INTRODUÇÃO

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GEOARQUEOLOGIA E RESISTÊNCIA DAS ROCHAS: GRAVURAS RUPESTRES
NO MUNICÍPIO DE QUIXERAMOBIM, NO CEARÁ, NORDESTE DO BRASIL.
Marcélia Marques1 César Veríssimo2 Sthephanie Oliveira3
RESUMO:
Alguns suportes de sítios de gravuras rupestres no Sertão Central do Ceará, no Nordeste
do Brasil, foram estudados do ponto de vista geoarqueológico com o objetivo de
comparar diferentes técnicas de elaboração destas gravuras, a saber, por picoteamento e
polimento (superficial e profundo) em granitos e gnaisses, respectivamente. O painel
principal de gravura do Sítio Pedra do Letreiro, a título de exemplo, composto por mais de
800 grafismos, foi elaborado através da técnica de polimento profundo em biotita
gnaisses da Seqüência Algodões, enquanto o painel de gravura do Sítio Letreiro do
Canhotinho foi executado em rocha granítica da Suíte Água Doce - Super Suíte
Quixeramobim. No primeiro caso, as gravuras encontram-se limitadas a determinadas
bandas gnáissicas, ao longo do curso do riacho Mofumbo, havendo concentração onde
atualmente se configura uma cachoeira. No segundo, as gravuras foram executadas na
única face lisa de um matacão granítico isotrópico, apresentando escamações
provocadas por esfoliação esferoidal. Amostras de rochas análogas que serviram de
suporte às gravuras foram submetidas a estudos petrográficos e ensaios tecnológicos,
incluindo índices físicos e resistência à compressão axial. Os resultados obtidos mostram
diferenças composicionais (mineralogia, textura e estrutura) e geológicas (propriedades
físicas e mecânicas) entre os substratos que serviram para a manifestação da arte
rupestre, indicando variações no que diz respeito à resistência da rocha. As escolhas
destes suportes com técnicas diferenciadas sugerem que os homens e/ou mulheres préhistóricos, os autores destas gravuras, detinham um conhecimento empírico segundo a
resistividade da rocha que, de algum modo, eram indicativas para o emprego de técnicas
também diferenciadas, que favoreciam a intervenção nestes diferentes tipos de suporte.
Estas considerações e constatações onde se associam as técnicas de gravura,
picoteamento e polimento, ao granito e gnaisse, respectivamente, não são determinantes,
ou seja, essas diferentes resistências das rochas não determinam o tipo de técnica de
gravura necessariamente. O que se observa é que as técnicas referidas encontram
melhores expressões e muito provavelmente, suportes para melhor intervenção/
realização de acordo com as constituições e diferenças composicionais dos substratos de
arte rupestre. Os demais sítios de gravuras também incluídos nestes estudos, encontramse localizados nas sub-bacias do Rio Quixermobim e Rio Banabuiú, também situados na
região do Sertão Central do Ceara. O procedimento que adotamos até o momento das
pesquisas, no que diz respeito ao plano comparativo das técnicas de gravura, tiveram os
como sítios referencias a Pedra do Letreiro e Pedra do Canhotinho, conforme o resultado
dos estudos aos quais nos referimos. Os demais sítios, conforme o conhecimento
petrográfico e mineralógico dos suportes rochosos, granito e gnaisse, foram comparados
segundo as técnicas de picoteamento e polimento com estes sítios referenciais. Vale
ressaltar que o granito e o gnaisse podem ser identificados visualmente, sem
1
Universidade Estadual do Ceará (UECE)/Núcleo de Arqueologia e Semiótica do Ceará
(NARSE)/Universidade Estadual do Ceará (UECE).E-mail: [email protected]
2
3
Departamento de Geologia da UFC (Universidade Federal do Ceará). E-mail: [email protected]
Núcleo de Arqueologia e Semiótica do Ceará (NARSE)/Universidade Estadual do Ceará (UECE). E-mail:
[email protected]
necessariamente terem que ser submetidos a análises laboratoriais. Temos a perspectiva
e expectativa de identificarmos, inclusive, expressões técnicas com variações na própria
amplitude do picoteamente, polimento e raspagem, mediante as análises análogas aqui
descritas.
Palavras-chave: Arte Rupestre, Geoarqueologia, Técnicas de gravuras rupestres.
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