estratégia das pequenas e médias empresas e comportamento do

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ESTRATÉGIA DAS PEQUENAS E MÉDIAS
EMPRESAS E COMPORTAMENTO DO
CONSUMIDOR: UM ESTUDO DE CASO MÚLTIPLO
NO SETOR DE CONFECÇÕES FEMININAS
Small and medium size firms strategy and the consumer behavior: a
multicase study on feminine clothes manufacturers sector
Maria José da Silva Guedes1
Henrique César Muzzio de Paiva Barroso2
Francisco José da Costa3
RESUMO
Este trabalho se propõe a analisar o comportamento do consumidor a fim de contribuir para um melhor entendimento de
como se dá o processo de compra de vestuário e de que forma isto influencia na política de vendas das empresas do setor de
confecções femininas. Foi feita uma revisão de literatura sobre as seguintes temáticas: estratégia empresarial, estratégia de
relacionamento e comportamento do consumidor. A estratégia tem ocupado lugar de destaque quando as organizações
buscam se perpetuar. Teóricos e executivos se valem de pressupostos de correntes de pensamento diversas para ampliar a
competitividade organizacional. Foi realizado ainda um estudo empírico do tipo exploratório, baseado na metodologia do
estudo de caso. O método de coleta de dados utilizado foi a entrevista estruturada, aplicada em três empresas de pequeno
porte do setor de confecções da cidade de Fortaleza. De acordo com as três entrevistas aplicadas pôde-se constatar que, a
cada dia, o consumidor se torna mais exigente, e as ações empresariais precisam acompanhar tal modificação, agregando um
valor cada vez maior aos produtos e serviços que vendem. A estratégia também pode representar um importante instrumento
para empresas de todos os portes e ramos de atividade para alcançar a competitividade, sobretudo se incluir o foco no
consumidor como elemento preponderante. Pelas respostas apresentadas pelos entrevistados permitem ainda concluir que,
independente do setor e do porte das empresas, a compreensão dos principais condicionantes do comportamento do
consumidor são determinantes para a consolidação de uma posição estratégica consistente no mercado.
PALAVRAS-CHAVE
Estratégia, comportamento do consumidor, setor de confecções.
ABSTRACT
This paper has the main objective of analyzing the consumer behavior in order to give a contribution to a better
comprehension of how the clothes buying process occurs and how it influences the sales strategies of firms from the feminine
clothes manufacture sector. It was done a literature revision on the following topics: corporate strategy, relationship strategy,
and consumer behavior. Researchers and executives are supposed to acting on their jobs using the presuppositions of the
many schools of strategic thinking in order to help organizations to perpetuate. Strategy also represents an important tools to
enterprises of all possible types to reach competitiveness, specially if these firms focuses in the consumer as its more importa
actor. It was also done an exploratory empirical study, based in the case study methodology. The data collection method used
in this paper was the structured interview, applied in three firms from the feminine clothes manufacture sector from Fortaleza
city. According to the three interviews it was possible to perceive that, in every new day, the consumer gets more exigent,
and the firms’ strategies need to accompany this reality, aggregating more value in the products and services that they
negotiate. The answers presented by the interviewed people also permits conclude that, independent of the sector or the size
of the firm, the comprehension of the main determinants of the consumer behavior is also determinant to the consolidation of
a consistent strategic position in the market.
KEY WORDS
Strategy, consumer behavior, clothes manufacture sector.
INTRODUÇÃO
1
Aluna do curso de Administração Geral da Faculdade Integrada do Ceará (FIC)
Mestre em Administração, Professor da Faculdade Integrada do Ceará (FIC)
3
Mestre em Administração, Professor da Faculdade Integrada do Ceará (FIC)
2
Segundo Blackwell (2003), o que provoca a decisão de compra são as forças sociais e
fatores individuais, como o estilo de vida e a personalidade. Os clientes criam padrões de
compra que podem ser compreendidos por meio de um mapa, chamado de processo de
decisão de compra, ou seja, como o consumidor age; identifica a necessidade; busca
informações sobre o produto; avalia os benefícios do produto; realiza a compra propriamente
dita e utiliza o produto ou serviço.
As mudanças no estilo de vida dos consumidores e as vendas por meio dos múltiplos
canais estão mudando o negócio das vendas no varejo. Observa-se uma tendência entre os
consumidores de concentrar suas compras em grandes lojas de departamentos, nos quais
esperam encontrar uma variedade de marcas que se ajustem a seu estilo de vida e,
principalmente, à sua renda e forma de pagamento.
