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EVOLUÇÃO DOS PLANOS
ODONTOLÓGICOS PRIVADOS NO
BRASIL E NO MUNDO
PRÊMIO SINOG DE ODONTOLOGIA
2001
AUTOR:Karla Guaracy Assumpção de Queiróz
(VITÓRIA-RÉGIA)
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO..................................................................3
2. REVISÃO DE LITERATURA............................................5
3. DISCUSSÃO.....................................................................15
4. CONCLUSÕES.................................................................22
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................23
3
1. INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, ocorreu no cenário odontológico uma crescente
socialização da odontologia e o surgimento de sistemas de odontologia de
grupo, os quais passaram a atingir novos segmentos da sociedade. O Brasil,
apesar de possuir um elevado número de cirurgiões-dentistas, carece de
atenção para população adulta e idosa.
Segundo o Conselho Federal de Odontologia anualmente
formam-se cerca de 9.000 novos dentistas. A relação dentistas por habitante,
considerada ideal pela OMS, é de 1 profissional para 1.500 habitantes, porém,
no Brasil esta relação está atualmente, em 1 cirurgião-dentista para 1.241
habitantes. Acrescenta-se a esses dados o fato de que apenas um pequeno
percentual dessa população possui renda suficiente para freqüentar os
consultórios odontológicos, logo a maioria da população tinha como única
opção o precário atendimento realizado pelo serviço público.
É nesse contexto que surgiram as empresas de odontologia de
grupo, a fim de reverter essa situação e minimizar custos assistenciais na área
odontológica, permitindo que o cidadão tenha o direito a saúde, a qual inicia-se
pela “boca”.
4
Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é de fazer uma análise
sobre a evolução dos planos odontológicos privados tanto no âmbito nacional
como mundial.
5
2. REVISÃO DE LITERATURA
O Brasil atravessa uma fase de acelerada expansão do chamado
“setor privado organizado” prestador de serviços de saúde em massa para a
população, surgindo como uma alternativa cada vez mais importante às opções
clássicas representadas pelo atendimento público sem custo direto e pela
prática liberal caracterizada pelo atendimento sem intermediários entre
profissional e paciente ( PINTO, 2000)13.
O processo de rápidas transformações a que estão sujeitas as
sociedades atuais se reflete de maneira direta no mercado odontológico de um
país como o Brasil conforme relata PINTO (2000)13, afetando tanto os
profissionais da área quanto a clientela e a população como um todo.
Podemos dizer que estamos sofrendo a terceirização do setor de
saúde e segundo FERREIRA (1995)7 este processo é anterior à década de 60,
quando as empresas estavam surgindo com maior força no país. O primeiro
tipo de serviço terceirizado mais comum nesse período foi o de consultoria. No
entanto, a necessidade das empresas de reduzir gastos e de se concentrar na
competividade é que abriu espaço para a ação em quase todos os setores. No
primeiro mundo, como nos países europeus e Estados Unidos, isso já vinha
acontecendo desde o começo do século.
6
O modelo brasileiro de planos e seguros de saúde foi iniciado de
maneira tímida com as primeiras empresas de medicina de grupo no começo
dos anos 60, o chamado “subsistema suplementar” de assistência à saúde
ganhou fôlego e expandiu-se de fato no final da década de 80 e de 1990 em
diante, aproveitando-se da gradativa deteriorização dos serviços públicos.
Estimativas provenientes das próprias empresas deste setor, indicam que em
1997 cerca de 43,5 milhões de brasileiros possuíam algum tipo de plano ou
seguro de saúde (PINTO, 2000)13.
Os serviços terceirizados na Odontologia podem ter a seguinte
configuração: 1) credenciamento feito pela própria empresa, em que o
consultório e o dentista são diretamente pagos e contratados pelo credenciador
ou 2) através da contratação de uma empresa que vai garantir esse tipo de
serviço sem que a contratante precise se movimentar. Nesse último caso a
tendência tem sido a de quarteirização, onde as terceirizadas acabam
contratando consultórios de dentistas para efetuar o atendimento aos
funcionários (FERREIRA, 1995)7.
Nesse contexto, não é de surpreender o ativo crescimento da fatia
de mercado correspondente às clínicas e empresas que oferecem planos e
seguros de saúde bucal, PINTO (2000)13 considerou que até meados da
década de 80, o subsetor dos planos de saúde bucal no Brasil chega ao final
do século com cerca de trezentas empresas e cerca de sete milhões de
clientes, em franca expansão.
