Composição florística e fitossociologia do

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Composição florística e fitossociologia do componente
arbóreo das florestas ciliares do rio Iapó, na bacia do
rio Tibagi, Tibagi, PR1
MARILDA CARVALHO DIAS2, ANA ODETE SANTOS VIEIRA2, JIMI NAOKI
NAKAJIMA3, JOSÉ ANTONIO PIMENTA2 e PATRÍCIA CARNEIRO LOBO4
(recebido em 11/10/95; aceito em 12/09/97)
ABSTRACT - (Floristic composition and phytosociological structure of trees in a
riparian forest in the Tibagi river basin, Iapó river, Tibagi, PR). The floristic
composition and the phytosociological structure of 1 ha of riparian forest along the Iapó
river (Tibagi river basin) in the municipality of Tibagi, Paraná State, Southern Brazil
(24º31’S and 50º25’W), were analysed. One hundred contiguous 10 x 10 m quadrats
were used to sample trees with DBH  5 cm. Frequency, density and dominance
parameters were calculated for each species. At this locality 1594 individuals, 127
species, 81 genera and 43 families were recorded on the quadrats. Eugenia blastantha,
Faramea porophylla, Casearia obliqua, Nectandra grandiflora, Sebastiania
commersoniana, Casearia sylvestris and Actinostemon concolor were the most
important species in terms of IVI and IVC. Myrtaceae, Lauraceae and Euphorbiaceae
were the families with the largest IVI values. Lauraceae presented 15 species and 142
individuals; Myrtaceae, 14 species and 280 individuals and Euphobiaceae, five species
and 274 individuals. The value of the Shannon’s diversity index was 3.67.
RESUMO - (Composição florística e fitossociologia do componente arbóreo das
florestas ciliares do rio Iapó, na bacia do rio Tibagi, Tibagi, PR). Foram realizados
estudos da composição florística e fitossociologia de 1 ha de floresta ciliar do rio Iapó
(bacia do rio Tibagi), município de Tibagi, PR (24º31’S e 50º25’W) utilizando-se 100
parcelas contíguas de 10 x 10 m, tendo-se como critério de inclusão um diâmetro à
altura do peito (DAP) mínimo de 5 cm. Para cada espécie amostrada foram estimados
parâmetros relativos à freqüência, densidade e dominância, além do índice do valor de
importância (IVI) e índice do valor de cobertura (IVC). O levantamento resultou em
1594 indivíduos pertencentes a 127 espécies, 81 gêneros e 43 famílias. As espécies mais
importantes em IVI e IVC foram Eugenia blastantha, Faramea porophylla, Casearia
obliqua, Nectandra grandiflora, Sebastiania commersoniana, Casearia sylvestris e
Actinostemon concolor. As três famílias com maior IVI foram Myrtaceae, Lauraceae e
Euphorbiaceae, sendo que Lauraceae possui 15 espécies e 142 indivíduos, Myrtaceae,
14 espécies e 280 indivíduos e Euphorbiaceae, cinco espécies e 274 indivíduos. O
índice de diversidade de Shannon-Weaver encontrado foi de 3,67.
Key words - Phytosociology, riparian forest, Tibagi river basin, Southern Brazil
Introdução
O estado do Paraná, com uma área total de 199.575 km2, apresentava até o início deste
século, 83,4% desta área recoberta por florestas. Atualmente a cobertura florestal
natural é inferior a 5% e grande parte desta pertence às florestas da Serra do Mar
(Soares-Silva et al. 1992). As florestas que margeiam os cursos d’água, conhecidas
como ciliares, ripárias ou ripícolas, praticamente não existem mais, restando apenas
pequenos remanescentes com maior ou menor grau de perturbação. Vários autores têm
ressaltado a importância destas florestas numa bacia hidrográfica do ponto de vista
hidrológico e ecológico: manutenção da qualidade da água, estabilidade do solo de áreas
marginais, regularização do regime hídrico através de sua influência no lençol freático,
funcionamento como filtro de escoamento superficial, protegendo os cursos d’água de
adubos e defensivos agrícolas, e fornecimento de alimento para a fauna aquática e
silvestre ribeirinha (Salvador 1987, Reichardt 1989).
Para o estado do Paraná e especialmente para a bacia do Tibagi, há poucos dados sobre
florística e fitossociologia. Dombrowski & Scherer Neto (1979) fizeram uma listagem
das espécies arbóreas do Paraná, citando alguns dados destas espécies e sua distribuição
geográfica, baseados em consulta a um herbário. Inoue et al. (1984) produziram o
Projeto Madeira do Paraná, listando e descrevendo as espécies arbóreas com
possibilidades para reflorestamento. Soares-Silva & Barroso (1992) e Silveira (1993)
trabalharam com florística e fitossociologia no Parque Estadual Mata dos Godoy,
Londrina, no baixo Tibagi.