Analisar o comportamento do consumidor a fim de contribuir para um melhor
entendimento de como se dá o processo de compra de vestuário e de que forma isto influencia
na política de vendas das empresas do setor é o que se propõe esse trabalho.
Para isso esta pesquisa está segmentada em quatro seções, além desta parte
introdutória, especificadas a seguir. Em sua seção inicial são apresentados pressupostos
teóricos que fundamentam a investigação empírica realizada; em seguida apresenta-se o
referencial metodológico do trabalho empírico realizado; a terceira parte trás os resultados do
estudo empírico realizado; e, por fim, a quarta parte traz as considerações finais do trabalho.
2. REFERÊNCIAS TEÓRICAS
A estratégia tem ocupado lugar de destaque quando as organizações buscam se
perpetuar. Teóricos e executivos se valem de pressupostos de correntes de pensamento
diversas para ampliar a competitividade organizacional.
Andrews (1994), define estratégia empresarial como um conjunto dos principais
objetivos, propósitos e metas, e as políticas necessárias para alcançar essas metas,
estabelecidos de tal forma que definam em que classe de negócios a empresa estar, e que
classe de empresa é ou quer ser.
De outro modo, para Ansoff (1999), a estratégia consiste em regras para a tomada de
decisão em condições de desconhecimento parcial. Para ele, objetivos, estratégias, políticas e
procedimentos operacionais são conceitos distintos, ainda que relacionados.
Porter (2000) defende 3 estratégias competitivas que as empresas podem adotar:
liderança de custos gerais – quando a empresa trabalha com afinco para atingir os mais baixos
custos de produção e distribuição. Esta estratégia focaliza o produtor de baixo custo da
indústria. A estratégia de liderança em custo é programada através do ganho de experiência,
do investimento em instalações para produção em grande quantidade, do uso de economias de
escala e da monitoração cuidadosa dos custos operacionais totais e gerenciamento da
qualidade total; diferenciação – quando a empresa concentra-se na criação de uma linha de
produtos diferenciados de maneira a tornar-se líder no setor. Esta estratégia envolve o
desenvolvimento de produtos ou serviços únicos, com base na lealdade à marca e ao cliente.
Uma empresa pode oferecer qualidade mais alta, melhor desempenho ou características
únicas; qualquer um desses fatores pode justificar preços mais altos; foco – quando a empresa
concentra seus esforços para um determinado segmento. Esta estratégia procura considerar
segmentos de mercado estreitos. Uma empresa pode focalizar determinados grupos de
clientes, linhas de produtos ou mercados geográficos. A estratégia pode ser de foco na
diferenciação, pela qual as ofertas são diferenciadas no mercado desejado, ou de foco na
liderança em custo, pela qual a empresa vende a baixo custo no mercado desejado. Isto
autoriza que a empresa se centralize no desenvolvimento de seu conhecimento e suas
competências.
Ainda segundo Porter (2000), os consumidores costumam escolher produtos que lhes
dêem mais valor. Nesse caso, a receita para conquistar e manter os consumidores é
compreender suas necessidades e processos de compra bem melhor do que seus concorrentes.
Essa posição é a chamada vantagem competitiva ou diferenciação da oferta de marketing de
uma empresa.
Já Miles e Snow (1978) descrevem quatro posturas estratégicas que influenciam as
ações organizacionais: Prospectora - acredita em novos mercados, aliada a uma postura ativa,
de sucesso e com ênfase na inovação de produtos; Defensiva - busca constantemente a
eficiência aplicada aos nichos de mercados e produtos. Portanto, sua postura de sucesso é o
mercado; Analítica - explora novos produtos e mercados paralelos, apostando no domínio de
seus produtos e mercados atuais através da habilidade e competência da organização. Possui
uma postura de sucesso atrelada às mudanças mercadológicas; Reativa - apresenta reações
impulsivas diante dos acontecimentos ambientais e total ausência de uma relação coerente
entre estratégia e estrutura, o que pode ser interpretado como uma não-estratégia. A sua
postura de sucesso traduz-se em investidas oportunistas e postura de adaptação.
2.1. ESTRATÉGIA DE RELACONAMENTO
A estratégia de relacionamento é o processo contínuo de identificação e criação de
novos valores e o compartilhamento de seus benefícios com clientes individuais durante um
longo período de vida. Essas estratégias derivam os princípios de marketing que podem ser
definidos como o processo de identificação e satisfação das necessidades do cliente de um
modo competitivamente superior de forma a atingir os objetivos da organização.
