departamento de ciências

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CEFET/MG – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Diretoria de Pesquisa e Pós-graduação
Pós-graduação em Estudos de Linguagens
Disciplina: Motivação para Ensinar e Aprender Língua Estrangeira
Prof. Dra. Maria Raquel de Andrade Bambirra
Aluno: João Paulo Nogueira da Costa Valle
Referência comentada do texto:
USHIODA, E. Motivation as a socially mediated process. In: LITTLE, D.; RIDLEY,
J.; USHIODA, E. (Ed.) Learner autonomy in the foreign language classroom:
teacher, learner, curriculum and assessement. Dublin/Ireland: Autentik, 2003. p. 90102.
Em seu artigo, Ushioda busca defender o argumento central de que a motivação
é parte intrínseca da natureza humana, mas necessita, para seu desenvolvimento, do
apoio de relações interpessoais e de um ambiente otimizado de aprendizado. A autora
parte do pressuposto de que, se a aprendizagem é possibilitada pela participação
mediada, igualmente o será a motivação. Para defender esse ponto de vista, Ushioda não
nega que a motivação tenha uma faceta individual, mas afirma que, embora nasça do
indivíduo, ela se desenvolve como resultado de interações entre pessoas, tarefas e
contexto. Seu caráter coletivo é, inclusive, conforme se demonstra por meio de dados
coletados em pesquisa, percebido por professores e estudantes, que costumam se referir
a aspectos motivacionais do processo de ensino-aprendizagem levando em consideração
mais as turmas do que os indivíduos que as compõem (p. 92-93).
O reconhecimento do viés social da motivação implica, segundo a autora,
reconhecer a existência de interdependência dinâmica entre fatores internos e externos,
em uma visão alinhada ao sociointeracionismo de Vygotsky. Ressalta-se, no artigo,
porém, que a fusão de tais fatores nem sempre é positiva, criando-se, por vezes,
circunstâncias prejudiciais ao aprendizado e ao desenvolvimento da motivação,
especialmente as relacionadas àquilo que se chama, no texto, peer group culture, fator
mais evidente em casos de grupos de adolescentes.
Ushioda aponta que uma estratégia adequada para evitar que os potenciais
problemas relativos à faceta coletiva da motivação se manifestem é a concessão de
autonomia aos estudantes. Segundo se afirma no artigo, lida-se, em sala de aula, com
variados objetivos e motivações pessoais, com numerosas demandas e expectativas dos
professores e dos currículos e com diversas relações interpessoais, no que se
convencionou chamar de complex lived experience of classrooms (McCaslin; Good,
1996). Todos esses fatores têm maior chance de serem alinhados se for conferida aos
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estudantes participação na negociação de uma estrutura para o aprendizado em sala, e a
participação ativa no delineamento de suas próprias atividades os levaria a se
conscientizarem de seu papel de agente no processo de aquisição de competência na
nova língua estrangeira.
Nesse contexto, Ushioda defende que o professor deve atuar, na qualidade de
terceiro mais qualificado, na mediação da construção do conhecimento por seus
estudantes. Isso implica abrir mão da prerrogativa de decidir o que estudante deve fazer
e passar a fornecer ao estudante subsídio, tanto na forma de incentivo, quanto na forma
de conhecimento sobre as opções pedagógicas, para que ele escolha por si próprio o
caminho que seguirá na busca pela competência desejada. Assim, o professor, ao
auxiliar seus alunos por meio de co-regulação da motivação, capacita-os para que, no
futuro, estes possam autorregulá-la.
Na conclusão, a autora de o estudante não se reconhecer como um agente de seu
próprio processo de aprendizagem: quem não se vê como agente, não percebe sua
capacidade de regular o próprio pensamento e, consequentemente, tem mais chances de
fracassar na busca de seus objetivos.
Trata-se de um texto relevante, cuja leitura pode servir como ponto de partida
para que professores de língua estrangeira reflitam sobre seus métodos de ensino.
Assim, mesmo que não se deseje abraçar todas as sugestões da autora, obtém-se um
contraponto a práticas pedagógicas que, embora muito difundidas, podem não ser as
mais eficazes.
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