A situação ambiental é precária na bacia do rio Tibagi, tanto em relação às águas quanto
à vegetação sobre as margens, atualmente recobertas por culturas, pastagens ou
capoeiras baixas. Este fato estimulou a criação do consórcio intermunicipal para a
recuperação da bacia do rio Tibagi (Copati), pela união de 43 municípios e de várias
instituições. A Universidade Estadual de Londrina participou, desde a criação do
mesmo com o projeto "Aspectos da fauna e flora da bacia do rio Tibagi", estudando, sob
diversos aspectos, a flora e a fauna ao longo da bacia, visando sua recuperação. Os
estudos florísticos e fitossociológicos foram realizados em sete áreas remanescentes de
florestas ciliares escolhidas ao longo da bacia. Quatro destas áreas já têm seus dados
publicados (Silva et al. 1992, Soares-Silva et al. 1992, Silva et al. 1995, Nakajima et al.
1996).
Na região sul da bacia ocorre floresta de araucárias, que nas margens dos rios se mescla
com as florestas ciliares. Algumas vezes, a mata ciliar não pode ser distinta
fisionômicamente, quando encontra-se em áreas de predomínio de outra formação
florestal (Rodrigues 1989).
O presente trabalho tem como objetivo estudar a composição florística e
fitossociológica de um remanescente de mata ciliar contíguo à floresta de araucárias e
situado às margens do rio Iapó, próximo a sua foz no rio Tibagi, na fazenda Batavo,
município de Tibagi, Paraná.
Material e métodos
A área estudada localiza-se em uma propriedade particular, a fazenda Batavo, com 96
ha, limitada por um lado pelo rio Iapó, em um vale próximo à região urbana do
município (24º31’S e 50º25’W).
O relevo apresenta-se com pouca declividade, sendo a cota altimétrica da margem do rio
igual a 700 m e, na última faixa, 711 m. O local onde foram instaladas as parcelas inclui
uma pequena área inundável. Pela classificação de Köeppen, o clima nesta região é do
tipo Cfa, subtropical úmido, mesotérmico com verões quentes e geadas menos
freqüentes, com temperatura média anual entre 19-20ºC e precipitação anual entre 14001500 mm (IAPAR 1978). O solo pode ser classificado como latossolo vermelho escuro,
cambissolo. Nas margens do rio Iapó, entre os municípios de Castro e Tibagi, ocorre
ainda a associação com solos hidromórficos gleyzados indiscriminados com textura
argilosa e solos orgânicos álicos (EMBRAPA 1984).
A vegetação desta região está classificada, segundo Veloso et al. (1991) como floresta
ombrófila mista aluvial (margem do rio) e floresta ombrófila mista montana (no interior
da floresta), sendo que o pinheiro-do-paraná, Araucaria angustifolia, é encontrado em
ambas as formações. A região do médio Tibagi apresenta planícies aluviais, onde
alternam-se campos de várzeas e formações florestais.
Foram instaladas 100 parcelas contíguas de 10 x 10 m, compondo 1 ha de área em 10
faixas paralelas a partir da margem do rio Iapó. O critério para inclusão dos indivíduos
amostrados foi o diâmetro à altura do peito (DAP) igual ou superior a 5 cm, que
segundo Rodrigues (1989) mostra-se satisfatório, pois inclui tanto os indivíduos
arbóreos de grande porte como também aqueles de menor porte e que são importantes
na composição do subosque florestal. Cada indivíduo amostrado foi numerado com
plaqueta metálica e em ficha de campo foram registradas as seguintes informações:
circunferência à altura do peito (CAP), posteriormente convertida em DAP; altura total
através de estimativa visual, e coordenadas objetivando a localização espacial por faixa
de 10 m paralela ao rio. Os exemplares coletados, tanto em estado reprodutivo quanto
vegetativo, foram preparados de acordo com a metodologia usual (Fidalgo & Bononi
1984, Mori et al. 1985). A identificação foi realizada com o auxílio de bibliografia
especializada, por comparação e, quando necessário, com o auxílio de especialistas.