Segundo Berry (1992), tudo começou com a utilização da estratégia de valor, isto é,
quanto um cliente é importante para a empresa e o quanto eles podem ganhar juntos. Dessa
forma, a principal condição para que exista este tipo de marketing é a aproximação, por parte
da organização, com os clientes escolhidos, sendo este requisito o grande diferencial na
estratégia de valor.
Na opinião de Gordon (2000) o relacionamento, neste caso, constitui uma alavanca de
valor empresa-cliente. Outro aspecto importante do marketing de relacionamento é a fuga da
concorrência por preço e a existência de competitividade pela criação de valor no foco do
cliente. Neste caso, o produto da empresa ganha uma nova concepção, muito mais inteligente,
em termos de arquitetura, da oferta de produtos e serviços básicos, com qualidade assegurada,
bem como a inclusão de serviços inovadores que são prestados ao cliente.
O marketing de relacionamento utiliza uma combinação de quatro fatores que são: a
tecnologia da informação através dos meios de comunicação mais modernos; o conhecimento
de seus clientes e fornecedores por meio de cadastramento automatizado de informações
estratégicas e diferenciadas e a experiência que adquiriu ao longo deste relacionamento com
eles. Ao se praticar marketing de relacionamento utilizando os fatores acima citados, a
empresa descobre ainda ricas oportunidades que se tornam em vantagem competitiva
sustentável.
Por muito tempo as empresas produziam bens e serviços com o objetivo único de
lucro, não importando serviços de pós-venda, atenção individualizada ao cliente, nem
elaboração de levantamentos sobre a satisfação dos mesmos. Os produtos eram criados e a
partir daí, seu compromisso era com as finalidades e recursos internos da empresa. O cliente,
na lista de prioridades, com certeza não ocupava o primeiro lugar.
Para iniciar e manter posições duradouras no mercado, as empresas necessitam criar
relações fortes com clientes, fornecedores, distribuidores, revendedores, pessoas influentes no
setor e membros da comunidade financeira, objetivando tirar proveito da infra-estrutura,
pessoas e empresa-chave que contribuem para o desenvolvimento do setor, ou seja, os
stakeholders. O resultado obtido com esta nova postura de trabalho é a utilização dos recursos
humanos e materiais de uma forma mais produtiva, a organização passa a praticar princípios
de conduta aceitos e obtêm lucro razoável. Neste sentido, o marketing passa a ser visto como
um conjunto de ações inteligentes que fazem clientes menos sensíveis a preço, pois
atendimento, qualidade e presteza, passam a ser itens mais significativos que o preço em si.
Um meio adequado para ampliar essa maximização da satisfação do consumidor é
ampliar o grau de conhecimento de seu comportamento, configurando-se hoje, uma
importante ferramenta do marketing estratégico.
Kotler (2002) define a estratégia de marketing como um conjunto de objetivos,
políticas e normas que guiam o esforço de marketing da empresa no correr do tempo – seu
nível, mix e alocação, em parte de forma independente, e em parte como resposta a mudanças
nas condições competitivas e ambientais.
Ainda na opinião de Kotler (2002), para que a estratégia empresarial possa produzir
resultados duradouros, é importante que ela se inspire em uma visão estratégica do futuro da
organização. A visão estratégica inclui: i) ideologia básica que define uma identidade
consistente que transcende os ciclos de vida do mercado, avanços tecnológicos, modas
gerenciais e líderes individuais; ii) futuro visionário que envolve a escolha de um propósito
audacioso para a organização, que possa inspirar todos os seus membros e que possa ser por
eles visualizado.
Nesse cenário, variável importante para consolidar o marketing estratégico é o
entendimento de como o consumidor se comporta frente às ações mercadológicas.
2.2. COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR
Segundo Blackwell (2003), o comportamento do cliente é definido como as atividades
físicas e mentais realizadas por clientes de bens de consumo que resultam em decisões e
ações, como comprar e utilizar produtos e serviços, bem como pagar por eles. A definição
proposta de comportamento do cliente inclui várias atividades e muitos papéis que as pessoas
podem assumir.
Uma transação de mercado requer, pelo menos, três papéis desempenhados pelos
clientes: comprar um produto; pagar por ele e usá-lo ou consumi-lo. O usuário é a pessoa que
efetivamente consome ou utiliza o produto ou recebe os benefícios do serviço. O pagante é a
pessoa que financia a compra e o comprador é aquele que participa da obtenção do produto no
mercado.
