ainda somos muito desiguais - Corecon

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QUER SABER COMO ESTÁ O SEU PAÍS?
Marcus Eduardo de Oliveira (*)
Não acredita mais no diz o governo? Não crê nas notícias que lê e ouve?
Desconfia da imprensa que “serve” ao poder público e dele se serve? Ora, se
você é um (a) daqueles (as) que deseja realmente saber como está o seu país,
isso é uma tarefa fácil. Para tanto, talvez nem seja tão necessário assim
recorrer à imprensa, e muito menos ouvir a versão oficial propagada pelo
governo. Como? Saia às ruas e comece a ver, in loco, os níveis da desigualdade
social, da pobreza, da miséria, da violência urbana.
Veja, em uma noite qualquer dessas, quantos brasileiros irá encontrar
pela frente que não tem teto e estarão dormindo ao relento, empilhados um
sobre o outro, debaixo de qualquer viaduto da cidade que escolher visitar.
Desses que encontrar pela frente, procure saber a última vez que apenas um
deles teve emprego formal. Procure saber, à sua volta, quantos são analfabetos,
quanto tempo estão na mendicância passando fome diuturnamente.
Agora, volte para casa e aprofunde essa “pesquisa” procurando por
notícias confiáveis que dão conta da economia do seu país. Leia nos jornais e
revistas “confiáveis” (sim, eles existem!) os índices de desemprego; identifique
a retração do nível da atividade econômica; compare com outros países o grau
de concentração de renda; levante a taxa de inadimplência registrada pelo
comércio. Verifique, se possível, junto ao gerente de sua conta bancária, o
comportamento da taxa básica de juros e do spread bancário nos últimos 50
meses. Procure informações sobre o grau de vulnerabilidade econômica e da
dependência de capitais externos que seu país tem sofrido. Procure saber
quanto o governo anda pagando de juros pelo “serviço” da dívida interna e
compare, a título puramente ilustrativo, com o custo de uma campanha
presidencial. Diante dessa “pesquisa”, será possível saber, grosso modo, como
isso tudo está refletindo na sociedade.
Se ainda não estiver “contente” com essa pesquisa. Volte “ao campo”. Saia
com seu carro e pare no semáforo mais próximo. Lá, veja quantas crianças lhe
pedirão esmolas e quantos adolescentes, na faixa dos 12 aos 18 anos, estarão
dispostos a ganhar míseros centavos em troca do serviço de “flanelinha” ou
jogando bolinhas para o alto.
Aproveite essa mesma saída e vá à uma fila de um posto do INSS em
qualquer lugar do Brasil. Seja indiscreto: pergunte o salário e a condição de
vida do (a) primeiro (a) aposentado (a) que encontrar, pois, certamente, lá
estarão muitos desses sofridos brasileiros desde as primeiras horas do dia.
Veja nos rostos desses (as) brasileiros (as) as marcas da velhice cuja pobreza
marcou a pele pelo trabalho duro de mais de 30 anos sem o devido
reconhecimento salarial. Saia do INSS continue andando e se dirija a uma
escola pública qualquer. Lá chegando, converse com os professores. Continue
sendo indiscreto: peça para ver o comprovante de pagamento e as condições em
que são ministradas as aulas. Veja o material escolar dos alunos, a condição da
sala de aula e o que é servido na merenda.
Por fim, para não tomar muito seu tempo, faça uma última “visita” para
conhecer “um pouco apenas” o país em que vive. Chegue a um hospital público
qualquer; procure pela sala reservada para armazenar medicamentos e
instrumentos cirúrgicos, ou, se preferir, dê uma rápida espiada nos corredores
próximos ao atendimento emergencial. Lá verás, certamente, como está o
serviço de saúde pública desse lugar escolhido que refletirá, certamente, todos
os demais lugares similares desse país. E, assim, depois de tudo isso, saberá
então como está, de fato, o país em que vive, pois, a pequena amostra do que
estará vendo (e do que viu nas ruas) não diferencia muito do restante do país.
Saberá mais: terá a certeza de quais são os desafios a serem enfrentados para
a construção de uma sociedade mais humana. Saberá o que os brasileiros mais
humildes passam, como vivem, e o que desejam. Diante desse “conhecimento”
poderá então, por fim, se perguntar: como foi possível chegar a esse estado?
Como foi possível esse país ter transformado crescimento econômico – um dos
maiores no século XX – em deterioração social? Saberá também que mesmo
diante desses obstáculos, é perfeitamente possível construir uma sociedade
mais digna e menos desigual, desde que, é claro, haja compromisso político e
econômico capaz de reverter o quadro social de forte injustiça vivenciado pelos
brasileiros mais humildes. Por fim, como se aproxima o processo eleitoral, veja,
dentre as opções, quem poderá (?) reverter essa situação. Diante disso: faça
sua escolha e não se esqueça de cobrar do (a) eleito (a) tudo o que for
prometido durante essa campanha.
Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO,
em São Paulo. Especialista em Política Internacional pela (FESP) e mestre pela (USP). Colunista
dos sites: “O Economista” e “Portal EcoDebate”. Contribui ainda com a Agência Zwela de Notícias
(Angola), o Notícias Lusófonas (Portugal) e o Diário Liberdade (Galiza).
Blog - http://blogdoprofmarcuseduardo.blogspot.com
e-mail - [email protected]
Twitter - http://twitter.com/marcuseduoliv
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