Comunidade de Fé - Igreja Batista Esperança

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COMUNIDADE DE FÉ
MOLTMANN, Jürgen. La Iglesia, fuerza del Espíritu.
Hacia una eclesiología mesiánica, trad. Emilio Saura,
Salamanca: Sígueme, 1983
Kirche in der Kraft des Geistes, Kaiser, Munique, 1975, traduzido para o italiano La Chiesa
nella Forza dello Spirito, Bréscia, 1976. (A Igreja na Força do Espírito). Estudo da Igreja
em sua natureza, suas funções, seus ministérios e suas relações com o mundo e com o
Reino de Deus.
O objetivo da obra supra citada de Moltmann é mudar o quadro atual da Igreja, que está
agindo como um supermercado onde se vão fazer compras relacionadas à vida religiosa.
Sua intenção é promover uma comunidade em que o cristão viva continuamente uma
comunidade de fé, esperança e fraternidade. Vivendo assim, ela se tornará fermento de vida
para todo o mundo.
Segundo ele, a história da humanidade está mudando decisivamente. Acabou a época de
nacionalismos e isolamentos como estruturas políticas estatais. Caminhamos, diz ele que
para uma comunidade mundial com estruturas políticas democráticas e supranacionais. Se
a Igreja quiser acompanhar o tempo ela também precisa atualizar suas estruturas.
O autor propõe que a Igreja mude de Igreja clerical, ministerial e institucional em Igreja
carismática, e que cada indivíduo tome consciência do seu próprio ministério e
compreenda o seu próprio carisma, para que o povo passe a ser sujeito na Igreja e não
somente objeto de assistência religiosa.
Segundo o autor o governo desejado por Cristo se consuma numa comunidade carismática
baseada na fraternidade. Essa forma de estrutura eclesial tem sua base nos fundadores do
protestantismo de modo que, tanto Lutero como Calvino, já tinham essa concepção de que
as estruturas humanas não podem exercer nenhuma função sacramental sobre alguém uma
vez que isso é feito diretamente por Cristo.
Para Moltmann, a Igreja como realidade histórica possui um passado, um presente e um
futuro. Ao passado pertence à história de Cristo, o fundador da Igreja, e a história da
Trindade. Ao presente, pertence à história do Espírito Santo, que está com a comunidade
dos pecadores justificados, libertados por Cristo, que passaram pela experiência da salvação
e dão graças a Deus.
Com respeito ao futuro, Moltmann trabalhou com a relação entre Igreja e Reino de Deus.
Nisso, o autor apresenta uma tese intermediária entre católicos e protestantes. Os primeiros
compreendem uma identificação imediata entre um e outro e os seguintes, uma passagem
transitória para o Reino de Deus escatológico.
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A tese de Moltmann é que a Igreja é a antecipação, o sinal do Reino de Deus. Ele afirma
que a Igreja, que existe e age na força do Espírito, ainda não é o Reino de Deus, mas
certamente sua antecipação histórica. Dessa forma, o cristianismo ainda não é a nova
humanidade, mas, tendo o Espírito da nova criação, é a linha de frente na luta de resistência
contra a condição cativa de morte da humanidade. Para ele, a Igreja é povo messiânico a
serviço do Reino de Deus que está por vir.
Nas relações da Igreja com o mundo, especificamente entre o mundo político e econômico,
Moltmann afirma que a Igreja, fundada por Cristo, se tornará em sua totalidade, existência
e modo de vida, um fermento de destruição da idolatria política, pela sua dessacralização e
democratização. Ele afirma que como fermento crítico e destrutivo do fetichismo
econômico, ela (a Igreja) difundirá um novo tipo de relações, marcadas pela liberdade na
solidariedade. Para Moltmann, a Igreja está em condições de fornecer uma orientação vital
para a ação do cristão na política, economia e cultura.
A eclesiologia de Moltmann está intrinsecamente unida e ligada à cristologia. Ela precisa
ser desenvolvida a partir da cristologia como sua conseqüência e como correspondência a
ela.
Cristo é o fundador da Igreja, de modo que o fundamento de tudo o que se refere à Igreja
não é a sociologia, nem a política, nem a economia, nem a cultura, mas sim Jesus Cristo. A
vida da Igreja e do cristão deve ser inteiramente regulada por Cristo e, portanto, pela fé e
pela experiência vital que a fé em Cristo suscita ao crente. Mas o autor mostra que a Igreja
não pode ser entendida como uma simples continuação ou prolongamento dele, sim como
antecipação da pessoa escatológica de Cristo.
Para a questão da salvação fora da Igreja, Moltmann distingue dois horizontes: O horizonte
eclesial que abrange todos aqueles que abraçam a fé em Jesus e o horizonte total que
abrange Israel, os seguidores das religiões não-cristãs e o mundo inteiro. Para ele, Cristo
veio e se sacrificou para reconciliar o mundo inteiro. A Igreja possui sua vocação
específica. Ela tem a missão da esperança no mundo, a reconciliação dos pagãos ao futuro
de Deus para que se tornem livres.
No que se refere à questão soteriológica das religiões não-cristãs, Moltmann se mostrou
enigmático, deixando claro, contudo, que a Igreja deve manter com estas um diálogo franco
e um confronto aberto sem nada sacrificar o que elas têm de bom, verdadeiro e belo. Isso é
válido também para as diferentes culturas.
Com respeito aos sacramentos, Moltmann afirma que pedobatismo já passou de época,
devendo ser substituído pelo batismo vocacional. Ele afirma que para quem o recebe e para
os membros da comunidade, o batismo deve significar, além da graça, também a vontade
de viver na libertação de Cristo e de colocar-se a serviço da reconciliação e da libertação do
mundo inteiro.
Quanto à ceia, devido às suas tendências carismáticas, anti-institucional e anti-ministerial,
Moltmann nega a existência de um ministério especial para a sua administração. Rejeita,
também, como absurdo a exigência de confissão antes da ceia. Para ele, ceia é celebração
de júbilo e a confissão apenas tortura a consciência do cristão, enchendo-a de angústia.
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Referente aos ministérios e funções da Igreja, o estudo é elaborado sob um contexto
pneumatológico, isto é, os ministérios e as funções são situados no interior do movimento
do Espírito Santo.
Para Moltmann, todos os crentes receberam os dons do Espírito e são, portanto, titulares do
ministério. O que considera essencial para a comunidade são o kerygma, a koinonia e a
diakonia. Assim, os mandatos principais para a comunidade são o de anunciar o Evangelho,
o de batizar e celebrar a ceia, o de presidir as assembléias comunitárias e o de exercer uma
atividade diaconal.
Ele vê a necessidade para a comunidade de pregadores, presbíteros e diáconos, mas não vê
esses ministérios ou outros como decorrentes da atividade democrática dentro da igreja; é
preciso que eles sejam um dom carismático atribuído à pessoa.
Sem dúvida, a leitura desse livro se faz pertinente para todos que querem trabalhar na igreja
latino-americana levando em conta que o autor foi o fundador principal da Teologia da
Esperança cujo pensamento assemelha-se com as Teologias Feministas, Negra, Política, de
Missão e Libertação. Em sua teologia ele aborda a escatologia, onde a esperança tem seu
objetivo cumprido não na especulação, mas na práxis em meio à ação política e a
revolução. Segundo seu conceito, a esperança cristã é criativa: Nós não somos só
interpretes do futuro, mas já os colaboradores do futuro, cuja força, na esperança como na
realização, é Deus.
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