Para Bogmann (2000), vivemos numa era supercompetitiva e as exigências dos
consumidores aumentam incessantemente. Antes, bastava oferecer-lhes bons produtos e
preços razoáveis, atualmente, as expectativas são muito mais altas, uma vez que os
consumidores também querem qualidade.
O primeiro aspecto que os varejistas devem entender é que precisa colocar o foco no
cliente. Em segundo lugar, mas não menos importante, é aprender a integrar-se a uma cadeia
de fornecimento que não só satisfaça o cliente, mas que o surpreenda. E isso inclui, além dos
preços dos produtos, a atenção dos funcionários e a personalidade da marca ou da loja.
Blackwell (2003) considera que uma marca se constrói sobre três “Ps”: promessa,
personalidade e proteção. Para desenvolver a promessa, o ponto de partida é entender o
mercado objetivo e os atributos mais desenvolvidos por esse mercado. A personalidade de
uma marca é, conceitualmente, semelhante à personalidade de um indivíduo. Algumas
pessoas atraem as demais, geram um ambiente agradável a seu redor e todos querem ficar
perto delas. A proteção está vinculada a uma espécie de segurança; uma garantia de que o
cliente não desperdiçará seu tempo nem seu dinheiro.
De acordo com Gordon (2000), na primeira metade do século XX, a questão era
aumentar a eficiência na fabricação, na segunda metade, a preocupação passou a ser a
eficiência da cadeia de distribuição, e, nos tempos atuais, as empresas que liderarão as cadeias
de fornecimento serão aquelas capazes de assimilar conhecimento sobre o consumidor e o
mercado, comunicar esse conhecimento aos outros membros da cadeia, adotar e promover as
iniciativas de marketing e organizar os objetivos em toda a cadeia.
Um outro aspecto a ser observado refere-se ao estilo de vida do consumidor. Estilo de
vida é um conceito popular para compreender, dentre outros, o comportamento do
consumidor referente à moda em geral, talvez porque seja mais contemporâneo do que
personalidade e mais abrangente do que valores. O marketing de estilo de vida tenta
relacionar um produto, geralmente através de publicidade, às experiências quotidianas do
mercado-alvo.
Na opinião de Bogmann (2000), personalidade é definida como respostas consistentes
aos estímulos ambientais. As abordagens mais novas do uso da personalidade incluem
personalidade da marca e tentativas mais recentes de relacionar personalidade aos elementos
de tomada de decisão do consumidor e processamento de informação, tal como a necessidade
de cognição. A solução prática para problemas de mix de marketing geralmente envolve olhar
medidas múltiplas de características individuais.
Além da personalidade e estilo de vida, tais medidas incluem recursos econômicos
como dinheiro e tempo, assim como medidas demográficas como idade ou natureza do
domicílio. Todas estas variáveis podem interagir com a situação de uso para o produto e o
conteúdo destas informações é estratégico para o desempenho organizacional.
3. ASPECTOS METODOLÓGICOS
Este trabalho se caracteriza quanto ao escopo, como um estudo de caso múltiplo, uma
vez que procurou abordar em profundidade os elementos do referencial teórico em três
diferentes organizações. Consistindo em uma investigação sistemática sem atentar para
fundamentações probabilísticas, os resultados aqui apresentados não permitem a
generalização dos resultados, mas pode permitir a formulação de hipóteses para o
encaminhamento de outros estudos.
A pesquisa é de caráter exploratório, na medida em que busca maiores informações
sobre o tema em questão. O método de coleta de dados adotado foi a entrevista. Conforme
Selltiz (1995) a entrevista é uma das técnicas de coleta e dados mais utilizadas no âmbito das
ciências sociais. Enquanto técnica de coleta de dados a entrevista é bastante adequada para a
obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem, crêem, esperam, sentem ou
desejam, pretendem fazer, fazem ou fizeram, bem como acerca das suas explicações ou razões
a respeito das coisas precedentes.
Nesse estudo, utilizamos a técnica de entrevista semi-estruturada desenvolvida a partir
de uma relação fixa de perguntas, cuja ordem permanece invariável para todos os
entrevistados, com perguntas abertas que proporcionam ampla variedade de respostas, por
poderem ser expressas livremente pelos respondentes.
