória de trabalho depende da atividade elétrica de neurônios do córtex
pré-frontal, localizado na frente da área motora, e não persiste além disso. Quando
cessa ativação dos neurônios pré-frontais, a memória de trabalho também cessa.
Os neurônios são ativados por substancias químicas, mas emitem suas
mensagens através de atividade elétrica. Os neurônios do córtex pré-frontal se
ativam em resposta às experiências de cada momento, e sua estimulação dura
enquanto dura a experiência; somente as vezes persiste um pouco mais.
Enquanto o mecanismo da memória de trabalho é colocado em jogo em
cada experiência, a informação processada pelo córtex pré-frontal se comunica a
outras regiões do cérebro e faz um intercambio de informações com elas. As outras
regiões do cérebro incluem aquelas que analisam rapidamente a informação
sensorial e as que armazenam memórias de maior duração.
A análise rápida de informação é feita on-line pela memória de trabalho, e
comparada com outras informações que possam ocorrer simultaneamente ou que já
estejam guardadas no cérebro. Distinguimos uma pessoa sentada da própria cadeira
e de outras pessoas, por exemplo.
A perda de informação da memória de trabalho não pode ser considerada
um esquecimento real, já que é própria de sua natureza. Quando a memória de
trabalho fracassa, uma informação se confunde com a anterior ou com a seguinte, ou
com a que está ao lado ou acima. Isso pode ocorrer quando estamos exaustos, sem
dormir a várias horas, quando somos submetidos a um excesso de informação e/ou
quando estamos estressados.
Quando falha a memória de trabalho pode acontecer que a realidade apareça
como ameaçadora, como algo que estabelece uma situação de paranóia. No resumo
“No Caminho do Autoconhecimento” vemos a paranóia como uma perda da
capacidade de significar. A esquizofrenia se caracteriza por falhas grosseiras na
memória de trabalho, devidas a lesões congênitas no córtex pré-frontal. Por isso os
esquizofrênicos percebem a realidade como algo alucinatório. Confundem objetos
e pessoas.
Áreas do cérebro envolvidas nos diversos tipos de memória
O hipocampo é uma região filogeneticamente antiga do córtex temporal
que, nos humanos, fica enrolada dentro deste. O hipocampo tem funções como:
formar e evocar memórias, que é a principal, e/ou de induzir o resto do córtex
cerebral, a começar pelo córtex mais próximo a ele, a fazer o mesmo. O córtex mais
próximo do hipocampo, colocado por baixo dele no lobo temporal, chama-se córtex
entorrinal, que se interliga através de um grande numero de fibras nervosas com o
resto do córtex cerebral, e também com um importante núcleo modulador dos
aspectos emocionais das memórias, chamado amigdala cerebral ou núcleo
amigdalino, que fica também no lobo temporal. Sendo assim, o córtex entorrinal
possui conexão de “ida e volta” com o córtex, a amigdala e o hipocampo.
O hipocampo e suas conexões são as principais regiões envolvidas tanto na
formação como também na evocação de memórias e, em ambos participam
mecanismos químicos bem individualizados. Na formação da memória pelo
hipocampo participam a expressão gênica, a síntese protéica, e várias vias
metabólicas celulares vinculadas a esse processo. Na expressão das memórias
participam algumas dessas vias bioquímicas.
Racionalizando as funções do gerente (a memória de trabalho)
Se não podemos prestar atenção a algo ou a alguém que exige o nosso foco,
é bom pensar se essa exigência é necessária, e se não, simplesmente dizer “não”. O
mesmo se dá em relação as nossas conversas quando somos interrompidos.
O que é importante é agir por prioridades, principio da hierarquia. Veja o
resumo “Uma breve história do universo”.
Aprender a distinguir as informações que são relevantes leva ao equilíbrio
emocional e cognitivo.
As conexões entre as células nervosas
Essas conexões têm o nome de sinapses, que consistem na justaposição
entre prolongamentos neuronais chamados axônios e dendritos. Os axônios levam
para suas extremidades, potenciais elétricos originados no corpo celular. Quando
chegam os impulsos elétricos, eles não pulam a fenda entre um axônio e o
dendrito. A terminação do axônio libera substancias químicas chamadas de
neurotransmissores, que navegam pela fenda sináptica e se fixam sobre proteínas da
membrana do neurônio seguinte, os receptores. Os neurotransmissores se dividem
em excitatórios, que estimulam a célula próxima e os inibitórios, cuja ação impede