Quando não foi possível a identificação, a amostra foi considerada indeterminada. Os
exemplares coletados estão depositados no Herbário da Universidade Estadual de
Londrina (FUEL). Os parâmetros fitossociológicos relativos à freqüência (FR),
densidade (DR) e dominância (DoR), segundo Martins (1991), foram calculados através
de programa em S.A.S. desenvolvido junto ao núcleo de processamento de dados da
UEL.
As alturas dos indivíduos de cada espécie foram utilizadas na confecção de um
diagrama, representando a amplitude e a média aritmética (figura 1). Os números junto
aos traços correspondem à numeração das espécies na tabela 3.
Figura 1. Diagrama de estratificação vertical dos indivíduos amostrados na área da fazenda Batavo,
Tibagi, PR. Cada traço é limitado pela amplitude das alturas de cada espécie, sendo o ponto sobre cada
linha a altura média. A numeração junto a cada traço corresponde à ordenação das espécies amostradas na
Tabela 3.
A diversidade foi avaliada pelo índice de Shannon-Weaver (Martins 1991). As espécies
foram classificadas nas categorias sucessionais pioneira, secundária inicial e secundária
tardia, de acordo com as propostas de Gandolfi (1991), Leitão Filho et al. (1993) e
Gandolfi et al. (1995), e com base nas observações feitas durante os trabalhos de campo
realizados ao longo dos remanescentes da bacia. Mesmo que esta categorização possa
ser considerada frágil pela ausência de dados completos sobre as espécies, optou-se pela
sua inclusão e discussão, conforme já feito por Rodrigues (1991), visando reunir
maiores informações sobre as espécies e para subsidiar propostas de recomposição.
Resultados e Discussão
Foi registrada uma densidade absoluta de 1594 indivíduos por hectare, dos quais 1493
eram árvores vivas e 101 mortas em pé. Os indivíduos mortos representaram 6,3% do
número total, o que equivale ao quinto lugar em densidade e ocuparam o segundo lugar
em IVI, com 6,7%, principalmente devido à alta dominância relativa.
As árvores vivas estão distribuídas em 127 espécies, 81 gêneros e 43 famílias, sendo
uma de Pteridophyta (Cyatheaceae), uma de Gymnospermae (Araucariaceae), uma de
Liliopsida (Agavaceae) e as demais de Magnoliopsida (tabela 1). As cinco famílias cuja
soma dos IVIs correspondem a mais de 50% neste local são: Myrtaceae, Lauraceae,
Euphorbiaceae, Flacourtiaceae e Fabaceae (tabela 2). As seis famílias com maior
número de indivíduos são: Myrtaceae (17,5%), Euphorbiaceae (17,1%), Rubiaceae
(11,1%), Flacourtiaceae (9,9%), Lauraceae (8,7%) e Fabaceae (7,5%). Em quatro destas
famílias concentram-se os maiores números de gêneros: Myrtaceae (8), Fabaceae (6),
Rubiaceae e Lauraceae (4). Os gêneros mais numerosos são Ocotea (9 espécies),
Machaerium, Myrcia e Casearia (4 ), Ilex, Lonchocarpus, Solanum e Nectandra (3).
Tabela 1. Famílias e espécies amostradas na área da Fazenda Batavo (Tibagi, PR) com os nomes vulgares
correspondentes, a categoria sucessional proposta (NC - não categorizada; P - pioneira; Si - secundária
inicial e St - secundária tardia) e o número de registro no Herbário FUEL.
Tabela 2. Famílias amostradas na área do rio Iapó - Fazenda Batavo (Tibagi - PR) e seus parâmetros
fitossociológicos, em ordem decrescente de IVI. NI = Número de indivíduos; NE = Número de espécies;
DR = Densidade relativa; FR = Freqüência relativa; DoR = Dominância relativa; IVI = Índice de Valor de
Importância; IVC = Índice de Valor de Cobertura
Tabela 3. Espécies amostradas na área do rio Iapó - Fazenda Batavo (Tibagi - PR) e seus parâmetros
fitossociológicos, em ordem decrescente de IVI. NI = Número de indivíduos; DR = Densidade relativa;
FR = Freqüência relativa; DoR = Dominância relativa; IVI = Índice de Valor de Importância; IVC =
Índice de Valor de Cobertura
Myrtaceae e Euphorbiaceae são as duas famílias com os maiores números de
indivíduos. A relação entre número de indivíduos e o número de espécies nessas
famílias exibe um padrão divergente. Enquanto em Euphorbiaceae as árvores estão
concentradas principalmente em duas espécies, o mesmo não ocorre com as Myrtaceae,
com quase o mesmo número de indivíduos nesta área, mas exibindo uma diversidade
muito maior. Eugenia blasthanta representa 51% dos indivíduos e as outras 13 espécies
complementam o total de indivíduos para esta família.