O roteiro foi previamente estabelecido, padronizado com o objetivo de obter dos
entrevistados, respostas às mesmas perguntas, permitindo “que todas elas sejam comparadas
com o mesmo conjunto de perguntas, é que as diferenças devem refletir diferenças entre os
respondentes e não diferentes nas perguntas” (Lodi,1997). A parte empírica do estudo
realizado apresentou a realidade de três empresas do setor de confecção feminina de
Fortaleza. As respostas apresentadas por cada uma delas estão destacadas a seguir.
4. O TRABALHO EMPÍRICO
A empresa “A” tem formação familiar, trabalha no ramo de confecção há
aproximadamente 10 anos, exclusivamente com a moda básica de roupas femininas. No que
se refere às questões da entrevista afirmou que:
1. A qualidade no atendimento ao cliente, a qualidade do produto, preço e forma de
pagamento são as estratégias adotadas pela empresa para enfrentar os concorrentes;
2. A empresa utiliza o jornal, a mala direta, o cartão de crédito e os encartes promocionais
com a finalidade de ampliar o seu relacionamento com os consumidores;
3. A sistema de atendimento pós-venda representa a confiança do cliente e a fidelidade da
empresa em relação ao produto vendido;
4. A empresa afirmou também que os meios de comunicação, isto é, o mundo das imagens
representa um fascínio de símbolos irresistíveis na busca pela compreensão do
comportamento do consumidor. Portanto, os meios de comunicação manipulam o
consumidor afetando inteiramente na sua decisão de compra.
5. A consciência de uma marca, a percepção da qualidade, o preço, a multiplicidade de peças
femininas e a atual conscientização do direito do consumidor tornam o comprador mais
exigente no que se refere ao mercado de confecção.
6. A estratégia da sua empresa de confecção feminina para ampliar os negócios não se limita
somente a investimentos na qualidade de produção. A sua participação anual nas feiras da
moda tem propiciado o crescimento da empresa.
7. O consumidor está mais aberto, mais liberal no sentido de vestir roupas modernas e
chamativas que abrangem o mundo de personalidades da televisão, justamente porque os
meios de comunicação, da propaganda e do marketing são persuasivos, abrangentes e
verdadeiros influenciadores no comportamento do consumidor, no que se refere ao poder
de escolha.
A empresa “B” não é uma empresa de origem familiar, sendo nova no mercado, com
apenas 7 anos de criação. Trabalha com funcionários experientes, bastante treinados, exige
qualidade, está atenta aos detalhes e às mudanças da moda feminina de estilo social. Seguindo
o questionário apresentado a empresa declarou que:
1. A estratégia adotada pela empresa para enfrentar os concorrentes é seguir as tendências do
desenvolvimento de novos produtos, novas técnicas, novos modelos e novas conjunturas
que fortaleça a decisão do consumidor no que se refere a preço, qualidade, modelos,
atendimento personalizado, promoções e formas de pagamentos;
2. A sua empresa está voltada para o auto-investimento e a estratégia utilizada pela empresa
é manter-se atualizada no âmbito mundial, buscar sempre o contemporâneo e trabalhar
sempre com o marketing de expandir a sua confecção no mercado;
3. A empresa adota o sistema de pós-venda que garante um bom retorno para a empresa
porque satisfaz a necessidade do consumidor, adota um vínculo de confiança do produto e
ainda garante a fidelidade do cliente;
4. Nos dias atuais, os meios de comunicação ou a existência de um mundo simbólico
influencia o consumidor em suas preferências de compra e escolha da loja;
5. Atualmente o consumidor está mais exigente na escolha de uma peça de confecção, no
que se refere ao acabamento, ao tecido, a marca, a cor, apresentação e embalagem. Então,
o todo define a escolha do cliente, sem esquecer o atendimento personalizado e
caracterizado especificamente àquele cliente;
6. A empresa segue às mudanças da moda, participa de eventos e feiras de Estados e cidades
brasileiras para buscar as inovações e apresentar a moda feminina mais requisitada no
mercado;
7. O consumidor influencia na estratégia mercadológica, de acordo com a sua procura, por
exemplo, por determinada peça feminina e a exigência de marca, de modelo etc.