ou dificulta a geração de potenciais. O neurotransmissor excitatório mais importante
é o ácido glutâmico e o principal neurotransmissor inibitório é o gama-aminobutírico ou GABA.
O esquecimento das memórias de curta e de longa duração
A memória de curta duração se forma rapidamente em minutos, e declina
de três a seis horas depois. Ela é que nos permite manter uma conversa ou uma
leitura, caso contrário, seria impossível.
Muitos se alarmam com as falhas da memória de curta duração, saindo do
seu quarto para procurar uma caneta na sala, e chegando lá já não se lembram mais
do que tinha pra fazer, mas isso não tem nada de patológico, sendo comum em
crianças e adultos bem atarefados.
A memória de curta duração é metabolicamente mais simples do que a de
longa duração, e por isso é mais suscetível a distrações.
Memória e emoções
Toda memória é adquirida num certo estado emocional, que, por sua vez, é
acompanhado de uma constelação de fenômenos hormonais e neuro-humorais
diferentes (humores eram como os antigos chamavam os fluidos corporais). Veja
no resumo “No Caminho do Autoconhecimento” o que James Hillman nos fala sobre
os humores. Neuro-humorais são os fenômenos ou processos que envolvem a
liberação de substancias moduladoras da atividade nervosa no cérebro, como a
noradrenalina, a dopamina, a serotonina, a acetilcolina ou a betaendorfina. Diferentes estados emocionais ou de animo tem diferentes taxas de
liberação dessas substancias, que aumentam ou diminuem a capacidade de resposta
de diversas áreas cerebrais, entre elas as que fazem ou evocam memórias. Entre os
hormônios periféricos secretados que modulam a atividade destas áreas, a adrenalina
e os corticóides são os mais conhecidos.
Gravamos melhor e temos pouca tendência a esquecer as memórias de alto
conteúdo emocional. Aquelas que Pavlov denominava “biologicamente
significativas”. Ivan Pavlov (1849-1936) foi o fundador da moderna biologia da
memória. Ele descobriu que as memórias se formam pela associação de estímulos
inicialmente neutros (estímulos condicionados) com outros que são biologicamente
significativos (estímulos incondicionados) como comida e o medo. É mais fácil um
cachorro associar o som de uma campainha (estímulo condicionado) com a presença
de carne (estimulo incondicionado) do que associá-lo com a presença de uma bolinha
de papel jogada no chão.
Com o avanço da Psicologia por parte do norte-americano William James
e mais tarde por Freud nos fez compreender que a memória vai além dos reflexos.
Hoje sabemos que nem tudo que é adquirido forma memórias, nem todas as
memórias ficam para sempre, e a perda de memórias não é só fruto da lesão de vias
nervosas ou da repressão voluntária ou involuntária de sua expressão.
Dependência de estado
As memórias são adquiridas sob a influencia de um determinado “tônus”
cerebral dopaminérgico, noradrenérgico, serotonérgico ou betaendorfinico, e de um
“tônus” hormonal paralelo. Eles geralmente facilitam a formação de memórias
agindo sobre mecanismos específicos nas áreas do cérebro que as fazem.
As memórias são melhor evocadas quando o “tônus” neuro-humoral e
hormonal vigente no momento de sua aquisição se repetem, como no caso de uma
ansiedade elevada ou então uma situação prazenteira, havendo uma constelação de
processos neuro-humorais e hormonais semelhantes àquelas que experimentamos
em outros momentos da mesma índole, e nossa resposta se adequará melhor às
circunstancias.
Esse fenômeno se denomina dependência de estado: a evocação das
memórias de certo conteúdo emocional depende do estado hormonal e neurohumoral em que a mesma esteja ocorrendo.
Muitas memórias ficam estado latente, só despertando por determinadas
conjunções de fenômenos neuro-humorais e hormonais próprios de cada estado.
Para que elas sejam reativadas, dependem de certos estímulos que
compreendam pelo menos parte da reprodução do estado em que foram
originalmente adquiridas.
A dependência de estado permite que a vida possa se processar
corriqueiramente com respostas adequadas a cada caso. Um exemplo disso é não
viver num estado de excitação sexual ou agressividade imprópria para as
circunstancias.
Um exemplo famoso de dependência de estado
Podemos ver no romance de Robert Louis Stevenson (1850 – 1894) na sua
obra O Médico e o Monstro um caso típico de dependência de estado causado por
ingestão de substancias externas.
Um medico conhecido elaborou um liquido para transformá-lo em outra
pessoa. Mas, ele acabou se tornando um monstro que, uma vez passado o efeito da