A partir do início da década de 90, ocorreu uma significativa
expansão dos planos e seguros privados de saúde. Estima-se que hoje este
7
sistema conte com cerca de 40 milhões de usuários, movimentando um
mercado de 15 bilhões de dólares anuais (OLIVEIRA, 2000)10.
A assistência odontológica no Brasil constitui-se de uma prática
dominantemente privada, curativa e socialmente excludente, onde cerca de
70% do tempo e do dinheiro gastos em saúde bucal atualmente são
pertencentes ao setor privado e aproximadamente 67% da população total tem
limitado ou nenhum acesso a este sistema de atenção odontológica (PINTO,
1997)12.
Com o advento do credenciamento do cirurgião-dentista, surge
uma nova relação na prestação de serviço. O processo de credenciamento
significa nada mais do que um modo de terceirização da produção, isto é, a
não criação ou o desmantelamento de clínicas odontológicas próprias das
empresas para atendimento dos seus funcionários, para o estabelecimento de
uma rede de profissionais conveniados (CORMACK, 1997)5.
De acordo com PINTO (2000)13 as principais modalidades de
organização são conhecidas como: a) odontologia de grupo, oferecendo
serviços com base em rede própria junto com rede de consultórios
credenciados;
b)
cooperativa
odontológica
centrada
nos
profissionais
cooperados e estruturada segundo a regulamentação prevista para este
sistema; c) seguradora odontológica, atuando no regime de oferta de serviços
por reembolso de despesas com livre escolha e/ou com garantia de
determinada cobertura junto a profissionais credenciados.
Um plano ou seguro de saúde odontológico deve atender as
seguintes exigências mínimas de acordo com a legislação brasileira de 1998:
8
cobertura de consultas e exames auxiliares ou complementares, solicitados
pelo odontólogo assistente, cobertura de procedimentos preventivos de
dentística e endodontia, cobertura de cirurgias orais menores, assim
consideradas as realizadas em ambiente ambulatorial e sem anestesia geral
(PINTO, 2000)13.
Na visão de FERREIRA & SOUZA (1993)6 esse é um processo
que se iniciou nos Estados Unidos, na segunda guerra, provocada pela
escassez de mão-de-obra, o que levou os empresários a contratar as
atividades consideradas não essenciais. Esse processo evoluiu muito desde os
seus primórdios e hoje ele se subdivide em “subcontratação”, onde através da
seleção de um ou mais fornecedores, a empresa receberá o produto contratado
e estes a contrapartida financeira, terminando aí a efêmera e delimitada
relação entre a empresa e o fornecedor; e a “parceria”, que pressupõe a coresponsabilidade da empresa e de seu fornecedor no resultado final,
conduzindo a uma cooperação permanente entre as partes, considerando o
interesse mútuo de mercado entre os parceiros. No primeiro caso, na
subcontratação, temos os exemplos clássicos da terceirização do tratamento
odontológico realizada pelas empresas estatais como Petrobrás, Furnas,
BNDS. Já na parceria, temos tipificado o exemplo das cooperativas
odontológicas, como por exemplo a Uniodonto.
Como relata FERREIRA (1995)7 esse sistema objetivou congregar
os cirurgiões-dentistas para sua defesa econômica e social, abolindo o
intermediário e atenuando a barreira do custo, a fim de atender uma camada
maior da população brasileira.
9
A Uniodonto foi criada em 1972, por um grupo de 37 cirurgiões da
Baixada Santista que acreditaram no cooperativismo, a primeira de sua
categoria a ser fundada no país, atualmente conta com 10 federações
estaduais, 170 cooperativas singulares, 16.000 cirurgiões-dentistas, 3.000
empresas e a soma respeitável de 1.500 usuários. O acerto da confiança dos
odontólogos no sistema, confirmou-se logo, através do verdadeiro salto do
número de cooperativas odontológicas instaladas no Brasil (UNIODONTO,
2000)16.
O
plano
oferecido
pela
Uniodonto
baseia-se
no
rol
de
procedimentos do Ministério da Saúde. O sistema funciona com uma tabela
própria. O cirurgião-dentista compra quotas da cooperativa e passa a ser um
cooperado (FRAGOAS, 2001)8.
