a atuação da psicologia na cirurgia bariátrica

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ISSN 1646-6977
Documento produzido em 20.07.2013
A ATUAÇÃO DA PSICOLOGIA
NA CIRURGIA BARIÁTRICA
2012
Nara Saade de Andrade
Psicóloga graduada pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais
Charlisson Mendes Gonçalves
Mestrando em Psicologia pela PUC-Minas. Psicólogo graduado pelo
Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Brasil)
Stela Maris Bretas
Psicóloga, Mestre em Processos Psicossociais e Docente no
Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Brasil)
E-mail de contato:
[email protected]
RESUMO
O presente artigo discorre acerca do trabalho do psicólogo juntamente com os sujeitos que,
potencialmente, serão submetidos à cirurgia bariátrica.
Palavras-chave: Psicologia, atuação, cirurgia bariátrica.
Cada profissional de psicologia utiliza uma forma para trabalhar com pacientes que serão
submetidos à cirurgia bariátrica. Vicentin e Terzis (2011) afirmam que alguns profissionais
preferem trabalhar com a técnica grupal, que é um método de aplicação das técnicas
psicoterapêuticas a um grupo de pacientes como instrumento de mudança e cura. A técnica
grupal favorece o atendimento de um número maior de pessoas e contribui para que a parte
menos favorecida da sociedade também possa usufruir da psicoterapia, por ser mais em conta do
que o atendimento individual (VICENTIN e TERZIS, 2011).
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Outros profissionais preferem trabalhar com o acompanhamento individual do paciente
e/ou até mesmo acham importante incluir os familiares no processo de preparação e mudança. É
o que defende Stuart (1999 apud SOUZA, et al. 2005) ao afirmar que a família tem um papel
importante, para desenvolver melhores padrões de alimentação e atividade. Neste sentido a
família pode participar ativamente do tratamento do obeso, procurando, por exemplo,
acompanhá-lo em caminhadas, auxiliá-lo na mudança de seus hábitos alimentares.
Independente da técnica escolhida, a psicoterapia é muito importante para preparar o
paciente para a cirurgia, pois as mudanças dos hábitos dos pacientes que serão submetidos ao
tratamento cirúrgico devem começar anteriormente ao procedimento, necessitando ser
esclarecida a importância de um plano alimentar para a melhor resposta ao tratamento cirúrgico.
Portanto, irá auxiliar na transformação da visão do mundo (JUNIOR, 2006).
Sebastini e Maia (2005) concordam ao afirmar que, a atuação do psicólogo também é
necessária no sentido de reorganizar o esquema da consciência do paciente no mundo, ou seja, a
adaptação à nova imagem corporal, que foi modificada pela intervenção cirúrgica; visto que a
imagem corporal representa a consciência da própria individualidade. A reconstrução positiva
desta nova imagem é necessária para o êxito da reestruturação do auto-conceito.
Assim, a realização de um bom acompanhamento psicológico no pré-operatório
influencia diretamente as reações do paciente no trans (durante a cirurgia) e pós-operatório, já
que existem relações entre o estado emocional do paciente nessas três fases da cirurgia
(SEBASTIANI e MAIA, 2005).
De acordo com entrevistas realizadas por Marchesine (2010) os transtornos psicológicos
que aparecem com maior frequência nas entrevistas pré-operatórias de pacientes que buscam
tratamento cirúrgico para a obesidade são a ansiedade e a depressão. Ainda segundo o autor
citado anteriormente, uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia que seguiu o
modelo formal, ou seja, aplicando testes e inventários que auxiliam na concretização e
quantificação dos dados, concluiu que grande parte dos candidatos à operação é atingida pela
depressão e tais pacientes tendem a ter baixa perda de peso ou facilidade para recuperá-lo ao
longo do tempo, anulando parte ou todo sucesso cirúrgico. Através deste estudo foi possível
perceber que este transtorno do humor, depressão ou de quadros clínicos a ele associados
demandam tratamento.
Com os resultados obtidos foi possível inferir que o quadro de humor apresentado não
era apenas resultado da condição clínica resultante da obesidade ou do efeito desta sobre
a qualidade de vida, uma vez que os maiores índices de massa corporal não estavam
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correlacionados com a presença de depressão. A depressão deveria ser fisiologicamente
ou metabolicamente associada às co-morbidades da obesidade sem uma relação direta
causal (MARCHESINE, 2010, p. 112).
Dentre as técnicas desenvolvidas para a aquisição de mudanças comportamentais
associadas ao padrão de conduta alimentar, a psicoterapia tem ganhado grande importância. Um
dos objetivos no planejamento da intervenção é o de promover mudanças cognitivas, que
permitam ao paciente reconhecer suas ideias e pensamentos associados ao comportamento
alimentar. O modo como as reformulações cognitivas podem ser alcançadas varia de acordo com
a técnica e o enquadre teórico utilizado, e abrangem desde os tratamentos com foco nos
processos de aprendizagem até os que visam à inclusão de conteúdos inconscientes pelo
consciente (ZUCKERFELD,1979 apud SANTOS, 2001).
Para Pinto (2004) na cirurgia bariátrica, o trabalho do psicólogo é importante sob dois
aspectos, avaliação psicológica e acompanhamento. A avaliação é capaz de diagnosticar nos
pacientes tendências compulsivas e partir desta avaliação, a solicitação do laudo psicológico para
comprovar a necessidade da intervenção cirúrgica e a liberação para a operação, inclusive em
hospitais públicos, é imprescindível. Segundo Pinto (2004), o laudo considera se o indivíduo
está saudável psiquicamente para enfrentar as mudanças que vai vivenciar como resultado de sua
escolha.
Já o acompanhamento psicológico faz-se importante, uma vez que a cirurgia bariátrica
não será solução, se as causas que levaram à obesidade não forem tratadas, podendo o problema
migrar para outras escolhas. Dentro desse contexto, o laudo do profissional pode restringir a
cirurgia e sugerir um trabalho psicoterápico (PINTO, 2004).
Assim sendo, o pré-operatório depende de como o paciente elabora a situação vivida. A
ansiedade e o medo são reações normais. Porém se tais condições se elevam e se somam a outras
condições adversas do estado emocional (como estresse, tensão), o paciente sofre interferências
em seu organismo que podem prejudicar o processo cirúrgico (SEBASTIANI e MAIA, 2005).
Ressalta-se que não há um consenso na literatura, quanto aos critérios psicológicos e/ou
psiquiátricos de exclusão para pacientes candidatos às operações bariátricas. Cada equipe
multidisciplinar parece usar seus próprios critérios. Alguns transtornos psiquiátricos,
frequentemente são considerados contraindicações para o procedimento, como é o caso dos
transtornos de humor, ansiedade e psicoses. Contudo, não há dados precisos nem fatores
preditivos de bom ou mau prognóstico adequadamente estudado ou comprovado (SEGAL e
FANDIÑO, 2002).
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Junior (2006) enfatiza que o papel da psicologia muitas vezes vem sendo aplicado de
modo inapropriado, visto que a psicoterapia não emagrece e isso deve ficar claro para quem
procura o tratamento. A psicoterapia não muda qualquer característica genética, portanto não é
capaz de alterar a forma corporal.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Guanabara, 2006.
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<http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbp/v24s3/13976.pdf>. Acesso em 16 maio 2012.
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VICENTIN, Andréa; TERZIS, Antonios. Psicoterapia de Grupo: construções teóricas.
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SU.pdf>. Acesso em 17 maio 2012.
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