As espécies amostradas nesta área com seus respectivos parâmetros fitossociológicos
em ordem decrescente de índice de valor de importância (IVI) são apresentadas na
tabela 3. Eugenia blastantha, a espécie com IVI mais alto (7,18% do total) exibiu a
maior freqüência e a segunda maior densidade relativas, estando representada em 69%
das parcelas amostrais, e em todas as faixas paralelas ao rio. Faramea porophylla é a
espécie mais abundante (9,35%) com os indivíduos distribuídos em 37% das parcelas,
principalmente naquelas localizadas mais próximas ao rio. Ocorreu resultado
semelhante na área de várzea do rio Bitumirim, Ipiranga (Silva et al. 1992), o que reflete
sua importância nas áreas inundáveis do alto e médio Tibagi. Casearia obliqua
apresenta a maior dominância relativa, estando entre as árvores mais altas desta floresta.
As demais espécies com maior IVI destacam-se por apresentar dois padrões: aquelas
com um considerável número de indivíduos como Actinostemon concolor, Sebastiania
commersoniana e Casearia sylvestris, e as que apresentam um número menor de
indivíduos, mas área basal expressiva como Matayba elaeagnoides, Nectandra
grandiflora e Parapiptadenia rigida. Actinostemon concolor e Sebastiania
commersoniana destacam-se como espécies importantes nas florestas ciliares da bacia
do rio Tibagi. A. concolor ocupa o terceiro lugar em número de indivíduos na área da
fazenda Batavo e foi também amostrada entre as dez com maior IVI nas áreas de
Ipiranga (Silva et al. 1992), Ibiporã (Soares-Silva et al. 1992) e Telêmaco Borba
(Nakajima et al. 1996). Aparece também como componente destacado no subosque das
florestas ciliares do estado de São Paulo (Rodrigues 1991, Salis et al. 1994). S.
commersoniana sobressai pela alta DR, ocupando preferencialmente solos mais úmidos,
pois 84% dos indivíduos estão estabelecidos até 50 m da margem do rio Iapó. Esta
espécie também é característica do alto Tibagi (Silva et al. 1992).
As três espécies com maiores IVI e IVC só alcançaram 21,7% do total do número de
espécies, mostrando para esta área uma diversidade alta. Em áreas onde ocorre maior
perturbação por alagamento, como na várzea do rio Bitumirim (Silva et al. 1992), esta
proporção aumenta, compondo 66% do número de indivíduos.
A área da fazenda Batavo, no rio Iapó, apresentou 38 espécies com um único indivíduo
amostrado, (31,66% do total das espécies identificadas). Estas espécies menos
abundantes ou raras, segundo Martins (1991), somam uma porcentagem mais alta do
que todas as áreas citadas pelo autor para florestas de planalto e atlântica e equivalente
às relacionadas para a floresta amazônica (entre 25,24 e 56%). O índice de diversidade
Shannon-Weaver encontrado foi 3,67, sendo o terceiro maior entre os calculados para as
sete áreas da bacia (entre 2,2 e 4,2) a partir dos dados de Silva et al. (1992, 1995).
A área aqui estudada possui o quarto maior número de indivíduos vivos por hectare, o
maior número de famílias, gêneros e espécies e a maior porcentagem de espécies raras,
quando comparada com as outras seis áreas da bacia do rio Tibagi (Silva et al. 1992,
1995, Soares-Silva et al. 1992, Nakajima et al. 1996, A. O. S. Vieira e E. P. Fonseca,
comunicação pessoal).
A estratificação da comunidade (figura 1) mostra como emergentes: Parapiptadenia
rigida, Casearia obliqua, Machaerium minutiflorum, Anadenanthera colubrina,
Araucaria angustifolia, Cedrela fissilis e Peltophorum dubium. Com exceção desta
última espécie, todas apresentam indivíduos com altura mínima entre 3 e 6 m, indicando
populações com indivíduos jovens. As espécies cujos indivíduos possuem menor porte
são: Miconia tristis, Endlicheria paniculata, Chomelia obtusa e Calyptrantes concina.