Motivando
trabalhadores
e
empresários,
a
odontologia
empresarial desenvolveu-se de tal forma que, em 1996, constituiu um
organismo para sua maior integração e representatividade, o Sindicato
Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo – SINOG, que congrega 135
empresas de odontologia de grupo como associados, com planos específicos e
características diferenciadas, distribuídos pelo país. São planos isentos de
carência para procedimentos básicos nos contratos empresariais, e já atendem
a dois milhões de pessoas, com um faturamento anual da ordem de US$ 240
milhões, em dados de 1997 (SINOG, 2001)15.
Não existe dúvida de que as alterações no mercado de trabalho
odontológico, que algumas pessoas desinformadas insistem em atribuir
exclusivamente ao número de faculdades, vincula-se às transformações
10
ocorridas no modelo econômico do país. Uma destas mudanças é o
direcionamento da política de saúde para um modelo em que os planos e
seguros de saúde têm papel preponderante (FERREIRA, 1995)7.
O desenvolvimento de planos odontológicos voltados para a
promoção de saúde e para a prevenção começou a prosperar no Brasil na
última década do século com a estruturação de clínicas voltadas para a
manutenção da saúde nas principais capitais (PINTO, 2000)13.
De início nos Estados Unidos, e hoje na maioria dos países
desenvolvidos, foram organizados sistemas para reduzir um pouco e,
sobretudo, para fracionar o custo da assistência odontológica para o paciente,
na forma de diferentes tipos de seguros odontológicos ou sistemas de prépagamento. Estes seguros existem principalmente em países com sistema
particular de assistência odontológica, mas também são comuns onde vigora o
regime de financiamento público, para cobrir aqueles tratamentos que o
sistema não inclui como afirma NAVARRO (apud PINTO, 2000)13.
Segundo PINTO (2000)13, os países europeus com sistema
particular predominantemente privado são: Espanha, Finlândia, Grécia,
Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Noruega, Portugal, Suíça e Turquia.
A Espanha possui um cirurgião-dentista para cada 2.940
habitantes. O sistema público de saúde espanhol possui uma ampla cobertura
na saúde geral, mas em odontologia só fornece consulta de diagnóstico,
exodontias e cirurgia bucal, isso gratuitamente nos consultórios do sistema
nacional de saúde, e aos cuidados de profissionais assalariados. Os seguros
odontológicos privados ainda estão pouco desenvolvidos e, em geral, apenas
11
cobrem exodontias e profilaxias, e o restante do tratamento o paciente paga
com preços tabelados pela companhia de seguros, que costumam estar abaixo
dos preços de mercado (PINTO,2000)13.
A Holanda tem um cirurgião-dentista para cada 2.330 habitantes,
com isso PINTO (2000)13 demonstra que desde 1995, o sistema de previdência
social praticamente desapareceu cobrindo só os tratamentos preventivos. O
restante do tratamento dos adultos é feito por meio de seguros privados, que
tiveram seus preços reajustados para melhorar o acesso da população a eles.
Hoje, podemos dizer que a Holanda tem um sistema predominantemente
privado, com atenção especial para os grupos prioritários.
PINTO (2000)13, afirma que a Irlanda possui um cirurgião-dentista
para cada 1.840 habitantes. Desde 1992, o país dispõe de um sistema de
assistência odontológica que engloba cerca de 40% da população, o qual foi
desenvolvido para indivíduos empregados, com uma renda mínima abaixo de
um determinado valor. Todos os tratamentos são subvencionados, exceto a
prótese fixa. Os cirurgiões-dentistas trabalham em consultórios particulares e
cobram por procedimento odontológico.
No que diz respeito a Islândia conta com um sistema privado de
assistência odontológica para a população adulta, enquanto que as crianças e
os maiores de 67 anos têm seu tratamento total ou parcialmente
subvencionados, como afirma PINTO (2000)13, sendo que o oposto acontece
com a Noruega onde a população adulta pode utilizar a rede pública ou
particular, mas o tratamento odontológico não está subvencionado.
12
A Alemanha possui uma proporção de um cirurgião-dentista por
1.300 habitantes, e demonstra que praticamente toda a população pertence
aos seguros de saúde, que são financiados em cerca de 50% por contribuições
dos empresários. Os seguros privados são pouco frequentes, sendo que a
maioria dos profissionais alemães trabalham pelo sistema de prática particular
e colaboram com os seguros de saúde, em que o profissional é reembolsado
por procedimentos odontológicos pelo seguro de saúde, segundo uma tabela
de preços (PINTO, 2000)13.