A empresa “C” é uma pequena empresa tradicional, com 15 anos de mercado e com
bastante experiência no mercado de confecção feminina e uma linha destinada às gestantes. A
entrevista realizada obteve os seguintes esclarecimentos:
1. A estratégia adotada pela empresa para enfrentar os concorrentes é a estratégia
diferenciada, ou seja, emocionar os clientes com um mercado diversificado e moderno. É
importante ter uma loja junto com a fábrica porque o varejo é o termômetro do atacado;
2. Esta empresa respeita rigorosamente os prazos de entrega e estabelece vínculo com seus
fornecedores, além de dar muita atenção ao marketing, pois reserva 10% do faturamento
para divulgar a moda feminina de sua empresa de confecção;
3. A empresa preocupa-se com a pós-venda porque deixa o cliente completamente satisfeito
com o produto escolhido;
4. Os meios de comunicação é a poderosa arma de concentração e de atenção do
consumidor; é um investimento necessário e obrigatório para a empresa moderna;
5. O consumidor está exigente e determinado no ato da compra;
6. A empresa adota a propaganda atuante e atual através de todos os meios de comunicação;
7. O consumidor influencia na estratégia metodológica segundo os seus hábitos de compra;
exigência do produto; de mercado, segundo a sua classe social porque é importante pensar
no bem-estar de quem compra e respeitar suas diferenças.
De acordo com as três entrevistas aplicadas pode-se constatar que, a cada dia, o
consumidor se torna mais exigente, e as ações empresariais precisam acompanhar tal
modificação, agregando um valor cada vez maior aos produtos e serviços que vendem.
Algumas das empresas que utilizaram a inteligência de marketing a seu favor
decidiram solucionar os tipos de problemas questionados e descobriram que poderiam
conquistar a fidelidade do cliente oferecendo produtos de marcas idôneas, serviços confiáveis
e segurança sólida. Essas passaram a ser líderes de mercado e elevaram o nível de expectativa
e satisfação nos nichos onde atuam.
Estas empresas sondaram os clientes através de pesquisas e descobriram que conhecia
muito pouco a respeito das verdadeiras necessidades de seus clientes e passaram a manter um
relacionamento com eles, pois desta forma, podem oferecer produtos e serviços adequados às
suas realidades, tecnologicamente atualizados e com maior poder de aceitação no mercado.
5. CONSIDERAÇÒES FINAIS
A estratégia pode representar um importante instrumento para empresas de todos os
portes e ramos de atividade para alcançar a competitividade, sobretudo se incluir o foco no
consumidor como elemento preponderante.
Com a globalização e a abertura dos mercados, promove-se uma ruptura nos padrões
de competitividade que vigoravam no mundo das empresas. Tal ruptura foi acompanhada por
reestruturações produtivas organizacionais orientadas por novas estratégias empresariais. O
choque nos preços e a necessidade de recomposição de custos e de competitividade das
empresas fizeram com que estas utilizassem estratégias adaptativas.
Essas mudanças repercutiram também nas ações das pequenas empresas de confecção
feminina, tornando mais desafiadora a busca pela excelência, o que significa uma opção mais
pró-ativa em busca de compreender o comportamento do mercado e seus consumidores. As
preferências em rápida mutação, fluindo e interagindo com mudanças tecnológicas muito
velozes, não somente levam a alterações freqüentes na popularidade dos produtos e das
marcas, mas também diminuem o ciclo de vida dos produtos.
A rapidez com que as necessidades dos consumidores mudam se reflete no mercado da
moda. Muitas marcas simplesmente desaparecem do mercado. Entre as marcas que continuam
a existir, há um contínuo re-posicionamento, à medida que elas forem reconhecendo a
inevitabilidade dos ciclos cada vez mais curtos de produtos.
Cada vez que se adota a escolha de um estilo, cada vez que o indivíduo está ligado
com algum grupo particular, está provocando alguma mudança em sua imagem e
conseqüentemente no universo da moda. Ainda que a natureza deste estudo não permita
generalizações, pode admitir que, de acordo com a hipótese da pesquisa, as estratégias de
mercado desenvolvidas pelas pequenas empresas de confecções femininas possuem estreita
ligação com o comportamento do consumidor.
Quanto às limitações desta pesquisa, registra-se a aplicação empírica em apenas 3
(três) empresas, o que tem que ser levado em consideração na análise dos resultados aqui
apresentados. Como sugestão de novos estudos, indica-se a aplicação de pesquisa semelhante
em um universo maior de empresas, bem como em outros segmentos empresariais que
permita uma comparação de resultados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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MILES, R. E.; SNOW, C. C. 1978. Organizational strategy, structure and process. New
York: Mcgraw-hill.
PORTER, M. 2000. Estratégias competitivas. 17. ed. São Paulo. Campus.
SELLTIZ, C. 1995. Metodologia da pesquisa. Rio de Janeiro: Campos.
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