A distribuição dos indivíduos pelas faixas de 10 m paralelas ao rio indica diferentes
padrões de ocupação (figura 2). Guarea macrophylla exibe todos os indivíduos na
primeira faixa. Faramea porophylla e Sebastiania commersoniana mostraram mais de
63% dos indivíduos incluídos até 30 m da margem do rio. Outras espécies de
distribuição predominante nestas faixas são: Eugenia uniflora, Prunus sellowii,
Calycorectes psidiflorus, Esenbeckia grandiflora, Rollinia sylvatica, Myrcia obtecta e
Machaerium nictitans. Por outro lado, outras espécies estão concentradas nas faixas
mais distantes do rio como Casearia sylvestris, Machaerium minutiflorum, Machaerium
paraguariense, Nectandra megapotamica, Banara tomentosa, Lonchocarpus
campestris, Solanum sancta-catharinae e Actinostemon concolor, normalmente
amostradas nas florestas de planalto. Este padrão misto de espécies típicas de formação
ciliar e outras de áreas sob menor influência de água, já foi demonstrado em diferentes
trabalhos relacionados por Rodrigues (1991).
Figura 2. Padrões de distribuição dos indivíduos (%) de 12 espécies ao longo das dez faixas (10 m cada)
de distância do rio Iapó, fazenda Batavo, Tibagi, PR.
O número de espécies, expresso em porcentagem, (tabela 1) em cada categoria
sucessional foi: secundárias tardias, 41,7%; secundárias iniciais, 39,37% e pioneiras,
8,66%, além das não categorizadas, 10,23% (onde a identificação não ocorreu ao nível
específico). Os padrões de porcentagem da área da fazenda Batavo são similares aos
encontrados por Leitão Filho et al. (1993) para uma área de floresta atlântica
considerada madura com perturbações não ultrapassando a extração seletiva de madeira.
Como Rodrigues (1991) já apresentou, a maioria das espécies pioneiras posicionou-se
com baixos valores de IVI. Com exceção de Casearia sylvestris, Araucaria angustifolia
e Allophylus guaraniticus, as demais têm menos de dez indivíduos: Alchornea
triplinervia, A. glandulosa, Miconia tristis, Aegiphila sellowiana, Zanthoxylum
rhoifolium, Trema micrantha, Aegiphila mediterranea, Clethra scabra e Sapium
glandulatum. Entre as secundárias iniciais, uma única espécie ocupa um dos dez
primeiros lugares em IVI, Matayba elaeagnoides, como ocorreu em outras áreas
estudadas (Rodrigues 1991, A.O.S.Vieira, comunicação pessoal). Desse modo, com
uma espécie pioneira (Casearia sylvestris) e uma secundária inicial (além da categoria
das mortas), todas as outras sete primeiras posições são ocupadas por secundárias
tardias.
Todos estes resultados indicam que, para esta localidade, a mata ciliar encontra-se
permeada por espécies típicas das matas de araucárias e de planalto, sendo que a
distinção entre elas só pode ser feita ao nível florístico. Além disso, esta área também se
encontra na região limite de distribuição de algumas de suas espécies. Por exemplo,
Araucaria angustifolia ocorre de forma contínua ao longo do sul do Brasil até as
latitudes 22º-23º S (Huek 1972), enquanto Aspidosperma polyneuron aparece nas matas
de planalto do Brasil, com limite sul entre 24º-25º S de latitude, (Marcondes-Ferreira
Neto 1988). Assim, nesta região, o tipo do solo somado às condições ambientais como a
influência do clima mais frio do sul, com geadas ocasionais, podem estabelecer pressões
limitantes à distribuição de espécies, bem como ocasionar esta diversidade.
Agradecimentos - Ao Sr. Leonardo A. De Geus, proprietário da fazenda Batavo, pela permissão para os
estudos na área; à Prefeitura Municipal de Tibagi, pelo apoio constante; ao pessoal técnico de topografia
da UEL, pela demarcação das parcelas e levantamento topográfico; ao botânico Marcos Sobral, pela
identificação de plantas da família Myrtaceae.
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1. Parte do projeto "Aspectos da fauna e flora da bacia do Rio Tibagi", convênio: Universidade Estadual
de Londrina, Indústria Klabin de papel e Celulose e Consórcio Intermunicipal para Proteção Ambiental da
Bacia do Rio Tibagi (COPATI ).
2. Departamento de Biologia Animal e Vegetal, CBB, Universidade Estadual de Londrina, Caixa Postal
6001, 86051-970 Londrina, PR, Brasil.
3. Departamento de Biociências, CEBIM Universidade Federal de Uberlândia, Caixa Postal 593, 38400136 Uberlândia, MG, Brasil.
4. Bolsista do Convênio UEL/KLABIN/COPATI. Departamento de Botânica, IB, Universidade Estadual
de Campinas, Caixa Postal 6109, 13083-970 Campinas, SP, Brasil.
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