Na Dinamarca que conta com um cirurgião-dentista para cada
1.040 habitantes, os seguros privados estão moderadamente desenvolvidos,
sendo que uma pequena porcentagem desses profissionais cobra por
procedimento odontológico segundo uma tabela de preços conforme PINTO
(2000)13 relata, recebendo parte de seus honorários do sistema e parte do
próprio paciente.
De acordo com PINTO (2000)13, a França possui um cirurgiãodentista para cada 1.400 habitantes, em que o uso do sistema de seguro de
saúde é financiado por contribuições dos empregados e empresários. Pode-se
dizer que a totalidade da população tem acesso ao sistema, o qual
subvenciona todo o tipo de tratamento, exceto a maioria das próteses fixas. É
freqüente que os pacientes disponham de seguros odontológicos privados para
complementar seu seguro obrigatório.
A Inglaterra tem uma proporção de um cirurgião-dentista por
1.880 habitantes, e toda a população está coberta pelo sistema nacional de
saúde, que é financiado em sua maior parte pelos impostos gerais,
13
suplementado por contribuições de empregados e empresários. A contribuição
dos pacientes no tratamento odontológico é estimada em cerca de 32% do
custo total, e os seguros odontológicos privados são escassos mas estão
aumentando gradativamente (PINTO, 2000)13.
No que diz respeito ao modelo norte-americano de atenção à
saúde bucal, tradicionalmente os Estados Unidos da América procuraram
organizar seus serviços de saúde tendo como pilar de sustentação as regras
de mercado e a livre escolha do profissional pelo paciente e deste pelo
profissional, porém, em 1929 apresentou algumas falhas. A partir dessa
realidade é que surgiu em 1993 a proposta de reformulação do modelo de
financiamento e proteção à saúde formulada no governo Clinton por sua
esposa Hillary Clinton. Diversas entidades do setor saúde, incluindo com
destaque as do setor odontológico, onde empresas se limitam a oferecer
planos de saúde bucal (PINTO, 2000)13.
CORDES & DOHERTY (1991) constataram que desde 1950 a
odontologia constitui um setor em crescimento dentro da economia norteamericana, situando-se acima da média de expansão do conjunto dos demais
setores. Examinando fatores que operam tanto do lado de demanda quanto o
da oferta, chegaram à conclusão de que os dados confirmam a existência de
um significativo relacionamento entre fatores de economia de mercado e o
crescimento do setor privado odontológico, sendo este: a) induzido por
aumento na demanda devido principalmente à expansão da modalidade de
seguro e planos de saúde bucal; b) em segundo lugar causado por aumentos
14
na renda de consumidores; c) em terceiro, suportado por uma oferta crescente
de profissionais (apud PINTO, 2000)13.
15
3. DISCUSSÃO
O desgaste do setor público levou a uma ativa expansão da
iniciativa privada. Estimativas referentes a 1989 anotavam um movimento
global de recursos da ordem de US$ 2,4 bilhões em saúde bucal no país,
sendo R$ 1,7 bilhão em gastos pessoais e R$ 0,7 bilhão a cargo do setor
público (PINTO, 1993)11.
No mercado de seguros, o ramo que mais tem crescido é o de
saúde, com um movimento de cerca de R$ 3,95 bilhões em 1997 que superou
em 33% a arrecadação de 1996, com isso PINTO (2000)13 demonstra que a Lei
sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde aprovada em 1998,
engloba todas as pessoas jurídicas que operam neste setor e estabelece
regras para cobertura principalmente no que diz respeito ao âmbito
odontológico.
Encontramos entretanto na odontologia duas formas diferentes de
credenciamento: na primeira através do credenciamento direto, feito pela
própria empresa, onde o consultório e o dentista são pagos diretamente pelo
credenciador. Essa forma tipifica uma terceirização do trabalho do profissional,
que pode ser, como visto anteriormente, realizada sob a forma de
subcontratação ou de parceria. Na segunda, mais recente, encontramos o
16
desenvolvimento de um processo de quarteirização do trabalho odontológico,
onde uma empresa de saúde agencia consultórios de dentistas para efetivar o
atendimento dos funcionários da firma que a contratou (CORMACK, 1997) 5.
