Reflexões Em Paulo Freire

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Reflexões Em Paulo Freire
Em sua concepção bancária da Educação, Paulo Freire, revela o lado conteudista e
reprodutivista do ensino. Sua visão crítica apresenta o atual modelo de docência como
mero reprodutor de conceitos e reverberador de uma ação docente embasada no objeto
passivo, ou seja, tem o aluno como mero receptáculo de conteúdos, anulando-o como
indivíduo pensante capaz de interagir com o professor na ação de produzir o
conhecimento.
Esta reflexão levanta questões muito profundas sobre a maneira como o ensino é
transmitido, e, de como esse mesmo ensino é assimilado pelo educando. Considerando
que o professor conforme nos descreve o escritor é a peça fundamental do processo em
detrimento dos alunos, " objetos pacientes, ouvintes" ( Freire, 1987, p. 33); o ensino é
apenas um depositar contínuo de informações que seguem sempre uma mesma direção
traçada metodologicamente com a finalidade de conceder aprendizagem por meio da
memorização e repetição daquilo que foi depositado na mente dos alunos.
Segundo Paulo Freire, essa narrativa ininterrupta de conteúdos que é apresentada pelos
educadores aos alunos, inviabiliza o processo de troca recíproca de saberes adquiridos e
de crescimento do indivíduo como ser pensante, o que é danoso para o desenvolvimento
de uma mentalidade dinâmica e afeita a mudanças paradigmáticas. Nesta visão, o sujeito
que se deixa encher como mero recipiente de vontades alheias é o escravo-sujeito da
ação desastrosa dos agentes do não pensar.
O instrumento capaz de criar a mudança dentro desta concepção seria a ação de ser, de
estar imiscuído no processo como ator e não como ouvinte. Os alunos devem ser
reconhecidos como pessoas que fazem, que criam, que transformam-se através da
dialética professor-aluno num intercambio de possibilidades infinitas. Caso contrário,
afirma Freire (1987, p.33): "não há criatividade, não há transformação, não há saber".
A Educação que aliena o indivíduo da realidade de produzir o saber, de se portar como
um dos atores do processo é tudo menos Educação. Como o próprio Freire(1987, p33)
define: "verbosidade alienada e alienante. Daí que seja mais som que significação". A
apresentação de conteúdos de aprendizagem que visam apenas reproduzir as verdades
que o professor concebe como absolutas e inalteráveis, sem espaço para a discussão ou
para a discordância dos mesmos, em vez de possibilitar a dinamicidade da produção do
conhecimento, engessa as mentes e torna o educando um fantoche obediente e passivo
diante de seu mestre - 'poço profundo de conhecimento'!
Uma das palavras que se encaixam perfeitamente nas palavras do renomado mestre em
foco, seria o termo alteridade. Somente o reconhecimento das possibilidades do outro,
da humanidade do outro, das capacidades do outro poderiam fazer a diferença no
processo de educar. A Educação que desumaniza o sujeito cria mentes robotizadas,
incapazes de reagir criticamente no mundo; e, portanto, objetos da manipulação e do
controle dos que se julgam os donos do saber.
A educação bancária de Freire aponta para a coisificação do ser humano através da
manutenção da idéia de que alguns são mais sábios( professores) e os outros
ignorantes(alunos). Os primeiros, por esta razão, precisam transmitir seu conhecimento
porque se julgam superiores aos demais, perpetuando desta maneira o que Freire(1987,
p.33) classificou de: "ideologia da opressão, absolutização da ignorância e alienação da
ignorância".
Tal educação, segundo o autor, é a arma dos opressores e a mola mestra que sustenta
toda engrenagem de controle e domínio na sociedade. Enquanto existirem os ingênuos
adestrados pelos experts ultramegasábios, que no afã de perpetuarem sua ação
despótica, criam meros depositários de conteúdos sem nenhuma criticidade; existirá
uma sociedade inebriada por um assistencialismo barato e insano, e também por uma
‘generosidade hipócrita' - carro chefe dos mantenedores do atraso e da incipiência das
massas desqualificadas para o jogo dos tempos hodiernos.
Notas Bibliográficas:
FREIRE, Paulo.Pedagogia do oprimido. 17.ed. Rio de Janeiro, Paz eTerra,1987.
Blog: http://pedagogiaemrevista.blogspot.com/
http://www.artigonal.com/educacao-artigos/reflexoes-em-paulo-freire-830329.html
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