droga se transformava novamente no simpático Dr. Jekill e, isso se repetia várias
vezes ao longo do romance.
A dependência de estado envolve esquecimento?
As memórias submetidas à dependência de estado ficam inacessíveis à
evocação, a menos que as vias de acesso a elas sejam ativadas por alguma
experiência que cause as mudanças neuroquimicas ou hormonais apropriadas para
esse determinado contexto. Elas ficam inacessíveis, mas não esquecidas.
Sua acessibilidade está relacionada com as emoções e os estados de animo.
O uso e desuso das sinapses
A maior parte dos esquecimentos resulta da falta de uso das sinapses; ou
seja, das conexões entre as células nervosas. Há meio século, o neurocientista
australiano John Eccles (1903-1997) demonstrou que o desuso das sinapses ocasiona
sua atrofia e a conseqüente perda de suas funções. Assim como o uso reiterado das
sinapses causa o seu crescimento e sua melhoria funcional.
E a mesma coisa acontece com as funções cerebrais, que, como sabemos,
são todas mediadas por sinapses.
A repetição de uma determinada combinação de estímulos que produz uma
memória leva a uma melhoria dessa memória. Tudo que aprendemos fica melhor
“gravado” se o repetimos. Você pode estudar alguma matéria, por exemplo,
relacionando com uma experiência inesquecível, como a morte de Senna para
alguns, ou ouvindo aquela música que o marcou tremendamente.
O esquecimento real ou perda definitiva das memórias
Muitas memórias se perdem não por desuso de sinapses, mas pela efetiva
desaparição destas, quer por morte celular, quer por perda dos prolongamentos
sinápticos correspondentes, axônios ou dendritos. Morte celular e perda de redes
sinápticas ocorrem ao longo de toda a vida dos seres humanos e dos animais. Essas
perdas significam a efetiva desaparição das informações que essas células e
prolongamentos carregavam.
No ser humano, um momento de grande perda neuronal ocorre por volta
dos nove aos 13 meses de idade, quando se aprende a caminhar, pois nascemos com
um equipamento completo para uma vida quadrúpede. O equipamento neuronal
utilizado por nossas vias visuais é semelhante ao dos animais quadrúpedes, incluindo
muitas células e conexões especializadas numa percepção mais horizontal do mundo
que nos rodeia. Ao aprender a caminhar, esse conjunto de neurônios para uma vida
quadrúpede é eliminado em questão de dias. Esse é o período de maior morte
neuronal de nossas vidas.
Cada sistema de nosso cérebro precisa de um número mínimo de neurônios
e conexões para funcionar corretamente. Quando, pela constante morte celular, esse
numero cai abaixo de certo limiar, o sistema passa a funcionar
deficitariamente. Parte da perda da agilidade e a lentidão crescente de nossos
reflexos desde a adolescência até a senilidade se deve ao numero cada vez menor
de células nervosas que nosso cérebro conserva.
Como vamos perdendo pela falta de uso muitas sinapses que continham
memórias, somos cada vez menos capazes de reagir conforme elas nos
mandam. Com a idade, temos cada vez mais memórias novas, mas também mais
memórias antigas fragmentárias ou ausentes.
Exercitando a memória
Para exercitar a memória é preciso evocar memórias, que estão alojadas no
hipocampo, no núcleo da amígdala e nas conexões de ambas as estruturas entre si e
com o resto do cérebro, fundamentalmente o córtex.
Nas memórias verbais, utilizaremos as regiões vinculadas com a linguagem,
no córtex frontal, parietal e temporal. Nas memórias com um componente motor
importante, o córtex motor; e assim por diante.
Uma atividade que requer a utilização de todas estas regiões é a simples
leitura, que é o melhor exercício para a memória. A leitura permite fazer milhares
de conexões, explorar vários mundos diferentes e distantes entre si. Milhões de
sinapses nas mais variadas regiões cerebrais foram ativadas, cada vez com suas
conexões com outras células e com outras memórias.
Também servem para praticar a memória:

Ver tv com atenção sem ficar mudando de canal;

Ver filmes;

Ouvir relatos interessantes;
Uma audição musical;

Palavras cruzadas;

Jogar damas ou xadrez

Etc.
E, sem esquecer a principal: A LEITURA.

A leitura, os conhecimentos, a memória e a doença
Muitos se perguntam pra que estudar. Estudar serve para ampliar o nosso
mundo e ajuda na prevenção do mal de Alzheimer, a principal doença da memória,
que tem incidência menor nas pessoas instruídas.
...
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