A ATUALIZAÇÃO DE VALORES HISTÓRICOS: UMA NOTA TÉCNICA Alfredo Meneghetti Neto Economista da FEE e Professor da PUCRS O objetivo dessa nota é apresentar uma maneira simples de transformar valores históricos - de até 56 anos atrás - para preços de hoje. Para isso buscou-se apoio em alguns livros que discutem a pesquisa econômica, como por exemplo Munhoz (1989). De acordo com o autor num contexto inflacionário a observação de uma série de valores monetários crescentes não permite ao pesquisador concluir sobre o que realmente tenha ocorrido com o fenômeno ali representado, já que os valores incorporariam um crescimento real e um crescimento nominal, este decorrente do simples aumento nos preços. Na realidade, a tarefa de observar uma série é extremamente dificultada, porque nos últimos 56 anos a moeda brasileira trocou de nome sete vezes e perdeu 15 zeros, como pode ser visto na Tabela 1. TABELA 1 AS MOEDAS BRASILEIRAS NAS ÚLTIMAS DÉCADAS ________________________________________________________________________________ ANOS MUDANÇAS NO PADRÃO MONETÁRIO ________________________________________________________________________________ 1942- Em outubro os mil réis perdem três zeros e surge o cruzeiro. O símbolo da moeda passa a ser Cr$. 1964- Em dezembro o centavo do cruzeiro é extinto. 1967- Em fevereiro,o cruzeiro perde três zeros e vem o cruzeiro novo com centavos.O símbolo torna-se NCr$. 1970- Em maio, retorna o cruzeiro, que perde a designação de "novo". O símbolo passa a ser Cr$. 1984- Em novembro, o centavo do cruzeiro é extinto. 1986- Em março, o cruzeiro perde três zeros e é criado o cruzado. 1989- No dia 16 de janeiro, o cruzado perde três zeros e vira cruzado novo e é simbolizado por NCz$. 1990- No dia 16 de março,o cruzado novo é extinto e volta o cruzeiro. O símbolo passa a ser Cr$. 1993- Em agosto, o cruzeiro perde três zeros e é criado o cruzeiro real. 1994- Em julho é extinto o cruzeiro real e surge o real. FONTE: Zero Hora, 1.3.94,p.3 Argumenta Munhoz (1986), mais adiante, que a única maneira de concluir a respeito seria com o deflacionamento da série, isto é, com a utilização de deflatores, eliminando-se o crescimento puramente nominal (ou inflacionário), e obtendo-se uma série em valores constantes ou reais. O uso de deflatores é portanto obrigatório nos trabalhos de pesquisa econômica pois dificilmente pode ser desenvolvido algum tipo de investigação em que não se faça necessário o deflacionamento de séries monetárias. Segundo Haddad (1987,p.134) o ano de 1944 pode ser tomado como o marco inicial dos Índices Nacionais de Preços elaborados com regularidade. e é justamente quando iniciam as séries preparadas pela Fundação Getúlio Vargas. Dos cinco índices levantados pela FGV, havia um índice geral resultante da média dos índices de atacado e varejo, cuja finalidade era servir de deflator para o índice do movimento de negócios. Anos depois, com a inclusão do índice de custo da construção civil, completou-se a composição do índice geral que hoje se conhece. Na realidade, o Índice Geral de Preços é considerado a melhor aproximação das taxas de inflação no Brasil. Isso porque, em lugar de ser um índice elaborado a partir de levantamentos de preços, ele é construído a partir da ponderação de outros índices: o Índice de Preços no Atacado (peso 6), o Índice de Custo de Vida no Rio (peso 3) e o Índice nacional de Custo da Construção (peso 1). Com a finalidade de facilitar a técnica de transformar-se valores históricos para preços de hoje, organizou-se uma série de fatores com base no IGP-DI da FGV, apresentada na Tabela 2. Assim para saber quanto é que vale a preços de hoje um determinado valor histórico (de até 56 anos atrás), basta multiplicar esse valor pelo fator da Tabela 2. Por exemplo, o valor de um imóvel comprado em junho de 1988 por NCr$ 10 milhões, atualizado a preços de agosto de 2005 é R$ 388.481,83. O valor atual foi obtido multiplicando-se 10 milhões por 0,038848183. Esse fator corresponde a coluna do mês de junho com a linha do ano de 1988. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ZERO HORA. As mudanças da moeda brasileira. 1.3.94,p.3 MUNHOZ,D.G. Economia Aplicada. Técnicas de pesquisa e Análise Econômica. Editora de Brasília, 1989 HADDAD,P. Índice de Preços.In: IBGE. Séries Estatísticas Retrospectivas. Rio de Janeiro: IBGE,1986.