13º Domingo do Tempo Comum

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MINHA FILHA, A TUA FÉ TE SALVOU
Georgino Roxha
.
Jesus está à beira mar. Chega Jairo, um dos chefes da sinagoga de
Cafarnaum e pede-lhe para ir a sua casa. No caminho ocorre um
encontro singular que Marcos realça com pormenor e beleza. Mc 5,
21-43 .
Uma mulher, sem nome, deseja ser curada da doença de fluxo de
sangue, pois anda cansada de sofrer e estás prestes a desanimar. Já
havia gasto “todos os seus bens “ nas mãos dos médicos. Ouve falar de
Jesus e sente-se atraída pela sua fama. Decide meter-se na multidão e,
destemida, ir avançando até se aproximar dEle e lhe poder tocar no
manto. Este gesto era punido pela lei judaica. Mas superior ao rigor do
castigo está o impulso da necessidade, a certeza do amor, a força da
confiança que pressentem a possibilidade da cura desejada. E, de facto,
assim acontece! O diálogo que se segue é enternecedor e pode ser
condensado na declaração de Jesus: “Minha filha, a tua fé te salvou”.
Este encontro singular é memória do ocorrido que denuncia tantas
outras situações a necessitarem de quem lhes preste a atenção solícita e
curativa que Jesus revela e realiza. Quantas pessoas com “feridas
secretas” na sociedade e na Igreja?! A sofrerem horrivelmente e sem
esperança porque estão rotuladas, proibidas, marginalizadas. Os semabrigo. Os ex-reclusos. Os dependentes da droga, da prostituição e
tantos outros. Como a mulher do Evangelho, sem nome, marcada pela
crença que lhe haviam incutido os mestres da lei: impura pela perda de
sangue, dom divino. Tantas pessoas que não têm a quem confiar a sua
dor sofrida, que buscam ajuda e consolação, sem saberem a quem
recorrer. Sentem-se culpáveis quando muitas vezes são apenas vítimas.
(Pagola).
Pessoas boas que se consideram indignas de receber Cristo na
comunhão porque a sua consciência “doentia” lhes proíbe, em virtude
de cargas morais que pouco têm a ver com o Evangelho da
misericórdia; crentes que, ao final da vida, não encontram alívio para
o peso martirizante do remorso nem abertura para beneficiar do
perdão e da ternura de Jesus. No entanto, a sua pessoa irradia força
sanadora e regenerativa, proximidade atenta e solícita, sintonia
compreensiva e afectuosa. Quantas pessoas a quererem tocar Jesus
pois sabem que nEle encontram a dignidade ofuscada e, por vezes,
conspurcada por tradições e culturas que moldam um pensar
generalizado com efeitos tão negativos e desumanos.
A cura da ferida secreta da mulher anónima tem um sentido novo. A
libertação da anomalia funcional do organismo feminino abre
horizontes novos: a mulher recupera a saúde, readquire o seu bom
nome, a sua honra, é reintegrada na sociedade, sente-se perdoada e
abençoada por Deus, pode fazer com normalidade as práticas
religiosas, retoma os caminhos da salvação. Com a restituição da saúde
fisiológica, muitos outros bens lhe são concedidos: a nível interior e
exterior. A harmonia é refeita em todas as dimensões da pessoa. A cura
é integral! A atitude de Jesus continua cheia de actualidade em todas
as áreas, sobretudo nas da medicina da vida, dos cuidados de saúde,
das pessoas e instituições envolvidas neste processo. Quem pode deixar
de projectar, sobre a realidade social, a luz que brilha nesta forma de
proceder?
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