Segundo BURT & EKLUND (1992) nos seguros odontológicos, a
maioria dos segurados fará uso regular dos serviços, por isso, melhor que um
seguro, deveria ser considerado um método de pré-pagamento ou de
pagamento fracionado e periódico pelos serviços que recebem (apud PINTO,
2000)13.
De acordo com BELARDINELI (1986)3 o número de pessoas que
procuram atendimento odontológico em quatro países em desenvolvimento é
de aproximadamente, 20% de suas respectivas populações. Este total sobe a
um pouco mais que o dobro (45%) no país mais desenvolvido do mundo, os
Estados Unidos da América.
O Brasil, um dos campeões em cárie dentária, gasta US$ 2,4
bilhões por ano, o mesmo que o Reino Unido, que tem menos de um quarto da
população brasileira. O resultado é que 90% da população possuem cárie e
patologias bucais; 80% não têm acesso ao tratamento dentário; aos 12 anos o
jovem já tem 50 % dos dentes comprometidos e de cada quatro pessoas acima
de 60 anos, três não possuem mais a dentição original (SINOG, 2001)15.
Nesse sentido, é bem-vinda a implantação de empresas de
Odontologia de Grupo no Brasil (SINOG,2001)15, assim como a sua atuação
sob a forma de parcerias (MELO, 1999)9.
Temos como exemplo a SINOG, que atua como defensor dos
interesses dos grupos odontológicos associados, sendo a única entidade oficial
17
a representar a categoria econômica, sobretudo nas negociações coletivas de
trabalho, tendo em vista atuar como agente de crescimento e divulgar a relação
custo/benefício dos planos de assistência odontológica, colaborar no contínuo
desenvolvimento técnico-científico da atividade de seus profissionais e manter
relacionamento permanente com o mundo acadêmico de odontologia. Hoje, a
entidade reúne empresas de odontologia de grupo em todo o país, responsável
pelo atendimento de 4,5 milhões de beneficiários, através de uma estrutura de
80 mil dentistas. (SINOG, 2001)15.
Dentre as inúmeras transformações ocorridas no mercado de
serviços odontológicos, o desenvolvimento das operadoras tem sido um dos
mais debatidos e polêmicos (ASSADA, 2001)1.
De acordo com CAMPUZANO (2001)4 a América Central, Caribe
e América do Sul têm em comum não apenas suas histórias, culturas e
localização geográfica mas também no que diz respeito ao recurso humano. O
dentista na América Latina, em geral, está subutilizado e desempregado, a
saúde oral está a cargo de 350 mil odontólogos, porém, este número não é
significante, pois a comunidade não tem acesso à saúde oral, ou seja, níveis de
saúde muito baixos, onde a prevalência de patologias orais continuam sendo
muito altas.
Com base na afirmativa, no Paraguai, por exemplo, 89% da
população sofre ou sofreu de cáries; a prevalência em periodontopatias é de
70% e de cada 100 pessoas maiores de 15 anos, 74 necessitam de
tratamentos protéticos. Mas no Equador, país de 12 milhões de habitantes,
com 15 mil odontólogos (dados de 1997), 99% da população apresentam
18
cáries ou seqüelas delas. No Brasil, com 150 mil odontólogos e mais de 90
escolas de odontologia que formam 8.300 novos profissionais/ano, existem
regiões como Vitória onde há 280 habitantes por um dentista, uma obturação
por superfície ao preço de 5 dólares americanos, o que vem a demonstrar que
os níveis de saúde estão muito baixos e a prevalência de patologias orais só
tendem a aumentar (CAMPUZANO, 2001)4.
A idéia de SAAD (2001)14 é que com a proliferação dos convênios
odontológicos, ele teme que o Brasil se iguale ao Japão, onde a Odontologia é
quase 100% conveniada.
Conforme FERREIRA (1995)7, o processo de terceirização dos
serviços odontológicos é visto com desconfiança por muitos dentistas que
alertam para o perigo da oligopolização da odontologia no Brasil por
empresários que querem tirar lucro da profissão, porém, outros dentistas
consideram que a situação não está fácil para ninguém e entre um consultório
vazio e um tomado por funcionários-clientes, para fazer tratamentos com
preços abaixo do mercado, a segunda opção é a mais atraente. Essa é a nova
realidade brasileira.
Nesse sentido OLIVEIRA (2000)10 relata que os planos e seguros
privados de saúde compõem uma parcela do sistema de prestação de
assistência médica no Brasil, conhecida como assistência suplementar. Por se
tratar de um serviço de relevância social, deve estar sob o controle do governo
e, segundo a Constituição, deve funcionar, como o próprio nome indica, de
forma complementar ao Sistema Público de Saúde.
