AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE MASSA SECA E ESTATURA DE PLANTAS NO ENSAIO NACIONAL DE CULTIVARES DE AVEIA PRETA E BRANCA PARA COBERTURA DO SOLO 2012– PATO BRANCO – PR Danilo Eduardo Sebim1, Paulo Henrique de Oliveira2, Douglas Rodrigo Baretta3, Antonio Pedro Brusamarello3, Chleiton A. Dahlke3, Rodrigo Zanella3, Lucas Feversani3, Ramiro Tonial3 A Região Sul do Brasil se caracteriza pela produção de uma grande diversidade de produtos agropecuários, possibilitada pela alternância entre inverno e verão bem marcados. Durante o período de Outono e Inverno, a aveia se mostra como uma excelente alternativa de cultivo na região, tradicionalmente empregada em pastejo por bovinos, visto que nessa época a produção das pastagens perenes é bastante reduzida. Sendo ainda, os grãos da planta utilizados tanto na alimentação humana como animal. O cultivo da aveia tem sido impulsionado na região pelo forte crescimento da integração lavoura-pecuária. Mesmo alguns produtores que não possuem atividade pecuária cultivam a aveia no período de inverno nas áreas de lavoura com o objetivo de produzir cobertura verde e proteger o solo contra erosão, onde os elevados teores de lignina e alta relação C/N fazem com que a palhada permaneça no solo por um período de tempo maior (COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, 2003). Adotando a prática da utilização da aveia como cobertura morta em épocas que o clima não propicia o cultivo das principais culturas, pode-se acrescentar melhores propriedades ao solo, como melhor agregação de partículas, armazenamento de água e resistência a forças externas pela adição de matéria orgânica ao sistema (GUERRA et al., 2007). A matéria orgânica também pode melhorar condições no combate a toxidez por alumínio, visto que este cátion é fortemente adsorvido pela matéria orgânica e deixa de ser tóxico para as plantas. Além disso, em solos de regiões tropicais, a matéria orgânica tem importante papel na Capacidade de Troca de Cátions (CTC) do solo (RONQUIN, 2010). Diversos são os ganhos quando utilizado aveia no sistema de rotação de culturas, já que é melhoradora da sanidade de culturas subsequentes, controladora de plantas daninhas, e não hospedar Meloidogyne spp., influenciando na redução da população desses parasitas e contribuindo assim para melhores resultados nas culturas seguintes que sejam hospedeiras desse 1 Acadêmico do Curso de Agronomia, estagiário de Iniciação Cientifica CNPq Departamento de Fisiologia Vegetal, e-mail: [email protected] 2 Engº Agrônomo, Professor Dr do Curso de Agronomia, Área de Melhoramento Genético Vegetal, UTFPR- Campus Pato Branco 3 Acadêmico do Curso de Agronomia, estagiário voluntário do Programa de Melhoramento Vegetal, UTFPR - Campus Pato Branco gênero de fitonematóides (COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, 2003). Em vista disto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar cultivares e linhagens quanto a produção de massa seca e altura de plantas visando a cobertura do solo. O experimento foi conduzido no ano agrícola de 2012, na área experimental da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Pato Branco, situado na latitude Sul de 26º 11’ e longitude oeste 52º 36’ e altitude média de 730 m. O solo é classificado como Latossolo Vermelho distroférrico. Foram avaliados 11 materiais, sendo oito cultivares e três linhagens de aveia branca e preta. O delineamento experimental utilizado foi em blocos ao acaso com quatro repetições. As parcelas foram compostas por cinco linhas de 5 m de comprimento espaçadas 0,2 m entre si, com densidade de semeadura de 350 sementes por m2. A semeadura foi realizada em 6 de julho de 2012, com adubação de base de 