19
De acordo com RAZUK (2001), temos hoje cerca de 4 milhões de
beneficiários assistidos por empresas de assistência odontológica, com um
faturamento anual aproximado de R$ 700 milhões. Das 695 operadoras de
saúde registradas em São Paulo, 272 são odontológicas com 3968 produtos.
Sendo que 50% dos profissionais do país estão vinculados à empresas de
Odontologia de Grupo, com aproximadamente 80 mil cirurgiões-dentistas e
clínicas credenciadas em todo o Brasil ( FÓRUM de defesa da odontologia...,
2001)17.
Recentemente tem sido amplamente divulgado na imprensa a
batalha na qual se transformou a regulamentação dos planos de saúde. O fato
é que este comportamento do mercado em anos recentes possui raízes
históricas que estão relacionadas com o próprio modelo de desenvolvimento
brasileiro, característico de países de capitalismo tardio, como também a forma
como se estabeleceram as relações entre público e privado no Brasil, tanto no
que diz respeito as políticas sociais e econômicas, como nas políticas de
assistência à saúde (OLIVEIRA,2000)10.
Segundo ANDRADE (2001)2, o sistema de gestão democrática
das cooperativas é um foco de atração tanto para os profissionais recém formados como os veteranos. De acordo com a Organização das Cooperativas
Brasileiras (OCB), das 5.012 cooperativas existentes, 585 atuam no segmento
da saúde. A atividade cooperativista é regulamentada pela lei 5.764/71 e a
fiscalização de cada uma delas é feita pelos próprios cooperados através do
conselho fiscal.
20
De acordo com CORMACK (1997)5, é fácil condenar empresas
que impõem preços aviltantes aos profissionais. Difícil é perceber que esses
fatos são apenas reflexos de uma deterioração do mercado profissional,
claramente agravado pelo crescimento desproporcional entre a população e os
dentistas. Esses são apenas efeitos, e não as causas básicas do problema. A
essência da questão da deterioração profissional se encontra em outra esfera
de discussão, e tem origem no aparelho formador profissional e nas condições
sociais e econômicas da população brasileira.
Neste sentido o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo
está procurando reestruturar o departamento de convênios, levantando, por
exemplo, as características e as formas utilizadas pelo Conselho Regional de
Medicina. Todas as medidas estão sendo tomadas devido ao franco
crescimento que o setor de convênios e credenciamentos tem apresentado e,
principalmente face à considerável receita que vem proporcionando ao
cirurgião-dentista (CROSP aprimora relações entre profissionais....)18.
Hoje, sabemos que a metade dos cirurgiões-dentistas do Brasil
estão de alguma forma vinculados a alguma empresa de assistência
odontológica do mercado e possui grande parte do seu faturamento
proveniente delas; então frente a esta situação é que o CROSP se sentiu na
obrigatoriedade de priorizar medidas relativas à harmonização entre as partes,
medidas estas que geram uma reforma deste setor para que se finalize num
equilíbrio entre as partes, ou seja, medidas não arbitrárias, que não
prejudiquem as operadoras de nenhuma forma mas, que proporcionem as
21
partes a melhor forma de trabalho possível (CROSP aprimora relações entre
profissionais....)18.
22
4. CONCLUSÃO
Sem dúvida o Brasil vive hoje um momento peculiar na história de
suas políticas sociais em geral e da política de saúde em particular;
Entre os grandes desafios atuais da odontologia estão: oferecer
acesso aos serviços com qualidade e baixo custo, encontrar demanda para o
contingente de profissionais e a dificuldade na percepção de que a
deterioração do mercado de trabalho é multifatorial;
A regulamentação da Lei dos planos e seguros de saúde que
dizem respeito à Odontologia vem com a finalidade de garantir aos usuários os
serviços necessários para a recuperação e manutenção da saúde bucal;
Observamos que os convênios odontológicos têm atingido novas
parcelas da população, ampliando o acesso à saúde do cidadão, o que muitas
vezes o setor público não consegue suprir, pois a maior parte da população
brasileira não tem acesso a cuidados odontológicos;
A atuação das Empresas de Odontologia de Grupo, sob a forma
de parcerias ou de maneira isolada, contribui para a democratização da
assistência odontológica brasileira.
23
5.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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