350 kg ha-1 de NPK na formulação comercial 4-14-8, e após 50 dias, aplicado 40 kg ha-1 de nitrogênio em cobertura. Para a avaliação de estatura de planta foram mensuradas 10 plantas por parcela, levantando-se as plantas que estavam acamadas, considerando na medida desta variável o intervalo compreendido entre o colo da planta e o ápice da panícula. Em relação à produção de massa seca, foram colhidas apenas as 3 linhas centrais de cada parcela, desprezando-se 0,5 m de cada extremidade da parcela. Após o corte, as amostras foram acondicionadas em estufas de circulação de ar forçada com temperatura de 60º C até atingirem peso constante. Os dados foram submetidos à análise da variância e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Observa-se que houve diferença significativa para as cultivares e linhagens analisadas quanto a produção de massa seca e altura de planta (Tabela 1). A cultivar UPFA 21 – Moreninha foi a que apresentou maior produção de massa seca, com produção total de 8953,33 kg.ha-1, sendo que esta não diferiu estatisticamente da SI 0502-56M e da EMBRAPA 139. A IPR 126 foi a cultivar que apresentou a menor produção de massa seca dentre os materiais analisados, com produção de 2347,92 kg.ha-1, não diferindo estatisticamente da FAPA 2, Preta comum e FAPA 43. A SI 0502-56M foi a cultivar que apresentou a maior altura de planta, com 1,43 m, diferindo estatisticamente de todas as demais cultivares analisadas. A Preta comum foi a cultivar que apresentou o menor porte, 0,9 m, não diferindo estatisticamente da FAPA 2, FAPA 43, SI 0501-23M e da Iapar 61 – Ibiporã. Não houve diferenças significativas entre os materiais no que diz respeito ao ciclo, uma vez que todos apresentam valores entre 100 e 110 dias. As diferenças de produção de matéria seca são oriundas, provavelmente, de diferenças na fotossíntese líquida diária de cada material. Observa-se uma tendência de incremento na produção de massa seca com o aumento da estatura de planta. No entanto, o hábito de crescimento do material avaliado exerce influência, pois nota-se que aqueles mais produtivos são os que possuem hábito de crescimento mais ereto. Isto se justifica pelo fato de que o sombreamento causado às folhas baixeiras quando as plantas estão acamadas impede que estas sejam fotossinteticamente ativas, tornando-se drenos para a planta por consumirem os carboidratos através da respiração. Referências Bibliográficas COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA. Indicações técnicas para a cultura da aveia. Passo Fundo: Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária/UPF, 87p. Passo Fundo, 2003. GUERRA, et. al. Erosão e conservação dos solos: Conceitos, temas e aplicações.– 3ª ed.- Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007. RONQUIN, C. C. Conceitos de fertilidade do solo e manejo adequado para as regiões tropicais / Carlos Cesar Ronquin, Embrapa Monitoramento por Satélite. – 340p, Campinas, 2010. Tabela 1. Avaliação da produção de massa seca, altura de plantas, Ciclo e Hábito de crescimento de materiais de aveia. Pato Branco-PR, 2013. Cultivares UPFA 21 - Moreninha Produção de Massa -1 seca (kg.ha )* 8958,33 a SI 0502-56M 8697,92 ab EMBRAPA 139 7135,42 ab Iapar 61 – Ibiporã 6697,92 bc 5885,42 SI 031 AP09 5604,17 cd SI 0501-23M 3885,42 de 3219,79 e 2684,38 e UTF IGUAÇU FAPA 43 Preta Comum (T) FAPA 2 1,43 1,25 a bc ef 1,02 cd e Ciclo ns (dias) Altura (m)* bcd 1,21 Hábito de crescimento 100 3 105 3 100 3 110 3 1,24 bcd 100 4 1,26 b 100 3 1,06 def 110 5 0,98 ef 100 5 0,90 f 100 3 ef 2563,54 0,97 100 5 e cde IPR 126 (T) 2347,92 1,08 100 3 *médias seguidas da mesma letra, na coluna, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5% a probabilidade de erro.